sexta-feira, 31 de julho de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. XIX - João Nunes Maia - Cap. 21 - Antipatias



Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. XIX - João Nunes Maia - Cap. 21 - Antipatias

 

939. Uma vez que os Espíritos simpáticos são induzidos a unir-se, como é que, entre os encarnados, frequentemente só de um lado há afeição e que o mais sincero amor se vê acolhido com indiferença e, até, com repulsão? Como é, além disso, que a mais viva afeição de dois seres pode mudar-se em antipatia e mesmo em ódio?

“Não compreendes então que isso constitui uma punição, se bem que passageira? Depois, quantos não são os que acreditam amar perdidamente, porque apenas julgam pelas aparências, e que, obrigados a viver com as pessoas amadas, não tardam a reconhecer que só experimentaram um encantamento material! Não basta uma pessoa estar enamorada de outra que lhe agrada e em quem supõe belas qualidades. Vivendo realmente com ela é que poderá apreciá-la. Tanto assim que, em muitas uniões, que a princípio parecem destinadas a nunca ser simpáticas, acabam os que as constituíram, depois de se haverem estudado bem e de bem se conhecerem, por votar-se, reciprocamente, duradouro e terno amor, porque assente na estima! Cumpre não se esqueça de que é o Espírito quem ama e não o corpo, de sorte que, dissipada a ilusão material, o Espírito vê a realidade.

“Duas espécies há de afeição: a do corpo e a da alma, acontecendo com frequência tomar-se uma pela outra. Quando pura e simpática, a afeição da alma é duradoura; efêmera a do corpo. Daí vem que, muitas vezes, os que julgavam amar-se com eterno amor passam a odiar-se, desde que a ilusão se desfaça.” (O Livro dos Espíritos) 


O ser humano se engana constantemente, principalmente no tocante ao amor. É preciso analisar mais a chamada sintonia que, no fundo, é o próprio amor. Ele faz parte de uma escala imensurável; cada degrau corresponde a um estado de alma, e a subida vai nos mostrando que ela é infinita, assinalando as posições das criaturas e fazendo-as sentir a verdade na sequência da subida.

Ao se encontrar uma criatura, principalmente do sexo oposto, pode-se sentir imediatamente uma grande afeição, que tanto pode ser pela presença física, quanto pela espiritual. Compete a cada indivíduo ser cauteloso em mostrar o que está pensando e sentindo naquele momento, para não cair em contradições.

Certamente que em muitos casos, encontramos pessoas pela primeira vez e sentimos antipatias por elas, no entanto, com o decorrer do tempo, modificamos nossos sentimentos, passando a amar tais criaturas, bem como se dá o contrário. A razão nos fala que tudo isso constitui processo de despertamento espiritual, e que não vamos permanecer sentindo antipatia; o nosso futuro é amar e nos confraternizar com todos os seres deste mundo em que moramos temporariamente e dos outros, tanto quanto de todos os reinos da natureza.

Devemos amar a Deus, como já falamos alhures, em todas as coisas, que essas coisas respondem a esse amor em sua dimensão de vida. Não deves te sentir culpado por teres antipatia por alguém; deves, sim, compreender esse sinal como sendo um aviso do que ocorre por dentro da tua vida. O que tens a fazer é buscar mudar na tua intimidade e esforçar-te para tal, que a própria natureza te ajudará na superação dos obstáculos naturais. Esses conflitos são normas de despertamento dos valores internos. Não deves tampouco culpar as entidades mal informadas sobre a verdade. Elas estão igualmente procurando, como todos nós, a verdade para se libertarem das incompreensões.

Ao encontrares novos companheiros e a antipatia surgir, é um sinal pedindo para parares e meditar, até que se abram em teu entendimento, vários processos da vida para nos educar e instruir. O próprio amor à primeira vista deve ser moderado. Em tudo, a posição de equilíbrio nos mostra melhores resultados; todas as paixões ardentes vêm de fonte mal informada, e todas as paixões desenfreadas nascem mais da matéria e pedem modificações. O homem elevado é sereno em tudo o que faz e pensa; ele ama, na mesma serenidade, a Deus em tudo.

Certamente que existem muitas modalidades de afeições, no entanto, tudo vem do Espírito. Somente ele, na posição de encarnado, ama ou odeia. Quando o Espírito se liberta do corpo na desencarnação, a matéria se funde na própria matéria, desfazendo-se da forma. Os elementos buscam seus iguais, fundindo-se e se transformando para a sua grandeza. Na própria matéria existe "antipatia" dos elementos, que vibram em diferentes ordens.

Em muitos casos, que podem ser comprovados, muitos que amam e que se diziam felizes em tais momentos, passam a odiar. Entrementes, com a compreensão da vida, com o passar dos milênios, passam a amar novamente, eternamente, pois esse é o caminho, a verdade e a vida para todas as criaturas de Deus. O ódio é transitório; o amor é eterno, em tudo que existe.

"Nestes jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos e paralíticos." (João, 5:3)

Na vibração do ódio somente existem cegos, coxos e paralíticos, mas, com Jesus, em se referindo ao amor, à simpatia, todos se curam da cegueira, das enfermidades e dos defeitos físicos, vivendo nas linhas da perfeita harmonia de vida.

Podemos afirmar que todos os acontecimentos contraditórios que se passam na vida da alma, são necessários para que ela chegue à região do amor, passando a amar. Não podemos julgar a ninguém porque deixou de amar determinada criatura de quem antes tanto gostava. As próprias ilusões são lições, para nos mostrar o verdadeiro caminho. Todos passam por essas diretrizes. Os Espíritos elevados sabem disso; por isso não julgam.


