Miramez - Livro Médiuns - João Nunes Maia - Cap. 3
Curas
"Percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo". — (MATEUS, 4:23).
Todo desequilíbrio orgânico promana da mente, de onde vertem forças deletérias incompatíveis com a paz do corpo.
Cristo, o mensageiro da cura em todas as dimensões, prova-nos isto, percorrendo toda a Galileia, ensinando elevados preceitos, como que num preparo, ambientando as almas a pensamentos puros, para que pudessem introjetar nos organismos enfermos o magnetismo puro, emanado de seus laboratórios mentais, em conexão com a natureza, pródiga e benfeitora, a nosso dispor.
Antes de qualquer toque nos doentes, anunciava a Boa Nova, instruía-os acerca das leis de Deus, e convidava os que se curavam pela Sua magnânima presença a não pecar mais, onde deduzimos que o erro gera distúrbios no universo celular, que o reparo depende fortemente da reforma das ideias, no escaninho da mente.
Jesus tinha o dom de curar, por excelência. Foi, quando na Terra, o Maior Médium Curador, bastando somente uma ordem, uma expressão visível, para que o enfermo ficasse livre das enfermidades. Sua fama, relata-nos o apóstolo Mateus neste tópico, correu por toda a Síria, de onde vieram inúmeros enfermos de todos os tipos, e foram todos curados por Ele, além de multidões de várias cidades que O seguiam. A pregação do Evangelho tinha prioridade, antecedendo o toque ou os gestos de curar.
Nuvens de fluidos curativos contornavam a Sua personalidade, como falanges de espíritos puros, esperando a ordem do Divino Médico, na prosa famosa do "Levanta-te e anda", para que tudo fosse feito de acordo com a Sua vontade, como sendo a vontade do próprio Deus. No tocante às curas, imprescindível se faz amestrar a fé, não fugir, mas destronar a dúvida e o desânimo com o calor da esperança. Eis o Cristo como padrão, como exemplo da pureza mediúnica, traçando caminhos, estendendo convites para os novos discípulos da Boa Nova, que renasceram na Terra com a sagrada missão de curar.
Médiuns curadores! Antes de exercitar vossas faculdades de aliviar o próximo, de curar enfermidades, de consolar os desesperados, procurai em primeiro plano o reino de Deus, que para nós é a instrução.
Procurai o reino da luz, que para nós é a educação dos sentimentos. Deixai que o sol do amor invada vossos corações, ampliando, com isso, a Sabedoria, antes de tocar os enfermos. Convidai-os ao reino Evangélico, criai condições para que ele, ou eles, possam ler mensagens educativas. Fazei, se puderdes, que o doente se interesse pelas leituras que transmitem os conceitos do Mestre, principalmente as que revivem a Sua obra imortal de renovação das criaturas. É certo que o corpo deve ser curado.
Desde que têm início nas profundezas da mente, os pensamentos enfermos infernizam o organismo. As ideias desajustadas perturbam o metabolismo, colocando em deficiência o aparelho carnal, de modo que o espírito desalinha sua missão, e sofre as consequências da sua própria ignorância. De fato, a enfermidade nos desperta para a cura verdadeira, obrigando-nos a nos libertarmos pelo conhecimento da verdade. Contudo, o preço desta verdade é o suor das nossas próprias experiências.
Falamos às almas acordadas para o serviço do Bem; por isso, salientamos normas de elevados moldes de disciplina, sem que elas levem o cunho da imposição, deixando somente o convite para o estudo mais profundo das tarefas que nos foram entregues, em favor da coletividade.
Miramez