domingo, 7 de junho de 2026

Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 7 - Ante o livre arbítrio



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 7


Ante o livre arbítrio


“Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo.” — JESUS — (João, 3:7)

“Não há, pois, duvidar de que sob o nome de ressurreição o princípio da reencarnação era ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus, ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo formal; donde se segue que negar a reencarnação é negar ar palavras do Cristo.” — (E.S.E. Cap. IV, It. 16)

Surgem, aqui e ali, aqueles que negam o livre arbítrio, alegando que a pessoa no mundo é tão independente, quanto o pássaro no alçapão.

E, justificando a assertiva, mencionam a junção compulsória do Espírito ao veículo carnal, os constrangimentos da parentela, as convenções sociais, as preocupações incessantes na preservação da energia corpórea, as imposições do trabalho e a obediência natural aos regulamentos constituídos para a garantia da ordem terrestre, esquecendo-se de que não há escola sem disciplina.

Certamente, todos os patrimônios da civilização foram erigidos pelas criaturas que usaram a própria liberdade na exaltação do bem, no entanto, para fixar as realidades do livre arbítrio examinemos o reverso do quadro.

Reflitamos, ainda que superficialmente, em nossos irmãos menos felizes, para recolher-lhes a dolorosa lição.

Pensemos no desencanto daqueles que amontoaram moedas, por longo tempo, acumulando o suor dos semelhantes, em louvor da própria avareza, e sentem a aproximação da morte, sem migalha de luz que lhes mitigue as aflições nas trevas…

Imaginemos o suplício dos que trocaram veneráveis encargos por fantasiosos enganos, a despertarem no crepúsculo da existência, qual se fossem arremessados, sem perceber à secura asfixiante de escabroso deserto…

Ponderemos a tortura dos que abusaram da inteligência, reconhecendo, à margem da sepultura, os deprimentes resultados do desprezo com que espezinharam a dignidade humana…

Consideremos o martírio dos que desvirtuaram a fé religiosa, anulando-se no isolamento improdutivo, ao repararem, no término da estância terrestre, que apenas disputaram a esterilidade do coração.

Meditemos no remorso dos que se renderam à delinquência, hipnotizados pela falsa adoração a si mesmos, acordando abatidos e segregados no fundo das penitenciárias de sofrimento…

Ninguém pode negar que todos eles, imanizados ao cativeiro da angústia, eram livres… Conquanto os empeços do aprendizado na experiência física, eram livres para construir e educar, entender e servir.

Eis porque a Doutrina Espírita fulge, na atualidade, diante da mente humana, auxiliando-nos a descobrir os Estatutos Divinos, funcionando em nós próprios, no foro da consciência, a fim de aprendermos que a liberdade de fazer o que se quer está condicionada à liberdade de fazer o que se deve.

Estudemos os princípios da reencarnação, na lei de causa e efeito, à luz da justiça e da misericórdia de Deus e perceberemos que mesmo encarcerados agora em constringentes obrigações, estamos intimamente livres para aceitar com respeito e humildade as determinações da vida, edificando o espírito de trabalho e compreensão naqueles que nos observam e nos rodeiam, marchando, gradativamente, para a nossa emancipação integral, desde hoje.


Emmanuel











(Reformador, maio de 1964, p. 119)

sábado, 6 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 33 - Emancipação além-túmulo



Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 33


Emancipação além-túmulo


Se aspiras a compreender o que seja a emancipação espiritual para os que esperam a morte, de mãos no arado das obrigações fielmente cumpridas, ouve os companheiros encarcerados nas provas supremas da retaguarda.

