terça-feira, 20 de outubro de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 16 - João Nunes Maia - Cap. 15 - Progresso moral

 

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. 16 - João Nunes Maia - Cap. 15


Progresso moral


"Eu vim para lançar fogo sobre a Terra e bem quisera que já estivesse a arder!" — (Lucas, 12:49)


780. O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual?

“Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente.” (192-365)

a) - Como pode o progresso intelectual engendrar o progresso moral?

“Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos.”

b) - Como é, nesse caso, que, muitas vezes, sucede serem os povos mais instruídos os mais pervertidos também?

“O progresso completo constitui o objetivo. Os povos, porém, como os indivíduos, só passo a passo o atingem. Enquanto não se lhes haja desenvolvido o senso moral, pode mesmo acontecer que se sirvam da inteligência para a prática do mal. O moral e a inteligência são duas forças que só com o tempo chegam a equilibrar-se.” (365-751 - O Livro dos Espíritos).


O progresso moral nem sempre acompanha o progresso intelectual. É no sentido de promover a elevação moral que a Doutrina dos Espíritos veio, com o objetivo de educar e instruir. Instruir é bem mais fácil do que educar; a educação trata de harmonizar os sentimentos que são, a princípio, animalizados e somente o tempo, os problemas, as dores, os variados infortúnios, têm o poder de mostrar para a alma a necessidade de se modificar, ganhando, com os infindáveis esforços, as qualidades morais que o Evangelho indica para nos salvar de todas as agressões do mal.

A instrução sempre vem primeiro, porque traz em si aberturas onde a vaidade e o orgulho se aninham e crescem. Ela nos dá uma satisfação, embora passageira, no entanto, sentimo-nos bem com isso. Daí decorre o nosso grande interesse para nos instruirmos, sobretudo para desfrutarmos dos bens transitórios da vida. Aquele que sabe mais, se encontra sempre na direção.

É muito bom saber, todavia, quando esse saber é disciplinado pelo amor, é bem melhor e capaz de nos elevar para a libertação espiritual. O homem que somente se instrui, sem se interessar pela moral, está correndo perigo, visto poder acontecer em seus caminhos desastres morais. As paixões inferiores passam a comandar seu destino, e os olhos perdem a visão das leis naturais, dos direitos alheios, e até aonde podem chegar com os seus próprios direitos. Quem somente se instrui, não se interessa em ajudar aos semelhantes, a não ser para mostrar que é bom e caridoso, buscando sempre motivos de ganhar mais, com a vaidade que se veste de muitas roupagens.

O progresso deve atingir todas as qualidades morais e espirituais e, certamente, o físico. Ele é Deus avançando, não para Ele mesmo, mas para que sejam despertados os dons da intimidade das criaturas.

Disse Jesus com muita propriedade, o que Lucas anotou no capítulo doze, versículo quarenta e nove:

"Eu vim para lançar fogo sobre a Terra e bem quisera que já estivesse a arder."

O fogo sobre a Terra que Jesus veio acender foi objetivando o progresso das criaturas, mudando o modo pelo qual o homem estava procedendo, usando a ciência e o saber para massacrar os mais fracos e corromper a si mesmo. A moral cristã representa o fogo que deve ser aceso em todos os corações, mudando para melhor, aliando o saber à moral evangélica e, neste sentido, restabelecendo as coisas.

Passamos a descobrir com o Cristo o céu dentro de nós, usando a ciência em conexão com o amor, para sermos felizes em direção à eternidade. O progresso intelectual sem o moral pode ser, tornamos a falar, um desastre na vida da alma.

