quinta-feira, 16 de abril de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 20 - João Nunes Maia - Cap. 11 - Fonte da Felicidade



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 20 - João Nunes Maia - Cap. 11


Fonte da Felicidade


980. O laço de simpatia que une os Espíritos da mesma ordem constitui para eles uma fonte de felicidade?

“Os Espíritos entre os quais há recíproca simpatia para o bem encontram na sua união um dos maiores gozos, visto que não receiam vê-la turbada pelo egoísmo. Formam, no mundo inteiramente espiritual, famílias pela identidade de sentimentos, consistindo nisto a felicidade espiritual, do mesmo modo que no vosso mundo vos grupais em categorias e experimentais certo prazer quando vos achais reunidos. Na afeição pura e sincera que cada um vota aos outros e de que é por sua vez objeto, têm eles um manancial de felicidade, porquanto lá não há falsos amigos, nem hipócritas.”

A.K.: Das primícias dessa felicidade goza o homem na Terra, quando se lhe deparam almas com as quais pode confundir-se numa união pura e santa. Em uma vida mais purificada, inefável e ilimitado será esse gozo, pois aí ele só encontrará almas simpáticas, que o egoísmo não tornará frias. Porque, em a Natureza, tudo é amor: o egoísmo é que o mata. (O Livro dos Espíritos)


As uniões de almas sinceras, de Espíritos que se elevaram no amor, certamente que são a fonte da felicidade, por trabalharem e amarem juntos. Toda seqüência de fraternidade que puderem sustentar, são laços de luz que as almas criam para o bem da humanidade.

Entretanto, as uniões que se fazem dentro dos princípios inferiores, onde medram o ciúme, a hipocrisia, o orgulho e o egoísmo, não são fonte de felicidade e, sim, de sofrimentos de variada ordem na conjuntura da alma, pois se tornam sementes que proliferam na desarmonia.

Para se ter companhias espirituais elevadas, é indispensável que os ideais sejam igualmente elevados. Procura, se ainda não atingiste esse grau de despertamento, esforçar-te para tal, já que somente atraímos para nós segundo o que somos. Isso é lei universal da justiça.

A verdadeira fonte da felicidade é o amor, dentro da pureza que Jesus nos ensinou, cada vez mais crescendo no meio dos postulados divinos. O mundo se encontra em duras crises, porque essas crises nascem no centro das almas em desequilíbrio. Quando se acertarem por dentro, o que existe exteriormente acompanhará as normas internas.

O homem está sob o regime de duas forças: o bem e o mal. Para onde houver maior propensão, é para aí que ele vai, e a luta deverá ser maior. A conquista do bem é mais difícil, mas vai se tornando mais fácil à medida que ele vai vencendo seus instintos inferiores.

Se alguém se considera sábio e entendido das leis, deve mostrar pela vida:

Quem entre vós é óbvio e entendido?

"Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras." (Tiago, 3:13)

Quem achar que já conquistou as virtudes espirituais não deve falar, e, sim, mostrar pelas suas obras, no silêncio da sua própria vida, porque a virtude evangélica irradia, sem ser preciso o anúncio. Quando assim procedermos, já estaremos de posse da fonte da felicidade. Basta bebermos nela outros conhecimentos, em outras mudanças de vida para a vida imortal.

A felicidade completa, somente as almas puras podem desfrutar. Analisa teus pensamentos, tuas idéias, tua fala; se forem puras, podes considerar-te alma feliz, por já teres dado os primeiros passos para a glória imortal e para novas oportunidades de trabalho de alta relevância com Deus. Jesus está sempre a nos esperar para trabalhos mais dignos; depende do nosso preparo na intimidade do coração. Quando tudo passar, notaremos que levantamos muitos véus que encobriam as maiores lições, e passaremos a estudá-las, não nos livros do mundo, mas, no livro da natureza, escrito por Deus,

O homem, por vezes, acha seu trabalho penoso, e ficando apressado para que o dia acabe para o seu descanso. Para os Espíritos que já se elevaram, nada existe de penoso; tudo se transforma em alegria de vida. Os Espíritos puros sentem felicidade no trabalho com amor, sorvendo mais vida, na vida de Deus, que nunca pára.


