terça-feira, 7 de abril de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Messe de Amor - Divaldo P. Franco - Cap. 7 - No Culto da Oração



Joanna de Ângelis - Livro Messe de Amor - Divaldo P. Franco - Cap. 7


No Culto da Oração


Quando a aflição te visite o trabalho, desferindo golpes no teu coração ou conduzindo-te às sugestões do mal, recorda-te da oração singela à disposição de todos.

Semelhante a unguento, não somente cicatriza o peito em chaga aberta, como vitaliza os melhores sonhos perturbados pela nuvem sombria do desespero, devolvendo a esperança e a paz.

Anjo benfazejo, a oração apaga as labaredas do crime, em começo, improvisando recursos de salvação, para que a serenidade retorne, santificante, à direção da consciência.

Não apenas garante a felicidade e a harmonia do lar, como também embeleza todas as realizações começantes, oferecendo estímulo novo e coragem, para o êxito total da experiência em que te aprimoras no estágio do mundo.

Não somente consola e sara, mas também ilumina o pensamento turbilhonado, restituindo a calma e o tirocínio para desmanchares os cipós enrodilhados nos teus pés, a te reterem na província da angústia incessante.

Celeiro de bênçãos inesgotáveis, ela é a segurança da família, alimento dos filhos e fortaleza dos pais.

Mensageira do Pai Celestial, é a intérprete das tuas aspirações e intercessora dos teus anseios junto aos bem-aventurados.

Vertendo-a do coração, em colóquio confiante, asserenam-se as paixões, purificam-se os sentimentos, estabelecem-se diretrizes, moderam-se as necessidades, robustece-se a fé, eleva-se o padrão de serviço e ela harmoniza, em redor de nossa aprendizagem, os patrimônios da honra, do respeito e da saúde espiritual, favorecendo a extensão das menores tarefas, no campo do auxílio aos sofredores.

Esposando-a, dilatam-se os minutos que se enriquecem de experiências sublimes, fazendo a vida mais nobre e digna.

Na Terra, o cristão é qual oásis fértil na aridez dos sentimentos.

Solicitado por todos e por todos fiscalizado de perto, é como árvore produtora que todos buscam esfaimados, guardando o direito de a apedrejarem e a ferirem.

Recebe, assim, em silêncio, a perseguição gratuita e o punhal invisível da maldade e planta-os na terra abençoada da oração humilde e nobre onde se consomem todos os adversários da luz, vencidos pela misericórdia do Céu.

E, quanto possível, cultiva a prece em tua alma, com devotamento e confiança, e trabalhando sem desfalecimento, faze dela o teu abençoado guia todos os dias e todas as horas, assegurando, imperturbável, a vitória do bem no roteiro da tua vida.


Joanna de Ângelis















Emmanuel - Livro Reconforto - Chico Xavier - Cap. 4 - Nas linhas do bem



Emmanuel - Livro Reconforto - Chico Xavier - Cap. 4


Nas linhas do bem


3. "O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza." ... (E.S.E - Cap. 17 - Sede perfeitos - O homem de bem)


Quando o homem acende a luz da boa vontade no próprio coração, procura trabalhar incessantemente.

Quando trabalha, adquire conhecimento.

Quando conhece, amplia a visão espiritual.

Quando vê claramente, entra na posse da grande compreensão.

Quando compreende, com largueza de ideias, aprende a sair de si próprio, abandonando a concha escura do egoísmo multimilenar.

Quando abandona o antigo círculo da personalidade, encontra a alegria de ser útil.

Quando auxilia realmente, empreende em si mesmo a construção da verdadeira fraternidade.

Quando se sente o irmão do próximo e companheiro dos seus vizinhos, descobre no próprio coração o tesouro do amor.

Quando ama, sabe renunciar às antigas ilusões que o prendem às sombras.

Quando entra na posse da luz no santuário do sentimento, entrega-se ao sacrifício da própria existência, a favor de todos.

Quando penetra o segredo da cruz, nos montes da própria alma, ainda mesmo prosseguindo na experiência física, reveste-se da ressurreição de si mesmo, cada dia, dentro da qual continua servindo, servindo e servindo sempre, estranho a qualquer ideia de entendimento alheio ou qualquer expectativa de recompensa, porque, então, será o efetivo instrumento da Vontade do Senhor, onde estiver.

Esse será o homem de bem, segundo o padrão do Cristo que nos ampara, desde o princípio da jornada evolutiva, continuando conosco, até o fim dos séculos.

Abrir o coração e estender os braços, fraternalmente, para a vida e para a Natureza, servindo constantemente, é o nosso primeiro passo na aquisição do título de filhos da luz, segundo Jesus Cristo.


