domingo, 30 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 14 - Autoridade em nós mesmos



Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 14


Autoridade em nós mesmos


"E o amo louvou este feitor iníquo, por haver obrado como homem de juízo; porque os filhos deste século são mais sábios na sua geração que os filhos da luz." (LUCAS, 16:8)


Apreciando o problema daqueles que guardam no mundo as diretivas da experiência, não te fixes nos companheiros que trazem consigo a cruz do ouro e do poder.

Recordemos a esquecida autoridade que o conhecimento superior determina seja exercida por nós em nós mesmos.

Quase sempre ensinamos a arte do pensamento nobre, receitando exercícios e regras aos amigos que nos perlustram a senda, guardando o próprio cérebro à feição de barco desgovernado, em cujas brechas ocultas penetram as sugestões da ignorância e da sombra.

Indicamos aos outros recursos providenciais para que se mantenham indenes de todo mal, através da pureza dos olhos e dos ouvidos, empenhando as próprias percepções à triste aventura da leviandade e do desacerto que acaba sempre na crítica indébita ou na azedia destruidora.

Estruturamos planos para a boa palavra naqueles que nos cercam, sem refrearmos o próprio verbo no galope insensato da crueldade, indicamos fé e esperança para o ânimo alheio, a perder-nos no charco da negação e do derrotismo, exaltamos para ouvintes confiantes a excelência das horas, no capítulo do trabalho e da realização, mergulhando as mãos no visco da inércia e pregamos a excelsitude da caridade para os amigos que nos rodeiam, a desfazer-nos em egoísmo e exigência.

Autoridade!… Autoridade!…

Dela abusaram todos os tiranos que fizeram da própria soberbia escuro resvaladouro para as trevas da criminalidade e da morte e dela, ainda hoje, nos valemos todos para acobertar as próprias fraquezas, sobrecarregando os ombros do próximo com fardos que somos incapazes de suportar.

Lembremo-nos, porém, de Jesus, no sublime governo da própria alma, passando entre os homens com a suprema revelação da Divina Luz, e entesouraremos suficiente humildade para entregar a Deus todos os patrimônios que nos enriquecem a vida, aprendendo a disciplinar-nos para refletir-lhe a grandeza na condição abençoada de filhos do Seu Amor.


Emmanuel













sábado, 29 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Inspiração - Chico Xavier - Cap. 20 - Examinando a felicidade



Emmanuel - Livro Inspiração - Chico Xavier - Cap. 20


Examinando a felicidade


Do egoísmo ao amor, vemos desdobrar-se a velha escala de sombra e luz em que se graduam as forças negativas e positivas da felicidade, qual é conhecida no campo terrestre.

Entre as forças negativas, observamos aquele que exige.

Entre as forças positivas reparamos aquele que renuncia a si mesmo, na exaltação do bem de todos.

O primeiro busca acumular valores para si próprio. O segundo espalha os valores recebidos.

No egoísmo, temos paralisada a corrente da vida, gerando a treva.

No amor, possuímos o movimento divino dessa mesma vida em seu fluxo e refluxo de talentos sublimes, acendendo a claridade suscetível de conduzir-nos à imortalidade vitoriosa.

É por isso que a felicidade dos corações, que a reclamam exclusivamente para si, permanece envenenada pelo tédio infalível a corromper-lhe todas as alegrias, de vez que o homem isolado no cárcere da ociosidade e da ambição, cria para si mesmo o desalento e o cansaço como que sufocado pelas energias sem proveito de que se cerca, displicente.

Por essa razão a felicidade das almas que a dividem com os semelhantes é o júbilo crescente daqueles que descobrem a comunhão com Deus, sempre mais rica de bênçãos, à medida que as bênçãos de paz e luz se lhes fluem das mãos incansáveis e generosas.

Não te guardes na atitude infeliz da criatura que deseja ser amada, permanentemente detida entre os muros da discórdia e do ciúme, da insatisfação e do desespero, mas aprendamos com o Cristo a amar sempre, sem o propósito de qualquer retribuição, porque renunciando em benefício dos outros e servindo constantemente, ainda mesmo na cruz, seguiremos com Ele ao encontro da felicidade incorruptível e eterna.


