terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 28 - Olhando para trás



Joanna de Ângelis - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 28


Olhando para trás


Respondeu-lhe Jesus: "Ninguém, tendo posto a mão ao arado e olhando para trás, é apto para o reino de Deus." (Lucas, 9:62)


Todo aquele que busca seguir Jesus, não tem passado, nem presente, apenas o futuro.

A sua é a decisão de vir-a-ser, das suas possibilidades de crescimento e de renovação interior permanente.

Surgida a oportunidade do encontro com o Mestre, nem sempre a pessoa logra desatar-se das amarras constritoras do passado.

Não raro, esse passado constitui uma terrível marca na trajetória da evolução humana.

Vive-se de recordações ingratas que o assinalaram dolorosamente; de reminiscências amargas, quando se sonhava com o amor e a ternura; de evocações dos momentos de ansiedade e amargura que se pensava seriam de bênçãos e renovação transcendente; de apelos às horas da escravidão aos gozos que se converteram em tenazes de dor, dilacerando os mais belos sentimentos...

Desfilam, então, pela mente, as frustrações e os desejos não fruídos; as decepções e os anseios que ficaram ceifados; os abandonos a que se viu relegado mil vezes, e, por tudo isto, e muito mais, não pode seguir adiante, porque se detém, olhando para trás.

Não poucos homens e mulheres, igualmente se demoram na paisagem das lembranças felizes que não retornarão.

Repassam, mentalmente, as alegrias experimentadas, que os emularam ao avanço e depois escassearam; os tesouros de ternura com que foram aquinhoados e hoje cessaram; as expectativas de realização externa, que abriam estradas emocionais para o progresso e agora se apresentam sem trânsito; as carícias que os enriqueceram de emoção e ora estão distantes; os folguedos e a juventude que já passaram...

Vivem de evocações que os mantêm olhando para trás, sem que se animem a reiniciar a marcha, a avançar com segurança.

A vida terrestre, no entanto, é impermanente.

As alegrias de agora podem ser o prenúncio de lágrimas de depois. Assim como as dores acerbas deste momento, podem significar a cirurgia da libertação para os grandes vôos do espírito.

Todo aquele que, realmente, encontra Jesus, é convidado a uma decisão; tomar da charrua do dever e, sem saudades nem ansiedades mórbidas, avançar, passo a passo, com equilíbrio.

A decisão é pessoal, que deve ser seguida pela ação.

Não é indispensável que se fuja do mundo ou se adote uma conduta ascética, severa, que inspira o ódio contra o mundo.

A posição ideal é a da neutralidade dinâmica. Isto é, viver no mundo sem que se lhe escravize. Fomentar o progresso com decisão, assumindo responsabilidades que promovam outros homens e as várias expressões da vida.

Maria de Magdala, por exemplo, tomou da charrua e recuperou a virtude que a elevou às culminâncias da doação total.

Saulo, igualmente, segurou a charrua, e, sem recordar-se do passado, carregou a sua cruz e plantou- a no monte da sublimação.

Gandhi, da mesma forma, segurou a charrua e ofereceu-se em holocausto, tornando-se uma grande luz para milhões de vidas.

Hoje como ontem a humanidade necessita de criaturas que, tomando da charrua não olhem para trás, seguindo animadas, após superadas as dificuldades habituais.

Se deséjas seguir Jesus e tornar-te pleno; se almejas a renovação e a paz através do Evangelho; se queres a glória interior sem receios nem fronteiras, toma da charrua do amor clareado pela fé e, mediante a ação da caridade, não olhes para trás.


Joanna de Ângelis










Emmanuel - Livro Justiça Divina - Chico Xavier - Cap. 68 - Ante os Espíritos puros



Emmanuel - Livro Justiça Divina - Chico Xavier - Cap. 68


Ante os Espíritos puros


Mentalizas a natureza divina dos Espíritos puros e queres partilhar-lhes o banquete de luz.

Sonhas trajar-te de esplendor e esparzir sobre os homens os dons infinitos da bondade celeste.

Entretanto, ai de nós! Espíritos vinculados ainda à Terra, somos, por enquanto, consciências endividadas, a entrechocar-nos na sombra de débitos clamorosos, compelidos ao barro das próprias imperfeições.