Emmanuel







O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XVII - Sede perfeitos - O homem de bem


(...) 3. O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem. Deposita fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria. Sabe que sem a sua permissão nada acontece e se lhe submete à vontade em todas as coisas. Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais. Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar. Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça. Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa. O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam. Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor. Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado. É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: “Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado.” Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal. Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera. Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros. Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado. Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões. Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram. O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente. (Cap. XVII, nº 9.) 

Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus. Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz. 


Allan Kardec





segunda-feira, 6 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 152 - Cuidados



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 152


Cuidados


“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo.” — JESUS. (Mateus, 6:34)


Os preguiçosos de todos os tempos nunca perderam o ensejo de interpretar falsamente as afirmativas evangélicas.

A recomendação de Jesus, referente à inquietude, é daquelas que mais se prestaram aos argumentos dos discutidores ociosos.

Depois de reportar-se o Cristo aos lírios do campo, não foram poucos os que reconheceram a si mesmos na condição de flores, quando não passam, ainda, de plantas espinhosas.

Decididamente, o lírio não fia, nem tece, consoante o ensinamento do Senhor, mas cumpre a vontade de Deus. Não solicita a admiração alheia, floresce no jardim ou na terra inculta, dá seu perfume ao vento que passa, enfeita a alegria ou conforta a tristeza, é útil à doença e à saúde, não se revolta quando fenece o brilho que lhe é próprio ou quando mãos egoístas o separam do berço em que nasceu.

Aceitaria o homem inerte o padrão do lírio, em relação à existência na comunidade?

Recomendou Jesus não guarde a alma qualquer ânsia nociva, relativamente à comida, ao vestuário ou às questões acessórias do campo material; asseverou que o dia, constituindo a resultante de leis gerais do Universo, atenderia a si próprio.

Para o discípulo fiel, agasalhar-se e alimentar-se são verbos de fácil conjugação e o dia representa oportunidade sublime de colaboração na obra do bem. Mas basear-se nessas realidades simples para afirmar que o homem deva marchar, sem cuidado consigo, seria menoscabar o esforço do Cristo, convertendo-lhe a plataforma salvadora em campanha de irresponsabilidade.

O homem não pode nutrir a pretensão de retificar o mundo ou os seus semelhantes dum dia para outro, atormentando-se em aflições descabidas, mas deve ter cuidado de si, melhorando-se, educando-se e iluminando-se, sempre mais.

Realmente, a ave canta, feliz, mas edifica a própria casa.

A flor adorna-se, tranquila; entretanto, obedece aos desígnios do Eterno.

O homem deve viver confiante, sempre atento, todavia, em engrandecer-se na sabedoria e no amor para a obra divina da perfeição.


Emmanuel












Miramez - Livro Alguns Ângulos dos Ensinos do Mestre - João Nunes Maia - Cap. 2 - Jesus é o Filho de Deus



Miramez - Livro Alguns Ângulos dos Ensinos do Mestre - João Nunes Maia - Cap. 2


Jesus é o Filho de Deus


“E eu sei que seu mandamento é vida eterna. Assim que, o que eu digo, digo-o segundo mo disse o Pai.”. — (João, 12:50).


O Mestre jamais afirmou que era Deus. Não obstante, há grande confusão entre certos espiritualistas, que tomam a Jesus como um Deus. Longe estamos da época faraónica, quando os deuses eram venerados e faziam guerras entre si; vão distantes os tempos do antigo legislador hebreu, que sobe ao monte e dá conselhos ao seu Deus, visando aplacar-lhe a fúria. Mas, ainda hoje persiste a ideia, acalentada por muitos, da divindade do Messias. A esse respeito, preferimos afirmar, como Moisés: há um só Deus verdadeiro, senhor supremo, que se manifesta através dos efeitos, cuja causa primária foge, inteiramente, à nossa compreensão. Sentimos em nós Sua penetração, que se acentua a cada passo da escada que subimos. 

Aceitamos, sim, um Deus que não fala diretamente pela boca de seus profetas, mas que tem condições de se fazer presente aos dotados de razão, pelos canais sensíveis da lei, Seu agente mais poderoso em toda a criação.

Jesus Cristo é nosso irmão maior. Sua alta condição evolutiva, que a fraca concepção de tempo e espaço, próprios da humanidade, não permitem compreender, interpreta com fidelidade a vontade de Deus, emanada como hálito Divino, em ondas etéreas, como se fora um anúncio permanente da própria voz do Todo-Poderoso.

