Joanna de Ângelis - Livro Jesus e Vida - Divaldo Pereira Franco - Cap. 18
Sempre o amor
Dotado de inteligência e de consciência, o amor é-lhe sublime herança que jaz em seu íntimo, aguardando o momento de exteriorizar-se em plenitude.
Inicia-se em forma egóica, quando se volta exclusivamente para si mesmo, com olvido emocional dos outros.
Lentamente, porém, as necessidades de relacionamento e os impulsos gregários estimulam os centros adormecidos da afetividade e começa a desabrochar, ensejando as manifestações apaixonadas, em face do estágio em que o espírito ainda transita, para logo passar aos sentimentos de fraternidade, de compaixão, de ternura, alcançando o seu nobre patamar.
Em razão do largo trânsito nas faixas primárias, por onde se demorou, só, a pouco e pouco, liberta-se dos atavismos animais, da predominância da força bruta e do desejo de supremacia em relação ao seu próximo.
Como todos se encontram fadados ao Bem, é inevitável que o amor se lhes transforme na mais bela didática para esse cometimento.
Ainda incompreendido, permanece, na atualidade, confundido com erotismo e interesses mesquinhos, avançando para a conquista de um diferente entendimento em torno das funções da existência terrestre e da vida em si mesma.
Cantado e exposto com exaltação, o seu sentido profundo nem sempre é captado por aqueles que o exaltam, mais estimulados pelos apetites da libido, do que mesmo atraídos pelas suas dúlcidas expressões.
O amor, entretanto, é a mais eficiente lição para o autoencontro, para a autorrealização, para a construção da sociedade mais feliz e mais pacífica.
Muitos conflitos que aturdem os indivíduos, dando lugar a lutas fratricidas, a competições desastrosas, a nacionalismos exagerados, que derrapam em atos de perverso terrorismo, são atribuídos ao amor, porém, na sua feição doentia e sangrenta, quando na condição de comportamento bárbaro procedente de épocas muito recuadas...
O amor sempre compreende, mantendo um sentimento de paciência e de compaixão que faculta equacionar todas as dificuldades que surgem pelo caminho da sua manifestação.
Quando isso não ocorre, em realidade, ele está ausente, apresentando-se substitutos que se disfarçam com as suas características, sem conseguirem ocultar a sua realidade.
O amor promana de Deus que é a Fonte Inexaurível, portanto, expressa-se sempre com bondade e misericórdia, gentileza e auxílio, até culminar na expressão máxima da caridade.
Os arremedos precipitados, em seu nome, podem ser considerados como tentativas não exitosas de vivenciá-lo, faltando a indispensável maturidade emocional para senti-lo.
O amor é como uma chama harmoniosa que ilumina em derredor, no entanto, para manter-se pleno necessita do combustível do entendimento humano.
Por ser íntimo e pessoal, a sua mensagem de luz não dá lugar a sombras, já que se expande em todos os sentidos, a tudo e a todos envolvendo.
A pretexto algum recuses o amor.
Não permaneças cerrado à sua voz.
Abre-te à sua mensagem, tornando-te dúctil ao seu conteúdo.
Evita considerar-te destituído de valores que possam despertar o sentimento do amor.
Para tanto, passa a amar.
Não tenhas pressa em colher os frutos da sementeira da tua doação afetiva, eliminando os interesses imediatistas e servis que tipificam essa fase de busca e de oferta.
Sê simples e compreensivo.
Considera que sempre há tempo para plantar e tempo para colher.
Desse modo, não aneles por uma colheita antes da ensementação.
Desfaze-te do pessimismo e da amargura, da inveja e do ressentimento em relação às demais pessoas.
Nada é como parece. Aqueles que se te apresentam risonhos, ditosos e plenos, muitas vezes encontram-se experienciando testemunhos difíceis, aflições não reveladas, necessidades várias...
Não são dissimuladores, somente estão tentando não deixar que os problemas angustiantes deles retirem a oportunidade de crescimento e de libertação das suas garras.
São lutadores a caminho do êxito, são nautas corajosos atravessando mares de pélagos violentos.
Assim sendo, não te permitas queixas e censuras, porque não te sintas amado ou porque tenhas dificuldades em amar com abnegação.
O amor verdadeiro não é possessivo, não pretende tomar nada nem submeter a ninguém.
É como um rio generoso que flui suas águas na direção do mar que, mesmo distante, constitui-lhe a meta a alcançar, não importando quando isso venha a acontecer.
Na tradição indiana, desde priscas eras, canta-se a frase: Leva-me à outra margem...
Assim apelam vendedores, condutores, cancioneiros, pastores...
A outra margem da vida é a imortalidade, a continuidade do existir, que as experiências conduzem de um para outro lado vibratório do processo evolutivo.
O amor é o missionário que sempre se encarrega de levar aqueles que se deixam transportar pela sua canção.
A mensagem de que é portador não se encontra no mercado ou em farmácias especializadas. Está no imo do coração, bastando, somente, que a pessoa a busque silenciosamente e a exteriorize.
De sublime constituição, mais beneficia aquele que o oferta, que propriamente aquele que
o recebe.
É qual perfume que permanece nas mãos que o brindam, como sucede com todo aquele
que doa rosas.
Faze-te amante do amor e verificarás o rumo ditoso que tomará a tua existência.
O amor é tão fundamental que se pode sobreviver por um expressivo período sem pão e mesmo sem água, mas sem ele a vida desfalece e perde o seu significado, logo perecendo.
Quando Jesus tomou como base da Sua mensagem o amor, o mundo renovou-se de um para outro momento, diferente esperança tomou conta das multidões, novos horizontes foram traçados para a humanidade...
Embora ainda não esteja sendo vivenciado, é como um sol que aquece as vidas enregeladas nos descaminhos das paixões e dos sofrimentos, oferecendo certeza de amparo e de bênçãos.
Portanto, em qualquer situação existencial, o amor é sempre de fundamental importância.
Joanna de Ângelis






