terça-feira, 10 de março de 2026

Manoel Philomeno de Miranda - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 38 - Recordações no além-túmulo



Manoel Philomeno de Miranda - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 38


Recordações no além-túmulo


O fenômeno do despertamento da consciência, após o processo da morte física, muito tem a ver com a conduta mantida durante a existência corporal.

Naturalmente, o período de fixação das ideias e experiências durante a reencarnação responde pela anestesia que permanece nos centros da memória, logo se rompem os liames carnais.

Além dos estados normais decorrentes dos atos de cada um, o largo ou breve período de impregnação deixa as marcas características de que o ser espiritual não se liberta, senão através de terapia especializada...

Considerando-se que a reencarnação se opera ao largo dos anos, mergulhando a energia espiritual nas células orgânicas e delas encharcando-se poderosamente, ao dar-se o rompimento dos vínculos materiais, a desintoxicação, salvo as exceções compreensíveis, dá-se mediante o concurso do tempo.

As largas enfermidades, que propiciam o amadurecimento do amor e a submissão às Leis da Vida, facilitam o despertamento no além-túmulo, ensejando responsabilidade e consciência.

Os atos de abnegação e o cultivo das virtudes facultam, igualmente, a desimantação dos fluidos físicos, liberando a mente que aspira por mais amplos horizontes de beleza e de paz, apressando a lucidez de quem não se deixa fixar nas reminiscências fortes e dissolventes que remanescem do corpo somático.

Assim, o espírito recém-liberto desperta, a pouco e pouco, experimentando as sensações que lhe eram mais comuns e vivendo as impressões que mais fortemente lhe assinalaram a romagem fisiológica.

Lentamente, e ante a assistência de que se vê objeto, começa a recordar os acontecimentos mais expressivos, repassando mentalmente a desencarnação e ajustando-se ao novo habitat no qual se encontra.

Vencido o choque emocional, ante o conhecimento da morte, caso não se haja preparado para a conjuntura inevitável, evoca os momentos predominantes que lhe assinalaram a vida, e, submetido a assistência compatível, atravessa a fase da convalescença, de onde parte para o período do equilíbrio e do bem-estar.

Mesmo assim, as recordações são imprecisas, deixando de lado inúmeros acontecimentos, porque de menor importância, estabelecendo natural ligação psíquica com os familiares, os afetos e os desafetos, os atos felizes e os nocivos...

Morrer, não é consumir-se, nem metamorfosear- se.

O fenômeno biológico, na área orgânica, difere muito da ocorrência, no campo espiritual.

De acordo com a evolução moral, cada desencarnado experimenta o prolongar do comportamento que lhe era habitual, vendo-se conduzido a grande esforço para  a libertação, qual ocorre na Terra em muitos processos pós-operatórios.

Desse modo, a aquisição das recordações de outras vidas somente se dá a largo tempo, quando essa identificação não vem a perturbar a marcha do progresso do indivíduo.

Noutras vezes, a fim de que a lucidez possa registrar a memória do passado, são aplicados recursos magnéticos e cirúrgicos no paciente espiritual, que se vai apropriando das notícias que lhe podem ser úteis no processo iluminativo, equacionando-lhe os problemas de comportamento e o auxiliando na compreensão dos fenômenos para a evolução.

E indispensável, portanto, que o homem adquira o costume salutar de pensar na morte, desapegando-se dos bens supérfluos e dos valores que perturbam, seja nos processos afetivos ou sociais, financeiros ou idealistas...

A medida que a mente fixa os paineis da imortalidade e passa a considerar a transitoriedade do corpo, mais fáceis lhe serão o desligamento, o abandono, a superação dos laços materiais que predominam nas reminiscências após a morte.

Pondo a mente na vida espiritual, a criatura anela por conquistá-la, e lutando com afã, quando defrontada pela ocorrência da disjunção celular, adapta-se mais facilmente e abre-se, esperançosa, às conquistas edificantes, anulando os limites do tempo e do espaço, passando a viver um presente-ontem-amanhã, enriquecido pelas recordações valiosas que a impulsionarão no rumo da liberdade responsável, anelada.


Manoel Philomeno de Miranda

















segunda-feira, 9 de março de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Esperança - Divaldo P. Franco - Cap. 3 - Níveis de consciência



Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Esperança - Divaldo P. Franco - Cap. 3


Níveis de consciência


São muitos os fatores que parecem conspirar contra o sadio esforço de quem deseja ascensão e plenitude.

Paixões disfarçadas de direitos pessoais assomam no palco da vida, exigindo consideração, gerando conflitos e dificultando o processo de elevação moral.

O egoísmo dominador, predominando em a natureza humana, escamoteia os seus propósitos inferiores e surge, a cada momento, em expressão nova, perturbando o programa iluminativo de quem se propõe à felicidade em padrões dignos, portanto, ideais.

O instinto de sobrevivência do corpo, em atavismo dissolvente, coopera com as heranças primevas, apresentando-se sob justificativas equivocadas com caráter de nobreza.

O homem ainda instável, desacostumado às lutas íntimas de santificação, diante das sortidas de que se vê preso por parte desses algozes internos, posterga o trabalho de evolução, ou para, caso nele se encontre, ou abandona os propósitos abraçados sob os tóxicos do desânimo e do desconforto moral.

Propõe o mundo: - Triunfa a qualquer preço, sem te preocupares com os outros, que aguardam ocasião para te submeterem.

Estabelece Jesus: Se alguém te pedir a capa, dá-lhe também a manta, e se te solicitarem seguir mil passos, vai, tranquilo, dois mil.

Programa o século: - Não cedas o teu lugar, haja o que houver. Disputa a tua posição, pois que outros estão batalhando por tomar-te a em que te encontras.

Argumenta Jesus: - Não te afadigues pela posse indevida. Tudo quanto cederes, terás, e aquilo que tomares, perderás.

Promete a Terra: - Os vitoriosos gargalham e recebem apreço. Triunfa no mundo, tendo a glória como a meta que deves alcançar.

Aclara Jesus: - Todo apogeu terrestre nivela na tumba as criaturas umas com as outras. A glória que ensoberbece passa, e o homem se encontra vazio e só, logo após.

Reclama a sociedade: - Impõe a vontade, a fim de te fazeres respeitar, e armazena moedas para adquirires tudo quanto ambicionas.

Responde Jesus: — Reúne tesouros no “reino dos céus” e coleta os recursos da paciência, da humildade, do perdão, da caridade nos cofres do amor, e serás rico de paz.

Impõe a tradição: - A vida espiritual será examinada na velhice. Frui e usa o corpo enquanto são moças as tuas carnes.

Contrapõe Jesus: — Louco, hoje te tomarão a alma, sem indagarem a idade que tens.

Aconselham as técnicas do bem-estar imediato: - Reage a qualquer agressão. Arma-te para te defenderes, tomando o outro de surpresa.

Orienta Jesus: - Age com elevação sempre e equipa-te com os recursos do amor que vence tudo e amortece todos os golpes que sejam desferidos contra ti.

Determina a ilusão: - Embriaga-te no prazer, que é tudo quanto tens ao alcance das mãos.

Repete Jesus: - Vence o mundo, educando-te e crescendo para a realidade da tua consciência superior.

O homem do mundo vive em nível de consciência inferior. É fisiológico, automatista, primitivo.

O homem espiritual transita em faixa de consciência elevada e se apercebe da realidade da vida. É psicológico, idealista, compreensivo, racional, porque alcançou a dimensão intelecto-moral lúcida.

Se transitas no nível intermediário, atado ao primarismo e anelando pela emoção enobrecida, exercita os valores morais e vivências espirituais, adquirindo forças para o passo decisivo, que te fará escolher Jesus em detrimento do mundo, embora a permanência nas conjunturas carnais.


Joanna de Ângelis












Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 166 - Respostas do Alto




Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 166


Respostas do Alto


“E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?” — JESUS. (Lucas, 11:11)


Nos círculos da fé, encontramos diversos corações extenuados e desiludidos. Referem-se à oração, à maneira de doentes desenganados quanto à eficácia do remédio, alegando que não recebem respostas do Alto.

Entretanto, a meditação mais profunda lhes conferiria mais elevada noção dos Divinos Desígnios, entendendo, enfim, que o Senhor jamais oferece pedras ao filho que pede pão.

Nem sempre é possível compreender, de pronto, a resposta celeste em nosso caminho de luta, no entanto, nunca é demais refletir para perceber com sabedoria.

Em muitas ocasiões, a contrariedade amarga é aviso benéfico e a doença é recurso de salvação.

Não poucas vezes, as flores da compaixão do Cristo visitam a criatura em forma de espinhos e, em muitas circunstâncias da experiência terrestre, as bênçãos da medicina celestial se transformam temporariamente em feridas santificantes.

Em muitas fases da luta, o Senhor decreta a cassação de tempo ao círculo do servidor, para que ele não encha os dias com a repetição de graves delitos e, não raro, dá-lhe fealdade ao corpo físico para que sua alma se ilumine e progrida.

Se a paternidade terrena, imperfeita e deficiente, vela em favor dos filhos, que dizer da Paternidade de Deus, que sustenta o Universo ao preço de inesgotável amor?

O Todo-Compassivo nunca atira pedras às mãos súplices que lhe rogam auxílio.

Se te demoras, pois, no seio das inibições provisórias, permanece convicto de que todos os impedimentos e dores te foram concedidos por respostas do Alto aos teus pedidos de socorro, amparo e lição, com vistas à vida eterna.


Emmanuel











Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 111 - Fortaleçamo-nos



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 111


Fortaleçamo-nos


“Sede fortalecidos no Senhor.” — PAULO. (Efésios, 6:10)


Há muita gente que se julga forte…

Nos recursos financeiros, que surgem e fogem.

Na posse de terras, que se transferem de dono.

Na beleza física, que brilha e passa.

Nos parentes importantes, que se transformam.

Na cultura da inteligência que, muitas vezes, se engana.

Na popularidade, que conduz à desilusão.

No poder político, que o tempo desfaz.

No oásis de felicidade exclusivista, que a tempestade destrói.

Sim, há muita gente que supõe vencer hoje para acabar vencida amanhã.

Todavia, somente a consciência edificada na fé, pelos deveres bem cumpridos à face das Leis Eternas, consegue sustentar-se, invulnerável, sobre o domínio próprio.

Somente quem sabe sacrificar-se por amor encontra a incorruptível segurança.

Fortaleçamo-nos, pois, no Senhor e sigamos, de alma erguida, para a frente, na execução da tarefa que o Divino Mestre nos confiou.


Emmanuel









Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 42 - No trato comum



Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 42


No trato comum


“… Nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe e, por meio dela, muitos sejam contaminados.” — PAULO (Hebreus, 12:15)


É razoável estejamos sempre cautelosos a fim de não estendermos o mal ao caminho alheio.

Os outros colhem os frutos de nossas ações e oferecem-nos, de volta, as reações consequentes. 

Daí, o cuidado instintivo em não ferirmos a própria consciência, seja policiando atitudes ou selecionando palavras, para que vivamos em paz à frente dos semelhantes, assegurando tranquilidade a nós mesmos.

Em muitas circunstâncias, contudo, não nos imunizamos contra os agentes tóxicos da queixa. 

Superestimamos nossos problemas, supomos nossas dores maiores e mais complexas que as dos vizinhos e, amimalhando o próprio egoísmo, cultivamos indesejável raiz de amargura no solo do coração. 

Daí brotam espinheiros mentais, suscetíveis de golpear quantos renteiam conosco, na atividade cotidiana, envenenando-lhes a vida.

Quantas sugestões infelizes teremos coagulado no cérebro dos entes amados, predispondo-os à enfermidade ou à delinquência com as nossas frases irrefletidas! Quantos gestos lamentáveis terão vindo à luz, arrancados da sombra por nossas observações vinagrosas!

Precatemo-nos contra semelhantes calamidades que se nos instalam nas tarefas do dia a dia, quase sempre sem que venhamos a perceber. 

Esqueçamos ofensas, discórdias, angústias e trevas, para que a raiz da amargura não encontre clima propício no campo em que atuamos.

Todos necessitamos de felicidade e paz; entretanto, felicidade e paz solicitam amor e renovação, tanto quanto o progresso e a vida pedem trabalho harmonioso e bênção de sol.


Emmanuel











domingo, 8 de março de 2026

André Luiz - Livro Caridade - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 33 - Acordemos



André Luiz - Livro Caridade - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 33


Acordemos


É sempre fácil examinar as consciências alheias,

identificar os erros do próximo,

opinar em questões que não nos dizem respeito,

indicar as fraquezas dos semelhantes,

educar os filhos dos vizinhos,

reprovar as deficiências dos companheiros,

corrigir os defeitos dos outros,

aconselhar o caminho reto a quem passa,

receitar paciência a quem sofre e

retificar as más qualidades de quem segue conosco…

Mas enquanto nos distraímos, em tais incursões a distância de nós mesmos, não passamos de aprendizes que fogem, levianos, à verdade e à lição.

Enquanto nos ausentamos do estudo de nossas próprias necessidades, olvidando a aplicação dos princípios superiores que abraçamos na fé viva, somos simplesmente cegos do mundo interior relegados à treva…

Despertemos, a nós mesmos, acordemos nossas energias mais profundas para que o ensinamento do Cristo não seja para nós uma bênção que passa, sem proveito à nossa vida, porque o infortúnio maior de todos para a nossa alma eterna é aquele que nos infelicita quando a graça do Alto passa por nós em vão!…


André Luiz














sábado, 7 de março de 2026

Chico Xavier - Livro O Evangelho de Chico Xavier - Chico Xavier / Carlos Antônio Baccelli - Cap. 292 - Auxiliar sem imposição



Chico Xavier - Livro O Evangelho de Chico Xavier - Chico Xavier / Carlos Antônio Baccelli - Cap. 292


Auxiliar sem imposição


“Existem Espíritos complicados… encarnados e desencarnados. Precisamos saber lidar com eles.

Não queiramos depressa o que Deus está esperando acontecer… 

Não podemos nos impor a ninguém. O tempo é que vai nos modificando aos poucos.

Devemos ganhar o coração da pessoa; quem não ganha o coração não ganhará o cérebro, mudando os pensamentos de quem deseja ajudar…”


Chico Xavier