sexta-feira, 10 de abril de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Após a Tempestade - Divaldo P. Franco - Cap. 23 - Desencarnação



Joanna de Ângelis - Livro Após a Tempestade - Divaldo P. Franco - Cap. 23


Desencarnação


Resultante da orientação religiosa deficiente que situou a morte como ponte entre a vida física e a sobrenatural, onde a Divina Justiça aguarda o Espírito para brindar-lhe a paz ou a desdita, o conceito errôneo ensejou aos cépticos anotações devastadoras, tornando-a simples retorno ao pó donde se teria originado, portanto, ao aniquilamento.

Não obstante sua remota antiguidade, o culto dos mortos recebeu do hedonismo grego terrível reação, quando os usufrutuários do prazer situaram os impositivos do existir, simplesmente no ideal físico e estético da beleza e do gozo com as decorrências imediatas da dissolução dos tecidos e das expressões do pensamento.

Os estoicos, que se lhes opunham, esforçavam-se por colocar resistências ao pavor da morte, numa tentativa de se evitarem a tristeza e a dor, mediante um fatalismo racionalista com que se deve superá-las, através do esforço sobre-humano para enfocar as realidades do dia a dia, vivendo-se com valor cada hora no mundo material.

O Cristianismo foi na História a mais eloquente mensagem de louvor à vida e à morte, considerando-se que a ética vivida e ensinada por Jesus é toda vazada na "negação do mundo material" para a afirmação de Deus e da vida espiritual.

A sua mensagem impele o homem ao entesouramento dos valores morais que não transitam nem se perdem quando se decompõem as aparências orgânicas, permanecendo além-túmulo como superiores recursos para a sobrevivência feliz.

Além disso, o seu contato comos chamados mortos, em contínua convivência, suas horas de solidão com Deus atestam a grandeza do princípio espiritual sobrepujando as limitações do veículo carnal.

Como se não bastassem as eloquentes comprovas de que se fez ímpar agente, retornou, Ele próprio, do além-túmulo, à presença de um sem-número de testemunhas, com elas confabulando e convivendo com expressões de vitalidade incontestável...

Em todos os tempos ressumamos atestados imortalistas, no incessante intercâmbio entre as duas esferas: a orgânica e a espiritual.

Mentes áridas e atormentadas, no entanto, hão procurado sepultar no "nada" a glória imortal. Não obstante, o atavismo dessa negação, no inconsciente humano mantido pela sistemática da descrença, jamais foi utilizada a expressão niilista sobre a vida imortal nos incontáveis conúbios de que foram instrumento médiuns, santos e apóstolos afirmando sempre a sobrevivência... Em todos esses fenômenos paranormais o verbete Imortalidade superou o aniquilamento do ser, reafirmando a indestrutibilidade do Espírito à decomposição dos tecidos carnais...

Não há morte, ninguém se equivoque.

Só há vida, onde quer que se detenha o pensamento.

Da decomposição pestilencial da matéria surgem multiplicadas, complexas formas de vida.

Morre a lagarta em histólise de desagregação para surgir a borboleta em histogênese admirável...

Morre a semente para libertar a planta...

Morre o sêmen para formar o corpo...

Morre o corpo para que se liberte o Espírito que dele se utiliza como de um veículo em romagem purificadora.

Sem dúvida, a morte constitui dor inominável quando arrebata o ser querido, retirando-o da convivência e da ternura dos que o amam...

Possivelmente, é a dor motu continuum de maior duração, graças ao apego e valor que se atribuem aos grilhões carnais.

A ausência do corpo não impede, porém, a presença do ser, desagregado na forma, não, todavia, aniquilado na essência.

Ninguém sobreviverá sine-die enquanto no ergástulo fisiológico.

Indispensável considerar que a vida orgânica, iniciada no ovo se dilui quando cessa a circulação sanguínea por falta de oxigenação, todavia a causa que aglutinou as moléculas e as transformou prossegue, agora livre, continuando os rumos que deve vencer.

