sábado, 19 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. II - Comentários ao Evangelho segundo Marcos - Chico Xavier - Cap. 70 - O maior



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. II - Comentários ao Evangelho segundo Marcos - Chico Xavier - Cap. 70


O maior


Ainda e sempre, a vaidade humana prossegue na caça incessante aos títulos máximos na Terra.

Cartazes da imprensa e programas radiofônicos na atualidade cogitam de campeões variados que brilham, passageiros, na ribalta do mundo.

O maior pensador…

O maior cientista…

O maior industrial…

O artista maior…

E o campo de realizações terrestres, copiando-lhes o impulso, apresenta com garbo os seus expoentes mais altos…

O maior arranha-céu…

O maior transatlântico…

O maior espetáculo…

A fortuna maior…

Todavia, semelhantes pruridos de evidência terrestre não são novos.

Há quase vinte séculos, surgiam eles igualmente no colégio dos seguidores humildes do Senhor.

Nem mesmo os aprendizes do Evangelho, despretensiosos e simples conseguiram fugir à tentação do destaque pessoal.

Eles próprios, na antevisão do paraíso, indagaram do Mestre, com desassombro inconsciente: — Quem seria o maior no Reino dos Céus? 

E a resposta do Cristo, ainda hoje, é um desafio à nossa fé.

O maior no Reino do Amor será sempre aquele que se fizer o servo infatigável de todos, aquele que, em se esquecendo, oferece aos outros a própria alegria que não possui, e que, em se ajustando à máquina do bem, possa apagar-se, contente e anônimo, atendendo, no lugar que lhe é próprio, a tarefa que o Senhor lhe determina…

Se procuras, desse modo, a comunhão com Jesus, onde estiverdes, olvida a ti mesmo pela glória de ser útil.

Ajuda, aprende, ampara, compreende, crê e espera cada dia…

E, servindo sempre, encontrarás com o Mestre Divino a felicidade perfeita, penetrando com Ele o segredo sublime da cruz, pelo qual, em se rendendo à suprema renúncia, fez-se a luz das nações e a esperança da Humanidade inteira.


Emmanuel







(Reformador, novembro 1955, página 245)

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 46 - Crescei



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 46


Crescei


“Antes crescei na graça e no conhecimento de Nosso Senhor e Salvador, Jesus-Cristo.” — PEDRO. (2 Pedro, 3:18)


A situação de destaque preocupa constantemente a ideia do homem.

O próprio mendigo, esfarrapado e faminto, muita vez permanece, orgulhoso, na expectativa de realce no Céu.

Habitualmente, porém, toda ansiedade, nesse particular, é propósito mal dirigido objetivando crescimento ao inverso.

Não seria, propriamente, o ato de se desenvolver, mas de inchar.

Nessa mesma pauta, muitos aprendizes irrequietos pleiteiam altas remunerações financeiras, favores do dinheiro fácil, elevação aos postos de autoridade, invocando a necessidade de crescer para maior eficiência no serviço do Cristo.

Isto contudo, quase sempre é pura ilusão.

Materializadas as exigências, transformam-se em servidores rodeados de impedimentos.

O Mestre Divino, que organizou a vida planetária ao influxo do Eterno Pai, possui suficiente poder, e, para a execução de sua obra, não se demoraria à espera de que esse ou aquele dos aprendizes se convertesse em especialista em determinados negócios do mundo.

O crescimento, a que o Evangelho se reporta, deve orientar-se na virtude cristã e no conhecimento da vontade divina.

Aprenda cada um a sua parte, na esfera de nossos deveres com Jesus. Atenda ao programa de edificação que lhe compete, ainda que se encontre sozinho ou perseguido pela incompreensão dos homens e, então, estará crescendo na graça e no discernimento para a vida imortal.


Emmanuel














sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Neio Lúcio - Livro Alvorada Cristã - Chico Xavier - Cap. 16 - A trilogia bendita



Neio Lúcio - Livro Alvorada Cristã - Chico Xavier - Cap. 16


A trilogia bendita


Em tempos remotos, o Senhor vinha ao mundo frequentes vezes entender-se com as criaturas.

Certa vez, encontrou um homem irado e mau, que outra coisa não fazia senão atormentar os semelhantes. Perseguia, feria e matava sem piedade. Quando esse Espírito selvagem viu o Senhor, aproximou-se atraído pela luz d’Ele, a chorar de arrependimento.