Pergunta aos cegos que passam a existência buscando debalde fitar o colorido das flores, como se comportariam, obtendo, de improviso, o dom inefável da visão, diante da luz;

examina os mais íntimos anelos dos paralíticos, que atravessam longo tempo atarraxados no catre da aflição, suspirando por rastejarem;

reflete no martírio dos companheiros que amargam no hospital o transitório desequilíbrio da mente, sequiosos de retorno ao próprio domínio;

sonda a agonia silenciosa dos mudos que despenderiam alegremente todas as forças de que dispõem, a fim de pronunciarem breves palavras;

registra os soluços dos órfãos pequeninos, suplicando aconchego no coração materno;

medita na tortura constante dos que foram expulsos do lar, injustiçados e infelizes, sonhando o regresso aos braços que mais amam;

relaciona os suplícios dos que jazem nas penitenciárias dispostos a darem tudo de si mesmos, pelo perdão das próprias vítimas, de modo a aplacarem as chamas do remorso que lhes revolvem as consciências;

conta as lágrimas das mães desditosas que anseiam acariciar os filhos domiciliados para lá do sepulcro e dos quais se separaram, muitas vezes, nas horas mais belas da juventude;

observa o tormento da alma que ficou sozinha no mundo, tateando em desespero a lousa em que viu desaparecer os derradeiros sinais humanos da outra alma, cujo amor lhe resume a razão de ser;

inventaria os pesadelos ignorados de quantos se curvaram para a terra, suportando os extremos achaques da velhice corpórea, à feição do viajante dentro da noite, indagando às estrelas da oração pela hora da alva…

Emancipação! Todos os que estiveram, um dia, encadeados às trevas da provação conhecem a grandeza dessa palavra!

Emancipação espiritual é a mensagem da morte, no entanto, para que a morte seja alegria e clarão; liberdade e reencontro, é preciso tenhamos sabido aceitar a escola da experiência terrestre, aprendendo a sofrer e servir na veste física, a encharcar-se de suor no trabalho digno, a fim de recebermos as chaves de luz do lar eterno, na plenitude da Vida Maior.


Emmanuel










Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 1 - Prece para ti mesmo



Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 1


Prece para ti mesmo
 

Deus!... Sou eu que Te falo! Eu me proponho a ler este livro, já sabendo que ele trata de assuntos altamente incômodos à minha personalidade. Pelo sumário e pelo título, nota-se o quanto temos de nos esforçar como médicos de nós mesmos, fazendo diariamente a nossa cirurgia mental, de modo que ela restabeleça o equilíbrio espiritual em nosso coração, juntamente com os sentimentos.

Conheço as minhas falhas, sei que os meus pés têm pisado em terreno que não é próprio aos pés de um verdadeiro discípulo de Jesus. No entanto, estou disposto a mudar de direção, para fazer a Tua vontade e não a minha, em todos os objetivos de servir que começam a nascer em meu íntimo.

Quero confiar em Teu amor... Ajuda-me!

Quero sentir a Tua presença na minha vida...Ajuda-me!

Quero facilitar o livre trânsito do amor no meu mundo interno... Ajuda-me!

Divino Senhor! Não deixes que eu ocupe o tempo precioso vendo os defeitos alheios. Não permitas que a minha boca sirva de escândalos para alimentar a vingança, o orgulho e a vaidade. Livra-me do ambiente de discórdia e de maledicência. Deus de eterna bondade! O Teu amor conforta-me o coração! Eu Te peço que me ajudes a melhorar, porque somente Tu sabes das minhas enfermidades morais. Estou disposto a operar-me no mesmo hospital em que vivo diariamente, onde o maior enfermo sou eu. Mas quero que me ajudes em tal disposição, para fechar os olhos aos erros de quem anda comigo no mesmo caminho, para ver com clareza o que tenho de pior, para que o bisturi da boa vontade trabalhe em mim sem o impedimento da vaidade e do amor próprio. Ajuda-me a ajudar!

Senhor, eu Te peço para me lembrares, ao ler páginas de autoeducação, do que tem de ser corrigido em meus caminhos, agradecendo aos outros pelos exemplos que me ofertam no silêncio da própria vida.

Lembra-me, meu Deus, para que eu não imponha as minhas idéias nos corações dos que me cercam e vivem comigo.

