sábado, 21 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 88 - Caindo em si



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 88


Caindo em si


“Caindo, porém, em si…” — (LUCAS, 15:17)

Este pequeno trecho da parábola do filho pródigo desperta valiosas considerações em torno da vida.

Judas sonhou com o domínio político do Evangelho, interessado na transformação compulsória das criaturas; contudo, quando caiu em si, era demasiado tarde, porque o Divino Amigo fora entregue a juízes cruéis.

Outras personagens da Boa Nova, porém, tornaram a si, a tempo de realizarem salvadora retificação.

Maria de Magdala pusera a vida íntima nas mãos de gênios perversos, todavia, caindo em si, sob a influência do Cristo, observa o tempo perdido e conquista a mais elevada dignidade espiritual, por intermédio da humildade e da renunciação.

Pedro, intimidado ante as ameaças de perseguição e sofrimento, nega o Mestre Divino; entretanto, caindo em si ao se lhe deparar o olhar compassivo de Jesus, chora amargamente e avança, resoluto, para a sua reabilitação no apostolado.

Paulo confia-se a desvairada paixão contra o Cristianismo e persegue, furioso, todas as manifestações do Evangelho nascente; no entanto, caindo em si, perante o chamado sublime do Senhor, penitencia-se dos seus erros e converte-se num dos mais brilhantes colaboradores do triunfo cristão.

Há grande massa de crentes de todos os matizes, nas mais diversas linhas da fé, todavia, reinam entre eles a perturbação e a dúvida, porque vivem mergulhados nas interpretações puramente verbalistas da revelação celeste, em gozos fantasistas, em mentiras da hora carnal ou imantados à casca da vida a que se prendem desavisados. 

Para eles, a alegria é o interesse imediatista satisfeito e a paz é a sensação passageira de bem-estar do corpo de carne, sem dor alguma, a fim de que possam comer e beber sem impedimento.

Cai, contudo, em ti mesmo, sob a bênção de Jesus e, transferindo-te, então, da inércia para o trabalho incessante pela tua redenção, observarás, surpreendido, como a vida é diferente.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 30 - De alma desperta

 

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 30


De alma desperta


“Por isso te lembro despertes o dom de Deus que existe em ti.” — PAULO (II Timóteo, 1:6)


É indispensável muito esforço de vontade para não nos perdermos indefinidamente na sombra dos impulsos primitivistas.

À frente dos milênios passados, em nosso campo evolutivo, somos suscetíveis de longa permanência nos resvaladouros do erro, cristalizando atitudes em desacordo com as Leis Eternas.

Para que não nos demoremos no fundo dos precipícios, temos ao nosso dispor a luz da Revelação Divina, dádiva do Alto, que, em hipótese alguma, devemos permitir se extinga em nós.

Em face da extensa e pesada bagagem de nossas necessidades de regeneração e aperfeiçoamento, as tentações para o desvio surgem com esmagadora percentagem sobre as sugestões de prosseguimento no caminho reto, dentro da ascensão espiritual.

Nas menores atividades da luta humana, o aprendiz é influenciado a permanecer às escuras.

Nas palestras comuns, cercam-no insinuações caluniosas e descabidas. Nos pensamentos habituais, recebe mil e um convites desordenados das zonas inferiores. 

Nas aplicações da justiça, é compelido a difíceis recapitulações, em virtude do demasiado individualismo do pretérito que procura perpetuar-se. 

Nas ações de trabalho, em obediência às determinações da vida, é, muita vez, levado a buscar descanso indevido. 

Até mesmo na alimentação do corpo é conduzido a perigosas convocações ao desequilíbrio.

Por essa razão, Paulo aconselhava ao companheiro não olvidasse a necessidade de acordar o “dom de Deus”, no altar do coração.

Que o homem sofrerá tentações, que cairá muitas vezes, que se afligirá com decepções e desânimos, na estrada iluminativa, não padece dúvida para nenhum de nós, irmãos mais velhos em experiência maior; entretanto, é imprescindível marcharmos de alma desperta, na posição de reerguimento e reedificação, sempre que necessário.

Que as sombras do passado nos fustiguem, mas que jamais nos esqueçamos de reacender a própria luz.


