terça-feira, 5 de maio de 2026

André Luiz - Livro Opinião Espírita - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 37 - Divulgação espírita



André Luiz - Livro Opinião Espírita - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 37


Divulgação espírita


"Foi Ananias e entrou na casa, e pondo as mãos sobre ele, disse: Saulo irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo." (Atos 9:17)

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura." (Marcos, 16:15)

"Ninguém acende uma candeia para pô-la debaixo do alqueire; põe-na, ao contrário, sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa." — Mateus, 5:15 (E.S.E. - Cap. 24 - It. 1)


Há companheiros que se dizem contrários à divulgação espírita.

Julgam vaidade o propósito de se lhe exaltar os méritos e agradecer os benefícios nas iniciativas de caráter público.

Para eles, o Espiritismo fala por si e caminhará por si.

Estão certos nessa convicção mas isso não nos invalida o dever de colaborar na extensão do conhecimento espírita com o devotamento que a boa semente merece do lavrador.

O ensino exige recintos para o magistério.

O Espiritismo deve ser apresentado por seus profitentes em sessões públicas.

A cultura reclama publicações.

O Espiritismo tem a sua alavanca de expansão no livro que lhe expõe os postulados.

A arte pede representações.

O Espiritismo não dispensa as obras que lhe exponham a grandeza.

A indústria requisita produção que lhe demonstre o valor.

O Espiritismo possui a sua maior força nas realizações e no exemplo dos seus seguidores, em cujo rendimento para o bem comum se lhe define a excelência.

Não podemos relaxar a educação espírita, desprezando os instrumentos da divulgação de que dispomos a fim de estendê-la e honorificá-la.

Allan Kardec começou o trabalho doutrinário publicando as obras da Codificação e instituindo uma sociedade promotora de reuniões e palestras públicas, uma revista e uma livraria para a difusão inicial da Revelação Nova.

Mas não é só.

Que Jesus estimou a publicidade, não para si mesmo, mas para o Evangelho, é afirmação que não sofre dúvida.

Para isso, encetou a sua obra aliciando doze agentes respeitáveis para lhe veicularem os ensinamentos e ele próprio fundou o cristianismo através de assembleias públicas. O “ide e pregai” nasceu-lhe da palavra recamada de luz.

E compreendendo que a Boa Nova estava ameaçada pela influência judaizante em vista da comunidade apostólica confinar-se de modo extremo aos preceitos do Velho Testamento, após regressar às Esferas Superiores, comunicou-se numa estrada vulgar, chamando Paulo de Tarso para publicar-lhe os princípios junto à gentilidade a que Jerusalém jamais se abria.

Visto isso, não sabemos como estar no Espiritismo sem falar nele ou, em outras palavras, se quisermos preservar o Espiritismo e renovar-lhe às energias, a benefício do mundo, é necessário compreender-lhe as finalidades de escola e toda escola para cumprir o seu papel precisa divulgar.


André Luiz













Vianna de Carvalho - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo Pereira Franco - Cap. 46 - O destino



Vianna de Carvalho - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo Pereira Franco - Cap. 46


O destino


Examinado pelas diferentes escolas de pensamento através dos tempos, o destino vem recebendo complexas contribuições, conforme a estrutura filosófica de cada uma delas.

Na Mitologia grega, afirmava-se que o Destino é uma fatalidade imposta por Zeus, inevitável, portanto personificado, e graças às suas características, ora partia do deus máximo ou com ele se confundia, sendo representado conforme a sua expressão por deidades diferentes, às vezes ao próprio Destino todos eram submetidos.

Platão estabeleceu no destino uma causalidade de natureza metafísica que se manifesta na existência humana como efeito de uma predeterminação.

A escola estóica assim como a cínica, pelas suas raízes materialistas, propunham razões fatalistas, irrevogáveis, que afetavam as criaturas que se lhe deviam submeter com coragem, conforme a primeira ou com indiferença zombeteira, na opinião da última.