Lembra-me, Senhor, para que eu adquira a obediência e a autoeducação. E quando eu tiver cultivado alguma virtude, não critique quem ainda não teve tal oportunidade. Sei que o amor não ofende, não maltrata, não enxovalha, não fere e não exige. Porém, na hora em que o bem-estar invade o meu coração, pela Tua misericórdia, eu faço tudo isso, pelo prazer de diminuir o próximo, exaltando-me naquilo que não possuo. Quero Te pedir para me ajudar a combater o egoísmo que veste, dentro de mim, variadas roupas, disfarçando-se em modalidades diversas para que eu me engane a mim mesmo, deixando imperar o orgulho.

Ajuda-me, Senhor, a ajudar a mim mesmo, na escala em que permaneço, sem ofender os outros e sem diminuir a quem quer que seja.

Abençoa-me, e a todos, mostrando-me o que devo fazer, sem desculpas, dentro de mim mesmo.


Lancellin










sexta-feira, 5 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Vereda de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 7 - Trabalho e tempo



Emmanuel - Livro Vereda de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 7


Trabalho e tempo
 

“É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia…” — JESUS (João 9:4)

Até ontem, é possível:

que pesadas cargas de sofrimento nos tenham sitiado o curso das horas;

que tenhamos caído em faltas lastimáveis, das quais dificilmente nos levantamos, como quem se demora a ingerir curativa poção amarga;

que lágrimas nos hajam lavado o rosto, muitas e muitas vezes;

que provas graves nos tenham experimentado a confiança e o discernimento;

que desilusões nos hajam espancado o entusiasmo e a esperança;

que obstáculos e golpes nos tenham visitado o espírito em luta;

que afeições modificadas nos hajam imposto doloroso adeus ao coração;

que as trevas tenham mostrado o propósito de esfriar-nos o ideal, convulsionando-nos a área de serviço;

que perturbações e conflitos nos hajam testado a fidelidade e a segurança no esforço de construção da Vida Superior;

que solidão e abandono, várias vezes, nos tenham deixado em cinza e sombra;

que adversários intransigentes nos hajam abatido a coragem de esperar e o prazer de servir…

Entretanto, na essência, não vale o mal que passou. Importa, acima de tudo, que estejamos no cumprimento de nossas obrigações, sem esmorecer, doando o melhor de nós mesmos ao trabalho que a Divina Providência nos deu a realizar, na Seara do Bem, porque de todas as concessões de Deus, nos instrumentos da vida, é imperioso reconhecer que todas elas se refazem ou se reajustam, menos a dádiva do tempo que, depois de perdida, não volta mais.


Emmanuel










Neio Lúcio - Livro Alvorada Cristã - Chico Xavier - Cap. 30 - Dá de ti mesmo



Neio Lúcio - Livro Alvorada Cristã - Chico Xavier - Cap. 30


Dá de ti mesmo


Declaraste não possuir dinheiro para auxiliar. Acreditas que um pouco de papel ou um tanto de níquel te substituem o coração?

Esqueces-te, meu filho, de que podes sorrir para o doente e estender a mão ao necessitado?

A flor não traz consigo uma bolsa de ouro e espalha perfume no firmamento.

O céu não exibe chuvas de moedas, mas enche o mundo de luz.

Quanto pagas pelo ar fresco que, em bafejos amigos, te visita o quarto pela manhã?

O oxigênio cobra-te imposto?

Quanto te custa a ternura materna?

As aves cantam gratuitamente.

A fonte que te oferece o banho reconfortador não exige mensalidade.

A árvore abre-te os braços acolhedores, repletos de flor e fruto, sem pedir vintém.

A bênção divina, cada noite, conduz o teu pensamento a bendito repouso no sono e não fazes retribuição de espécie alguma.

Habitualmente sonhas, colhendo rosas em formoso jardim, junto de companheiros felizes; no entanto, jamais te lembraste de agradecer aos gênios espirituais que te proporcionam venturoso descanso.

A estrela brilha sem pagamento.

O Sol não espera salário.

Por que não aprenderes com a Natureza em torno?

Por que não te fazeres mais alegre, mais comunicativo, mais doce?