Emmanuel












sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 30 - Morte e ressurreição



Joanna de Ângelis - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 30


Morte e ressurreição


E inexorável o fenômeno biológico da morte.

Constitui a cessação dos sentidos físicos, transitórios, sem que signifique a extinção da vida.

Detestada em muitas situações é, em outras ocasiões, o anjo benfeitor que alivia o sofrimento, interrompe a angústia, acalma o desespero.

Inesperadamente chega e surpreende a saúde, através de acidentes e desastres, significando um convite a acuradas reflexões.

Noutras vezes, parece esquecer-se da criatura padecente, recusando-se interromper-lhe o ciclo carnal, mediante o ensejo que concede ao enfermo para construir no íntimo a resignação, aprimorar os sentimentos e granjear a libertação plena.

Em qualquer circunstância, porém, é a mensageira da imortalidade, por cuja bênção todos nos encontramos amparados.

A morte é, também, a desveladora da vida.

Libertando o espírito das algemas celulares, faculta o descobrimento de valores que jazem, invariavelmente, desconsiderados, e que assumem significação quando ela se anuncia, quando ela se realiza.

A morte merece considerações e análise com frequência.

Parte integrante do contexto biológico, exige que se a tenha em mente, em razão da sua imprevisibilidade.

Na sua jornada, aparentemente paradoxal, arrebata uma criança e deixa um ancião; liberta um sadio e se olvida de um agônico; conduz o homem feliz e recusa o desventurado...

Adentra-se, com a mesma obstinada naturalidade, no palácio e na choupana; na mansão luxuosa e na tapera; no apartamento sofisticado e na mansarda...

O seu guante implacável é idêntico no campo ou na megalópole, na aldeia ou na cidade, na taba primitiva ou no centro de avançada cultura...

Temida e desejada, é caprichosa, porque obedece a leis soberanas que escapam à mais arguta inteligência.

A ciência pode prevê-la com relativa precisão, diante dos quadros angustiantes de pacientes terminais, nunca, porém, impedi-la de realizar o seu desiderato.

Homens e mulheres notáveis, no mundo, tiveram expressões variadas diante da morte.

Nero exclamou, no momento do suicídio covarde:

— “Que grande artista o mundo vai perder!”

No momento da morte, Chopin escutou um belíssimo coral com vozes espirituais e declarou: — “Como é bela, meu Deus! Como é bela.” Solicitando:

— “Ainda... Ainda!...” E após tomar um cálice de vinho, que lhe oferece Guttman, diz, apenas: — “Querido amigo...”

Goethe, no instante da agonia, ergue-se e brada:

“Mais luz!”

Strindberg afirmou: — “Estou quite com a vida e o saldo mostra que a palavra de Deus é a única certa” — fazendo um balanço final.

Voltaire anotou como sua última confissão: — “Morro adorando a Deus.”

A neurose depressiva que a morte gera, resulta da ignorância humana a seu respeito.

A vida esplende em todos os painéis e de todas as formas. A morte é, desse modo, um acontecimento natural, na sucessão dos dias, que deve ser aceita com naturalidade.

Interrompe os planos e os interesses humanos, é certo, todavia, não faz que cessem o ódio e o amor, a simpatia e a animosidade, porque a vida prossegue em outra dimensão, maravilhosamente real.

Guarda no íntimo a certeza de que os teus mortos queridos vivem e se te acercam, logo podem, a fim de enxugar-te o pranto.

Participam das tuas ansiedades a trabalham para que a tua jornada se realize em alto clima de bênçãos.

Recorda-os com ternura e sem desespero.

Age com amor em homenagem a eles, a fim de que se tranquilizem e progridam.

Pensa neles com carinho, evocando os momentos de comunhão feliz, que os tornará, novamente, ditosos.

A morte é a porta de retorno ao país de origem.

Dia virá, no qual seguirás também.

Vive, hoje de forma que, ao soar o teu momento, possas avançar com serenidade e alegria ao encontro desses amores que a Vida te reservou e aguardam por ti.

A gloriosa ressurreição do Mestre é acontecimento abençoado e confortador. Todavia, somente aconteceu porque antes a morte arrebatou-O da presença física dos que O amavam, a fim de poder ficar conosco, amando-nos por todos os evos.


