segunda-feira, 25 de maio de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Jesus e Vida - Divaldo Pereira Franco - Cap. 18 - Sempre o amor



Joanna de Ângelis - Livro Jesus e Vida - Divaldo Pereira Franco - Cap. 18


Sempre o amor


Dotado de inteligência e de consciência, o amor é-lhe sublime herança que jaz em seu íntimo, aguardando o momento de exteriorizar-se em plenitude.

Inicia-se em forma egóica, quando se volta exclusivamente para si mesmo, com olvido emocional dos outros.

Lentamente, porém, as necessidades de relacionamento e os impulsos gregários estimulam os centros adormecidos da afetividade e começa a desabrochar, ensejando as manifestações apaixonadas, em face do estágio em que o espírito ainda transita, para logo passar aos sentimentos de fraternidade, de compaixão, de ternura, alcançando o seu nobre patamar.

Em razão do largo trânsito nas faixas primárias, por onde se demorou, só, a pouco e pouco, liberta-se dos atavismos animais, da predominância da força bruta e do desejo de supremacia em relação ao seu próximo.

Como todos se encontram fadados ao Bem, é inevitável que o amor se lhes transforme na mais bela didática para esse cometimento.

Ainda incompreendido, permanece, na atualidade, confundido com erotismo e interesses mesquinhos, avançando para a conquista de um diferente entendimento em torno das funções da existência terrestre e da vida em si mesma.

Cantado e exposto com exaltação, o seu sentido profundo nem sempre é captado por aqueles que o exaltam, mais estimulados pelos apetites da libido, do que mesmo atraídos pelas suas dúlcidas expressões.

O amor, entretanto, é a mais eficiente lição para o autoencontro, para a autorrealização, para a construção da sociedade mais feliz e mais pacífica.

Muitos conflitos que aturdem os indivíduos, dando lugar a lutas fratricidas, a competições desastrosas, a nacionalismos exagerados, que derrapam em atos de perverso terrorismo, são atribuídos ao amor, porém, na sua feição doentia e sangrenta, quando na condição de comportamento bárbaro procedente de épocas muito recuadas...

O amor sempre compreende, mantendo um sentimento de paciência e de compaixão que faculta equacionar todas as dificuldades que surgem pelo caminho da sua manifestação.

Quando isso não ocorre, em realidade, ele está ausente, apresentando-se substitutos que se disfarçam com as suas características, sem conseguirem ocultar a sua realidade.

O amor promana de Deus que é a Fonte Inexaurível, portanto, expressa-se sempre com bondade e misericórdia, gentileza e auxílio, até culminar na expressão máxima da caridade.

Os arremedos precipitados, em seu nome, podem ser considerados como tentativas não exitosas de vivenciá-lo, faltando a indispensável maturidade emocional para senti-lo.

O amor é como uma chama harmoniosa que ilumina em derredor, no entanto, para manter-se pleno necessita do combustível do entendimento humano.

Por ser íntimo e pessoal, a sua mensagem de luz não dá lugar a sombras, já que se expande em todos os sentidos, a tudo e a todos envolvendo.

A pretexto algum recuses o amor.

Não permaneças cerrado à sua voz.

Abre-te à sua mensagem, tornando-te dúctil ao seu conteúdo.

Evita considerar-te destituído de valores que possam despertar o sentimento do amor.

Para tanto, passa a amar.

Não tenhas pressa em colher os frutos da sementeira da tua doação afetiva, eliminando os interesses imediatistas e servis que tipificam essa fase de busca e de oferta.

Sê simples e compreensivo.

Considera que sempre há tempo para plantar e tempo para colher.

Desse modo, não aneles por uma colheita antes da ensementação.

Desfaze-te do pessimismo e da amargura, da inveja e do ressentimento em relação às demais pessoas.

Nada é como parece. Aqueles que se te apresentam risonhos, ditosos e plenos, muitas vezes encontram-se experienciando testemunhos difíceis, aflições não reveladas, necessidades várias...

Não são dissimuladores, somente estão tentando não deixar que os problemas angustiantes deles retirem a oportunidade de crescimento e de libertação das suas garras.

São lutadores a caminho do êxito, são nautas corajosos atravessando mares de pélagos violentos.

Assim sendo, não te permitas queixas e censuras, porque não te sintas amado ou porque tenhas dificuldades em amar com abnegação.

O amor verdadeiro não é possessivo, não pretende tomar nada nem submeter a ninguém.

