domingo, 1 de novembro de 2026

Teresa D’Ávila - Livro Instruções Psicofônicas - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 32 - Palavras de luz



Teresa D’Ávila - Livro Instruções Psicofônicas - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 32


Palavras de luz


Por muito se adiante a alma no tempo, há sempre tempo para que a alma reconsidere a estrada percorrida, abastecendo-se de esperança no amor daqueles a quem ama, assim como o viajante no mar provê a si mesmo de água doce, a fim de seguir à frente.

“Há tempo de semear e tempo de colher”, — diz-nos a experiência da Escritura. (Eclesiastes, 3:2)

E, se juntos partilhamos a promessa, não seria justo olvidarmo-nos uns aos outros no dia da realização.

“Deixai crescer reunidos o trigo e o joio, até que venha a ceifa”, — recomendou por sua vez o Senhor. (Mateus, 13:30)

Entretanto, a palavra de sua Sabedoria não nos inclina à indiferença. E, lembrando-a, não curamos de ser o trigo porque hoje nos vejamos fora do escuro sedimento da carne e nem insinuamos sejais vós o joio por permanecerdes dentro dela.

Recordamos simplesmente que todos trazemos ainda no campo das próprias almas o joio da ilusão e o trigo da verdade, necessitados da mercê do Celeste Cultivador.

Irmãos, não é apenas por regalar-se o Espírito na confiança que se lhe descortinarão as portas da vida glorificada, mas sim por se lhe acendrarem o conhecimento e a virtude, através do trabalho bem sofrido e da caridade bem exercitada.

Outrora, buscávamos a paz na quietude do claustro, na suposição de que a vitória pudesse brilhar a distância da guerra contra as nossas próprias faltas, e disputávamos a posse do santo sepulcro do Excelso Rei, ao preço de sangue e lágrimas dos semelhantes, como se lhe não devêssemos o próprio coração por escabelo aos pés divinos.

Hoje, porém, dispomos de suficiente luz para o caminho e não seria lícito permutar o pão da sabedoria pelo fel da loucura.

Enquanto os séculos de sombra e impenitência se escoam no pó do mundo, preparai nesse mesmo pó, erigido em tabernáculo de carne, os séculos futuros, em que nos reuniremos de novo para a exaltação do triunfo eterno.

Enalteçamos o sacrifício, aprendendo a renunciar para possuir, a perder para ganhar e a morrer para viver.

Por algum tempo ainda padeceremos o cativeiro das nossas culpas e transgressões, mas, em breve, aceitando o trilho escabroso e bendito da cruz, exalçaremos, diante da Majestade Divina, a nossa libertação para sempre.

Que o Senhor seja louvado.


Teresa D’Ávila







Tema principal:

TERESA D’ÁVILA — Célebre mística espanhola. Santa Teresa de Jesus, na Igreja Católica. (Desencarnou em 1582.)

Grande júbilo marcou para nós a noite de 14 de outubro de 1954. Na fase terminal de nossas tarefas, o Espírito José Xavier, através dos canais psicofônicos, avisou-nos fraternalmente:

— “Esforcemo-nos por entrelaçar pensamentos e preces, por alguns minutos, pois receberemos, na noite de hoje, a palavra, distanciada embora, de quem há sido, para muitos de nós, um anjo e uma benfeitora. Nosso grupo, em sua feição espiritual, deve permanecer atento. Neste instante, aproximar-se-á de nós, tanto quanto possível, a grande Teresa d’Ávila e, assim como um grão de areia pode, em certas situações, refletir a luz de uma estrela, nosso conjunto receber-lhe-á a mensagem de carinho e encorajamento, através de fluidos teledinâmicos. A mente do Chico está preparada agora, qual se fosse um receptor radiofônico. Repetirá, automaticamente, com certa zona cerebral mergulhada em absoluta amnésia, as palavras de luz da grande alma, cujo nome não ousarei repetir. Rogamos aos companheiros se mantenham em oração e silêncio, por mais dois a três minutos.”

Preparado o grupo, tivemos a felicidade de ouvir a nossa abnegada benfeitora espiritual, cuja mensagem falada nos atingiu os corações, como sendo sublime projeção de amor e luz.





Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 1 - Fé, rogativa e resultado



Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 1


Fé, rogativa e resultado


Em matéria de fé não te esqueças do esforço na realização que te propões a alcançar.

