quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Hammed - Livro Os Prazeres da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 8 - Liberdade



Hammed - Livro Os Prazeres da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 8


Liberdade


A liberdade, como todas as demais conquistas da alma, só será alcançada verdadeiramente se por compartilhada com os outros.

François Marie Arouet, dito Voltaire, poeta e escritor francês do século XVIII, escreveu: "O prazer pela liberdade aumenta à medida que dela se desfruta". O Criador, que nos concedeu a vida, deu-nos ao mesmo tempo a liberdade. O que levou Paulo de Tarso a proclamar: "É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão"[1] 

A rigidez mental é uma das formas mais corriqueiras de atrair o sofrimento. Mudança é um mecanismo espiritual através do qual Deus assegura a evolução. Quem não evolui fica paralisado, desenvolvendo um verdadeiro entorpecimento interior.

Para transformarmos a vida para melhor, temos que começar a nos mudar por dentro. E, para tanto, precisamos inicialmente desfazer os diversos conceitos equivocados que nos foram transmitidos de forma não-intencional pelos nossos pais, avós, amigos, professores, ou até mesmo pela literatura de diversas correntes de pensamento científico, filosófico e religioso. Talvez estejamos tão rijos intimamente que sentiremos dificuldade em dar os primeiros passos rumo à liberdade, mas, com determinação e com o passar do tempo, tomaremos consciência cada vez mais de como é agradável e realizadora a mudança interior; aí tudo se tornará mais fácil.

Quando nos desfazemos das crenças inadequadas, morre em nós tudo aquilo que é velho, e passamos a reformular ou remodelar novos caminhos, dinamizando a casa mental e ampliando o universo pessoal. Quer aceitemos ou não, o mundo está progredindo. A Natureza está em constante evolução, por isso temos necessidade de fazer uma constante autobservação dos nossos valores, ideias e crenças. 

Existem muitas pessoas que dizem: "Meus pais sempre pensaram e agiram dessa forma, portanto eu também penso e ajo igualmente". Outros afirmam: "Minha família sempre abraçou esses conceitos; ora, por que eu haveria de trocá-los?"

É óbvio que nós não estamos aqui querendo induzir as criaturas a desprezar as memórias, os ensinos ou as experiências familiares, mas é preciso que entendamos que o mundo progride e, em decorrência disso, muitas coisas se modificam em nossa existência. Queiramos ou não, a mudança gera sempre um desafio existencial.

Mesmo que optemos por ficar estagnados à margem da estrada, isso de nada nos adianta, porque a vida está em constante movimentação, nos impulsionando de maneira natural e invariável. Ainda que não vejamos o avanço e o desenvolvimento fluírem no momento presente, ainda assim estaremos todos marchando sob o influxo da divina lei do progresso.

Kardec, o sistematizador dos ensinos espíritas, questiona as Entidades Benevolentes: "Não há homens que entravam o progresso de boa-fé, crendo favorecê-lo porque o vêem do seu ponto de vista e, frequentemente, onde ele não está?'. E os Benfeitores, sob a direção do Espírito de Verdade, respondem: "Pequena colocada sob a roda de uma grande viatura e que não a impede de avançar". (Questão 782 - O Livro dos Espíritos).

O professor Rivail comenta na questão 781 de O Livro dos Espíritos que: "O progresso, sendo uma condição da natureza humana, não está ao alcance de ninguém a ele se opor. É uma força viva que as más leis podem retardar, mas não sufocar".

Lutar contra o curso da evolução é como querer segurar com as mãos as ondas do mar. A paralisação existencial dificulta a liberdade e gera tristeza. A rotina produz angústia e depressão, por isso todos somos convidados a nos reformular emocionalmente e a procurar novos conhecimentos filosóficos, religiosos e científicos, para que possamos manter nosso equilíbrio existencial.

Será que o que nós temos como verdade é a verdade mesmo? Estamos nos sentindo bem? Estamos realmente animados e felizes? De repente podemos estar presos a determinados contextos e ainda não nos apercebemos de que precisamos modificar nosso modo de ver a vida. Necessitamos livrar-nos de hábitos antigos e indesejáveis, que são a causa principal do desconforto em que vivemos.