Miramez















Miramez - Livro Cristos - João Nunes Maia - Cap. 2 - Cristo-Luz



Miramez - Livro Cristos - João Nunes Maia - Cap. 2 - Cristo-Luz


"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade que está situada sobre um monte." (Mateus, 5:14)

"E outra vez lhes falou Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; o que me segue não anda em trevas, mas terá o lume da vida." (João, 8:12)

Não faças acordança com as sombras, pois, elas serão capazes de subestimar os teus valores em germe no coração. Sabedoria é luz; procura-a em todos os níveis da tua capacidade. Educação é luz; busca-a em todas as direções ao teu alcance. Quem já sentiu as claridades do saber e a libertação pelo amor nunca mais tornará as trevas; e é neste empenho divino que buscaremos o Cristo, que acentuou com propriedade; Eu sou a luz do mundo.

Para nós, Jesus é verdadeiramente a Luz de três mundos: luz física, espiritual e íntima de todos os que vivem na Terra e com a Terra, de forma a libertar as almas nas faixas que lhes compete viver. É bom que façamos avaliação do Mestre diante das nossas necessidades, para que possamos sentir a Sua ausência no mau desempenho da vida, e retratarmos conosco mesmo, em uma conduta correta, como educação versus disciplina mais eficiente.

Prosseguindo a conversa, Jesus afirmou: Quem me segue não andará nas trevas. Quem tem o Senhor como guia recebe a Sua luz, como e certamente desperta em si uma luz inextinguível, que retrata a sua condição espiritual, e a Sua companhia em espírito e verdade.

Se estás entrando na iniciação espiritual, é justo apreciar vários fatores em seus próprios passos, fazendo-se necessário esquecer a conduta alheia e não gastar tempo com o tempo que já se foi; deixa o ontem, o hoje e o amanhã com as suas próprias demandas, e vive o eterno com as leis que te asseguram eternamente.

O ponto alto do Cristo no comando do planeta Terra e de seus habitantes é o conhecimento da Verdade, que nos liberta de tudo. Basta dizer que, por ela, as correntes da ignorância que se faziam nossa inquilina rompem, e neste fenômeno, circula em nós a harmonia cósmica, restabelecendo nas três dimensões o equilíbrio, que nos alicerça a existência, a exuberância da paz, a felicidade, a saúde e o amor, que facilitarão todos os outros dons em crescimento.

E adiante Jesus no mesmo tópico: Mas terá a luz da vida. Quem começa a conquistar a luz da vida, é um ser aprazível. Onde se encontre, notar-se-á manifestando no ar que se respira algo diferente; na sua palavra, sons enriquecidos de amor, e quem a ouve, não esquece, e na sua feição, uma luz irradia sem intervalos.

O homem ou espírito encarnado dotado da luz da vida é afável em todos os seus gestos, é sereno em todas as suas atividades, e a sua boca jamais fere alguém; livra-se com facilidade da tristeza, quando essa tenta invadir seu coração, e sua maior força está na humildade e no amor. Este homem é o homem-luz. Homem que respeita permanentemente os direitos dos outros, sem nada exigir para si, que confia nas possibilidades alheias, sem requerer confiança, que entende e pratica todos os preceitos do Cristo, sem que a sua inteligência possa oprimir os semelhantes a fazerem o mesmo, encontra no seu mundo íntimo trabalho de sobra, para não interferir na vida das pessoas, e se alegra quando alguém desavisado aponta algum erro no seu caminho, procurando imediatamente corrigi-lo.

Não entrega o seu corpo ao leito de descanso sem orar com humildade ao Todo Poderoso, agradecendo tudo que recebeu no decurso do dia; jamais dorme contrariado, entrando em completo relax, sentindo-se como se fosse um sol na carne, e agradecendo igualmente ao corpo pelo que fez durante o dia.

Estende os pensamentos às estrelas, buscando Deus, buscando Cristo, buscando Luz, porque também já é uma Luz. 

E nesta feição divina, devemos recordar cheios de alegria: 

De novo lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.


Miramez












Fonte: Cristos

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Taça de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 23 - Saibamos agradecer



Emmanuel - Livro Taça de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 23


Saibamos agradecer


Aprendamos a agradecer no círculo das criaturas limitadas que ainda somos, a fim de recebermos o socorro dos Mensageiros Divinos cuja sublimidade ainda não conseguimos compreender.

Cada coração que palpita conosco, amparando-nos a jornada é alguém da Vida Superior induzindo-nos à felicidade.

A ternura de nossa mãe…

A benevolência de nosso pai…

O devotamento da esposa…

A assistência do companheiro…

O carinho do irmão…

A devoção do mestre…

A generosidade do amigo…

A direção do chefe…

O concurso do servidor…

A paciência do médico…

A tolerância do enfermeiro…

Não somente essas forças te assistem, cada hora, assegurando-te interesse e estímulo à existência…

para estender a caridade sem ruído, como quem sabe que ajudar aos outros é enriquecer a própria existência;

para persistir nas boas obras sem reclamações e sem desfalecimentos, em todos os ângulos do caminho;

para negar a nossa antiga vaidade e tomar, sobre os próprios ombros, cada dia, a cruz abençoada e redentora de nossos deveres, marchando, com humildade e alegria, ao encontro da vida sublime…

A indicação honrosa nos felicita.

