segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 8 - A busca do significado - A individuação



Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 8 - A busca do significado


A individuação


A busca do significado na existência humana deve expressar-se no rumo da individuação, o que equivale dizer, da própria identidade, que não se circunscreve ao conceito de individualismo, mas de individualidade, que induz ao conhecimento real do que se é e não apenas do que parece ser no turbilhão das exterioridades do ego.

Para o eminente Jung, o criador do termo, o significado é que a existência se realize como individualidade do Self, como perfeita integração do Si-mesmo, da sua totalidade, o que não significa sua perfeição, que constitui um ideal...

Trata-se do esforço que deve ser envidado para que se alcance a perfeita consciência da sua realidade, sem disfarces, como realmente cada um é, sem o conflito de somente apresentar-se com características que não são verdadeiras.

Compreende-se que se trata de um esforço titânico, porque o arquétipo numinoso do Self apresenta-se como um tentame que pode ter repercussão perturbadora inesperada, como no caso, da auto-presunção de desejar tornar-se um super-homem — Ubermensch — conforme sonhado por Frederico Nietzsche, no seu delírio masoquista, ou um homem-deus...

Indispensável evitar-se tais ambições, considerando que a conquista não pode levar a esquecer-se a realidade do ser individual que se é, os limites naturais de humanidade que o caracterizam.

Enquanto o Self é a expressão da divindade interna no ser humano, nessa busca, a da individuação, deve apequenar-se até a postura do ego, tornando-se consciente da sua condição imensurável da psique, sendo, simultaneamente, o seu conteúdo mais significativo e real.

Isso exige um grande confronto em luta contínua com os constructos do inconsciente, eliminando, ou iluminando as pesadas condensações da sombra, das experiências dolorosas umas, infelizes outras, abençoadas algumas e frustrantes diversas...

Trata-se da conquista dos valores que se encontram programados para o vir-a-ser, e que podem ser logrados mediante o esforço de superação sobre o ego, por meio das renúncias e compreensão do significado existencial.

Não se consegue essa meta a golpes aventureirescos, sob entusiasmos e exaltações da persona, porém, mediante conquistas diárias, lentas e seguras, que vão sendo incorporadas ao consciente, na razão que liberta os traumas e conflitos do inconsciente.

Essa individuação pode apresentar-se num conteúdo espiritual, artístico, cultural, científico, de qualquer natureza, porquanto a sua meta é a ampliação da consciência além dos limites habituais em forma de compreensão da vida em todas as suas dimensões.

Isso se dá através das transformações dos conceitos existenciais, conduzindo o indivíduo à superação dos arquétipos perturbadores — persona, sombra, anima-us - em uma consciente integração.

Somente aceitando a vida - a realidade existencial - conforme é, e trabalhando para que se apresente melhor, desenvolvendo o autoamor - respeito por si mesmo, autotransformação, intelectualização e moralidade - a fim de poder entender e participar da convivência com as demais pessoas.

Essa integração do Self com a realidade confere responsabilidade consciente ao indivíduo que supera as injunções habituais dos percalços das enfermidades, das fugas psicológicas, das transferências da culpa, da criança maltratada, para lograr a maturidade psicológica libertadora.

Através do processo da evolução, houve alienação em referência aos instintos, por castração, por imposições de falsa moral, de reproche ao mundo, o que tornou a consciência distante da realidade, tornando-se necessário agora como impositivo o retorno à compreensão de todos os valores e à conduta saudável das ocorrências do cotidiano.

O desenvolvimento da inteligência contribui de maneira objetiva para a conquista da individuação, mas não através do intelectualismo sem a cooperação da conceituação moral, do sentido ético-filosófico do comportamento.

No conceito junguiano, a individuação plena e total não pode ser conseguida, por motivos óbvios, em face da sua transcendência à consciência, o que significa a momentânea impossibilidade de o Espírito alcançar os horizontes infinitos da perfeição, somente pertencente a Deus.

Dentro desses limites que lhe dizem respeito, a plenitude significa um estado de iluminação e de paz, não de conquista absoluta, na relatividade do seu processo evolutivo.

Cada indivíduo é portador da sua própria programação existencial, trabalhado pelos recursos defluentes das conquistas alcançadas no carreiro das reencarnações, não constituindo a etapa atual o último passo, a situação definitiva, mas sendo, isto sim, um segmento do conjunto que abarcará, um dia, quando conseguir libertar-se do impositivo da evolução.

