quarta-feira, 11 de março de 2026

Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 9 - Mais



Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 9


Mais


716. Mediante a organização que nos deu, não traçou a Natureza o limite das nossas necessidades?

“Sem dúvida, mas o homem é insaciável. Por meio da organização que lhe deu, a Natureza lhe traçou o limite das necessidades; porém, os vícios lhe alteraram a constituição e lhe criaram necessidades que não são reais.” (O Livro dos Espíritos)


O “mais” é sempre a equação nas contas da Lei Divina.

Ao criar a criatura, determinou o Criador tudo se crie na Criação. Por isso mesmo, a antiga legenda “crescei e multiplicai-vos” comparece, ativa, em todos os Planos da Natureza.

Entreguemos o fruto nutritivo aos fatores de desagregação e, em poucas horas, transmutar-se-á em bolo pestífero.

Ajudemos a semente preciosa, amparando-lhe a cultura, e, no curso de algum tempo, responsabilizar-se-á pela fartura do celeiro, transfigurando pântanos e charnecas em campos de flor e pão.

É assim que o mesmo princípio se revela, insofismável, em todo o caminho humano.

Cede a lente de teus olhos às arestas do mal e, a breve espaço, não apreenderás senão sombras.

Entorpece a antena dos ouvidos no enxurro da maledicência convertida em lama sonora, e acordarás no charco da calúnia, aviltando a ti mesmo.

Faze da língua instrumento de críticas incessantes e acabarás guardando na boca uma placenta envenenada, servindo à parturição da crueldade e do crime.

Conserva os braços na estufa da preguiça, e terminarás a existência transpirando bolor e inutilidade.

Entretanto, se te confias ao amor puro, buscando estender-lhe a claridade sublime, através do serviço aos outros, atrairás, em teu próprio favor, a influência benéfica de quantos te observam as horas, entre a simpatia e a cooperação, acrescentando-te possibilidades e forças para que transformes a vida num cântico de beleza, a caminho da Esfera superior.

Do que escolhas cada dia para sentir e pensar, encontrarás auxílio para falar e fazer.

Assim, pois, vigia o coração e fiscaliza teus atos com a lâmpada viva da lição de Jesus, porque terás sempre mais do que faças, em colheita de treva ou luz, conforme a tua sementeira de mal ou bem.


Emmanuel








Reunião pública de 2-2-1959.

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 122 - Bondade




Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 122


Bondade


“Sede vós, pois, perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito.” (Mateus 5:48). 

Ao apelo do Divino Mestre, recomendando-nos “sede perfeitos”, evitemos a indesejável resposta da aflição.

Ninguém pode trair os princípios de sequência que governam a Natureza e o tempo será sempre o patrimônio divino, em cujas bênçãos alcançaremos as realizações que a vida espera de nós.

Antes de cogitar da colheita atendamos à sementeira.

Antecipando a construção do teto de nossa casa espiritual, no aprimoramento que nos cabe atingir, edifiquemos os alicerces no chão de nossas possibilidades humildes, erguendo sobre eles as paredes de nossa renovação, a fim de não nos perdermos em movimento vazio.

Iniciemos a perfeição de amanhã com a bondade de hoje.

Ninguém é tão deserdado no mundo que não possa começar com o êxito necessário.

Não intentes curar o enfermo de momento para outro. Cede-lhe algumas gotas de remédio salutar.

Não busques regenerar o delinquente a rudes golpes verbais. Ajuda-o, de algum modo, oferecendo-lhe algumas frases de fraternidade e compreensão.

Não procures estabelecer a verdade num gesto impetuoso de esclarecimento espetacular, acreditando desfazer as ilusões de muito tempo, em um só dia. Enceta a obra do reajuste moral com os teus pequeninos gestos de sinceridade à frente de todos.

Não suponhas seja possível a milagrosa transformação de alguém, no caminho empedrado da crueldade ou da ignorância. Faze algo que possa servir de plantação inicial de luz no Espírito que te propões reformar.

E, ainda, em se tratando de nós, não julgues seja fácil converter nossa própria alma para Jesus, num instante rápido. Trazemos conosco vasto acervo de sombras e precisamos serenidade e diligência para desintegrá-las, pouco a pouco, ao preço de nossa própria submissão à Lei do Senhor que nos rege os destinos.

