quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Iluminação Interior - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5 - Equanimidade



Joanna de Ângelis - Livro Iluminação Interior - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5


Equanimidade


O processo da evolução moral-espiritual é assinalado por constantes desafios que se apresentam nos diferentes níveis de conquistas a serem realizadas.

Alcançado um patamar, logo outro surge desafiador, aguardando o esforço do viandante, que os deve alcançar a todos com segurança e alegria.

Entre outros, a equanimidade constitui um valioso tesouro a ser adquirido, num estágio mais nobre da existência.

Nível elevado que enriquece de bênçãos, não tem sido muito considerado pelos lutadores do campo íntimo, nos esforços pessoais de caráter iluminativo.

Poder amar indistintamente, ampliando os horizontes da emoção no rumo de todos os seres, abrangendo bons e maus, gentis e ingratos, representa uma aspiração que culmina em expressão plena de viver.

Invariavelmente, os sentimentos elegem seletiva as pessoas e os interesses convenientes, preferindo aqueles que se apresentam como agradáveis e compensadores em detrimento daqueloutros que geram desprazer, incômodo, mal-estar.

Por isso, as afeições são sempre realizadas em clima de correspondência emocional, produzindo alegria e apoio recíprocos.

A equanimidade propõe que se estabeleçam vínculos de bondade e de respeito com os mais diferentes biótipos existentes, de forma que o bem esteja acima das vicissitudes e das lastimáveis consequências das ocorrências infelizes ou funestas.

Conseguir o estado de equilíbrio nas lutas desiguais do cotidiano, deve ser uma forma de meta a ser alcançada, de maneira que a harmonia interior não se desorganize quando das tempestades externas ou durante as calmarias dos acontecimentos.

Nem medo das ocorrências agressivas, nem desprezo pelos seus sucessos, com superação da repulsa ao perturbador e contenção do entusiasmo diante do prazer.

Sempre é possível retirar-se a melhor parte de qualquer conjuntura, seja qual for a situação, desde que se possuam sabedoria e equanimidade para analisar e vivenciar os fenômenos existenciais.

A equanimidade oferece a medida exata de como proceder-se em relação ao próximo e de como reagir-se diante de fatos penosos, afligentes, mantendo-se sempre no mesmo estado de harmonia.

No íntimo do indivíduo ela parece repetir a sentença de Jesus: Fazer a outrem conforme gostaria que ele lhe fizesse.

Em face dessa valiosa diretriz, o comportamento torna-se equânime em relação a todos aqueles que constituem a família universal.

Mergulhados na mesma neblina carnal, o portentoso é tão frágil quanto o mendigo, e o belo é tão transitório quanto o deformado.

As preferências que decorrem da aparência além de enganosas tornam-se frustrantes.

Iluminada a compreensão da impermanência de todas as formas e coisas, o sentimento de compaixão cresce e transforma-se em amor que a todos enlaça em vibrações de ternura.

A equanimidade pode começar na mente, desenvolver-se no sentimento e ter vigência nos atos.

Poder abraçar as diferentes pessoas sem ansiedade nem culpa, convivendo com aquelas que são generosas, assim como com as outras que perderam a faculdade da, gentileza, é maneira eficaz para ampliar a aspiração de ser equânime.

Normalmente, diante de cenas agressivas a ira toma corpo no observador, que se deixa perturbar pelo acontecimento infeliz.

Nas conversações doentias, a maledicência e a acusação indébita desenvolvem-se como praga que ameaça jardim da fraternidade.

Nos relacionamentos, os interesses mesquinhos tomam o lugar dos ideais de solidariedade e de bem querer, assinalando os indivíduos com ressentimentos desencantos, que poderiam ser evitados.

As preferências afetuosas selecionamos mais bem dotados em detrimento daqueles que muito necessitam estímulos, de amizades puras, ficando na retaguarda, por consequência, mais infelicitando-se e desencantando-se com os grupos sociais.

