segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Irmão Saulo - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 4 - Família e reencarnação - A Verdade sobre a mesa



Irmão Saulo - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 4 - Família e reencarnação


A Verdade sobre a mesa


A verdade é o pão do espírito. Sobre a mesa de Chico Xavier, cercada de amigos que vieram de longe para o banquete, os Trovadores do Além lançaram suas rodelas de pão. Cada um deles foi poeta na Terra e continua a cantar depois da morte, porque a criatura de Deus não morre — apenas troca de roupa. Fizeram um rodeio de trovas e cada trova é. uma síntese pessoal da visão coletiva da verdade. Cada trova responde a determinadas perguntas dos homens.

Os temas se desenvolvem através das trovas. O lar surge no mundo para humanizá-lo, graças ao sonho do namoro em que as almas procuram-se no anseio de amar. A convivência vai revelar que elas não são o que sonhavam, mas o purgatório do lar é uma bênção para libertar do inferno do passado. A família terrena permite o reajuste através da reencarnação, dissolvendo as mágoas e liquidando as contas. O casamento não se faz no cartório, mas no lar, e nele é que o inimigo transformado em parente acaba por nos amansar.

Os Espíritos Superiores não estão sujeitos ao controle humano da natalidade — nascem quando querem, pois conhecem e dominam as leis naturais melhor do que os homens. Um lar desgovernado, desprovido de orientação, vira sepultura do amor. Entretanto, é o lar a fonte e a base de todas as civilizações, acertando as contas do passado dentro de casa e melhorando as criaturas. Resulta daí a colheita do amor, graças à ação de duas forças simples, naturais, que se conjugam para construir a grandeza da Terra: os laços familiais orientados pela ternura materna, pela presença da Mãe.

Pouco a pouco, através das trovas, a verdade se corporifica. E os trovadores nos dão assim a lição da fraternidade e da colaboração. Fizeram um mutirão para responder às perguntas dos homens. Cada qual deu o seu pedaço e o pão da verdade apareceu sobre a mesa do médium para saciar a fome dos espíritos. É esse o processo da Revelação. Desde que o mundo é mundo a verdade flui para os homens através da mediunidade.


Irmão Saulo








Chico Xavier


Chico Xavier nos conta como surgiu o assunto, durante a peregrinação que faz semanalmente aos lares dos amigos menos afortunados do bairro em que reside, sempre acompanhado por visitantes de outras cidades:

“Enquanto realizávamos a nossa visita fraterna a companheiros de nosso bairro, estava conosco uma estudiosa caravana de irmãos das cidades de São José do Rio Preto, Mirassol, Votuporanga e Ribeirão Preto. Durante todo o percurso a nossa conversação foi um debate amistoso sobre assuntos do lar. Ao todo, com os amigos de outras cidades, éramos nada menos de oitenta pessoas.

“As perguntas e respostas entre nós mostravam as nossas preocupações. Como observar a família e a reencarnação? De que modo os Espíritos amigos consideram o casamento? Porque tantas lutas entre parentes? Estarão os Espíritos luminares submetidos aos controles anticoncepcionais inventados pelos homens? Porque sonham os noivos com tanta felicidade para o lar e porque tantas dificuldades enfrentam eles em muitos casos, depois que se instalam no casamento?

“Perguntas como estas e muitas outras foram debatidas. E quando nos reunimos para a concentração das tarefas da noite, diversos amigos espirituais, trovadores amigos, escreveram as ligeiras mensagens em versos que lhe envio para os nossos estudos.”


TROVAS DO LAR


Anotação clara e simples
Que nos obriga a pensar:
Surge o lar dentro do mundo
Sem que o mundo seja o lar.

Marcelo Gama

Os namorados são sonhos
Entre a verdade e a ilusão,
Se chegam ao matrimônio,
O lar revela o que são.

Xavier de Castro

Para quem sofre no Além
Sob a culpa em choro inglório
O regresso ao lar terrestre
É a bênção do purgatório.

Oscar Leal

Família e reencarnação,
Deus as fez buscando a paz,
Não levam mágoas à frente
Nem deixam contas atrás.

Roberto de Alencar

Cartório faz união
E começa o lar a dois,
O amor constrói amizade,
Casamento vem depois.

Antônio de Castro

De quaisquer provas na Terra
A que mais amansa a gente:
Inimigo reencarnado
Sob a forma de parente.

Lulu Parola

Quando um sábio das Alturas
Necessita reencarnar
Ninguém consegue impedir
Nem adianta evitar.