Todo o seu esforço deve ser direcionado em favor da superação dos impulsos dos instintos agressivos e de natureza egóica, desenvolvendo os sentimentos de identificação com a harmonia e o bem-estar, com os labores da solidariedade que fomenta o progresso de todos, a autoiluminação.

Desse modo, o Self é específico e individual, embora o seu caráter coletivo, ainda no conceito junguiano, porque representa a unidade que deve ser conquistada como o destino que o aguarda.

Nessa realização individual, o Self reunirá os conteúdos inconscientes aos conscientes, conseguindo uma harmonia que faculta a perfeita lucidez da destinação humana sem os atavismos perturbadores do passado nem as ambições desenfreadas em relação ao futuro.

Esse trabalho é possível, na razão direta em que o mesmo vai penetrando nos depósitos do inconsciente e libertando as fixações e imagens ancestrais, que respondem pela desorientação do indivíduo sempre quando emergem, gerando conflito com a consciência, com os valores éticos estabelecidos, com as necessidades que se impõem.

Quando se inicia a identificação desses conteúdos graves, normalmente surgem a angústia, a rejeição de si mesmo, a surpresa com os significados mórbidos e perversos, vulgares e destituídos de sentimento que se encontravam adormecidos, podendo produzir alguns transtornos neuróticos...

No entanto, perseverando-se no objetivo, passa-se a outro nível do inconsciente, com diferentes conteúdos amenos e estimulantes.

É normal que isso tenha lugar, porque toda vez que se mergulha em águas acumuladas, chega-se até aos depósitos de lama, que após vencidos permitem a transparência cristalina do líquido armazenado.

No esforço empreendido, vão-se dando as transformações emocionais e os aspectos da saúde sob os vários ângulos considerada, constituindo grande motivo de prazer e de alegria, ante a perspectiva do encontro com o repouso, a paz, o Nirvana...

Após as primeiras experiências nirvânicas, a sede de progresso, de imortalidade, de sublimação retorna, e o trabalho interior prossegue, porque o repouso absoluto seria a negação da própria vida, a perda de sentido psicológico da evolução.

Não foi por outra razão que Jesus enunciou que o reino dos Céus está dentro de cada indivíduo, propondo a reflexão profunda e a autoconquista como meios para a libertação das anteriores aquisições alienantes e dos desejos do ego presunçoso.

O conceito, portanto, de individuação, de totalidade, abrange a conquista dos conteúdos possíveis de conscientização, que desaparecem nos significados psicológicos elevados que cada qual estabelece como sua meta existencial.

Esse tentame, naturalmente propõe novos paradigmas de comportamento que surpreendem, porque o novo e desconhecido são sempre motivo de preocupação e de mal-entendimento.

Tais paradigmas, no entanto, estão ínsitos no ser, porque são uma visão nova de perspectivas de conduta e de aspiração de vida, interpretação diferenciada do aceito e comum, das circunstâncias caóticas que devem ser modificadas e do esforço pessoal em benefício do equilíbrio geral.

Quando isso não ocorre, estabelece-se a neurose moderna como a que toma conta da sociedade atual.

Esse tipo de transtorno neurótico expressa-se em forma de ansiedade, de insatisfação, de frustração, de desconfiança e de solidão, asfixiando os mais belos ideais da humanidade intelectualizada, tecnologicamente rica e profundamente infeliz em seu sentimento pessoal.


Os efeitos imediatos são as depressões bipolares na área da afetividade, a síndrome do pânico, as fugas hediondas pelo suicídio, pelo homicídio, as opções tormentosas pela violência,
pelo estupro, pelo esdrúxulo e primitivo no comportamento para chamar a atenção, em face do desprezo que as suas vítimas sentem por si mesmas.

Ante a impossibilidade de considerar a sua valorização pelos significados nobres, assume as agressivas posturas que lhes atendem ao desconforto interior, tornando-se temíveis, por saber que não são amadas, em carência profunda e em estado de infância abandonada...

Desse modo, a busca da indivudação é também a maneira psicológica de encontrar-se o melhor meio para o bom relacionamento com o Si-mesmo, com o outro, com a sociedade.

Não se pode viver de maneira saudável sem considerar-se a presença de outrem no contexto social, sendo, por sua vez, o outro daquele...

Algo somente passa a ter existência real na consciência quando é pela mesma detectado.

Observar-se algo ou alguém é também ser observado por esse objeto ou pessoa em observação.

