domingo, 14 de junho de 2026

Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 60 - Tais quais somos



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 60


Tais quais somos


“Nem todo o que me diz: Senhor! Senhor! entrará no Reino dos Céus mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus.” — JESUS (Mateus, 7:21)

"Nem dirão: Ei-lo aqui; ou, ei-lo ali. Porque eis que o Reino de Deus está dentro de vós." (LUCAS,  17:21)

“Será bastante trazer a libré do Senhor para ser-se fiel servidor seu? Bastará dizer: Sou cristão, para que alguém seja um seguidor de Cristo? Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras.” — Cap. XVIII, 16

Declaras-te no sadio propósito de buscar evolução e aprimoramento, luz e alegria, entretanto, em várias ocasiões, estacas, recusando a estação de experiência e resgate em que ainda te vês.

Deitas aflitivo olhar para fora e, frequentemente, cobiças sem perceber, as condições de amigos determinados, perdendo valioso tempo em descabidas lamentações.

“Se eu contasse com mais saúde…” — alegas em tom amargo.

Em corpos enfermos, todavia, há Espíritos que entesouram paciência e coragem, fortaleza e bom ânimo, levantando o padrão moral de comunidades inteiras.

“Se eu conseguisse um diploma distinto…” — afirmas com menosprezo a ti próprio.

Não te é lícito desconhecer, porém, que o dever retamente cumprido é certificado dos mais nobres, descerrando-te caminho às conquistas superiores.

“Se eu tivesse dinheiro…” — reclamas, triste.

Mas esqueces-te de que é possível socorrer o doente e abençoar o próximo, sem acessórios amoedados.

“Se eu possuísse mais cultura…” — asseveras, mostrando verbo desapontado.

E não te aplicas ao esmero de lembrar que nunca existiram sábios e autoridades, sem começos laboriosos e sem ásperas disciplinas.

“Se eu alcançasse companheiros melhores…” — dizes, subestimando o próprio valor.

Entretanto, o esposo transviado e a esposa difícil, os filhos-problemas e os parentes complicados, os colaboradores incipientes e os amigos incompletos são motivos preciosos do teu apostolado individual, na abnegação e no entendimento, para que te eleves de nível, ante a Vida Maior.

Errados ou inibidos, deficientes ou ignorantes, rebeldes ou faltosos, é necessário aceitar a nós mesmos, tais quais somos, sem acalentar ilusões a nosso respeito, mas conscientes de que a nossa recuperação, melhoria, educação e utilidade no bem dos semelhantes, na sustentação do bem de nós mesmos, podem principiar, desde hoje, se nós quisermos, porquanto é da Lei que a nossa vontade, intimamente livre, disponha de ensejos para renovar o destino, todos os dias.

Ensinou-nos Jesus que o Reino de Deus está dentro de nós. 

Fujamos, pois, de invejar os instrumentos de trabalho e progresso que brilham na responsabilidade dos outros. Para superar as dificuldades e empeços de nossos próprios limites, basta abrir o coração ao amor e aproveitar os recursos que nos enriquecem as mãos.


Emmanuel









(Reformador, fevereiro de 1963, p. 40)

sábado, 13 de junho de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Rumos Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Cap. 2 - Entusiasmo e ação consciente



Joanna de Ângelis - Livro Rumos Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Cap. 2


Entusiasmo e ação consciente
 

(Estudo: *Cap. I — Item 10.)

O êxito que te explode n'alma em canção de alegria, não te constitua fermento de vaidade. Recorda o ensino de Jesus, quando afirma: "Digno é o trabalhador do seu salário", estimulando-te a produzir mais.

Os comovedores resultados que se te manifestam, em razão do dever bem cumprido, não se te transformem em perniciosa autossuficiência. Medita no conceito do Mestre, ao asseverar: "Mais se pedirá àquele que mais recebeu".

Os aplausos que te servem de medida para avaliação do labor que ofertas, não se te transformem em emulação à soberbia. Tem em mente a lição do Cristo, quando esclarece: "Os primeiros serão os últimos".

A emoção dos amigos que te cercam de carinho, mimoseando tua alma em face dos compromissos retamente atendidos; não devem conduzir-te à invigilância. Atenta para a palavra do Divino Amigo, quando adverte: "Quem desejar ser o maior, faça-se o servo do menor entre todos".