Miramez













quarta-feira, 15 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Moradias de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 6 - O Talento Celeste



Emmanuel - Livro Moradias de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 6


O Talento Celeste


Nem sempre contamos com o dinheiro necessário ao socorro fraterno na luta material.

Nem sempre dispomos de valores culturais suficientes para o acesso à solução dos mais altos enigmas da vida.

Nem sempre possuímos recursos sociais avançados de modo a estender influências e cooperar, de imediato, em realizações de vulto.

Nem sempre conseguimos entesourar bastante saúde física para mobilizar o corpo terrestre, no rumo dos serviços que desejaríamos executar sem detença.

Mas ninguém vive deserdado da riqueza das horas para consagrar-se ao bem.

O tempo, no fundo, é o talento celeste que o Supremo Senhor derramou, a mancheias, em todas as direções e em favor de todas as criaturas.

Se dispões de uma hora, não lhe percas o sublime valor substancial.

Com ela, é possível a obtenção de novos ensinamentos, o cultivo da fraternidade, a bênção do consolo ao irmão que padece nos braços constringentes da enfermidade, a conversação sadia que ajuda ao próximo necessitado, a escrituração de uma carta amiga e edificante, a plantação de algumas árvores preciosas que, mais tarde, oferecer-te-ão asilo seguro…

Não desperdices o sagrado talento dos minutos, comprando com ele as amarguras da crueldade, os remorsos do crime, as aflições da maledicência ou as espinhosas sementes da leviandade…

Muita gente exige do mundo valiosos cabedais de felicidade, aguardando castelos de abastança e de alegria, mas não se anima a gastar uma simples hora na construção dos alicerces indispensáveis à paz da própria existência.

Não te demores na furna envenenada do tempo perdido…

Não esperes pelo dinheiro ou pelo título acadêmico, pelo poder pessoal ou pelas disposições físicas favoráveis para empreender a bendita romagem de elevação.

O Céu para nós começa na Terra. Iniciemo-nos na escalada Divina.

Uma frase de compreensão, um sorriso afetuoso, uma prece ou um pensamento de auxílio podem ser os primeiros passos na direção do Paraíso que intentamos atingir.

Não nos esqueçamos do dia que passa, porque neste minuto mesmo brilha o nosso sublime momento de começar a gloriosa ascensão. 


Emmanuel








(Reformador, março de 1957, p. 70)

Emmanuel - Livro Instrumentos do Tempo - Chico Xavier - Cap. 13 - Guerra viva



Emmanuel - Livro Instrumentos do Tempo - Chico Xavier - Cap. 13


Guerra viva


Em verdade, a civilização do Ocidente já conseguiu abolir, no campo de seus hábitos mais arraigados, a praga social do duelo, através da qual homens válidos se atiravam inutilmente à morte…

Espadas e armas de fogo de velhos salões aristocráticos jazem relegadas ao abandono e ao silêncio dos museus, mas o homem que rixava com o próximo, no pretérito distante, buscando pretextos para aniquilar-lhe a vida, prossegue alimentando em si mesmo a cultura de projéteis mentais, vivos e mortíferos, com que interfere no programa santificante do Cristo, perturbando o caminho dos semelhantes ou exterminando a si mesmo.

Não mais a contenda ostensiva na praça pública, mas a desarmonia destruidora no coração.

Cada inteligência é um fulcro da vida, arrojando de si mesma forças intangíveis que geram todos os processos de assimilação e desassimilação, em nossa estrada comum.

E em todos os setores, vemos o companheiro terrestre despendendo energias que lhe guerreiam a própria existência e lhe consomem a própria felicidade.

Elevada percentagem das moléstias indefiníveis nasce do desequilíbrio espiritual a que se rendem as criaturas.

