segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 69 - Comunicações



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 69


Comunicações

 
“Amados, não creiais a todo Espírito, mas provai se os Espíritos são de Deus.” — (1 JOÃO, 4:1)


Os novos discípulos do Evangelho, em seus agrupamentos de intercâmbio com o mundo espiritual, quase sempre manifestam ansiedade em estabelecer claras e perfeitas comunicações com o Além.

Se muitas vezes aparecem fracassos, nesse particular, se as experimentações são falhas de êxito, é que, na maioria dos casos, o indagador obedece muito mais ao egoísmo próprio que ao imperativo edificante.

O propósito de exclusividade, nesse sentido, abre larga porta ao engano. Através dela, malfeitores com instrumentos nocivos podem penetrar o templo, de vez que o aprendiz cerrou os olhos ao horizonte das verdades eternas.

Bela e humana a dilatação dos laços de amor que unem o homem encarnado aos familiares que o precederam na jornada de Além-Túmulo, mas é inaceitável que o estudante obrigue quem lhe serviu de pai ou de irmão a interferir nas situações particulares que lhe dizem respeito.

Haverá sempre quem dispense luz nas assembleias de homens sinceros. O programa de semelhante assistência, contudo, não pode ser substancialmente organizado pelas criaturas, muita vez inscientes das necessidades próprias. Em virtude disso, recomendou o apóstolo que o discípulo atente, não para quem fale, mas para a essência das palavras, a fim de certificar-se se o visitante vem de Deus.


Emmanuel













Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5 - Conviver e Ser - A coragem de prosseguir em qualquer circunstância



Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5 - Conviver e Ser


A coragem de prosseguir em qualquer circunstância


A existência humana pode ser comparada ao curso de um rio que busca o mar. A sua nascente com aparente insignificância, não, poucas vezes, vai formando singelo curso que aumenta de volume à medida que recebe a contribuição de afluentes, vencendo obstáculos, arrastando-os, seguindo a fatalidade que o aguarda, que é o mar ou o oceano...

As experiências da aprendizagem que ampliam a capacidade interior do discernimento e do conhecimento, constituem afluentes que favorecem o crescimento individual do ser humano, à medida que surgem dificuldades e problemas que não podem parar o fluxo. A força do seu volume, em forma de amadurecimento psicológico, proporciona a capacidade para superar os impedimentos de toda ordem que são encontrados pela frente.

Toda ascensão exige sacrifícios. O tombo no rumo do abismo é quase normal, em face da lei da gravidade moral, enquanto que a elevação interior, a coragem de descer ao íntimo para subir ao entendimento, constitui um dos desafios existenciais mais complexos, em face do hábito resultante da acomodação em torno do já experienciado, do já conhecido, sem a aspiração impulsionadora para romper com a rotina e superar o estado de modorra em que se demora.

A busca e preservação da saúde é meta que deve priorizar, dando sentido psicológico à existência.

Desse modo, as perdas impõem a necessidade urgente do encontro mediante os riscos naturais que toda viagem heroica exige.

Mede-se a estrutura moral da criatura não somente pelos êxitos alcançados, mas pelo empenho no prosseguimento das lutas desafiadoras, ferramentas únicas responsáveis pelo crescimento ético-moral e espiritual ao alcance da vida.

A busca do Cristo interior, nesse cometimento assume um papel de relevante importância, que é o esforço pela conquista da superconsciência. Quando se consegue essa integração com o ego, alcança-se a individuação.

Conceituou-se, por muito tempo, que a saúde seria a falta de enfermidade, e que os indivíduos portadores desse requisito eram mais bem aquinhoados que os demais.

Constatou-se, porém, através das experiências, que a saúde não é apenas o efeito da harmonia orgânica, da lucidez mental e da satisfação psicológica, porque outros fatores, como os de natureza socioeconômica, desempenham também importante papel na sua conquista e preservação.

Enquanto se movimenta na argamassa celular o Espírito estará sempre defrontando as consequências das suas realizações passadas, que lhe impõem compromissos reparadores quando se equivocou, e estímulos de crescimento quando se manteve dentro dos padrões do equilíbrio e do dever.