O lavrador confia na colheita, mas, para isso, não menospreza o próprio suor no arado laborioso, permanecendo em atenciosa vigília, desde os problemas da sementeira às equações do celeiro.

O arquiteto conta materializar a construção que lhe nasce do gênio criativo, porém, para atingi-la, vela pela segurança da obra, desde a base ao teto, consciente de que insignificante erro de cálculo lhe comprometeria o serviço integral.

O professor conhece os méritos da escola, mas não ignora a necessidade da própria renúncia na formação cultural do discípulo, permanecendo na tarefa assistencial, em favor dele, desde o alfabeto ao título de competência.

O operário espera o vencimento mensal que lhe assegura a subsistência, no entanto, sabe que não pode relaxar os próprios deveres, a fim de que a supervisão do trabalho não o exonere ou prejudique.

Fé que apenas brilhe na palavra vazia ou fé parasitária que somente se equilibra pela influência alheia, nutrindo-se tão somente de promessas brilhantes e relegando a outrem as obrigações que a vida lhe assinala, serão sempre atitudes superficiais daqueles que se infantilizam à frente das responsabilidades que o Senhor confere a cada um de nós.

Aceitemos o imperativo de nossa própria renovação com o Cristo, se realmente buscamos um clima de elevação à própria existência.

Tracemos nosso ideal superior, utilizando nossas melhores esperanças, todavia, não nos esqueçamos de transpirar no esforço próprio, doando nossas forças na edificação que pretendemos buscar, porque a fé em si constitui dinamismo atuante de nossas energias, condicionado à forma e à natureza de nossas orações ou de nossos desejos, impondo-nos, inevitavelmente, o resultado das ações que nos são próprias, seja na luz redentora do bem ou na treva escravizante do mal.


Emmanuel














sábado, 31 de outubro de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVII - João Nunes Maia - Cap. 18 - Responsabilidade



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVII - João Nunes Maia - Cap. 18


Responsabilidade


834. É responsável o homem pelo seu pensamento?

“Perante Deus, é. Somente a Deus sendo possível conhecê-lo, Ele o condena ou absolve, segundo a Sua justiça.” (O Livro dos Espíritos)


Já falamos alhures que somos responsáveis pelos nossos pensamentos. Eles são como que sementes, e a mente alheia é a Terra onde semeamos. Todo semear de ideias tem colheita, e a lei de justiça nos faz colher o que semeamos.

Certamente que o homem é responsável pelos seus pensamentos ante a Majestade Divina, no entanto, o Senhor, quando nos criou, e tendo onisciência, já sabia o uso que iríamos fazer dos nossos pensamentos e da nossa própria vida. A Inteligência Maior não nos criou já perfeitos, no que se refere à isenção de erros, por achar melhor que tivéssemos um pouco de trabalho para despertar os dons que se encontram em nossa estrutura espiritual, em estado de sono. Na profundidade, somos perfeitos, por termos sido criados pelo Ser Perfeito. Somente nos resta despertar essas qualidades já existentes dentro de nós.

Deus nos condena ou absolve pelo mecanismo das leis que Ele criou, sabendo antes que iríamos errar, se esse é o termo. Se Ele soubesse que não iríamos cometer faltas, para que existiriam leis? O Espírito, quando chega à perfeição, tem as leis de Deus vibrando dentro de si e nada de exterior o pode envolver, nem tão pouco disciplinar, porque ele é amor.

Vejamos como registrou Lucas, no capítulo doze, versículo cinquenta e um, as palavras do Mestre Jesus: 

"Supondes que vim para dar paz à Terra? Não, eu vô-lo afirmo, antes divisão." (Lucas 12:51) 

Por que divisão, se o Mestre é todo amor? A sociedade, com os velhos ensinamentos, não estava compreendendo o Espírito da letra que vivifica. Trouxe o Mestre novos conceitos, mais puros, mais visíveis, mas, mesmo assim, os homens iriam alterá-los por causa da verdade mais acentuada e se dividiram, como se vê pela quantidade de religiões que se multiplicaram no mundo, alicerçando-se no mesmo Jesus e no Seu Evangelho. Eis a divisão; são sementes lançadas em várias searas, com frutos que nos parecem desviados do verdadeiro objetivo da árvore-mãe, porque os homens não se encontram maduros, na maturação que corresponde ao amor mais puro.

A seara do Senhor é grande, e faltam nela ainda os bons servidores. Os países lutam entre si, gastando quantias astronômicas e matando uns aos outros por causa do orgulho e egoísmo, por um pedacinho de Terra a menos ou a mais, por palavras que desconsertam o adversário. Mas, no fundo, é o poder e o ouro influenciando e dando margem à discussão. Não se segue Cristo, porque Ele não tinha uma pedra onde reclinar a cabeça. A usura é um monstro que devora os ideais enobrecidos dos homens. Eles vendem e compram tudo, colocando o ouro como o seu deus, aquele que atende suas "necessidades". Que fazer agora nessa corrida do ouro? As sementes irão lhes trazer frutos com o mesmo teor da sua semeadura.

Ninguém pode reclamar do gosto amargo e das torturas advindas dos desvios das bênçãos que o Senhor lhe deu, como o poder de pensar. A justiça se faz segundo as ideias de Deus, impressas na lei de amor. 


Miramez

















sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Vida Desafios e Soluções - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5 - Significado do ser integral - Conquistas que plenificam



Joanna de Ângelis - Livro Vida Desafios e Soluções - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5 - Significado do ser integral


Conquistas que plenificam


Quando a infância se fez caracterizar por problemas e desafios não solucionados, as dificuldades se transferem no inconsciente do indivíduo para todos os diferentes períodos da vida. Tornasse-lhe difícil o amadurecimento psicológico, procurando permanente refúgio no período infantil, que prossegue desafiador. A necessidade de autopunição faz-se, às vezes, extremada, como mecanismo de justificação das pequenas travessuras, das irresponsabilidades, das mentiras ou outros quaisquer mecanismos de evasão daquela realidade, por meios nem sempre ideais. Em casos que tais, surgem os criminosos, que havendo sido crianças maltratadas, sentem necessidade de punir a sociedade pelo que lhes ocorreu, tornando-se, dessa forma, bandidos.

É necessário, inicialmente, redescobrir a criança que permanece no imo e avaliar o seu estado de crescimento, suas necessidades, seus anseios. Se permanecerem os jogos e despreocupações, a transferência de responsabilidade para os outros e a culpa sempre dos outros, impõe-se a psicoterapia como urgência, a fim de auxiliar no crescimento e na libertação dos traumas daquela fase.

Não é desejo estabelecer que a criança seja retirada do cenário existencial, porém que ocupe o seu verdadeiro lugar no alicerce do inconsciente, a fim de que não perturbe a pessoa da atualidade. E mesmo válida a presença da criança que existe em todos os indivíduos, tornando a existência apetecível e sonhadora, dentro dos limites da normalidade que deve prevalecer a quaisquer condicionamentos de tempo e de lugar.

Um bom relacionamento social é fator de relevância para a plenificação do indivíduo, porque, sendo animal gregário, o seu convívio com os demais seres é fator de desenvolvimento das suas aptidões, propiciando-se os atritos e choques que fazem parte da existência, sem derrapar nas animosidades, pelo contrário, desenvolvendo a tolerância, superando a prepotência de submeter todos os demais ao talante da sua pessoa.

Aquele que vive sozinho, foge da realidade de si mesmo, que vê projetada nos outros. Tem medo do convívio com os demais, porque não sabe transitar senão nos seus domínios, onde impõe a sua vontade e realiza os seus desejos, sem o sentimento de reparti-los, ou, por sua vez, de compartir as experiências alheias.

A conquista da humildade faz parte do programa de crescimento interior, evitando o exibicionismo que se torna perturbador, particularmente por alterar a visão da realidade e de si mesmo, agredindo os outros com a aparência, por não ter segurança dos próprios valores, que seriam capazes de oferecer harmonia no conjunto humano onde se encontra.

Essa humildade começa na conscientização de si mesmo, observando que faz parte do Universo, cuja grandeza demonstra-lhe a pequenez em que ainda se acha e quanto deverá crescer para entender a majestade e a harmonia do mundo no qual vive. Não se ensoberbece com o que sabe, nem se entristece pelo muito que ignora. É simplesmente humilde diante da vida e reconhece a necessidade de crescer mais e tornar-se melhor.

É comum a luta desenfreada para possuir sempre, asfixiando as demais aspirações, que cedem lugar à predominância do instinto de posse desequilibrada.

Quando se atinge o estágio de maturidade psicológica, o importante não é ter mais, porém ser mais, isto é, sempre melhor em valores internos, em conquistas morais e intelectuais, sem jactância, porém com a consciência da vitória sobre si mesmo e sobre os desafios da existência, aumentando a capacidade de resistência cada dia.

