terça-feira, 21 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 171 - Lei do uso



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 171


Lei do uso


“E quando estavam saciados disse Jesus aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.” — (JOÃO, 6:12)


Observada a lei do uso, a miséria fugirá do caminho humano.

Contra o desperdício e a avareza é imperioso o trabalho de cada um, porque, identificado o equilíbrio, o serviço da justiça econômica estará completo, desde que a boa vontade habite com todos.

A passagem evangélica que descreve o trabalho de alimento à multidão assinala significativas palavras do Senhor, quanto às sobras de pão, transmitindo ensinamento de profunda importância aos discípulos.

Geralmente, o aprendiz sincero, nos primeiros deslumbramentos da fé reveladora, deseja desfazer-se nas atividades de benemerência, sem base na harmonia real.

Aí temos, indiscutivelmente, louvável impulso, mas, ainda mesmo na distribuição dos bens materiais, é indispensável evitar o descontrole e o excesso.

O Pai não suprime o inverno, porque alguns dos seus filhos se queixam do frio, mas equilibra a situação, dando-lhes coberturas.

A caridade reclama entusiasmo, entretanto, exige também discernimento generoso, que não incline o coração à secura.

Na grande assembleia de necessitados do monte, por certo, não faltariam preguiçosos e perdulários, prontos a inutilizar a parte restante de pão, sem necessidade justa. Jesus, porém, antes que os levianos se manifestassem, recomendou claramente: — “Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.” É que, em todas as coisas, o homem deverá reconhecer que o uso é compreensível na Lei, desprezando o abuso que é veneno mortal nas fontes da vida.


Emmanuel












segunda-feira, 20 de julho de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. X - João Nunes Maia - Cap. 31 - Anjo Guardião



Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. X - João Nunes Maia - Cap. 31 - Anjo Guardião


490. Que se deve entender por anjo de guarda ou anjo guardião?

“O Espírito protetor, pertencente a uma ordem elevada.” (O Livro dos Espíritos)


Todas as criaturas têm a seu lado um Espírito, destinado por Deus, a guiá-lo nos seus caminhos para encontrar a verdade. Não obstante, esse benfeitor espiritual tem o condão de luz no seu entendimento, compreendendo a livre iniciativa do seu tutelado, seus direitos e deveres. Assim, esse Espírito cuida para que seu protegido não ultrapasse os limites naquilo que possa prejudicá-lo. Ele está junto do companheiro ao qual se destinou guiar, mas não somente ele; outros Espíritos acompanham-no, como auxiliares, bem como outros, que simpatizam com o irmão encarnado, por afinidade desta ou de outras vidas.

O encarnado também pode variar as suas companhias de acordo com os sentimentos que despertam em seu coração. As companhias são escolhidas de acordo com o que se pensa, sente, ou idealiza.

O Anjo-Guardião está sempre a postos, traçando diretrizes e derramando no seu protegido, intuições elevadas para que ele compreenda as leis espirituais e passe a sentir a vida, desfrutando as belezas que ela nos pode dar. Entretanto, muita coisa depende de nós mesmos, das nossas iniciativas no campo da vida.

Os nossos passos são escolhidos por nós. Os Espíritos que atraímos obedecem à justiça e nos acompanham por sintonia espiritual. Atraímos companhias espirituais de acordo com os nossos sentimentos. O Anjo-Guardião nos tutela com todo o amor que nos pode dar sem, contudo, nos forçar em quaisquer entendimentos; ele somente expõe os conceitos elevados do Evangelho, argumentando, no silêncio, a filosofia de luz criada por Deus. O nosso bom Anjo nos inspira nas leituras, nas conversações com companheiros do nosso nível, e pelos pensamentos. Nos intervalos das nossas idéias, surgem os pensamentos dos nossos benfeitores, dando-nos as mãos para a caminhada com Jesus.

O Anjo da Guarda é, pois, um Espírito protetor, destinado a nos orientar para a nobreza da vida, em nome de Deus e sob a égide de Jesus Cristo. Se já sabes desta verdade, é bem melhor, para que possas sentir esse companheiro de luz e dele receber as instruções referentes à verdade. É bom que te lembres dele todos os dias, e ores para que possas encontrá-lo com mais segurança.

