sábado, 25 de abril de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Vida: Desafios e Soluções - Divaldo P. Franco - Cap. 8 - Autodespertamento Inadiável - Esforço para equilibrar-se



Joanna de Ângelis - Livro Vida: Desafios e Soluções - Divaldo P. Franco - Cap. 8 - Autodespertamento Inadiável


Esforço para equilibrar-se


Há, em todo processo de amadurecimento psicológico, de despertamento da consciência, um jogo de interesses, que pode ser sintetizado nas experiências vivenciadas que formaram a personalidade do ser, criando hábitos e comportamentos, e na aspiração pelo que se deseja conseguir, enfrentando lutas e desafios constantes, até que se estabeleçam as condições para os fenômenos automatistas da nova realidade.

Trata-se de uma luta sem quartel, em razão dos impulsos cristalizados no já feito e a incerteza das aspirações pelo que se deseja realizar.

Nesse tentame, pode o indivíduo pecar por excesso de qualquer natureza, ou abandonando a experiência nova, para entregar-se ao amolecimento, ou dedicando-se exaustiva, irracionalmente à anelada conquista, que ainda não pôde ser testada pelas resistências do combatente.

O ideal, em toda situação, é sempre o equilíbrio, que constitui medida de avaliação das conquistas logradas.

Equilíbrio é harmonia entre ao que se aspira, o que se faz e como se comporta emocionalmente, sem ansiedade pelo que deve produzir, nem conflito por aquilo que foi conseguido.

Trata-se de uma conquista interior, capaz de medir, sem paradigma estático, o valor das próprias conquistas.

Detectando-se falhas do passado no comportamento, com tranquila naturalidade refazer-se o caminho, corrigir-se os equívocos e, quando se descobrir acertos, ampliá-los serenamente, sem extravagâncias ou presunção, compreendendo que apenas se encontra no limiar do desenvolvimento interior, do amadurecimento profundo do ser psicológico.

O equilíbrio resulta da identificação de vários recursos adormecidos no inconsciente profundo que, penetrado, abre campo para a conscientização dos deveres e responsabilidades a desempenhar.

Somente através do trabalho constante de autoidentificação, é possível conseguir-se a harmonia para agir, iniciando a conduta nas paisagens mentais, pelos pensamentos cultivados, que se transformam em motivos para a luta.

Protágoras de Abdera afirmou que o homem é a medida de todas as coisas, sendo a realidade um permanente devir, variando a verdade de acordo com as épocas e os próprios processos de desenvolvimento do ser humano.

Entretanto, Heráclito afirmava que a natureza gosta de esconder-se, em uma proposta-desafio para que seja encontrada a razão de todas as coisas, porquanto o olhar desatento somente alcança limites e nunca a natureza em si mesma.

Para Heráclito, o ver é parte integrante do dizer e do ouvir, numa tríade constitutiva da sua realidade.

Em uma análise mais profunda, a natureza está oculta porque dormindo no inconsciente coletivo de todos os observadores, nas suas heranças atávicas, nas conquistas variadas dos tempos e dos povos, cada qual descobrindo parte do todo até alcançar o limite do olhar, a capacidade do dizer e a faculdade de ouvir além dos sentidos físicos.

Por outro lado, esse homem que se apresenta como medida de todas as coisas é remanescente do processo natural da evolução, nos diferentes períodos - antropológico, sociológico, psicológico avançando para a sua conscientização, a sua identidade plena.

O Si adquire experiências pelas etapas sucessivas das reencarnações, superando condicionamentos e dependências através da lucidez de consciência, que lhe impõe equilíbrio para a conquista do bem-estar emocional, da saúde integral.

As Leis do equilíbrio estão em toda parte mantendo a harmonia cósmica, ao mesmo tempo ínsitas no microcosmo, a fim de estabelecer e preservar o ritmo da aglutinação molecular.

No campo moral, trata-se da capacidade de medir-se os valores que são adequados à paz interior e à necessidade de prosseguir-se evoluindo, sem os choques decorrentes das mudanças de campos vibratórios e comportamentais que todo estado novo produz no ser.

O esforço para equilibrar-se é o meio eficaz para a autorrealização, o prosseguir desperto.

