segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Irmã Scheilla - Livro A Mensagem do Dia - Clayton B. Levy - Cap. 21 - Esquece



Irmã Scheilla - Livro A Mensagem do Dia - Clayton B. Levy - Cap. 21


Esquece


Se desejas a paz de consciência por princípio de felicidade, aprende a perdoar.

Ressentimentos alimentados geram desequilíbrios espirituais e envenenam a organização física.

O esquecimento da ofensa é como o rio que leva os detritos para longe, deixando pura a água onde saciamos a sede e nos revigoramos na harmonia.

Apaga da tua mente qualquer episódio menos feliz, superando-o com o esforço da vontade.

Amanhã, surgirão novas oportunidades de progresso, e se estiveres atado ao ressentimento, não lograrás aproveitá-las.

Segue de bem com a vida rogando ao Pai abençoe os que te ofenderam.

Lembra-te das vezes em que necessitamos do perdão alheio e oferece clemência ao agressor.

Somos todos membros de uma só família, cuja base do progresso é a caridade, onde se inclui o perdão por regra de convivência saudável.


Irmã Scheilla


















Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 69 - Conjunto



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 69


Conjunto


“Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo…” — JESUS "João, 17:24)

“Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos a obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!” — (E.S.E. Cap. XX, 4)


Num templo espírita-cristão, é razoável anotar que todo trabalho é ação de conjunto.

Cada companheiro é indicado à tarefa precisa; cada qual assume a feição de peça particular na engrenagem do serviço, sem cuja cooperação os mecanismos do bem não funcionam em harmonia.

Indispensável apagar-nos pelo brilho da obra.

Na aplicação da eletricidade, congregam-se implementos diversos, mas interessa, acima de tudo, a produção da força, e, no aproveitamento da força, a grande usina é um espetáculo de grandeza, mas não desenvolve todo o concurso de que é suscetível, sem a tomada simples.

Necessário, assim, saibamos reconhecer por nós mesmos o que seja essencial a fazer pelo rendimento digno da atividade geral.

Orientando ou colaborando, em determinadas ocasiões, a realização mais importante que se nos pede é o esclarecimento temperado de gentileza ou a indicação paciente e clara da verdade ao ânimo do obreiro menos acordado, na edificação espiritual. 

Noutros instantes, a obrigação mais valiosa que as circunstâncias nos solicitam é o entendimento com uma criança, a conversação fraternal com um doente, a limpeza de um móvel ou a condução de um fardo pequenino.

Imprescindível, porém, desempenhar semelhantes incumbências, sem derramar o ácido da queixa e sem azedar o sentimento na aversão sistemática. Irritar-se alguém, no exercício das boas obras é o mesmo que rechear o pão com cinzas.

Administrar amparando e obedecer, efetuando o melhor!…  

Em tudo, compreender que o modo mais eficiente de pedir é trabalhar e que o processo mais justo de recomendar é fazer, mas trabalhar e fazer, sem tristeza e sem revolta, entendendo que benfeitorias e providências são recursos preciosos para nós mesmos. 

Em todas as empresas do bem, somos complementos naturais uns dos outros. O Universo é sustentado na base da equipe. Uma constelação é família de sóis. Um átomo é agregado de partículas.

Nenhum de nós procure destaque injustificável. Na direção ou na subalternidade, baste-nos o privilégio de cumprir o dever que a vida nos assinala, discernindo e elucidando, mas auxiliando e amando sempre.

O coração, motor da vida orgânica, trabalha oculto e Deus, que é para nós o Anônimo Divino, palpita em cada ser, sem jamais individualizar-se na luz do bem.


Emmanuel









(Reformador, janeiro de 1964, p. 20)

domingo, 2 de agosto de 2026

Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 42 - É mais fácil



Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 42


É mais fácil


"Por isso me comprazo nas minhas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias pelo Cristo; porque quando estou fraco, aí então sou forte." — PAULO (II Coríntios - 12:10)


Despreze o “senso-prático” dos triunfadores.

