quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 43 - Teu tijolo de amor



Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 43


Teu tijolo de amor


"Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros, e assim como vos amei, amai-vos também mutuamente." (João, 13:34)

És uma parcela do Infinito Amor, no rumo da Perfeição Infinita; e o primeiro sinal de que reconheces a excelsitude do teu destino é o esquecimento de ti mesmo, a benefício dos outros.

Por mais áspero seja o caminho, segue, pois, amando e servindo.

Não enumeres sacrifícios, nem contes dificuldades.

A glória da vida é doação permanente.

A estrela te envia luz, varando os empeços da sombra, e a raiz da planta que te estende a bênção do fruto é constrangida a morar no limo do solo, a fim de sobreviver.

Não faltes ao amor que nunca te falta.

O objetivo fundamental de nossa presença, em qualquer estância do Universo, é o serviço que possamos prestar.

Paixões e ilusões que nos conturbem as horas, e mágoas ou provas que nos calcinem os sentimentos, afiguram-se convulsões necessárias no mundo de nossa alma em transformação e burilamento. 

Pairando muito além de semelhantes calamidades, permanece imperecível o bem que distribuíste, como sendo a tua riqueza eterna.

Raciocina e enternece-te. Pensa e auxilia.

Registarás o verbo equívoco dos que se transviam temporariamente, asseverando que o mundo pertence aos que se façam bastante fortes na astúcia ou na opressão, que a bondade é um conceito perdido no trabalho da moderna civilização, mas seguirás adiante, compreendendo que ninguém confunde a justiça, ainda que se creia sob o manto ilusório da impunidade, e que o progresso material, sem amor que lhe garanta o equilíbrio, mais não é que uma exibição de poder, endereçada ao campo de cinza.

Vive em tua época. Esforça-te e realiza, alegra-te e sofre com os teus contemporâneos; todavia, de quando em quando, recolhe-te ao abrigo da consciência e escuta as antigas verdades sempre novas que te anunciam o Reino de Deus!… 

Para reformulá-las, os Espíritos do Senhor se espalham presentemente no planeta, constituindo legiões… 

Eles nos ensinam, — a nós, os tarefeiros encarnados e desencarnados da seara enorme, — que o ódio será banido das nações, que o egoísmo desaparecerá da Terra, que a ciência instruirá a ignorância, que a compaixão converterá todos os cárceres em sanatórios e que a educação espiritual extinguirá todos os focos de delinquência!… 

Para isso, no entanto, eles te rogam o tijolo de trabalho e de amor que possas oferecer à sublime edificação.

Ama e serve sempre.

Tudo o que te aflige ou te espanta, nas conquistas da inteligência de hoje, representa ensaio da supercultura de que o mundo amanhã aproveitará o que seja melhor, e, acima de todas as legendas que gritam ainda agora por fraternidade e reivindicação, ouviremos como proclamação mais alta a palavra de Jesus, no apelo inesquecível: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.”


Emmanuel














Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 8 - O progresso em tudo



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 8


O progresso em tudo


O progresso é lei natural em todos os mundos, em toda a criação de Deus. O Espirito progride pela vontade ou sem ela, por ser uma lei eterna, que escapa à vontade dos homens e mesmo dos Espíritos, incluindo-se os mais elevados nas escalas dos mundos.

É de ordem divina que devemos descobrir, sentir e obedecer às leis de Deus, para que possamos viver em paz, na relatividade em que nos encontramos. O espirita, conhecendo mais que os profitentes de outras filosofias religiosas, deve esforçar-se para mudar seu comportamento, trabalhar nas mudanças de pensamentos e de palavras, para que a sua vida se ajuste na vida do Cristo.

O trabalho é árduo, mas se já alcançou algum progresso nesse sentido, foi porque começou. Que se faça o mesmo. Se se tem consciência do progresso, por que querer impedi-lo? Os mundos superiores esperam por nós, dependendo do nosso progresso, e da nossa conquista em matéria de intimidade. Acender a luz na intimidade é engenhoso; as dificuldades são inúmeras, no entanto, se faz por ser serviço nosso. 

Quem deseja que todos o admirem, ainda se encontra ligado às trevas da vaidade, do egoísmo e mesmo do orgulho. Devemos pensar que tudo de bom vem de Deus, e devemos fazer a Sua vontade, aliando com Ele a nossa disposição de melhorar, passando, no entanto, para Ele, o que existe de perfeito.

Comunguemos com o amor, amando; comunguemos com a fraternidade, sendo fraternos; comunguemos com a caridade, sendo caridosos; comunguemos com o perdão, perdoando; e nessa irradiação de alegria, devemos entregar ao Senhor os efeitos e mesmo as causas, de todos esses valores morais, porque tudo vem de Deus.

A nossa restauração, o acordar do sono milenar, os princípios dos entendimentos das leis naturais da vida, dependem do Senhor, mas existe uma pequena parte que é nossa e que devemos fazer com amor.

Tudo o que fazemos para que seja visto pelos homens, ainda não é caridade e, sim, dever; a caridade é aquela que se faz em silêncio, dentro de nós, modificando nossos hábitos e limpando os vícios dos nossos caminhos. Hoje, quase que só se encontra o homem alegre quando possui o ouro com abundância, quando possui os bens terrenos, quando pode diminuir os seus companheiros, ficando na ilusão de que sua posição é a melhor. Não sabe, ou se faz de esquecido, que a verdadeira alegria é a do dever cumprido. Quando a alma começa a admirar a si mesma, está se envolvendo nas trevas, achando que é luz; quando ajuda exigindo obediência, estimulando os outros a que falem bem da sua vida que vai mal, não despertou ainda para a vida de amor e de verdadeira fraternidade.

