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sábado, 19 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. II - Comentários ao Evangelho segundo Marcos - Chico Xavier - Cap. 70 - O maior



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. II - Comentários ao Evangelho segundo Marcos - Chico Xavier - Cap. 70


O maior


Ainda e sempre, a vaidade humana prossegue na caça incessante aos títulos máximos na Terra.

Cartazes da imprensa e programas radiofônicos na atualidade cogitam de campeões variados que brilham, passageiros, na ribalta do mundo.

O maior pensador…

O maior cientista…

O maior industrial…

O artista maior…

E o campo de realizações terrestres, copiando-lhes o impulso, apresenta com garbo os seus expoentes mais altos…

O maior arranha-céu…

O maior transatlântico…

O maior espetáculo…

A fortuna maior…

Todavia, semelhantes pruridos de evidência terrestre não são novos.

Há quase vinte séculos, surgiam eles igualmente no colégio dos seguidores humildes do Senhor.

Nem mesmo os aprendizes do Evangelho, despretensiosos e simples conseguiram fugir à tentação do destaque pessoal.

Eles próprios, na antevisão do paraíso, indagaram do Mestre, com desassombro inconsciente: — Quem seria o maior no Reino dos Céus? 

E a resposta do Cristo, ainda hoje, é um desafio à nossa fé.

O maior no Reino do Amor será sempre aquele que se fizer o servo infatigável de todos, aquele que, em se esquecendo, oferece aos outros a própria alegria que não possui, e que, em se ajustando à máquina do bem, possa apagar-se, contente e anônimo, atendendo, no lugar que lhe é próprio, a tarefa que o Senhor lhe determina…

Se procuras, desse modo, a comunhão com Jesus, onde estiverdes, olvida a ti mesmo pela glória de ser útil.

Ajuda, aprende, ampara, compreende, crê e espera cada dia…

E, servindo sempre, encontrarás com o Mestre Divino a felicidade perfeita, penetrando com Ele o segredo sublime da cruz, pelo qual, em se rendendo à suprema renúncia, fez-se a luz das nações e a esperança da Humanidade inteira.


Emmanuel







(Reformador, novembro 1955, página 245)

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 46 - Crescei



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 46


Crescei


“Antes crescei na graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador, Jesus-Cristo.” — PEDRO. (2 Pedro, 3:18)


A situação de destaque preocupa constantemente a ideia do homem.

O próprio mendigo, esfarrapado e faminto, muita vez permanece, orgulhoso, na expectativa de realce no Céu.

Habitualmente, porém, toda ansiedade, nesse particular, é propósito mal dirigido objetivando crescimento ao inverso.

Não seria, propriamente, o ato de se desenvolver, mas de inchar.

Nessa mesma pauta, muitos aprendizes irrequietos pleiteiam altas remunerações financeiras, favores do dinheiro fácil, elevação aos postos de autoridade, invocando a necessidade de crescer para maior eficiência no serviço do Cristo.

Isto contudo, quase sempre é pura ilusão.

Materializadas as exigências, transformam-se em servidores rodeados de impedimentos.

O Mestre Divino, que organizou a vida planetária ao influxo do Eterno Pai, possui suficiente poder, e, para a execução de sua obra, não se demoraria à espera de que esse ou aquele dos aprendizes se convertesse em especialista em determinados negócios do mundo.

O crescimento, a que o Evangelho se reporta, deve orientar-se na virtude cristã e no conhecimento da vontade divina.

Aprenda cada um a sua parte, na esfera de nossos deveres com Jesus. Atenda ao programa de edificação que lhe compete, ainda que se encontre sozinho ou perseguido pela incompreensão dos homens e, então, estará crescendo na graça e no discernimento para a vida imortal.


Emmanuel














sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Neio Lúcio - Livro Alvorada Cristã - Chico Xavier - Cap. 16 - A trilogia bendita



Neio Lúcio - Livro Alvorada Cristã - Chico Xavier - Cap. 16


A trilogia bendita


Em tempos remotos, o Senhor vinha ao mundo frequentes vezes entender-se com as criaturas.

