segunda-feira, 13 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Cartas do Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 40 - A retribuição



Emmanuel - Livro Cartas do Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 40


A retribuição


“Pedro disse-lhe: e nós que deixamos tudo e te seguimos, que receberemos?” — (MATEUS, 19:27)


A pergunta do apóstolo exprime a atitude de muitos corações nos templos religiosos.

Consagra-se o homem a determinado círculo de fé e clama, de imediato: — “que receberei?”

A resposta, porém, se derrama silenciosa, através da própria vida.

Que recebe o grão maduro, após a colheita?

O triturador que o ajuda a purificar-se.

Que prêmio se reserva à farinha alva e nobre?

O fermento que a transforma para a utilidade geral.

Que privilégio caracteriza o pão, depois do forno?

A graça de servir.

Não se formam cristãos para adornos vivos do mundo e sim para a ação regeneradora e santificante da existência.

Outrora, os servidores da realeza humana recebiam o espólio dos vencidos e, com ele, se rodeavam de gratificações de natureza física, com as quais abreviavam a própria morte.

Em Cristo, contudo, o quadro é diverso. Vencemos, em companhia d’Ele, para nos fazermos irmãos de quantos nos partilham a experiência, guardando a obrigação de ampará-los e ser-lhes úteis.

Simão Pedro, que desejou saber qual lhe seria a recompensa pela adesão à Boa Nova, viu, de perto, a necessidade da própria renúncia. 

Quanto mais se lhe acendrou a fé, maiores testemunhos de amor à Humanidade lhe foram requeridos. 

Quanto mais conhecimento adquiria, à mais ampla caridade foi constrangido, até o sacrifício extremo.

Se deixaste, pois, por devoção a Jesus, os laços que te prendiam às zonas inferiores da vida, recorda que, por felicidade tua, recebeste do Céu a honra de ajudar, a prerrogativa de entender e a glória de servir.


Emmanuel















Joanna de Ângelis - Livro Conflitos Existenciais - Divaldo Pereira Franco - Cap. 18 - Coragem - Desenvolvimento da força e da virtude da coragem



Joanna de Ângelis - Livro Conflitos Existenciais - Divaldo Pereira Franco - Cap. 18 - Coragem


Desenvolvimento da força e da virtude da coragem


A virtude da coragem tem lugar no momento em que o indivíduo liberta-se da proteção familiar, da segurança do lar, atravessando os diferentes períodos da adolescência e entrando na fase adulta, tendo que assumir responsabilidades.

Nesse período é inevitável a aquisição da autoconsciência, que deflui dos tentames contínuos para a identificação da própria realidade, para a conquista do Self, abandonando os artifícios e mecanismos de fuga da responsabilidade, de modo a suportar os enfrentamentos que se impõem necessários.

O desenvolvimento biológico nem sempre se faz acompanhar pelo crescimento psicológico, porquanto, muitas áreas da emoção permanecem dependentes das circunstâncias anteriores, do protecionismo recebido na família, dos pais e mais velhos que procuraram poupar das adversidades, dos conflitos, das lutas da evolução, o jovem em crescimento.

A coragem apresenta-se, nesse momento, equipando o ser em busca da realização pessoal, mediante a seleção de valores de que se deve munir para seguir no rumo das metas que elegerá na sucessão do tempo.

Atado a imposições sociais, educacionais, tradicionais, não raro perde-se em conflitos desnecessários, gerando comportamentos de medo, de ansiedade e de insegurança, que se tornam verdadeiras cadeias retentivas na retaguarda.

A autoconsciência ajuda a compreender que se torna necessário discernir para acertar, insistir para lograr êxito, trabalhar com afinco nos propósitos escolhidos, dispondo-se a errar e repetir a experiência, a perder a ingenuidade para adquirir a maturidade, a vivenciar decepções que nascem nas ilusões para compreender a realidade, mantendo a coragem de não desanimar, nem desistir, entregando-se à autocompaixão ou à depressão.

O desenvolvimento animal ocorre através de períodos sucessivos, tais como a infância, a adolescência ou juventude, a idade adulta, a velhice e a morte.

Todas essas etapas fazem parte do esquema biológico normal e natural do processo vital.

Passa-se de um para outro estágio biologicamente, mas nem sempre com o amadurecimento psicológico correspondente, que deveria acompanhar a nova aquisição, por isso mesmo facultando que se instalem inquietações e desalentos que se podem tornar patológicos.

