sábado, 1 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 21 - Mar alto



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 21


Mar alto

 
“E, quando acabou de falar, disse a Simão: — Faze-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar.” — (LUCAS, 5:4)


Este versículo nos leva a meditar nos companheiros de luta que se sentem abandonados na experiência humana.

Inquietante sensação de soledade lhes corta o coração.

Choram de saudade, de dor, renovando as amarguras próprias.

Acreditam que o destino lhes reservou a taça da infinita amargura.

Rememoram, compungidos, os dias da infância, da juventude, das esperanças crestadas nos conflitos do mundo.

No íntimo, experimentam, a cada instante, o vago tropel das reminiscências que lhes dilatam as impressões de vazio.

Entretanto, essas horas amargas pertencem a todas as criaturas mortais.

Se alguém as não viveu em determinada região do caminho, espere a sua oportunidade, porquanto, de modo geral, quase todo Espírito se retira da carne, quando os frios sinais de inverno se multiplicam em torno.

Em surgindo, pois, a tua época de dificuldade, convence-te de que chegaram para tua alma os dias de serviço em “mar alto”, o tempo de procurar os valores justos, sem o incentivo de certas ilusões da experiência material.

Se te encontras sozinho, se te sentes ao abandono, lembra-te de que, além do túmulo, há companheiros que te assistem e esperam carinhosamente.

O Pai nunca deixa os filhos desamparados, assim, se te vês presentemente sem laços domésticos, sem amigos certos na paisagem transitória do Planeta, é que Jesus te enviou a pleno mar da experiência, a fim de provares tuas conquistas em supremas lições.


Emmanuel










Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5.1 - Perder-se e achar-se



Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5.1


Perder-se e achar-se


O herói adormecido deve seguir adiante, procurar a própria identidade, sair da proteção do Pai misericordioso, a fim de viver as próprias experiências. Talvez não seja necessária a forma como o filho pródigo tomou a decisão, mas uma escolha decorrente da própria maturidade.

Quando se rompem os primeiros laços entre o filho e a mãe a criança começa a dizer não. A sua personalidade se vai formando, nasce a sua identidade que necessita de independência para o amadurecimento, para o enfrentamento dos próprios desafios.

O vínculo com o Pai, especialmente no sexo masculino, pode durar por muito tempo como submissão, medo, interesse pela herança, falta de iniciativa para as próprias necessidades que têm sido supridas sem qualquer esforço de sua parte. Transferindo sempre a responsabilidade dos seus atos ao Pai, o filho não cresce psicologicamente, mantendo uma forma de paraíso infantil, onde se sente bem, embora não realizado.

A experiência libertadora é essencial ao crescimento interior e pessoal, podendo ser realizada, no entanto, sem traumas, sem culpas, sem danos.

Não poucas vezes, nessa fantástica aventura da autoidentificação ocorre o perder-se, a fim de mais tarde achar-se.

A sombra em forma do eu-demônio apressa-se para que aconteça a ruptura, enquanto o eu-angélico aturde-se e introjeta a culpa, que ressumará do inconsciente quando o indivíduo perceber-se perdido e sofrido.

Normalmente ocorrem desenvolvimentos espontâneos e superiores na psique, quando se atinge a idade adulta, no entanto, nela existem fatores de compressão e de regressão, que se fazem vigorosos, demonstrando o erro em que se incidiu, abrindo espaço para as reflexões mais sérias destituídas do ego, facultando a corrigenda do erro, sem a perda das qualidades morais adquiridas. Antes, pelo contrário, graças a esses valores de enriquecimento interior, que ajudam no discernimento, que proporcionam o crescimento e contribuem com as forças necessárias para a reabilitação.

O ser amadurecido pela dor redescobre que tem um Pai misericordioso, que nem sequer o censurou quando ele partiu ou dificultou a sua viagem, mas que, com certeza o espera na sua afeição não ultrajada.