Apesar disso, porém, é possível começar, desde logo, a escalada ao fulgor dos cimos.

Não podes, hoje, erguer as mãos, sustando o curso da tempestade; contudo, guardas contigo os meios de asserenar a procela de dor que zurze o coração dos companheiros em sofrimento.

É impossível, de um instante para outro, transmitir para o mundo as mensagens divinatórias das supremas revelações; no entanto, bastará leve esforço e acenderás o alfabeto em muitos cérebros que tateiam na noite da ignorância.

Diligenciarias debalde, agora, materializar os entes sublimes da Esfera Superior, ante os olhos terrestres; todavia, nada te impede concretizar o caldo reconfortante para os doentes abandonados que esmorecem de fome.

Na atualidade, resultaria infrutífero qualquer empreendimento de tua parte, no sentido de alimpar o próximo verminado de chagas, pronunciando simples ordem verbal; contudo, ninguém te furta o ensejo de alentar-lhe a esperança ou lavar-lhe as feridas.

Em vão buscarias, à pressa, renovar milagrosamente o ânimo envenenado de entidades embrutecidas, transformadas em obsessores intransigentes; no entanto, consegues aliviar, em bálsamos de oração e de amor, a mente desorientada, fronteiriça à loucura.

Reflete nos Mensageiros Divinos, respeita-lhes a missão e roga-lhes apoio, na caminhada, mas não tentes obter de improviso as responsabilidades que lhes pesam nos ombros.

Não reclames para teus braços o serviço do Sol.

Cumpre os deveres que te competem.

Para isso, não te digas cansado, nem te proclames inútil.

O verme, infinitamente distante do pensamento que te coroa, é o servo esquecido que aduba a terra, para que a terra te forneça o pão.


Emmanuel









O Céu e o Inferno - 1ª Parte — Cap. VIII — Item 14.

A Humanidade não se limita à Terra; habita inúmeros mundos que no Espaço circulam; já habitou os desaparecidos, e habitará os que se formarem. Tendo-a criado de toda a eternidade, Deus jamais cessa de criá-la. Muito antes que a Terra existisse e por mais remota que a suponhamos, outros mundos havia, nos quais Espíritos encarnados percorreram as mesmas fases que ora percorrem os de mais recente formação, atingindo seu fim antes mesmo que houvéramos saído das mãos do Criador. De toda a eternidade tem havido, pois, puros Espíritos ou anjos; mas, como a sua existência humana se passou num infinito passado, eis que os supomos como se tivessem sido sempre anjos de todos os tempos.




Reunião pública de 27-10-1961.



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 87 - Pondera sempre



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 87


Pondera sempre


“E o que de mim, diante de muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem a outros.” — PAULO. (2 Timóteo, 2:2)


Os discípulos do Evangelho, no Espiritismo cristão, muitas vezes evidenciam insofreável entusiasmo, ansiosos de estender a fé renovada, contagiosa e ardente. No entanto, semelhante movimentação mental exige grande cuidado, não só porque assombro e admiração não significam elevação interior, como também porque é indispensável conhecer a qualidade do terreno espiritual a que se vai transmitir o poder do conhecimento.

Claro que não nos reportamos aqui ao ato de semeadura geral da verdade reveladora, nem à manifestação da bondade fraterna, que traduzem nossas obrigações naturais na ação do bem. 

Encarecemos, sim, a necessidade de cada irmão governar o patrimônio de dádivas espirituais recebidas do Plano superior, a fim de não relegar valores celestes ao menosprezo da maldade e da ignorância.

Distribuamos a luz do amor com os nossos companheiros de jornada; todavia, defendamos o nosso íntimo santuário contra as arremetidas das trevas.

Lembremo-nos de que o próprio Mestre reservava lições diferentes para as massas populares e para a pequena comunidade dos aprendizes; não se fez acompanhar por todos os discípulos na transfiguração do Tabor; na última ceia, aguarda a ausência de Judas para comentar as angústias que sobreviriam.

É necessário atentarmos para essas atitudes do Cristo, compreendendo que nem tudo está destinado a todos. 

Os Espíritos enobrecidos que se comunicam na Esfera carnal adotam sempre o critério seletivo, buscando criaturas idôneas e fiéis, habilitadas a ensinar aos outros. 

