segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 28 - Psicologia da caridade



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 28


Psicologia da caridade


“Fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos façam, pois é nisto que consistem a lei e os profetas.” — JESUS (Mateus, 7:12).

“Amar ao próximo como a si mesmo, fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós”, é a expressão mais completa da caridade porque resume todos os deveres do homem para com o próximo.” — (Cap. XI, 4.)


Provavelmente, não existe em nenhum tópico da literatura mundial figura mais expressiva que a do samaritano generoso, apresentada por Jesus para definir a psicologia da caridade.

Esbarrando com a vítima de malfeitores anônimos, semimorta na estrada, passaram dois religiosos, pessoas das mais indicadas para o trato da beneficência, mas seguiram de largo, receando complicações.

Entretanto, o samaritano que viajava, vê o infeliz e sente-se tocado de compaixão.

Não sabe quem é.

Ignora-lhe a procedência.

Não se restringe, porém, à emotividade.

Para e atende.

Balsamiza-lhe as feridas que sangram, coloca-o sobre o cavalo e condu-lo à uma hospedaria, sem os cálculos que o comodismo costuma traçar em nome da prudência.

Não se limita, no entanto, a despejar o necessitado em porta alheia. Entra com ele na vivenda e dispensa-lhe cuidados especiais.

No dia imediato, ao partir, não se mostra indiferente. Paga-lhe as contas, abona-o qual se lhe fora um familiar e compromete-se a resgatar-lhe os compromissos posteriores, sem exigir-lhe o menor sinal de identidade e sem fixar-lhe tributos de gratidão.

Ao despedir-se, não prende o beneficiado em nenhuma recomendação e, no abrigo de que se afasta, não estadeia demagogia de palavras ou atitudes, para atrair influência pessoal.

No exercício do bem, ofereceu o coração e as mãos, o tempo e o trabalho, o dinheiro e a responsabilidade. Deu de si o que podia por si, sem nada pedir ou perguntar.

Sentiu e agiu, auxiliou e passou.

Sempre que interessados em aprender a praticar a misericórdia e a caridade, rememoremos o ensinamento do Cristo e façamos nós o mesmo.


Emmanuel












Miramez - Livro Horizontes da Fala - João Nunes Maia - Cap. 13 - O fenômeno da fala



Miramez - Livro Horizontes da Fala - João Nunes Maia - Cap. 13


O fenômeno da fala


"O semeador semeia a palavra". (Marcos, 4:14)


As palavras pronunciadas buscam outras congêneres, ajuntando-se, para a formação da grande egrégora, na psicosfera da Terra. Quando elas são inferiores, o seu magnetismo é pesado, e a própria lei da gravidade as fazem cair, respondendo aos mesmos seres que as lançaram no espaço, em forma de coisas desastrosas, como carma coletivo. Poucos se livram dos efeitos drásticos desses fluidos exumados das mazelas da Terra, pela lei de justiça. Os que se salvam são os que educaram o verbo na conversação diária, pois estes criaram em torno de si, pela expressão de alegria e de amor que partem dos seus corações, sem exigências, uma defesa psíquica, garantindo-lhes a paz imperturbável.

O mundo de amanhã vai ser feliz, porque felizes serão os pensamentos e palavras dos seres que o habitarão. Se queres modelar o teu verbo para participar desse futuro, observa o modo mais correto de falar de Nosso Senhor Jesus Cristo, na Sua alta dinâmica de entendimento com as almas, que em parte ficou anotado no Evangelho dos discípulos mais chegados ao Seu coração.

Apropria a tua vida com a vida do Mestre, trabalha como o oleiro, fazendo a argila tomar a forma bela e construtiva. As tuas idéias são como saibro entregue às tuas mãos de operário do Senhor. Amolda-as no estupendo forno da tua mente, soltando, pelos canais da palavra, água pura, provinda de um suprimento que nunca, jamais, acabará. Cultiva a oração sem fanatismo, que a tua área de trabalho ser-te-á mais favorável ao labor substancioso.

Não deixes passar um só dia sem que coloques na tua construção moral alguns tijolos da verdade, que os prenderá como produtos da tua boa vontade, inteligência e sentimentos, consubstanciados no amor. Se te surgirem algumas tempestades, não percas o ânimo. Continua esforçando-te, que o tempo mostrará o quanto valeu o teu trabalho. Quando o imponente edifício de luz subir ao topo da tua cabeça, alicerçado na profundeza da tua consciência, aí poderás falar em altos brados: "glória a Deus nas alturas e paz em meu coração, na Terra!"