A harmonia, portanto, que deve existir entre todos os fatores, nem sempre ocorre de maneira perceptível, apresentando-se em formas variadas de achaques, de melancolias, de estresses, todos temporários, sem que se constituam problemas perturbadores, transtornos na área da saúde.

Pode-se estar saudável, embora portando-se disfunções orgânicas ou doenças em tratamento...

O equilíbrio da emoção responde pelo comportamento enquanto se manifestam os fenômenos das alterações celulares, das transformações que se operam em quase todos os órgãos como resultado do seu funcionamento, das agressões internas e externas, sem que afetem o bem-estar geral que deve ser mantido.

Outras vezes, instabilidades emocionais defluentes de expectativas naturais do processo de crescimento, preocupações em torno das necessidades que constituem o mapa da conduta social, aspirações idealísticas, dores morais internas, insatisfações com alguns resultados de empreendimentos não exitosos, contribuem para a ansiedade, porém sob controle da mente administradora, que prossegue estimulando a produção das monoaminas responsáveis pela alegria, pela felicidade: dopamina, crotonina, noradrenalina...

O vento que vergasta o vegetal dá-lhe também resistência e vigor.

De igual maneira, os fenômenos, às vezes, desagradáveis, que têm curso durante a jornada humana, contribuem para vitalizar os sentimentos e fortalecer a coragem, proporcionando valores dignificantes.

Ninguém, que se movimentando no corpo físico, não esteja sujeito a tropeços e quedas, de igual maneira, ao soerguimento e à continuação da marcha.

Como elemento vitalizador da luta evolutiva, o amor é de primacial importância, mesmo quando proporciona preocupações e desencantos. É natural que se ame desejando algum retorno, em face da precariedade dos sentimentos ainda não desenvolvidos.

Ideal, no entanto, será que o amor se manifeste como efeito da alegria de viver e de expandir as emoções, os regozijos de que a pessoa se sente possuída, por descobrir esse dom precioso - a dracma perdida no desconhecimento - que é muito mais benéfico para quem o possui.

O conceito, entretanto, vigente em torno do amor, é que ele aprisiona, reduz a capacidade de entendimento em torno dos valores da vida, elege ídolos de pés de barro que não suportam o peso da própria jactância e arrebentam-se, destruindo o herói. O medo de amar ainda encarcera muitas mentes e corações que se estiolam a distância, fugindo desse impulso de vida que é vida.

No entanto, somente através do amor, isto é, a serviço dele, é que se estruturam os ideais edificantes e enobrecedores da sociedade. Não é o amor que aprisiona, senão a insegurança do indivíduo que transfere para outrem os seus medos, as suas inquietações, as suas ansiedades, aguardando tê-los resolvidos sem o esforço que se faz exigido para tanto.

Quando se estabelece o sentimento de respeito e de amizade entre duas ou várias pessoas, há um enriquecimento interior muito grande porque o ego se expande, dilui-se, e o sentimento da fraternidade solidária alcança o Self, proporcionando o bem-estar, no qual o indivíduo sente-se realizado, operando cada vez mais em favor do grupo, sem olvido de si mesmo.

Nesse expandir do sentimento afetivo, há valorização sem exorbitância do Si-mesmo, que passa a merecer consideração emocional, libertando-se das traves que lhe impedem o desenvolvimento. Quanto mais se ama, muito mais se ampliam os seus horizontes afetivos.

É através do amor que a Divindade penetra a consciência humana, por meio dos seus desdobramentos em forma de interesse pelo próximo, pela vida, do labor em favor de melhores condições para todos, incluindo o planeta ora quase exaurido...

Esse Deus está muito além da superada manifestação antropomórfica, sendo a inteligência suprema e a causa primeira do Universo. Não necessita de qualquer tipo de culto externo, de manifestações formais, das celebrações que deslumbram, dos comportamentos extravagantes... Deus encontra-se na atmosfera, que é fonte de vida, nutrindo tudo quanto existe, mas também nos ideais, e mais além, em toda parte, nos sacrifícios, na abnegação de santos e de mártires, de cientistas e de trabalhadores, de intelectuais e de idiotas, em todas e quaisquer expressões de vida, desde o protoplasma ao complexo humano. É através d'Ele que se alcança o processo de individuação.

Supõe-se que a individuação irá ocorrer somente por meio dos momentos exitosos, das vitórias sobre a sombra, da autoconsciência conseguida. Sem dúvida, que assim ocorre, mas também, nesse processo de individuação, surgem períodos muito difíceis, que são defluentes das alterações orgânicas, em face do avanço da idade, de conjunturas psicológicas, algumas delas afugentes, de inquietações mentais, no entanto, instrumentos hábeis para o amadurecimento interior, para a visão correta em torno da existência, para o trabalho de autoburilamento.

A individuação não é uma conquista fácil, tranquila, mas resultante de esforços contínuos, devendo passar, às vezes, por fases de sacrifícios e de renúncias.

Ninguém consegue uma vida de bem-estar sem o imposto exigido em forma de contínuas doações de dor e de coragem, enfrentando todas as situações com estoicismo, sem queixas, porque, à semelhança de quem galga uma elevação, à medida que se esforça para consegui-lo, beneficia-se do ar puro, do melhor oxigênio.

A individuação é o oxigênio puro de manutenção do ser.

A conquista desse estado numinoso pode ser comparada a uma forma nova de religiosidade, na qual se consegue a harmonia entre a vida na Terra e no céu.

Anteriormente, por não existir a psicologia analítica, a religião albergava todas as necessidades humanas e a confissão auricular produzia um efeito psicoterápico na liberação da culpa, mantendo, no entanto, irresponsável o indivíduo, que achava muito fácil errar e ser perdoado, ferir e ser desculpado, sem realizar o processo de autoiluminação.

Graças, porém, à visão nova de Jung, os mitos religiosos podem ser substituídos pelos arquétipos e os conflitos, ao invés de recalcados e desculpados, devem merecer catarse, diluição, enfrentamento e reparação dos danos que hajam causado.

São os arquivos do inconsciente que conduzem o indivíduo e não o seu ego sujeito às alternativas dos interesses imediatos.

Nesse arquivo grandioso do Espírito, o ego pode e deve manter diálogos com o Self para tomar conhecimento lúcido dos seus conteúdos e melhor conduzir os equipamentos de que dispõe na sua proposta de vida.

É identificando o erro que se aprende a melhor maneira de não o repetir. O que denominamos como erro, no entanto, trata-se de uma experiência incorreta, aquela que ensina a como não mais proceder dentro dos seus parâmetros, terminando por ser valiosa contribuição à evolução.

O ser humano, portanto, é algo maior do que as expressões exteriores, os êxitos momentâneos, constituindo-se de toda a sua história que registra insucessos e vitórias, tristezas e alegrias, produzindo-lhe o equilíbrio que o segura e mantém no rumo certo.

O pastor que resgata a ovelha perdida, torna-se mais vigilante em relação à mesma, assim como às demais, evitando-se excesso de confiança, porque, à medida que o rebanho avança, existem desvios e abismos perigosos...

Ante a ovelha que foge, a atitude do pastor é o socorro maternal, nada obstante, às vezes, o animal rebelde liberta-se dos braços protetores e novamente desaparece, optando pelo desvão no qual se oculta... Em tal situação, em seu benefício, o pegureiro assume o seu animus e, vigoroso, aplica-lhe o cajado ou atiça-lhe o cão, encaminhando-o de volta ao aprisco.

É, portanto, inadiável o dever de prosseguir-se no compromisso relevante sob qualquer custo, seja qual for a circunstância em que se apresente.

A insistência de que se dá provas, quando se optando pela situação doentia, pelas sinuosidades do comportamento sem responsabilidade, propele a consciência - o pastor vigilante - a impor sofrimentos que se encarregam de apontar o rumo correto, de encontrar-se o que se está extraviando ou foi deixado na retaguarda...

O ocidental acostumou-se com os limites da emoção e adaptou-se aos prazeres da sensação de tal modo, que tudo aquilo que o convida à inversão desse comportamento parece-lhe de difícil aplicação e, por tal razão, evita viver a proposta de olhar para si mesmo, para dentro, de autopenetrar-se para descobrir os incomparáveis tesouros da alegria íntima, da vivência elevada, sem cansaço, sem ansiedades nem expectativas. Esse esforço é realizado somente quando não tem outra alternativa e quando apresenta cansaço em torno do conhecido gozo dos sentidos.

