sexta-feira, 26 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Justiça Divina - Chico Xavier - Cap. 12 - Nas leis do amor



Emmanuel - Livro Justiça Divina - Chico Xavier - Cap. 12


Nas leis do amor


Se alguém te fala em descanso inútil, depois da morte, pensa nos que sofrem por amor, na experiência terrestre.

Indaga das mães devotadas se teriam coragem de relegar os filhos delinquentes à solidão da masmorra…

Preferem chorar na pocilga do cárcere, trabalhando por eles, a morarem no paraíso com o peito rebentando de lágrimas.

Pergunta aos pais afetuosos se pediriam a forca para os rebentos do próprio sangue, comprometidos em débitos insolúveis…

Escolhem a condição dos grilhetas, de modo a vê-los recuperados, renunciando aos prêmios que a sociedade lhes destine à honradez.

Inquire da esposa abnegada se deixaria o companheiro, enredado à loucura, para brilhar num desfile de santidade…

Disputará as vigílias no manicômio para servi-lo, fugindo aos louros da praça pública.

Interroga do amigo verdadeiro se deixará o amigo confiante em dificuldade…

Aceitará partilhar-lhe as provações, recusando os privilégios com que o mundo lhe acene.

Isso acontece na Terra, onde o amor ainda se mistura ao egoísmo, qual o ouro perdido na ganga do solo.

Para além das cinzas do túmulo, há paz de consciência e alegria profunda no dever nobremente cumprido, mas, se te afeiçoas à bondade e à renúncia, poderás, quanto quiseres, continuar auxiliando os entes amados que aprendeste a venerar e querer, ou prosseguir exaltando os ideais e as tarefas edificantes que abraças.

À medida que penetramos os segredos do amor puro, vamos reconhecendo que ninguém pode ser realmente feliz sem fazer a felicidade alheia no caminho em que avança.

O próprio Criador determinou que a noite se cobrisse de estrelas e que o espinheiral se levantasse recamado de rosas.

Trabalharemos e sofreremos, assim, por amor, pelos séculos adiante, ajudando-nos uns aos outros a erguer a felicidade de nosso nível, até que possamos entrar, todos juntos, na suprema felicidade que consiste em nossa união com Deus para sempre.


Emmanuel







O Céu e o Inferno — 1ª Parte - Capítulo III - O Céu 

12. — A felicidade dos Espíritos bem-aventurados não consiste na ociosidade contemplativa, que seria, como temos dito muitas vezes, uma eterna e fastidiosa inutilidade. 

A vida espiritual em todos os seus graus é, ao contrário, uma constante atividade, mas atividade isenta de fadigas. 

A suprema felicidade consiste no gozo de todos os esplendores da Criação, que nenhuma linguagem humana jamais poderia descrever, que a imaginação mais fecunda não poderia conceber. 

Consiste também na penetração de todas as coisas, 5 na ausência de sofrimentos físicos e morais, numa satisfação íntima, numa serenidade de alma imperturbável, no amor que envolve todos os seres, por causa da ausência de atrito pelo contato dos maus, e, acima de tudo, na contemplação de Deus e na compreensão dos seus mistérios revelados aos mais dignos.

A felicidade também existe nas tarefas cujo encargo nos faz felizes. 

Os puros Espíritos são os Messias ou mensageiros de Deus pela transmissão e execução das suas vontades. Preenchem as grandes missões, presidem à formação dos mundos, e à harmonia geral do Universo, tarefa gloriosa a que se não chega senão pela perfeição. Os da ordem mais elevada são os únicos a possuírem os segredos de Deus, inspirando-se no seu pensamento, de que são diretos representantes.



Reunião pública de 27-2-1961.