O Cristo, bondoso, dirigiu-lhe a palavra:

— Meu filho, por que te entregaste assim à perversidade? Não temes a justiça do Pai? Não acreditas no Celeste Poder? A vida exige fraternidade e compreensão.

O malfeitor, que se mantinha prisioneiro da ignorância, respondeu em lágrimas:

— Senhor, de hoje em diante serei um homem bom.

Alguns anos passaram e Jesus voltou ao mesmo sítio. Lembrou-se do infeliz a quem havia aconselhado e buscou-o. Depois de certa procura, foi achá-lo oculto numa choça, extremamente abatido. Interpelado quanto à causa de tão lamentável transformação, o mísero respondeu:

— Ai de mim, Senhor! Depois que passei a ser bom, ninguém me respeitou! Fiz-me escárnio da rua… Tenho usado a compaixão e a generosidade, segundo me ensinaste, mas em troca recebo apenas o ridículo, a pedrada e a dilaceração…

O Mestre, porém, abençoou-o e falou:

— O teu lucro na eternidade não será pequeno com o sacrifício. Entretanto, não basta reter a bondade. É necessário saber distribuí-la. 

Para bem ajudar, é preciso discernir. Realmente é possível auxiliar a todos. Contudo, se a muita gente devemos ternura fraterna, a numerosos companheiros de jornada devemos esclarecimento enérgico.   

Estimularemos os bons a serem melhores e cooperaremos, a benefício dos maus, para que se retifiquem. 

Nunca observaste o pomicultor? Algumas árvores recebem dele irrigação e adubo; outras, no entanto, sofrerão a poda, a fim de serem convenientemente amparadas.

O Senhor retirou-se e o aprendiz retomou a luta para conquistar o conhecimento.

Peregrinou através de muitos livros, observou demoradamente os quadros da vida e recebeu a palma da ciência.

Os anos correram apressados, quando o Cristo regressou e procurou-o, novamente.

Dessa vez, encontrou-o no leito, enfermo e sem forças.

Replicando ao Divino Amigo, explicou-se:

— Ai de mim, Senhor! Fui bom e recebi injustiças, entesourei a ciência e minhas dificuldades cresceram de vulto.

Aprendi a amar e desejar em sã consciência, a idealizar com o Plano superior, mas vejo a ingratidão e a discórdia, a dureza e a indiferença com mais clareza. Sei aquilo que muita gente ignora e, por isto mesmo, a vida tornou-se-me um fardo insuportável…

O Mestre, porém, sorriu e considerou:

— A tua preparação para a felicidade ainda não se acha completa. Agora, é preciso ser forte. Acreditas que a árvore respeitável conseguiria viver e produzir, caso não soubesse tolerar a tempestade?  

A firmeza interior, diante das experiências da vida, conferir-te-á o equilíbrio indispensável. Aprende a dizer adeus a tudo o que te prejudica na caminhada em direção da luz divina e distribuirás a bondade, sem preocupações de recompensa, guardando o conhecimento sem surpresas amargas. Sê inquebrantável em tua fé e segue adiante!

O aprendiz reergueu-se e nunca mais experimentou a desarmonia, compreendendo, enfim, que a bondade, o conhecimento e a fortaleza são a trilogia bendita da felicidade e da paz.


Neio Lúcio












Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVIII - João Nunes Maia - Cap. 51 - Caracteres do Espírito Elevado



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVIII - João Nunes Maia - Cap. 51


Caracteres do Espírito Elevado


918. Por que indícios se pode reconhecer em um homem o progresso real que lhe elevará o Espírito na hierarquia espírita?

“O espírito prova a sua elevação, quando todos os atos de sua vida corporal representam a prática da lei de Deus e quando antecipadamente compreende a vida espiritual.”

A.K.: Verdadeiramente, homem de bem é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade, na sua maior pureza. Se interrogar a própria consciência sobre os atos que praticou, perguntará se não transgrediu essa lei, se não fez o mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém tem motivos para dele se queixar, enfim se fez aos outros o que desejara que lhe fizessem.