A felicidade real independe daquilo que se tem, mas é resultado daquilo que se é.

Muito oportuno o fato de uma célebre personagem de propaganda na Televisão, cuja bela aparência fora aproveitada para sorrir e, por isso, sua imagem sempre fascinava os estranhos, que a desejavam imitar. Todos olvidavam que era sua profissão sorrir, e para isso lhe pagavam, embora o seu humor habitual não correspondesse a essa realidade.

Deve-se sorrir por profissão, no entanto a alegria de viver leva a sorrir por prazer e por beleza, gerando uma autoterapia valiosa, porquanto aquele que está de bem com ele mesmo, encontra-se bem com o mundo.

Numa das suas habituais viagens a Londres, o célebre Mahatma Gandhi deteve-se, oportunamente, no Aeroporto, a observar os objetos expostos, ricos e agradáveis aos olhos. Demorava-se a examiná-los e sorria de prazer. Preocupado com aquela atitude inabitual no homem que renunciara a todas as coisas do mundo, um membro da comitiva inglesa acercou-se-lhe, esclarecendo: — Se o Mahatma tem interesse por algum desses objetos, teremos o prazer de, em nome de Sua Majestade, oferecer-lhe, o que nos constituirá uma honra. O nobre missionário, que se havia encontrado consigo mesmo, sem desdém nem menosprezo respondeu, sorrindo: —Estou feliz em olhá-los, e verificar quanta coisa eu já não necessito.

A verdadeira saúde, em sua expressão profunda, manifesta-se como libertação interior, sem o masoquismo das fugas do mundo e das afirmações dos próprios valores através do desprezo e do flagício ao corpo, qual se fora ele responsável pelas debilidades do caráter, imperfeições da conduta, frustrações psicológicas decorrentes da visão alterada do mundo e sua realidade.

Quando esse estado saudável se estabelece no ser, ele experimenta harmonia em qualquer situação na qual se encontre. Na multidão, experimenta o prazer do convívio com os outros, de ser útil, de receber e de dar atenção às manifestações da vida. Quando a sós, preenche todos os seus espaços com atividades e pensamentos enriquecedores, não se sentindo solitário, embora esteja desacompanhado. Sua mente é sempre sua companheira a exigir ou a compensar o que experimenta como emoções de viver.

E óbvio que todo aquele que se faz possuidor de conflitos de qualquer natureza terá dificuldade de sentir-se compensado, pois que a sua estrutura íntima, deficitária, estará sempre refletindo as lutas em que se sente envolvido, portanto em contínuas ansiedade e insatisfação.


Joanna de Ângelis













Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 15 - Se fosse bom



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 15


Se fosse bom


Os acontecimentos do mundo são orientados pelas leis naturais e eternas, feitas pelo Criador. Quando alguém desencarna, e que sua vida era apreciada pela honestidade, pode alguém desejar que tivesse sido um vizinho que não lhe é muito simpático, de conduta contrária aos princípios da moral. Pela ignorância, chega-se a desejar que fosse o segundo, lamentando; a perda do homem bom. 

Na verdade, não se deve proceder dessa maneira, por saber Deus o que faz. O que deve no cartório da vida é que precisa ficar mais tempo na Terra, para saldar seus compromissos, pagar suas dívidas e aliviar a sua consciência. O que se encontra já favorecido pelo cumprimento dos seus deveres nada tem a saldar no banco universal; está sendo agraciado e, quando parte para o além, conheceu a verdade e ela o libertou das grades da carne.

Não se deve revoltar com os feitos da natureza. O que Deus faz é o mais acertado. A Terra é uma escola, mesmo que muitos a chamem de presídio; nela se aprendem os meios para adquirir a harmonia da intimidade e a alegria do coração. Deve-se confiar nas forças de Deus, e quando se sente gratidão por Ele, mesmo nas duras provas, algo de divino desabrocha dentro de si, ajudando a suportar os transes, na luta para a liberdade.

O homem bom recebe bondade pela lei de Justiça, e o homem mau somente recebe o que dá, pela mesma justiça. Se já sabemos desta verdade, o que devemos fazer na vida e pela vida? A razão nos diz que respeitemos a vontade de Deus, pelas Suas leis, que seremos agraciados pelo que somos.

