domingo, 22 de março de 2026

Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 13 - No reino da alma



Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 13


No reino da alma


“Por este motivo te lembro que despertes o dom de Deus, que existe em ti, pela imposição de minhas mãos.” — PAULO (II Timóteo, 1:6)


Numerosos os companheiros que pagam ou reclamam concurso alheio para que se lhes desenvolvam determinadas qualidades espirituais. Ginásticas, regimes dietéticos, penitências, austeridades místicas…

Sem dúvida, semelhantes processos de educação do corpo e da mente valem por precioso concurso ao despertamento da vida interior, sempre que empregados de intenção e pensamento voltados para os interesses superiores do Espírito. Mas não bastam.

A palavra do Evangelho, através do apóstolo Paulo, é suficientemente esclarecedora. Ele se reporta à colaboração dos passes magnéticos, ministrados por ele mesmo, em favor do discípulo; entretanto, não o exonera da obrigação de acordar, em si e por si próprio, os talentos de que é portador.

O convívio com um amigo da altura moral do convertido de Damasco, as preces e ensinamentos do lar, os apelos doutrinários e o amparo externo constantemente recebido não desligavam Timóteo do dever de estudar e aprender, trabalhar e servir, a fim de burilar os seus dons de alma e acioná-los na construção da própria felicidade pela extensão do bem.

Pensemos nisso e saibamos receber reconhecidamente os auxílios que a bondade alheia nos proporcione, aproveitando-os em nosso benefício, mas lembrando sempre que o autoaperfeiçoamento, para que a luz do Senhor se nos retrate no coração e na vida, será resultado de esforço nosso, ação individual de que não poderemos fugir.


Emmanuel







(Reformador, maio 1965, página 98)

André Luiz - Livro O Espírito da Verdade - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 43 - Crítica



André Luiz - Livro O Espírito da Verdade - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 43


Crítica


2. "Se somente amardes os que vos amam que mérito se vos reconhecerá, uma vez que as pessoas de má vida também amam os que as amam? — Se o bem somente o fizerdes aos que vo-lo fazem, que mérito se vos reconhecerá, dado que o mesmo faz a gente de má vida? — Se só emprestardes àqueles de quem possais esperar o mesmo favor, que mérito se vos reconhecerá, quando as pessoas de má vida se entreajudam dessa maneira, para auferir a mesma vantagem? — Pelo que vos toca, amai os vossos inimigos, fazei bem a todos e auxiliai sem esperar coisa alguma. Então, muito grande será a vossa recompensa e sereis filhos do Altíssimo, que é bom para os ingratos e até para os maus. — Sede, pois, cheios de misericórdia, como cheio de misericórdia é o vosso Deus." — LUCAS, 6:32 a 36. (E.S.E - Capítulo XII — Amai os vossos inimigos - Retribuir o mal com o bem.)


Se você está na hora de criticar alguém, pense um pouco, antes de iniciar.

Se o parente está em erro, lembre-se de que você vive junto dele para ajudar.

Se o irmão revela procedimento lamentável, recorde que há moléstias ocultas que podem atingir você mesmo.

Se um companheiro faliu, é chegado o momento de substituí-lo em trabalho, até que volte.

Se o amigo está desorientado, medite nas tramas da obsessão.

Se o homem da atividade pública parece fora do eixo, o desequilíbrio é problema dele.

Se há desastres morais nos vizinhos, isso é motivo para auxílio fraterno, porquanto esses mesmos desastres provavelmente chegarão até nós.

Se o próximo caiu em falta, não é preciso que alguém lhe agrave as dores de consciência.

Se uma pessoa entrou em desespero, no colapso das próprias energias, o azedume não adianta.

Ainda que você esteja diante daqueles que se mostram plenamente mergulhados na loucura ou na delinquência, fale no bem e fuja da crítica destrutiva, porque a sua reprovação não fará o serviço dos médicos e dos juízes indicados para socorrê-los, e, mesmo que a sua opinião seja austera e condenatória, nisso ou naquilo, você não pode olvidar que a opinião de Deus, Pai de nós todos, pode ser diferente.


André Luiz










Psicografia Chico Xavier.

Joanna de Ângelis - Livro Alegria de Viver - Divaldo P. Franco - Cap. 1 - Aflições

 

Joanna de Ângelis - Livro Alegria de Viver - Divaldo P. Franco - Cap. 1


Aflições


“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.” (Mateus, 5:4)


Multiplicam-se as aflições no mundo, agigantando os corações humanos.

Algumas invitam à superação, todas, porém, com finalidade depurativa, para quem lhes suporta a presença.

Nem todos os homens, porém, logram entendê-las, a fim de conduzi-las conforme seria o ideal.

Em razão disso, há aflições que anestesiam os sentimentos, como outras que desarticulam o equilíbrio, levando a alucinações e resultados infelizes...

Os aflitos tropeçam nos campos da ação redentora, e porque tresvariados pelo inconformismo e pela rebeldia, agridem e são agredidos.

Não obstante, as aflições atuais têm as suas nascentes nos atos passados, próximos ou remotos de cada ser e da sociedade em geral, que devem ser reparados.

A oportunidade da aflição é bênção, porque objetiva reeducar e propiciar crescimento a quem lhe recebe a injunção.

Os que, todavia, não lhe aceitam a condição, perdem o ensejo redentor.

Jesus anunciou que são "bem-aventurados os aflitos", não, porém, todos os aflitos, porque somente aqueles que lhe recebem o impulso iluminativo, são os que logram alar-se no rumo dos Altos Cimos.

A aflição pode destinar-se ao mister de prova ou de expiação.

A prova avalia, examina, promove.

A expiação trabalha, reeduca, resgata.

A prova não tem, necessariamente, uma causa negativa, porquanto pode também representar um apelo do Espírito para granjear títulos de enobrecimento, depurando-se a pouco e pouco.

A expiação tem a sua gênese no erro, impondo-se como condição fundamental para a quitação de débitos contraídos.

A prova é de escolha pessoal, enquanto a expiação é inevitável e sem consulta prévia.

Bendize as tuas provas e elege a ação do bem como técnica de crescimento para si mesmo.

Agradece as expiações, por mais ásperas se te apresentem, porquanto elas te propiciam a conquista do equilíbrio perdido, auxiliando-te a recompor e a reparar.

Seja qual for o capítulo das aflições em que estagies, reconforta-te com a esperança, na certeza de que, suportando-as bem, amanhã elas te constituirão títulos de luz encaminhados à contabilidade divina, que então te alforriará da condição de precito e devedor, conduzindo-te à plenitude da paz, completamente liberado.


Joanna de Ângelis















Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 66 - Elogios e críticas



Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 66


Elogios e críticas


“Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do Alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança.” — (TIAGO, 1:17)


Se o Sol dependesse da aprovação humana para alimentar a vida que se lhe gravita em derredor, certo que, desde muito, estaria reduzido a montão de cinzas.

Se a Terra sofresse com as censuras que lhe são constantemente desfechadas por todos aqueles que a categorizam por vale de lágrimas, já teria descido à condição de um cemitério no Espaço.

Se a semente rejeitasse a solidão e a morte a que se vê relegada no solo, a fim de colaborar no sustento do mundo, as criaturas estariam, há muito tempo, sem a bênção do pão.

Ah! se a fonte recusasse o regime de mudança incessante e permanente em que é chamada a servir, a vida organizada na Terra se mostraria confinada a primitivismo e estagnação.

Se a árvore só produzisse sob aplausos, o fruto não abençoaria a mesa dos homens.

Obreiros da Verdade e do Bem, reflitamos nas lições simples da Natureza e trabalhemos.

Agradecei o louvor que vos fortalece para o desempenho das obrigações naturais do mundo e aproveitai com resignação a advertência que a crítica vos dê.  

Entretanto, se precisamos de elogio para trabalhar e se a admoestação nos paralisa as faculdades de servir, estamos ainda longe de compreender o tesouro das oportunidades de aprimoramento e elevação que nos enriquece os caminhos, de vez que, acima de tudo, a bênção que nos reconforta, a luz que clareia a estrada, a força que nos sustenta e o apoio que nos escora chegam sempre de Mais Alto e procedem, originário e tão somente, de Deus.


Emmanuel










Reformador, setembro 1971, p. 195.

sábado, 21 de março de 2026

Hammed - Livro Lucidez a Luz que Acende na Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 2 - Imposição das mãos



Hammed - Livro Lucidez a Luz que Acende na Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 2


Imposição das mãos


Amado Pai, ajuda-nos a utilizar bem as mãos, para que elas sejam chamadas a curar as chagas da alma. 

Permite-nos que as coloquemos, sempre que necessário, em posição de quem ora, a fim de expandirmos luzes para atenuar dores, renovar as forças interiores, tranquilizar nosso íntimo e auxiliar a quem quer que seja. 

O coração inspira a mente; esta pensa e as mãos edificam. Por sinal, os feitos delas darão notícias de como foi nossa passagem pela Terra.

Todo-Compassivo, consente que nossas mãos esparjam, por meio da transmissão fluídica, algum vigor ou força do seu amor infinito para dar aconchego e contentamento aos nossos semelhantes. Faze delas um canal; usa-as como ferramentas de restabelecimento e sanidade.

Todavia, é bom lembramos que mãos generosas não são aquelas que doam de forma superabundante e descontrolada, mas aquelas que sabem como e quando doar acertadamente. Por falar nisso, Pai Amado, a mão que realmente auxilia pertence às criaturas que aprenderam a favorecer os outros sem se verem obrigadas a tomar para si os conflitos e infortúnios que não lhes pertencem. É aquela que socorre os sofredores sem emaranhar-se na problemática emocional deles.

Senhor Deus, inspira-nos a sermos prestativos com as aflições dos nossos semelhantes, mas não nos deixes envolver nos conflitos ou problemas que não são nossos. Melhor ajudamos quando não carregamos as cruzes alheias, e sim quando só ajudamos a levantá-las.

Pai, estamos cientes de que muitas religiões na atualidade distorceram o conceito de altruísmo, utilizando a culpa e o medo como formas de nos forçar a manter o sustento físico e a estabilidade emocional de outrem. Muitos de nós não entendemos que a beneficência real não depende de imposição moral ou obrigação religiosa, mas da necessidade de estar unida à naturalidade da doação com amor.

A prova disso está nas palavras de Jesus: “Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita". Ele utilizou a metáfora das mãos para nos ensinar que tudo que déssemos deveria ser com espontaneidade, e não por obrigação.

Por extensão de sentido, a palavra “mão”, unida a outra palavra, tem significações interessantes:

• mãos impostas — aquelas que transmitem energia, entregando-se a uma empreitada de amor;

• mãos de fada — são laboriosas e hábeis na execução dos mais diversos trabalhos de arte;

• mãos unidas — ficam, palma com palma, na posição dos que oram ou suplicam ardentemente;

• mãos à palmatória — são flexíveis, pois reconhecem a derrota ou o engano;

• mãos fortes  servem de sustentáculo; emprestam apoio, solidarizam e amparam;

• mãos-largas — são pródigas ou dadivosas; pertencem a indivíduos de boa vontade;

• mãos de seda — são carinhosas e atenciosas com as dores alheias;

• mãos-cheias — as que fartam; oferecem quantidade mais que suficiente para suprir necessidades.

Bom Deus, temos certeza de que amparas invariavelmente as mãos-postas que lhe rogam auxílio e de que sustentas as mãos trémulas e inseguras, reservando-lhes braços fortes. Por isso, apazigua nosso coração para que a energia que provém de ti e o atravessa em nossa direção, continue repleta do teu Amor.

Que assim seja.


Hammed













Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 66 - Inverno



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 66


Inverno


“Procura vir antes do inverno.” — PAULO. (2 Timóteo, 4:21)


Claro que a análise comum deste versículo revelará a prudente recomendação de Paulo de Tarso para que Timóteo não se arriscasse a viajar na estação do frio forte.

Na época recuada da epístola, o inverno não oferecia facilidades à navegação.

É possível, porém, avançar mais longe, além da letra e acima do problema circunstancial de lugar e tempo.

Mobilizemos nossa interpretação espiritual.

Quantas almas apenas se recordam da necessidade do encontro com os emissários do Divino Mestre por ocasião do inverno rigoroso do sofrimento? Quantas se lembram do Salvador somente em hora de neblina espessa, de tempestade ameaçadora, de gelo pesado e compacto sobre o coração?

Em momentos assim, o barco da esperança costuma navegar sem rumo, ao sabor das ondas revoltas.

Os nevoeiros ocultam a meta, e tudo, em torno do viajante da vida, tende à desordem ou à desorientação.

É indispensável procurar o Amigo Celeste ou aqueles que já se ligaram, definitivamente, ao seu amor, antes dos períodos angustiosos, para que nos instalemos em refúgios de paz e segurança.

A disciplina, em tempo de fartura e liberdade, é distinção nas criaturas que a seguem; mas a contenção que nos é imposta, na escassez ou na dificuldade, converte-se em martírio.

O aprendiz leal do Cristo não deve marchar no mundo ao sabor de caprichos satisfeitos e, sim, na pauta da temperança e da compreensão.

O inverno é imprescindível e útil, como período de prova benéfica e renovação necessária. Procura, todavia, o encontro de tua experiência com Jesus, antes dele.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Vida em Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 18 - Pedras



Emmanuel - Livro Vida em Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 18


Pedras


As dificuldades de qualquer natureza são sempre pedras simbólicas, asfixiando-nos as melhores esperanças do dia, do ideal, do trabalho ou do destino, que recebemos na glória do tempo.

É necessário saber tratá-las com prudência, serenidade e sabedoria.

Há diversos modos de considerar os obstáculos, removendo-os ou aproveitando-os.

O preguiçoso recebe os calhaus da luta e estende-se no caminho, sucumbindo ao seu peso.

É o Espírito desanimado, indolente e enfermiço.

O desesperado, em se sentindo sob os granizos da sorte, confia-se à intemperança mental e atira-os ao viandante inocente ou à porta de companheiros inofensivos.

É o Espírito indisciplinado, renitente e impulsivo, que sabe apenas ferir o próximo ou denegri-lo com atitudes impensadas ou levianas.

O homem inteligente, todavia, recebe as pedras da experiência e, ainda mesmo sangrando as mãos ou o coração, recolhe-as, cuidadoso, valendo-se delas para a confecção de utilidades ou para a construção de edifícios consagrados ao agasalho, ao reconforto ou à benemerência, em favor dele mesmo, e de quantos o acompanham na marcha evolutiva.

Ninguém passará ileso nos caminhos do mundo. As pedras da incompreensão e da dor, no ambiente comum da existência carnal, chovem sobre todos.

Do entendimento e da conduta de cada um dependerão a felicidade ou o infortúnio, na laboriosa romagem terrestre.


Emmanuel