Necessário coragem para analisar com tranquilidade cada fase da existência física, como parte do processo de crescimento inevitável que culmina na morte orgânica, incapaz de extinguir a vida.

Essencialmente imortal, o Espírito é o ser integral, que desenvolve do germe divino que traz latente, para utilização no transcurso das reencarnações, aprimorando-se sempre em cada etapa vitoriosa, em cujo curso apresentam-se os valores nobres que o exornarão mais tarde, quando superados os períodos mais difíceis.

Nesse processo de evolução, a coragem assume diferentes aspectos, proporcionando relacionamentos saudáveis que são indispensáveis para o desiderato feliz.

Todos necessitam de coragem fraternal para a convivência, resultando em vínculos de amizade profunda, capazes de resistir às agressões e discordâncias que, comumente, têm lugar nos comportamentos humanos.

Insistir nos bons sentimentos da amizade, na procura dos relacionamentos afetivos na área do amor sexual, livrando-se dos conflitos de qualquer natureza, com a coragem de autossuperação, constitui uma das metas a alcançar na busca da saúde plena.

Dispondo-se ao crescimento interior e à realização social e familiar, nos negócios e nos empreendimentos profissionais, o indivíduo necessita dessa coragem dinâmica, criativa e fortalecedora que não esmorece diante do aparente fracasso, por entender que toda conquista é portadora de um preço específico.

A coragem é um ato, portanto, de bravura moral, virtude que deve acompanhar o sentimento humano, em vez do marasmo ante decisões ou diante da acomodação ao que já foi conseguido, da satisfação infantil pelo que se logrou, quando os horizontes mais se ampliam na direção do futuro, à medida que se avança.

Necessário separar o heroísmo da coragem real, porquanto as circunstâncias e o momento podem influir para que sejam consumados atos especiais e grandiosos, enquanto o desafio mais constante é de natureza interna como forma permanente de conduta emocional.

Eis por que nunca se deve alguém acovardar diante dos enfrentamentos, que são a fonte estimuladora do crescimento espiritual.

O ser humano possui reservas de força moral quase inconcebíveis, desde que estimuladas pelas ocorrências.

Verdadeiros pigmeus culturais e sociais podem alcançar níveis elevados de coragem, enquanto indivíduos de alta envergadura intelectual e social preferem mergulhar nos abismos do medo e da depressão, quando convidados às decisões e aos labores contínuos.

A aparência em que se transita nem sempre revela o grau de moralidade pessoal e de valor espiritual de que se é portador.

Por isso mesmo, a coragem é o estímulo para que desabrochem os valores que dignificam e produzem a autorrealização.

A coragem pode assumir também outro delicado e sutil aspecto no comportamento humano, qual seja, criar, oferecendo beleza através da arte, da cultura, da religião, da bondade, da solidariedade.

Vivendo-se numa sociedade que se caracteriza pelo isolacionismo, pelo egoísmo, que prefere o interesse imediato, a troca de favores, é natural que alguém rompa o condicionamento e tenha a coragem de ser diferente, desenvolvendo o gênio criativo e o sentimento de compaixão pela ignorância, solidarizando-se com a vida e com todos os seres sencientes.

Quando falta essa virtude no indivíduo, que parece haver-se cansado de trabalhar em favor dos ideais e da construção do grupo social melhor, pode-se considerar que essa conduta se firma numa acomodação covarde ante os impositivos do progresso.

Sentindo-se compensado pela vida, avançado na idade, considerando a proximidade da morte, não sente mais interesse em ampliar as possibilidades de felicidade geral, derrapando no obscurantismo, na indiferença, deixando de viver plenamente, porque elegeu apenas o momento que passa.

A coragem de lutar não espera compensação de qualquer natureza.

Mesmo quando a morte do corpo se aproxima, o homem e a mulher de coragem prosseguem na sua faina de oferecer exemplos e contribuições que felicitam aqueles que vêm na retaguarda, e avançam confiantes na contribuição daqueles que os precedem pelos caminhos da inteligência e do sentimento.

Coragem é mais que destemor ante perigos, é a conquista da autoconsciência que faculta a segurança nas possibilidades e nos meios valiosos de prosseguir na conquista de si mesmo.


