domingo, 1 de março de 2026

Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 59 - Na exaltação do trabalho



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 59


Na exaltação do trabalho

 
“… O Reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra…” — JESUS (Marcos, 4:26)


“Ânimo, trabalhadores! Tomai dos vossos arados e das vossas charruas; lavrai os vossos corações; arrancai deles a cizânia; semeai a boa semente que o Senhor vos confia e o orvalho do amor lhe fará produzir frutos de caridade.” — (E.S.E - Cap. 18, item 15)


Para considerar a importância do trabalho, relacionemos particularmente algumas das calamidades da inércia, no plano da natureza.

A casa longamente desabitada afasta-se da missão de albergar os que vagueiam sem teto e, em seguida, passa à condição de reduto dos animais inferiores que a mobilizam por residência.

O campo largado em abandono furta-se ao cultivo dos elementos nobres, necessários à inteligência na Terra e transforma-se, gradativamente; em deleitoso refúgio da tiririca.

O poço de águas trancadas foge de aliviar a sede das criaturas, convertendo-se para logo em piscina de vermes.

O arado ocioso esquece a alegria de produzir e, com o decurso do tempo, incorpora em si mesmo a ferrugem que o desgasta.

A roupa que ninguém usa distancia-se da tarefa de abrigar quem tirita ao relento e faz-se, pouco a pouco, a moradia da traça que a destrói.

O alimento indefinidamente guardado sem proveito deixa a função que lhe cabe no socorro aos estômagos desnutridos e acaba alentando os agentes da decomposição em que se corrompe.
 
Onde estiveres, lembra-te de que a vida é caminhada, atividade, progresso, movimento e incessante renovação para o Bem Eterno.

Trabalho é o infatigável descobridor. Transpõe dificuldades, desiste da irritação, olvida mágoas, entesoura os recursos da experiência e prossegue adiante.

Quem persevera na preguiça, não somente deserta do serviço que lhe compete fazer, mas abre também as portas da própria alma à sombra da obsessão em que fatalmente se arruinará.


Emmanuel











Emmanuel - Livro Coragem - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 1 - Quando o tédio apareça



Emmanuel - Livro Coragem - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 1


Quando o tédio apareça


Quando o desalento te ameace o caminho, pensa nos outros, naqueles que não dispõem de tempo para qualquer entrevista com o tédio.

Se te acreditas amargando lições demasiado severas no educandário da vida, frequenta, de quando em quando, a escola das grandes provações, onde os aprendizes se acomodam na carteira das lágrimas. 

Muitos jazem na rua, estendendo mãos fatigadas aos que passam com pressa… 

Em maioria, são doentes que a onda renovadora do grupo social atirou à praia da assistência pública ou mães aflitas a quem as exigências de filhos pequeninos ainda não permitem a liberalidade de uma profissão…

Provavelmente, alguém dirá que entre eles se encontram oportunistas e malfeitores que se fantasiam de enfermos para te assaltarem a bolsa em nome da piedade.

Compreendemos semelhante alegação e justificamo-la, porque o mal existe sempre onde lhe queiramos destacar a presença e, conquanto te roguemos o benefício da prece, em favor dos que agem assim, mais por ignorância que por maldade, apelamos para que consultes ainda aquelas outras salas de aula que se enfileiram no recinto dos hospitais e nos albergues esquecidos.

Acompanha os estudos daqueles cujo corpo se carrega de feridas dolorosas para agradeceres a pele sadia que te veste a figura ou segue a cartilha de agoniadas emoções dos que se recolhem nos manicômios, sorvendo angústia e desespero nos resvaladouros da loucura ou da obsessão, a fim de valorizares o cérebro tranquilo que te coroa a existência…

Visita os asilos que resguardam a sucata do sofrimento humano e observa as disciplinas dos que foram entregues às meditações da penúria, para quem um simples sanduíche é um brinde raro e partilha os exercícios de saudade e de dor dos que foram abandonados pelos entes que mais amam, a fim de abençoares o pão de tua casa e os afetos que te enriquecem os dias.

