quinta-feira, 30 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Calma - Chico Xavier - Cap. 22 - Conquista de paz



Emmanuel - Livro Calma - Chico Xavier - Cap. 22


Conquista de paz


Em muitas ocasiões, especialmente quando se te agravam as situações difíceis, perguntas a esmo, como conquistar serenidade, de maneira a varar os percalços do dia a dia.

Imagina-te no lugar daqueles que se te fazem motivos de irritação e examina-te um tanto mais.

Se, em teu grupo de trabalho, desempenhasses a função do chefe, atormentado de problemas e conflitos, estarias talvez em mais duras condições de intemperança mental, quando isso acaso acontecesse.

Caso te visses na posição do subalterno, faceando, às vezes, amargos dramas domésticos, é provável evidenciasses mais lentidão no serviço a fazer, quando isso viesse a suceder.

Considerando a possibilidade de seres o doente que te incomoda, quando isso se verifique, decerto não te reconhecerias com menos intolerância diante do sofrimento.

Na hipótese de haveres sofrido as longas tentações da criatura julgada em erro, é possível houvesses descido a mais baixo nível.

Se te notasses na posição enfermiça da pessoa que te ofendeu, ignoras se não terias ferido alguém com mais ímpeto.

Analisemo-nos, através das lentes da introspecção e reconhecer-nos-emos imensamente distantes da condição dos anjos. 

Isso nos ensinará que os companheiros com os quais convivemos nem sempre conseguirão apresentar, por enquanto, qualidades que ainda não possuímos e raciocínios mais profundos nos farão sentir a necessidade de calma e tolerância, de uns para com os outros, em todos os momentos inquietantes da vida.


Emmanuel











Marco Prisco - Livro Legado Kardequiano - Divaldo Pereira Franco - Cap. 8 - Amizade



Marco Prisco - Livro Legado Kardequiano - Divaldo P. Franco - Cap. 8


Amizade


623. Os que hão pretendido instruir os homens na lei de Deus não se têm enganado algumas vezes, fazendo-os transviar-se por meio de falsos princípios?

"Certamente hão dado causa a que os homens se transviassem aqueles que não eram inspirados por Deus e que, por ambição, tomaram sobre si um encargo que lhes não fora cometido. Todavia, como eram, afinal, homens de gênio, mesmo entre os erros que ensinaram grandes verdades muitas vezes se encontram." (O Livro dos Espíritos)


Ajude o companheiro que segue pelo seu caminho.

À sua semelhança, ele é alguém em busca da Vida.

Embora não sorria, felicita-se com o sorriso dos outros.

Aproxime-se e ofereça-lhe amizade.

Você possui o valioso tesouro da fé, que possivelmente ainda lhe não enriquece o espírito.

Vença a antipatia que lhe possa inspirar, no primeiro encontro, e achegue-se mais.

Não se impressione negativamente.

Oferte qualquer coisa que lhe possa despertar o interesse, criando nele uma auréola de camaradagem.

Não há região, no país da alma, onde não medrem flores de bondade.

Talvez não se encontrem ao alcance do primeiro olhar; todavia, com um pouco mais de observação, você descortinará ricas províncias, onde abundam as sementeiras da luz.

Esses corações aguardam alguém; desperte-os.


Marco Prisco











Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 12 - João Nunes Maia - Cap. 17 - Falência na missão



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 12 - João Nunes Maia - Cap. 17


Falência na missão 

 
578. Poderá o Espírito, por própria culpa, falir na sua missão?

“Sim, se não for um Espírito superior.”

a) - Que conseqüências lhe advirão da sua falência?

“Terá que retomar a tarefa; essa a sua punição. Também sofrerá as conseqüências do mal que haja causado.”  (O Livro dos Espíritos)


Falir na missão é uma expressão que nos parece um pouco dura, mas, para expressar na linguagem que usamos, o termo é aceito nas linhas da justiça. O missionário pode minguar sua tarefa, e prejudicar aos que se encontram em seu caminho, vendo e absorvendo suas lições pelos canais do exemplo.

Os Espíritos superiores, aqueles que preparam e avalizam a reencarnação do missionário, são conscientes de que o reencarnante pode falhar nos seus labores junto aos homens, medindo e sabendo o tamanho da sua evolução espiritual, mas, isso faz parte do seu aprendizado. A Terra é uma universidade, onde o Espírito recolhe suas experiências e acumula valores no coração da vida.

É preciso que se saiba que ninguém falha na sua missão totalmente; sempre há o que aproveitar para a sua instrução, mesmo porque, o mal que ele causar responderá por ele, por vezes voltando em outro instrumento físico para terminar a sua tarefa. O Espírito não retrocede; ele, cada vez mais, cresce em todos os rumos da verdade.

Não existe, no livro da vida, perdição eterna, como assinalam muitos escritores, posicionando-se como doutores da lei. Mesmo a palavra eterna não tem o significado que se lhe quer dar, por haver muitas eternidades. Somente Deus sabe irradiar seus pensamentos na linguagem universal, de maneira que os Espíritos mais evoluídos assimilam Seus grandes desígnios e executam a Sua soberana vontade.