Se realmente nos dispomos à aceitação do ensinamento do Divino Mestre, usemos a bondade, em todos os momentos da vida. Bondade para com o próximo, bondade para com os ausentes, bondade para com os nossos opositores, bondade para com todas as criaturas que nos cercam.

A bondade é a chave da simpatia e do conhecimento com que descerraremos a passagem para as Esferas superiores. Com ela, seremos mais humanos, mais amigos e mais irmãos.

Avancemos, assim, com a bondade por norma de ação, retificando em nossa estrada os aspectos e experiências que nos desagradam na estrada dos outros e, desse modo, estejamos convictos de que o sonho sublime de nosso aperfeiçoamento encontrará, em breve futuro, plena concretização na Vida eterna.


Emmanuel







(Reformador, março de 1957, página 69)

terça-feira, 10 de março de 2026

Manoel Philomeno de Miranda - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 38 - Recordações no além-túmulo



Manoel Philomeno de Miranda - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 38


Recordações no além-túmulo


O fenômeno do despertamento da consciência, após o processo da morte física, muito tem a ver com a conduta mantida durante a existência corporal.

Naturalmente, o período de fixação das ideias e experiências durante a reencarnação responde pela anestesia que permanece nos centros da memória, logo se rompem os liames carnais.

Além dos estados normais decorrentes dos atos de cada um, o largo ou breve período de impregnação deixa as marcas características de que o ser espiritual não se liberta, senão através de terapia especializada...

Considerando-se que a reencarnação se opera ao largo dos anos, mergulhando a energia espiritual nas células orgânicas e delas encharcando-se poderosamente, ao dar-se o rompimento dos vínculos materiais, a desintoxicação, salvo as exceções compreensíveis, dá-se mediante o concurso do tempo.

As largas enfermidades, que propiciam o amadurecimento do amor e a submissão às Leis da Vida, facilitam o despertamento no além-túmulo, ensejando responsabilidade e consciência.

Os atos de abnegação e o cultivo das virtudes facultam, igualmente, a desimantação dos fluidos físicos, liberando a mente que aspira por mais amplos horizontes de beleza e de paz, apressando a lucidez de quem não se deixa fixar nas reminiscências fortes e dissolventes que remanescem do corpo somático.

Assim, o espírito recém-liberto desperta, a pouco e pouco, experimentando as sensações que lhe eram mais comuns e vivendo as impressões que mais fortemente lhe assinalaram a romagem fisiológica.

Lentamente, e ante a assistência de que se vê objeto, começa a recordar os acontecimentos mais expressivos, repassando mentalmente a desencarnação e ajustando-se ao novo habitat no qual se encontra.

Vencido o choque emocional, ante o conhecimento da morte, caso não se haja preparado para a conjuntura inevitável, evoca os momentos predominantes que lhe assinalaram a vida, e, submetido a assistência compatível, atravessa a fase da convalescença, de onde parte para o período do equilíbrio e do bem-estar.

Mesmo assim, as recordações são imprecisas, deixando de lado inúmeros acontecimentos, porque de menor importância, estabelecendo natural ligação psíquica com os familiares, os afetos e os desafetos, os atos felizes e os nocivos...

Morrer, não é consumir-se, nem metamorfosear- se.

O fenômeno biológico, na área orgânica, difere muito da ocorrência, no campo espiritual.

De acordo com a evolução moral, cada desencarnado experimenta o prolongar do comportamento que lhe era habitual, vendo-se conduzido a grande esforço para  a libertação, qual ocorre na Terra em muitos processos pós-operatórios.

Desse modo, a aquisição das recordações de outras vidas somente se dá a largo tempo, quando essa identificação não vem a perturbar a marcha do progresso do indivíduo.

Noutras vezes, a fim de que a lucidez possa registrar a memória do passado, são aplicados recursos magnéticos e cirúrgicos no paciente espiritual, que se vai apropriando das notícias que lhe podem ser úteis no processo iluminativo, equacionando-lhe os problemas de comportamento e o auxiliando na compreensão dos fenômenos para a evolução.

E indispensável, portanto, que o homem adquira o costume salutar de pensar na morte, desapegando-se dos bens supérfluos e dos valores que perturbam, seja nos processos afetivos ou sociais, financeiros ou idealistas...

A medida que a mente fixa os paineis da imortalidade e passa a considerar a transitoriedade do corpo, mais fáceis lhe serão o desligamento, o abandono, a superação dos laços materiais que predominam nas reminiscências após a morte.