Joanna de Ângelis













domingo, 12 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Rumo Certo - Chico Xavier - Cap. 25 - Credores sempre



Emmanuel - Livro Rumo Certo - Chico Xavier - Cap. 25


Credores sempre


"Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma dilatada vida sobre a terra, que o Senhor teu Deus te há de dar." (Êxodo, 20:12)

Pais e mães — dois vínculos de amor — na experiência terrestre que não se podem esquecer sem perpetrar ingratidão.

São eles que se esquecem para que os filhos — Espíritos reencarnantes no mundo — deles faça berço e ninho, apoio e teto; que se arrancam das gratificações dos sentidos para sacrifício e abnegação, a fim de que os próprios rebentos não sofram carência de proteção notadamente no difícil período de adaptação, a que denominamos “infância”; que formam o lar e sustentam-no por base do aperfeiçoamento e do progresso; que garantem aos filhos a certidão de presença na Terra, doando-lhes o nome e a localização social de que necessitam.

Existem na Terra os que asseguram que a comunhão afetiva entre duas criaturas é incompatível com os serviços de fraternidade e elevação, sem se recordarem de que dispõem de um corpo em favor da própria evolução, à custa de pai e mãe que se puseram a servi-los, através da comunhão afetiva, cujo valor pretendem desconhecer.

Que se corrijam as manifestações poligâmicas, em nome do amor, é providência justa; entretanto, condenar a ligação afetiva, entre os seres que sabem honrar os compromissos que assumem e da qual se derivam todas as civilizações existentes no planeta, seria renegar a fonte da própria vida, que nos empresta a vida na Terra, em nome de Deus.

Pais e mães, como forem e onde estiverem, são e serão sempre credores respeitáveis nos domínios da existência, principalmente para quantos se lhes erigem na condição de filhos e descendentes.

Decerto que os filhos nem sempre se harmonizam com os pais nos ideais que abraçam, como também nem sempre os pais se harmonizam com os filhos, nos propósitos a que se afeiçoam, — de vez que no campo da alma cada Espírito é um mundo por si; — no entanto, é tão significativa a função dos progenitores, nas lides terrenas, que a voz do Mundo Maior, ouvida por Moisés, no lançamento das Leis Divinas incluiu, entre os itens mais importantes para a felicidade do homem na Terra, a legenda inesquecível — “honrarás pai e mãe”.


Emmanuel











sábado, 11 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 130 - Amai-vos



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 130


Amai-vos


“Não amemos de palavra, nem de língua, mas por obras e em verdade.” — JOÃO (1 João, 3.18)


Por norma de fraternidade pura e sincera, recomenda a Palavra Divina: “Amai-vos uns aos outros.” 

Não determina seleções.

Não exalta conveniências.

Não impõe condicionais.

Não desfavorece os infelizes.

Não menoscaba os fracos.

Não faz privilégios.

Não pede o afastamento dos maus.

Não desconsidera os filhos do lar alheio.

Não destaca a parentela consanguínea.

Não menospreza os adversários.

E o apóstolo acrescenta — “Não amemos de palavra, mas através das obras, com todo o fervor do coração”.

O Universo é o nosso domicílio. A Humanidade é a nossa família.

Aproximemo-nos dos piores, para ajudar. 

Aproximemo-nos dos melhores, para aprender.

Amarmo-nos, servindo uns aos outros, não de boca, mas de coração, constitui para nós todos o glorioso caminho de ascensão.



Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 10 - A vida e a morte - A vida harmônica



Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 10 - A vida e a morte


A vida harmônica


"Levantou-se pois, e foi buscar a seu pai. E quando ele ainda vinha longe seu pai o viu e moveu-se de compaixão, e correndo, lançou-lhe os braços ao pescoço para o abraçar, e o beijou." (LUCAS, 15:20) 


Genericamente, alguns biólogos definem a vida como o fenômeno que anima a matéria.

A referência à vida humana, que abrange o período da fecundação até o da desencarnação, mediante o qual o Espírito toma a matéria e a abandona, é caracterizado pela presença da energia pensante.

A vida encontra-se estuante em toda parte, seja no campo da estrutura molecular como naquele que se expressa em outra dimensão - a de natureza espiritual.

A vida humana, entretanto, é a transitória existência corporal, através da qual se processam os mecanismos da evolução física, psíquica, emocional e espiritual, seguindo a fatalidade da perfeição relativa que a todos se encontra destinada.