Tens a fisionomia seca e ensombrada por faltar-te dinheiro excessivo e reclamas recursos materiais para ser bom, quando a bondade não nasce dos cofres fortes.

Sê irmão de teu irmão, companheiro de teu companheiro, amigo de teu amigo.

Na ciência de amar, resplandece a sabedoria de dar.

Mostra um semblante sereno e otimista, aonde fores.

Estende os braços, alonga o coração, comunica-te com o próximo, através dos fios brilhantes da amizade fiel.

Que importa se alguém te não entende o gesto de amor?

Que seria de nós, meu filho, se a mão do Senhor se recolhesse a distância, por temer-nos a rudeza e a maldade?

Dá de ti mesmo, em toda parte.

Muito acima do dinheiro, pairam as tuas mãos amigas e fraternais.


Neio Lúcio













quinta-feira, 4 de junho de 2026

Irmã Scheilla - Livro A Mensagem do Dia - Clayton B. Levy - Cap. 17 - Esperança



Irmã Scheilla - Livro A Mensagem do Dia - Clayton B. Levy - Cap. 17


Esperança


Quando a dor chegar para você, serei a promessa de alívio e renovação.

Se o cenário se converter em noite escura, serei a estrela-guia para o rumo certo.

Quando a fadiga se apresentar, serei o abrigo seguro e específico.

Quando os conflitos se fizerem presentes, serei a indicação para a calma e a fraternidade.

Em todos os momentos, desejo ser sua companheira fiel.

Sou amiga de todos, embora quase sempre encontre guarida entre os crentes e idealistas.

Hoje, bato à sua porta.

Não me recuse morada em seu coração.

Onde chego, renovo os pensamentos e vivifico a certeza no futuro melhor.

Sou irmã do otimismo e filha da confiança em Deus.

Agora, sou também sua irmã.

Dê-me sua mão.

Venha comigo.

Meu nome é Esperança.


Irmã Scheilla














quarta-feira, 3 de junho de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Tesouros Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Cap. 1 - Renovadas esperanças



Joanna de Ângelis - Livro Tesouros Libertadores - Divaldo Pereira Franco - Cap. 1


Renovadas esperanças


A esperança esvanecia-se nos corações aflitos e nas vidas sobrecarregadas pelas injunções penosas, sendo substituída lentamente pela amargura e pelo desencanto.

Mais uma vez a opressão asfixiava Israel, reduzindo o seu povo à situação de hilota, sob a poderosa força das legiões romanas.

O governo, tão imoral quão perverso de Herodes, o Grande, espalhava o terror por todo o país, embora subserviente ao imperador desde quando o Senado romano nomeou-o como Rei dos judeus.

Jerusalém era um covil de criminosos a soldo da impunidade, desde que protegidos pelo Sinédrio ou pelo déspota, que passaria à História como um dos mais perversos do seu tempo.

O silêncio das revelações que se prolongava por alguns séculos demonstrava a decadência moral que dominara o reino sob severas provações.

De um lado, a Torre Antônia vigiava os passos de todos quantos se movimentavam na velha urbe, e, do outro, o suntuoso Templo, no qual os serviços religiosos perderam totalmente o significado espiritual, substituído pelo comercio de toda ordem, dominavam as consciências e sufocavam as parcas esperanças de melhores dias.

A traição, as calúnias, a bajulação disputavam soberania nos palácios do sumo sacerdote e do cruel dominador, enquanto Roma vigiava-os com rigor, sempre pronta a interferir nas tricas intermináveis entre os rabinos ambiciosos, assim como entre as castas dos fariseus, saduceus, publicanos e proletários reduzidos à quase miséria total.

A justiça cedera lugar à astúcia e à perversidade em campeonato de insensibilidade moral e emocional.

A pessoa humana valia quase menos que uma animália.

Ao mesmo tempo, a ignorância em torno do sentido existencial e da busca moral de evolução predominava em toda parte.

Os fraudadores, os agiotas e os mercadores mantinham as suas bancas e os animais para o sacrifício no santuário que deveria ser dedicado aos objetivos do espírito, sem qualquer consideração pela dignidade.

