segunda-feira, 13 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 8.1 - Companheiros francos



Emmanuel - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 8.1


Companheiros francos


13. “Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado”, disse Jesus. Essa sentença faz da indulgência um dever para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência...”  (O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. X)


922. A felicidade terrestre é relativa à posição de cada um. O que basta para a felicidade de um, constitui a desgraça de outro. Haverá, contudo, alguma soma de felicidade comum a todos os homens?

“Com relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranqüila e a fé no futuro.” (O Livro dos Espíritos)


Na esfera do sentimento, somos habitualmente defrontados por certa classe de amigos que são sempre dos mais preciosos e aos quais nem sempre sabemos atribuir o justo valor: aqueles que nos dizem a verdade, acerca das nossas necessidades de espírito.

Invariavelmente, categorizamos em alta conta as afeições que nos assegurem conveniências de superfície, nos quadros do mundo. Confiança naqueles que nos multipliquem as posses efêmeras e solidariedade aos que nos garantam maior apreço no grupo social.

Perfeitamente cabível a nossa gratidão para com todos os benfeitores que nos enriquecem as oportunidades de progredir e trabalhar na experiência comum.

Sejamos, porém, honestos conosco e reconheçamos que não nos é fácil aceitar o concurso dos companheiros cuja palavra franca e esclarecedora nos auxilia na supressão dos enganos que nos parasitam a existência. 

Se nos falam, sem qualquer circunlóquio, em torno dos perigos de que nos achamos ameaçados, à vista de nossa inexperiência ou invigilância, ainda mesmo quando enfeitem a frase com o arminho da bondade mais pura, frequentemente reagimos de maneira negativa, acusando-os de ingratos e duros de coração. 

Se insistem, não raro consideramo-los obsidiados, quando não permitimos que o mel da amizade se nos transtorne na alma em vinagre de aversão, exagerando-lhes os pequeninos defeitos, com absoluto esquecimento das nobres qualidades de que são portadores.

Tenhamos em consideração distinta os amigos incapazes de acalentar-nos desequilíbrios ou ilusões. Jamais cometamos o disparate de misturá-los com os caluniadores.  

Os empreiteiros da difamação e da injúria falam destruindo. 

Os amigos positivos e generosos advertem e avisam com discrição e bondade. 

Sempre que algo nos digam, sacudindo-nos a alma, entremos em sintonia com a própria consciência, roguemos ao Senhor nos sustente a sinceridade e saibamos ouvi-los.


Emmanuel





O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. X - Bem-aventurados os que são misericordiosos - Não julgueis, para não serdes julgados. - Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado

13. “Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado”, disse Jesus. Essa sentença faz da indulgência um dever para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de profligarmos a alguém uma falta, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.

O reproche lançado à conduta de outrem pode obedecer a dois móveis: reprimir o mal, ou desacreditar a pessoa cujos atos se criticam. Não tem escusa nunca este último propósito, porquanto, no caso, então, só há maledicência e maldade. O primeiro pode ser louvável e constitui mesmo, em certas ocasiões, um dever, porque um bem deverá daí resultar, e porque, a não ser assim, jamais, na sociedade, se reprimiria o mal. Não cumpre, aliás, ao homem auxiliar o progresso do seu semelhante? Importa, pois, não se tome em sentido absoluto este princípio: “Não julgueis se não quiserdes ser julgado”, porquanto a letra mata e o espírito vivifica.

Não é possível que Jesus haja proibido se profligue o mal, uma vez que ele próprio nos deu o exemplo, tendo-o feito, até, em termos enérgicos. O que quis significar é que a autoridade para censurar está na razão direta da autoridade moral daquele que censura. Tornar-se alguém culpado daquilo que condena noutrem é abdicar dessa autoridade, é privar-se do direito de repressão. A consciência íntima, ao demais, nega respeito e submissão voluntária àquele que, investido de um poder qualquer, viola as leis e os princípios de cuja aplicação lhe cabe o encargo. Aos olhos de Deus, uma única autoridade legítima existe: a que se apóia no exemplo que dá do bem. É o que, igualmente, ressalta das palavras de Jesus.