As palavras encomiásticas que soam aos teus ouvidos, expressando o entusiasmo daqueles que participam da tua realização cristã, não se te transformem em bafio pestilento ou morbo anestesiante da razão. Fixa a sábia palavra do Excelso Benfeitor, a esclarecer: "Quando eu for erguido (na cruz) atrairei todos a mim".

A excitação, que decorre dos primeiros tentames bem sucedidos, não te sirvam de impulso para a precipitação intempestiva, através de labores que estão acima das tuas possibilidades. Reflexiona na grave advertência do Filho de Deus, quando exclama: "A cada dia bastam os seus males".

A aparente chegada ao ápice das atividades abraçadas não te expresse o momento de parar para o falso justo repouso. Aprofunda-te na oportuna mensagem do Construtor sublime, quando afiança: "O Pai até hoje trabalha e eu também trabalho".

Os elogios, com que comentam os teus feitos, não se convertam em pressupostas verdades para ti. Pensa no lapidar ensinamento do Senhor, quando acentua: "Estreito é o caminho da salvação e apertada é a porta".

Na alegria ou na tristeza consulta os "ditos de Jesus", a fim de que não te equivoques, nem enganes a ninguém.

O investimento em favor da tua libertação espiritual é para toda a vida.

O êxito passa, os aplausos cessam, os júbilos transitam, os encómios se transferem de ídolos, a emoção exacerbada cansa, as alturas atemorizam, porém, a ação incessante e silenciosa do bem não produz amargura nem decepciona jamais, prosseguindo como termômetro capaz de medir a temperatura moral do bom servidor e dar-lhe a necessária qualidade do seu esforço.

Se te sentes ligado ao bem em favor do teu próximo, não te deixes corromper pelas transitórias fantasias, nem induzas pessoa alguma ao erro, mediante as técnicas da mentira ou da insinuação infeliz.

Cumpre com o teu dever, ignorando as bajulações equivocadas e insistindo em reconhecer que sem o Cristo nada és, nada significas, n'Ele tudo podendo, conforme Paulo declarava com formosa humildade e convicção.


Joanna de Ângelis










*O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. I — Não vim destruir a Lei

10. Um dia, Deus, em sua inesgotável caridade, permitiu que o homem visse a verdade varar as trevas. Esse dia foi o do advento do Cristo. Depois da luz viva, voltaram as trevas. Após alternativas de verdade e obscuridade, o mundo novamente se perdia. Então, semelhantemente aos profetas do Antigo Testamento, os Espíritos se puseram a falar e a vos advertir. O mundo está abalado em seus fundamentos; reboará o trovão. Sede firmes!

O Espiritismo é de ordem divina, pois que se assenta nas próprias leis da natureza, e estai certos de que tudo o que é de ordem divina tem grande e útil objetivo. O vosso mundo se perdia; a ciência, desenvolvida à custa do que é de ordem moral, mas conduzindo-vos ao bem-estar material, redundava em proveito do espírito das trevas. Como sabeis, cristãos, o coração e o amor têm de caminhar unidos à ciência. O reino do Cristo, ah! passados que são dezoito séculos e apesar do sangue de tantos mártires, ainda não veio. Cristãos, voltai para o Mestre, que vos quer salvar. Tudo é fácil àquele que crê e ama; o amor o enche de inefável alegria. Sim, meus filhos, o mundo está abalado; os bons Espíritos vo-lo dizem sobejamente; dobrai-vos à rajada que anuncia a tempestade, a fim de não serdes derribados, isto é, preparai-vos e não imiteis as virgens loucas, que foram apanhadas desprevenidas à chegada do esposo.

A revolução que se apresta é antes moral do que material. Os grandes Espíritos, mensageiros divinos, sopram a fé, para que todos vós, obreiros esclarecidos e ardorosos, façais ouvir a vossa voz humilde, porquanto sois o grão de areia; mas, sem grãos de areia, não existiriam as montanhas. Assim, pois, que estas palavras “Somos pequenos” — careçam para vós de significação. A cada um a sua missão, a cada um o seu trabalho. Não constrói a formiga o edifício de sua república e imperceptíveis animálculos não elevam continentes? Começou a nova cruzada. Apóstolos da paz universal, e não de uma guerra, modernos São Bernardos, olhai e marchai para frente; a lei dos mundos é a do progresso.