Certa vez, encontrou um homem irado e mau, que outra coisa não fazia senão atormentar os semelhantes. Perseguia, feria e matava sem piedade. Quando esse Espírito selvagem viu o Senhor, aproximou-se atraído pela luz d’Ele, a chorar de arrependimento.

O Cristo, bondoso, dirigiu-lhe a palavra:

— Meu filho, por que te entregaste assim à perversidade? Não temes a justiça do Pai? Não acreditas no Celeste Poder? A vida exige fraternidade e compreensão.

O malfeitor, que se mantinha prisioneiro da ignorância, respondeu em lágrimas:

— Senhor, de hoje em diante serei um homem bom.

Alguns anos passaram e Jesus voltou ao mesmo sítio. Lembrou-se do infeliz a quem havia aconselhado e buscou-o. Depois de certa procura, foi achá-lo oculto numa choça, extremamente abatido. Interpelado quanto à causa de tão lamentável transformação, o mísero respondeu:

— Ai de mim, Senhor! Depois que passei a ser bom, ninguém me respeitou! Fiz-me escárnio da rua… Tenho usado a compaixão e a generosidade, segundo me ensinaste, mas em troca recebo apenas o ridículo, a pedrada e a dilaceração…

O Mestre, porém, abençoou-o e falou:

— O teu lucro na eternidade não será pequeno com o sacrifício. Entretanto, não basta reter a bondade. É necessário saber distribuí-la. 

Para bem ajudar, é preciso discernir. Realmente é possível auxiliar a todos. Contudo, se a muita gente devemos ternura fraterna, a numerosos companheiros de jornada devemos esclarecimento enérgico.   

Estimularemos os bons a serem melhores e cooperaremos, a benefício dos maus, para que se retifiquem. 

Nunca observaste o pomicultor? Algumas árvores recebem dele irrigação e adubo; outras, no entanto, sofrerão a poda, a fim de serem convenientemente amparadas.

O Senhor retirou-se e o aprendiz retomou a luta para conquistar o conhecimento.

Peregrinou através de muitos livros, observou demoradamente os quadros da vida e recebeu a palma da ciência.

Os anos correram apressados, quando o Cristo regressou e procurou-o, novamente.

Dessa vez, encontrou-o no leito, enfermo e sem forças.

Replicando ao Divino Amigo, explicou-se:

— Ai de mim, Senhor! Fui bom e recebi injustiças, entesourei a ciência e minhas dificuldades cresceram de vulto.

Aprendi a amar e desejar em sã consciência, a idealizar com o Plano superior, mas vejo a ingratidão e a discórdia, a dureza e a indiferença com mais clareza. Sei aquilo que muita gente ignora e, por isto mesmo, a vida tornou-se-me um fardo insuportável…

O Mestre, porém, sorriu e considerou:

— A tua preparação para a felicidade ainda não se acha completa. Agora, é preciso ser forte. Acreditas que a árvore respeitável conseguiria viver e produzir, caso não soubesse tolerar a tempestade?  

A firmeza interior, diante das experiências da vida, conferir-te-á o equilíbrio indispensável. Aprende a dizer adeus a tudo o que te prejudica na caminhada em direção da luz divina e distribuirás a bondade, sem preocupações de recompensa, guardando o conhecimento sem surpresas amargas. Sê inquebrantável em tua fé e segue adiante!

O aprendiz reergueu-se e nunca mais experimentou a desarmonia, compreendendo, enfim, que a bondade, o conhecimento e a fortaleza são a trilogia bendita da felicidade e da paz.


Neio Lúcio












Espírito Anônimo - Livro Chico Xavier, a aurora de uma vida entre o Céu e a Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15 - Ser bom



Espírito Anônimo - Livro Chico Xavier, a aurora de uma vida entre o Céu e a Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15


Ser bom


Ao fúlgido Espírito de D. Zilda Gama.

