quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 90 - O Trabalhador Divino



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 90


O Trabalhador Divino

 
“Ele tem a pá na sua mão; limpará a sua eira e ajuntará o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha com o fogo que nunca se apaga.” — João Batista (LUCAS, 3.17)

Apóstolos e seguidores do Cristo, desde as organizações primitivas do movimento evangélico, designaram-no através de nomes diversos.

Jesus foi chamado o Mestre, o Pastor, o Messias, o Salvador, o Príncipe da Paz; todos esses títulos são justos e veneráveis; entretanto, não podemos esquecer, ao lado dessas evocações sublimes, aquela inesperada apresentação do Batista. 

O Precursor designa-o por trabalhador atento que tem a pá nas mãos, que limpará o chão duro e inculto, que recolherá o trigo na ocasião adequada e que purificará os detritos com a chama da justiça e do amor que nunca se apaga.

Interessante notar que João não apresenta o Senhor empunhando leis, cheio de ordenações e pergaminhos, nem se refere a Ele, de acordo com as velhas tradições judaicas, que aguardavam o Divino Mensageiro num carro de glórias magnificentes. 

Refere-se ao trabalhador abnegado e otimista. A pá rústica não descansa ao seu lado, mas permanece vigilante em suas mãos e em seu espírito reina a esperança de limpar a terra que lhe foi confiada às salvadoras diretrizes.

Todos vós que viveis empenhados nos serviços terrestres, por uma era melhor, mantende aceso no coração o devotamento à causa do Evangelho do Cristo.

Não nos cerceiem dificuldades ou ingratidões. 

Desdobremos nossas atividades sob o precioso estímulo da fé, porque conosco vai à frente, abençoando-nos a humilde cooperação, aquele trabalhador divino que limpará a eira do mundo.


Emmanuel










terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 35 - Compaixão e nós



O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 35


Compaixão e nós


"Bem aventurados os misericordiosos, porque eles receberão misericórdia." — JESUS (Mateus, 5:7)

Comumente, referimo-nos à compaixão em termos que se reportem à semelhante bênção de nós para com os outros; entretanto, a fim de que o orgulho não se nos infiltre no coração sob o nome de virtude, vale recordar a compaixão que tantas vezes procede dos outros em socorro a nós.

De quando em quando, pelo menos, rememoremos as demonstrações de paciência e bondade dos irmãos que nos suportaram, sem queixa, a teimosia e a inconsequência nos dias de imaturidade ou irritação;

o apoio das criaturas que prosseguiram trabalhando em nosso favor, cientes de que as combatíamos sem apreender-lhes os elevados intuitos;

o amparo de benfeitores que continuaram a servir-nos, ainda mesmo depois de se conscientizarem quanto aos gestos de frieza ou ingratidão com que lhes ferimos o espírito;

a tolerância dos companheiros que, mesmo em nos sabendo desequilibrados nos dias de erro, não nos sonegaram a bênção da amizade e da confiança, aguardando-nos os reajustes espirituais;

e o auxílio dos irmãos que nos perdoaram ofensas e agravos, ajudando-nos, sem pausa, além das dificuldades e empeços com que lhes espancamos o carinho e a abnegação para conosco.

Reflitamos na imensidão da piedade que nos sustenta a vida até agora e observaremos que, sem isso, provavelmente a maioria de nós outros teria mergulhado indefinidamente nas correntes da prova criadas por nós mesmos, com a nossa própria negligência.

Meditemos nisso e saibamos exercer a compaixão para com todos, particularmente para com aqueles que nos firam, e reconheceremos que unicamente assim conseguiremos resgatar os nossos débitos de amor para com o próximo, e perceber, por fim, que todos nós, para viver, conviver e sobreviver, precisamos, em qualquer parte e em qualquer circunstância, da bondade e da compaixão de Deus.


Emmanuel








(Reformador, janeiro de 1973, p. 20)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 32 - Nuvens



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 32


Nuvens


“E saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, a ele ouvi.” — (LUCAS, 9:35)


O homem, quase sempre, tem a mente absorvida na contemplação das nuvens que lhe surgem no horizonte. São nuvens de contrariedades, de projetos frustrados, de esperanças desfeitas.