Joanna de Ângelis



















Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 44 - Embaraços



 Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 44


Embaraços


“Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.” — JESUS (Mateus, 19:26)


Indiscutivelmente somos defrontados por situações embaraçosas, nas quais se nos oprime o espírito ante a nossa incapacidade para conjurar-lhes a presença.

Isso te ocorre no mundo quase sempre:

quando os próprios erros elastecidos assumem aos teus olhos a feição de males sem remédio;

quando a saúde física se te revela positivamente arruinada;

quando um ente querido parece haver chegado às raias da morte;

quando te vês sob aflições e desencantos por negócios francamente infelizes;

quando a injúria te arrasa a imagem à frente do teu círculo social;

quando afetos extremamente queridos te abandonam;

quando alguém te acusa por delitos que não cometeste;

quando caíste em alguma falta grave e todas as oportunidades de reparação se te afiguram perdidas…

Ainda hoje, dolorosos desafios talvez te cerquem… Sejam quais forem, no entanto, ora e confia, trabalha e espera.

Em verdade, todos nós renteamos com embaraços para a transposição dos quais somos absolutamente incapazes. Ante qualquer dificuldade, porém, recordemos a afirmação positiva do Mestre: “Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.”


Emmanuel










(Reformador, março de 1967, p. 50)

Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 64 - Oposições



Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 64


Oposições

 
“Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.” — JESUS (Mateus, 5:44)


Imperioso modifiques a própria conceituação, em torno do adversário, a fim de que se te apague da mente, em definitivo, o fogo da aversão.

Isso porque o suposto ofensor pode ser alguém:

que age sob a compulsão de grave processo obsessivo;

que se encontra sob o guante da enfermidade e, por isso, inabilitado a comportar-se corretamente;

que experimenta deploráveis enganos e se acomoda na insensatez;

que não pode enxergar a vida no ângulo em que a observas.

E que nenhum de nós encontre motivos para lhe reprovar o desajuste, porquanto nós todos somos ainda suscetíveis de incorrer em falhas lamentáveis, como sejam:

cair sob a influência perturbadora de criaturas a quem dediquemos afeições sem o necessário equilíbrio;

iludir-nos a nosso próprio respeito quando não pratiquemos o regime salutar da autocrítica;

entrar em calamitoso desequilíbrio por efeito de capricho momentâneo;

assumir atitudes menos felizes, por deficiência de evolução, à frente de companheiros em posições mais elevadas que a nossa.

Em síntese, para sermos desculpados é preciso desculpar.

Reflitamos na absoluta impropriedade de qualquer ressentimento e recordemos a advertência de Jesus quando nos recomendou a oração pelos que nos perseguem. 

O Mestre, na essência, não nos impelia tão só a beneficiar os que nos firam, mas igualmente a proteger a sanidade mental do grupo em que fomos chamados a atuar e servir, imunizando os companheiros, relativamente ao contágio da mágoa, e frustrando a epidemia da queixa, sustentando a tranquilidade e a confiança dos outros, tanto no amparo a eles quanto a nós.


Emmanuel







(Reformador, setembro de 1969, p. 197)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 74 - Ler e estudar



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 74


Ler e estudar


“… Muitos virão em meu nome dizendo: “eu sou o Cristo”, e enganarão a muitos.” — JESUS (Mateus, 24:5)

“Desconfiai dos falsos profetas.” — (Mateus, 7:15-17 - E.S.E - Cap. XXI, 9)

“Tudo porém examinai, retende o que é bom.” — PAULO (1 Tessalonicenses 5:21)


Ler, sim, e ler sempre, mas saber o que lemos.

Isso é o mesmo que reconhecer o impositivo da alimentação física, na qual, todas as criaturas de bom-senso, atendam à seleção necessária.

Ninguém adquire gêneros deteriorados para a formação dos pratos que consome. Pessoa alguma compra pastéis de lodo para serviço à mesa.

Estudar, sim, e estudar sempre, mas saber o que estudamos.

Isso é o mesmo que reconhecer o impositivo da instrução, na qual todas as criaturas de bom-senso atendem ao critério preciso.

Ninguém adquire páginas dissolutas para fortalecer o caráter. Pessoa alguma compra gravuras pornográficas para conhecer o alfabeto.