Inevitavelmente, nesse momento, dá-se um relacionamento, um descobrimento do outro, a necessidade de intercâmbio com ele, a sua convivência, que constituem a forma de cada qual existir e ter valor no mundo.

Por tal motivo, o isolamento, o distanciamento da sociedade sob a justificativa de encontrar Deus e melhor servi-lO, oculta uma alienação defluente de algum conflito forte em relação ao próximo, uma agarofobia que pode ter razão profunda na libido atormentada, na culpa maldisfarçada.

A fuga do mundo não impede que o indivíduo se leve até onde for procurar esconder-se.

No início da divulgação da doutrina cristã, especialmente no século III d. C.

houve uma epidemia de eremitas, de pessoas que buscavam a solidão, de processos autopunitivos ou de busca pela autoflagelação, caracterizando a morbidez da cultura e o alto índice de tormentos que assolavam a ética e a sociedade que se comprazia no deboche e nos absurdos de conduta, fugindo para a libertação dos conflitos.

Infelizmente, porém, tornaram-se mais exemplos de inutilidade e de egoísmo do que de serviço ao bem, às propostas de Jesus, que optou pela convivência com os infelizes, a fim de ajudá-los a libertar-se de si mesmos, das suas misérias, das suas dores.

Convivendo com a ralé, manteve a sua aristocracia espiritual, demonstrando o mais elevado nível de individuação, do Self totalizado e em integração perfeita com Deus, em nome de Quem viera para amar e ensinar a conquista da saúde total e da felicidade às criaturas, constituindo-se o mais elevado exemplo de vitória sobre as circunstâncias e ocorrências de que se tem notícias.

Seguir-Lhe o exemplo, reflexionar nas Suas palavras e, sobretudo nos Seus exemplos, é a mais segura diretriz para encontrar-se a individuação.

Mediante a conquista da individuação, a fissão da psique torna-se unidade.


Joanna de Ângelis 






(*) Questão n° 1 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, 29a
.

Emmanuel - Livro Opinião Espírita - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 2 - O Mestre e o apóstolo



Emmanuel - Livro Opinião Espírita - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 2


O Mestre e o apóstolo


Assim como o Cristo disse: “Não vim destruir a lei, porém cumpri-la”, também o Espiritismo diz: “Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução”. 

Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica; vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas futuras.

Ele é, pois, obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra. (E.S.E — Cap. I — Item 7.)


Luminosa, a coerência entre o Cristo e o Apóstolo que lhe restaurou a palavra.

Jesus, o Mestre.

Kardec, o Professor.

Jesus refere-se a Deus, junto da fé sem obras.

Kardec fala de Deus, rente às obras sem fé.

Jesus é combatido, desde a primeira hora do Evangelho, pelos que se acomodam na sombra.

Kardec é impugnado desde o primeiro dia do Espiritismo, pelos que fogem da luz.

Jesus caminha sem convenções.

Kardec age sem preconceitos.

Jesus exige coragem de atitudes.

Kardec reclama independência mental.

Jesus convida ao amor.

Kardec impele à caridade.

Jesus consola a multidão.

Kardec esclarece o povo.

Jesus acorda o sentimento.

Kardec desperta a razão.

Jesus constrói.

Kardec consolida.

Jesus revela.

Kardec descortina.

Jesus propõe.

Kardec expõe.

Jesus lança as bases do Cristianismo, entre fenômenos mediúnicos.

Kardec recebe os princípios da Doutrina Espírita, através da mediunidade.

Jesus afirma que é preciso nascer de novo.

Kardec explica a reencarnação.

Jesus reporta-se a outras moradas.

Kardec menciona outros mundos.

Jesus espera que a verdade emancipe os homens; ensina que a justiça atribui a cada um pela próprias obras e anuncia que o Criador será adorado, na Terra, em espírito.

Kardec esculpe na consciência as leis do Universo.

Em suma, diante do acesso aos mais altos valores da vida, Jesus e Kardec estão perfeitamente conjugados pela Sabedoria Divina.

Jesus, a porta.

Kardec, a chave.


Emmanuel














Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. XIX - João Nunes Maia - Cap. 13 - Classes sofredoras



Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. XIX - João Nunes Maia - Cap. 13


Classes sofredoras


931. Por que são mais numerosas, na sociedade, as classes sofredoras do que as felizes?

“Nenhuma é perfeitamente feliz e o que julgais ser a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflições. O sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes a que chamas sofredoras são mais numerosas, por ser a Terra lugar de expiação. Quando a houver transformado em morada do bem e de Espíritos bons, o homem deixará de ser infeliz aí e ela lhe será o paraíso terrestre.” (O Livro dos Espíritos).