É como um rio generoso que flui suas águas na direção do mar que, mesmo distante, constitui-lhe a meta a alcançar, não importando quando isso venha a acontecer.

Na tradição indiana, desde priscas eras, canta-se a frase: Leva-me à outra margem...

Assim apelam vendedores, condutores, cancioneiros, pastores...

A outra margem da vida é a imortalidade, a continuidade do existir, que as experiências conduzem de um para outro lado vibratório do processo evolutivo.

O amor é o missionário que sempre se encarrega de levar aqueles que se deixam transportar pela sua canção.

A mensagem de que é portador não se encontra no mercado ou em farmácias especializadas. Está no imo do coração, bastando, somente, que a pessoa a busque silenciosamente e a exteriorize.

De sublime constituição, mais beneficia aquele que o oferta, que propriamente aquele que
o recebe.

É qual perfume que permanece nas mãos que o brindam, como sucede com todo aquele
que doa rosas.

Faze-te amante do amor e verificarás o rumo ditoso que tomará a tua existência.

O amor é tão fundamental que se pode sobreviver por um expressivo período sem pão e mesmo sem água, mas sem ele a vida desfalece e perde o seu significado, logo perecendo.

Quando Jesus tomou como base da Sua mensagem o amor, o mundo renovou-se de um para outro momento, diferente esperança tomou conta das multidões, novos horizontes foram traçados para a humanidade...

Embora ainda não esteja sendo vivenciado, é como um sol que aquece as vidas enregeladas nos descaminhos das paixões e dos sofrimentos, oferecendo certeza de amparo e de bênçãos.

Portanto, em qualquer situação existencial, o amor é sempre de fundamental importância.


Joanna de Ângelis











domingo, 24 de maio de 2026

Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 7 - Antes do berço

    

Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 7


Antes do berço


Antes do berço, quase sempre, conhece a alma humana, plenamente desperta, grande parte dos débitos que lhe induzem o coração a remergulhar nas forças do Plano Físico.

Muitas vezes, com o auxílio dos benfeitores que lhe endossam as novas experiências, contempla o quadro de provações em que testemunhará humildade e renúncia.

Muitos candidatos ao recomeço da aprendizagem na Terra, em semelhantes visões do limiar, tremem e choram, debatendo-se em clamoroso receio, acovardados à última hora, quando já não podem recuar nas decisões assumidas.

É então que o afeto dos pais lhes confere doce refúgio.

No clima nutriente do lar, aquietam as próprias ânsias, refazendo-se à luz do entendimento e da prece, para combate consigo mesmo na estrada redentora.

Entretanto, se pais e mães, nessa hora, surgem moralmente inabilitados, entre a indiferença e a discórdia, desajustes e enfermidades poderão sobrevir na grande passagem, porquanto o aborto e o desequilíbrio aparecerão, aflitivos, sobrecarregando o nascituro de pesados gravames que, em muitas ocasiões, só a morte inesperada conseguirá reprimir.

Pais amigos, guardai convosco, ante o berço terrestre, a oração e o carinho, a caridade e a paz, porque sois responsáveis, na luz da reencarnação, por aquele que volta, em nome do Senhor, a rogar-vos abrigo, a fim de burilar-se e servir, ofertando-vos, ao mesmo tempo, as mais nobres oportunidades de elevação!…


Emmanuel









Joanna de Ângelis - Livro Jesus e Vida - Divaldo Pereira Franco - Cap. 15 - Oração a São Francisco



Joanna de Ângelis - Livro Jesus e Vida - Divaldo Pereira Franco - Cap. 15


Oração a São Francisco


Pai Francisco!

Há muitos anos, poucos anos, naquele dia de outubro de 1226, qual falena de luz, abandonaste a lagarta inerte sobre o solo para voares na direção do zimbório infinito, aureolado de luz.

Havias pedido anteriormente que te despissem o corpo quando a Irmã Morte se te acercasse, e que te colocassem no pó da Irmã Terra, logo alando-te na direção do Amado como um raio de luz que desapareceu no azul do infinito...

Encerrava-se, naquele momento, o divino périplo da tua missão terrestre em corpo físico.

Fazia pouco, tornaste o lobo de Gúbio um doce cordeiro.

Lograste silenciar a sinfonia dos pássaros para que não perturbassem o teu canto louvando o Senhor.

Colocaste mel nas colmeias vazias pelo rigoroso verão, para que as Irmãs Abelhas continuassem zumbindo, alimentando-se, fabricando cera, vivendo...

