segunda-feira, 29 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 141 - Hospitalidade



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 141


Hospitalidade


“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos.” — PAULO (Hebreus, 13:2)

É provável que nem sempre disponhas dos recursos necessários à hospedagem de companheiros em casa.

Obstáculos e vínculos domésticos, em muitas ocasiões, determinam impedimentos.

Se a parentela ainda não se compraz contigo, na cultura da gentileza, não é justo violentes a harmonia do lar, estabelecendo discórdia, em nome do Evangelho que te recomenda servi-los.

Nada razoável empilhar amigos, em espaço irrisório, impondo-lhes constrangimento, à conta de bem-querer.

Todos nós, porém, conseguimos descerrar as portas da alma e oferecer acolhimento moral.

Nem todos os desabrigados se classificam entre os que jornadeiam sem teto.

Aqui e ali, surpreendemos os que vagueiam, deserdados de apoio e convivência…

Observa e tê-lo-ás no caminho, a te pedirem asilo ao entendimento.

Dá-lhes uma frase de coragem, um pensamento de paz, um gesto de amizade, um momento de atenção.

Às vezes, aquele que hoje se reergue com a tua migalha de amor é quem te vai solucionar as necessidades de amanhã, num carro de bênçãos. Não te digas inútil, nem te afirmes incapaz.

Ninguém existe que não possa auxiliar alguém, estendendo o agasalho da simpatia pelos fios do coração.


Emmanuel










(Reformador, agosto de 1963, p. 170)

Francisco do Monte Alverne - Livro Falando à Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 7 - Evangelho



Francisco do Monte Alverne - Livro Falando à Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 7


Evangelho


"Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai, senão por mim." (JOÃO, 14:6)

Baseando no Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo a predicação do apostolado que lhes compete, os Espíritos Superiores não se apegam a qualquer nuvem de mistério para sustentar o alimento à fé religiosa, em cuja renascença colaboram, na qualidade de homens redivivos.

É que a vida extrafísica promove, nos que pensam, mais altas ilações com respeito à realidade.

Se há leis que presidem ao desenvolvimento do corpo, há leis que regem o crescimento da alma.

Jesus no estábulo não é um fenômeno isolado no espaço e no tempo: é acontecimento vivo para o Espírito humano.

Cristo-Homem veio plasmar o Homem-Cristo.

Há quem enxergue no Cristianismo a simples apologia do sofrimento. Acusam-no pensadores e filósofos vários, tachando-o em oposição à beleza e à alegria. Para eles, Jerusalém teria asfixiado a felicidade e o encanto da vida, a fluir vitoriosa e serena nos ajuntamentos da Grécia e de Roma.

Antes do Mestre, a única beleza espiritual, geralmente conhecida, era aquela das virtudes filosóficas e políticas que o homem representativo da escola, da justiça ou do poder mantinha, valoroso, até à morte.

Com exceção de Çakyamuni [1], o príncipe sublime que se retirou do mundo convencional para viver pelos seus semelhantes, os grandes heróis do pensamento aceitam a perseguição e o extermínio, mas, é força reconhecê-lo, com a vaidade dos triunfadores.

Bebem cicuta ou abrem as próprias veias, ilhados na fortaleza da superioridade individual. Sócrates é o filósofo sublime, confortado pela solidariedade dos discípulos. Sêneca é o professor honrado, que estimula com o sacrifício de si mesmo a indignação contra a tirania.

Com Jesus, a renunciação é diferente.

O Divino Crucificado sobe ao Calvário sem o apoio dos amigos. Suas últimas palavras são dirigidas a um ladrão. Sua morte não exalta o orgulho de um grupo, nem constitui incentivo à revolta. 

A ordem que lhe escapa do excelso comando é a de servir sem desfalecimento, com obrigações de amor, perdão e auxílio constantes, ainda aos inimigos. Seu olhar, do cimo da cruz, abarca o mundo inteiro.