Essa conquista da consciência do si-mesmo é a chave mágica para a decisão de voltar para casa, de retornar às experiências de identificação com a vida. Já não se trata de uma volta à inocência, agora transformada em conhecimentos diversos, em sofrimentos dignificadores, em discernimento entre raga (a paixão, a ilusão) e a realidade.

Não bastam ser trabalhados o ego e a persona, fortalecidos e construídos muitas vezes pelas experiências existenciais, mas sobretudo o Self consciente. Quando se atinge a meia-idade essa reflexão faz-se inevitavelmente. No entanto, o mesmo fenômeno ocorre, também, na juventude, após alguns traumas e frustrações, desencantos e dissabores ante a realidade da vida.

Foi o que pensou e executou o Filho pródigo, no inferno em que se encontrava. Ele sabia onde estava o paraíso e o de que necessitava era o estímulo que se lhe apresentou como fome e humilhação, com a consequente possibilidade de morte.

Havendo perdido a própria identidade, todos os valores que lhe constituíam a raça, suas heranças, seus prejuízos e suas conquistas, ao trabalhar com porcos - animais imundos na sua crença - em servir a um pagão, pecando contra a fé religiosa - o seu Deus - a mais vergonhosa derrota havia sido essa, de natureza moral, cujos fatores de perturbação se lhe acrescentaram como desonra, descrédito, abandono, miséria física e econômica, defluentes daquela de natureza espiritual.

No processo de aquisição da consciência, por desconhecimento da realidade, por presunção e fatuidade, muitos perdem-se e transitam imaturos no prazer, desperdiçando a juventude e os tesouros que lhe são pertinentes, até o momento em que surge uma seca, faltam as energias para o prosseguimento e o indivíduo cai em si, avaliando tudo quanto tinha e de que não mais dispõe, sabendo que na terra longínqua onde vivia, tudo está em abundância.

Já não mais aspira à reconquista do que perdeu, porquanto há recursos que não retornam: energia, juventude, pureza de sentimentos, mas há outros que podem ser restaurados: dignidade, trabalho, renovação, novos logros.

No caso, em tela, servia ao Filho pródigo um lugar entre os trabalhadores, mas ele foi restaurado pelo pai que o reabilitou, que o vestiu e calçou com nobreza, que lhe pôs o anel de distinção e de união.

Tudo isto porque ele estava perdido e foi encontrado, estava morto e vivia.

Podemos considerar esse fato, igualmente como o do amor de Deus, em relação às suas criaturas, Seus filhos rebeldes que Lhe abandonam a casa paterna e fogem para o país longínquo da loucura e da ingratidão, entregando-se à ilusão com total olvido da sua origem divina, dissipando as forças elevadas que lhe são concedidas para o desenvolvimento espiritual, moral e intelectual, entregando-se ao servilismo com os animais imundos —as paixões primitivas - disputando as bolotas — insistindo no primarismo ancestral - porque está perdido, mas com possibilidades de autoencontrar-se.

Fazendo parte da trilogia dos perdidos - a ovelha, a dracma e o filho pródigo — essa parábola também é membro da tríade do encontro, da esperança, da misericórdia, do júbilo.

Achar-se é muito mais importante do que achar.

Acham-se coisas, animais e pessoas perdidos, no entanto, achar-se, quando se está perdido em si mesmo e não no espaço-tempo, é de relevância psicológica, de verdadeira cura, de reabilitação, de autoencontro, de amadurecimento para o estado numinoso.

Torna-se necessária, nesse momento, a imago Dei na consciência como parâmetro para sair-se do ego extravagante e ditador, recordando-se do Pai misericordioso que sempre aguarda e que, reencontrando o que estava perdido, rejubila-se, propõe e executa uma festa, mantendo a união que fora arrebentada quando o irresponsável fugiu para longe...

A persona está sempre mudando no processo existencial porque resulta das aquisições psicológicas e morais, embora o ego se demore na sua dominação, adquirindo recursos para interagir com as novas conquistas. Durante os períodos de mudanças biológicas, conforme referido anteriormente, essas mudanças sucedem-se com naturalidade, atingindo o clímax na fase adulta-velhice, quando o período é saudável.

Experiencia-se, na Terra atual, não mais o ciclo das culturas da vergonha e da culpa, mas o do narcisismo, do exibicionismo, da falta de censo e de pudor, da extravagância, do poder...

Apesar disso, a psique mantém a herança da culpa e da vergonha no inconsciente individual e mesmo quando anestesiada por circunstâncias e ocorrências casuais, locais, sociológicas, são sempre de breve período de duração, porque ressumam e se expressam de maneira patológica com transtornos de comportamento e síndromes de enfermidades defluentes de somatização.

É compreensível que o necessário sair de casa para tornar-se herói, não deva passar obrigatoriamente pelo insucesso, a depender, portanto, da maneira elegida para essa experiência.

Achar-se é uma necessidade do si-mesmo para desfrutar da alegria de viver, não sucumbindo em distúrbios de conduta, sempre lamentáveis e dolorosos.

Quando se pensa que o Cosmo possui um sistema de natureza moral, organizador, descobre-se alegremente que a vida oferece processos evolutivos que impulsionam ao engrandecimento pessoal e à plenitude ou individuação.

Pode-se alcançar esse crescimento sem que se passe compulsoriamente pelo insucesso do ego, pelas incertezas do Self, realizando-se a viagem de volta a casa, em clima de alegria.

Jesus concebeu e expôs a Parábola do Filho pródigo, assim como as duas outras, sobre os perdidos, para demonstrar que Ele viera para esses sofredores e desorientados, que Ele encontraria e reconduziria às suas origens, na doce expressão do Pai misericordioso, o que conseguiu com êxito retumbante, demonstrando, sub-repticiamente, aos seus antagonistas que, de alguma forma, eles estavam perdidos, mas que também estavam sendo encontrados, tendo a chance de retornar à casa paterna...

O desafio de Jesus prossegue na atualidade com as mesmas características, representadas no Seu chamamento à consciência de felicidade, naturalmente para aqueles que a perderam ou não a a tiveram, ante o crivo dos novos fariseus presunçosos e enganados em relação à vida e ao seu determinismo.

São, por enquanto, Filhos pródigos saindo da casa paterna, para desfrutar as heranças divinas no país longínquo.


Joanna de Ângelis













sexta-feira, 31 de julho de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. XIX - João Nunes Maia - Cap. 21 - Antipatias



Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. XIX - João Nunes Maia - Cap. 21 - Antipatias

 

939. Uma vez que os Espíritos simpáticos são induzidos a unir-se, como é que, entre os encarnados, frequentemente só de um lado há afeição e que o mais sincero amor se vê acolhido com indiferença e, até, com repulsão? Como é, além disso, que a mais viva afeição de dois seres pode mudar-se em antipatia e mesmo em ódio?

“Não compreendes então que isso constitui uma punição, se bem que passageira? Depois, quantos não são os que acreditam amar perdidamente, porque apenas julgam pelas aparências, e que, obrigados a viver com as pessoas amadas, não tardam a reconhecer que só experimentaram um encantamento material! Não basta uma pessoa estar enamorada de outra que lhe agrada e em quem supõe belas qualidades. Vivendo realmente com ela é que poderá apreciá-la. Tanto assim que, em muitas uniões, que a princípio parecem destinadas a nunca ser simpáticas, acabam os que as constituíram, depois de se haverem estudado bem e de bem se conhecerem, por votar-se, reciprocamente, duradouro e terno amor, porque assente na estima! Cumpre não se esqueça de que é o Espírito quem ama e não o corpo, de sorte que, dissipada a ilusão material, o Espírito vê a realidade.

“Duas espécies há de afeição: a do corpo e a da alma, acontecendo com frequência tomar-se uma pela outra. Quando pura e simpática, a afeição da alma é duradoura; efêmera a do corpo. Daí vem que, muitas vezes, os que julgavam amar-se com eterno amor passam a odiar-se, desde que a ilusão se desfaça.” (O Livro dos Espíritos) 


O ser humano se engana constantemente, principalmente no tocante ao amor. É preciso analisar mais a chamada sintonia que, no fundo, é o próprio amor. Ele faz parte de uma escala imensurável; cada degrau corresponde a um estado de alma, e a subida vai nos mostrando que ela é infinita, assinalando as posições das criaturas e fazendo-as sentir a verdade na sequência da subida.

Ao se encontrar uma criatura, principalmente do sexo oposto, pode-se sentir imediatamente uma grande afeição, que tanto pode ser pela presença física, quanto pela espiritual. Compete a cada indivíduo ser cauteloso em mostrar o que está pensando e sentindo naquele momento, para não cair em contradições.

Certamente que em muitos casos, encontramos pessoas pela primeira vez e sentimos antipatias por elas, no entanto, com o decorrer do tempo, modificamos nossos sentimentos, passando a amar tais criaturas, bem como se dá o contrário. A razão nos fala que tudo isso constitui processo de despertamento espiritual, e que não vamos permanecer sentindo antipatia; o nosso futuro é amar e nos confraternizar com todos os seres deste mundo em que moramos temporariamente e dos outros, tanto quanto de todos os reinos da natureza.

Devemos amar a Deus, como já falamos alhures, em todas as coisas, que essas coisas respondem a esse amor em sua dimensão de vida. Não deves te sentir culpado por teres antipatia por alguém; deves, sim, compreender esse sinal como sendo um aviso do que ocorre por dentro da tua vida. O que tens a fazer é buscar mudar na tua intimidade e esforçar-te para tal, que a própria natureza te ajudará na superação dos obstáculos naturais. Esses conflitos são normas de despertamento dos valores internos. Não deves tampouco culpar as entidades mal informadas sobre a verdade. Elas estão igualmente procurando, como todos nós, a verdade para se libertarem das incompreensões.

Ao encontrares novos companheiros e a antipatia surgir, é um sinal pedindo para parares e meditar, até que se abram em teu entendimento, vários processos da vida para nos educar e instruir. O próprio amor à primeira vista deve ser moderado. Em tudo, a posição de equilíbrio nos mostra melhores resultados; todas as paixões ardentes vêm de fonte mal informada, e todas as paixões desenfreadas nascem mais da matéria e pedem modificações. O homem elevado é sereno em tudo o que faz e pensa; ele ama, na mesma serenidade, a Deus em tudo.

Certamente que existem muitas modalidades de afeições, no entanto, tudo vem do Espírito. Somente ele, na posição de encarnado, ama ou odeia. Quando o Espírito se liberta do corpo na desencarnação, a matéria se funde na própria matéria, desfazendo-se da forma. Os elementos buscam seus iguais, fundindo-se e se transformando para a sua grandeza. Na própria matéria existe "antipatia" dos elementos, que vibram em diferentes ordens.

Em muitos casos, que podem ser comprovados, muitos que amam e que se diziam felizes em tais momentos, passam a odiar. Entrementes, com a compreensão da vida, com o passar dos milênios, passam a amar novamente, eternamente, pois esse é o caminho, a verdade e a vida para todas as criaturas de Deus. O ódio é transitório; o amor é eterno, em tudo que existe.

"Nestes jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos e paralíticos." (João, 5:3)

Na vibração do ódio somente existem cegos, coxos e paralíticos, mas, com Jesus, em se referindo ao amor, à simpatia, todos se curam da cegueira, das enfermidades e dos defeitos físicos, vivendo nas linhas da perfeita harmonia de vida.

Podemos afirmar que todos os acontecimentos contraditórios que se passam na vida da alma, são necessários para que ela chegue à região do amor, passando a amar. Não podemos julgar a ninguém porque deixou de amar determinada criatura de quem antes tanto gostava. As próprias ilusões são lições, para nos mostrar o verdadeiro caminho. Todos passam por essas diretrizes. Os Espíritos elevados sabem disso; por isso não julgam.