Os jogos de valores pessoais, que se permitem vincular somente àqueles que têm o que oferecer, tornam mesquinhas as criaturas, que devem aprender a liberar-se, ao invés de mais aprisionar-se.

A equanimidade proporciona liberdade de sentimentos e de ações, oferecendo uma linguagem de bem-estar com a vida e com todos os fenômenos dela decorrentes.

Suavemente derruba as barreiras que dividem os indivíduos e os ideais, que separam os seres humanos, exercendo sobre eles um sórdido controle, a fim de os manter em situações menos favoráveis diante do ego dominador e enfermiço.

É necessário cantar a alegria de viver em comunhão com os demais membros da Humanidade, num concerto de vibrações que harmonizam e revigoram.

Ninguém poderá atingir o êxito pessoal e a tranquilidade espiritual evitando o convívio do próximo. O aparente logro não passa de engano grave que logo cede lugar ao conflito pessoal.

A vida existe em todas as expressões para a harmonia cósmica.

As diferenças aparentes fazem parte do processo de equidade.

Jesus é o protótipo mais perfeito de ser equânime que o mundo jamais conheceu.

Com a mesma ternura e misericórdia recebia as criancinhas e os anciãos, os sadios e os enfermos, os felizes e os desventurados.

Ao inverso. da cultura comum, preferia os desditosos, os esquecidos pelo mundo, a fim de os erguer e dignificar.

Jamais descuidou-se de atender o miserável, como nunca se furtou a socorrer o poderoso, porque diante dEle todos são iguais, em nada diferindo, quanto às posições terrenas, por considerar valioso o Espírito imortal e não a forma enganosa.

Sua equanimidade permaneceu como Sua marca de amor, de compaixão e de misericórdia, aguardando que todos aqueles que O amam, façam o mesmo.


Joanna de Ângelis


















Emmanuel - Livro Passos da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 25 - Se procuras a paz



Emmanuel - Livro Passos da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 25


Se procuras a paz


Olvida as desilusões e as mágoas que porventura te assaltem a mente, para que te fixes na certeza de que a vida encerra os germens da renovação incessante, em si própria, facultando-nos a conquista da verdadeira felicidade.

Olvida o lado menos feliz dos companheiros de trabalho e de ideal, a fim de que lhes enxergues tão somente as qualidades enobrecidas e as possibilidades de elevação.

Olvida as injúrias recebidas, entesourando as bênçãos que te rodeiam.

Olvida o azedume e a incompreensão dos adversários e esmera-te a conservar os amigos e irmãos que te apoiam as tarefas do dia a dia.

Olvida os assuntos que provoquem a mentalização dos erros e tragédias da Humanidade e rende culto permanente aos feitos edificantes e heroicos em que os homens hajam exaltado a sua natureza divina.

Olvida os fracassos que já te assediaram a existência e escora-te nas esperanças e realizações com que te diriges para o futuro.

Olvida as reminiscências amargas e mantém na memória os acontecimentos felizes que se te erigiram na estrada, alguma vez, por motivos de euforia e plenitude espiritual.

Olvida as dificuldades que te entravem a marcha e consagra-te ao serviço que já possas criar ou fazer na seara do amor ao próximo.

Se procuras a paz, olvida todo mal e dedica-te ao bem, porquanto somente o bem te descerrará caminho para as bênçãos da Luz.


Emmanuel












Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Marco Prisco - Livro Glossário Espírita-Cristão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 16 - Com efeito



Marco Prisco - Livro Glossário Espírita-Cristão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 16 -


Com efeito


"Todos vós, que dos homens sofreis injustiças, sede indulgentes para as faltas dos vossos irmãos, ponderando que também vós não vos achais isentos de culpas; é isso caridade, mas é igualmente humildade." (Alan Kardec. E.S.E. Cap. VII. Item 11.)

Exercite a humildade ao lado dos modestos servidores do lar doméstico.

Ser humilde com os superiores, de quem se depende, é muito fácil.

Suporte com resignação as dificuldades da tarefa nova.

