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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. VII - João Nunes Maia - Cap. 28 - Limite da Vontade



Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. VII - João Nunes Maia - Cap. 28


Limite da Vontade


334. Há predestinação na união da alma com tal ou tal corpo, ou só à última hora é feita a escolha do corpo que ela tomará?

“O Espírito é sempre, de antemão, designado. Tendo escolhido a prova a que queira submeter-se, pede para encarnar. Ora, Deus, que tudo sabe e vê, já antecipadamente sabia e vira que tal Espírito se uniria a tal corpo.” (O Livro dos Espíritos - Prelúdio da volta)


Muito antes da concepção, do encontro do espermatozoide com o óvulo no ventre da futura mãe, o Espírito já se encontra preparado para nascer de novo. Para tudo há uma programação espiritual.

Quando a alma pode escolher suas próprias provações, os benfeitores espirituais ajudam em muitas particularidades, para que o renascimento seja bem orientado. Entretanto, as reencarnações não são iguais; todas elas diferem umas das outras, embora a lei seja uma só para todas as criaturas de Deus.

O Senhor sabe de tudo antecipadamente, por ser Ele, como já falamos anteriormente, onisciente, onipresente e imutável. Para se ter uma boa reencarnação, é preciso preparar para tal acontecimento. Para esse preparo, o Evangelho de Jesus mostrará o que se deve fazer, limpando o carma e clareando os caminhos pelo perdão incondicional, pelo amor e pela caridade sem exigências. Existem, porém, reencarnações impostas, devido a dureza dos corações, e essa imposição é impulsionada pelo amor de Deus aos Seus filhos, para que eles despertem os valores que se encontram no sono da indiferença.

Os grandes missionários da luz antecipam, e muito, a escolha da família e do corpo que desejam para o desempenho de suas tarefas na Terra, pois, lhes é facultado esse direito, pela sua elevação moral em todos os aspectos, e eles sempre escolhem duros caminhos para trilhar, por terem forças para vencer todos os obstáculos. Eles nunca se sentem afrontados por doenças, tirando delas forcas que os ajudam em suas marchas. Francisco de Assis foi um desses primores da espiritualidade superior, que, quando foi proibido de andar, pois deveria ficar somente de repouso, reuniu seus discípulos e combinaram para que eles o carregassem em cima do catre. Assim, mesmo deitado, ele estava operando do mesmo jeito que antes.

A luz não sente as influências das trevas. Mesmo com o corpo inválido para determinados trabalhos, o Espírito irradia forças ainda mais poderosas para a construção da vida e alegria de todos. A inércia é para as almas ignorantes.

A vida que se leva é, pois, uma mostra da escolha para outros corpos no futuro. As nossas ações são sementes de luz ou de trevas, e sempre colhemos o que plantamos na esteira das nossas caminhadas para Deus.

As colônias espirituais criadas pelos benfeitores são misericórdia para todos nós. Elas nos preparam para a consciência do que pode acontecer conosco e, ainda mais, os irmãos mais velhos dali nos instruirão do que devemos fazer mais acertadamente. Aqueles dotados de humildade aprenderão a escolher melhor sua volta à carne, sem revolta e sem apego.

Mesmo aqueles que se encontram na eternidade, sem pouso certo, são seguidos pela luz, que observa o seu amadurecimento, e no dia do toque em seus corações, certificar-se-ão de que as mudanças são melhores que a pertinácia no mal. Aí então, entrarão no preparo para escolher novos corpos, onde poderão encontrar a redenção, abraçando a luz e acendendo a sua própria claridade no coração.

O véu da ignorância, hoje ou amanhã, caíra pela força do progresso das almas. Esta é a lei do Criador.


Miramez












sábado, 9 de maio de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. IV - João Nunes Maia - Cap. 27 - Lucidez ampliada

 

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. IV - João Nunes Maia - Cap. 27


Lucidez ampliada

 
180. Passando deste planeta para outro, conserva o Espírito a inteligência que aqui tinha?

“Sem dúvida; a inteligência não se perde. Pode, porém, acontecer que ele não disponha dos mesmos meios para manifestá-la, dependendo isto da sua superioridade e das condições do corpo que tomar.” (Veja-se: “Influência do organismo”. Cap. VII, para 2ª.) O Livro dos Espíritos. 

 
O Espírito na sua jornada, em se despertando, não perde a lucidez; ele, cada vez mais, acende a sua luz, aprimorando condições e compreendendo cada vez mais as leis que o protegem e assistem.

Ao passar para outros mundos, se esse for o caso, conserva a sua inteligência e dela faz uso no que for necessário, ampliando suas experiências no que deve aprender. O Espírito somente fica embotado no caso de provações; no entanto, é uma situação temporária. O que aprendeu, ele nunca esquece. A consciência profunda guarda como se fosse um livro divino, a pulsar no coração da alma.

Os corpos que o Espírito toma num mundo ou em outro, tem alguma influência sobre a inteligência, entretanto, com o tempo o Espírito domina todas as suas condições e sempre se sobressai; a matéria é simples instrumento da alma, em despertamento para a luz.

Os conhecimentos sobre a chama divina na divina ascensão espiritual ainda são reduzidos. Estamos estudando, como alunos das primeiras letras no alfabeto da vida, e alegramo-nos ao dar mais um passo, na área infinita do aprendizado.

A Doutrina dos Espíritos, pelas bênçãos de Deus, pelos canais de Jesus, favorece-nos em muitas modalidades as comunicações entre os dois mundos, e da erraticidade se transmite o que se encontra ao alcance para os homens de boa vontade. E o dever desses homens é estudar sobre os trechos lidos, ampliando-os pelos conhecimentos adquiridos, manifestando, assim, a inteligência no condicionamento das belezas imortais da vida. O espiritismo não é apenas uma religião do modo pelo qual se conhece essa filosofia de vida, é uma força do amor de Deus, e um manancial de sabedoria inesgotável.

Tentamos todos os dias repassar para a Terra o que ouvimos dos nossos maiores quando vêm nos visitar no mundo onde habitamos. Certamente que são filtradas as verdades, para que elas não perturbem os que se encontram ainda na carne e com certas provações para passarem. Convém a nós outros, Espíritos fora do corpo, compreender como ouvir de nossos mentores e como transmitir para os que se acham no corpo físico. É um trabalho que fazemos com alegria, principalmente quando sabemos que os nossos companheiros terrenos estão se esforçando no aproveitamento das lições para as quais servimos de canais dos maiores para que, como nós, estão lutando para viver o que ouvem da parte da luz.

