sábado, 17 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Irmão - Chico Xavier - Cap. 4 - Respeito mútuo



Emmanuel - Livro Irmão - Chico Xavier - Cap. 4 - Respeito mútuo


Compadece-te dos que não pensam com as tuas ideias e não lhes encarceres a vida em tua própria vida, afastando-os da senda a que foram convocados.

Chamem-se pais ou filhos, cônjuges ou irmãos, amigos ou parentes, companheiros e adversários, diante de ti, cada um daqueles que te compartilham a existência é uma criatura de Deus, evoluindo em degrau diferente daquele em que te vês.

Ensina-lhes o amor ao trabalho, a fidelidade ao dever, o devotamento à compreensão e o cultivo da misericórdia, que isso é dever nosso, de uns para com os outros, entretanto, não lhes cerres a porta de saída para os empreendimentos de que se afirmam necessitados.

Habituamo-nos na Terra a interpretar por ingratos aqueles entes queridos que aspiram a adquirir uma felicidade diferente da nossa, entretanto, na maioria das vezes, aquilo que nos parece ingratidão é mudança do rumo em que lhes cabe marchar para a frente.

Quererias talvez titulá-los com os melhores certificados de competência, nesse ou naquele setor de cultura, no entanto, nem todos vieram ao berço com a estrutura psicológica indispensável aos estudos superiores e devem escolher atividades quase obscuras, não obstante respeitáveis, a fim de levarem adiante a própria elevação ao progresso.

Para outros, estimarias indicar o casamento que se te figura ideal, no campo das afinidades que te falam de perto, no entanto, lembra-te de que as responsabilidades da vida a dois pertencem a eles e não a nós, e saibamos respeitar-lhes as decisões.

Para alguns terás sonhado facilidades econômicas e domínio social, contudo, terão eles rogado à Divina Sabedoria estágios de sofrimento e penúria, nos quais desejem exercitar paciência e humildade.

Para muitos terás idealizado a casa farta de luxuosa apresentação e não consegues vê-los felizes senão em telheiros e habitações modestas, em cujos recintos anseiam obter as aquisições de simplicidade de que se reconhecem carecedores.

Decerto, transmitirás aos corações que amas tudo aquilo que possuis de melhor, no entanto, acata-lhes as escolhas se te propões a vê-los felizes.

Respeita os pensamentos e afinidades de cada um e aprende a esperar. Todos estamos catalogados nas faixas de evolução em que já estejamos integrados.

Se entes queridos te deixam presença e companhia, não lhes conturbes a vida nem te entregues a reclamações. Cada um de nós é atraído para as forças com as quais entramos em sintonia.

E se te parece haver sofrido esse ou aquele desgaste afetivo, não te perturbes e continua trabalhando na seara do bem.

Pelo idioma do serviço que produzas, chamarás a ti, sem palavras, novos companheiros que te possam auxiliar e compreender.

Não prendas criatura alguma aos teus pontos de vista e nem sonegues a ninguém o direito da liberdade de eleger os seus próprios caminhos.

Se as tuas afinidades pessoais ainda não chegaram para complementar-te a tranquilidade e a segurança é que estão positivamente a caminho.

E assim acontecerá sempre, porque fomos chamados a amar-nos reciprocamente e não para sermos escravos uns dos outros, porque, em princípio, compomos uma família só e todos nós somos de Deus.


Emmanuel












André Luiz - Livro Respostas da Vida - Chico Xavier - Cap. 29 - Itens da paz



André Luiz - Livro Respostas da Vida - Chico Xavier - Cap. 29


Itens da paz


Aflição perante desastres iminentes?

Talvez não aconteçam.

Contrariedades e contratempos?

Quase sempre são medidas da Espiritualidade Superior livrando-lhe o coração de males maiores.

Desgostos de longo alcance?

Oportunidades de revisão de nosso próprio comportamento.

Injúrias e perseguições?

Os que agravam o próximo são doentes necessitados de internação na clínica do silêncio e da prece.

Preterições?

Compadeça-se dos que se dispõem a tomar o direito dos outros, porque ignoram os problemas que serão compelidos a enfrentar.

Erros nossos?

Ensejo bendito de corrigenda em nós por nós mesmos.

Faltas ou quedas de entes queridos?

Respeitemos as experiências deles reconhecendo que estamos à frente de nossas próprias lições.

Dificuldades?

A provação é o metro de avaliação de nossa própria fé.