Ninguém é genitor ou filho, esposo ou amigo afeiçoados por caprichos do acaso.

Quando se rompem as argamassas não se destroem os vínculos superiores que os precederam ao berço e os sucederão ao túmulo.

Imperioso considerar, mediante reflexão continuada, a problemática da morte, a fim de que a surpresa, decorrente da imantação ao corpo físico, não se transforme em rebeldia inútil ou exacerbação dissolvente.

Os seres amados recebem, onde se encontram vivos após a morte, os dardos da revolta negativa para eles como as lembranças afáveis do amor.

O pensamento é força vital gravitando no Universo.

Imã poderoso mantém sua própria força e atrai as ondas semelhantes que nele se fixam ou às quais se liga.

Assim, recorda os teus mortos com alegria e ternura, mesmo que isto te pareça paradoxal.

A morte não visita apenas o teu lar. Passa por todas as portas, invariavelmente.

Se amas, conforme dizes, atesta-o com nobreza e não por meio da insensatez.

Uma memória que inspira desesperação, realmente não foi útil nem nobre.

Somente o amor verdadeiro inspira ânimo e confiança, alegria e esperança.

Coloca-te no lugar de quem partiu e considera a forma como te sentirias se foras a causa do infortúnio da pessoa que, dizendo amar-te, pensa em fugir, em vingarse, em abandonar a vida...

Refletirás melhor e transformarás a dor em flores de alegria, guardando a certeza de que o amanhã fará o teu reencontro com quem amas.

A vida sempre devolve conforme recebe.

Irisa o céu da tua saudade coma luz da oração pelos teus amados imortais.

... E começa a preparar-te para a vilegiatura que te alcançará logo mais.

Rompe as algemas da paixão, quebra as peias do egoísmo, organiza o programa de liberação das mágoas, reflete nas dores e, quando chegar o teu momento, que nenhuma retentiva te prenda na retaguarda...

Vivendo, está-se desencarnando a pouco e pouco. O golpe final resulta de todos esses pequenos morreres, que lançam a alma na realidade da consciência livre e indestrutível.

Desencarnar é desembaraçarse da carne.

Morrer, literalmente, significa cessar de viver.

Do ponto de vista espiritual, porém, morte é vida e vida no corpo pode afigurar-se como morte transitória da liberdade e da plenitude da lucidez.

Vive, pois, de tal forma que, advindo a morte ou desencarnação, estejas livre e prossigas feliz.


Joanna de Ângelis

















quinta-feira, 9 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Linha Duzentos - Chico Xavier - Cap. 7 - A busca



Emmanuel - Livro Linha Duzentos - Chico Xavier - Cap. 7


A busca


Portanto eu vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á. — (Lucas, 11:9)

Todo desejo é rogativa endereçada às Forças Sublimes que governam a vida; e toda realização, em nosso caminho, é oração atendida por semelhantes poderes.

Toda aquisição, porém, exige pagamento e toda conquista tem o preço que lhe corresponde.

Acharás o que procuras, — disse o Senhor, — mas pagarás igualmente pelo que receberes.

Pede a beleza física e tê-la-ás realmente, todavia, as tentações de natureza inferior multiplicar-te-ão os anseios.

Roga a riqueza material e, de certo, atingir-lhe-ás o patrimônio amoedado na Terra, mas a tua aflição, na defesa da posse, reduzirá o teu círculo de alegria.

Solicita o brilho da fama e, sem dúvida, a popularidade fulgurará em teu nome; entretanto, a tua paz sofrerá golpes rudes.

Insiste na materialização de teus propósitos pessoais, nas linhas obscuras da leviandade ou do egoísmo e, incontestavelmente, receberás a experiência que exiges; contudo, em teus erros encontrarás o elixir amargo, destinado à própria cura.