A morte, no ser humano, por sua vez, é a cessação dos fenômenos orgânicos, a degeneração do tronco encefálico, abrindo espaço à desencarnação, que constitui a liberação total do Espírito em relação à estrutura material. Por isso, nem sempre morrer é desencarnar, considerando-se que constitui um expressivo número, o daqueles que se mantêm apegados aos despojos materiais, após a ocorrência da morte, na vã expectativa de trazê-los de volta à vitalidade.

Vivenciando uma existência sensualista, assinalada pelo egoísmo e pelas suas expressões mais vis, o acontecimento que produz a morte orgânica de forma alguma libera o princípio inteligente da vestidura que lhe facultou o gozo e as sensações exorbitantes.

Fixado nos equipamentos de que se utilizou, o fenômeno mortis não proporciona de imediato a identificação da mudança de plano vibratório em que se encontra, em razão da continuidade das percepções orgânicas, apresentando-se como impressões vigorosas que transmitem a ideia de que nada se modificou.

Lentamente, porém, à medida que ocorre a transformação e a desintegração dos despojos, o ser real é assaltado pelo pavor e aturde-se na ignorância em que se manteve de referência à realidade além do campo sensorial.

Essa perturbação prolonga-se por tempo indeterminado, variando de um para outro indivíduo, conforme o nível de consciência que lhe é próprio.

O Self em reestruturação após o desenlace dos complexos equipamentos celulares, das combinações químicas eletroeletrônicas do cérebro, prossegue dominado pelo imperativo do ego que o manteve encarcerado na sombra das paixões servis, dando-lhe a falsa ideia de que tudo prossegue em regime de similitude, embora o sucesso que teve lugar...

De outra maneira, quando se viveu dentro dos padrões éticos estabelecidos, mantendo-se respeito pela existência, utilizando-se da roupagem carnal de maneira sóbria, edificante e construtiva, experiencia-se, desde cedo, um natural desapego pela mesma, como consequência da visão espiritualista que se possui da vida. Tendo-se em mente que tudo é transitório no mundo físico, e que o corpo é somente um instrumento para a evolução, ama-se a organização material, consciente, porém, da sua relatividade, da sua destrutibilidade pela morte.

Os fenômenos biológicos são recursos preciosos para que o Espírito adquira a consciência de Si-mesmo, ampliando a sua capacidade de entendimento intelectomoral das coisas e da realidade em que se encontra. Tendo como objetivos imediatos a saúde e o bem-estar, opera em todas as circunstâncias de maneira a evitar comprometimento desequilibrante, dando-se conta de que a sua felicidade está vinculada aos fatores ambientais e humanos, que também devem participar do mesmo empreendimento ditoso.

Para que o tentame seja alcançado, o Self identifica os alvos estabelecidos, empenhando-se no esforço pela harmonização dos arquétipos perturbadores e desenvolvimento das faculdades que se lhe encontram em germe, em estado de adormecimento. Trata-se do empenho pelo autodescobrimento, pela autoiluminação, pela superação das heranças ancestrais geradoras de inquietação e sofrimento.

Como o sofrimento se encontra presente em todas as fases do desenvolvimento do ser, por tratar-se de um fenômeno natural, ora por desgaste biológico, ora por ocasionar o sofrimento do sofrimento, vezes outras por impermanência, impõe-se a atitude estoica de aceitá-lo jovialmente como processo de percurso inevitável, do qual resultam inúmeras conquistas, quais o amadurecimento psicológico, a visão da solidariedade em relação aos seres sencientes - vegetais, animais e humanos - em cujo grupo se encontra.

A consciência dessa transitoriedade da matéria proporciona ao Self a eleição dos cometimentos edificantes, aqueles que não geram culpa nem arrependimento, proporcionando a vida harmônica em ideal identificação com tudo e com todos.

Trata-se, sem dúvida, de um grande esforço a ser desenvolvido. No entanto, a pérola que reflete a luz das estrelas é arrancada dos abismos em que se desenvolve no molusco que a retém como mecanismo de autodefesa, ou como a estátua de rara beleza que estava oculta na pedra grosseira ou no metal sujo e informe...

A existência humana é um desafio gigantesco no processo ontológico da evolução. Por mais se queira, ninguém é capaz de evitar os impositivos em que se expressa. Por isso mesmo, o pensamento ético estabeleceu diretrizes de segurança para que sejam logrados os objetivos da saúde e da tranquilidade, do bem-estar e da alegria de viver.