A lei do progresso é universal, mas age de forma individual em cada um de nós. Se alguns progridem mais rapidamente do que outros é porque estão desfrutando uma nova visão, estão desenvolvendo uma imagem positiva de si mesmos e das demais pessoas. Com isso, conseguem desatar as algemas que os deixam chumbados ao "solo da mesmice".

A vida é um processo maravilhosamente ilimitado; entretanto, ainda há — e não são poucos - os que enxergam a existência de forma afunilada, como se estivessem vivendo na época de Moisés ou na Idade Média. É preciso que nos ajustemos às descobertas da ciência, pois ela está inteiramente interligada com a religião. Tudo vem de Deus, inclusive o mundo científico.

Liberdade é um direito natural, faz parte de nossa herança divina, e, para crescermos, devemos usá-la sempre que necessário. Eis algumas perguntas que podemos fazer a nós mesmos para identificarmos nossas crenças e valores, positivos ou não, e como eles afetam a nossa vida diária:

• Qual o grau de influência da opinião alheia sobre meus atos e atitudes?

• Quais crenças cooperam para meu bem-estar interior?

• O que me dificulta ter suficiente autonomia para tomar minhas próprias decisões?

•O que me impede de desfrutar uma vida plena?

•Por que costumo fingir para agradar aos outros?

• Qual a razão de manter minha reputação alicerçada em um modelo exemplar?

• Meus conceitos facilitam autoconfiança?

Na realidade, o livre-arbítrio - liberdade de agir e de pensar - nos concede o poder de mudar nossas idéias, nossos modelos, concepções ou pensamentos, e de optar por crenças mais apropriadas ou favoráveis ao desenvolvimento de uma nova concepção do universo interior e exterior.

A liberdade, como todas as demais conquistas da alma, só será alcançada verdadeiramente se for compartilhada com os outros.

A liberdade é, na ciência, a experimentação e o raciocínio; na filosofia, o bom senso e a sensatez; na religião, o discernimento e a naturalidade; na arte, a originalidade e a inspiração; na sociedade, a igualdade e a solidariedade.

O estado de liberdade da criatura é proporcional ao seu grau de amadurecimento espiritual.

O indivíduo liberto, mais que idéias ou ideais, escolhe os autênticos valores da alma, porque reconhece que estes orientam sua vida com lucidez, discernimento e ânimo.

Possui uma excelente sociabilidade, produto de sua maturidade interior, manifestada na família, no trabalho, nos grupos de amizade e de atividade religiosa; enfim, em todos os setores de sua vida comunitária.

Considera e valoriza as orientações ou sugestões dos outros (cônjuges, pais, filhos, amigos, educadores, companheiros, etc...), porque acredita que eles podem iluminar suas opções existenciais, mas nem por isso perde a autonomia de agir e pensar livremente. Sempre pondera e nunca julga de modo precipitado as experiências alheias; antes as observa e as confronta com as suas e, por fim, as assimila ou as rechaça total ou parcialmente.

Quem é livre desfruta uma atmosfera fluídica que facilita um progressivo desenvolvimento espiritual.

Não se considera indefeso, mas sim companheiro de viagem de outros seres humanos, pois sabe que a qualquer momento poderá refazer as cláusulas do "contrato" de sua existência.

Allan Kardec indagou, em O Livro dos Espíritos: "O homem tem o livre-arbítrio dos seus atos?'; e "O homem goza do livre-arbítrio desde o seu nascimento?" E os informantes da Vida Maior deram respectivamente os seguintes esclarecimentos: "Visto que ele tem a liberdade de pensar, tem a de agir. Sem livre-arbítrio o homem seria uma máquina"; e "Há liberdade de agir desde que haja liberdade de fazer. Nos primeiros tempos da vida a liberdade é quase nula; ela se desenvolve e muda de objeto com as faculdades".