Ermance Dufaux - Livro Laços de Afeto - Wanderley Oliveira - Cap. 16 - Sob a Luz do Amor



Ermance Dufaux - Livro Laços de Afeto - Wanderley Oliveira - Cap. 16


Sob a Luz do Amor


“Os grupos que se ocupam exclusivamente com as manifestações inteligentes e os que se entregam ao estudo das manifestações físicas têm cada um a sua missão. Nem uns, nem outros se achariam possuídos do verdadeiro espírito do Espiritismo, desde que não se olhassem com bons olhos; e aquele que atirasse pedras em outro provaria, por esse simples fato, a má influência que o domina. Todos devem concorrer; ainda que por vias diferentes, para o objetivo comum, que é a pesquisa e a propaganda da verdade. Os antagonismos, que não são mais do que efeito de orgulho superexcitado, fornecendo armas aos detratores, só poderão prejudicar a causa, que uns e outros pretendem defender.” (O Livro dos Médiuns – Cap. 29 - item 348)

Interessante analisar, daqui para o mundo físico, a influência marcante de velhas ilusões que carreamos para os ofícios de reeducação na sementeira espiritista.

Quando aqui aportamos temos melhor dimensionada as percepções que nos permitem lançar um novo olhar sobre os esforços gerais no bem, fazendo-nos concluir que trabalho algum é dispensável, e todos, conquanto suas deficiências, concorrem para o progresso da causa.

No entanto, em regressando ao corpo físico, invadidos pelas milenares miragens do orgulho, costumamos entender nossa tarefa como a melhor e essencial, nossos conceitos como sendo a mais valiosa expressão da verdade e a nossa participação como admirável missão que nos eleva acima dos demais.

A despeito de erguermos juntos o estandarte da caridade, vezes sem conta abandonamos o imperativo de aplicá-la também nas nossas relações com quantos nos partilham o clima das atividades doutrinárias.

Retifiquemos essa miopia da visão espiritual.

Passemos a compor o escasso grupo daqueles que incentivam e sabem respeitar os esforços alheios, sejam quais forem.

Disciplinemos a tendência de excluir, e quando destacarmos falhas recolhamo-nos na ação indulgente ou mesmo ao silêncio e oração.

Valorizemos nossa atuação sem desprezar a de outrem.

Cerremos esforços na direção que melhor atenda as nossas crenças sem alimentar o anseio de ser seguido. Recordemos que ninguém está obrigado a tal mister, da mesma forma que não temos a implicação de seguir ninguém.

Façamos isso em favor de nossa paz e da ordem geral nos nossos campos de trabalho redentor.

Lembremos velho rifão das esferas extrafísicas que diz “nenhum caminho para o bem é dispensável, mas nenhum de nós é insubstituível nos serviços de Deus”, remetendo-nos a concluir que, se toda tarefa é valorosa, certamente nenhuma depende de nós...

Em verdade, habitualmente, o excessivo valor que conferimos às realizações com as quais cooperamos é o mesmo que emprestamos à nossa personalidade sob as lentes da vaidade...

Em razão disso, anotemos duas metáforas oportunas.

O movimento espírita pode ser comparado a estimável universidade do Espírito; as instituições são as áreas específicas de aperfeiçoamento e cada tarefa pode ser entendida como uma classe que reúne um certo número de aprendizes.

Nesse concerto de educação e melhoria, todos temos o valor pessoal e intransferível no aproveitamento das lições na construção de nosso saber eterno.

Noutra imagem podemos conceber a Seara como um incomparável hospital da alma; cada grupamento assemelha-se a uma especialidade de recuperação e cada atividade a uma enfermaria de convalescença. 

Nesse ambiente de tratamento e prevenção, todos temos nossas doenças a cuidar com medicações individuais na busca de nossa alta.

Aprendizes e enfermos, eis o que “estamos”!

Portanto, ante os assaltos ilusórios do personalismo no que tange a comparações e julgamentos, fiquemos com o Codificador que acentua: vias diferentes, objetivos comuns, para a propagação da verdade, conforme a nossa referência supra destacada.

Amigo do coração,

Estejas convicto de que, apesar de tuas reservas com os deveres alheios no bem, Deus conta com eles.