Quem muda de clima sofre a modificação da temperatura.

Retorne ao trabalho com ânimo redobrado, no lugar em que o insucesso o magoou.

Nem sempre o triunfo pode ser sentido nas moedas de lucro fácil.

Submeta-se às vicissitudes naturais da luta, mas prossiga na direção do serviço honrado.

Não há repouso justo sem o cansaço haurido nas tarefas da aprendizagem.

Cultive o verbo "cooperar".

O progresso nasce quando todos se ajudam.

Levante-se do erro e siga renovando-se.

Muita correnteza cristalina nasce em lodo.

Seja indulgente com aqueles que ainda se demoram sob as fortes luzes da ilusão.

O perdão que você oferece aos outros funciona como lubrificante nas engrenagens de sua alma.

Desperte na criança o ardor evangélico, atestando sempre junto a ela a excelência da Mensagem Cristã.

As atitudes hostis que você mantém, supondo que "a criança não entende", anulam quaisquer palavras da pregação apaixonada.

Combata a onda-materialista que domina o mundo, deixando de apoiar as indústrias de perversão dos valores morais.

O prazer do cinema, teatro e televisão, muitas vezes se transforma em "labaredas para o coração".

Empenhe-se na implantação do Evangelho na Terra.

Faça-se, entretanto, uma "carta-viva do Cristo".


Marco Prisco

















Emmanuel - Livro Verdade e Amor - Chico Xavier - Cap. 7 - Amor e verdade



Emmanuel - Livro Verdade e Amor - Chico Xavier - Cap. 7


Amor e verdade


Não nos esqueçamos de que o Espiritismo é Jesus que retorna ao convívio dos homens, através do Evangelho da redenção, reajustando-nos para os sagrados objetivos da vida.

Para entender-lhe a excelsitude, não basta nossa devoção ardente à Verdade, mas, sobretudo, nossa incessante consagração ao Amor, a fim de que a luminosa cúpula de nossas realizações não venha a ruir por falta de base.

Em nosso campo de ação, por isso mesmo, é imprescindível cultivar o entendimento fraterno, para que o nosso ideal de humanidade fulgure em nossos braços, palavras e atitudes.

Nunca será demais olvidar a compaixão que nos cabe movimentar intensivamente em favor da eficiência e da segurança de nossas tarefas.

Saibamos compreender e auxiliar.

Aqui é uma ferida que nos pede bálsamo refrigerante, ali, é um problema aflitivo a requisitar-nos socorro, mais além é a dor em desespero, a exigir-nos benevolência e carinho.

Efetivamente, não podemos subestimar a Verdade, Verdade de que determina a cura e a solução para todos, entretanto, para aplicá-la, não prescindiremos da bondade que auxilia, infatigável, para que o irmão de luta aprenda a recuperar-se.

Os médicos não desferem golpes indiscriminados sobre as úlceras que lhes reclamam pericia operatória. Agem com cuidado, restringindo os ciclos do sofrimento com a medicação anestesiante.

Os professores não arremessam pancadas sobre o crânio dos aprendizes, em pleno viço da infância para que o alfabeto lhes alcance compulsoriamente a cabeça. Usam a paciência e a ternura, administrando, cada dia, a lição que lhe é própria, a fim de que o tempo e o esforço realizem a obra-prima da educação.

Que dizer do escultor que trabalhasse o mármore com a picareta, em lugar do buril, ou do pintor que usasse uma lâmina em brasa ao invés do pincel?

A Verdade é Luz.

Entretanto, o Amor é a própria Vida.

Nele temos a imagem da água pura que transforma o deserto em jardim.

Façamos, então, da própria alma uma fonte amiga de compreensão e fraternidade, recebendo nossos companheiros de jornada tais quais são e, filtrando para cada um deles a bênção da Verdade no vaso do Amor puro, estaremos trilhando o caminho do Cristo, o eterno Benfeitor, que, na exaltação da Verdade, aceitou o supremo sacrifício de si mesmo, na cruz da renunciação e da morte, por acendrado Amor à humanidade inteira.