Ao longo da História, a liberdade de expressão sempre foi e será a condição essencial encontrada na estrutura psicológica de todos os homens sábios e livres. Esses indivíduos aliaram o livre-arbítrio à reflexão, a fim de escolherem decisões, palavras ou atos que não ultrapassassem os seus direitos ou os dos outros.

Uma das maiores batalhas que temos que enfrentar é a de abrir mão da compulsão de estar constantemente desconfiando de tudo e de todos

Para estar em plena liberdade, precisamos nos soltar, fluir pelos ritmos da vida. Muitas vezes, é no "ato de perder" que encontramos a razão da própria existência.

No exercício do livre-arbítrio, será sempre bem-vinda a legitimidade da inquirição ou indagação, pois a "dúvida saudável" mantém nossa casa mental na prática constante da atividade intelectual ativa e criativa, enquanto a "certeza absoluta" pode nos levar a atitudes atrevidas e insolentes.

A circunspecção - atitude de quem olha cuidadosamente todos os aspectos por que se apresenta uma questão ou fato - deve vir sempre acompanhada de prudência e ponderação. Existe uma enorme diferença entre "circunspecção" e "receio incoerente"; entre "incredulidade patológica" e "suspeita lógica".

O verbo "suspeitar" provém do latim suspectare, que tem como variável suspicere, que significa "olhar o lado de baixo" ou "olhar por baixo". O que vive em suspeita, ao contrário do ser livre, não está olhando a realidade das coisas, mas supondo o ° que possa existir por detrás dos fatos, acontecimentos e atitudes das pessoas. O desconfiado compulsivo está sempre preocupado em não ser enganado ou roubado, enquanto o liberto sabe que nada nem ninguém podem extinguir ou se apropriar de suas conquistas pessoais.

Os indivíduos que alcançaram o estado de liberdade vivem no equilíbrio, porquanto não acreditam em tudo, nem desconfiam de tudo. Fazem parte do rol das criaturas centradas: diferenciam o que existe de real e verdadeiro, e não ficam imaginando males ilusórios ou sem fundamento.


Hammed







[1] PAULO (Gálatas, 5:1)

Nota:  Na evolução da língua, o verbo latino suspicere (formado por sub- "por baixo" + specere "olhar") é exatamente a raiz que deu origem ao verbo suspectare (frequentar com o olhar) e, posteriormente, às palavras suspeita e suspeitar no português.

O Livro dos Espíritos:

Questão 843. Tem o homem o livre-arbítrio de seus atos?

“"Visto que ele tem a liberdade de pensar, tem a de agir. Sem livre-arbítrio o homem seria uma máquina."

844. Do livre-arbítrio goza o homem desde o seu nascimento?

“Há liberdade de agir, desde que haja vontade de fazê-lo. Nas primeiras fases da vida, quase nula é a liberdade, que se desenvolve e muda de objeto com o desenvolvimento das faculdades. Estando seus pensamentos em concordância com o que a sua idade reclama, a criança aplica o seu livre-arbítrio àquilo que lhe é necessário.”




terça-feira, 25 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Passos da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 5 - Experimenta



Emmanuel - Livro Passos da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 5


Experimenta


Em todos os males que nos assoberbam a vida, apliquemos as indicações curativas do Evangelho.

Conflitos e queixas à frente do próximo:

— Amemo-nos uns aos outros, qual o Divino Mestre nos amou. 

"O meu preceito é este: que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei." (JOÃO, 15:12)

Desinteligências em casa:

— Lembremo-nos de que se não procuramos compreender e nem amparar os que nos partilham o círculo doméstico, estaremos negando a própria fé. 

"E se algum não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua casa, esse negou a fé, e é pior que um infiel." (PAULO, 1 Timóteo, 5:8)

Provocações e insultos:

— Exoremos a Divina Misericórdia para quantos nos perseguem ou injuriam. 

"Tendes ouvido que foi dito: Amarás ao teu próximo, e aborrecerás a teu inimigo." (MATEUS, 5:43)

Incompreensões no campo da convivência:

— Com quem nos exija a jornada de mil passos, caminhemos mais dois mil. 

"E se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele ainda mais outros dois mil." (MATEUS, 5:41)

Calúnias e sarcasmos:

— O Senhor recomenda se perdoe cada ofensa setenta vezes sete. 

"Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas que até setenta vezes sete vezes." (MATEUS, 18:22)

Provas e contratempos:

— Orar sempre e trabalhar sem desânimo, na edificação do bem de todos.

"Propôs-lhes também esta parábola: que importava orar sempre, e nunca deixar de faze-lo." (LUCAS, 18:1)

Perturbações íntimas:

— Onde colocamos os nossos interesses, aí se nos vincula o coração. 

"Porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração." (MATEUS, 6:21)

Ocasiões de críticas e reproches:

— Com a medida que julgamos os outros, seremos julgados também nós. 

"Pois com o juízo com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós." (MATEUS, 7:2)

Reivindicações e reclamações:

— Busquemos o Reino de Deus e sua justiça e tudo mais de que necessitemos ser-nos-á acrescentado. 

"Buscai pois, primeiramente, o Reino de Deus e a sua justiça; e todas estas coisas se vos acrescentarão." (MATEUS, 6:33)

Adversários ferrenhos ou implacáveis:

— Amemos os nossos inimigos, observando que lições nos trazem eles, a fim de que possamos aproveitá-las, porque, se amamos tão somente os que nos amam que haverá nisso demais? 

"Tendes ouvido que foi dito: Amarás ao teu próximo, e aborrecerás a teu inimigo." (MATEUS, 5:43)

Arrastamentos e paixões:

— Vigiemos a nós mesmos para que não venhamos a resvalar para as margens da senda que nos cabe trilhar. 

"Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca." (MATEUS, 26:41)

Anseio de orientação e conselho:
— Tudo o que quisermos que os outros nos façam, façamos nós igualmente a eles. 

"E assim, tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também vós a eles. Porque esta é a lei e os profetas." (MATEUS, 7:12)

Provavelmente, na arena das inquietações e tribulações terrestres, terás tentado as mais diversas receitas, traçadas por autoridades humanas, à busca de equilíbrio e paz, segurança e felicidade, sem atingir os resultados a que aspiras… 

Entretanto, não esmoreças. Uma fórmula existe que jamais falha, na garantia de nosso próprio bem: experimenta Jesus.


Emmanuel













Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. XIII - João Nunes Maia - Cap. 29 - Desejar o mal



Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. XIII - João Nunes Maia - Cap. 29


Desejar o mal


641. Será tão repreensível, quanto fazer o mal, o desejá-lo?

“Conforme. Há virtude em resistir-se voluntariamente ao mal que se deseja praticar, sobretudo quando há possibilidade de satisfazer-se a esse desejo. Se apenas não o pratica por falta de ocasião, é culpado quem o deseja.” (O Livro dos Espíritos)


Pensamento é vida. Aquilo que nós pensamos, nós o vivemos. A ciência, há milênios, estuda a mente do homem e ainda se encontra nas primeiras letras, no que tange à função dos pensamentos.

Deus está presente nos pensamentos dos homens, nos ajudando em todos os momentos a conhecermos a nós mesmos. Ele nos dá certa liberdade, para que a conquista seja mesmo, em parte, nascida dos nossos esforços. No que se refere ao nosso bem-estar, mesmo vivendo há muito tempo no plano espiritual, com mais liberdade, nos consideramos seres humanizados, por termos compromissos sérios com Jesus, para viver com os encarnados, lutando dia-a-dia para o autoaprimoramento.

Tudo que Jesus fazia, realizava pela força do pensamento, que n'Ele é o maior poder. Todos os reinos Lhe obedeciam. Ele comunicava-se em todas as direções pela força das idéias que sabia transmitir, onde quer que fosse, dando ordens e indicando caminhos, assim como de Deus Ele recebia as determinações para o comando do Seu rebanho.

O homem erra pelo pensamento. Tudo de bom ou de mal nasce nos princípios do pensar, para então depois se materializar nos atos.

"Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura no coração, já adulterou com ela." (Mateus, 5:28)

Em se analisando isto, pode-se notar que o pensamento impuro estraga a nossa conduta; eis porque devemos educá-lo, instruindo nossas intenções. A Doutrina Espírita é uma escola de educação da nossa mente, ampliando os exercícios, de modo a capacitar-nos a renovar os nossos pensamentos, para somente pensarmos no amor e na verdade.

Se quando iniciamos uma construção precisamos de uma planta, que a habilidade do homem pode realizar, muito mais na nossa construção moral, precisamos de uma planta mental, e o material é o pensamento puro, todos os dias, para que esse hábito vire dever em todas as sequências da vida.

Ouçamos Jesus, quando Ele disse que são bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. A pureza de sentimentos e de pensamentos faz e refaz o clima propício a vermos Deus dentro de nós, pela tranquilidade imperturbável de consciência.

Se pensas no mal e não o praticas, ainda assim estás agindo mal; outrossim, esses pensamentos contrários ao amor podem inspirar outras pessoas, e a responsabilidade, em parte, cabe a quem formou as idéias negativas.

Considera que os teus pensamentos são fontes de vida, na vida de Deus.

Tornamos a dizer que o Espiritismo é uma escola de educação da mente, portanto, devemos procurar estudá-lo com seriedade; para que possamos, de passo a passo, irmos dominando nossos pensamentos, ainda mais sabendo que Deus Se expressa com mais fulgor no centro das nossas idéias. Tudo se move pelo movimento do Criador. Deus pensa conosco; será que a nossa parte vai indo bem?


Miramez














Marco Prisco - Livro Legado Kardequiano - Divaldo Pereira Franco - Cap. 14 - Mensagens



Marco Prisco - Livro Legado Kardequiano - Divaldo Pereira Franco - Cap. 14


Mensagens


641. Será tão repreensível, quanto fazer o mal, o desejá-lo?

“Conforme. Há virtude em resistir-se voluntariamente ao mal que se deseja praticar, sobretudo quando há possibilidade de satisfazer-se a esse desejo. Se apenas não o pratica por falta de ocasião, é culpado quem o deseja.” (O Livro dos Espíritos). 


Suas atitudes funcionam como espelho para as atitudes do próximo.

Não utilize a dádiva da oportunidade na vitalização do mal.

Suas palavras são mensagens para a boca de quem as ouve.

Observe como fala, porquanto os outros passarão adiante a colheita dos seus lábios.
 
Seus pensamentos são formas vivas a influenciarem as almas alheias.

Cuide da sua mente, porque as ideias nobres, tanto quanto os crimes, fortalecem-se nos dínamos do cérebro.

Sua alma reflete para os outros, o que eles refletirão adiante.

Aprimore-se, a fim de que eles possam expressar longe de você a fortuna da sua esperança.

Seus anseios atingem o próximo nos próprios anseios.

Cuide do que deseja, para que eles não conduzam os outros aos despenhadeiros da loucura.
 
Toda mensagem expressa pelo homem atua noutro homem e transforma-se noutra mensagem que segue adiante.

Todo apelo recebe resposta.

Pensamento projetado significa pensamento que voltará.

Todo desejo exteriorizado em forma mental, ou em expressão ativa, traduz anseio que retornará.

Você é responsável, não apenas pelo mal que pratique, mas também pelo mal que inspire.

Pense e aja, portanto, corretamente, porque todo o abuso à Lei será contabilizado como desperdício e desrespeito à própria Lei.


Marco Prisco














segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 79 - Nas diretrizes do Evangelho



Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 79


Nas diretrizes do Evangelho

 
“Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis.” — JESUS (Mateus, 7:20)


O Senhor não nos induziu a conhecer o valor da árvore pelas exterioridades ou dificuldades de sua vinculação com a terra.

Não pela configuração morfológica do tronco. Nem pelo tecido da folhagem. Nem pelas flores.