Esse esforço constante nos dá maior lucidez, porque ampliamos a sabedoria no processamento da alma, pela energia divina do amor. A vida não tem pressa para que o nosso aprendizado se acelere; ela sabe o grau evolutivo que cada um já conquistou, mas sempre nos dota de condições para a subida. Ela nunca se esquece da escada para cada um, entretanto, nós é que temos de subir, usando os próprios recursos para ascendermos na vida.

Jesus nos deu exemplo inesquecível rumo ao Calvário; deixou que tudo acontecesse para nos mostrar que todos temos de passar por ele, sermos esticados no madeiro das provas, copiando o comportamento que Ele nos fez sentir. Quem aprende espiritualmente, nunca perde; são dons intransferíveis, são valores nossos, abençoados por Deus, pelos nossos esforços.


Miramez











terça-feira, 5 de maio de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 9 - João Nunes Maia - Cap. 19 - Fluído magnético



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 9 - João Nunes Maia - Cap. 19


Fluído magnético


427. De que natureza é o agente que se chama fluido magnético?

“Fluido vital, eletricidade animalizada, que são modificações do fluido universal.” (O Livro dos Espíritos) 


A escala dos fluidos é inumerável na extensão infinita do universo. Pouco se sabe a respeito dessa ciência divina. Eles são transformações do fluido universal ou, como se pode chamá-lo, éter cósmico, hálito divino, energia KI, e muitos outros nomes dados por variados povos. Entretanto, é a mesma bênção de Deus que se transforma, pelo amor, em substâncias diferentes.

Na pauta do trabalho com os homens e mesmo com os Espíritos livres da matéria, esse hálito de Deus se transmuta em magnetismo, sujeito à impressão que os sentimentos possam nele imprimir, para o bem ou para o mal.

O éter cósmico passa a ser, na atmosfera da Terra, o éter físico, e depois torna-se eletricidade, força vital, etc. Ainda pode transformar-se em outros agentes sensíveis para trabalhos que requerem muito cuidado, na sustentação dos ideais, que os Espíritos superiores sabem comandar. A mente é o comandante de todas essas energias sublimes e, quando adestrada no bem comum, faz maravilhas. Podemos exercitar esses tesouros de vida, através do conhecimento do Evangelho de Jesus, código da mais elevada posição, onde todos nós devemos beber as instruções, no sentido de lidarmos com essas forças virgens do universo de Deus.

A força primitiva da vida existe em Deus. Ao saírem do Senhor, recebem modulações diversas, dependendo do caráter da sua missão, na Terra ou em outros mundos. Assim como existe um só Deus, a matéria primitiva é um só elemento, com a qual o amor do Pai Celestial faz maravilhas, onde as grandes almas bebem o néctar da vida mais ativa, fazendo-se luz em todos os recantos da criação.

Somos todos nós revestidos de fluidos, de acordo com a nossa elevação espiritual. Se queremos melhorar nossos fluidos, melhoremos a nossa conduta. As modificações interiores são capazes de gerar as mudanças externas, que mostram aquela operação interna. Com um toque das mãos, Jesus faz maravilhas, porque essa mão pode carregar-se de magnetismo divino, misturando-se com a força animal. Sendo transmitida com amor, ela restabelece corpos estragados e faz levantar caídos, dar vista aos cegos e vida nova aos mortos. Apuremos nosso magnetismo, pelo apuro da nossa vida e cultivemos as virtudes espirituais.

Apliquemo-nos à caridade mais pura. Se ainda não compreendemos como fazê-la, busquemos a instrução na vida dos grandes homens, e trabalhemos dentro de nós, de modo a encontrar aquele poço que Jesus fez surgir na alma da samaritana. A essa bênção de Deus que deve surgir no coração, poderemos dar o nome que já conhecemos, de fluido magnético, e como ele nos é dado de graça, por Deus, façamos uso dessa força enriquecida pelo amor, dando de graça o que de graça recebemos. E a nossa vida tornar-se-á tranqüila e a consciência estará no esplendor de luz, sentindo e vendo Deus na cidade da nossa mente.

Esse fluido vital, eletricidade animalizada de que fala “O Livro dos Espíritos” com muita propriedade, é esse magnetismo do qual nossas mãos estão carregadas, e que toma a forma que o nosso coração se dispuser a dar-lhe. Em nossa intimidade, há uma fonte inesgotável; quanto mais damos, mais temos para distribuir. Curemo-nos a nós mesmos em primeiro lugar, aparando arestas e modificando hábitos, esquecendo vícios e apurando os sentimentos, para que essa linfa de luz possa jorrar das nossas mãos para os corações que sofrem. Aquele que se curar pelas nossas mãos em Cristo, passa a fazer o mesmo, ajudando igualmente aos que padecem. A esperança de todos nós é que se crie uma cadeia desse trabalho em toda a Terra, para felicidade dos povos.


Miramez











quinta-feira, 30 de abril de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 12 - João Nunes Maia - Cap. 17 - Falência na missão



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 12 - João Nunes Maia - Cap. 17


Falência na missão 

 
578. Poderá o Espírito, por própria culpa, falir na sua missão?

“Sim, se não for um Espírito superior.”

a) - Que conseqüências lhe advirão da sua falência?

“Terá que retomar a tarefa; essa a sua punição. Também sofrerá as conseqüências do mal que haja causado.”  (O Livro dos Espíritos)


Falir na missão é uma expressão que nos parece um pouco dura, mas, para expressar na linguagem que usamos, o termo é aceito nas linhas da justiça. O missionário pode minguar sua tarefa, e prejudicar aos que se encontram em seu caminho, vendo e absorvendo suas lições pelos canais do exemplo.

Os Espíritos superiores, aqueles que preparam e avalizam a reencarnação do missionário, são conscientes de que o reencarnante pode falhar nos seus labores junto aos homens, medindo e sabendo o tamanho da sua evolução espiritual, mas, isso faz parte do seu aprendizado. A Terra é uma universidade, onde o Espírito recolhe suas experiências e acumula valores no coração da vida.

É preciso que se saiba que ninguém falha na sua missão totalmente; sempre há o que aproveitar para a sua instrução, mesmo porque, o mal que ele causar responderá por ele, por vezes voltando em outro instrumento físico para terminar a sua tarefa. O Espírito não retrocede; ele, cada vez mais, cresce em todos os rumos da verdade.

Não existe, no livro da vida, perdição eterna, como assinalam muitos escritores, posicionando-se como doutores da lei. Mesmo a palavra eterna não tem o significado que se lhe quer dar, por haver muitas eternidades. Somente Deus sabe irradiar seus pensamentos na linguagem universal, de maneira que os Espíritos mais evoluídos assimilam Seus grandes desígnios e executam a Sua soberana vontade.