As religiões sabem desta verdade que agora estamos expondo, sob a inspiração de “O Livro dos Espíritos”, obra que deve ser lida todos os dias, para que se possa entrar na sintonia sublime da divina compreensão. Pelo menos ao te deitares e te levantares pela manhã, conversa com o teu Anjo-Guardião pelos fios da prece, que ele tem facilidade de ouvir-te, dada à sintonia que já estabeleceu com o seu tutelado, por amor a grande causa de ajudar.

Não te esqueças de que o teu Anjo-Guardião pertence à ordem de Espíritos elevados, logo, podes confiar nas suas inspirações. Se queres te aproximar mais dele, não esqueças da caridade, primeiro contigo mesmo, depois com os outros, aquela caridade que orienta, que serve sem exigir e que usa sempre a alegria para estimular a esperança. Tira as roupas, caso as tenha, do orgulho e do egoísmo, e veste as do amor e da caridade, do perdão e da tolerância.

Tem cuidado em todos os princípios de fé religiosa, para não caíres nos extremos que podem esfriar teus sentimentos. Se estás na Terra, precisas de algo dela. Lembra-te do dever do trabalho com honestidade e do lazer com equilíbrio, e no momento exato em que a religião te convidar, abraça-a com amor, pois ela eleva e dignifica.


Miramez











Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 1 - Deus e você



Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 1


Deus e você


“Pois somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus, edifício de Deus.”  – PAULO (I Coríntios, 3:9)

Deus é o Criador. Você, porém, pode colaborar na Obra divina, na condição de Cocriador. 

Deus é o Pai. Você, todavia, pode tornar-se genitor triunfante, usando o corpo ou contribuindo especialmente pelo Espírito em prol de todos.

Deus é o Infinito. Você, sem embargo, pode, na sua finita posição, colaborar em prol da glória da vida nos corações em transe de dor. 

Deus é Amor. Você, entretanto, pode desdobrar os sentimentos e repartir as fortunas da bondade que carrega, entre os necessitados que o cercam. 

Deus é a Perfeição. Você querendo, pode crescer, mediante o serviço nobre, lapidando suas arestas, a fim de refletir-Lhe a grandeza no crisol da sua purificação. 

Deus é a Verdade. Você, também, pode disseminar as lições da Divina Sabedoria, que refulgem no Evangelho de Jesus.

Deus é o Poder. Você desejando, conseguirá edificar a felicidade em toda parte, quando queira. 

Deus é a Harmonia. Você possui, igualmente, as melodias da Excelsa Beleza na pauta do coração, podendo, também, cantar baladas de esperança e paz em Seu nome. 

Deus é a Vida. Você não pode conceder a vida a ninguém, é certo, no entanto, poderá salvar muitas vidas que perecem por falta de amparo e socorro. 

Deus é a Causa Primeira. Você O traz emboscado no coração. Desate-O e permita que em você a Sua Presença gere felicidade em derredor. Disse Jesus: “Vós sois deuses”. Conduzindo o Pai Criador ao cerne da sua vida, você pode tudo fazer em prol de você mesmo, modificando as ermas paisagens do mundo, a fim de que mais rapidamente se estabeleça o Seu Reino entre os homens.


Marco Prisco














Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 72 - Contempla mais longe



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 72


Contempla mais longe


“Porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão.” — JESUS (Lucas, 6:38)


Para o esquimó, o céu é um continente de gelo, sustentado a focas.

Para o selvagem da floresta, não há outro paraíso, além da caça abundante.

Para o homem de religião sectária, a glória de além-túmulo pertence exclusivamente a ele e aos que se lhe afeiçoam.

Para o sábio, este mundo e os círculos celestiais que o rodeiam são pequeninos departamentos do Universo.

Transfere a observação para o teu campo de experiência diária e não olvides que as situações externas serão retratadas em teu plano interior, segundo o material de reflexão que acolhes na consciência.

Se perseverares na cólera, todas as forças em torno te parecerão iradas.

Se preferes a tristeza, anotarás o desalento, em cada trecho do caminho.

Se duvidas de ti próprio, ninguém confia em teu esforço.

Se te habituaste às perturbações e aos atritos, dificilmente saberás viver em paz contigo mesmo.

Respirarás na zona superior ou inferior, torturada ou tranquila, em que colocas a própria mente. E, dentro da organização na qual te comprazes, viverás com os gênios que invocas. 