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem contar com qualquer retribuição, e sacrifica seus interesses à justiça. É bondoso, humanitário e benevolente para com todos, porque vê irmãos em todos os homens, sem distinção de raças, nem de crenças. Se Deus lhe outorgou o poder e a riqueza, considera essas coisas como UM DEPÓSITO, de que lhe cumpre usar para o bem. Delas não se envaidece, por saber que Deus, que lhas deu, também lhas pode retirar.

Se sob a sua dependência a ordem social colocou outros homens, trata-os com bondade e complacência, porque são seus iguais perante Deus. Usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com seu orgulho. É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que também precisa da indulgência dos outros e se lembra destas palavras do Cristo: Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado.

Não é vingativo. A exemplo de Jesus, perdoa as ofensas, para só se lembrar dos benefícios, pois não ignora que, como houver perdoado, assim perdoado lhe será. Respeita, enfim, em seus semelhantes, todos os direitos que as leis da Natureza lhes concedem, como quer que os mesmos direitos lhe sejam respeitados. (O Livro dos Espíritos)


Para reconhecer o Espírito elevado na escala espiritual, basta analisar a sua vida, porque a perfeição espiritual é o conjunto de todas as qualidades morais que a alma pode ter. Não basta somente ser bom; é necessário que se faça a bondade com amor, que se una amor com fraternidade, a fraternidade com a honestidade e essa com o trabalho digno. Assim, sucessivamente, a luz deve ser limpa de todas as trevas, para que a caridade não sofra interrupção.

O Espírito prova a sua elevação quando todos os seus atos de vida condizem com a lei de justiça e de amor. Quando antecipadamente compreende a vida espiritual, pode viver no Céu, mesmo pisando na Terra.

Verdadeiramente, o homem de bem é o que vive a lei de amor e de caridade, que esteja constantemente renunciando às coisas supérfluas e representa uma fonte de conhecimento, doando sempre ao que padece e ensinando aos ignorantes, é o que está sempre interrogando a sua consciência e analisando-se constantemente, buscando corrigir os seus maus pendores. Por onde passa, pratica a caridade e o amor ao próximo sem exigências pessoais. Ele anda por todos os caminhos, alegre, não blasfema quando a dor chega a sua porta, sacrifica todos os impulsos inferiores e não deixa lugar para os maus pensamentos.

É preciso que se veja irmãos em todos os seres, amando todas as coisas sem distinção. Se receberes o dom da riqueza, usa-a como sendo um empréstimo, sem desperdício, e comunga sempre com o bem que podes fazer. Tem complacência com os que não compreendem a verdade, esforçando-te no trabalho, onde a honestidade seja o clima de todos os deveres. Ignora a vingança e busca sempre perdoar, fazendo do perdão uma modalidade de amar, fazendo da fraternidade um meio de aproximação em todas as criaturas.

Não te esqueças de ativar a vida em toda parte com a lembrança de Jesus, porque somente Ele nos mostra Deus na sua realidade pura. Não te esqueças da citação evangélica da mulher adúltera, com sua lição imortal extraída por Jesus para a humanidade inteira. Deste modo, serás um homem de bem, influindo positivamente em toda a humanidade.

Granjeia amigos por toda parte, na verdadeira feição do Cristianismo. Sê atencioso com todas as crianças, transmitindo a elas tudo que a educação e o discernimento nos ensinou. Se compreenderes a lei e a praticares dentro da sua estrutura, podes acalmar todas as ventanias do mal que porventura surgirem em teu coração. Vamos ler Marcos, no capítulo quatro, versículo trinta e nove, nesta referência de Jesus:

E Ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar:

Acalma-te, emudece!

O vento se aquietou e fez-se grande bonança. Eis porque devemos praticar a lei de amor, para nos investirmos de poderes e dominarmos todos os ventos que não nasçam da fé em Cristo e do amor a Deus. Façamos o que disse e fez Jesus: "Quem quiser me encontrar, eu estou junto aos que sofrem, no meio dos estropiados, dos famintos, dos encarcerados, dos nus, acolhendo a todos, porque bem-aventurados são todos aqueles que padecem, porque eu os aliviarei. Volta a dizer: Eu sou o caminho, a verdade e a vida."


Miramez











Espírito Anônimo - Livro Chico Xavier, a aurora de uma vida entre o Céu e a Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15 - Ser bom



Espírito Anônimo - Livro Chico Xavier, a aurora de uma vida entre o Céu e a Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15


Ser bom


Ao fúlgido Espírito de D. Zilda Gama.