Trata-se de uma proposta de ação bem-direcionada, mediante a qual pode ser disciplinada a vontade de atingir a meta iluminativa.

O trabalho se apresenta como o meio próprio para o cometimento, ao lado, é certo, da viagem interior.

O trabalho externo é realizado no tempo horizontal, nas horas convencionais dedicadas à atividade para aquisição dos recursos de manutenção da existência corporal, no qual se investem as conquistas da inteligência, da razão e da força, a resistência orgânica.

Ao lado dele outros surgem que passam a utilizar-se do tempo vertical, que é ilimitado, porque caracterizado como de natureza interna.

O trabalho de qualquer natureza, quando enobrecido pelos sentimentos, é o amor em atividade.

O horizontal mantém o corpo, o vertical, sustenta a vida.

Pode ser realizado com caráter beneficente, sem remuneração habitual ou mesmo da gratidão, da simpatia, feito com abnegação, em cujo tempo de execução o ser se encontra consigo próprio e desenvolve os valores reais do Espírito, compreendendo que servir é meta existencial, e amar é dever de libertação do ego em constante transformação.

O equilíbrio que se haure, enquanto se serve, permanece como marca de progresso, como lição viva do despertar, não se fadigando, nem se deprimindo quando não sucederem os propósitos conforme anelados.

O simples esforço para o equilíbrio já é definição do novo rumo que se imprime à existência, superando os condicionamentos perturbadores, egoicos, remanescentes dos instintos imediatos do comer, dormir, procriar...

A existência física é mais do que automatismos, constituindo-se um apaixonante devir, que se conquista etapa a etapa até culminar na autoconsciência.

Esforço, nesta leitura psicológica, pode ser descrito como tenacidade para não se deixar vencer pelo marasmo, pela acomodação, pelo limite de realizações conseguidas.

É o investimento da vontade para crescer mais, alcançar novos patamares, desembaraçar-se de toda peia que retém o Espírito na retaguarda.


Joanna de Ângelis














sexta-feira, 24 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 107 - Joio



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 107


Joio


“Deixai crescer ambos juntos até à ceifa e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar.” — JESUS. (Mateus, 13:30)

Quando Jesus recomendou o crescimento simultâneo do joio e do trigo, não quis senão demonstrar a sublime tolerância celeste, no quadro das experiências da vida.

O Mestre nunca subtraiu as oportunidades de crescimento e santificação do homem e, nesse sentido, o próprio mal, oriundo das paixões menos dignas, é pacientemente examinado por seu infinito amor, sem ser destruído de pronto.

Importa considerar, portanto, que o joio não cresce por relaxamento do Lavrador Divino, mas sim porque o otimismo do Celeste Semeador nunca perde a esperança na vitória final do bem.

O campo do Cristo é região de atividade incessante e intensa. Tarefas espantosas mobilizam falanges heroicas; contudo, apesar da dedicação e da vigilância dos trabalhadores, o joio surge, ameaçando o serviço.

Jesus, porém, manda aplicar processos defensivos com base na iluminação e na misericórdia.

O tempo e a bênção do Senhor agem devagarinho e os propósitos inferiores se transubstanciam.

O homem comum ainda não dispõe de visão adequada para identificar a obra renovadora. Muitas plantas espinhosas ou estéreis são modificadas em sua natureza essencial pelos filtros amorosos do Administrador da Seara, que usa afeições novas, situações diferentes, estímulos inesperados ou responsabilidades ternas que falem ao coração; entretanto, se chega a época da ceifa, depois do tempo de expectativa e observação, faz-se então necessária a eliminação do joio em molhos.

A colheita não é igual para todas as sementes da Terra. Cada espécie tem o seu dia, a sua estação.

Eis por que, aparecendo o tempo justo, de cada homem e de cada coletividade exige-se a extinção do joio, quando os processos transformadores de Jesus foram recebidos em vão. 

Nesse instante, vemos a individualidade ou o povo a se agitarem através de aflições e hecatombes diversas, em gritos de alarme e socorro, como se estivessem nas sombras de naufrágio inexorável. No entanto, verifica-se apenas a destruição de nossas aquisições ruinosas ou inúteis. E, em vista do joio ser atado, aos molhos, uma dor nunca vem sozinha.


Emmanuel













Emmanuel - Livro Alma e Coração - Chico Xavier - Cap. 38 - Reações



Emmanuel - Livro Alma e Coração - Chico Xavier - Cap. 38


Reações


"Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com os seus anjos; e então dará a cada um a paga, segundo as suas obras." (Mateus, 16:27)


Mediante a realidade de que daremos conta de nós próprios às Leis do Universo, importa reconhecer que os acontecimentos que nos sobrevenham não são para nós as coisas mais importantes da existência, e sim as nossas reações diante delas.

Através das circunstâncias, a vida traça as lições de que carecemos. 

À vista disso, na sucessão dos dias sempre renovados, somos impelidos aos testemunhos de nosso aproveitamento dos valores recebidos na fase da encarnação.

Há quem recolha a saúde do corpo, dela fazendo trampolim para a aquisição de prejuízos do espírito, e há quem carregue enfermidades dolorosas no envoltório físico, transfigurando-as em instrumentos preciosos para o reajuste da alma. 

Vemos quem desfruta os benefícios de imensa fortuna material, cavando com eles a fossa de sofrimento a que se arroja, e encontramos aqueles outros que se prendem a pesados laços de penúria, metamorfoseando-os em recursos de acesso à prosperidade.

Anotamos dessa maneira que, se existem reações individuais semelhantes, não as identificamos, em parte alguma, absolutamente análogas entre si.

Em face do problema, considera, de quando em quando, a própria estrada percorrida.

Que fazes dos sucessos e dos insucessos que te interessam à personalidade?

Que realizas com o reconforto?

Como ages à frente da colaboração dos amigos e da hostilidade dos inimigos?

Em que transformas aquilo que és, o que tens, o que recebes, o que sabes e o que desfrutas?

Ponderemos sobre isso, enquanto se nos garantem, dos Planos Superiores, as oportunidades da permanência na Terra, seja na condição de Espíritos encarnados ou desencarnados, porque os supostos bens e males do mundo se expressam por material didático sobre o qual apomos o selo de nossas réplicas, induzindo o mundo quanto ao que deva fazer por nós.

Afirma a Divina Escritura que “a cada um será dado segundo suas obras”, o que, no fundo, equivale a dizer-se que as reações dos homens perante a vida é que decidirão sobre o destino de cada qual.


Emmanuel












Reformador, FEB, setembro de 1968, p. 206.

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 27 - Indicação de Pedro



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 27


Indicação de Pedro


“Aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a.” — PEDRO. (1 Pedro, 3:11)

A indicação do grande apóstolo, para que tenhamos dias felizes, parece extremamente simples pelo reduzido número de palavras, mas revela um campo imenso de obrigações.

Não é fácil apartar-se do mal, consubstanciado nos desvios inúmeros de nossa alma através de consecutivas reencarnações, e é muito difícil praticar o bem, dentro das nocivas paixões pessoais que nos empolgam a personalidade, cabendo-nos ainda reconhecer que, se nos conservarmos envolvidos na túnica pesada de nossos velhos caprichos, é impossível buscar a paz e segui-la.

Cegaram-nos males numerosos, aos quais nos inclinamos nas sendas evolutivas, e acostumados ao exclusivismo e ao atrito inútil, no desperdício de energias sagradas, ignoramos como procurar a tranquilidade consoladora. 

Esta é a situação real da maioria dos encarnados e de grande parte dos desencarnados que se acomodam aos Círculos do homem, porque a morte física não soluciona problemas que condizem com o foro íntimo de cada um.

A palavra de Pedro, desse modo, vale por desafio generoso.

Nosso esforço deve convergir para a grande realização.

Dilacere-se-nos o ideal ou fira-se-nos a alma, apartemo-nos do mal e pratiquemos o bem possível, identifiquemos a verdadeira paz e sigamo-la. 

E tão logo alcancemos as primeiras expressões do sublime serviço, referente à própria edificação, lembremo-nos de que não basta evitar mal e sim nos afastarmos dele, semeando sempre o bem, e que não vale tão somente desejar paz, mas buscá-la e segui-la com toda a persistência de nossa fé.


Emmanuel











quarta-feira, 22 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 26 - Louvemos o bem



Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 26


Louvemos o bem


“Saudai a todos os vossos guias, bem como a todos os santos.” — PAULO (Hebreus, 13.24)


Ante a dificuldade inconteste para servir à Causa do Bem e da Verdade, entre os problemas do mundo, imitemos os espíritos corajosos que nos abrem caminho.

Louvemos os que tiveram suficiente valor para aceitar a humilhação de si mesmos a fim de serem fiéis à própria consciência;

os que recusaram vantagens materiais para não conluiarem com o erro;

os que atravessaram longa existência dedicados a melhorar as condições dos seus semelhantes;

os que renasceram em dolorosas provações no veículo físico e não permitiram que a dor lhes suprimisse a quota de serviço à comunidade;

os que sofreram a morte prematura a fim de que a ciência avançasse sobre trilhas corretas;

e aqueles outros que suportaram perseguições e calúnias por amor aos seus irmãos, sem abandonar a tarefa que o Senhor lhes confiou, quando poderiam ter fugido!…

A eles devemos todos os bens que desfrutamos na Terra, nos domínios da lei e da cultura, da civilização e do progresso!

Eles foram homens e mulheres que lutaram e choraram, entre obstáculos e paixões semelhantes aos que nos marcam a vida; entretanto obedeceram, mais cedo que nós, às leis do Senhor e ainda agora nos esclarecem que, por cima de nossos corações — por enquanto chumbados ao magnetismo do planeta — brilham os caminhos do futuro, rasgados de horizonte a horizonte nos céus abertos, através dos quais, um dia, nossa alma, livre e redimida, subirá, de ascensão em ascensão, para além das estrelas.


Emmanuel








(Reformador, maio 1966, página 99)

Joanna de Ângelis - Livro Jesus e Vida - Divaldo P. Franco - Cap. 5 - Silêncio



Joanna de Ângelis - Livro Jesus e Vida - Divaldo P. Franco - Cap. 5


Silêncio


Aumenta volumosamente a balbúrdia no mundo.

Não há respeito pelo silêncio.

A barulheira aturde a criatura humana, cuja constituição física e emocional apresenta limites para a zoada, em face dos decibéis suportáveis.

Como consequência, as pessoas perderam o tom de equilíbrio nas conversações, nos momentos de júbilo, nas comunicações fraternais.

Grita-se, quando se deveria falar, produzindo uma competição de ruídos e de vozes que perturbam o discernimento e retiram a harmonia interior.

As pessoas engalfinham-se em competir na emissão do volume de voz, tornando as conversações desagradáveis e agressivas.

Quando se fala em tonalidade normal, já não se ouve, em face do hábito enfermiço do vozerio.

Esteja-se no lar, no restaurante, na oficina de trabalho, no clube, em qualquer lugar público, e torna-se quase impossível uma conversação agradável e produtiva.

As músicas deixam, a pouco e pouco, de ser harmônicas para se apresentarem ruidosas, sem nenhum sentido estético, expressando os conflitos e as desordens emocionais dos seus autores, numa tormentosa conspiração para o desaparecimento do sentido de equilíbrio da vida humana.

Os diálogos mais parecem discussões calorosas em que se debate com ardor, em competição injustificável e tormentosa, do que propriamente uma conversa prazerosa.

A arte da conversação cede lugar aos temas vazios de significado e de edificação, permanecendo adstrita a vulgaridades e queixas com que mais se entorpecem ou se irritam os indivíduos.

O alto volume dos ruídos externos retira o sentido do prazer de ouvir-se, em decorrência da agressão ao aparelho auditivo.

Cada qual, por isso mesmo, impõe o volume da sua voz, dos ruídos do lar, das comunicações e divertimentos através dos rádios e das televisões.

Tem-se a impressão de que se perdeu o direito de experiênciar o silêncio ou, pelo menos, de escutar-se em níveis suportáveis e agradáveis, mediante os quais as ondas sonoras produzam empatia e bem-estar.

O desrespeito grassa por todo lado, em razão da falta de educação generalizada. Os pais, indiferentes ao programa de dignificação dos filhos, deixam-nos praticamente aos próprios cuidados, ou concedem-lhes o excesso de liberdade em detrimento daquela que pertence aos outros. Tornam os filhos ruidosos, voluntariosos, desobedientes, agressivos, quando contrariados ou não. Desaparece a disciplina que deve existir em toda parte, favorecendo o bom entendimento entre todos.

As vozes são estridentes e os atos, rebeldes, desrespeitosos às demais pessoas, tornando-se provocantes.

Há um predomínio de violência em tudo, nos sentimentos, nas conversações, nas atividades do dia a dia.

A animosidade gratuita paira no ar, revelando a insensatez social e o desequilíbrio individual.

O egoísmo, com todos os famanazes que lhe constituem o séquito, impõe-se, retirando os direitos que pertencem às demais pessoas.

Há demasiado ruído no mundo, atormentando as criaturas.

Reserva-te o prazer do silêncio, diariamente, por alguns momentos.

O silêncio interior conceder-te-á harmonia, ensejando-te reflexões saudáveis e renovadoras. Mediante o seu contributo, disporás de um arsenal precioso de conceitos para apresentares, quando conversando, mantendo elevado o nível das propostas verbais, porque possuis discernimento e conseguiste armazenar ideias valiosas.

Abordando temas edificantes, gerarás hábitos de equilíbrio e de bem-estar, que te propiciarão paz interior e convivência agradável com os outros, agindo com sabedoria e não te permitindo engalfinhar nos debates da frivolidade, das reclamações e da revolta muito do agrado dos insensatos, daqueles que não pensam e somente falam sem dizer nada educativo.

A voz é instrumento delicado e de alta importância na existência humana. Sendo o único animal que consegue articular palavras, modulando o som e produzindo harmonia, o ser humano deve utilizar-se do aparelho fônico na condição de instrumento precioso e de cujo uso dará contas à Consciência Cósmica que lhe concedeu o admirável tesouro.

Por falta de silêncio interior, escasseia o externo, produzindo consequências danosas.

Mediante a disciplina consegue-se reverter a situação vigente, não se permitindo cair na competição verbal.

Essa disciplina estende-se ao comportamento que deve apresentar-se produtivo, ensejando convivência equilibrada em que o respeito à conduta do outro faça-se primacial.

Nem impor-se aos demais, tampouco permitir-se conduzir pelos outros, somente porque se vivem momentos de desajustes.

Assim procedendo, os hábitos saudáveis ocuparão todos os espaços existenciais, propondo meios de construir-se uma sociedade equilibrada.

Mediante a disciplina adquire-se consciência da vida, amadurecimento psicológico, compreensão dos valores que devem ser adquiridos a benefício de si mesmo, resultando em bem-estar do próximo.

Certamente que não se torna necessário abandonar o mundo, a fim de refugiar-se numa caverna, no deserto ou no alto de um penhasco, para fazer silêncio interior. Basta que sejam cultivadas ideias propiciadoras de alegria e de renovação íntima.

Aquele que adquire o hábito de pensar bem, nunca experimenta solidão, estando acompanhado pelos pensamentos que lhe preenchem os espaços mentais e, por efeito, os físicos, irradiando satisfação pessoal e agradecimento à vida pelas suas inigualáveis concessões.

Retira-te, portanto, para as paisagens ricas de vibração do teu mundo interior e observa-lhes os conteúdos de beleza, de paz, de bênçãos.

Nesses momentos, poucos que sejam, mas constantes, aprenderás a descobrir as páginas ocultas de que se constitui a vida, que irás desdobrando-as, uma a uma, de forma que te felicitarás com a beleza nelas guardada.

Jesus, o Sublime Comunicador, cuja dúlcida voz inebriava de harmonia as multidões, viveu cercado sempre pelas massas, sofreu-as, compadeceu-se delas, mas não se deixou aturdir pela sua insânia e necessidades.

Logo depois de as atender, recolhia-se ao silêncio, fugindo do bulício, a fim de penetrar-se mais pelo amor do Pai, renovando os sentimentos de misericórdia e de compreensão, a fim de que o cansaço que surge na balbúrdia não Lhe retirasse a ternura das palavras e das ações.

Necessitas, sim, de silêncio interior, para melhores reflexões e programações dignificantes em qualquer área do comportamento humano em que te encontres.

Aprende a calar e a meditar, a harmonizar-te e a não perder a serenidade na multidão desarvorada e falante.

Hoje como ontem Quando Jesus veio ter conosco, na Terra, o mundo encontrava-se conturbado e as criaturas haviam perdido o rumo.

A dor fizera presença constante nos corações, enquanto a esperança batera em retirada.

A guerra hospedara-se em muitas nações que se en-redevoravam em espetáculo dantesco, surpreendente.

Os sentimentos de amor e de compaixão haviam desaparecido das paisagens humanas e somente o egoísmo, a indiferença e a crueldade eram vivenciados em campeonatos sórdidos pela busca de supremacia.

A arrogância dos fracos que se apresentavam como li irles competia com a crueldade que praticavam, a fim de inspirarem medo em vez de respeito ou consideração.

Os valores legítimos da ética e da moral haviam cedido lugar aos enganosos galardões do poder e do querer.

A sociedade estorcegava em convulsões afligentes e o povo, mais especialmente, pagava um insuportável tributo pela audácia de existir e respirar.

O proletariado, os camponeses, os sem trabalho nem lar eram considerados como escória, submetidos a condições abjetas e a grande maioria chafurdava em índices abaixo da miséria econômica...

Não havia lugar para a piedade nem para a misericórdia.

Ele veio e rompeu a sombra dominante, oferecendo luz e calor a todos os infelizes que faziam parte dos esquecidos e detestados.

Estabeleceu códigos de dignidade e enfrentou a petulância e o poder mentiroso dos fátuos e enganados, demonstrando-lhes a fragilidade ante a doença, a velhice e a morte, quando não vitimados pela própria insensatez.

Ergueu a Sua voz e exaltou os dons imperecíveis da vida centrados no amor e na compaixão, na misericórdia e na caridade.

Ninguém jamais se atrevera antes a enfrentar a corrupção e o crime com a autoridade com que Ele o fazia.

A Sua voz ressoava profunda nos lugares onde era enunciada, mas penetrava com vigor incomum nas consciências, arrancando-as do letargo a que se haviam entregado espontaneamente.

Os Seus feitos confirmavam a Sua autoridade que procedia de Deus, em cujo nome viera modificar as paisagens humanas.

Ninguém que tivesse a audácia de enfrentá-10 com êxito. Mesmo os permanentes inimigos da humanidade de todos os tempos, quando O tentavam, buscando envolvê-10 nas suas tricas miseráveis, jamais O conseguiram vencer ou atemorizar. A Sua energia não tinha limites, fazendo-se acompanhar de infinita compreensão por todos aqueles que se houveram transformado em abutres famintos, alimentando-se nos despojos dos seus próprios irmãos...

Revolucionou as ideias e estabeleceu novos paradigmas para a felicidade, demonstrando que o verdadeiro triunfador não é aquele que se destaca sobre os cadáveres das vítimas, porém aquele que se vence a si mesmo, superando as paixões hediondas que o escravizam ao eito da inferioridade...

Sinalizou o caminho com pegadas luminosas, a fim de que nunca mais houvesse escuridão e desconhecimento da estrada a seguir...

Embora desejasse a libertação das consciências e a pulcritude dos sentimentos, quase todos que O buscavam, em face das limitações que os caracterizavam, disputavam a recuperação dos tecidos orgânicos enfermos, dos distúrbios da emoção em desalinho, das distonias mentais, como também dos interesses mesquinhos, que faziam parte do seu dia a dia tumultuado, das questiúnculas que lhes cabia resolver, mas preferiam transferir para Ele.

Nunca se fez juiz de contendas ridículas, nem se permitiu envolver com as torpes discussões da frivolidade, dos ódios que incendiavam os sentimentos.

Enfrentou o sarcasmo e a agressividade com altivez, não os valorizando, fiel ao compromisso que firmara com o Pai, amando e servindo.

Por tudo isso e muito mais, ultrapassou os limites do tempo e do espaço geográfico em que viveu, tornando-se invencível, enquanto legou o tesouro da imortalidade em direção ao futuro e ao dever perante o presente.

Por uns amado, ficou detestado por todos que O não puderam submeter aos seus caprichos.

Morreu vilmente assassinado, mas voltou em madrugada de eterna claridade, a fim de que nunca mais houvesse dúvidas a Seu respeito, prometendo a todos receber além da cortina densa do corpo...

Hoje ainda é assim como fora ontem.

A geografia política do planeta encontra-se fragmentada em conflitos, terrorismos, guerras insensatas e misérias em abundância.

Chegou o Espiritismo, revivendo-O e direcionando-se às massas, sob críticas ácidas da falsa cultura e a perseguição do fanatismo de todo porte, rompendo as teias fortes da ignorância a respeito da sobrevivência do espírito e acenando com a felicidade que se busca nos descaminhos do prazer, quando, em realidade, se encontra nos refolhos da alma aureolada pelas virtudes convencionais.

Repete os códigos soberanos das leis que Ele viveu, quais o amor, a compaixão, a caridade, o perdão, ensejando mudanças profundas no comportamento.

Demonstra a sabedoria divina em todas as ocorrências humanas, mesmo naquelas que são denominadas como infortúnios e desgraças, através de uma filosofia existencial ímpar, com possibilidades de impulsionar ao avanço todos aqueles que se encontram cansados e aflitos, mas os ouvidos desatentos e os interesses subalternos dos seus simpatizantes não conseguem captar as lições incomparáveis.

Pelo contrário, disputam os lugares de honra e os aplausos festivos nos encontros espirituais, que deveriam revestir-se de simplicidade e de introspecção.

As diretrizes iluminativas são confundidas com fórmulas mágicas para solucionar os problemas existenciais que dizem respeito ao processo evolutivo.

O aturdimento, ante os efeitos das ações infelizes anteriormente praticadas, bloqueia o discernimento, impedindo a clara compreensão dos objetivos essenciais da caminhada orgânica.

Desejam, em perturbação, ocorrências milagrosas para que se modifiquem as dificuldades em que se encontram, embora permitindo-se continuar nos mesmos disparates e incongruências de conduta moral.

Apresentam-se como credores especiais de benefícios que esperam em caráter de exceção, sem qualquer esforço.

São enfermos espirituais mais graves do que se pode imaginar, portanto, dignos de mais compaixão e mais compreensão.

Ainda não encontraram Jesus, nem O sentiram, estando em acercamento demorado que, sem dúvida, culminará em formosa entrega a Ele, o Senhor de nossas vidas.

Tem, portanto, muita paciência com os enfermos da alma, por serem mais difíceis de amados, entregando-os Àquele que veio para que todos tivessem vida, porém, em abundância.


Joanna de Ângelis















terça-feira, 21 de abril de 2026

Emmanuel - Livro A Verdade Responde - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier - Prefácio - A Verdade Responde



Emmanuel - Livro A Verdade Responde - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier - Prefácio


A Verdade Responde


As indagações sempre se renovam, em toda parte. Inquirições da vida no mundo, especialmente as respostas, em todas as circunstâncias foram baseadas nas interpretações pessoais daqueles que as formulam.

Sábios de todos os tempos e procedências se manifestam no assunto para reconhecer que as suas teorias ou análises sofrem alterações em suas estruturas, o que nos compele a declarar que mesmo nós, os amigos desencarnados, às vezes, modificamos informes e concepções no desdobramento das tarefas individuais ou nos eventos evolutivos. 

Chega, porém, um dia em que a verdade nos surge na vida íntima, esclarecendo-nos e preparando-nos para novos passos, no rumo do Conhecimento Superior.

Não acreditamos exista um metro para medi-la e continuamos na caminhada para diante.

Não temos, porém, essa pretensão de definir o que seja a verdade, mas sabemos que a verdade é a bússola de nossa marcha e que aparece inevitável nos caminhos em que ela nos responde, acrescida sempre de mais luz, em nós mesmos, respondendo-nos às indagações, em nome de Deus.


Emmanuel
Uberaba, 21 de junho de 1990.