terça-feira, 28 de julho de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. X - João Nunes Maia - Cap. 34 - Escolha dos protegidos



Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. X - João Nunes Maia - Cap. 34


Escolha dos protegidos


493. É voluntária ou obrigatória a missão do Espírito protetor?

“O Espírito fica obrigado a vos assistir, uma vez que aceitou esse encargo. Cabe-lhe, porém, o direito de escolher seres que lhe sejam simpáticos. Para alguns, é um prazer; para outros, missão ou dever.”

a) - Dedicando-se a uma pessoa, renuncia o Espírito a proteger outros indivíduos?
 
“Não; mas protege-os menos exclusivamente.” (O Livro dos Espíritos)


O Espírito protetor tem a liberdade de escolher seu protegido, entretanto, depois de tê-lo escolhido, tem o dever de o proteger dentro do padrão mencionado pela lei. Todos somos escravos da lei, pois ela nos assiste e nos dirige. As leis foram criadas por Deus, para que se estabeleça a harmonia no universo.

Alguns dos benfeitores espirituais dão preferência a assistir ao Espírito encarnado com o qual simpatizam; outros, que são poucos, não escolhem e deixam a cargo dos mestres siderais e, como Espíritos de luz, trabalham sem reclamar em todas as áreas aonde foram chamados a servir.

Se olhássemos com os olhos espirituais a vida que vivemos, ficaríamos espantados de ver tanta proteção em nosso favor, por variados Espíritos que nos assistem por amor á causa do bem comum.

O protetor com a incumbência de proteger alguém pode assistir outras pessoas; no entanto, o seu maior dever é com aquele a quem se entregou no compromisso de amparar. Eles têm a liberdade de optar, mas têm também de escolher o trabalho a ser realizado, e Deus, pelas mãos de Jesus, assiste todos na Terra e tudo que existe, na mais perfeita ordem. Quando somos conscientes dessa verdade, passamos a operar com mais consciência e boa vontade no sentido de tudo fazer certo.

O anjo-guardião, por ser um Espírito de formação moral superior, nos ama profundamente, mas tem todos os meios lícitos de nos educar sem violência, usando a lei de justiça que é, igualmente, o mesmo amor em outra faixa de vida.

Nós também, como Espíritos, já com certo conhecimento da verdade, temos nossos protetores. Essa é uma escala muito grande, de maneira que, ao apurarmos nossos sentimentos na pureza lirial do Mestre, tornamo-nos livres, de modo a saber como andar por nós mesmos, tendo como guia somente as leis que devemos respeitar, na dimensão em que vivemos. É nesse sentido que Jesus falou: - “Conhecereis a verdade e ela tornar-vos-á livres.” Estamos a caminho de conquistarmos essa liberdade espiritual.

Deves ter o maior respeito pelo teu protetor, que pode ter renunciado a certos direitos para empregar quase todo o seu tempo em te auxiliar, em te dar conselhos, direcionando-te para o bem universal, amparando-te mesmo antes de renasceres, acompanhando teu crescimento. Procurando ajudar à família, reúne os protetores do lar, trocando idéias sobre a harmonia da casa e sobre como consegui-la pelos seus moradores; e quando a família entende essa ajuda, abrem-se as portas para maior assistência espiritual. Eis porque insistimos na abertura do Culto do Evangelho no lar, de maneira a dar ambiente para os guias espirituais da casa aconselharem a todos mais diretamente. Muitos resultados têm sido registrados através do Evangelho em casa, com a colaboração da Doutrina dos Espíritos, ondeando luzes em todos os sentimentos e formando palpos em torno da casa, bem como em volta de todas as criaturas que começam a praticá-lo.

Mesmo que o Espírito protetor escolha uma missão engenhosa para desempenhar, ele tem momentos de alegrias, quando depara com seu tutelado pensando na melhoria interna e esforçando-se por modificar. Isso é motivo de festas espirituais para os anjos que protegem o lar. O Espiritismo vem mostrar o que se passa no mundo espiritual, de modo que os encarnados fiquem conscientes dessas verdades e tenham maior esperança, esforçando-se para melhorar moralmente.

Trabalhemos, pois, em todos os sentidos do bem comum, que esse bem, como sendo a caridade, nos salvará de muitos infortúnios que poderiam nos fazer sofrer.


Miramez












Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 30 - Aptidão e habilitação



Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 30


Aptidão e habilitação


"Em Deus está a minha salvação, e a minha glória; de Deus é que espero o meu socorro, e a minha esperança em Deus está." (Salmos, 62:7)


Aptidão é a capacidade do Espírito para executar essa ou aquela tarefa no plano evolutivo em que se vê situado.

Por isso mesmo, aptidão bem aplicada é acesso do homem a níveis mais altos, de conformidade com a Lei Divina que retribui a cada um, segundo as obras que realiza.

A Terra é vasto campo de oportunidades ao desenvolvimento de nossos recursos potenciais.

Com o fim de aperfeiçoá-los, distribui a Bondade Eterna as habilitações humanas, de acordo com as nossas petições e desejos.

Entretanto, não bastará obtê-las para que a alma se honorifique com o triunfo indispensável nesse ou naquele círculo de ação.

Deus concede os títulos, cabendo ao homem o justo dever de usá-los e enobrecê-los.

Aqui vemos um médico, dignamente formado para o sacerdócio da cura, no entanto, se o esculápio, com diploma de mérito, não suporta os enfermos, debalde receberá o beneplácito da escola de medicina.

Além, anotamos um professor devidamente preparado à frente do magistério, mas se lhe falta amor para com os aprendizes, em vão terá recolhido as bênçãos da cultura.

E, em toda parte, vemos operários convocados ao trabalho, desprezando a oficina que os acolheu; mães que se ausentam do templo doméstico, hostilizando a nobre missão que o Céu lhes conferiu, e pais que desertam do lar, fugindo deliberadamente ao apostolado afetivo que lhes poderia preparar no presente de trabalho o futuro iluminado de amor.

Segundo é fácil perceber, somos depositários felizes de preciosas habilitações na Terra que muitas vezes menosprezamos em prejuízo próprio, esquecendo que todos possuímos aptidões para concretizar o melhor em nosso próprio caminho.

Se já podes compreender a verdade, aproveite os títulos que te foram emprestados pelo Senhor na pauta das convenções terrestres, na certeza de que, com eles, deténs contigo as mais amplas oportunidades de servir aos semelhantes e crescer para Deus.

Recorda que a enxada mais rica é simples candidata à ferrugem quando não atende à habilitação a que se destina e, fazendo da própria vida o teu instrumento de trabalho e de estudo, sem que percebas, o mundo conferir-te-á outros talentos e outros valores, armando-te de novos recursos para a conquista de novas e mais belas experiências.


Emmanuel












Meimei - Livro Sentinelas da Alma - Chico Xavier - Cap. 25 - No álbum da compaixão



Meimei - Livro Sentinelas da Alma - Chico Xavier - Cap. 25


No álbum da compaixão 


"Então chegando-se Pedro a ele, perguntou: Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, que eu lhe perdoe? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas que até setenta vezes sete vezes." — (MATEUS, 18:21-22)


Observa: toda a Natureza, por livro de Deus, em qualquer parte, parece um cântico de louvor ao auxílio.

Ignoro se já pensaste nas primeiras árvores da Terra, inclinando-se para as aves fatigadas, a fim de que aprendessem a entretecer os próprios ninhos, nos braços fortes que lhes estendiam.

Nem sei se já meditaste na piedade das flores primitivas do mundo para com as abelhas cansadas e famintas, convidando-as pelo próprio perfume, a lhes retirarem as pequeninas sobras de alimento nas corolas acolhedoras, a fim de que não tombassem na exaustão, quando à procura de recursos que lhes facultassem o fabrico do mel.

Até hoje, as árvores não se queixam dos pássaros que lhes deixam os ramos menos limpos e as flores não protestam contra as abelhas quando lhes aparecem, através de sucessivos enxames, a lhes dilapidarem as pétalas nutrientes.

Árvores e abelhas sabem, instintivamente, que a Divina Providência não lhes faltará com a chuva a lavar-lhes todas as folhas e com o acréscimo de seiva, destinado a reajustar-lhes o sustento.

Não será semelhante lição dos agentes simples da natureza determinada mensagem da vida, concitando-nos à prática da bondade, de uns para com os outros?

Onde estiveres, compadece-te de teus irmãos.

Esse precisa apoiar-se em teus ombros para a caminhada difícil, aquele te aguarda o concurso fraterno, de modo a manter-se de pé, na marcha dos dias.

Abençoa e socorre sempre.

Em muitas ocasiões, penso que o ensinamento do Cristo, acerca do perdão, se revestiu de outras derivações no campo das atitudes.

Algum dos companheiros, haverá perguntado ao Senhor:

— Mestre, quantas vezes, devo auxiliar aos meus irmãos?

E, decerto, Jesus terá respondido:

— Não te digo que auxilies uma vez, mas setenta vezes sete vezes.


Meimei












segunda-feira, 27 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 3 - Equilíbrio



Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 3


Equilíbrio


Recordando o nosso dever de sustentação do corpo e do espírito, atendamos à harmonia por base de segurança.

Nem mesa lauta.
Nem prato vazio.

Nem excesso.
Nem carência.

Nem vigília demasiada.
Nem repouso constante.

Nem prodigalidade.
Nem sovinice.

É preciso evitar o desvario da fartura para que o abuso não nos entenebreça a razão, tanto quanto abolir as tentações da miséria que nos induziriam ao furto.

Não nos concede o Senhor um corpo entre os homens para menosprezá-lo à feição do lavrador preguiçoso que abandona o arado à ferrugem, nem nos confere na Terra o estágio da encarnação por escola do Espírito para que o convertamos em curso intensivo de anestesia da consciência.

Auxiliar o corpo para que o corpo expresse a alma e iluminar a alma para que a alma o renove e santifique, é o caminho do equilíbrio indispensável à evolução.

Assim, se te decides a cultivar algum cilício, no propósito de estender as próprias virtudes, não te imobilizes nos pensamentos inúteis, mas, sim, verte o próprio suor nas obras da bondade, amparando os enfermos que as dores desfiguram, fabricando o agasalho aos que choram de frio, socorrendo o infortúnio em treva e desespero, ou calejando as mãos no auxílio à terra seca, porque no sacrifício de nossa segurança no amparo ativo aos outros é que surpreenderemos o trabalho do bem que ninguém nos pediu e que ninguém nos paga, por resplendente luz a clarear-nos sempre a rota para o Alto, em plena exaltação do verdadeiro amor.


Emmanuel











domingo, 26 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 96 - Justamente por isso



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 96


Justamente por isso


“Não vos escrevi porque ignorásseis a verdade, mas porque a conheceis.” — (1 JOÃO, 2.21)


O intercâmbio cada vez mais intensivo entre os chamados “vivos” e “mortos” constitui grande acontecimento para as organizações evangélicas de modo geral.

Não é tão somente realização para a escola espiritista; pertence às comunidades do Cristianismo inteiro.

Por enquanto, anotamos aqui e ali protestos do dogmatismo organizado, entretanto, a revivescência da verdade assim o exige.

Toda aquisição tem seu preço e qualquer renovação encontra obstáculos espontâneos.

Dia virá em que as várias subdivisões do evangelismo compreenderão a divina finalidade do novo concerto.

O movimento de troca espiritual entre as duas Esferas é cada vez mais dilatado. O devotamento dos desencarnados provoca a atenção dos encarnados.

O Senhor permitiu mundial Pentecostes para o reajustamento da realidade eterna.

Convém notar, contudo, que as vozes comovedoras e revigorantes do Além repetem, comumente, velhas fórmulas da Revelação e relembram o passado da Sabedoria terrestre, a fim de extrair conceituação mais respeitável referentemente à vida.

É neste ponto que recordamos as palavras de João, interrogando sinceramente: comunicar-se-ão os “mortos” com os “vivos”, porque os homens ignoram a verdade?

Isto não.

Se os que partem falam novamente aos que ficam é que estes conhecem o caminho da redenção com Jesus, mas não se animam, nem se decidem a trilhá-lo.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Cartas do Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Prefácio



Emmanuel - Livro Cartas do Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier


Prefácio


Do correio de outras Esferas, chegam presentemente ao mundo variadas mensagens.

São cartas de esperança e amor, entendimento e carinho.

De irmão para irmão.

De mães abnegadas para filhos afetuosos.

De filhos amigos aos pais dilacerados de aflição.

De trabalhadores agradecidos a lidadores saudosos.

Páginas de ternura e compreensão, vertidas pela alma dos que partiram para a ressurreição sublime, estimulando ao bem e à verdade.

Apelos à resignação e à paz.

Convites ao aperfeiçoamento.

Boas novas de regozijo e consolação.

Alguns companheiros reuniram as missivas deste volume, consagrando-as à plantação da beneficência.

Notícias do Plano espiritual serão transformadas em pão e agasalho, vestimenta e remédio para os necessitados de assistência e reajuste.

Que as páginas deste livro se convertam em socorro para os nossos irmãos menos felizes do caminho, oferecendo, simultaneamente, luz e conforto, renovação e alegria ao leitor amigo, são os nossos votos. Esperando, pois, que o Senhor nos ajude a alcançar os nossos objetivos, entregamos, prazerosamente, aos nossos companheiros de ideal estas cartas do coração para o coração.


Emmanuel







Pedro Leopoldo, 14 de julho de 1952.

Neio Lúcio - Livro Sementeira de Luz - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano e outros / Chico Xavier - Cap. 71 - Amai-vos



Neio Lúcio - Livro Sementeira de Luz - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano e outros / Chico Xavier - Cap. 71


Amai-vos


Meus filhos, Deus abençoe a vocês, concedendo-lhes muita saúde e harmonia para as lutas de cada dia.

Novamente com vocês; nesta noite, uno as minhas preces às suas, elevando os nossos pensamentos a Jesus para que suas bênçãos nos sigam em todas as atividades, necessárias ao nosso progresso para a vida eterna.

Tenho procurado orientar o Roberto no que posso, meus filhos. Deus não nos desamparará os bons e sinceros propósitos de ajudá-lo. Seu coração está ligado ao nosso por laços profundos e a atual experiência filial lhe será útil e inesquecível ao espírito. Agradeçamos a Deus por essa oportunidade bendita. Quando os laços se transfundem, a ponto de atingirem o santificado reduto do lar, isso é o sinal da misericórdia viva e incessante de Deus, que, passo a passo, nos conduz à redenção ardentemente esperada.

Se o Altíssimo permitir a execução do trabalho em perspectiva, mais uma vez vocês hão de unir os corações, reconhecidos a Deus, pela Sua bondade poderosa, em observando quanto já conquistamos em amor e renovação, graças ao Seu amoroso poder paternal. Esperemos nesse Pai de Bondade Infinita e não desanimemos em nossas lutas. O que ficará de tudo é a confiança sagrada no Todo-Poderoso e a divina esperança de trabalharmos cada vez mais para que todo o nosso grupo se ilumine nesse amai-vos, que é a divina lâmpada de nosso caminho para a vida imortal. Amemo-nos muito, esqueçamos o que o passado possa apresentar de inútil ao nosso aperfeiçoamento incessante e firmemo-nos em Deus.

O nosso amigo receitista vai deixar as suas indicações para o Roberto, e quanto ao colégio, meu caro Rômulo, estou de acordo com a sua opinião, apesar de reconhecer que, no momento, não temos substituto adequado nas vizinhanças. Deus nos auxiliará para que possamos converter os males pelo mínimo.

Assisti com vocês a audição de Wanda e, por sinal, que participei do júbilo natural de ambos.[1] As notas musicais falaram-me ao coração como harmoniosas palavras. A casa tem os seus cooperadores espirituais para todo o trabalho de auxílio às aprendizes de boa vontade. Entretanto, além disso, Wanda, bem como a Maria, tem patrimônios muito acentuados de outros tempos na questão musical. Ainda aqui recordamos o esforço aconselhado pelo Evangelho. Desde que batamos pela recapitulação sistemática e a porta da lembrança se abrirá. Partilho da satisfação de vocês e peço a Jesus conceda à Wanda tudo aquilo que nós três desejamos de todo o coração.

Quanto à sua saúde, Maria, acho-a bem melhor, mas não podemos olvidar o caso do regime das frutas. É o problema de querer aproveitar, minha filha! Até as frutas têm igualmente as suas zonas, de acordo com os temperamentos e os climas. Às vezes, vejo o Rômulo cheio de projetos relativos à adaptação dos animais. Esses projetos são aceitáveis e louváveis, mas pedem resignação e tempo, porque é preciso pensar que determinada raça europeia exigiu dezenas e centenas de anos em esforços persistentes, reclamou o interesse de gerações seguidas. Será que bastará transplantá-las para o nosso ambiente e conseguir o êxito? Não, porque também nós necessitamos aplicar aqueles mesmos esforços persistentes para a sua aclimatação necessária. É nesse particular que procuro sempre auxiliar-lhe o coração, para que suporte com valor a incompreensão dos homens apressados que desejam as benfeitorias sem meditar nos preços justos em dedicação.

Isso, filhos, fica à margem de nossa palestra familiar desta noite. Fi-la tão somente, Maria, para comentar o seu caso, minha filha, e render graças a Deus por seu restabelecimento.

Por hoje, filhos, é só. Deixando-lhes, como sempre, o meu coração cheio de amor e de muita saudade,


Papai
(Neio Lúcio)











03|09|1941
[1] Nota da organizadora: Refere-se à audição anual das alunas de piano do Colégio Izabela Hendrix, em Belo Horizonte - MG.