sábado, 30 de janeiro de 2021

Emmanuel - Livro Paulo e Estêvão - Chico Xavier - 1ª Parte - Cap. 5 - A pregação de Estêvão




Emmanuel - Livro Paulo e Estêvão - Chico Xavier - 1ª Parte - Cap. 5


A pregação de Estêvão


Saulo e Sadoc entraram na igreja humilde de Jerusalém, notando a massa compacta de pobres e miseráveis que ali se aglomeravam com um raio de esperança nos olhos tristes.

O pavilhão singelo, construído à custa de tantos sacrifícios, não passava de grande telheiro revestido de paredes frágeis, carente de todo e qualquer conforto.

Tiago, Pedro e João surpreenderam-se singularmente com a presença do jovem doutor da Lei, que se popularizara na cidade pela sua oratória veemente e pelo acurado conhecimento das Escrituras.

Os generosos galileus ofereceram-lhe o banco mais confortável. Ele aceitou as gentilezas que lhe dispensavam, sorrindo com indisfarçável ironia de tudo que ali se lhe deparava. Intimamente, considerava que o próprio Sadoc fora vítima de falsas apreciações. Que podiam fazer aqueles homens ignorantes, irmanados a outros já envelhecidos, valetudinários e doentes? Que podiam significar de perigoso para a Lei de Israel aquelas crianças ao abandono, aquelas mulheres semimortas, em cujo coração pareciam aniquiladas todas as esperanças? Experimentava grande mal-estar defrontando tantos rostos que a lepra havia devastado, que as úlceras malignas haviam desfigurado impiedosamente. Aqui, um velhote com chagas purulentas envolvidas em panos fétidos; além, um aleijado mal coberto de molambos, ao lado de órfãos andrajosos que se acomodavam com humildade.

O conhecido doutor da Lei notou a presença de várias pessoas que lhe acompanhavam a palavra na interpretação dos textos de Moisés, na Sinagoga dos cilícios, outras que seguiam de perto as suas atividades no Sinédrio, onde a sua inteligência era tida como penhor de esperança racial. Pelo olhar, compreendeu que esses amigos ali estavam igualmente pela primeira vez. Sua visita, ao templo ignorado dos galileus sem-nome, atraíra muitos afeiçoados do farisaísmo dominante, ansiosos pelos serviços eventuais que pudessem destacá-los e recomendá-los às autoridades mais importantes. Saulo concluiu que aquela fração do auditório fazia ato de presença e de solidariedade em qualquer providência que houvesse de tomar. Pareceu-lhe natural e lógica aquela atitude, conveniente aos fins a que se propunha. Não se contavam fatos incríveis, operados pelos adeptos do “Caminho”? Não seriam grosseiras e escandalosas mistificações? Quem diria que tudo aquilo não fosse o produto ignóbil de bruxarias e sortilégios condenáveis? Na hipótese de lhe identificar qualquer finalidade desonesta, podia contar, mesmo ali, com grande número de correligionários, dispostos a defender o rigoroso cumprimento da Lei, custasse-lhes embora os mais pesados sacrifícios.

Notando um que outro quadro menos grato ao seu olhar acostumado aos ambientes de luxo, evitava fixar os aleijados e doentes que se acotovelavam no recinto, chamando a atenção de Sadoc, com observações irônicas e pitorescas. Quando o vasto recinto, desnudo de ornatos e símbolos de qualquer natureza, de todo se encheu, um jovem permeou as filas extensas, ladeado de Pedro e João, galgando os três um estrado quase natural, formado de pedras superpostas.

— Estêvão!… É Estêvão!…

Vozes abafadas inculcavam o pregador, enquanto seus admiradores mais fervorosos apontavam para ele com jubiloso sorriso.

Inesperado silêncio mantinha todas as frontes em singulares expectativas. O moço, magro e pálido, em cuja assistência os mais infelizes julgavam encontrar um desdobramento do amor do Cristo, orou em voz alta suplicando para si e para a assembleia a inspiração do Todo-Poderoso. Em seguida, abriu um livro em forma de rolo e leu uma passagem das anotações de Mateus:

— Mas, ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; e, indo, pregai dizendo: é chegado o Reino dos Céus. [1]

Estêvão ergueu alto os olhos serenos e fulgurantes, e, sem se perturbar com a presença de Saulo e dos seus numerosos amigos, começou a falar mais ou menos nestes termos, com voz clara e vibrante:

— “Meus caros, eis que chegados são os tempos em que o Pastor vem reunir as ovelhas em torno do seu zelo sem limites. Éramos escravos das imposições pelos raciocínios, mas hoje somos livres pelo Evangelho do Cristo Jesus. Nossa raça guardou, de épocas imemoriais, a luz do Tabernáculo e Deus nos enviou seu Filho sem mácula. Onde estão, em Israel, os que ainda não ouviram as mensagens da Boa Nova? Onde os que ainda não se felicitaram com as alegrias da nova fé? Deus enviou sua resposta divina aos nossos anseios milenários, a revelação dos Céus aclara os nossos caminhos.

Consoante as promessas da profecia de todos quantos choraram e sofreram por amor ao Eterno, o Emissário Divino veio até ao antro de nossas dores amargas e justas, para iluminar a noite de nossas almas impenitentes, para que se nos desdobrassem os horizontes da redenção. O Messias atendeu aos problemas angustiosos da criatura humana, com a solução do amor que redime todos os seres e purifica todos os pecados. Mestre do trabalho e da perfeita alegria da vida, suas bênçãos representam nossa herança. 

Moisés foi a porta, o Cristo é a chave. Com a coroa do martírio adquiriu, para nós outros, a láurea imortal da salvação. Éramos cativos do erro, mas seu sangue nos libertou. Na vida e na morte, nas alegrias de Caná, como nas angústias do Calvário, pelo que fez e por tudo que deixou de fazer em sua gloriosa passagem pela Terra, Ele é o Filho de Deus iluminando o caminho.

“Acima de todas as cogitações humanas, fora de todos os atritos das ambições terrestres, seu Reino de paz e luz esplende na consciência das almas redimidas.

“Ó Israel! tu que esperaste por tantos séculos, tuas angústias e dolorosas experiências não foram vãs!… Enquanto outros povos se debatiam nos interesses inferiores, cercando os falsos ídolos de falsa adoração e promovendo, simultaneamente, as guerras de extermínio com requintes de perversidade, tu, Israel, esperaste o Deus justo. Carregaste os grilhões da impiedade humana, na desolação e no deserto; converteste em cânticos de esperança as ignomínias do cativeiro; sofreste o opróbrio dos poderosos da Terra; viste os teus varões e as tuas mulheres, os teus jovens e as tuas crianças exterminados sob o guante das perseguições, mas nunca descreste da justiça dos Céus! 