Casimiro Cunha

Casamento é um laço em luz
Da Vida Superior,
Mas o lar desgovernado
É a sepultura do amor.

João Paiva

Toda civilização
Cresce em tudo sábia e bela
Tão-somente, em qualquer parte,
Porque o lar sofreu por ela.

Silveira de Carvalho

Não adianta fugir
Do débito que se atrasa,
Reencarnação chega logo
Cobrando dentro de casa.

Cornélio Pires

Todo lar que se levanta
Como for, seja onde for,
É sempre uma sementeira
Para a colheita do amor.

José Nava

Lar e Mãe — a dupla simples
Que a força da vida encerra,
Guardam consigo, ante Deus,
Toda a grandeza da Terra.

Antônio Bezerra













Inácio Bittencourt - Livro Vozes do Grande Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 22 - Aviso oportuno



Inácio Bittencourt - Livro Vozes do Grande Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 22


Aviso oportuno


"Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca." (MATEUS, 26:41)


Meus amigos: Louvado seja o Senhor.

Em minha última romagem no campo físico, mobilizando os poucos préstimos de minha boa vontade, devotei-me ao serviço da cura mediúnica; no entanto, desencarnado agora, observo que a turba de doentes, que na Terra me feria a visão, aqui continua da mesma sorte, desarvorada e sofredora.

Os gemidos no reino da alma não são diferentes dos gemidos nos domínios da carne.

E dói-me o coração reparar as filas imensas de necessitados e de aflitos a se movimentarem depois do sepulcro, entre a perturbação e a enfermidade, exigindo assistência.

É por esta razão, hoje reconhecemos, que acima do remédio do corpo temos necessidade de luz no espírito.

Sabemos que redenção expressa luta. E que resultados colheremos no combate evolutivo, se os soldados e obreiros das nossas empresas de recuperação jazem desprevenidos e vacilantes, infantilizados e trôpegos?

Nas vastas linhas de nossa fé, precisamos armar-nos de conhecimento e qualidade que nos habilitem para a vitória nas obrigações assumidas. Conhecimento que nasça do estudo edificante e metódico, e qualidade que decorra das atitudes firmes na regeneração de nós mesmos.

Devotamento à lição que ilumine e à atividade que enobreça.

Indubitavelmente, ignoramos por quanto tempo ainda reclamaremos no mundo o concurso da medicina e da farmácia, do bálsamo e do anestésico, da água medicamentosa e do passe magnético, à feição de socorro urgente aos efeitos calamitosos dos grandes males que geramos na vida, cujas causas nem por isso deixarão de ser removidas por nós mesmos, com a cooperação do tempo e da dor.

Mas, porque disponhamos de semelhante alívio, temporário embora, não será lícito olvidar que o presente de serviço é a valiosa oportunidade de nossa edificação.

A falta de respeito para com a nossa própria consciência dá margem a deploráveis ligações com os Planos inferiores, estabelecendo, em nosso prejuízo, moléstias e desastres morais, cuja extensão não conseguimos sequer pressentir; e a ausência de estudo acalenta em nossa estrada os processos da ignorância, oferecendo azo às mais audaciosas incursões da fantasia em nosso mundo mental, como sejam: a acomodação com fenômenos de procedência exótica, presididos por rituais incompatíveis com a pureza de nossos princípios, o indevido deslumbramento diante de profecias mirabolantes e a conexão sutil com inteligências desencarnadas menos dignas, que se valem da mediunidade incauta e ociosa entre os homens, para a difusão de notícias e mensagens supostamente respeitáveis, pela urdidura fantasmagórica, e que encerram em si o ridículo finamente trabalhado, com o evidente intuito de achincalhar o ministério da verdade e do bem.

A morte não é milagre e o Espiritismo desceu à Humanidade terrestre com o objetivo de espiritualizar a alma humana.

Evitemos proceder como aquele artífice do apólogo, [1] que pretendia consertar a vara torta buscando aperfeiçoar-lhe a sombra.

Iluminemos o santuário de nossa vida interior e a nossa presença será luz.

Eis a razão por que, em nos comunicando convosco, reportamo-nos aos quadros dolorosos que anotamos aqui, na esfera dos ensinamentos desaproveitados, para destacar o impositivo daquela oração e daquela vigilância, perenemente lembradas a nós todos pela advertência do nosso Divino Mestre, a fim de que estejamos seguros no discernimento e na fé, na fortaleza e na razão, encarando o nosso dever face a face.


Inácio Bittencourt






Nas tarefas da noite de 10 de novembro de 1955, profunda alegria felicitou-nos o grupo em prece.