Nossa presença nos estudos do Evangelho expressa o apelo que flui do Céu para as nossas consciências.

Chamados para a luz e escolhidos para o trabalho. Eis a nossa posição real nas bênçãos do “hoje”. E se quisermos aceitar a escolha com que fomos distinguidos, estejamos certos igualmente de que, em breve, “amanhã” comungaremos felizes com o nosso Mestre e Senhor.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Mediunidade e Sintonia - Chico Xavier - Cap. 13 - Trabalho além da Terra



Emmanuel - Livro Mediunidade e Sintonia - Chico Xavier - Cap. 13


Trabalho além da Terra


Além da morte, a alma continua naquilo que começou a fazer na existência física.

E em razão de cada criatura transportar consigo a experiência a que se afeiçoa, a Sabedoria Divina concede a cada Espírito encarnado determinada tarefa, que, na essência, vale por ensaio precioso, à frente do serviço que lhe competirá no amanhã eterno.

Vemos, na Terra, diversificar-se o trabalho ao infinito…

Esse ensina.
Aquele dirige.
Aquele outro obedece.
Aqui, possuímos quem edifique.
Além, há quem cure.
Adiante, há quem esclareça.

Entretanto, se o professor apenas faz jus à remuneração financeira, não terá conquistado o santuário da educação.

Se o dirigente foge à exemplificação e à nobreza íntima, não terá conhecido a verdadeira autoridade.

Se o cooperador subalterno menoscaba a atenção para com o bem comum, viverá muito longe do prazer de servir.

Se quem levanta paredes e monumentos cinge-se apenas ao interesse particular, não terá percebido a beleza da construção.

Se quem alivia as dores humanas procura simplesmente o lucro fácil, decerto desconhecerá o divino templo da cura.

E se quem esclarece foge ao devotamento e à serenidade, preferindo localizar-se entre a exigência e a aspereza, não acenderá no caminho a luz do amor.

Não olvides que as tuas atividades, fora do corpo denso, serão sempre a continuação daquilo que fazes por dentro de ti, obedecendo ao próprio coração.

Não basta erguer braços ágeis, deitar fraseologia preciosa ou provocar excessivo movimento em torno de teus dias, porque há muitas mãos operosas na extensão da sombra, muito verbo faustoso na exploração menos digna e muito ruído vão, provocando, onde existe, tão somente amargura e cansaço.

Ama o serviço que o Senhor te confiou, por mais humilde que seja, e oferece-lhe as tuas melhores forças, porque do que hoje fazes bem, no proveito de todos, retirarás amanhã o justo alimento, para a obra que te erguerá do insignificante esforço terrestre para o trabalho espiritual.


Emmanuel












quarta-feira, 29 de julho de 2026

André Luiz - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 39.2 - Mimetismo e definição



André Luiz - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 39.2


Mimetismo e definição


15. A coragem das opiniões próprias sempre foi tida em grande estima entre os homens, porque há mérito em afrontar os perigos, as perseguições, as contradições e até os simples sarcasmos, aos quais se expõe, quase sempre, aquele que não teme proclamar abertamente ideias que não são as de toda gente. Aqui, como em tudo, o merecimento é proporcionado às circunstâncias e à importância do resultado. Há sempre fraqueza em recuar alguém diante das consequências que lhe acarreta a sua opinião e em renegá-la; mas, há casos em que isso constitui covardia tão grande, quanto fugir no momento do combate.

Jesus profliga essa covardia, do ponto de vista especial da sua doutrina, dizendo que, se alguém se envergonhar de suas palavras, desse também ele se envergonhará; que renegará aquele que o haja renegado; que reconhecerá, perante o Pai que está nos céus, aquele que o confessar diante dos homens. Por outras palavras: aqueles que se houverem arreceado de se confessarem discípulos da verdade não são dignos de se verem admitidos no reino da verdade. Perderão as vantagens da fé que alimentem, porque se trata de uma fé egoísta que eles guardam para si, ocultando-a para que não lhes traga prejuízo neste mundo, ao passo que aqueles que, pondo a verdade acima de seus interesses materiais, a proclamam abertamente, trabalham pelo seu próprio futuro e pelo dos outros.  (O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. 24)


801. Por que não ensinaram os Espíritos, em todos os tempos, o que ensinam hoje?

1 “Não ensinais às crianças o que ensinais aos adultos e não dais ao recém-nascido um alimento que ele não possa digerir. Cada coisa tem seu tempo. Eles ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou adulteraram, mas que podem compreender agora. Com seus ensinos, embora incompletos, prepararam o terreno para receber a semente que vai frutificar.” (O Livro dos Espíritos)


Amor em ação, amor-entendimento, amor-brandura, amor em nome do Cristo que se imolou por amor. 

Não nos esquecermos, porém, de que o Cristo nunca se achou fora do caminho aberto que conhecemos como sendo definição.

A astúcia se esconde sistematicamente no “sim”, a crueldade se encouraça no “não” e a preguiça não sai do “talvez”.

O espírita, herdeiro atual do Cristianismo sem distorções, não pode ignorar a necessidade do equilíbrio.

Compreensão e ternura, mas atitude firme, para que a névoa da ignorância não invada a atmosfera mental onde vivemos, induzindo os companheiros de viagem terrestre ao vale da indecisão.

Somos, involuntariamente, a bússola uns dos outros. Os que marcham à frente ditam normas para os que se formalizam à retaguarda.

Todos influenciamos positivamente com o magnetismo da atitude. Daí o impositivo de sermos por fora o que somos por dentro.