Quando o saber estava se distanciando do conhecimento da verdade, Deus disse um "basta", por amor às criaturas da Terra, e enviou o outro Consolador, para instruir verdadeiramente os seres humanos acerca das coisas espirituais e a Doutrina Espírita chegou como um sol na direção do Cristo, como amparo às criaturas. O orgulho e o egoísmo se encontravam nas cátedras, mandando e dirigindo os povos de maneira agressiva, mas a luz começou a espancar as trevas, e eis aí o que está acontecendo: Jesus novamente no seio dos povos, sendo lembrado, falado, recordado, para depois chegar e ficar visível nos corações, pela força da vivência, salvando o mundo.

Batuíra - Livro Seguindo Juntos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10 - Trabalho, o grande privilégio



Batuíra - Livro Seguindo Juntos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10


Trabalho, o grande privilégio


A imagem do Semeador, trazida por Jesus às nossas considerações, é um ensinamento perfeito.

Em verdade, Deus oferece:

a bênção do sol;

a generosidade da Terra;

a colaboração da fonte;

o amparo do adubo;

a força da vida;

a oportunidade de servir;

a felicidade de imaginar;

a luz do discernimento;

a hospedagem do campo;

a alegria da ação;

os recursos todos que dignificam a paisagem, na qual o Homem — Filho e Colaborador da Criação — é chamado a atuar.

Deus lhe dá tudo — tudo aquilo de que carece para engrandecer-se e resguardar-se, progredir e elevar-se cada vez mais: entretanto, embora lhe conceda tudo, até mesmo a semente que explodirá em prodígios de vida e evolução, felicidade e aperfeiçoamento, pede a ele unicamente para que exerça o privilégio de trabalhar.

A lição evangélica é simples e clara. Nós que estamos despertos para a renovação, aproveitemos o tempo e saibamos trabalhar e servir sempre, porque nisso residem as nossas bênçãos maiores.


Batuíra











Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Harmonia - Divaldo Pereira Franco - Cap. 3 - Ante o desânimo



Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Harmonia - Divaldo Pereira Franco - Cap. 3


Ante o desânimo


"Está triste algum de vós? Ore; está alegre? Cante louvores a Deus." — (Tiago, 5:13)


Quando o desânimo intentar o sítio da tua casa mental, insiste na ação libertadora. Semelhante a ópio que entorpece, ele penetra suavemente e domina com indiferença.

Muitas vozes conspiram a seu benefício, apresentando arrazoados deprimentes contra os teus esforços, esbordoando as tuas atitudes, censurando o teu comportamento.

Perverso, ele se te insinua no coração e alcança o teu raciocínio propondo-te parar, desistir da luta. Ele te recorda que já abandonaste o labor em tentativas outras e desmoraliza-te diante de ti próprio com arremetidas perturbadoras.

Quando lhe experimentas a intromissão tornas-te mais sensível à advertência, que mais te molesta; espicaça-te o melindre, que mais te aflige; faz-te mais susceptível à mágoa, e, sem que te dês conta, começas a aceitar-lhe as injustas insinuações.

O desânimo é inimigo de todas as criaturas, gerador de depressões grosseiras e males outros ainda não catalogados, que conspiram contra os seres humanos.

Desanimado ante a necessidade da vigilância que deveria manter, na condição de amigo, Pedro, irritado e medroso, negou Jesus reiteradas vezes.

Sob a ação do desânimo que lhe corroía o temperamento intempestivo, e, talvez, aguardando a reação do Mestre para a batalha externa que parecia demorar, Judas vendeu o Justo.

O desânimo responde por vários mecanismos de fuga à responsabilidade. Encontra justificativas para afastar do trabalho aqueles que lhe sofrem o ferretear contínuo. Entorpece a mente e o corpo, negando oportunidade de libertação àquele que lhe tomba sob os vapores mefíticos.

Hoje, ei-lo na feição de desistência. Amanhã é o desalento perante a vida. No futuro é o fracasso total. São esses os passos nefastos do desânimo.

Aprende a não desistir, quando encetes tarefas.

Vincula-te de coração e contribui em favor das causas nobres da Humanidade.