Aprendamos a procurar a felicidade, não propriamente conosco, mas em companhia do Cristo, nosso Mestre e Senhor.

Logicamente, junto d’Ele, padronizando a nossa busca pelos seus moldes de amor, nem sempre marcharemos entre aplausos e flores, mas conheceremos, de perto, a luta, a renunciação, a dor e o sacrifício, terminando talvez o nosso roteiro pela flagelação e pela cruz; entretanto, nessa estrada pedregosa e sublime, escura e luminosa, tocada de feridas e resplendores, encontraremos a alegria divina da imortalidade, porquanto estaremos buscando em todos os ângulos da jornada a santificante Vontade de Deus.


Emmanuel












Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 144 - Ajudemos a vida mental



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 144


Ajudemos a vida mental

 
“E seguia-o uma grande multidão da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judeia e de além do Jordão.” — (MATEUS, 4:25)


A multidão continua seguindo Jesus na ânsia de encontrá-lo, mobilizando todos os recursos ao seu alcance.

Procede de todos os lugares, sequiosa de conforto e revelação.

Inútil a interferência de quantos se interpõem entre ela e o Senhor, porque, de século a século, a busca e a esperança se intensificam.

Não nos esqueçamos, pois, de que abençoada será sempre toda colaboração que pudermos prestar ao povo, em nossa condição de aprendizes.

Ninguém precisa ser estadista ou administrador para ajudá-lo a engrandecer-se.

Boa vontade e cooperação representam as duas colunas mestras no edifício da fraternidade humana. E contribuir para que a coletividade aprenda a pensar na extensão do bem é colaborar para que se efetive a sintonia da mente terrestre com a Mente Divina.

Descerra-se à nossa frente precioso programa nesse particular.

Alfabetização.

Leitura edificante.

Palestra educativa.

Exemplo contagiante na prática da bondade simples.

Divulgação de páginas consoladoras e instrutivas.

Exercício da meditação.

Seja a nossa tarefa primordial o despertamento dos valores íntimos e pessoais.

Auxiliemos o companheiro a produzir quanto possa dar de melhor ao progresso comum, no plano, no ideal e na atividade em que se encontra.

Orientar o pensamento, esclarecê-lo e sublimá-lo é garantir a redenção do mundo, descortinando novos e ricos horizontes para nós mesmos.

Ajudemos a vida mental da multidão e o povo conosco encontrará Jesus, mais facilmente, para a vitória da Vida Eterna.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Fonte de Paz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 18 - Melhorar sempre



Emmanuel - Livro Fonte de Paz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 18


Melhorar sempre


“Por isso também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem suas almas ao fiel Criador, na prática do bem.” — PEDRO (1 Pedro, 4:19)


Justo lembrar que a Providência Divina nos endereça todos à paz e à felicidade, ao aperfeiçoamento e à vitória.

Entretanto, quantas vezes e quantos de nós, a meio caminho para o triunfo, nos motivamos para a frustração e marginalizamo-nos por tempo indeterminado em desânimo e pessimismo?

Prendemo-nos ao lado negativo de contratempos salvadores e costumamos dizer:

— Nada posso.

— Tudo é contra mim.

— Só vejo trevas.

— Sou um caso perdido.

— Moro no azar.

— Sou sempre infeliz.

— A vida é uma carga insuportável.

Na fieira de semelhantes condenações, esquecemo-nos de que cada qual de nós tem o seu mundo próprio, e, se induzimos o nosso próprio mundo ao fracasso, quem nos livrará do fracasso, se somos todos criaturas de Deus com a faculdade de criar os nossos próprios destinos?

Consideremos isso, selecionando expressões e afirmações compatíveis com a nossa condição de Espíritos imortais, ante as Leis do Universo.

Uma frase estabelece determinada disposição.

Determinada disposição produz certa atividade específica.

Certa atividade específica gera circunstâncias.

E circunstâncias constroem a vida.

