Joanna de Ângelis - Livro Rumos Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Cap. 3
Entregue a Deus
Estudo: Cap. II — Item 3.
Diante do açodar das aflições não te desgastes inecessariamente. Recebe o sinete do sofrimento como símbolo de libertação.
Se a dor te surpreende, recompõe a paisagem da alma e refaze a confiança em Deus.
Se o acúleo da angústia se te crava no coração, retoma a posição de equilíbrio e arranca-o, mantendo a tua confiança em Deus.
Se o desespero te prepara armadilhas, comburindo-te nas labaredas da inquietação, reflexiona no tempo que passa e permite o refrigério da esperança, resguardando-te na misericórdia de Deus.
Se o imprevisto surge à tua frente, ameaçando-te com agressividade, em forma de violenta erupção de angústias indescritíveis, não te arrojes nos braços do padecimento nem da revolta. Faze um exame de situação e busca a diretriz na misericórdia de Deus.
Se a provação te chega aos painéis da alma, através de um amigo que se te fez ingrato, de um ser amado que delinquiu, de um afeto que debandou, de um companheiro que desrespeitou os melhores sentimentos da tua devoção, de um irmão que não correspondeu à tua expectativa, não te permitas sintonizar com ele na mesma faixa de mal-estar e de incúria. Entrega-te, através da oração, à proteção de Deus, confiando-o à assistência Divina.
Estás na Terra na condição de um mecanismo precioso que se desarranjou, mas o suceder dos tempos irá reorganizar.
O fruto amadurece no momento azado para produzir o sabor que lhe corresponde e o botão que desabrocha pela violência não pode oferecer o pólen maduro para o milagre da fecundação.
Confia no tempo e o tempo te reservará a bênção correspondente à sua própria quadra.
Quem se entrega, espontaneamente, às mãos de Deus encontra diretriz e apoio, caminho seguro e ânimo robusto, porque, saídos das mãos de Deus, marchamos para o amorável coração de Deus na abençoada estrada da evolução.
Se, no entanto, supuseres que os fados parecem conspirar contra a fortuna da tua alegria, o anjo da saúde não se te faz propiciatório e a fada felicidade parece haver-te esquecido, compara-te com Jesus, o Excelente Filho de Deus...
Quem o visse negado por um amigo, por outro traído, por todos ignorado sob o peso de uma cruz e o apupo de toda uma cidade, vergado, tendo na cabeça os espículos de uma coroa infecta, o coração lanhado de amargura, não diria que aquele era o símbolo de uma vitória, mas a representação de um fracasso. No entanto, Ele era o Rei Solar, superando as conjunturas da Terra, a fim de, no madeiro da infâmia, tornar-se, não somente o protótipo do vitorioso sobre o mundo, mas, e principalmente, a estrada e luz para que o homem saísse do vale estanque das paixões por ela transitando no rumo do planalto da perene felicidade. Não te esqueças disso e permanece entregue a Deus.
Joanna de Ângelis
Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. II — Meu reino não é deste mundo - A vida futura.
3. Apenas ideias muito imprecisas tinham os judeus acerca da vida futura. Acreditavam nos anjos, considerando-os seres privilegiados da criação; não sabiam, porém, que os homens podem um dia tornar-se anjos e partilhar da felicidade destes. Segundo eles, a observância das leis de Deus era recompensada com os bens terrenos, com a supremacia da nação a que pertenciam, com vitórias sobre os seus inimigos. As calamidades públicas e as derrotas eram o castigo da desobediência àquelas leis. Moisés não pudera dizer mais do que isso a um povo pastor e ignorante, que precisava ser tocado, antes de tudo, pelas coisas deste mundo. Mais tarde, Jesus lhe revelou que há outro mundo, onde a justiça de Deus segue o seu curso. É esse o mundo que ele promete aos que cumprem os mandamentos de Deus e onde os bons acharão sua recompensa. Aí o seu reino; lá é que ele se encontra na sua glória e para onde voltaria quando deixasse a Terra.
Jesus, porém, conformando seu ensino com o estado dos homens de sua época, não julgou conveniente dar-lhes luz completa, percebendo que eles ficariam deslumbrados, visto que não a compreenderiam. Limitou-se a, de certo modo, apresentar a vida futura apenas como um princípio, como uma lei da natureza a cuja ação ninguém pode fugir. Todo cristão, pois, necessariamente crê na vida futura; mas, a ideia que muitos fazem dela é ainda vaga, incompleta e, por isso mesmo, falsa em diversos pontos. Para grande número de pessoas, não há, a tal respeito, mais do que uma crença, balda de certeza absoluta, donde as dúvidas e mesmo a incredulidade.
O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em vários outros, o ensino do Cristo, fazendo-o quando os homens já se mostram maduros bastante para apreender a verdade. Com o Espiritismo, a vida futura deixa de ser simples artigo de fé, mera hipótese; torna-se uma realidade material, que os fatos demonstram, porquanto são testemunhas oculares os que a descrevem nas suas fases todas e em todas as suas peripécias, e de tal sorte que, além de impossibilitarem qualquer dúvida a esse propósito, facultam à mais vulgar inteligência a possibilidade de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto, como toda gente imagina um país cuja pormenorizada descrição leia. Ora, a descrição da vida futura é tão circunstancialmente feita, são tão racionais as condições, ditosas ou infortunadas, da existência dos que lá se encontram, quais eles próprios pintam, que cada um, aqui, a seu mau grado, reconhece e declara a si mesmo que não pode ser de outra forma, porquanto, assim sendo, patente fica a verdadeira justiça de Deus.