sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. III - João Nunes Maia - Cap. 12 - Despertamento



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. III - João Nunes Maia - Cap. 12


Despertamento


114. Os Espíritos são bons ou maus por natureza, ou são eles mesmos que se melhoram?

“São os próprios Espíritos que se melhoram e, melhorando-se, passam de uma ordem inferior para outra mais elevada.”


Assevera “O Livro dos Espíritos” que as almas são criadas simples e ignorantes. O tempo, como sendo as mãos de Deus, processa o despertamento dos Espíritos em uma perfeita harmonia, despertando todos os dons inatos dos seus corações. Esses valores, mais tarde, deverão ser cultivados pelos próprios Espíritos; usando a razão, notarão as necessidades de progredir, avançando diante de todos os obstáculos e vencendo-os, dominando controvérsias e ampliando condições para o alcance da felicidade, que passa a ser uma conquista dos próprios esforços.

Deus nos ampara sempre, basta que descubramos as riquezas a nós oferecidas. Ele ainda nos ajuda nesta descoberta, facilitando os meios, e nos fazendo sentir à ação dos benfeitores espirituais que estão sempre nos ensinando a compreender a nós mesmos, usando as nossa próprias forças.

Todos devemos procurar constantemente o entendimento das leis espirituais e a elas obedecer, por ser a justiça uma força inevitável nos caminhos de quem não as respeita. Existe como que uma escada da Terra ao mundo espiritual, figurando uma subida, mas o verdadeiro instrumento de ascensão está dentro de cada um e o esforço para usá-lo é de cada Espírito. O céu verdadeiro se encontra dentro de nós; o paraíso exterior é, pois, do nosso mundo interno.

Trabalhemos em todas as direções, aprimorando as nossas faculdades, porque o bom vencedor é o quem sabe vencer a si mesmo, é quem aprendeu a ler no livro da consciência o que Deus escreveu e a escutar a voz interior, por onde fala o Senhor, revelando as Suas soberanas leis do Amor e da Justiça, da Caridade e do Perdão. A bondade do Pai Celestial é tão grande, que não se esquece da misericórdia, enviando falanges e mais falanges de Espíritos iluminados, para nos ajudar a entender o que devemos fazer acertadamente.

Abramos o entendimento, persistamos no trabalho que a fraternidade direciona e confiemos no bem, que esse bem iluminará todos os roteiros dos trabalhadores de boa vontade, para que possam falar e viver o amor. “O Livro dos Espíritos’’ é um frasco de essências raras, cuja fragrância se encontra como benção da Divina luz. Cabe a nós desdobrar esse perfume, para que possamos suportá-lo com as nossas fracas sensibilidades”.

Alimentemos a esperança, porque onde não existe, se encontra a morte. Todos os dias são dias de despertamento, e todas as coisas nos mostram lições sobremodo valiosas. Aprendamos a ler no livro da natureza, pois é a nossa mãe, e nos responde quando pedimos. E os nossos pedidos são atos pela vida que levamos.

Diz com propriedade “O Livro dos Espíritos’’ que são os próprios Espíritos que se melhoram. Essa é uma verdade incontestável. Aquele que não se esforça para progredir, está morto, mas, sujeito à vida, dependendo da disposição que deve alimentar de conhecer a si mesmo, para conhecer a vida, para o conhecimento de Deus, Jesus se encontra diante de nós, abrindo os braços para nos acolher, nos falando:” Despertai! Acordai desse sono, levantai e segui-me’’.


Miramez














Emmanuel - Livro Coletânea do Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 30 - O Mestre e as opiniões



Emmanuel - Livro Coletânea do Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 30


O Mestre e as opiniões


"Dali a três dias se celebraram umas bodas em Caná de Galileia; e achava-se lá a mãe de Jesus." — (João, 2:1)

"Ouvireis com os ouvidos, e não compreendereis; vendo, vereis e não enxergareis" — (Mateus, 13:14)


Quando Jesus, consagrando as alegrias familiares e o culto sublime da união doméstica, transformou a água em vinho, nas bodas de Canaã, cercaram-no os imensos tentáculos da falsa opinião, pela primeira vez, na fase ativa de seu apostolado. Por que semelhante transformação? Seria possível converter a água pura em vinho, destinado à embriaguez?