Como o Salmista, afirmaste com teu heroísmo que o amor e a misericórdia vibram em todos os teus dias! Choraste no caminho longo dos séculos, com as tuas amarguras e feridas. Como Job, viveste da tua fé, subjugada pelas algemas do mundo, mas já recebeste o sagrado depósito de Jeová — O Deus único!… Oh! esperanças eternas de Jerusalém, cantai de júbilo, regozijai-vos, embora não tivéssemos sido fiéis inteiramente à compreensão, por conduzir o Cordeiro Amado aos braços da cruz. Suas chagas, todavia, nos compraram para o Céu, com o alto preço do sacrifício supremo!…

“Isaías o contemplou, vergado ao peso de nossas iniquidades, florescendo na aridez dos nossos corações, qual flor do Céu num solo adusto, mas, revelou também, que, desde a hora da sua extrema renúncia, na morte infamante, a sagrada causa divina prosperaria para sempre em suas mãos.

“Amados, onde andarão aquelas ovelhas que não souberam ou não puderam esperar? Procuremo-las para o Cristo, como dracmas perdidas do seu desvelado amor! Anunciemos a todos os desesperançados as glórias e os júbilos do seu Reino de paz e de amor imortal!..

“A Lei nos retinha no espírito de nação, sem conseguir apagar de nossa alma o desejo humano de supremacia na Terra. Muitos de nossa raça hão esperado um príncipe dominador, que penetrasse em triunfo a Cidade Santa, com os troféus sangrentos de uma batalha de ruína e morte; que nos fizesse empunhar um cetro odioso de força e tirania. Mas o Cristo nos libertou para sempre. Filho de Deus e emissário da sua glória, seu maior mandamento confirma Moisés, quando recomenda o amor a Deus acima de todas a coisas de todo o coração e entendimento, acrescentando, no mais formoso decreto divino, que nos amemos uns aos outros, como Ele próprio nos amou. 

“Seu Reino é o da consciência reta e do coração purificado ao serviço de Deus. Suas portas constituem o maravilhoso caminho da redenção espiritual, abertas de par em par aos filhos de todas as nações.

“Seus discípulos amados virão de todos os quadrantes. Fora de suas luzes haverá sempre tempestade para o viajor vacilante da Terra que, sem o Cristo, cairá vencido nas batalhas infrutuosas e destruidoras das melhores energias do coração. Somente o seu Evangelho confere paz e liberdade. É o tesouro do mundo. Em sua glória sublime os justos encontrarão a coroa de triunfo, os infortunados o consolo, os tristes a fortaleza do bom ânimo, os pecadores a senda redentora dos resgates misericordiosos.

“É verdade que o não havíamos compreendido. No grande testemunho, os homens não entenderam sua divina humildade e os mais afeiçoados o abandonaram. Suas chagas clamaram pela nossa indiferença criminosa. Ninguém poderá eximir-se dessa culpa, visto sermos todos herdeiros das suas dádivas celestiais. Onde todos gozam do benefício, ninguém pode fugir à responsabilidade. Essa a razão por que respondemos pelo crime do Calvário. Mas, suas feridas foram a nossa luz, seus martírios o mais ardente apelo de amor, seu exemplo o roteiro aberto para o bem sublime e imortal.

“Vinde, pois, comungar conosco à mesa do banquete divino! Não mais as festas do pão putrescível, mas o eterno alimento da alegria e da vida… Não mais o vinho que fermenta, mas o néctar confortante da alma, diluído nos perfumes do amor imortal.

“O Cristo é a substância da nossa liberdade. Dia virá em que o seu Reino abrangerá os filhos do Oriente e do Ocidente, num amplexo de fraternidade e de luz. Então, compreenderemos que o Evangelho é a resposta de Deus aos nossos apelos, em face da Lei de Moisés. A Lei é humana; o Evangelho é divino. Moisés é o condutor; O Cristo, o Salvador. Os profetas foram mordomos fiéis; Jesus, porém, é o Senhor da Vinha. Com a Lei, éramos servos; com o Evangelho, somos filhos livres de um Pai amoroso e justo!…”

Nesse ínterim, Estêvão sustou a palavra que lhe fluía harmoniosa e vibrante dos lábios, inspirada nos mais puros sentimentos. Os ouvintes de todos os matizes não conseguiram ocultar o assombro, ante os seus conceitos de vigorosas revelações. A multidão embevecera-se com os princípios expostos. Os mendigos, ali aglomerados, endereçavam ao pregador um sorriso de aprovação, bem significativo de jubilosas esperanças. João fixava nele os olhos enternecidos, identificando, mais uma vez, no seu verbo ardente, a mensagem evangélica interpretada por um discípulo dileto do Mestre inesquecível, nunca ausente dos que se reúnem em seu nome.

Saulo de Tarso, emotivo por temperamento, fundia-se na onda de admiração geral; mas, altamente surpreendido, verificou a diferença entre a Lei e o Evangelho anunciado por aqueles homens estranhos, que a sua mentalidade não podia compreender. Analisou, de relance, o perigo que os novos ensinos acarretavam para o Judaísmo dominante. Revoltara-se com a prédica ouvida, nada obstante a sua ressonância de misteriosa beleza. Ao seu raciocínio, impunha-se eliminar a confusão que se esboçava, a propósito de Moisés. A Lei era uma e única. Aquele Cristo que culminou na derrota, entre dois ladrões, surgia a seus olhos como um mistificador indigno de qualquer consideração. A vitória de Estêvão na consciência popular, qual a verificava naquele instante, causava-lhe indignação. Aqueles galileus poderiam ser piedosos, mas não deixavam de ser criminosos pela subversão dos princípios invioláveis da raça.

O orador preparava-se para retomar a palavra, momentaneamente interrompida e aguardada com expectação de júbilo geral, quando o jovem doutor se levantou ousadamente e exclamou, quase colérico, frisando os conceitos com evidente ironia.

— “Piedosos galileus, onde o senso de vossas doutrinas estranhas e absurdas? Como ousais proclamar a falsa supremacia de um nazareno obscuro sobre Moisés, na própria Jerusalém onde se decidem os destinos das tribos de Israel invencível? Quem era esse Cristo? Não foi um simples carpinteiro?”

Ao orgulhoso entono da inesperada apóstrofe, houve no ambiente um tal ou qual retraimento de temor, mas, dos desvalidos da sorte, para quem a mensagem do Cristo era o alimento supremo, partiu para Estêvão um olhar de defesa e jubiloso entusiasmo. Os Apóstolos da Galileia não conseguiam dissimular seu receio. Tiago estava lívido. Os amigos de Saulo notaram-lhe a máscara escarninha. O pregador também empalidecera, mas revelava no olhar resoluto o mesmo traço de imperturbável serenidade. Fitando o doutor da Lei, o primeiro homem da cidade que se atrevera a perturbar o esforço generoso do evangelismo, sem trair a seiva de amor que lhe desbordava do coração, fez ver a Saulo a sinceridade das suas palavras e a nobreza dos seus pensamentos. E antes que os companheiros voltassem a si da surpresa que os assomara, com admirável presença de espírito, indiferente à impressão do temor coletivo, obtemperou:

— “Ainda bem que o Messias fora carpinteiro: porque, nesse caso, a Humanidade já não ficaria sem abrigo. Ele era, de fato, o Abrigo da paz e da esperança! Nunca mais andaremos ao léu das tempestades nem na esteira dos raciocínios quiméricos de quantos vivem pelo cálculo, sem a claridade do sentimento.”