Todos, quase sem exceção, falimos de certa forma, quando encarnados. Há muitas coisas que deveríamos fazer e que não foram feitas, quebrando o ritmo das linhas do amor mais puro. Somente fazemos o que a nossa evolução suporta. Não há pecado, da maneira como isto é entendido por determinados companheiros estudiosos do espiritualismo no mundo das formas. Há, sim, um processo de despertamento espiritual infalível em todas as criaturas. Àquele que falhou na sua missão, o seu castigo, mesmo como Espírito conhecedor da verdade, é de retornar ao campo de lutas na carne, para começar de novo e fazer o que deixou de realizar, para tornar-se um completista. Há determinados missionários que fazem além do previsto; esses são Espíritos altamente conscientes dos seus deveres junto à humanidade, e aproveitam sua estada na Terra, reunindo todos os seus esforços, avançando além do previsto e realizando maravilhas, de modo que a própria lei, as provas e os testes mais difíceis se curvem diante deles.

"Outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões." (Hebreus, 11:36)

A razão do ser humano é para ele discernir o que deve aceitar ou não, e no espiritualista ela deve ser mais aguçada, pela prática de estudar e assimilar. Os Espíritos estão mais presentes na vida dos homens do que pensam, mas, eles se aproximam de acordo com a sintonia, de coração para coração.

A Doutrina dos Espíritos é a fonte que pode ajudar a todos os de boa vontade; ela amplia os conhecimentos do discípulo da verdade, para que ele possa saber os caminhos que deve percorrer. Antes de tudo, deve saber que não pode se esquecer de Jesus, que exerce influência em seu coração, para que possa acertar com mais segurança.


Miramez













quarta-feira, 29 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 49 - Caridade e riqueza



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 49

Caridade e riqueza


“Pois somos a feitura dele, criados em Jesus-Cristo para boas obras.” — PAULO (Efésios, 2:10)

Se acreditas que apenas o ouro é base correntia da caridade, lembra-te de Jesus, que enriqueceu a Terra sem possuir uma pedra onde repousar a cabeça.

Descerrando o próprio coração, ei-lo a espalhar os bens imarcescíveis do espírito.

Fez luzir a estrela da humildade à frente dos poderosos.

Acentuou a alegria nas bodas singelas de Caná.

Ensinou aos discípulos a verdade sem afetação.

Deu assistência aos enfermos.

Forneceu coragem aos desalentados.

Ministrou consolação aos aflitos.

Imprimiu visão nova aos olhos de Madalena.

Acendeu súbita claridade no ânimo de Zaqueu.

Envolveu em compassivo entendimento a incompreensão de Judas.

Cercou de bondade o esmorecimento de Simão Pedro.

Endereçou bênçãos de compaixão à turba desenfreada aos pés da cruz.

Brindou o mundo com o esquecimento do mal, retomando-lhe o convívio, depois do túmulo.

Recorda, pois, que também podes distribuir das riquezas que fluem de ti próprio, cuja aquisição é inacessível à moeda comum.

Oferece aprovação e estímulo ao bem, apoio e conforto à dor…

Estende ternura e simpatia, concurso e fraternidade…

Espalha compreensão e esperança entre aqueles com quem convives e recebe com gentileza e bondade aqueles que te procuram…

Não aguardes sobras na bolsa para atender aos planos da caridade.

Lembra-te de que o amor é inesgotável na fonte do coração e de que Jesus, ainda hoje, com Deus e com o amor, vem multiplicando, dia a dia, os eternos tesouros da Humanidade.


Emmanuel











(Reformador, janeiro de 1959, p. 3)

Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 24 - O Espirito de Verdade



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 24


O Espirito de Verdade


6. Venho instruir e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem a sua resignação ao nível de suas provas, que chorem, porquanto a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras; mas que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas.

Obreiros, traçai o vosso sulco; recomeçai no dia seguinte o afanoso labor da véspera; o trabalho das vossas mãos vos fornece aos corpos o pão terrestre; vossas almas, porém, não estão esquecidas; e eu, o jardineiro divino, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, e a trama da vida se vos escapar das mãos e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis que surge em vós e germina a minha preciosa semente. Nada fica perdido no reino de nosso Pai e os vossos suores e misérias formam o tesouro que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas e onde o mais desnudo dentre todos vós será talvez o mais resplandecente.

Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são bem-amados meus. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos mostra o sublime objetivo da provação humana. Assim como o vento varre a poeira, que também o sopro dos Espíritos dissipe os vossos despeitos contra os ricos do mundo, que são, não raro, muito miseráveis, porquanto se acham sujeitos a provas mais perigosas do que as vossas. Estou convosco e meu apóstolo vos instrui. Bebei na fonte viva do amor e preparai-vos, cativos da vida, a lançar-vos um dia, livres e alegres, no seio daquele que vos criou fracos para vos tornar perfectíveis e que quer modeleis vós mesmos a vossa maleável argila, a fim de serdes os artífices da vossa imortalidade. — O Espírito de Verdade. Paris, 1861. (E.S.E - Cap. VI - O Cristo consolador - Advento do Espírito de Verdade).


Com a codificação do Espiritismo, toma-se a escutar as palavras dos Céus: “Vinde a mim todos vós que sofreis”.

Na verdade, a Doutrina Espírita, sendo a volta de Jesus, vem reafirmar o que foi dito há quase dois mil anos, renovando a esperança para os desesperados, aumentando a fé para os que ainda duvidam, aumentando o amor para os que alimentavam o ódio.

A Doutrina Espírita é a força que consola e faz com que comunguemos com o bem. O Espirito de Verdade comanda o movimento espírita na Terra, nos mostrando os caminhos da Luz e nos convidando para novos entendimentos, de maneira que o perdão não nos falte nos caminhos do aprendizado, que o trabalho honesto seja para nós o amparo de viver, que a fraternidade seja para a humanidade a esperança nas suas lides de cada dia, que a boa convivência nos abra caminhos para a alegria pura, que o amor seja o alimento para todos que se esforçam na sua aquisição.

O advento do Espírito de Verdade aumenta a paz e a certeza de que existe o céu e de que Deus igualmente mora dentro de nós, na área da consciência. Busquemos estudar a Doutrina Espírita em todos os seus contornos, analisando todos os seus conceitos e integrando-nos no chamado da Verdade, para nos tornarmos livres, limpando nossa velha mente das paixões inferiores, fazendo voltar, com isso, o ambiente verdadeiro do cristianismo, a nos dar as mãos de novo e, nesta cordialidade, possamos crer que existe a felicidade, se palmilharmos os caminhos do amor.

No esforço que todos fazemos para melhorar a nossa moral, para o nosso crescimento dentro das virtudes, só existe um ganhador direto: nós mesmos. Nesse trabalho cristão, o maior beneficiado é o Evangelho de Jesus em ação, nos ajudando no despertamento dos valores da vida, reconhecendo a existência de Deus na nossa intimidade; não falou o Cristo que os céus estão dentro de nós?

A Doutrina Espírita renova esta afirmativa, nos mostrando como vê-lo e ouvir o que Deus quer falar aos nossos corações. Allan Kardec foi o instrumento que nos fez encontrar o Espírito de Verdade e reconhecer a sua mensagem de luz e de salvação, ou seja, nos preparar para a nossa própria salvação, pela transformação de valores.

O Espiritismo é uma página de luz, escrita por Deus nós corações da humanidade, pela tinta do amor, que se expressa no papel da caridade.

Com a Doutrina Espírita, asseguramos a certeza de que ninguém morre e que a vida não cessa na criação do Senhor, falando a todos pelos diversos meios compreensíveis, despertando as qualidades, filhas do amor, no mundo interno de cada criatura. Se o Espírito de Verdade já se encontra na Terra, o nosso dever é buscar encontrá-lo, ouvindo a sua voz.

Trabalhemos, encarnados e desencarnados, para que a mensagem do Espírito de Verdade circule em toda a Terra, levando a paz aos que sofrem, o entendimento aos ignorantes e a esperança aos desesperados. A promessa de Jesus foi que enviaria outro consolador. Analisemos esta palavra outro. Sendo Ele o primeiro, o outro estaria com o compromisso de fazer relembrar os Seus ensinamentos, que ficaram no pergaminho de luz, o Evangelho.

“Eis que estou aqui”, fala o Espiritismo, o Espírito de Verdade.


Miramez














Emmanuel - Livro Abrigo - Chico Xavier - Cap. 12 - A porta estreita



Emmanuel - Livro Abrigo - Chico Xavier - Cap. 12


A porta estreita


“Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão”. — JESUS (Lucas, 13:24).


Aceitemos a dificuldade por mestra amorável, se esperamos que a vida nos entregue os seus tesouros.

Sem a porta estreita do obstáculo não conseguiríamos medir a nossa capacidade de trabalho ou ajuizar quanto à nossa fé.

As lições do próprio suor são as mais preciosas.

Os ensinamentos hauridos na própria renúncia são aqueles que se nos estampam na alma, no campo evolutivo.

Ouvimos mil conselhos edificantes e sorrimos, ante o fracasso iminente.

Basta, porém, por vezes, uma pequena dor para que se nos consolide a cautela à frente do perigo.

Com discernimento louvável improvisamos prodigiosos facilitários de felicidade para os outros, indicando-lhes o melhor caminho para a vitória no bem ou para a comunhão com Deus, entretanto, à primeira alfinetada do caminho sobre nossas esperanças mais caras, habitualmente, nos desmandamos à distância do equilíbrio justo, espalhando golpes e lágrimas, exigências e sombras.

Saibamos, no entanto, respeitar na “porta estreita” que o mundo nos impõe o socorro da Vida Maior, a fim de que possamos reconsiderar a própria marcha. 