Se te deténs no repouso, poderás adquiri-lo em todos os tons e matizes, e, se te fixares no trabalho, encontrarás mil recursos diferentes de servir.

Em torno de teus passos, a paisagem que te abriga será sempre em tua apreciação aquilo que pensas dela, porque com a mesma medida que aplicares à Natureza, obra viva de Deus, a Natureza igualmente te medirá.


Emmanuel









Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

domingo, 19 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Coletânea do Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16 - A graça do Senhor



Emmanuel - Livro Coletânea do Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16


A graça do Senhor


“A minha graça te basta.” — PAULO (2 Coríntios, 12:9)


Com a graça do Senhor,

a cruz salva;

o sacrifício enaltece;

a injúria santifica;

a perseguição beneficia;

a tempestade fortalece;

a dor redime;

o trabalho aperfeiçoa;

a luta aprimora;

o anátema estimula;

o dever nobilita;

o serviço dignifica;

a calúnia engrandece;

a solidão reconforta;

o obstáculo ensina;

o adversário ajuda;

a dificuldade valoriza;

o desgosto restaura;

a pedrada edifica;

o espinho corrige;

a humilhação eleva;

a ferida ilumina;

a cicatriz colabora;

a ironia constrói;

a incompreensão instrui;

o pranto limpa;

o suor melhora;

o desencanto esclarece;

a pobreza entesoura;

a enfermidade auxilia;

a morte liberta.

É razoável que muitos homens estejam à procura de dádivas transitórias do mundo, mas que o cristão não olvide o mais sublime dom da vida — a Graça do Senhor, base da felicidade real do discípulo fiel, onde quer que se encontre.


Emmanuel










(Reformador, setembro 1945, página 204)

Irmã Scheilla - Livro A Mensagem do Dia - Clayton B. Levy - Cap. 13 - Mais Adiante...



Irmã Scheilla - Livro A Mensagem do Dia - Clayton B. Levy - Cap. 13


Mais Adiante...



A sabedoria divina estabeleceu leis que impulsionam a vida naturalmente para a harmonia.

Hoje, talvez, haja sombra.

Amanhã, porém, a luz voltará.

Agora, é possível que a tempestade ocorra.

Depois, porém, a bonança retornará.

Por ora, é provável que a dor te visite; mais além, todavia, a paz te sustentará.

Neste momento, é possível que a enfermidade te faça companhia.

Logo mais, porém, o equilíbrio retomará.

Lembra-te de que és um espírito imortal, e que a saúde é o teu estado natural.

Tudo o mais que se te apresente com ameaças perturbadoras terá caráter transitório, porque é da lei de Deus que todas as criaturas se libertem do ego e cresçam para a consciência cósmica, plenas de paz.


Irmã Scheilla

sábado, 18 de julho de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 3 - Encontro e autoencontro - Amar para ser feliz



Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 3 - Encontro e autoencontro


Amar para ser feliz


A Parábola do Filho pródigo faz parte da trilogia narrada por Jesus, em resposta ao farisaísmo hipócrita e perseguidor.

Era-Lhe hábito conviver com os pecadores e os publicanos, que se sentiam atraídos pelos Seus ensinamentos libertadores.

Os doentes do corpo buscavam a cura que lhes restaurasse a saúde.

Os seus enganos eram tidos como graves compromissos pela intolerância religiosa e social da sociedade castradora e perversa.

A sombra coletiva pairava sobre Israel e os seus servidores mais credenciados, os fariseus, os levitas, os escribas, os sacerdotes viviam da aparência enganosa.

Mantinham a preocupação de atender aos 613 preceitos que diziam respeito ao corpo e à sociedade, embora interiormente se encontrassem deteriorados pela morte do sentimento e pela presunção de coisa nenhuma.

Os seus conflitos eram mascarados porque lhes importavam os falsos prestígios e distinções, os comentários bajulatórios e a extravagância da aparência, quanto possível impecável, embora apodrecendo de inveja, de insatisfação, enfermos em espírito com mais dificuldade para a recuperação.

Nas parábolas psicoterapêuticas narradas por Jesus, percebe-se que os Seus inimigos não censuravam a conduta daqueles que foram excluídos da vida social, por serem pecadores e cobradores de impostos sempre detestados, mas a do Mestre em conviver com eles.