Todos, quase sem exceção, falimos de certa forma, quando encarnados. Há muitas coisas que deveríamos fazer e que não foram feitas, quebrando o ritmo das linhas do amor mais puro. Somente fazemos o que a nossa evolução suporta. Não há pecado, da maneira como isto é entendido por determinados companheiros estudiosos do espiritualismo no mundo das formas. Há, sim, um processo de despertamento espiritual infalível em todas as criaturas. Àquele que falhou na sua missão, o seu castigo, mesmo como Espírito conhecedor da verdade, é de retornar ao campo de lutas na carne, para começar de novo e fazer o que deixou de realizar, para tornar-se um completista. Há determinados missionários que fazem além do previsto; esses são Espíritos altamente conscientes dos seus deveres junto à humanidade, e aproveitam sua estada na Terra, reunindo todos os seus esforços, avançando além do previsto e realizando maravilhas, de modo que a própria lei, as provas e os testes mais difíceis se curvem diante deles.

"Outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões." (Hebreus, 11:36)

A razão do ser humano é para ele discernir o que deve aceitar ou não, e no espiritualista ela deve ser mais aguçada, pela prática de estudar e assimilar. Os Espíritos estão mais presentes na vida dos homens do que pensam, mas, eles se aproximam de acordo com a sintonia, de coração para coração.

A Doutrina dos Espíritos é a fonte que pode ajudar a todos os de boa vontade; ela amplia os conhecimentos do discípulo da verdade, para que ele possa saber os caminhos que deve percorrer. Antes de tudo, deve saber que não pode se esquecer de Jesus, que exerce influência em seu coração, para que possa acertar com mais segurança.


Miramez













domingo, 26 de abril de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 13 - João Nunes Maia - Cap. 16 - Pouco a pouco



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 13 - João Nunes Maia - Cap. 16


Pouco a pouco


628. Por que a verdade não foi sempre posta ao alcance de toda gente?

“Importa que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: o homem precisa habituar-se a ela, pouco a pouco; do contrário, fica deslumbrado.

“Jamais permitiu Deus que o homem recebesse comunicações tão completas e instrutivas como as que hoje lhe são dadas. Havia, como sabeis, na antiguidade alguns indivíduos possuidores do que eles próprios consideravam uma ciência sagrada e da qual faziam mistério para os que, aos seus olhos, eram tidos por profanos. Pelo que conheceis das leis que regem estes fenômenos, deveis compreender que esses indivíduos apenas recebiam algumas verdades esparsas, dentro de um conjunto equívoco e, na maioria dos casos, emblemático. Entretanto, para o estudioso, não há nenhum sistema antigo de filosofia, nenhuma tradição, nenhuma religião, que seja desprezível, pois em tudo há germens de grandes verdades que, se bem pareçam contraditórias entre si, dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamento, facilmente coordenáveis se vos apresentam, graças à explicação que o Espiritismo dá de uma imensidade de coisas que até agora se vos afiguraram sem razão alguma e cuja realidade está hoje irrecusavelmente demonstrada. Não desprezeis, portanto, os objetos de estudo que esses materiais oferecem. Ricos eles são de tais objetos e podem contribuir grandemente para vossa instrução.” (O Livro dos Espíritos)


A razão nos mostra com bastante clareza que as verdades tinham de ser reveladas do modo que o foram: gradativamente. A luz em excesso pode cegar. Quem mandou os primeiros instrutores à Terra foi Jesus, antes da Sua vinda ao planeta, mas a Sua sabedoria restringiu o que Ele deveria falar e fazer ante a massa humana inconsciente e ainda em plena ignorância.

Observemos como nasce uma árvore: não é de uma noite para o dia; há uma seqüência e obedece a determinadas leis, onde a harmonia sempre está presente. Compete a nós outros observarmos essas leis que regulam tudo na vida, como a nós mesmos. O despertamento das criaturas é, igualmente, de passo a passo; ninguém violenta as leis, nem as leis violentam os Espíritos. É nesse sentido que os anjos têm maior tolerância com os homens, e os homens sábios a têm com os animais, por saberem que todos estão na mesma marcha para Deus, que os criou.

Deus não permitiu que os nossos ancestrais recebessem comunicações iguais às que os homens recebem hoje, no século vinte, por faltar a eles capacidade de assimilação como a que têm atualmente. Agora estão sendo chamados e escolhidos para um melhor entendimento da verdade, não de toda a verdade, pois ela continua na sua divina gradação espiritual. Podemos dizer que ela nasce e renasce constantemente, em variadas freqüências de vida, para dar mais vida às criaturas de Deus.

Os homens do passado recebiam algumas verdades esparsas, ainda assim, somente os que estavam preparados para tal iniciação, e em muitos casos elas chegavam a eles envolvidas em roupagens onde as letras perduravam escondendo o Espírito que vivifica.

A Doutrina dos Espíritos veio superar todas as filosofias do mundo por não ter nascido dos homens, nem ser dirigida por eles. Ela avança com os homens ou sem eles, por ser a vontade de Deus, pelas mãos do Cristo. Jesus não tem aflições e nem faz propaganda das verdades espirituais; a Sua pregação vem por maturidade das criaturas. O éter cósmico que a tudo interpenetra na criação, são ondas de luz que obedecem a Deus, Seu criador, e por ele, ou elas, fala o Senhor, e Jesus é o semeador das vidas por Deus formadas. Ninguém pode fugir à verdade, que são leis eternas na eternidade do próprio Deus.

Entendemos, e podes observar, que todas as religiões do mundo e as filosofias de vida modernas e antigas, tiveram e têm seus valores para certa gama de pessoas do seu nível. As instruções vêm para todas as criaturas, de acordo com seu despertamento espiritual.

Deves analisar uma universidade: ela tem vários departamentos de ensino, e os alunos se reúnem por afinidade de saber. As criaturas são as mesmas, com as mesmas necessidades físicas, todas irmãs umas das outras, no entanto, no que toca às variáveis das verdades que devem conhecer, elas são apresentadas de maneiras diversas. Podemos comparar cada sala de aula como uma religião, fornecendo aos seus profitentes o que eles merecem pela sua evolução espiritual.

Assim é a universidade divina. Preciso é que os homens aprendam a amar a seu próximo como a si mesmos, para que não haja discórdia quanto ao que devem aprender sobre a vida e sobre as leis. Disse Jesus:

- Nem só de pão vive o homem.

Precisamos de tudo para viver bem, porque tudo foi feito por Deus, desde quando tenhamos bom senso ao escolhermos o que nos serve hoje e do que vai nos servir amanhã.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 20 - João Nunes Maia - Cap. 11 - Fonte da Felicidade



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 20 - João Nunes Maia - Cap. 11


Fonte da Felicidade


980. O laço de simpatia que une os Espíritos da mesma ordem constitui para eles uma fonte de felicidade?

“Os Espíritos entre os quais há recíproca simpatia para o bem encontram na sua união um dos maiores gozos, visto que não receiam vê-la turbada pelo egoísmo. Formam, no mundo inteiramente espiritual, famílias pela identidade de sentimentos, consistindo nisto a felicidade espiritual, do mesmo modo que no vosso mundo vos grupais em categorias e experimentais certo prazer quando vos achais reunidos. Na afeição pura e sincera que cada um vota aos outros e de que é por sua vez objeto, têm eles um manancial de felicidade, porquanto lá não há falsos amigos, nem hipócritas.”