Precisamos conhecer que no universo tudo morre para renascer, com fardos pesados e jugos incômodos, com a finalidade de aprender as lições de amor. Se somos cientes dessas verdades, por que não palmilhar esse roteiro? Tudo o que chamamos de mal, Deus está vendo e é consciente de todos os acontecimentos.

Não é preciso muita preocupação: basta observar a própria vida, abrir os olhos, enxergando os próprios defeitos e corrigindo-os, que os dos outros já são deles. Todo prepotente está sendo observado e cairá na escola da dor, a fim de meditar na sua própria vida. O espirita que prega todos os dias o amor, o desprendimento e a caridade, não pode cultivar o orgulho nem o egoísmo. 

Só existe um suprimento divino perfeito: é o clima de Deus, se servimos de bons instrumentos da Divindade. Médiuns existem em quantidade; no entanto, médiuns bons quase não os há, porque muitos se esquecem do trabalho por dentro, e buscam gostar apenas daqueles que os aplaudem nos seus ensaios de mediunidade.

Trabalhemos com discrição em toda parte, tiremos as capas da falsa humildade, da falsa superioridade, do falso saber, da falsa, caridade, para nos entregarmos aos princípios do verdadeiro amor, aquele que nos faz sentir Jesus a falar por nós no silêncio da própria vida.

Todas as nações estão destinadas ao crescimento espiritual, e passam por duras provas e expiações dolorosas, mas são todos nossos irmãos em Jesus e filhos de Deus. Ajudemo-los no que estiver ao nosso alcance, que as bênçãos de Deus são qual o sol: atingem a todos, com a amorosa assistência de Jesus, Guia de toda a Terra.

Aquele que tiver condições de orar, que o faça por todos; é nosso dever não deixar ninguém desamparado, e a alegria de Deus passa a ser a alegria dos nossos corações.


Miramez















quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro Intervalos - Chico Xavier - Cap. 8 - Fé, trabalho e merecimento



Emmanuel - Livro Intervalos - Chico Xavier - Cap. 8


Fé, trabalho e merecimento


A fé vitoriosa é aquela que procura no trabalho o merecimento indispensável à realização que pretende atingir.

Esperança ociosa é simples divagação.

Vejamos o ensinamento expressivo da Natureza, a fim de que não nos demoremos sob a neblina das fantasias e dos sonhos, retardando o próprio passo, indefinidamente, no vale escuro da indecisão.

A semente decerto guarda consigo o plano precioso da árvore veneranda que será um dia, mas, para isso, aceita a humilhação de si mesma na intimidade do solo, e, desde a própria germinação, não perde tempo em digressões descabidas, de vez que aproveita o sol e a chuva, o orvalho e o vento para crescer, florir e frutificar, sem repouso.

A fonte, sem dúvida, conserva em seu nascedouro o projeto sublime de arrojar-se à excelsitude do oceano, entretanto, para equacionar semelhante problema, não se imobiliza no viciado espelho do charco. Avança, humilde e resignada, beneficiando montes e planícies, plantas e animais, aderindo aos ribeiros e aos rios, em cujo seio abençoado e fecundo atinge a serenidade gloriosa do mar imenso.

Tudo, na vida universal, é harmonia que decorre do trabalho vivido, em sua mais elevada expressão.

Todos os seres irmanam-se, uns aos outros, no plano gigantesco da perfeição que nos escapa, por agora, em sua visão magnificente de conjunto, e, para escalarmos os domínios da felicidade e da luz, é imprescindível atender à função que nos compete, no mecanismo da existência.

Se procuras, assim, entesourar a fé, não acredites possas fazê-lo, namorando altares de pedra ou cultivando exclusivismo que será sempre adoração a nós mesmos nas linhas congeladas do menor esforço.

Busquemos o lugar de serviço que o mundo nos reserva.

Esqueçamos conveniências pessoais e apelos inferiores que nos compelem a viver entre os tóxicos letais do tempo perdido.

Lembremo-nos de que a vela acesa dentro da noite é infinitamente mais valiosa que o lustre de ouro e diamantes, lamentavelmente apagado.

Trabalhemos hoje para merecer amanhã.

E, nesse programa de crescimento espiritual para a eternidade, a fé viva será luz do Senhor brilhando no templo de nossa alma, valendo-se do divino combustível de nosso próprio coração.


Emmanuel












Meimei - Livro Deus Aguarda - Chico Xavier - Cap. 17 - Toque de luz



Meimei - Livro Deus Aguarda - Chico Xavier - Cap. 17


Toque de luz


Talvez não saibas que, em plena luz do dia, inúmeros irmãos nossos se movimentam de alma em sombra.

Observa.

Dialogarás com eles e perceberás que, psicologicamente, se mostram longe.

No entanto, às vezes, não são simplesmente monossilábicos, mas também duramente agressivos.

Renteando com eles, recorda que, em muitas ocasiões, na Terra, nos sentimos divididos entre o apreço que devemos aos outros e o sofrimento que carregamos em nós. 

A noite na alma decorre de causas diversas. Em alguns companheiros, procede do pessimismo com que rejeitam as provações que se lhe fazem precisas; em outros, nasce dos conflitos que sustentam consigo próprios.