Não mandou se lhe pesquisasse os defeitos de apresentação, muitas vezes criados pela fúria das tempestades que o exame posterior dos melhores botânicos não consegue determinar.

Nem recomendou se lhe fixassem as desvantagens causadas pelos insetos que lhe carcomem as energias e que os obreiros do bem saberão extirpar a preço de amor.

Nem exigiu se inventariasse o número dos viajores que lhe espancaram ou quebraram os ramos a fim de se lhe apropriarem dos recursos.

O Mestre apenas anunciou que a árvore será sempre conhecida pelos frutos.

Quando as circunstâncias nos impelirem a julgar ou analisar os irmãos de experiência e caminho esqueçamos as figurações passageiras que repontem no lado externo da vida e recordemos o ensino de Jesus: “Pelos frutos os conhecereis.”


Emmanuel









(Reformador, maio de 1969, p. 98)

Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. 16 - João Nunes Maia - Cap. 16 - Paralisar o progresso



Miramez - Filosofia Espírita Vol. 16 - João Nunes Maia - Cap. 16


Paralisar o progresso


781. Tem o homem o poder de paralisar a marcha do progresso?

“Não, mas tem, às vezes, o de embaraçá-la.

a) - Que se deve pensar dos que tentam deter a marcha do progresso e fazer que a Humanidade retrograde?

“Pobres seres, que Deus castigará! Serão levados de roldão pela torrente que procuram deter.”

A.K.: Sendo o progresso uma condição da natureza humana, não está no poder do homem opor-se-lhe. É uma força viva, cuja ação pode ser retardada, porém não anulada, por leis humanas más. Quando estas se tornam incompatíveis com ele, despedaça-as juntamente com os que se esforcem por mantê-las. Assim será, até que o homem tenha posto suas leis em concordância com a justiça divina, que quer que todos participem do bem e não a vigência de leis feitas pelo forte em detrimento do fraco. (O Livro dos Espíritos)


O progresso é o caminho para o reino de Deus, e as criaturas da Terra, Suas filhas, são um dos pequenos rebanhos, mas, mesmo pequeno, não fica esquecido do Pai.

Devemos sempre consultar o Evangelho quando escrevemos sobre as leis naturais que nos governam e neste momento convém lembrar dos escritos de Lucas, no capítulo doze, versículo trinta e dois:

"Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o Seu reino."

Jesus chamou a humanidade de pequenino rebanho, por existir outros rebanhos no espaço de Deus, outros mundos habitados, mais atrasados ou mais evoluídos do que a Terra, mas com o mesmo destino que o nosso.

Os homens não podem paralisar o progresso; isso é conversa dos homens esmorecidos, dos cegos e surdos, que ainda não têm olhos para ver, nem ouvidos para ouvir a verdade, para crer nas promessas do Senhor, que ama intensamente Seus filhos.

Não temamos, irmãos em caminho! Mesmo com todas as dificuldades na vida, elas passarão; mesmo com todos os problemas, eles cessarão; mesmo com todas as dores em nossos caminhos, elas passarão. Somente o amor é eterno; é a verdadeira felicidade, porque nascemos para a vida em Deus e o Cristo em nós.

O progresso é de natureza divina, mas que age em todas as condições humanas. Ele é um carro que leva todas as criaturas para a vida feliz, e todas as coisas se renovam para o melhor, para melhor posição na escala em que se encontram. Nós todos estamos passando por um período de choque entre as forças do mal e do bem. Estamos em transição de valores, e sempre vence o bem, para que o amor fique mais visível e mais dono dos nossos corações.

Não se pense que, como Espíritos livres da carne, que falamos e ajudamos em muitas escritas para despertar as criaturas, estamos livres dos acontecimentos. Não, nós também devemos na escrita da justiça, e a Doutrina dos Espíritos está nos dando possibilidades de resgatar nossas dividas, de conviver com os nossos irmãos da Terra com mais aconchego, abrindo assim espaço para nossas compreensões, de modo que o amor sustente todos os nossos ideais.

