quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Miramez - Livro Cristos - João Nunes Maia - Cap. 1 - Cristo-Sol



Miramez - Livro Cristos - João Nunes Maia - Cap. 1


Cristo-Sol


"Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade que está situada sobre um monte." — (MATEUS, 5:14)


Jesus Cristo é como que bandeira tremulante no topo da Terra, anunciando a libertação espiritual das criaturas, pelos múltiplos caminhos, sendo o Evangelho o indicador. Ninguém pode negar a Sua luz, pois, ela brilha em todas as direções como Mestre de todos os mestres, como Santo de todos os santos, e Sábio de todos os sábios.

O Cristo é o Pastor inconfundível de todo o rebanho, e esteve presente no parto cósmico de todos os Espíritos que chamamos filhos da Terra. Ele é o nosso guia espiritual há bilhões de anos, manifestando o mesmo amor que sentiu, desde o princípio, por nós.

A mente dos espíritos que caminham com a Terra está condicionada a palavra de Jesus, como sentinela que nos livra da ignávia dos fariseus, ainda existente nas largas estradas do mundo, conquanto que eles mesmos se prendam aos laços que armam para os outros.

Os espíritos que já sentiram o amanhecer do Sol da Verdade em seus corações suportarão todas as investidas das sombras com a mesma serenidade, e ainda sentindo amor pelos detratores, compreendendo que o mal não compensa, e que aqueles que o fazem são os últimos a reconhecerem esta afirmativa incontestável.

Temos na vida dois sóis que nos aquecem permanentemente: o sustentado no centro dos planetas que circulam em tomo dele, e o Cristo, no centro de todos os espíritos que fazem parte do Seu rebanho, como Sol espiritual.

Eis que daí dimana toda a energia, que nos garante a própria vida. O Mestre não Se esqueceu de afirmar para Seus discípulos: vós sois a luz do mundo! Certamente que podemos ser a luz do mundo, dependendo do modo que escolhermos para viver, e que ainda nos mostra o caminho por onde chegaremos a essa luz.

Jesus desceu do altiplano da espiritualidade maior, consubstanciou todos os recursos possíveis às nossas necessidades, tomou um corpo visível aos olhos humanos, sofreu o peso da redução cósmica dos Seus valores íntimos, e abriu os braços a todo o rebanho do Seu amor, dizendo: a paz seja convosco!

Permaneceu entre nós, por mais de três décadas, nos educando e nos instruindo, por pensamentos, palavras, e vivência. E como herança divina, nos legou a maravilha de todas as outras: o Evangelho. E ainda mais, escolheu um punhado de anjos do Seu convívio, deixando-os conosco para aprendermos os conceitos de luz do Seu coração. E a Sua renúncia maior foi a descida do Seu ninho resplandecente, de esfera em esfera, até pisar no chão áspero do mundo em que habitamos, labor que custou milhares de anos dos que se conta na Terra.

Isso é verdadeiramente o Amor, imperceptível aos nossos sentidos. Cristo, como Sol, é força fecundante em nossas almas que pacientemente espera o fruto de nossos esforços a ser colocado em Suas mãos, como o pai aguarda a criança dando os primeiros passos.

Estamos nos aproximando de uma época de grandes atribulações, o que já fora, obviamente, previsto pelo Senhor. No entanto, para o justo, não há o que temer; onde estiver o homem bom, receberá bondade; onde estiver o homem verdadeiro, encontrará verdade; onde estiver o homem amoroso, receberá Amor.

Se já abriste caminho para o Cristo no coração, com as ferramentas da caridade, Ele transitará dentro de ti pelas vias das virtudes, e nunca te deixará órfão. E ainda que queiras esconder esta luz, não conseguirás.


Miramez












Fonte: Cristos

Irmã Scheilla - Livro A Mensagem do Dia - Clayton B. Levy - Cap. 10 - Destino Espiritual



Irmã Scheilla - Livro A Mensagem do Dia - Clayton B. Levy - Cap. 10


Destino Espiritual


A vida de cada pessoa é como um rio correndo para Deus.

No mundo encontrarás quem te fira com os calhaus da ingratidão.

Outros tentarão turvar as águas dos teus pensamentos, lançando idéias poluentes.

Por vezes, as dificuldades te apertarão o leito da existência, fazendo surgir as ondas da insegurança.

De outras vezes, depararás com as pedras do desânimo, tentando barrar-te o curso.

Em todas as situações, porém, continua seguindo, animado pela correnteza da confiança.

Tudo passará e nenhum obstáculo conseguirá impedir que desagues no oceano do amor total, onde encontrarás a razão do teu destino espiritual.

Este viu o afeto partir para o Além, sem compreender que a vida continua.

Aquele foi alcançado pela enfermidade de longo curso.

Outro se viu ante decepções e passou a desacreditar de todos.

Diante deles, não critique nem questione.

Ajude.

Ouça com interesse e auxilie com amor.

Cada Espírito é um campo a ser cultivado.

Semear esperança é dever de todo aquele que já encontrou a luz da verdade.

Por certo, a Misericórdia Divina sabe como amparar os sofredores. Entretanto, Jesus não dispensa a colaboração de todos os aprendizes do Bem, para amenizar o sofrimento e recuperar a esperança para quem chora.


Irmã Scheilla













Emmanuel - Livro Sentinelas da Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 14 - Seja feita a divina vontade



Emmanuel - Livro Sentinelas da Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 14


Seja feita a divina vontade


Não aflijas o próprio coração, pedindo ao Céu aquilo que realmente não constitui nossa necessidade essencial.

Recorda, em tuas orações, que a Vontade Divina endereça-nos, cada dia, concessões que representam a provisão de recursos imprescindíveis ao nosso enriquecimento real.

Observa, na sucessividade das horas, as bênçãos do Todo Misericordioso.

Aparecem, quase todas, em forma de trabalho nos pequenos sacrifícios que o mundo nos reclama.

Aqui, é a família exigindo compreensão.

Ali, é uma obrigação social que devemos cumprir.

Além, é o imposto do reconhecimento que não nos cabe sonegar.

Mais além, é o companheiro de caminho que nos pede auxílio e entendimento.

Guarda a boa vontade no coração e o serviço nas atitudes, à frente da Humanidade e da Natureza, e perceberás que não é preciso bater às Portas do Céu com demasiadas súplicas ou com excessivas aflições.

Repara os nossos irmãos menos felizes que procuram a fortuna amoedada ou que buscaram os títulos da autoridade terrestre.

Quase todos avançam atormentados, ao calor de braseiros invisíveis, suspirando pela paz que temporariamente perderam, em recebendo compromissos prematuros.

É possível que sejas convocado à luta da direção ou à mordomia do ouro; é provável que amanhã sejas conduzido aos mais altos postos, na orientação do povo ou no esclarecimento das almas…

Se isso, porém, está nos Desígnios do Senhor, não precisas inquietar-te através de requisições e rogativas sem qualquer razão de ser.

Não intentes a aquisição de bens ou responsabilidades para os quais ainda não te habilitaste.

A árvore, sem angústia, cresce para a colheita e a fonte, sem violência, desliza no espaço e no tempo, acabando por encontrar a serenidade do grande oceano.

Cumpre o dever de hoje, com segurança e tranquilidade, sê, antes de tudo, correto e irrepreensível para com os outros e para contigo mesmo, e o Plano da Eterna Sabedoria te alçará gradativamente a serviços sempre mais expressivos e sempre mais importantes, porque na confiança de tua fidelidade ao Bem, estarás repetindo com o Amor de Jesus: “Seja feita, Senhor, a Tua Vontade, assim na Terra como nos Céus”.  


Emmanuel














Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 71 - Amparo mútuo



Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 71


Amparo mútuo


Sejamos cada um aquele complemento que falte no outro para a execução dos deveres que nos competem à frente do Cristo;

a visão clara daquele que ainda não sabe enxergar o caminho;

o ouvido ponderado e sereno daquele outro que ainda não sabe escutar em louvor do bem;

a palavra do companheiro que não conseguiu ainda senhorear o verbo para canalizar a concórdia e o benefício;

o braço do irmão que ainda não haja compreendido a obrigação de servir.

Cada Grupo de ação no Evangelho é um conjunto de peças interdependentes, necessitando funcionar em harmonia para o êxito na obra a realizar.

Estejamos unidos em Jesus, refletindo os desígnios d’Ele, nosso Senhor e Mestre, na atividade edificante a que fomos chamados e, desse modo venceremos.

Em tudo, trabalho que nos exteriorize a fé para que a nossa fé não seja vã;

trabalho que se converta em mensagem viva de solidariedade e de amor, no rumo daqueles que nos compartilham a marcha;

trabalho que nos valorize os amigos e altere para melhor a conceituação de adversários a nosso próprio respeito;

trabalho que se transfigure em progresso e bênção para quantos nos cerquem;

trabalho que nos patenteie a decisão de transformar-nos, em definitivo, em cooperadores de Jesus onde estejamos.

E guardemos a certeza de que onde o trabalho não esteja, aí vige a sombra desencadeando toda a classe de crises do pensamento e do coração, impedindo a execução do bem a que nos propomos servir.


Batuíra













terça-feira, 11 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Amor e Luz - Chico Xavier - Cap. 19 - Assistência social



Emmanuel - Livro Amor e Luz - Chico Xavier - Cap. 19


Assistência social


"Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma." (TIAGO, 2:17)

Meu amigo, muita paz!

A assistência social é a fraternidade em ação.

Sem ela, indiscutivelmente, os nossos mais preciosos arrazoados verbalísticos não passariam de belos mostruários sonoros.

É necessário teorizar com o exemplo se desejamos argumentar com eficiência e segurança, no campo de nossas realizações.

Se é verdade que as obras sem ideal são primorosas esculturas da arte humana, sem o calor da vida, a fé sem obras, segundo já nos asseverava a palavra apostólica, há quase dois mil anos, não passa de um cadáver bem adornado.

A escola, a maternidade, a creche, o hospital, o refúgio de esperança aos viajantes da amargura, o albergue, o posto de socorro, a visitação fraterna aos doentes e aos necessitados, a palestra amiga e confortadora, a casa de desobsessão, o auxílio de emergência aos companheiros de angústia, o amparo aos irmãos presidiários, a cooperação metódica nos centros especializados de tratamento, quais sejam os sanatórios, os hospitais e os leprosários, a contribuição desinteressada, enfim, a dor de todos matizes e de todas as procedências, desafiam a nossa capacidade de imaginar, organizar e fazer, afim de que possamos momentalizar a nossa Doutrina de Amor e Luz no mundo vivo dos corações.

Trabalhemos, auxiliando-nos uns aos outros. Somos associados de uma só empresa de redenção, usando o sentimento, o raciocínio, as mãos, a palavra, a tribuna, a imprensa e o livro para o mesmo glorioso desiderato.

Conscientes, pois, de nossas responsabilidades, marchemos para diante, sob a inspiração do Cristo, Nosso Senhor e Mestre, entrelaçando braços e corações na mesma vibração de otimismo e esperança, serviço e sublimação.

Hoje é o nosso dia.

Agora é o momento.

A luta é a nossa oportunidade.

Ajudar é a honra que nos compete.

Sigamos assim, destemerosos e firmes na certeza de que o Senhor permanece conosco e, indubitavelmente, alcançaremos amanhã a alegria e a paz do mundo melhor.


Emmanuel










segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 8 - A busca do significado - A individuação



Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 8 - A busca do significado


A individuação


A busca do significado na existência humana deve expressar-se no rumo da individuação, o que equivale dizer, da própria identidade, que não se circunscreve ao conceito de individualismo, mas de individualidade, que induz ao conhecimento real do que se é e não apenas do que parece ser no turbilhão das exterioridades do ego.

Para o eminente Jung, o criador do termo, o significado é que a existência se realize como individualidade do Self, como perfeita integração do Si-mesmo, da sua totalidade, o que não significa sua perfeição, que constitui um ideal...