A glória de ser bom é a glória do Universo.
É a conquista do amor, em surtos peregrinos!
Ser bom é ser a luz que, em fachos purpurinos,
Aclara o coração nas trevas, submerso!

Ser bom é se elevar aos páramos divinos,
Onde o nosso viver tem curso bem diverso,
Onde o amor do bom Deus é fúlgido, disperso,
Quebrantando o amargor dos lúridos destinos!

Ser bom é ultrapassar as raias da ventura,
Sobrepor-se, afinal, à humana criatura
A trazer para sempre a alma redimida.

A glória de ser bom é a verdadeira glória!
É atingir o ideal, alcançando a vitória,
A vitória da luz na conquista da vida.


Espírito Anônimo
(F. Xavier)






A dedicatória expressa na introdução ("Ao fúlgido Espírito de D. Zilda Gama") foi uma respeitosa homenagem em vida direcionada à nobre escritora e também médium mineira Zilda Gama (1878–1969), que na época já despontava como uma das grandes referências da literatura espírita no Brasil.

16 de julho de 1929.








Irmão José - Livro Fé - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 19 - Justiça Divina



Irmão José - Livro Fé - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 19


Justiça Divina


Às vezes, perguntas entristecido: — valerá a pena ser bom nos caminhos da vida?

E, num átimo, inventarias ingratidões, decepções, calúnias…

Aquele a quem estendeste a mão ontem, é o mesmo a vilipendiar-te hoje…

Aquele a quem mataste a fome outrora, é o mesmo a escarnecer dos teus ideais agora…

Aquele que socorreste no lance difícil das próprias experiências, é a voz que se ergue para censurá-lo publicamente…

Aquele em quem confiaste cegamente, é o mesmo que, em te ludibriando, armou-te delicada situação…

Prossegue, contudo, obedecendo a voz da consciência.

Todos os que se dispõem a servir no mundo, inevitavelmente colherão dissabores…

Não tem sido assim com os paladinos da beneficência de todos os tempos?

Não esmoreças.

Em verdade, quando fazes o bem aos outros estarás fazendo-o a ti mesmo.

Pelos espinhos, não deixes de investir na própria felicidade.

A justiça pertence a Deus. O tempo falará por ti.


Irmão José

























Fonte: 

Emmanuel - Livro Recanto de Paz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16 - Apoio



Emmanuel - Livro Recanto de Paz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16


Apoio


Não alegues defeitos
Deixando de servir.

Nem percas vida e tempo,
Fitando os próprios males.

Remédio em teu remédio
É o bem que distribuas.

Esquece-te e confia,
Serviço é cura e paz.

Cada rosa no barro
É uma explosão de luz.

Quando te faltem forças,
Deus te sustentará.


Emmanuel












quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 115 - Embaixadores do Cristo



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 115


Embaixadores do Cristo


“De sorte que somos embaixadores da parte do Cristo.” — PAULO. (2 Coríntios, 5:20)


Na catalogação dos valores sociais, todo homem de trabalho honesto é portador de determinada delegação.

Se os políticos e administradores guardam responsabilidades do Estado, os operários recebem encargos naturais das oficinas a que emprestam seus esforços.

Cada homem de bem é mensageiro do centro de realizações onde atende ao movimento da vida, em atividade enobrecedora.

As ruas estão cheias de emissários das repartições, das fábricas, dos institutos, dos órgãos de fiscalização, produção, amparo e ensino, cujos interesses conjugados operam a composição da harmonia social.

É necessário, contudo, não esquecermos que os valores da vida eterna não permaneceriam no mundo sem representantes.

Cristo possui embaixadores permanentes em seus discípulos sinceros.

Importa considerar que na presente afirmativa de Paulo de Tarso não vemos alusão ao sacerdócio presunçoso.

