terça-feira, 29 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 5 - Mudança e proveito



Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 5


Mudança e proveito


“… Assim também andemos nós em novidade de vida.” — PAULO (Romanos, 6:4)

Criaturas existem que se confessam dedicadas ao espírito de mudança que a vida exige de cada um, e tão somente por se referirem a isso alteram obrigações assumidas, logo ao se sentirem incomodadas por singelos motivos de feição pessoal.

Mal começam ação determinada, ou em meio da empresa edificante a que se consagraram, se experimentam o impacto de pequeninos contratempos, asseveram que é preciso mudar para progredir, relegando a outrem problemas e encargos que lhes competem.

Semelhante atitude, porém, resulta simplesmente de insatisfação e imaturidade.

Renovação não é alterar o caminho, porque estejamos sob as consequências de ajustes e decisões abraçados por nós mesmos, com vistas à nossa melhoria espiritual; muito mais que isso, é aceitar varonilmente as ocorrências adversas, os golpes da estrada, os desafios da prova e as crises da existência, incluindo as mudanças a que penúria, abandono, enfermidade ou desencarnação nos constranjam, procurando servir mais e melhor no plano de evolução e trabalho em que a Providência Divina nos colocou.

Transformação permanente por dentro, metamorfose da alma que encerra consigo bastante poder para transfigurar dificuldade em lição e sombra em luz.

Paulo de Tarso, que tanta vez nos impele à renovação, converteu cada dia em trilha mais alta de acesso à confiança no Senhor e ao serviço em favor do próximo, sem renunciar aos sacrifícios pessoais que a obra esposada lhe impunha.

Reformemos sentimento, ideia, observação, expressão e discernimento, descerrando portas e janelas sempre novas em nosso mundo íntimo, para que a vida nos acrescente os recursos de conhecimento, receptividade, visão e interpretação — mas sejamos fiéis aos nossos compromissos até ao fim.


Emmanuel












(Reformador, janeiro 1965, página 2)

Emmanuel - Livro Diálogo dos Vivos - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 21 - Renovação do mundo



Emmanuel - Livro Diálogo dos Vivos - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 21


Renovação do mundo


 DUPLA RENOVAÇÃO


“Época de transição”: esta é a legenda que repetis frequentemente para definir a atualidade terrestre, em que surpreendeis, a cada passo, larga fieira de ocorrências inusitadas.

Conflitos. Desencarnações em massa.

Acidentes enlutando almas e lares.

Desvinculações violentas.

Dramas no instituto doméstico.

Processos obsessivos, culminando com perturbações e lágrimas.

Moléstias de etiologia obscura. Incompreensões.

Forçoso observar, no entanto, que o Plano Físico e o Plano Espiritual que se lhe segue reagem constantemente um sobre o outro. 

Criaturas desencarnadas atuam no ambiente dos companheiros encarnados e vice-versa.  

E se vos reportais ao término do segundo milênio de civilização cristã em que vos achais, com a expectativa e o entusiasmo de quem se vê à frente de uma era nova, as mesmas circunstâncias se verificam na Espiritualidade, entre aqueles que aspiram a obter o retorno à Terra, expressando propósitos de autoburilamento em nível mais alto de evolução.

É por isto que legiões enormes de irmãos, domiciliados no Mais Além, vêm solicitando, desde algum tempo, reencarnações difíceis;

testemunhos acerbos de aperfeiçoamento íntimo;

tempo curto no veículo físico, de modo a complementarem tarefas inacabadas em diversos setores da experiência humana;

presença ligeira, junto de seres queridos, a fim de chamá-los à consideração da Vida Superior; 

ou empreitadas de serviço moral para a liquidação de empreendimentos redentores, largados por eles nos caminhos do tempo.

Para isso, tentam aproveitar-se da última vigésima parte do segundo milênio, a que nos referimos, para encerrarem o balanço das experiências menos felizes que lhes dizem respeito nos séculos últimos.

Perante a Vida Maior, quase tudo aquilo que vedes, presentemente, em matéria de agitação ou desequilíbrio, nada mais significa que a movimentação mais intensa de vastas coletividades que retornam à Esfera Física, em regime de urgência, no intuito de conseguirem retoques e meios com que possam abordar os tempos novos em condições mais dignas de trabalho e progresso.

Mantenhamo-nos prudentes, abstenhamo-nos de agravar dificuldades, evitemos a formação de problemas, orando e construindo, seja nos obstáculos que nos atinjam, seja nas inquietações que assaltem aos outros.  