Quando uma alma parte para o mundo espiritual, o dever dos encarnados é orar por ela, com todo amor, pois, essa é a vontade do Senhor; também os desencarnados devem orar pelos que ficam na Terra, porque também essa é a vontade do Criador. Quando acontece um desastre com o nosso próximo, e ele não desencarna, não devemos blasfemar, dizendo: “se fosse bom teria morrido”. 

Aquele que partiu foi atendendo à vontade de Deus. Devemos limpar a nossa mente dos contrários, em se referindo ao Senhor, e sempre ter um pensamento de gratidão para com Ele, que é a fonte de vida, de onde saímos e vivemos pelo Seu amor. Amemos a Deus em todas as coisas, porque tudo surgiu pela Sua vontade magnânima e sábia, cheia de justiça e de paz.

Compete a cada um de nós, encarnados e desencarnados, esforçar-se no aprimoramento espiritual da vida, compreender que um pouco depende da alma, no tocante ao seu equilíbrio, à sua perfeição. Devemos consultar as grandes vidas, os livros que ajudam as criaturas a melhorarem, mas devemos lutar com nós mesmos, na vivência das virtudes. Não nos esqueçamos do Evangelho, marco de orientação da vida; ele nos ajuda a descobrir o Cristo dentro de nós e a ouvir a Sua voz de orientação espiritual, cujos meios nós mesmos é que descobrimos, por intuição divina.

Não se deve censurar o que não se compreende; tudo tem uma razão de ser na escola da vida. Deus atende Seus filhos em todos os departamentos educativos, espraiados na face da Terra. Aquele que perde tempo em ver os defeitos alheios, na lavoura dos outros, na extensão infinita, no finito interno, deixa a sua lavoura morrer abafada pelo mato, sem o devido socorro de suas próprias mãos.

A Doutrina dos Espíritos, como continuação da mensagem de Jesus, nos mostra claramente as leis esperando por nós, no respeito e na vivência, para que possamos viver em paz, respirando o ambiente do amor, compreendendo a caridade, sem esquecer o perdão. Se aceita a reencarnação como justa lei de Deus, pode entender o porquê das mortes que muitos chamam de prematuras; elas obedecem a uma lei, que vem beneficiar aqueles que partem para o mundo espiritual, abrindo as asas e voando livre em direção à casa paterna, de onde vieram em nome do amor. Morrer é viver. 

Não existe aniquilamento no fenômeno conhecido por morte; ela consiste em libertação espiritual. Observemos os fenômenos da natureza, como se processa a vida das plantas, dos animais, das águas, da terra e mesmo de todas as divisões feitas pelo Criador. Devemos cultivar tudo ao alcance das nossas mãos, pois esse é o dever daqueles que já tiveram como prêmio a razão.


Miramez







O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V — Bem-aventurados os aflitos - Instruções dos Espíritos. - Se fosse um homem de bem, teria morrido.

22. Falando de um homem mau, que escapa de um perigo, costumais dizer: “Se fosse um homem bom, teria morrido.” Pois bem, assim falando, dizeis uma verdade, pois, com efeito, muito amiúde sucede dar Deus a um Espírito de progresso ainda incipiente prova mais longa, do que a um bom que, por prêmio do seu mérito, receberá a graça de ter tão curta quanto possível a sua provação. Por conseguinte, quando vos utilizais daquele axioma, não suspeitais de que proferis uma blasfêmia.

Se morre um homem de bem, cujo vizinho é mau homem, logo observais: “Antes fosse este.” Enunciais uma enormidade, porquanto aquele que parte concluiu a sua tarefa e o que fica talvez não haja principiado a sua. Por que, então, haveríeis de querer que ao mau faltasse tempo para terminá-la e que o outro permanecesse preso à gleba terrestre? Que diríeis se um prisioneiro, que cumpriu a sentença contra ele pronunciada, fosse conservado no cárcere, ao mesmo tempo que restituíssem à liberdade um que a esta não tivesse direito? Ficai sabendo que a verdadeira liberdade, para o Espírito, consiste no rompimento dos laços que o prendem ao corpo e que, enquanto vos achardes na Terra, estareis em cativeiro.

Habituai-vos a não censurar o que não podeis compreender e crede que Deus é justo em todas as coisas. Muitas vezes, o que vos parece um mal é um bem. Tão limitadas, no entanto, são as vossas faculdades, que o conjunto do grande todo não o apreendem os vossos sentidos obtusos. Esforçai-vos por sair, pelo pensamento, da vossa acanhada esfera e, à medida que vos elevardes, diminuirá para vós a importância da vida material que, nesse caso, se vos apresentará como simples incidente, no curso infinito da vossa existência espiritual, única existência verdadeira.