Todos os colaboradores leais de Jesus, em qualquer situação da vida e no lugar mais longínquo da Terra, são conhecidos na sede espiritual dos serviços divinos.   

É com eles, cooperadores devotados e muita vez desconhecidos dos beneficiários do mundo, que se movimenta o Mestre, cada dia, estendendo o Evangelho aplicado entre as criaturas terrestres, até à vitória final.

Entendendo esta verdade, consulta as próprias tendências, atos e pensamentos. Repara a quem serves, porque, se já recebeste a Boa Nova da Redenção, é tempo de te tornares embaixador de sua luz.


Emmanuel













quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 58 - Discípulos



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 58


Discípulos


“E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo.” — JESUS. (Lucas, 14:27)

Os círculos cristãos de todos os matizes permanecem repletos de estudantes que se classificam no discipulado de Jesus, com inexcedível entusiasmo verbal, como se a ligação legítima com o Mestre estivesse circunscrita a problema de palavras.

Na realidade, porém, o Evangelho não deixa dúvidas a esse respeito.

A vida de cada criatura consciente é um conjunto de deveres para consigo mesma, para com a família de corações que se agrupam em torno dos seus sentimentos e para com a Humanidade inteira.

E não é tão fácil desempenhar todas essas obrigações com aprovação plena das diretrizes evangélicas.

Imprescindível se faz eliminar as arestas do próprio temperamento, garantindo o equilíbrio que nos é particular, contribuir com eficiência em favor de quantos nos cercam o caminho, dando a cada um o que lhe pertence, e servir à comunidade, de cujo quadro fazemos parte.

Sem que nos retifiquemos, não corrigiremos o roteiro em que marchamos.

Árvores tortas não projetam imagens irrepreensíveis.

Se buscamos a sublimação com o Cristo, ouçamos os ensinamentos divinos. 

Para sermos discípulos Dele é necessário nos disponhamos com firmeza a conduzir a cruz de nossos testemunhos de assimilação do bem, acompanhando-lhe os passos.

Aprendizes existem que levam consigo o madeiro das provas salvadoras, mas não seguem o Senhor por se confiarem à revolta através do endurecimento e da fuga.

Outros aparecem, seguindo o Mestre nas frases bem-feitas, mas não carregam a cruz que lhes toca, abandonando-a à porta de vizinhos e companheiros.

Dever e renovação.

Serviço e aprimoramento.

Ação e progresso.

Responsabilidade e crescimento espiritual.

Aceitação dos impositivos do bem e obediência aos padrões do Senhor.

Somente depois de semelhantes aquisições é que atingiremos a verdadeira comunhão com o Divino Mestre.


Emmanuel














Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 155 - Contra a insensatez



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 155


Contra a insensatez


“Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” — PAULO. (Gálatas, 3:3).


Um dos maiores desastres no caminho dos discípulos é a falsa compreensão com que iniciam o esforço na região superior, marchando em sentido inverso para os círculos da inferioridade. Dão, assim, a ideia de homens que partissem à procura de ouro, contentando-se, em seguida, com a lama do charco.

Semelhantes fracassos se fazem comuns, nos vários setores do pensamento religioso.

Observamos enfermos que se dirigem à espiritualidade elevada, alimentando nobres impulsos e tomados de preciosas intenções; conseguida a cura, porém, refletem na melhor maneira de aplicarem as vantagens obtidas na aquisição do dinheiro fácil. 

Alguns, depois de auxiliados por amigos das Esferas sublimadas, em transcendentes questões da vida eterna, pretendem atribuir a esses mesmos benfeitores a função de policiais humanos, na pesquisa de objetivos menos dignos.

Numerosos aprendizes persistem nos trabalhos do bem; contudo, eis que aparecem horas menos favoráveis e se entregam, inertes, ao desalento, reclamando prêmio aos minguados anos terrestres em que tentaram servir na lavoura do Mestre Divino e plenamente despreocupados dos períodos multimilenários em que temos sido servidos pelo Senhor.

