quinta-feira, 2 de julho de 2026

André Luiz - Livro Ideal Espírita - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 7 - Você pode



André Luiz - Livro Ideal Espírita - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 7


Você pode


Carregando nos próprios ombros as aflições que fustigam a Terra, o Senhor acreditou nas promessas de fidelidade que você lhe fez, enviando-lhe ao caminho aqueles irmãos necessitados de mais amor.

Chegam eles de todas as procedências…

É a esposa fatigada esperando carinho; é o companheiro abatido implorando, em silêncio, esperança e consolo.

De outras vezes, é o filho desorientado suplicando compreensão ou o parente, na hora difícil, aguardando braços fraternos.

Agora, é o amigo transviado, esmolando compaixão e ternura, depois, talvez, será o vizinho atormentado em problemas esfogueantes, pedindo bondade e cooperação.

Isso acontece, porquanto você pode compartilhar com Ele a tarefa do auxílio. Não desdenhe, desse modo, apoiar o bem.

Acendamos a luz, onde as trevas se adensem; articulemos tolerância, ao pé da agressividade; envolvamos as farpas da cólera em algodão de brandura; conduzamos a paz por fonte viva sobre a discórdia, toda vez que a discórdia se faça incêndio destruidor…

Deixe que Ele, o Mestre, se revele por sua palavra e por suas mãos. Não impeça a divina presença, através de seu passo, no amparo às humanas dores.

E, nessa estrada bendita, depois da luta cotidiana, sentirá você no imo da própria alma, o sol da alegria perfeita repetindo, de coração erguido à verdadeira felicidade: — Obrigado Jesus, porque na força de Tua bênção, consegui esquecer-me, procurando servir.


André Luiz









(Psicografia de F. C. Xavier)
Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

Marco Prisco - Livro Glossário Espírita-Cristão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 88 - Siga Você



Marco Prisco - Livro Glossário Espírita-Cristão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 88


Siga Você


"Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações não lhes apreendem as consequências, nem o alcance moral, ou, se os apreendem, não os aplicam a si mesmos." (E.S.E. Cap. 17, item 4)


Cultive a sinceridade, mas não intente a modificação do caráter alheio a golpes de verdades rudes.

Representa facilidade comum a repreensão, sendo, porém, muito complexa a tarefa da correção para quem realmente deseja cooperar.

Desenvolva a austeridade em todos os seus atos; no entanto, evite a aparência de superioridade moral entre as pessoas de suas relações.

Austeridade é meio de sublimação íntima, e não azorrague disfarçado com que se ferem "crianças espirituais".

Guarde a sinceridade na palavra e na ação; todavia, evite a máscara da rigidez muscular na face e sorria.

Imobilidade no rosto não expressa virtude, sendo, muitas vezes, manifestação de suplício interior.

Exercite a introspecção qual mergulhador de pérolas no oceano da alma; contudo, procure horas propícias para fazê-lo.

A vida moderna exige atividade renovada em todo lugar.

Apague o cansaço da expressão facial enquanto você permanece em serviço, mas não diga a ninguém.

O salário do trabalhador é a fecundidade da sementeira.

Busque o que lhe seja útil e santo; porém, não exija que os outros tenham os mesmos ideais.

A evolução registra sua marcha com múltiplas estacas.

Ligue-se ao bem comum em nome de todos; no entanto não force os demais a se ligarem a seu empreendimento, mesmo que seja o melhor, em sua opinião.

A gota d'água se une a outra gota d'água e, unidas, fazem correr filetes que se perdem no grande mar.

Anote os chamados do Cristo, no cerne de sua alma, e entregue seus caminhos a Ele.

Não espere, porém, que os demais amigos sigam com você.

Muitos ouvem, mas não entendem.

Escutam e não discernem.

Veem e não distinguem.

Participam, mas não vibram em sintonia.

Você constatará que pessoas ilustres e amigos diletos falam em dever e repetem expressões de Jesus, dispondo de largos depósitos de valores sem uso, mas, por enquanto, encontram-se muito empenhados nas ilusões da forma, enganados pelas fantasias da mente, sem poderem seguir.

Que espera você? - Siga!


Marco Prisco







O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XVII — Sede perfeitos

Os bons espíritas.

4. Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o Espiritismo leva aos resultados acima expostos, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro. O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.

Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações não lhes apreendem as consequências, nem o alcance moral, ou, se os apreendem, não os aplicam a si mesmos. A que atribuir isso? A alguma falta de clareza da doutrina? Não, pois que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direto à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer segredo, oculto ao vulgo.

Será então necessária, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, tanto que há homens de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, apenas saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes. Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observem, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encarnado.

Nalguns, ainda muito tenazes são os laços da matéria para permitirem que o Espírito se desprenda das coisas da Terra; a névoa que os envolve tira-lhes a visão do infinito, donde resulta não romperem facilmente com os seus pendores, nem com seus hábitos, não percebendo haja qualquer coisa melhor do que aquilo de que são dotados. Têm a crença nos Espíritos como um simples fato, mas que nada ou bem pouco lhes modifica as tendências instintivas. Numa palavra: não divisam mais do que um raio de luz, insuficiente a guiá-los e a lhes facultar uma vigorosa aspiração, capaz de lhes sobrepujar as inclinações. Atêm-se mais aos fenômenos do que à moral, que se lhes afigura cediça e monótona. Pedem aos Espíritos que incessantemente os iniciem em novos mistérios, sem procurar saber se já se tornaram dignos de penetrar os arcanos do Criador. Esses são os espíritas imperfeitos, alguns dos quais ficam a meio caminho ou se afastam de seus irmãos em crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou então guardam as suas simpatias para os que lhes compartilham das fraquezas ou das prevenções. Contudo, a aceitação do princípio da doutrina é um primeiro passo que lhes tornará mais fácil o segundo, noutra existência.

Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral. O Espírito, que nele domina de modo mais completo a matéria, dá-lhe uma percepção mais clara do futuro; os princípios da doutrina lhe fazem vibrar fibras que nos outros se conservam inertes. Em suma: é tocado no coração, pelo que inabalável se lhe torna a fé. Um é qual músico que alguns acordes bastam para comover, ao passo que outro apenas ouve sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. Enquanto um se contenta com o seu horizonte limitado, outro, que apreende alguma coisa de melhor, se esforça por desligar-se dele e sempre o consegue, se tem firme a vontade.







quarta-feira, 1 de julho de 2026

Bezerra de Menezes - Livro Lindas Mensagens de Bezerra de Menezes - Divaldo Pereira Franco / Silvio R. Rodrigues - Cap. 18 - Dor e Coragem



Bezerra de Menezes - Livro Lindas Mensagens de Bezerra de Menezes - Divaldo Pereira Franco / Silvio R. Rodrigues - Cap. 18


Dor e Coragem


Na Terra todos temos inimigos. Todos, sem exceção. Até Jesus os teve. Mas isso não é importante. Importante é não ser inimigo de ninguém, tendo dentro da alma a dúlcida presença do incomparável Rabi, compreendendo que o nosso sentido psicológico é o de amar indefinidamente.

Estamos no processo da reencarnação para sublimar os sentimentos. Por necessidade da própria vida, a dor faz parte da jornada que nos levará ao triunfo.

É inevitável que experimentemos lágrimas e aflições. Mas elas constituem refrigério para os momentos de desafio. Filhos da alma, filhos do coração!

O Mestre Divino necessita de nós na razão direta em que necessitamos d'Ele. Não permitamos que se nos aloje no sentimento a presença famigerada da vingança ou dos seus áulicos: o ressentimento, o desejo de desforçar-se, as heranças macabras do egoísmo, da presunção, do narcisismo. Todos somos frágeis. Todos atravessamos os picos da glória mas, também, os abismos da dor.

Mantenhamo-nos vinculados a Jesus. Ele disse que o Seu fardo é leve, o Seu jugo é suave. Como nos julga Jesus? Julga-nos através da misericórdia e da compaixão.

...E o Seu fardo é o esforço que devemos empreender para encontrar a plenitude.

Ide de retorno a vossos lares e levai no recôndito dos vossos corações a palavra libertadora do amor. Nunca revidar mal por mal. A qualquer ofensa, o perdão. A qualquer desafio, a dedicação fraternal. O Mestre espera que contribuamos em favor do mundo melhor, com um sorriso gentil, uma palavra amiga, um aperto de mão.

Há tanta dor no mundo, tanta balbúrdia para esconder a dor, tanta violência gerando a dor, que é resultado das dores íntimas.

Eis que Eu vos mando como ovelhas mansas ao meio de lobos rapaces, disse Jesus. Mas virá um dia, completamos nós outros, que a ovelha e o lobo beberão a mesma água do córrego, juntos, sem agressividade.

Nos dias em que o amor enflorescer no coração da Humanidade, então, não haverá abismo, nem sofrimento, nem ignorância, porque a paz que vem do conhecimento da Verdade tomará conta de nossas vidas e a plenitude nos estabelecerá o Reino dos Céus.

Que o Senhor vos abençoe , filhas e filhos do coração, são os votos do servidor humílimo e paternal, em nome dos Espíritos-espíritas que aqui estão participando deste encontro de fraternidade.

Muita paz, meus filhos, são os votos do velho amigo,


Bezerra de Menezes










Psicofonia de Divaldo Pereira Franco, em 25 de setembro de 2011, na Creche Amélia Rodrigues, em Santo André – SP.