A glória de ser bom é a glória do Universo.
É a conquista do amor, em surtos peregrinos!
Ser bom é ser a luz que, em fachos purpurinos,
Aclara o coração nas trevas, submerso!

Ser bom é se elevar aos páramos divinos,
Onde o nosso viver tem curso bem diverso,
Onde o amor do bom Deus é fúlgido, disperso,
Quebrantando o amargor dos lúridos destinos!

Ser bom é ultrapassar as raias da ventura,
Sobrepor-se, afinal, à humana criatura
A trazer para sempre a alma redimida.

A glória de ser bom é a verdadeira glória!
É atingir o ideal, alcançando a vitória,
A vitória da luz na conquista da vida.


Espírito Anônimo
(F. Xavier)






A dedicatória expressa na introdução ("Ao fúlgido Espírito de D. Zilda Gama") foi uma respeitosa homenagem em vida direcionada à nobre escritora e também médium mineira Zilda Gama (1878–1969), que na época já despontava como uma das grandes referências da literatura espírita no Brasil.

16 de julho de 1929.








Irmão José - Livro Fé - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 19 - Justiça Divina



Irmão José - Livro Fé - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 19


Justiça Divina


Às vezes, perguntas entristecido: — valerá a pena ser bom nos caminhos da vida?

E, num átimo, inventarias ingratidões, decepções, calúnias…

Aquele a quem estendeste a mão ontem, é o mesmo a vilipendiar-te hoje…

Aquele a quem mataste a fome outrora, é o mesmo a escarnecer dos teus ideais agora…

Aquele que socorreste no lance difícil das próprias experiências, é a voz que se ergue para censurá-lo publicamente…

Aquele em quem confiaste cegamente, é o mesmo que, em te ludibriando, armou-te delicada situação…

Prossegue, contudo, obedecendo a voz da consciência.

Todos os que se dispõem a servir no mundo, inevitavelmente colherão dissabores…

Não tem sido assim com os paladinos da beneficência de todos os tempos?

Não esmoreças.

Em verdade, quando fazes o bem aos outros estarás fazendo-o a ti mesmo.

Pelos espinhos, não deixes de investir na própria felicidade.

A justiça pertence a Deus. O tempo falará por ti.


Irmão José

























Fonte: 

Irmã Scheilla - Livro A Mensagem do Dia - Clayton B. Levy - Pág. 88 - Luz no coração



Irmã Scheilla - Livro A Mensagem do Dia - Clayton B. Levy - Pág. 88


Luz no coração 


As sombras que recaem sobre a humanidade, no campo moral, nada mais são que a ausência do Evangelho nos corações das criaturas.

Daí a necessidade de uma vivência maior dentro dos padrões traçados por Jesus, por parte daqueles que já se encontraram com o Mestre.

A esses, cabe a tarefa de iluminação do planeta. 

Conforme o próprio Mestre asseverou, eles terão de ser o “sal da Terra”, conservando a elevação do pensamento e dando o sabor da fraternidade à vida de relação.

Se a tarefa parece difícil, é oportuno recordar que, sem o espírito de renúncia, desprendimento e disciplina, as dores da humanidade se agravariam ainda mais. 

As sombras, contudo, hão de ser passageiras, porque o sol do amor de Deus não deixará que a ignorância imponha, por muito tempo, seus efeitos nefastos aos homens de boa vontade e amantes da paz.

Se brutalidade ainda recrudesce, cabe aos seguidores do Cristo o desenvolvimento da concórdia, por meio do próprio exemplo, na prática dos ensinos evangélicos. 

Se a dor moral ainda persiste, como efeito dos enganos e da rebeldia, o alívio por meio do esclarecimento é o único caminho e o principal recurso a ser mobilizado.

Se o homem se ressente de seus atos cheios de sombras, cabe a ele mesmo reerguer-se para a luz de Deus, a fim de construir em sua consciência a cidadela de paz que o mundo deseja. 

Somente com o desenvolvimento do amor em níveis mais elevados, conseguirá o homem construir a sociedade livre das mazelas que hoje assolam os povos e retardam o progresso. 

Confiemos, porém, no amor do Pai, oferecendo nossos esforços, em nosso campo de atuação, para que a luz que todos desejamos venha a nascer dos nossos próprios corações.




Irmã Scheilla