A preocupação dos fariseus com as fórmulas e a aparência exterior, em terrível hipocrisia, assustava as massas em desgoverno emocional.

O formalismo substituía a legitimidade dos sentimentos e os rabinos aproveitavam-se da situação para o enriquecimento ilícito e o luxo exorbitante, em detrimento dos sofredores e miseráveis que enxameavam nas cidades, especialmente Jerusalém.

Foi nesse clima histórico de hediondez que nasceu Jesus numa noite estrelada, após deixar o sólio do Altíssimo.

Esse acontecimento sublime dividiu os fastos históricos da Humanidade e nunca mais a desfaçatez, a insensibilidade emocional e a dureza dos corações encontrariam apoio na sociedade, embora ainda permaneçam em predominância.

Ele veio traçar a linha divisória entre a verdade e a mentira, o poder político e o espiritual, o amor e a misericórdia em lugar da astúcia e da selvageria...

Suave e nobre como uma réstia, que diminuiu a escuridão aparvalhante, Ele inaugurou o período da fraternidade sem jaça, do trabalho honorável, da imaculada justiça sob a proteção do amor até a abnegação e o sacrifício.

Jamais a Humanidade conheceu alguém do porte de Jesus. Nunca houve alguém à Sua semelhança, que vivenciasse todos os postulados que enunciava, amparando e convivendo com aqueles que eram considerados excluídos, pelo simples fato de serem infelizes.

Ele abriu os braços e envolveu os desventurados em doce amplexo de ternura incomum, atendeu as criancinhas ingênuas, os enfermos desditosos, as mulheres equivocadas e todos aqueles que tinham fome e sede de justiça e de misericórdia.

Por isso, a Sua é a vida mais bela e grandiosa que passou pela Terra, deixando pegadas luminosas, a fim de que, através dos séculos, os transviados pudessem identificar o caminho que os pode conduzir com segurança à meta anelada, que é a plenitude, o Reino de Deus no próprio coração.

Ao escolher um monte nas cercanias do mar da Galileia como cenário de beleza ímpar, ele cantou as Bem-aventuranças, o mais perfeito código de ética moral e de comportamento que prossegue ressoando através dos últimos dois milênios nas mentes e nos sentimentos humanos.

Quem reflexione sinceramente no seu conteúdo, nunca mais voltará às paisagens ermas e terríveis do egoísmo, da insensatez, da indiferença pelos valores elevados da existência.

Suas mãos cariciosas dedicaram-se a limpar os leprosos, a abrir os olhos aos cegos, a descerrar os ouvidos dos moucos, a restituir movimentos aos paralisados, mas, sobretudo, a guiar como pastor dedicado o rebanho pela trilha de segurança, fazendo-se, Ele próprio, o Caminho para a Verdade e para a Vida.

A Sua voz canora narrou as extraordinárias parábolas, sintetizando todas as necessidades humanas e as soluções nessas narrativas fecundas e inolvidáveis, hoje transformadas em recursos psicoterapêuticos para os depressivos, os atormentados, os perdidos no país de si mesmos.

Nunca mais se ouviria o canto nem o encanto desse Homem incomparável que se negou a ser rei dos judeus, por ser o Senhor das estrelas...

Lembra-te de Jesus na celebração do Natal, evocando-Lhe a vida incomum, o amor inefável de que se fez portador, aplicando na conduta as lições insuperáveis que legou à Humanidade.

Não te deixes perturbar pelos ruídos das propagandas da ilusão, mantém o silêncio interno e a visão clara para identificar os necessitados aos quais Ele denominou como Filhos do Calvário, e quanto possível, em memória d’Ele, atenua-lhes as dificuldades e os padecimentos atrozes que os vergastam.

Permanece vigilante, a fim de que neste Natal Jesus deixe de ser confundido com o mercado dos presentes e retorne ao convívio do povo como a esperança de felicidade que se converte em realidade.


Joanna de Ângelis