A resposta concisa, desassombrada, desconcertou o futuro rabino, habituado a triunfar nas esferas mais cultas, em todas as justas da palavra. Enérgico, ruborizado, evidenciando cólera profunda, mordeu os lábios num gesto que lhe era peculiar e acrescentou com voz dominadora:

— “Aonde iremos com semelhantes excessos de interpretação, em torno de um mistificador vulgar, que o Sinédrio puniu com a flagelação e a morte? Que dizer de um Salvador que não conseguiu salvar-se a si mesmo? Emissário revestido de celestes poderes, como não evitou a humilhação da sentença infamante? O Deus dos exércitos, que sequestrou a nação privilegiada ao cativeiro, que a guiou através do deserto abrindo-lhe a passagem do mar; que lhe saciou a fome com o maná divino e, por amor, transformou a rocha impassível em fonte de água viva, não teria meios, outros, de assinalar o seu enviado senão com uma cruz de martírio, entre malfeitores comuns? Tendes, nesta casa, a glória do Senhor Supremo, assim barateada? Todos os doutores do Templo conhecem a história do impostor que celebrizais com a simplicidade da vossa ignorância! Não vacilais em rebaixar nossos próprios valores, apresentando um Messias dilacerado e sangrento, sob os apupos do povo?!… Lançais vergonha sobre Israel e desejais fundar um novo reino? Seria justo dardes a conhecer, inteiramente, a nós outros, o móvel das vossas fábulas piedosas.”

Estabelecida uma pausa na sua objurgatória, o orador voltou a falar com dignidade:

— “Amigo, bem se dizia que o Mestre chegaria ao mundo para confusão de muitos em Israel. Toda a história edificante do nosso povo é um documento da revelação de Deus. No entanto, não vedes nos efeitos maravilhosos com que a Providência guiou as tribos hebreias, no passado, a manifestação do carinho extremo de um Pai desejoso de construir o futuro espiritual de crianças queridas do seu coração? Com o correr do tempo, observamos que a mentalidade infantil enseja mais vastos princípios educativos. O que ontem era carinho, é hoje energia oriunda das grandes expressões amorosas da alma. O que ontem era bonança e verdor, para nutrição da sublime esperança, hoje pode ser tempestade, para dar segurança e resistência. Antigamente, éramos meninos até no trato com a revelação; agora, porém, os varões e as mulheres de Israel atingiram a condição de adultos no conhecimento. 

O Filho de Deus trouxe a luz da verdade aos homens, ensinando-lhes a misteriosa beleza da vida, com o seu engrandecimento pela renúncia. Sua glória resumiu-se em amar-nos, como Deus nos ama. Por essa mesma razão, Ele ainda não foi compreendido. Acaso poderíamos aguardar um salvador de acordo com os nossos propósitos inferiores? 

Os profetas afirmam que as estradas de Deus podem não ser os caminhos que desejamos, e que os seus pensamentos nem sempre se poderão harmonizar com os nossos. Que dizermos de um Messias que empunhasse o cetro no mundo, disputando com os príncipes da iniquidade um galardão de triunfos sangrentos? Porventura a Terra já não estará farta de batalhas e cadáveres? Perguntemos a um general romano quanto lhe custou o domínio da aldeia mais obscura; consultemos a lista negra dos triunfadores, segundo as nossas ideias errôneas da vida. Israel jamais poderia esperar um Messias a exibir-se num carro de glórias magnificentes do Plano material, suscetível de tombar no primeiro resvaladouro do caminho. Essas expressões transitórias pertencem ao cenário efêmero, no qual a púrpura mais fulgurante volta ao pó. 

Ao contrário de todos os que pretenderam ensinar a virtude, repousando na satisfação dos próprios sentidos, Jesus executou sua tarefa entre os mais simples ou mais desventurados, onde, muitas vezes, se encontram as manifestações do Pai, que educa, através da esperança insatisfeita e das dores que trabalham, do berço ao túmulo, a existência humana. O Cristo edificou, entre nós, seu Reino de amor e paz, sobre alicerces divinos. Sua exemplificação está projetada na alma humana, com luz eterna! Quem de nós, então, compreendendo tudo isso, poderá identificar no Emissário de Deus um príncipe belicoso? Não! 

O Evangelho é amor em sua expressão mais sublime. O Mestre deixou-se imolar transmitindo-nos o exemplo da redenção pelo amor mais puro. Pastor do imenso rebanho, Ele não quer se perca uma só de suas ovelhas bem-amadas, nem determina a morte do pecador. O Cristo é vida, e a salvação que nos trouxe está na sagrada oportunidade da nossa elevação, como filhos de Deus, exercendo os seus gloriosos ensinamentos.”

Depois de uma pausa, o doutor da Lei já se erguia para revidar, quando Estêvão continuou:

— “E agora, irmãos, peço vênia para concluir minhas palavras. Se não vos falei como desejáveis, falei como o Evangelho nos aconselha, arguindo a mim próprio na íntima condenação de meus grandes defeitos. Que a bênção do Cristo seja com todos vós.”

Antes que pudesse abandonar a tribuna para confundir-se com a multidão, o futuro rabino levantou-se de chofre e observou enraivecido:

— Exijo a continuação da arenga! Que o pregador espere, pois não terminei o que preciso dizer.

Estêvão replicou serenamente:

— Não poderei discutir.

— Por quê? — perguntou Saulo irritadíssimo. — Estais intimado a prosseguir.

— Amigo — elucidou o interpelado calmamente —, o Cristo aconselhou que devemos dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Se tendes alguma acusação legal contra mim, exponde-a sem receio e vos obedecerei; mas, no que pertence a Deus, só a Ele compete arguir-me.

Tão alto espírito de resolução e serenidade, quase desconcertou o doutor do Sinédrio; compreendendo, porém, que a impulsividade somente poderia prejudicar-lhe a clareza do pensamento, acrescentou mais calmo, apesar do tom imperioso que deixava transparecer toda a sua energia:

— Mas eu preciso elucidar os erros desta casa. Necessito perguntar e haveis de responder-me.

— No tocante ao Evangelho — replicou Estêvão —, já vos ofereci os elementos de que podia dispor, esclarecendo o que tenho ao meu alcance. Quanto ao mais este templo humilde é construção de fé e não de justas casuísticas. Jesus teve a preocupação de recomendar a seus discípulos que fugissem do fermento das discussões e das discórdias. Eis por que não será lícito perdermos tempo em contendas inúteis, quando o trabalho do Cristo reclama o nosso esforço.