Tais anomalias espirituais que perturbam consideravelmente o esforço dos discípulos procedem dos filtros venenosos compostos pelos pruridos de recompensa.

Trabalhemos, pois, contra a expectativa de retribuição, a fim de que prossigamos na tarefa começada, em companhia da humildade, portadora de luz imperecível.


Emmanuel












Casemiro Cunha - Livro Cartas do Evangelho e outros poemas - Chico Xavier - 1ª Parte - Cap. 25 - Carta aos discípulos



Casemiro Cunha - Livro Cartas do Evangelho e outros poemas - Chico Xavier - 1ª Parte - Cap. 25


Carta aos discípulos


Se és discípulo sincero
Do Evangelho de Jesus
Não deponhas no caminho
O peso de tua cruz.

Pelo fato de estudares
Nesse roteiro de amor,
Encontrarás na tarefa
O cálice de amargor.

É que quanto mais te eduques
Nos esforços da ascensão,
Mais sofrerás com o duelo
Do egoísmo e da ambição.

Pensando no Amado Mestre,
Ponderando-Lhe a bondade,
Hás de chorar, vendo o mundo
No abismo da iniquidade.

Terás dor, porquanto, em paz,
Nunca feres, nem odeias.
Sentido contigo próprio
As amarguras alheias.

Vai com fé pelo caminho,
Leva a charrua na mão,
Trabalha, guardando o Cristo
No fundo do coração.

Desconfia da lisonja.
Esquece o que te ofender.
Coloca, acima dos homens
O que te cumpre fazer.

Sê modesto. Há sempre últimos
Que no Céu serão primeiros.
Conta sempre com Jesus
Acima dos companheiros.

Um amigo terrestre pode
Ir com tua alma ao porvir,
Mas inda é o homem do mundo
Sempre disposto a cair.

Recebe com precaução
Quem te venha agradecer.
Por muita coisa que faças
Não fazes mais que o dever.

A palavra sem os atos
É um cofre sonoro e oco.
Evita o que fala muito
E edifica muito pouco.

Sê desprendido da posse
Mas, conserva os bens da luz.
O discípulo conhece
Que ele próprio é de Jesus.

Nunca sirvas às discórdias,
Ao despeito, à confusão.
Deves ser, por onde passes,
Ensino e consolação.

Sabendo que nada vales
Sem o amparo do Senhor,
Conquistarás no futuro
O seu Reinado de Amor.


Casimiro Cunha














terça-feira, 15 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 5 - Fé e caridade



Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 5


Fé e caridade


Sem fé, a caridade muita vez se transforma em virtude fragmentária nos caminhos do tempo. Ora luz, ora sombra, hoje auxílio, amanhã reprimenda.

Sem a base da confiança, assemelha-se, quase sempre, à planta de raiz frágil que o furacão arrebata ao solo, convertendo-se em deserto.

A bondade, porém, que se mune da fé viva sabe agir em termos de Vida Eterna.

Reconhece a maldade por estado de ignorância e dispõe-se a ensinar, sem cansaço e sem queixa.

Observa o transviado por doente infeliz e oferece-lhe ao passo o remédio preciso.

Sabe, assim, que os irmãos infiéis a si mesmos exigem tolerância e vê que todo mal espera por silêncio para regenerar-se, ante o brilho da Lei.

Saibamos, desse modo, erguer ao bem constante nosso culto diário, convictos de que a morte é outra face da existência em si mesma.

Não vale confiar, desconfiando sempre.

Lembremo-nos, assim, de que o Cristo de Deus, em sua fé nos homens, renova a cada dia o nosso vivo ensejo de aprender e servir, e apliquemos em nós esse mesmo padrão de socorro incessante, perdoando e auxiliando, sem qualquer restrição, porque somente assim, na base da fé pura, que jamais desfalece, a nossa caridade encontrará na vida o alicerce do amor para a bênção da luz.


