domingo, 4 de outubro de 2026

Marco Prisco - Livro Glossário Espírita-Cristão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 10 - Impulsos



Marco Prisco - Livro Glossário Espírita-Cristão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 10


Impulsos


"Com o Espiritismo, tornada impossível a dúvida, muda o aspecto da vida." (E.S.E. — Cap. V - Item 16)

Todo homem é comandado por impulsos. 

Impressões superiores e inferiores resultam dos impulsos nobres ou infelizes.

A generosidade é impulso que ajuda. 

A cólera é impulso que envenena.

A fé é impulso que santifica.

A sensualidade é impulso que degrada.

O egoísmo é impulso que aniquila.

A caridade é impulso que sublima.

A preguiça é impulso que inutiliza.

A compaixão é impulso que renova.

O medo é impulso que inibe.

A bondade é impulso que vitaliza.

A ira é impulso que entenebrece. 

O amor é impulso que liberta.

Deixe-se arrastar pela comodidade e seus impulsos o levarão ao azedume e à loucura.

Cada Espirito se demora em sintonia com a faixa emocional em que se expressa.

Ligue-se às atividades edificantes e impulsos nobres renovarão seus anseios.

Impulsos positivos e negativos a todo momento trabalham para a sua mudança mental. Se lhe aprazem as emoções grosseiras, os impulsos o reterão no solo da animalidade.

Se você anseia paz e gozo libertador, impulsos superiores o alcançarão, erguendo-o aos cimos das dificuldades com as asas das ações santificantes.

Siga a atração da luz, abra os braços em movimentos de amor e, impulsionado pela força do bom, você desdobrará possibilidades, libertando o Espirito dos apelos primitivos sob o comando de impulsos que o conduzirão aos páramos sublimes.


Marco Prisco







O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V - Bem-aventurados os aflitos - O suicídio e a loucura.


16. A incredulidade, a simples dúvida sobre o futuro, as ideias materialistas, numa palavra, são os maiores incitantes ao suicídio; ocasionam a covardia moral. Quando homens de ciência, apoiados na autoridade do seu saber, se esforçam por provar aos que os ouvem ou leem que estes nada têm a esperar depois da morte, não estão de fato levando-os a deduzir que, se são desgraçados, coisa melhor não lhes resta senão se matarem? Que lhes poderiam dizer para desviá-los dessa consequência? Que compensação lhes podem oferecer? Que esperança lhes podem dar? Nenhuma, a não ser o nada. Daí se deve concluir que, se o nada é o único remédio heroico, a única perspectiva, mais vale buscá-lo imediatamente e não mais tarde, para sofrer por menos tempo.

A propagação das doutrinas materialistas é, pois, o veneno que inocula a ideia do suicídio na maioria dos que se suicidam, e os que se constituem apóstolos de semelhantes doutrinas assumem tremenda responsabilidade. Com o Espiritismo, tornada impossível a dúvida, muda o aspecto da vida. O crente sabe que a existência se prolonga indefinidamente para lá do túmulo, mas em condições muito diversas; donde a paciência e a resignação que o afastam muito naturalmente de pensar no suicídio; donde, em suma, a coragem moral.





sábado, 3 de outubro de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVI - João Nunes Maia - Cap. 12 - Felicidade



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVI - João Nunes Maia - Cap. 12


Felicidade


777. Tendo o homem, no estado de natureza, menos necessidades, isento se acha das tribulações que para si mesmo cria, quando num estado de maior adiantamento. Diante disso, que se deve pensar da opinião dos que consideram aquele estado como o da mais perfeita felicidade na Terra?

“Que queres! É a felicidade do bruto. Há pessoas que não compreendem outra. É ser feliz à maneira dos animais. As crianças também são mais felizes do que os homens feitos.” (O Livro dos Espíritos)


Os extremos, mesmo aparentemente, se confundem. A vida de um homem primitivo tem alguns traços da de um santo: um aceita tudo o que a natureza modela em seu caminho, e o outro aceita tudo o que possa acontecer, sem desespero, sem reclamação, tirando de todos os acontecimentos lições valiosas. Já na situação intermediária, como no caso em que se encontra a humanidade atual, o estado íntimo é outro; a alma dotada de razão mais desenvolvida, onde o egoísmo e o orgulho participam de toda a sua vida, oferece mais campo à revolta, às blasfêmias, às inquietações, buscando aqui e ali, por todos os meios que dispõe, a própria satisfação pessoal não sendo capaz de encontrar a felicidade, no exterior, ele cai em estafa e a dor o coloca na posição de encontrar notícias da felicidade dentro de si mesmo.