Quando o tédio te procure, vai à escola da caridade… Ela te acordará para as alegrias puras do bem e te fará luz no coração, livrando-te das trevas que costumam descer sobre as horas vazias.


Emmanuel










sábado, 28 de fevereiro de 2026

Miramez - Livro Horizontes da Fala - João Nunes Maia - Pág. 16 - Canais dos sentimentos



Miramez - Livro Horizontes da Fala - João Nunes Maia - Pág. 16


Canais dos sentimentos


O teu verbo deve comprazer-se, no momento da fala, contagiando a quem ouve, para que os canais dos sentimentos sejam desobstruídos das velhas cargas magnéticas menos favoráveis â luz. Se ele já serve de vida no estimulo das vidas, aumenta o teu prazer na doação do amor, porque Deus ficará mais visível em teu coração, quando o teu esforço no bem for maior e não vacilar.

Se por quaisquer circunstâncias, começares o dia com o mau humor a te perseguir, não deixes que ele se denuncie pela conversação e nem pela feição do teu rosto. Nessas horas, procura entrar em contato com as belezas da criação: vê as árvores, os animais, e, certamente, muitas pessoas, mostrando a alegria de servir. Medita na satisfação, que logo te contagiarás por ela. E os canais dos teus sentimentos começarão a vibrar em tonalidade grandiosa, fazendo os que te ouvem e vêem regozijarem-se com tua presença.

Pelo som da fala, o espírito elevado deixa circunfluir do seu coração, para quem o escuta, o mais puro magnetismo, cuja força poderá realizar maravilhas, haja visto o conhecimento daquele que o doa. Uma verdadeira fonte de luz, que quanto mais se oferta, mais aumenta seu manancial. Há pessoas que não conseguem conversar com prazer, a não ser quando as forças cândidas da palavra se misturam com o charco da indecência. Essa alegria não devemos considerar como tal, pois é um entusiasmo passageiro fornecido pela ilusão. A alegria pura é aquela que se ramifica na mais alta compreensão e no amor espiritual. As criaturas dispostas a se melhorarem, procurando modelar suas idéias, aproximando-se de quem conversa com acerto, lendo livros de alto teor moral, e dando um cunho melhor às suas palavras, terão o tempo a mostrar-lhes o fruto de seus esforços.

A nossa mente condiciona-se com facilidade, tanto para o mal como para o bem, e este último carrega consigo mais condição de estabelecer moradia nos corações de boa vontade. Não deves entregar a Deus esse trabalho que é teu. Ele, a Grande Onisciência, tudo já fez em nosso favor e espera, pelos canais do tempo, que nossos sentimentos brilhem algum dia, doando em todos os campos de labor. Aumenta a tua fé pelos meios de que dispões, e não esqueças da oração nas horas convenientes. Bate nesta tecla, que a nota e a música não deixarão de sair, ajuntando-se à grande orquestração universal.

Pela fé conquistada nos teus caminhos, ficará mais fácil, à tua palavra, educar-se. O nosso empenho maior é verdadeiramente na disciplina das conversas entre as criaturas, pois, na verdade, a palavra é uma semente que germinará onde for lançada, e é de lei que quem plantar deverá colher.

Lembremos, pois, de Lucas, capítulo oito, versículo onze: "Este é o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus".

Toda semente é, por sua natureza, divina, principalmente a semente da palavra. A boca é uma porta de luz, pela qual a vida poderá multiplicar infinitamente o bem em todas as latitudes, manifestando esperança onde haja desespero, amor onde se encontrar o ódio e paz onde a guerra se fez inquilina.

Reflete um pouco e verás que tens a felicidade, o poder de dominar a palavra, de conversar com prazer, de entabular entendimento com pessoas que te compreendem através de diálogo aberto e feliz. Com o despertar do homem, no amanhã, poderás conversar com vários outros planos da vida, tanto abaixo da escala da tua posição, quanto acima dos teus atuais alcances. Esses dons estão reservados para todas as criaturas de Deus! Façamos a nossa parte, pois somos todos filhos da Grande Luz. E, se quiseres, poderás começar hoje mesmo, pelos canais dos sentimentos, usando como instrumento a palavra, mas, falemos antes com bom ânimo: Obrigado, meu Deus! Obrigado, Jesus!