Claramente é possível usar os valores afetivos em qualquer circunstância.

Misericórdia e paz em todas as situações, principalmente naquelas nas quais é preciso desembaraçar alguém da perturbação com a paciência e a abnegação de que não prescindimos para libertar o doente da enfermidade. Isso, contudo, não nos exime do culto à verdade.

Reportamo-nos, enlevados, ao amor que imperava nas coletividades cristãs do Evangelho nascente.

Os primeiros seguidores de Jesus amavam-se ternamente como verdadeiros irmãos; entretanto, não foi tão só a preço de doçura que venceram o sarcasmo e a perseguição de que se viram objeto.

O amor entre eles incluía a coragem, a franqueza, o desassombro e a fidelidade por ingredientes necessários ao triunfo sobre as vicissitudes da época, tanto quanto sobre si próprios.

Sejamos tolerantes no sentido construtivo, respeitando as vítimas de enganos consagrados e preconceitos infelizes, doando a cada uma delas algo de útil que as auxilie na edificação do bem, com vistas à emancipação futura. 

Mas conservemos atitude límpida pela qual sejamos identificados na condição de espíritas, a serviço do mundo renovado, evitando mimetismo e acomodação.


André Luiz











Emmanuel - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 1 - Luz para todos



Emmanuel - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 1


Luz para todos


Estariam os princípios espíritas endereçados à segregação para uso exclusivo daqueles irmãos que carregam provas visíveis no Plano material?

Encontramos, com frequência, na Terra, quem suponha deva ser a Nova Revelação limitada ao trabalho em favor dos que sofrem a penúria do corpo, sob pena de perder a própria simplicidade.

Entretanto, a fulguração solar será menos luz quando clareia o recôncavo de um vale e o topo de um arranha-céu ao mesmo tempo? E, acaso, a fonte se diminuirá em grandeza por deixar-se canalizar em serviço à cidade grande, após haver saciado a sede aos lares do campo?

Decerto, a mensagem da Vida Maior tem significação mais imediata em auxílio a quantos se vejam no mundo em dificuldades abertas, seja no chão das exigências primárias da natureza ou na sombra das grandes tribulações em que a inconformidade os compele a se tornarem francamente infelizes. Imperioso, porém, pensar naqueles outros companheiros da humanidade que a vida situou em outros setores.

Não é a face externa da criatura que lhe determina o grau da necessidade espiritual.

Dói-nos ver as mãos que se nos estendem nas ruas, à cata de pão; no entanto, será justo, igualmente, compreender os obstáculos daqueles que se esfalfam em serviço para que haja pão, tanto quanto possível, à mesa de todos.

Aflige-nos registrar os empeços do amigo em profissão singela, cujo salário não lhe satisfaz a todos os requisitos da vida simples, mas não nos será lícito esquecer os óbices daqueles que se atormentam na orientação da oficina para que o trabalho não se perturbe ou escasseie.

Magoa-nos surpreender irmãos diversos, acomodados nos palheiros humildes que lhes servem de residência; contudo, não podemos desconhecer os impedimentos daqueles outros que encanecem nas administrações, construindo caminhos ao progresso e traçando horizontes ao reconforto geral.

Sensibiliza-nos o martírio das mães que vagueiam nas vias públicas à busca de socorro para filhinhos padecentes; entretanto, seria injusto desconsiderar o sofrimento daquelas outras que se aniquilam, pouco a pouco, dentro de casa, em posição de incessante sacrifício, para sustentarem os descendentes, de modo a que a dignidade humana possa honrosamente sobreviver.

Reflitamos no conjunto dos problemas humanos e a ninguém deserdemos da verdade e do amor, de vez que em qualquer situação pertencemos todos a Deus e, segundo as nossas necessidades, é natural que Deus nos atenda a cada um.


Emmanuel




Chico Xavier nos escreve contando como recebeu a mensagem “Luz para todos”:

Estranho ponto de vista

“Alguns amigos vindos de cidade distante, em consultas e comentários, antes dos encargos em pauta na sessão pública, haviam mostrado estranho ponto de vista. Disseram-me que são contra a apresentação da Doutrina Espírita em programas de televisão e julgam que os doutrinadores e médiuns devem permanecer segregados nos templos espíritas para exemplificarem humildade cristã. Acreditam que os espíritas precisam fugir de contatos com a vida, comum, se quiserem ser modestos e eficientes.

“Ouvi sem concordar com eles, porque os Benfeitores da Vida Maior ensinaram-me que o Espiritismo é uma bênção de Deus para todas as criaturas sem exceção e que não nos cabe desprezar a ninguém. Abstive-me de qualquer discussão. Mas, iniciadas as tarefas, o ponto de estudo em O Evangelho Segundo o Espiritismo, aberto para as lições da noite, foi a página intitulada “O homem no mundo”, item 10 do capítulo XVII. E o nosso Emmanuel produziu a página que lhe coloco nas mãos com a esperança de que lhe ofereça proveito justo em nossos estudos.”


Chico Xavier







terça-feira, 28 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 29 - Compreensão



Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 29


Compreensão


“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.” — PAULO (1 Coríntios, 13:1)

Parafraseando o Apóstolo Paulo, ser-nos-á lícito afirmar, ante as lutas renovadoras do dia a dia:

se falo nos variados idiomas do mundo e até mesmo na linguagem do Plano Espiritual, a fim de comunicar-me com os irmãos da Terra, e não tiver compreensão dos meus semelhantes, serei qual gongo que soa vazio ou qual martelo que bate inutilmente;

se cobrir-me de dons espirituais e adquirir fé, a ponto de transplantar montanhas, e não tiver compreensão das necessidades do próximo, nada sou;

e se vier a distribuir todos os bens que acaso possua, a benefício dos companheiros em dificuldades maiores que as nossas, ou entregar-me à fogueira em louvor de minhas próprias convicções, e não demonstrar compreensão, em auxílio dos que me cercam, isso de nada me aproveitaria.

A compreensão é tolerante, prestimosa, não sente inveja, não se precipita e não se ensoberbece em coisa alguma. Não se desvaira em ambição, não se apaixona pelos interesses próprios, não se irrita, nem suspeita mal. Tudo suporta, crê no bem, espera o melhor e sofre sem reclamar. Não se regozija com a injustiça e, sim, procura ser útil, em espírito e verdade.

De todas as virtudes, permanecem por maiores a fé, a esperança e a caridade; e a caridade, evidentemente, é a maior de todas; entretanto, urge observar que, se fora da caridade não há salvação, sem compreensão a caridade falha sempre em seus propósitos, sem completar-se para ninguém.


Emmanuel










Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. X - João Nunes Maia - Cap. 34 - Escolha dos protegidos



Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. X - João Nunes Maia - Cap. 34


Escolha dos protegidos


493. É voluntária ou obrigatória a missão do Espírito protetor?

“O Espírito fica obrigado a vos assistir, uma vez que aceitou esse encargo. Cabe-lhe, porém, o direito de escolher seres que lhe sejam simpáticos. Para alguns, é um prazer; para outros, missão ou dever.”

a) - Dedicando-se a uma pessoa, renuncia o Espírito a proteger outros indivíduos?
 
“Não; mas protege-os menos exclusivamente.” (O Livro dos Espíritos)


O Espírito protetor tem a liberdade de escolher seu protegido, entretanto, depois de tê-lo escolhido, tem o dever de o proteger dentro do padrão mencionado pela lei. Todos somos escravos da lei, pois ela nos assiste e nos dirige. As leis foram criadas por Deus, para que se estabeleça a harmonia no universo.

Alguns dos benfeitores espirituais dão preferência a assistir ao Espírito encarnado com o qual simpatizam; outros, que são poucos, não escolhem e deixam a cargo dos mestres siderais e, como Espíritos de luz, trabalham sem reclamar em todas as áreas aonde foram chamados a servir.

Se olhássemos com os olhos espirituais a vida que vivemos, ficaríamos espantados de ver tanta proteção em nosso favor, por variados Espíritos que nos assistem por amor á causa do bem comum.

O protetor com a incumbência de proteger alguém pode assistir outras pessoas; no entanto, o seu maior dever é com aquele a quem se entregou no compromisso de amparar. Eles têm a liberdade de optar, mas têm também de escolher o trabalho a ser realizado, e Deus, pelas mãos de Jesus, assiste todos na Terra e tudo que existe, na mais perfeita ordem. Quando somos conscientes dessa verdade, passamos a operar com mais consciência e boa vontade no sentido de tudo fazer certo.

O anjo-guardião, por ser um Espírito de formação moral superior, nos ama profundamente, mas tem todos os meios lícitos de nos educar sem violência, usando a lei de justiça que é, igualmente, o mesmo amor em outra faixa de vida.

Nós também, como Espíritos, já com certo conhecimento da verdade, temos nossos protetores. Essa é uma escala muito grande, de maneira que, ao apurarmos nossos sentimentos na pureza lirial do Mestre, tornamo-nos livres, de modo a saber como andar por nós mesmos, tendo como guia somente as leis que devemos respeitar, na dimensão em que vivemos. É nesse sentido que Jesus falou: - “Conhecereis a verdade e ela tornar-vos-á livres.” Estamos a caminho de conquistarmos essa liberdade espiritual.

Deves ter o maior respeito pelo teu protetor, que pode ter renunciado a certos direitos para empregar quase todo o seu tempo em te auxiliar, em te dar conselhos, direcionando-te para o bem universal, amparando-te mesmo antes de renasceres, acompanhando teu crescimento. Procurando ajudar à família, reúne os protetores do lar, trocando idéias sobre a harmonia da casa e sobre como consegui-la pelos seus moradores; e quando a família entende essa ajuda, abrem-se as portas para maior assistência espiritual. Eis porque insistimos na abertura do Culto do Evangelho no lar, de maneira a dar ambiente para os guias espirituais da casa aconselharem a todos mais diretamente. Muitos resultados têm sido registrados através do Evangelho em casa, com a colaboração da Doutrina dos Espíritos, ondeando luzes em todos os sentimentos e formando palpos em torno da casa, bem como em volta de todas as criaturas que começam a praticá-lo.

Mesmo que o Espírito protetor escolha uma missão engenhosa para desempenhar, ele tem momentos de alegrias, quando depara com seu tutelado pensando na melhoria interna e esforçando-se por modificar. Isso é motivo de festas espirituais para os anjos que protegem o lar. O Espiritismo vem mostrar o que se passa no mundo espiritual, de modo que os encarnados fiquem conscientes dessas verdades e tenham maior esperança, esforçando-se para melhorar moralmente.

Trabalhemos, pois, em todos os sentidos do bem comum, que esse bem, como sendo a caridade, nos salvará de muitos infortúnios que poderiam nos fazer sofrer.