O homem filtra a água, efetua os prodígios da assepsia, imuniza produtos do mercado popular e vacina-se contra moléstias contagiosas, no entanto, por mais levante os princípios de controle da imprensa, encontra, a cada passo, reportagens sanguinolentas e livros enfermiços, nos quais o vício e a criminalidade, frequentemente, comparecem disfarçados em belas palavras, semelhando cristais de alto preço, carreando veneno.

Assevera o apóstolo Paulo, em sua primeira carta aos Tessalonicenses: “examinai tudo e retende o bem.”

A sábia sentença, decerto, menciona tudo o que pode e deve ser geralmente anotado, de vez que o meio microbiano, para efeitos científicos, se reserva ao exame de técnicos que, aliás, o fazem, munidos de luva conveniente.

Leiamos e estudemos, sim, quanto nos seja possível, honrando o trabalho dos escritores de pensamento limpo e nobre que nos restaurem as forças e nos amparem a vida, mas evitemos as páginas em que a loucura e a delinquência se estampam, muitas vezes, através de alucinações fraseológicas de superfície deleitosa e brilhante, porquanto, buscar-lhes o convívio equivale a pagar corrosivo mental ou perder tempo.


Emmanuel








(Reformador, maio de 1963, p. 115)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 1 - Cooperação com Deus



Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 1


Cooperação com Deus


Quantas vezes terás dito que amas a Deus e te dispões a servi-lo? E quantas outras tantas terás afirmado a tua fé na Providência Divina?

Provavelmente, porém, não te puseste ainda a raciocinar que os teus votos foram acolhidos e que o Todo-Misericordioso, por intermédio de vasta corrente hierárquica de assessores, te enviou as tarefas de cooperação com a Sua Infinita Bondade, junto de causas, organizações, situações e pessoas, que lhe requisitam assistência e intervenção.

Exposto, assim, o problema do teu setor de ação individual, será justo considerar que esforço e dedicação constituem ingredientes inevitáveis no encargo que te foi confiado, a fim de que obtenhas o êxito que denominamos por “dever cumprido perante Deus”.

Mãe ou pai, se recolhesses da vida tão somente os filhos robustos e virtuosos, que indícios de amor oferecerias a Deus, quando Deus te pede o coração mais profundamente voltado para os filhos menos felizes, com bastante abnegação para jamais abandoná-los, ainda mesmo quando o mundo os considere indesculpáveis ou desprezíveis?

Professor ou mentor, se reunisses contigo apenas os discípulos inteligentes e nobres, quem estaria com Deus no auxílio aos rebeldes ou retardados?

Dirigente ou supervisor, nos diversos ramos da atividade humana, se fosses chamado para guiar os interesses da comunidade exclusivamente nos dias de céu azul, para entoar louvores à harmonia ou presidir a distribuição de luzes e bênçãos, quem cooperaria com o Supremo Senhor, nas horas de tempestade, quando as nuvens da incompreensão e os raios da calúnia varam a atmosfera das instituições, exigindo a presença dos que cultivem brandura e compreensão, a fim de que a Divina Misericórdia encontre instrumentos capazes de ajudá-la a restaurar os elementos convulsos?

Obreiro do bem ou condutor da fé, se obtivesses da Terra apenas demonstrações de apreço e palmas de triunfo, quem colaboraria com Deus, nos dias de perturbação, de maneira a limitar a incursão das trevas ou a apagar o fogo do ódio, entre as vítimas da ilusão ou da vaidade, nos lugares em que o Pai Supremo necessite de corações suficientemente corajosos e humildes para sustentarem o bem com esquecimento de todo mal?

Onde estiveres e sejas quem sejas, no grau de responsabilidade e serviço em que te situas, agradece aos Céus as alegrias do equilíbrio, as afeições, os dias róseos do trabalho tranquilo e as visões dos caminhos pavimentados de beleza e marginados de flores que te premiam a fé em Deus; quando, porém, os espinhos da provação te firam a alma ou quando as circunstâncias adversas se conjuguem contra as boas obras a que te vinculas, como se a tormenta do mal intentasse efetuar o naufrágio do bem, recorda que terás chegado ao instante do devotamento supremo e da lealdade maior, porque, se confias em Deus, Deus igualmente confia em ti.


Emmanuel





TEMA — Cooperação individual na execução do plano de serviço da Providência Divina.