— Sempre o Cristo! sempre o impostor! — trovejou Saulo, carrancudo. — Minha autoridade é insultada pelo vosso fanatismo, neste recinto de miséria e de ignorância. Mistificadores, rejeitais as possibilidades de esclarecimento que vos ofereço; galileus incultos, não quereis considerar o meu nobre cartel de desafio. Saberei vingar a Lei de Moisés, da qual se tripudia. Recusais a intimativa, mas não podereis fugir ao meu desforço. Aprendereis a amar a verdade e a honrar Jerusalém, renunciando ao nazareno insolente, que pagou na cruz os criminosos desvarios. Recorrerei ao Sinédrio para vos julgar e punir. O Sinédrio tem autoridade para desfazer vossas condenáveis alucinações.

Assim concluindo, parecia possesso de fúria. Mas nem assim logrou perturbar o pregador, que lhe respondeu de ânimo sereno:

— Amigo, o Sinédrio tem mil meios de me fazer chorar, mas não lhe reconheço poderes para obrigar-me a renunciar ao amor de Jesus-Cristo.

Dito isso, desceu da tribuna com a mesma humildade, sem se deixar empolgar pelo gesto de aprovação que lhe endereçavam os filhos do infortúnio, que ali o ouviam como a um defensor de sagradas esperanças.

Alguns protestos isolados começaram a ser ouvidos. Fariseus irritados vociferavam insolências e remoques. A massa agitava-se, prevendo atrito iminente; mas, antes que Estêvão caminhasse dez passos para o interior junto dos companheiros, e antes que Saulo o alcançasse com outras objeções pessoais e diretas, uma velhinha maltrapilha apresentou-lhe uma jovem pobremente vestida e exclamou cheia de confiança:

— Senhor! sei que continuais a bondade e os feitos do profeta de Nazaré, que um dia me salvou da morte, apesar dos meus pecados e fraquezas. Atendei-me também, por piedade! Minha filha emudeceu há mais de um ano. Trouxe-a de Dalmanuta  †  até aqui, vencendo enormes dificuldades, confiada na vossa assistência fraternal!

O pregador refletiu, antes de tudo, no perigo de qualquer capricho pessoal da sua parte, e, desejoso de atender à suplicante, contemplou a doente com sincera simpatia e murmurou:

— De nós nada temos, mas é justo esperar do Cristo as dádivas que nos sejam necessárias. Ele que é justo e generoso não te esquecerá na distribuição santificada da sua misericórdia.

E, como atuado por força estranha, acrescentava:

— Hás de falar, para louvor do bom Mestre!…

Então, viu-se um fato singular que impressionou de súbito a numerosa assembleia. Com um raio de infinita alegria nos olhos, a enferma falou:

— Louvarei ao Cristo de toda minh'alma, eternamente. 

Ela e a genitora, tomadas de forte comoção, caíram, ali mesmo, de joelhos e beijaram-lhe as mãos; Estêvão, entretanto, tinha agora os olhos mareados de pranto, profundamente sensibilizado. Era o primeiro a comover-se e admirar a proteção recebida, e não tinha outro meio que não o das lágrimas sinceras para traduzir a intensidade do seu reconhecimento.

Os fariseus, que se aproximavam no intuito de comprometer a paz do recinto humilde, recuaram estupefatos. Os pobres e os aflitos, como se houvessem recebido um reforço do Céu para o êxito da crença pura, encheram a sala de exclamações de sublime esperança.

Saulo observava a cena sem poder dissimular a própria ira. Se possível, desejaria esfrangalhar Estêvão em suas mãos. No entanto, apesar do temperamento impulsivo, chegou à conclusão de que um ato agressivo levaria os amigos presentes a um conflito de sérias proporções. Refletiu, igualmente, que nem todos os adeptos do “Caminho” estavam, como o pregador, em condições de circunscrever a luta ao plano das lições de ordem espiritual, e, de certa maneira, não recusariam a luta física. De relance, notou que alguns estavam armados, que os anciães traziam fortes cajados de arrimo, e os aleijados exibiam rijas muletas. A luta corporal, naquele recinto de construção frágil, teria consequências lamentáveis. Procurou coordenar melhores raciocínios. Teria a Lei a seu favor. Poderia contar com o Sinédrio. Os sacerdotes mais eminentes eram amigos devotados. Lutaria com Estêvão até dobrar-lhe a resistência moral. Se não conseguisse submetê-lo, odiá-lo-ia para sempre. Na satisfação dos seus caprichos, saberia remover todos os obstáculos.

Reconhecendo que Sadoc e mais dois companheiros iam iniciar o tumulto, gritou-lhes em voz grave e imperiosa:

— Vamo-nos! Os adeptos do “Caminho” pagarão muito caro a sua ousadia.

Nesse momento, quando todos os fariseus se dispunham a lhe atender a voz de comando, o moço de Tarso    notou que Estêvão se encaminhava para o interior da casa, passando-lhe rente aos ombros. Saulo sentiu-se abalado em todas as fibras do seu orgulho. Fixou-o, quase com ódio, mas o pregador correspondeu-lhe com um olhar sereno e amistoso.

Tão logo se retirou o jovem doutor da Lei com os companheiros numerosos que não conseguiam disfarçar o seu despeito, os Apóstolos galileus passaram a considerar, com grande receio, as consequências que poderiam advir do inesperado episódio.

No dia seguinte, como de costume, Saulo de Tarso, à tardinha, entrava em casa de Zacarias, deixando transparecer na fisionomia a contrariedade que lhe ia no íntimo. Depois de aliviar-se um tanto dos pensamentos sombrios que o atribulavam, graças ao carinho da noiva amada, por ela instado a dizer os motivos de tamanha preocupação, narrou-lhe os acontecimentos da véspera, acrescentando:

— Esse Estêvão pagará caríssimo a humilhação que pretendeu infligir-se publicamente. Seus raciocínios sutis podem confundir os menos argutos e necessário é fazermos preponderar nossa autoridade em face dos que não têm competência para versar os princípios sagrados. Hoje mesmo conversei com alguns amigos relativamente às providências que nos cumpre tomar. Os mais tolerantes alegam o caráter inofensivo dos galileus, pacíficos e caritativos, mas sou de opinião que uma ovelha má põe o rebanho a perder.

— Acompanho-te na defesa das nossas crenças — advertiu a moça satisfeita —, não devemos abandonar nossa fé ao trato e ao sabor das interpretações individuais e incompetentes.

Depois de um pausa:

— Ah! se Jeziel estivesse conosco, seria teu braço forte na exposição dos conhecimentos sagrados. Certamente, ele teria prazer em defender o Testamento contra qualquer expressão menos razoável e fidedigna.

— Combateremos o inimigo que ameaça a genuinidade da revelação divina — exclamou Saulo — e não cederei terreno aos inovadores incultos e cavilosos.

— Esses homens são muitos? — perguntou Abigail apreensiva.

— Sim, e o que os torna mais perigosos é o mascararem as intenções com atos piedosos, por exaltar a imaginação versátil do povo com pretensos poderes misteriosos, naturalmente alimentados à custa de feitiçarias e sortilégios.

— Em qualquer hipótese — advertiu a jovem depois de refletir um momento — convém proceder com serenidade e prudência, para evitar os abusos de autoridade. Quem sabe são criaturas mais necessitadas de educação que de castigo?