Pela vez primeira, o inolvidável companheiro Inácio Bittencourt n visita-nos a casa. Senhoreando as possibilidades do médium, o grande lidador do Espiritismo no Brasil dirige-nos a sua palavra clara e incisiva concitando-nos às responsabilidades que nos competem na Doutrina de Luz que abraçamos. Chico Xavier.



[1] Um antigo provérbio filosófico oriental: “Evitemos os absurdos. Não se endireita a sombra de uma vara torta.”



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. VI - João Nunes Maia - Cap. 12 - Escolha antecipada



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. VI - João Nunes Maia - Cap. 12


Escolha antecipada


267. Pode o Espírito proceder à escolha de suas provas, enquanto encarnado?

“O desejo que então alimenta pode influir na escolha que venha a fazer, dependendo isso da intenção que o anime. Dá-se, porém, que, como Espírito livre, quase sempre vê as coisas de modo diferente. O Espírito por si só é quem faz a escolha; entretanto, ainda uma vez o dizemos, possível lhe é fazê-la, mesmo na vida material, por isso que há sempre momentos em que o Espírito se torna independente da matéria que lhe serve de habitação.”

a) - Não é decerto como expiação, ou como prova, que muita gente deseja as grandezas e as riquezas. Será?

“Indubitavelmente, não. A matéria deseja essa grandeza para gozá-la e o Espírito para conhecer-lhe as vicissitudes.” (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec)


As leis espirituais são elásticas, para atender a todos, no nível de cada escala do progresso espiritual. O Espírito pode escolher as suas provas mesmo antes de desencarnar, em se pensando em futura reencarnação. Ele formula idéias que podem ser aproveitadas, no que se refere às suas necessidades espirituais, mas, ele pode, igualmente, mudar de ideia ao chegar ao mundo dos Espíritos.

A bondade de Deus é tão grande, que Ele atende a todos com variadas possibilidades para o conhecimento da verdade. As escolhas antecipadas geralmente sofrem retificações para melhor aprimoramento da alma em questão. Comunga Deus o Seu pensamento de luz com as idéias dos homens, para melhor atender aos seus filhos na grande extensão da harmonia divina, nos corações das criaturas.

Quando o Espírito deseja escolher as riquezas, os poderes, e isso lhe é concedido, e ele as usa somente para sua satisfação interior e individual, notar-se-á a sua inferioridade, e quando as usa para o benefício da coletividade, esse pode se chamar de benfeitor da humanidade. Por isso é importante que aqueles que muito possuem usem o ouro para o bem-estar de todos, com empregos decentes, em aprimoramentos corretos, socorrendo os doentes na invalidez, as crianças, e ajudando ao próprio governo nas linhas da sinceridade. O ouro brilha no coração quando dirigido por ele, sob a influência do Cristo de Deus.

Falamos sempre em escolhas individuais ou imposições das provas. No entanto, todas são escolhas das almas, umas conscientes e outras inconscientes. As conscientes escolhem medindo suas necessidades, e as inconscientes, pelo estado em que se encontram. O Evangelho nos fala que será dado a cada um, segundo seu merecimento.

Pode-se, mesmo na Terra, fazer-se leve o fardo e suave o jugo, e para tanto, a Doutrina dos Espíritos ensina que basta ler com atenção os avisos da espiritualidade maior e esforçar na vivência, que o amor, conjugado com o perdão, oferecerá o ambiente e a amplitude dos conhecimentos indispensáveis para que se possa sentir o celeiro crescer na tranquilidade da consciência que com nada se perturba.

Nas lides do mundo, é necessário escolher igualmente todas as linhas onde vibra a fraternidade, procurando normas de proceder que se avizinham, pelo menos, dos costumes ensinados por Jesus, extraindo todo o mal que perturba o coração e que faz turvar a consciência em Cristo. Deus em nada erra; tudo que se encontra feito é pelo Seu querer. Se algo não existe, é porque Ele não o quer.

No entanto, nem tudo é para o nosso coração. Escolhamos o que devemos na faixa em que vibramos e vivemos, que a paz do Criador começará a dar sinal no nosso mundo interno. Façamos uma aliança com nós mesmos, de trabalhar no nosso aprimoramento moral, que a moralidade surgirá em nossos sentimentos. Não firamos a ninguém, nem oprimamos o nosso próximo, porque enquanto gastarmos o nosso tempo em ver os defeitos alheios, os nossos ficarão escondidos.

Escolhamos os caminhos com Jesus, pois Ele já nos escolheu como discípulos.