Emmanuel










Reunião pública em Pedro Leopoldo (MG), 25 de janeiro de 1954.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Algo Mais - Chico Xavier - Cap. 1 - Futuro e nós



Emmanuel - Livro Algo Mais - Chico Xavier - Cap. 1


Futuro e nós


Cada noite, habitualmente, agradeces a Deus por mais um dia e, quase sempre, refletes no amanhã.

De quais ingredientes se nos formará o futuro?

Embora, em muitas ocasiões, os homens a procurem, no lado externo da existência, a resposta está sempre em nós mesmos.

À medida que se nos amplia a maturidade interior, reconhecemos que a evolução é um caminho em formação para o Alto, em nos reportando ao progresso do Espírito.

Diariamente edificamos. E edificamos, em nós e por fora de nós, a cooperação que nos cabe no engrandecimento da vida.

Em vista disso, se nos propomos a encontrar o amanhã melhor, cogitemos disso hoje.

Comecemos, avaliando a importância de compreender e servir.

Esqueçamos ressentimentos e sombras, lembrando-nos de que a prática do amor é trabalho para todos os dias.

Não reclamemos dos outros aquilo que possamos fazer por nós mesmos.

Entendamos que os nossos problemas não são maiores do que muitas das dificuldades que afligem os semelhantes.

Melhoremos a nós próprios, a fim de que as nossas experiências se elevem.

Vejamos em cada criatura um mundo à parte e, por isso, aceitamos os nossos companheiros de caminho, tais quais são, sem exigir-lhes demonstrações de santidade ou grandeza.

Busquemos o trabalho constante, no bem de todos, por ação capaz de impulsionar-nos para diante, livrando-nos de fixações pessoais em grades de sombra.

E atentos ao valor do tempo, avancemos, sem nos marginalizarmos nas perturbações das horas vazias.

O nosso futuro está sendo articulado neste instante por nós mesmos.

Façamos agora o melhor ao nosso alcance, porque o amanhã para nós será sempre o nosso hoje passado a limpo.


Emmanuel














Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 133 - O grande futuro



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 133


O grande futuro


“Mas agora o meu Reino não é daqui.” — JESUS. (João, 18:36)


Desde os primórdios do Cristianismo, observamos aprendizes que se retiram deliberadamente do mundo, alegando que o Reino do Senhor não pertence à Terra.

Ajoelham-se, por tempo indeterminado, nas casas de adoração, e acreditam efetuar na fuga a realização da santidade.

Muitos cruzam os braços à frente dos serviços de regeneração e, quando interrogados, expressam revolta pelos quadros chocantes que a experiência terrena lhes oferece, reportando-se ao Cristo, diante de Pilatos, quando o Mestre asseverou que o seu reino ainda não se instalara nos círculos da luta humana.

No entanto, é justo ponderar que o Cristo não deserdou o planeta. A palavra d’Ele não afiançou a negação absoluta da felicidade celeste para a Terra, mas apenas definiu a paisagem então existente, sem esquecer a esperança no porvir.

O Mestre esclareceu: — “Mas agora o meu reino não é daqui.”

Semelhante afirmativa revela-lhe a confiança. Jesus, portanto, não pode endossar a falsa atitude dos operários em desalento, tão só porque a sombra se fez mais densa em torno de problemas transitórios ou porque as feridas humanas se fazem, por vezes, mais dolorosas. Tais ocorrências, muita vez, obedecem a pura ilusão visual.

A atividade divina jamais cessa e justamente no quadro da luta benéfica é que o discípulo insculpirá a própria vitória.

Não nos cabe, pois, a deserção pela atitude contemplativa e, sim, avançar, confiantemente, para o grande futuro.


Emmanuel












Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 16 - João Nunes Maia - Cap. 15 - Progresso moral

 

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 16 - João Nunes Maia - Cap. 15


Progresso moral


"Eu vim para lançar fogo sobre a Terra e bem quisera que já estivesse a arder!" — (Lucas, 12:49)


780. O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual?

“Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente.” (192-365)

a) - Como pode o progresso intelectual engendrar o progresso moral?

“Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos.”

b) - Como é, nesse caso, que, muitas vezes, sucede serem os povos mais instruídos os mais pervertidos também?

“O progresso completo constitui o objetivo. Os povos, porém, como os indivíduos, só passo a passo o atingem. Enquanto não se lhes haja desenvolvido o senso moral, pode mesmo acontecer que se sirvam da inteligência para a prática do mal. O moral e a inteligência são duas forças que só com o tempo chegam a equilibrar-se.” (365-751 - O Livro dos Espíritos).


O progresso moral nem sempre acompanha o progresso intelectual. É no sentido de promover a elevação moral que a Doutrina dos Espíritos veio, com o objetivo de educar e instruir. Instruir é bem mais fácil do que educar; a educação trata de harmonizar os sentimentos que são, a princípio, animalizados e somente o tempo, os problemas, as dores, os variados infortúnios, têm o poder de mostrar para a alma a necessidade de se modificar, ganhando, com os infindáveis esforços, as qualidades morais que o Evangelho indica para nos salvar de todas as agressões do mal.

A instrução sempre vem primeiro, porque traz em si aberturas onde a vaidade e o orgulho se aninham e crescem. Ela nos dá uma satisfação, embora passageira, no entanto, sentimo-nos bem com isso. Daí decorre o nosso grande interesse para nos instruirmos, sobretudo para desfrutarmos dos bens transitórios da vida. Aquele que sabe mais, se encontra sempre na direção.

É muito bom saber, todavia, quando esse saber é disciplinado pelo amor, é bem melhor e capaz de nos elevar para a libertação espiritual. O homem que somente se instrui, sem se interessar pela moral, está correndo perigo, visto poder acontecer em seus caminhos desastres morais. As paixões inferiores passam a comandar seu destino, e os olhos perdem a visão das leis naturais, dos direitos alheios, e até aonde podem chegar com os seus próprios direitos. Quem somente se instrui, não se interessa em ajudar aos semelhantes, a não ser para mostrar que é bom e caridoso, buscando sempre motivos de ganhar mais, com a vaidade que se veste de muitas roupagens.

O progresso deve atingir todas as qualidades morais e espirituais e, certamente, o físico. Ele é Deus avançando, não para Ele mesmo, mas para que sejam despertados os dons da intimidade das criaturas.

Disse Jesus com muita propriedade, o que Lucas anotou no capítulo doze, versículo quarenta e nove:

"Eu vim para lançar fogo sobre a Terra e bem quisera que já estivesse a arder."

O fogo sobre a Terra que Jesus veio acender foi objetivando o progresso das criaturas, mudando o modo pelo qual o homem estava procedendo, usando a ciência e o saber para massacrar os mais fracos e corromper a si mesmo. A moral cristã representa o fogo que deve ser aceso em todos os corações, mudando para melhor, aliando o saber à moral evangélica e, neste sentido, restabelecendo as coisas.

Passamos a descobrir com o Cristo o céu dentro de nós, usando a ciência em conexão com o amor, para sermos felizes em direção à eternidade. O progresso intelectual sem o moral pode ser, tornamos a falar, um desastre na vida da alma.

Quando o saber estava se distanciando do conhecimento da verdade, Deus disse um "basta", por amor às criaturas da Terra, e enviou o outro Consolador, para instruir verdadeiramente os seres humanos acerca das coisas espirituais e a Doutrina Espírita chegou como um sol na direção do Cristo, como amparo às criaturas. O orgulho e o egoísmo se encontravam nas cátedras, mandando e dirigindo os povos de maneira agressiva, mas a luz começou a espancar as trevas, e eis aí o que está acontecendo: Jesus novamente no seio dos povos, sendo lembrado, falado, recordado, para depois chegar e ficar visível nos corações, pela força da vivência, salvando o mundo.