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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 4 - Apelo



Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 4


Apelo


Meus amigos.

Não basta recolher os frutos do caminho. É necessário fazer luz dentro dele para que não nos percamos nas trevas.

Amealhar os benefícios imediatos do Espiritismo, procurando-lhe as gratificações consoladoras será compreensível para nós todos, mormente na hora escura que a Terra vai atravessando no inquietante período de transição da atualidade.

Entretanto, não basta fartar-se a alma de reconforto superficial, de vez que o alívio nem sempre significa solução.

Saibamos aproveitar as graças e os favores da Doutrina de Amor que nos enriquece de conhecimento e esperança, plasmando no espírito a renovação que nos é indispensável.

Para isso, descurar o Evangelho será esquecer a escola e menosprezar a lição.

Consagremos alguns minutos, cada dia, à procura de orientação com o Instrutor da Imortalidade.

Evangelho no coração para que aprendamos a sentir.

Evangelho no pensamento para que não nos falhe o equilíbrio.

Evangelho na palavra para que não nos prendamos à perturbação.

Evangelho nos braços para que a preguiça não nos faça cair em seus despenhadeiros de sofrimento.

Para isso, é necessário ler os ensinamentos do Senhor e meditar-lhes a essência, imprimindo rumo certo ao barco de nossa vida.

Sem a bússola, a embarcação vagueia sem rumo.

Sem Jesus, comandando o nosso mundo interior, erraremos na Terra, no corpo ou fora dele, ao sabor das circunstâncias e das influências  , à maneira de folhas ressequidas ao vento.

Honremos a luz celeste que nos trouxe a bênção do Espiritismo e, cultivando o Evangelho na consciência, na família, no lar e na luta coletiva, converteremos o coração em santuário vivo em que brilhará para sempre a Vontade do Nosso Divino Mestre e Senhor.


Emmanuel














domingo, 30 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 14 - Autoridade em nós mesmos



Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 14


Autoridade em nós mesmos


"E o amo louvou este feitor iníquo, por haver obrado como homem de juízo; porque os filhos deste século são mais sábios na sua geração que os filhos da luz." (LUCAS, 16:8)


Apreciando o problema daqueles que guardam no mundo as diretivas da experiência, não te fixes nos companheiros que trazem consigo a cruz do ouro e do poder.

Recordemos a esquecida autoridade que o conhecimento superior determina seja exercida por nós em nós mesmos.

Quase sempre ensinamos a arte do pensamento nobre, receitando exercícios e regras aos amigos que nos perlustram a senda, guardando o próprio cérebro à feição de barco desgovernado, em cujas brechas ocultas penetram as sugestões da ignorância e da sombra.

Indicamos aos outros recursos providenciais para que se mantenham indenes de todo mal, através da pureza dos olhos e dos ouvidos, empenhando as próprias percepções à triste aventura da leviandade e do desacerto que acaba sempre na crítica indébita ou na azedia destruidora.

Estruturamos planos para a boa palavra naqueles que nos cercam, sem refrearmos o próprio verbo no galope insensato da crueldade, indicamos fé e esperança para o ânimo alheio, a perder-nos no charco da negação e do derrotismo, exaltamos para ouvintes confiantes a excelência das horas, no capítulo do trabalho e da realização, mergulhando as mãos no visco da inércia e pregamos a excelsitude da caridade para os amigos que nos rodeiam, a desfazer-nos em egoísmo e exigência.

Autoridade!… Autoridade!…

Dela abusaram todos os tiranos que fizeram da própria soberbia escuro resvaladouro para as trevas da criminalidade e da morte e dela, ainda hoje, nos valemos todos para acobertar as próprias fraquezas, sobrecarregando os ombros do próximo com fardos que somos incapazes de suportar.

Lembremo-nos, porém, de Jesus, no sublime governo da própria alma, passando entre os homens com a suprema revelação da Divina Luz, e entesouraremos suficiente humildade para entregar a Deus todos os patrimônios que nos enriquecem a vida, aprendendo a disciplinar-nos para refletir-lhe a grandeza na condição abençoada de filhos do Seu Amor.


Emmanuel













domingo, 17 de maio de 2026

Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 6 - Banquete interior



Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 6


Banquete interior


O conhecimento evangélico em nosso mundo íntimo é sempre milagrosa festa de luz.

É o banquete com o Pão que desceu do Céu, a inundar-nos de paz, esperança, fortaleza e alegria…

Nossos velhos amigos — os ideais de felicidade que abraçamos — encontram novo apoio e se materializam em trabalho promissor de fé, vaticinando-nos abençoado futuro.

Alimentam-se, triunfantes à nossa mesa farta de júbilo, e como que se exteriorizam, constantemente, através de pregações valiosas e apontamentos sublimes, no entusiasmo com que nos devotamos à salvação alheia.