Miramez















Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 37 - O Guia real



Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 37


O Guia real


Na procura de orientação para a conquista da felicidade suprema, com base na alegria santificante, lembra-te de que não podes encontrar a diretriz integral entre aqueles que te comungam a experiência terrestre.

Nem na tribuna dos grandes filósofos.

Nem no suor dos pioneiros da evolução.

Nem na retorta dos cientistas eméritos.

Nem no trabalho dos pesquisadores ilustres.

Nem na cátedra dos professores distintos.

Nem na veste dos sacerdotes abnegados.

Nem no bastão dos pastores experientes.

Nem no apelo dos porta-vozes de reivindicações coletivas.

Nem nas ordenações dos administradores mais dignos.

Nem nos decretos dos legisladores mais nobres.

Nem no verbo flamejante dos advogados do povo.

Nem na palavra dos juízes corretos.

Nem na pena dos escritores enobrecidos.

Nem na força dos condutores da multidão.

Nem no grito contagioso dos revolucionários sublimes.

Nem nas arcas dos filantropos generosos.

Nem na frase incisiva dos pregadores ardentes.

Nem na mensagem reconfortante dos benfeitores desencarnados.

Em todos, surpreenderás, em maior ou menor porção, defeito e virtude, fealdade e beleza, acertos e desacertos, sombras e luzes.

Cada um deles algo te ensina, beneficiando-te de algum modo; contudo, igualmente caminham, vencendo com dificuldade a si mesmos… Cada um é credor de nossa gratidão e de nosso respeito pelo amor e pela cultura que espalha, mas no campo da Humanidade só existe um orientador completo e irrepreensível.

Tendo nascido na palha, para doar-nos a glória da vida simples, expirou numa cruz pelo bem de todos, a fim de mostrar-nos o trilho da eterna ressurreição.

Sendo anjo, fez-se homem para ajudar, e, sem cofres dourados, viveu para os outros, descerrando os tesouros do coração.

É por isso que Allan Kardec, desejando indicar-nos o guia real da ascensão humana, formulou a pergunta 625, em “O Livro dos Espíritos”, indagando qual o Espírito mais perfeito que Deus concedeu ao mundo para servir de modelo aos homens, e os mensageiros divinos responderam, na síntese inolvidável: — “Jesus”, — como a dizer-nos que só Jesus é bastante grande e bastante puro para ser integralmente seguido na Terra, como sendo o nosso Mestre e Senhor.


Emmanuel











Reunião pública de 25-5-1959. Questão n.º 625.

domingo, 13 de setembro de 2026

Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 29 - Orgulho e humildade



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 29


Orgulho e humildade


O Evangelho[1] nos apresenta um punhado de sentenças capazes de renovar o homem, levando-nos às leis naturais que, por sua vez, nos conduzem à tranquilidade, onde podemos conhecer o amor.

Fala-nos da humildade, ambiente que estimula a criatura, de maneira a buscar toda a inspiração da caridade. A humildade marca na alma o sinal divino do respeito e da paz.

O Espírito já despertado pela luz do entendimento passa a buscar todas as máximas de luz que surgem no Evangelho, procurando os homens que vieram à Terra, e ainda atingem os que estagiam no plano espiritual, para a educação por processos variados, alegrando quem aprende, que passa a viver esses conceitos de vida, testando nos caminhos essas regras que ajudam, que elevam e que tranquilizam a todos, em se valorizando a vida.

Com os tempos na conceituação cristã, a alma modela os brocardos a que sustenta e dá vida às criaturas, reconhecendo que Jesus é realmente o Caminho, a Verdade e a Vida.

Passamos a não ter mais dúvidas em relação ao Evangelho e à presença de Jesus, alimentando na Sua a nossa vida, a fim de não perdermos os caminhos de ascensão, sabendo que as nossas faltas devem ser corrigidas por nós mesmos.

Esse o nosso verdadeiro trabalho interno. O orgulho passa a ser uma chaga a ser extirpada dos nossos roteiros, por fazer parte das ilusões que nos desviam do bem. Ele petrifica os sentimentos e tira a nossa visão da realidade, e ainda contribui com a presença do egoísmo, que nos afasta das companhias que mais desejamos nas hostes do bem.

Trabalhemos todos os dias, em favor da humildade, deixando-a crescer na nossa casa íntima, que o crescimento passará a dominar o nosso ambiente de vida.

A humildade é vida, porque vem de Jesus.

Deus concedeu aos Espíritos que outrora habitaram a Terra, a oportunidade de voltar pelos processos da mediunidade, para nos instruir educando, e eles retomaram em falanges, com alegria, estruturando uma doutrina de sabedoria e de amor, mostrando que somos todos irmãos, e que Deus é Pai. O Espiritismo, deslizando na face da Terra, mostra conceitos de luz capazes de despertar os homens para as bênçãos do amor e da verdade.

Quem observar atentamente a presença da luz em favor dos homens na Terra, não pode cultivar dúvidas de que Jesus está na direção do planeta, e sabe o que faz, convocando a todos para urgentes mudanças no roteiro de vida e o que despertar nas mudanças, começará a ajudar na continuidade dessas atividades cristãs.

Procuremos a Jesus, e n’Ele nos inspiremos; quando isso se estender à humanidade, a Terra se modificará, e tudo que nela existe, para melhor, ajustando a força da mente com o auxílio de Deus, que não falta.

Assim procedendo, abriremos caminhos para aqueles que vêm na retaguarda, copiando a vida das grandes almas e passando seus valores para os famintos dos conceitos espirituais que limpam e aperfeiçoam os processos da sua vida.

Compete a nós outros começar esse trabalho agora, para que amanhã nasça a luz.

Matemos o orgulho, para que, no seu lugar, nasça a semente da humildade e do amor.

Confiemos em Deus, e acompanhemos Jesus, que a felicidade se tornará uma realidade.


Miramez







[1] O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap.o VII — Bem-aventurados os pobres de espírito - Instruções dos Espíritos

O orgulho e a humildade

11. Que a paz do Senhor seja convosco, meus queridos amigos! Aqui venho para encorajar-vos a seguir o bom caminho.

Aos pobres Espíritos que habitaram outrora a Terra, conferiu Deus a missão de vos esclarecer. Bendito seja Ele, pela graça que nos concede: a de podermos auxiliar o vosso aperfeiçoamento. Que o Espírito Santo me ilumine e ajude a tornar compreensível a minha palavra, outorgando-me o favor de pô-la ao alcance de todos! Oh! vós, encarnados, que vos achais em prova e buscais a luz, que a vontade de Deus venha em meu auxílio para fazê-la brilhar aos vossos olhos!

A humildade é virtude muito esquecida entre vós. Bem pouco seguidos são os exemplos que dela se vos têm dado. Entretanto, sem humildade, podeis ser caridosos com o vosso próximo? Oh! não, pois que este sentimento nivela os homens, dizendo-lhes que todos são irmãos, que se devem auxiliar mutuamente, e os induz ao bem. Sem a humildade, apenas vos adornais de virtudes que não possuís, como se trouxésseis um vestuário para ocultar as deformidades do vosso corpo. Lembrai-vos dAquele que nos salvou; lembrai-vos da sua humildade, que tão grande o fez, colocando-o acima de todos os profetas.

O orgulho é o terrível adversário da humildade. Se o Cristo prometia o reino dos céus aos mais pobres, é porque os grandes da Terra imaginam que os títulos e as riquezas são recompensas deferidas aos seus méritos e se consideram de essência mais pura do que a do pobre. Julgam que os títulos e as riquezas lhes são devidos, pelo que, quando Deus lhos retira, o acusam de injustiça. Oh! irrisão e cegueira! Pois, então, Deus vos distingue pelos corpos? O envoltório do pobre não é o mesmo que o do rico? Terá o Criador feito duas espécies de homens? Tudo o que Deus faz é grande e sábio; não lhe atribuais nunca as idéias que os vossos cérebros orgulhosos engendram.

Ó rico! Enquanto dormes sob dourados tetos, ao abrigo do frio, ignoras que jazem sobre a palha milhares de irmãos teus, que valem tanto quanto tu? Não é teu igual o infeliz que passa fome? Ao ouvires isso, bem o sei, revolta-se o teu orgulho. Concordarás em dar-lhe uma esmola, mas em lhe apertar fraternalmente a mão, nunca. “Pois quê! dirás, eu, de sangue nobre, grande da Terra, igual a este miserável coberto de andrajos! Vã utopia de pseudofilósofos! Se fôssemos iguais, por que o teria Deus colocado tão baixo e a mim tão alto?” É exato que as vossas vestes não se assemelham; mas, despi-vos ambos: que diferença haverá entre vós? A nobreza do sangue, dirás; a química, porém, ainda nenhuma diferença descobriu entre o sangue de um grão-senhor e o de um plebeu; entre o do senhor e o do escravo. Quem te garante que também tu já não tenhas sido miserável e desgraçado como ele? Que também não hajas pedido esmola? Que não a pedirás um dia a esse mesmo a quem hoje desprezas? São eternas as riquezas? Não desaparecem quando se extingue o corpo, envoltório perecível do teu Espírito? Ah! lança sobre ti um pouco de humildade! Põe os olhos, afinal, na realidade das coisas deste mundo, sobre o que dá lugar ao engrandecimento e ao rebaixamento no outro; lembra-te de que a morte não te poupará, como a nenhum homem; que os teus títulos não te preservarão do seu golpe; que ela te poderá ferir amanhã, hoje, a qualquer hora. Se te enterras no teu orgulho, oh! quanto então te lamento, pois bem digno de compaixão serás.