Pondo a mente na vida espiritual, a criatura anela por conquistá-la, e lutando com afã, quando defrontada pela ocorrência da disjunção celular, adapta-se mais facilmente e abre-se, esperançosa, às conquistas edificantes, anulando os limites do tempo e do espaço, passando a viver um presente-ontem-amanhã, enriquecido pelas recordações valiosas que a impulsionarão no rumo da liberdade responsável, anelada.


Manoel Philomeno de Miranda

















segunda-feira, 9 de março de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Esperança - Divaldo P. Franco - Cap. 3 - Níveis de consciência



Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Esperança - Divaldo P. Franco - Cap. 3


Níveis de consciência


São muitos os fatores que parecem conspirar contra o sadio esforço de quem deseja ascensão e plenitude.

Paixões disfarçadas de direitos pessoais assomam no palco da vida, exigindo consideração, gerando conflitos e dificultando o processo de elevação moral.

O egoísmo dominador, predominando em a natureza humana, escamoteia os seus propósitos inferiores e surge, a cada momento, em expressão nova, perturbando o programa iluminativo de quem se propõe à felicidade em padrões dignos, portanto, ideais.

O instinto de sobrevivência do corpo, em atavismo dissolvente, coopera com as heranças primevas, apresentando-se sob justificativas equivocadas com caráter de nobreza.

O homem ainda instável, desacostumado às lutas íntimas de santificação, diante das sortidas de que se vê preso por parte desses algozes internos, posterga o trabalho de evolução, ou para, caso nele se encontre, ou abandona os propósitos abraçados sob os tóxicos do desânimo e do desconforto moral.

Propõe o mundo: - Triunfa a qualquer preço, sem te preocupares com os outros, que aguardam ocasião para te submeterem.

Estabelece Jesus: Se alguém te pedir a capa, dá-lhe também a manta, e se te solicitarem seguir mil passos, vai, tranquilo, dois mil.

Programa o século: - Não cedas o teu lugar, haja o que houver. Disputa a tua posição, pois que outros estão batalhando por tomar-te a em que te encontras.

Argumenta Jesus: - Não te afadigues pela posse indevida. Tudo quanto cederes, terás, e aquilo que tomares, perderás.

Promete a Terra: - Os vitoriosos gargalham e recebem apreço. Triunfa no mundo, tendo a glória como a meta que deves alcançar.

Aclara Jesus: - Todo apogeu terrestre nivela na tumba as criaturas umas com as outras. A glória que ensoberbece passa, e o homem se encontra vazio e só, logo após.

Reclama a sociedade: - Impõe a vontade, a fim de te fazeres respeitar, e armazena moedas para adquirires tudo quanto ambicionas.

Responde Jesus: — Reúne tesouros no “reino dos céus” e coleta os recursos da paciência, da humildade, do perdão, da caridade nos cofres do amor, e serás rico de paz.

Impõe a tradição: - A vida espiritual será examinada na velhice. Frui e usa o corpo enquanto são moças as tuas carnes.

Contrapõe Jesus: — Louco, hoje te tomarão a alma, sem indagarem a idade que tens.

Aconselham as técnicas do bem-estar imediato: - Reage a qualquer agressão. Arma-te para te defenderes, tomando o outro de surpresa.

Orienta Jesus: - Age com elevação sempre e equipa-te com os recursos do amor que vence tudo e amortece todos os golpes que sejam desferidos contra ti.

Determina a ilusão: - Embriaga-te no prazer, que é tudo quanto tens ao alcance das mãos.

Repete Jesus: - Vence o mundo, educando-te e crescendo para a realidade da tua consciência superior.

O homem do mundo vive em nível de consciência inferior. É fisiológico, automatista, primitivo.

O homem espiritual transita em faixa de consciência elevada e se apercebe da realidade da vida. É psicológico, idealista, compreensivo, racional, porque alcançou a dimensão intelecto-moral lúcida.

Se transitas no nível intermediário, atado ao primarismo e anelando pela emoção enobrecida, exercita os valores morais e vivências espirituais, adquirindo forças para o passo decisivo, que te fará escolher Jesus em detrimento do mundo, embora a permanência nas conjunturas carnais.


Joanna de Ângelis












Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 166 - Respostas do Alto




Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 166


Respostas do Alto


“E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?” — JESUS. (Lucas, 11:11)


Nos círculos da fé, encontramos diversos corações extenuados e desiludidos. Referem-se à oração, à maneira de doentes desenganados quanto à eficácia do remédio, alegando que não recebem respostas do Alto.