11. Santo Agostinho é um dos maiores vulgarizadores do Espiritismo. Manifesta-se quase por toda parte. A razão disso, encontramo-la na vida desse grande filósofo cristão. Pertence ele à vigorosa falange dos Pais da Igreja, aos quais deve a cristandade seus mais sólidos esteios. Como vários outros, foi arrancado ao paganismo, ou melhor, à impiedade mais profunda, pelo fulgor da verdade. Quando, entregue aos maiores excessos, sentiu em sua alma aquela singular vibração que o fez voltar a si e compreender que a felicidade estava alhures, que não nos prazeres enervantes e fugitivos; quando, afinal, no seu caminho de Damasco, também lhe foi dado ouvir a santa voz a clamar-lhe: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” exclamou: “Meu Deus! Meu Deus! perdoai-me, creio, sou cristão!” E desde então tornou-se um dos mais fortes sustentáculos do Evangelho. Podem ler-se, nas notáveis confissões que esse eminente Espírito deixou, as características e, ao mesmo tempo, proféticas palavras que proferiu, depois da morte de Santa Mônica: Estou convencido de que minha mãe me virá visitar e dar conselhos, revelando-me o que nos espera na vida futura. Que ensinamento nessas palavras e que retumbante previsão da doutrina porvindoura! Essa a razão por que hoje, vendo chegada a hora de divulgar-se a verdade que ele outrora pressentira, se constituiu seu ardoroso disseminador e, por assim dizer, se multiplica para responder a todos os que o chamam.

Erasto, discípulo de S. Paulo.
Paris, 1863.










sexta-feira, 12 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Pronto Socorro - Chico Xavier - Cap. 22 - Mundo pessoal



Emmanuel - Livro Pronto Socorro - Chico Xavier - Cap. 22


Mundo pessoal


Totalizando milhões de mundos o Universo é a Criação Perfeita de Deus.

Não olvides, porém, que pessoalmente estás em teu mundo próprio.

Sentes e pensas.

Mentalizas e crias.

Crias e ages.

Tens contigo aquilo que produzes.

Reflitamos nisso e perceberás que dor e alegria, discórdia e paz, temor e encorajamento, na origem, dependem exclusivamente de nós.


Emmanuel









Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 46 - Quem és?



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 46


Quem és?


“Há só um Legislador e um Juiz que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?” — (TIAGO, 4:12)


Deveria existir, por parte do homem, grande cautela em emitir opiniões relativamente à incorreção alheia.

Um parecer inconsciente ou leviano pode gerar desastres muito maiores que o erro dos outros, convertido em objeto de exame.

Naturalmente existem determinadas responsabilidades que exigem observações acuradas e pacientes daqueles a quem foram conferidas. 

Um administrador necessita analisar os elementos de composição humana que lhe integram a máquina de serviços.   

Um magistrado, pago pelas economias do povo, é obrigado a examinar os problemas da paz ou da saúde sociais, deliberando com serenidade e justiça na defesa do bem coletivo. 

Entretanto, importa compreender que homens, como esses, entendendo a extensão e a delicadeza dos seus encargos espirituais, muito sofrem, quando compelidos ao serviço de regeneração das peças vivas, desviadas ou enfermiças, encaminhadas à sua responsabilidade.

Na estrada comum, no entanto, verifica-se grande excesso de pessoas viciadas na precipitação e na leviandade.

Cremos seja útil a cada discípulo, quando assediado pelas considerações insensatas, lembrar o papel exato que está representando no campo da vida presente, interrogando a si próprio, antes de responder às indagações tentadoras: “Será este assunto de meu interesse? Quem sou? Estarei, de fato, em condições de julgar alguém?”


Emmanuel














quinta-feira, 11 de junho de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Rumos Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Prefácio - Rumos Libertadores



Joanna de Ângelis - Livro Rumos Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Prefácio


Rumos Libertadores


"Homens, irmãos a quem amamos, aqui estamos junto de vós. Amai-vos, também, uns aos outros e dizei do fundo do coração, fazendo as vontades do Senhor... a podereis entrar no reino dos Céus". (O Espírito de Verdade - Prefácio) 

Após as jornadas promovidas pelos homens na direção da lua como de outros planetas do Sistema Solar, procurando as respostas legítimas para os complexos problemas sobre as origens do ser e sua evolução, novos desafios surgem propondo respostas urgentes, sem que, no entanto, as mentes armadas para as conquistas de fora logrem encontrar as soluções urgentes para as suas inquietações íntimas.

Nas viagens habituais sempre se defrontam com rumos variados, que se multiplicam, conduzindo a lugares diversos conforme o veículo que se escolhe e o local de destino para onde se segue.

Há rumos que conduzem aos altiplanos onde se desdobram, imensas, as paisagens ricas de beleza e infinito.