Olvidavam-se que era natural que o Homem integral, Aquele que não tinha sombra nem qualquer tipo de conflito acercasse-se dos impuros, a fim de os recuperar, de os integrar na vida.

Haviam-se esquecido, por conveniência e pela perversidade em que se compraziam, da grandeza do amor, da poderosa proposta libertadora de que se reveste, do significado profundo de que é portador.

Por isso, pode-se considerar que as três parábolas dos perdidos, a do homem que deixa o rebanho para buscar a ovelha que se perdeu, a da mulher que perdeu uma dracma e a do Filho pródigo, que se perdeu, podem ser consideradas como as do encontro e do autoencontro.

Sob outro aspecto, pode-se denominá-las como as mensagens de júbilos e de misericórdias, porque todos, ao encontrarem o que haviam perdido, ao autoencontrar-se exultavam, convidando todos, servos e amigos, para que se banqueteassem, para que sorrissem, para que se rejubilassem com os resultados felizes.

A saúde é jovial e enriquecedora de alegria, promovendo a tranquilidade e ampliando a capacidade de amar.

O pai misericordioso em todos os momentos da narrativa profunda ama, tanto àquele que foge em busca da autorrealização e fracassa, quanto ao outro que fica ao lado, vivendo emocionalmente distante do carinho e do sentimento de ternura para com o genitor.

Em momento algum demonstra afeto, porque está morto na sua conduta formal, pusilânime, que aparenta fidelidade, mas é apenas interesseiro, porquanto não se refere àquele que retorna humilhado e destroçado interiormente, como seu irmão.

Usa de uma expressão dura para com o pai e ferinte para com o sofrido, dizendo: - Esse teu filho aí...

Havia um proposital desprezo, um ciúme doentio e um indescritível sentimento de vingança.

O irmão era visto agora como competidor, que estava reabilitado, que voltava a ter direito aos haveres do pai, que iria disputar com ele a herança...

O pai, no entanto, redargui com paciência amorosa, sem lhe censurar a conduta e o ressentimento: - Filho (menino), tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.

O Self do pai sabia a razão do despeito do ego do filho mais velho e procurou tranquilizá-lo, sem o conseguir de imediato.

Então aduziu: — Mas era preciso que festejássemos e nos alegrássemos, pois esse teu irmão estava morto e tornou a viver; ele estava perdido e foi encontrado!

Somente um sentimento de amor profundo e desinteressado poderia concluir de tal maneira, na análise do comportamento do filho que retornou, ao mesmo tempo, demonstrando o significado da alegria.

O amor do pai é automático em expressar-se, em oferecer-se em júbilo.

Ao ver o filho de longe correu e encheu-se de compaixão, lançou-se-lhe ao pescoço, cobrindo-o de beijos.

Esse beijo na face é incontestável sinal de perdão e de compaixão, de renascimento e de vida.

Não deu tempo ao filho ingrato de justificar-se, demonstrando-lhe que estava novamente no seu lar.

Somente então o desertor confessou que pecou contra ele e contra o céu, não sendo mais digno de ser considerado filho.

Esperava ser tratado como empregado, porque a culpa estava nele insculpida, em face da deserção, do desinteresse pelo pai idoso, quando mais necessitava de apoio e de segurança.

O amor é, sem dúvida, a terapia eficiente para os males que afligem os indivíduos em particular e a sociedade em geral, porque desperta a reciprocidade, arrancando do esconderijo do egoísmo esse sentimento que é inato, mas necessita de estímulo, de ser despertado, de ser trabalhado, de ser aceito.

O filho mais velho ficara com os sentimentos ressequidos, entregando-se ao trabalho rotineiro e não compensador de amealhar, não para o pai, na expectativa da herança, portanto, para ele mesmo.

Por consequência, não sentia a manifestação do amor de maneira alguma, o que o tornava doente emocionalmente, mesquinho e distante.

Negando-se a entrar em casa e rejubilar-se, mantinha-se preso ao instinto de conservação dos sentimentos doentios, não dando oportunidade ao Self de desenvolver-se, mantendo-se distante e cerrado.

É necessário entrar-se na casa dos sentimentos e renová-los com a alegria, com a satisfação pela felicidade dos demais.