Em todos os lances da existência, procuremos palavras de esperança e fé, alegria e bênção para usá-las a benefício próprio, de vez que, ainda mesmo nos últimos degraus do sofrimento, dispomos nós todos, com o amparo de Deus, do privilégio de renovar e da felicidade de servir.


Emmanuel









quarta-feira, 8 de abril de 2026

Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 5 - Mundos superiores



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 5


Mundos superiores


Os Espíritos benfeitores da humanidade falam sobre mundos superiores em relação à Terra, dimensão em que estagiam companheiros de alta estirpe espiritual, com a função de estender o amor por onde passam, movidos pela fraternidade cósmica e por um perdão sublimado.

Imaginemos que, se na Terra existem momentos de alegria, esses mundos superiores ao planeta, como devem ser? Devemos considerar que o plano terreno é mundo de provas e expiações, e que esses mundos de que ora falamos são venturosos, capazes de oferecer aos Espíritos a eles recambiados um clima saudável, induzindo-o à caridade e à fé, à fraternidade e ao perdão, para que todos se apoiem no grande manancial a que denominamos de amor.

A Doutrina Espírita, sendo dotada de altos conceitos sobre a vida espiritual, nos traz com segurança notícias dos mundos superiores, nos servindo de incentivo para o trabalho com amor e a caridade como dever, sem as mesquinhas intenções do ganho fácil, da usura que muito preocupa os seres humanos e que os faz desviar da luz.

O ambiente da Terra nos predispõe às paixões inferiores, como o interesse a todos os tipos de imprudências, por duvidar das belezas imortais dos mundos superiores, aonde deveremos ir, quando limpos de coração e portadores de tranquilidade de consciência, o que alguns chamam de paz imperturbável. Não se deve esquecer que Deus existe e que somos todos Seus filhos, com os mesmos direitos e deveres compatíveis. 

O Espiritismo é uma oportunidade valiosa de nos ajudar, encarnados e desencarnados, a compreender como ajustar as nossas vidas para entrarmos nesses mundos superiores, passando a educar os sentimentos e nos instruindo, deixando a fraternidade se estender em todo o mundo, servindo-nos de instrumento, levando sementes tiradas da árvore do bem, e semeando-as na grande lavoura de Deus.

É necessário que se observem os conceitos dos livros espíritas, principalmente os mediúnicos, esforçando-se para vivê-los na grande arte de acender a luz na intimidade, que os seres que já se libertaram passarão a ajudar nesse amanho de libertação, como sendo o sopro de Deus, alimentando os corações no labor da dignidade moral.

Abracemos o aprimoramento espiritual, confiando no Senhor, e avancemos em todas as direções no nosso campo interno para conhecermos a nós mesmos e vencermos todas as lutas travadas com nossas inferioridades. Se você fala muito do Evangelho mas não vive o que fala, não esmoreça; prossiga falando, dando conhecimento dessa luz de Deus, mas não se esqueça de se esforçar todos os dias, para que no amanhã fique mais fácil a vivência.

Conheça a existência dos mundos superiores por estar você lendo todos os dias as notícias do além túmulo, através dos que já se foram. Não tente enganar a si mesmo; cada libertação das trevas representa pingos de luz em sua vida, e em seu favor. Ninguém compra a entrada nos mundos venturosos, nem ilude a vida para o ingresso neste ambiente de luz.

A senha para tal entrada se chama caridade, que se faz a si mesmo e aos outros e, para essa moradia, a vida exige pureza de pensamentos, de palavras e de existência, que se envolve na fraternidade, filha do amor, aquele estado d’alma que desconhece ofensas, em que a injúria não tem ação nem faz mudanças contrárias ao amor nos seus sentimentos, em que o trabalho expressa o seu dever ante os seus compromissos, e em que o seu coração irradia a alegria íntima, em que todos sentem o perfume de vida, que emana do nosso Mestre Jesus.