Por vezes, ela é a enfermidade que nos auxilia a preservar as vantagens da saúde, 

em muitas fases de nossa luta é a incompreensão alheia, que nos compele ao reajuste necessário; 

em muitos passos da senda é a prova que nos segrega no isolamento, impelindo-nos a seguir pela escada miraculosa da prece, da Terra para os Céus; 

por vezes é o abandono de afeições muito amadas a impulsionar-nos para os braços de Cristo; 

em variadas circunstâncias, é o desencanto ante a enganosa satisfação de nossos desejos na experiência física, inspirando-nos ideais mais altos; 

e, em alguns casos, é a visitação da morte que nos obriga a refletir na imortalidade triunfante…

Por onde fores, cada dia, agradece a dificuldade que nos melhore e nos eleve à grande renovação.

Jesus não escolheu a larga avenida do menor esforço. Da Manjedoura ao Calvário, movimentou-se entre os obstáculos que se transfiguraram para Ele em degraus para a volta ao Pai Celestial e, aceitando na cruz, a sua maior mensagem de amor à Humanidade de todos os séculos, legou-nos, com exemplo vivo, a porta estreita do sacrifício como sendo o nosso mais belo caminho de paz e libertação.


Emmanuel












terça-feira, 28 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Mais Perto - Chico Xavier - Cap. 25 - Água da vida



Emmanuel - Livro Mais Perto - Chico Xavier - Cap. 25


Água da vida


Na Terra, a água é o ingrediente mais expressivo da vida orgânica.

No seio morno do mar nasceram os embriões de toda existência física.

Sem a presença dos rios, o homem não construiria a cidade e sem o apoio da chuva, ninguém colheria os frutos do campo.

Para que a vitalidade garanta a força corpórea, é preciso que a água amasse o pão das criaturas e para que a saúde humana seja mantida, quase sempre é indispensável seja ela o veículo da medicação que o socorre.

Assim como a água, preciosa e necessária ao progresso e à segurança do mundo, é também a piedade no campo espiritual de nossas relações uns com os outros.

Sem a piedade das mães que morrem, renunciando a si mesmas, não conheceríamos o conforto do lar; sem a piedade dos que ensinam, humilhando tanta vez a si próprios, a ignorância seria noite invencível; e sem a piedade do amor fraterno que perdoa sem condições, o ódio entre as criaturas seria qual veneno volante e destruidor.

Piedade! Piedade!…

Guarda-a contigo no coração e no cérebro, para que o sentimento e a ideia te plasmem, onde estiveres, a palavra que reanime e que ajude; e conserva-a, limpa, em tuas atitudes e em tuas mãos para que o trabalho que te verte do roteiro seja bênção de luz a clarear-te o caminho!

Recorda-te de que não prescindimos da piedade que regenera e levanta, a fim de que, ofertando-a hoje, possas recebê-la amanhã no dia de tua dor.

E, usando-a por água pura da vida, em todos os momentos, lembra-te de que a Terra, generosa e fecunda, revela, em toda parte, a Compaixão de Deus.


Emmanuel





VÍDEO: 

Emmanuel / Chico Chavier - Água da Vida (Livro Mais Perto)





Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 151 - Ninguém se retira



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 151


Ninguém se retira


“Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.” — (JOÃO, 6:68)


À medida que o Mestre revelava novas características de sua doutrina de amor, os seguidores, então numerosos, penetravam mais vastos círculos no domínio da responsabilidade. Muitos deles, em razão disso, receosos do dever que lhes caberia, afastaram-se, discretos, do cenáculo acolhedor de Cafarnaum.

O Cristo, entretanto, consciente das obrigações de ordem divina, longe de violar os princípios da liberdade, reuniu a pequena assembleia que restava e interrogou aos discípulos:

— Também vós quereis retirar-vos?

Foi nessa circunstância que Pedro emitiu a resposta sábia, para sempre gravada no edifício cristão.

Realmente, quem começa o serviço de espiritualidade superior com Jesus jamais sentirá emoções idênticas, a distância d’Ele. A sublime experiência, por vezes, pode ser interrompida, mas nunca aniquilada. Compelido em várias ocasiões por impositivos da zona física, o companheiro do Evangelho sofrerá acidentes espirituais submetendo-se a ligeiro estacionamento, contudo, não perderá definitivamente o caminho.

Quem comunga efetivamente no banquete da revelação cristã, em tempo algum olvidará o Mestre amoroso que lhe endereçou o convite.

Por este motivo, Simão Pedro perguntou com muita propriedade:

— Senhor, para quem iremos nós?

É que o mundo permanece repleto de filósofos, cientistas e reformadores de toda espécie, sem dúvida respeitáveis pelas concepções humanas avançadas de que se fazem pregoeiros; na maioria das situações, todavia, não passam de meros expositores de palavras transitórias, com reflexos em experiências efêmeras.

Cristo, porém, é o Salvador das almas e o Mestre dos corações e, com Ele, encontramos os roteiros da vida eterna.


Emmanuel













segunda-feira, 27 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 36 - Libertação espiritual



Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 36


Libertação espiritual


A solução ao problema da libertação espiritual, considerado originariamente, é questão de foro íntimo, qual acontece ao homem na vida comum.