Emmanuel - Livro Caridade - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 39 - Resposta fraternal




Emmanuel - Livro Caridade - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 39


Resposta fraternal


Solicitas uma orientação para teus passos, guardando fadiga e abatimento.

Trazes contigo o cansaço e a desilusão, à maneira do viajor transviado na escuridão noturna, suspirando pelo retorno à bênção luminosa da madrugada.

Entretanto, quem se refere à orientação, diz harmonia e ajustamento.

E somente Jesus é bastante sábio para guiar-nos com segurança.

Refugia-te, no santuário da prece e roga-Lhe inspiração.

Antes, porém, alija das sandálias o pó que trazes do caminho de nossos antigos enganos.

Perdoa a quem te feriu, recordando quantas vezes temos sido tolerados pela Misericórdia Divina.

Não retribuas mal por mal, compreendendo o imperativo do bem para que a paz nos esclareça.

Lembra-te de que o trabalho é o dissolvente de nossas mágoas, e auxilia sem distinção, na certeza de que, na alegria dos outros, encontrarás alívio e consolação aos próprios pesares.

Não invejes a prosperidade alheia, porque ninguém sabe, na Terra onde se oculta a verdadeira felicidade, de vez que, em muitas ocasiões, o palácio esconde chagas de treva e a choupana desguarnecida permanece aureolada de luz.

Solve tuas dívidas com o sorriso de quem se liberta.

Mais valem o suor e as lágrimas no dever que as vantagens transitórias na indiferença.

Rogas orientação para que a tranquilidade te favoreça.

Não olvides, no entanto, suplicar ao Senhor a força precisa para que te não desvencilhes da própria cruz… da cruz que te garante a necessária vitória espiritual para a vida que nunca morre.

Consagra-te ao serviço e à caridade, ao aperfeiçoamento de ti mesmo e à renúncia edificante.

Avança hoje na estrada pedregosa das obrigações retamente cumpridas e, amanhã, em te despedindo do corpo da Terra, teu coração, convertido em estrela de amor, será com Jesus um marco celeste orientando as almas perdidas, no vale das sombras, para que atinjam contigo a felicidade do Eterno Bem.


Emmanuel













André Luiz - Livro Endereços da Paz - Chico Xavier - Cap. 13 - Lição e auxílio



André Luiz - Livro Endereços da Paz - Chico Xavier - Cap. 13 - Lição e auxílio


Aconselhas o outro para que se conheça e afirmas que para isso é forçoso que o outro se desvencilhe das trevas que o sufocam…

Como podes, no entanto, formular essa ordem, sem auxiliá-lo a curar as feridas ou a sanar as deformidades que o afligem, dentro da armadura de sombras a que se acolhe?

Conseguirás, porventura, libertar um homem do cárcere a que se prende, sem estender-lhe a chave?


André Luiz










segunda-feira, 29 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 141 - Hospitalidade



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 141


Hospitalidade


“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos.” — PAULO (Hebreus, 13:2)

É provável que nem sempre disponhas dos recursos necessários à hospedagem de companheiros em casa.

Obstáculos e vínculos domésticos, em muitas ocasiões, determinam impedimentos.

Se a parentela ainda não se compraz contigo, na cultura da gentileza, não é justo violentes a harmonia do lar, estabelecendo discórdia, em nome do Evangelho que te recomenda servi-los.

Nada razoável empilhar amigos, em espaço irrisório, impondo-lhes constrangimento, à conta de bem-querer.

Todos nós, porém, conseguimos descerrar as portas da alma e oferecer acolhimento moral.

Nem todos os desabrigados se classificam entre os que jornadeiam sem teto.

Aqui e ali, surpreendemos os que vagueiam, deserdados de apoio e convivência…

Observa e tê-lo-ás no caminho, a te pedirem asilo ao entendimento.

Dá-lhes uma frase de coragem, um pensamento de paz, um gesto de amizade, um momento de atenção.

Às vezes, aquele que hoje se reergue com a tua migalha de amor é quem te vai solucionar as necessidades de amanhã, num carro de bênçãos. Não te digas inútil, nem te afirmes incapaz.

Ninguém existe que não possa auxiliar alguém, estendendo o agasalho da simpatia pelos fios do coração.


Emmanuel










(Reformador, agosto de 1963, p. 170)

Francisco do Monte Alverne - Livro Falando à Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 7 - Evangelho



Francisco do Monte Alverne - Livro Falando à Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 7


Evangelho


"Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai, senão por mim." (JOÃO, 14:6)

Baseando no Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo a predicação do apostolado que lhes compete, os Espíritos Superiores não se apegam a qualquer nuvem de mistério para sustentar o alimento à fé religiosa, em cuja renascença colaboram, na qualidade de homens redivivos.