Emmanuel - Livro Trevo de Ideias - Chico Xavier - Cap. 1 - Vontade e destino



Emmanuel - Livro Trevo de Ideias - Chico Xavier - Cap. 1


Vontade e destino


Tudo está matematicamente dosado nas formações da natureza, entretanto, as leis divinas estabelecem que a vontade consciente da criatura tome os ingredientes do mundo, com a possibilidade constante de tudo alterar, modificar, fazer e refazer, construir e reconstruir nas trilhas da existência.

Nitroglicerina e matéria silicosa constituem a dinamite, capaz de efetuar depredações e arrasamentos, mas, se o homem lhe controla as explosões, nela encontra valioso auxiliar de serviço.

Ferro e carbono, habilmente conjugados, compõem o aço comum que tanto satisfaz na prática belicista, como atende na base da indústria ou na garantia da construção.

Lama e detrito criam o charco; no entanto, se alguém lhe aplica drenagem conveniente, ei-lo que se converte em celeiro de pão.

A laranjeira rústica estende pomos azedos, contudo, se recebe enxertia adequada, esparze larga cópia de frutos suculentos.

Assim também o destino. Culpa e resgate somam dificuldade e dor, mas se empregamos fé viva em nossa capacidade de realizar o melhor, aceitando o sofrimento por recurso de correção e aprimoramento, ainda mesmo na sombra do extremo infortúnio, podemos traçar o caminho da paz e acender a chama da elevação.


Emmanuel













Joanna de Ângelis - Livro Luz Viva - Marco Prisco / Joanna de Ângelis - Divaldo P. Franco - Cap. 1 - Vida espiritual



Joanna de Ângelis - Livro Luz Viva - Marco Prisco / Joanna de Ângelis - Divaldo P. Franco - Cap. 1


Vida espiritual


"Em tese geral, pode-se afirmar que a felicidade é uma utopia a cuja conquista as gerações se lançam sucessivamente, sem jamais lograrem  alcança-la." (François-Nicolas-Madeleine, cardeal Morlot, Paris, 1863 / ESE - Cap. V, item 20)


Quando o Espírito projeta seu pensamento para a Vida espiritual a felicidade se faz possível.

Examinada, apenas, do ponto de vista terreno, a felicidade não tem qualquer significado, pois que ainda desconhecida...

A felicidade é um estado interior, resultante de largo trabalho de renovação espiritual e ação apoiada em fé raciocinada, na qual luz a caridade apontando o rumo da esperança.

No mundo, o ser somente tem aflições, por ser a Terra uma escola de renovação, de disciplina e evolução espiritual.

Aprende, pois, a servir substituindo padrões comportamentais e pensamentos, por elevados conceitos e atitudes quanto à vida.

As aspirações otimistas emulam à vitória sobre si mesmo.

Permanecendo em paz de consciência e coração tranqüilo, ante a dor o ser não se rebela; Sob ofensas não se entibia;

Diante de incompreensões, não desanima;

Em circunstâncias desagradáveis e carências, não se revolta...

Abre-te, pois, ao amor, à ação da caridade, estabelecendo-te condições para o estado de felicidade, em plenitude de Vida além dos limites terrestres, conforme afirmou o Mestre:

- Meu Reino não é deste mundo.


Joanna de Ângelis






O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. V — Bem-aventurados os aflitos - Instruções dos Espíritos

A felicidade não é deste mundo.

20. Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! exclama geralmente o homem em todas as posições sociais. Isso, meus caros filhos, prova, melhor do que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo.” Com efeito, nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a florida juventude são condições essenciais à felicidade. Digo mais: nem mesmo reunidas essas três condições tão desejadas, porquanto incessantemente se ouvem, no seio das classes mais privilegiadas, pessoas de todas as idades se queixarem amargamente da situação em que se encontram.

Diante de tal fato, é inconcebível que as classes laboriosas e militantes invejem com tanta ânsia a posição das que parecem favorecidas da fortuna. Neste mundo, por mais que faça, cada um tem a sua parte de labor e de miséria, sua cota de sofrimentos e de decepções, donde facilmente se chega à conclusão de que a Terra é lugar de provas e de expiações.