Lavaste a lepra em muitos corpos e experimentaste os estigmas em êxtase incomparável.

A cada sofrimento que te afligia, entoavas um hino de louvor e, a cada provação experimentada, uma canção de reconhecimento a Deus.

A tua mensagem simples saiu de Assis para trazer de volta o amor e a humildade de Jesus.

No entanto, Pai Francisco, os teus legatários transformamos a tua mensagem em vão poder, em ilusão argentária e, embora a ternura com que a cantaste, repetimo-la entusiasmados, porém, com o coração em gelo, diferente do teu...

Agora, tanto tempo, em pouco tempo depois da tua sinfonia, rogamos que voltes à Terra para, novamente, balbuciar-nos a oração simples aos ouvidos dos nossos corações empedernidos e dos nossos frágeis sentimentos, de modo a reconquistarmos as forças para seguir-te a meiga voz e nos emocionarmos outra vez com o teu amor.

O mundo estertora, Pai Francisco!

Não se trata somente de lutas entre cidades que se digladiam, como nos teus dias, mas do terrível conflito entre os corações, gerando guerras de extermínio individual e generalizado.

Somente tu, Pai Francisco, podes, enternecendo-nos a ponto de darmo-nos as mãos, lobos e ovelhas que ainda somos, ao comando da tua voz bebermos juntos, no mesmo regato, por onde fluem as águas da misericórdia e do amor inefáveis.

Somente tu, Pai amoroso, consegues fazer que as rosas desabrochem voltadas para os lares em sombras, neles penetrando com o seu perfume especial.

Volta, Pai Francisco, tem misericórdia de nós, e conduze-nos à pequenina Porciúncula onde deixaste os teus despojos, naquele dia longínquo e próximo, de outubro de 1226, pois que todos necessitamos de ti!


Joanna de Ângelis









Mensagem psicofônica recebida na noite de 04 de outubro de 2006, na reunião mediúnica do Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.
 

sábado, 23 de maio de 2026

Emmanuel - Livro Astronautas do Além - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Prefácio - De outras dimensões



Emmanuel - Livro Astronautas do Além - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Prefácio


De outras dimensões


Leitor amigo.

Mensageiros de outras dimensões, aqui estamos nas páginas deste livro, de mãos entrelaçadas com os amigos corporificados na Terra, a fim de entregar-te ao coração fraterno os informes da vida que tumultua e brilha além da morte.

Tão só porque sejamos portadores de boas-novas, isso não quer dizer que estejamos em condições de angelitude.

Somos apenas teus irmãos, carregando o buril do aperfeiçoamento sobre nós mesmos e fitando novas luzes sem que essas mesmas luzes brotem puras de nós.

Caminhamos igualmente, qual te acontece, em demanda ao Mais Alto.

Ainda assim temos um privilégio: Tanto quanto sucede aos carteiros do mundo que te buscam o endereço entregando-te notícias de bênção e esperança, também nós, os viajores de outras estradas, alcançamos a porta de teu coração para dizer-te em palavras de paz que Deus é amor e luz em tudo quanto existe, que a morte é vida nova, que a justiça nos rege, que a dor nos aprimora, que o trabalho nos guia para além de nós mesmos, e que a alegria imperecível a todos nos espera, no infinito do Tempo e nas forças do Espaço, para sermos, um dia, na suprema união, plenamente imortais, ante o esplendor sem sombra da grandeza de Deus.


Emmanuel

Uberaba, 3 de outubro de 1973.









Nota: Por “outras dimensões” desejamos dizer “outros mundos”, compreendendo-se que a matéria pode variar ao infinito, em graus de densidade, em relação aos temas fundamentais do progresso e do burilamento do Espírito, de Plano a Plano da evolução ou de mundo para mundo. — Emmanuel.



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 123 - No pão espiritual



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 123


No pão espiritual


“Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: “amas-me?” e disse-lhe: “Senhor, tu sabes que eu te amo.” Jesus disse-lhes: “Apascenta as minhas ovelhas.” — (JOÃO, 21:17)

Assinalando a preocupação do Divino Pastor, em se dirigindo a Simão Pedro para recomendar-lhe as ovelhas, é importante observar que o Mestre não solicita qualquer atividade maravilhosa.

Não ordena que o apóstolo lhes converta os balidos em trechos de música.

Não determina se lhes transforme o pelo em fios de ouro.

Não aconselha se transfigure o redil em palácio.

Não exige se lhes conceda regime de exceção.

Não manda se lhes dê asas.