Emmanuel













Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 58 - Em honra da liberdade



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 58


Em honra da liberdade


“Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo, e não segundo o Cristo.” — PAULO (Colossenses, 2:8)


Se alcançaste um raio de luz do Evangelho, avança na direção do Cristo, o Divino Libertador.

Não julgues seja fácil semelhante viagem do espírito.

Encontrarás, em caminho, variados apelos à indisciplina e à estagnação.

Serás surpreendido a cada passo pelos sofistas da Religião, pelos falsários da Filosofia, pelos paranoicos da Ciência e pelos dilapidadores da História, empavesados nas engenhosas criações mentais em que encarceram a própria vida, buscando atrelar-te o pensamento ao carro da argumentação filauciosa a que se acolchetam, famintos de louvor e de vassalagem.

Mutilando a revelação divina, desfigurando preceitos da verdade, abusando da inteligência ou fantasiando episódios furtados ao registro fiel do tempo, armam ciladas ou levantam castelos teóricos, em que a sugestão menos digna te inclina a existência à rebelião e ao pessimismo, à viciação e à inutilidade.

Atendendo, quase sempre, a interesses escusos, lisonjeiam-te a insipiência, incensando-te o nome, quando não se desmandam na vaidade, aliciando-te a decisão para que lhes engrosses o séquito de loucura.

Acompanhando-os, porém, não te farás senão presa deles, fâmulo desditoso das ideias desequilibradas que emitem, no temerário propósito de se anteporem ao próprio Deus.

Querem escravos para os sistemas falaciosos que mentalizam, quando Jesus deseja te faças livre para a conquista da própria felicidade.

Acautela-te no trato com todos os que tudo te pedem, no campo da independência espiritual, limitando-te a capacidade de sentir e pensar, empreender e construir, porquanto, em nos fazendo tributários da falsa glória em que se encasulam, relegam-nos a existência a planos de subnível, quando o Cristo de Deus, tudo nos dando em amor e sabedoria, nos ampliou a emoção e o conhecimento, a iniciativa e o trabalho, convertendo-nos em filhos emancipados da Criação, para que tenhamos não apenas a vida, mas Vida Santificada e Abundante.


Emmanuel












(Reformador, agosto de 1959, p. 170)

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Irmão Saulo - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 4 - Família e reencarnação - A Verdade sobre a mesa



Irmão Saulo - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 4 - Família e reencarnação


A Verdade sobre a mesa


A verdade é o pão do espírito. Sobre a mesa de Chico Xavier, cercada de amigos que vieram de longe para o banquete, os Trovadores do Além lançaram suas rodelas de pão. Cada um deles foi poeta na Terra e continua a cantar depois da morte, porque a criatura de Deus não morre — apenas troca de roupa. Fizeram um rodeio de trovas e cada trova é. uma síntese pessoal da visão coletiva da verdade. Cada trova responde a determinadas perguntas dos homens.

Os temas se desenvolvem através das trovas. O lar surge no mundo para humanizá-lo, graças ao sonho do namoro em que as almas procuram-se no anseio de amar. A convivência vai revelar que elas não são o que sonhavam, mas o purgatório do lar é uma bênção para libertar do inferno do passado. A família terrena permite o reajuste através da reencarnação, dissolvendo as mágoas e liquidando as contas. O casamento não se faz no cartório, mas no lar, e nele é que o inimigo transformado em parente acaba por nos amansar.

Os Espíritos Superiores não estão sujeitos ao controle humano da natalidade — nascem quando querem, pois conhecem e dominam as leis naturais melhor do que os homens. Um lar desgovernado, desprovido de orientação, vira sepultura do amor. Entretanto, é o lar a fonte e a base de todas as civilizações, acertando as contas do passado dentro de casa e melhorando as criaturas. Resulta daí a colheita do amor, graças à ação de duas forças simples, naturais, que se conjugam para construir a grandeza da Terra: os laços familiais orientados pela ternura materna, pela presença da Mãe.