Mas, temos também, na intimidade de nosso coração, antigos adversários do nosso equilíbrio e da nossa paz que, raramente, convocamos ao nosso deslumbramento.

É o orgulho — louco inimigo do nosso progresso…

É a vaidade — infeliz companheira de nossos desequilíbrios…

É a preguiça mental — infortunada mendiga, que estima residir conosco, paralisando os impulsos de servir…

É o egoísmo — lamentável amigo destruidor, que teima em cristalizar-nos nas sombras da ignorância…

É o ódio — milenário perseguidor a inclinar-nos para o despenhadeiro da vingança…

É a ingratidão — triste comparsa de delitos escuros, a seguir-nos de remoto passado, induzindo-nos à dureza de coração.

É o desânimo — mísero pedinte, asilado em nossa alma, encarcerado nas trevas do medo de trabalhar e de algo fazer, na sementeira da caridade e da luz…

Convidemos todos esses velhos companheiros de jornada evolutiva para o banquete do Evangelho em nosso templo íntimo.

E, de certo, se converterão em cooperadores prestimosos de nosso reajuste, transformando-nos em vivo santuário de bênçãos, para a execução plena e vitoriosa da Vontade de Deus.


Emmanuel















quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 10 - Cada ave em seu ninho



Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 10


Cada ave em seu ninho


"Porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração." (Mateus 6:21)


O mal reside na furna da ignorância.

O ódio respira nas trincheiras da discórdia.

A inveja mora no deserto da insatisfação.

A tristeza improdutiva desabrocha no abismo do desânimo.

A perturbação cresce no precipício do dever não cumprido.

O desequilíbrio desenvolve-se no despenhadeiro da intemperança.

A crueldade nasce no pedregulho da dureza espiritual.

A maledicência brota no espinheiral da irreflexão.

A alegria reside no coração que ama e serve.

A tranquilidade não se aparta da boa consciência.

A fé reconforta-se no templo da confiança.

A solidariedade viceja no santuário da simpatia.

A saúde vive na submissão à Lei Divina.

O aprimoramento não se separa do serviço constante.

O dom de auxiliar mora na casa simples e acolhedora da humildade.

Cada ave em seu ninho, cada cousa em seu lugar.

Há muitas moradas para nossa alma sobre a própria Terra.

Cada criatura vive onde lhe apraz e com quem lhe agrada.

Procuremos a estrada do verdadeiro bem que nos conduzirá à felicidade perfeita, de vez que, segundo o ensinamento do Evangelho, cada Espírito tem o seu tesouro de luz ou o seu fardo de sombra, onde houver colocado o próprio coração.


Emmanuel










sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 7 - Cegos





Cegos


A sombra nos olhos físicos pode ser angustiosa provação, mas, a cegueira real é aquela que envolve o coração e a mente, na noite da rebeldia ou da ignorância.

É por isso que encontramos, no mundo, cegos de todos os matizes…

Cegos cristalizados na usura, que nada enxergam, além do pobre tesouro amoedado, em que mergulham as mãos ávidas.

Cegos detidos no egoísmo destruidor, que nada vêm senão os caprichos em que se movimentam.

Cegos encarcerados no orgulho, supondo-se as únicas criaturas louváveis do Universo.

Cegos algemados à viciação, em que apagam a luz da própria consciência.

Cegos agrilhoados à preguiça, que somente enxergam as suas conveniências individuais, invariavelmente dispostos a vampirizar os semelhantes, à custa de queixas e lamentações.

Cegos atados à tristeza nociva, que menosprezam a graça do sol e as riquezas da vida, sustentando-se na imobilidade espiritual da revolta ou do desespero, olvidando que a vida é trabalho e renovação.

Cegos confiados ao abismo da descrença, que nada observam senão os espinhos de sarcasmo e negação, que lhes vicejam no íntimo…

Para todos esses cegos que cruzam diariamente nossos passos elevemos ao Alto as nossas preces de auxílio, rogando ao Senhor nos mantenha acordados para as próprias responsabilidades, com a suficiente visão para o desempenho dos nossos deveres, ainda que esse despertamento nos visite, a cada hora, pela bênção edificante da dificuldade ou da dor.


Emmanuel










terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 17 - A oferenda cristã



Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 17


A oferenda cristã


Antigamente, a fé exibia nos templos as vísceras fumegantes dos animais mortos, quando não imolava o sangue humano para aliciar a simpatia dos gênios inferiores categorizados à conta de anjos e deuses, nos santuários primitivistas.

Espetáculos deprimentes desdobravam-se diante do altar, gerando o temor e a superstição que orientavam a magia vulgar.

Evoluída a fé, o incenso e a mirra, as essências e os perfumes substituíram as ofertas sanguinolentas, modificando o culto exterior e amenizando os costumes.

Com Jesus, entretanto, as oferendas da fé são justas e expressivas.

O discípulo do Evangelho é convidado a imolar a si mesmo, nas áreas da renúncia pelo bem dos semelhantes, a fim de que a Terra se faça o templo do Amor Divino.

Com Cristo, não mais oblatas de sangue e lágrimas, nem dádivas de prata e ouro…

Não mais o fetichismo da ignorância, nem a exaltação de interesses mesquinhos, mas, sim o próprio coração do aprendiz erguido ao trabalho da felicidade comum, em bases no próprio aperfeiçoamento.

Se pretendes trazer ao Mestre o preito de teu carinho, recorda que o Cristo não deseja adoradores de sua figura excelsa, mas, artífices e servidores da Boa Nova que saibam calar auxiliando, amar com desprendimento e servir sem repouso, porque somente nesse culto íntimo de afetuoso devotamento, é que conseguiremos, em verdade, comungar-lhe, hoje e sempre, a edificação do Reino de Amor e Luz.


Emmanuel










terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 18 - A semente de mostarda



Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 18


A semente de mostarda


“Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda…” — assim falou o Senhor.

É importante indagar porque não teria o Mestre recorrido a outros símbolos.

Jesus poderia ter destacado a grandeza da fé, buscando quadros mais sugestivos.

A beleza do Hermon…

A poesia do lago de Genesaré…

O esplendor do firmamento galileu…

A riqueza do Templo de Jerusalém…

Todos esses primores da paisagem que o circundava ofereciam temas vivos para a exaltação da sublime virtude.

Entretanto, o Benfeitor Celeste toma a semente minúscula da mostarda, como a dizer-nos que sem o reconhecimento de nossa própria pequenez à frente do Eterno Amor e da Eterna Sabedoria não conseguiremos amealhar o tesouro do entendimento e da confiança que a fé consubstancia em si mesma.

A semente microscópica desaparece, em verdade, no seio da Terra, qual se fora inútil ou desprezível, todavia, não se abandona à inércia, por sentir-se relegada ao abandono aparente.

Confia-se às leis que nos regem e, na dinâmica da obediência construtiva, desvencilha-se dos envoltórios inferiores que a encarceram; germina, vitoriosa, e cresce para produzir, não para si mesma, mas, para benefício dos outros, num eloquente espetáculo de bondade espontânea, ante a majestade da natureza.

Possa o nosso coração, no solo das experiências humanas, copiar-lhe o impulso de simplicidade e serviço e a nossa existência será testemunho insofismável da magnificência divina cuja sublimidade passaremos então a refletir.

Assim, pois, cessemos nossas indagações descabidas e busquemos na Criação o justo lugar que nos compete.

Nem com o brilho do diamante, nem com a cintilação do ouro, nem com a sedução da prata, nem com a aristocracia do mármore, em que tantas vezes temos procurado simplesmente a ilusão do poder que a morte arrebata e modifica, mas, sim com a humildade viva do grão de mostarda que, arrojado à solidão da Terra, sabe vencer, desabrochar, florir e cooperar na extensão da glória de Deus.


Emmanuel










Reformador de agosto de 1957. 

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 11 - Caridade da palavra



Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 11


Caridade da palavra


Lembra-te da caridade da palavra, a fim de que possas praticar o amor que o Mestre exemplificou.

As guerrilhas da língua, há séculos, exterminam mais vidas na Terra, que todos os conflitos internacionais.

Há sempre uma lavoura extensa de trabalho regenerativo e santificante no mundo, à espera do verbo que se inflama, não só de verdade e franqueza, mas, também de compreensão e carinho…

É pelos sinais escuros da língua que levantamos os monstros da calúnia e as feras da discórdia nas furnas de treva a que se acolhem…

É por ela que multiplicamos os lagartos da inveja e os vermes da maledicência…

Através dela, espalhamos os tóxicos letais da indisciplina e da desordem e é ainda, por intermédio da espada verbalística, que provocamos as grandes hecatombes do sentimento invariavelmente expressas nos crimes passionais que envenenam o noticiário comum.

Aprendamos a praticar a sublime caridade oculta que somente a língua pode realizar.

A pergunta inoportuna contida a tempo, a observação ingrata que emudece a propósito, a frase amiga com que podemos soerguer os irmãos transviados, a desistência da queixa, a renúncia às discussões estéreis e o abandono de apontamentos irrefletidos, são expressões dessa bondade que a boca pode estender sem que os outros percebam.

Sobretudo, não olvides os tesouros encerrados no silêncio e procura com devoção incorporá-los ao teu modo de ser, a fim de que o teu verbo não se faça sentir fora de tempo.

Quando nosso coração acorda para os ideais superiores do Evangelho, a nossa inteligência adquire preciosos serviços de autofiscalização.

Conduzamos nossa língua a esse trabalho renovador da personalidade e passaremos a viver em novo campo de simpatia, irradiando o bem e recebendo, enriquecendo aos outros e engrandecendo a nós mesmos, na abençoada ascensão para a Luz.


Emmanuel