A.K.: Das primícias dessa felicidade goza o homem na Terra, quando se lhe deparam almas com as quais pode confundir-se numa união pura e santa. Em uma vida mais purificada, inefável e ilimitado será esse gozo, pois aí ele só encontrará almas simpáticas, que o egoísmo não tornará frias. Porque, em a Natureza, tudo é amor: o egoísmo é que o mata. (O Livro dos Espíritos)


As uniões de almas sinceras, de Espíritos que se elevaram no amor, certamente que são a fonte da felicidade, por trabalharem e amarem juntos. Toda seqüência de fraternidade que puderem sustentar, são laços de luz que as almas criam para o bem da humanidade.

Entretanto, as uniões que se fazem dentro dos princípios inferiores, onde medram o ciúme, a hipocrisia, o orgulho e o egoísmo, não são fonte de felicidade e, sim, de sofrimentos de variada ordem na conjuntura da alma, pois se tornam sementes que proliferam na desarmonia.

Para se ter companhias espirituais elevadas, é indispensável que os ideais sejam igualmente elevados. Procura, se ainda não atingiste esse grau de despertamento, esforçar-te para tal, já que somente atraímos para nós segundo o que somos. Isso é lei universal da justiça.

A verdadeira fonte da felicidade é o amor, dentro da pureza que Jesus nos ensinou, cada vez mais crescendo no meio dos postulados divinos. O mundo se encontra em duras crises, porque essas crises nascem no centro das almas em desequilíbrio. Quando se acertarem por dentro, o que existe exteriormente acompanhará as normas internas.

O homem está sob o regime de duas forças: o bem e o mal. Para onde houver maior propensão, é para aí que ele vai, e a luta deverá ser maior. A conquista do bem é mais difícil, mas vai se tornando mais fácil à medida que ele vai vencendo seus instintos inferiores.

Se alguém se considera sábio e entendido das leis, deve mostrar pela vida:

Quem entre vós é óbvio e entendido?

"Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras." (Tiago, 3:13)

Quem achar que já conquistou as virtudes espirituais não deve falar, e, sim, mostrar pelas suas obras, no silêncio da sua própria vida, porque a virtude evangélica irradia, sem ser preciso o anúncio. Quando assim procedermos, já estaremos de posse da fonte da felicidade. Basta bebermos nela outros conhecimentos, em outras mudanças de vida para a vida imortal.

A felicidade completa, somente as almas puras podem desfrutar. Analisa teus pensamentos, tuas idéias, tua fala; se forem puras, podes considerar-te alma feliz, por já teres dado os primeiros passos para a glória imortal e para novas oportunidades de trabalho de alta relevância com Deus. Jesus está sempre a nos esperar para trabalhos mais dignos; depende do nosso preparo na intimidade do coração. Quando tudo passar, notaremos que levantamos muitos véus que encobriam as maiores lições, e passaremos a estudá-las, não nos livros do mundo, mas, no livro da natureza, escrito por Deus.

O homem, por vezes, acha seu trabalho penoso, e ficando apressado para que o dia acabe para o seu descanso. Para os Espíritos que já se elevaram, nada existe de penoso; tudo se transforma em alegria de vida. Os Espíritos puros sentem felicidade no trabalho com amor, sorvendo mais vida, na vida de Deus, que nunca para.


Miramez












segunda-feira, 13 de abril de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. V - João Nunes Maia - Cap. 31 - Progresso constante



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. V - João Nunes Maia - Cap. 31


Progresso constante


235. Enquanto permanecem nos mundos transitórios, os Espíritos progridem?

“Certamente. Os que vão a tais mundos levam o objetivo de se instruírem e de poderem mais facilmente obter permissão para passar a outros lugares melhores e chegar à perfeição que os eleitos atingem.”


Certamente que os Espíritos progridem em estágio nos mundos transitórios. Em qualquer lugar onde as almas se encontrem, o despertamento, mesmo que seja vagaroso, é um fato inconteste. Nada para em todas as escaladas da vida, desde o vírus ao anjo.

A lei de crescimento foi estabelecida pelo Criador de todas as coisas. Devemos estar cientes de que a vontade de progredir, a consciência da alma de avançar pelos esforços próprios, acende no íntimo uma luz, cuja disposição nos levará a maior ritmo de crescimento.

Pode-se, em uma só reencarnação, ganhar o tempo que poderia levar muitas delas. Jesus foi quem nos deu as modalidades do despertar para as realidades com mais segurança. O Seu Evangelho nos mostra o caminho; basta seguí-lo com honestidade e amor. A confiança é força da fé.

Estamos no fim de uma jornada, que dá início a outra maior, e é sempre nessas épocas que os céus descem com todo o fulgor, como bênção do Pai, para todos os filhos que possam entender o Seu chamado.

A mediunidade é tão velha quanto o mundo, mas ela, disciplinada, procede das mãos do Cristo, que motivou em Seus discípulos essas qualidades valiosas em favor dos que sofrem e choram. As mensagens que descem do céu à Terra são inúmeras, todos os dias, em todas as nações do mundo, contudo no Brasil elas são mais acentuadas, orientando, assim essa pátria para ser o coração que pulsa, emitindo luz a todas as outras.

O futuro nos dirá que tudo que hoje amedronta os homens doutos e ignorantes, foram alertas para que eles pudessem conhecer Jesus, conhecendo a verdade. Todos os planos foram traçados por Deus, no crescimento das criaturas. Não devemos temer. Temer o que, se os homens, por enquanto, não sabem o que fazem? Jesus é o diretor espiritual do planeta com o consentimento de Deus, Ser Supremo, e onisciente das Suas qualidades e das Suas criações. Quem tem confiança na Divindade, está livre de temores.

Os Espíritos que vão aos mundos de regeneração levam o propósito de se melhorarem, mas, carregam consigo as suas paixões em diversas formas, e lá haverão de se livrarem delas, para que a consciência fique marcada pela tranqüilidade e o coração dê sinal de liberdade espiritual. O progresso é constante, no entanto, depende, de certa forma, do Espírito. O Espírito pode se elevar com mais rapidez, assistido pelos anjos do Senhor, se logo entender a mensagem que parte de todos os lados.