— Sim, já pensei em tudo isso. Aliás, não pretendo incomodar os galileus simplórios e despretensiosos que se cercam, em Jerusalém, de inválidos e doentes, dando-nos a impressão de loucos pacíficos. Contudo, não posso deixar de reprimir o orador, cujos lábios, a meu ver, destilam poderoso veneno no espírito volúvel das massas sem consciência perfeita dos princípios esposados. Aos primeiros importa esclarecer, mas o segundo precisa ser anulado, visto não se lhe conhecerem os fins, quiçá criminosos e revolucionários.

— Não tenho como desaprovar as tuas ilações — concluiu a jovem, condescendente.

Em seguida, como de costume, palestraram sobre os sentimentos sagrados do coração, notando-se que o moço de Tarso encontrava singular encanto e caricioso bálsamo nas observações afetuosas da companheira querida.

Passados alguns dias, tomavam-se em Jerusalém providências para que Estêvão fosse levado ao Sinédrio e ali interrogado sobre a finalidade colimada com as prédicas do “Caminho”.

Dada a intercessão conciliatória de Gamaliel, o feito se resumiria a uma discussão em que o pregador das novas interpretações definisse perante o mais alto tribunal da raça os seus pontos de vista, a fim de que os sacerdotes, como juízes e defensores da lei, expusessem a verdade nos devidos termos.

O convite à requesta chegou à igreja humilde, mas Estêvão se esquivou, alegando que não seria razoável disputar, em obediência aos preceitos do Mestre, apesar dos argumentos do filho de Alfeu, a quem intimidava a perspectiva de uma luta com as autoridades em evidência, parecendo-lhe que a recusa chocaria a opinião pública. Saulo, a seu turno, não poderia obrigar o antagonista a corresponder ao desafio, mesmo porque, o Sinédrio só poderia empregar meios compulsórios no caso de uma denúncia pública, depois da instauração de um processo em que o denunciado fosse reconhecido como blasfemo ou caluniador.

Ante a reiterada escusa de Estêvão, o doutor de Tarso exasperou-se. E depois de irritar a maioria dos companheiros contra o adversário, arquitetou vasto plano, de modo a forçá-lo à polêmica desejada, na qual buscaria humilhá-lo diante de todos os maiorais do judaísmo dominador.

Depois de uma das sessões comuns do Tribunal, Saulo chamou um de seus amigos serviçais e falou-lhe em voz baixa:

— Neemias, nossa causa precisa de um cooperador decidido e lembrei-me de ti para a defesa dos nossos princípios sagrados.

— De que se trata? — perguntou o outro com enigmático sorriso. — Mandai e estou pronto a obedecer.

— Já ouviste falar num falso taumaturgo chamado Estêvão?

— Um dos tais homens detestáveis do “Caminho”? Já lhe ouvi a própria palavra e por sinal que reconheci nas suas ideias as de um verdadeiro alucinado.

— Ainda bem que o conheces de perto — replicou o jovem doutor, satisfeito. — Necessito de alguém que o denuncie como blasfemo em face da Lei e lembrei-me da tua cooperação neste sentido.

— Só isso? — interrogou o interpelado, astutamente. — É coisa fácil e agradável. Pois não o ouvi dizer que o carpinteiro crucificado é o fundamento da verdade divina? Isso é mais que blasfêmia. Trata-se de um revolucionário perigoso, que deve ser punido como caluniador de Moisés.

— Muito bem! — exclamou Saulo num largo sorriso. — Conto, pois, contigo.

No dia imediato, Neemias compareceu ao Sinédrio e denunciou o generoso pregador do Evangelho como blasfemo e caluniador, acrescentando criminosas observações de própria conta. Na peça acusatória, Estêvão figurava como feiticeiro vulgar, mestre de preceitos subversivos em nome de um falso Messias que Jerusalém havia crucificado anos antes, mediante idênticas acusações. Neemias inculcava-se como vítima da perigosa seita que lhe atingira e disturbara a própria família, e afirmava-se testemunha de baixos sortilégios por ele praticados, em prejuízo de outrem.

Saulo de Tarso anotou as mínimas declarações, acentuando os detalhes comprometedores.

A notícia estourou na igreja do “Caminho”, produzindo efeitos singulares e dolorosos. Os menos resolutos, com Tiago à frente, deixaram-se empolgar por considerações de toda ordem, receosos de se verem perseguidos; mas Estêvão, com Simão Pedro e João, mantinha-se absolutamente sereno, recebendo com bom ânimo a ordem de responder corajosamente ao libelo.

Cheio de esperança, rogava a Jesus não o desamparasse, de modo a testemunhar a riqueza da sua fé evangélica.

E esperou o ensejo com fidelidade e alegria.


Emmanuel




[1] Mateus, 10:6-7 (Nota de Emmanuel)



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 129 - Na fonte do bem




Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 129


Na fonte do bem


“Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos…” — PAULO (Gálatas, 6.10)


Muita gente só admite auxílio eficiente, quando o dinheiro aparece. Entretanto, há serviços que o ouro não consegue remunerar.

Há vencimentos justos para os encargos do professor; todavia, ninguém pode estabelecer pagamento aos sacrifícios com que ele abraça os misteres da escola.

Existem honorários para as atividades do médico; no entanto, pessoa alguma logrará recompensar em valores amoedados o devotamento a que se entrega o missionário da cura, no socorro aos enfermos.

Não se compra estímulo ao trabalho.

Não se vende esperança nos armazéns.

O sorriso fraternal não é matéria de negócio.

Gentileza não é artigo de mercado.

Onde a vida te situe, aí recolherás, todo dia, múltiplas ocasiões de fazer o bem.

Nem sempre movimentarás bolsa farta para mitigar a penúria alheia, mas sempre disporás da frase confortadora, da oração providencial, da referência generosa, do gesto amigo.

O apóstolo Paulo reconhece que, às vezes, atravessamos grandes ou pequenos períodos de inibições e provações, pelo que nos recomenda: “enquanto temos tempo, façamos o bem a todos”; contudo, mesmo nas circunstâncias difíceis, urge endereçar aos outros o melhor ao nosso alcance, porque segundo as leis da vida, aquilo que o homem semeia, isso mesmo colherá.


Emmanuel





(Reformador, fevereiro 1963, página 26)


Lázaro - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. 9 - Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos - Instruções dos Espíritos - Item 6 - A afabilidade e a doçura



Lázaro - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. 9 - Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos - Instruções dos Espíritos


A afabilidade e a doçura


6. A benevolência para com os seus semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que lhe são as formas de manifestar-se. Entretanto, nem sempre há que fiar nas aparências. A educação e a frequentação do mundo podem dar ao homem o verniz dessas qualidades. Quantos há cuja fingida bonomia não passa de máscara para o exterior, de uma roupagem cujo talhe primoroso dissimula as deformidades interiores! O mundo está cheio dessas criaturas que têm nos lábios o sorriso e no coração o veneno; que são brandas, desde que nada as agaste, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua, de ouro quando falam pela frente, se muda em dardo peçonhento, quando estão por detrás.