Envolve-te na psicosfera do Amor, se desejares entender os planos do Pai para com aqueles aos quais ainda não consegues devotar apreço, entendimento e admiração incondicionais.

É natural que enxergues elitismo nos que estudam com afinco, já que por agora não despertastes ainda tanto quanto deveria para a importância do conhecimento na felicidade dos homens.

Compreensível que não entendas os eloquentes do verbo libertador, já que ainda não te sensibilizastes o bastante para o benefício de impor disciplina a teu próprio linguajar diário.

Honesta de tua parte a preocupação com o excesso institucional, sabendo que teu incômodo é sinal do aprendizado que tens urgência em aquilatar para que não cometas a mesma distração.

Aceitável que destaques personalismo naqueles que cumprem a rotina das honrarias e cargos, uma vez que não dominastes por enquanto tuas manifestações de vaidade em pequenos lances da existência.

Sincero de tua parte supores que o farnel distribuído é fonte de preguiça, considerando que ainda não amealhastes suficiente experiência da doação de si mesmo junto aos deveres materiais no lar e na profissão.

Justo tua inconformação com a coleta de recursos para eventos de confraternização e estudo, uma vez que ainda não arregimentaste melhores concepções sobre a urgência da união entre grupos de interesse comum.

Razoável cobres da conduta do próximo aquilo que ainda não conseguiste implementar na tua própria vivência, e que julgues os denodos de Amor dos outros conforme seus limites de atuação.

Contudo, se queres amealhar paz e sabedoria para tua vida, sobrepõe-te a todas essas questiúnculas da existência, que são sombras do egoísmo, e envolve-te no afeto cristão, sendo cortês, generoso e terno com tudo e com todos, educando-te no amor indistinto e incondicional perante as diferenças e os diferentes que te circundam a experiência carnal.

Vai, experimenta e verás!

Verás o que acontece quando optares pelo Divino sentimento ao encontro de teus irmãos, sob a luz do amor.


Ermance Dufaux











Irthes Therezinha - Livro Esperança e Vida - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 7 - Tolera



Irthes Therezinha - Livro Esperança e Vida - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 7


Tolera


A prova amarga.

A ingratidão imprevista.

O fardo que não esperavas.

A agressão dos amigos.

A incompreensão dos familiares.

O assédio dos adversários gratuitos.

Jesus também tolerou tudo isso.

Sem reclamar, passou servindo…

Sem acusar a ninguém, passou amando…

Tudo sendo aflição à sua volta, passou semeando a paz…

Tolerando, absorvendo os golpes do cotidiano, com disposição de perdoar sempre, chegarás vitorioso ao termo da jornada terrestre, mesmo que o teu galardão seja os braços de uma simples cruz.


Irthes Therezinha





Irthes Therezinha Lisboa de Andrade

Nascida em Ubá, Estado de Minas Gerais, no dia 21 de agosto de 1925, e desencarnada na mesma cidade aos 15 de julho de 1977.

Era filha de Virgílio Ferreira de Andrade e Maria do Carmo Lisboa de Andrade. Seu pai era conhecido tipógrafo daquela localidade, fundador de vários jornais, muito querido e acatado pelos seus conterrâneos.

Irthes Terezinha cursou as primeiras letras no Grupo Escolar Cel. Camilo Soares e fez o curso normal no "Sacre Coeur de Marie", onde se diplomou professora primária. Logo após a sua formatura foi nomeada para lecionar no Ginásio Municipal Raul Soares, de cujo estabelecimento se tornou secretária até 1976, quando se afastou por motivo de grave enfermidade.

Na mais tenra idade começou a sentir uma série de anomalias, o que foi motivo de grandes preocupações para seus pais. Apesar dos constantes cuidados médicos, a Medicina não conseguiu diagnosticar a causa de seus males, que se manifestava por visões atormentadoras, suores noturnos e outras manifestações que lhe infundiam grande terror. Quando esgotados todos os recursos médicos, seu pai, que já era convicto das verdades contidas no Espiritismo, apesar dos protestos de sua mãe, que era de formação católica, levou-a a um médium, através do qual o benfeitor espiritual afirmou que ela era uma criança destinada a uma grande tarefa na Terra. Nessa época, com sete anos de idade, ela experimentou sensível melhora.