Miramez












Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 30 - Aptidão e habilitação



Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 30


Aptidão e habilitação


"Em Deus está a minha salvação, e a minha glória; de Deus é que espero o meu socorro, e a minha esperança em Deus está." (Salmos, 62:7)


Aptidão é a capacidade do Espírito para executar essa ou aquela tarefa no plano evolutivo em que se vê situado.

Por isso mesmo, aptidão bem aplicada é acesso do homem a níveis mais altos, de conformidade com a Lei Divina que retribui a cada um, segundo as obras que realiza.

A Terra é vasto campo de oportunidades ao desenvolvimento de nossos recursos potenciais.

Com o fim de aperfeiçoá-los, distribui a Bondade Eterna as habilitações humanas, de acordo com as nossas petições e desejos.

Entretanto, não bastará obtê-las para que a alma se honorifique com o triunfo indispensável nesse ou naquele círculo de ação.

Deus concede os títulos, cabendo ao homem o justo dever de usá-los e enobrecê-los.

Aqui vemos um médico, dignamente formado para o sacerdócio da cura, no entanto, se o esculápio, com diploma de mérito, não suporta os enfermos, debalde receberá o beneplácito da escola de medicina.

Além, anotamos um professor devidamente preparado à frente do magistério, mas se lhe falta amor para com os aprendizes, em vão terá recolhido as bênçãos da cultura.

E, em toda parte, vemos operários convocados ao trabalho, desprezando a oficina que os acolheu; mães que se ausentam do templo doméstico, hostilizando a nobre missão que o Céu lhes conferiu, e pais que desertam do lar, fugindo deliberadamente ao apostolado afetivo que lhes poderia preparar no presente de trabalho o futuro iluminado de amor.

Segundo é fácil perceber, somos depositários felizes de preciosas habilitações na Terra que muitas vezes menosprezamos em prejuízo próprio, esquecendo que todos possuímos aptidões para concretizar o melhor em nosso próprio caminho.

Se já podes compreender a verdade, aproveite os títulos que te foram emprestados pelo Senhor na pauta das convenções terrestres, na certeza de que, com eles, deténs contigo as mais amplas oportunidades de servir aos semelhantes e crescer para Deus.

Recorda que a enxada mais rica é simples candidata à ferrugem quando não atende à habilitação a que se destina e, fazendo da própria vida o teu instrumento de trabalho e de estudo, sem que percebas, o mundo conferir-te-á outros talentos e outros valores, armando-te de novos recursos para a conquista de novas e mais belas experiências.


Emmanuel












Meimei - Livro Sentinelas da Alma - Chico Xavier - Cap. 25 - No álbum da compaixão



Meimei - Livro Sentinelas da Alma - Chico Xavier - Cap. 25


No álbum da compaixão 


"Então chegando-se Pedro a ele, perguntou: Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, que eu lhe perdoe? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas que até setenta vezes sete vezes." — (MATEUS, 18:21-22)


Observa: toda a Natureza, por livro de Deus, em qualquer parte, parece um cântico de louvor ao auxílio.

Ignoro se já pensaste nas primeiras árvores da Terra, inclinando-se para as aves fatigadas, a fim de que aprendessem a entretecer os próprios ninhos, nos braços fortes que lhes estendiam.

Nem sei se já meditaste na piedade das flores primitivas do mundo para com as abelhas cansadas e famintas, convidando-as pelo próprio perfume, a lhes retirarem as pequeninas sobras de alimento nas corolas acolhedoras, a fim de que não tombassem na exaustão, quando à procura de recursos que lhes facultassem o fabrico do mel.

Até hoje, as árvores não se queixam dos pássaros que lhes deixam os ramos menos limpos e as flores não protestam contra as abelhas quando lhes aparecem, através de sucessivos enxames, a lhes dilapidarem as pétalas nutrientes.

Árvores e abelhas sabem, instintivamente, que a Divina Providência não lhes faltará com a chuva a lavar-lhes todas as folhas e com o acréscimo de seiva, destinado a reajustar-lhes o sustento.

Não será semelhante lição dos agentes simples da natureza determinada mensagem da vida, concitando-nos à prática da bondade, de uns para com os outros?

Onde estiveres, compadece-te de teus irmãos.

Esse precisa apoiar-se em teus ombros para a caminhada difícil, aquele te aguarda o concurso fraterno, de modo a manter-se de pé, na marcha dos dias.

Abençoa e socorre sempre.

Em muitas ocasiões, penso que o ensinamento do Cristo, acerca do perdão, se revestiu de outras derivações no campo das atitudes.

Algum dos companheiros, haverá perguntado ao Senhor:

— Mestre, quantas vezes, devo auxiliar aos meus irmãos?

E, decerto, Jesus terá respondido:

— Não te digo que auxilies uma vez, mas setenta vezes sete vezes.


Meimei












segunda-feira, 27 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 3 - Equilíbrio



Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 3


Equilíbrio


Recordando o nosso dever de sustentação do corpo e do espírito, atendamos à harmonia por base de segurança.

Nem mesa lauta.
Nem prato vazio.

Nem excesso.
Nem carência.

Nem vigília demasiada.
Nem repouso constante.

Nem prodigalidade.
Nem sovinice.

É preciso evitar o desvario da fartura para que o abuso não nos entenebreça a razão, tanto quanto abolir as tentações da miséria que nos induziriam ao furto.

Não nos concede o Senhor um corpo entre os homens para menosprezá-lo à feição do lavrador preguiçoso que abandona o arado à ferrugem, nem nos confere na Terra o estágio da encarnação por escola do Espírito para que o convertamos em curso intensivo de anestesia da consciência.