Se eles, que já podem identificar os problemas com a visão iluminada, agem com prudência, nesse sentido, como não deverá vigiar o discípulo que apenas dispõe dos olhos corporais? Trabalhemos em benefício de todos, estendamos os laços fraternais, compreendendo, porém, que cada criatura tem o seu degrau na infinita escala da vida.


Emmanuel













Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 3 - Deus é amor



Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 3


Deus é amor


Efetivamente, podes mobilizar as palavras que desejes, sacando-as, indiscriminadamente, da terminologia criada pelos homens, entretanto, em favor da própria felicidade, escolhe para teu uso pessoal, no cotidiano, aquelas que se fazem aceitáveis perante Deus.

Fácil a seleção.

Deus é Luz.

Não enfatizaremos a força das trevas, empregando frases que lhes salientem o jogo infeliz, e sim encareceremos o valor da educação que acabará por dissolver todas as cristalizações de sombras, nos domínios da ignorância.

Deus é Harmonia.

Abster-nos-emos de exaltar a discórdia, fugindo de exteriorizar recursos verbais que operem desequilíbrio e separação entre os companheiros da Humanidade, e, sem deixarmos de ser cultivadores da verdade, trabalharemos, quanto nos seja possível, na preservação da própria paz, no campo de relações uns com os outros.

Deus é Bondade.

Compreenderemos que a justiça é benemerência da vida, no entanto, reconheceremos que a justiça não atua sem misericórdia em nome da Providência Divina, e, por isso mesmo, faremos do entendimento e da compaixão nosso ambiente de cada dia.

Deus é Perdão.

Evitaremos condenar seja a quem for e, consequentemente, não nos valeremos do dicionário para engenhar mecanismos de censura ou sarcasmo e, sim, ao invés disso, articularemos imagens de fraternidade e de bênção em auxílio ao próximo, não apenas porque sejamos ainda suscetíveis ao erro, mas também porque a Sabedoria do Senhor nos transforma todos os males em valores de experiência.

Seja qual seja a forma pela qual se te apresentem as dificuldades do cotidiano, pensa no bem e faze o bem, esquecendo o mal, porque Deus é amor e em tudo quanto dissermos ou fizermos contra o amor, tentando subverter as leis do Universo e da Vida, Deus, através do tempo, dar-nos-á formal desmentido.


Batuíra









domingo, 8 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 28 - Em peregrinação



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 28


Em peregrinação

 
“Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura.” — PAULO. (Hebreus, 13:14)

Risível é o instinto de apropriação indébita que assinala a maioria dos homens.

Não será a Terra comparável a grande carro cósmico, onde se encontra o Espírito em viagem educativa?

Se a criatura permanece na abastança material, apenas excursiona em aposentos mais confortáveis.

Se respira na pobreza, viaja igualmente com vistas ao mesmo destino, apesar da condição de segunda classe transitória.

Se apresenta notável figuração física, somente enverga efêmera vestidura de aspecto mais agradável, através de curto tempo, na jornada empreendida.

Se exibe traços menos belos ou caracterizados de evidentes imperfeições, vale-se de indumentária tão passageira quanto a mais linda roupagem do próximo, na peregrinação em curso.

Por mais que o impulso de propriedade ateie fogueiras de perturbações e discórdias, na maquinaria do mundo, a realidade é que homem algum possui no chão do Planeta domicílio permanente. 

Todos os patrimônios materiais a que se atira, ávido de possuir, se desgastam e transformam.

Nos bens que incorpora ao seu nome, até o corpo que julga exclusivamente seu, ocorrem modificações cada dia, impelindo-o a renovar-se e melhorar-se para a eternidade.

Se não estás cego, pois, para as leis da vida, se já despertaste para o entendimento superior, examina, a tempo, onde te deixará, provisoriamente, o comboio da experiência humana, nas súbitas paradas da morte.


Emmanuel









Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 19 - Antes da luta



Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 19


Antes da luta


Da montanha de luz, a alma contempla o vale escuro em que lhe compete trabalhar, na aquisição dos valores imperecíveis para voo aos Céus Mais Altos, e aprecia os aspectos da luta sob o prisma adequado à sua justa ascensão…

Cabe-lhe tomar a veste física, por algum tempo, à maneira do aluno que se prepara convenientemente para o ingresso à escola em que se lhe habilitará a competência ante o serviço mais nobre.