Assim, pois, os que pregam que ela é a única morada do homem e que somente nela e numa só existência é que lhe cumpre alcançar o mais alto grau das felicidades que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam os que os escutam, visto que demonstrado está, por experiência arqui-secular, que só excepcionalmente este globo apresenta as condições necessárias à completa felicidade do indivíduo.

Em tese geral pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia a cuja conquista as gerações se lançam sucessivamente, sem jamais lograrem alcançá-la. Se o homem ajuizado é uma raridade neste mundo, o homem absolutamente feliz jamais foi encontrado.

O em que consiste a felicidade na Terra é coisa tão efêmera para aquele que não tem a guiá-lo a ponderação, que, por um ano, um mês, uma semana de satisfação completa, todo o resto da existência é uma série de amarguras e decepções. E notai, meus caros filhos, que falo dos venturosos da Terra, dos que são invejados pela multidão.

Conseguintemente, se à morada terrena são peculiares as provas e a expiação, forçoso é se admita que, algures, moradas há mais favorecidas, onde o Espírito, conquanto aprisionado ainda numa carne material, possui em toda a plenitude os gozos inerentes à vida humana. Tal a razão por que Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão gravitar um dia, quando vos achardes suficientemente purificados e aperfeiçoados.

Todavia, não deduzais das minhas palavras que a Terra esteja destinada para sempre a ser uma penitenciária. Não, certamente! Dos progressos já realizados, podeis facilmente deduzir os progressos futuros e, dos melhoramentos sociais conseguidos, novos e mais fecundos melhoramentos. Essa a tarefa imensa cuja execução cabe à nova doutrina que os Espíritos vos revelaram.

Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime e que cada um de vós se despoje do homem velho. Deveis todos consagrar-vos à propagação desse Espiritismo que já deu começo à vossa própria regeneração. Corre-vos o dever de fazer que os vossos irmãos participem dos raios da sagrada luz. Mãos, portanto, à obra, meus muito queridos filhos! Que nesta reunião solene todos os vossos corações aspirem a esse grandioso objetivo de preparar para as gerações porvindouras um mundo onde já não seja vã a palavra felicidade.


François-Nicolas-Madeleine, cardeal Morlot.
Paris, 1863.







Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. V - João Nunes Maia - Cap. 31 - Progresso constante



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. V - João Nunes Maia - Cap. 31


Progresso constante


235. Enquanto permanecem nos mundos transitórios, os Espíritos progridem?

“Certamente. Os que vão a tais mundos levam o objetivo de se instruírem e de poderem mais facilmente obter permissão para passar a outros lugares melhores e chegar à perfeição que os eleitos atingem.”


Certamente que os Espíritos progridem em estágio nos mundos transitórios. Em qualquer lugar onde as almas se encontrem, o despertamento, mesmo que seja vagaroso, é um fato inconteste. Nada para em todas as escaladas da vida, desde o vírus ao anjo.

A lei de crescimento foi estabelecida pelo Criador de todas as coisas. Devemos estar cientes de que a vontade de progredir, a consciência da alma de avançar pelos esforços próprios, acende no íntimo uma luz, cuja disposição nos levará a maior ritmo de crescimento.

Pode-se, em uma só reencarnação, ganhar o tempo que poderia levar muitas delas. Jesus foi quem nos deu as modalidades do despertar para as realidades com mais segurança. O Seu Evangelho nos mostra o caminho; basta seguí-lo com honestidade e amor. A confiança é força da fé.

Estamos no fim de uma jornada, que dá início a outra maior, e é sempre nessas épocas que os céus descem com todo o fulgor, como bênção do Pai, para todos os filhos que possam entender o Seu chamado.

A mediunidade é tão velha quanto o mundo, mas ela, disciplinada, procede das mãos do Cristo, que motivou em Seus discípulos essas qualidades valiosas em favor dos que sofrem e choram. As mensagens que descem do céu à Terra são inúmeras, todos os dias, em todas as nações do mundo, contudo no Brasil elas são mais acentuadas, orientando, assim essa pátria para ser o coração que pulsa, emitindo luz a todas as outras.