Orgulhosos! Que éreis antes de serdes nobres e poderosos? Talvez estivésseis abaixo do último dos vossos criados. Curvai, portanto, as vossas frontes altaneiras, que Deus pode fazer se abaixem, justo no momento em que mais as elevardes. Na balança divina, são iguais todos os homens; só as virtudes os distinguem aos olhos de Deus. São da mesma essência todos os Espíritos e formados de igual massa todos os corpos. Em nada os modificam os vossos títulos e os vossos nomes. Eles permanecerão no túmulo e de modo nenhum contribuirão para que gozeis da ventura dos eleitos. Estes, na caridade e na humildade é que têm seus títulos de nobreza.

Pobre criatura! és mãe, teus filhos sofrem; sentem frio; têm fome, e tu vais, curvada ao peso da tua cruz, humilhar-te, para lhes conseguires um pedaço de pão! Oh! inclino-me diante de ti. Quão nobremente santa és e quão grande aos meus olhos! Espera e ora; a felicidade ainda não é deste mundo. Aos pobres oprimidos que nele confiam, concede Deus o reino dos céus.

E tu, donzela, pobre criança lançada ao trabalho, às privações, por que esses tristes pensamentos? Por que choras? Dirige a Deus, piedoso e sereno, o teu olhar: ele dá alimento aos passarinhos; tem-lhe confiança: ele não te abandonará. O ruído das festas, dos prazeres do mundo, faz bater-te o coração; também desejaras adornar de flores os teus cabelos e misturar-te com os venturosos da Terra. Dizes de ti para contigo que, como essas mulheres que vês passar, despreocupadas e risonhas, também poderias ser rica. Oh! cala-te, criança! Se soubesses quantas lágrimas e dores inomináveis se ocultam sob esses vestidos recamados, quantos soluços são abafados pelos sons dessa orquestra rumorosa, preferirias o teu humilde retiro e a tua pobreza. Conserva-te pura aos olhos de Deus, se não queres que o teu anjo guardião para o seu seio volte, cobrindo o semblante com as suas brancas asas e deixando-te com os teus remorsos, sem guia, sem amparo, neste mundo, onde ficarias perdida, a aguardar a punição no outro.

Todos vós que dos homens sofreis injustiças, sede indulgentes para as faltas dos vossos irmãos, ponderando que também vós não vos achais isentos de culpas; é isso caridade, mas é igualmente humildade. Se sofreis pelas calúnias, abaixai a cabeça sob essa prova. Que vos importam as calúnias do mundo? Se é puro o vosso proceder, não pode Deus vo-las compensar? Suportar com coragem as humilhações dos homens é ser humilde e reconhecer que somente Deus é grande e poderoso.

Oh! meu Deus, será preciso que o Cristo volte segunda vez à Terra para ensinar aos homens as tuas leis, que eles olvidam? Terá que de novo expulsar do templo os vendedores que conspurcam a tua casa, casa que é unicamente de oração? E, quem sabe? ó homens! se o não renegaríeis como outrora, caso Deus vos concedesse essa graça! Chamar-lhe-íeis blasfemador, porque abateria o orgulho dos modernos fariseus. É bem possível que o fizésseis perlustrar novamente o caminho do Gólgota.

Quando Moisés subiu ao monte Sinai para receber os mandamentos de Deus, o povo de Israel, entregue a si mesmo, abandonou o Deus verdadeiro. Homens e mulheres deram o ouro e as joias que possuíam, para que se construísse um ídolo que entraram a adorar. Vós outros, homens civilizados, os imitais. O Cristo vos legou a sua doutrina; deu-vos o exemplo de todas as virtudes e tudo abandonastes, exemplos e preceitos. Concorrendo para isso com as vossas paixões, fizestes um Deus a vosso jeito: segundo uns, terrível e sanguinário; segundo outros, alheado dos interesses do mundo. O Deus que fabricastes é ainda o bezerro de ouro que cada um adapta aos seus gostos e às suas idéias.

Despertai, meus irmãos, meus amigos. Que a voz dos Espíritos ecoe nos vossos corações. Sede generosos e caridosos, sem ostentação, isto é, fazei o bem com humildade. Que cada um proceda pouco a pouco à demolição dos altares que todos ergueram ao orgulho. Numa palavra: sede verdadeiros cristãos e tereis o reino da verdade. Não continueis a duvidar da bondade de Deus, quando dela vos dá ele tantas provas. Vimos preparar os caminhos para que as profecias se cumpram. Quando o Senhor vos der uma manifestação mais retumbante da sua clemência, que o enviado celeste já vos encontre formando uma grande família; que os vossos corações, mansos e humildes, sejam dignos de ouvir a palavra divina que ele vos vem trazer; que ao eleito somente se deparem em seu caminho as palmas que aí tenhais deposto, volvendo ao bem, à caridade, à fraternidade. Então, o vosso mundo se tornará o paraíso terrestre. Mas, se permanecerdes insensíveis à voz dos Espíritos enviados para depurar e renovar a vossa sociedade civilizada, rica de ciências, mas, no entanto, tão pobre de bons sentimentos, ah! então não nos restará senão chorar e gemer pela vossa sorte. Mas, não, assim não será. Voltai para Deus, vosso pai, e todos nós que houvermos contribuído para o cumprimento da sua vontade entoaremos o cântico de ação de graças, agradecendo-lhe a inesgotável bondade e glorificando-o por todos os séculos dos séculos. 

Assim seja. 


Lacordaire. 
(Constantina, 1863.)












Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 162 - Esperemos



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 162

Esperemos

 
“Não esmagará a cana quebrada e não apagará o morrão que fumega, até que faça triunfar o juízo.” — (MATEUS, 12:20)


Não quebrará a cana, que está deprimida, nem apagará a torcida que fumega, até que saia vitoriosa a sua justiça.

Evita as sentenças definitivas, em face dos quadros formados pelo mal.

Da lama do pântano, o Supremo Senhor aproveita a fertilidade.

Da pedra áspera, vale-se da solidez.

Da areia seca, retira utilidades valiosas.

Da substância amarga, extrai remédio salutar.

O criminoso de hoje pode ser prestimoso companheiro amanhã.

O malfeitor, em certas circunstâncias, apresenta qualidades nobres, até então ignoradas, de que a vida se aproveita para gravar poemas de amor e luz.

Deus não é autor de esmagamento. É Pai de misericórdia.

Não destrói a cana quebrada, nem apaga o morrão que fumega. Suas mãos reparam estragos, seu hálito divino recompõe e renova sempre.

Não desprezes, pois, as luzes vacilantes e as virtudes imprecisas.   

Não abandones a terra pantanosa, nem desampares o arvoredo sufocado pela erva daninha.

Trabalha pelo bem e ajuda incessantemente.

Se Deus, Senhor Absoluto da Eternidade, espera com paciência, por que motivo, nós outros, servos imperfeitos do trabalho relativo, não poderemos esperar?


Emmanuel













Joanna de Ângelis - Livro Iluminação Interior - Divaldo Pereira Franco - Cap. 3 - Despertamento para a verdade

 

Joanna de Ângelis - Livro Iluminação Interior - Divaldo Pereira Franco - Cap. 3


Despertamento para a verdade

    
Ilude-se todo aquele que supõe que o encontro com a Verdade irá impedir-lhe a ocorrência de problemas e de desafios existenciais na jornada de evolução.

Engana-se quem pretende viver experiências elevadas sem as lutas do quotidiano, em razão da sua vinculação com o espírito da Verdade.

Desperdiça o tempo, o indivíduo que acredita estar livre do sofrimento, somente porque se voltou para as lições libertadoras da Verdade.

Equivoca-se a pessoa que, abraçando a Verdade, espera desfrutar de privilégios e prazeres contínuos.

Defrauda a consciência o pretendente a uma vida de exceção, longe da dor, das provas necessárias, somente porque aderiu à Verdade.

Mente, para si mesmo, aquele que espera uma existência pacata, rica de experiências espirituais, sem os choques do mundo, agora, quando se encontrou com a Verdade.

Não existe um exemplo de alguém que haja despertado para a Verdade, que tenha modificada a trajetória da reencarnação, passando a gozar de dádivas especiais que o tornariam um leito.

