segunda-feira, 8 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Hoje - Chico Xavier - Cap. 16 - No exame do bem



Emmanuel - Livro Hoje - Chico Xavier - Cap. 16


No exame do bem


642. Para agradar a Deus e assegurar a sua posição futura, bastará que o homem não pratique o mal?

“Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.” (O Livro dos Espíritos) 

"Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado" (Tiago 4:17)


Mal e bem!…

Vejamos alguns daqueles que são responsáveis pelo mal, conquanto, de algum modo, se relacionem com o bem:

os que falam bem e não agem bem;

os que vivem no bem de si, conscientemente foragidos do trabalho pelo bem dos outros;

os que apregoam o bem sem cultivá-lo;

os que se apresentam bem e não comportam bem;

os que acreditam no poder do bem e exploram o bem do poder;

os que se apoiam no bem do dinheiro, sem distribuir o dinheiro do bem;

os que destacam o bem da ciência e ridicularizam a ciência do bem;

os que identificam claramente o bem e não procuram o bem naquilo que enxergam e naquilo que escutam;

os que se instruem bem e não ensinam bem;

os que sabem onde se encontra o bem e não se dispõem a preservá-lo;

os que se afligem pelo bem-estar, segundo o conforto próprio, e não se preocupam em estar bem, conforme a justiça.

O mal que surge nos que desconhecem o bem é fruto da ignorância.

O mal verdadeiro, o mal que se consolida qual moléstia minaz no organismo do mundo, é sempre o resultado de nossas atitudes, quando conhecemos o bem e apontamos a necessidade do bem, sem vontade e sem coragem de praticá-lo.


Emmanuel











domingo, 7 de junho de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Iluminação Interior - Divaldo Pereira Franco - Introdução - Iluminação interior



Joanna de Ângelis - Livro Iluminação Interior - Divaldo Pereira Franco - Introdução

Iluminação interior


Inegavelmente, o século XX ofereceu incomparável legado de Ciência e Tecnologia à posteridade, decifrando inúmeros enigmas que pairavam ameaçadores sobre a criatura humana individualmente e a sociedade em geral.

Expulsando do planeta diversas enfermidades endêmicas e epidêmicas, a Medicina, utilizando-se de equipamentos de última geração, bem como recorrendo a processos cirúrgicos audaciosos, assim também ao auxílio de outras doutrinas da sua área ou não, vem prolongando a existência física e oferecendo melhor qualidade de vida a pacientes portadores de gravíssimos problemas de saúde, antes irreversíveis e dolorosos...

A Engenharia, na multiplicidade de escolas especializadas em inúmeros campos de sua atuação, auxiliada pela Arquitetura tem tornado o mundo melhor, dotado de maior conforto e menos suscetível às tragédias que, infelizmente, ainda se repetem com frequência, minimizando-lhes os efeitos danosos.

A Agricultura, empenhada em produzir alimentos para atender a fome do mundo, vem oferecendo recursos preciosos para as culturas sem agrotóxicos, utilizando-se de técnicas sofisticadas, a fim de aumentar a produção, em tentativas contínuas de proporcionar comida adequada a todos os povos, embora a tremenda situação que paira sobre algumas centenas de milhões de vidas em penúria...

A Telecomunicação tem reduzido as distâncias físicas, facultando maior intercâmbio entre os indivíduos e os povos, ao tempo em que enseja mais ampla compreensão do Universo, em face dos satélites que giram em torno da Terra, dando notícias do Cosmo e das ocorrências no planeta.

A Farmacologia cooperando com a saúde humana, tem colocado no mercado produtos que diminuem a dor, que prolongam a vida física, que reduzem o sofrimento e proporcionam a recuperação, em incontáveis ocorrências de enfermidades.

Os laboratórios pesquisam as novas doenças que surgem, ameaçadoras e desconhecidas, graças a cientistas desvelados e amorosos, produzindo vacinas curadoras e preventivas, com procedimentos salvadores de bilhões de existências.

Multiplicam-se os ramos do conhecimento em favor do ser humano e das suas conquistas, demonstrando que o esforço do bem é compensado pelos resultados felizes que surgem em toda parte.

Infelizmente, porém, muitas dessas ciências e tecnologias vêm sendo utilizadas pelos senhores da guerra e da destruição, que se utilizam de armas inteligentes para submeter e destruir cidades e nações infelizes, com os seus habitantes, que lhes tombam sob a hegemonia política e militar.

Os depósitos de armas nucleares e biológicas crescem assustadoramente em diversos países, que se preparam para defender-se, uns dos outros, ou para atacar-se mutuamente, investindo bilhões de dólares que poderiam acabar com a fome, a desnutrição, diversas enfermidades mutiladoras e destrutivas, fomentando a felicidade e mantendo a paz entre os povos assustados e temerosos...

Há muito sofrimento coletivo no mundo, esperando compaixão e socorro.

Existem muitas soluções especializadas para as transformações sociais e políticas na Terra, que vêm sendo tratadas por especialistas de diferentes ramos do conhecimento.

São travadas muitas batalhas nos Organismos Internacionais, em favor da paz, da união entre os povos, de políticas mais justas em favor dos pobres e desafortunados, de ajuda às nações infelizes...

Enquanto isso ocorre, amplia-se a degradação moral em toda parte, nos altos escalões governamentais de quase todos os países, nos grupos sociais, nos indivíduos, ameaçando a cultura, a ética e a harmonia pessoal e geral.

A dor cavalga o corcel do desespero em disparada inestancável, em face da drogadição nas diferentes classes da sociedade, do sexo em transtorno, do alcoolismo exagerado, do tabagismo perverso, dos comportamentos morais extravagantes e perniciosos.

Embora as maravilhosas conquistas externas da cultura, da civilização e do conhecimento, têm escasseado as aquisições internas dos indivíduos em favor da iluminação pessoal.

Na grande noite moral que se abate sobre o mundo terrestre, há deficiência de luz interior, o que proporciona comportamentos inconsequentes e desvairados, a tudo ameaçando e a quase tudo destruindo.

O ser humano, embora vinculado a alguma denominação religiosa, por conveniência, por hábito, por formalismo, desligou-se da religiosidade, da reflexão em torno de si mesmo e da vida, preferindo as manifestações externas dos cultos em detrimento da renovação pessoal, sem ruído nem fantasia...

Muita falta faz à humanidade o conhecimento real das palavras de Jesus, Seus incomparáveis exemplos de amor e de solidariedade, maior aprofundamento em torno da Sua estada entre as criaturas humanas...

Tornado mito por algumas doutrinas de fé religiosa, parece inalcançável pelas pessoas que O contemplam a distância, sem possibilidades de contatá-lo.

Tornado Deus, por outras tantas, todas as Suas realizações perdem o significado, em face da ausência de qualquer conteúdo humano, seja na convivência com os amigos, no sofrimento experimentado, nos logrem a iluminação interior, superando os impedimentos habituais e a indiferença quase geral.

Não temos a pretensão de acreditar que sejam propostas originais e libertadoras, mas experimentamos a alegria de poder oferecê-la como resultado de prolongadas meditações e vivências em torno da palavra de Jesus, à luz da Psicologia profunda e da Medicina contemporânea, e que nos fizeram muito.


Joanna de Ângelis

Salvador, 1° de janeiro de 2006.













Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 7 - Ante o livre arbítrio



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 7


Ante o livre arbítrio


“Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo.” — JESUS — (João, 3:7)

“Não há, pois, duvidar de que sob o nome de ressurreição o princípio da reencarnação era ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus, ponto que Jesus e os profetas confirmaram de modo formal; donde se segue que negar a reencarnação é negar ar palavras do Cristo.” — (E.S.E. Cap. IV, It. 16)

Surgem, aqui e ali, aqueles que negam o livre arbítrio, alegando que a pessoa no mundo é tão independente, quanto o pássaro no alçapão.

E, justificando a assertiva, mencionam a junção compulsória do Espírito ao veículo carnal, os constrangimentos da parentela, as convenções sociais, as preocupações incessantes na preservação da energia corpórea, as imposições do trabalho e a obediência natural aos regulamentos constituídos para a garantia da ordem terrestre, esquecendo-se de que não há escola sem disciplina.

Certamente, todos os patrimônios da civilização foram erigidos pelas criaturas que usaram a própria liberdade na exaltação do bem, no entanto, para fixar as realidades do livre arbítrio examinemos o reverso do quadro.

Reflitamos, ainda que superficialmente, em nossos irmãos menos felizes, para recolher-lhes a dolorosa lição.

Pensemos no desencanto daqueles que amontoaram moedas, por longo tempo, acumulando o suor dos semelhantes, em louvor da própria avareza, e sentem a aproximação da morte, sem migalha de luz que lhes mitigue as aflições nas trevas…

Imaginemos o suplício dos que trocaram veneráveis encargos por fantasiosos enganos, a despertarem no crepúsculo da existência, qual se fossem arremessados, sem perceber à secura asfixiante de escabroso deserto…

Ponderemos a tortura dos que abusaram da inteligência, reconhecendo, à margem da sepultura, os deprimentes resultados do desprezo com que espezinharam a dignidade humana…

Consideremos o martírio dos que desvirtuaram a fé religiosa, anulando-se no isolamento improdutivo, ao repararem, no término da estância terrestre, que apenas disputaram a esterilidade do coração.

Meditemos no remorso dos que se renderam à delinquência, hipnotizados pela falsa adoração a si mesmos, acordando abatidos e segregados no fundo das penitenciárias de sofrimento…

Ninguém pode negar que todos eles, imanizados ao cativeiro da angústia, eram livres… Conquanto os empeços do aprendizado na experiência física, eram livres para construir e educar, entender e servir.

Eis porque a Doutrina Espírita fulge, na atualidade, diante da mente humana, auxiliando-nos a descobrir os Estatutos Divinos, funcionando em nós próprios, no foro da consciência, a fim de aprendermos que a liberdade de fazer o que se quer está condicionada à liberdade de fazer o que se deve.

Estudemos os princípios da reencarnação, na lei de causa e efeito, à luz da justiça e da misericórdia de Deus e perceberemos que mesmo encarcerados agora em constringentes obrigações, estamos intimamente livres para aceitar com respeito e humildade as determinações da vida, edificando o espírito de trabalho e compreensão naqueles que nos observam e nos rodeiam, marchando, gradativamente, para a nossa emancipação integral, desde hoje.


Emmanuel











(Reformador, maio de 1964, p. 119)

sábado, 6 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 33 - Emancipação além-túmulo



Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 33


Emancipação além-túmulo


Se aspiras a compreender o que seja a emancipação espiritual para os que esperam a morte, de mãos no arado das obrigações fielmente cumpridas, ouve os companheiros encarcerados nas provas supremas da retaguarda.

Pergunta aos cegos que passam a existência buscando debalde fitar o colorido das flores, como se comportariam, obtendo, de improviso, o dom inefável da visão, diante da luz;

examina os mais íntimos anelos dos paralíticos, que atravessam longo tempo atarraxados no catre da aflição, suspirando por rastejarem;

reflete no martírio dos companheiros que amargam no hospital o transitório desequilíbrio da mente, sequiosos de retorno ao próprio domínio;

sonda a agonia silenciosa dos mudos que despenderiam alegremente todas as forças de que dispõem, a fim de pronunciarem breves palavras;

registra os soluços dos órfãos pequeninos, suplicando aconchego no coração materno;

medita na tortura constante dos que foram expulsos do lar, injustiçados e infelizes, sonhando o regresso aos braços que mais amam;

relaciona os suplícios dos que jazem nas penitenciárias dispostos a darem tudo de si mesmos, pelo perdão das próprias vítimas, de modo a aplacarem as chamas do remorso que lhes revolvem as consciências;

conta as lágrimas das mães desditosas que anseiam acariciar os filhos domiciliados para lá do sepulcro e dos quais se separaram, muitas vezes, nas horas mais belas da juventude;

observa o tormento da alma que ficou sozinha no mundo, tateando em desespero a lousa em que viu desaparecer os derradeiros sinais humanos da outra alma, cujo amor lhe resume a razão de ser;

inventaria os pesadelos ignorados de quantos se curvaram para a terra, suportando os extremos achaques da velhice corpórea, à feição do viajante dentro da noite, indagando às estrelas da oração pela hora da alva…

Emancipação! Todos os que estiveram, um dia, encadeados às trevas da provação conhecem a grandeza dessa palavra!

Emancipação espiritual é a mensagem da morte, no entanto, para que a morte seja alegria e clarão; liberdade e reencontro, é preciso tenhamos sabido aceitar a escola da experiência terrestre, aprendendo a sofrer e servir na veste física, a encharcar-se de suor no trabalho digno, a fim de recebermos as chaves de luz do lar eterno, na plenitude da Vida Maior.


Emmanuel










Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 1 - Prece para ti mesmo



Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 1


Prece para ti mesmo
 

Deus!... Sou eu que Te falo! Eu me proponho a ler este livro, já sabendo que ele trata de assuntos altamente incômodos à minha personalidade. Pelo sumário e pelo título, nota-se o quanto temos de nos esforçar como médicos de nós mesmos, fazendo diariamente a nossa cirurgia mental, de modo que ela restabeleça o equilíbrio espiritual em nosso coração, juntamente com os sentimentos.

Conheço as minhas falhas, sei que os meus pés têm pisado em terreno que não é próprio aos pés de um verdadeiro discípulo de Jesus. No entanto, estou disposto a mudar de direção, para fazer a Tua vontade e não a minha, em todos os objetivos de servir que começam a nascer em meu íntimo.

Quero confiar em Teu amor... Ajuda-me!

Quero sentir a Tua presença na minha vida...Ajuda-me!

Quero facilitar o livre trânsito do amor no meu mundo interno... Ajuda-me!

Divino Senhor! Não deixes que eu ocupe o tempo precioso vendo os defeitos alheios. Não permitas que a minha boca sirva de escândalos para alimentar a vingança, o orgulho e a vaidade. Livra-me do ambiente de discórdia e de maledicência. Deus de eterna bondade! O Teu amor conforta-me o coração! Eu Te peço que me ajudes a melhorar, porque somente Tu sabes das minhas enfermidades morais. Estou disposto a operar-me no mesmo hospital em que vivo diariamente, onde o maior enfermo sou eu. Mas quero que me ajudes em tal disposição, para fechar os olhos aos erros de quem anda comigo no mesmo caminho, para ver com clareza o que tenho de pior, para que o bisturi da boa vontade trabalhe em mim sem o impedimento da vaidade e do amor próprio. Ajuda-me a ajudar!

Senhor, eu Te peço para me lembrares, ao ler páginas de autoeducação, do que tem de ser corrigido em meus caminhos, agradecendo aos outros pelos exemplos que me ofertam no silêncio da própria vida.

Lembra-me, meu Deus, para que eu não imponha as minhas idéias nos corações dos que me cercam e vivem comigo.

Lembra-me, Senhor, para que eu adquira a obediência e a autoeducação. E quando eu tiver cultivado alguma virtude, não critique quem ainda não teve tal oportunidade. Sei que o amor não ofende, não maltrata, não enxovalha, não fere e não exige. Porém, na hora em que o bem-estar invade o meu coração, pela Tua misericórdia, eu faço tudo isso, pelo prazer de diminuir o próximo, exaltando-me naquilo que não possuo. Quero Te pedir para me ajudar a combater o egoísmo que veste, dentro de mim, variadas roupas, disfarçando-se em modalidades diversas para que eu me engane a mim mesmo, deixando imperar o orgulho.

Ajuda-me, Senhor, a ajudar a mim mesmo, na escala em que permaneço, sem ofender os outros e sem diminuir a quem quer que seja.

Abençoa-me, e a todos, mostrando-me o que devo fazer, sem desculpas, dentro de mim mesmo.


Lancellin










sexta-feira, 5 de junho de 2026

Emmanuel - Livro Vereda de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 7 - Trabalho e tempo



Emmanuel - Livro Vereda de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 7


Trabalho e tempo
 

“É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia…” — JESUS (João 9:4)

Até ontem, é possível:

que pesadas cargas de sofrimento nos tenham sitiado o curso das horas;

que tenhamos caído em faltas lastimáveis, das quais dificilmente nos levantamos, como quem se demora a ingerir curativa poção amarga;

que lágrimas nos hajam lavado o rosto, muitas e muitas vezes;

que provas graves nos tenham experimentado a confiança e o discernimento;

que desilusões nos hajam espancado o entusiasmo e a esperança;

que obstáculos e golpes nos tenham visitado o espírito em luta;

que afeições modificadas nos hajam imposto doloroso adeus ao coração;

que as trevas tenham mostrado o propósito de esfriar-nos o ideal, convulsionando-nos a área de serviço;

que perturbações e conflitos nos hajam testado a fidelidade e a segurança no esforço de construção da Vida Superior;

que solidão e abandono, várias vezes, nos tenham deixado em cinza e sombra;

que adversários intransigentes nos hajam abatido a coragem de esperar e o prazer de servir…

Entretanto, na essência, não vale o mal que passou. Importa, acima de tudo, que estejamos no cumprimento de nossas obrigações, sem esmorecer, doando o melhor de nós mesmos ao trabalho que a Divina Providência nos deu a realizar, na Seara do Bem, porque de todas as concessões de Deus, nos instrumentos da vida, é imperioso reconhecer que todas elas se refazem ou se reajustam, menos a dádiva do tempo que, depois de perdida, não volta mais.


Emmanuel










Neio Lúcio - Livro Alvorada Cristã - Chico Xavier - Cap. 30 - Dá de ti mesmo



Neio Lúcio - Livro Alvorada Cristã - Chico Xavier - Cap. 30


Dá de ti mesmo


Declaraste não possuir dinheiro para auxiliar. Acreditas que um pouco de papel ou um tanto de níquel te substituem o coração?

Esqueces-te, meu filho, de que podes sorrir para o doente e estender a mão ao necessitado?

A flor não traz consigo uma bolsa de ouro e espalha perfume no firmamento.

O céu não exibe chuvas de moedas, mas enche o mundo de luz.

Quanto pagas pelo ar fresco que, em bafejos amigos, te visita o quarto pela manhã?

O oxigênio cobra-te imposto?

Quanto te custa a ternura materna?

As aves cantam gratuitamente.

A fonte que te oferece o banho reconfortador não exige mensalidade.

A árvore abre-te os braços acolhedores, repletos de flor e fruto, sem pedir vintém.

A bênção divina, cada noite, conduz o teu pensamento a bendito repouso no sono e não fazes retribuição de espécie alguma.

Habitualmente sonhas, colhendo rosas em formoso jardim, junto de companheiros felizes; no entanto, jamais te lembraste de agradecer aos gênios espirituais que te proporcionam venturoso descanso.

A estrela brilha sem pagamento.

O Sol não espera salário.

Por que não aprenderes com a Natureza em torno?

Por que não te fazeres mais alegre, mais comunicativo, mais doce?

Tens a fisionomia seca e ensombrada por faltar-te dinheiro excessivo e reclamas recursos materiais para ser bom, quando a bondade não nasce dos cofres fortes.

Sê irmão de teu irmão, companheiro de teu companheiro, amigo de teu amigo.

Na ciência de amar, resplandece a sabedoria de dar.

Mostra um semblante sereno e otimista, aonde fores.

Estende os braços, alonga o coração, comunica-te com o próximo, através dos fios brilhantes da amizade fiel.

Que importa se alguém te não entende o gesto de amor?

Que seria de nós, meu filho, se a mão do Senhor se recolhesse a distância, por temer-nos a rudeza e a maldade?

Dá de ti mesmo, em toda parte.

Muito acima do dinheiro, pairam as tuas mãos amigas e fraternais.


Neio Lúcio