Miramez















Miramez - Livro Cristos - João Nunes Maia - Cap. 2 - Cristo-Luz



Miramez - Livro Cristos - João Nunes Maia - Cap. 2 - Cristo-Luz


"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade que está situada sobre um monte." (Mateus, 5:14)

"E outra vez lhes falou Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; o que me segue não anda em trevas, mas terá o lume da vida." (João, 8:12)

Não faças acordança com as sombras, pois, elas serão capazes de subestimar os teus valores em germe no coração. Sabedoria é luz; procura-a em todos os níveis da tua capacidade. Educação é luz; busca-a em todas as direções ao teu alcance. Quem já sentiu as claridades do saber e a libertação pelo amor nunca mais tornará as trevas; e é neste empenho divino que buscaremos o Cristo, que acentuou com propriedade; Eu sou a luz do mundo.

Para nós, Jesus é verdadeiramente a Luz de três mundos: luz física, espiritual e íntima de todos os que vivem na Terra e com a Terra, de forma a libertar as almas nas faixas que lhes compete viver. É bom que façamos avaliação do Mestre diante das nossas necessidades, para que possamos sentir a Sua ausência no mau desempenho da vida, e retratarmos conosco mesmo, em uma conduta correta, como educação versus disciplina mais eficiente.

Prosseguindo a conversa, Jesus afirmou: Quem me segue não andará nas trevas. Quem tem o Senhor como guia recebe a Sua luz, como e certamente desperta em si uma luz inextinguível, que retrata a sua condição espiritual, e a Sua companhia em espírito e verdade.

Se estás entrando na iniciação espiritual, é justo apreciar vários fatores em seus próprios passos, fazendo-se necessário esquecer a conduta alheia e não gastar tempo com o tempo que já se foi; deixa o ontem, o hoje e o amanhã com as suas próprias demandas, e vive o eterno com as leis que te asseguram eternamente.

O ponto alto do Cristo no comando do planeta Terra e de seus habitantes é o conhecimento da Verdade, que nos liberta de tudo. Basta dizer que, por ela, as correntes da ignorância que se faziam nossa inquilina rompem, e neste fenômeno, circula em nós a harmonia cósmica, restabelecendo nas três dimensões o equilíbrio, que nos alicerça a existência, a exuberância da paz, a felicidade, a saúde e o amor, que facilitarão todos os outros dons em crescimento.

E adiante Jesus no mesmo tópico: Mas terá a luz da vida. Quem começa a conquistar a luz da vida, é um ser aprazível. Onde se encontre, notar-se-á manifestando no ar que se respira algo diferente; na sua palavra, sons enriquecidos de amor, e quem a ouve, não esquece, e na sua feição, uma luz irradia sem intervalos.

O homem ou espírito encarnado dotado da luz da vida é afável em todos os seus gestos, é sereno em todas as suas atividades, e a sua boca jamais fere alguém; livra-se com facilidade da tristeza, quando essa tenta invadir seu coração, e sua maior força está na humildade e no amor. Este homem é o homem-luz. Homem que respeita permanentemente os direitos dos outros, sem nada exigir para si, que confia nas possibilidades alheias, sem requerer confiança, que entende e pratica todos os preceitos do Cristo, sem que a sua inteligência possa oprimir os semelhantes a fazerem o mesmo, encontra no seu mundo íntimo trabalho de sobra, para não interferir na vida das pessoas, e se alegra quando alguém desavisado aponta algum erro no seu caminho, procurando imediatamente corrigi-lo.

Não entrega o seu corpo ao leito de descanso sem orar com humildade ao Todo Poderoso, agradecendo tudo que recebeu no decurso do dia; jamais dorme contrariado, entrando em completo relax, sentindo-se como se fosse um sol na carne, e agradecendo igualmente ao corpo pelo que fez durante o dia.

Estende os pensamentos às estrelas, buscando Deus, buscando Cristo, buscando Luz, porque também já é uma Luz. 

E nesta feição divina, devemos recordar cheios de alegria: 

De novo lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.


Miramez












Fonte: Cristos

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Taça de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 23 - Saibamos agradecer



Emmanuel - Livro Taça de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 23


Saibamos agradecer


Aprendamos a agradecer no círculo das criaturas limitadas que ainda somos, a fim de recebermos o socorro dos Mensageiros Divinos cuja sublimidade ainda não conseguimos compreender.

Cada coração que palpita conosco, amparando-nos a jornada é alguém da Vida Superior induzindo-nos à felicidade.

A ternura de nossa mãe…

A benevolência de nosso pai…

O devotamento da esposa…

A assistência do companheiro…

O carinho do irmão…

A devoção do mestre…

A generosidade do amigo…

A direção do chefe…

O concurso do servidor…

A paciência do médico…

A tolerância do enfermeiro…

Não somente essas forças te assistem, cada hora, assegurando-te interesse e estímulo à existência…

para estender a caridade sem ruído, como quem sabe que ajudar aos outros é enriquecer a própria existência;

para persistir nas boas obras sem reclamações e sem desfalecimentos, em todos os ângulos do caminho;

para negar a nossa antiga vaidade e tomar, sobre os próprios ombros, cada dia, a cruz abençoada e redentora de nossos deveres, marchando, com humildade e alegria, ao encontro da vida sublime…

A indicação honrosa nos felicita.

Nossa presença nos estudos do Evangelho expressa o apelo que flui do Céu para as nossas consciências.

Chamados para a luz e escolhidos para o trabalho. Eis a nossa posição real nas bênçãos do “hoje”. E se quisermos aceitar a escolha com que fomos distinguidos, estejamos certos igualmente de que, em breve, “amanhã” comungaremos felizes com o nosso Mestre e Senhor.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Mediunidade e Sintonia - Chico Xavier - Cap. 13 - Trabalho além da Terra



Emmanuel - Livro Mediunidade e Sintonia - Chico Xavier - Cap. 13


Trabalho além da Terra


Além da morte, a alma continua naquilo que começou a fazer na existência física.

E em razão de cada criatura transportar consigo a experiência a que se afeiçoa, a Sabedoria Divina concede a cada Espírito encarnado determinada tarefa, que, na essência, vale por ensaio precioso, à frente do serviço que lhe competirá no amanhã eterno.

Vemos, na Terra, diversificar-se o trabalho ao infinito…

Esse ensina.
Aquele dirige.
Aquele outro obedece.
Aqui, possuímos quem edifique.
Além, há quem cure.
Adiante, há quem esclareça.

Entretanto, se o professor apenas faz jus à remuneração financeira, não terá conquistado o santuário da educação.

Se o dirigente foge à exemplificação e à nobreza íntima, não terá conhecido a verdadeira autoridade.

Se o cooperador subalterno menoscaba a atenção para com o bem comum, viverá muito longe do prazer de servir.

Se quem levanta paredes e monumentos cinge-se apenas ao interesse particular, não terá percebido a beleza da construção.

Se quem alivia as dores humanas procura simplesmente o lucro fácil, decerto desconhecerá o divino templo da cura.

E se quem esclarece foge ao devotamento e à serenidade, preferindo localizar-se entre a exigência e a aspereza, não acenderá no caminho a luz do amor.

Não olvides que as tuas atividades, fora do corpo denso, serão sempre a continuação daquilo que fazes por dentro de ti, obedecendo ao próprio coração.

Não basta erguer braços ágeis, deitar fraseologia preciosa ou provocar excessivo movimento em torno de teus dias, porque há muitas mãos operosas na extensão da sombra, muito verbo faustoso na exploração menos digna e muito ruído vão, provocando, onde existe, tão somente amargura e cansaço.

Ama o serviço que o Senhor te confiou, por mais humilde que seja, e oferece-lhe as tuas melhores forças, porque do que hoje fazes bem, no proveito de todos, retirarás amanhã o justo alimento, para a obra que te erguerá do insignificante esforço terrestre para o trabalho espiritual.


Emmanuel












quarta-feira, 29 de julho de 2026

André Luiz - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 39.2 - Mimetismo e definição



André Luiz - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 39.2


Mimetismo e definição


15. A coragem das opiniões próprias sempre foi tida em grande estima entre os homens, porque há mérito em afrontar os perigos, as perseguições, as contradições e até os simples sarcasmos, aos quais se expõe, quase sempre, aquele que não teme proclamar abertamente ideias que não são as de toda gente. Aqui, como em tudo, o merecimento é proporcionado às circunstâncias e à importância do resultado. Há sempre fraqueza em recuar alguém diante das consequências que lhe acarreta a sua opinião e em renegá-la; mas, há casos em que isso constitui covardia tão grande, quanto fugir no momento do combate.

Jesus profliga essa covardia, do ponto de vista especial da sua doutrina, dizendo que, se alguém se envergonhar de suas palavras, desse também ele se envergonhará; que renegará aquele que o haja renegado; que reconhecerá, perante o Pai que está nos céus, aquele que o confessar diante dos homens. Por outras palavras: aqueles que se houverem arreceado de se confessarem discípulos da verdade não são dignos de se verem admitidos no reino da verdade. Perderão as vantagens da fé que alimentem, porque se trata de uma fé egoísta que eles guardam para si, ocultando-a para que não lhes traga prejuízo neste mundo, ao passo que aqueles que, pondo a verdade acima de seus interesses materiais, a proclamam abertamente, trabalham pelo seu próprio futuro e pelo dos outros.  (O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. 24)


801. Por que não ensinaram os Espíritos, em todos os tempos, o que ensinam hoje?

1 “Não ensinais às crianças o que ensinais aos adultos e não dais ao recém-nascido um alimento que ele não possa digerir. Cada coisa tem seu tempo. Eles ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou adulteraram, mas que podem compreender agora. Com seus ensinos, embora incompletos, prepararam o terreno para receber a semente que vai frutificar.” (O Livro dos Espíritos)


Amor em ação, amor-entendimento, amor-brandura, amor em nome do Cristo que se imolou por amor. 

Não nos esquecermos, porém, de que o Cristo nunca se achou fora do caminho aberto que conhecemos como sendo definição.

A astúcia se esconde sistematicamente no “sim”, a crueldade se encouraça no “não” e a preguiça não sai do “talvez”.

O espírita, herdeiro atual do Cristianismo sem distorções, não pode ignorar a necessidade do equilíbrio.

Compreensão e ternura, mas atitude firme, para que a névoa da ignorância não invada a atmosfera mental onde vivemos, induzindo os companheiros de viagem terrestre ao vale da indecisão.

Somos, involuntariamente, a bússola uns dos outros. Os que marcham à frente ditam normas para os que se formalizam à retaguarda.

Todos influenciamos positivamente com o magnetismo da atitude. Daí o impositivo de sermos por fora o que somos por dentro.

Claramente é possível usar os valores afetivos em qualquer circunstância.

Misericórdia e paz em todas as situações, principalmente naquelas nas quais é preciso desembaraçar alguém da perturbação com a paciência e a abnegação de que não prescindimos para libertar o doente da enfermidade. Isso, contudo, não nos exime do culto à verdade.

Reportamo-nos, enlevados, ao amor que imperava nas coletividades cristãs do Evangelho nascente.

Os primeiros seguidores de Jesus amavam-se ternamente como verdadeiros irmãos; entretanto, não foi tão só a preço de doçura que venceram o sarcasmo e a perseguição de que se viram objeto.

O amor entre eles incluía a coragem, a franqueza, o desassombro e a fidelidade por ingredientes necessários ao triunfo sobre as vicissitudes da época, tanto quanto sobre si próprios.

Sejamos tolerantes no sentido construtivo, respeitando as vítimas de enganos consagrados e preconceitos infelizes, doando a cada uma delas algo de útil que as auxilie na edificação do bem, com vistas à emancipação futura. 

Mas conservemos atitude límpida pela qual sejamos identificados na condição de espíritas, a serviço do mundo renovado, evitando mimetismo e acomodação.


André Luiz