É comum chorar-se com quem chora, poucas vezes, porém, sorrir-se com os júbilos dos outros, porque a inveja, filha dileta do egoísmo, não se permite compreender a vitória, a real alegria do outro...

Provavelmente, na sua solidão, o filho mais velho ambicionasse adquirir independência após a morte do pai, atrair amigos e afetos, pensando que somente o poder e o ter conseguem companhia e participação nos júbilos.

Interiormente, prosseguiria ressequido, desejando ser amado, levado em consideração, desfrutando o destaque, superando o complexo de inferioridade em que se debatia por depender do pai sem o amar...

Não se encontra a felicidade fora do amor, que é o elã sublime de ligação entre todas as forças vivas da Natureza, é o alimento das almas, fortalecimento da psique, é vida e força espiritual.

Enquanto não viger o amor natural, o ser humano rumará perdido num país longínquo, gastando haveres que transitam de mãos e sempre deixam solitário aquele que deseja a multidão de presenças exteriores, igualmente vazias de companheirismo.

Quem almeja o encontro, mesmo que inconsciente do Self, deve perceber que somente através de um mergulho interior, na reflexão silenciosa, é possível descobrir e dominar os tesouros adormecidos, trazendo-os para a ponte que facilitará a comunicação entre os dois eus, realizando a identificação do ego com os valores legítimos da vida.

As heranças ancestrais de precaver-se para sobreviver, de agredir antes de ser atacado, de manter-se na retaguarda são todas deploráveis experiências que perturbam a saúde emocional e psíquica dos indivíduos.

Abrindo-se ao amor, cada um descobre que qualquer tipo de fuga é perturbador, enquanto que todo avanço na direção do serviço fraternal, da solidariedade, do amor constitui próximo encontro com a saúde.

Por outro lado, o estado de semianiquilamento físico e moral do filho mais moço demonstra que toda fantasia em torno da vida constitui perigo, e a entrega ao prazer desmedido se transforma em frustração, em desgaste e culpa.

A autoconsciência é o elemento que deve ser buscado sempre e de forma lúcida, a fim de poder eleger-se o que se deve fazer e se pode realizar em detrimento daquilo que se pode, mas não se deve, ou se deve, mas não se pode executar.

Aquele filho mais velho possuía a religião formal, aquela aparência social, mas ainda não encontrara o sentido existencial, o significado do amor em toda a sua plenitude e na mais variada expressão.

Na censura que faz, esse filho mais velho esquece-se da justiça, pensando em ser justo, pelo menos para com ele mesmo, porque acredita ser o único merecedor de todas as homenagens.

Assim procedem todos os egoístas.

Olvida-se que os haveres são do pai, e que, mesmo idoso, enquanto viva, tem o direito de reparti-los, de utilizá-los conforme lhe aprouver, pois que foram os seus braços que deram início ao patrimônio, foram a sua administração e a constância no trabalho que mantiveram os recursos agora disputados tenazmente pelo infiel que se dizia fiel...

A sociedade ainda vive de maneira farisaica, sempre censurando os pecadores e os cobradores de impostos, requerendo cada membro mais atenção e cuidado, no inconsciente com inveja dos prazeres que esses experimentam e eles não se encorajavam a vivenciar, em face dos preconceitos vigentes...

Não seja de estranhar que alguém seja censurado por uma atitude, veementemente combatido porque quebrou algum tabu social, não porque se permitiu a leviandade, mas porque o seu censor gostaria de estar no seu lugar e não tem as forças para fazê-lo, vindo, no entanto, mais tarde, a viver de maneira equivalente, demonstrando o conflito em que vivia, a exulceração oculta superficialmente, mas igualmente pútrida.

Provavelmente, esse filho mais velho via o pai como um fornecedor dos haveres de que desfrutaria no futuro, não como o pai generoso e amigo que também participa da vida, das suas alegrias, das suas tristezas, embora traga o coração angustiado pela saudade do filho perdido...

O amor abarca o mundo, e por mais se divida, jamais diminui de intensidade, conseguindo multiplicar-se e ampliar-se ao infinito.

Somente no amor está a felicidade, porque nele se haure vida e vida em abundância, facultando o encontro com a consciência de si, o autoencontro com o Self.


Joanna de Ângelis