Por vezes, desespera-se envenenando as fontes da própria vida. Desejaria, invariavelmente, um céu azul a distância, um Sol brilhante no dia e luminosas estrelas que lhe embelezassem a noite. No entanto, aparece a nuvem e a perplexidade o toma, de súbito.

Conta-nos o Evangelho a formosa história de uma nuvem.

Encontravam-se os discípulos deslumbrados com a visão de Jesus transfigurado, tendo junto de si Moisés e Elias, aureolados de intensa luz.

Eis, porém, que uma grande sombra comparece. Não mais distinguem o maravilhoso quadro. Todavia, do manto de névoa espessa, clama a voz poderosa da revelação divina: “Este é o meu amado Filho, a ele ouvi!”

Manifestava-se a palavra do Céu, na sombra temporária.

A existência terrestre, efetivamente, impõe angústias inquietantes e aflições amargosas. É conveniente, contudo, que as criaturas guardem serenidade e confiança nos momentos difíceis.

As penas e os dissabores da luta planetária contêm esclarecimentos profundos, lições ocultas, apelos grandiosos. A voz sábia e amorosa de Deus fala sempre através deles.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 84 - Levantemo-nos



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 84


Levantemo-nos


“Levantai-vos, vamo-nos daqui.” — JESUS. (João, 14:31)

Antes de retirar-se para as orações supremas no Horto, falou Jesus aos discípulos longamente, esclarecendo o sentido profundo de sua exemplificação.

Relacionando seus pensamentos sublimes, fez o formoso convite inserto no Evangelho de João:

— “Levantai-vos, vamo-nos daqui.”

O apelo é altamente significativo.

Ao toque de erguer-se, o homem do mundo costuma procurar o movimento das vitórias fáceis, atirando-se à luta sequioso de supremacia ou trocando de domicílio, na expectativa de melhoria efêmera.

Com Jesus, entretanto, ocorreu o contrário. Levantou-se para ser dilacerado, logo após, pelo gesto de Judas. Distanciou-se do local em que se achava a fim de alcançar, pouco depois, a flagelação e a morte.

Naturalmente partiu para o glorioso destino de reencontro com o Pai, mas precisamos destacar as escalas da viagem…

Ergueu-se e saiu, em busca da glória suprema. 

As estações de marcha são eminentemente educativas: — Getsêmani, o Cárcere, o Pretório, a Via Dolorosa, o Calvário, a Cruz constituem pontos de observação muito interessantes, mormente na atualidade, que apresenta inúmeros cristãos aguardando a possibilidade da viagem sobre as almofadas de luxo do menor esforço.


Emmanuel












domingo, 22 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 18 - Não somente



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 18


Não somente 

 
“Nem só de pão vive o homem.” — JESUS. (Mateus, 4:4)

Não somente agasalho que proteja o corpo, mas também o refúgio de conhecimentos superiores que fortaleçam a alma.

Não só a beleza da máscara fisionômica, mas igualmente a formosura e nobreza dos sentimentos.

Não apenas a eugenia que aprimora os músculos, mas também a educação que aperfeiçoa as maneiras.

Não somente a cirurgia que extirpa o defeito orgânico, mas igualmente o esforço próprio que anula o defeito íntimo.

Não só o domicílio confortável para a vida física, mas também a casa invisível dos princípios edificantes em que o Espírito se faça útil, estimado e respeitável.

Não apenas os títulos honrosos que ilustram a personalidade transitória, mas igualmente as virtudes comprovadas, na luta objetiva, que enriqueçam a consciência eterna.

Não somente claridade para os olhos mortais, mas também luz divina para o entendimento imperecível.

Não só aspecto agradável, mas igualmente utilidade viva.

Não apenas flores, mas também frutos.

Não somente ensino continuado, mas igualmente demonstração ativa.

Não só teoria excelente, mas também prática santificante.

Não apenas nós, mas igualmente os outros.

Disse o Mestre: — “Nem só de pão vive o homem.”

Apliquemos o sublime conceito ao imenso campo do mundo.