O fenômeno da fala é maravilhoso e, quando nascido no bem, é indestrutível. Ficará para sempre como herança da vida, para milhares de vidas. A palavra é semente que fecunda em quem ouve e frutifica igualmente em quem fala. Falar, no entanto, é responsabilidade maior, por ter a vida nos dotado quais agricultores na vinha do Senhor, atendendo assim a bilhões de almas famintas do alimento da verdade.

Aproveitamos a fala de Marcos para maior elucidação, no capítulo quatro, versículo quatorze: "O semeador semeia a palavra". Ai daquele que, consciente desta verdade, não selecionar as sementes para o plantio, porque delas irão alimentar-se muitas almas em formação espiritual.

A boca é uma abertura no teu corpo, que Deus não esqueceu na formação congênita do teu instrumento de carne, para que, por ela e com ela, possas armazenar, na tua consciência, as belezas da vida.

Se alguém te ferir, por ignorância, não uses a tua boca como justiça, mas faze com que os teus lábios vibrem na cadência do perdão. Se alguém te caluniar, por falta de entendimento da lei divina, não faças o mesmo com ele. Usa a tua boca para agradecer a Deus e abençoar os ofensores. Se alguém mentir, denunciando-te por falsas atitudes, prender-te por suspeita e inveja, e ainda, perseguir-te quando estiveres livre, usa a tua palavra, mesmo assim, para abençoar, lembrando-se somente das virtudes que esse alguém possui. Somente Deus pode fazer aquilo que os teus primeiros impulsos desejaram.

O teu verbo pode transformar todos os teus inimigos — ou os que se dizem como tais — em amigos do coração, pois somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai. O fenômeno da palavra, que ilumina, é somente o do Bem. Façamo-lo!


Miramez 











Nota do Editor: egrégora, do grego egregorói — Elifas Levyo denomina "o princípio das almas, que
são os espíritos de energia e ação"; qualquer coisa que pode ou não pode significar. Os ocultistas
orientais descrevem os egrégores como seres cujos corpos e essência são um tecido da chamada Luz
Astral. Fonte: Glossário teosófico — Helena P. Blavatsky.


Emmanuel - Livro Vozes do Grande Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 20 - A ideia



Emmanuel - Livro Vozes do Grande Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 20


A ideia


Meus amigos:

A ideia é um elemento vivo de curta ou longa duração que exteriorizamos de nossa alma e que, exprimindo criação nossa, forma acontecimentos e realizações, atitudes e circunstâncias que nos ajudam ou desajudam, conforme a natureza que lhe venhamos a imprimir.

Força atuante, — opera em nosso caminho, enquanto lhe asseguramos o movimento.

Raio criador, — estabelece atos e fatos, em nosso campo de ação, enquanto lhe garantimos o impulso.

Expressa flor ou espinho, pão ou pedra, asa ou algema, que arremessamos na mente alheia e que retornarão, inevitavelmente, até nós, trazendo-nos perfume ou chaga, suplício ou alimento, cadeia ou liberdade.

O crime é uma ideia-flagelação que não encontrou resistência.

A guerra de ofensiva é um conjunto de ideias-perversidade, senhoreando milhares de consciências.

O bem é uma ideia-luz, descerrando à vida caminhos de elevação.

A paz coletiva é uma coleção de ideias-entendimento, promovendo o progresso geral.

É por essa razão que o Evangelho representa uma glorificada equipe de ideias de amor puro e fé transformadora, que Jesus trouxe à esfera dos homens, erguendo-os para o Reino Divino.

Na manjedoura, implanta o Mestre a ideia da humildade.

Na carpintaria nazarena, traça a ideia do trabalho.

Nas bodas de Caná, anuncia a ideia do auxílio desinteressado à felicidade do próximo.

No socorro aos doentes, cria a ideia da solidariedade.

No sermão das bem-aventuranças, plasma a ideia de exaltação dos valores imperecíveis do espírito sobre a exaltação passageira da carne.

No Tabor, revela a ideia da sublimação.

No Jardim das Oliveiras, insculpe a ideia da suprema lealdade a Deus.

Na cruz da renunciação e da morte, irradia a ideia do sacrifício pessoal pelo bem dos outros, como bênção de ressurreição para a imortalidade vitoriosa.

Nos mínimos lances do apostolado de Jesus, vemo-lo associando verbo e ação no lançamento das ideias renovadoras com que veio redimir o mundo.

E é por isso que, em nossas tarefas habituais, precisamos selecionar em nossas manifestações as ideias que nos possam garantir saúde e tranquilidade, melhoria e ascensão.

Não nos esqueçamos de que nossos exemplos, nossas maneiras, nossos gestos e o tipo de palavras que cunhamos para uso de nossa boca, geram ideias, que, à maneira de ondas criadoras, vão e vêm, partindo de nós para os outros e voltando dos outros para nós, com a qualidade de sentimento e pensamento que lhes infundimos, levantando-nos para o triunfo, ou impulsionando-nos para a derrota.

Evitemos o calão, a queixa, a irritação, o apontamento insensato, a gíria deprimente e a frase pejorativa, não apenas em nosso santuário de preces, mas em nosso intercâmbio vulgar, porque toda expressão conduz à inspiração e pagaremos alto preço pela autoria indireta do mal.

Somos hoje responsáveis pela ideia do Senhor no círculo de luta em que nos situamos. E é indispensável viver à procura do Cristo, para que a ideia do Cristo viva em nós.


Emmanuel












Tema principal
Na fase terminal de nossa reunião de 27 de outubro de 1955, fomos honrados com a palavra do nosso benfeitor Emmanuel, que nos transmitiu a preciosa alocução, acima transcrita.



Fone:

domingo, 1 de novembro de 2026

Teresa D’Ávila - Livro Instruções Psicofônicas - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 32 - Palavras de luz



Teresa D’Ávila - Livro Instruções Psicofônicas - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 32


Palavras de luz


Por muito se adiante a alma no tempo, há sempre tempo para que a alma reconsidere a estrada percorrida, abastecendo-se de esperança no amor daqueles a quem ama, assim como o viajante no mar provê a si mesmo de água doce, a fim de seguir à frente.

“Há tempo de semear e tempo de colher”, — diz-nos a experiência da Escritura. (Eclesiastes, 3:2)

E, se juntos partilhamos a promessa, não seria justo olvidarmo-nos uns aos outros no dia da realização.

“Deixai crescer reunidos o trigo e o joio, até que venha a ceifa”, — recomendou por sua vez o Senhor. (Mateus, 13:30)

Entretanto, a palavra de sua Sabedoria não nos inclina à indiferença. E, lembrando-a, não curamos de ser o trigo porque hoje nos vejamos fora do escuro sedimento da carne e nem insinuamos sejais vós o joio por permanecerdes dentro dela.

Recordamos simplesmente que todos trazemos ainda no campo das próprias almas o joio da ilusão e o trigo da verdade, necessitados da mercê do Celeste Cultivador.

Irmãos, não é apenas por regalar-se o Espírito na confiança que se lhe descortinarão as portas da vida glorificada, mas sim por se lhe acendrarem o conhecimento e a virtude, através do trabalho bem sofrido e da caridade bem exercitada.

Outrora, buscávamos a paz na quietude do claustro, na suposição de que a vitória pudesse brilhar a distância da guerra contra as nossas próprias faltas, e disputávamos a posse do santo sepulcro do Excelso Rei, ao preço de sangue e lágrimas dos semelhantes, como se lhe não devêssemos o próprio coração por escabelo aos pés divinos.

Hoje, porém, dispomos de suficiente luz para o caminho e não seria lícito permutar o pão da sabedoria pelo fel da loucura.

Enquanto os séculos de sombra e impenitência se escoam no pó do mundo, preparai nesse mesmo pó, erigido em tabernáculo de carne, os séculos futuros, em que nos reuniremos de novo para a exaltação do triunfo eterno.

Enalteçamos o sacrifício, aprendendo a renunciar para possuir, a perder para ganhar e a morrer para viver.

Por algum tempo ainda padeceremos o cativeiro das nossas culpas e transgressões, mas, em breve, aceitando o trilho escabroso e bendito da cruz, exalçaremos, diante da Majestade Divina, a nossa libertação para sempre.

Que o Senhor seja louvado.


Teresa D’Ávila







Tema principal:

TERESA D’ÁVILA — Célebre mística espanhola. Santa Teresa de Jesus, na Igreja Católica. (Desencarnou em 1582.)

Grande júbilo marcou para nós a noite de 14 de outubro de 1954. Na fase terminal de nossas tarefas, o Espírito José Xavier, através dos canais psicofônicos, avisou-nos fraternalmente:

— “Esforcemo-nos por entrelaçar pensamentos e preces, por alguns minutos, pois receberemos, na noite de hoje, a palavra, distanciada embora, de quem há sido, para muitos de nós, um anjo e uma benfeitora. Nosso grupo, em sua feição espiritual, deve permanecer atento. Neste instante, aproximar-se-á de nós, tanto quanto possível, a grande Teresa d’Ávila e, assim como um grão de areia pode, em certas situações, refletir a luz de uma estrela, nosso conjunto receber-lhe-á a mensagem de carinho e encorajamento, através de fluidos teledinâmicos. A mente do Chico está preparada agora, qual se fosse um receptor radiofônico. Repetirá, automaticamente, com certa zona cerebral mergulhada em absoluta amnésia, as palavras de luz da grande alma, cujo nome não ousarei repetir. Rogamos aos companheiros se mantenham em oração e silêncio, por mais dois a três minutos.”

Preparado o grupo, tivemos a felicidade de ouvir a nossa abnegada benfeitora espiritual, cuja mensagem falada nos atingiu os corações, como sendo sublime projeção de amor e luz.





Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 1 - Fé, rogativa e resultado



Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 1


Fé, rogativa e resultado


Em matéria de fé não te esqueças do esforço na realização que te propões a alcançar.

O lavrador confia na colheita, mas, para isso, não menospreza o próprio suor no arado laborioso, permanecendo em atenciosa vigília, desde os problemas da sementeira às equações do celeiro.

O arquiteto conta materializar a construção que lhe nasce do gênio criativo, porém, para atingi-la, vela pela segurança da obra, desde a base ao teto, consciente de que insignificante erro de cálculo lhe comprometeria o serviço integral.

O professor conhece os méritos da escola, mas não ignora a necessidade da própria renúncia na formação cultural do discípulo, permanecendo na tarefa assistencial, em favor dele, desde o alfabeto ao título de competência.

O operário espera o vencimento mensal que lhe assegura a subsistência, no entanto, sabe que não pode relaxar os próprios deveres, a fim de que a supervisão do trabalho não o exonere ou prejudique.

Fé que apenas brilhe na palavra vazia ou fé parasitária que somente se equilibra pela influência alheia, nutrindo-se tão somente de promessas brilhantes e relegando a outrem as obrigações que a vida lhe assinala, serão sempre atitudes superficiais daqueles que se infantilizam à frente das responsabilidades que o Senhor confere a cada um de nós.

Aceitemos o imperativo de nossa própria renovação com o Cristo, se realmente buscamos um clima de elevação à própria existência.

Tracemos nosso ideal superior, utilizando nossas melhores esperanças, todavia, não nos esqueçamos de transpirar no esforço próprio, doando nossas forças na edificação que pretendemos buscar, porque a fé em si constitui dinamismo atuante de nossas energias, condicionado à forma e à natureza de nossas orações ou de nossos desejos, impondo-nos, inevitavelmente, o resultado das ações que nos são próprias, seja na luz redentora do bem ou na treva escravizante do mal.


Emmanuel














sábado, 31 de outubro de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVII - João Nunes Maia - Cap. 18 - Responsabilidade



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVII - João Nunes Maia - Cap. 18


Responsabilidade


834. É responsável o homem pelo seu pensamento?

“Perante Deus, é. Somente a Deus sendo possível conhecê-lo, Ele o condena ou absolve, segundo a Sua justiça.” (O Livro dos Espíritos)


Já falamos alhures que somos responsáveis pelos nossos pensamentos. Eles são como que sementes, e a mente alheia é a Terra onde semeamos. Todo semear de ideias tem colheita, e a lei de justiça nos faz colher o que semeamos.

Certamente que o homem é responsável pelos seus pensamentos ante a Majestade Divina, no entanto, o Senhor, quando nos criou, e tendo onisciência, já sabia o uso que iríamos fazer dos nossos pensamentos e da nossa própria vida. A Inteligência Maior não nos criou já perfeitos, no que se refere à isenção de erros, por achar melhor que tivéssemos um pouco de trabalho para despertar os dons que se encontram em nossa estrutura espiritual, em estado de sono. Na profundidade, somos perfeitos, por termos sido criados pelo Ser Perfeito. Somente nos resta despertar essas qualidades já existentes dentro de nós.

Deus nos condena ou absolve pelo mecanismo das leis que Ele criou, sabendo antes que iríamos errar, se esse é o termo. Se Ele soubesse que não iríamos cometer faltas, para que existiriam leis? O Espírito, quando chega à perfeição, tem as leis de Deus vibrando dentro de si e nada de exterior o pode envolver, nem tão pouco disciplinar, porque ele é amor.

Vejamos como registrou Lucas, no capítulo doze, versículo cinquenta e um, as palavras do Mestre Jesus: 

"Supondes que vim para dar paz à Terra? Não, eu vô-lo afirmo, antes divisão." (Lucas 12:51) 

Por que divisão, se o Mestre é todo amor? A sociedade, com os velhos ensinamentos, não estava compreendendo o Espírito da letra que vivifica. Trouxe o Mestre novos conceitos, mais puros, mais visíveis, mas, mesmo assim, os homens iriam alterá-los por causa da verdade mais acentuada e se dividiram, como se vê pela quantidade de religiões que se multiplicaram no mundo, alicerçando-se no mesmo Jesus e no Seu Evangelho. Eis a divisão; são sementes lançadas em várias searas, com frutos que nos parecem desviados do verdadeiro objetivo da árvore-mãe, porque os homens não se encontram maduros, na maturação que corresponde ao amor mais puro.

A seara do Senhor é grande, e faltam nela ainda os bons servidores. Os países lutam entre si, gastando quantias astronômicas e matando uns aos outros por causa do orgulho e egoísmo, por um pedacinho de Terra a menos ou a mais, por palavras que desconsertam o adversário. Mas, no fundo, é o poder e o ouro influenciando e dando margem à discussão. Não se segue Cristo, porque Ele não tinha uma pedra onde reclinar a cabeça. A usura é um monstro que devora os ideais enobrecidos dos homens. Eles vendem e compram tudo, colocando o ouro como o seu deus, aquele que atende suas "necessidades". Que fazer agora nessa corrida do ouro? As sementes irão lhes trazer frutos com o mesmo teor da sua semeadura.

Ninguém pode reclamar do gosto amargo e das torturas advindas dos desvios das bênçãos que o Senhor lhe deu, como o poder de pensar. A justiça se faz segundo as ideias de Deus, impressas na lei de amor. 


Miramez

















sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Vida Desafios e Soluções - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5 - Significado do ser integral - Conquistas que plenificam



Joanna de Ângelis - Livro Vida Desafios e Soluções - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5 - Significado do ser integral


Conquistas que plenificam


Quando a infância se fez caracterizar por problemas e desafios não solucionados, as dificuldades se transferem no inconsciente do indivíduo para todos os diferentes períodos da vida. Tornasse-lhe difícil o amadurecimento psicológico, procurando permanente refúgio no período infantil, que prossegue desafiador. A necessidade de autopunição faz-se, às vezes, extremada, como mecanismo de justificação das pequenas travessuras, das irresponsabilidades, das mentiras ou outros quaisquer mecanismos de evasão daquela realidade, por meios nem sempre ideais. Em casos que tais, surgem os criminosos, que havendo sido crianças maltratadas, sentem necessidade de punir a sociedade pelo que lhes ocorreu, tornando-se, dessa forma, bandidos.

É necessário, inicialmente, redescobrir a criança que permanece no imo e avaliar o seu estado de crescimento, suas necessidades, seus anseios. Se permanecerem os jogos e despreocupações, a transferência de responsabilidade para os outros e a culpa sempre dos outros, impõe-se a psicoterapia como urgência, a fim de auxiliar no crescimento e na libertação dos traumas daquela fase.

Não é desejo estabelecer que a criança seja retirada do cenário existencial, porém que ocupe o seu verdadeiro lugar no alicerce do inconsciente, a fim de que não perturbe a pessoa da atualidade. E mesmo válida a presença da criança que existe em todos os indivíduos, tornando a existência apetecível e sonhadora, dentro dos limites da normalidade que deve prevalecer a quaisquer condicionamentos de tempo e de lugar.

Um bom relacionamento social é fator de relevância para a plenificação do indivíduo, porque, sendo animal gregário, o seu convívio com os demais seres é fator de desenvolvimento das suas aptidões, propiciando-se os atritos e choques que fazem parte da existência, sem derrapar nas animosidades, pelo contrário, desenvolvendo a tolerância, superando a prepotência de submeter todos os demais ao talante da sua pessoa.

Aquele que vive sozinho, foge da realidade de si mesmo, que vê projetada nos outros. Tem medo do convívio com os demais, porque não sabe transitar senão nos seus domínios, onde impõe a sua vontade e realiza os seus desejos, sem o sentimento de reparti-los, ou, por sua vez, de compartir as experiências alheias.

A conquista da humildade faz parte do programa de crescimento interior, evitando o exibicionismo que se torna perturbador, particularmente por alterar a visão da realidade e de si mesmo, agredindo os outros com a aparência, por não ter segurança dos próprios valores, que seriam capazes de oferecer harmonia no conjunto humano onde se encontra.

Essa humildade começa na conscientização de si mesmo, observando que faz parte do Universo, cuja grandeza demonstra-lhe a pequenez em que ainda se acha e quanto deverá crescer para entender a majestade e a harmonia do mundo no qual vive. Não se ensoberbece com o que sabe, nem se entristece pelo muito que ignora. É simplesmente humilde diante da vida e reconhece a necessidade de crescer mais e tornar-se melhor.

É comum a luta desenfreada para possuir sempre, asfixiando as demais aspirações, que cedem lugar à predominância do instinto de posse desequilibrada.

Quando se atinge o estágio de maturidade psicológica, o importante não é ter mais, porém ser mais, isto é, sempre melhor em valores internos, em conquistas morais e intelectuais, sem jactância, porém com a consciência da vitória sobre si mesmo e sobre os desafios da existência, aumentando a capacidade de resistência cada dia.

A felicidade real independe daquilo que se tem, mas é resultado daquilo que se é.

Muito oportuno o fato de uma célebre personagem de propaganda na Televisão, cuja bela aparência fora aproveitada para sorrir e, por isso, sua imagem sempre fascinava os estranhos, que a desejavam imitar. Todos olvidavam que era sua profissão sorrir, e para isso lhe pagavam, embora o seu humor habitual não correspondesse a essa realidade.

Deve-se sorrir por profissão, no entanto a alegria de viver leva a sorrir por prazer e por beleza, gerando uma autoterapia valiosa, porquanto aquele que está de bem com ele mesmo, encontra-se bem com o mundo.

Numa das suas habituais viagens a Londres, o célebre Mahatma Gandhi deteve-se, oportunamente, no Aeroporto, a observar os objetos expostos, ricos e agradáveis aos olhos. Demorava-se a examiná-los e sorria de prazer. Preocupado com aquela atitude inabitual no homem que renunciara a todas as coisas do mundo, um membro da comitiva inglesa acercou-se-lhe, esclarecendo: — Se o Mahatma tem interesse por algum desses objetos, teremos o prazer de, em nome de Sua Majestade, oferecer-lhe, o que nos constituirá uma honra. O nobre missionário, que se havia encontrado consigo mesmo, sem desdém nem menosprezo respondeu, sorrindo: —Estou feliz em olhá-los, e verificar quanta coisa eu já não necessito.

A verdadeira saúde, em sua expressão profunda, manifesta-se como libertação interior, sem o masoquismo das fugas do mundo e das afirmações dos próprios valores através do desprezo e do flagício ao corpo, qual se fora ele responsável pelas debilidades do caráter, imperfeições da conduta, frustrações psicológicas decorrentes da visão alterada do mundo e sua realidade.

Quando esse estado saudável se estabelece no ser, ele experimenta harmonia em qualquer situação na qual se encontre. Na multidão, experimenta o prazer do convívio com os outros, de ser útil, de receber e de dar atenção às manifestações da vida. Quando a sós, preenche todos os seus espaços com atividades e pensamentos enriquecedores, não se sentindo solitário, embora esteja desacompanhado. Sua mente é sempre sua companheira a exigir ou a compensar o que experimenta como emoções de viver.

E óbvio que todo aquele que se faz possuidor de conflitos de qualquer natureza terá dificuldade de sentir-se compensado, pois que a sua estrutura íntima, deficitária, estará sempre refletindo as lutas em que se sente envolvido, portanto em contínuas ansiedade e insatisfação.


Joanna de Ângelis