Moléstias físicas?

Pausas para iluminação e refazimento da vida espiritual.

Profecias inquietantes?

Reflitamos: o sol que se levantou ontem pela misericórdia de Deus, pela misericórdia de Deus brilhará para nós também hoje.


André Luiz















quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 178 - Combate interior



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 178


Combate interior


“Tendo o mesmo combate que já em mim tendes visto e agora ouvis estar em mim.” — PAULO. (Filipenses, 1:30)


Em plena juventude, Paulo terçou armas contra as circunstâncias comuns, de modo a consolidar posição para impor-se no futuro da raça. 

Pelejou por sobrepujar a inteligência de muitos jovens que lhe foram contemporâneos, deixou colegas e companheiros distanciados. 

Discutiu com doutores da Lei e venceu-os. 

Entregou-se à conquista de situação material invejável e conseguiu-a. 

Combateu por evidenciar-se no tribunal mais alto de Jerusalém e sobrepôs-se a velhos orientadores do povo escolhido. 

Resolveu perseguir aqueles que interpretava por inimigos da ordem estabelecida e multiplicou adversários em toda parte. 

Feriu, atormentou, complicou situações de amigos respeitáveis, sentenciou pessoas inocentes a inquietações inomináveis, guerreou pecadores e santos, justos e injustos…

Surgiu, contudo, um momento em que o Senhor lhe convoca o espírito a outro gênero de batalha — o combate consigo mesmo.

Chegada essa hora, Paulo de Tarso cala-se e escuta…

Quebra-se-lhe a espada nas mãos para sempre.

Não tem braços para hostilizar e sim para ajudar e servir.

Caminha, modificado, em sentido inverso. Ao invés de humilhar os outros, dobra a própria cerviz.

Sofre e aperfeiçoa-se no silêncio, com a mesma disposição de trabalho que o caracterizava nos tempos de cegueira.

É apedrejado, açoitado, preso, incompreendido muitas vezes, mas prossegue sempre, ao encontro da Divina Renovação.

Se ainda não combates contigo mesmo, dia virá em que serás chamado a semelhante serviço. Ora e vigia, prepara-te e afeiçoa o coração à humildade e à paciência. Lembra-te, meu irmão, de que nem mesmo Paulo, agraciado pela visita pessoal de Jesus, conseguiu escapar.


Emmanuel












quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Páginas de Fé - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 11 - No problema da dor



Emmanuel - Livro Páginas de Fé - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 11


No problema da dor


Para liquidar o problema da dor, ninguém deprecie a responsabilidade que lhe compete.

O Universo é regido pela Justiça Divina, e, nos tribunais do Perfeito Equilíbrio, todo sofrimento é resgate entre as criaturas, quando não seja luminosa missão de amor dos Espíritos angélicos.

Para ilustrar o conceito, recordemos que as doenças no mundo requerem medidas especiais.

O embaraço gástrico pede medicação laxativa.

A arteriosclerose exige tratamento adequado.

A apendicite reclama a intercessão operatória.

A escabiose aguarda recurso balsamizante.

O carcinoma pede extirpação e limpeza.

A loucura roga amparo e insulamento.

Para a legião das moléstias comuns, surge todo um exército de especialistas e enfermeiros, socorros e intervenções.

Assim também, na Vida Espiritual, cada consciência culpada que lhe alcança os domínios pelos braços da morte, implora a assistência na farmácia da vida.

A dor é procurada como remédio valioso e a reencarnação é o caminho em que deve ser encontrada.

Quem abusou da fortuna material, pede a cooperação da extrema pobreza.

Quem relaxou a saúde, clama pela enfermidade como medida capaz de garantir-lhe o reajuste.

Quem se arrojou à delinquência, na alucinação da beleza física, pede o corpo disforme que lhe assegure o retorno à tranquilidade.

Quem aviltou a inteligência, suplica as inibições mentais do cérebro curto, como serviço indispensável à própria restauração.

Quem se valeu do poder para espalhar aflições e lágrimas, requisita a desvalia social com problemas difíceis em que lágrimas e aflições lhe regenerem o campo íntimo.

Recebe, pois, o tipo de experiência que escolheste na Terra, em benefício de tua própria recuperação para Deus, sem desfalecer no trabalho que a Justiça te reservou.

Acolhe a dor e a luta por sábias instrutoras da vida e não lhes menoscabes o concurso santificante.

A sombra de ontem te procura o asilo de hoje e somente ao preço de teu sacrifício na tarefa redentora, pelo próprio dever bem cumprido, é que atingirás, valoroso e feliz; a Plena Luz de Amanhã.


Emmanuel













Emmanuel - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 24.1 - Deus e caridade



Emmanuel - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 24.1


Deus e caridade


5. Caridade e humildade, tal a senda única da salvação. Egoísmo e orgulho, tal a da perdição. Este princípio se acha formulado nos seguintes precisos termos: “Amarás a Deus de toda a tua alma e a teu próximo como a ti mesmo; toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” E, para que não haja equívoco sobre a interpretação do amor de Deus e do próximo, acrescenta: “E aqui está o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro”, isto é, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar o próximo, nem amar o próximo sem amar a Deus. Logo, tudo o que se faça contra o próximo o mesmo é que faze-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se resumem nesta máxima: "FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO. (O Evangelho Segundo o Espiritismo — Cap. XV)


779. A força para progredir, haure-a o homem em si mesmo, ou o progresso é apenas fruto de um ensinamento?

“O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente. Mas, nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se então que os mais adiantados auxiliam o progresso dos outros, por meio do contato social.” (O Livro dos Espíritos).


Por longos e tortuosos caminhos, temos procurado a integração com Deus.

Existências múltiplas atravessamos, forças enormes despendemos…

Julgávamos estivesse nele a egolatria dos tiranos coroados e inventamos processos de adoração com que lhe granjeássemos a simpatia; 

supúnhamos homenagear-lhe a grandeza com o fausto dos ritos exteriores e erigimos palácios em que lhe ofertássemos o ouro e a púrpura, em forma de louvor; 

acreditávamos que o Supremo Senhor quisesse dominar as criaturas pelo freio da violência e não hesitávamos em criar sistemas religiosos de opressão com que se dobrasse a cerviz de quantos não pensassem pela nossa cabeça; 

admitíamos fosse ele ávido de honrarias e não vacilávamos consagrar-lhe sacrifícios sanguinolentos, à frente de símbolos com que lhe mentalizávamos a presença!…

Compadecendo-se de nossa ignorância, a Divina Providência deliberou enviar alguém que nos instruísse nos caminhos da elevação, e Jesus, o Sublime Governador do Planeta Terrestre, veio em pessoa explicar-nos que Deus não nos pede nem adulações e nem pompas, nem vítimas e nem holocaustos, e sim o coração inflamado de fraternidade, a serviço do bem, para que a Terra se abra, enfim, à glória e à felicidade do Seu Reino.

Por esse motivo, o Mestre, embora respeitasse as convicções dos seus contemporâneos, esmerou-se em ensinar-nos a união com Deus, acima de tudo, através do socorro aos necessitados, da esperança aos tristes, do amparo aos enfermos e do alívio aos sofredores de todas as procedências… 

Desde então, renovadora luz clareou o espírito das nações e a Humanidade começou a compreender que Deus, o Pai Justo e Misericordioso, a ninguém exclui de Sua Bênção e que a todos nos espera, hoje ou mais tarde, por filhos bem-amados, unidos na condição de verdadeiros irmãos uns dos outros.

É por isso que, em todos os países e em todas as crenças, em todos os templos e em todos os lares da Terra, onde se pratique realmente o Evangelho de Jesus, o culto à Providência Divina começa com a caridade primeiro.


Emmanuel














terça-feira, 13 de outubro de 2026

Chico Xavier - Livro Chico Xavier, a aurora de uma vida entre o Céu e a Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 76 - A voz íntima



Chico Xavier - Livro Chico Xavier, a aurora de uma vida entre o Céu e a Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 76


A voz íntima


Para a alma triste, a meditação no silêncio da natureza é conforto sublime, é um farol a iluminar a treva dos dias que se escoam na Terra.

A alma, ao procurar desprender-se das cenas banais da existência carnal, vislumbra o ponto máximo onde ela coloca a sua alegria e que se denomina os Céus.

Luzes suavíssimas acendem-se em seu íntimo e descortina panoramas inéditos dentro da vida, ouvindo vozes estranhas que, sem ser articuladas, chegam nitidamente aos seus ouvidos.

Parecem emitidas pelos seres radiosos que presidem o desenvolvimento e o progresso do mundo aos sábios desígnios do Incriado. 