Com Ele começa a agir o escopro do verdadeiro bem, operando sobre a dureza da animalidade o gradual aperfeiçoamento da alma divina.

As chagas que lhe cobrem o corpo representam o louvor ao trabalho de aprimoramento e elevação do espírito, iniciando a era de legítima fraternidade entre os homens.

O Evangelho é, por isso, o viveiro celeste para a criação de consciências sublimadas.

Nasce a mente na carne e nela renasce, inúmeras vezes, buscando o sagrado objetivo do seu engrandecimento. E no intricado jogo das experiências compreende na dor o instrumento ideal da santificação. Recebendo os séculos por dias preciosos e rápidos de serviço, enceta a gloriosa carreira, com a juvenilidade da razão, amadurecendo-se na ciência e na virtude, através de reencarnações numerosas.

Conquista-se, sacrificando-se.

Quanto mais fornece de si em trabalho vantajoso a todos, mais se enriquece no mealheiro individual. Quanto mais distribui em amor, mais recebe em poder.

Supera-se, quebrando limitações, doando o bem pelo mal, a simpatia pela aversão, a claridade pela sombra.

A Boa Nova oferece as medidas espirituais para que se atinjam as dimensões da vida genuinamente cristã, nas quais desfere o Espírito excelso voo para as Esferas Resplandecentes.

A carne é a sagrada retorta em que nos demoramos nos processos de alquimia santificadora, transubstanciando paixões e sentimentos ao calor das circunstâncias que o tempo gera e desfaz.

Cada ensinamento do Mestre, efetivamente aplicado, é específico redentor, brunindo a alma imperecível, tornando-a em obra viva de estatuária divina.

O que nos parece dor, é bênção.

O que se nos afigura sofrimento, é socorro.

Onde choramos com o espinho, recolhemos uma lição.

Daí o motivo de se escudarem os emissários de nosso Plano na predicação de Jesus, desvelando aos homens os pórticos sublimes da era nova.

Quando fixarmos nas páginas vivas do próprio ser os ensinos do Cristo, afeiçoando-nos automaticamente a eles, tanto quanto se nos adaptam os pulmões ao ar que respiramos, habilitar-nos-emos ao programa de ação dos anjos, por enquanto incompreensível à nossa inteligência.

Renascimento e morte no patrimônio físico são simples acidentes da vida espiritual progressiva e eterna.

Quando o homem termina o repasto da ilusão, aqui ou ali, perguntas milenárias lhe acodem, precípites, à mente insatisfeita.

Donde venho? Para onde vou? Qual a finalidade do destino? Por que a lágrima? — Interroga, aflito, com ânsias análogas a de todos os vanguardeiros da vida superior que tiveram a coragem de partir, antes dele, para os cimos da imortalidade.

Quando o aprendiz indaga, experimentando autêntica sede da verdade, é, sem dúvida, chegado o momento iluminativo do Mestre.

Sem Jesus, que nos confere sublime resposta aos enigmas do caminho, converter-se-ia a existência em labirinto inextricável de padecimentos inúteis.

O Além é a continuação do Aquém.

Um século sucede-se a outro.

O filho é o herdeiro dos pais.

Não existe milagre.

Há lei, evolução, crescimento e trabalho com o prêmio da sublimação ao esforço.

O simples intercâmbio com a vida espiritual nada mais é que mera permuta de valores para estimular a experiência comum. Mas toda vez que encontrarmos o Evangelho do Senhor inspirando a renovação de nossa atitude pessoal, à frente do mundo, guardemos a certeza de que nos achamos em comunhão frutífera com a bendita claridade do Caminho, da Verdade e da Vida.


Francisco do Monte Alverne








FRANCISCO DO MONTE ALVERNE, Frei (1858) — Religioso franciscano nascido no Rio de Janeiro. Eloquente orador sagrado. Saber profundo e sincera dedicação à Religião e à Pátria. Reputado grande teólogo e filósofo. Seus sermões são preciosos documentos de boa linguagem e sã doutrina.