A passagem pelos mundos transitórios é uma chance para o Espírito, é o sinal de que compreenderá logo as leis, e a demora neste mundo é curta, trazendo consigo lições imortais, onde o amor estabiliza a própria vida, e a caridade assegura a luz para todos os caminhos que porventura trilhar.

Quem conhece Deus e n'Ele confia está bem onde a natureza lhe convidar para ir. Nada teme, porque em todos os lugares se encontra o Senhor nos abençoando e nos livrando de todo o mal, onde esse possa nos prejudicar.

O objetivo dos Espíritos é chegar aos mundos superiores, onde tudo é claridade, onde o amor é lei em todos os movimentos e a caridade é o clima de todos os seres. Esforcemo-nos, que todos estamos a caminho da perfeição. Que Deus nos abençoe e que Cristo nos acompanhe nas nossas decisões para o bem imortal.


Miramez











domingo, 12 de abril de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. VII - João Nunes Maia - Cap. 34 - Momento decisivo



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. VII - João Nunes Maia - Cap. 34


Momento decisivo


340. É solene para o Espírito o instante da sua encarnação? Pratica ele esse ato considerando-o grande e importante?

“Procede como o viajante que embarca para uma travessia perigosa e que não sabe se encontrará ou não a morte nas ondas que se decide a afrontar.”

A.K.: O viajante que embarca sabe a que perigo se lança, mas não sabe se naufragará. O mesmo se dá com o Espírito: conhece o gênero das provas a que se submete, mas não sabe se sucumbirá. Assim como, para o Espírito, a morte do corpo é uma espécie de renascimento, a reencarnação é uma espécie de morte, ou antes, de exílio, de clausura. Ele deixa o mundo dos Espíritos pelo mundo corporal, como o homem deixa este mundo por aquele. Sabe que reencarnará, como o homem sabe que morrerá. Mas, como este com relação à morte, o Espírito só no instante supremo, quando chegou o momento predestinado, tem consciência de que vai reencarnar. Então, qual do homem em agonia, dele se apodera a perturbação, que se prolonga até que a nova existência se ache positivamente encetada. À aproximação do momento de reencarnar, sente uma espécie de agonia.  (O Livro dos Espíritos - 2 ª Parte - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos - Cap. VII - Da volta do Espírito à vida corporal. - Prelúdio da volta)


Nos momentos decisivos em que se aproxima da reencarnação, o Espírito se perturba e é tomado de emoções diferentes das que sente em horas de alegria. Soa para ele a entrada na vida física, aconchegando-se mais à intimidade da sua futura mãe. Os laços se confundem com o sistema emotivo da mãezinha em preparo para gerar um corpo na oficina de Deus, no seu mundo íntimo. Lágrimas e alegrias se manifestam nas linhas mais puras do amor.

Para nós do mundo espiritual, a morte é quando se reencarna e a alma entra na vida quando desencarna; contudo, o estado da alma que entra nesses processos é que vai decidir onde ela vai entrar, se no céu ou no inferno. Copiando Jesus, tornamos a dizer, a felicidade começa na intimidade do Espírito, como a água pura que se bebe se encontra no seio da terra.

Devemos purificar nossa mente em todos os quadrantes do entendimento, fazer exercícios todos os dias para melhorarmos com Jesus, que Ele, sendo o nosso Guia, não nos deixará desviar dos caminhos que nos levam a libertação. Ele tudo faz para compreendermos as leis de Deus, mas, não pode compreender por nós. A nossa luz é individual, e somente nós, com as bênçãos de Deus, poderemos acendê-la, mostrando aos que têm olhos para ver que estamos sendo escolhidos para o despertamento espiritual.

Somos um conjunto, como rebanho de Jesus Cristo, todos juntos com os mesmos ideais, não obstante, cada criatura tem um destino a seguir e forças a liberar. É preciso despertar a criatividade em favor do bem de todos, ajudando no ponto em que formos chamados, a unir todas as nações e todos os homens, para que eles compreendam o amor e amem; compreendam a caridade pura e a pratiquem, compreendam o perdão e perdoem.

Lembremo-nos, porém, que somente poderemos ajudar onde estivermos, pelo exemplo da nossa vida. O exemplo se irradia em todos os rumos, atingindo todas as criaturas, de maneira a cooperar na transformação dos mundos internos de todas elas. Se desejamos transformar-nos por fora, mudemos por dentro.

O Espírito que entra pela porta estreita, como já dissemos, da reencarnação, é como que um viajante, no dizer de "O Livro dos Espíritos", que decide viajar sem saber ao certo se vencerá os obstáculos do caminho. Se podemos dizer, é uma aventura necessária à sua evolução. É nesse sentido que as escolas espirituais trabalham, para encorajar todos os Espíritos que descem à Terra, nas linhas das vidas sucessivas, a fim de não voltarem do meio do caminho, complicando assim as outras voltas que se devem suceder.

Podemos começar o trabalho de preparo para novas reencarnações, na caridade, no entendimento e mesmo no amor. A Doutrina Espírita vem nos esclarecer todos os pontos frágeis que temos. O lema do Espiritismo é: "Educai-vos e instrui-vos". Desta forma, não cairemos em novas tentações.

O Espírito, conforme o seu entendimento, na hora do nascimento, ou melhor, no momento das ligações dos primeiros laços ao corpo que deve se formar, sente que está morrendo, perdendo a consciência, para depois recuperá-la gradativamente com o crescimento do corpo, mas não na totalidade dos poderes do Espírito; apenas pequena percentagem de consciência, no sentido de que os nossos esforços como prisioneiro na carne possam criar um compromisso dos nossos deveres ante as promessas aceitas.

Mas, a bondade de Deus é tamanha, que em todos esses lances temos amigos espirituais que nos acompanham como pais, de onde vertem todo o carinho e amor, a nos mostrar os caminhos da Luz. E tudo isso depende das nossas decisões de acertar com Jesus no coração.


Miramez














Bezerra de Menezes - Livro Filosofia Espírita - Vol. VII - Miramez / João Nunes Maia - Prefácio



Bezerra de Menezes - Livro Filosofia Espírita - Vol. VII - Miramez / João Nunes Maia


Prefácio


Aqui está o volume VII, da “Filosofia Espírita”, que vem nos mostrar “O Livro dos Espíritos” com mais fulgor, no que tange à compreensão dos seus mais profundos ensinamentos.

É dever de todos os Espíritos orar, meditar e estudar para compreenderem melhor o livro básico da Doutrina dos Espíritos. E com a ajuda do nosso Miramez, através dessa coleção, tornar-se-á mais fácil esse entendimento, facultando aos irmãos uma assimilação mais rápida dos assuntos nela expostos. É a misericórdia divina se nos mostrando toda cheia de amor.