Há rumos que levam às ásperas e tortuosas baixadas onde proliferam miasmas, sombras e morte.

Há rumos em dédalos que transportam para lugares nenhuns, produzindo fundas decepções.

Rumos e rumos!

Uns, são rumos que escravizam, e outros, rumos libertadores.

Faz-se imperioso saber-se qual a meta que se persegue, a fim de escolher-se o rumo por onde avançar.

Helen Keller, não obstante cega, surda e muda, escolheu o rumo da iluminação interior e, saindo da amargura em que se poderia emparedar, alienando-se, encontrou a alegria de viver, ensinando a técnica da felicidade para todos.

Eichmann, portador de expressiva cultura e dotado de um físico excelente, vitimado pela paixão de preservar uma pseudo raça superior, elegeu o rumo do extermínio de seis milhões de judeus.

Rumos antigos, rumos modernos!

Maria de Magdala, atendida por Jesus, tomou o rumo libertador que a conduziu à madrugada da ressurreição e, posteriormente, aos sublimes cimos da Vida.

Judas, embora carinhosamente assistido pelo Mestre, deixou-se arrastar por injustificável precipitação, seguindo o funesto rumo do suicídio infeliz.

O Evangelho tem sido, através dos tempos, o mais seguro rumo de libertação interior de que se tem notícia.

Muitos discípulos desatentos, manipulando-o, embora habilmente, não o seguem, perdendo o rumo e complicando a existência, que poderiam utilizar proveitosamente.

Cuida-te ao escolheres o caminho por onde avançar.

Roteiros há que terminam em lugares sem saída e outros que conduzem a amplas regiões de paz.

Vê qual o rumo que pretendes tomar e elege a via da libertação.

Não postergues a tua decisão superior.

Reunimos neste livro vários rumos libertadores, conforme as circunstâncias em que os problemas e dificuldades se apresentem, como contribuição para segura movimentação no trânsito carnal.

As páginas que se irão ler foram inspiradas nos preciosos ensinamentos insertos em "O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, por considerá-lo verdadeira bússola, apontando o rumo seguro para todos candidatos e aspirantes ao reino dos Céus, de que nos fala Jesus. 

Estes são roteiros simples e confortadores, apresentados à guisa de colaboração aos estudantes da formosa Doutrina Espírita, que é verdadeiro Renascimento do Cristianismo, numa hora grave e difícil qual a que ora se vive no planeta entre aturdimentos, ansiedades e frustrações...

Singelas sugestões, cada um as examinará, conforme suas próprias emoções, as circunstâncias que se apresentam, os interesses e objetivos que defronte na conjuntura reencarnacionista.

Constituem modestos contributos que resultam de acuradas reflexões e de informações que colhemos, do lado de cá na sabedoria de abnegados Instrutores Espirituais encarregados de promover o homem e o progresso da Terra, conforme as augustas diretrizes do Mestre Insuperável.

Rogando escusas ao leitor pela simpleza da forma e modéstia de conteúdo do presente, trabalho, suplicamos ao Excelso Condutor que nos abençoe e nos guie pelo Seu rumo libertador em paz e segurança.


Joanna de Ângelis

Paramirim, Bahia, 27 de fevereiro de 1978.













 

Emmanuel - Livro Deus Conosco - Chico Xavier - Cap. 43 - A revelação espiritual é como uma fonte



Emmanuel - Livro Deus Conosco - Chico Xavier - Cap. 43


A revelação espiritual é como uma fonte


Meus filhos, desejo-vos a paz de sempre. Venho falar-vos de nossa satisfação em observar que a exemplificação de Célia [1] está quase pronta para se projetar no mundo. 

Entre nós, o acontecimento tem grande significação espiritual e estamos muito reconhecidos ao poder misericordioso de Deus, porque tudo que fizermos de bom vem de Sua bondade paterna. 

Com respeito às leves modificações no texto, não vos impressioneis, porquanto isso deve ser tomado como prova de cooperação da boa vigilância, que só nos resta agradecer. 

Aliás, nós ficamos com a melhor emoção, em vista de que qualquer outro círculo de pensamentos o coração não estará habilitado a sentir a mesma intensidade vibratória, porque pela nossa parte tivemos a ventura da revelação interior, conjugada com a sagrada possibilidade de ser útil. 

E sabemos que a revelação espiritual é como uma fonte. Na nascente, a água tem um sabor específico e mais longe o líquido tem de se modificar com os elementos de seu curso, sendo razoável não nos preocuparmos, pois que toda água em movimento tanto caminha que chega ao mar purificada. 