Procurando companheiros para a missão de luz e sendo escarnecido pelos sacerdotes, juízes e doutores de seu tempo, buscou o Mestre a companhia simples e humilde dos pescadores. A maledicência, contudo, não lhe perdoou o gesto. Que motivo induzia aquele missionário a socorrer-se de homens iletrados e rudes, que costumavam espreguiçar-se nas barcas velhas?

Instituiu a alegria e o bom ânimo, a confiança mútua e o otimismo entre os discípulos; entretanto, o farisaísmo recriminava-lhe a conduta. Que instrutor era aquele, que não jejuava nem mantinha preceitos rigoristas?

Atendia a multidão de sofredores, dos quais se compadecia sinceramente, ministrando-lhes consolações e ensinamentos; todavia, o fanatismo criticava-lhe as atitudes. Não seria ele revolucionário perigoso? Desrespeitava a lei, curando cegos e paralíticos, nas horas destinadas ao repouso.

Socorria os obsidiados de todos os matizes, conferindo-lhes tranquilidade aos corações; no entanto, a ignorância não o desculpava. Que razões o detinham no esclarecimento aos Espíritos das trevas? Não teria combinações secretas com Satanás?

Interessou-se pela renovação espiritual de Madalena. Os próprios amigos estranharam-lhe a conduta. Por que tamanha atenção para com uma pecadora comum?

Aceitou o oferecimento gentil dos publicanos, comendo à mesa de pessoas afastadas da lei; todavia, a perversidade não lhe compreendeu a disposição fraterna. Não seria ele simples comilão e beberrão?

Dedicou longa palestra à samaritana pobre e desviada. A malícia, porém, não lhe entendeu a lição divina. Por que se demorava em conversação com semelhante mulher, que já possuíra cinco maridos?

Ensinava as verdades eternas, por amor às criaturas, mas, não raro, ao terminar as pregações sublimes, a desordem estabelecia tumultos. Não era ele anônimo operário de Nazaré? A que títulos poderia aspirar, além da carpintaria da sua infância?

Confiando nos companheiros, falou-lhes do seu testemunho, diante das verdades do Pai, prevendo lutas, desgostos, sacrifícios e humilhações; todavia, a inconformação apossou-se do próprio Pedro e choveram protestos. Por que o anúncio descabido de tantas flagelações e tantas dores? Não era o sofrimento incompatível com a realização de um Messias que vinha de tão alto? Não teria Jesus enlouquecido?

Diante da revolta de Simão, em frente dos varapaus, pediu-lhe o Mestre serenidade e sensatez, para que não fosse perdido o ensejo da suprema fidelidade a Deus, mas a incompreensão se manifestou de pronto. Por que socorrer inimigos e verdugos? Como entregar-se sem defesa à perseguição dos sacerdotes? Como interpretar semelhante covardia, no momento mais vivo da missão nova? Não seria melhor desertar, entregando o Mestre à sua sorte?

Até o derradeiro instante na cruz, ouviu o Senhor as mais estranhas opiniões, os mais contraditórios pareceres do mundo, mas a todos respondeu com o bendito silêncio de seu amor, porque bem sabia que, acima de tudo, lhe cumpria atender à Vontade do Pai e que os homens só poderiam compreender-lhe o trabalho augusto, à medida que desenvolvessem os ouvidos de ouvir e os olhos de ver, a capacidade de sentir e a resolução de se realizarem espiritualmente, à luz do Evangelho no longo caminho de sucessivas reencarnações.


Emmanuel















Emmanuel - Livro Convivência - Chico Xavier - Cap. 4 - Opiniões contrárias



Emmanuel - Livro Convivência - Chico Xavier - Cap. 4


Opiniões contrárias


Em muitos episódios da experiência humana, é provável que a provação te bata à porta.

Não te aflijas.

Recebe-a com serenidade e bom-ânimo.

Por mais grave a situação, não te precipites com decisões na base da insegurança.

Estuda o desafio que as circunstâncias te lançam em rosto.

Sobretudo, não emprestes qualquer traço sinistro às dificuldades que se te apresentem.

É possível te vejas sob o peso das chamadas “opiniões gerais”.

Entretanto, nem todas as manifestações das “opiniões gerais” se harmonizam com a realidade.

Asserena-te e ora, preparando-te para os esclarecimentos necessários, que surgirão em momento oportuno.

Não admitas a ansiedade por mentora de tuas resoluções.

Ainda mesmo que todos os itens da luta em que te encontras, sejam formulados pelos outros, contra o teu modo de agir e de ser, guarda a consciência tranquila e não temas.