Por influência de sua mãe, Irthes Terezinha criou-se muito apegada às tradições católicas, entretanto, não se conformava com alguns dogmas e ensinamentos dessa religião. No início de 1945, pediu ao seu confessor alguns esclarecimentos sobre a existência do inferno e dos demônios. Foram tão absurdas as respostas e explicações do sacerdote, que ela deliberou se afastar definitivamente do seio da Igreja.

Sua mãe também foi acometida de violenta perturbação espiritual, o que fez com que seu pai apelasse para o Espiritismo, através do qual ela teve cura total, pois a enfermidade regrediu imediatamente.

À vista desse fenômeno, quando a paz voltou ao seu lar, Irthes Terezinha interessou-se sobremaneira pela leitura de "O Evangelho segundo o Espiritismo", ali encontrando resposta para a sua perene indagação interior sobre as vidas sucessivas. Nesse repositório de ensinamentos consoladores ela encontrou explicação para suas dúvidas e conseguiu varrer da sua mente a sombra da dúvida que ali existia sobre a bondade incomensurável do Criador.

A partir de junho de 1945 integrou-se no Centro Espírita Ismael, da cidade de Ubá. Ali se desenvolveram as suas faculdades mediúnicas, principalmente da psicografia e psicofonia. Desde então dedicou-se de corpo e alma à tarefa de evangelização das crianças, o que fez durante 32 anos consecutivos.

Teve notável vocação para a música e poesia, entretanto, não conseguiu condições para o cultivo dessas artes. Após o desenvolvimento de suas faculdades mediúnicas, começou a psicografar versos muito imperfeitos, sem identificação dos autores espirituais. Em 1950, numa reunião particular na cidade de Leopoldina (MG), com a presença do médium Francisco Cândido Xavier, ela recebeu o primeiro soneto assinado. Após a reunião, o Chico Xavier informou que uma plêiade de poetas da espiritualidade desejava trabalhar por seu intermédio. Dessa data em diante começou a receber verdadeiro Parnaso do Além, assinado por grandes poetas, antigos e modernos, tais como Júlio Diniz, Antero de Quental, Auta de Souza, Valado Rosas, Azevedo Cruz, Casemiro Cunha, Maria Dolores, João de Deus e tantos outros, paralelamente com mensagens de incomparável beleza, recebidas do Espírito Bezerra de Menezes e muitos outros luminares da Espiritualidade. Muitas dessas mensagens foram publicadas em órgãos da imprensa espírita, inclusive na revista "Reformador", órgão da Federação Espírita Brasileira.

Graciosa, de palavra meiga e evangelizada, foi oradora de numerosas semanas e solenidades espíritas no Interior do Estado de Minas Gerais e nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro e outras.

Foi oradora da primeira Semana Espírita de Bicas (MG), recebendo ali grande homenagem.. No momento de deixar a cidade, foi cumprimentada por um grupo de espíritas de renome, dentre eles o prof. Leopoldo Machado, Amadeu Santos, Jacques Aboab, Sebastião Lasneau e Germano dos Anjos.

Em sua biografia, escrita no dia 2 de abril de 1977, escreveu: "Terei eu cumprido o programa traçado pelo Alto? Terei eu correspondido às esperanças de Jesus? Senti o meu renascimento vero na data em que me tornei espírita! Aí está a minha vida. Uma vida sem notas singulares, igualzinha a todas as demais que não passaram da craveira comum ..." acrescentando ainda: "O Espiritismo é o meu Céu na Terra, meu farol, minha luz, meu refrigério e tudo de bom que desejei na vida."

(LUCENA, Antônio de Souza e GODOY, Paulo Alves. Personagens do Espiritismo. Edições FEESP, 1982. 1ª edição, SP.)