A essa classe também pertencem esses homens, de exterior benigno, que, tiranos domésticos, fazem que suas famílias e seus subordinados lhes sofram o peso do orgulho e do despotismo, como a quererem desforrar-se do constrangimento que, fora de casa, se impõem a si mesmos. Não se atrevendo a usar de autoridade para com os estranhos, que os chamariam à ordem, acham que pelo menos devem fazer-se temidos daqueles que lhes não podem resistir. Envaidecem-se de poderem dizer: “Aqui mando e sou obedecido”, sem lhes ocorrer que poderiam acrescentar: “E sou detestado.”

Não basta que dos lábios manem leite e mel. Se o coração de modo algum lhes está associado, só há hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são tingidas nunca se desmente: é o mesmo, tanto em sociedade, como na intimidade. Esse, ao demais, sabe que se, pelas aparências, se consegue enganar os homens, a Deus ninguém engana.


Lázaro
Paris, 1861 






Cornélio Pires - Livro Opúsculos - Chico Xavier - Cap. 12 - Oferta de amigo




Cornélio Pires - Livro Opúsculos - Chico Xavier - Cap. 12


Oferta de amigo


ESPERANÇA


Artigo sempre atual
Nos Estatutos do Bem:
Não retirar a esperança
Do coração de ninguém.


Cornélio Pires









Emmanuel - Livro Semeador em Tempos Novos - Chico Xavier - Cap. 15 - Mensagem




Emmanuel - Livro Semeador em Tempos Novos - Chico Xavier - Cap. 15


Mensagem


NO III CONGRESSO ESPÍRITA MINEIRO


Espíritas!

Reunidos no Terceiro Congresso Espírita Mineiro, recordamos nosso deveres básicos.

Num século apenas de atividade doutrinária, temos a mensagem do Espiritismo impregnando a cultura de todos os continentes.

Venerada no santuário religioso, é o renascimento da fé;

erguida à ideia dos condutores, é força do progresso;

acalentada no lar, é ajustamento da família;

conhecida nos tribunais, é inspiração da justiça;

incorporada ao magistério, é responsabilidade no ensino;

assimilada nas artes, é clarão de beleza imperecível, varrendo a névoa do túmulo;

analisada no laboratório, é demonstração positiva de imortalidade da alma;

e, conduzida ao seio da comunidade popular a que se destina, é a lógica da evolução e incentivo à fraternidade, instrução e consolo, esclarecimento e esperança.

Em vinte lustros de serviço, surpreendemo-la, palpitante, em todos os grandes empreendimentos do mundo, exalçando a dignidade humana e desentranhando das trevas da ignorância e do dogmatismo a divina liberdade do pensamento.

Entretanto, no transcurso dos últimos cem anos, vimos, igualmente, o monstro da guerra tripudiar, várias vezes, sobre o sangue das nações,

o ódio de raça entronizado pelas inquisições sociais e políticas,

os campos de concentração onde o crime e a violência assumiram o aspecto de legalidade perante as legislações mais cultas,

a ponta das baionetas alterando a feição geográfica do Globo,

a perversão da inteligência nos requintados engenhos da destruição e da morte,

o desvario das paixões extremistas,

o recrudescimento das indústrias do aborto,

o ateísmo dominante, buscando fazer do homem simples unidade econômica,

e, mesmo entre nós, o grave tentame de reduzir-nos a Doutrina de Luz a mero divertimento intelectual ou a deplorável sistema de exploração da energia mediúnica com a escravização das entidades de nosso convívio doméstico.

Observemos, assim, que todas as nossas conquistas do espírito, no presente, são frágeis revestimentos de superfície, quando confrontadas com o lastro espesso de sombra que trazemos de nossas próprias experiências, no passado multimilenar, e vigiemos, com desassombro e lealdade, a sementeira da Nova Luz.

Eis porque, transposto o limiar do segundo século de trabalho que nos compete, reverenciamos, convosco, o alvo estandarte da caridade sublime, a cátedra filosófica e o gabinete da indagação científica, mas lembrando, de modo especial, o impositivo do estudo crescente e metódico dos princípios de Allan Kardec, o apóstolo inesquecível da obra basilar, que constitui a chave para a compreensão dos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus-Cristo, de cuja misericórdia verte o Espiritismo sobre a atualidade dos homens, com a excelsa missão de reerguer moralmente os povos atormentados da Terra.

Preservemos o alicerce, garantindo o equilíbrio e a segurança no desdobramento do edifício.

Sobretudo, saibamos viver em nós a lição que pregamos para que a nossa plataforma renovadora seja efetivamente o Evangelho do Senhor em constante ressurreição.

Arquitetos de nossos próprios destinos e senhores da nossa própria plantação no terreno das causas, sereis amanhã o que hoje somos — Espíritos desencarnados com aflitivos problemas a examinar — tanto quanto, de futuro, seremos o que hoje sois — Espíritos encarnados com difíceis problemas a resolver.

Nas primeiras horas de nosso ministério de redenção, exortou-nos o Espírito da Verdade:

— “Amai-vos! — eis o primeiro ensino.” — “Instruí-vos! — eis o segundo.” 

E agora ousaríamos acrescentar:

— Unamo-nos todos na educação e na regeneração de nós mesmos com a obra do bem infatigável, a favor dos semelhantes, a fim de que, no alvorecer de cada dia, possamos abraçar o fiel cumprimento de nossas obrigações, exclamando em perenidade de alegria no entendimento da Vida Eterna: — Ave, Cristo! os que vão te servir te glorificam e te saúdam.


Emmanuel






Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 16 - Ninguém é Inútil



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 16


Ninguém é inútil


“… e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.” — JESUS (Lucas, 14.11)

“Será o maior no Reino dos Céus aquele que se humilhar e se fizer pequeno como uma criança, isto é, que nenhuma pretensão alimentar à superioridade ou à infalibilidade.” — (Cap. VII, 6)


Não aguardes aparente grandeza para ser útil.

Missão quer dizer incumbência. E ninguém existe aos ventos do acaso.

Buscando entender os mandatos de trabalho que nos competem, estudemos, de leve, algumas lições de cousas da natureza.

A usina poderosa ilumina qualquer lugar, à longa distância, contudo, para isso, não age por si só. Usa transformadores de um circuito a outro, alterando, em geral, a tensão e a intensidade da corrente. Os transformadores requisitam fios de condução. Os fios recorrem à tomada de força. Isso, porém, ainda não resolve. Para que a luz se faça, é indispensável a presença da lâmpada, que se forma de componentes diversos.

O rio, de muito longe, fornece água limpa à atividade caseira, mas não se projeta, desordenado, a serviço das criaturas. Cede os próprios recursos à rede de encanamento. A rede pede tubos de formação variada. Os tubos exigem a torneira de controle. Isso, porém, ainda não é tudo. Para que o líquido se mostre purificado, requere-se o concurso do filtro.