Fénelon.
Sens, 1861.











quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Paz - Chico Xavier - Cap. 16 - Balizas e retaguardas



Emmanuel - Livro Paz - Chico Xavier - Cap. 16


Balizas e retaguardas


Em matéria de progresso espiritual, que é preciso estabelecer cúpulas de conhecimento superior para a elevação da vida, todos sabemos.

Assembleias múltiplas, consubstanciando estudos e diretrizes, representam iniciativas para a divulgação dos princípios de paz e luz, cujos serviços abraçamos.

Para isso, criamos processos vários: instituições de apoio iluminativo; casas destinadas a reuniões sistemáticas para informações construtivas; recintos em que se processem diálogos doutrinários e movimentos diversos para a aquisição de reconforto.

Justo reconhecer que semelhantes concessões da Vida Maior devem receber a nossa melhor atenção, a fim de que se estendam, cada vez mais amplas. Compreendemos, aliás, que essas conquistas são balizas de evolução, com áreas de influência sempre mais intensivas.

Promovendo, no entanto, a formação das frentes a que nos referimos, não podemos esquecer as retaguardas constituídas por multidões de irmãos da família humana, que não nos será lícito desprezar:

Os portadores de moléstias ou de mutilações irreversíveis;

os reeducandos das penitenciárias;

os andarilhos da perturbação e da angústia;

os alcoólatras;

os toxicômanos;

os infelizes que vários grupos sociais relegam ao abandono;

os doentes sem suporte financeiro que se amontoam nas abençoadas enfermarias da indigência, que aguardam o auxílio da Providência Divina e a bondade dos homens, são igualmente parte integrante da família comunitária a que nos vinculamos na Terra.

Balizas e retaguardas!…

Os companheiros que puderem, reflitam nisso e, tanto quanto possível, unamo-nos na decisão de auxiliar aos irmãos infortunados do caminho de nossas próprias experiências; e, pelo menos, de quando em quando, desçamos dos nossos altos mirantes da inteligência, a fim de estendermos fraternidade a quantos nos partilham a estrada, de perto ou de longe, a carregarem fardos de tribulações e sombras, recordando que eles e nós somos filhos do mesmo Deus.


Emmanuel











quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Sentinelas da Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16 - Se quiseres



Emmanuel - Livro Sentinelas da Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16


Se quiseres


Ainda que te sintas anulado pelos obstáculos desse ou daquele teor, se quiseres vencer o clima de inutilidade que a frustração te impõe à existência, faze algo para auxiliar alguém e o Amparo Espiritual soerguer-te-á para mais altos níveis de serviço e renovação.

Ainda que te situes algemado ao leito dos paralíticos, se quiseres volver ao movimento e à saúde, exercita a paciência e a humildade, induzindo os outros a que se façam pacientes e humildes, e o Amparo Espiritual te levantará em vitória e refazimento.

Ainda que respires mergulhado nas correntes do vício, cercado de forças aviltantes, se quiseres entrar no caminho da regeneração, socorre os companheiros de luta, para que te convertas em padrão de virtude.

Ainda que te vejas no porão de sombria penitenciária, amargando a condição de resíduo do remorso e do crime, se quiseres reconquistar o respeito e a confiança do próximo, sustenta a chama do bem nos irmãos de amargura e o Amparo Espiritual felicitar-te-á o roteiro com novas oportunidades de reajuste.

Ninguém vive órfão da Divina Paternidade.

Os Herodes da violência, os Zaqueus da usura, os Nicodemos do preconceito, os Pedros da negação, os Judas da invigilância, os Ântipas do sarcasmo, os Pilatos da indiferença, e os Tomés da dúvida, encontraram, cada qual a seu tempo, o sublime momento renovador, diante do Cristo.

Seja qual for a tua inibição ou a tua dificuldade, é possível te afastes delas, em gradativa libertação.

Para isso, porém, é indispensável te inclines à melhoria, compreendendo que a vontade é a alavanca propulsora em nossos destinos.

Felicidade ou infortúnio, equilíbrio ou desequilíbrio nascem no imo da consciência.

Para que alguém, desse modo, desça à furna das trevas ou se exalte à Culminância da Luz, basta apenas querer.


Emmanuel