Pouco a pouco, através das trovas, a verdade se corporifica. E os trovadores nos dão assim a lição da fraternidade e da colaboração. Fizeram um mutirão para responder às perguntas dos homens. Cada qual deu o seu pedaço e o pão da verdade apareceu sobre a mesa do médium para saciar a fome dos espíritos. É esse o processo da Revelação. Desde que o mundo é mundo a verdade flui para os homens através da mediunidade.


Irmão Saulo








Chico Xavier


Chico Xavier nos conta como surgiu o assunto, durante a peregrinação que faz semanalmente aos lares dos amigos menos afortunados do bairro em que reside, sempre acompanhado por visitantes de outras cidades:

“Enquanto realizávamos a nossa visita fraterna a companheiros de nosso bairro, estava conosco uma estudiosa caravana de irmãos das cidades de São José do Rio Preto, Mirassol, Votuporanga e Ribeirão Preto. Durante todo o percurso a nossa conversação foi um debate amistoso sobre assuntos do lar. Ao todo, com os amigos de outras cidades, éramos nada menos de oitenta pessoas.

“As perguntas e respostas entre nós mostravam as nossas preocupações. Como observar a família e a reencarnação? De que modo os Espíritos amigos consideram o casamento? Porque tantas lutas entre parentes? Estarão os Espíritos luminares submetidos aos controles anticoncepcionais inventados pelos homens? Porque sonham os noivos com tanta felicidade para o lar e porque tantas dificuldades enfrentam eles em muitos casos, depois que se instalam no casamento?

“Perguntas como estas e muitas outras foram debatidas. E quando nos reunimos para a concentração das tarefas da noite, diversos amigos espirituais, trovadores amigos, escreveram as ligeiras mensagens em versos que lhe envio para os nossos estudos.”


TROVAS DO LAR


Anotação clara e simples
Que nos obriga a pensar:
Surge o lar dentro do mundo
Sem que o mundo seja o lar.

Marcelo Gama

Os namorados são sonhos
Entre a verdade e a ilusão,
Se chegam ao matrimônio,
O lar revela o que são.

Xavier de Castro

Para quem sofre no Além
Sob a culpa em choro inglório
O regresso ao lar terrestre
É a bênção do purgatório.

Oscar Leal

Família e reencarnação,
Deus as fez buscando a paz,
Não levam mágoas à frente
Nem deixam contas atrás.

Roberto de Alencar

Cartório faz união
E começa o lar a dois,
O amor constrói amizade,
Casamento vem depois.

Antônio de Castro

De quaisquer provas na Terra
A que mais amansa a gente:
Inimigo reencarnado
Sob a forma de parente.

Lulu Parola

Quando um sábio das Alturas
Necessita reencarnar
Ninguém consegue impedir
Nem adianta evitar.

Casimiro Cunha

Casamento é um laço em luz
Da Vida Superior,
Mas o lar desgovernado
É a sepultura do amor.

João Paiva

Toda civilização
Cresce em tudo sábia e bela
Tão-somente, em qualquer parte,
Porque o lar sofreu por ela.

Silveira de Carvalho

Não adianta fugir
Do débito que se atrasa,
Reencarnação chega logo
Cobrando dentro de casa.

Cornélio Pires

Todo lar que se levanta
Como for, seja onde for,
É sempre uma sementeira
Para a colheita do amor.

José Nava

Lar e Mãe — a dupla simples
Que a força da vida encerra,
Guardam consigo, ante Deus,
Toda a grandeza da Terra.

Antônio Bezerra













Inácio Bittencourt - Livro Vozes do Grande Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 22 - Aviso oportuno



Inácio Bittencourt - Livro Vozes do Grande Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 22


Aviso oportuno


"Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca." (MATEUS, 26:41)


Meus amigos: Louvado seja o Senhor.