É necessário passar por todas essas experiências, experimentar dificuldades e acertos, sofrer perseguições e ser eleito, porque tudo isso faz parte da constituição arquetípica da evolução, e ninguém pode vivenciar um estágio sem passar pelo outro.

Essas necessárias capacitações desenvolvem os sentimentos, aprimoram a visão em torno da vida, amadurecem o ser psicologicamente, trabalhando-lhe o Self, a fim de que os seus valores profundos abram-se em benefício da individuação.

Normalmente as criaturas queixam-se das cruzes que carregam e as fazem sofrer, parecendo-lhes injusto ter que as conduzir com dificuldades, vivendo em situações difíceis e ásperas. De alguma forma, o conceito e peso da cruz estão muito vinculados ao complexo da infância que se encarregou de dar a visão do mundo. De acordo com a educação recebida a criança passa a ter conceitos da existência que são herdados dos pais. Por essa razão, para alguns, o que constitui fardo, para outros é aprendizado valioso.

A pessoa deve aprender desde cedo a enfrentar os fenômenos existenciais como parte do seu programa evolutivo, o que equivale significar que, se dando conta da própria sombra não a deve transferir para outrem, mas cuidar de diluí-la, mediante a compreensão das ocorrências. A sombra tem uma vestidura moral em contínuo confronto com a personalidade-ego, exigindo, por isso mesmo, o grande esforço de igual magnitude moral, para conscientizar-se, compreendendo e aceitando os fenômenos perturbadores que lhe ocorrem como inevitáveis.

A maioria, no entanto, não a aceita como inerente, elemento constitutivo de todos os seres, portanto, presente em todas as vidas.

Rejeitar ou ignorar a sombra é candidatar-se a conflitos contínuos que poderiam ser evitados, caso se reconhecesse a ocorrência desse fenômeno próprio do ser humano. Ela faz parte do ser, de igual forma como o ego, o Self e todos os demais arquétipos, que são as heranças do largo trânsito da evolução.

Na história mítica da Criação, quando Adão comeu o fruto que lhe foi oferecido por Eva, teve que enfrentar a realidade da sua e da nudez em que ela se encontrava, reagindo automaticamente, procurando um arbusto para esconder-se, quando lhe surgiu o discernimento do ético, do bem e do mal, da malícia e do desejo, resultando nessa fissão da psique, o anjo e o demônio, cuja harmonia deve ser conseguida através do enfrentamento de ambos, num processo psicoterapêutico de consciência lúcida.

De igual maneira, a sombra que dali procedeu permanece no complexo psicológico do ser exercendo o seu papel como herança ancestral do conflito inicial.

A inocência bíblica das duas personagens é referencial mítico para ocultar as funções edificantes da sexualidade, que a castração religiosa considerou como manifestação de inferioridade e de tormento.

A semelhança de outro órgão, o sexo tem as suas exigências que devem ser atendidas com a dignidade e o respeito que lhe são pertinentes. Quando o indivíduo se permitiu a corrupção de qualquer natureza, ei-la refletindo-se também no comportamento sexual, que se torna válvula de escape para a fuga da responsabilidade moral.

Desse modo, os desafios da sombra merecem observação carinhosa a fim de conseguir-se a sua integração no Self, não mais separando o indivíduo do ser divino que ele carrega no íntimo.


Joanna de Ângelis




















Batuíra - Livro Escultores de Almas - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 2 - Cooperação encadeada



Batuíra - Livro Escultores de Almas - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 2


Cooperação encadeada


No tema do aperfeiçoamento, imaginai a Terra na condição de grande pirâmide. Os conhecimentos edificantes descem do ápice para a base, espalhando-se a benefício de todos.

Se já aceitastes a imortalidade da vida e se percebeis a Presença Divina, em todos os recantos da Natureza, propiciando-vos os ingredientes que se vos fazem necessários à evolução, sois chamados a disseminar os valores espirituais a que nos referimos.

Nomeados para auxiliar aos nossos companheiros que ainda se desorientam nas sombras da retaguarda, aceitai os vossos encargos com alegria.

Sendo nós, — amigos desencarnados, — os trabalhadores que recolhem do Mais Alto os ensinamentos que nos são confiados, sois naturalmente os intérpretes da nossa tarefa, com a obrigação de comunicar aos outros, especialmente aos irmãos que se demoram em cegueira espiritual, os conhecimentos que nos impulsionarão para os cimos da vida.

Somos filtros das ideias e lições dos missionários de revelações maiores, enquanto sois os filtros, ao nosso dispor, na obra do auxílio espiritual a milhões de criaturas.

Não vos surpreendais, nem vos assusteis, porque o servidor fiel será sempre digno da assistência que necessite receber.

Iniciai a vossa realização, alijando da própria alma os resquícios de quaisquer sentimentos que vos desunam, entendendo que a união ser-vos-á de harmonia e força.

Não se vos pede sacrifícios para os quais já se sabe que não sois capazes.

Sobretudo, compreendei e amai sempre, transmitindo os vossos recursos de amor a todos os seres da Criação.

Inútil esperar milagres que a lei de sequência não sanciona.

Tantos quanto nós, os companheiros desencarnados que vos assistem, estamos encarregados de abrir caminho para a sublimação, todos estais convocados para o serviço de auxílio aos irmãos que nos acompanham a trajetória à busca do conhecimento libertador.

Convencei-vos, quanto a isso e trabalhai amando, quanto puderdes, sabendo sempre que os anjos não virão ao mundo para servir em nosso lugar.


Batuíra








Fonte: 

domingo, 16 de agosto de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Alegria de Viver - Divaldo Pereira Franco - Cap. 6 - A força de Deus



Joanna de Ângelis - Livro Alegria de Viver - Divaldo Pereira Franco - Cap. 6


A força de Deus


“Bem-aventurados os pacíficos; porque eles serão chamados filhos de Deus.” — (MATEUS, 5:9)

Para onde te voltes, Deus é a Presença única, total, pulsante, e é o Poder real, permanente, inigualável, que atua sem cessar.

Tudo vibra e se movimenta graças à Sua força, ao impulso inicial, que dele procede.

É imperioso abrires conscientemente a mente e o coração a essa energia, a fim de te deixares penetrar, adquirindo os recursos que dela fluem e assim tornando-te usina reguladora, a irradiar em todas as direções.

Ao fazê-lo, envolverás os demais indivíduos em bênçãos, modificando a estrutura ambiental e os enriquecendo de valores insuperáveis.

O medo e a dúvida, a mágoa e a insensatez cederão lugar à confiança e à coragem, abrindo espaço para os logros elevados do Espírito eterno.

Se adotas pensamentos de depressão ou de violência, de inarmonia ou escassez neste ambiente repleto de vida, isolas-te, alienando-te do Poder de Deus e buscando a fraqueza de ti mesmo. Todavia, se te permites impregnar pela pujança da sua vitalidade, essa paz segue em tua direção e te envolve em sucessivas ondas que te resguardam das agressões e hostilidades de fora, que jamais te alcançarão.

O puro amor paira no ambiente onde vives.

O bem prevalece no germe de todas as coisas, aguardando os fatores propiciatórios ao seu desabrochar.

A vida soberana e sem jaça manifesta-se em toda parte e predomina no cerne da tua mente e do teu corpo, esperando a tua anuência, a fim de se agigantar-se.

Essa Presença aguarda por ti e inclui todo o bem de que possas necessitar.

Dócil a esse contágio, não sofrerás mais, porque te recarregarás de júbilo e de força, a cada momento, participando do universo da permuta vital.

És vida e participas da vida plena.

Habitua-te ao banquete da felicidade, apagando da memória as impressões mutiladoras e carregadas da sombra gerada pelo pessimismo.

Abre os braços à ação e cresce na direção do Infinito.

O pedregulho e o espinho no solo chamam-te a atenção para a marcha, porém os astros na abóboda refulgente convidam-te ao crescimento e à glória da amplidão.

Estás no ambiente de Deus, que te enseja prosperidade e alegria.

Possuis todas as qualidades indispensáveis para o êxito, pois que, de Deus provém tudo o que se manifesta em ti e em teu mundo.

A força de Deus estará contigo sempre e te dará descanso.


Joanna de Ângelis














Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. IV - João Nunes Maia - Cap. 11 - Libertação da Alma



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. IV - João Nunes Maia - Cap. 11


Libertação da Alma


164. A perturbação que se segue à separação da alma e do corpo é do mesmo grau e da mesma duração para todos os Espíritos?

“Não; depende da elevação de cada um. Aquele que já está purificado, se reconhece quase imediatamente, pois que se libertou da matéria antes que cessasse a vida do corpo, enquanto que o homem carnal, aquele cuja consciência ainda não está pura, guarda por muito mais tempo a impressão da matéria.”


A separação da alma do corpo, quando nesse se extingue a força vital, nunca ocorre da mesma maneira. A diversidade é infinita, do mesmo modo que as folhas das árvores não são iguais nos seus detalhes. Cada desencarnação tem suas nuances próprias. Como já foi dito, há Espíritos que levam minutos afrouxando e desatando os laços ao corpo, e outros que levam até séculos, ficando ligados aos ossos, permanecendo na ilusão de que ainda estão vivos no corpo físico.

Podemos mostrar, como exemplos, os grandes missionários do Cristo que, mesmo reencarnados, já vivem em Espírito e não têm dificuldade alguma em se separarem do fardo corporal para entrarem na vida espiritual, por já viverem nela. Quase sempre, eles mesmos desatam seus próprios laços, atados por eles mesmos, ao ingressarem na carne.

A separação é de conformidade com a pureza da alma; gasta mais ou menos tempo, e a redução do tempo está, por assim dizer, nas próprias mãos de cada um. É conquista da alma. A Doutrina dos Espíritos, desde os seus primórdios, sob a orientação dos Espíritos Superiores, vem cooperando para que os homens despertem, no sentido de trabalharem no autoaprimoramento, e ganharem essa bênção da consciência imediata ao atravessar o túmulo. Quem deseja ficar na perturbação espiritual? Todos buscam a libertação, mas, poucos sabem procurá-la pelos caminhos certos.

A vida é uma eterna escola, para educar sempre pelos métodos que Deus determinou, em variados cambiantes das leis espirituais. Também não há pressa para o cumprimento das leis; sabe Deus da sua sequência sem interrupção e abençoa sempre, amando tudo e a todos com o mesmo calor.

Concitamos os homens que aprendem a orar, que não esqueçam do autoaprimorado, que lutem todos os dias para viverem bem com o próximo, de sorte a ganhar consciência da vida, e ganhar vida na consciência. “O Livro dos Espíritos”, no qual estamos nos inspirando para conversar com os homens, deve ser lido e meditado, pois ele é fonte de muitas instruções, revelando leis que estavam encobertas e que tenham o poder de nos livrar de embaraços aos quais a ignorância nos prende.

Se ainda não começaste a pensar sobre a tua vida e sobre como viver melhor, começa agora, que chegarás à conclusão de que deves viver em conjunto e paz com todos, trabalhando e ajudando onde quer que seja, porque toda luz nasce no seio de todos os esforços que se reúnem.

A morte do corpo, todos já bem o sabem, é fato natural, mas, nunca é aceita como tal, por se esquecer de estudar esse fenômeno à luz do coração. Sempre se deixa para depois, e o tempo vai passando, levando a própria felicidade de cada um. Eis que chegou o momento desse estudo transcendental. De estudar aquilo que chamam de morte, para que se possa descobrir a vida eterna que acena para todos, das profundezas do universo pelas mãos luminosas de Deus.


Miramez















Emmanuel - Livro A Semente de Mostarda - Chico Xavier - Cap. 8 - Aprendiz e instrutor



Emmanuel - Livro A Semente de Mostarda - Chico Xavier - Cap. 8


Aprendiz e instrutor


O rapaz cumprimentou o Instrutor e comunicou, espantadiço:

— Professor, não posso aceitar a sua designação para que eu seja o monitor de minha turma.

Por quê? — Indagou o educador, desapontado.

— Meditei bastante e reconheci que não tenho condições para o cargo… Minhas imperfeições são maiores do que o meu desejo de servir…

— Imperfeições? Quem não as terá neste mundo? Que ideia estranha é a sua!… Se é no trabalho que liquidaremos nossos defeitos e sanaremos os nossos erros, foge você do remédio capaz de aperfeiçoar-nos?

— Eu queria possuir qualidades positivas para exaltar o bem.

— Diga-me. Quais são essas qualidades?

O jovem explicou-se, acanhado:

— Aspiro a trazer comigo os traços de Jesus; afinal, é meu sonho transformar-me num brilhante lapidado e puro, a fim de refletir a grandeza do Divino Mestre!…

— Ah! — falou o Mentor surpreendido! — Compreendo, compreendo…

E fixando no aprendiz os olhos penetrantes, rematou:

— No entanto, não se esqueça você de que o brilhante formou-se do carvão considerado desprezível… Por milênios e milênios sofreu o peso do solo e dos detritos que oprimiam, acabando por asilar-se numa cascalheira por tempo longo… Por fim, rudemente ferido, pelos instrumentos do burilador, veio a ser a joia preciosa…

O diálogo terminou e entendemos que não é preciso dizer que no dia seguinte o rapaz ostentava na lapela o distintivo do monitor em ação, junto de extensa turma dos colegas que lhe dedicavam justa e constante admiração…


Emmanuel














Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 24 - Alegas



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 24


Alegas


16. Como pode um homem aperfeiçoar-se mediante o ensino dos Espíritos, quando não tem, nem por si mesmo, nem com o auxílio de outros médiuns, os meios de receber de modo direto esse ensinamento?

“Não tem ele os livros, como tem o cristão o Evangelho? Para praticar a moral de Jesus, não é preciso que o cristão tenha ouvido as palavras ao lhe saírem da boca.” (O Livro dos Médiuns - Cap. 17 - Questão n.º 220) 


Alegas descrença da vida celestial por ausência da comprovação que supões adequada, e viajas, ante a glória do firmamento, num gigantesco engenho cósmico de nome “Terra”, a girar sobre si mesmo, com imensa velocidade, em torno do Sol, e não pensas nisso.

Alegas que não compreendes como possam surgir irradiações do Espírito, e te equilibras, cada dia, sob a luz solar que se expande na imensidão do Espaço, a trezentos mil quilômetros por segundo, sem que lhe abordes a estrutura mais íntima.

Alegas que não ouves a voz das inteligências desencarnadas, e moras num reino de ondas, de que as maiores estações emissoras dosam apenas ínfima porção, transformando em sons articulados o que te parece solidão e silêncio.

Alegas que ninguém te explica por que processo se alimentam as almas, com os fluidos sutis, e vives no oceano aéreo, nutrindo-te em maior grau dos recursos imponderáveis da Natureza.

Alegas que a existência humana, fora da matéria física, é inaceitável por tornar-se invisível; entretanto, quanta coisa invisível consideras real!

Alegas a impossibilidade da materialização transitória dos amigos que já transpuseram as fronteiras do túmulo, e, apesar das notáveis observações da genética, desconheces como nasceste entre as formas carnais, tanto quanto ignoras os processos por que te desenvolves.

Não te lamentes, porém, quanto à falta de elementos mediúnicos para o levantamento das boas obras.

Não te condiciones a informes alheios para ajudar.

Todos possuímos vasta provisão de sementes e luzes do Conhecimento Superior e estamos convictos de que fomos chamados para servir.

O que Jesus ensinou, há quase dois milênios, tem força de verdade para todos os séculos, e a mensagem desse ou daquele arauto do Evangelho, aos ouvidos de alguém, é lição para todos nós.

Importa, acima de tudo, estender o bem, entendendo-se que o bem verdadeiro será sempre o bem que façamos aos outros.

Toma alguns grãos de trigo, achados na rua, a esmo… Não sabes de onde vieram, no entanto, se resolves plantá-los, inda hoje, com respeito e carinho, em breve as leis de Deus, sem que as vejas agindo, deles farão no solo, em teu próprio favor, vasto e belo trigal.


Emmanuel










Reunião pública de 25-3-1960.