Caro leitor, se já leste “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, torna a estudá-lo; se já o estudaste, consulta-o de novo, e se já o consultaste, procura gravar mais seus ensinamentos. E aí, então, é que deves ler esta série, portadora de luzes espirituais, que prossegue no ideal de fazer mais conhecida a Doutrina dos Espíritos, sob a égide de Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor.

Quantos assuntos abordados, quantos assuntos ventilados! E é neste correr de estudos que acumulas mais entendimento, aumentando o teu celeiro de valores imperecíveis. Podes saber que serás compensado por esse esforço que ora estás fazendo em ler esta obra, e se podes, divulga esses ensinamentos, que são sementes que sairás a semear. Se és semeador, colherás frutos que o bem se encarregará de te devolver, enriquecidos pelo amor.

A caridade está nos procurando hoje por várias modalidades, e essa é uma delas, e das mais sublimes: ajudar ao próximo no que se refere ao esclarecimento, onde podes conhecer a verdade e mostrar essa mesma verdade àqueles que desejam se libertar.

Os benfeitores estão empenhados em escrever sobre todos os assuntos que dizem respeito à verdade. O homem está avançando e se aproxima da maturidade, devendo, portanto, conhecer o que o espera no mundo espiritual. A porta para esses conhecimentos para a libertação da criatura é a caridade, e é essa caridade de que falamos todos os dias, baseados nos ensinamentos do Divino Mestre que nos salva de todas as prisões tramadas pela ignorância. Compete a todos os Espíritos, encarnados e desencarnados, esforçarem-se para compreender, compreenderem para amar e amarem para se libertar das trevas.

Os livros espíritas sérios ajudam o homem a melhorar, e se queres saber o que significa seriedade no que pensamos, mostraremos o modo pelo qual podes conhecê-la. A codificação é o alicerce. Seguindo as linhas doutrinárias do Codificador, jamais perderás o caminho do entendimento que Jesus traçou’ para todos nós.

Quanto mais se escreve sobre as leis de Deus, quanto mais se escreve sobre a Doutrina dos Espíritos, quanto mais se fala da verdade e da caridade, mais brilha o sol do entendimento, e quando este entendimento se firmar nos Espíritos, a Terra passará a ser um paraíso, mudando de mundo de provações, como diz o Evangelho, para mundo de regeneração, onde se irá sofrer, consciente da necessidade de resgatar, para que a tranqüilidade de consciência se apodere de nós, como sendo bênçãos de Deus e coroamento de todos os esforços no campo da melhora.

Quem não procura a felicidade? Todos, por instinto, por razão e por intuição. E ela existe. Façamos, pois, todos os esforços que requerem o amor e o progresso, para encontrarmos o céu verdadeiro, que se encontra dentro de nós.

É este mais um livro para meditação e estudo dos espíritas, ficando aqui a nossa gratidão pelo trabalho do nosso companheiro em Jesus, e que da sua inteligência abençoada possam verter mais obras, como gotas de luz para os corações sequiosos de paz.


Bezerra de Menezes














Belo Horizonte, 12 de Março de 1985.


quinta-feira, 2 de abril de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 13 - João Nunes Maia - Cap. 29 - Óbolo da viúva



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 13 - João Nunes Maia - Cap. 29


Óbolo da viúva


E disse: "Verdadeiramente vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos." (Lucas, 21:3)


646. Estará subordinado a determinadas condições o mérito do bem que se pratique? Por outra: Será de diferentes graus o mérito que resulta da prática do bem?

“O mérito do bem está na dificuldade em praticá-lo. Nenhum merecimento há em fazê-lo sem esforço e quando nada custe. Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com outro o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá do que lhe sobra, disse-o Jesus, a propósito do óbolo da viúva.” (O Livro dos Espíritos)


O óbolo da viúva verdadeiramente é o símbolo da caridade mais pura, porque foi dado com o coração. Ela deu tudo o que tinha para dar, talvez, até o de que precisava para se alimentar. No entanto, a caridade entre os homens que crescem espiritualmente, toma outras formas. As posições são variadas no íntimo do coração.

Se já compreendemos que a evolução não dá saltos, mas tem uma sequência de passo a passo, de vida a vida, jamais o ser humano, mesmo acompanhando grandes mestres da filosofia espiritualista, pode pretender fazê-la na perfeição que lhe cabe, com o coração em Jesus. Portanto, mesmo que as pessoas não sintam, como a viúva pobre do Evangelho, o amor de doar o que tem em favor dos que sofrem, o que elas fizerem, mesmo do que sobra em sua mesa, já é um começo.

A criança, quando começa a andar, não tem os passos firmes de um adulto. A princípio, são passos trôpegos, para depois irem se firmando, à medida que as forças forem chegando e a mente dominando seu corpo. Para nós, todo ato de caridade é louvável; com o tempo, aprenderemos a fazer caridade por amor.

Com a Doutrina Espírita, pelas suas sábias dissertações sobre a caridade, aprenderemos, pela maturidade espiritual, a sempre servir aos que andam conosco a caminho. Admiramos a nobreza do gesto da viúva, se servindo daquilo que tinha para ofertar, de modo que nem o gazofilácio anunciou, mas, Jesus, vendo e sentindo a sinceridade dela, alegrou-se-lhe o coração em ver o amor que desprendia do coração da mulher em favor das criaturas.

O que vale mais, certamente que são os sentimentos que irradiam na hora da doação, e não a quantidade. Mas, nos dias atuais, mesmo que faltem sentimentos de fraternidade no coração doador, na oferta que cai das mãos nobres dos ricos, ela é abençoada por enxugar muitas lágrimas, por dar pão a muitos famintos e vestir muitos nus.

Também encontramos com frequência, pequenos óbolos cheios de ódio, assim como grandes quantidades envolvidos em amor. De qualquer forma, toda dádiva será abençoada, desde quando sirva de amparo para os que sofrem.

"O Livro dos Espíritos" é de uma sabedoria ímpar, pelo que ele diz na questão em estudo:

"Em melhor conta tem Deus o pobre que divide com o outro o seu único pedaço de pão, do que o rico que apenas dá o que lhe sobra."

Colocamos a palavra "divide" em destaque, para que possas entender o sentido oculto do assunto, porque há muitos que acham que a caridade verdadeira é aquela em que o pobre dá tudo o que tem, ficando sem o suficiente, quando ele mata a fome do seu irmão e fica com fome, despe-se para vestir o outro. Dividir é a caridade mais acertada.

E disse: "Verdadeiramente vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos." (Lucas, 21:3) Deu mais do que os que ali estavam doando do que lhes sobrava. Jesus multiplicou os pães por amor. O amor é tudo, é o que move todas as dádivas verdadeiras. Faze tudo com amor, tudo com perfeição, que a tua vida passará a mudar sempre para melhor.