Em minha última romagem no campo físico, mobilizando os poucos préstimos de minha boa vontade, devotei-me ao serviço da cura mediúnica; no entanto, desencarnado agora, observo que a turba de doentes, que na Terra me feria a visão, aqui continua da mesma sorte, desarvorada e sofredora.

Os gemidos no reino da alma não são diferentes dos gemidos nos domínios da carne.

E dói-me o coração reparar as filas imensas de necessitados e de aflitos a se movimentarem depois do sepulcro, entre a perturbação e a enfermidade, exigindo assistência.

É por esta razão, hoje reconhecemos, que acima do remédio do corpo temos necessidade de luz no espírito.

Sabemos que redenção expressa luta. E que resultados colheremos no combate evolutivo, se os soldados e obreiros das nossas empresas de recuperação jazem desprevenidos e vacilantes, infantilizados e trôpegos?

Nas vastas linhas de nossa fé, precisamos armar-nos de conhecimento e qualidade que nos habilitem para a vitória nas obrigações assumidas. Conhecimento que nasça do estudo edificante e metódico, e qualidade que decorra das atitudes firmes na regeneração de nós mesmos.

Devotamento à lição que ilumine e à atividade que enobreça.

Indubitavelmente, ignoramos por quanto tempo ainda reclamaremos no mundo o concurso da medicina e da farmácia, do bálsamo e do anestésico, da água medicamentosa e do passe magnético, à feição de socorro urgente aos efeitos calamitosos dos grandes males que geramos na vida, cujas causas nem por isso deixarão de ser removidas por nós mesmos, com a cooperação do tempo e da dor.

Mas, porque disponhamos de semelhante alívio, temporário embora, não será lícito olvidar que o presente de serviço é a valiosa oportunidade de nossa edificação.

A falta de respeito para com a nossa própria consciência dá margem a deploráveis ligações com os Planos inferiores, estabelecendo, em nosso prejuízo, moléstias e desastres morais, cuja extensão não conseguimos sequer pressentir; e a ausência de estudo acalenta em nossa estrada os processos da ignorância, oferecendo azo às mais audaciosas incursões da fantasia em nosso mundo mental, como sejam: a acomodação com fenômenos de procedência exótica, presididos por rituais incompatíveis com a pureza de nossos princípios, o indevido deslumbramento diante de profecias mirabolantes e a conexão sutil com inteligências desencarnadas menos dignas, que se valem da mediunidade incauta e ociosa entre os homens, para a difusão de notícias e mensagens supostamente respeitáveis, pela urdidura fantasmagórica, e que encerram em si o ridículo finamente trabalhado, com o evidente intuito de achincalhar o ministério da verdade e do bem.

A morte não é milagre e o Espiritismo desceu à Humanidade terrestre com o objetivo de espiritualizar a alma humana.

Evitemos proceder como aquele artífice do apólogo, [1] que pretendia consertar a vara torta buscando aperfeiçoar-lhe a sombra.

Iluminemos o santuário de nossa vida interior e a nossa presença será luz.

Eis a razão por que, em nos comunicando convosco, reportamo-nos aos quadros dolorosos que anotamos aqui, na esfera dos ensinamentos desaproveitados, para destacar o impositivo daquela oração e daquela vigilância, perenemente lembradas a nós todos pela advertência do nosso Divino Mestre, a fim de que estejamos seguros no discernimento e na fé, na fortaleza e na razão, encarando o nosso dever face a face.


Inácio Bittencourt






Nas tarefas da noite de 10 de novembro de 1955, profunda alegria felicitou-nos o grupo em prece.

Pela vez primeira, o inolvidável companheiro Inácio Bittencourt n visita-nos a casa. Senhoreando as possibilidades do médium, o grande lidador do Espiritismo no Brasil dirige-nos a sua palavra clara e incisiva concitando-nos às responsabilidades que nos competem na Doutrina de Luz que abraçamos. Chico Xavier.



[1] Um antigo provérbio filosófico oriental: “Evitemos os absurdos. Não se endireita a sombra de uma vara torta.”