Miramez
















sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 19 - Espíritos da Luz



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 19


Espíritos da Luz


"Os bons Espíritos nunca ordenam; não se impõem, aconselham e, se não são escutados, retiram-se..." (O Livro dos Médiuns - Cap. 24 - Questão n.º 267 - § 10.º)


Parafraseando a luminosa definição do apóstolo Paulo, em torno da caridade, no capítulo treze da primeira epístola aos coríntios, ousaremos aplicar os mesmos conceitos aos Espíritos benevolentes e sábios que nos tutelam a evolução.

Ainda que falássemos a linguagem das trevas e não possuíssemos leve raio de entendimento, — não passaríamos para eles de pobres irmãos necessitados de luz.

Ainda que nos demorássemos na vocação do crime, caindo em todas as faltas e retendo todos os vícios, a ponto de arrojar-nos, por tempo indeterminado, nos últimos despenhadeiros do mal, para nosso próprio infortúnio, — não seríamos para eles senão criaturas infelizes, carecentes de amor.

Ainda que dissipássemos todas as nossas forças no terreno da culpa e dedicássemos a vida ao exercício da crueldade, sem a mínima noção do próprio dever, — isso seria para eles tão somente motivo a maior compaixão.

Os Espíritos da Luz são pacientes.

Em todas as manifestações são benignos.

Não invejam.

Não se orgulham.

Não mostram leviandade.

Não se ensoberbecem.

Não se portam de maneira inconveniente.

Não se irritam.

Não são interesseiros.

Não guardam desconfiança.

Não folgam com a injustiça, mas rejubilam-se com a verdade.

Tudo suportam.

Tudo creem.

Tudo esperam.

Tudo sofrem.

A caridade deles nunca falha, enquanto que para nós, um dia, as revelações gradativas terão fim, os fenômenos cessarão e as provas terminarão, por desnecessárias.

Por agora, de nós mesmos, conhecemos em parte e em parte imaginamos; entretanto, eles, os emissários do Eterno Bem, acompanham-nos com devotamento perfeito, sabendo que, em matéria de espiritualidade superior, quase sempre ainda somos crianças, falamos como crianças, pensamos quais crianças e ajuizamos infantilmente.

Estão certos, porém, de que mais tarde, quando nos despojarmos das deficiências humanas, abandonaremos, então, tudo o que vem a ser pueril.

Verificaremos, assim, a grandeza deles, como a víssemos retratada em espelho, confrontando a estreiteza de nosso egoísmo com a imensurabilidade do amor com que nos assistem.

Conforte-nos, pois, reconhecer que, se ainda demonstramos fé vacilante, esperança imperfeita e caridade caprichosa, temos, junto de nós, a caridade dos mensageiros do Senhor, que é sempre maior, por não esmorecer em tempo algum.


Emmanuel











Reunião pública de 7-3-1960.

Marco Prisco - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 41 - Sua responsabilidade



Marco Prisco - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 41


Sua responsabilidade


É fácil exigir que o próximo seja modelo de virtudes e sempre dê exemplos de comportamento superior.

Ele deve ser irretocável na conduta, nas atividades que abraça, na conversação que mantém.

A ele cabem os deveres de elevação e bondade, que ainda não fazem parte dos seus compromissos, porque, dessa forma, você se concede o direito de apenas cobrar, sem qualquer contribuição moral de seu lado.

Cada criatura, no entanto, é responsável, certamente, pelos seus atos, sem que transfira para os outros as consequências deles.

Necessário que você se conscientize das finalidades da existência corporal na Terra, que é sempre de breve duração, por mais larga se apresente.

Suas conquistas como os seus prejuízos são de sua única responsabilidade.