O avião transporta o homem, de um lado para o outro da Terra, mas não é um gigante auto-suficiente. A fim de elevar-se precisa combustível. O combustível solicita motores que o aproveitem. Os motores reclamam os elementos de que se constituem. Isso, porém, ainda não chega. Para que a máquina voadora satisfaça aos próprios fins, é indispensável se lhe construa adequado campo de pouso.

No dicionário das leis divinas, as nossas tarefas têm o sinônimo de dever.

Atendamos à obrigação para que fomos chamados no clima do bem.

Não te digas inútil, nem te asseveres incompetente.

Para cumprir a missão que nos cabe, não são necessários um cargo diretivo, uma tribuna brilhante, um nome preclaro ou uma fortuna de milhões. Basta estimemos a disciplina no lugar que nos é próprio, com o prazer de servir.


Emmanuel




(Reformador, setembro 1962, p. 208)


Cornélio Pires - Livro Opúsculos - Chico Xavier - Cap. 12 - Oferta de amigo



Cornélio Pires - Livro Opúsculos - Chico Xavier - Cap. 12


Oferta de amigo


ENTREGA-TE A DEUS

Se alguém te feriu, perdoa
Guarda silêncio e trabalha.
Entrega o assunto a Deus,
Apoio que nunca falha.


Cornélio Pires







sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 16 - Não se pode servir a Deus e a Mamon - Utilidade providencial da riqueza. Provas da riqueza e da miséria - Item 7




Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 16 - Não se pode servir a Deus e a Mamon


Utilidade providencial da riqueza. Provas da riqueza e da miséria 


7. Se a riqueza houvesse de constituir obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, conforme se poderia inferir de certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito, Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um instrumento de perdição, sem apelação nenhuma, idéia que repugna à razão. Sem dúvida, pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual. É o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos. Produz tal vertigem que, muitas vezes, aquele que passa da miséria à riqueza esquece de pronto a sua primeira condição, os que com ele a partilharam, os que o ajudaram, e faz-se insensível, egoísta e vão. Mas, do fato de a riqueza tornar difícil a jornada, não se segue que a torne impossível e não possa vir a ser um meio de salvação para o que dela sabe servir-se, como certos venenos podem restituir a saúde, se empregados a propósito e com discernimento.

Quando Jesus disse ao moço que o inquiria sobre os meios de ganhar a vida eterna: “Desfaze-te de todos os teus bens e segue-me”, não pretendeu, decerto, estabelecer como princípio absoluto que cada um deva despojar-se do que possui e que a salvação só a esse preço se obtém; mas, apenas mostrar que o apego aos bens terrenos é um obstáculo à salvação. Aquele moço, com efeito, se julgava quite porque observara certos mandamentos e, no entanto, recusava-se à idéia de abandonar os bens de que era dono. Seu desejo de obter a vida eterna não ia até ao extremo de adquiri-la com sacrifício.

O que Jesus lhe propunha era uma prova decisiva, destinada a pôr a nu o fundo do seu pensamento. Ele podia, sem dúvida, ser um homem perfeitamente honesto na opinião do mundo, não causar dano a ninguém, não maldizer do próximo, não ser vão, nem orgulhoso, honrar a seu pai e a sua mãe. Mas, não tinha a verdadeira caridade; sua virtude não chegava até a abnegação. Isso o que Jesus quis demonstrar. Fazia uma aplicação do princípio: “Fora da caridade não há salvação”.

A conseqüência dessas palavras, em sua acepção rigorosa, seria a abolição da riqueza por prejudicial à felicidade futura e como causa de uma imensidade de males na Terra; seria, ao demais, a condenação do trabalho que a pode granjear; conseqüência absurda, que reconduziria o homem à vida selvagem e que, por isso mesmo, estaria em contradição com a lei do progresso, que é lei de Deus.

Se a riqueza é causa de muitos males, se exacerba tanto as más paixões, se provoca mesmo tantos crimes, não é a ela que devemos inculpar, mas ao homem, que dela abusa, como de todos os dons de Deus. Pelo abuso, ele torna pernicioso o que lhe poderia ser de maior utilidade. É a conseqüência do estado de inferioridade do mundo terrestre. Se a riqueza somente males houvesse de produzir, Deus não a teria posto na Terra. Compete ao homem fazê-la produzir o bem. Se não é um elemento direto de progresso moral, é, sem contestação, poderoso elemento de progresso intelectual.

Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do planeta. Cabe-lhe desobstruí-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce incessantemente, preciso se faz aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade. A fim de mais as facilitar, cumpre sejam destruídos os obstáculos materiais que os separam e tornadas mais rápidas as comunicações. Para trabalhos que são obra dos séculos, teve o homem de extrair os materiais até das entranhas da terra; procurou na Ciência os meios de os executar com maior segurança e rapidez. Mas, para os levar a efeito, precisa de recursos: a necessidade fê-lo criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência. A atividade que esses mesmos trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que ele concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o meio primordial de execução, sem ela não mais grandes trabalhos, nem atividade, nem estimulante, nem pesquisas. Com razão, pois, é a riqueza considerada elemento de progresso.


Allan Kardec






Auta de Souza - Livro Auta de Souza - Chico Xavier - Cap. 39 - Presença do amor




Auta de Souza - Livro Auta de Souza - Chico Xavier - Cap. 39


Presença do amor


Deus te abençoe o pão que dás à porta
Aos romeiros cansados da Agonia,
O teto aos que se vão em noite fria
Na dor em que a nudez se desconforta.

Deus te abençoe o raio de alegria
Com que a força da fé se te transporta
No rumo da esperança semimorta
Para traze-la à glória de outro dia.

Deus te abençoe por tudo quanto fales
Para extinguir tristezas, dores, males
Que se amontoam na penúria imensa…

Deus te abençoe, porém, com mais ternura
A presença da paz e da ventura
De todo amor que dês sem recompensa


Auta de Souza








Joanna de Ângelis - Livro Ilumina-te - Divaldo P. Franco - Introdução - Ilumina-te




Joanna de Ângelis - Livro Ilumina-te - Divaldo P. Franco - Introdução


Ilumina-te

 
A irradiação mental de cada indivíduo humano expressa a sua conquista evolutiva, o estágio de amadurecimento ou de primitivismo espiritual em que se encontra.

Sendo emanação das energias sustentadas pelo pensamento e pelas suas aspirações, pelos comportamentos morais e pelos seus anseios, é constituída por vibrações específicas, tradutoras da realidade de cada qual.

Enquanto o ego pode mascarar-se e apresentar-se com valores que realmente o ser não possui, essas ondas contínuas são produzidas pelas legítimas ideações e reais anelos íntimos.

Em conseqüência da sua permanente exteriorização, produz ressonância, influenciando todos aqueles que se encontram na sua equivalência vibratória.

Um violino Stradivarius, por exemplo, em razão da aguçada sensibilidade do material de que é constituído, da disposição de todos os elementos, mesmo quando não acionado pelo arco, produz ressonância resultantes de qualquer ruído a sua volta.

De igual maneira, os Espíritos nobres, quando são atraídos pelos ideais edificantes, acorrem, em ressonâncias, na direção daqueles cujas ondas psíquicas sincronizam com as suas vibrações. O mesmo ocorre no sentido oposto, quando a insensatez e a vulgaridade expressam-se nas faixas de inferior qualidade, atraindo entidades frívolas e perversas, que se comprazem em gerar embaraços onde quer que se encontrem.

Faz-se necessário que a mulher e o homem contemporâneos compreendam a finalidade superior da reencarnação, afadigando-se pela conquista da iluminação pessoal, que se expande em bênçãos de claridade e de sabedoria.

A teimosa postura dos hábitos enfermiços em que muitos se comprazem redunda em processos perturbadores, impossibilitando o seu desenvolvimento ético-moral.

Todos os seres necessitam-se e devem viver em grupos que respondem pela sua preservação, pelos fatores de manutenção das suas existências.

Por essa razão, o conhecimento e a ação dignificadora que propõem o amadurecimento psicológico facultam-lhe a empatia que constitui um valioso instrumento para o progresso espiritual.

Todos os seres humanos anelam pela liberação do sofrimento que campeia em toda parte. Nada obstante, o sofrimento faz parte do fenômeno que é a vida física.

A constituição orgânica sempre apresenta alterações e mudanças, o que responde pelos sofrimentos físicos, e, não raro, emocionais e psíquicos.

No entanto, a causa central desses acontecimentos reside no Espírito que é o gerador do seu destino, modelador do veículo somático.

De acordo com as construções mentais, e consequentemente morais, elabora os equipamentos fisiológicos para a jornada evolutiva, conforme as suas necessidades que são impostergáveis.

Insculpidas nos refolhos do ser, todas as formulações criam matrizes que darão lugar às constituições representativas das ideações no mundo físico.

Intermediadas pelo perispírito, também conhecido como psicossoma, o corpo é a sua projeção condensada da matéria.

Não é de surpreender, em razão das condutas humanas, que haja mais doentes do que sadios, maior número de atormentados do que de pacíficos e equilibrados na extraordinária economia espiritual da sociedade terrena.

Nessa paisagem, porém, exteriorizam-se os fenômenos empáticos que devem ser cuidadosamente cultivados.

Em decorrência da similitude pelo sofrimento, pode-se e deve-se ser sempre solidário com aqueles que tem aflições, porque é fácil aquilatar-lhes a ocorrência, por ser conhecida em quem se dispõe ao socorro.

Essa solidariedade generosa contribui para diminuir a aspereza das provações humanas, dando valor ao próximo que, sem essa ajuda, sentir-se-á desprezado, sem nenhum objetivo para prosseguir na luta.

A vida é pródiga em estímulos e todas as suas manifestações enriquecem-se quando percebidas, fazendo-se solidárias. Aqueles que recebem carinho vivem muito mais tempo e melhor em qualidade existencial do que os demais que são desconsiderados e excluídos pela presunção dos seus círculos de relacionamentos.

Jesus, o médico por excelência, ofereceu esse exemplo ímpar, sempre atendendo aos mais infelizes, aqueles que eram desrespeitados pela sociedade orgulhosa e enferma, atendendo-os com gentileza e compreensão, tornando-os novamente humanos e cidadãos, em razão de haverem sido expulsos do convívio dos abonados e poderosos de um momento.

A empatia geradora de amizade contribui eficazmente para a vivência da alegria, do bem-estar, da conquista da saúde.

Todo aquele que se preocupa com o seu próximo, vivencia mais harmonia interior do que aquele que lhe é indiferente. Ademais, enseja autosegurança, porque elimina a desconfiança que vige no ególatra, no isolacionista, que vive sob a tensão do medo de perder os valores a que se afeiçoa, de ser vítima das ocorrências aziagas da existência.

A energia empática da afeição desinteressada produz ressonância vibratória no planeta, contribuindo para o equilíbrio geral.

O significado existencial de maior conteúdo é constituído pelos sentimentos de amor e de compaixão que favorecem o progresso geral, impulsionando o ser no rumo da sua triunfante Imortalidade.

A busca, portanto, da autoiluminação é proposta inadiável para a conquista da harmonia interior, da plenitude, do Reino dos céus na paisagem emocional dos sentimentos enobrecidos.

A atualidade é opulenta em belas e oportunas receitas de psicoterapias valiosas que se encontram ao alcance de todo aquele que realmente se esforce por aplicar-se alguma dentre as muitas, aquela que lhe seja compatível com a sua problemática.

Obras excelentes de autoajuda encontram-se à disposição de qualquer leitor interessado na conquista do bem-estar, ao lado de instituições e sociedades dedicadas ao bem, ao socorro em favor dos que se encontram algemados aos vícios e tormentos, anelando pela conquista da saúde.

O êxito, porém, de qualquer candidato depende exclusivamente do seu empenho, do esforço que se deve aplicar para o resultado feliz.

As comunicações virtuais de fácil acesso oferecem preciosos contributos para a libertação dos traumas e dos dramas existenciais que muitos experimentam.

Se, de um lado, existem incontáveis apresentações nefastas e incitações ao crime para a preferência de outros afins, há verdadeiros tesouros em forma de vidas exemplares, de abnegação e de renúncia, de sacrifício e de beleza, convidando à ação saudável, ao comportamento ético dignificante, sempre demonstrando a vitória do bem, mesmo que sob injunções afligentes.

Além dessas admiráveis contribuições, o Espiritismo, restaurando a Doutrina de Jesus, propõe a autoiluminação, mediante a adoção das Suas palavras sintetizadas no sermão das bem-aventuranças, sempre atual e insuperável.

Ilumina-te, pois, a cada momento, acendendo a sublime claridade do discernimento na mente e do amor no sentimento, a fim de conseguires a paz e os estímulos para a sublimação.

Este livro, que agora apresentamos aos nossos caros leitores, forma uma trilogia com outros anteriormente publicados: Entrega-te a Deus e Liberta-te do mal.

Escrevemo-los ao largo de três anos, abordando temas conflitivos da atualidade, em cada momento, e oferecendo a fórmula eficaz para a sua vivência dignificante, haurida no Evangelho de Jesus.

Algumas páginas apareceram oportunamente na imprensa leiga e espírita com o objetivo de alertar os leitores sinceros dedicados ao dever e aqueles que necessitavam de um diferente foco para deter-se e reflexionar com tranquilidade.

Assim sendo, não propomos nenhuma fórmula especialmente mágica, sendo somente uma despretensiosa contribuição para auxiliar quem o consulte nestes dias de tormentos que precedem a Era Nova.

Agradecendo ao Senhor e Mestre Jesus a imerecida honra de nos encontrarmos da Sua Vinha, sou a servidora devotada,


Joanna de Ângelis
Salvador, 29 de agosto de 2012*



* Homenageamos a data em que renasceu, na Terra, o nobre Espírito Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcante, no ano de 1831, em Riacho do Sangue, Ceará. (nota da autora espiritual)


Fonte: Ilumina-te