Entretanto, a meditação mais profunda lhes conferiria mais elevada noção dos Divinos Desígnios, entendendo, enfim, que o Senhor jamais oferece pedras ao filho que pede pão.

Nem sempre é possível compreender, de pronto, a resposta celeste em nosso caminho de luta, no entanto, nunca é demais refletir para perceber com sabedoria.

Em muitas ocasiões, a contrariedade amarga é aviso benéfico e a doença é recurso de salvação.

Não poucas vezes, as flores da compaixão do Cristo visitam a criatura em forma de espinhos e, em muitas circunstâncias da experiência terrestre, as bênçãos da medicina celestial se transformam temporariamente em feridas santificantes.

Em muitas fases da luta, o Senhor decreta a cassação de tempo ao círculo do servidor, para que ele não encha os dias com a repetição de graves delitos e, não raro, dá-lhe fealdade ao corpo físico para que sua alma se ilumine e progrida.

Se a paternidade terrena, imperfeita e deficiente, vela em favor dos filhos, que dizer da Paternidade de Deus, que sustenta o Universo ao preço de inesgotável amor?

O Todo-Compassivo nunca atira pedras às mãos súplices que lhe rogam auxílio.

Se te demoras, pois, no seio das inibições provisórias, permanece convicto de que todos os impedimentos e dores te foram concedidos por respostas do Alto aos teus pedidos de socorro, amparo e lição, com vistas à vida eterna.


Emmanuel











Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 111 - Fortaleçamo-nos



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 111


Fortaleçamo-nos


“Sede fortalecidos no Senhor.” — PAULO. (Efésios, 6:10)


Há muita gente que se julga forte…

Nos recursos financeiros, que surgem e fogem.

Na posse de terras, que se transferem de dono.

Na beleza física, que brilha e passa.

Nos parentes importantes, que se transformam.

Na cultura da inteligência que, muitas vezes, se engana.

Na popularidade, que conduz à desilusão.

No poder político, que o tempo desfaz.

No oásis de felicidade exclusivista, que a tempestade destrói.

Sim, há muita gente que supõe vencer hoje para acabar vencida amanhã.

Todavia, somente a consciência edificada na fé, pelos deveres bem cumpridos à face das Leis Eternas, consegue sustentar-se, invulnerável, sobre o domínio próprio.

Somente quem sabe sacrificar-se por amor encontra a incorruptível segurança.

Fortaleçamo-nos, pois, no Senhor e sigamos, de alma erguida, para a frente, na execução da tarefa que o Divino Mestre nos confiou.


Emmanuel









Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 42 - No trato comum



Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 42


No trato comum


“… Nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe e, por meio dela, muitos sejam contaminados.” — PAULO (Hebreus, 12:15)


É razoável estejamos sempre cautelosos a fim de não estendermos o mal ao caminho alheio.

Os outros colhem os frutos de nossas ações e oferecem-nos, de volta, as reações consequentes. 

Daí, o cuidado instintivo em não ferirmos a própria consciência, seja policiando atitudes ou selecionando palavras, para que vivamos em paz à frente dos semelhantes, assegurando tranquilidade a nós mesmos.

Em muitas circunstâncias, contudo, não nos imunizamos contra os agentes tóxicos da queixa. 

Superestimamos nossos problemas, supomos nossas dores maiores e mais complexas que as dos vizinhos e, amimalhando o próprio egoísmo, cultivamos indesejável raiz de amargura no solo do coração. 

Daí brotam espinheiros mentais, suscetíveis de golpear quantos renteiam conosco, na atividade cotidiana, envenenando-lhes a vida.

Quantas sugestões infelizes teremos coagulado no cérebro dos entes amados, predispondo-os à enfermidade ou à delinquência com as nossas frases irrefletidas! Quantos gestos lamentáveis terão vindo à luz, arrancados da sombra por nossas observações vinagrosas!

Precatemo-nos contra semelhantes calamidades que se nos instalam nas tarefas do dia a dia, quase sempre sem que venhamos a perceber. 

Esqueçamos ofensas, discórdias, angústias e trevas, para que a raiz da amargura não encontre clima propício no campo em que atuamos.

Todos necessitamos de felicidade e paz; entretanto, felicidade e paz solicitam amor e renovação, tanto quanto o progresso e a vida pedem trabalho harmonioso e bênção de sol.


Emmanuel