Pelo contrário, a Verdade induz à maturidade espiritual, à libertação da ignorância em torno da vida, demonstrando que se está na Terra, num mundo transitório, momentâneo, programado para o retorno ao Grande Lar, após vencidas as etapas de progresso que lhe são necessárias durante o trajeto físico.

O conhecimento da Verdade dilata os horizontes do entendimento intelectual e racional do Espírito, a fim de que se possa aplicar ao dever essencial, ao invés de deter-se nas banalidades que procura transformar em fundamentais à felicidade.

Ao mesmo tempo, convoca a mente à introspecção, à viagem silenciosa que leva ao autodescobrimento, de maneira a selecionar o que é fundamental e o que é secundário durante o périplo carnal.

Identificados os valores legítimos oferecidos pela reencarnação, entrega-se à reconstrução moral no campo das ideias, facultando melhor direcionamento dos esforços pessoais em favor do crescimento interior, com a mente inçada de esperanças e de bem-estar.

Uma incomparável alegria apossa-se-lhe do comportamento, alterando-o expressivamente, por facultar o aproveitamento do tempo para a vinculação com Deus através da Sua manifestação em todas as coisas.

Aberturas emocionais para o amor, para a fraternidade, para a compaixão, para a caridade ensejam-lhe um intercâmbio contínuo com as Forças do Bem, que alimentam o ser e dele retiram energias que são aplicadas em favor dos menos aquinhoados.

Uma alteração real de objetivos alerta para a vivência contínua das emoções superiores.

A resignação ante os acontecimentos menos ditosos, os insucessos materiais, as enfermidades, as agressões e combates inevitáveis, transformam-se em recurso prodigioso para dar continuidade aos projetos evolutivos na direção da meta libertadora.

À medida que o ser se eleva, mais fácil apresenta-se-lhe a faculdade de entender a vida e suas ocorrências, dando-lhes motivações para empreendimentos contínuos de paz e de construção da solidariedade.

Não espera que o mundo mude, antes muda em relação ao mundo, tornando-se um ponto de referência para outras futuras transformações que ocorrerão em favor da renovação da sociedade.

Já não mais escraviza-se a pessoas e a coisas, por sabê-las todas efêmeras no curso infinito do progresso. Ama-as, porém, livre de dependência de qualquer espécie, por cuja forma não se detém na marcha, avançando sempre.

Compreende que nem todos, no momento, podem seguir-lhe os passos, o que não o aflige, nem o desestimula, porquanto reconhece a existência de níveis variados de consciências, continuando nos propósitos estabelecidos.

Vítimado por circunstâncias decorrentes dos atos infelizes do pretérito espiritual, enfrenta a situação com coragem, diluindo os efeitos com os métodos ao alcance, evitando novos comprometimentos que o afligirão no porvir.

Perseguido pela insensatez que campeia a soldo da comodidade em toda parte, sorri e continua, não se detendo a explicar a conduta, nem a debater a respeito da decisão de integrar-se no conceito da Verdade, vivendo-a, desde já, sem alarde, nem imposição de qualquer natureza.

Honestamente, é fiel a si mesmo e a Deus, que o atrai com a irresistível energia do amor, passando a nutrir-se desse pão de vida, sem a preocupação de justificar-se ou de arrebanhar adeptos para o seu desiderato.

Muitas vezes, a sós, está sempre com Deus, ou Deus está com ele, não se importando com o abandono a que se veja entregue por familiares, amigos ou correligionários.

Não se aflige hoje, ante a impossibilidade de conseguir a realização dos seus objetivos. Sabe que o importante é iniciar a busca, prosseguindo sem pressa, nem detença.

Nele fulgura a luz da paz, que o tranquiliza, facultando-lhe entendimento de todos os acontecimentos.

Se a morte ameaça, prepara-se para recebê-la jovialmente, porque entende que ela será a sua ponte para alcançar o Outro Lado, onde espera ser feliz.

Vagarosamente e com decisão rompe o véu que o separa da Verdade, conforme acentuava São João da Cruz.

... E ocorrendo a morte, desperta em madrugada formosa para a qual se preparou durante a existência passada.

Eu sou o Caminho da Verdade e da Vida - afirmou Jesus.

A fim de ser alcançada - Deus em Plenitude - Jesus é o Caminho único, embora se multipliquem os missionários do amor, da compaixão e da sabedoria em todas as doutrinas espiritualistas, que vieram em Seu nome, a fim de preparar as criaturas para o grande encontro com o Seu coração.

Toma-O como modelo e guia, seguindo-O alegremente, e a Verdade te embriagará de luz e de paz, concedendo-te vida em abundância.


Joanna de Ângelis