Com o surgimento do Cristianismo se apresentou o conceito da Providência Divina, estabelecendo as linhas de comportamento definidas para a sujeição do ser humano que, face à aceitação ou rebeldia das suas injunções, seria feliz ou desgraçado, num desenho antecipado do destino final no Céu ou no Inferno.

A interpretação teológica do pensamento de Jesus sofreu alterações através dos séculos, dando lugar ao aparecimento das doutrinas da graça — com predestinação para a felicidade eterna de alguns eleitos, em detrimento da maioria; da indulgência — como recurso de reparação dos arrependidos e piedosos; — e outras que desencadearam reações violentas, pela estultice e absurdo de que se constituíam.

A doutrina da unicidade das existências corporais sempre enfrentou dificuldades intransponíveis para explicar com lucidez as diferenças dos destinos das criaturas terrestres.

A mesma Energia Geradora de Vida e de Inteligência, por qual sortilégio ou para qual terrível propósito, criaria pessoas ditosas e infelizes, umas saudáveis e outras enfermas, algumas belas e diversas horrendas, inteligentes e idiotas amadas e as demais odiadas, estas generosas e as outras perversas e ímpias, os seres portadores de valores múltiplos e tantos mais sem qualquer atributo, desprezados, miseráveis?...

Como gerar uma sociedade tão diferente, com a mesma procedência, concedendo brilho e plenitude a uma minoria, e sombra, ignorância, carência à maioria predominante?

Ademais, em consequência da jornada terrestre, como condenar todos, irrevogavelmente, alguns às bênçãos, e a quase totalidade ao degredo, às desgraças?

Somente a reencarnação faculta a perfeita compreensão e a plena justiça em torno do destino dos seres.

Todos são criados puros, simples, ignorantes, com as mesmas possibilidades em germe, estimulados a desenvolver esses recursos latentes mediante o esforço e a opção pessoal.

Ninguém, ho entanto, que esteja fadado à destruição, ao infortúnio, ao nsofrimento eterno. A experiência terrestre constitui-lhes mecanismo propiciador de aprendizagem, de desenvolvimento dos potenciais que lhes dormem no íntimo, aguardando as condições para o despertar e o desenvolver.

As diferenças que se apresentam entre os seres decorrem da maturidade de cada um, lograda a esforço próprio, ou da maioridade espiritual, como ser peregrino da vastidão evolutiva há mais tempo crescendo que outros, ainda titubeantes, que também alcançarão os momentos culminantes.

Compatível com a sabedoria e o amor de Deus, a reencamação é o instrumento que trabalha o destino, graças à conduta de cada qual que, em se esforçando, apressa a marcha e conquista os tesouros que nele jaz, podendo utilizá-los com eficiência para incessante burilamento e iluminação.

O destino, portanto, é o resumo das ações antes praticadas, que propiciam os acontecimentos a se sucederem na marcha de ascensão que todos os espíritos percorrem, desde o átomo até o anjo.

Quando a astúcia e a fraude, o crime e o engodo tentam burlar os imperativos da Lei que favorece o destino, o infrator defronta adiante acontecimentos inesperados que o reconduzem à trilha abandonada, impondo-lhe a aceitação dos efeitos dos atos que desejou anular.

Por isso, os comportamentos ignóbeis, as façanhas da arbitrariedade, as malhas tecidas pela sordidez, jamais logram propiciar felicidade real, não indo além de fenômenos de alegrias e triunfos fugazes que a realidade coarcta e modifica.

Ninguém foge de si mesmo, do seu destino, que elabora em cada pensamento, palavra e gesto, alterando a panorâmica da vida a cada instante, conforme a diretriz que se imponha.

O destino bifurca-se no determinismo — nascer, viver e morrer — e no livre-arbítrio. Conforme o comportamento que o homem se permita, a felicidade ou o sofrimento — como fanal escolhido — estará aguardando o viajante da evolução.

Com o Espiritismo, as luzes da reencarnação propõem a utilização sábia e coerente de cada momento da existência corporal, resgatando das sombras da ignorância o destino ditoso que é a meta fascinante que brilha a frente para todos.


Vianna de Carvalho












Emmanuel - Livro Deus Conosco - Chico Xavier - Cap. 6 - Contai com a nossa sincera e esforçada proteção



Emmanuel - Livro Deus Conosco - Chico Xavier - Cap. 6


Contai com a nossa sincera e esforçada proteção


Amigos, não desejo perder a oportunidade para dirigir-vos algumas poucas palavras. Que o Céu vos fortifique dentro dos vossos labores, abençoando as vossas atividades. 

Muita calma e serenidade ainda constituem hoje o meu reiterado apelo. Preferi, em todas as circunstâncias, a serenidade das vossas consciências. 

Não vos preocupeis com as calúnias, as animosidades gratuitas que vindes encontrando. Existem criaturas que se sentem à vontade e jubilosas cumprindo funções ingratas que, aqui, preferem dar um caráter inquisitorial. 

Contai com a nossa obscura, mas sincera e esforçada proteção. Deus é quem nos julga e, portanto, abstende-vos de penetrar em demasia no caminho às vezes enlameado a que a Terra costuma nos abrigar, quando passamos por seus caminhos.

Esquecei, todos, os que sentem prazer dentro desses absurdos de ordem moral e contemplai, de pensamento claro, a visão das coisas superiores. Só assim conseguiremos vencer. A Deus elevamos a nossa prece, implorando a Sua bênção para os vossos lares e para os vossos corações.


Emmanuel










20/11/1935

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 9 - João Nunes Maia - Cap. 19 - Fluído magnético



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 9 - João Nunes Maia - Cap. 19


Fluído magnético


427. De que natureza é o agente que se chama fluido magnético?

“Fluido vital, eletricidade animalizada, que são modificações do fluido universal.” (O Livro dos Espíritos) 


A escala dos fluidos é inumerável na extensão infinita do universo. Pouco se sabe a respeito dessa ciência divina. Eles são transformações do fluido universal ou, como se pode chamá-lo, éter cósmico, hálito divino, energia KI, e muitos outros nomes dados por variados povos. Entretanto, é a mesma bênção de Deus que se transforma, pelo amor, em substâncias diferentes.

Na pauta do trabalho com os homens e mesmo com os Espíritos livres da matéria, esse hálito de Deus se transmuta em magnetismo, sujeito à impressão que os sentimentos possam nele imprimir, para o bem ou para o mal.

O éter cósmico passa a ser, na atmosfera da Terra, o éter físico, e depois torna-se eletricidade, força vital, etc. Ainda pode transformar-se em outros agentes sensíveis para trabalhos que requerem muito cuidado, na sustentação dos ideais, que os Espíritos superiores sabem comandar. A mente é o comandante de todas essas energias sublimes e, quando adestrada no bem comum, faz maravilhas. Podemos exercitar esses tesouros de vida, através do conhecimento do Evangelho de Jesus, código da mais elevada posição, onde todos nós devemos beber as instruções, no sentido de lidarmos com essas forças virgens do universo de Deus.

A força primitiva da vida existe em Deus. Ao saírem do Senhor, recebem modulações diversas, dependendo do caráter da sua missão, na Terra ou em outros mundos. Assim como existe um só Deus, a matéria primitiva é um só elemento, com a qual o amor do Pai Celestial faz maravilhas, onde as grandes almas bebem o néctar da vida mais ativa, fazendo-se luz em todos os recantos da criação.

Somos todos nós revestidos de fluidos, de acordo com a nossa elevação espiritual. Se queremos melhorar nossos fluidos, melhoremos a nossa conduta. As modificações interiores são capazes de gerar as mudanças externas, que mostram aquela operação interna. Com um toque das mãos, Jesus faz maravilhas, porque essa mão pode carregar-se de magnetismo divino, misturando-se com a força animal. Sendo transmitida com amor, ela restabelece corpos estragados e faz levantar caídos, dar vista aos cegos e vida nova aos mortos. Apuremos nosso magnetismo, pelo apuro da nossa vida e cultivemos as virtudes espirituais.

Apliquemo-nos à caridade mais pura. Se ainda não compreendemos como fazê-la, busquemos a instrução na vida dos grandes homens, e trabalhemos dentro de nós, de modo a encontrar aquele poço que Jesus fez surgir na alma da samaritana. A essa bênção de Deus que deve surgir no coração, poderemos dar o nome que já conhecemos, de fluido magnético, e como ele nos é dado de graça, por Deus, façamos uso dessa força enriquecida pelo amor, dando de graça o que de graça recebemos. E a nossa vida tornar-se-á tranqüila e a consciência estará no esplendor de luz, sentindo e vendo Deus na cidade da nossa mente.

Esse fluido vital, eletricidade animalizada de que fala “O Livro dos Espíritos” com muita propriedade, é esse magnetismo do qual nossas mãos estão carregadas, e que toma a forma que o nosso coração se dispuser a dar-lhe. Em nossa intimidade, há uma fonte inesgotável; quanto mais damos, mais temos para distribuir. Curemo-nos a nós mesmos em primeiro lugar, aparando arestas e modificando hábitos, esquecendo vícios e apurando os sentimentos, para que essa linfa de luz possa jorrar das nossas mãos para os corações que sofrem. Aquele que se curar pelas nossas mãos em Cristo, passa a fazer o mesmo, ajudando igualmente aos que padecem. A esperança de todos nós é que se crie uma cadeia desse trabalho em toda a Terra, para felicidade dos povos.


Miramez











segunda-feira, 4 de maio de 2026

Miramez - Livro Cristos - João Nunes Maia - Cap. 7 - Cristo-Ovelha



Miramez - Livro Cristos - João Nunes Maia - Cap. 7


Cristo-Ovelha


"Ora, a passagem da escritura que estava lendo era esta: Foi levado como a ovelha ao matadouro; e como um cordeiro mudo perante o seu tosquiador, assim ele não abriu a sua boca." (Atos, 8:32)


Nem sempre podes dar a conhecer tudo aquilo que és, diante dos outros. Haja visto o Senhor, na Sua missão divina de fraternidade universal junto a humanidade, quando foi interrogado por alguém o que era a Verdade, preferiu o silêncio. Quando condenado a subir o calvário com o instrumento da sua condenação, avançou sem reclamar, nem defender-se e, quando recebeu o escárnio da massa humana e foi esquecido pelos próprios seguidores, perdoou a todos com o mesmo amor. Não condenou a ninguém, nem ofendeu a quem quer que seja, como uma ovelha tosquiadas no inverno, sem abrir a boca contra o tosquiador. Bebeu o cálice amargo do testemunho sem que Sua voz se predispusesse contra a natureza, a vida, ou o Pai Celestial.

Cristo-Ovelha é o símbolo puro, senão exemplo, da bondade e do perdão. O Seu proceder gravou no cosmo infinito, assim como no microcosmo de cada alma, uma página de luz na educação de todos. Ele é a pedra angular da construção moral da humanidade, rejeitada por muitos. A palavra Cristo desperta em nós um estímulo para o aperfeiçoamento espiritual; pensar e falar em Jesus já é desejar segui-lO no coração. Não obstante, Seu caminho é estreito, cheio de marcas e testemunhos difíceis.

Nós outros, simples irmãos de caminho, é que não devemos falar de nós próprios, nem lembrar aos nossos semelhantes virtudes que por vezes não possuímos. Jesus é o embaixador dos Céus, com a missão edificante na Terra de educar e instruir os homens, fazendo valer todo Seu manancial de amor, de afabilidade e, acima de tudo, de compreensão, para que os filhos espirituais se convertam em células luminosas dentro do grande organismo social. 

Se acreditas, como muitos, que estás vivendo no meio de lobos, não faças como tais; procura sempre a trilha das ovelhas, daquelas em que a mansidão se alia a energia, e a energia se propaga com o amor. Se os teus pensamentos ainda carregam um pouco das tuas emoções inferiores, não desesperes por não teres educado os teus valores mentais. Começa agora pela simples oração com humildade, que Deus tem mil modos de nos ouvir e atender, quando realmente nos dispusemos a mudar do errado para o certo; basta fé e disposição de ser útil a nós e aos outros.

Confia n’Aquele que te criou, confia n'Aquele que te segue desde o princípio, e confia em ti mesmo, que a tua vida começará a mudar de rumo, das trevas para a luz. Cristo-Ovelha é uma força que nos inspira em todas as modalidades do bem comum, é uma inteligência que nos faculta o raciocínio, de modo a crer, com todas as forças da alma, em um Deus único e bom, justo e amoroso, que nunca se esquece de Seus filhos. Ele é aquela árvore no coração das criaturas.

Filipe, o apóstolo da cordialidade, ao ver um homem de boa vontade lendo os textos do profeta Isaías sem compreendê-los, buscou assentar-se ao seu lado e fazer conhecido Aquele que seria a Luz do mundo, aquela ovelha referida pelo ancião bíblico. Deu alguns traços da personalidade inconfundível do Mestre, apresentando-O como a ovelha de luz para a salvação de todos, e eis que o eunuco, como narra o Evangelho, se converteu, em poucos instantes, com a conversação sábia e respeitáveis gestos de proceder. Que possamos dar um lugar, ao nosso lado, aos Filipes espirituais, discípulos do Cristo, ouvindo-os um pouco na marcha evolutiva, a fim de sermos grandemente beneficiados pela luz do amor, compreendendo melhor este trecho do Evangelho;

Ora, a passagem da escritura que estava lendo era esta: Foi levado como a ovelha ao matadouro; e como um cordeiro mudo perante o seu tosquiador, assim ele não abriu a sua boca.


Miramez


Fonte: Cristos



VÍDEO:

CRISTO OVELHA
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Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 30 - Orientação espírita



Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 30


Orientação espírita


802. Visto que o Espiritismo tem que marcar um progresso da Humanidade, por que não apressam os Espíritos esse progresso, por meio de manifestações tão generalizadas e patentes, que a convicção penetre até nos mais incrédulos?

“Desejaríeis milagres; mas Deus os espalha a mancheias diante dos vossos passos e, no entanto, ainda há homens que o negam. Conseguiu, porventura, o próprio Cristo convencer os seus contemporâneos, mediante os prodígios que operou? Não conheceis presentemente alguns que negam os fatos mais patentes, ocorridos às suas vistas? Não há os que dizem que não acreditariam, mesmo que vissem? Não; não é por meio de prodígios que Deus quer encaminhar os homens. Em Sua bondade, Ele lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão.”

Declaras-te necessitado de orientação para que te faças melhor ante o Cristo de Deus; todavia, o Espiritismo, em nos revelando a Vida Maior, expõe claramente a essência e o plano de nossas obrigações.

Todos somos férteis em petições ao Senhor, invocando-lhe auxílio, esquecendo-nos, contudo, de que no campo das necessidades humanas clama o Senhor igualmente por nossos braços.

Não peças, assim, a outrem para que te empreste os ouvidos.

Ouçamos o apelo da Esfera Superior que nos pede melhoria para que o mundo melhore.

Do degrau de conhecimento a que te elevas, descortinarás o vale imenso em que se movem nossos irmãos nos labirintos da experiência.

Muitos enlouqueceram de dor sobre o ataúde de um coração, em troca da qual dariam a própria vida, outros jazem parafusados em catres de sofrimento. Multidões deles mascaram-se de alegria, despedaçados intimamente por lâminas de aflição e remorso, e outros muitos se alistam, a serviço das trevas, arrastando-se, espantados na lama taciturna do crime…

Contempla as estradas que se entrecruzam na sombra. Há quem agoniza no desespero, quem se afoga no vício, quem cambaleia de angústia, quem se requeima, sem perceber, no fogo da ambição desmedida, quem transfigura a oração em blasfêmia e quem mitiga a sede nas próprias lágrimas.

Desce do pedestal em que te levantas e estende-lhes mãos amigas.

Quem sabe?

É possível que semelhantes companheiros de luta estejam contigo, entre as paredes da própria casa.

Envolvidos no nevoeiro da ilusão e da ignorância, rogam-te socorro na cartilha do exemplo, para que se libertem do desajuste a que se escravizam.

Não te queixes, nem te revoltes.

Não censures, nem firas.

Ampara-os a todos, como e quanto puderes.

Não importa pertençam a outros lares, outros credos, outras raças, outras bandeiras…

A caridade, filha de Deus, não tem ponto de vista.

Recorda que o Senhor, cada dia, te situa a presença: no lugar certo, onde possas servir mais e melhor, no momento justo.

Desse modo, não solicites ao irmão do caminho te trace roteiro às atividades, porque o próximo está vinculado a problemas que desconheces.

Lembra-te de que somos chamados a ajudar e sublimar hoje e sempre, e de que, se estás anotado entre os homens pela feição que aparentas, perante a Verdade serás conhecido pelo que és.

Empenha-te, pois, em merecer a aprovação da tua consciência pelo bem que pratiques e pela justiça que faças, pela paz que entesoures e pela tarefa que realizes, porquanto, se te devotas ao serviço da perfeição em ti mesmo, perceberás, no que tange ao aprimoramento dos outros; que, seja onde for e com quem for, a Bondade de Deus fará sempre o resto.


Emmanuel










Reunião pública de 27-4-1959.


Emmanuel - Livro Mediunidade e Sintonia - Chico Xavier - Cap. 18 - A faculdade de curar



Emmanuel - Livro Mediunidade e Sintonia - Chico Xavier - Cap. 18


A faculdade de curar


A faculdade de curar, para manter-se íntegra, não deve permanecer precavida tão somente contra o pagamento em dinheiro amoedado.

Há outras gratificações negativas a que lhe cabe renunciar, a fim de que não seja corroída por paixões arrazoadas que começam nos primeiros sinais de personalismo excessivo.

Imprescindível saber olvidar o vinho venenoso da bajulação, a propaganda jactanciosa, o perigoso elixir da lisonja e a aprovação alheia como paga espiritual.

Quem se proponha a auxiliar aos enfermos, há que saber respirar no convívio da humildade sincera, equilibrando-se, cada instante, na determinação de servir.

Para curar é preciso trazer o coração por vaso transbordante de amor e quem realmente ama não encontra ensejo de reclamar.

Compreendendo as nossas responsabilidades com o Divino Médico, se queres efetivamente curar, cala-te, aprende, trabalha honrando a posição de servidor de todos a que Jesus te conduziu.

Auxilia aos ricos e aos pobres, como quem sabe que fartura excessiva ou carência asfixiante são igualmente enfermidades que nos compete socorrer.

Ampara aos amigos e aos adversários, aos alegres e aos tristes, aos melhores e aos menos bons, como quem compreende na Terra a valiosa oficina de reajuste e elevação.

Reconheçamos que toda honra pertence ao Senhor, de quem não passamos de apagados e imperfeitos servidores.

Não te afastes da dependência do Eterno Benfeitor e, movimentando os próprios recursos, a benefício dos que te cercam, guardemos a certeza de que, curando, seremos curados por nossa vez, soerguendo-nos, enfim, para a vitória real do Espírito, em cuja luz os monstros da penúria e da vaidade, da ignorância e do orgulho não mais nos conseguirão alcançar.


Emmanuel