Psicografia: Carlos A. Baccelli.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 2 - Amor, a solução



Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 2


Amor, a solução


"Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros, e assim como vos amei, amai-vos também mutuamente." (JOÃO, 13:34)


Auxiliemo-nos para sermos auxiliados. Se algum companheiro perde a força do ideal, sejamos aquele suporte de amor que o escore na travessia do desânimo, a fim de que o vejamos refeito para a bênção do Serviço.

Se outro sofre provações ou privações de qualquer natureza, sejamos nós o apoio sobre o qual se mantenha para atingir novamente a segurança precisa.

Se outro se desgoverna na sombra da irritação, façamo-nos, junto dele, o silêncio e a prece capazes de repô-lo na rearmonização necessária.

Se outro ainda nos pareça indiferente ou distante, envolvamo-lo em calor de entendimento e ternura, a fim de que volte ao clima da paz e da eficiência em louvor do Cristo.

Em síntese, convertamo-nos, por amor, em suplementações uns dos outros, no levantamento do bem, de vez que, assim agindo, estaremos glorificando a bendita herança do trabalho que Jesus nos legou, não somente ofertando-lhe o rendimento justo, mas, também, cumprindo o excelso programa de nosso Divino Mestre, quando nos exortou:

— Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.


Batuíra










quarta-feira, 24 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 117 - Possuímos o que damos



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 117


Possuímos o que damos


“É mais bem-aventurado dar do que receber.” — PAULO. (Atos, 20:35)

Quando alguém se refere à passagem evangélica que considera a ação de dar mais alta bem-aventurança que a ação de receber, quase todos os aprendizes da Boa Nova se recordam da palavra “dinheiro”.

Sem dúvida, em nos reportando aos bens materiais, há sempre mais alegria em ajudar que em ser ajudado, contudo, é imperioso não esquecer os bens espirituais que, irradiados de nós mesmos, aumentam o teor e a intensidade da alegria em torno de nossos passos.

Quem dá recolhe a felicidade de ver a multiplicação daquilo que deu.

Oferece a gentileza e encorajarás a plantação da fraternidade.

Estende a bênção do perdão e fortalecerás a justiça.

Administra a bondade e terás o crescimento da confiança.

Dá o teu bom exemplo e garantirás a nobreza do caráter.

Os recursos da Criação são distribuídos pelo Criador com as Criaturas, a fim de que em doação permanente se multipliquem ao Infinito.

Serás ajudado pelo Céu, conforme estiveres ajudando na Terra.

Possuímos aquilo que damos.

Não te esqueças, pois, de que és mordomo da vida em que te encontras.

Cede ao próximo algo mais que o dinheiro de que possas dispor. Dá também teu interesse afetivo, tua saúde, tua alegria e teu tempo e, em verdade, entrarás na posse dos sublimes dons do amor, do equilíbrio, da felicidade e da paz, hoje e amanhã, neste mundo e na vida eterna.


Emmanuel








Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 13 - A felicidade



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 13


A felicidade


E.S.E.Cap. V, Item 20.


Sabemos que na Terra não há felicidade completa, por enquanto. Somente pensamos nela, falamos nela e escrevemos sobre esse padrão de vida de que temos notícias; no entanto, basta ouvirmos falar na felicidade para que possamos sentir o seu clima de luz a nos dar esperanças.

Muitos sabem que a felicidade não é deste mundo, mas todos também têm conhecimento de que ela existe e que, no futuro, existirá também na Terra. Isso é um consolo para os que esperam este mundo de paz; para tanto, o Espiritismo veio preparar lugar, onde o amor, a caridade e o perdão encontrem ambiente, criando condições para que os benfeitores possam semear com proveito o germe crescente da felicidade.

A Terra é de expiações e provas e as almas destinadas a renascer neste planeta encontram em todos os seus passos a dor; mas elas sofrem porque a região é de sofrimento, onde a criatura experimenta toda ordem de padecimentos.