É que a vida extrafísica promove, nos que pensam, mais altas ilações com respeito à realidade.

Se há leis que presidem ao desenvolvimento do corpo, há leis que regem o crescimento da alma.

Jesus no estábulo não é um fenômeno isolado no espaço e no tempo: é acontecimento vivo para o Espírito humano.

Cristo-Homem veio plasmar o Homem-Cristo.

Há quem enxergue no Cristianismo a simples apologia do sofrimento. Acusam-no pensadores e filósofos vários, tachando-o em oposição à beleza e à alegria. Para eles, Jerusalém teria asfixiado a felicidade e o encanto da vida, a fluir vitoriosa e serena nos ajuntamentos da Grécia e de Roma.

Antes do Mestre, a única beleza espiritual, geralmente conhecida, era aquela das virtudes filosóficas e políticas que o homem representativo da escola, da justiça ou do poder mantinha, valoroso, até à morte.

Com exceção de Çakyamuni [1], o príncipe sublime que se retirou do mundo convencional para viver pelos seus semelhantes, os grandes heróis do pensamento aceitam a perseguição e o extermínio, mas, é força reconhecê-lo, com a vaidade dos triunfadores.

Bebem cicuta ou abrem as próprias veias, ilhados na fortaleza da superioridade individual. Sócrates é o filósofo sublime, confortado pela solidariedade dos discípulos. Sêneca é o professor honrado, que estimula com o sacrifício de si mesmo a indignação contra a tirania.

Com Jesus, a renunciação é diferente.

O Divino Crucificado sobe ao Calvário sem o apoio dos amigos. Suas últimas palavras são dirigidas a um ladrão. Sua morte não exalta o orgulho de um grupo, nem constitui incentivo à revolta. 

A ordem que lhe escapa do excelso comando é a de servir sem desfalecimento, com obrigações de amor, perdão e auxílio constantes, ainda aos inimigos. Seu olhar, do cimo da cruz, abarca o mundo inteiro.

Com Ele começa a agir o escopro do verdadeiro bem, operando sobre a dureza da animalidade o gradual aperfeiçoamento da alma divina.

As chagas que lhe cobrem o corpo representam o louvor ao trabalho de aprimoramento e elevação do espírito, iniciando a era de legítima fraternidade entre os homens.

O Evangelho é, por isso, o viveiro celeste para a criação de consciências sublimadas.

Nasce a mente na carne e nela renasce, inúmeras vezes, buscando o sagrado objetivo do seu engrandecimento. E no intricado jogo das experiências compreende na dor o instrumento ideal da santificação. Recebendo os séculos por dias preciosos e rápidos de serviço, enceta a gloriosa carreira, com a juvenilidade da razão, amadurecendo-se na ciência e na virtude, através de reencarnações numerosas.

Conquista-se, sacrificando-se.

Quanto mais fornece de si em trabalho vantajoso a todos, mais se enriquece no mealheiro individual. Quanto mais distribui em amor, mais recebe em poder.

Supera-se, quebrando limitações, doando o bem pelo mal, a simpatia pela aversão, a claridade pela sombra.

A Boa Nova oferece as medidas espirituais para que se atinjam as dimensões da vida genuinamente cristã, nas quais desfere o Espírito excelso voo para as Esferas Resplandecentes.

A carne é a sagrada retorta em que nos demoramos nos processos de alquimia santificadora, transubstanciando paixões e sentimentos ao calor das circunstâncias que o tempo gera e desfaz.

Cada ensinamento do Mestre, efetivamente aplicado, é específico redentor, brunindo a alma imperecível, tornando-a em obra viva de estatuária divina.

O que nos parece dor, é bênção.

O que se nos afigura sofrimento, é socorro.

Onde choramos com o espinho, recolhemos uma lição.

Daí o motivo de se escudarem os emissários de nosso Plano na predicação de Jesus, desvelando aos homens os pórticos sublimes da era nova.

Quando fixarmos nas páginas vivas do próprio ser os ensinos do Cristo, afeiçoando-nos automaticamente a eles, tanto quanto se nos adaptam os pulmões ao ar que respiramos, habilitar-nos-emos ao programa de ação dos anjos, por enquanto incompreensível à nossa inteligência.

Renascimento e morte no patrimônio físico são simples acidentes da vida espiritual progressiva e eterna.

Quando o homem termina o repasto da ilusão, aqui ou ali, perguntas milenárias lhe acodem, precípites, à mente insatisfeita.

Donde venho? Para onde vou? Qual a finalidade do destino? Por que a lágrima? — Interroga, aflito, com ânsias análogas a de todos os vanguardeiros da vida superior que tiveram a coragem de partir, antes dele, para os cimos da imortalidade.

Quando o aprendiz indaga, experimentando autêntica sede da verdade, é, sem dúvida, chegado o momento iluminativo do Mestre.

Sem Jesus, que nos confere sublime resposta aos enigmas do caminho, converter-se-ia a existência em labirinto inextricável de padecimentos inúteis.

O Além é a continuação do Aquém.

Um século sucede-se a outro.

O filho é o herdeiro dos pais.

Não existe milagre.

Há lei, evolução, crescimento e trabalho com o prêmio da sublimação ao esforço.

O simples intercâmbio com a vida espiritual nada mais é que mera permuta de valores para estimular a experiência comum. Mas toda vez que encontrarmos o Evangelho do Senhor inspirando a renovação de nossa atitude pessoal, à frente do mundo, guardemos a certeza de que nos achamos em comunhão frutífera com a bendita claridade do Caminho, da Verdade e da Vida.


Francisco do Monte Alverne








FRANCISCO DO MONTE ALVERNE, Frei (1858) — Religioso franciscano nascido no Rio de Janeiro. Eloquente orador sagrado. Saber profundo e sincera dedicação à Religião e à Pátria. Reputado grande teólogo e filósofo. Seus sermões são preciosos documentos de boa linguagem e sã doutrina.

[1] Siddhartha Gautama, o fundador do Budismo.




Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 24 - Semear alegria



Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 24


Semear alegria


A alegria é conquista reservada somente aos homens, no distrito da Terra. Nos animais, ela se manifesta no seu princípio rudimentar, sem a beleza e o conforto que se expressa no coração humano.

A alegria é um dom grandioso, é uma semente de luz que Deus depositou nos sentimentos dos seres humanos, deixando meios para que Seus filhos dessem crescimento a essa virtude que tanto nos agrada. Vamos colocar a alegria como uma semente e fazê-la crescer na nossa lavoura interna.

A criatura que não faz uso da alegria está sujeita a ver a tristeza invadir seu peito e desfazer os mais renomados valores da vida. Esse bem-estar de que falamos está, de certa forma, ligado às coisas espirituais. Certamente que esse prazer é um dom marcadamente do espírito; no entanto, ele é crescente ao infinito, tem variados degraus para subir na sua escala interminável.

Estamos fazendo um esforço ingente para levar aos nossos irmãos encarnados alguns traços de iniciação nos tesouros da alma. A nossa maior intenção é que tu entres na senda do aprimoramento espiritual e que, pelo conhecimento, possas subir mais depressa pela rampa da vida, da vida perfeita, realizando o trabalho destinado a ti.

Queremos que todos compreendam que, no Universo, tudo é alegria, por ser alegria a harmonia vibrante em todos os ângulos da criação. Quando endereçares a alguém a palavra, seja a quem for, deixa falar primeiro o coração, com o contentamento que lhe é próprio. Aos enfermos e às crianças devemos nos dirigir de modo próprio aos estágios das almas que nos ouvem, pois se nossos lábios não exprimirem o nosso bem-estar através de nossas palavras, estaremos estragando o tempo e menosprezando aquilo que Deus nos deu por amor e que deve ser doado com prazer.

Deves disseminar, por onde fores, as sementes da alegria, com a pureza que nasce dos sentimentos mais elevados da vida, porque se é dando que recebemos, a lei nos garante a colheita daquilo que estamos plantando.

A criatura triste envelhece com mais facilidade e cria, em torno de si, um ambiente de sombra, de modo a afastar todos os que queiram aproximar-se e que, por vezes, estejam querendo ajudar.

O espírito triste é espírito morto. Procura promover meios de infundir alegria aos outros, sem te esqueceres de que ela deve ser moldada nos mais profundos princípios da verdade. O contentamento cristão é o mais recomendado para a nossa paz e para a nossa saúde.

O perdão é mais fácil no ambiente da alegria. A alma introvertida, que não é capaz de doar pelo menos alegria aos outros, bem como a egoísta, perde as sensibilidades que dispõem o espírito a compreender. Enquanto nós não descobrirmos a nós mesmos no emaranhado sistema de intolerância em que vivemos, pleno de orgulho e egoísmo, de ódio e de inveja, enquanto não nos dispusermos a reformar essas atitudes, operando esses tumores inconvenientes através da cirurgia moral, perderemos tempo no tempo que passa e sofremos as conseqüências da própria ignorância.

Plantemos, pois, a alegria no nosso coração e nos nossos irmãos que andam conosco no mesmo caminho, que seremos felizes.


Lancellin





VÍDEO:


CIRURGIA MORAL - CAP. 24 - SEMEAR A ALEGRIA




domingo, 28 de junho de 2026

Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 34 - Necessário



Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 34


Necessário


"Entretanto só uma coisa é necessária. Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada." (LUCAS, 10:42)


A fim de que você divulgue o Espiritismo, não se fazem necessários:

profetismo metafórico, carregado de símbolos complicados, com ameaças para o futuro;

mediunidades fulgurantes a se expressarem em penas vigorosas e palavras eloquentes, zurzindo látego contra as concepções religiosas do passado;

trabalhadores exigentes quais verdugos das fraquezas alheias, sempre prontos a vergastar o
próximo;

críticos sibilinos, apoiados à retórica e ao sofisma, como apontadores de chagas abertas em putrefação iniciante;

examinadores livres das consciências alheias, esgrimindo opiniões em encarniçadas batalhas literárias;

orientadores inflexíveis, portando vigorosas construções do pensamento universal dos tempos e dos povos...

O de que necessita o Espiritismo hoje, como o Cristianismo de ontem difundiu, é do serviço anônimo do herói desconhecido, capaz de guardar-se no silêncio da renúncia após o bem que faça.

Profetas e médiuns, palradores e escreventes, fiscais e orientadores, examinadores e críticos eficientes, a Humanidade sempre os teve, sem que, contudo, a dor tivesse recebido o devido amparo e a aflição fosse honrada com assistência fraternal.

A Doutrina Espírita, na atualidade, desbravando o continente da alma, está necessitando de trabalhadores em burilamento íntimo que se capacitem ao serviço, nos campos da caridade eficiente para a real operação da felicidade humana.

Em razão disso, faz-se indispensável você servir para glorificar-se, ajudar para sublimar-se e sofrer para libertar-se.

Não faltarão os que preferem comandar, fiscalizar, exigir, seguindo, porém, a sós. . .

Seja você aquele que faz o necessário serviço do bem em todo lugar.


Marco Prisco
















Emmanuel - Livro de Respostas - Chico Xavier - Cap. 16 - Ação pronta



Emmanuel - Livro de Respostas - Chico Xavier - Cap. 16


Ação pronta


Se a ideia relativa a algum bem por fazer saltou do silêncio para a tua cabeça, não perguntes, demasiadamente, aos outros, sobre a maneira de executá-la.

Começa a trabalhar e o teu próprio serviço trará os companheiros que colaborarão contigo, auxiliando-te a pensar no melhor a ser feito.


Emmanuel









sábado, 27 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 51 - Meninos espirituais



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 51


Meninos espirituais


“Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, pois é menino.” — PAULO. (Hebreus, 5:13)


Na apreciação dos companheiros de luta, que nos integram o quadro de trabalho diário, é útil não haja choques, quando, inesperadamente, surgirem falhas e fraquezas.

Antes da emissão de qualquer juízo, é conveniente conhecer o quilate dos valores espirituais em exame.

Jamais prescindamos da compreensão ante os que se desviam do caminho reto. A estrada percorrida pelo homem experiente está cheia de crianças dessa natureza.

Deus cerca os passos do sábio, com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e para que essa mesma luz seja glorificada.  

Nesse intercâmbio substancialmente divino, o ignorante aprende e o sábio cresce.

Os discípulos de boa vontade necessitam da sincera atitude de observação e tolerância. É natural que se regozijem com o alimento rico e substancioso com que lhes é dado nutrir a alma; no entanto, não desprezem outros irmãos, cujo organismo espiritual ainda não tolera senão o leite simples dos primeiros conhecimentos.

Toda criança é frágil e ninguém deve condená-la por isso.

Se tua mente pode librar no voo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho onde nasceste e onde estiveste longo tempo, completando a plumagem. Diante dos teus olhos deslumbrados, alonga-se o infinito. Eles estarão contigo, um dia, e, porque a união integral esteja tardando, não os abandones ao acaso, nem lhes recuses o leite que amam e de que ainda necessitam.


Emmanuel











Emmanuel - Livro Material de Construção - Chico Xavier - Cap. 20 - Compadece-te e auxilia



Emmanuel - Livro Material de Construção - Chico Xavier - Cap. 20


Compadece-te e auxilia


Se já conquistaste algum destaque no conhecimento ou na virtude, não menosprezes os companheiros que tropeçam ou que se arrastam na retaguarda.

Ao invés disso, auxilia-os, quanto puderes.

Lembra-te de que aquele que se eleva por uma escada de mil degraus ainda é capaz de cair ao alcançar os novecentos e noventa e nove.


Emmanuel











sexta-feira, 26 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Justiça Divina - Chico Xavier - Cap. 12 - Nas leis do amor



Emmanuel - Livro Justiça Divina - Chico Xavier - Cap. 12


Nas leis do amor


Se alguém te fala em descanso inútil, depois da morte, pensa nos que sofrem por amor, na experiência terrestre.

Indaga das mães devotadas se teriam coragem de relegar os filhos delinquentes à solidão da masmorra…

Preferem chorar na pocilga do cárcere, trabalhando por eles, a morarem no paraíso com o peito rebentando de lágrimas.

Pergunta aos pais afetuosos se pediriam a forca para os rebentos do próprio sangue, comprometidos em débitos insolúveis…

Escolhem a condição dos grilhetas, de modo a vê-los recuperados, renunciando aos prêmios que a sociedade lhes destine à honradez.

Inquire da esposa abnegada se deixaria o companheiro, enredado à loucura, para brilhar num desfile de santidade…

Disputará as vigílias no manicômio para servi-lo, fugindo aos louros da praça pública.

Interroga do amigo verdadeiro se deixará o amigo confiante em dificuldade…

Aceitará partilhar-lhe as provações, recusando os privilégios com que o mundo lhe acene.

Isso acontece na Terra, onde o amor ainda se mistura ao egoísmo, qual o ouro perdido na ganga do solo.

Para além das cinzas do túmulo, há paz de consciência e alegria profunda no dever nobremente cumprido, mas, se te afeiçoas à bondade e à renúncia, poderás, quanto quiseres, continuar auxiliando os entes amados que aprendeste a venerar e querer, ou prosseguir exaltando os ideais e as tarefas edificantes que abraças.

À medida que penetramos os segredos do amor puro, vamos reconhecendo que ninguém pode ser realmente feliz sem fazer a felicidade alheia no caminho em que avança.

O próprio Criador determinou que a noite se cobrisse de estrelas e que o espinheiral se levantasse recamado de rosas.

Trabalharemos e sofreremos, assim, por amor, pelos séculos adiante, ajudando-nos uns aos outros a erguer a felicidade de nosso nível, até que possamos entrar, todos juntos, na suprema felicidade que consiste em nossa união com Deus para sempre.


Emmanuel







O Céu e o Inferno — 1ª Parte - Capítulo III - O Céu 

12. — A felicidade dos Espíritos bem-aventurados não consiste na ociosidade contemplativa, que seria, como temos dito muitas vezes, uma eterna e fastidiosa inutilidade. 

A vida espiritual em todos os seus graus é, ao contrário, uma constante atividade, mas atividade isenta de fadigas. 

A suprema felicidade consiste no gozo de todos os esplendores da Criação, que nenhuma linguagem humana jamais poderia descrever, que a imaginação mais fecunda não poderia conceber. 

Consiste também na penetração de todas as coisas, 5 na ausência de sofrimentos físicos e morais, numa satisfação íntima, numa serenidade de alma imperturbável, no amor que envolve todos os seres, por causa da ausência de atrito pelo contato dos maus, e, acima de tudo, na contemplação de Deus e na compreensão dos seus mistérios revelados aos mais dignos.

A felicidade também existe nas tarefas cujo encargo nos faz felizes. 

Os puros Espíritos são os Messias ou mensageiros de Deus pela transmissão e execução das suas vontades. Preenchem as grandes missões, presidem à formação dos mundos, e à harmonia geral do Universo, tarefa gloriosa a que se não chega senão pela perfeição. Os da ordem mais elevada são os únicos a possuírem os segredos de Deus, inspirando-se no seu pensamento, de que são diretos representantes.



Reunião pública de 27-2-1961.

Ermance Dufaux - Livro Laços de Afeto - Wanderley Oliveira - Cap. 16 - Sob a Luz do Amor



Ermance Dufaux - Livro Laços de Afeto - Wanderley Oliveira - Cap. 16


Sob a Luz do Amor


“Os grupos que se ocupam exclusivamente com as manifestações inteligentes e os que se entregam ao estudo das manifestações físicas têm cada um a sua missão. Nem uns, nem outros se achariam possuídos do verdadeiro espírito do Espiritismo, desde que não se olhassem com bons olhos; e aquele que atirasse pedras em outro provaria, por esse simples fato, a má influência que o domina. Todos devem concorrer; ainda que por vias diferentes, para o objetivo comum, que é a pesquisa e a propaganda da verdade. Os antagonismos, que não são mais do que efeito de orgulho superexcitado, fornecendo armas aos detratores, só poderão prejudicar a causa, que uns e outros pretendem defender.” (O Livro dos Médiuns – Cap. 29 - item 348)

Interessante analisar, daqui para o mundo físico, a influência marcante de velhas ilusões que carreamos para os ofícios de reeducação na sementeira espiritista.

Quando aqui aportamos temos melhor dimensionada as percepções que nos permitem lançar um novo olhar sobre os esforços gerais no bem, fazendo-nos concluir que trabalho algum é dispensável, e todos, conquanto suas deficiências, concorrem para o progresso da causa.

No entanto, em regressando ao corpo físico, invadidos pelas milenares miragens do orgulho, costumamos entender nossa tarefa como a melhor e essencial, nossos conceitos como sendo a mais valiosa expressão da verdade e a nossa participação como admirável missão que nos eleva acima dos demais.

A despeito de erguermos juntos o estandarte da caridade, vezes sem conta abandonamos o imperativo de aplicá-la também nas nossas relações com quantos nos partilham o clima das atividades doutrinárias.

Retifiquemos essa miopia da visão espiritual.

Passemos a compor o escasso grupo daqueles que incentivam e sabem respeitar os esforços alheios, sejam quais forem.

Disciplinemos a tendência de excluir, e quando destacarmos falhas recolhamo-nos na ação indulgente ou mesmo ao silêncio e oração.

Valorizemos nossa atuação sem desprezar a de outrem.

Cerremos esforços na direção que melhor atenda as nossas crenças sem alimentar o anseio de ser seguido. Recordemos que ninguém está obrigado a tal mister, da mesma forma que não temos a implicação de seguir ninguém.

Façamos isso em favor de nossa paz e da ordem geral nos nossos campos de trabalho redentor.

Lembremos velho rifão das esferas extrafísicas que diz “nenhum caminho para o bem é dispensável, mas nenhum de nós é insubstituível nos serviços de Deus”, remetendo-nos a concluir que, se toda tarefa é valorosa, certamente nenhuma depende de nós...

Em verdade, habitualmente, o excessivo valor que conferimos às realizações com as quais cooperamos é o mesmo que emprestamos à nossa personalidade sob as lentes da vaidade...

Em razão disso, anotemos duas metáforas oportunas.

O movimento espírita pode ser comparado a estimável universidade do Espírito; as instituições são as áreas específicas de aperfeiçoamento e cada tarefa pode ser entendida como uma classe que reúne um certo número de aprendizes.

Nesse concerto de educação e melhoria, todos temos o valor pessoal e intransferível no aproveitamento das lições na construção de nosso saber eterno.

Noutra imagem podemos conceber a Seara como um incomparável hospital da alma; cada grupamento assemelha-se a uma especialidade de recuperação e cada atividade a uma enfermaria de convalescença. 

Nesse ambiente de tratamento e prevenção, todos temos nossas doenças a cuidar com medicações individuais na busca de nossa alta.

Aprendizes e enfermos, eis o que “estamos”!

Portanto, ante os assaltos ilusórios do personalismo no que tange a comparações e julgamentos, fiquemos com o Codificador que acentua: vias diferentes, objetivos comuns, para a propagação da verdade, conforme a nossa referência supra destacada.

Amigo do coração,

Estejas convicto de que, apesar de tuas reservas com os deveres alheios no bem, Deus conta com eles.

Envolve-te na psicosfera do Amor, se desejares entender os planos do Pai para com aqueles aos quais ainda não consegues devotar apreço, entendimento e admiração incondicionais.

É natural que enxergues elitismo nos que estudam com afinco, já que por agora não despertastes ainda tanto quanto deveria para a importância do conhecimento na felicidade dos homens.

Compreensível que não entendas os eloquentes do verbo libertador, já que ainda não te sensibilizastes o bastante para o benefício de impor disciplina a teu próprio linguajar diário.

Honesta de tua parte a preocupação com o excesso institucional, sabendo que teu incômodo é sinal do aprendizado que tens urgência em aquilatar para que não cometas a mesma distração.

Aceitável que destaques personalismo naqueles que cumprem a rotina das honrarias e cargos, uma vez que não dominastes por enquanto tuas manifestações de vaidade em pequenos lances da existência.

Sincero de tua parte supores que o farnel distribuído é fonte de preguiça, considerando que ainda não amealhastes suficiente experiência da doação de si mesmo junto aos deveres materiais no lar e na profissão.

Justo tua inconformação com a coleta de recursos para eventos de confraternização e estudo, uma vez que ainda não arregimentaste melhores concepções sobre a urgência da união entre grupos de interesse comum.

Razoável cobres da conduta do próximo aquilo que ainda não conseguiste implementar na tua própria vivência, e que julgues os denodos de Amor dos outros conforme seus limites de atuação.

Contudo, se queres amealhar paz e sabedoria para tua vida, sobrepõe-te a todas essas questiúnculas da existência, que são sombras do egoísmo, e envolve-te no afeto cristão, sendo cortês, generoso e terno com tudo e com todos, educando-te no amor indistinto e incondicional perante as diferenças e os diferentes que te circundam a experiência carnal.

Vai, experimenta e verás!

Verás o que acontece quando optares pelo Divino sentimento ao encontro de teus irmãos, sob a luz do amor.


Ermance Dufaux