Mas sejam quais forem as circunstâncias, estejamos atentos à fé para servir e compreender, reconhecendo que todas as provas de hoje são recursos e instrumentos de que se vale a Providência Divina a fim de conduzir-nos à Vida Melhor de amanhã.


Emmanuel











Nosso grupo de amigos, antes da reunião, discutia sobre os problemas da nossa época. Todos partilhávamos da conversação, tratando da renovação do nosso mundo. Salientávamos as dificuldades espirituais em curso.

O horário chamou-nos às tarefas programadas. E depois da prece inicial, O Evangelho Segundo o Espiritismo nos ofertou para estudo o item 19 do capítulo III. Os comentários dos companheiros a respeito foram os mais valiosos. E ao terminar a nossa reunião, foi Emmanuel quem trouxe a página mediúnica de complementação dos estudos. (Francisco Cândido Xavier)

19. O progresso é lei da Natureza; a essa lei todos os seres da Criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que aos homens parece o termo final de todas as coisas, é apenas um meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre o aniquilamento.

Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados a constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada em a Natureza permanece estacionário. Quão grandiosa é essa ideia e digna da majestade do Criador! quanto, ao contrário, é mesquinha e indigna do seu poder a que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia, que é a Terra, e restringe a Humanidade aos poucos homens que a habitam!

Segundo aquela lei, este mundo esteve material e moralmente num estado inferior ao em que hoje se acha e se alçará sob esse duplo aspecto a um grau mais elevado. Ele há chegado a um dos seus períodos de transformação, em que, de orbe expiatório, mudar-se-á em planeta de regeneração, onde os homens serão ditosos, porque nele imperará a lei de Deus. — (SANTO AGOSTINHO. Paris, 1862.)


NOTA — O item citado trata da evolução dos mundos e refere-se especialmente à Terra, concluindo pela afirmação de que o nosso planeta se encontra “num dos seus períodos de transição, em que passa de mundo expiatório a mundo de regeneração”. As crises que o abalam são apenas sintomas desse lento processo de sua transformação.











segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XV - João Nunes Maia - Cap. 2 - A natureza em ação



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XV - João Nunes Maia - Cap. 2


A natureza em ação


716. Mediante a organização que nos deu, não traçou a Natureza o limite das nossas necessidades?

“Sem dúvida, mas o homem é insaciável. Por meio da organização que lhe deu, a Natureza lhe traçou o limite das necessidades; porém, os vícios lhe alteraram a constituição e lhe criaram necessidades que não são reais.” (O Livro dos Espíritos)


Diante da organização que Deus deu à humanidade pelos canais da natureza, Ele traçou os limites do que essa organização divina e humana precisaria para viver. O ser humano, incentivando os hábitos que se tornaram vícios, se perdeu nos labirintos dos erros, procurando satisfação de certos apetites grosseiros, tentando torcer as leis em que a natureza se expressa para manter a educação de todo ser vivente.

Mas, mesmo com a natureza humana continuando no desrespeito às leis, a natureza continua a mostrá-las pela sua própria vida e a corrigir todos aqueles que a desrespeitam. O aparelho digestivo, por exemplo, tem certa capacidade na absorção de alimentos, no entanto, o homem procura certos ingredientes para ativar mais a fome, acabando em estimulá-lo para o desequilíbrio, comendo o dobro ou mais do que precisaria para viver. Ele passa, então, a viver para comer, e não a comer para viver. E surge a tão conhecida gula. É o abuso da delicadeza orgânica, pela qual o homem depois pagará caro pelo supérfluo que se movimenta dentro de si, em formação da desarmonia do complexo físico. A medicina do futuro será mais preventiva, ensinando ao homem, desde criança, a cuidar-se de si mesma, por não precisar mais de sofrer pela força da gula. As doenças são as respostas para a ignorância, quando se usam mal os bens da vida.

A natureza traçou os limites e o homem não quis entender; queria aproveitar a vida, no dizer dos que ignoram, passando esse desregramento de geração a geração, mal que se espalhou no mundo inteiro. Mas a natureza, por misericórdia, vem em seu auxílio, inspirando na feitura dos medicamentos, de modo que a educação possa surgir juntamente com a cura. É indispensável, porém, que a criatura passe a amar a natureza, e não estrague as possibilidades dos outros seres vivos, que eles lhe entregarão a força curativa de um modo natural e simples, em várias dimensões da vida. Isso é muito interessante; é o que devemos fazer logo: amar as águas, as plantas, os animais, o ar, o sol e a própria vida, mas, em primeiro lugar, ao Criador de todas as coisas, para então sentirmos o próximo como sendo a nós mesmos. Esse procedimento é a natureza em ação permanentemente.