Auxiliar o corpo para que o corpo expresse a alma e iluminar a alma para que a alma o renove e santifique, é o caminho do equilíbrio indispensável à evolução.

Assim, se te decides a cultivar algum cilício, no propósito de estender as próprias virtudes, não te imobilizes nos pensamentos inúteis, mas, sim, verte o próprio suor nas obras da bondade, amparando os enfermos que as dores desfiguram, fabricando o agasalho aos que choram de frio, socorrendo o infortúnio em treva e desespero, ou calejando as mãos no auxílio à terra seca, porque no sacrifício de nossa segurança no amparo ativo aos outros é que surpreenderemos o trabalho do bem que ninguém nos pediu e que ninguém nos paga, por resplendente luz a clarear-nos sempre a rota para o Alto, em plena exaltação do verdadeiro amor.


Emmanuel











domingo, 26 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 96 - Justamente por isso



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 96


Justamente por isso


“Não vos escrevi porque ignorásseis a verdade, mas porque a conheceis.” — (1 JOÃO, 2.21)


O intercâmbio cada vez mais intensivo entre os chamados “vivos” e “mortos” constitui grande acontecimento para as organizações evangélicas de modo geral.

Não é tão somente realização para a escola espiritista; pertence às comunidades do Cristianismo inteiro.

Por enquanto, anotamos aqui e ali protestos do dogmatismo organizado, entretanto, a revivescência da verdade assim o exige.

Toda aquisição tem seu preço e qualquer renovação encontra obstáculos espontâneos.

Dia virá em que as várias subdivisões do evangelismo compreenderão a divina finalidade do novo concerto.

O movimento de troca espiritual entre as duas Esferas é cada vez mais dilatado. O devotamento dos desencarnados provoca a atenção dos encarnados.

O Senhor permitiu mundial Pentecostes para o reajustamento da realidade eterna.

Convém notar, contudo, que as vozes comovedoras e revigorantes do Além repetem, comumente, velhas fórmulas da Revelação e relembram o passado da Sabedoria terrestre, a fim de extrair conceituação mais respeitável referentemente à vida.

É neste ponto que recordamos as palavras de João, interrogando sinceramente: comunicar-se-ão os “mortos” com os “vivos”, porque os homens ignoram a verdade?

Isto não.

Se os que partem falam novamente aos que ficam é que estes conhecem o caminho da redenção com Jesus, mas não se animam, nem se decidem a trilhá-lo.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Cartas do Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Prefácio



Emmanuel - Livro Cartas do Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier


Prefácio


Do correio de outras Esferas, chegam presentemente ao mundo variadas mensagens.

São cartas de esperança e amor, entendimento e carinho.

De irmão para irmão.

De mães abnegadas para filhos afetuosos.

De filhos amigos aos pais dilacerados de aflição.

De trabalhadores agradecidos a lidadores saudosos.

Páginas de ternura e compreensão, vertidas pela alma dos que partiram para a ressurreição sublime, estimulando ao bem e à verdade.

Apelos à resignação e à paz.

Convites ao aperfeiçoamento.

Boas novas de regozijo e consolação.

Alguns companheiros reuniram as missivas deste volume, consagrando-as à plantação da beneficência.

Notícias do Plano espiritual serão transformadas em pão e agasalho, vestimenta e remédio para os necessitados de assistência e reajuste.

Que as páginas deste livro se convertam em socorro para os nossos irmãos menos felizes do caminho, oferecendo, simultaneamente, luz e conforto, renovação e alegria ao leitor amigo, são os nossos votos. Esperando, pois, que o Senhor nos ajude a alcançar os nossos objetivos, entregamos, prazerosamente, aos nossos companheiros de ideal estas cartas do coração para o coração.


Emmanuel







Pedro Leopoldo, 14 de julho de 1952.

Neio Lúcio - Livro Sementeira de Luz - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano e outros / Chico Xavier - Cap. 71 - Amai-vos



Neio Lúcio - Livro Sementeira de Luz - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano e outros / Chico Xavier - Cap. 71


Amai-vos


Meus filhos, Deus abençoe a vocês, concedendo-lhes muita saúde e harmonia para as lutas de cada dia.

Novamente com vocês; nesta noite, uno as minhas preces às suas, elevando os nossos pensamentos a Jesus para que suas bênçãos nos sigam em todas as atividades, necessárias ao nosso progresso para a vida eterna.

Tenho procurado orientar o Roberto no que posso, meus filhos. Deus não nos desamparará os bons e sinceros propósitos de ajudá-lo. Seu coração está ligado ao nosso por laços profundos e a atual experiência filial lhe será útil e inesquecível ao espírito. Agradeçamos a Deus por essa oportunidade bendita. Quando os laços se transfundem, a ponto de atingirem o santificado reduto do lar, isso é o sinal da misericórdia viva e incessante de Deus, que, passo a passo, nos conduz à redenção ardentemente esperada.

Se o Altíssimo permitir a execução do trabalho em perspectiva, mais uma vez vocês hão de unir os corações, reconhecidos a Deus, pela Sua bondade poderosa, em observando quanto já conquistamos em amor e renovação, graças ao Seu amoroso poder paternal. Esperemos nesse Pai de Bondade Infinita e não desanimemos em nossas lutas. O que ficará de tudo é a confiança sagrada no Todo-Poderoso e a divina esperança de trabalharmos cada vez mais para que todo o nosso grupo se ilumine nesse amai-vos, que é a divina lâmpada de nosso caminho para a vida imortal. Amemo-nos muito, esqueçamos o que o passado possa apresentar de inútil ao nosso aperfeiçoamento incessante e firmemo-nos em Deus.