Espírita!... Não enumere os defeitos alheios, pois, cada um é senhor do seu próprio mundo!  Observe a sua vida, e veja o que existe para consertar nos seus caminhos, começando hoje mesmo, porque a aquisição moral é o seu trabalho. O mundo espiritual o ajuda, no entanto há que começar esse o seu maior trabalho e não se preocupe com os outros, que com o seu exemplo, eles passarão a melhorar também. Em vez de falar dos defeitos alheios, se está fazendo o mesmo, corrija primeiro, para depois falar pela vida que levar.

Enganar a si mesmo é contrariar a natureza e esquecer Aquele que tudo fez é não querer pensar em Jesus como nosso Guia em todos os rumos da Terra. Sem Deus, nada somos; Ele é tudo, e está em todos, no comando da própria vida universal. Quem não deseja ingressar nos mundos superiores?  Todos nós o desejamos; entretanto, temos de passar pela porta estreita, mostrando que já descarregamos o fardo e aliviamos o jugo das coisas humanas, alcançando o divino, de modo que a consciência sente Deus e o coração é comandado, inspirando todos os sentimentos por Jesus, colocando-nos, onde estivermos, a viver os mundos superiores, naquela paz que somente o Senhor pode dar.

O rico encontra mais dificuldades para renunciar e para praticar a caridade para com o próximo; entretanto, isso não é impossível, dependendo da boa vontade e da persistência no bem até ao fim. Devemos reconhecer que a Doutrina Espírita é uma oportunidade valiosa de se melhorar espiritualmente, de avançar com coragem ante todos os obstáculos, vencendo-os e passando a reconhecer que as maiores lutas que devemos travar é em nós mesmos. Aquele que conseguir vencer a si mesmo é, pois, um bom vencedor.

A magnificência deve ser um ponto cardeal de todos os seres, que devem compreender melhor que toda a grandeza permanente é aquela que tem ressonâncias espirituais no convívio com o amor. Não se deve invejar aqueles que ainda permanecem na carne, por serem grandes personagens ou realezas terrenas, e cujas posições podem ser motivos de tropeços nos caminhos que percorrem. 

Trabalhemos no silêncio, na aquisição de sublimidade espiritual, de modo a confortar os corações e dar rumo certo aos sentimentos que buscam a beleza da vida que é amar por amor, é fazer a caridade por caridade, é perdoar com alegria e esquecer as faltas. Esse o maior esplendor de quem pisa neste solo de um mundo de provas e expiações.

Que Deus abençoe os que se esforçam todos os dias, na melhoria com Jesus.


Miramez












André Luiz - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 13.2 - Desportos



André Luiz - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 13.2


Desportos


7. A dor é uma bênção que Deus envia a seus eleitos; não vos aflijais, pois, quando sofrerdes; antes, bendizei de Deus onipotente que, pela dor, neste mundo, vos marcou para a glória no Céu. (E.S.E — Cap. IX - Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos - A paciência.)

893. Qual a mais meritória de todas as virtudes?

“Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.” (O Livro dos Espíritos — Allan Kardec)

Se há esportes que auxiliam o corpo, há esportes que ajudam a alma…

A marcha do dever retamente cumprido.

A regata de suor no trabalho.

O exercício do devotamento ao estudo.

O salto do esforço, acima dos obstáculos.

A maratona das boas obras.

O torneio da gentileza.

O mergulho no silêncio, diante da injúria.

O nado da paciência nas horas difíceis.

A ginástica da tolerância perante as ofensas.

O voo do pensamento às Esferas Superiores.

A demonstração de resistência moral nas provas de cada dia.

Todos esses desportos do espírito podem ser praticados em todas as idades e condições. E creia que qualquer campeonato num deles será prêmio de luz em seu coração, a brilhar para sempre.


André Luiz










terça-feira, 7 de abril de 2026

Ismael - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 23 - Súplica consolação



Ismael - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 23


Súplica consolação


Meus filhos: exoramos as bênçãos de Deus para o prosseguimento da vossa jornada redentora.