"É necessário que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar." (João,9:4)

A noite vem, disse Jesus, a noite dos tempos em cobrança pelos carmas coletivos, e ninguém pode mais trabalhar a não ser saldar dívidas.

O Espiritismo anuncia em todas as suas mensagens a hora soando, os clarins da eternidade tocando e convidando aos homens e Espíritos a lançarem mãos ao arado sem olhar para trás, fazendo as obras de Deus, que Ele nos entregou para realizar.

Homens, despertai! Jesus é o ponto culminante da fé, da educação e da sabedoria. Não percais Sua luz, nem fecheis os olhos ao Seu convite de amor. O amor é a força soberana que salva todas as criaturas da ignorância, conduzindo a todos nós para o bom uso de todos os bens da vida, enriquecendo os corações, para que possamos sentir a esperança, sentirmos que existe a felicidade.


Miramez













Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 14 - Fazer e não fazer



Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 14


Fazer e não fazer


“Portanto, para quem sabe fazer o bem e não o faz, para este é pecado.” (Tiago - 4:17)


Você informa que muitas vezes se demora atônito sem saber o rumo que tomar, quando convidado a definições.

Programe, porém, sua paz através do tempo, — não a improvise.

Seja imparcial, — não indiferente.

Exponha suas convicções, — não as imponha.

Conserve a atitude humilde, — não receosa.

Refira-se à verdade, — não a transformando em instrumento de dor para o próximo.

Procure ajudar, — não apenas agradar.

Não condicione a sua afeição, — oferte-a.

Não reaja pela ira, — atue pelo amor.

Não invista num só golpe toda a sua confiança, — aplique-a a pouco e pouco.

Não reduza sua capacidade de amar ante o desalento, — ame duplicadamente a quem o não entender.

Para qualquer situação, há pequeninas regras que ajudam bem viver.

Desde que você se imponha à tônica de instruir, amar, servir e passar adiante, sem a preocupação de colimar todos os objetivos, dando a cada um o direito de ser como é, porém, em relação à própria conduta, conforme ensinou Allan Kardec, busque ser hoje melhor do que ontem e amanhã tente ser melhor do que hoje.


Marco Prisco












André Luiz - Livro Cartas do Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier - 2ª Parte, Cap. 15 - Espiritismo



André Luiz - Livro Cartas do Coração - Espíritos Diversos / Chico Xavier - 2ª Parte, Cap. 15


Espiritismo


Espiritismo não é apenas o consolador da Terra.

É o renovador do “eu”.

Não constitui somente a iluminação das massas.

É lâmpada acesa para o coração do homem.

Não é simplesmente Boa Nova no espírito popular.

É Nova Mensagem de redenção para o indivíduo.

Não é apenas a fonte miraculosa da graça.

É campo de esforço próprio.

Não é somente a técnica de salvação para todos.

É o processo de solução exata aos problemas de cada um.

Não se resume a palácio de princípios sublimes no corpo ciclópico do século.

É casa de trabalho regenerador para cada dia.

Não representa simplesmente a usina poderosa impulsionando a ascensão coletiva.

É motor destinado à elevação pessoal.

Não está circunscrito ao santuário da esperança reconfortante.

É esfera de serviço ativo da nossa redenção individual no supremo bem.

Espiritismo, pois, que não santifique o Homem, pode ser uma atividade respeitável, mas não edificará no mundo o reino de Deus.


André Luiz












domingo, 27 de setembro de 2026

Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 48 - O amor



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 48


O amor


O amor é a fonte de todas as virtudes, é a mãe de luz, tendo Deus como Pai. É a força divina por excelência, que nos dá alegria, sendo o alimento dos Espíritos.

O amor começa nas afinidades e faz uma viagem pelo progresso, crescendo cada vez mais na iluminação que a vida pode lhe oferecer. A sua estrutura de energia é grandiosa, chegando ao ponto de o evangelista João dizer que Deus é amor, conceito divino que ficou conhecido no mundo inteiro, que todos respeitam.

Muitos procuram exercitar essa virtude, fazendo dele, como fenômeno, o fator de mudança de comportamento das criaturas. Se você começa a pensar no amor, perde o poder de ferir; se o amor é o seu assunto de cada dia, não tem lugar na sua mente para o ódio; se o amor lhe interessa nas conversações, tem mais facilidade de liberar o perdão; buscando amizade com todas as criaturas, quando o amor é motivo de vida para a sua vida, a caridade desempenhará a vontade de Deus no seu coração.

O afeto, quando inicia sua vida na vida do homem, fica mais conhecido como alma boa, que entende e procura entender a Jesus. Na Terra, a única religião que podemos compreender como verdadeira é o amor; ele brilha em todas as nações, e nos empresta meios de elevação para a conquista dessa virtude singular.

Ele se aninha no coração das pessoas e se expressa como simpatia que agrada a todos, irradiando-se para todos os lados, mostrando no silêncio que existe a felicidade. O amor domina todas as dimensões da vida, chegando até Deus. Jesus se fez o Mestre dos mestres pelo amor, que Deus Lhe ensinou.

Os Espíritos somente se libertam quando conseguem conquistar o amor, pois no exercício dessa virtude a iluminação atinge a cidade íntima, fazendo com que a consciência se tranquilize, atingindo igualmente o coração, de maneira a desprender energias para os que nos procuram; e a doação é sem limites, ainda mais, sem exigências.

O amor é paz, porque dá nascimento à harmonia; a harmonia fertiliza o campo onde prospera a alegria, e essa ajuda na disseminação do perdão, que não se esquece da amizade.

A Doutrina Espírita, se é Jesus voltando para a humanidade, pode-se dizer que é a afeição visitando as nações, para o engrandecimento da harmonia em todos os cantos da Terra. E ainda, por impulso de Cristo, educa e instrui a todos, fazendo-o por amor.

Se você deseja crescer espiritualmente, dedique-se aos trabalhos que a Doutrina Espírita lhe indica, que todos eles o levarão ao amor.

Se você dá início ao amor, na dimensão que entende essa virtude, o Senhor o abençoe, para que ele cresça cada vez mais, chegando a sentir na intimidade a existência de Deus, reconhecendo que está sendo dirigido na sua vida por Jesus.


Miramez






O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XI — Amar o próximo como a si mesmo - Instruções dos Espíritos - A lei de amor

8. O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra – amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.

O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino. Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem.

Disse eu que em seus começos o homem só instintos possuía. Mais próximo, portanto, ainda se acha do ponto de partida, do que da meta, aquele em quem predominam os instintos. A fim de avançar para a meta, tem a criatura que vencer os instintos, em proveito dos sentimentos, isto é, que aperfeiçoar estes últimos, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões do sentimento; trazem consigo o progresso, como a glande encerra em si o carvalho, e os seres menos adiantados são os que, emergindo pouco a pouco de suas crisálidas, se conservam escravizados aos instintos. O Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens terrenos: a elevação gloriosa. É então que, compreendendo a lei de amor que liga todos os seres, buscareis nela os gozos suavíssimos da alma, prelúdios das alegrias celestes. – Lázaro. (Paris, 1862.)









Joanna de Ângelis - Livro Amor, Imbatível Amor - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5 - Medo de amar



Joanna de Ângelis - Livro Amor, Imbatível Amor - Divaldo Pereira Franco - Cap. 5


Medo de amar


A insegurança emocional responde pelo medo de amar.

Como o amor constitui um grande desafio para o Self, o indivíduo enfermiço, de conduta transtornada, inquieto, ambicioso, vítima do egotismo, evita amar, a fim de não se desequipar dos instrumentos nos quais oculta a debilidade afetiva, agredindo ou escamoteando-se em disfarces variados.

O amor é mecanismo de libertação do ser, mediante o qual, todos os revestimentos da aparência cedem lugar ao Si profundo, despido dos atavios físicos e mentais, sob os quais o ego se esconde.

O medo de amar é muito maior do que parece no organismo social. As criaturas, vitimadas pelas ambições imediatistas, negociam o prazer que denominam como amor ou impõem-se ser amadas, como se tal conquista fosse resultado de determinados condicionamentos ou exigências, que sempre resultam em fracasso.

Toda vez que alguém exige ser amado, demonstra desconhecimento das possibilidades que lhe dormem em latência e afirma os conflitos de que se vê objeto. O amor, para tal indivíduo, não passa de um recurso para uso, para satisfações imediatas, iniciando pela projeção da imagem que se destaca, não percebendo que, aqueloutros que o louvam e o bajulam, demonstrando-lhe afetividade são, também, inconscientes, que se utilizam da ocasião para darem vazão às necessidades de afirmação da personalidade, ao que denominam de um lugar ao Sol, no qual pretendem brilhar com a claridade alheia.

Vemo-los no desfile dos oportunistas e gozadores, dos bulhentos e aproveitadores que sempre cercam as pessoas denominadas de sucesso, ao lado das quais se encontram vazios de sentimento, não preenchendo os espaços daqueles a quem pretendem agradar, igualmente sedentos de amor real.

O amor está presente no relacionamento existente entre pais e filhos, amigos e irmãos. Mas também se expressa no sentimento do prazer, imediato ou que venha a acontecer mais tarde, em forma de bem-estar. Não se pode dissociar o amor desse mecanismo do prazer mais elevado, mediato, aquele que não atormenta nem exige, mas surge como resposta emergente do próprio ato de amar. Quando o amor se instala no ser humano, de imediato uma sensação de prazer se lhe apresenta natural, enriquecendo-o de vitalidade e de alegria com as quais adquire resistência para a luta e para os grandes desafios, aureolado de ternura e de paz.

O amor resulta da emoção, que pode ser definida como uma reação intensa e breve do organismo a um lance inesperado, a qual se acompanha dum estado afetivo de concentração penosa ou agradável, do ponto de vista psicológico.

Também pode ser definida como o movimento emergente de um estado de excitamento de prazer ou dor.

Como consequência, o amor sempre se direciona àqueles que são simpáticos entre si e com os quais se pode manter um relacionamento agradável.

Este conceito, porém, se restringe à exigência do amor que se expressa pela emoção física, transformando-se em prazer sensual.

Sob outro aspecto, há o amor profundo, não necessariamente correspondido, mas feito de respeito e de carinho pelo indivíduo, por uma obra de arte, por algo da Natureza, pelo ideal, pela conquista de alguma coisa superior ou transcendente, para cujo logro se empenham todas as forças disponíveis, em expectativa de um prazer remoto a alcançar.

As experiências positivas desenvolvem os sentimentos de afetividade e de carinho, as desagradáveis propõem uma postura de reserva ou que se faz cautelosa, quando não se apresenta negativa.

No medo de amar, estão definidos os traumas de infância, cujos reflexos se apresentam em relação às demais pessoas como projeções dos tormentos sofridos naquele período. Também pode resultar de insatisfação pessoal, em conflito de comportamento por imaturidade psicológica, ou reminiscência de sofrimentos, ou nos seus usos indevidos em reencarnações transatas.

De alguma forma, no amor, há uma natural necessidade de aproximação física, de contato e de contiguidade com a pessoa querida.

Quando se é carente, essa necessidade torna-se tormentosa, deixando de expressar o amor real para tornar-se desejo de prazer imediato, consumidor. Se for estabelecida uma dependência emocional, logo o amor se transforma e torna-se um tipo de ansiedade que se confunde com o verdadeiro sentimento.

Eis porque, muitas vezes, quando alguém diz com aflição eu o amo, está tentando dizer eu necessito de você, que são sentimentos muito diferentes.

O amor condicional, dependente, imana uma pessoa à outra, ao invés de libertá-la.

Quando não existe essa liberdade, o significado do eu o amo, o transforma na exigência de você me deve amar, impondo uma resposta de sentimento inexistente no outro.

O medo de amar também tem origem no receio de não merecer ser amado, o que constitui um complexo de inferioridade.

Todas as pessoas são carentes de amor e dele credoras, mesmo quando não possuam recursos hábeis para consegui-lo.

Mas sempre haverá alguém que esteja disposto a expandir o seu sentimento de amor, sintonizando com outros, também portadores de necessidades afetivas.

O medo, pois, de amar, pelo receio de manter um compromisso sério, deve ser substituído pela busca da afetividade, que se inicia na amizade e termina no amor pleno. Tal sentimento é agradável pela oportunidade de expandir-se, ampliando os horizontes de quem deseja amigos e torna-se companheiro, desenvolvendo a emoção do prazer pelo relacionamento desinteressado, que se vai alterando até se transformar em amor legítimo.

Indispensável, portanto, superar o conflito do medo de amar, iniciando-se no esforço de afeiçoar-se a outrem, não gerando dependência, nem impondo condições.

Somente assim a vida adquire sentido psicológico e o sentimento de amor domina o ser.


Joanna de Ângelis