terça-feira, 6 de outubro de 2026

Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 39 - Cadeias



Marco Prisco - Livro Momentos de Decisão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 39


Cadeias


"Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me." — (Marcos, 8:34).


Há prisões sem paredes mais cruéis do que as celas das penitenciárias.

Amarguram as horas, algemam as esperanças, asfixiam as alegrias.

Desenvolvendo-se nos recessos do Espírito, aumentam os tentáculos, retendo os passos da própria vítima.

São as paixões.

Quanto possível, acenda luz na própria alma, dinamizando as energias da casa mental.

Jesus fez-se o caminho. Não se detenha!

A semente valiosa, que desdenha a terra humilde, candidata-se à morte.

Paralisia é sinônimo de destruição.

Por essa razão, a Doutrina Espírita, em esclarecendo as diretrizes da vida, arrebenta todas as prisões sem grades do seu mundo íntimo a fim de que você seja feliz.

O avanço, porém, dependerá do seu esforço.

Jesus acena com todas as esperanças do Reino dos Céus, no entanto, foi claro e incisivo no seu enunciado:

— “Se alguém quer vir após mim...”

É necessário romper com tudo e seguir.


Marco Prisco





















Emmanuel - Livro Linha Duzentos - Chico Xavier - Cap. 11 - Da sombra para a luz



Emmanuel - Livro Linha Duzentos - Chico Xavier - Cap. 11


Da sombra para a luz


Estranhamos, muitas vezes, na Terra, a multiplicidade dos conflitos emocionais que nos assaltam, de improviso, assinalando deploráveis influências ocultas.

Em muitas circunstâncias, basta leve impulso na direção do bem, para que se manifestem, desesperadas, como a impedir-nos o acesso à Vida Superior.

Na iniciação da mediunidade surgem, quase sempre, na forma de obsessões marginais, ameaçando-nos as mais belas aspirações, tanto quanto na construção da fé viva, adentro de nosso grupo familiar, aparecem na feição de desentendimento e discórdia, a se expressarem rudes e virulentas naqueles que mais amamos.

Entretanto, no exame do problema, recorramos a quadro simples da Natureza.

Toda vez que necessitamos rasgar estradas novas no seio da gleba anônima, duro trabalho de educação do solo se faz imprescindível.

Sobre o chão agressivo e áspero, picareta e trator se mostram necessários, reclamando-se, ainda, o auxílio do pedregulho arestoso na pavimentação do caminho, antes que o homem se valha dele na movimentação do progresso.

Utilizamo-nos do símile para considerar que também na abertura de novas rotas do espírito, tarefas sacrificiais se exigem de nós com vistas ao indispensável burilamento e, assim como os engenheiros supervisionam a obra, confiando-a a braços rijos, habilitados à remoção do material primitivo e inferior, também os Instrutores Celestes, sem perder-nos, entregam-nos a companheiros mais ou menos semelhantes a nós, que nos desbastam o campo íntimo, através de lutas e sofrimentos até que lhes ofereçamos justo padrão de serviço ao apostolado de luz que se propõem a veicular.

É por isso que, em todos os percalços de nossa edificação para a Vida Eterna, realmente, não podemos dispensar o concurso efetivo da paciência, porque somente por essa virtude singela e renovadora é que poderemos vencer as inibições externas com o necessário triunfo sobre nós mesmos.


Emmanuel














André Luiz - Livro Sinal Verde - Chico Xavier - Cap. 44 - Hóspedes



André Luiz - Livro Sinal Verde - Chico Xavier - Cap. 44


Hóspedes


Convite é responsabilidade para quem o formula.

O hóspede receberá o tratamento que se dispensa à família.

Nenhum amigo, por mais íntimo, tomará a liberdade de chegar à residência dos anfitriões, a fim de hospedar-se com eles, sem aviso.

Se a pessoa não é convidada a hospedar-se com esse ou aquele companheiro e precisa valer-se da moradia deles para certos fins, mesmo a curto prazo, não deve fazer isso sem consulta prévia.

Se alguém procura saber de alguém, quanto à possibilidade de hospedagem e não recebe resposta, procederá corretamente, buscando um hotel, de vez que o amigo consultado talvez tenha dificuldades, em casa, que, de pronto, não possa resolver.

Um hóspede para ser educado não entra nos desacordos da família ou do grupo que o acolhe.

Em casa alheia, necessitamos naturalmente respeitar os horários e hábitos dos anfitriões, evitando interferir em assuntos de cozinha e arranjos domésticos, embora seja obrigação trazer o quarto de dormir tão organizado e tão limpo, quanto possível.

Grande mostra de educação acatar os pontos de vista das pessoas amigas, na residência delas.

Na moradia dos outros, é imperioso ocupar banheiros pelo mínimo de tempo, para que não se estrague a vida de quem nos oferece acolhimento.

Fugir de apontamentos e relatos inconvenientes à mesa, principalmente na hora das refeições.

O hóspede não se intrometerá em conversações caseiras que não lhe digam respeito.

Justo gratificar, dentro das possibilidades próprias, aos irmãos empregados nas residências que nos hospedam, já que eles não têm a obrigação de nos servir.


André Luiz














segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Bezerra de Menezes - Livro Chico Xavier, 100 anos de Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 11 - Dois missionários



Bezerra de Menezes - Livro Chico Xavier, 100 anos de Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 11


Dois missionários


Caridade material e moral são os temas da noite.

E estamos em outubro, com a necessidade de lembrar dois heróis do Cristianismo: Allan Kardec e Francisco de Assis.

O primeiro foi explicador dos ensinos do Mestre e o segundo foi aquele que soube vivenciar o Evangelho. 

Kardec, desde cedo, consagrou-se ao estudo e observando o fenômeno de cadeiras e mesas deslocadas, notou atenciosamente os resultados dos movimentos em derredor e, meditando sobre isso, na prece foi chamado pelo Espírito Verdade para organizar as idéias que todos esses eventos consubstanciavam e dedicou-se de tal modo à caridade moral que, de 1857 a 1869, em doze anos consecutivos, compendiou em livros e escritos outros a Doutrina Espírita que os todos nos beneficia, formando a primeira confraria e a primeira livraria para explicar os ensinamentos do Senhor. 

Nunca se irritou com as pedradas e sarcasmos e sim nos deu o ensinamento dos livros que nos auxiliam a compreender nossos deveres e destinos, baseando-se nas lições e ensinamentos do Senhor e evidenciando a supremacia do Cristianismo, traçou a pergunta-resposta nº 625, em O Livro dos Espíritos, a mostra-nos no Divino Mestre o alvo a que todos devemos alcançar. 

Partiu da Terra, trabalhando e escrevendo por amor ao Divino Amigo e a todos nós na Humanidade.

A ele, a nossa homenagem e o dever de seguir-lhe o exemplo santo.

Francisco de Assis nasceu de pais ricos, mas depois de alguns anos na primeira juventude em que abdicou a prazeres e companhias, sem apoio espiritual, voltou-se para o Evangelho e, advertido pelo progenitor sobre os seus gastos, devolveu-lhe as próprias roupas que vestia. 

Aos quase vinte anos alistou-se na milícia de Gualtieri de Brienne, no entanto em 1202, chamado a exercícios de guerra, revelou-se desatento aos movimentos de guerra, pois Gualtueri servira a um exército do Papa, foi por esse comandante demitido, sob a pecha de covarde, mas tomado de amor a Jesus, vislumbrou o Mestre, à cuja frente se ajoelhou em oração. 

Logo fundou a confraria formada por muitos companheiros e, em seguida a caminho revelado em Spoleto, confirmou-se sua fé que desposara. 

Organizando um tribunal de improviso, o Comandante que o desertara das fileiras, fez um rápido questionário afim de surpreendê-lo. 

Do questionário destacamos somente estas perguntas, a fim de salientar-lhe a fé em Deus.

Perguntou o capitão da milícia de defesa do papa Inocêncio III, indagando-lhe:

–  Então, agora você está livre?

Francisco respondeu:

–  Não livre para matar os meus semelhantes.

O Chefe revidou:

–  Não têm respeito às tradições de seu pai?

O interpelado respondeu:

–  A meu pai todo o meu apreço, entretanto, ele e eu temos o Pai que é Deus e não nos será possível esquecer isso.

 –  E a sua responsabilidade perante o Papa?

Francisco alegou:

–  Venero sua Santidade, mas o meu rei morreu, há muitos anos numa cruz, coroado de espinhos.

E de 1205 até 3 de outubro de 1226 viajou, muitas vezes, com Frei Leão [Irmão Leo], em peregrinações para auxiliar doentes, especialmente leprosos, aos quais manifestava carinho paternal. 

Depois da pregação comunicando o Evangelho às comunidades da Itália, do Egito e da própria Terra Santa, faleceu, quase nu na paróquia da Igreja de Santa Maria dos Anjos, nos arredores de Assis.

São estes missionários, recordados agora, em 3 de outubro, nos anos 1869 e outro em 1226. A distância no tempo não lhes desfigura a grandeza e apresentamos o assunto para convidar-vos à fidelidade, ao trabalho, à tolerância e à persistência.

Que o Senhor nos abençoe e nos ensine a seguir-lhes os exemplos, porque este é o caminho dos que escolhem a caridade, o amor, a vida e a luz, a fim de estarmos hoje e sempre na sagrada presença de Jesus.


Bezerra de Menezes






VÍDEO:

Evangelho restaurado - Artur Valadares




Palestra realizada no dia 03/10/2026 na Casa de Fraternidade Chico Xavier, em Araraquara/SP, por ocasião dos 10 anos do NEPE Francisco de Assis.



Joanna de Ângelis - Livro Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda - Divaldo Pereira Franco - Cap. 13 - Libertação pelo amor



Joanna de Ângelis - Livro Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda - Divaldo Pereira Franco - Cap. 13


Libertação pelo amor

    
"(. . .) Amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Mateus, 22:39)


Toda a essência da vida encontra-se estabelecida no amor, que é de procedência divina. Alcançar esse clímax do processo da evolução é o cometimento mais audacioso que o ser inteligente encontra pelo caminho ascensional.

Na perspectiva da Psicologia Profunda, o ser vive para amar e ser amado, iluminar a sombra e fazer prevalecer o Self.

Esse processo encerra toda a saga da autoconquista de cada ser, que deve transformar impulsos em sentimentos, atavismos em atividades lúcidas, heranças dominadoras em aquisições plenas, instintos arraigados em emoções harmônicas, hábitos estratificados em realizações edificantes, tendências inferiores em aspirações elevadas sob os impulsos do amor. Tal é o grande compromisso que deve ser atendido por todas as criaturas que anelam pela tranquilidade e pelo bem-estar legítimo.

Invariavelmente o amor surge como desejo inicial de compartir alegrias e repartir realizações. Expressando-se inconscientemente no zelo pela prole, na defesa pelo clã, no interesse pelo progresso pessoal, como o daqueles que lhe dizem respeito pela consanguinidade, inicia o seu mister crescendo ascensionalmente de forma a ampliar-se cada vez mais.

Terapia eficiente para superação da sombra, o amor é o medicamento salutar para o ego enfermo, estímulo eficiente para o Self que desabrocha soberano quando irrigado pelo fluxo desse sentimento superior da vida.

Jesus, o Homem, fez-se o exemplo mais vivido do amor de que o mundo tem notícias.

Submetido às injunções por que passam todas as criaturas, a Sua trajetória fez-se assinalada pelas mais vigorosas páginas de compreensão e brandura para com todos, exercendo autoridade e carinho em perfeita harmonia, mesmo nas situações mais chocantes, sem perder o equilíbrio nem a afetividade. Quando austero, educava amorosamente e com energia; quando meigo, orientava com ternura e segurança; ante a hipocrisia insidiosa e perversa, assumia a atitude de enfrentamento sem descer à condição infeliz do seu antagonista, repreendendo-o e desmascarando-o com o objetivo de educá-lo.

A ausência do amor no ser humano e, por consequência, no mundo, demonstra o estágio de primarismo ainda predominante, que dificulta o processo de evolução, gerando conflitos perfeitamente dispensáveis, mas que se demoram perturbadores como ferretes impelindo para frente e para a conquista desse atributo superior do ser.

Amar é abrir o coração sem reservas, encontrar-se desarmado de sentimentos de oposição, sempre favorável ao bem e ao progresso, mesmo quando discordando das colocações que são apresentadas.

É também um mecanismo de compaixão e de misericórdia para consigo e principalmente para com o próximo, sua meta e sua necessidade, que passa a constituir-se fundamental no relacionamento e na conquista da autoconfiança.

O amor é o liame sutil que une o interior ao exterior do ser, o profano ao sagrado, o ego ao Self, que lhe passa a comandar o comportamento, o material ao espiritual.

O amor nunca se ofende e sempre está lúcido para entender que na sua vibração tudo se harmoniza, mesmo quando as leis dos contrários se apresentam, porque não agride nem violenta, tudo aceitando com equilíbrio e canalizando com sabedoria.

Não poderia ser outra a diretriz proposta pelo Revolucionário galileu, que colocava balizas novas nas velhas estruturas do comportamento humano, até então escravo do desamor, das artimanhas da mentira e das arbitrariedades das pessoas e dos governos.

O amor não mente, porque a sua é a estrutura da autenticidade, sempre aberto e claro, possuidor de quase infinita capacidade de paciência e de compreensão.

Jesus, na condição de peregrino do amor, demonstrou como é possível curar as feridas do mundo e dos seres humanos com a exteriorização do amor em forma de compaixão, de bondade, de carinho e de entendimento.

Eram primitivos e cruéis aqueles dias nos quais Ele viveu e, por isso mesmo, a Sua trajetória impressiona pela superior maneira como Se conduziu, enfrentando largos trajetos a vencer entre vicissitudes e impedimentos que nunca Lhe constituíram empeço para alcançar os objetivos traçados.

Quando a mulher era espólio do homem, que dela podia dispor a seu bel-prazer, e cujos sentimentos íntimos não eram levados em consideração, caracterizados como fraqueza digna de punição e chalaça, Ele assumiu a anima e enterneceu-se com as suas demonstrações de doçura e de piedade, de amor e de solidariedade, conclamando-a à autoestima, apesar de todos os impedimentos, à coragem para os enfrentamentos no lar, no convívio social, nas lutas políticas pelo bem geral. Ergueu-a do vale em que se encontrava, na sombra coletiva, ao planalto de luz resplendente de liberdade e dignidade, conseguindo o seu lugar no concerto da Humanidade.

Quando os pobres eram tidos por desprotegidos de Deus, e os enfermos graves eram expulsos das cidades, porque se encontravam mortos, tendo os seus nomes cancelados do Livro dos vivos, Ele os exaltou em inesquecível bem-aventurança, principalmente, aqueles que foram pobres de espírito de avareza e de paixões inferiores. Nunca se apartou dos doentes e odiados, visitando os samaritanos detestados e oferecendo-lhes os bens eternos da Sua mensagem confortadora e rica de paz.

Jamais temeu os poderosos, os intrigantes, os fariseus odientos e ingratos, os saduceus materialistas e utilitaristas, sem porém os detestar, lamentando o estado em que se encontravam, longe de Deus e de si mesmos, intoxicados pelo orgulho e vencidos pela avareza, infelicitadores, porque infelizes em si mesmos, sem se permitirem lugar propício ao despertamento para a realidade espiritual.

Invariavelmente as pessoas que ainda não aprenderam com o Homem-Jesus a excelência do amor, pensam que são amadas porque se fazem especiais, esquecendo-se de que por amarem tornam-se especiais.

O amor dinamiza os potenciais internos do ser, contribuindo para que os neurônios e as glândulas do sistema endócrino produzam imunoglobulinas que imunizam o ser em relação a diversas infecções, enquanto vitalizam o emocional e o psíquico, afinal de onde dimana essa energia poderosa. . .

É graças ao amor que os relacionamentos atingem a sua plenitude, porque o egoísmo cede lugar ao altruísmo e o entendimento de respeito como de confiança alicerça mais os sentimentos que se harmonizam, produzindo bem-estar em quem doa, tanto quanto em quem recebe.

Somente o amor permite que se vejam as pessoas como são.

Sem ele, percebem-se os reflexos da personalidade que deseja impressionar e conquistar lugar e afeto, sem a qualidade essencial que é o sentimento profundo de doar para depois receber, ou ofertar sem o escuso interesse de negociar uma recompensa. Por isso, quando não está vitalizado esse desejo pelo hálito do amor real, a frustração e a amargura sempre acompanham os insucessos, que são decorrentes da ausência de pureza do ofertório.

Amando-se, ultrapassa-se a própria humanidade na qual se encontra o ser, para alcançar-se uma forma de angelitude, que o alça do mundo físico ao espiritual mesmo que sem ruptura dos laços materiais.

Todo esse concerto de afetividade inicia-se no respeito por si mesmo, na educação da vontade e no bom direcionamento dos sentimentos, de forma que a autodescoberta trace conduta saudável que irradie harmonia e alegria de viver, tornando a existência física aprazível seja em que forma se apresente, não sofrendo as alterações dos estados apaixonados e dos gostos atrabiliários.

Esse sentido de autoamor que se transmuda em aloamor, alcança a etapa mais elevada que é o amor a Deus acima de todas as coisas e condições, por significar a perfeita identificação da criatura com o seu Criador, haurindo sempre mais força e beleza para o autocrescimento.

Moisés foi o instrumento da Lei severa, necessária para a educação de um povo nômade e pastor, que saindo da escravidão necessitava construir uma Nação, fixar-se, estabelecendo as disciplinas de conduta para o equilíbrio da coletividade e o bem estar geral.

Jesus é o amor humanizado que se entrega ao matadouro em holocausto vivo, demonstrando que a existência terrena, embora merecendo respeito e sendo credora de preservação, quando luz o amor ao próximo, cede lugar pessoal em favor daquele, transferindo-se, por abnegação, de uma condição existencial efêmera para outra espiritual e eterna.

Sua revolução pelo amor suplantou tudo quanto antes fora apresentado pelo pensamento histórico e pela ética, invertendo as propostas sociais e políticas que primavam pela prevalência do ego dominante, exaltando o Eu profundo de caráter eterno e sobranceiro a todas as injunções transitórias do mundo físico.

Iniciando-se esse sentimento como impulso nobre para a renúncia e a dedicação ao próximo, através da esteira das reencarnações, amplia-se, enriquece-se, sublima-se até alcançar as excelsas paragens do Bem Incomum.

Enfrentando os fariseus, discutidores incuráveis e malfazejos, sempre buscando algo para incriminar seja a quem fosse, respondeu-lhes à indagação melíflua, a respeito de qual o mandamento maior da Lei, explicando que acima de tudo se encontra Deus, que deve ser amado com todo o respeito, a abnegação e a vida, mas impôs:

— Amarás o teu próximo como a ti mesmo — como reflexo daquele sentimento maior e total.


Joanna de Ângelis










O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - Instruções dos Espíritos - A lei de amor 


8. O amor resume a doutrina de Jesus toda inteira, visto que esse é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres; extingue as misérias sociais. Ditoso aquele que, ultrapassando a sua humanidade, ama com amplo amor os seus irmãos em sofrimento! ditoso aquele que ama, pois não conhece a miséria da alma, nem a do corpo. Tem ligeiros os pés e vive como que transportado, fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou a divina palavra – amor, os povos sobressaltaram-se e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.

O Espiritismo a seu turno vem pronunciar uma segunda palavra do alfabeto divino. Estai atentos, pois que essa palavra ergue a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, triunfando da morte, revela às criaturas deslumbradas o seu patrimônio intelectual. Já não é ao suplício que ela conduz o homem: condu-lo à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito e o Espírito tem hoje que resgatar da matéria o homem.

Disse eu que em seus começos o homem só instintos possuía. Mais próximo, portanto, ainda se acha do ponto de partida, do que da meta, aquele em quem predominam os instintos. A fim de avançar para a meta, tem a criatura que vencer os instintos, em proveito dos sentimentos, isto é, que aperfeiçoar estes últimos, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões do sentimento; trazem consigo o progresso, como a glande encerra em si o carvalho, e os seres menos adiantados são os que, emergindo pouco a pouco de suas crisálidas, se conservam escravizados aos instintos. O Espírito precisa ser cultivado, como um campo. Toda a riqueza futura depende do labor atual, que vos granjeará muito mais do que bens terrenos: a elevação gloriosa. É então que, compreendendo a lei de amor que liga todos os seres, buscareis nela os gozos suavíssimos da alma, prelúdios das alegrias celestes. – Lázaro. (Paris, 1862.)





Emmanuel - Livro Dinheiro - Chico Xavier - Cap. 12 - Entendimento



Emmanuel - Livro Dinheiro - Chico Xavier - Cap. 12


Entendimento


Não olvides que a obra do entendimento, no edifício da tranquilidade comum, é assim qual alicerce nos fundamentos do instituto doméstico, a erguer-se, acolhedor.

Efetivamente, não dispões de arcas repletas com que atender à exigência de todos os famintos da estrada, mas podes suportar com carinho o parente menos feliz que se socorre habitualmente de tua casa.

Em verdade, não conseguirás remédio bastante para todos os doentes da região em que te situas, entretanto, não te faltam possibilidades de tolerar o vizinho enfermo que, muitas vezes, te incomoda entre a obsessão e a necessidade.

Indiscutivelmente não deténs recurso para convencer aos amigos, enrijecidos na indiferença, quanto à realidade da justiça divina e da sobrevivência da alma, no entanto, podes com o teu exemplo silencioso de bondade e renúncia, em favor deles, insuflar-lhes pensamentos de solidariedade e compreensão, preparando-lhes a futura sementeira de fé.

Decerto, não contas com facilidades e privilégios para remover os obstáculos à ordem pública, nem guardas contigo o poder de evitar as calamidades do quadro social em que o Senhor te conserva a existência, no entanto, podes auxiliar a teu filho ou a teu pai, a teu irmão ou a teu companheiro com a palavra generosa, com o sorriso amistoso, com a atitude compreensiva ou com a prece oculta na extinção de males iniciantes e imprevisíveis, porquanto não ignoramos que o incêndio, quase sempre, começa na fagulha imperceptível.

Cultiva o entendimento, mobilizando a ti mesmo nessa jornada de amor, e acenderás entre os homens aquela caridade que é senda de luz para a Vida Maior.

Usa o dinheiro a teu serviço, na beneficência que te enriqueces o caminho, e movimenta o teu verbo inflamado de cultura, no esclarecimento das almas, todavia, não te esqueças de que somente compreendendo aos outros para melhor servi-los, segundo os padrões do Cristo, nosso Mestre e Senhor, é que estaremos, realmente, no clima nutriente daqueles que se consagram à construção da Humanidade Melhor.


Emmanuel














domingo, 4 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 22 - Não só de inteligência



Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 22


Não só de inteligência

 
“Aquele que ama a seu irmão permanece na luz e nele não há nenhum tropeço.” — JOÃO (1 João, 2:10)


Esfalfamo-nos na Terra a fazer testes de inteligência para ganhar inteligência, e, sem dúvida, precisamos todos de agilidade mental para a destreza de raciocínio e firmeza de decisão.

Entretanto, não basta a inteligência, só por si, para orientar com absoluta segurança os roteiros da vida.

Senão, vejamos.

Quase sempre sabemos: entesourar conhecimento intelectual, mas ignoramos ainda como utilizá-lo para evitar a guerra uns com os outros;

acumular o dinheiro, mas muito raramente aprendemos como empregá-lo na construção da própria felicidade e da felicidade dos semelhantes; 

inventar os mais variados processos de reconforto em benefício do corpo transitório, mas desconhecemos ainda como prover as necessidades de nossas almas eternas; 

legislar com eficiência nas atividades visíveis do mundo, mas ignoramos como preservar a tranquilidade de consciência, conquanto já conheçamos a generalidade dos princípios morais que nos regem; 

cultivar grandes afeições, até mesmo com testemunhos heroicos de sacrifício, mas não sabemos ainda como traçar-lhes o equilíbrio justo para que não se convertam em desarmonia e paixão.

Em suma, estamos em condições de preparar o futuro para todas as garantias no Plano físico, mas habitualmente descuidamo-nos de nossos interesses na imortalidade que é patrimônio inalienável de cada um.

Em razão disso, muitas vezes damos na Terra estranhos espetáculos de genialidade e delinquência, cultura e degradação.

É que apenas a inteligência não basta à felicidade. A alegria de viver pede, acima de tudo, a luz do entendimento e a bênção do amor.


Emmanuel













Reformador, fevereiro 1968, p. 26.