domingo, 16 de agosto de 2026

Miramez - Livro Cristos - João Nunes Maia - Cap. 9 - Cristo-Alimento



Miramez - Livro Cristos - João Nunes Maia - Cap. 9


Cristo-Alimento


"Todos comeram e ficaram fartos." — (Marcos, 6:42).


O místico ou o santo se alimenta mais por analogia, pois este é quase seu estado normal. Busca, por intermédio dos dons que possui, um pão por excelência de maior valor, o pão do céu. O alimento físico com exagero é para espíritos ainda presos as sensações inferiores.

Cristo-Alimento é uma demanda oportuna para a alma desenvolver os poderes internos, disciplinando os instintos animais e educando os impulsos que não afinam com a graça divina. É um desafio as nossas necessidades evolutivas.

É certo e justo que o corpo precisa abastecer-se de elementos que lhe garantam a vida física, porém, o Mestre dos mestres já ensinava a Seus discípulos: 


"Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus" — (Mateus, 4:4).


E isto era conceito de antigos pergaminhos de profetas do passado, continuando em vigor hoje e eternamente. O pão do céu referido é uma essência espiritual que a alma é capaz de absorver no sono, em êxtase ou em processos da oração, e por pouco que seja, ainda se encontra no ar, na água e nos alimentos indispensáveis a vida. É como se fosse o hálito do Criador, interpenetrando a criação. 

E desse alimento divino poderás ser também um canal para os outros, dependendo do modo pelo qual vives: ele se afasta quando a cólera se apossa do esputo, se dispersa quando o ciúme envenena o coração, desaparece quando a maledicência trabalha com a língua do possesso...

Esse alento superior existe em profusão na alma de quem ama, e passa por todos os canais das virtudes mencionadas pelos Evangelhos. Cristo-Alimento vem evidenciar no nosso mundo mental a formação de novas ideias no campo da filosofia, assim como estender argumentos nos conceitos religiosos, para que a ciência entenda o valor das virtudes e a profundidade da educação espiritual.

Estamos caminhando para uma época de menos alimento físico e mais pão espiritual; e mesmo o material está caminhando para a fluidez do seu estado: o visível é materialização do invisível, e o Senhor dá prova disso, quando multiplicou os pães várias vezes para a multidão de pessoas famintas.

Quando não puderes doar o pão de trigo ao que tem fome, oferta o alimento da palavra revestida de amor, de carinho e de fé, e se estiver ao teu alcance, faz as duas coisas.

A mente é uma lavoura de recursos sem limites, e o coração é um celeiro imensurável, que nunca se esgotará, quando movido pela fraternidade universal! Cristo, quando abria a boca, no comando das Suas ideias luminosas, tudo fazia pelas inúmeras mãos do gênio que se chama Amor. O homem atual ainda não descobriu essa força poderosa, capaz de remover o mundo e solucionar os problemas da humanidade.

Jesus o revelou na sua feição máxima, todavia, as criaturas, não suportando a luz do amor puro, criaram as divisões concernentes as necessidades de cada povo, difundindo os raios desta virtude excelente, para depois encontrar o foco energético da vida, que João Evangelista denominou de Deus, dizendo, por não achar outro termo, Deus é Amor!

E o Amor por excelência das excelências é o alimento da vida, onde todos, senão a humanidade inteira, podem comer e se fartar eternamente.

E todos comeram e ficaram fartos.


Miramez










Fonte: Cristos

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