O nosso amigo receitista vai deixar as suas indicações para o Roberto, e quanto ao colégio, meu caro Rômulo, estou de acordo com a sua opinião, apesar de reconhecer que, no momento, não temos substituto adequado nas vizinhanças. Deus nos auxiliará para que possamos converter os males pelo mínimo.

Assisti com vocês a audição de Wanda e, por sinal, que participei do júbilo natural de ambos.[1] As notas musicais falaram-me ao coração como harmoniosas palavras. A casa tem os seus cooperadores espirituais para todo o trabalho de auxílio às aprendizes de boa vontade. Entretanto, além disso, Wanda, bem como a Maria, tem patrimônios muito acentuados de outros tempos na questão musical. Ainda aqui recordamos o esforço aconselhado pelo Evangelho. Desde que batamos pela recapitulação sistemática e a porta da lembrança se abrirá. Partilho da satisfação de vocês e peço a Jesus conceda à Wanda tudo aquilo que nós três desejamos de todo o coração.

Quanto à sua saúde, Maria, acho-a bem melhor, mas não podemos olvidar o caso do regime das frutas. É o problema de querer aproveitar, minha filha! Até as frutas têm igualmente as suas zonas, de acordo com os temperamentos e os climas. Às vezes, vejo o Rômulo cheio de projetos relativos à adaptação dos animais. Esses projetos são aceitáveis e louváveis, mas pedem resignação e tempo, porque é preciso pensar que determinada raça europeia exigiu dezenas e centenas de anos em esforços persistentes, reclamou o interesse de gerações seguidas. Será que bastará transplantá-las para o nosso ambiente e conseguir o êxito? Não, porque também nós necessitamos aplicar aqueles mesmos esforços persistentes para a sua aclimatação necessária. É nesse particular que procuro sempre auxiliar-lhe o coração, para que suporte com valor a incompreensão dos homens apressados que desejam as benfeitorias sem meditar nos preços justos em dedicação.

Isso, filhos, fica à margem de nossa palestra familiar desta noite. Fi-la tão somente, Maria, para comentar o seu caso, minha filha, e render graças a Deus por seu restabelecimento.

Por hoje, filhos, é só. Deixando-lhes, como sempre, o meu coração cheio de amor e de muita saudade,


Papai
(Neio Lúcio)











03|09|1941
[1] Nota da organizadora: Refere-se à audição anual das alunas de piano do Colégio Izabela Hendrix, em Belo Horizonte - MG.


André Luiz - Livro Sinal Verde - Chico Xavier - Cap. 8 - Ambiente caseiro



André Luiz - Livro Sinal Verde - Chico Xavier - Cap. 8


Ambiente caseiro


A casa não é apenas um refúgio de madeira ou alvenaria, é o lar onde a união e o companheirismo se desenvolvem.

A paisagem social da Terra se transformaria imediatamente para melhor se todos nós, quando na condição de Espíritos encarnados, nos tratássemos, dentro de casa, pelo menos com a cortesia que dispensamos aos nossos amigos.

Respeite a higiene, mas não transfigure a limpeza em assunto de obsessão.

Enfeite o seu lar com os recursos da gentileza e do bom humor.

Colabore no trabalho caseiro, tanto quanto possível.

Sem organização de horário e previsão de tarefas, é impossível conservar a ordem e a tranquilidade dentro de casa.

Recorde que você precisa tanto de seus parentes quanto seus parentes precisam de você.

Os pequeninos sacrifícios em família formam a base da felicidade no lar.


André Luiz












sábado, 25 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 78 - Vontade e renovação



Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 78


Vontade e renovação

 
“Não vos escrevi porque não sabeis a verdade, mas porque a sabeis…” — (1 João, 2.21)


Evidentemente o Espírito encarnado surpreende na vida física muitas dificuldades que não consegue evitar, sejam as que se originam dos constrangimentos educativos da evolução, sejam aquelas outras que se lhe vinculam à liquidação dos desajustes por ele próprio perpetrados em existências anteriores.

Ponderemos, no entanto, que muito mais numerosas são as dificuldades outras que ele mesmo cria, no trato da experiência comum, agravando o acervo dos compromissos menos felizes que carreia para a frente na jornada espiritual.

Esse, em consequência de deslizes no pretérito, traz determinadas peças orgânicas em condições delicadas; entretanto, se persiste abusando das próprias forças, de que forma se lhe socorrer a saúde? 

Outro se revela, no dia a dia, por exagerada agressividade, e, por isso mesmo, como subtraí-lo ao perigo se acalenta declarada inclinação ao desastre? 

Muitos anseiam por ternura e calor humano, transformando-se em azedume e incompreensão para os melhores amigos…

Queremos todos a felicidade e a paz; todavia é preciso reconhecer que a paz e a felicidade se nos levantam do íntimo.

Eis porque as lições do Evangelho — desde que aceitemos Jesus por Mestre — nos percutem a inteligência, a todos os instantes da vida, não porque desconheçamos a verdade, mas justamente porque não a ignoramos, já que nos achamos informados de que, para sanar débitos e desacertos, é forçoso que a nossa vontade funcione, sem o que será sempre impossível qualquer ação em nós mesmos no sentido de corrigir ou de resgatar.


Emmanuel







Reformador, setembro 1970, p. 194