Jesus clamava no meio de seus seguidores, que pensavam ser ele o Deus único propagado pelos profetas: "quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou". (1)  E continuava: “eu sou o espelho, pelo qual podereis ver Aquele que é meu e vosso Pai”.

Afirmava, diariamente, que fora enviado: por conseguinte, não era Deus. Operava em nome do Pai Celestial; era Seu filho amado, por ser o mais obediente e o mais evoluído que, até então, pisara o solo terreno.

Sua missão diferia da de todos os outros mensageiros: o próprio Mestre anunciou que veio como a luz, para que ninguém ficasse nas trevas. Se os outros eram refletores, Jesus era o agente da claridade; se os outros eram portadores da paz, Jesus era a própria paz; se os outros eram caminhos para a verdade, Ele era a própria verdade, pois de sua boca, canal cósmico de Deus, saiu esta assertiva: ninguém vai ao Pai senão por mim”.

O Messias, na terra, é a fonte da água da vida, onde saciamos nossa sede com o líquido espiritual que procede de Deus. Ele representa o regulador de voltagens da natureza Divina. Absorve triliões de volts, no nascedouro, e os distribui, equitativamente, de acordo com a capacidade de cada um.

Essa distribuição é que permite ao homem os meios para viver, evoluindo, e sentir a grandeza dos céus, de acordo com a visão que possui. Isso, o grande Mestre faz, desde os primórdios do nosso planeta. Por isso, repetimos, com os que disseram primeiro; Cristo é o governador da terra, desde a aparição dessa nas franjas douradas do Sol.

À alguns, que o ouviam, e logo se esqueciam dos seus ensinamentos, o Nazareno, com todo amor, desprendendo forças sutis que ganhavam os corações, dizia: se alguém ouvir as minhas palavras, e não as guardar, eu não o julgo; pois eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo". (2)

Sabia Jesus que nem todos possuíam o mesmo desenvolvimento na escala espiritual. Aqueles que tinham ouvidos para entender, corações preparados para sentir suas palavras, é que iriam aceitá-lo, em espírito e em verdade; quem rejeitasse, iria se arrepender com o passar dos tempos: esses, quem vai julgar são as minhas próprias palavras”. (3)

No último dia, na última reencarnação do espírito nas hostes do mal, começa a julgamento: as verdades que ouviu ressoarão na acústica da própria alma.


Miramez





(1) Mas Jesus, elevando sua voz, disse: "O que crê em mim, não crê em mim, mas naquele que me enviou."  — (João 12:44).

(2) E se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. — (João 12:47).

(3) "Aquele que me rejeita e não acolhe as minhas palavras tem quem o julgue; a palavra que preguei, essa o julgará no último dia". — (João 12:48).






Emmanuel - Livro Linha Duzentos - Chico Xavier - Cap. 16 - Amealhando a riqueza real



Emmanuel - Livro Linha Duzentos - Chico Xavier - Cap. 16


Amealhando a riqueza real


Não te despreocupes da verdadeira propriedade, para que a propriedade irrisória não te perturbe o roteiro e encegueça o coração.

Há bens inalienáveis e preciosos que podes perfeitamente conduzir contigo do caminho terrestre para o Mundo Espiritual.

Para isso, é indispensável saibas usar os talentos que a Sabedoria da Vida te confiou.

Cada dia, em toda parte, dispões da riqueza das horas para as mais nobres aquisições.

Conquista com as próprias mãos a experiência do trabalho que te aprimora e te eleva.

Adquire com os próprios olhos a seleção do bem, assegurando a alegria daqueles que te cercam.

Arquiva nos ouvidos a prudência e a serenidade que te conferirão a luz do discernimento.

Entesoura com o próprio verbo a felicidade de auxiliar, vazando do escrínio da própria alma as joias da compreensão e da paz, alicerçando a alegria onde pisem teus pés.

Amealha os valores da educação que te possam içar o espírito aos cimos da cultura e do aprimoramento.

Não olvides que o serviço ao próximo, que o dever bem cumprido, que o estudo edificante e que o gesto de bondade, nas faixas do espaço e do tempo, constituem a bagagem que te aliciará o tesouro da simpatia hoje e amanhã, aqui e além…

Não te limites à caridade do menor esforço que se estende facilmente a preço de supérfluo.

O dinheiro que mobilizas para o conforto alheio é uma bênção, mas o esforço que despendes para que a vida se faça melhor com o teu concurso é virtude rara a se te incorporar no próprio caráter.

Dar o que retemos é devolver ao mundo a quota de nosso débito, mas doar a nós mesmos, a benefício dos outros, através de nosso suor, de nossa renúncia, de nosso silêncio ou de nosso sorriso, é realizar o investimento da verdadeira felicidade que nos seguirá da sombra terrestre à Luz Espiritual.


Emmanuel








Emmanuel - Livro Instrumentos do Tempo - Chico Xavier - Cap. 17 - Ante o Reino dos Céus



Emmanuel - Livro Instrumentos do Tempo - Chico Xavier - Cap. 17


Ante o Reino dos Céus


“E Jesus disse a seus discípulos: Em verdade vos digo, que um rico dificultosamente entrará no Reino dos Céus.” (Mateus 19:23)


Indubitavelmente, a palavra do Mestre, no comentário sobre a dificuldade dos ricos ante o Reino dos Céus, exprime incontestável realidade, porquanto a posse exagerada de bens terrestres é quase sempre a crucificação da alma em pesados madeiros de ouro.

Enquanto a pobreza de recursos materiais vive independente para a amizade e para a fé, para a confiança e para a compreensão, os detentores da fortuna amoedada vivem quase sempre prisioneiros da suspeita e da desilusão, nos tormentos da defensiva…

Mas, existem outros ricos do mundo com infinitos obstáculos no acesso ao paraíso da alegria e da paz.

Vejamos, por exemplo:

os ricos de exigências;

os ricos da cólera a se desvairarem nos conflitos das trevas;

os ricos de melindres pessoais que nunca conseguem elementos de tolerância, necessários à superação das próprias fraquezas;

os ricos da mentira que tecem a rede de sombras em que enleiam a própria alma;

os ricos de tristeza e desânimo, recolhidos à inutilidade em que se acolhem;

os ricos de reclamações e de queixas que atravessam o mundo, entre a insatisfação e a ociosidade;

os ricos de ignorância que se agarram à penúria de espírito;

os ricos de letras e artes que se encarceram em torres de marfim, para o culto ao próprio egoísmo;

os ricos de saúde e de possibilidades que imobilizam o coração na caixa do peito, aguardando que o dinheiro fácil lhes venha ao encontro, para o exercício da caridade;

os ricos de ódio;

os ricos de usura;

os ricos de medo da verdade e do bem;

e os ricos numerosos da vaidade que se trancafiam nas masmorras do próprio “eu”, exigindo que o Céu se converta em propriedade exclusiva dos seus caprichos individuais.

Enriqueçamo-nos de amor e sirvamos sempre. O dinheiro pode ajudar muitíssimo, mas, só o coração aberto ao esplendor solar do bem pode amparar, libertar, erguer, salvar e aperfeiçoar para sempre.


Emmanuel











domingo, 5 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Deus Conosco - Chico Xavier - Cap. 395 - No campo de luta



Emmanuel - Livro Deus Conosco - Chico Xavier - Cap. 395


No campo de luta


Ferir o corpo com a desculpa de conquistar a ascensão da alma é operar o suicídio indireto, pelo qual menosprezamos a Infinita Bondade que no-lo empresta, a fim de que o sol do progresso nos coroe a existência.

Atendendo às sugestões dessa ordem, copiaríamos, insensatos, a decisão criminosa do lavrador que destruísse a enxada que o serve na suposição de ajudar o campo, ou o impulso infeliz do operário que desorganizasse as peças do tear que o obedece a pretexto de ser mais útil.

A máquina física é o templo sublime em que somos chamados à escola da redenção.

Nele possuímos a harpa da vida, em cujas cordas podemos desferir a melodia do trabalho e do sacrifício, da abnegação e do amor, preparando o acesso de nosso espírito à exaltação da imortalidade.

Por isso mesmo o cilício mais precioso ao nosso grande futuro será sempre o de nossa renunciação voluntária em benefício da felicidade dos outros, aprendendo a ceder de nossas opiniões ou de nosso conforto em auxílio dos corações que nos partilham a bênção do teto, os quais, muitas vezes em provação mais árdua que a nossa, nos reclamam entendimento e bondade ao preço de nossa dor.

Saibamos, assim, sorrir entre lágrimas, fatigar-nos no amparo aos que Deus nos confia, emudecer nossa agressividade, abraçar quem nos fere e apagar nossos próprios sonhos, a fim de que a segurança e a tranquilidade se façam junto de nós naqueles que nos comungam a experiência.

Somente assim nossa exaustão corpórea será compreensível e justa, porquanto de nosso cansaço terá nascido a ventura daqueles que atravessam conosco o vale da sombra terrestre à procura da luz inextinguível que reina, soberana, na glória espiritual.


Emmanuel








Nota do Editor: mensagem psicografada por Chico Xavier no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo | MG. 02/09/1957.