Bom gosto, harmonia e dignidade na vida exterior constituem dever, mas não nos esqueçamos da pureza, da elevação e dos recursos sublimes da vida interior, com que nos dirigimos para a Eternidade.


Emmanuel








Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 18 - Atitudes essenciais



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 18


Atitudes essenciais

 
“Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não pode ser meu discípulo.” — JESUS (Lucas, 14:27)


Neste passo do Novo Testamento, encontramos a verdadeira fórmula para o ingresso ao Sublime Discipulado.

“Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não pode ser meu discípulo” — afirma-nos o Mestre.

Duas atitudes fundamentais recomenda-nos o Eterno Benfeitor se nos propomos desfrutar-lhe a intimidade — tomar a cruz redentora de nossos deveres e seguir-lhe os passos.

Muitos acreditam receber nos ombros o madeiro das próprias obrigações, mas fogem ao caminho do Cristo; e muitos pretendem perlustrar o caminho do Cristo, mas recusam o madeiro das obrigações que lhes cabem.

Os primeiros dizem aceitar o sofrimento, todavia, andam agressivos e desditosos, espalhando desânimo e azedume por onde passam.

Os segundos creem respirar na senda do Cristo, mas abominam a responsabilidade e o serviço aos semelhantes, detendo-se no escárnio e na leviandade, embora saibam interpretar as lições do Evangelho, apregoando-as com arrazoado enternecedor.

Uns se agarram à lamentação e ao aviltamento das horas.

Outros se cristalizam na ironia e na ociosidade, menosprezando os dons da vida.

Não nos esqueçamos, assim, de que é preciso abraçar a cruz das provas indispensáveis à nossa redenção e burilamento, com amor e alegria, marchando no espaço e no tempo, com o verdadeiro espírito cristão de trabalho infatigável no bem, se aspiramos a alcançar a comunhão com o Divino Mestre.

Não vale apenas sofrer. É preciso aproveitar o sofrimento.

Nem basta somente crer e mostrar o roteiro da fé. É imprescindível viver cada dia, segundo a fé salvadora que nos orienta o caminho.


Emmanuel





 


(Reformador, setembro de 1957, p. 210)

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 88 - Caindo em si



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 88


Caindo em si


“Caindo, porém, em si…” — (LUCAS, 15:17)

Este pequeno trecho da parábola do filho pródigo desperta valiosas considerações em torno da vida.

Judas sonhou com o domínio político do Evangelho, interessado na transformação compulsória das criaturas; contudo, quando caiu em si, era demasiado tarde, porque o Divino Amigo fora entregue a juízes cruéis.

Outras personagens da Boa Nova, porém, tornaram a si, a tempo de realizarem salvadora retificação.

Maria de Magdala pusera a vida íntima nas mãos de gênios perversos, todavia, caindo em si, sob a influência do Cristo, observa o tempo perdido e conquista a mais elevada dignidade espiritual, por intermédio da humildade e da renunciação.

Pedro, intimidado ante as ameaças de perseguição e sofrimento, nega o Mestre Divino; entretanto, caindo em si ao se lhe deparar o olhar compassivo de Jesus, chora amargamente e avança, resoluto, para a sua reabilitação no apostolado.

Paulo confia-se a desvairada paixão contra o Cristianismo e persegue, furioso, todas as manifestações do Evangelho nascente; no entanto, caindo em si, perante o chamado sublime do Senhor, penitencia-se dos seus erros e converte-se num dos mais brilhantes colaboradores do triunfo cristão.

Há grande massa de crentes de todos os matizes, nas mais diversas linhas da fé, todavia, reinam entre eles a perturbação e a dúvida, porque vivem mergulhados nas interpretações puramente verbalistas da revelação celeste, em gozos fantasistas, em mentiras da hora carnal ou imantados à casca da vida a que se prendem desavisados. 

Para eles, a alegria é o interesse imediatista satisfeito e a paz é a sensação passageira de bem-estar do corpo de carne, sem dor alguma, a fim de que possam comer e beber sem impedimento.

Cai, contudo, em ti mesmo, sob a bênção de Jesus e, transferindo-te, então, da inércia para o trabalho incessante pela tua redenção, observarás, surpreendido, como a vida é diferente.


Emmanuel