Se todo homem as escutasse, não haveria na Terra a iniquidade que ocasiona o sofrimento, pois ao interrogar, no silêncio do seu interior, essa força desconhecida e invisível aos nossos olhos perecíveis, sobre o problema do destino, escutaria, maravilhado:

"Alma, não és mais que um átomo da vida dentro do Universo e Aquele que te criou concedeu-te o poder de um deus. 

Possuis a liberdade mais ampla e conquistarás os troféus aos quais te dedicaste alcançar.

O Criador criou a justiça tão incorrupta que se te propuseres a buscar a luz tê-la-ás em tuas mãos e o mesmo acontecerá se te consagrares às obscuridades das trevas.

O teu pensamento domina todos os elementos da natureza e julgas-te, muita vez, o senhor absoluto da Criação e apenas a dor te faz conhecer a tua situação de hóspede no mundo.

Quanto mais o orgulho te faz elevar altivamente a cabeça mais o sofrimento se te faz dobrar, a fim de que reconheças a tua pequenez.

Persegues a felicidade mundana doidamente e te esqueces de que a ventura não é a satisfação falaz dos sentidos. 

És quase sempre infeliz como resultado às tuas irreflexões e, no entanto, podes ser o herdeiro direto do Pai dos Céus se te dedicares ao que é puro e perfeito, ao que eleva e dignifica. 

Poderás construir castelos indestrutíveis de luz se o amor divino for a bússola que te guie através da vida planetária.

Homem, sê bom, procurando a grandeza na humildade, a resignação no sofrimento, a luz na própria dor e a alegria ainda que seja nos prantos. 

Que a tua existência seja toda voltada ao bem e tecerás com tuas mãos a coroa de glória que há de aureolar-te nos Planos luminosos, onde a vida é imperecível!"


Chico Xavier











*Autores diversos subscritos por Chico Xavier.
16 de janeiro de 1932.


Emmanuel - Livro Esperança e Luz - Espíritos Diversos - Chico Xavier - Cap. 7 - As pedras do caminho



Emmanuel - Livro Esperança e Luz - Espíritos Diversos - Chico Xavier - Cap. 7


As pedras do caminho


"Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro" (Mateus 13:30)


Meu prezado irmão, que a paz de Jesus derrame sobre o seu coração as suas bênçãos divinas.

Em nossa tarefa de consolação e de amor, não nos detenhamos na contemplação das pedras do caminho.

Se a análise é um esforço sagrado com os que tenham olhos de ver e coração para sentir, o atrito de opiniões nos bastidores das ideias religiosas, sem que hajam nos Espíritos, a mesma capacidade de visão espiritual e o mesmo sentimento de fraternidade e de amor nos corações, torna-se numa pedra que pode paralisar, indefinidamente, a nova marcha para Deus.

Com respeito às teses do Consolador, que consubstanciam a Terceira Revelação, em face da Igreja romana, mais que nós, acima de quaisquer polêmicas ou comentários, falam as misérias e as ruínas da suposta consciência cristã nesta hora amarga do mundo, fruto das cogitações políticas do Papado.

Não nos cabe discutir qualquer ponto de vista particular, em matéria religiosa. Cada qual deve guardar a sua concepção, de conformidade com a sua “zona lúcida”.

E são poucos os que a preferem conservar na zona de seus imperativos de ordem econômica, no complexo das atividades sociais.

O nosso esforço é o da cristianização, dentro da certeza de que todas as ilusões cairão por si mesmas, sem que o Senhor para destruir os falsos ídolos necessite mobilizar os processos agressivos do mundo.

Em nossos labores doutrinários, não nos impressionemos com os longos discursos e com os amontoados de palavras. 

Aos subterfúgios e à intoxicação intelectual, respondamos com a nossa tarefa de edificação e de nosso trabalho, como quem sabe que cada um deve responder por suas próprias obras.

São elas que salvam ou condenam os homens, longe das escolas religiosas a que se hajam filiado nas inquietações terrestres.

E quanto ao mais, lembremos que o Mestre Divino recomendou o crescimento simultâneo do joio e do trigo, na sua semeadura bendita. Suas mãos misericordiosas saberão guardar os frutos da verdade na ocasião da ceifa.

Oremos pelos nossos irmãos que não nos compreendem e não perturbemos a nossa marcha para Deus, cultivando qualquer cristalização do caminho.


Emmanuel












(Mensagem dirigida a um irmão solicitante, em 14 de abril de 1939.)
Fonte: O Caminho † Escritura do Espiritismo Cristão