Por isso, medite antes de agir, evitando que os seus prazeres e júbilos de hoje se apoiem no sofrimento de outrem, que os tinha ontem...

Examine com cuidado as oportunidades que lhe surgem, não usurpando o direito de ninguém, sob escusas, nem justificação.

A vida escreve na consciência de cada criatura o seu documentário com as tintas da responsabilidade pessoal.

Seja você quem cede, aquele que trabalha e constrói, que desculpa e ama.

No campeonato da insensatez, seja a sua postura a de equilíbrio e a sua colheita, a de suor.

A sua é a responsabilidade com o bem e a verdade, que lhe desvendam a face real da vida e o convidam à ascese, mediante uma instância saudável no mundo.


Marco Prisco













Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 75 - Conforto e nós



Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 75


Conforto e nós


O sofrimento em comum é agente bendito de unificação, ensinando-nos a esquecer preocupações descabidas e aflições excedentes, porquanto, nas horas amargas somos naturalmente induzidos a contar uns com os outros.

Entretanto, quando a tempestade se vai, deixando-nos o passo, em céu azul, eis-nos em nós mesmos, conosco, na intimidade de nossos pontos de vista.

E aí surge o grande problema — o problema de render-nos ao trabalho do bem, de tal modo que não disponhamos de tempo para vincular-nos em demasia às nossas opiniões próprias.

Disso concluímos que a influência do conforto e da prosperidade constitui em si precioso ingrediente da vida que nos cabe aproveitar em serviço e mais serviço no bem de todos.

Há quem diga que a felicidade do Céu é diminuir a infelicidade da Terra ou extinguir esse mesmo infortúnio.

Verdade bela e simples, ser-nos-á lícito transferi-la para o nosso caminho pessoal, compreendendo que a felicidade maior dos que se tornam felizes será sempre atenuar a infelicidade que ainda assedie a existência dos nossos irmãos menos felizes.

Deus nos subtrai a dificuldade para que aprendamos a suprimi-la da estrada alheia.

Ajuda-nos para que ajudemos.

Abençoa-nos para que nos habituemos a abençoar.

Reconheçamos assim que a tranquilidade e a alegria nos bafejam para que venhamos a mobilizá-las no trabalho do bem geral.


Batuíra












quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 90 - O Trabalhador Divino



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 90


O Trabalhador Divino

 
“Ele tem a pá na sua mão; limpará a sua eira e ajuntará o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha com o fogo que nunca se apaga.” — João Batista (LUCAS, 3.17)

Apóstolos e seguidores do Cristo, desde as organizações primitivas do movimento evangélico, designaram-no através de nomes diversos.

Jesus foi chamado o Mestre, o Pastor, o Messias, o Salvador, o Príncipe da Paz; todos esses títulos são justos e veneráveis; entretanto, não podemos esquecer, ao lado dessas evocações sublimes, aquela inesperada apresentação do Batista. 

O Precursor designa-o por trabalhador atento que tem a pá nas mãos, que limpará o chão duro e inculto, que recolherá o trigo na ocasião adequada e que purificará os detritos com a chama da justiça e do amor que nunca se apaga.

Interessante notar que João não apresenta o Senhor empunhando leis, cheio de ordenações e pergaminhos, nem se refere a Ele, de acordo com as velhas tradições judaicas, que aguardavam o Divino Mensageiro num carro de glórias magnificentes. 

Refere-se ao trabalhador abnegado e otimista. A pá rústica não descansa ao seu lado, mas permanece vigilante em suas mãos e em seu espírito reina a esperança de limpar a terra que lhe foi confiada às salvadoras diretrizes.

Todos vós que viveis empenhados nos serviços terrestres, por uma era melhor, mantende aceso no coração o devotamento à causa do Evangelho do Cristo.

Não nos cerceiem dificuldades ou ingratidões. 

Desdobremos nossas atividades sob o precioso estímulo da fé, porque conosco vai à frente, abençoando-nos a humilde cooperação, aquele trabalhador divino que limpará a eira do mundo.


Emmanuel