Aprofundando a sonda na complexidade do ser humano, a psicologia analítica oferece valiosos recursos para a autoidentificação, para a descoberta dos limites e das possibilidades inimaginadas, para a construção da plenitude, libertando o paciente de todo grilhão retentivo na ignorância, na enfermidade, nos transtornos de comportamento...

Quando o indivíduo puder olhar-se com serenidade, sem culpa nascida no passado, sem saudades dele ou ansiedades pelo futuro, na expectativa do vir-a-ser, nada obstante os conflitos que lhe permaneçam, terá conseguido avançar decisivamente no rumo da autorrealização, portanto, de uma vida harmônica. Essa conquista não impede a luta contínua, porque a evolução não tem limite, e quanto mais se adquire conhecimento mais se ampliam os horizontes do saber e as indagações em torno do existir, do Cosmo, da vida em si mesma.

Para o êxito desse cometimento, a autoterapia do amor e do sentimento de dever contribui para o prosseguimento do esforço de crescimento interior, de realização enobrecida, de harmonia, desaguando no estado numinoso.

O ser numinoso exala equilíbrio, segurança, autoconquista. Transforma-se em um polo de atração que beneficia todos aqueles que se lhe acercam, porque a sua exteriorização é benéfica e enriquecedora.

De igual maneira, o indivíduo voluptuoso, vulgar, insensato, mesmo que se apresentando bem-vestido e com a persona bem trabalhada, cuidadosamente maquilada para a vida social, exterioriza o bafio pestilencial do seu estado interior. Basta uma aproximação, um contato, para que se sinta o perigo do contágio da sua condição moral e espiritual. Logo ocorre uma falta de empatia entre aquele que é saudável e o enfermo, produzindo fenômenos psicológicos de antipatia e distanciamento.

Cada qual é aquilo que cultiva interiormente, suas aspirações e pensamentos, seus cuidados ou desastres emocionais, não podendo ocultá-los de tal forma que psiquicamente os mesmos não se manifestem.

Nesse capítulo, pode-se inferir que as existências pregressas impuseram o seu selo representativo da conduta que cada qual se permitiu.

É comum ouvir-se dizer que os discípulos de determinados mestres iogues asserenam-se junto deles, sem necessidade de qualquer verbalização... O mesmo ocorre com muitos pacientes quando chegam os seus médicos, enfermeiros ou assistentes, sendo generalizada a ocorrência em relação às pessoas portadoras de sentimentos elevados que produzem alegria e geram harmonia a sua volta.

De igual maneira, aqueles que são temperamentos rebeldes, instáveis, comportamentos doentios, sentimentos avaros e mesquinhos, turbulentos e perversos, fazem-se identificar facilmente, mesmo que o não queiram, sem qualquer manifestação exterior.

O ser psíquico moral é o verdadeiro indivíduo.

A nobre tarefa da psicoterapia é trabalhar esse Self que centraliza todas as atenções e cuidados, nele descobrindo os registros das aflições defluentes das experiências malogradas, dos comprometimentos desastrosos, do que poderia haver realizado de meritório e ficou na expectativa...

Onde se encontre o enfermo psicológico ou físico, ou mental, aí está a totalidade dos seus atos em reencarnações anteriores agora refletidos na conduta angustiosa ou aflitiva que o aturde.

Imprescindível trabalhar-lhe o inconsciente coletivo, buscando os arquétipos portadores de desintegração e sofrimento que nele ressumam com frequência.

Os primeiros passos para a conquista da vida harmoniosa, são aqueles que liberam o despertar da consciência de si, ao lado da responsabilidade assumida em favor das mudanças que se fazem necessárias na ementa existencial.

Desmascarar a ignorância e diluir a sombra onde quer que se refugiem, constituem o segundo passo de lucidez para alcançar-se o objetivo anelado.

Assumindo facetas desculpistas, ensejando processos de transferência de responsabilidade, o ego engenhoso e insubordinado procura sempre manter-se no comando, disfarçando a aparência e mantendo os conteúdos doentios.

Outras terapias, denominadas alternativas, também são muito úteis para a conquista dessa vida harmônica sempre buscada.

Desde os procedimentos de cromoterapia, como os de massoterapia, os de meditação e ioga para atingir o moksha, os de fluidoterapia especialmente através dos passes e outros tantos valiosos recursos à disposição dos interessados, o importante é alcançar a individuação, a sukha...