O futuro nos dirá que tudo que hoje amedronta os homens doutos e ignorantes, foram alertas para que eles pudessem conhecer Jesus, conhecendo a verdade. Todos os planos foram traçados por Deus, no crescimento das criaturas. Não devemos temer. Temer o que, se os homens, por enquanto, não sabem o que fazem? Jesus é o diretor espiritual do planeta com o consentimento de Deus, Ser Supremo, e onisciente das Suas qualidades e das Suas criações. Quem tem confiança na Divindade, está livre de temores.

Os Espíritos que vão aos mundos de regeneração levam o propósito de se melhorarem, mas, carregam consigo as suas paixões em diversas formas, e lá haverão de se livrarem delas, para que a consciência fique marcada pela tranqüilidade e o coração dê sinal de liberdade espiritual. O progresso é constante, no entanto, depende, de certa forma, do Espírito. O Espírito pode se elevar com mais rapidez, assistido pelos anjos do Senhor, se logo entender a mensagem que parte de todos os lados.

A passagem pelos mundos transitórios é uma chance para o Espírito, é o sinal de que compreenderá logo as leis, e a demora neste mundo é curta, trazendo consigo lições imortais, onde o amor estabiliza a própria vida, e a caridade assegura a luz para todos os caminhos que porventura trilhar.

Quem conhece Deus e n'Ele confia está bem onde a natureza lhe convidar para ir. Nada teme, porque em todos os lugares se encontra o Senhor nos abençoando e nos livrando de todo o mal, onde esse possa nos prejudicar.

O objetivo dos Espíritos é chegar aos mundos superiores, onde tudo é claridade, onde o amor é lei em todos os movimentos e a caridade é o clima de todos os seres. Esforcemo-nos, que todos estamos a caminho da perfeição. Que Deus nos abençoe e que Cristo nos acompanhe nas nossas decisões para o bem imortal.


Miramez











Santo Agostinho - Revista Espírita - Allan Kardec - Maio, 1859 - Mundos intermediários ou transitórios



Allan Kardec - Revista Espírita - Maio, 1859


Mundos intermediários ou transitórios


Vimos, numa das respostas dadas no artigo anterior que, ao que parece, haveria mundos destinados aos Espíritos errantes. A ideia desses mundos não perpassava na mente de nenhum dos assistentes e ninguém nela teria pensado se não fora a espontânea revelação de Mozart, o que constitui uma nova prova de que as comunicações espíritas podem ser independentes de toda opinião preconcebida. Com o objetivo de aprofundar esta questão, nós a submetemos a um outro Espírito, fora da Sociedade e por intermédio de outro médium, que não tinha nenhum conhecimento do assunto. 

A Santo Agostinho.

Existem mundos que servem de estações aos Espíritos errantes, ou como pontos de repouso, conforme nos disseram?

─ Existem, mas apresentam diferentes graus, isto é, ocupam posição intermediária entre os outros mundos, conforme a natureza dos Espíritos que os procuram e que aí gozam de maior ou menor bem-estar.

Os Espíritos que habitam esses mundos podem deixá-los à vontade?

─ Sim. Os Espíritos que os habitam podem afastar-se para ir aonde precisem. Imaginai-os como aves de arribação pousando sobre uma ilha a fim de refazerem as suas forças para prosseguirem em busca do seu destino.

Os Espíritos progridem enquanto estacionam nesses mundos intermediários?

─ Certamente. Os que assim se reúnem fazem-no com o fito de instruir-se e poderem mais facilmente obter permissão para irem a melhores lugares e alcançar a posição dos eleitos.

Esses mundos, por sua natureza especial, são perpetuamente reservados a Espíritos errantes?

─ Não. Sua situação é transitória.

São habitados simultaneamente por seres corpóreos?

─ Não.

Têm uma constituição semelhante à dos outros planetas?

─ Sim, mas a superfície é estéril.

Por que essa esterilidade?

─ Aqueles que os habitam de nada precisam.

Essa esterilidade é permanente e devida à sua natureza especial?

─ Não. Eles são transitoriamente estéreis.

Então esses mundos são desprovidos de belezas naturais?

─ A Natureza se traduz pelas belezas da imensidade, não menos admiráveis que as que chamais belezas naturais.

Há desses mundos em nosso sistema planetário?

─ Não.

Desde que se trata de um estado transitório, a Terra estará um dia nesse número?

─ Ela já esteve.

Em que época?

─ Durante a sua formação.


Santo Agostinho



NOTA: Mais uma vez esta comunicação confirma a grande verdade de que nada é inútil na Natureza. Todas as coisas têm um fim, um destino; nada é vazio, tudo é habitado; a vida está em toda parte. Assim, durante a longa série de séculos decorridos antes do aparecimento do homem na face da Terra; durante esses lentos períodos de transição, atestados pelas camadas geológicas; antes mesmo da formação dos primeiros seres orgânicos, sobre essa massa informe; nesse árido caos onde os elementos se confundiam, não havia ausência de vida. Seres que não tinham as nossas necessidades, nem as nossas sensações físicas aqui se refugiavam. Quis Deus que, mesmo nesse estado imperfeito, ela servisse para alguma coisa. Quem, pois, ousaria dizer que entre esses milhares de mundos que circulam na imensidade, um só e dos menores, perdido na multidão, teria o privilégio exclusivo de ser povoado? Qual seria, então, a utilidade dos outros? Deus tê-los-ia criado apenas para deleitar os nossos olhos? Suposição absurda, incompatível com a sabedoria que brilha em todas as suas obras. Ninguém contestará que há nesta ideia dos mundos ainda inadequados à vida material e no entanto povoados por seres vivos apropriados ao meio, algo de grandioso e de sublime, onde talvez se encontre a solução de muitos problemas.


Allan Kardec














Fonte: IPEAK

domingo, 12 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Janela para a Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10 - Anotações no caminho



Emmanuel - Livro Janela para a Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10


Anotações no caminho


Não podes negar que o progresso no mundo te criou exigências de todo porte.

Vivendo numa época dedicada ao culto da velocidade, em que necessitas correr, mentalmente, no encalço das horas, a fim de satisfazer aos próprios encargos, é indispensável adotes a serenidade por suporte de todas as decisões.

Quanto mais complexidade nos assuntos, mais compreensão para clareá-los.

Quanto mais urgência, mais calma.

Imaginemos o corpo físico na posição do carro que diriges.

Os preceitos de paz que asseguram a consciência tranquila assemelham-se aos sinais do trânsito.

E as várias províncias do envoltório físico lembram peças de constituição específica a exigirem cuidado para que não se desgastem sem razão.

Aproveitemos o lembrete para fixar o respeito que nos cabe às próprias condições e às condições alheias, de modo a não nos perdermos em cogitações inúteis.

Em quaisquer circunstâncias, abstém-te de avançar no regime da precipitação desnecessária.

Não atravesses, à frente dos companheiros, em ocasiões nas quais semelhantes manobras são desaconselháveis.

Não exijas que os outros viajem na Terra em veículos iguais ao teu, conformando-te com a realidade de que nas estradas cada pessoa segue a seu modo.

Compadece-te dos irmãos do caminho que se mostrem inábeis, imprudentes, distraídos ou disparados, ignorando os perigos da rebeldia e da indisciplina.

Em suma, escora-te na paciência e exerce a tolerância, amparando o próximo quanto puderes, de vez que empregando a paciência e a tolerância, onde estiveres, auxiliarás aos próprios Mensageiros da Providência Divina para que eles também te possam auxiliar.


Emmanuel










Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. VII - João Nunes Maia - Cap. 34 - Momento decisivo



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. VII - João Nunes Maia - Cap. 34


Momento decisivo


340. É solene para o Espírito o instante da sua encarnação? Pratica ele esse ato considerando-o grande e importante?

“Procede como o viajante que embarca para uma travessia perigosa e que não sabe se encontrará ou não a morte nas ondas que se decide a afrontar.”

A.K.: O viajante que embarca sabe a que perigo se lança, mas não sabe se naufragará. O mesmo se dá com o Espírito: conhece o gênero das provas a que se submete, mas não sabe se sucumbirá. Assim como, para o Espírito, a morte do corpo é uma espécie de renascimento, a reencarnação é uma espécie de morte, ou antes, de exílio, de clausura. Ele deixa o mundo dos Espíritos pelo mundo corporal, como o homem deixa este mundo por aquele. Sabe que reencarnará, como o homem sabe que morrerá. Mas, como este com relação à morte, o Espírito só no instante supremo, quando chegou o momento predestinado, tem consciência de que vai reencarnar. Então, qual do homem em agonia, dele se apodera a perturbação, que se prolonga até que a nova existência se ache positivamente encetada. À aproximação do momento de reencarnar, sente uma espécie de agonia.  (O Livro dos Espíritos - 2 ª Parte - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos - Cap. VII - Da volta do Espírito à vida corporal. - Prelúdio da volta)


Nos momentos decisivos em que se aproxima da reencarnação, o Espírito se perturba e é tomado de emoções diferentes das que sente em horas de alegria. Soa para ele a entrada na vida física, aconchegando-se mais à intimidade da sua futura mãe. Os laços se confundem com o sistema emotivo da mãezinha em preparo para gerar um corpo na oficina de Deus, no seu mundo íntimo. Lágrimas e alegrias se manifestam nas linhas mais puras do amor.

Para nós do mundo espiritual, a morte é quando se reencarna e a alma entra na vida quando desencarna; contudo, o estado da alma que entra nesses processos é que vai decidir onde ela vai entrar, se no céu ou no inferno. Copiando Jesus, tornamos a dizer, a felicidade começa na intimidade do Espírito, como a água pura que se bebe se encontra no seio da terra.

Devemos purificar nossa mente em todos os quadrantes do entendimento, fazer exercícios todos os dias para melhorarmos com Jesus, que Ele, sendo o nosso Guia, não nos deixará desviar dos caminhos que nos levam a libertação. Ele tudo faz para compreendermos as leis de Deus, mas, não pode compreender por nós. A nossa luz é individual, e somente nós, com as bênçãos de Deus, poderemos acendê-la, mostrando aos que têm olhos para ver que estamos sendo escolhidos para o despertamento espiritual.

Somos um conjunto, como rebanho de Jesus Cristo, todos juntos com os mesmos ideais, não obstante, cada criatura tem um destino a seguir e forças a liberar. É preciso despertar a criatividade em favor do bem de todos, ajudando no ponto em que formos chamados, a unir todas as nações e todos os homens, para que eles compreendam o amor e amem; compreendam a caridade pura e a pratiquem, compreendam o perdão e perdoem.

Lembremo-nos, porém, que somente poderemos ajudar onde estivermos, pelo exemplo da nossa vida. O exemplo se irradia em todos os rumos, atingindo todas as criaturas, de maneira a cooperar na transformação dos mundos internos de todas elas. Se desejamos transformar-nos por fora, mudemos por dentro.

O Espírito que entra pela porta estreita, como já dissemos, da reencarnação, é como que um viajante, no dizer de "O Livro dos Espíritos", que decide viajar sem saber ao certo se vencerá os obstáculos do caminho. Se podemos dizer, é uma aventura necessária à sua evolução. É nesse sentido que as escolas espirituais trabalham, para encorajar todos os Espíritos que descem à Terra, nas linhas das vidas sucessivas, a fim de não voltarem do meio do caminho, complicando assim as outras voltas que se devem suceder.

Podemos começar o trabalho de preparo para novas reencarnações, na caridade, no entendimento e mesmo no amor. A Doutrina Espírita vem nos esclarecer todos os pontos frágeis que temos. O lema do Espiritismo é: "Educai-vos e instrui-vos". Desta forma, não cairemos em novas tentações.

O Espírito, conforme o seu entendimento, na hora do nascimento, ou melhor, no momento das ligações dos primeiros laços ao corpo que deve se formar, sente que está morrendo, perdendo a consciência, para depois recuperá-la gradativamente com o crescimento do corpo, mas não na totalidade dos poderes do Espírito; apenas pequena percentagem de consciência, no sentido de que os nossos esforços como prisioneiro na carne possam criar um compromisso dos nossos deveres ante as promessas aceitas.

Mas, a bondade de Deus é tamanha, que em todos esses lances temos amigos espirituais que nos acompanham como pais, de onde vertem todo o carinho e amor, a nos mostrar os caminhos da Luz. E tudo isso depende das nossas decisões de acertar com Jesus no coração.


Miramez