O homem, no estado de natureza, parece que vive feliz, no entanto, a felicidade ainda não é essa; a felicidade verdadeira é aquela onde a consciência se encontra em sintonia com a harmonia divina, a consciência imperturbável, que de tudo tira lições, sem exigir nada dos outros, nem se alterar com nada. Ela nunca se agita com os acontecimentos, por ser consciente da necessidade deles para a massa humana com o seu demorado despertamento espiritual.

A maioria das criaturas não entende felicidade, a não ser a dos brutos, gozando as coisas da Terra, com viagens longas em vários países, com mansões requintadas, com alimentos exóticos e antinaturais, com roupas luxuosas e assim por diante. Procuram desse modo a felicidade na Terra, e como esses prazeres são transitórios, caem logo na decadência moral, por buscarem igualmente satisfazer as suas paixões inferiores, deturpando os valores das emoções da alma. Esquecem-se de que a felicidade está mais perto dos que pensam, por estar dentro delas mesmas.

O portador desta verdade foi Jesus Cristo, nos mostrando pela própria vida onde se encontra o tesouro maior que interessa a todos os que buscam a Deus.

Lucas nos informa, no capítulo quinze, versículo quatro, de maneira sutil, onde se encontra a ovelha divina que reflete todo o rebanho. Ele registrou as seguintes palavras do Mestre:

Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu até encontrá-la?

As noventa e nove são os reflexos daquela que se perdeu no deserto do coração, que se encontra dormindo na intimidade da vida da alma. Então, o homem parte para encontrá-la, e quando a acha a sua alegria é muito grande, porque encontrando-a, todas as outras estão salvas na unidade de Deus.

O Evangelho está escrito em todas as dimensões que se possa alcançar, como fonte de vida, para a vida de todas as criaturas. Quando se diz que Jesus é o Mestre dos mestres, é para compreendermos, sentindo a segurança da Sua presença em nós, que desejamos viver os Seus preceitos. Todas as Suas palavras são de vida, e de vida eterna.

Busquemos a ovelha perdida no nosso mundo interno; ela representa a nossa felicidade e o exemplo edificante para que os outros que ainda não acordaram para tal exercício divino façam o mesmo, nas linhas do nosso proceder. A felicidade verdadeira é aquela que é consciente e sabe porque ama a tudo e a todos.

O bruto é feliz em sua vida rude; muitos homens são felizes comendo e bebendo, mas a felicidade real, aquela cujo caminho o Cristo nos ensinou, é outra, que nos alimenta em Espírito com o pão que veio do céu em forma de Amor.


Miramez











Emmanuel - Livro Coragem - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 21 - As duas tristezas



Emmanuel - Livro Coragem - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 21


As duas tristezas


Há, sim, a tristeza construtiva — aquela que nos impulsiona para a Vida Superior, encaminhando-nos para o trabalho da melhoria íntima, perante a sede de ascensão espiritual.

Existe, porém, a outra — a tristeza destrutiva — que se traja de luto, por dentro do coração, todos os dias, espalhando desânimo e pessimismo onde passa.

Observa a ti mesmo a fim de que te imunizes contra semelhante doença da alma.

Toda vez que comentamos nossos problemas, exagerando-lhes o tamanho ou dramatizando as dificuldades que nos chegam à existência;

sempre que tomamos o tempo alheio a fim de recordar sofrimentos passados que a Providência Divina já mandou apagar, em nosso benefício, com a esponja do tempo;

em todas as situações nas quais nos pomos a exaltar os preconceitos próprios, desconsiderando a posição e a experiência dos semelhantes; 

e, na generalidade dos casos em que nos pusermos a lamentar dissidências e desacordos, contendas e mágoas, estamos afastando de nós mesmos os melhores amigos, através da amargura e do ressentimento que destilamos com as nossas palavras.

Naturalmente, cautelosos, esses companheiros preferem distância à partilha indébita de nossas aversões e frustrações, antagonismos e queixas, embora, sempre que generosos e leais, estejam claramente dispostos a apoiar-nos na restauração da própria harmonia.

Compreendamos que ninguém estima a permanência num espinheiro e nem escolhe vinagre para brindar os laços diletos, e saibamos fornecer bondade e paz, entusiasmo e otimismo aos que se aproximem de nós, porquanto não há quem não necessite de alguém para executar os deveres que a vida lhe preceitue.

Para isso, nós que sabemos rogar a Deus proteção e bênção, aprendamos igualmente a pedir à Divina Providência nos conceda a precisa coragem para silenciar desapontamentos e lágrimas, de maneira a doar paz e alegria, segurança e consolo aos outros, tanto quanto esperamos esses benefícios dos outros em auxílio a nós.


Emmanuel












Albino Teixeira - Livro Caminho Espírita - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10 - Exercício de compaixão



Albino Teixeira - Livro Caminho Espírita - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10


Exercício de compaixão


Se fosses o pedinte agoniado que estende a mão à bondade pública…

Se fosses a mãezinha infeliz, atormentada pelo choro dos filhinhos que desfalecem de fome….

Se fosses a criança que vagueia desprotegida à margem do lar…

Se fosses o pai de família atribulado, ante a doença e penúria que lhe devastam a casa…

Se fosses o enfermo desamparado, suplicando remédio…

Se fosses a criatura caída em desvalimento, implorando compreensão…

Se fosses o velhinho atirado às incertezas da rua…

Se fosses o necessitado que te roga socorro, decerto perceberias com mais segurança a função da fraternidade para sustento da vida.

Se estivéssemos no lado da dificuldade maior que a nossa, compreenderíamos, de imediato, o imperativo da caridade incessante e do auxílio mútuo.

Reflitamos nisso. E nós, que nos afeiçoamos a estudos diversos, com vistas à edificação da felicidade e ao aperfeiçoamento do mundo, façamos quanto possível, semelhante exercício de compaixão.


Albino Teixeira

 









Irmã Scheilla - Livro Mensagem do Dia - Vol. II - Clayton B. Levy - A beleza




Irmã Scheilla - Livro Mensagem do Dia - Vol. II - Clayton B. Levy


A beleza


A beleza que você vê ao redor, é sua beleza.

O mundo ao seu redor é um reflexo, um espelho que mostra as pessoas quem você é.

Para mudar o mundo, você precisa mudar a si próprio.

O que quer que lhe incomode, é sua responsabilidade.

O que quer que você vê nos outros, mostra a si mesmo.

Dê aos outros, e dará a si mesmo.

Aprecie a beleza e serás belo.

Ouça, e sua voz virá do coração.

Ame servindo

Confie, e sua fé crescerá.


Irmã Scheilla



















Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 73 - Falatórios



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 73


Falatórios

 
“Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade.” — PAULO. (2 Timóteo, 2:16)

Poucas expressões da vida social ou doméstica são tão perigosas quanto o falatório desvairado, que oferece vasto lugar aos monstros do crime.

A atividade religiosa e científica há descoberto numerosos fatores de desequilíbrio no mundo, colaborando eficazmente por extinguir-lhes os focos essenciais.

Quanto se há trabalhado, louvavelmente, no combate ao álcool e à sífilis?

Ninguém lhes contesta a influência destruidora. Arruínam coletividades, estragam a saúde, deprimem o caráter.

Não nos esqueçamos, porém, do falatório maligno que sempre forma, em derredor, imensa família de elementos enfermiços ou aviltantes, à feição de vermes letais que proliferam no silêncio e operam nas sombras.

Raros meditam nisto.

Não será, porventura, o verbo desregrado o pai da calúnia, da maledicência, do mexerico, da leviandade, da perturbação?

Deus criou a palavra, o homem engendrou o falatório.

A palavra digna infunde consolação e vida. A murmuração perniciosa propicia a morte.

Quantos inimigos da paz do homem se aproveitam do vozerio insensato, para cumprirem criminosos desejos?

Se o álcool embriaga os viciosos, aniquilando-lhes as energias, que dizer da língua transviada do bem que destrói vigorosas sementeiras de felicidade e sabedoria, amor e paz? 

Se há educadores preocupados com a intromissão da sífilis, por que a indiferença alusiva aos desvarios da conversação?

Em toda parte, a palavra é índice de nossa posição evolutiva. Indispensável aprimorá-la, iluminá-la e enobrecê-la.

Desprezar as sagradas possibilidades do verbo, quando a mensagem de Jesus já esteja brilhando em torno de nós, constitui ruinoso relaxamento de nossa vida, diante de Deus e da própria consciência.

Cada frase do discípulo do Evangelho deve ter lugar digno e adequado.

Falatório é desperdício. E quando assim não seja não passa de escura corrente de venenos psíquicos, ameaçando Espíritos valorosos e comunidades inteiras.


Emmanuel















sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Vida: Desafios e Soluções - Divaldo Pereira Franco - Cap. 8 - Autodespertamento Inadiável - O despertar do Si



Joanna de Ângelis - Livro Vida: Desafios e Soluções - Divaldo Pereira Franco - Cap. 8 - Autodespertamento Inadiável


O despertar do Si

"Digo isto, porque sabeis o tempo, que já é hora de vos despertardes do sono..." — PAULO (Romanos, 13:11)
 

A fase inicial da vida, sob qualquer aspecto considerado, é a do sono. Por isso mesmo, o psiquismo dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal, pensa no homem, conforme sintetizou com muita propriedade o eminente filósofo espírita Léon Denis, e prossegue, com a imensa capacidade da intuição, no anjo, adquirindo novas experiências sem cessar, infinitamente.

O ser está fadado à perfeita sintonia com a Consciência Cósmica, que nele dorme, aguardando os fatores que lhe propiciem o desenvolvimento, o contínuo despertar.

Despertar, portanto, é indispensável, abandonando o letargo que procede das faixas por onde transitou, libertando-se do marasmo, em forma de sono da consciência, para as realidades transcendentes, desapegando-se das constrições que impedem a marcha, escravizando o Si nas paixões remanescentes, adormecidas, por sua vez, no inconsciente profundo, que prossegue enviando mensagens pessimistas e perturbadoras.

Conscientizar-se do que é, do que necessita fazer, de como conseguir o êxito, constitui, para o ser, chamamento urgente, como contribuição valiosa para o empenho na inadiável tarefa da revolução íntima transformadora.

Não poucas vezes encontramos no comportamento humano as referências ao dormir, estar dormindo, adormecido, caracterizando estados existenciais das criaturas. Certamente, de fato, a maioria está adormecida para as próprias realidades, para os desafios da evolução, para as conquistas do Si. Imediatamente apaixonada por interesses mesquinhos, mergulhada em sombras ou fascinada pelo doentio narcisismo, prefere permanecer em estado de consciência de sono, a experimentar o despertamento para a lucidez, portanto, para os compromissos em relação à vida e ao crescimento interior, que se lhe apresenta como um verdadeiro parto, no que tem razão. Despertar para a realidade nova da vida é como experimentar um parto interior, profundo, libertador, dorido e feliz.

Outras vezes, alguns que pretendem o acordar da consciência buscam os gurus famosos em cada época, a fim de que eles pensem e ajam sem o esforço pessoal dos que se fazem seus discípulos (cheias), desse modo estimulando-lhes a paralisia dos braços e do corpo em longos quão improdutivos estados de meditação prolongada, em fugas inoportunas aos labores edificantes da vida atual, sempre desafiadora e exigente. Constitui, essa conduta, uma forma de transferência de responsabilidade para longe dos compromissos graves do próprio esforço, que é a única maneira de cada qual encontrar-se com sua realidade e trabalhá-la, ampliando-lhe a capacidade de desenvolvimento.

Felizmente, chega-se ao momento em que os verdadeiros mestres e guias ensinam os caminhos, porém exigem que os aprendizes avancem, conquistando, eles próprios, as distâncias, particularmente aqueles íntimas que os separam do imperecível Si.

A Psicologia, por seu turno, convida o indivíduo a avançar sem a utilização de novas bengalas ou de dependências de qualquer natureza, a fim de ser livre. É compreensível que, em determinados momentos, durante a aprendizagem, a iniciação, o candidato se apoie naqueles que os instruem, liberando-se, a pouco e pouco, de forma a conquistar o seu próprio espaço.

As revoluções do pensamento têm sido muito velozes e se acentuam nesta última década, prenunciadora de uma Nova Era da Consciência, quando os horizontes se farão mais amplos e a compreensão da criatura se tornará mais profunda, particularmente em torno do Si, do Espírito imortal.

Todas as correntes da atual Filosofia, com raras exceções e experimentos das doutrinas psíquicas e parapsíquicas, como ocorre em algumas outras áreas, convergem para o ser permanente e real, aquele que atravessa o portal da morte e volve ao proscênio terrestre em nova experiência iluminativa.

Como consequência, a busca da realidade vem sendo orientada para o mundo interior, no qual o ser mergulha com entusiasmo e sabedoria, superando os imperativos das paixões perturbadoras, das sensações mais primitivas a que se vinculava.

Essa proposta é muito antiga, porque as necessidades humanas também o são. Pode-se, porém, arrolar no Evangelho de Jesus, que é considerado um verdadeiro tratado de psicoterapia e deve ser relido com visão nova e profunda por todos, particularmente conforme vem ocorrendo com a Psicologia e as demais doutrinas do psiquismo; refere-se, inúmeras vezes, ao estar dormindo, ao dormir, tanto quanto ao despertar.

Quando Jesus foi visitar Lázaro, que parecia morto, acercou-se do túmulo, informou que o amigo dormia e mandou abrir-lhe o túmulo na rocha, convidando-o a que despertasse e saísse das sombras. Escutando-lhe a voz que ressoou na acústica da alma, o cataléptico despertou e retomou a consciência, vindo para fora do sepulcro, sem a necessidade de qualquer milagre. Jesus percebera que a morte não lhe arrebatara o Espírito, nem rompera os liames vigorosos do períspirito, portanto, estava vivo ainda, porém dormindo.

Tratava-se de um sono orgânico provocado pela catalepsia, porque Lázaro já houvera despertado para a Realidade, razão pela qual ele pôde ouvir o chamado de retorno. (1) 

Seguindo as pegadas de Jesus, o Apóstolo Paulo repetiu a proposta do despertamento inúmeras vezes, em situações diferenciadas, de acordo com o estado de adormecimento em que se encontravam os seus ouvintes ou interessados na sua mensagem.

Numa carta que dirigiu aos romanos, conforme capítulo treze, no seu versículo onze, depois de algumas considerações escreveu o desbravador das gentes: Digo isto, porque sabeis o tempo, que já é hora de vos despertardes do sono... (2) que retém as pessoas distraídas e distanciadas da Verdade, em permanente indecisão, ou em exigências infindáveis, ou em discussões inúteis, ou em buscas infrutíferas, sem aprofundamento de nenhuma causa, todos mecanismos escapistas para abraçar o conhecimento libertador.

O estado de sono é paralisia da alma, peso na consciência individual e prejuízo na coletiva, que compraz, no entanto, a todos quantos fogem, consciente e inconscientemente, dos compromissos mais graves para com o Si, assim como em referência à sociedade que exploram e perturbam com a sua dependência.

Ainda examinando a problemática do sono, exclamou, em outra carta, que dirigiu aos Efésios, o libertador das gentes, com energia e vitalidade: Desperta, tu que dormes, e levanta-te entre os mortos. (3) Evidentemente o apelo é dirigido àqueles que, embora vivendo, são mortos para a realidade do Si, permanecendo em estado de hibernação dos valores admiráveis da sua imortalidade.

Transitam, pelo mundo, os mortos para as emoções superiores, encharcados das paixões a que se aferram em terrível estado de intoxicação, padecendo-lhes as injunções martirizantes. São cadáveres que respiram, em uma alegoria evangélica. Sempre que convidados ao direcionamento superior, aos ideais de enobrecimento, ao agigantamento dos valores éticos, escusam-se e recusam cooperar, afirmando que a vida tem outros objetivos, empanturrando-se de alimentos e gozos, que logo passam, deixando-os sempre vazios e esfaimados. O seu despertar é sempre doloroso, porque se lhes torna difícil abandonar os hábitos doentios e adotar novos comportamentos, que a princípio se fazem incomuns, incompletos, sem sentido.

Quando está desperto, lúcido para os objetivos essenciais da existência, ergue-se, o indivíduo, e sai do meio dos outros que estão mortos para a realidade.

Por sua vez, prosseguindo na mesma terapia, o renovado apóstolo Pedro, compreendendo e digerindo o que lhe aconteceu, voltou-se para os que o seguiam e admoestou com simplicidade: Tenho por justo, enquanto estou neste tabernáculo, despertar-vos com recordações... (4) 

Vale se considere o corpo como um tabernáculo, no qual é possível a sublimação dos sentidos, tornando-se necessário despertar os demais, mediante recordações de tudo quanto aconteceu e está esquecido; de todas as ocorrências de vida, que agora jazem no olvido; de todos os valores que significaram esperança e dignidade e estão ao abandono. Mediante esse volver a viver - o recordar - é possível um saudável despertar e um tranquilo viver.

Examinando-se imparcialmente essas propostas de despertamento, compreende-se que o problema é urgente, embora o tempo que vem transcorrendo desde as advertências existentes em todas as doutrinas de dignificação humana.

Chama, porém, a atenção, a própria experiência de Pedro, nos momentos que antecederam a traição do Amigo e a inolvidável tragédia do Calvário, sendo advertido carinhosamente: ...

Esta noite antes de o galo cantar, três vezes me negarás... (5) prenunciando-lhe a defecção, por estar adormecido para a grandiosidade de comportamento junto ao Benfeitor, quando fosse convidado ao testemunho - que é sempre prova de maioridade psicológica e existencial.

Parecia impossível que se concretizasse esse prognóstico, no entanto o mesmo sucedeu com a riqueza de detalhes com que foi anunciado, chamando o inadvertido ao verdadeiro despertar, que o fez autodoar-se até o momento final...

Prosseguindo-se em uma releitura do Evangelho de Jesus, o discurso está exarado sempre em advertências aos adormecidos, seja pelo sono fisiológico, seja pelo sono moral, seja pelo sono intelectual.

Destaque-se mais uma vez que, quando Jesus se encontrava em comunhão com Deus, pouco antes das humilhações a que seria submetido, por três vezes saiu de Si e foi visitar os companheiros que deveriam estar em vigília e todos dormiam, anestesiados pela indiferença ou pela inconsequência do seu estado de consciência. Convidados ao despertamento nas repetidas oportunidades, por fim foram deixados, porque já era tarde, não mais adiantava acordá-los.

O desafio do sono é muito grande, face ao largo período de permanência nas faixas primárias do processo da evolução, pelo qual passa o ser no seu crescimento espiritual.

O inconsciente está no comando das sensações e das emoções, deixando pouco espaço para a consciência, a lucidez dos atos. Não obstante, quando Jesus informou a Pedro sobre a negação e o cantar do galo, pôde-se inferir que o inconsciente estava representado pela figuração da ave que faz barulho, que desperta, e isso se daria somente quando o remorso lhe assomasse à lucidez invigilante.

O despertar é inadiável, porque liberta e concede autoridade para o discernimento. De tal forma se apresenta a capacidade de entender, que uma visão otimista e clara se torna a base do comportamento psicológico, portanto, do mecanismo íntimo para a aquisição da felicidade.

Essa realização não se dá somente quando tudo parece bem, mas sim quando sucedem ocorrências que são convencionalmente denominadas como infortúnios. Diante de tais fatos, em vez de haver uma revolta ou desespero, na serenidade do estar desperto, interroga-se: O que me está desejando dizer este fenômeno perturbador? Tratando-se de uma enfermidade, um desgaste físico, emocional ou psíquico, uma perda de valores amoedados ou de um trabalho, que é o sustento da existência, pergunta-se: Isto que me está acontecendo, que significado tem para o meu progresso? Qual ou quais as razões destas mensagens?

E penetrando-se com harmonia e sincero desejo de autodescobrir-se, de identificar o fator desequilibrante, a consciência identifica a causa real e trabalha-a, administrando a distonia profunda que se exterioriza na forma intranquilizadora.

Tal comportamento proporciona segurança, fixação no ideal, harmonia, equilíbrio.

Quando não está desperto, o indivíduo se transfere de uma para outra dependência, buscando guias e condutores que lhe diminuam o esforço para pensar, e passem a assumir responsabilidades que lhe dizem respeito.

No mergulho do Si nasce a coerência para com a vida e suas possibilidades, trabalhando pela libertação de todos os vínculos escravistas. Nem busca modelos pré-fabricados, nem formas unívocas que sirvam para todos. Cada ser possui as suas características e recursos, o que não estimula ao individualismo perverso, antes à aquisição da própria identidade. Não obstante, há um Guia e Modelo, cuja vida exemplar tem resistido a todos os vendavais do tempo e a todas as críticas ácidas quão demolidoras de muitos pensadores, que é Jesus, o verdadeiro divisor de águas da História.

Psicologicamente completo e desperto, tornou-se o maior exemplo de Consciência plena que se conhece no processo da evolução do ser, ensinando sem presunção, amando sem qualquer capricho, imolando-se sem qualquer mecanismo masoquista.

Portador de saúde por excelência, jamais se Lhe registrou qualquer tipo de distúrbio, como exaltação ou como depressão, mesmo nos momentos mais difíceis de uma trajetória assinalada pela incompreensão dos Seus coevos.

Simples e desataviado, Seu comportamento era otimista, rico de beleza e de ternura, demonstrando inequivocamente a Sua ascendência moral e intelectual.

Sempre desperto, Jesus é o exemplo máximo da conquista do Si.


Joanna de Ângelis








1- João, 11:11.
2- Romanos, 13:11.
3- Efésios, 5:14.
4- II Pedro, 1.13.
5- Mateus: 26:34.