Muitos outros indivíduos, entretanto, preferem ficar vitimados pela síndrome do mundo cruel, conforme a denominam os sociólogos, em face da alta carga de informações negativas, de desastres e infortúnios de que são vítimas, informando a impossibilidade de as superar ou pelo menos digeri-las mentalmente.

Sem dúvida, é um disfarce para evitar assumir a responsabilidade pelo que está ocorrendo no mundo, porquanto, ao lado das misérias e vicissitudes, também se encontram os exemplos de dignificação e sacrifício de verdadeiras multidões que permanecem no anonimato ou se tornam conhecidas, sem darem importância ao lado infeccioso da sociedade, que se apresenta em forma de doença pandémica e constante.

A predominância dos bons e dos portadores de sentimentos elevados proporciona à vida uma paisagem de esperança e de significação, qual um amanhecer de bonança após a violência da tormenta.

A aquisição, portanto, de uma vida harmônica, está na dependência da eleição que cada um faz em torno dos objetivos existenciais, sendo factível anelá-la e trabalhar por conquistá-la.

...E o filho pródigo voltou para os braços paternos...


Joanna de Ângelis














sexta-feira, 10 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 80 - O “não” e a luta



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 80


O “não” e a luta


“Mas seja o vosso falar: sim, sim; não, não.” — JESUS. (Mateus, 5:37)


Ama, de acordo com as lições do Evangelho, mas não permitas que o teu amor se converta em grilhão, impedindo-te a marcha para a vida superior.

Ajuda a quantos necessitam de tua cooperação, entretanto, não deixes que o teu amparo possa criar perturbações e vícios para o caminho alheio.

Atende com alegria ao que te pede um favor, contudo não cedas à leviandade e à insensatez.

Abre portas de acesso ao bem-estar aos que te cercam, mas não olvides a educação dos companheiros para a felicidade real.

Cultiva a delicadeza e a cordialidade, no entanto, sê leal e sincero em tuas atitudes.

O “sim” pode ser muito agradável em todas as situações, todavia, o “não”, em determinados setores da luta humana, é mais construtivo.

Satisfazer a todas as requisições do caminho é perder tempo e, por vezes, a própria vida.

Tanto quanto o “sim” deve ser pronunciado sem incenso bajulatório, o “não” deve ser dito sem aspereza.

Muita vez, é preciso contrariar para que o auxílio legítimo se não perca; urge reconhecer, porém, que a negativa salutar jamais perturba. O que dilacera é o tom contundente no qual é vazada.

As maneiras, na maior parte das ocasiões, dizem mais que as palavras.

“Seja o vosso falar: sim, sim; não, não”, recomenda o Evangelho. Para concordar ou recusar, todavia, ninguém precisa ser de mel ou de fel. Bastará lembrarmos que Jesus é o Mestre e o Senhor não só pelo que faz, mas também pelo que deixa de fazer.


Emmanuel











Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 35 - O Cristo operante



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 35


O Cristo operante


“Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios.” — PAULO. (Gálatas, 2:8)


A vaidade humana sempre guardou a pretensão de manter o Cristo nos círculos do sectarismo religioso, mas Jesus prossegue operando em toda parte onde medre o princípio do bem.

Dentro de todas as linhas de evolução terrestre, entre santuários e academias, movimentam-se os adventícios inquietos, os falsos crentes e os fanáticos infelizes que acendem a fogueira da opinião e sustentam-na. Entre eles, todavia, surgem os homens da fé viva, que se convertem nos sagrados veículos de Cristo operante.

Simão Pedro centralizou todos os trabalhos do Evangelho nascente, reajustando aspirações do povo escolhido.

Paulo de Tarso foi poderoso ímã para a renovação da gentilidade.

Através de ambos expressava-se o mesmo Mestre, com um só objetivo — o aperfeiçoamento do homem para o Reino Divino.

É tempo de reconhecer-se a luz dessas eternas verdades.

Jesus permanece trabalhando e sua bondade infinita se revela em todos os setores em que o amor esteja erguido à conta de supremo ideal.

Ninguém se prenda ao domínio das queixas injustas, encarando os discípulos sinceros e devotados por detentores de privilégios divinos. 

Cada aprendiz se esforce por criar no coração a atmosfera propícia às manifestações do Senhor e de seus emissários. 

Trabalha, estuda, serve e ajuda sempre, em busca das Esferas superiores, e sentirás o Cristo operante ao teu lado, nas relações de cada dia.


Emmanuel