Lancellin - Livro Iniciação Viagem Astral - João Nunes Maia - Cap. 42
Estendendo luzes
Estamos em regime de urgência, no que tange às coisas espirituais. Nós somos legiões de Espíritos trabalhando na grande vinha do Senhor, estendendo luzes em todos os rumos por onde a escuridão se faz sentir. Não somos almas perfeitas; estamos longe da perfeição, mas, não longe da boa vontade.
Armamos um esquema para perseverar até o fim, estudando todos os problemas, usando todos os meios lícitos para realizarmos o progresso que nos compete. Já somos conscientes dos obstáculos, da cruz e do calvário que deveremos enfrentar, e isso nos dá um grande ânimo, para que possamos vencer todas as dificuldades, sem a carência da fé. Lutar é disposição de todas as criaturas, porém, lutar com discernimento é característica daquele que está vencendo a si mesmo.
Nós não estamos querendo convencer ninguém, não estamos usando de violência nas áreas de fé de criatura alguma, não exigimos mudanças de conceitos dos que vivem e pensam diferente do nosso modo de ser, porque respeitamos as consciências no ponto mais sublime que escolheram para viver, pela lei de afinidade.
Estamos escrevendo, a pedido de muitos companheiros que vivem na Terra e buscam conhecer outros mundos, procurando entender outras faixas de vida. A esses ofertamos as nossas experiências, como sendo patrimônio comum, pertencente a todas as criaturas. A vida é uma incessante troca de valores materiais e espirituais; assim como recebemos dos nossos maiores, ao chegarmos aqui, sentimo-nos no dever de doar, igualmente, alguma coisa aos que estudam, na Terra, a vida além do túmulo.
A morte é um fenômeno normal da vida dos homens. Mesmo que estes não se acostumem com ela, ela existe, e deve ser considerada, como sendo uma colecionadora de talentos. O Espírito é um viajor eterno, que cada vez sobe mais como na decantada fábula bíblica, a escada de Jacó. Subir é a ordem que Deus deixou nas mãos do homem, diante da vida e do progresso.
O que queremos é que os homens não fiquem distantes de nós, Espíritos desencarnados, e que aquele tradicional medo de fantasmas acabe, juntamente com a ignorância. Somos os mesmos homens; a diferença é que perdemos a capa, mas ainda nos resta a túnica, como corpo espiritual que nos obedece, qual animal domesticado.
Com a perda da roupagem, não se perderam as qualidades, ao contrário, ficamos mais conscientes dos nossos deveres e mais sensíveis às belezas imortais de que somos herdeiros, por parte do nosso Pai Celestial. Negar as leis de Deus não pode ser procedimento do homem inteligente, cujo raciocínio completa os sentimentos.
De que adiantaria se se reunissem todos os astrônomos do mundo e eles negassem a existência do sol que aquece a Terra todos os dias, e está visível a todos os seres? De nada valeria. Nada alteramos da verdade, quando negamos essa verdade.
Fechar os olhos para não ver a luz é ser partícipe das trevas. Nós não vivemos de argumentos, mas argumentamos ponderadamente para viver. Melhor do que as palavras, são os nossos exemplos e a nossa conduta.
Jesus está tendo muito mais valor, para os homens, agora, do que quando estava andando no mundo, curando e pregando a Boa Nova do Reino de Deus.
Quando a vaidade nos toca, impelindo-nos para estarmos sempre presentes nos acontecimentos que podem nos "elevar" em relação aos outros, demonstramos exatamente o contrário. O impulso de superioridade que nos leva a mostrar aos nossos irmãos o que realmente não somos, pode nos tolher as faculdades em que estamos empenhados em conquistar. Tu não precisas falar de ti mesmo, mas é bom que não te esqueças da seguinte verdade: a tartaruga também anda, mas a gazela chega primeiro.
O despertar dos dons espirituais é uma ordem divina, no entanto, se não for feita a parte que nos toca, o andar nosso em busca da luz, será igual ao da tartaruga.
Este capítulo nos incentiva a estendermos luzes em todos os rumos, e essa luz existe com fartura nos celeiros de Deus, sob a vigilância de Jesus Cristo, que nos convoca em todos os momentos para trabalharmos sob a Sua proteção. O Evangelho já é conhecido por quase todas as pessoas, espalhadas por toda a Terra, e é repetido e divulgado por variados meios que o progresso emprestou.
Somente falta uma etapa, a mais importante, que é a vivência. Quem consegue viver os preceitos do nosso Mestre está livre porque conheceu a verdade.
Começa hoje, meu filho, a estender luzes. Sabes como? Cortando as arestas que ainda existem na tua personalidade. Não é preciso que alguém aponte os teus defeitos.
Tu mesmo poderás descobri-los, se existir vontade para tal empreendimento interior.
Quando entramos aqui, nesta Colônia de trabalho, é esta a primeira proposta que recebemos: examinarmo-nos a nós mesmos e vermos o que podemos fazer em nosso próprio benefício.
Quando aconselhares alguém a perdoar, faze-o com maior profundidade a ti mesmo; quando aconselhares o amor e a concórdia, a paz e o trabalho, sabendo que o mais beneficiado és tu próprio, aí, então, estarás preparado para ouvir o que falamos, porque é para essa gama de Espíritos que escrevemos, irmãos que acordam com um só toque da verdade, e buscam a sua felicidade, sabendo que esta se encontra bem pertinho dos seus corações.