Quem ainda não tem condições de doar com amor, que continue a fazê-lo por qualquer outro motivo, que a maturidade, no amanhã, surgirá para lhe ensinar a verdadeira fraternidade.


Miramez













sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 17 - João Nunes Maia - Cap. 49 - Favorecimento



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 17 - João Nunes Maia - Cap. 49


Favorecimento


865. Como se explica que a boa sorte favoreça a algumas pessoas em circunstâncias com as quais nada têm que ver a vontade, nem a inteligência: no jogo, por exemplo?

“Alguns Espíritos hão escolhido previamente certas espécies de prazer. A fortuna que os favorece é uma tentação. Aquele que, como homem, ganha; perde como Espírito. É uma prova para o seu orgulho e para a sua cupidez.” (O Livro dos Espíritos)


A lei que regula a reencarnação dá feições diferentes às vidas sucessivas, compondo regras e facilitando acontecimentos, de maneira a possibilitar o aprendizado das almas em marcha para a evolução espiritual. De certa forma, ninguém perde nada nas linhas da sua educação espiritual. Deus usa de todos os acontecimentos para disciplinar e fazer o aprendizado crescer, pelos métodos que Ele achar mais conveniente.

O Espírito, ao tomar um corpo de carne, certamente que precisa de um esquema, assim como é preciso uma planta do arquiteto para fazer-se um edifício e os cuidados de pessoas que entendem de construção. A mesma coisa se dá no plano espiritual; ao descer para a carne, o Espírito se submete a variados testes ou provações no mundo mas, dependendo de sua maturidade, do seu interesse pelo bem comum, essas escamas de provações vão caindo como por encanto, pela força do amor e tornando-o livre dos seus padecimentos.

O Espírito pode pedir essa ou aquela modalidade de vida, mas nem sempre lhe é concedido. Deus não põe fardos pesados em ombros frágeis. Para tanto, há instrutores espirituais, vigiando todos os processos de reencarnação. Se assim não fora, seria uma terrível desarmonia espiritual, porque quase todos os Espíritos que reencarnam não sabem o que querem.

Podes fazer uma experiência, perguntando aos homens o que eles desejam para suas vidas, que poderás sentir a realidade. A algumas almas, ou a muitas delas, as reencarnações devem ser impostas para o seu próprio bem. O que podemos explicar sobre os destinos dos homens aos Espíritos ser-lhes-á mais fácil entender; são provas, tanto a pobreza como a riqueza, são testes para as almas, visando à educação dos seus impulsos inferiores. A vida é cheia dessas situações. Nós todos nos encontramos em função da aprendizagem, enfrentando todos os tipos de provas, de acordo com as nossas necessidades. O que chamas de boa sorte de alguns homens, por vezes é má sorte para a alma, porém, em tudo Deus visa ao bem, na educação e sabedoria para Seus filhos. Vejamos o que diz o apóstolo Lucas, no capítulo dezenove, versículo quarenta e dois:

E dizia:

Ah! Se conhecesses por ti mesma, ainda hoje, o que pode te levar à luz!

Mas isto está, agora, oculto aos teus olhos.

Os que se encontram preparados conhecerão o oculto e libertar-se-ão das garras da ignorância, pelos seus próprios esforços na paz de Deus. Nunca deves deixar de procurar, porque às vezes tudo está pronto, bastando somente os teus esforços, a tua parte para a tua paz interior. O espírita deve procurar sempre as pegadas de Jesus, porque Ele é o caminho, a verdade e a vida. Ninguém de Seu rebanho vai à luz senão por Ele.

O Espiritismo codificado por Allan Kardec teve a honra de vir tornar conhecido Jesus para a humanidade, apresentando um Jesus todo amor, a trazer a esperança em todas as suas feições de luz. Aqueles preparados e escolhidos pelo tempo são chamados para maiores entendimentos. O Cristo antes vivia fora de nós; com o advento do Mestre, em se refletindo pelos espelhos da Doutrina Espírita, Ele penetra e esplende em nossos corações, morando nas nossas consciências, a nos dizer: "Estou aqui, para a tua felicidade".

Os prazeres que são dados às almas para o gozo da vida física são testes, explicáveis pela reencarnação, que serão dados a todos como experiências, assim como também os sofrimentos e todos os tipos de infortúnios. Não há nada errado na escrita divina. O que pensas ser erro, é devido à ignorância das leis que regem a todos e a tudo.

Deus é a eterna inteligência e a Sabedoria Divina, expressando-se no Seu amor, não iria errar nos acontecimentos. Quem crê em Deus, aproveita em tudo as lições. Isto é o que deves fazer.


Miramez









quinta-feira, 24 de abril de 2025

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Pág. 49 - Prolegômenos



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Pág. 49 


Prolegômenos 


Fenômenos alheios às leis da ciência ordinária se dão por toda parte, revelando na causa que os produz a ação de uma vontade livre e inteligente.

A razão diz que um efeito inteligente há de ter como causa uma potência inteligente e os fatos provaram que essa potência é capaz de entrar em comunicação com os homens por meio de sinais materiais.

Interrogada acerca da sua natureza, essa potência declarou pertencer ao mundo dos seres espirituais que se despojaram do envoltório corporal do homem. Assim é que foi revelada a doutrina dos Espíritos.

As comunicações entre o mundo espírita e o mundo corpóreo estão na ordem natural das coisas e não constituem fato sobrenatural, tanto que de tais comunicações se acham vestígios entre todos os povos e em todas as épocas. Hoje se generalizaram e tornaram patentes a todos.

Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de Sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.

Este livro é o repositório de seus ensinos. Foi escrito por ordem e mediante ditado de Espíritos superiores, para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, isenta dos preconceitos do espírito de sistema. Nada contém que não seja a expressão do pensamento deles e que não tenha sido por eles examinado. Só a ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação constituem obra daquele que recebeu a missão de os publicar.

Entre os Espíritos que concorreram para a execução desta obra, muitos se contam que viveram, em épocas diversas, na Terra, onde pregaram e praticaram a virtude e a sabedoria. Outros, pelos seus nomes, não pertencem a nenhuma personagem cuja lembrança a história guarde, mas cuja elevação é atestada pela pureza de seus ensinamentos e pela união em que se acham com os que usam de nomes venerados.

Eis em que termos nos deram, por escrito e por muitos médiuns, a missão de escrever este livro:

“Ocupa-te com zelo e perseverança do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, pois esse trabalho é nosso. Nele pusemos as bases do novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade. Mas, antes de o divulgares, revê-lo-emos juntos, a fim de lhe verificarmos todas as minúcias.

“Estaremos contigo sempre que o pedires, para te ajudarmos nos teus outros trabalhos, porquanto esta é apenas uma parte da missão que te está confiada e que já um de nós te revelou.