Roga simplesmente para que o apóstolo lhes administre alimento, a fim de que vivam e produzam para o bem geral, sem fugir aos preceitos do trabalho e sem abolir os ditames da evolução.

Certo, no entanto, o Excelso Condutor não sentia necessidade de advertir o companheiro quanto ao cuidado justo de não se adicionarem agentes tóxicos aos bebedouros e à forragem normal.

Assim também, no domínio das criaturas humanas.

Trabalhadores das ideias, chamados a nutrir o pensamento da multidão, em verdade, o Cristo não espera mudeis os vossos leitores e ouvintes em modelos de heroísmo e virtude. Conta com o vosso esforço correto para que a refeição do conhecimento superior seja distribuída com todos, aguardando, porém, que a mesa de vossas atitudes se mostre asseada e que o alimento de vossas palavras esteja limpo.


Emmanuel








(Reformador, novembro de 1962, p. 242)

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espirita Vol. II - João Nunes Maia - Cap. 31 - Os Espíritos são imateriais?



Miramez - Livro Filosofia Espirita Vol. II - João Nunes Maia - Cap. 31


Os Espíritos são imateriais?


82. Será certo dizer-se que os Espíritos são imateriais?

“Como se pode definir uma coisa, quando faltam termos de comparação e com uma linguagem deficiente? Pode um cego de nascença definir a luz? Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.”

A.K.: Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque, pela sua essência, diferem de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. Um povo de cegos careceria de termos para exprimir a luz e seus efeitos. O cego de nascença se julga capaz de todas as percepções pelo ouvido, pelo olfato, pelo paladar e pelo tato. Não compreende as idéias que só lhe poderiam ser dadas pelo sentido que lhe falta. Nós outros somos verdadeiros cegos com relação à essência dos seres sobre-humanos. Não os podemos definir senão por meio de comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço da imaginação. (O Livro dos Espíritos)


Os Espíritos, como criaturas divinas, são realidades, por terem sido criados; são almas nas quais despertam valores capazes de fazê-las sentir os atributos de Deus.

Os Espíritos são imateriais, pelo compacto da matéria que se conhece, no entanto, na profundidade do termo, eles passam a ser constituídos de matéria que escapa aos sentidos humanos, como no dizer de O Livro dos Espíritos: matéria quintessenciada. Dentro de sua pureza, esquece o estado primitivo, onde se pode ver e pegar, onde se manifesta em formas.

O Espírito não tem forma definida. Se podemos comparar, mesmo que seja com pálidas imagens, vamos dizer que ele é qual a água ou o vento, que toma a forma da vasilha ou do ambiente em que é colocado. No caso do Espírito superior, ele pode tomar a forma que desejar e o seu comando é a mente. Quanto às particularidades, ainda é cedo para que possamos conversar e entender. Por Isso é que podemos chamar o Espírito de ser incorpóreo, por não ter ele precisamente um corpo, como se entende as formas. A linguagem humana é fraca para se conversar sobre os assuntos do Espírito, mas, toda tentativa é válida, por se entender alguma coisa acerca de assuntos de relevância como este. Que Deus nos abençoe em todos os nossos esforços, que marcam um aprendizado de luz!

Recorremos sempre a imagens para melhor sermos entendidos, mesmo que sejam as mais simples. Vejamos a massa de trigo para o preparo do pão, no processo de fermentação! Assim é a matéria quintessenciada nas mãos do Criador. Antes, era um todo, depois, o próprio tempo a separou em individualidades que Deus achou conveniente, qual a massa que se transmuta em pães: individualizada, porém, carregando a mesma essência de vida e da vida maior. A massa fermentada destacada em pedaços vai ao forno quente, no sentido de tomar uma feição de alimento saudável. Assim é o Espírito individualizado: vai ao calor das bênçãos do Pai Celestial para que a razão se expanda no tempo e no espaço, garantindo a sua personalidade, que caminha para novas conquistas, conscientizando-se de tudo e sentindo a necessidade de libertação, conquistando a si mesmo e assistindo no palco da consciência ao desabrochar dos valores inerentes a sua própria vida.

O Espírito é uma luz diferenciada que acode as suas próprias necessidades, como ajuda aos seus irmãos de caminho, naquilo que o determinar. É uma chama divina consciente, mas, à qual ainda falta conhecer muitas coisas, no que se refere à sua própria existência. Pelo menos no estágio em que nos encontramos, há muitos mistérios a desvendar, no que tange ao Espírito.

Os Espíritos são imateriais pelo estado de matéria que se conhece, no entanto, tudo que existe nasceu da mesma fonte divina, e desse nascimento até ao Espírito, ocorreram diversas transmutações de todas as ordens, para que a luz maior irradiasse no centro da vida, e a harmonia se fizesse no seio da luz, obedecendo à vontade do Criador, como sendo um sol inteligente, filho de um sol maior.


Miramez











quinta-feira, 21 de maio de 2026

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Prefácio - Interpretação dos Textos Sagrados



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Prefácio


Interpretação dos Textos Sagrados


“Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.” — (2 PEDRO, 1.20)


Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Sua luz imperecível brilha sobre os milênios terrestres, como o Verbo do princípio, penetrando o mundo, há quase vinte séculos.

Lutas sanguinárias, guerras de extermínio, calamidades sociais não lhe modificaram um til nas palavras que se atualizam, cada vez mais, com a evolução multiforme da Terra. 

Tempestades de sangue e lágrimas nada mais fizeram que avivar-lhes a grandeza. 

Entretanto, sempre tardios no aproveitamento das oportunidades preciosas, muitas vezes, no curso das existências renovadas, temos desprezado o Caminho, indiferentes ante os patrimônios da Verdade e da Vida.

O Senhor, contudo, nunca nos deixou desamparados. Cada dia, reforma os títulos de tolerância para com as nossas dívidas; todavia, é de nosso próprio interesse levantar o padrão da vontade, estabelecer disciplinas para uso pessoal e reeducar a nós mesmos, ao contato do Mestre Divino. 

Ele é o Amigo Generoso, mas tantas vezes lhe olvidamos o conselho que somos suscetíveis de atingir obscuras zonas de adiamento indefinível de nossa iluminação interior para a vida eterna.

No propósito de valorizar o ensejo de serviço, organizamos este humilde trabalho interpretativo, sem qualquer pretensão a exegese.

Concatenamos apenas modesto conjunto de páginas soltas destinadas a meditações comuns.

Muitos amigos estranhar-nos-ão talvez a atitude, isolando versículos e conferindo-lhes cor independente do capítulo evangélico a que pertencem. 

Em certas passagens, extraímos daí somente frases pequeninas, proporcionando-lhes fisionomia especial e, em determinadas circunstâncias, as nossas considerações desvaliosas parecem contrariar as disposições do capítulo em que se inspiram.

Assim procedemos, porém, ponderando que, num colar de pérolas, cada qual tem valor específico e que, no imenso conjunto de ensinamentos da Boa Nova, cada conceito do Cristo ou de seus colaboradores diretos adapta-se a determinada situação do Espírito, nas estradas da vida. 

A lição do Mestre, além disso, não constitui tão somente um impositivo para os misteres da adoração. 

O Evangelho não se reduz a breviário para o genuflexório. É roteiro imprescindível para a legislação e administração, para o serviço e para a obediência. 

O Cristo não estabelece linhas divisórias entre o templo e a oficina. Toda a Terra é seu altar de oração e seu campo de trabalho ao mesmo tempo. 

Por louvá-lo nas igrejas e menoscabá-lo nas ruas é que temos naufragado mil vezes, por nossa própria culpa. Todos os lugares, portanto, podem ser consagrados ao serviço divino.

Muitos discípulos, nas várias escolas cristãs, entregaram-se a perquirições teológicas, transformando os ensinos do Senhor em relíquia morta dos altares de pedra; no entanto, espera o Cristo venhamos todos a converter-lhe o Evangelho de Amor e Sabedoria em companheiro da prece, em livro escolar no aprendizado de cada dia, em fonte inspiradora de nossas mais humildes ações no trabalho comum e em código de boas maneiras no intercâmbio fraternal.

Embora esclareça nossos singelos objetivos, noto, antecipadamente, ampla perplexidade nesse ou naquele grupo de crentes.

Que fazer? Temos imensas distâncias a vencer no Caminho, para adquirir a Verdade e a Vida na significação integral.

Compreendemos o respeito devido ao Cristo, mas, pela própria exemplificação do Mestre, sabemos que o labor do aprendiz fiel constitui-se de adoração e trabalho, de oração e esforço próprio.

Quanto ao mais, consola-nos reconhecer que os Textos Sagrados são dádivas do Pai a todos os seus filhos e, por isso mesmo, aqui nos reportamos às palavras sábias de Simão Pedro: “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.” 


Emmanuel










Pedro Leopoldo, 2 de setembro de 1948.

Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano