segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 23 - Confiaremos



Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 23


Confiaremos

 
“E se sabemos que ele nos ouve, quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.” — JOÃO (1 João, 5:15)

Em nos dirigindo ao Senhor, rogando alguma concessão, condicionemo-nos ao Critério Divino.

Digamos no íntimo do ser:

“Se julgardes, Senhor, que isso nos ajudará a ser melhores para os nossos irmãos, em louvor dos vossos desígnios…”

“Se considerardes que assim poderemos ser mais úteis em vossa obra…”

E façamos dentro de nós o silêncio preciso, emudecendo qualquer indisciplina mental.

Sintonizemos o coração em ponto certo, ou, melhor, liguemos o pensamento para a Infinita Sabedoria, tendo o cuidado imprescindível para que a estática de nossas paixões e sensações não interfira com a recepção da bênção que nos advirá da Divina Bondade.

Oremos, unindo-nos aos planos do Senhor, sem exigir que os planos do Senhor se submetam aos nossos, e aprenderemos a ver e a aceitar o que seja melhor para nós, asserenando o coração.

Não gritarmos “eu quero…” mas afirmar, em nossa condição de Espíritos imperfeitos: “se posso querer…”

Em qualquer setor de organização humana, o benefício solicitado se divide em duas fases essenciais — o pedido e a solução.

Forçoso, porém, reconhecer que, se todo pedido é livre, qualquer solução exige exame.

Empregadores não atendem às requisições dos subordinados sem analisar-lhes a ficha de mérito, sob pena de prejudicarem a máquina administrativa. Professores não satisfarão exigências de alunos sem, antes, lhes observar o aproveitamento, se não querem perturbar as funções educativas da escola.

É lícito rogar ao Senhor tudo aquilo de que carecemos e até mesmo tudo quanto quisermos, porquanto na maioria das ocasiões não passamos de crianças caprichosas, mas saibamos implorar dele a compreensão necessária para recebermos as respostas do Alto, sem prejuízo para a harmonia da vida, porque, se sabemos o meio exato e amplo de pedir, somente Deus — pelos Mensageiros Divinos que o representam, junto de nós — sabe, em nosso favor, como, onde e quando nos atender.


Emmanuel










Reformador, dezembro 1966, p. 267.

Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 4 - Determinação



Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 4


Determinação


É de senso comum das criaturas iluminadas, que devemos ter dois tipos de conduta, para que possamos estar bem com nós mesmos, copiando, às vezes, certas áreas da política mundana: a ditadura e a democracia.

A ditadura deve ser usada na determinação diante de nós mesmos. Dar ordens severas na correção das nossas atitudes, para que se corrija o que não deve ser feito, aprimorando o Bem em todas as latitudes em que o Amor e a Caridade sejam o ponto sagrado das atenções. Avançar no campo onde o desleixo invadiu a ordem e fez desaparecer a harmonia; revestir-se de coragem para estabelecer a brandura onde a exigência polui os sentimentos de fraternidade e nunca se esquecer de alimentar o respeito em todos os departamentos em que a educação deve instalar-se; definir, no campo imenso da mente, as linhas das atitudes, e não deixar que pensamentos sem disciplina invadam os corredores da fala; policiar permanentemente todos os gestos e manter guarda no que deve ser feito? Essa é a audácia de que deves ser dotado para com o teu mundo interno.

A democracia deve ser ampliada no que tange ao exterior, observando os direitos alheios e capacitando todos os entendimentos para que saibas até onde não deves interferir na vida dos outros, enriquecendo o respeito às criaturas, sabendo ouvir os irmãos em caminho, ajudando-os naquilo que estiver ao teu alcance. Democracia é fraternidade, é entender os direitos dos semelhantes; é, quando falamos, sentirmo-nos na qualidade de ouvintes, dando tempo para que o outro também fale, mostrando sua opinião e, certamente, suas experiências.

A escola externa difere da interna. São duas forças paralelas, mas com objetivos idênticos: a perfeição da criatura. A educação interna objetiva o intercâmbio nas esferas exteriores. O homem que já descobriu a si mesmo é valorizado em todas as dimensões da vida.

A primeira coisa que fazemos, quando desencarnamos, se a nossa disposição for para o bem, é ver o que precisa ser mudado em nossa conduta. Morrer é viajar e o que levamos é somente o que somos. Essa é a realidade. Se já sabemos desta verdade, por que não começarmos a nos educar, quando na carne? Ganhamos tempo, ganhamos espaço e ganhamos paz.

O "esquecermos a nós mesmos", de que as escolas de iniciação nos falam, é esquecer aquilo em que somos errados. Há muita gente que perde tempo e gasta até dinheiro na autovalorização, esquecendo-se de que nada se faz sem os outros. Quando estamos movidos pela vaidade, queremos nos apresentar sempre com aquilo que ainda não fizemos. Se fizeste alguma coisa de bom, silencia, que o bem propaga o próprio bem sem a tua intervenção, pelas linhas naturais capazes de falar a verdade sem deturpar a harmonia da própria verdade.

Ganha o teu tempo servindo e não exigindo; amando e não pedindo amor; trabalhando e não explorando o trabalho alheio; abençoando e não pedindo bênçãos, sem que haja o teu esforço na aquisição da tua paz. Determina as tuas diretrizes nas diretrizes do Cristo e conserta a ti próprio, sem exigir que os teus irmãos façam o mesmo. De todo o bem que fizeres, receberás a maior parte. Lembra-te disso, e nunca farás barulho com a melhora da tua conduta.

Cortando tuas arestas internas, o exterior mostrar-te-á novo dia.


Lancellin

















André Luiz - Livro Juntos Venceremos - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 17 - Decálogo para estudos evangélicos



André Luiz - Livro Juntos Venceremos - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 17


Decálogo para estudos evangélicos


— Peça a inspiração divina e escolha o tema evangélico destinado aos estudos e comentários da noite.

— Não fuja ao espírito do texto lido.

— Fale com naturalidade.

— Não critique, a fim de que a sua palavra possa construir para o bem.

— Não pronuncie palavras reprováveis ou inoportunas, suscetíveis de criar imagens mentais de tristeza, ironia, revolta ou desconfiança.

— Não faça leitura, em voz alta, além de cinco minutos, para não cansar aos ouvintes.

— Converse ajudando aos companheiros, usando caridade e compreensão.

— Não faça comparações, a fim de que seu verbo não venha a ferir alguém.

— Guarde tolerância e ponderação.

— Não retenha indefinidamente a palavra; outros companheiros precisam falar na sementeira do bem.


André Luiz













domingo, 6 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro Tocando o Barco - Chico Xavier - Cap. 7 - Elevação



Emmanuel - Livro Tocando o Barco - Chico Xavier - Cap. 7


Elevação


Toda elevação na Terra, na paisagem exterior da vida, permanece inçada de perigos e sombras.

Sobe a avareza às culminâncias do ouro para descer, um dia, à desilusão.

Sobe a vaidade aos galarins da exibição para cair nas sombras do desencanto.

Sobe a tirania às grimpas do poder para arrojar-se às trevas do esquecimento.

Sobe a mentira ao topo da dominação indébita para despencar-se no chão da realidade.

Sobe a inteligência sem amor aos cimos do orgulho para desfilar à frente dos entraves gerados por ela mesma.
 
Raros sabem buscar no mundo a legítima elevação.

A bênção do conforto e da alegria, entre os homens, quase sempre procede do esforço daqueles que se esquecem para servir.

Desce a dor aos recessos do coração humano e arranca a alma renovada para a beleza sublime.

Desce a simplicidade às lutas da pobreza e garante a disciplina que aperfeiçoa.

Desce a humildade a pedregosas sendas de sacrifício e estabelece padrões edificantes para aqueles que a contemplam…

Desce a fé aos sorvedouros do sofrimento e acende luzes na jornada renovadora da vida.

Desce a boa vontade ao silêncio e à compreensão e improvisa feitos heroicos em benefício das criaturas…

Desce o trabalho aos rudes embates de cada dia e deixa a civilização e o progresso, o aprimoramento e a cultura por onde passa.

Se algum dia te dispuseres a subir, segue na trilha do Cristo, suportando a cruz das obrigações retamente cumpridas, para que o teu exemplo se faça lâmpada a brilhar no roteiro do próximo.

Jesus, que era o nosso Divino Mestre, escolheu a suprema renúncia para alcançar a ressurreição. Pensando nisso, se alguma elevação nos propomos a atingir, não procuremos outro caminho.


Emmanuel












Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVI - João Nunes Maia - Cap. 43 - Riquezas



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVI - João Nunes Maia - Cap. 43


Riquezas


Sempre existiu a desigualdade em tudo, e as riquezas não podem deixar de compartilhar deste "tudo". É notório que se observa em toda parte a desigualdade de riquezas. É muito difícil saber se uma riqueza tem boa procedência. Não raro, elas nascem da corrupção; quando não de um, têm raízes falsas em outros. O que deve fazer o homem é, quando as riquezas caírem em suas mãos, seja de qualquer procedência, procurar aplicá-la bem, para que possa ressarcir, ou ajudar a ressarcir erros.

O dinheiro em si não é bom nem mau; ele faz o que a mente deseja que se faça com ele. Conhecemos muitos ricos que podem entrar no reino dos Céus. A história nos conta do desprendimento de muitos ricos em favor dos que sofrem o peso do carma que os guia para o cumprimento da justiça.

Os homens precisam, e muito, de se educarem no campo da honestidade. A falta dela é que os leva aos distúrbios morais, principalmente os que dirigem os povos. Eles brincam com os destinos dos homens, mas a reencarnação os conduz para lugares bem piores que os que sofrem com a sua desonestidade, onde se vêem o pranto e o ranger de dentes.

Não devemos brincar com as leis de Deus, que são justas e eternas. São elas generosas, mas enérgicas com aqueles que as desrespeitam. As riquezas são testes para todas as criaturas e povos. Não faltaria dinheiro em país nenhum, se fossem os povos equilibrados nos seus comportamentos, nos seus pensamentos, se direcionassem bem suas ações. O povo tem o governo que merece, é certo, todavia, o governo tem o povo que se encontra na sua faixa de conduta. Se queremos saber o que é um, estudemos o outro. Modificando-se a mentalidade do povo, o que somente o Evangelho pode fazer, aparecerá por encanto um governo justo e correto. Nós estamos constantemente pedindo a Deus o mal, porque pensamos e fazemos mais mal do que bem. Os governos pedem para seus governados o que eles pensam e fazem. Assim lhes será dado, por haver leis que asseguram o "pedi e obtereis".

Vamos observar Lucas em seus apontamentos, no capítulo onze, versículo onze:

"Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra?"

Se os filhos de uma nação bem estruturada pedem ao governo, pelas suas ações ante seus compromissos como cidadãos, alimento, teto e toda ordem de melhoramento, alimento moral em todas as suas circunstâncias, esse pai que se afigura como governo dessa nação, não fará outra coisa a não ser ofertar-lhes o melhor ambiente de paz com tudo o de que precisam.

Entretanto, o que se vê são milhões de criaturas em toda parte desarmonizando os países, em roubos, crimes, assassinatos de todas as ordens, abortos de todos os tipos, mentira e falsidade em todas as direções, guerras sem tréguas em quase todos os países, usura em todos os povos, orgulho e egoísmo em quase todas as criaturas. O que elas estão pedindo a Deus? Os governos têm de gastar quase todos os recursos com armas e com o sustento dos exércitos e policiais, para manter uma paz precária entre si mesmos. De quem é a culpa?

A desigualdade é, pois, uma doença crônica, que um conjunto de conceitos conhecido como Evangelho age como medicamento curativo para todos esses males, na medida que fosse vivido. As religiões, assim como os religiosos, têm o dever de fazer conhecido esse livro, assim como trabalharem nas mentes dos povos pelo exemplo.

A Doutrina Espírita tem o maior compromisso com o Cristo, de educar e instruir as criaturas. Para começar, o homem deve usar bem as riquezas, surgindo daí o equilíbrio de todos os povos, para que o amor sem barreira seja o clima de todos os corações que pulsam na Terra.


André Luiz - Livro Correio Fraterno - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 23 - Indagações a nós mesmos



André Luiz - Livro Correio Fraterno - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 23


Indagações a nós mesmos


Que seremos na casa de nossa fé, em companhia daqueles que comungam conosco o mesmo ideal e a mesma esperança?

Uma fonte cristalina ou um charco pestilento?

Um sorriso que ampara ou um soluço que desanima?

Uma abelha laboriosa ou um verme roedor?

Um raio de luz ou uma nuvem de preocupações?

Um ramo de flores ou um galho de espinhos?

Um manancial de bênçãos ou um poço de águas estagnadas?

Um amigo que compreende e perdoa ou um inquisidor que condena e destrói?

Um auxiliar devotado ou um espectador inoperante?

Um companheiro que estimula as particularidades elogiáveis do serviço ou um censor contumaz que somente repara imperfeições e defeitos?

Um pessimista inveterado ou um irmão da alegria?

Um cooperador sincero e abnegado ou um doente espiritual, entrevado no catre dos preconceitos humanos, que deva ser transportado em alheios ombros, à feição de problema insolúvel?

Indaguemos de nós mesmos, quanto à nossa atitude na comunidade a que nos ajustamos, e roguemos ao Senhor para que o vaso de nossa alma possa refletir-lhe a Divina Luz.


André Luiz















Neio Lúcio - Livro Alvorada Cristã - Chico Xavier - Cap. 10 - O burro de carga



Neio Lúcio - Livro Alvorada Cristã - Chico Xavier - Cap. 10


O burro de carga

 
No tempo em que não havia automóveis, na cocheira de famoso palácio real um burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilhérias e remoques dos companheiros de apartamento.

Reparando-lhe o pelo maltratado, as fundas cicatrizes do lombo e a cabeça tristonha e humilde, aproximou-se formoso cavalo árabe, que se fizera detentor de muitos prêmios, e disse, orgulhoso:

— Triste sina a que recebeste! Não invejas minha posição nas corridas? Sou acariciado por mãos de princesas e elogiado pela palavra dos reis!

— Pudera! — Exclamou um potro de fina origem inglesa, — como conseguirá um burro entender o brilho das apostas e o gosto da caça?

O infortunado animal recebia os sarcasmos, resignadamente.

Outro soberbo cavalo, de procedência húngara, entrou no assunto e comentou:

— Há dez anos, quando me ausentei de pastagem vizinha, vi este miserável sofrendo rudemente nas mãos de bruto amansador. É tão covarde que não chegava a reagir, nem mesmo com um coice. Não nasceu senão para carga e pancadas. É vergonhoso suportar-lhe a companhia.

Nisto, admirável jumento espanhol acercou-se do grupo, e acentuou sem piedade:

— Lastimo reconhecer neste burro um parente próximo. É animal desonrado, fraco, inútil… Não sabe viver senão sob pesadas disciplinas. Ignora o aprumo da dignidade pessoal e desconhece o amor-próprio. Aceito os deveres que me competem até o justo limite; mas, se me constrangem a ultrapassar as obrigações, recuso-me à obediência, pinoteio e sou capaz de matar.

As observações insultuosas não haviam terminado, quando o rei penetrou o recinto, em companhia do chefe das cavalariças.

— Preciso de um animal para serviço de grande responsabilidade, — informou o monarca, — animal dócil e educado, que mereça absoluta confiança.

O empregado perguntou:

— Não prefere o árabe, Majestade?

— Não, não, — falou o soberano, — é muito altivo e só serve para corridas em festejos oficiais sem maior importância.

— Não quer o potro inglês?

— De modo algum. É muito irrequieto e não vai além das extravagâncias da caça.

— Não deseja o húngaro?

— Não, não. É bravio, sem qualquer educação. É apenas um pastor de rebanho.

— O jumento serviria? — Insistiu o servidor atencioso.

— De maneira nenhuma. É manhoso e não merece confiança.

Decorridos alguns instantes de silêncio, o soberano indagou:

— Onde está o meu burro de carga?

O chefe das cocheiras indicou-o, entre os demais.

O próprio rei puxou-o carinhosamente para fora, mandou ajaezá-lo com as armas resplandecentes de sua Casa e confiou-lhe o filho, ainda criança, para longa viagem.

Assim também acontece na vida. Em todas as ocasiões, temos sempre grande número de amigos, de conhecidos e companheiros, mas somente nos prestam serviços de utilidade real aqueles que já aprenderam a suportar, servir e sofrer, sem cogitar de si mesmos.


Neio Lúcio