O homem do momento traduz felicidade em sucesso na vida, no campo dos bens materiais; entretanto, quanto mais ajunta o ouro, corre mais riscos de mais infelizes tornar os seus passos repletos de preocupações, doenças, e mesmo tristezas.

A humanidade já começa a pensar noutros caminhos de ventura. O tempo se encarrega dessa transformação, e a dor é o anjo que nos faz compreender a verdade, que nos liberta dos enganos. Se pensarmos no passado do planeta, mesmo estudando os primórdios da casa terrena, é de se notar o amor do Criador para com os Seus filhos. 

Vejamos como era a vida antes, comparando-a com a vida na Terra hoje: as novas descobertas, para ajudarem em melhores dias, a melhora dos seres humanos, os grandes missionários que desceram à Terra para a esperança e o fortalecimento da fé nos companheiros na carne... Não nos estaria sendo mostrada a existência da felicidade?

A bondade de Deus é tamanha que, junto das provas e expiações, nos envia o Consolador, ajudando-nos a sustentar-nos na fé e na esperança. Não induzimos ninguém a sair de sua religião, mas que observe bem seus preceitos mais profundos sobre a vida espiritual. Se temos alguma coisa a pedir é que leia os livros espíritas, analisando o que eles dizem sobre a vida futura.

A verdade não impõe; ela expõe as leis naturais, porque somente ela ficará de pé, sustentando a fé, senão o amor. Esperemos e trabalhemos, que a felicidade se aproxima e com novos rasgos, mostrando-nos o amor e a caridade em uma expressão, mais digna de louvor a Deus, em profunda comunhão com Jesus.

A felicidade, podemos crer, está se aproximando com todo o seu fulgor, no entanto, é necessário que os homens entendam seus deveres, trabalhando na reforma íntima, para receber a visita dessas bênçãos de luz, que ficarão para sempre com os que melhoram e trabalham na melhoria dos outros.

Se deseja ser feliz, poderá sê-lo, porque a felicidade pertence a todos; todavia, a natureza pede sua participação no esforço de se melhorar moralmente.

Em todas as nações, se ensinam caminhos certos, mostrando vias cheias de espinhos, mas a maioria das criaturas, por enquanto, gosta de um bem-estar breve, com prazeres efémeros. Limpemos dos nossos sentimentos as paixões inferiores, alcançando um discernimento mais elevado.

Por que o homem é contra o homem?

A felicidade é aquela que perdoa, que esquece as ofensas, que ampara os fracos, que renuncia em favor da própria vida, ajudando aos que sofrem mais.

A felicidade se constitui em fazer a caridade, aquela que não exige, que não maltrata, não calunia, não tem ódio, porque ela é amor permanente, que sai do coração do ser humano, atingindo a tudo e a todos, nas dimensões correspondentes.

Felicidade é Cristo dentro de nós, nos mostrando Deus na consciência...


Miramez





*O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. V — Bem-aventurados os aflitos - Instruções dos Espíritos - A felicidade não é deste mundo.

20. Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! exclama geralmente o homem em todas as posições sociais. Isso, meus caros filhos, prova, melhor do que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo.” Com efeito, nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a florida juventude são condições essenciais à felicidade. Digo mais: nem mesmo reunidas essas três condições tão desejadas, porquanto incessantemente se ouvem, no seio das classes mais privilegiadas, pessoas de todas as idades se queixarem amargamente da situação em que se encontram.

Diante de tal fato, é inconcebível que as classes laboriosas e militantes invejem com tanta ânsia a posição das que parecem favorecidas da fortuna. Neste mundo, por mais que faça, cada um tem a sua parte de labor e de miséria, sua cota de sofrimentos e de decepções, donde facilmente se chega à conclusão de que a Terra é lugar de provas e de expiações.

Assim, pois, os que pregam que ela é a única morada do homem e que somente nela e numa só existência é que lhe cumpre alcançar o mais alto grau das felicidades que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam os que os escutam, visto que demonstrado está, por experiência arquissecular, que só excepcionalmente este globo apresenta as condições necessárias à completa felicidade do indivíduo.