Com a presença do Espiritismo na Terra, a caridade está vivendo momentos felizes, e fazendo parte dessa felicidade estão os Espíritos, que se encontram com milhares de irmãos espíritas, dando as mãos com todos os de boa vontade, para ajudar com mais eficiência, sem olhar credo religioso ou posições políticas. Isso nos agrada o coração. A caridade é mostra, pois, de que o progresso moral está avançando para abraçar o progresso científico, que o intelecto batizou como filho.

Os dois mundos devem estar bem ajustados entre si. Por que separar o mundo espiritual do mundo físico, se um não pode viver sem o outro? Mais tarde poderemos notar, pela própria ciência, que matéria e Espírito se confundem e têm os mesmos ideais, porque o Pai de um, também o é de outro. Paralisar, nunca, o avanço das coisas, por ser o progresso lei de Deus em todos os aspectos.


Miramez













domingo, 23 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Justiça Divina - Chico Xavier - Cap. 15 - Cada existência



Emmanuel - Livro Justiça Divina - Chico Xavier - Cap. 15


Cada existência


4. — Em cada existência, uma ocasião se depara à alma para dar um passo avante; de sua vontade depende a maior ou menor extensão desse passo: franquear muitos degraus ou ficar no mesmo ponto; neste último caso, e porque cedo ou tarde se impõe sempre o pagamento de suas dívidas, terá de recomeçar nova existência em condições ainda mais penosas, porque a uma nódoa não apagada ajunta outra nódoa.

É, pois, nas sucessivas encarnações que a alma se despoja das suas imperfeições, que se purga, em uma palavra, até que esteja bastante pura para deixar os mundos de expiação pelos mundos mais felizes, e mais tarde estes para desfrutar da felicidade suprema. O purgatório não é pois, uma ideia vaga e incerta; é uma realidade material que nós vemos, tocamos e que nós sofremos; está nos mundos de expiação como a Terra, onde os homens expiam o passado e o presente, em proveito do futuro. Contrariamente, porém, à ideia que deles se faz, depende de cada um prolongar ou abreviar a sua permanência, segundo o grau de adiantamento e pureza atingido pelo próprio esforço sobre si mesmo. O livramento se dá, não por conclusão de tempo nem por alheios méritos, mas pelo próprio mérito de cada um, consoante estas palavras do Cristo: “A cada um, segundo as suas obras”, palavras que resumem integralmente a justiça de Deus. (O Céu e o Inferno - 1ª Parte - Cap. V)


É como se retivesses milenárias esperanças, procurando explodir, e, por essa razão, sofres a impossibilidade transitória de alcançar o ideal a que te propões.

Queres realizar os melhores sonhos, aspiras ao estudo edificante do Universo, anseias atingir as culminâncias da Ciência e da Arte, atormentas-te pela aquisição da felicidade e choras pela integração da própria alma no amor supremo…

Entretanto, quase sempre tens ainda o coração preso à dívida, à feição do diamante engastado ao seixo.

Há problemas que solicitam toda uma existência de renúncia constante, para que o fio do destino se alimpe e desembarace.

À vista disso, não desertes da prova que te segrega, temporariamente, na grande tribulação.

O lar pejado de sacrifícios, a família consanguínea a configurar-se por forja ardente, a viuvez expressando exílio, a obrigação qual golilha atada ao pescoço, o compromisso em forma de algema e a moléstia semelhando espinho na própria carne constituem liquidações de longo prazo ou ajuste de contas a prestações, para que a liberdade nos felicite.

Resgata, pois, sem revolta, o próprio caminho.

Enquanto há inquietação na consciência, há resto a pagar.

Agradece, assim, as dificuldades e as dores que te rodeiam.

Cada existência, no Plano físico, pode ser um passo adiante, que te projete na vanguarda de luz.

Misericórdia na Justiça Divina, consolações inefáveis, braços amigos, diretrizes renovadoras e auxílio constante não te faltam, em tempo algum; contudo, está em ti mesmo aceitar, adiar, reduzir, facilitar ou agravar o preço da tua libertação.


Emmanuel











Reunião pública de 10-3-1961.