No mundo em que habitas, as classes sofredoras são em maior número, por ser a Terra mundo de expiação e provas, como retraíam os benfeitores da espiritualidade em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" (Cap. III). Os que dizem que alguns são felizes se enganam na expressão e mesmo na realidade. Tornamos a dizer o que muitos instrutores da espiritualidade já falaram: não existe felicidade completa na Terra. No entanto, ela é uma realidade, porque alguns já a percebem e de vez em quando recebem ou concebem alguns minutos deste tesouro, que é permanente nos mundos venturosos. Nenhuma classe no mundo é feliz, na expressão da palavra. Alguns, aqui e ali, sentem a existência da felicidade e procuram ir em busca da paz que o Cristo tem com abundância. Ele, o Mestre dos mestres, indicou os caminhos para aquisição desse estado d'alma que, em grande parte, é conquista da alma, no certame da vida.

Se a Terra fosse morada dos eleitos, como se costuma dizer, onde se encontra a felicidade, não precisaria vir Jesus a ela, nem seria necessário surgir a Doutrina dos Espíritos. O Mestre veio para os sofredores e sempre está ao lado deles, consolando e instruindo e, se a Doutrina dos Espíritos é Jesus voltando, deve fazer a mesma coisa. Onde somente moram os Anjos, qual é o trabalho do consolo? Onde haja somente Espíritos puros, qual a necessidade de se pregar o Evangelho? Ele reflete as leis, e para quem foram estabelecidas as leis? Somente para os ignorantes, não para os sábios que já as têm palpitando dentro do coração.

Quem sofre é que precisa de médico e remédios. Jesus mesmo disse que não veto ao mundo para os sãos e, sim, para os enfermos. Notadamente buscamos conforto quando estamos sofrendo, remédio quando estamos enfermos e amparo, quando desamparados. O sofrimento no mundo está por toda parte. Muitos dos que se pensa estarem livres dele, pode ser os que sofrem mais ocultamente.

Não penses que o conforto material tira os padecimentos materiais e morais; por vezes ele piora a situação. A tranquilidade de consciência gera-se por dentro; não se faz por fora, com dinheiro, bens materiais ou poderes políticos. A felicidade é maturidade da alma, com mais capacidade de amar. Por enquanto, as próprias leis humanas carecem de reformas, mas que sejam compatíveis com as leis de justiça e de amor. As leis naturais são mal compreendidas pelos homens, porque eles não as sentiram no coração. Esqueceram-se da presença de Deus na consciência e ainda não se lembraram dos dois mandamentos que Jesus sintetizou, considerando as leis recebidas por Moisés.

Quando a humanidade estiver amando a Deus em todas as coisas, bastará esse mandamento para que tudo se transforme em luz em favor dos homens. Somente o amor consegue libertar a alma, porque ele é a verdade, é o caminho e a vida.

A Terra é lugar de expiação, porque os homens que nela moram se encontram entre o bem e o mal, por vezes mais propensos para o último. Como pode haver felicidade? Feliz somente o é quem ama nas vinte e quatro horas do dia, sem nenhum apego às paixões inferiores, em que a caridade em sua vida seja constante. Esta Terra será dos eleitos, mas daqueles eleitos que conquistaram esse título pelos processos do amor.

"E, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava graças a Deus." (LUCAS, 13:13)

Quando andarmos sob a imposição das mãos de Jesus, endireitaremos nossa vida e certamente vamos dar graças a Deus, pela nossa conduta reta, na retidão da nossa moral. Se somente atraímos o que somos, se todas as criaturas procurarem o Mestre, o ambiente terreno deve mudar, tornando-se um paraíso. Será então o céu na Terra, porque esta se encontrará transformada, pela transformação dos seus filhos.

Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 89 - Simpatia



Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 89


Simpatia


931. Por que são mais numerosas, na sociedade, as classes sofredoras do que as felizes?

“Nenhuma é perfeitamente feliz e o que julgais ser a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflições. O sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes a que chamas sofredoras são mais numerosas, por ser a Terra lugar de expiação. Quando a houver transformado em morada do bem e de Espíritos bons, o homem deixará de ser infeliz aí e ela lhe será o paraíso terrestre.”


Compadece-te de quem se aproxima.

Não te encarceres nas aparências.

Há risadas que disfarçam soluços.

Muita veste custosa esconde feridas.

O legislador que te parece feliz muita vez gemerá em desespero silencioso.

O administrador que passa, indiferente, carrega na cabeça tão esfogueantes problemas que deixou de saudar-te.

O expositor de ensinamentos sublimes que se te afigura a cavaleiro das vicissitudes humanas caminhará, talvez, cada dia, atormentado de tentações.

O titulado que respira sob o apreço público, pela elevação cultural e profissional a que se guindou, em muitas ocasiões transporta consigo amargas experiências.

O comerciante que supões regalado, na mesa opípara, guarda provavelmente o estômago ulceroso, com extrema dificuldade para comer.

O artista que presumes campeão do prazer, porque trabalha sorrindo, quase sempre possui no coração um vaso de lágrimas.

A mulher que julgas vaidosa, porque anda adornada, em muitas circunstâncias chora por dentro, crucificada no martírio doméstico.

A pessoa que acreditas insensata, por revelar-se autoritária ou pretensiosa, na maioria das vezes é simples caso de obsessão.

A sociedade é filtro gigantesco do espírito.

Cada consciência permanece no crivo que lhe é necessário.

Atende à fome do corpo, mas não desprezes a fome da alma.

Alivia aqueles que exibem chagas à mostra; no entanto, ampara também os que trazem chagas ocultas.

Toda criatura pede auxílio e entendimento. E ninguém há que não seja digno de socorro e compreensão.

Cede, assim, aos outros a simpatia que advogas em favor de ti mesmo.

Todos sabemos que a Terra é ainda estação de lutas expiatórias, mas será de futuro o domicílio do Eterno Bem.

Contudo, estejamos certos de que o bem de todos começa sempre no esforço construtivo de cada um.


Emmanuel









Reunião pública de 14-12-1959.

domingo, 9 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Caminho Espírita - Espíritos Diversos / Chico Xavier - 15 - Livro espírita e vida



Emmanuel - Livro Caminho Espírita - Espíritos Diversos / Chico Xavier - 15


Livro espírita e vida


O pão elimina a fome.

O livro espírita suprime a penúria moral. 

O traje compõe o exterior.

O livro espírita harmoniza o íntimo.

O teto abriga da intempérie.

O livro espírita resguarda a criatura contra os perigos da obsessão.

O remédio exclui a enfermidade.

O livro espírita reanima o doente.

A cirurgia reajusta os tecidos celulares.

O livro espírita reequilibra os processos da consciência.

A devoção prepara e consola.

O livro espírita reconforta e explica.

A arte distrai e enternece.

O livro espírita purifica a emoção e impele ao raciocínio.

A conversação amiga e edificante exige ambiente e ocasião para socorrer os necessitados da alma.

O livro espírita faz isso em qualquer lugar e em qualquer tempo.

A força corrige.

O livro espírita renova.

O alfabeto instrui.

O livro espírita ilumina o pensamento.

Certamente é dever nosso criar e desenvolver todos os recursos humanos que nos sustentem, e dignifiquem a vida na Terra de hoje; todavia, quanto nos seja possível, auxiliemos a manutenção e a difusão do livro espírita que nos sustenta e dignifica a vida imperecível, libertando-nos da sombra para a luz, no Plano Físico e na Esfera Espiritual, aqui e agora, depois e sempre.


Emmanuel













Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 2 - Novos tempos




Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 2


Novos tempos


Jesus respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. – Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” (MATEUS, 22: 34 a 40.)


Deus é único e soberano em todos os mundos, para tanto, criou leis que regulam a vida e derramam paz aos que a elas obedecem.

O Senhor colocou energia divina no centro de todas as coisas criadas para que, com o tempo, essa força despertasse em valores compatíveis com o Seu amor.

É neste sentido que se consolidou o mandamento que nos fala em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo e que, nos novos tempos, se transformará em amar a Deus em todas as coisas.

Por que amar, depois de Deus, somente ao semelhante?

Por que não amar a tudo saído das Suas generosas mãos de luz?

O amor, como força divina, acorda, ou faz ambiente para despertar os valores espirituais no centro de todas as vidas, em todas as faixas.

Jesus descortinava, dos planos de Sua soberania divina, os desvios dos homens e se propôs a descer à Terra, no seio da ignorância, deixando a Sua mensagem de fé aos que sofriam e, aos apedrejados, a Sua luz.

Era Seu dever espantar as trevas, dando paz aos estropiados, levantando os caídos e curando os enfermos de várias ordens, fazendo brilhar para o futuro humano as regiões celestiais que nos esperam.

Mas tudo isso dependeu da Sua estadia na Terra, enfrentando todos os tipos de carrascos humanos, com o Seu amor e a Sua força de fé.

Todos os novos tempos não podem surgir sem dificuldades, sem renúncia e sem dor, do modo como dissera Jesus aos Seus discípulos: que dessem seu testemunho de que confiavam em Deus e n’Ele, e seriam amparados pela Luz.

O que queremos dizer é que Cristo voltou e continua a voltar no silêncio, que a intimidade dos homens formou, pela caridade consigo mesmo, onde se formou o ninho de amor, no coração da vida, onde a fé cresceu, e o perdão se fez em alegria duradoura.

Se o homem deseja que o Mestre volte para seu caminho, que leve à prática os conceitos da Doutrina Espírita, passando a viver uma vida universal, sem a perseguição àqueles que não tolera, às vezes por sua própria culpa; que tenha a Doutrina Espírita acima das mazelas humanas, e olhe a posição que ocupa, por misericórdia, aproveitando-a para a luz do amor, fazendo o bem sem olhar para quem.

Os novos tempos chegaram!

Veja a sua missão de portador de novidades, frente à fraternidade universal. Dê as mãos aos companheiros caídos, mesmo àqueles com quem você não simpatiza.

Ajude-os; esse é o seu dever, pois eles são seus irmãos em Jesus e filhos do mesmo Pai.

Apóstolos da nova era!...

Hão de acontecer muitas revoluções, sendo a maior delas a de ordem moral!

A maior guerra que terão de enfrentar será a guerra consigo mesmos, a de mudar o ódio em amor, a dúvida em fé, a revolta em conhecimento, a vingança em perdão, a violência em mansuetude, a preguiça em trabalho honesto, as lutai fratricidas em paz, a discórdia em concórdia, a usura em desprendimento, o egoísmo em caridade e tudo isso com a alegria espiritual!

Eis os caminhos dos novos tempos, trazendo na dignidade do Espiritismo novos conceitos de luz, para que a paz seja estabelecida.

Desta maneira, poderemos entrever os novos tempos, onde as estrelas brilharão com mais intensidade, e o sol espiritual passará a tranquilizar as consciências, pois o desespero mudou-se da intimidade das almas, dado ao domínio do amor no coração, para tudo e para todos.


Miramez














Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 52 - Dons



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 52


Dons

 
“Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do Alto.” — (TIAGO, 1:17)


Certificando-se o homem de que coisa alguma possui de bom, sem que Deus lho conceda, a vida na Terra ganhará novos rumos.

Diz a sabedoria, desde a Antiguidade:

— Faze de tua parte e o Senhor te ajudará. 

"Do ponto de vista terreno, a máxima: Buscai e achareis é análoga a esta outra: Ajuda-te a ti mesmo, que o Céu te ajudará." (E.S.E. Cap. 25 - item 2)

Reconhecendo o elevado teor da exortação, somos compelidos a reconhecer que, na própria aquisição de títulos profissionais, o homem é o filho que se esforça, durante alguns anos, para que o Pai lhe confira um certificado de competência, através dos professores humanos.

Qual ocorre no patrimônio das realizações materiais, acontece no círculo das edificações do espírito.

Indiscutivelmente, toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm de Deus. Entretanto, para recebermos o benefício, faz-se preciso “bater” à porta para que ela se nos abra, segundo a recomendação evangélica.

"Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á." (Mateus, 7:7)

Queres o dom de curar? Começa amando os doentes, interessando-te pela solução de suas necessidades.

Queres o dom de ensinar? Faze-te amigo dos que ministram o conhecimento em nome do Senhor, através das obras e das palavras edificantes.

Esperas o dom da virtude? Disciplina-te.

Pretendes falar com acerto? Aprende a calar no momento oportuno.

Desejas acesso aos círculos sagrados do Cristo? Aproxima-te d’Ele, não só pela conversação elevada, mas também por atitudes de sacrifício, como foram as de sua vida.

As qualidades excelentes são dons que procedem de Deus; entretanto, cada qual tem a porta respectiva e pede uma chave diferente.


Emmanuel