E o mar, em nosso caso, é o mesmo Pai que nos deu a nascente. Deus vos abençoe e conceda paz. O livro de Humberto ficará adiado por mais algum tempo, até que as circunstâncias se ajustem aos nossos fins. [2] Deus esteja convosco.


Emmanuel











Notas da Organizadora:

[1] Refere-se ao livro 50 anos depois.


[2] Refere-se a Humberto de Campos e ao livro Reportagens de Além-Túmulo, que foi publicado em 1945, pela FEB.



quarta-feira, 10 de junho de 2026

Neio Lúcio - Livro Jesus no Lar - Chico Xavier - Cap. 17 - A exaltação da cortesia



Neio Lúcio - Livro Jesus no Lar - Chico Xavier - Cap. 17


A exaltação da cortesia


À frente da multidão de sofredores e desalentados, relacionou o Mestre as bem-aventuranças, destacando, com ênfase, a declaração de que os mansos herdariam a Terra.

A afirmativa, porém, soou entre os discípulos de maneira menos agradável.

Tal asserção não seria encorajamento à ociosidade mental?

Se o Evangelho reclamava Espíritos valorosos na sementeira das verdades renovadoras, como acomodar a promessa com a necessidade do destemor? Se o mal era atrevido e contundente, em todos os climas e posições, como estabelecer o triunfo inadiável do bem através da incapacidade de reagir, embora pacificamente?

Nessas interrogações imprecisas, reuniu-se a assembleia familiar no domicílio de Pedro.

Iniciados os comentários edificantes da noite, entreolhavam-se os discípulos entre a indagação e a curiosidade.

O Divino Amigo parecia perceber os motivos da expectação, em torno, mas esperava, sereno, que os seguidores se pronunciassem.

Foi então que Judas, rompendo o véu de respeito que aureolava a presença do Mestre, inquiriu, loquaz:

— Senhor, porque atribuíste aos mansos a posse final da Terra? Os corações acovardados gozarão de semelhante benção? Os incapazes de testemunhar a fé, nos momentos graves de luta e sacrifício, serão igualmente bem-aventurados?

Jesus não respondeu, de imediato.

Vagueou o olhar, através dos circunstantes, como a pedir-lhes a exposição de quaisquer dúvidas que lhes povoassem a alma.

Pedro cobrou ânimo e perguntou:

Sim, Mestre, se um malfeitor visitar-me a casa, não devo recordar-lhe os imperativos do acatamento recíproco? entregar-me-ei sem qualquer admoestação fraternal aos seus delituosos caprichos, a pretexto de guardar a mansidão a que te referiste?

O Cristo sorriu, como tantas vezes, e enunciou, calmo:

— Enganaram-se todos, naturalmente. Eu não fiz o elogio da preguiça, que se mascara de humildade, nem da covardia que se veste de cordura para melhor acomodar-se às conveniências humanas. As criaturas que se afeiçoam a semelhantes artifícios sofrerão duramente os instrumentos espirituais de que o mundo se utiliza para reajustar os caracteres tortuosos e indecisos. Exaltei, na realidade, a cortesia de que somos credores uns dos outros. 

Bem-aventurados os homens de trato ameno que sabem usar a energia construtiva entre o gesto de bondade e o verbo da compreensão! 

Bem-aventurados os filhos do equilíbrio e da gentileza que aprendem a negar o mal, sem ferir o irmão ignorante que o solicita sem saber o que pede! 

Abençoados os que repetem mil vezes a mesma lição, sem alarde, para que o próximo lhes aproveite a influenciação na felicidade justa de todos! 

Bem-aventurados aqueles que sabem tratar o rico e o pobre, o sábio e o inculto, o bom e o mau, com espírito de serviço e entendimento, dando a cada um, de conformidade com os seus méritos e necessidades e deixando os sinais de melhoria, de elevação, bem-estar e contentamento por onde cruzam! 

Em verdade vos digo que a eles pertencerá o domínio espiritual da Terra, porque todo aquele que acolhe os semelhantes, dentro das normas do amor e do respeito, é senhor dos corações que se aperfeiçoam no mundo!

Alívio e alegria transbordaram do ânimo geral e, de olhos fitos, agora, nas águas imensas do grande lago, o Senhor pediu a Mateus encerrasse o fraterno entendimento da noite, pronunciando uma prece.


Neio Lúcio









Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano