sábado, 22 de agosto de 2026

Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 9 - Marco da Reencarnação



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 9


Marco da Reencarnação


24. Quais os limites da encarnação?

A bem dizer, a encarnação carece de limites precisamente traçados, se tivermos em vista apenas o envoltório que constitui o corpo do Espírito, dado que a materialidade desse envoltório diminui à proporção que o Espírito se purifica. Em certos mundos mais adiantados do que a Terra, já ele é menos compacto, menos pesado e menos grosseiro e, por conseguinte, menos sujeito a vicissitudes. Em grau mais elevado, é diáfano e quase fluídico. Vai desmaterializando-se de grau em grau e acaba por se confundir com o perispírito. Conforme o mundo em que é levado a viver, o Espírito reveste o invólucro apropriado à natureza desse mundo.

O próprio perispírito passa por transformações sucessivas. Torna-se cada vez mais etéreo, até à depuração completa, que é a condição dos puros Espíritos. Se mundos especiais são destinados a Espíritos de grande adiantamento, estes últimos não lhes ficam presos, como nos mundos inferiores. O estado de desprendimento em que se encontram lhes permite ir a toda parte onde os chamem as missões que lhes estejam confiadas.

Se se considerar do ponto de vista material a encarnação, tal como se verifica na Terra, poder-se-á dizer que ela se limita aos mundos inferiores. Depende, portanto, de o Espírito libertar-se dela mais ou menos rapidamente, trabalhando pela sua purificação.

Deve também considerar-se que no estado de desencarnado, isto é, no intervalo das existências corporais, a situação do Espírito guarda relação com a natureza do mundo a que o liga o grau do seu adiantamento. Assim, na erraticidade, é ele mais ou menos ditoso, livre e esclarecido, conforme está mais ou menos desmaterializado.  -  S. Luís. (Paris, 1859.)


A reencarnação na Terra tem limites, desde que o Espírito chegue a uma condição de não mais precisar vestir a roupagem da carne; no entanto, considerando que a reencarnação se constitui em mudanças, e olhando para a vida eterna plena de transformações, ela se nos apresenta sem limites, porque as mudanças são permanentes.

Tudo reassume novos corpos na pauta da vida contínua; pode-se dizer, não encontrando outra expressão, que a vida se compõe de um sequente movimento.

Em todo lugar onde estagiamos, buscando experiências, existe a oportunidade extrema, nos mostrando o ponto final que podemos suportar naquele mundo; entretanto, não são extremos permanentes e, sim, limites do mundo em que estamos e que nós suportamos.

A evolução não tem barreiras; as mudanças são eternas em todas as escalas da vida.

Crescemos sempre, é o que podemos dizer.

No ponto em que a humanidade se encontra na Terra, como mundo de expiações e provas, prestes a sair deste estágio, precisamos trabalhar dentro de nós, em preparo para alcançar um mundo de regeneração.

Assim se processa a subida cada vez melhor, até a depuração espiritual que a vida pode nos oferecer.

E a Doutrina Espírita nos fala desta verdade, notícia que muito nos agrada, por já sentirmos o ambiente da felicidade; e para tanto, trabalhamos, no ambiente do amor.

Os benfeitores espirituais que orientam a humanidade, sob a égide de Jesus, têm uma grande tolerância, por saberem que o Espírito revestido de carne recebe muita influência do magnetismo inferior, mas, mesmo assim, deve lutar, porque é no esforço de cada dia que poderá alcançar a liberdade, dominando as paixões.

Nada tem limites, a não ser nos estágios, mas para adentrar em outra sequência de aperfeiçoamento; assim é a vida, cheia de alegria, amor e caridade.

O perispírito pode chegar à certa elevação de se confundir com o Espírito sujeito à reencarnação na Terra; e o próprio corpo, em mundos superiores, também se confundir com o perispírito nos mundos inferiores.

Entreguemo-nos, encarnados e desencarnados, à perfeição moral, juntamente com a sabedoria divina, no sentido de atingirmos um grau elevado do Espírito imortal, doando amor e espargindo luzes em todas as direções. Essa é a vida naquele ambiente de felicidade imperturbável.

O Espiritismo nos concita ao trabalho na nossa intimidade sempre na exemplificação das virtudes de ouro que o Evangelho de Jesus, na amplitude do amor, nos oferta como caminho, verdade e vida, considerando o amor como ponto de partida, que é igualmente o ponto de chegada, por se mostrar em todos os estágios das dimensões.

O amor é o hálito de Deus e o clima onde o Cristo vive.

Estamos vivendo a aproximação do fim dos tempos, onde dominam expiações e provas, na busca de outro mundo para a nossa regeneração.

A humanidade caminha sob a aflição da dor, contudo, recebe permanentemente lições valiosas, envolvidas com a verdade que podemos entender como a libertação.

O mundo atual vive em torno de dois monstros que devoram todas as esperanças, que se chamam orgulho e egoísmo, que devem ser expulsos das nossas vidas. Basta analisarmos com ponderação, que encontraremos essas duas feras devorando nossas alegrias.

Lutemos para vencer essa guerra, que entraremos na era da felicidade, sentindo o Senhor irradiando nas nossas consciências, em completa integração com Jesus, que domina nossos destinos.

Entendemos que nada tem limites; tudo se transforma, mas sempre para melhor, sendo Deus a fonte das nossas vidas, em quem devemos confiar e a quem devemos servir com humildade e amor.


Miramez













sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Bezerra de Menezes - Livro Lindas Mensagens de Bezerra de Menezes - Divaldo Pereira Franco / Silvio R. Rodrigues - Cap. 51 - Súplica de Amor



Bezerra de Menezes - Livro Lindas Mensagens de Bezerra de Menezes - Divaldo Pereira Franco / Silvio R. Rodrigues - Cap. 51


Súplica de Amor


Tu, que nos convidaste para o banquete da Boa Nova, embora não dispuséssemos da túnica nupcial, aceitamos a invitação, e aqui estamos.

Tu, que nos convidaste para trabalhar na Tua vinha, embora não tivéssemos condições hábeis para o bom serviço, e assim mesmo nos aceitaste.

Tu, que nos foste buscar perdidos no abismo, depois que tresmalhamos do Teu rebanho, e a ele retornamos.

Tu, sublime amigo dos desventurados, que nunca Te cansaste de chamar-nos ao seio da Tua misericórdia, em nome de Deus, e sempre acompanhas o nosso sucesso dominado pela compaixão, novamente abres os Teus braços, para que repousemos no Teu regaço.

Jesus!

Temos sede de paz.

Anelamos pelo encontro com a saúde integral que somente existe no Teu afável coração.

Permite que, deste conúbio em que desces até nós, e nos mimetizas com as Tuas energias santas, possamos representar-Te em qualquer lugar por onde deambulemos, dizendo a todos que somos os Teus discípulos, fracamente fiéis, carregando o madeiro das próprias aflições.

Jesus, Tu que nos amas, ajuda-nos a aprender a amar, de tal forma que a Tua presença em nós anule a dominação arbitrária das nossas paixões, e sejas Tu a dominar-nos interiormente, como um dia penetraste no Teu discípulo, o cantor das gentes, por intermédio de quem passaste a cantar a Tua mensagem.

Segue conosco Senhor, e ajuda-nos a conquistar o nosso mundo interior para que o Teu reino se estabeleça em nós, e se prolongue por toda a Terra.

Filhos da alma!

Eia, agora! Não depois, nem amanhã, nem mais tarde. O processo de transformação íntima deve começar neste instante, sem recidivas no mal, sem retorno às situações embaraçosas e perturbadoras. O Mestre conta conosco na razão direta em que contamos com Ele.

Que brilhe, portanto, em nós, a luz que vem dEle, apagando por completo a treva teimosa que permanece nas paisagens do nosso coração.


Bezerra de Menezes











Mensagem psicofônica, recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento da sua palestra na noite de 2 de agosto de 2012, no Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro, Brasil.

Emmanuel - Livro Mãos Unidas - Chico Xavier - Cap. 39 - Sentimento, ideia e ação



Emmanuel - Livro Mãos Unidas - Chico Xavier - Cap. 39


Sentimento, ideia e ação


"Elas se não tirem diante dos teus olhos, conserva-as no meio do teu coração." (Provérbios, 4:21)


Adulterar significa tisnar, viciar, mentir…

E nenhuma falta dessa espécie é mais lamentável que aquela de nossa deserção diante das Leis de Deus.

Não podemos olvidar, por isso, que toda negação do bem começa em nosso íntimo, transformando-se, logo após, em ideia, para exteriorizar-se, em seguida, no campo da ação.

Desse modo, podemos atender à justa autocrítica, analisando as nossas tendências ocultas e retificando os próprios hábitos, compreendendo que os nossos sentimentos fecundam, em nosso prejuízo ou benefício, os resultados que nos caracterizam a marcha.

É assim que temos a preguiça sustentando a ignorância e a ignorância nutrindo a miséria…

A malícia gerando a crueldade e a crueldade formando o crime…

A suspeita criando a maledicência e a maledicência armando a calúnia…

A disciplina criando o trabalho e o trabalho presidindo o progresso…

A bondade plasmando a cooperação e a cooperação construindo a beneficência…

O amor inspirando a renúncia e a renúncia garantindo a felicidade…

Não te esqueças, dessa forma, de que em ti mesmo se levanta o cárcere de sofrimento a que te aprisionas ou se ergue o ninho de bênçãos em que te preparas à frente de glorioso porvir.

Não basta te convertas em censor de consciências alheias para que o reequilíbrio do mundo se faça, vitorioso. É indispensável a nossa própria defesa contra o assalto das trevas, consoante o ensinamento da Revelação Divina, que recomenda vigiarmos o coração por situar-se nele o manancial das forças de nossa vida. 


Emmanuel














Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 4 - Experiência de Iluminação - Rejubilar-se



Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 4 - Experiência de Iluminação


Rejubilar-se


O júbilo é defluente da conquista superior da saúde psicológica, por sua vez, da harmonia que deve viger entre o físico, o emocional e o psíquico.

O Pai generoso rejubila-se com o filho de volta, não considerando a sua defecção, que é tida como uma leviandade da fase juvenil, exatamente daquele período de imaturidade e de incerteza, quando ainda existem as inseguranças da infância e as perspectivas da idade adulta, sem a definição da personalidade.

É natural que, nessa busca do herói, da identificação do eixo ego-self, ocorram essas nuanças de insucesso, que levam à maturidade, de inquietação e de aprendizado, necessários ao processo de crescimento interior, desde que o conquistador esteja disposto a refazer caminhos, a reconquistar-se, superando a sombra e não se permitindo fixar na culpa.

Toda viagem interior, à semelhança daquilo que ocorre quando se viaja para fora, é uma aventura de alto significado, sendo que, as sucessivas camadas de experiências negativas que vitalizam o eu-inferior, demoníaco, geram impedimentos emocionais, dando largas a conflitos de natureza infantil, como as fugas para a lamentação, as queixas, a necessidade de colo materno.

O júbilo deve permanecer no coração de todos os indivíduos, mesmo quando enfrentando situações embaraçosas ou difíceis, pois que proporciona claridade mental, enquanto a sisudez, a mágoa, o autodesprezo podem ser considerados como revides do eu-infeliz punindo o malsucedido.

Rejubilar-se na comunhão com as propostas da vida, na convivência com as pessoas e a Natureza, consigo mesmo, constitui dever psicológico derivado da harmonia que se consegue mediante esforço e autoidentificação de valores.

A atitude do Pai misericordioso em relação ao filho arrependido deve constituir uma lição viva de comportamento que todos os indivíduos devem manter em relação àqueles que se encontram em dificuldades de qualquer natureza, auxiliando, sem exigências descabidas, sem arrogância de triunfador em face da queda do outro, de maneira edificante e estimuladora.

Quando se reprocha outrem pelo comportamento malsão, em consequência das suas ações incorretas, deve ser levado em conta que o tombado espera ajuda e não somente repreensão, buscando-se corrigir-lhe o erro, quando seja possível, sem criar-lhe conflitos de inferioridade que o podem empurrar para situações mais deploráveis.

Há uma tendência natural para a tristeza entre muitos seres humanos, que se transforma em melancolia e contribui para o desinteresse pela vida, para a falta de observância da beleza que existe em toda parte.

Esses pacientes trazem de reencarnações anteriores alguma culpa que se transformou em autopunição, trabalhando para que não experimentem alegria, inconscientemente por acreditarem que não a merecem.

Predomina-lhes, então, no comportamento, a sombra com a sua carga de negativismo, de punição...

A vida humana é um hino grandioso que exalta a grandeza do Uno em toda parte, convidando ao desenvolvimento dos valores adormecidos, do deus interno em expectativa de despertamento.

Todos os seres humanos estão comprometidos com o Universo, assinalados por um importante labor a desempenhar em qualquer situação em que se encontre.

A harmonia é resultado de muitos fatores, alguns diversos que se unem, formando um conjunto de equilíbrio.

O equilíbrio interior não significa paralisia, ausência das colisões, antes, pelo contrário, são elas que favorecem o encontro da situação ideal, após os choques inevitáveis dos processos em litígio.

Para alcançar-se, nesse aprendizado, a integridade, é necessário que ocorra o perfeito entendimento do Self pela consciência, a identificação das polaridades antes em conflito e oposição, apesar das novas aparições que se transformam em materiais inusitados a integrar.

Sempre se está crescendo durante toda a existência, em cada fase conseguindo-se novos contributos para o enriquecimento da vida psicológica.

Somente assim é possível rejubilar-se consigo mesmo, quando cada qual descobre a riqueza interior que vai acumulando, a maneira como supera as crises que surgem e as situações desafiadoras.

Cada etapa da vida, portanto, tem as suas imagens arquetípicas, os seus comportamentos e as suas conquistas, trabalhando para a vitória sobre o respectivo período que se vivência.

O Pai misericordioso rejubila-se com o retorno do filho, mas não se esquece de atrair também o outro filho, o ciumento e vingativo, que se nega a entrar em casa, evitando participar da festa de alegria, significando o eu-demoníaco.

O amor, porém, do Pai, desmascara-o, enfrenta-lhe a persona doente, e demonstra que está contente por tê-lo e que se rejubila por conviver e beneficiar-se da sua presença.

Por isso, um cabrito que lhe desse para banquetear-se com os amigos não tinha qualquer sentido, para aquele que lhe dava tudo, porquanto, assim informara: E tudo quanto é meu é teu...

A vida é um poema de júbilos.

Rejubilar-se com tudo e com todos é o passo feliz para a individuação.

Utilizar-nos-emos, em tempo, da expressão anima-us para significar a anima e o animus.


Joanna de Ângelis


















quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 50 - Vigiando e orando



Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 50


Vigiando e orando


“Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério.” — PAULO (II Timóteo, 4:5)


Em nos reportando aos obreiros do Senhor recordemos que uma espécie existe que, sem dúvida trabalha e sem dúvida produz algo; entretanto, vive sempre em posição deficitária e por vezes estraga aqueles companheiros que se lhes aproximam, quando frágeis na fé.

Onde estejam, são para logo identificáveis porque servem, mas servem debaixo de condições especialíssimas, tais quais sejam:

onde querem;

como entendem;

quando se vejam dispostos;

tanto quanto se determinam;

na faixa de ação em que não se sintam incomodados;

com quem gostam;

com as ideias que lhes agradem;

com os recursos que venham a escolher;

como julgam melhor;

nas conveniências que lhes digam respeito;

desde que se lhes satisfaçam as exigências;

e desde que ninguém os critique nem contrarie.

Um companheiro assim assemelha-se a um servidor meio-sombra e meio-luz, que beneficia com a luz que derrama e prejudica com a sombra que teima em carregar.

Daí o imperativo de orarmos e vigiarmos, procurando desvencilhar-nos de toda sombra que ainda nos pesa no orçamento da alma, a fim de que nos tornemos, a pouco e pouco, em obreiros fiéis na causa do Eterno Bem, servindo ao Senhor conforme os desígnios do Senhor.


Emmanuel








(Reformador, julho 1967, página 152)

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 7 - Tudo novo



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 7


Tudo novo


“Assim é que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” — PAULO. (2 Coríntios, 5:17)


É muito comum observarmos crentes inquietos, utilizando recursos sagrados da oração para que se perpetuem situações injustificáveis tão só porque envolvem certas vantagens imediatas para suas preocupações egoísticas.

Semelhante atitude mental constitui resolução muito grave.

Cristo ensinou a paciência e a tolerância, mas nunca determinou que seus discípulos estabelecessem acordo com os erros que infelicitam o mundo. 

Em face dessa decisão, foi à cruz e legou o último testemunho de não-violência, mas também de não-acomodação com as trevas em que se compraz a maioria das criaturas.

Não se engane o crente acerca do caminho que lhe compete.

Em Cristo tudo deve ser renovado. O passado delituoso estará morto, as situações de dúvida terão chegado ao fim, as velhas cogitações do homem carnal darão lugar a vida nova em espírito, onde tudo signifique sadia reconstrução para o futuro eterno.

É contrassenso valer-se do nome de Jesus para tentar a continuação de antigos erros.

Quando notarmos a presença de um crente de boa palavra, mas sem o íntimo renovado, dirigindo-se ao Mestre como um prisioneiro carregado de cadeias, estejamos certos de que esse irmão pode estar à porta do Cristo, pela sinceridade das intenções; no entanto, não conseguiu, ainda, a penetração no santuário de seu amor.


Emmanuel












Miramez - Livro Médiuns - João Nunes Maia - Cap. 3 - Curas



Miramez - Livro Médiuns - João Nunes Maia - Cap. 3


Curas


"Percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo". — (MATEUS, 4:23).


Todo desequilíbrio orgânico promana da mente, de onde vertem forças deletérias incompatíveis com a paz do corpo.

Cristo, o mensageiro da cura em todas as dimensões, prova-nos isto, percorrendo toda a Galileia, ensinando elevados preceitos, como que num preparo, ambientando as almas a pensamentos puros, para que pudessem introjetar nos organismos enfermos o magnetismo puro, emanado de seus laboratórios mentais, em conexão com a natureza, pródiga e benfeitora, a nosso dispor.

Antes de qualquer toque nos doentes, anunciava a Boa Nova, instruía-os acerca das leis de Deus, e convidava os que se curavam pela Sua magnânima presença a não pecar mais, onde deduzimos que o erro gera distúrbios no universo celular, que o reparo depende fortemente da reforma das ideias, no escaninho da mente.

Jesus tinha o dom de curar, por excelência. Foi, quando na Terra, o Maior Médium Curador, bastando somente uma ordem, uma expressão visível, para que o enfermo ficasse livre das enfermidades. Sua fama, relata-nos o apóstolo Mateus neste tópico, correu por toda a Síria, de onde vieram inúmeros enfermos de todos os tipos, e foram todos curados por Ele, além de multidões de várias cidades que O seguiam. A pregação do Evangelho tinha prioridade, antecedendo o toque ou os gestos de curar.

Nuvens de fluidos curativos contornavam a Sua personalidade, como falanges de espíritos puros, esperando a ordem do Divino Médico, na prosa famosa do "Levanta-te e anda", para que tudo fosse feito de acordo com a Sua vontade, como sendo a vontade do próprio Deus. No tocante às curas, imprescindível se faz amestrar a fé, não fugir, mas destronar a dúvida e o desânimo com o calor da esperança. Eis o Cristo como padrão, como exemplo da pureza mediúnica, traçando caminhos, estendendo convites para os novos discípulos da Boa Nova, que renasceram na Terra com a sagrada missão de curar.

Médiuns curadores! Antes de exercitar vossas faculdades de aliviar o próximo, de curar enfermidades, de consolar os desesperados, procurai em primeiro plano o reino de Deus, que para nós é a instrução.

Procurai o reino da luz, que para nós é a educação dos sentimentos. Deixai que o sol do amor invada vossos corações, ampliando, com isso, a Sabedoria, antes de tocar os enfermos. Convidai-os ao reino Evangélico, criai condições para que ele, ou eles, possam ler mensagens educativas. Fazei, se puderdes, que o doente se interesse pelas leituras que transmitem os conceitos do Mestre, principalmente as que revivem a Sua obra imortal de renovação das criaturas. É certo que o corpo deve ser curado.

Desde que têm início nas profundezas da mente, os pensamentos enfermos infernizam o organismo. As ideias desajustadas perturbam o metabolismo, colocando em deficiência o aparelho carnal, de modo que o espírito desalinha sua missão, e sofre as consequências da sua própria ignorância. De fato, a enfermidade nos desperta para a cura verdadeira, obrigando-nos a nos libertarmos pelo conhecimento da verdade. Contudo, o preço desta verdade é o suor das nossas próprias experiências.

Falamos às almas acordadas para o serviço do Bem; por isso, salientamos normas de elevados moldes de disciplina, sem que elas levem o cunho da imposição, deixando somente o convite para o estudo mais profundo das tarefas que nos foram entregues, em favor da coletividade.


Miramez