Participa mais ativamente do programa de libertação de consciências, tu, que crês na imortalidade, limando as tuas imperfeições e ajudando sempre. Não te escuses, sob pretextos de que o desânimo, também disfarçado de acomodação, te propõe.

Possuis inestimáveis recursos que necessitas colocar à disposição do Mestre, que te ensina como perseverar, amar e encontrar o caminho para a tua realização pessoal, ajudando os teus irmãos da retaguarda evolutiva.

E parafraseando o apóstolo Tiago no capítulo cinco, versículo treze da sua Epístola, dizemos-te: "Está aflito alguém entre vós ?


Joanna de Ângelis













André Luiz - Livro Mãos Marcadas - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 3 - Comecemos hoje



André Luiz - Livro Mãos Marcadas - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 3


Comecemos hoje


Não diga que você pratica as lições do Evangelho, ante a luz do Espiritismo, simplesmente por debater-lhe os problemas.

A palavra edificante é uma Bênção do Céu, mas, há sonâmbulos do verbo notável, sem serem loucos.

Falam de maneira brilhante, embora dormindo.

E todos podemos sofrer semelhante calamidade.

Em nosso testemunho de aplicação com Jesus, é preciso fazer algo. Acorde, pois, trabalhando.

Lembre-se de que o próximo espera por seu auxílio. Mexa-se, de algum modo, para ajudar.

Pinte, com o próprio esforço, a casa onde você mora, dando-lhe aspecto mais agradável.

Lave a louça da mesa que o serviu.

Limpe uma ferida que sangra.

Apare as unhas de um paralítico.

Guie um cego, na praça pública.

Garanta a higiene, onde você estiver.

Acomode o próprio corpo com atenção, de maneira a não incomodar o vizinho, no veículo de condução coletiva.

Carregue uma criança de colo para que essa ou aquela mãezinha fatigada descanse, por alguns minutos.

Costure para os necessitados.

Dê um café aos filhos do infortúnio.

Distribua, com alegria, as sobras da refeição.

Antes que apodreça, entregue a roupa supérflua ao companheiro andrajoso.

Reparta o pão com o menino infeliz, que muitas vezes, lhe observa o conforto pela vidraça.

Plante uma árvore útil.

Enderece uma gentileza aos amigos, procurando ocultar-se.

Estenda braços fraternos, ainda mesmo por um simples momento, aos que forem surpreendidos pela enfermidade, na rua.

Adquira um comprimido balsamizante para o irmão que acuse dor de cabeça.

Faça o favor de transportar espontaneamente os pequeninos fardos que pesam nas mãos alheias.

Confie um livro nobre à circulação, no ambiente doméstico.

Ofereça uma flor ao enfermo.

Preste, com bondade, a informação que lhe solicitam.

Dê alguns cruzeiros, em favor das boas obras, sem a preocupação de fiscalizar.

Comecemos agora.

Não creia que o barulho de fora consiga despertar-nos.

Ante a pressão externa, mais se esconde a tartaruga na carapaça.

Entretanto, o ruído de nossas próprias mãos no trabalho construtivo renova-nos a mente.

Hoje, você enriquece o serviço do Senhor, com alguma cousa. Amanhã, porém, o serviço do Senhor será tesouro crescente, em seu caminho.


André Luiz












Joanna de Ângelis - Livro Luz Viva - Marco Prisco / Joanna de Ângelis - Divaldo Pereira Franco - Cap. 28 - Função educativa



Joanna de Ângelis - Livro Luz Viva - Marco Prisco / Joanna de Ângelis - Divaldo Pereira Franco - Cap. 28


Função educativa


931. Por que são mais numerosas, na sociedade, as classes sofredoras do que as felizes?

“Nenhuma é perfeitamente feliz e o que julgais ser a felicidade muitas vezes oculta pungentes aflições. O sofrimento está por toda parte. Entretanto, para responder ao teu pensamento, direi que as classes a que chamas sofredoras são mais numerosas, por ser a Terra lugar de expiação. Quando a houver transformado em morada do bem e de Espíritos bons, o homem deixará de ser infeliz aí e ela lhe será o paraíso terrestre.” (O Livro dos Espíritos)

“... Nada vos pertence na Terra: nem sequer o vosso pobre corpo; a morte vos despoja dele, como de todos os bens materiais." — Lacordaire (E.S.E - Cap. XVI - item 14)


Não apenas o êxito contínuo, nos empreendimentos encetados, como demonstração do apoio divino, mas, o que também consideres como insucesso.

O sincero aprendiz do Evangelho não se deve esquecer de que a Terra é feliz educandário, no qual as lições iluminativas não se apresentam somente em clima de festa, entre sorrisos e sonhos de felicidade próxima...

Espíritos ainda renteando com as expressões do primarismo evolutivo, normalmente assinalados por graves compromissos negativos com a retaguarda, volvemos ao proscênio da reencarnação, buscando retificação que enseja crescimento moral e aquisição de novas experiências que facultam libertação.

Em face de tais impositivos, o caminho por onde transitamos não se pode assinalar por contínuos sucessos, que pareçam traduzir o incessante auxílio do Senhor.

Do ponto de vista social, econômico e político, Ele foi um fracasso, qual se Deus O houvesse esquecido, na Terra. No entanto, porque amparado pelo Pai, nesse aparente infortúnio é que Ele culminou todo o sucesso da Sua missão.


Joanna de Ângelis














Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 4 - Apelo



Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 4


Apelo


Meus amigos.

Não basta recolher os frutos do caminho. É necessário fazer luz dentro dele para que não nos percamos nas trevas.

Amealhar os benefícios imediatos do Espiritismo, procurando-lhe as gratificações consoladoras será compreensível para nós todos, mormente na hora escura que a Terra vai atravessando no inquietante período de transição da atualidade.

Entretanto, não basta fartar-se a alma de reconforto superficial, de vez que o alívio nem sempre significa solução.

Saibamos aproveitar as graças e os favores da Doutrina de Amor que nos enriquece de conhecimento e esperança, plasmando no espírito a renovação que nos é indispensável.

Para isso, descurar o Evangelho será esquecer a escola e menosprezar a lição.

Consagremos alguns minutos, cada dia, à procura de orientação com o Instrutor da Imortalidade.

Evangelho no coração para que aprendamos a sentir.

Evangelho no pensamento para que não nos falhe o equilíbrio.

Evangelho na palavra para que não nos prendamos à perturbação.

Evangelho nos braços para que a preguiça não nos faça cair em seus despenhadeiros de sofrimento.

Para isso, é necessário ler os ensinamentos do Senhor e meditar-lhes a essência, imprimindo rumo certo ao barco de nossa vida.

Sem a bússola, a embarcação vagueia sem rumo.

Sem Jesus, comandando o nosso mundo interior, erraremos na Terra, no corpo ou fora dele, ao sabor das circunstâncias e das influências  , à maneira de folhas ressequidas ao vento.

Honremos a luz celeste que nos trouxe a bênção do Espiritismo e, cultivando o Evangelho na consciência, na família, no lar e na luta coletiva, converteremos o coração em santuário vivo em que brilhará para sempre a Vontade do Nosso Divino Mestre e Senhor.


Emmanuel














domingo, 18 de outubro de 2026

Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 12 - O Remédio Para os Padecimentos



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 12


O Remédio Para os Padecimentos


19. Será, então, a vossa Terra um lugar de alegria, um paraíso de delícias? Acaso a voz do profeta já não ressoa aos vossos ouvidos? Não clamou essa voz que haveria prantos e ranger de dentes para os que nascessem nesse vale de dores? Vós que aí vindes viver, esperai, pois, lágrimas pungentes e penas amargas; e, quanto mais agudas e profundas forem as vossas dores, volvei o olhar para o Céu e bendizei o Senhor por ter querido pôr-vos à prova!.... Ó homens! Só reconhecereis, então, o poder do vosso Senhor quando ele tiver curado as chagas do vosso corpo e coroado os vossos dias de beatitude e alegria? Só reconhecereis, então, o seu amor quando ele tiver adornado o vosso corpo de todas as glórias e lhe tiver restituído o brilho e a brancura? Imitai aquele que vos foi dado para exemplo. Tendo chegado ao último grau da abjeção e da miséria, está deitado sobre uma estrumeira e diz a Deus: ‘Senhor! Conheci todas as alegrias da opulência, e me reduzistes à mais profunda miséria; obrigado, obrigado, meu Deus, por quererdes pôr à prova o vosso servo!’ Até quando vossos olhares se deterão nos horizontes marcados pela morte? Quando, afinal, vossa alma quererá lançar-se para além dos limites de um túmulo? Ainda que devêsseis chorar e sofrer durante toda uma vida, que seria isso diante da eternidade de glória reservada àquele que tiver suportado a prova com fé, amor e resignação? Buscai, pois, consolações para os vossos males no futuro que Deus vos prepara, e a causa de vossos males no vosso passado; e vós, que mais sofreis, considerai-vos como os bem-aventurados da Terra.

No estado de desencarnados, quando pairáveis no espaço, escolhestes a vossa prova, porque vos julgastes bastante fortes para suportá-la; por que murmurar agora? Vós, que pedistes a riqueza e a glória, fizestes isso para sustentar a luta contra a tentação e vencê-la. Vós, que pedistes para lutar de espírito e de corpo contra o mal moral e físico, é porque sabíeis que, quanto mais forte fosse a prova, mais gloriosa seria a vitória e que, se dela saísseis triunfantes, ainda que vossa carne fosse lançada sobre uma estrumeira, ao morrer ela deixaria escapar uma alma resplandecente de brancura e tornada novamente pura pelo batismo da expiação e do sofrimento.

Que remédio, então, prescrever aos que são acometidos por obsessões cruéis e males pungentes? Um só é infalível: a fé, o olhar para o Céu. Se, no auge de vossos mais cruéis sofrimentos, vossa voz cantar ao Senhor, o anjo, à vossa cabeceira, com a mão vos mostrará o sinal da salvação e o lugar que deveis ocupar um dia. . . A fé é o remédio certo do sofrimento; ela mostra sempre os horizontes do infinito, diante dos quais se apagam os poucos dias sombrios do presente. Não nos pergunteis mais, portanto, que remédio é preciso empregar para curar tal úlcera ou tal chaga, tal tentação ou tal prova; lembrai-vos de que aquele que crê é forte pelo remédio da fé e que aquele que duvida por um instante de sua eficácia é punido imediatamente, porque sente, nesse mesmo instante, as pungentes angústias da aflição.

O Senhor marcou com o seu selo todos os que nele creem. O Cristo vos disse que, com a fé, se transportam montanhas, e eu vos digo que aquele que sofre e que tiver a fé por amparo será colocado sob a sua égide e não mais sofrerá. Os momentos das mais fortes dores serão para ele as primeiras notas de alegria da eternidade. Sua alma se desprenderá de tal maneira do corpo que, enquanto este se contorcer sob as convulsões, ela planará nas regiões celestes, cantando com os anjos hinos de gratidão e de glória ao Senhor.

Ditosos os que sofrem e choram! Que suas almas estejam na alegria, pois serão cumuladas por Deus.


Santo Agostinho.

Paris, 1863. (E.S.E. - Cap. V - O mal e o remédio.)


A fé é de grande valia no coração do crente, força poderosa que sustenta a vida na caminhada de ascensão espiritual.

É, indiscutivelmente, o maior remédio para todos os males.

É a disposição de esperança que sustenta sempre a confiança em Deus, mantendo-O vivo na consciência, fazendo sentir Jesus nos guiando em todos os roteiros do aprendizado, na esfera em que nos encontramos, por misericórdia de Deus, que é a Terra.

É o Cristo comandando a todos e nos pedindo que confiemos em Deus e na Sua assistência; é a fé que realmente transporta montanhas e se torna em harmonia no complexo físico, traduzindo-se em saúde física para o corpo e espiritual para a alma.

É remédio infalível, como sendo bênção de Deus, que pode nascer dentro de nós, nos curar e ajudar aos nossos companheiros.

A fé não tem limites; ela tanto trabalha no mundo material, como no espiritual; é humana e divina, é filha de Deus nas mãos do Cristo.

Mesmo nas trevas, se faz luz quando desperta; nas horas de grandes aflições, ela se transforma em paz, estabelecendo a harmonia e nos levando ao amor, nas asas da esperança.

A Terra ainda não é lugar de gozo; é lugar de expiações e provas, onde os sofrimentos atingem proporções imensuráveis; é como um grande hospital, cheio de almas em reparo, chorando e sofrendo em busca da cura dos seus males.

Mas, como em uma casa de saúde, nela não existe somente gente doente; assim, muitos estagiam nela para ajudar na cura dos enfermos e, para tanto, Deus nos enviou a Doutrina Espírita, sob a égide de Jesus, para nos ensinar a cultivar a fé, a confiança, a amar a todos e a tudo, a amar a Deus em tudo onde se constata o trabalho da Sua generosa bondade.

O Espiritismo nos traz páginas lindas acerca das leis naturais, e nos ajuda a conviver com elas, respeitando-as de modo a estabelecer na nossa intimidade a harmonia divina, para a divina saúde dos corpos e do Espírito.

Compete-nos fazer a nossa parte, para que tenhamos força de curar a nós mesmos, no sustento da vida sobre a Terra.

É preciso saber que o remédio para o ódio é o amor, para a violência é o perdão, para a usura, o desprendimento, e para a desconfiança é a fé, que restabelece o equilíbrio no mais profundo do ser.

A Doutrina Espírita veio restabelecer a Doutrina do Cristo de Deus, fazendo a humanidade relembrar a maior das figuras que pisaram na face da Terra.

Fala-se muito em paraíso, desde os grandes profetas até os nossos dias; todavia, ele ainda se encontra distante, porque as suas raízes se encontram dentro de cada um, nos valores que granjeamos ainda em estado de sono, aguardando nossa boa vontade, para que eles acordem no exercício do bem, nas linhas do amor e da caridade.

O Espiritismo é um curso que os Céus mandaram para a Terra, sob a direção dos grandes benfeitores, que ministram aulas permanentemente, para que os Espíritos aprendam a educação dos sentimentos e se instruam em todos os campos do saber; manifesta-se como água da vida, lembrando sempre os feitos do Mestre dos mestres.

Devemos compreender o ensejo que representa a Doutrina, aproveitando isso na nossa educação e entendimento, e fazendo mais para nós mesmos, corrigindo nossas faltas e adestrando nossas qualidades.

Para isso, devemos estimular a fé, de maneira que ela seja a verdadeira filha do amor, e por onde passar devemos fazer ambiente de luz, para que passem também a fraternidade e a esperança.

Volte ao começo da nova filosofia e leia com mais atenção as obras básicas do Espiritismo, para reforço da sua fé, dando nascimento ao amor.

Se alguns dos males se transformarem em infortúnios em seus caminhos, não se queixe, meditando no que a Doutrina nos revela e consola com a tolerância; meditemos que a justiça de Deus é reta, e ninguém paga o que não deve; confie no futuro, que no amanhã haverá de gozar a paz porque passou a viver em paz, porque encontrou o remédio para todos os males, que é a fé, na irradiação do amor.


Miramez