Os sanatórios e as estações de repouso assemelham-se a praias de socorro, onde aportam inevitavelmente os milhares de náufragos do mundo social sem o Cristo em que o homem se perde à maneira de viajor sem direção.

Em quase todas as instituições e em quase todos os lares, vemos a atividade ruinosa dos projéteis do pensamento desvairado.

Raios de orgulho e vaidade, criando complexos de culpa.

Raios de ódio, estabelecendo perturbações de consequências imprevisíveis.

Raios de inconformação, consolidando processos de angústia.

Raios de tristeza estéril, estabelecendo enfermidades obscuras.

Raios de cólera, induzindo à delinquência.

Raios de egoísmo, formando trincheiras de separatividade e sofrimento.

Raios de preguiça, coagulando as melhores oportunidades de trabalho e abrindo o caos, à frente das promessas e dos votos brilhantes.

Raios de crueldade, congelando a ignorância e a penúria, em desfavor da Humanidade, a quem devemos o nosso preito incessante de serviço e de amor.

Busquemos Jesus, cuja supervisão divina pode realmente consagrar dentro de nós o governo sadio do equilíbrio e da sublimação.

Sem o Mestre da Cruz não aprenderemos o caminho que nos cabe trilhar, e sem a Cruz do Mestre será de todo impraticável a nossa verdadeira ressurreição.


Emmanuel




O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XII — Amai os vossos inimigos. O Duelo.

11. "Só é verdadeiramente grande aquele que, considerando a vida uma viagem que o há de conduzir a determinado ponto, pouco caso faz das asperezas da jornada e não deixa que seus passos se desviem do caminho reto; com o olhar constantemente dirigido para o termo a alcançar, nada lhe importa que as urzes e os espinhos ameacem produzir-lhe arranhaduras; umas e outros lhe roçam a epiderme, sem o ferirem, nem impedirem de prosseguir na caminhada. Expor seus dias para se vingar de uma injúria é recuar diante das provações da vida, é sempre um crime aos olhos de Deus; e, se não fôsseis, como sois, iludidos pelos vossos prejuízos, tal coisa seria ridícula e uma suprema loucura aos olhos dos homens." (Adolfo, bispo de Argel. Marmande, 1861).






terça-feira, 14 de abril de 2026

André Luiz - Livro Páginas de Fé - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 2 - Decálogo do cotidiano



André Luiz - Livro Páginas de Fé - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 2


Decálogo do cotidiano


1. — Comece o dia acendendo no peito a luz da prece.

2. — Envie aos amigos um pensamento de amor e envolva os desafetos em vibrações de paz.

3. — Verifique a tua agenda e trace as tuas metas para hoje, de modo a não perder tempo.

4. — Estampe no rosto um sorriso fraterno e coloque nos lábios palavras de gentileza.

5. — Não te mostres pessimista, mas não esperes atravessar o dia sem problemas.

6. — Afasta-te da crítica destrutiva, procurando encorajar os companheiros nas lutas em que se empenham.

7. — Olvida os pequeninos aborrecimentos e esforça-te por superar esse ou aquele contratempo, predispondo-te a compreender e perdoar sempre.

8. — Aprende a guardar silêncio para que saibas falar no momento oportuno.

9. — Não deixes passar a oportunidade de fazer o bem a quantos se aproximem dos teus passos.

10. — Confia em Deus e persevera na trilha do dever na certeza de que, haja o que houver, a Misericórdia Divina te sustentará.


André Luiz










Emmanuel - Livro Confia e Segue - Chico Xavier - Cap. 7 - Diariamente



Emmanuel - Livro Confia e Segue - Chico Xavier - Cap. 7


Diariamente


“Dizia mais ainda ao que o tinha convidado: Quando deres algum jantar, ou alguma ceia, não chames nem teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem teus vizinhos que forem ricos, para que não aconteça que também eles te convidem à sua vez e te paguem com isso.” (Lucas 14:12)


Não te apegues à expressão literal da lição de Jesus quando nos exorta a buscar os irmãos infelizes, toda vez que estejamos à frente de mesa lauta. 