E o Espírito reflete em termos de eternidade disputando o trabalho mais árduo como recurso eficiente à vitória que almeja.

A opulência material afigura-se-lhe deplorável pobreza de elevação.

O contentamento de si próprio na gratificação dos sentidos aparece-lhe por reclusão no clima entorpecente do egoísmo.

A beleza física surge-lhe ao discernimento por perigoso empecilho ao triunfo, nas qualidades que pretende adquirir e aperfeiçoar.

A evidência social é interpretada ao seu correto juízo por fixador de lamentáveis ilusões, embora as nobres responsabilidades que essa mesma evidência é portadora.

O brilho da intelectualidade vazia sugere-lhe o acesso fácil à cristalização na vaidade e no orgulho.

E a casa terrestre sem problemas se lhe destaca à observação por túmulo de ameaçadora ociosidade em que, provavelmente, se lhe congelarão os melhores impulsos de aprimoramento.

Incorporado, porém, ao vale, eis que frequentemente se deixa enganar por miragens e fantasias, fugindo deliberadamente à realidade que, mais tarde, somente a dor e a morte lhe impõem de novo ao olhar.

Ninguém menospreze a luta e a provação, o trabalho e a dificuldade que, na Terra, nos favorecem o burilamento espiritual para a Vida Superior.

Façamos de cada dia um capítulo de serviço e bondade no livro de nossas relações ante a vida e os nossos semelhantes!

Que a alegria e a esperança, o otimismo e a fé nos ilumine a estrada, ainda mesmo quando sejamos induzidos a libertar nossas aflições em forma de lágrimas!

Sejamos, hoje, corações fraternos e amigos, irmanando-nos uns aos outros na solução dos enigmas que nos são próprios à experiência comum, porque, amanhã, a morte nos terá reunido novamente a todos no templo da verdade, furtando-nos ao engodo da fantasia e restabelecendo-nos a visão.


Emmanuel










terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Nascer e Renascer - Chico Xavier - Cap. 16 - Diante da perfeição



Emmanuel - Livro Nascer e Renascer - Chico Xavier - Cap. 16


Diante da perfeição


"Sede vós, pois, perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito" (Mateus 5:48)


Esta foi a advertência do Senhor ao nosso coração de aprendizes.

Todavia, à maneira do verme contemplando a estrela longínqua, sabemos quão imensa é a distância que nos separa da meta.

Impedimentos, compromissos e inibições fluem do nosso “ontem”, asfixiando-nos, a cada momento de hoje, o anseio de movimentação para a luz.

Entretanto, se ainda nos situamos tão longe do justo aprimoramento que nos integrará na magnificência divina, é imperioso começar a grande romagem, oferecendo ao avanço as melhores forças.

Ninguém exige sejas de imediato o paradigma do amor que o Mestre nos legou, mas podes ser, desde agora, o cultor da compreensão e da gentileza dentro da própria casa.

Ninguém te pede a renúncia integral aos bens que te enriquecem os dias terrestres, no entanto, podes doar, de improviso, a migalha do que te sobre ao conforto doméstico, em auxílio ao companheiro necessitado.

Ninguém espera desempenhes, ainda hoje, o papel de herói na praça pública, mas podes calar, sem detença, a palavra escura ou amargosa capaz de emergir de teu coração para os lábios.

Ninguém aguarda sejas o remédio para todas as doenças, entretanto, ainda hoje, podes ser a enfermagem diligente, balsamizando as úlceras dos enfermos relegados ao abandono.

Ninguém te solicita prodígios, em manifestações prematuras de fé, mas podes ser, sem delonga, o reconforto que ampare a quantos atravessam as sarças do caminho.

Lembra a semente que te regala o corpo e aprendamos a começar.

A planta que era ontem simples promessa, hoje é a garantia do pão que te supre a mesa.

As maiores e as mais famosas viagens iniciam-se de um passo.

Esforcemo-nos por fazer o melhor ao nosso alcance, desde agora, e a perfeição ser-nos-á, um dia, preciosa fonte de bênçãos, descortinando-nos luminoso porvir.


Emmanuel