É possível que todas as opiniões em derredor de ti se façam contrárias, entretanto, conserva a paciência e espera por Deus, porque a opinião dos Mensageiros de Deus pode ser diferente.


Emmanuel











quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 7 - A possível saúde integral - Item 2 - A conquista do Si



Joanna de Ângelis - Livro Em Busca da Verdade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 7 - A possível saúde integral - Item 2


A conquista do Si


Toda a vilegiatura carnal do Espírito deve ser direcionada para a conquista do Si-mesmo. 

Herdeiro das experiências evolutivas tem viajado longamente dos instintos à razão, ao discernimento, à aquisição da consciência, descobrindo a sua realidade de ser imortal, cuja trajetória ilimitada prossegue além da vestidura carnal... 

O inconsciente coletivo que nele se encontra ínsito, na maioria das vezes é resultado das próprias vivências nos referidos períodos antropológicos, quando em trânsito de uma para outra faixa  da evolução, seja física, moral ou transcendental. 

Armazenadas no Self são essas incontestáveis tentativas de acerto e de erro, que lhe delineiam as novas caminhadas corporais. Por isso mesmo, a sombra resultante dos conflitos instalados nos refolhos da psique, normalmente surge-lhe ameaçadora gerando dificuldades de raciocínio, de comportamento saudável, de harmonia. 

Iniciando o desenvolvimento do Si-mesmo, na condição de simples e ignorante, destituído de conhecimentos, de habilidades e de treinamentos, a pouco e pouco, à semelhança da semente no seio generoso da mãe-terra, vão-se-lhe desenvolvendo os germes da sabedoria adormecida, experienciando os jogos dos sentidos, em avanço para a lógica e o raciocínio, dando lugar aos atavismos primitivos que devem ser ultrapassados sem traumas nem choques emocionais. 

À medida que se lhe tornam mais complexas as admiráveis possibilidades de que dispõe para evoluir, surgem-lhe as marcas dos hábitos ancestrais que teimam em prendê-lo no já conhecido, no já desfrutado, confundindo os valores de qualidade com as comodidades do prazer. 

Atraído pelo Deotropismo da sua origem, não se pode furtar ao conflito entre o que tem sido e o que lhe aguarda. Nem sempre, porém, aspira por situação ou condição melhor de vida, bastando-lhe o atendimento das necessidades fisiológicas básicas, em olvido proposital ou não daquelas de natureza psicológica essenciais para a individuação. 

Quando descobre o significado existencial e ainda não dispõe da maturidade emocional indispensável, pretende a transformação interior a golpes de exigências descabidas e de sacrifícios que se impõe, sem dar-se conta de que a violência não faz parte da programação orgânica para uma existência feliz.

Em face da desorientação religiosa do passado, e que, infelizmente ainda vige em muitos setores da sociedade, impõe-se a fuga do mundo, buscando o isolamento, que constitui tremendo adversário do bem-estar humano, desde quando, gregário, necessita da convivência, do relacionamento com o seu próximo, que resulta em profundas frustrações interiores que levam a desastres psicológicos ou ao abandono da opção... 

Outras vezes, entregando-se ao transtorno masoquista, propõe-se sofrimentos injustificáveis, que mais ampliam o desconforto emocional e o desequilíbrio psicofísico. 

A existência humana deve ser vivenciada dento de uma pauta de deveres morais e espirituais, ademais dos sociais, familiares e para com o corpo, estabelecidos para cada indivíduo, a fim de que a carga imposta não lhe seja superior às forças interiores, assim evitando os desastres nos insucessos. 

O comportamento dentro das diretrizes convencionalmente denominadas como normalidade, constitui-lhe caminho de segurança para o avanço contínuo na direção da meta estabelecida.

Ao invés de imposições de fora para dentro, da aparência dentro dos padrões estabelecidos pelo grupo social, a lúcida interpretação das próprias necessidades e a condução tranquila quão equilibrada de cada função ou ocorrência vivencial, a fim de conseguir o estado saudável e progressista na marcha da iluminação. 

Compreendendo que a sombra é presença normal e constante na psique, a sua fusão natural no Self  é o objetivo do autoconhecimento, da conquista que o desaliena, ensejando-lhe melhor visão da realidade e do muito que o cerca. 

Tal identificação – do que deve fazer e como realizá-lo, superando as sequelas do passado – abre-lhe espaços mentais e emocionais para ser feliz. 

Nesse labor consciente, reacional e objetivo, a individualidade cresce e desenvolve-se, facultando o surgimento de outros valores dantes não considerados, que constituem elementos superiores para uma vivência com sentido enobrecido. 

Nem sempre se compreende o significado da conquista do Si-mesmo, supondo-se que esse labor diz respeito a questões da mística religiosa ou das tradições filosóficas orientais do passado. Certamente, tem razão no significado, mas não na proposta, porque as doutrinas orientais, descobrindo a realidade do ser que se é, encontraram na meditação, na yoga, nas diversas técnicas da concentração e da abstração em relação ao tempo e aos sentidos, um excelente instrumento pedagógico para a autoconquista. Por outro lado, algumas religiões, com boas intenções, sem dúvida, procuraram auxiliar o ser na superação dos conflitos, e ignorando-lhes a intensidade bem como a sua gênese, estabeleceram normativas, umas felizes, outras nem tanto, para que o fiel tivesse um fio de Ariadne para sair do labirinto existencial em que se encontra. A partir das regras estabelecidas, entre outros, por Inácio de Loyola, os exercícios espirituais tem produzido excelentes resultados naqueles que os praticam de maneira racional e sem fanatismos.


Joanna de Ângelis



















André Luiz - Livro Palavras da Coragem - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 5 - Retalhos do pensamento



André Luiz - Livro Palavras da Coragem - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 5


Retalhos do pensamento


Apreciando os outros, sintetize amando para ajudar, mas, no exame de você mesmo analise tudo julgando sempre.

Sem o adubo da caridade não haverá fruto na fronde da fé.

Jamais incline o livre arbítrio dos outros a favor de seus desejos, porque em semelhante delito de consciência a vida cobra inelutável imposto.

Alije a poeira da própria veste, sem tisnar o leito da estrada.

Busque sempre o melhor para que o melhor esteja em seu trabalho.

Se você deseja originalidade e beleza na própria senda, viva cada dia na condição de intimorato desbravador dos trilhos anônimos da fraternidade.

Quem se submete com humildade aos exames e avisos da consciência própria, prescinde da aferição nos tribunais da Justiça.

Quase sempre realiza mais quem planifica menos.

Se você é cultor da solidão sistemática prepare-se para a dolorosa frustração do “nada fazer”, embora a sua cabeça seja uma enciclopédia de luz.

O deserto absoluto pode refletir a luz solar mas, não auxilia a ninguém.


André Luiz












Psicografia: Chico Xavier

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XI - João Nunes Maia - Cap. 27 - Os deuses



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XI - João Nunes Maia - Cap. 27


Os deuses


537. A mitologia dos antigos se fundava inteiramente em idéias espíritas, com a única diferença de que consideravam os Espíritos como divindades. Representavam esses deuses ou esses Espíritos com atribuições especiais. Assim, uns eram encarregados dos ventos, outros do raio, outros de presidir ao fenômeno da vegetação, etc. Semelhante crença é totalmente destituída de fundamento?

“Tão pouco destituída é de fundamento, que ainda está muito aquém da verdade.”

a) - Poderá então haver Espíritos que habitem o interior da Terra e presidam aos fenômenos geológicos?

“Tais Espíritos não habitam positivamente a Terra. Presidem aos fenômenos e os dirigem de acordo com as atribuições que têm. Dia virá em que recebereis a explicação de todos esses fenômenos e os compreendereis melhor.” (O Livro dos Espíritos).


Certamente que não existem deuses. Os antigos classificavam os Espíritos agentes de Deus como sendo deuses menores, por não compreenderem as leis do Senhor manifestando-se em tudo e garantindo a vida por onde quer que seja.

O falar dos antigos, partindo dos próprios sábios, tem fundamentos da verdade, porque a natureza, por sua vez, não se encontra sem amparo. Em todos os seus aspectos existem Espíritos altamente evoluídos e sendo coadjuvados por forças maiores, ajudados por agentes menores na restauração da vida, sob as bênçãos do Criador. Assim, a lavoura, a pecuária, as matas, as serras, as cachoeiras, os rios, os mares, as chuvas, os ventos, os pássaros, os peixes, as flores, os animais, as tribos indígenas, as indústrias, os homens, os lares, as cidades, os estados, as nações, e a própria Terra têm seus cortejos de almas na sua direção, capazes de ajudar corretamente no equilíbrio, de forma que a vida manifesta, cada vez mais presente, a Força Soberana a que chamamos Deus.

Existem os Espíritos da natureza, cujo trabalho é o de preservar a vida estuante em toda parte, e eles devolvem aos homens a soma da devastação que a ignorância impulsiona.

Os Espíritos que presidem os fenômenos geológicos não precisam habitar o interior da Terra, como muitos pensam, para tal objetivo; esse trabalho é feito pela força do pensamento, por manipulações de fluidos, que são colocados neste ou naquele lugar, e que a química se encarrega de fazer manifestar. Todos esses fenômenos são vigiados pela Força Divina, que permite ou não a sua realização.

O que os homens do passado achavam que eram deuses, tornamos a dizer, eram Espíritos de alto porte espiritual, encarregados de orientar outros menores na execução dos trabalhos na natureza. Alguns dos teólogos naturais que os viram, possuídos da terceira visão, os classificaram como sendo deuses, na função de preservar a natureza. O progresso, no entanto, tem a capacidade de corrigir equívocos, mostrando verdades mais acentuadas para os que se encontram preparados para tal. Hoje, por meio da mediunidade que o Espiritismo educa, podem-se observar esses chamados deuses se comunicando com os homens a dizer uma verdade mais limpa do que antes, e no amanhã deverás receber revelações mais avançadas que as de hoje.

Em torno de ti, e dentro da tua casa, no teu trabalho, e mesmo no teu lazer, se encontram muitos Espíritos te vigiando, te ajudando e, por vezes, te perseguindo, de acordo com a tua índole. Porém, a Doutrina Espírita te ajuda a conviver com eles, extraindo desse convívio lições imortais, por serem eles teus irmãos, mais ou menos evoluídos, mas não deuses. São Espíritos que vivem em faixa diferente da tua.

Todas as religiões sabem da existência desses Espíritos em trabalho por toda parte, em nome do Criador. Não sejas tolo na arte de compreender, por que a verdade e sempre ela, onde quer que se manifeste. Se existe um Diretor para a Terra, no caso Jesus Cristo, essa mesma lei abrange toda a criação, em todos os sentidos que podes pensar, e que ainda escapa às tuas deduções. Deus, o Supremo Mandatário do Universo, comanda toda a vida, onde ela palpita, usando todos os Seus filhos para o co-comando de todas as coisas, sem que Ele perca de vista o cinetismo cósmico.


Miramez













Emmanuel - Livro Aulas da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 5 - Olhai os lírios



Emmanuel - Livro Aulas da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 5


Olhai os lírios


“… Considerai como crescem os lírios do campo…” — JESUS (Mateus, 6:28)


“Olhai os lírios do campo…” — exortou-nos Jesus.

A lição nos adverte contra as inquietações improdutivas, sem compelir-nos à ociosidade.

Os lírios para se evidenciarem quais se revelam não se afligem e nem ceifam; no entanto, esforçam-se com paciência, desde a germinação, no próprio desenvolvimento, abstendo-se de agitações pela conquista de reservas desnecessárias com receio do futuro, por acreditarem instintivamente nos suprimentos da vida.

Não fiam nem tecem para se mostrarem na formosura que os caracteriza; todavia, não desdenham fazer o que podem, a fim de cooperar no enriquecimento do esforço humano.

Não se preocupam em ser gerânios ou cravos e sim aceitam-se na configuração e na essência de que se viram formados, segundo os princípios da espécie.

Não cogitam de criticar as outras plantas que lhes ocupam a vizinhança, deixando a cada uma o direito de serem elas mesmas, nas atividades que lhes dizem respeito à própria destinação.

Admitem calor e frio, vento e chuva, deles aproveitando aquilo que lhes possam doar de útil, sem se queixarem dos supostos excessos em que se exprimam.

Não indagam quanto à condição ou à posição daqueles a quem consigam prestar serviço, seja acrescentando beleza e perfume à Terra ou ornamentando festas e colaborando no interesse das criaturas em valor de mercado.

E, sobretudo, desabrocham e servem, no lugar em que foram situados pela Sabedoria Divina, através das forças da natureza, ainda mesmo quando tragam as raízes mergulhadas no pântano.

Evidentemente, nós, os Espíritos humanos, não somos elementos do reino vegetal, mas podemos aprender com os lírios, serenidade e aceitação, paz e trabalho, com as responsabilidades e privilégios do discernimento e da razão que uma simples flor ainda não tem.


Emmanuel











(Reformador, julho de 1972, p. 159)