Nem sempre conseguirás reunir companheiros de luta em ágapes festivos; entretanto, é imperioso recordar que o Sol, a cada dia, te descerra à existência todo um banquete de soberana alegria.

Cada manhã, alongas teus braços na exaltação do calor e da vida, pensas em harmonia com o justo discernimento, usas o verbo na expressão dos desejos mais íntimos e, sobretudo, podes estender o próprio sentimento em forma de carinho e compreensão.

Lembra-te dos coxos de raciocínio, dos famintos de entendimento, dos desesperados de espírito, dos encarcerados da aflição, dos torturados da ignorância, dos estropiados da alma, dos aleijados da fé e dos mendigos de luz.

Não te afastes deles, a pretexto de conservar a virtude, nem lhes recuses lugar à mesa de teu amor.

São flores que o incêndio das paixões crestou no solo da Terra, antes que pudessem frutificar nos melhores sonhos, harpas quebradas nos caminhos do mundo, antes que mãos benevolentes e sábias delas conseguissem arrancar a melodia da eterna beleza.

Mais do que os teus afins, esperam-te o concurso para que se refaçam, ante as Bênçãos do Céu.

Levanta-te ao lume do alvorecer, ofertando aos menos felizes o repasto de tuas próprias consolações e, quando o crepúsculo te venha cerrar os olhos, adormecerás, exultante de paz, nos braços invisíveis do Amigo Eterno, que transformou a própria cruz num sólio de esperança e perdão para alçar-se, em suprema vitória, ao coração das estrelas.


Emmanuel









Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Esperança - Divaldo P. Franco - Cap. 5 - Arte de bem viver



Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Esperança - Divaldo P. Franco - Cap. 5


Arte de bem viver


A difícil arte de bem viver é desafio para todos que se empenham pela aquisição da felicidade.

Para lográ-la, com o êxito que se pretende, são indispensáveis os exercícios da renúncia e da humildade, que se encarregam de desenvolver o campo onde mais amplamente se pode expressar.

Todas as artes são conseguidas mediante empenho, qual ocorre com outros valores nas demais áreas do comportamento humano.

A arte de bem viver constitui uma ciência de conduta sábia.

Para viver-se bem, com conforto e acomodado, são poucas as exigências que não ultrapassam a órbita dos valores materiais.

Dinheiro, saúde, posição social, constituem requisitos para uma vida boa, de prazeres que se desdobram no jogo dos interesses mais imediatos.

Bem viver é exigência mais ampla da vida. Não obstante necessite de alguns valores objetivos, o seu é o programa transcendente de conquistas imateriais.

Quem vive bem, nem sempre está bem na vida, porquanto a insatisfação e o desgaste no gozo são presenças constantes no orçamento emocional da criatura. Todavia, quem está a bem viver, inspirado pelo belo, o útil, o nobre e o sadio, vive bem, porque marcha na direção da plenitude.

O Espírito, na Terra, transita em três fases, durante o seu estágio de evolução. Embora na forma bípede, assume postura animal, humana e espiritual.

Quando há predominância dos instintos, que o atavismo da evolução mantém, o gozo, na sensação, ainda o jugula ao período animal.

Quando as emoções o elevam na busca das realidades da vida, apresenta-se em experiências do ciclo humano, preparando-o para o passo seguinte.

Por fim, quando se doa e eleva-se, ampliando os esforços em favor do próximo, transfere-se para o degrau que o alçará ao estágio espiritual libertador.

No primeiro passo goza, sente, aturde-se.

No segundo, percebe, conquista, ilumina-se.

No terceiro, eleva-se, vive, santifica-se.

Não te detenhas na faixa vibratória da evolução, na qual estagias.

Se vives bem, procura fazê-lo com dignificação, a fim de que possas bem viver, sobrepondo-te aos limites da conjuntura material, que é o passo primeiro para a tua plena realização como Espírito imortal.


Joanna de Ângelis













segunda-feira, 13 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 8.1 - Companheiros francos



Emmanuel - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 8.1


Companheiros francos


13. “Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado”, disse Jesus. Essa sentença faz da indulgência um dever para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência...”  (O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. X)


922. A felicidade terrestre é relativa à posição de cada um. O que basta para a felicidade de um, constitui a desgraça de outro. Haverá, contudo, alguma soma de felicidade comum a todos os homens?

“Com relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranqüila e a fé no futuro.” (O Livro dos Espíritos)


Na esfera do sentimento, somos habitualmente defrontados por certa classe de amigos que são sempre dos mais preciosos e aos quais nem sempre sabemos atribuir o justo valor: aqueles que nos dizem a verdade, acerca das nossas necessidades de espírito.

Invariavelmente, categorizamos em alta conta as afeições que nos assegurem conveniências de superfície, nos quadros do mundo. Confiança naqueles que nos multipliquem as posses efêmeras e solidariedade aos que nos garantam maior apreço no grupo social.

Perfeitamente cabível a nossa gratidão para com todos os benfeitores que nos enriquecem as oportunidades de progredir e trabalhar na experiência comum.

Sejamos, porém, honestos conosco e reconheçamos que não nos é fácil aceitar o concurso dos companheiros cuja palavra franca e esclarecedora nos auxilia na supressão dos enganos que nos parasitam a existência. 

Se nos falam, sem qualquer circunlóquio, em torno dos perigos de que nos achamos ameaçados, à vista de nossa inexperiência ou invigilância, ainda mesmo quando enfeitem a frase com o arminho da bondade mais pura, frequentemente reagimos de maneira negativa, acusando-os de ingratos e duros de coração. 

Se insistem, não raro consideramo-los obsidiados, quando não permitimos que o mel da amizade se nos transtorne na alma em vinagre de aversão, exagerando-lhes os pequeninos defeitos, com absoluto esquecimento das nobres qualidades de que são portadores.

Tenhamos em consideração distinta os amigos incapazes de acalentar-nos desequilíbrios ou ilusões. Jamais cometamos o disparate de misturá-los com os caluniadores.  

Os empreiteiros da difamação e da injúria falam destruindo. 

Os amigos positivos e generosos advertem e avisam com discrição e bondade. 

Sempre que algo nos digam, sacudindo-nos a alma, entremos em sintonia com a própria consciência, roguemos ao Senhor nos sustente a sinceridade e saibamos ouvi-los.


Emmanuel





O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. X - Bem-aventurados os que são misericordiosos - Não julgueis, para não serdes julgados. - Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado

13. “Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado”, disse Jesus. Essa sentença faz da indulgência um dever para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de profligarmos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.

O reproche lançado à conduta de outrem pode obedecer a dois móveis: reprimir o mal, ou desacreditar a pessoa cujos atos se criticam. Não tem escusa nunca este último propósito, porquanto, no caso, então, só há maledicência e maldade. O primeiro pode ser louvável e constitui mesmo, em certas ocasiões, um dever, porque um bem deverá daí resultar, e porque, a não ser assim, jamais, na sociedade, se reprimiria o mal. Não cumpre, aliás, ao homem auxiliar o progresso do seu semelhante? Importa, pois, não se tome em sentido absoluto este princípio: “Não julgueis se não quiserdes ser julgado”, porquanto a letra mata e o espírito vivifica.

Não é possível que Jesus haja proibido se profligue o mal, uma vez que ele próprio nos deu o exemplo, tendo-o feito, até, em termos enérgicos. O que quis significar é que a autoridade para censurar está na razão direta da autoridade moral daquele que censura. Tornar-se alguém culpado daquilo que condena noutrem é abdicar dessa autoridade, é privar-se do direito de repressão. A consciência íntima, ao demais, nega respeito e submissão voluntária àquele que, investido de um poder qualquer, viola as leis e os princípios de cuja aplicação lhe cabe o encargo. Aos olhos de Deus, uma única autoridade legítima existe: a que se apóia no exemplo que dá do bem. É o que, igualmente, ressalta das palavras de Jesus.