Emmanuel














Batuíra - Livro Praça da Amizade - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Aforismos avulsos



Batuíra - Livro Praça da Amizade - Espíritos Diversos / Chico Xavier


Aforismos avulsos


Não pares de trabalhar e servir. Encoraja-te na luz oculta do bem, escora-te em Deus e segue adiante. (Cap. 3 - Apartes da coragem)

Enquanto conservas o pensamento no cofre do cérebro, há tempo bastante para que te dirijas no rumo do bem, entretanto, quando falas, o que dizes é uma parcela de ti mesmo que já começou a caminhar. (Cap. 9 - Falas e vozes)

Quem perdoa acende a luz da compreensão para muita gente. (Cap. 10 - Perdão e vida)

Como deixar um filho sem o benefício da corrigenda, se te esmeras tanto em educar as plantas do teu jardim? (Cap. 12 - Maternidade e aborto)

O relógio não é somente um marcador de minutos; é igualmente um amigo tentando ensinar-nos disciplina e atenção. (Cap. 13 - Instruções do tempo)

Nunca se viu egoísmo que não se queixe de ingratidão. (Cap. 14 - Recados do perdão)

Progredir realmente é trabalhar sempre, servindo sempre mais. (Cap. 15 - Citações do progresso)


Batuíra














Emmanuel - Livro Entre Irmãos de Outras Terras - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 18 - Compromisso pessoal



Emmanuel - Livro Entre Irmãos de Outras Terras - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 18


Compromisso pessoal


“Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus”. — PAULO. (1 Coríntios, 3:6)


Nada de personalismo dissolvente na lavoura do espírito.

Qual ocorre em qualquer campo terrestre, cultivador algum, na gleba da alma, pode jactar-se de tudo fazer nos domínios da sementeira ou da colheita.

Após o esforço de quem planta, há quem siga o vegetal nascente, quem o auxilie, quem o corrija, quem o proteja.

Pensando, porém, no impositivo da descentralização, no serviço espiritual, muitos companheiros fogem à iniciativa nas construções de ordem moral que nos competem. 

Muitos deles, convidados a compromissos edificantes, nesse ou naquele setor de trabalho, afirmam-se inaptos para a tarefa, como se nunca devêssemos iniciar o aprendizado do aprimoramento íntimo, enquanto que outros asseveram, quase sempre com ironia, que não nasceram para líderes. 

Os que assim procedem costumam relegar para Deus comezinhas obrigações no que tange à elevação, progresso, acrisolamento ou melhoria, mas as leis do Criador não isentam a criatura do dever de colaborar na edificação do bem e da verdade, em favor de si mesma.

Vejamos a palavra do Apóstolo Paulo, quando já conhecia os problemas do autoaperfeiçoamento, em nos referindo à evangelização: “Eu plantei Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus”.

A necessidade do devotamento individual à causa da verdade transparece, clara, de semelhante conceituação.

Sabemos que a essência de toda atividade, numa lavra agrícola, procede, originariamente, da Providência Divina. De Deus vêm a semente, o solo, o clima, a seiva e a orientação para o desenvolvimento da árvore, como também dimanam de Deus a inteligência, a saúde, a coragem e o discernimento do cultivador, mas somos obrigados a reconhecer que alguém deve plantar.


Emmanuel









(Paris, França, 23, agosto, 1965.)

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Alma e Coração - Chico Xavier - Cap. 34 - Apoio espiritual



Emmanuel - Livro Alma e Coração - Chico Xavier - Cap. 34


Apoio espiritual


Compartilhamos, em nome da beneficência, de recursos vários, como sejam — a moeda e o agasalho, o teto e a mesa.   

Uma dádiva, porém, existe de que todos necessitamos no câmbio da fraternidade: a dádiva do encorajamento.