Uma criatura poderá ter renascido em lastimáveis condições de penúria e acordar para as responsabilidades da reencarnação em ambiente vicioso, seja na família consanguínea ou na esfera de relações sociais em que foi levada a conviver, atravessando, por isso, largo trecho da existência em perigoso arrastamento ao mal; entretanto, se determina a si mesma o dever de elevar-se, acendendo no raciocínio a lâmpada do estudo e abraçando a trilha correta do trabalho, a breve tempo começa a receber o amparo daqueles a quem se faz útil, conquistando mais alto nível, do qual consegue estender braços fraternos, em socorro dos irmãos que ficaram na retaguarda.

Ocorre o mesmo nos domínios do espírito.

Determinada pessoa pode encontrar-se, às súbitas, debaixo da influência de entidades perturbadoras, seja pelas haver atraído com pensamentos infelizes ou porque sejam elas aqueles companheiros que lhe constituem a equipe de sócios das existências passadas; consequentemente, é capaz de sofrer induções à delinquência, em atormentados processos obsessivos, mas, se delibera emancipar-se, procurando a luz do conhecimento e situando o caminho no serviço aos semelhantes, passa a recolher, de imediato, o concurso daquele a quem auxilia, alcançando mais alto nível, do qual pode enviar apoio amigo àqueles mesmos Espíritos que se lhe erigiam à condição de perseguidores.

Fácil de compreender que toda criatura está vinculada ao grupo de inteligências e corações que lhe são afins, sejam em nos referindo a companheiros encarnados ou desencarnados, diante das avenidas da renovação e do progresso, descerradas, indiscriminadamente, a nós todos.

À frente, pois, dessa verdade, toda vez que estivermos inclinados à queda nas sombras da obsessão, quando na estância física, será possível receber a cooperação salvacionista de numerosos benfeitores; reconhecendo, porém, aquela outra realidade da lei de sintonia, pela qual sabemos que o ímã de atração das nossas companhias está no campo de nossa própria alma, não será lícito esquecer que o trabalho de nossa libertação e reequilíbrio depende positivamente de nós.


Emmanuel










TEMA — Libertação interior e reequilíbrio.

Joanna de Ângelis - Livro Alegria de Viver - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5 - Corpo e alma



Joanna de Ângelis - Livro Alegria de Viver - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5


Corpo e alma


"Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.” (Mateus, 5:8)


Reservas tempo e espaço para o corpo, que te exige proteção e cuidados.

Fazes bem. Todavia, necessitas dispensar assistência à alma que te sustenta e conduz.

Preservas os equipamentos orgânicos mediante higiene, alimentação, vestuário, remédios. 

E teu dever. Sem embargo, cumpre-te conceder forças morais à alma, que se encarrega de pôr em funcionamento todos esses mecanismos com a indispensável precisão.

Selecionas acepipes, combinas receitas e dietas, facultas repouso e diversão ao invólucro material.

Ages com discernimento. Entretanto, não esqueças de propiciar conhecimentos iluminativos à alma, a fim de que, renovada, faculte equilíbrio nervoso e harmonia de trabalho aos órgãos em funcionamento.

Fruis prazeres e buscas comodidades para ampliar as reservas de saúde, gozando um constante bem-estar.

Trata-se de providência acertada. Mesmo assim, dispõe-te à ação da caridade e do vero amor, com os quais a alma se mantém em sintonia com as fontes da vida.

Desfrutas de festas e recreações como indispensáveis a uma realização total, na qual os esportes te desenvolvem os músculos e preservam as funções fisiológicas.

Concordamos que se trata de um cuidado devido. Apesar disso, busca a oração e exercita as virtudes morais, de modo a robustecer a alma durante a jornada libertadora.

Corpo e alma constituem uma dualidade que, em síntese, são a mesma unidade da vida universal.

Cuida do corpo e atende a alma.

Socorre o organismo, mas medita em torno das necessidades espirituais.

O corpo é efeito. A alma é-lhe a causa.

A matéria é escola. O ser é o aprendiz que a utiliza.

A forma se dilui. A essência prossegue.

Vive os impositivos humanos, porém não descures da tua realidade, aquela que preexiste ao corpo e a ele sobrevive.

A vida física é uma experiência no rumo da evolução, enquanto a espiritual é eterna, de onde procedes e para onde retornas.

Vive, pois, de tal forma que, atendendo ao corpo, estejas em condição de deixá-lo, pleno e consciente da tua procedência indestrutível, no rumo da felicidade imorredoura.


Joanna de Ângelis




















domingo, 26 de abril de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 13 - João Nunes Maia - Cap. 16 - Pouco a pouco



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 13 - João Nunes Maia - Cap. 16


Pouco a pouco


628. Por que a verdade não foi sempre posta ao alcance de toda gente?

“Importa que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: o homem precisa habituar-se a ela, pouco a pouco; do contrário, fica deslumbrado.

“Jamais permitiu Deus que o homem recebesse comunicações tão completas e instrutivas como as que hoje lhe são dadas. Havia, como sabeis, na antiguidade alguns indivíduos possuidores do que eles próprios consideravam uma ciência sagrada e da qual faziam mistério para os que, aos seus olhos, eram tidos por profanos. Pelo que conheceis das leis que regem estes fenômenos, deveis compreender que esses indivíduos apenas recebiam algumas verdades esparsas, dentro de um conjunto equívoco e, na maioria dos casos, emblemático. Entretanto, para o estudioso, não há nenhum sistema antigo de filosofia, nenhuma tradição, nenhuma religião, que seja desprezível, pois em tudo há germens de grandes verdades que, se bem pareçam contraditórias entre si, dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamento, facilmente coordenáveis se vos apresentam, graças à explicação que o Espiritismo dá de uma imensidade de coisas que até agora se vos afiguraram sem razão alguma e cuja realidade está hoje irrecusavelmente demonstrada. Não desprezeis, portanto, os objetos de estudo que esses materiais oferecem. Ricos eles são de tais objetos e podem contribuir grandemente para vossa instrução.” (O Livro dos Espíritos)


A razão nos mostra com bastante clareza que as verdades tinham de ser reveladas do modo que o foram: gradativamente. A luz em excesso pode cegar. Quem mandou os primeiros instrutores à Terra foi Jesus, antes da Sua vinda ao planeta, mas a Sua sabedoria restringiu o que Ele deveria falar e fazer ante a massa humana inconsciente e ainda em plena ignorância.

Observemos como nasce uma árvore: não é de uma noite para o dia; há uma seqüência e obedece a determinadas leis, onde a harmonia sempre está presente. Compete a nós outros observarmos essas leis que regulam tudo na vida, como a nós mesmos. O despertamento das criaturas é, igualmente, de passo a passo; ninguém violenta as leis, nem as leis violentam os Espíritos. É nesse sentido que os anjos têm maior tolerância com os homens, e os homens sábios a têm com os animais, por saberem que todos estão na mesma marcha para Deus, que os criou.

Deus não permitiu que os nossos ancestrais recebessem comunicações iguais às que os homens recebem hoje, no século vinte, por faltar a eles capacidade de assimilação como a que têm atualmente. Agora estão sendo chamados e escolhidos para um melhor entendimento da verdade, não de toda a verdade, pois ela continua na sua divina gradação espiritual. Podemos dizer que ela nasce e renasce constantemente, em variadas freqüências de vida, para dar mais vida às criaturas de Deus.

Os homens do passado recebiam algumas verdades esparsas, ainda assim, somente os que estavam preparados para tal iniciação, e em muitos casos elas chegavam a eles envolvidas em roupagens onde as letras perduravam escondendo o Espírito que vivifica.

A Doutrina dos Espíritos veio superar todas as filosofias do mundo por não ter nascido dos homens, nem ser dirigida por eles. Ela avança com os homens ou sem eles, por ser a vontade de Deus, pelas mãos do Cristo. Jesus não tem aflições e nem faz propaganda das verdades espirituais; a Sua pregação vem por maturidade das criaturas. O éter cósmico que a tudo interpenetra na criação, são ondas de luz que obedecem a Deus, Seu criador, e por ele, ou elas, fala o Senhor, e Jesus é o semeador das vidas por Deus formadas. Ninguém pode fugir à verdade, que são leis eternas na eternidade do próprio Deus.

Entendemos, e podes observar, que todas as religiões do mundo e as filosofias de vida modernas e antigas, tiveram e têm seus valores para certa gama de pessoas do seu nível. As instruções vêm para todas as criaturas, de acordo com seu despertamento espiritual.

Deves analisar uma universidade: ela tem vários departamentos de ensino, e os alunos se reúnem por afinidade de saber. As criaturas são as mesmas, com as mesmas necessidades físicas, todas irmãs umas das outras, no entanto, no que toca às variáveis das verdades que devem conhecer, elas são apresentadas de maneiras diversas. Podemos comparar cada sala de aula como uma religião, fornecendo aos seus profitentes o que eles merecem pela sua evolução espiritual.

Assim é a universidade divina. Preciso é que os homens aprendam a amar a seu próximo como a si mesmos, para que não haja discórdia quanto ao que devem aprender sobre a vida e sobre as leis. Disse Jesus:

- Nem só de pão vive o homem.

Precisamos de tudo para viver bem, porque tudo foi feito por Deus, desde quando tenhamos bom senso ao escolhermos o que nos serve hoje e do que vai nos servir amanhã.

sábado, 25 de abril de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Vida: Desafios e Soluções - Divaldo P. Franco - Cap. 8 - Autodespertamento Inadiável - Esforço para equilibrar-se



Joanna de Ângelis - Livro Vida: Desafios e Soluções - Divaldo P. Franco - Cap. 8 - Autodespertamento Inadiável


Esforço para equilibrar-se


Há, em todo processo de amadurecimento psicológico, de despertamento da consciência, um jogo de interesses, que pode ser sintetizado nas experiências vivenciadas que formaram a personalidade do ser, criando hábitos e comportamentos, e na aspiração pelo que se deseja conseguir, enfrentando lutas e desafios constantes, até que se estabeleçam as condições para os fenômenos automatistas da nova realidade.

Trata-se de uma luta sem quartel, em razão dos impulsos cristalizados no já feito e a incerteza das aspirações pelo que se deseja realizar.

Nesse tentame, pode o indivíduo pecar por excesso de qualquer natureza, ou abandonando a experiência nova, para entregar-se ao amolecimento, ou dedicando-se exaustiva, irracionalmente à anelada conquista, que ainda não pôde ser testada pelas resistências do combatente.

O ideal, em toda situação, é sempre o equilíbrio, que constitui medida de avaliação das conquistas logradas.

Equilíbrio é harmonia entre ao que se aspira, o que se faz e como se comporta emocionalmente, sem ansiedade pelo que deve produzir, nem conflito por aquilo que foi conseguido.

Trata-se de uma conquista interior, capaz de medir, sem paradigma estático, o valor das próprias conquistas.

Detectando-se falhas do passado no comportamento, com tranquila naturalidade refazer-se o caminho, corrigir-se os equívocos e, quando se descobrir acertos, ampliá-los serenamente, sem extravagâncias ou presunção, compreendendo que apenas se encontra no limiar do desenvolvimento interior, do amadurecimento profundo do ser psicológico.

O equilíbrio resulta da identificação de vários recursos adormecidos no inconsciente profundo que, penetrado, abre campo para a conscientização dos deveres e responsabilidades a desempenhar.

Somente através do trabalho constante de autoidentificação, é possível conseguir-se a harmonia para agir, iniciando a conduta nas paisagens mentais, pelos pensamentos cultivados, que se transformam em motivos para a luta.

Protágoras de Abdera afirmou que o homem é a medida de todas as coisas, sendo a realidade um permanente devir, variando a verdade de acordo com as épocas e os próprios processos de desenvolvimento do ser humano.

Entretanto, Heráclito afirmava que a natureza gosta de esconder-se, em uma proposta-desafio para que seja encontrada a razão de todas as coisas, porquanto o olhar desatento somente alcança limites e nunca a natureza em si mesma.

Para Heráclito, o ver é parte integrante do dizer e do ouvir, numa tríade constitutiva da sua realidade.

Em uma análise mais profunda, a natureza está oculta porque dormindo no inconsciente coletivo de todos os observadores, nas suas heranças atávicas, nas conquistas variadas dos tempos e dos povos, cada qual descobrindo parte do todo até alcançar o limite do olhar, a capacidade do dizer e a faculdade de ouvir além dos sentidos físicos.

Por outro lado, esse homem que se apresenta como medida de todas as coisas é remanescente do processo natural da evolução, nos diferentes períodos - antropológico, sociológico, psicológico avançando para a sua conscientização, a sua identidade plena.

O Si adquire experiências pelas etapas sucessivas das reencarnações, superando condicionamentos e dependências através da lucidez de consciência, que lhe impõe equilíbrio para a conquista do bem-estar emocional, da saúde integral.

As Leis do equilíbrio estão em toda parte mantendo a harmonia cósmica, ao mesmo tempo ínsitas no microcosmo, a fim de estabelecer e preservar o ritmo da aglutinação molecular.

No campo moral, trata-se da capacidade de medir-se os valores que são adequados à paz interior e à necessidade de prosseguir-se evoluindo, sem os choques decorrentes das mudanças de campos vibratórios e comportamentais que todo estado novo produz no ser.

O esforço para equilibrar-se é o meio eficaz para a autorrealização, o prosseguir desperto.

Trata-se de uma proposta de ação bem-direcionada, mediante a qual pode ser disciplinada a vontade de atingir a meta iluminativa.

O trabalho se apresenta como o meio próprio para o cometimento, ao lado, é certo, da viagem interior.

O trabalho externo é realizado no tempo horizontal, nas horas convencionais dedicadas à atividade para aquisição dos recursos de manutenção da existência corporal, no qual se investem as conquistas da inteligência, da razão e da força, a resistência orgânica.

Ao lado dele outros surgem que passam a utilizar-se do tempo vertical, que é ilimitado, porque caracterizado como de natureza interna.

O trabalho de qualquer natureza, quando enobrecido pelos sentimentos, é o amor em atividade.

O horizontal mantém o corpo, o vertical, sustenta a vida.

Pode ser realizado com caráter beneficente, sem remuneração habitual ou mesmo da gratidão, da simpatia, feito com abnegação, em cujo tempo de execução o ser se encontra consigo próprio e desenvolve os valores reais do Espírito, compreendendo que servir é meta existencial, e amar é dever de libertação do ego em constante transformação.

O equilíbrio que se haure, enquanto se serve, permanece como marca de progresso, como lição viva do despertar, não se fadigando, nem se deprimindo quando não sucederem os propósitos conforme anelados.

O simples esforço para o equilíbrio já é definição do novo rumo que se imprime à existência, superando os condicionamentos perturbadores, egoicos, remanescentes dos instintos imediatos do comer, dormir, procriar...

A existência física é mais do que automatismos, constituindo-se um apaixonante devir, que se conquista etapa a etapa até culminar na autoconsciência.

Esforço, nesta leitura psicológica, pode ser descrito como tenacidade para não se deixar vencer pelo marasmo, pela acomodação, pelo limite de realizações conseguidas.

É o investimento da vontade para crescer mais, alcançar novos patamares, desembaraçar-se de toda peia que retém o Espírito na retaguarda.


Joanna de Ângelis














sexta-feira, 24 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 107 - Joio



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 107


Joio


“Deixai crescer ambos juntos até à ceifa e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar.” — JESUS. (Mateus, 13:30)

Quando Jesus recomendou o crescimento simultâneo do joio e do trigo, não quis senão demonstrar a sublime tolerância celeste, no quadro das experiências da vida.

O Mestre nunca subtraiu as oportunidades de crescimento e santificação do homem e, nesse sentido, o próprio mal, oriundo das paixões menos dignas, é pacientemente examinado por seu infinito amor, sem ser destruído de pronto.

Importa considerar, portanto, que o joio não cresce por relaxamento do Lavrador Divino, mas sim porque o otimismo do Celeste Semeador nunca perde a esperança na vitória final do bem.

O campo do Cristo é região de atividade incessante e intensa. Tarefas espantosas mobilizam falanges heroicas; contudo, apesar da dedicação e da vigilância dos trabalhadores, o joio surge, ameaçando o serviço.

Jesus, porém, manda aplicar processos defensivos com base na iluminação e na misericórdia.

O tempo e a bênção do Senhor agem devagarinho e os propósitos inferiores se transubstanciam.

O homem comum ainda não dispõe de visão adequada para identificar a obra renovadora. Muitas plantas espinhosas ou estéreis são modificadas em sua natureza essencial pelos filtros amorosos do Administrador da Seara, que usa afeições novas, situações diferentes, estímulos inesperados ou responsabilidades ternas que falem ao coração; entretanto, se chega a época da ceifa, depois do tempo de expectativa e observação, faz-se então necessária a eliminação do joio em molhos.

A colheita não é igual para todas as sementes da Terra. Cada espécie tem o seu dia, a sua estação.

Eis por que, aparecendo o tempo justo, de cada homem e de cada coletividade exige-se a extinção do joio, quando os processos transformadores de Jesus foram recebidos em vão. 

Nesse instante, vemos a individualidade ou o povo a se agitarem através de aflições e hecatombes diversas, em gritos de alarme e socorro, como se estivessem nas sombras de naufrágio inexorável. No entanto, verifica-se apenas a destruição de nossas aquisições ruinosas ou inúteis. E, em vista do joio ser atado, aos molhos, uma dor nunca vem sozinha.


Emmanuel













Emmanuel - Livro Alma e Coração - Chico Xavier - Cap. 38 - Reações



Emmanuel - Livro Alma e Coração - Chico Xavier - Cap. 38


Reações


"Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com os seus anjos; e então dará a cada um a paga, segundo as suas obras." (Mateus, 16:27)


Mediante a realidade de que daremos conta de nós próprios às Leis do Universo, importa reconhecer que os acontecimentos que nos sobrevenham não são para nós as coisas mais importantes da existência, e sim as nossas reações diante delas.

Através das circunstâncias, a vida traça as lições de que carecemos. 

À vista disso, na sucessão dos dias sempre renovados, somos impelidos aos testemunhos de nosso aproveitamento dos valores recebidos na fase da encarnação.

Há quem recolha a saúde do corpo, dela fazendo trampolim para a aquisição de prejuízos do espírito, e há quem carregue enfermidades dolorosas no envoltório físico, transfigurando-as em instrumentos preciosos para o reajuste da alma. 

Vemos quem desfruta os benefícios de imensa fortuna material, cavando com eles a fossa de sofrimento a que se arroja, e encontramos aqueles outros que se prendem a pesados laços de penúria, metamorfoseando-os em recursos de acesso à prosperidade.

Anotamos dessa maneira que, se existem reações individuais semelhantes, não as identificamos, em parte alguma, absolutamente análogas entre si.

Em face do problema, considera, de quando em quando, a própria estrada percorrida.

Que fazes dos sucessos e dos insucessos que te interessam à personalidade?

Que realizas com o reconforto?

Como ages à frente da colaboração dos amigos e da hostilidade dos inimigos?

Em que transformas aquilo que és, o que tens, o que recebes, o que sabes e o que desfrutas?

Ponderemos sobre isso, enquanto se nos garantem, dos Planos Superiores, as oportunidades da permanência na Terra, seja na condição de Espíritos encarnados ou desencarnados, porque os supostos bens e males do mundo se expressam por material didático sobre o qual apomos o selo de nossas réplicas, induzindo o mundo quanto ao que deva fazer por nós.

Afirma a Divina Escritura que “a cada um será dado segundo suas obras”, o que, no fundo, equivale a dizer-se que as reações dos homens perante a vida é que decidirão sobre o destino de cada qual.


Emmanuel












Reformador, FEB, setembro de 1968, p. 206.