Terás pessoas amigas que te ouvem, atendendo à cortesia, mas trazendo os sentimentos em tribulações inconfessáveis; e surpreenderás, ainda outras, que te respondem a essa ou aquela questão proposta, sem a mínima percepção dos temas aos quais te vinculas, em vista de se acharem completamente votadas ao desespero.

Às vezes, semelhantes companheiros, quebrados de dor, a dentro deles próprios, permanecem junto de ti.

Localizar-se-ão, provavelmente, entre aqueles que mais amas.

Quando te vejas à frente de criaturas assim desoladas, a se esforçarem para que não lhes anotes os processos de angústia, não lhes revolvas o fel com perguntas e apontamentos desnecessários.

Ouve-lhes as confidências sofridas e silencia quando não lhes possas doar alguma frase de esperança e consolo.

E seja qual for o quadro de provações em que se debatam, oferece-lhes um gesto de amizade e compreensão, acrescido pela bênção de um sorriso, porque para dissipar as sombras de um coração atormentado, muitas vezes, basta isso, porque um sorriso de simpatia é sempre um toque de luz.


Meimei












Emmanuel - Livro No Portal da Luz - Chico Xavier - Cap. 18 - Corpo físico



Emmanuel - Livro No Portal da Luz - Chico Xavier - Cap. 18


Corpo físico


Alguns daqueles que abordam a luz renovadora dos princípios espíritas, deslumbram-se diante das perspectivas do Universo, enternecem-se com as revelações da imortalidade, capacitam-se da grandeza da vida e, quase sem perceber, se alheiam do corpo físico que lhes serve de bendito instrumento ao desempenho de valiosos encargos na estância terrestre. 

Há mesmo quem chegue a desprezá-lo, no pressuposto de que semelhante comportamento lhes abrevia o trabalho de burilamento moral.

Simples ilusão dos que se ausentam da lógica que orienta os processos da natureza.

Antes que o pão abrilhante a mesa, o trigo que lhe deu forma passou pelo claustro materno da terra benfazeja, a fim de constituir-se.

No mesmo sentido, que adiantaria ao aluno de letras primárias frequentar a universidade, claramente sem bases para assimilar as lições dos cursos superiores?

A cela física, na escola do planeta, é a carreira de estudo ou o cubículo de retificação que nos patrocina o progresso. Abençoá-la, conservá-la, auxiliá-la e preservá-la, através de hábitos baseados em equilíbrio e retidão, nos quais os recursos da existência sejam usados sem excessos, é simples dever.

Geralmente, muitos de nós somente nos aperceber-nos da preciosidade de uma bênção depois que essa mesma bênção nos escapa das mãos.

É assim que, muito comumente, apenas quando caímos na enfermidade irreversível ou após ultrapassar as fronteiras da desencarnação é que atribuímos ao corpo físico a importância de que ele se reveste.

Não esperes o sofrimento para bendizer a felicidade perdida. Trabalha, realiza, procura o bem e aperfeiçoa-te agora. É pelo corpo físico que entesouramos experiências de subido valor para a eternidade.

Ampara teu corpo para que teu corpo te ampare. Se robusto, não lhe dissipes em vão as energias e agradece-lhe o equilíbrio de que desfrutas. Se doente ou mutilado, defeituoso ou inibido, agradece-lhe o ensejo de reajuste.

Teu corpo é o livro em que aprendes na escola da vida. Não lhe fujas ao apoio do trabalho, nem à luz da lição.


Emmanuel














terça-feira, 29 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro Vereda de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 17 - Fé



Emmanuel - Livro Vereda de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 17


Fé


"Porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração." (Mateus, 6:21).


A fé vive na base das nossas mínimas operações de cada dia e, por isso mesmo, amplia os horizontes de nossa alma, na medida de nosso esforço dentro da sublimação íntima.

O homem confia nas vias gástricas e alimenta-se com êxito. Apoia-se nos pés e caminha desassombrado. Espera o concurso das mãos e trabalha com habilidade. Conhece o valor do pensamento e influencia milhões de pessoas com a palavra falada ou escrita. Atende às leis naturais, que lhe orientam a experiência no corpo, e consegue estabilidade física por muitos anos.

Tudo na existência é serviço da fé viva em poderes que não vemos e em cousas que podemos analisar.

É por essa razão que, além da Terra, cada criatura encontra aquilo que cultivou.

O avarento, exclusivamente entregue ao dinheiro, receberá em miragens de ouro, a sua desventura infernal.

O viciado, que se consagrou a sensações mentirosas da carne, achará no desejo insatisfeito a tortura de cada instante.

O criminoso, que se rendeu à violência, viverá entre os quadros escuros em que fixou os pensamentos delituosos.

O espírito inerte, que se devotou à ociosidade, reconhecer-se-á na paisagem fria e desolada dos que se relegaram à retaguarda de preguiça ou desânimo.

Não te canses de procurar a bondade e a beleza, a virtude e a sabedoria, a luz e o amor, cultivando-os sem descansar, porque o homem, que procura os cimos da montanha, domina a paisagem, compreendendo o infinito em que nos movemos na direção do Senhor, criando visão nova para novos surtos de espiritualidade santificante, de vez que, no bem ou no mal, na Terra ou fora dela, viveremos onde, pela fé, estivermos situando o próprio coração. 


Emmanuel














Emmanuel - Livro Mãos Unidas - Chico Xavier - Cap. 31 - Paciência e trabalho



Emmanuel - Livro Mãos Unidas - Chico Xavier - Cap. 31


Paciência e trabalho


Auxílio se baseia na comunicação e toda comunicação a fim de expressar-se roga caminho. Isso transparece dos processos mais simples da vivência comum.

O medicamento, via de regra, pede veículo para alcançar os mais entranhados redutos da vida orgânica.

Fontes garantem cidades reclamando redes de canalização.

A força elétrica para ser alavanca de atividade e progresso exige fios transmissores.

E até mesmo o próprio pensamento materializado, no Plano Físico, para atingir a mente alheia necessita acomodar-se em estruturas verbais.

O amparo do Mundo Superior não foge ao sistema.

Paciência com trabalho é o clima indispensável à intervenção da Providência Divina pelos meios imprevisíveis e múltiplos em que a Divina Providência se manifesta.

Observa semelhante lição por ti mesmo.

Ante problemas que aparecem se te perdes no desespero sem pausa ou se recolhes obstáculos cozinhando-os indefinidamente na queixa, nada mais consegues senão tumultuar a própria experiência, impedindo a presença da tranquilidade imprescindível ao apoio da Vida Maior.

Quando sofrimentos e provações te batam à porta, refugia-te na paciência e no trabalho e verificarás que agentes ocultos colaboram eficientemente contigo na supressão de quaisquer dificuldades e sombras.

Lembremo-nos disto: sem paciência com trabalho nenhuma obra de elevação se consolida, mas é importante salientar que o trabalho sem a paciência pode induzir a desequilíbrio, tanto quanto a paciência sem trabalho pode favorecer a ociosidade.

Em todas as circunstâncias, serve e espera sempre sem reclamar e adquirirás a certeza de que com a paciência conjugada ao trabalho oferecerás constantemente o melhor de ti mesmo em louvor do próximo para receber o melhor dos outros, sem nunca atrapalhar o concurso de Deus.


Emmanuel














Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 27 - Sê Amável



Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 27


Sê Amável


É nosso dever, em todas as horas das nossas conversações com os outros, demonstrar educação. O modo de falar denuncia o que somos para quem nos ouve. Sejamos amáveis no que devemos dizer, e quem nos escuta irá nos devolver a mesma harmonia que ofertamos através da cordialidade com que o tratamos.

O homem estouvado é sempre relegado ao esquecimento pelos companheiros e recebe o preço da sua ignorância pela solidão. Não queiras ser um destes sofredores que estimulam instintos inferiores no trato com os outros. Aprende a conversar amavelmente com quem te procura ou com aqueles que te amam. Se tu não fazes força para melhorar moralmente, nem te esforças para o aprimoramento da tua conduta, permaneces morto, e essa morte é das piores, um suicídio que praticas conscientemente.

Nós somos todos enfermos e poucos têm vontade de curar-se. Alegam a cruz pesada nos ombros, porém, permanecem parados, e aí ela pesa mais. O movimento é princípio de libertação. Andemos com os nossos fardos sem reclamar, que eles se tornarão leves. Mesmo que as dores nos imobilizem em cima de um catre, mostremos fortaleza espiritual e deixemos, nas nossas conversações, transparecer o amor e a gratidão por todos os que estão nos ajudando a melhorar.

A dor, os problemas, enfim, todos os tipos de infortúnios, vêm nos provar o que aprendemos. Estamos constantemente com a cabeça cheia de teorias de todas as formas.

Estamos com os ouvidos carregados de conceitos e com a consciência amontoando um celeiro de advertências. Entretanto, esquecemo-nos da melhor parte: a vivência. E quando ela demora a aparecer, surge na pauta da nossa vida a dor, com inúmeras modalidades, para que despertemos o jovem dentro do ancião. Se alguém te serve um copo de água que seja, agradece amavelmente, porque, naquele ato de servir e ser servido há trocas de energias sutis que passam despercebidas pela razão, mas que a intuição aprimorada registra.

Demonstrar educação para com os nossos amigos não é muita vantagem; é dever, pelas reverências deles para conosco. A grandeza da disciplina é testada diante daqueles que nos ofendem e nos desagradam. Amplia o teu poder de tolerar, mas sem chegares à conivência. O bom senso te indicará os limites a que podes chegar sem desestimular o desequilíbrio.

Desfruta da alegria, pois esse dom não precisa ser comprado; ele pode despertar em teu coração. Faze da tua mente uma força a desvendar mistérios, mas aqueles mistérios que ajudam a viver melhor. Não te esqueças da gentileza em todos os aspectos que refletem o Amor, porque cada conquista, em se tratando de virtudes, é uma operação moral que estás fazendo no teu mundo interno e cada passo que deres neste sentido será um reflexo de luzes que se acendem no teu universo interior, buscando e harmonizando com a criação e vivendo a mesma paz que vive o Senhor de todos nós.

Se, por vezes, a educação te faltar na comunicação com os teus semelhantes, é preferível que cales a boca, sem deixar de trabalhar por dentro para desfazeres os impulsos de inferioridade. Não deves esquecer a oração, nestes momentos. Ela ajuda a serenar todas as tempestades que possam nos arruinar.


Lancellin

















Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 5 - Mudança e proveito



Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 5


Mudança e proveito


“… Assim também andemos nós em novidade de vida.” — PAULO (Romanos, 6:4)

Criaturas existem que se confessam dedicadas ao espírito de mudança que a vida exige de cada um, e tão somente por se referirem a isso alteram obrigações assumidas, logo ao se sentirem incomodadas por singelos motivos de feição pessoal.

Mal começam ação determinada, ou em meio da empresa edificante a que se consagraram, se experimentam o impacto de pequeninos contratempos, asseveram que é preciso mudar para progredir, relegando a outrem problemas e encargos que lhes competem.

Semelhante atitude, porém, resulta simplesmente de insatisfação e imaturidade.

Renovação não é alterar o caminho, porque estejamos sob as consequências de ajustes e decisões abraçados por nós mesmos, com vistas à nossa melhoria espiritual; muito mais que isso, é aceitar varonilmente as ocorrências adversas, os golpes da estrada, os desafios da prova e as crises da existência, incluindo as mudanças a que penúria, abandono, enfermidade ou desencarnação nos constranjam, procurando servir mais e melhor no plano de evolução e trabalho em que a Providência Divina nos colocou.

Transformação permanente por dentro, metamorfose da alma que encerra consigo bastante poder para transfigurar dificuldade em lição e sombra em luz.

Paulo de Tarso, que tanta vez nos impele à renovação, converteu cada dia em trilha mais alta de acesso à confiança no Senhor e ao serviço em favor do próximo, sem renunciar aos sacrifícios pessoais que a obra esposada lhe impunha.

Reformemos sentimento, ideia, observação, expressão e discernimento, descerrando portas e janelas sempre novas em nosso mundo íntimo, para que a vida nos acrescente os recursos de conhecimento, receptividade, visão e interpretação — mas sejamos fiéis aos nossos compromissos até ao fim.


Emmanuel












(Reformador, janeiro 1965, página 2)

Emmanuel - Livro Diálogo dos Vivos - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 21 - Renovação do mundo



Emmanuel - Livro Diálogo dos Vivos - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 21


Renovação do mundo


 DUPLA RENOVAÇÃO


“Época de transição”: esta é a legenda que repetis frequentemente para definir a atualidade terrestre, em que surpreendeis, a cada passo, larga fieira de ocorrências inusitadas.

Conflitos. Desencarnações em massa.

Acidentes enlutando almas e lares.

Desvinculações violentas.

Dramas no instituto doméstico.

Processos obsessivos, culminando com perturbações e lágrimas.

Moléstias de etiologia obscura. Incompreensões.

Forçoso observar, no entanto, que o Plano Físico e o Plano Espiritual que se lhe segue reagem constantemente um sobre o outro. 

Criaturas desencarnadas atuam no ambiente dos companheiros encarnados e vice-versa.  

E se vos reportais ao término do segundo milênio de civilização cristã em que vos achais, com a expectativa e o entusiasmo de quem se vê à frente de uma era nova, as mesmas circunstâncias se verificam na Espiritualidade, entre aqueles que aspiram a obter o retorno à Terra, expressando propósitos de autoburilamento em nível mais alto de evolução.

É por isto que legiões enormes de irmãos, domiciliados no Mais Além, vêm solicitando, desde algum tempo, reencarnações difíceis;

testemunhos acerbos de aperfeiçoamento íntimo;

tempo curto no veículo físico, de modo a complementarem tarefas inacabadas em diversos setores da experiência humana;

presença ligeira, junto de seres queridos, a fim de chamá-los à consideração da Vida Superior; 

ou empreitadas de serviço moral para a liquidação de empreendimentos redentores, largados por eles nos caminhos do tempo.

Para isso, tentam aproveitar-se da última vigésima parte do segundo milênio, a que nos referimos, para encerrarem o balanço das experiências menos felizes que lhes dizem respeito nos séculos últimos.

Perante a Vida Maior, quase tudo aquilo que vedes, presentemente, em matéria de agitação ou desequilíbrio, nada mais significa que a movimentação mais intensa de vastas coletividades que retornam à Esfera Física, em regime de urgência, no intuito de conseguirem retoques e meios com que possam abordar os tempos novos em condições mais dignas de trabalho e progresso.

Mantenhamo-nos prudentes, abstenhamo-nos de agravar dificuldades, evitemos a formação de problemas, orando e construindo, seja nos obstáculos que nos atinjam, seja nas inquietações que assaltem aos outros.  

Mas sejam quais forem as circunstâncias, estejamos atentos à fé para servir e compreender, reconhecendo que todas as provas de hoje são recursos e instrumentos de que se vale a Providência Divina a fim de conduzir-nos à Vida Melhor de amanhã.


Emmanuel











Nosso grupo de amigos, antes da reunião, discutia sobre os problemas da nossa época. Todos partilhávamos da conversação, tratando da renovação do nosso mundo. Salientávamos as dificuldades espirituais em curso.

O horário chamou-nos às tarefas programadas. E depois da prece inicial, O Evangelho Segundo o Espiritismo nos ofertou para estudo o item 19 do capítulo III. Os comentários dos companheiros a respeito foram os mais valiosos. E ao terminar a nossa reunião, foi Emmanuel quem trouxe a página mediúnica de complementação dos estudos. (Francisco Cândido Xavier)

19. O progresso é lei da Natureza; a essa lei todos os seres da Criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que aos homens parece o termo final de todas as coisas, é apenas um meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre o aniquilamento.

Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados a constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada em a Natureza permanece estacionário. Quão grandiosa é essa ideia e digna da majestade do Criador! quanto, ao contrário, é mesquinha e indigna do seu poder a que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia, que é a Terra, e restringe a Humanidade aos poucos homens que a habitam!

Segundo aquela lei, este mundo esteve material e moralmente num estado inferior ao em que hoje se acha e se alçará sob esse duplo aspecto a um grau mais elevado. Ele há chegado a um dos seus períodos de transformação, em que, de orbe expiatório, mudar-se-á em planeta de regeneração, onde os homens serão ditosos, porque nele imperará a lei de Deus. — (SANTO AGOSTINHO. Paris, 1862.)


NOTA — O item citado trata da evolução dos mundos e refere-se especialmente à Terra, concluindo pela afirmação de que o nosso planeta se encontra “num dos seus períodos de transição, em que passa de mundo expiatório a mundo de regeneração”. As crises que o abalam são apenas sintomas desse lento processo de sua transformação.











segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XV - João Nunes Maia - Cap. 2 - A natureza em ação



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XV - João Nunes Maia - Cap. 2


A natureza em ação


716. Mediante a organização que nos deu, não traçou a Natureza o limite das nossas necessidades?

“Sem dúvida, mas o homem é insaciável. Por meio da organização que lhe deu, a Natureza lhe traçou o limite das necessidades; porém, os vícios lhe alteraram a constituição e lhe criaram necessidades que não são reais.” (O Livro dos Espíritos)


Diante da organização que Deus deu à humanidade pelos canais da natureza, Ele traçou os limites do que essa organização divina e humana precisaria para viver. O ser humano, incentivando os hábitos que se tornaram vícios, se perdeu nos labirintos dos erros, procurando satisfação de certos apetites grosseiros, tentando torcer as leis em que a natureza se expressa para manter a educação de todo ser vivente.

Mas, mesmo com a natureza humana continuando no desrespeito às leis, a natureza continua a mostrá-las pela sua própria vida e a corrigir todos aqueles que a desrespeitam. O aparelho digestivo, por exemplo, tem certa capacidade na absorção de alimentos, no entanto, o homem procura certos ingredientes para ativar mais a fome, acabando em estimulá-lo para o desequilíbrio, comendo o dobro ou mais do que precisaria para viver. Ele passa, então, a viver para comer, e não a comer para viver. E surge a tão conhecida gula. É o abuso da delicadeza orgânica, pela qual o homem depois pagará caro pelo supérfluo que se movimenta dentro de si, em formação da desarmonia do complexo físico. A medicina do futuro será mais preventiva, ensinando ao homem, desde criança, a cuidar-se de si mesma, por não precisar mais de sofrer pela força da gula. As doenças são as respostas para a ignorância, quando se usam mal os bens da vida.

A natureza traçou os limites e o homem não quis entender; queria aproveitar a vida, no dizer dos que ignoram, passando esse desregramento de geração a geração, mal que se espalhou no mundo inteiro. Mas a natureza, por misericórdia, vem em seu auxílio, inspirando na feitura dos medicamentos, de modo que a educação possa surgir juntamente com a cura. É indispensável, porém, que a criatura passe a amar a natureza, e não estrague as possibilidades dos outros seres vivos, que eles lhe entregarão a força curativa de um modo natural e simples, em várias dimensões da vida. Isso é muito interessante; é o que devemos fazer logo: amar as águas, as plantas, os animais, o ar, o sol e a própria vida, mas, em primeiro lugar, ao Criador de todas as coisas, para então sentirmos o próximo como sendo a nós mesmos. Esse procedimento é a natureza em ação permanentemente.

"É necessário que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar." (João,9:4)

A noite vem, disse Jesus, a noite dos tempos em cobrança pelos carmas coletivos, e ninguém pode mais trabalhar a não ser saldar dívidas.

O Espiritismo anuncia em todas as suas mensagens a hora soando, os clarins da eternidade tocando e convidando aos homens e Espíritos a lançarem mãos ao arado sem olhar para trás, fazendo as obras de Deus, que Ele nos entregou para realizar.

Homens, despertai! Jesus é o ponto culminante da fé, da educação e da sabedoria. Não percais Sua luz, nem fecheis os olhos ao Seu convite de amor. O amor é a força soberana que salva todas as criaturas da ignorância, conduzindo a todos nós para o bom uso de todos os bens da vida, enriquecendo os corações, para que possamos sentir a esperança, sentirmos que existe a felicidade.


Miramez













Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 14 - Fazer e não fazer



Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 14


Fazer e não fazer


“Portanto, para quem sabe fazer o bem e não o faz, para este é pecado.” (Tiago - 4:17)


Você informa que muitas vezes se demora atônito sem saber o rumo que tomar, quando convidado a definições.

Programe, porém, sua paz através do tempo, — não a improvise.

Seja imparcial, — não indiferente.

Exponha suas convicções, — não as imponha.

Conserve a atitude humilde, — não receosa.

Refira-se à verdade, — não a transformando em instrumento de dor para o próximo.

Procure ajudar, — não apenas agradar.

Não condicione a sua afeição, — oferte-a.

Não reaja pela ira, — atue pelo amor.

Não invista num só golpe toda a sua confiança, — aplique-a a pouco e pouco.

Não reduza sua capacidade de amar ante o desalento, — ame duplicadamente a quem o não entender.

Para qualquer situação, há pequeninas regras que ajudam bem viver.

Desde que você se imponha à tônica de instruir, amar, servir e passar adiante, sem a preocupação de colimar todos os objetivos, dando a cada um o direito de ser como é, porém, em relação à própria conduta, conforme ensinou Allan Kardec, busque ser hoje melhor do que ontem e amanhã tente ser melhor do que hoje.


Marco Prisco












André Luiz - Livro Cartas do Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier - 2ª Parte, Cap. 15 - Espiritismo



André Luiz - Livro Cartas do Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier - 2ª Parte, Cap. 15


Espiritismo


Espiritismo não é apenas o consolador da Terra.

É o renovador do “eu”.

Não constitui somente a iluminação das massas.

É lâmpada acesa para o coração do homem.

Não é simplesmente Boa Nova no espírito popular.

É Nova Mensagem de redenção para o indivíduo.

Não é apenas a fonte miraculosa da graça.

É campo de esforço próprio.

Não é somente a técnica de salvação para todos.

É o processo de solução exata aos problemas de cada um.

Não se resume a palácio de princípios sublimes no corpo ciclópico do século.

É casa de trabalho regenerador para cada dia.

Não representa simplesmente a usina poderosa impulsionando a ascensão coletiva.

É motor destinado à elevação pessoal.

Não está circunscrito ao santuário da esperança reconfortante.

É esfera de serviço ativo da nossa redenção individual no supremo bem.

Espiritismo, pois, que não santifique o Homem, pode ser uma atividade respeitável, mas não edificará no mundo o reino de Deus.


André Luiz












domingo, 27 de setembro de 2026

Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 48 - O amor



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 48


O amor


O amor é a fonte de todas as virtudes, é a mãe de luz, tendo Deus como Pai. É a força divina por excelência, que nos dá alegria, sendo o alimento dos Espíritos.

O amor começa nas afinidades e faz uma viagem pelo progresso, crescendo cada vez mais na iluminação que a vida pode lhe oferecer. A sua estrutura de energia é grandiosa, chegando ao ponto de o evangelista João dizer que Deus é amor, conceito divino que ficou conhecido no mundo inteiro, que todos respeitam.

Muitos procuram exercitar essa virtude, fazendo dele, como fenômeno, o fator de mudança de comportamento das criaturas. Se você começa a pensar no amor, perde o poder de ferir; se o amor é o seu assunto de cada dia, não tem lugar na sua mente para o ódio; se o amor lhe interessa nas conversações, tem mais facilidade de liberar o perdão; buscando amizade com todas as criaturas, quando o amor é motivo de vida para a sua vida, a caridade desempenhará a vontade de Deus no seu coração.

O afeto, quando inicia sua vida na vida do homem, fica mais conhecido como alma boa, que entende e procura entender a Jesus. Na Terra, a única religião que podemos compreender como verdadeira é o amor; ele brilha em todas as nações, e nos empresta meios de elevação para a conquista dessa virtude singular.

Ele se aninha no coração das pessoas e se expressa como simpatia que agrada a todos, irradiando-se para todos os lados, mostrando no silêncio que existe a felicidade. O amor domina todas as dimensões da vida, chegando até Deus. Jesus se fez o Mestre dos mestres pelo amor, que Deus Lhe ensinou.

Os Espíritos somente se libertam quando conseguem conquistar o amor, pois no exercício dessa virtude a iluminação atinge a cidade íntima, fazendo com que a consciência se tranquilize, atingindo igualmente o coração, de maneira a desprender energias para os que nos procuram; e a doação é sem limites, ainda mais, sem exigências.

O amor é paz, porque dá nascimento à harmonia; a harmonia fertiliza o campo onde prospera a alegria, e essa ajuda na disseminação do perdão, que não se esquece da amizade.

A Doutrina Espírita, se é Jesus voltando para a humanidade, pode-se dizer que é a afeição visitando as nações, para o engrandecimento da harmonia em todos os cantos da Terra. E ainda, por impulso de Cristo, educa e instrui a todos, fazendo-o por amor.

Se você deseja crescer espiritualmente, dedique-se aos trabalhos que a Doutrina Espírita lhe indica, que todos eles o levarão ao amor.

Se você dá início ao amor, na dimensão que entende essa virtude, o Senhor o abençoe, para que ele cresça cada vez mais, chegando a sentir na intimidade a existência de Deus, reconhecendo que está sendo dirigido na sua vida por Jesus.


Miramez






O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XI — Amar o próximo como a si mesmo - Instruções dos Espíritos - A lei de amor

8. O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra – amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.

O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino. Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem.

Disse eu que em seus começos o homem só instintos possuía. Mais próximo, portanto, ainda se acha do ponto de partida, do que da meta, aquele em quem predominam os instintos. A fim de avançar para a meta, tem a criatura que vencer os instintos, em proveito dos sentimentos, isto é, que aperfeiçoar estes últimos, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões do sentimento; trazem consigo o progresso, como a glande encerra em si o carvalho, e os seres menos adiantados são os que, emergindo pouco a pouco de suas crisálidas, se conservam escravizados aos instintos. O Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens terrenos: a elevação gloriosa. É então que, compreendendo a lei de amor que liga todos os seres, buscareis nela os gozos suavíssimos da alma, prelúdios das alegrias celestes. – Lázaro. (Paris, 1862.)









Joanna de Ângelis - Livro Amor, Imbatível Amor - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5 - Medo de amar



Joanna de Ângelis - Livro Amor, Imbatível Amor - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5


Medo de amar


A insegurança emocional responde pelo medo de amar.

Como o amor constitui um grande desafio para o Self, o indivíduo enfermiço, de conduta transtornada, inquieto, ambicioso, vítima do egotismo, evita amar, a fim de não se desequipar dos instrumentos nos quais oculta a debilidade afetiva, agredindo ou escamoteando-se em disfarces variados.

O amor é mecanismo de libertação do ser, mediante o qual, todos os revestimentos da aparência cedem lugar ao Si profundo, despido dos atavios físicos e mentais, sob os quais o ego se esconde.

O medo de amar é muito maior do que parece no organismo social. As criaturas, vitimadas pelas ambições imediatistas, negociam o prazer que denominam como amor ou impõem-se ser amadas, como se tal conquista fosse resultado de determinados condicionamentos ou exigências, que sempre resultam em fracasso.

Toda vez que alguém exige ser amado, demonstra desconhecimento das possibilidades que lhe dormem em latência e afirma os conflitos de que se vê objeto. O amor, para tal indivíduo, não passa de um recurso para uso, para satisfações imediatas, iniciando pela projeção da imagem que se destaca, não percebendo que, aqueloutros que o louvam e o bajulam, demonstrando-lhe afetividade são, também, inconscientes, que se utilizam da ocasião para darem vazão às necessidades de afirmação da personalidade, ao que denominam de um lugar ao Sol, no qual pretendem brilhar com a claridade alheia.

Vemo-los no desfile dos oportunistas e gozadores, dos bulhentos e aproveitadores que sempre cercam as pessoas denominadas de sucesso, ao lado das quais se encontram vazios de sentimento, não preenchendo os espaços daqueles a quem pretendem agradar, igualmente sedentos de amor real.

O amor está presente no relacionamento existente entre pais e filhos, amigos e irmãos. Mas também se expressa no sentimento do prazer, imediato ou que venha a acontecer mais tarde, em forma de bem-estar. Não se pode dissociar o amor desse mecanismo do prazer mais elevado, mediato, aquele que não atormenta nem exige, mas surge como resposta emergente do próprio ato de amar. Quando o amor se instala no ser humano, de imediato uma sensação de prazer se lhe apresenta natural, enriquecendo-o de vitalidade e de alegria com as quais adquire resistência para a luta e para os grandes desafios, aureolado de ternura e de paz.

O amor resulta da emoção, que pode ser definida como uma reação intensa e breve do organismo a um lance inesperado, a qual se acompanha dum estado afetivo de concentração penosa ou agradável, do ponto de vista psicológico.

Também pode ser definida como o movimento emergente de um estado de excitamento de prazer ou dor.

Como consequência, o amor sempre se direciona àqueles que são simpáticos entre si e com os quais se pode manter um relacionamento agradável.

Este conceito, porém, se restringe à exigência do amor que se expressa pela emoção física, transformando-se em prazer sensual.

Sob outro aspecto, há o amor profundo, não necessariamente correspondido, mas feito de respeito e de carinho pelo indivíduo, por uma obra de arte, por algo da Natureza, pelo ideal, pela conquista de alguma coisa superior ou transcendente, para cujo logro se empenham todas as forças disponíveis, em expectativa de um prazer remoto a alcançar.

As experiências positivas desenvolvem os sentimentos de afetividade e de carinho, as desagradáveis propõem uma postura de reserva ou que se faz cautelosa, quando não se apresenta negativa.

No medo de amar, estão definidos os traumas de infância, cujos reflexos se apresentam em relação às demais pessoas como projeções dos tormentos sofridos naquele período. Também pode resultar de insatisfação pessoal, em conflito de comportamento por imaturidade psicológica, ou reminiscência de sofrimentos, ou nos seus usos indevidos em reencarnações transatas.

De alguma forma, no amor, há uma natural necessidade de aproximação física, de contato e de contiguidade com a pessoa querida.

Quando se é carente, essa necessidade torna-se tormentosa, deixando de expressar o amor real para tornar-se desejo de prazer imediato, consumidor. Se for estabelecida uma dependência emocional, logo o amor se transforma e torna-se um tipo de ansiedade que se confunde com o verdadeiro sentimento.

Eis porque, muitas vezes, quando alguém diz com aflição eu o amo, está tentando dizer eu necessito de você, que são sentimentos muito diferentes.

O amor condicional, dependente, imana uma pessoa à outra, ao invés de libertá-la.

Quando não existe essa liberdade, o significado do eu o amo, o transforma na exigência de você me deve amar, impondo uma resposta de sentimento inexistente no outro.

O medo de amar também tem origem no receio de não merecer ser amado, o que constitui um complexo de inferioridade.

Todas as pessoas são carentes de amor e dele credoras, mesmo quando não possuam recursos hábeis para consegui-lo.

Mas sempre haverá alguém que esteja disposto a expandir o seu sentimento de amor, sintonizando com outros, também portadores de necessidades afetivas.

O medo, pois, de amar, pelo receio de manter um compromisso sério, deve ser substituído pela busca da afetividade, que se inicia na amizade e termina no amor pleno. Tal sentimento é agradável pela oportunidade de expandir-se, ampliando os horizontes de quem deseja amigos e torna-se companheiro, desenvolvendo a emoção do prazer pelo relacionamento desinteressado, que se vai alterando até se transformar em amor legítimo.

Indispensável, portanto, superar o conflito do medo de amar, iniciando-se no esforço de afeiçoar-se a outrem, não gerando dependência, nem impondo condições.

Somente assim a vida adquire sentido psicológico e o sentimento de amor domina o ser.


Joanna de Ângelis