Trata-se do esforço que deve ser envidado para que se alcance a perfeita consciência da sua realidade, sem disfarces, como realmente cada um é, sem o conflito de somente apresentar-se com características que não são verdadeiras.

Compreende-se que se trata de um esforço titânico, porque o arquétipo numinoso do Self apresenta-se como um tentame que pode ter repercussão perturbadora inesperada, como no caso, da auto-presunção de desejar tornar-se um super-homem — Ubermensch — conforme sonhado por Frederico Nietzsche, no seu delírio masoquista, ou um homem-deus...

Indispensável evitar-se tais ambições, considerando que a conquista não pode levar a esquecer-se a realidade do ser individual que se é, os limites naturais de humanidade que o caracterizam.

Enquanto o Self é a expressão da divindade interna no ser humano, nessa busca, a da individuação, deve apequenar-se até a postura do ego, tornando-se consciente da sua condição imensurável da psique, sendo, simultaneamente, o seu conteúdo mais significativo e real.

Isso exige um grande confronto em luta contínua com os constructos do inconsciente, eliminando, ou iluminando as pesadas condensações da sombra, das experiências dolorosas umas, infelizes outras, abençoadas algumas e frustrantes diversas...

Trata-se da conquista dos valores que se encontram programados para o vir-a-ser, e que podem ser logrados mediante o esforço de superação sobre o ego, por meio das renúncias e compreensão do significado existencial.

Não se consegue essa meta a golpes aventureirescos, sob entusiasmos e exaltações da persona, porém, mediante conquistas diárias, lentas e seguras, que vão sendo incorporadas ao consciente, na razão que liberta os traumas e conflitos do inconsciente.

Essa individuação pode apresentar-se num conteúdo espiritual, artístico, cultural, científico, de qualquer natureza, porquanto a sua meta é a ampliação da consciência além dos limites habituais em forma de compreensão da vida em todas as suas dimensões.

Isso se dá através das transformações dos conceitos existenciais, conduzindo o indivíduo à superação dos arquétipos perturbadores — persona, sombra, anima-us - em uma consciente integração.

Somente aceitando a vida - a realidade existencial - conforme é, e trabalhando para que se apresente melhor, desenvolvendo o autoamor - respeito por si mesmo, autotransformação, intelectualização e moralidade - a fim de poder entender e participar da convivência com as demais pessoas.

Essa integração do Self com a realidade confere responsabilidade consciente ao indivíduo que supera as injunções habituais dos percalços das enfermidades, das fugas psicológicas, das transferências da culpa, da criança maltratada, para lograr a maturidade psicológica libertadora.

Através do processo da evolução, houve alienação em referência aos instintos, por castração, por imposições de falsa moral, de reproche ao mundo, o que tornou a consciência distante da realidade, tornando-se necessário agora como impositivo o retorno à compreensão de todos os valores e à conduta saudável das ocorrências do cotidiano.

O desenvolvimento da inteligência contribui de maneira objetiva para a conquista da individuação, mas não através do intelectualismo sem a cooperação da conceituação moral, do sentido ético-filosófico do comportamento.

No conceito junguiano, a individuação plena e total não pode ser conseguida, por motivos óbvios, em face da sua transcendência à consciência, o que significa a momentânea impossibilidade de o Espírito alcançar os horizontes infinitos da perfeição, somente pertencente a Deus.

Dentro desses limites que lhe dizem respeito, a plenitude significa um estado de iluminação e de paz, não de conquista absoluta, na relatividade do seu processo evolutivo.

Cada indivíduo é portador da sua própria programação existencial, trabalhado pelos recursos defluentes das conquistas alcançadas no carreiro das reencarnações, não constituindo a etapa atual o último passo, a situação definitiva, mas sendo, isto sim, um segmento do conjunto que abarcará, um dia, quando conseguir libertar-se do impositivo da evolução.

Todo o seu esforço deve ser direcionado em favor da superação dos impulsos dos instintos agressivos e de natureza egóica, desenvolvendo os sentimentos de identificação com a harmonia e o bem-estar, com os labores da solidariedade que fomenta o progresso de todos, a autoiluminação.

Desse modo, o Self é específico e individual, embora o seu caráter coletivo, ainda no conceito junguiano, porque representa a unidade que deve ser conquistada como o destino que o aguarda.

Nessa realização individual, o Self reunirá os conteúdos inconscientes aos conscientes, conseguindo uma harmonia que faculta a perfeita lucidez da destinação humana sem os atavismos perturbadores do passado nem as ambições desenfreadas em relação ao futuro.

Esse trabalho é possível, na razão direta em que o mesmo vai penetrando nos depósitos do inconsciente e libertando as fixações e imagens ancestrais, que respondem pela desorientação do indivíduo sempre quando emergem, gerando conflito com a consciência, com os valores éticos estabelecidos, com as necessidades que se impõem.

Quando se inicia a identificação desses conteúdos graves, normalmente surgem a angústia, a rejeição de si mesmo, a surpresa com os significados mórbidos e perversos, vulgares e destituídos de sentimento que se encontravam adormecidos, podendo produzir alguns transtornos neuróticos...

No entanto, perseverando-se no objetivo, passa-se a outro nível do inconsciente, com diferentes conteúdos amenos e estimulantes.

É normal que isso tenha lugar, porque toda vez que se mergulha em águas acumuladas, chega-se até aos depósitos de lama, que após vencidos permitem a transparência cristalina do líquido armazenado.

No esforço empreendido, vão-se dando as transformações emocionais e os aspectos da saúde sob os vários ângulos considerada, constituindo grande motivo de prazer e de alegria, ante a perspectiva do encontro com o repouso, a paz, o Nirvana...

Após as primeiras experiências nirvânicas, a sede de progresso, de imortalidade, de sublimação retorna, e o trabalho interior prossegue, porque o repouso absoluto seria a negação da própria vida, a perda de sentido psicológico da evolução.

Não foi por outra razão que Jesus enunciou que o reino dos Céus está dentro de cada indivíduo, propondo a reflexão profunda e a autoconquista como meios para a libertação das anteriores aquisições alienantes e dos desejos do ego presunçoso.

O conceito, portanto, de individuação, de totalidade, abrange a conquista dos conteúdos possíveis de conscientização, que desaparecem nos significados psicológicos elevados que cada qual estabelece como sua meta existencial.

Esse tentame, naturalmente propõe novos paradigmas de comportamento que surpreendem, porque o novo e desconhecido são sempre motivo de preocupação e de mal-entendimento.

Tais paradigmas, no entanto, estão ínsitos no ser, porque são uma visão nova de perspectivas de conduta e de aspiração de vida, interpretação diferenciada do aceito e comum, das circunstâncias caóticas que devem ser modificadas e do esforço pessoal em benefício do equilíbrio geral.

Quando isso não ocorre, estabelece-se a neurose moderna como a que toma conta da sociedade atual.

Esse tipo de transtorno neurótico expressa-se em forma de ansiedade, de insatisfação, de frustração, de desconfiança e de solidão, asfixiando os mais belos ideais da humanidade intelectualizada, tecnologicamente rica e profundamente infeliz em seu sentimento pessoal.


Os efeitos imediatos são as depressões bipolares na área da afetividade, a síndrome do pânico, as fugas hediondas pelo suicídio, pelo homicídio, as opções tormentosas pela violência,
pelo estupro, pelo esdrúxulo e primitivo no comportamento para chamar a atenção, em face do desprezo que as suas vítimas sentem por si mesmas.

Ante a impossibilidade de considerar a sua valorização pelos significados nobres, assume as agressivas posturas que lhes atendem ao desconforto interior, tornando-se temíveis, por saber que não são amadas, em carência profunda e em estado de infância abandonada...

Desse modo, a busca da indivudação é também a maneira psicológica de encontrar-se o melhor meio para o bom relacionamento com o Si-mesmo, com o outro, com a sociedade.

Não se pode viver de maneira saudável sem considerar-se a presença de outrem no contexto social, sendo, por sua vez, o outro daquele...

Algo somente passa a ter existência real na consciência quando é pela mesma detectado.

Observar-se algo ou alguém é também ser observado por esse objeto ou pessoa em observação.

Inevitavelmente, nesse momento, dá-se um relacionamento, um descobrimento do outro, a necessidade de intercâmbio com ele, a sua convivência, que constituem a forma de cada qual existir e ter valor no mundo.

Por tal motivo, o isolamento, o distanciamento da sociedade sob a justificativa de encontrar Deus e melhor servi-lO, oculta uma alienação defluente de algum conflito forte em relação ao próximo, uma agarofobia que pode ter razão profunda na libido atormentada, na culpa maldisfarçada.

A fuga do mundo não impede que o indivíduo se leve até onde for procurar esconder-se.

No início da divulgação da doutrina cristã, especialmente no século III d. C.

houve uma epidemia de eremitas, de pessoas que buscavam a solidão, de processos autopunitivos ou de busca pela autoflagelação, caracterizando a morbidez da cultura e o alto índice de tormentos que assolavam a ética e a sociedade que se comprazia no deboche e nos absurdos de conduta, fugindo para a libertação dos conflitos.

Infelizmente, porém, tornaram-se mais exemplos de inutilidade e de egoísmo do que de serviço ao bem, às propostas de Jesus, que optou pela convivência com os infelizes, a fim de ajudá-los a libertar-se de si mesmos, das suas misérias, das suas dores.

Convivendo com a ralé, manteve a sua aristocracia espiritual, demonstrando o mais elevado nível de individuação, do Self totalizado e em integração perfeita com Deus, em nome de Quem viera para amar e ensinar a conquista da saúde total e da felicidade às criaturas, constituindo-se o mais elevado exemplo de vitória sobre as circunstâncias e ocorrências de que se tem notícias.

Seguir-Lhe o exemplo, reflexionar nas Suas palavras e, sobretudo nos Seus exemplos, é a mais segura diretriz para encontrar-se a individuação.

Mediante a conquista da individuação, a fissão da psique torna-se unidade.


Joanna de Ângelis 






(*) Questão n° 1 de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, 29a
.

Emmanuel - Livro Opinião Espírita - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 2 - O Mestre e o apóstolo



Emmanuel - Livro Opinião Espírita - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 2


O Mestre e o apóstolo


Assim como o Cristo disse: “Não vim destruir a lei, porém cumpri-la”, também o Espiritismo diz: “Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução”. 

Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica; vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas futuras.

Ele é, pois, obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra. (E.S.E — Cap. I — Item 7.)


Luminosa, a coerência entre o Cristo e o Apóstolo que lhe restaurou a palavra.

Jesus, o Mestre.

Kardec, o Professor.

Jesus refere-se a Deus, junto da fé sem obras.

Kardec fala de Deus, rente às obras sem fé.

Jesus é combatido, desde a primeira hora do Evangelho, pelos que se acomodam na sombra.

Kardec é impugnado desde o primeiro dia do Espiritismo, pelos que fogem da luz.

Jesus caminha sem convenções.

Kardec age sem preconceitos.

Jesus exige coragem de atitudes.

Kardec reclama independência mental.

Jesus convida ao amor.

Kardec impele à caridade.

Jesus consola a multidão.

Kardec esclarece o povo.

Jesus acorda o sentimento.

Kardec desperta a razão.

Jesus constrói.

Kardec consolida.

Jesus revela.

Kardec descortina.

Jesus propõe.

Kardec expõe.

Jesus lança as bases do Cristianismo, entre fenômenos mediúnicos.

Kardec recebe os princípios da Doutrina Espírita, através da mediunidade.

Jesus afirma que é preciso nascer de novo.

Kardec explica a reencarnação.

Jesus reporta-se a outras moradas.

Kardec menciona outros mundos.

Jesus espera que a verdade emancipe os homens; ensina que a justiça atribui a cada um pela próprias obras e anuncia que o Criador será adorado, na Terra, em espírito.

Kardec esculpe na consciência as leis do Universo.

Em suma, diante do acesso aos mais altos valores da vida, Jesus e Kardec estão perfeitamente conjugados pela Sabedoria Divina.

Jesus, a porta.

Kardec, a chave.


Emmanuel