A auréola passageira da glória, muitas vezes; é construída com a lama em que se transformam muitas ambições.

Toda vez que você necessita realizar a modificação dos seus hábitos entre os companheiros, prefira a situação sacrificial dos seus interesses imediatos.

A aparente derrota do Cristo, na crucificação, transformou-se num grande sol de esperanças para o mundo inteiro. No entanto, os seus escarnecedores vitoriosos converteram-se em objeto de repulsa, através dos séculos. 

Conserve-se pobre de valores contábeis, preservando o tesouro da honra.

Quando você for constrangido a aceitar as adversas circunstâncias da vida, na Terra, aceite a posição de vítima, renunciando aos sonhos que lhe acenavam ante às perigosas ilusões.

Cobrindo-se de afrontas e desdenhando os tesouros de Tibério, avaliados em mais de seiscentos milhões de sestércios em ouro, Jesus ressurgiu da morte como a luz imperecível de todos os séculos, enquanto o imperador obsidiado confundiu-se na lama da sepultura imunda.

Não tema a cruz — receie a glória.

Não fuja à renúncia — acautele-se do prazer.

A fortuna é abençoada quando você lhe pode ser mordomo consciente.

O Mestre não nos falou dos perigos da pobreza, mas nos advertiu com severidade quanto às falaciosas grandezas da abastança.

Chore, pois, quando estiver no apogeu da glória, mas alegre-se, quando caminhar na dificuldade.

Quem tem, apresentará prestação de contas do uso aplicado, enquanto aquele que nada recebeu poderá relacionar os valores da própria dor, convertidos em auxílio para muitos, porque aqueles que aceitam a cruz da resignação descobrem a vereda para a eterna libertação.


Marco Prisco











sábado, 1 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 21 - Mar alto



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 21


Mar alto

 
“E, quando acabou de falar, disse a Simão: — Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar.” — (LUCAS, 5:4)


Este versículo nos leva a meditar nos companheiros de luta que se sentem abandonados na experiência humana.

Inquietante sensação de soledade lhes corta o coração.

Choram de saudade, de dor, renovando as amarguras próprias.

Acreditam que o destino lhes reservou a taça da infinita amargura.

Rememoram, compungidos, os dias da infância, da juventude, das esperanças crestadas nos conflitos do mundo.

No íntimo, experimentam, a cada instante, o vago tropel das reminiscências que lhes dilatam as impressões de vazio.

Entretanto, essas horas amargas pertencem a todas as criaturas mortais.

Se alguém as não viveu em determinada região do caminho, espere a sua oportunidade, porquanto, de modo geral, quase todo Espírito se retira da carne, quando os frios sinais de inverno se multiplicam em torno.

Em surgindo, pois, a tua época de dificuldade, convence-te de que chegaram para tua alma os dias de serviço em “mar alto”, o tempo de procurar os valores justos, sem o incentivo de certas ilusões da experiência material.

Se te encontras sozinho, se te sentes ao abandono, lembra-te de que, além do túmulo, há companheiros que te assistem e esperam carinhosamente.

O Pai nunca deixa os filhos desamparados, assim, se te vês presentemente sem laços domésticos, sem amigos certos na paisagem transitória do Planeta, é que Jesus te enviou a pleno mar da experiência, a fim de provares tuas conquistas em supremas lições.


Emmanuel










Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5.1 - Perder-se e achar-se



Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5.1


Perder-se e achar-se


O herói adormecido deve seguir adiante, procurar a própria identidade, sair da proteção do Pai misericordioso, a fim de viver as próprias experiências. Talvez não seja necessária a forma como o filho pródigo tomou a decisão, mas uma escolha decorrente da própria maturidade.

Quando se rompem os primeiros laços entre o filho e a mãe a criança começa a dizer não. A sua personalidade se vai formando, nasce a sua identidade que necessita de independência para o amadurecimento, para o enfrentamento dos próprios desafios.

O vínculo com o Pai, especialmente no sexo masculino, pode durar por muito tempo como submissão, medo, interesse pela herança, falta de iniciativa para as próprias necessidades que têm sido supridas sem qualquer esforço de sua parte. Transferindo sempre a responsabilidade dos seus atos ao Pai, o filho não cresce psicologicamente, mantendo uma forma de paraíso infantil, onde se sente bem, embora não realizado.

A experiência libertadora é essencial ao crescimento interior e pessoal, podendo ser realizada, no entanto, sem traumas, sem culpas, sem danos.

Não poucas vezes, nessa fantástica aventura da autoidentificação ocorre o perder-se, a fim de mais tarde achar-se.

A sombra em forma do eu-demônio apressa-se para que aconteça a ruptura, enquanto o eu-angélico aturde-se e introjeta a culpa, que ressumará do inconsciente quando o indivíduo perceber-se perdido e sofrido.

Normalmente ocorrem desenvolvimentos espontâneos e superiores na psique, quando se atinge a idade adulta, no entanto, nela existem fatores de compressão e de regressão, que se fazem vigorosos, demonstrando o erro em que se incidiu, abrindo espaço para as reflexões mais sérias destituídas do ego, facultando a corrigenda do erro, sem a perda das qualidades morais adquiridas. Antes, pelo contrário, graças a esses valores de enriquecimento interior, que ajudam no discernimento, que proporcionam o crescimento e contribuem com as forças necessárias para a reabilitação.

O ser amadurecido pela dor redescobre que tem um Pai misericordioso, que nem sequer o censurou quando ele partiu ou dificultou a sua viagem, mas que, com certeza o espera na sua afeição não ultrajada.

Essa conquista da consciência do si-mesmo é a chave mágica para a decisão de voltar para casa, de retornar às experiências de identificação com a vida. Já não se trata de uma volta à inocência, agora transformada em conhecimentos diversos, em sofrimentos dignificadores, em discernimento entre raga (a paixão, a ilusão) e a realidade.

Não bastam ser trabalhados o ego e a persona, fortalecidos e construídos muitas vezes pelas experiências existenciais, mas sobretudo o Self consciente. Quando se atinge a meia-idade essa reflexão faz-se inevitavelmente. No entanto, o mesmo fenômeno ocorre, também, na juventude, após alguns traumas e frustrações, desencantos e dissabores ante a realidade da vida.

Foi o que pensou e executou o Filho pródigo, no inferno em que se encontrava. Ele sabia onde estava o paraíso e o de que necessitava era o estímulo que se lhe apresentou como fome e humilhação, com a consequente possibilidade de morte.

Havendo perdido a própria identidade, todos os valores que lhe constituíam a raça, suas heranças, seus prejuízos e suas conquistas, ao trabalhar com porcos - animais imundos na sua crença - em servir a um pagão, pecando contra a fé religiosa - o seu Deus - a mais vergonhosa derrota havia sido essa, de natureza moral, cujos fatores de perturbação se lhe acrescentaram como desonra, descrédito, abandono, miséria física e econômica, defluentes daquela de natureza espiritual.

No processo de aquisição da consciência, por desconhecimento da realidade, por presunção e fatuidade, muitos perdem-se e transitam imaturos no prazer, desperdiçando a juventude e os tesouros que lhe são pertinentes, até o momento em que surge uma seca, faltam as energias para o prosseguimento e o indivíduo cai em si, avaliando tudo quanto tinha e de que não mais dispõe, sabendo que na terra longínqua onde vivia, tudo está em abundância.

Já não mais aspira à reconquista do que perdeu, porquanto há recursos que não retornam: energia, juventude, pureza de sentimentos, mas há outros que podem ser restaurados: dignidade, trabalho, renovação, novos logros.

No caso, em tela, servia ao Filho pródigo um lugar entre os trabalhadores, mas ele foi restaurado pelo pai que o reabilitou, que o vestiu e calçou com nobreza, que lhe pôs o anel de distinção e de união.

Tudo isto porque ele estava perdido e foi encontrado, estava morto e vivia.

Podemos considerar esse fato, igualmente como o do amor de Deus, em relação às suas criaturas, Seus filhos rebeldes que Lhe abandonam a casa paterna e fogem para o país longínquo da loucura e da ingratidão, entregando-se à ilusão com total olvido da sua origem divina, dissipando as forças elevadas que lhe são concedidas para o desenvolvimento espiritual, moral e intelectual, entregando-se ao servilismo com os animais imundos —as paixões primitivas - disputando as bolotas — insistindo no primarismo ancestral - porque está perdido, mas com possibilidades de autoencontrar-se.

Fazendo parte da trilogia dos perdidos - a ovelha, a dracma e o filho pródigo — essa parábola também é membro da tríade do encontro, da esperança, da misericórdia, do júbilo.

Achar-se é muito mais importante do que achar.

Acham-se coisas, animais e pessoas perdidos, no entanto, achar-se, quando se está perdido em si mesmo e não no espaço-tempo, é de relevância psicológica, de verdadeira cura, de reabilitação, de autoencontro, de amadurecimento para o estado numinoso.

Torna-se necessária, nesse momento, a imago Dei na consciência como parâmetro para sair-se do ego extravagante e ditador, recordando-se do Pai misericordioso que sempre aguarda e que, reencontrando o que estava perdido, rejubila-se, propõe e executa uma festa, mantendo a união que fora arrebentada quando o irresponsável fugiu para longe...

A persona está sempre mudando no processo existencial porque resulta das aquisições psicológicas e morais, embora o ego se demore na sua dominação, adquirindo recursos para interagir com as novas conquistas. Durante os períodos de mudanças biológicas, conforme referido anteriormente, essas mudanças sucedem-se com naturalidade, atingindo o clímax na fase adulta-velhice, quando o período é saudável.

Experiencia-se, na Terra atual, não mais o ciclo das culturas da vergonha e da culpa, mas o do narcisismo, do exibicionismo, da falta de censo e de pudor, da extravagância, do poder...

Apesar disso, a psique mantém a herança da culpa e da vergonha no inconsciente individual e mesmo quando anestesiada por circunstâncias e ocorrências casuais, locais, sociológicas, são sempre de breve período de duração, porque ressumam e se expressam de maneira patológica com transtornos de comportamento e síndromes de enfermidades defluentes de somatização.

É compreensível que o necessário sair de casa para tornar-se herói, não deva passar obrigatoriamente pelo insucesso, a depender, portanto, da maneira elegida para essa experiência.

Achar-se é uma necessidade do si-mesmo para desfrutar da alegria de viver, não sucumbindo em distúrbios de conduta, sempre lamentáveis e dolorosos.

Quando se pensa que o Cosmo possui um sistema de natureza moral, organizador, descobre-se alegremente que a vida oferece processos evolutivos que impulsionam ao engrandecimento pessoal e à plenitude ou individuação.

Pode-se alcançar esse crescimento sem que se passe compulsoriamente pelo insucesso do ego, pelas incertezas do Self, realizando-se a viagem de volta a casa, em clima de alegria.

Jesus concebeu e expôs a Parábola do Filho pródigo, assim como as duas outras, sobre os perdidos, para demonstrar que Ele viera para esses sofredores e desorientados, que Ele encontraria e reconduziria às suas origens, na doce expressão do Pai misericordioso, o que conseguiu com êxito retumbante, demonstrando, sub-repticiamente, aos seus antagonistas que, de alguma forma, eles estavam perdidos, mas que também estavam sendo encontrados, tendo a chance de retornar à casa paterna...

O desafio de Jesus prossegue na atualidade com as mesmas características, representadas no Seu chamamento à consciência de felicidade, naturalmente para aqueles que a perderam ou não a a tiveram, ante o crivo dos novos fariseus presunçosos e enganados em relação à vida e ao seu determinismo.

São, por enquanto, Filhos pródigos saindo da casa paterna, para desfrutar as heranças divinas no país longínquo.


Joanna de Ângelis