Admitamos, de modo geral, que os únicos irmãos baldos de força são aqueles que tropeçam nas veredas da extrema penúria física; no entanto, em matéria de abatimento moral, surpreendemos, em cada lance da estrada, legiões de companheiros em cujos corações a esperança bruxuleia qual chama prestes a extinguir-se, ao sopro da adversidade.

Esse possui créditos valiosos nos círculos da finança, mas carrega o peso de escabrosas desilusões; 

exorna-se aquele com títulos de cultura e competência, todavia traz o espírito curvado sob constrangimentos e desgostos de toda espécie, como se arrastasse fardos ocultos; 

outro dispõe de autoridade e influência, na orientação de vasta comunidade, e tem o peito semi-sufocado de aflição à face das dores desconhecidas que lhe gravam as horas; 

outro, ainda, exibe-se por modelo de higidez nas vitrinas da saúde corpórea e transporta consigo um poço de lágrimas represadas, em vista das provações que lhe oneram a vida.

Detém-te em semelhantes realidades e não recuses o donativo da coragem para toda criatura irmã do caminho.

Se alguém errou, fala-lhe das lições novas que o tempo nos traz a todos;

se caiu, estende-lhe os braços com a fé renovadora que nos repõe nas trilhas de elevação; 

se entrou em desespero, dá-lhe a bênção da paz; 

se tombou em tristeza, oferece-lhe a mensagem do bom ânimo…

Ninguém há que prescinda de apoio espiritual.

Agora, muitos de nós precisamos da coragem de aprender, de servir, de compreender, de esperar… E, provavelmente, mais tarde, em trechos mais difíceis da viagem humana, todos necessitaremos da coragem de sofrer e abençoar, suportar e viver.


Emmanuel











quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Hammed - Livro Os Prazeres da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 8 - Liberdade



Hammed - Livro Os Prazeres da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 8


Liberdade


A liberdade, como todas as demais conquistas da alma, só será alcançada verdadeiramente se por compartilhada com os outros.

François Marie Arouet, dito Voltaire, poeta e escritor francês do século XVIII, escreveu: "O prazer pela liberdade aumenta à medida que dela se desfruta". O Criador, que nos concedeu a vida, deu-nos ao mesmo tempo a liberdade. O que levou Paulo de Tarso a proclamar: "É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão"[1] 

A rigidez mental é uma das formas mais corriqueiras de atrair o sofrimento. Mudança é um mecanismo espiritual através do qual Deus assegura a evolução. Quem não evolui fica paralisado, desenvolvendo um verdadeiro entorpecimento interior.

Para transformarmos a vida para melhor, temos que começar a nos mudar por dentro. E, para tanto, precisamos inicialmente desfazer os diversos conceitos equivocados que nos foram transmitidos de forma não-intencional pelos nossos pais, avós, amigos, professores, ou até mesmo pela literatura de diversas correntes de pensamento científico, filosófico e religioso. Talvez estejamos tão rijos intimamente que sentiremos dificuldade em dar os primeiros passos rumo à liberdade, mas, com determinação e com o passar do tempo, tomaremos consciência cada vez mais de como é agradável e realizadora a mudança interior; aí tudo se tornará mais fácil.

Quando nos desfazemos das crenças inadequadas, morre em nós tudo aquilo que é velho, e passamos a reformular ou remodelar novos caminhos, dinamizando a casa mental e ampliando o universo pessoal. Quer aceitemos ou não, o mundo está progredindo. A Natureza está em constante evolução, por isso temos necessidade de fazer uma constante autobservação dos nossos valores, ideias e crenças. 

Existem muitas pessoas que dizem: "Meus pais sempre pensaram e agiram dessa forma, portanto eu também penso e ajo igualmente". Outros afirmam: "Minha família sempre abraçou esses conceitos; ora, por que eu haveria de trocá-los?"

É óbvio que nós não estamos aqui querendo induzir as criaturas a desprezar as memórias, os ensinos ou as experiências familiares, mas é preciso que entendamos que o mundo progride e, em decorrência disso, muitas coisas se modificam em nossa existência. Queiramos ou não, a mudança gera sempre um desafio existencial.

Mesmo que optemos por ficar estagnados à margem da estrada, isso de nada nos adianta, porque a vida está em constante movimentação, nos impulsionando de maneira natural e invariável. Ainda que não vejamos o avanço e o desenvolvimento fluírem no momento presente, ainda assim estaremos todos marchando sob o influxo da divina lei do progresso.

Kardec, o sistematizador dos ensinos espíritas, questiona as Entidades Benevolentes: "Não há homens que entravam o progresso de boa-fé, crendo favorecê-lo porque o vêem do seu ponto de vista e, frequentemente, onde ele não está?'. E os Benfeitores, sob a direção do Espírito de Verdade, respondem: "Pequena colocada sob a roda de uma grande viatura e que não a impede de avançar". (Questão 782 - O Livro dos Espíritos).

O professor Rivail comenta na questão 781 de O Livro dos Espíritos que: "O progresso, sendo uma condição da natureza humana, não está ao alcance de ninguém a ele se opor. É uma força viva que as más leis podem retardar, mas não sufocar".

Lutar contra o curso da evolução é como querer segurar com as mãos as ondas do mar. A paralisação existencial dificulta a liberdade e gera tristeza. A rotina produz angústia e depressão, por isso todos somos convidados a nos reformular emocionalmente e a procurar novos conhecimentos filosóficos, religiosos e científicos, para que possamos manter nosso equilíbrio existencial.

Será que o que nós temos como verdade é a verdade mesmo? Estamos nos sentindo bem? Estamos realmente animados e felizes? De repente podemos estar presos a determinados contextos e ainda não nos apercebemos de que precisamos modificar nosso modo de ver a vida. Necessitamos livrar-nos de hábitos antigos e indesejáveis, que são a causa principal do desconforto em que vivemos.

A lei do progresso é universal, mas age de forma individual em cada um de nós. Se alguns progridem mais rapidamente do que outros é porque estão desfrutando uma nova visão, estão desenvolvendo uma imagem positiva de si mesmos e das demais pessoas. Com isso, conseguem desatar as algemas que os deixam chumbados ao "solo da mesmice".

A vida é um processo maravilhosamente ilimitado; entretanto, ainda há — e não são poucos - os que enxergam a existência de forma afunilada, como se estivessem vivendo na época de Moisés ou na Idade Média. É preciso que nos ajustemos às descobertas da ciência, pois ela está inteiramente interligada com a religião. Tudo vem de Deus, inclusive o mundo científico.

Liberdade é um direito natural, faz parte de nossa herança divina, e, para crescermos, devemos usá-la sempre que necessário. Eis algumas perguntas que podemos fazer a nós mesmos para identificarmos nossas crenças e valores, positivos ou não, e como eles afetam a nossa vida diária:

• Qual o grau de influência da opinião alheia sobre meus atos e atitudes?

• Quais crenças cooperam para meu bem-estar interior?

• O que me dificulta ter suficiente autonomia para tomar minhas próprias decisões?

•O que me impede de desfrutar uma vida plena?

•Por que costumo fingir para agradar aos outros?

• Qual a razão de manter minha reputação alicerçada em um modelo exemplar?

• Meus conceitos facilitam autoconfiança?

Na realidade, o livre-arbítrio - liberdade de agir e de pensar - nos concede o poder de mudar nossas idéias, nossos modelos, concepções ou pensamentos, e de optar por crenças mais apropriadas ou favoráveis ao desenvolvimento de uma nova concepção do universo interior e exterior.

A liberdade, como todas as demais conquistas da alma, só será alcançada verdadeiramente se for compartilhada com os outros.

A liberdade é, na ciência, a experimentação e o raciocínio; na filosofia, o bom senso e a sensatez; na religião, o discernimento e a naturalidade; na arte, a originalidade e a inspiração; na sociedade, a igualdade e a solidariedade.

O estado de liberdade da criatura é proporcional ao seu grau de amadurecimento espiritual.

O indivíduo liberto, mais que idéias ou ideais, escolhe os autênticos valores da alma, porque reconhece que estes orientam sua vida com lucidez, discernimento e ânimo.

Possui uma excelente sociabilidade, produto de sua maturidade interior, manifestada na família, no trabalho, nos grupos de amizade e de atividade religiosa; enfim, em todos os setores de sua vida comunitária.

Considera e valoriza as orientações ou sugestões dos outros (cônjuges, pais, filhos, amigos, educadores, companheiros, etc...), porque acredita que eles podem iluminar suas opções existenciais, mas nem por isso perde a autonomia de agir e pensar livremente. Sempre pondera e nunca julga de modo precipitado as experiências alheias; antes as observa e as confronta com as suas e, por fim, as assimila ou as rechaça total ou parcialmente.

Quem é livre desfruta uma atmosfera fluídica que facilita um progressivo desenvolvimento espiritual.

Não se considera indefeso, mas sim companheiro de viagem de outros seres humanos, pois sabe que a qualquer momento poderá refazer as cláusulas do "contrato" de sua existência.

Allan Kardec indagou, em O Livro dos Espíritos: "O homem tem o livre-arbítrio dos seus atos?'; e "O homem goza do livre-arbítrio desde o seu nascimento?" E os informantes da Vida Maior deram respectivamente os seguintes esclarecimentos: "Visto que ele tem a liberdade de pensar, tem a de agir. Sem livre-arbítrio o homem seria uma máquina"; e "Há liberdade de agir desde que haja liberdade de fazer. Nos primeiros tempos da vida a liberdade é quase nula; ela se desenvolve e muda de objeto com as faculdades".

Ao longo da História, a liberdade de expressão sempre foi e será a condição essencial encontrada na estrutura psicológica de todos os homens sábios e livres. Esses indivíduos aliaram o livre-arbítrio à reflexão, a fim de escolherem decisões, palavras ou atos que não ultrapassassem os seus direitos ou os dos outros.

Uma das maiores batalhas que temos que enfrentar é a de abrir mão da compulsão de estar constantemente desconfiando de tudo e de todos. Para estar em plena liberdade, precisamos nos soltar, fluir pelos ritmos da vida. Muitas vezes, é no "ato de perder" que encontramos a razão da própria existência.

No exercício do livre-arbítrio, será sempre bem-vinda a legitimidade da inquirição ou indagação, pois a "dúvida saudável" mantém nossa casa mental na prática constante da atividade intelectual ativa e criativa, enquanto a "certeza absoluta" pode nos levar a atitudes atrevidas e insolentes.

A circunspecção - atitude de quem olha cuidadosamente todos os aspectos por que se apresenta uma questão ou fato - deve vir sempre acompanhada de prudência e ponderação. Existe uma enorme diferença entre "circunspecção" e "receio incoerente"; entre "incredulidade patológica" e "suspeita lógica".

O verbo "suspeitar" provém do latim suspectare, que tem como variável suspicere, que significa "olhar o lado de baixo" ou "olhar por baixo". O que vive em suspeita, ao contrário do ser livre, não está olhando a realidade das coisas, mas supondo o que possa existir por detrás dos fatos, acontecimentos e atitudes das pessoas. O desconfiado compulsivo está sempre preocupado em não ser enganado ou roubado, enquanto o liberto sabe que nada nem ninguém podem extinguir ou se apropriar de suas conquistas pessoais.

Os indivíduos que alcançaram o estado de liberdade vivem no equilíbrio, porquanto não acreditam em tudo, nem desconfiam de tudo. Fazem parte do rol das criaturas centradas: diferenciam o que existe de real e verdadeiro, e não ficam imaginando males ilusórios ou sem fundamento.


Hammed







[1] PAULO (Gálatas, 5:1)

Nota:  Na evolução da língua, o verbo latino suspicere (formado por sub- "por baixo" + specere "olhar") é exatamente a raiz que deu origem ao verbo suspectare (frequentar com o olhar) e, posteriormente, às palavras suspeita e suspeitar no português.

O Livro dos Espíritos:

Questão 843. Tem o homem o livre-arbítrio de seus atos?

“"Visto que ele tem a liberdade de pensar, tem a de agir. Sem livre-arbítrio o homem seria uma máquina."

844. Do livre-arbítrio goza o homem desde o seu nascimento?

“Há liberdade de agir, desde que haja vontade de fazê-lo. Nas primeiras fases da vida, quase nula é a liberdade, que se desenvolve e muda de objeto com o desenvolvimento das faculdades. Estando seus pensamentos em concordância com o que a sua idade reclama, a criança aplica o seu livre-arbítrio àquilo que lhe é necessário.”




terça-feira, 25 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Passos da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 5 - Experimenta



Emmanuel - Livro Passos da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 5


Experimenta


Em todos os males que nos assoberbam a vida, apliquemos as indicações curativas do Evangelho.

Conflitos e queixas à frente do próximo:

— Amemo-nos uns aos outros, qual o Divino Mestre nos amou. 

"O meu preceito é este: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei." (JOÃO, 15:12)

Desinteligências em casa:

— Lembremo-nos de que se não procuramos compreender e nem amparar os que nos partilham o círculo doméstico, estaremos negando a própria fé. 

"E se algum não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua casa, esse negou a fé, e é pior que um infiel." (PAULO, 1 Timóteo, 5:8)

Provocações e insultos:

— Exoremos a Divina Misericórdia para quantos nos perseguem ou injuriam. 

"Tendes ouvido que foi dito: Amarás ao teu próximo, e aborrecerás a teu inimigo." (MATEUS, 5:43)

Incompreensões no campo da convivência:

— Com quem nos exija a jornada de mil passos, caminhemos mais dois mil. 

"E se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele ainda mais outros dois mil." (MATEUS, 5:41)

Calúnias e sarcasmos:

— O Senhor recomenda se perdoe cada ofensa setenta vezes sete. 

"Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas que até setenta vezes sete vezes." (MATEUS, 18:22)

Provas e contratempos:

— Orar sempre e trabalhar sem desânimo, na edificação do bem de todos.

"Propôs-lhes também esta parábola: que importava orar sempre, e nunca deixar de faze-lo." (LUCAS, 18:1)

Perturbações íntimas:

— Onde colocamos os nossos interesses, aí se nos vincula o coração. 

"Porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração." (MATEUS, 6:21)

Ocasiões de críticas e reproches:

— Com a medida que julgamos os outros, seremos julgados também nós. 

"Pois com o juízo com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós." (MATEUS, 7:2)

Reivindicações e reclamações:

— Busquemos o Reino de Deus e sua justiça e tudo mais de que necessitemos ser-nos-á acrescentado. 

"Buscai pois, primeiramente, o Reino de Deus e a sua justiça; e todas estas coisas se vos acrescentarão." (MATEUS, 6:33)

Adversários ferrenhos ou implacáveis:

— Amemos os nossos inimigos, observando que lições nos trazem eles, a fim de que possamos aproveitá-las, porque, se amamos tão somente os que nos amam que haverá nisso demais? 

"Tendes ouvido que foi dito: Amarás ao teu próximo, e aborrecerás a teu inimigo." (MATEUS, 5:43)

Arrastamentos e paixões:

— Vigiemos a nós mesmos para que não venhamos a resvalar para as margens da senda que nos cabe trilhar. 

"Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca." (MATEUS, 26:41)

Anseio de orientação e conselho:
— Tudo o que quisermos que os outros nos façam, façamos nós igualmente a eles. 

"E assim, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles. Porque esta é a lei e os profetas." (MATEUS, 7:12)

Provavelmente, na arena das inquietações e tribulações terrestres, terás tentado as mais diversas receitas, traçadas por autoridades humanas, à busca de equilíbrio e paz, segurança e felicidade, sem atingir os resultados a que aspiras… 

Entretanto, não esmoreças. Uma fórmula existe que jamais falha, na garantia de nosso próprio bem: experimenta Jesus.


Emmanuel