[1] Siddhartha Gautama, o fundador do Budismo.




Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 24 - Semear alegria



Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 24


Semear alegria


A alegria é conquista reservada somente aos homens, no distrito da Terra. Nos animais, ela se manifesta no seu princípio rudimentar, sem a beleza e o conforto que se expressa no coração humano.

A alegria é um dom grandioso, é uma semente de luz que Deus depositou nos sentimentos dos seres humanos, deixando meios para que Seus filhos dessem crescimento a essa virtude que tanto nos agrada. Vamos colocar a alegria como uma semente e fazê-la crescer na nossa lavoura interna.

A criatura que não faz uso da alegria está sujeita a ver a tristeza invadir seu peito e desfazer os mais renomados valores da vida. Esse bem-estar de que falamos está, de certa forma, ligado às coisas espirituais. Certamente que esse prazer é um dom marcadamente do espírito; no entanto, ele é crescente ao infinito, tem variados degraus para subir na sua escala interminável.

Estamos fazendo um esforço ingente para levar aos nossos irmãos encarnados alguns traços de iniciação nos tesouros da alma. A nossa maior intenção é que tu entres na senda do aprimoramento espiritual e que, pelo conhecimento, possas subir mais depressa pela rampa da vida, da vida perfeita, realizando o trabalho destinado a ti.

Queremos que todos compreendam que, no Universo, tudo é alegria, por ser alegria a harmonia vibrante em todos os ângulos da criação. Quando endereçares a alguém a palavra, seja a quem for, deixa falar primeiro o coração, com o contentamento que lhe é próprio. Aos enfermos e às crianças devemos nos dirigir de modo próprio aos estágios das almas que nos ouvem, pois se nossos lábios não exprimirem o nosso bem-estar através de nossas palavras, estaremos estragando o tempo e menosprezando aquilo que Deus nos deu por amor e que deve ser doado com prazer.

Deves disseminar, por onde fores, as sementes da alegria, com a pureza que nasce dos sentimentos mais elevados da vida, porque se é dando que recebemos, a lei nos garante a colheita daquilo que estamos plantando.

A criatura triste envelhece com mais facilidade e cria, em torno de si, um ambiente de sombra, de modo a afastar todos os que queiram aproximar-se e que, por vezes, estejam querendo ajudar.

O espírito triste é espírito morto. Procura promover meios de infundir alegria aos outros, sem te esqueceres de que ela deve ser moldada nos mais profundos princípios da verdade. O contentamento cristão é o mais recomendado para a nossa paz e para a nossa saúde.

O perdão é mais fácil no ambiente da alegria. A alma introvertida, que não é capaz de doar pelo menos alegria aos outros, bem como a egoísta, perde as sensibilidades que dispõem o espírito a compreender. Enquanto nós não descobrirmos a nós mesmos no emaranhado sistema de intolerância em que vivemos, pleno de orgulho e egoísmo, de ódio e de inveja, enquanto não nos dispusermos a reformar essas atitudes, operando esses tumores inconvenientes através da cirurgia moral, perderemos tempo no tempo que passa e sofremos as conseqüências da própria ignorância.

Plantemos, pois, a alegria no nosso coração e nos nossos irmãos que andam conosco no mesmo caminho, que seremos felizes.


Lancellin





VÍDEO:


CIRURGIA MORAL - CAP. 24 - SEMEAR A ALEGRIA




domingo, 28 de junho de 2026

Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 34 - Necessário



Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 34


Necessário


"Entretanto só uma coisa é necessária. Maria escolheu a boa parte, que não lhe será tirada." (LUCAS, 10:42)


A fim de que você divulgue o Espiritismo, não se fazem necessários:

profetismo metafórico, carregado de símbolos complicados, com ameaças para o futuro;

mediunidades fulgurantes a se expressarem em penas vigorosas e palavras eloquentes, zurzindo látego contra as concepções religiosas do passado;

trabalhadores exigentes quais verdugos das fraquezas alheias, sempre prontos a vergastar o
próximo;

críticos sibilinos, apoiados à retórica e ao sofisma, como apontadores de chagas abertas em putrefação iniciante;

examinadores livres das consciências alheias, esgrimindo opiniões em encarniçadas batalhas literárias;

orientadores inflexíveis, portando vigorosas construções do pensamento universal dos tempos e dos povos...