O homem contemporâneo traz o cérebro enriquecido de ciência e tecnologia, não obstante se encontra atormentado sob as dolorosas injunções da emoção desequilibrada e do sentimento inquieto.

Os séculos que se sucederam na história do pensamento não lograram, ainda, tornar feliz a criatura humana.

Nos vários períodos históricos ficaram assinalados os fastos de grandeza e as marcas da miséria, seja nos grandes monumentos que exaltam a glória dos sonhos terrestres, seja nos lamentáveis escombros dos impérios e nações consumidos pela guerra...

Periodicamente, o Amor de Deus enviou ao planeta os Missionários do Bem, do Amor e da Sabedoria, preparando a hora em que Jesus-Cristo deveria dividir as épocas, assinalando com a Sua Mensagem Libertadora a Era de renovação e paz, mediante o sublime Estatuto das Bem-aventuranças...

Jamais o homem esteve a sós, nas lutas do seu engrandecimento e nas ásperas atividades de crescimento espiritual. Constantemente, os Embaixadores dos Céus visitaram a Terra mantendo a chama da Verdade acesa nos corações e nas mentes, embora, não raro, entre sacrifícios, padecimentos inomináveis e holocaustos que lhes imortalizariam as vidas em representação do Amor não amado.

Quando o século XIX se iniciava com as grandiosas perspectivas de libertação da Ciência e do reflorescimento da Filosofia, e as doutrinas religiosas se encontravam desnorteadas, renasceu Allan Kardec com a tarefa sublime de restaurar o pensamento de Jesus e abrir as portas da Humanidade para a Era do Espírito Imortal.

Com ele, a Ciência, a Filosofia e a Religião dão-se as mãos, objetivando erguer o homem do caos de si mesmo e construir a sociedade do futuro conforme a visão de Jesus ainda fulgurante no Seu Evangelho de bênçãos.

Não superado, o Embaixador das Vozes dos Céus ofereceu à posteridade o legado precioso da Doutrina Espírita, que conduzirá a Humanidade ao seu grande fanal, que é a felicidade.

Hoje, não obstante as admiráveis conquistas que engrandecem o século da Ciência, o homem chora e sofre... 

A dor macera-o; a ansiedade atormenta-o; o medo torna-o revel.

E nesse ser, porém, necessitado de paz, que o Espiritismo instala as bases do reino de Deus, preparando- o, desde hoje, para a grandeza estelar.

Vossas lágrimas, meus filhos, vossas necessidades e vossas angústias não nos passam despercebidas.

Reunimos os vossos apelos em cantos de desespero e formamos uma sinfonia que se converterá em um hino de esperança, cujas respostas tereis logo mais.

Tende ânimo!

Guardai a esperança no coração!

Trabalhai sem desfalecimento, porfiando no bem.

O Senhor de nossas vidas conhece as vossas necessidades e providencia a solução para os mais urgentes e angustiantes problemas.

Aqui esperamos que, unidos ao ideal do Espiritismo, vos disponhais ao serviço da edificação da sociedade mais feliz e melhor equipada de amor, para enfrentardes as vicissitudes, até chegada a hora da vossa libertação.

A nova diretriz para o vosso caminho não é outra, senão aquela que, há dois mil anos, vem convidando-nos a todos à grande decisão:

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, conforme disse Jesus.

Amai-vos, pois, e educai-vos, instruindo-vos e agindo no bem, a fim de que não seja postergada a hora que todos anelamos.

Meus filhos, suplicando a Jesus que interceda ao Pai por todos nós, abraça-vos e encoraja-vos para a luta,


Ismael





Página psicografada durante a solenidade de abertura do 1° Congresso Internacional de Espiritismo, no Ginásio Nilson Nelson, na noite de 1 de outubro de 1989, em Brasília, DF