Em tese geral pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia a cuja conquista as gerações se lançam sucessivamente, sem jamais lograrem alcançá-la. Se o homem ajuizado é uma raridade neste mundo, o homem absolutamente feliz jamais foi encontrado.

O em que consiste a felicidade na Terra é coisa tão efêmera para aquele que não tem a guiá-lo a ponderação, que, por um ano, um mês, uma semana de satisfação completa, todo o resto da existência é uma série de amarguras e decepções. E notai, meus caros filhos, que falo dos venturosos da Terra, dos que são invejados pela multidão.

Conseguintemente, se à morada terrena são peculiares as provas e a expiação, forçoso é se admita que, algures, moradas há mais favorecidas, onde o Espírito, conquanto aprisionado ainda numa carne material, possui em toda a plenitude os gozos inerentes à vida humana. Tal a razão por que Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão gravitar um dia, quando vos achardes suficientemente purificados e aperfeiçoados.

Todavia, não deduzais das minhas palavras que a Terra esteja destinada para sempre a ser uma penitenciária. Não, certamente! Dos progressos já realizados, podeis facilmente deduzir os progressos futuros e, dos melhoramentos sociais conseguidos, novos e mais fecundos melhoramentos. Essa a tarefa imensa cuja execução cabe à nova doutrina que os Espíritos vos revelaram.

Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime e que cada um de vós se despoje do homem velho. Deveis todos consagrar-vos à propagação desse Espiritismo que já deu começo à vossa própria regeneração. Corre-vos o dever de fazer que os vossos irmãos participem dos raios da sagrada luz. Mãos, portanto, à obra, meus muito queridos filhos! Que nesta reunião solene todos os vossos corações aspirem a esse grandioso objetivo de preparar para as gerações porvindouras um mundo onde já não seja vã a palavra felicidade.


François-Nicolas-Madeleine, cardeal Morlot.
Paris, 1863.







terça-feira, 23 de junho de 2026

Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 13 - Oração e paciência



Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 13


Oração e paciência


"Aconteceu naqueles dias que saiu ao monte para orar e passou toda a noite em oração a Deus."  — (Lucas, 6:12)

Visitado pela agressividade gratuita dos atormentados, guarde-se na oração e na paciência.

A oração lhe concederá inspiração e a paciência o tesouro do tempo para a indispensável compreensão do problema.

Aturdido pela nuvem das queixas e das lamentações que engendram perturbação e balbúrdia, busque a oração e a paciência.

A oração lhe oferecerá a luz do discernimento e a paciência a diretriz para seguir confiante.

Batido pela pusilanimidade e pela maledicência dos frívolos, requisite a oração e a paciência.

Oração é equilíbrio; paciência, segurança.

Vencido pela pertinácia dos maus, não esqueça da oração nem da paciência.

A oração lhe doará forças e a paciência, ânimo para reiniciar a jornada com otimismo.

Instado ao abandono das tarefas pelo aparente triunfo do mal, volva à oração e à paciência.

A oração sustenta na perseverança do ideal e a paciência faculta oportunidade para a reflexão.

Imbuído dos ideais superiores da vida, saia da jactância da vaidade e demore-se na oração e na paciência.

A oração é ponte para ligá-lo ao Pai e a paciência é a estrada por onde você deambulará até lograr essa meta superior.

Em qualquer circunstância: na vitória ou no fracasso, na paz ou no combate, entre amigos ou sitiado por adversários, jubiloso ou em lágrimas, recolha-se à oração e à paciência.

A oração lhe abrirá a comporta mental para a inspiração, a paciência lhe dará os meios para guardar no imo a resposta divina.

Orando, Jesus manteve direto contato com Deus.

Paciente, superou todos os obstáculos e, apesar de abandonado, aparentemente vencido, atraiu todos ao Seu coração magnânimo.


Marco Prisco