“Entre os ensinos que te são dados, alguns há que deves guardar para ti somente, até nova ordem. Quando chegar o momento de os publicares, nós to diremos. Enquanto esperas, medita sobre eles, a fim de estares pronto quando te dissermos.

“Porás no cabeçalho do livro a cepa que te desenhamos (1), porque é o emblema do trabalho do Criador. Aí se acham reunidos todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito. O corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou espírito ligado à matéria é o bago. O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o espírito adquire conhecimentos.

“Não te deixes desanimar pela crítica. Encontrarás contraditores encarniçados, sobretudo entre os que têm interesse em enganar. Encontrá-los-ás mesmo entre os Espíritos, porque os que ainda não estão completamente desmaterializados procuram freqüentemente semear a dúvida, por malícia ou ignorância. Prossegue sempre. Crê em Deus e caminha com confiança: aqui estaremos para te amparar e vem próximo o tempo em que a verdade brilhará de todos os lados.

“A vaidade de certos homens, que julgam saber tudo e tudo querem explicar a seu modo, dará nascimento a opiniões dissidentes. Mas, todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão num só sentimento, o do amor do bem, e se unirão por um laço fraterno, que envolverá o mundo inteiro. Estes deixarão de lado as miseráveis questões de palavras, para só se ocuparem com o que é essencial. E a doutrina será sempre a mesma, quanto ao fundo, para todos os que receberem comunicações de Espíritos superiores.

“Com perseverança é que chegarás a colher os frutos de teus trabalhos. O prazer que experimentarás, vendo a doutrina propagar-se e bem compreendida, será uma recompensa, cujo valor integral conhecerás, talvez mais no futuro do que no presente. Não te inquietes, pois, com os espinhos e as pedras que os incrédulos ou os maus acumularão no teu caminho. Conserva a confiança: com ela chegarás ao fim e merecerás ser sempre ajudado.

“Lembra-te de que os Espíritos Bons só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse, e que repudiam a todo aquele que busca na senda do Céu um degrau para conquistar as coisas da Terra; eles se afastam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus. São um véu lançado sobre as claridades celestes, e Deus não pode servir-se do cego para fazer compreensível a luz.”


Allan Kardec





Prefácio de Bezerra de Menezes - Filosofia Espírita - Volume XVI


Não deves esmorecer nos caminhos; quando a porta é estreita, quando as dificuldades se acumulam, quando os teus caminhos requerem de ti disciplina e esforço, critério e honestidade, é porque esse caminho tem direcionamento na verdade.

Para que o objetivo seja alcançado, é preciso que te lembres sempre da honestidade e da perseverança com Jesus, nos labores de todos os dias. Mesmo que sejas perseguido, maltratado, injuriado, crucificado por todos os meios, mesmo que a própria natureza te peça sacrifícios, não esmoreças, seguindo Jesus. Isso é a vida te testando, para ver se pode contar contigo como discípulo do Divino Mestre.

Com a perseverança é que chegarás a colher os frutos de teus trabalhos. O prazer que experimentarás, vendo a Doutrina propagar-se e bem compreendida, será uma recompensa, cujo valor integral conhecerás, talvez mais no futuro do que no presente. Não te inquietes, pois, com os espinhos e as pedras que os incrédulos ou os maus acumularão no teu caminho. Conserva a confiança: com ela chegarás ao fim e merecerás ser sempre ajudado. (Prolegômenos - "O Livro dos Espíritos")

Medita neste escrito e segue avante no bem comum.

Não deves esquecer-te da benevolência em todos os trabalhos aonde fores chamado a servir. A caridade salva teus ideais na nobreza, em que deves palmilhar a tua vida.

Se és justo e alguém te calunia, não te importes, que as pedradas transformar-se-ão em flores para a glória do amor.

Se és honesto e os desonestos investem contra ti, querendo que os acompanhes, sê firme, e mesmo que te custe tempo e posição, segue Jesus, que a tua honestidade te levará à tranqüilidade de consciência e te evitará a volta à Terra com muitas dificuldades.

Se o teu amor causa muita inveja em quem desconhece essa virtude, não esmoreças nos caminhos que o Mestre te inspirou. Segue avante, pois somente essa virtude garante a tua paz de consciência.

Lendo esta obra, lembra-te de que ela constitui esforço dos benfeitores espirituais, para que ela chegue as tuas mãos e sirva de ponte para mudar teus pensamentos e transformar tuas idéias para que sejam sempre melhores.

O Espiritismo já foi muito combatido por aqueles que ignoravam seus alicerces; agora, está mais respeitado, pelo que ele faz pela sociedade. Nele, os homens encontram todas as diretrizes para se tornarem homens de bem, e prepararem a juventude para o amanhã. Os pais dos jovens que freqüentam as casas espíritas é que podem dizer dos frutos que a Doutrina produz moralmente em seus filhos: é um trabalho silencioso que se opera nos corações.

A moral espírita é a mesma moral cristã, capaz de formar uma consciência reta, que possa ser exemplificada, por vezes, até nos comandos das nações. Aparentemente, o mundo se encontra em convulsão, à beira de um perigo iminente; no entanto, Deus é todo Amor e Poder e, em um segundo, ou fração do mesmo, Ele, o Todo-Poderoso, pode tirar o mundo e a humanidade do caos em que está prestes a cair. Devemos confiar, porque, quem fez os mundos sabe como dirigi-los para o bem e a harmonia.

Nós, como seguidores de Jesus, seguimos Seus ensinamentos e sempre obedecemos aos Seus desígnios, para o complemento da grande obra do Amor na face da Terra. Se o Brasil está escolhido para ensinar ao. mundo a fraternidade, os demais países também estão escolhidos para assimilar todo amor de Jesus, sempre vivo e amoroso. Milhares de Espíritos estão trabalhando na Terra pela sua renovação. As alegrias desses missionários são visíveis em todos os lugares, para que, no amanhã, a paz, aquela paz que somente Deus pode dar, se estabeleça nos corações para sempre.

Não temas o monstro do orgulho e do egoísmo, pois que eles desaparecerão da face da Terra, e os homens tornar-se-ão livres desses agentes da ignorância, formando assim um só rebanho, tendo Jesus como único Pastor.

Desejamos para todos os leitores desta obra, fruto do trabalho do nosso Miramez, a paz de consciência juntamente com a harmonia do coração.

Jesus abençoe a todos.


Bezerra de Menezes 


Belo Horizonte, 18 de Agosto de 1987.



Livro Filosofia Espírita Vol. 16 - Miramez / João Nunes Maia - Prefácio


NOTA: (1) A cepa acima que se vê na pág. 48 é o fac-símile da que os Espíritos desenharam.


São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luís, O Espírito de Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, etc., etc...