quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 178 - Combate interior



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 178


Combate interior


“Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e agora ouvis estar em mim.” — PAULO. (Filipenses, 1:30)


Em plena juventude, Paulo terçou armas contra as circunstâncias comuns, de modo a consolidar posição para impor-se no futuro da raça. 

Pelejou por sobrepujar a inteligência de muitos jovens que lhe foram contemporâneos, deixou colegas e companheiros distanciados. 

Discutiu com doutores da Lei e venceu-os. 

Entregou-se à conquista de situação material invejável e conseguiu-a. 

Combateu por evidenciar-se no tribunal mais alto de Jerusalém e sobrepôs-se a velhos orientadores do povo escolhido. 

Resolveu perseguir aqueles que interpretava por inimigos da ordem estabelecida e multiplicou adversários em toda parte. 

Feriu, atormentou, complicou situações de amigos respeitáveis, sentenciou pessoas inocentes a inquietações inomináveis, guerreou pecadores e santos, justos e injustos…

Surgiu, contudo, um momento em que o Senhor lhe convoca o espírito a outro gênero de batalha — o combate consigo mesmo.

Chegada essa hora, Paulo de Tarso cala-se e escuta…

Quebra-se-lhe a espada nas mãos para sempre.

Não tem braços para hostilizar e sim para ajudar e servir.

Caminha, modificado, em sentido inverso. Ao invés de humilhar os outros, dobra a própria cerviz.

Sofre e aperfeiçoa-se no silêncio, com a mesma disposição de trabalho que o caracterizava nos tempos de cegueira.

É apedrejado, açoitado, preso, incompreendido muitas vezes, mas prossegue sempre, ao encontro da Divina Renovação.

Se ainda não combates contigo mesmo, dia virá em que serás chamado a semelhante serviço. Ora e vigia, prepara-te e afeiçoa o coração à humildade e à paciência. Lembra-te, meu irmão, de que nem mesmo Paulo, agraciado pela visita pessoal de Jesus, conseguiu escapar.


Emmanuel












quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Páginas de Fé - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 11 - No problema da dor



Emmanuel - Livro Páginas de Fé - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 11


No problema da dor


Para liquidar o problema da dor, ninguém deprecie a responsabilidade que lhe compete.

O Universo é regido pela Justiça Divina, e, nos tribunais do Perfeito Equilíbrio, todo sofrimento é resgate entre as criaturas, quando não seja luminosa missão de amor dos Espíritos angélicos.

Para ilustrar o conceito, recordemos que as doenças no mundo requerem medidas especiais.

O embaraço gástrico pede medicação laxativa.

A arteriosclerose exige tratamento adequado.

A apendicite reclama a intercessão operatória.

A escabiose aguarda recurso balsamizante.

O carcinoma pede extirpação e limpeza.

A loucura roga amparo e insulamento.

Para a legião das moléstias comuns, surge todo um exército de especialistas e enfermeiros, socorros e intervenções.

Assim também, na Vida Espiritual, cada consciência culpada que lhe alcança os domínios pelos braços da morte, implora a assistência na farmácia da vida.

A dor é procurada como remédio valioso e a reencarnação é o caminho em que deve ser encontrada.

Quem abusou da fortuna material, pede a cooperação da extrema pobreza.

Quem relaxou a saúde, clama pela enfermidade como medida capaz de garantir-lhe o reajuste.

Quem se arrojou à delinquência, na alucinação da beleza física, pede o corpo disforme que lhe assegure o retorno à tranquilidade.

Quem aviltou a inteligência, suplica as inibições mentais do cérebro curto, como serviço indispensável à própria restauração.

Quem se valeu do poder para espalhar aflições e lágrimas, requisita a desvalia social com problemas difíceis em que lágrimas e aflições lhe regenerem o campo íntimo.

Recebe, pois, o tipo de experiência que escolheste na Terra, em benefício de tua própria recuperação para Deus, sem desfalecer no trabalho que a Justiça te reservou.

Acolhe a dor e a luta por sábias instrutoras da vida e não lhes menoscabes o concurso santificante.

A sombra de ontem te procura o asilo de hoje e somente ao preço de teu sacrifício na tarefa redentora, pelo próprio dever bem cumprido, é que atingirás, valoroso e feliz; a Plena Luz de Amanhã.


Emmanuel













Emmanuel - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 24.1 - Deus e caridade



Emmanuel - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 24.1


Deus e caridade


5. Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: “Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro”, isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que faze-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: "FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO. (O Evangelho Segundo o Espiritismo — Cap. XV)


779. A força para progredir, haure-a o homem em si mesmo, ou o progresso é apenas fruto de um ensinamento?

“O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente. Mas, nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se então que os mais adiantados auxiliam o progresso dos outros, por meio do contato social.” (O Livro dos Espíritos).


Por longos e tortuosos caminhos, temos procurado a integração com Deus.

Existências múltiplas atravessamos, forças enormes despendemos…

Julgávamos estivesse nele a egolatria dos tiranos coroados e inventamos processos de adoração com que lhe granjeássemos a simpatia; 

supúnhamos homenagear-lhe a grandeza com o fausto dos ritos exteriores e erigimos palácios em que lhe ofertássemos o ouro e a púrpura, em forma de louvor; 

acreditávamos que o Supremo Senhor quisesse dominar as criaturas pelo freio da violência e não hesitávamos em criar sistemas religiosos de opressão com que se dobrasse a cerviz de quantos não pensassem pela nossa cabeça; 

admitíamos fosse ele ávido de honrarias e não vacilávamos consagrar-lhe sacrifícios sanguinolentos, à frente de símbolos com que lhe mentalizávamos a presença!…

Compadecendo-se de nossa ignorância, a Divina Providência deliberou enviar alguém que nos instruísse nos caminhos da elevação, e Jesus, o Sublime Governador do Planeta Terrestre, veio em pessoa explicar-nos que Deus não nos pede nem adulações e nem pompas, nem vítimas e nem holocaustos, e sim o coração inflamado de fraternidade, a serviço do bem, para que a Terra se abra, enfim, à glória e à felicidade do Seu Reino.

Por esse motivo, o Mestre, embora respeitasse as convicções dos seus contemporâneos, esmerou-se em ensinar-nos a união com Deus, acima de tudo, através do socorro aos necessitados, da esperança aos tristes, do amparo aos enfermos e do alívio aos sofredores de todas as procedências… 

Desde então, renovadora luz clareou o espírito das nações e a Humanidade começou a compreender que Deus, o Pai Justo e Misericordioso, a ninguém exclui de Sua Bênção e que a todos nos espera, hoje ou mais tarde, por filhos bem-amados, unidos na condição de verdadeiros irmãos uns dos outros.

É por isso que, em todos os países e em todas as crenças, em todos os templos e em todos os lares da Terra, onde se pratique realmente o Evangelho de Jesus, o culto à Providência Divina começa com a caridade primeiro.


Emmanuel














terça-feira, 13 de outubro de 2026

Chico Xavier - Livro Chico Xavier, a aurora de uma vida entre o Céu e a Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 76 - A voz íntima



Chico Xavier - Livro Chico Xavier, a aurora de uma vida entre o Céu e a Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 76


A voz íntima


Para a alma triste, a meditação no silêncio da natureza é conforto sublime, é um farol a iluminar a treva dos dias que se escoam na Terra.

A alma, ao procurar desprender-se das cenas banais da existência carnal, vislumbra o ponto máximo onde ela coloca a sua alegria e que se denomina os Céus.

Luzes suavíssimas acendem-se em seu íntimo e descortina panoramas inéditos dentro da vida, ouvindo vozes estranhas que, sem ser articuladas, chegam nitidamente aos seus ouvidos.

Parecem emitidas pelos seres radiosos que presidem o desenvolvimento e o progresso do mundo aos sábios desígnios do Incriado. 

Se todo homem as escutasse, não haveria na Terra a iniquidade que ocasiona o sofrimento, pois ao interrogar, no silêncio do seu interior, essa força desconhecida e invisível aos nossos olhos perecíveis, sobre o problema do destino, escutaria, maravilhado:

"Alma, não és mais que um átomo da vida dentro do Universo e Aquele que te criou concedeu-te o poder de um deus. 

Possuis a liberdade mais ampla e conquistarás os troféus aos quais te dedicaste alcançar.

O Criador criou a justiça tão incorrupta que se te propuseres a buscar a luz tê-la-ás em tuas mãos e o mesmo acontecerá se te consagrares às obscuridades das trevas.

O teu pensamento domina todos os elementos da natureza e julgas-te, muita vez, o senhor absoluto da Criação e apenas a dor te faz conhecer a tua situação de hóspede no mundo.

Quanto mais o orgulho te faz elevar altivamente a cabeça mais o sofrimento se te faz dobrar, a fim de que reconheças a tua pequenez.

Persegues a felicidade mundana doidamente e te esqueces de que a ventura não é a satisfação falaz dos sentidos. 

És quase sempre infeliz como resultado às tuas irreflexões e, no entanto, podes ser o herdeiro direto do Pai dos Céus se te dedicares ao que é puro e perfeito, ao que eleva e dignifica. 

Poderás construir castelos indestrutíveis de luz se o amor divino for a bússola que te guie através da vida planetária.

Homem, sê bom, procurando a grandeza na humildade, a resignação no sofrimento, a luz na própria dor e a alegria ainda que seja nos prantos. 

Que a tua existência seja toda voltada ao bem e tecerás com tuas mãos a coroa de glória que há de aureolar-te nos Planos luminosos, onde a vida é imperecível!"


Chico Xavier











*Autores diversos subscritos por Chico Xavier.
16 de janeiro de 1932.


Emmanuel - Livro Esperança e Luz - Espíritos Diversos - Chico Xavier - Cap. 7 - As pedras do caminho



Emmanuel - Livro Esperança e Luz - Espíritos Diversos - Chico Xavier - Cap. 7


As pedras do caminho


"Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro" (Mateus 13:30)


Meu prezado irmão, que a paz de Jesus derrame sobre o seu coração as suas bênçãos divinas.

Em nossa tarefa de consolação e de amor, não nos detenhamos na contemplação das pedras do caminho.

Se a análise é um esforço sagrado com os que tenham olhos de ver e coração para sentir, o atrito de opiniões nos bastidores das ideias religiosas, sem que hajam nos Espíritos, a mesma capacidade de visão espiritual e o mesmo sentimento de fraternidade e de amor nos corações, torna-se numa pedra que pode paralisar, indefinidamente, a nova marcha para Deus.

Com respeito às teses do Consolador, que consubstanciam a Terceira Revelação, em face da Igreja romana, mais que nós, acima de quaisquer polêmicas ou comentários, falam as misérias e as ruínas da suposta consciência cristã nesta hora amarga do mundo, fruto das cogitações políticas do Papado.

Não nos cabe discutir qualquer ponto de vista particular, em matéria religiosa. Cada qual deve guardar a sua concepção, de conformidade com a sua “zona lúcida”.

E são poucos os que a preferem conservar na zona de seus imperativos de ordem econômica, no complexo das atividades sociais.

O nosso esforço é o da cristianização, dentro da certeza de que todas as ilusões cairão por si mesmas, sem que o Senhor para destruir os falsos ídolos necessite mobilizar os processos agressivos do mundo.

Em nossos labores doutrinários, não nos impressionemos com os longos discursos e com os amontoados de palavras. 

Aos subterfúgios e à intoxicação intelectual, respondamos com a nossa tarefa de edificação e de nosso trabalho, como quem sabe que cada um deve responder por suas próprias obras.

São elas que salvam ou condenam os homens, longe das escolas religiosas a que se hajam filiado nas inquietações terrestres.

E quanto ao mais, lembremos que o Mestre Divino recomendou o crescimento simultâneo do joio e do trigo, na sua semeadura bendita. Suas mãos misericordiosas saberão guardar os frutos da verdade na ocasião da ceifa.

Oremos pelos nossos irmãos que não nos compreendem e não perturbemos a nossa marcha para Deus, cultivando qualquer cristalização do caminho.


Emmanuel












(Mensagem dirigida a um irmão solicitante, em 14 de abril de 1939.)
Fonte: O Caminho † Escritura do Espiritismo Cristão

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Batuíra - Livro Bênçãos de Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 5 - Deus, nosso Pai



Batuíra - Livro Bênçãos de Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 5


Deus, nosso Pai


"Honrarás a teu pai e a tua mãe, para teres uma dilatada vida sobre a terra, que o Senhor teu Deus te há de dar." (Êxodo 20:12)


Honrar nosso pai é honrar também a Deus. O nosso Pai de Infinita Bondade.

No instituto doméstico, os filhos amadurecidos na experiência honorificam os pais, através das obrigações executadas no lar.

Na residência planetária, os filhos de Deus, edificados na compreensão de suas leis, dignificam o Todo-Misericordioso por intermédio dos deveres retamente cumpridos, diante da humanidade nos caminhos do mundo.

Amamos a Deus na pessoa do próximo. Comecemos o exercício dessa abnegação que nos proporcionará o necessário acesso à Luz Divina.

Fomos feridos nas tarefas cotidianas? Saibamos esquecer as ofensas do companheiro que ainda ignora as consequências do mal.

Golpes de injúria desceram sobre nós, procurando exterminar-nos a esperança e a coragem? Entendamos a inexperiência daqueles que desconhecem a força da sombra que desencadeiam para si mesmos e continuemos a colaborar no levantamento do bem de todos.

Quem vem lá, faminto ou desesperado, tentando encontrar socorro e consolação? Pausemos para servir porque é nosso familiar que nos bate à porta, suplicando asilo e compreensão.

Que pensar do infeliz que passa na via pública enxovalhado por sarcasmo e condenação? Nenhuma dúvida paira em nosso espírito quanto ao imperativo de entendê-lo e auxiliá-lo porquanto ele é nosso irmão pela Paternidade Divina e espera por nosso devotamento.

Deus, o Senhor Supremo da Vida, o Pai que nos recebe diariamente os protestos de fidelidade e de amor conta em verdade conosco e em verdade precisa de nós. Espera confiantemente sejamos o amparo aos desajustados, a fortaleza dos fracos, a energia dos fatigados, a bênção dos que foram lançados à solidão.

Deus necessita de nós e deseja receber-nos a cooperação ainda que humilde. Envia-nos os necessitados de toda espécie e de todas as procedências para que Lhe representemos a Providência Divina. Em toda parte, é possível receber esse mandato sublime e desempenhá-lo.

É por isso que Jesus, o filho mais altamente consagrado ao Supremo Senhor que a Terra já conheceu, assim se expressou fazendo-nos sentir que Deus está conosco e espera por nós em todas as circunstâncias: “Todo o bem que fizerdes no mundo ao último dos pequeninos, em verdade, é a mim que o fizestes.”


Batuíra















Bezerra de Menezes - Livro Lindas Mensagens de Bezerra de Menezes - Divaldo Pereira Franco / Silvio R. Rodrigues - Cap. 43 - Bússola da Alma



Bezerra de Menezes - Livro Lindas Mensagens de Bezerra de Menezes - Divaldo Pereira Franco / Silvio R. Rodrigues - Cap. 43


Bússola da Alma


Surge a prece na existência terrestre como chave de luz inspirativa descerrando as trilhas que parecem impedidas aos nossos olhos.

Ensina sempre no silêncio da alma e, quando não resolve os problemas ou não afasta o sofrimento, ilumina a mente e fortalece a resignação.

Contato com o Infinito, toda oração sincera significa mensagem com endereço exato, e se, por vezes, flutua entre riso e pranto, termina sempre por elevar-se aos páramos superiores onde já não existem temporariamente nem alegria nem dor, apenas paz de alma.

Oração é diálogo. Quem ora jamais monologa. Até a petição menos feliz tem a resposta que lhe cabe, procedente das sombras.

Atende aos compromissos na hora certa. A pontualidade é o fiel moral na balança do tempo.

Dá e receberás.

Auxilia e alguém te auxiliará.

Existe a caridade como receita ideal para todos os males.

A imparcialidade de julgamento há de começar em nós, com a benevolência para com os outros e severidade para nós mesmos.

Quais são os pontos de contato de sua vida com a verdade?

Que relação existe entre você e o mundo espiritual?

Expressa a exemplificação o conjunto dos reflexos de nossos atos. Toda opinião retrata o opinador.

Constitui a vida uma longa viagem em demanda aos portos da felicidade perfeita.

A prece é a bússola que nos coloca sob a direção do Senhor, cujas mãos devem pousar no leme da embarcação do destino.

Ora sempre e o barco dos teus dias nunca se transviará sob as nuvens das trevas.


Bezerra de Menezes