O de que necessita o Espiritismo hoje, como o Cristianismo de ontem difundiu, é do serviço anônimo do herói desconhecido, capaz de guardar-se no silêncio da renúncia após o bem que faça.

Profetas e médiuns, palradores e escreventes, fiscais e orientadores, examinadores e críticos eficientes, a Humanidade sempre os teve, sem que, contudo, a dor tivesse recebido o devido amparo e a aflição fosse honrada com assistência fraternal.

A Doutrina Espírita, na atualidade, desbravando o continente da alma, está necessitando de trabalhadores em burilamento íntimo que se capacitem ao serviço, nos campos da caridade eficiente para a real operação da felicidade humana.

Em razão disso, faz-se indispensável você servir para glorificar-se, ajudar para sublimar-se e sofrer para libertar-se.

Não faltarão os que preferem comandar, fiscalizar, exigir, seguindo, porém, a sós. . .

Seja você aquele que faz o necessário serviço do bem em todo lugar.


Marco Prisco
















Emmanuel - Livro de Respostas - Chico Xavier - Cap. 16 - Ação pronta



Emmanuel - Livro de Respostas - Chico Xavier - Cap. 16


Ação pronta


Se a ideia relativa a algum bem por fazer saltou do silêncio para a tua cabeça, não perguntes, demasiadamente, aos outros, sobre a maneira de executá-la.

Começa a trabalhar e o teu próprio serviço trará os companheiros que colaborarão contigo, auxiliando-te a pensar no melhor a ser feito.


Emmanuel









sábado, 27 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 51 - Meninos espirituais



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 51


Meninos espirituais


“Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, pois é menino.” — PAULO. (Hebreus, 5:13)


Na apreciação dos companheiros de luta, que nos integram o quadro de trabalho diário, é útil não haja choques, quando, inesperadamente, surgirem falhas e fraquezas.

Antes da emissão de qualquer juízo, é conveniente conhecer o quilate dos valores espirituais em exame.

Jamais prescindamos da compreensão ante os que se desviam do caminho reto. A estrada percorrida pelo homem experiente está cheia de crianças dessa natureza.

Deus cerca os passos do sábio, com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e para que essa mesma luz seja glorificada.  

Nesse intercâmbio substancialmente divino, o ignorante aprende e o sábio cresce.

Os discípulos de boa vontade necessitam da sincera atitude de observação e tolerância. É natural que se regozijem com o alimento rico e substancioso com que lhes é dado nutrir a alma; no entanto, não desprezem outros irmãos, cujo organismo espiritual ainda não tolera senão o leite simples dos primeiros conhecimentos.

Toda criança é frágil e ninguém deve condená-la por isso.

Se tua mente pode librar no voo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho onde nasceste e onde estiveste longo tempo, completando a plumagem. Diante dos teus olhos deslumbrados, alonga-se o infinito. Eles estarão contigo, um dia, e, porque a união integral esteja tardando, não os abandones ao acaso, nem lhes recuses o leite que amam e de que ainda necessitam.


Emmanuel











Emmanuel - Livro Material de Construção - Chico Xavier - Cap. 20 - Compadece-te e auxilia



Emmanuel - Livro Material de Construção - Chico Xavier - Cap. 20


Compadece-te e auxilia


Se já conquistaste algum destaque no conhecimento ou na virtude, não menosprezes os companheiros que tropeçam ou que se arrastam na retaguarda.

Ao invés disso, auxilia-os, quanto puderes.

Lembra-te de que aquele que se eleva por uma escada de mil degraus ainda é capaz de cair ao alcançar os novecentos e noventa e nove.


Emmanuel