terça-feira, 1 de setembro de 2026

Eurípedes Barsanulfo - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo Pereira Franco - Cap. 17 - Renovação



Eurípedes Barsanulfo - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo Pereira Franco - Cap. 17


Renovação


A força inexorável do progresso vem alterando em profundidade, nos últimos tempos, a face ultrajada do planeta.

Ruem as muralhas que separavam os povos, sob os camartelos da solidariedade que abre espaço ao entendimento entre os homens.

Bastiões considerados inexpugnáveis tombam vencidos pela força do amor que ilumina as mentes e os corações, fazendo que batam em retirada os arbitrários dominadores de consciências e esmagadores das liberdades democráticas, nas quais estão estatuídos os direitos do homem ao exercício de uma vida saudável, consentânea às suas conquistas intelecto-morais.

Cedem passo, aos ideais da paz, os quarteis de armamentos bélicos, e as autoridades que governam as Nações, ao invés da guerra fria e ameaçadora, marcham ao encontro uns dos outros para firmarem compromissos de respeito às criaturas, estabelecendo a necessidade de abolir a hidra violenta da destruição para que se implantem as admiráveis conquistas do progresso, a benefício dos homens.

Fábricas de assassínio de vidas cerram as suas portas, deixando de produzir a indústria da morte, para que sejam implantados os lares da educação, os núcleos de apoio social e promoção humana, facultando ao futuro realizações libertadoras de consciências e de edificação da paz.

Em todo esforço extraordinário que os missionários do Alto, reencarnados, executam, surpreendendo a sociedade, observa-se o homem, estorcegando-se sob os flagelos que ele desencadeou para si próprio, resgatando compromissos negativos, enquanto se estrutura para os futuros cometimentos da felicidade humana.

São inevitáveis as leis do progresso, e ninguém, força alguma é capaz de detê-lo.

O homem está fadado à Grande Luz e avança com passo seguro no rumo da sua destinação.

Ao Espiritismo, neste momento altamente significativo da História, cabe a tarefa de conduzir a consciência social ao fanal que lhe está reservado.

Momento este de revisionismo, de contestação, de aferição de valores, de análise de estruturas, é também de renovação.

A releitura do Evangelho de Jesus, sob a óptica da Doutrina Espírita, faculta-lhe o entendimento da vida na sua significação profunda e impostergável.

Este é o momento da implantação da Era do Espírito Imortal.

O homem, esfaimado de amor, bate aflito às portas dos Céus buscando respostas, e O Consolador brinda-o com os elementos nutrientes e abençoados, capazes de atender as necessidades que o afligem.

Arrebentando as algemas da ignorância e abrindo os braços ao amor, o homem que encontrou a Mensagem Espírita está habilitado a desempenhar as tarefas de crescimento espiritual e moral para a qual reencarnou.

Indispensável que, ao lado das grandes transformações que se operam em favor da renovação geral, arrebentem-se, também, as barreiras morais que separam os indivíduos, que se derrubem as paredes que impedem, emocionalmente, o entendimento humano e sejam lançadas pontes nos abismos, facultando o trânsito livre de todos em favor da verdadeira fraternidade.

Juventude é um estado de espírito, e é mediante essa atitude interior, rica de esperança e de otimismo, que todos os homens, conscientes das suas responsabilidades, trabalhem em benefício da relevante realização do bem em favor de todos.

A juventude de ontem, hoje amadurecida, que teve a coragem de encetar os primeiros passos em prol dos novos tempos que ora vivemos, propõe aos jovens de agora, apoiados nas preciosas lições de Jesus-Cristo, darem prosseguimento ao labor que apenas surge, engrandecendo a Humanidade na qual se encontram como membros atuantes, através do trabalho, da ordem e do amor, para que batam em retirada, em definitivo da Terra, os perversos fantasmas da fome, da miséria, da doença, do abandono, da dor, que se tornarão páginas do período de primitivismo que o planeta passou, quando olhados através das claridades sublimes do futuro.

Renovação com Jesus é reconstrução de vida a benefício de todas as vidas.


Eurípedes Barsanulfo













Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVI - João Nunes Maia - Cap. 41 - Condições sociais



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVI - João Nunes Maia - Cap. 41


Condições sociais


806. É lei da Natureza a desigualdade das condições sociais?

“Não; é obra do homem e não de Deus.”

a) - Algum dia essa desigualdade desaparecerá?

“Eternas somente as leis de Deus o são. Não vês que dia da dia ela gradualmente se apaga? Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. Restará apenas a desigualdade do merecimento. Dia virá em que os membros da grande família dos filhos de Deus deixarão de considerar-se como de sangue mais ou menos puro. Só o Espírito é mais ou menos puro e isso não depende da posição social.”


As condições sociais, como as desigualdades entre os homens, não são obra de Deus. São condições temporárias necessárias, devido à desigualdade de posições das criaturas, no que se refere à escala de aperfeiçoamento das almas. Essa condição, repetimos, é passageira, pois somente as leis estabelecidas por Deus são imutáveis no tempo e no espaço.

O bom observador notará sempre, no correr do tempo, que as condições humanas vão se transformando lentamente, e sempre para melhor. Todos os povos vão absorvendo, pela força do progresso espiritual, leis mais justas e mais humanas, vendo-se em seus semelhantes, em outra dimensão de vida. Mesmo com as facilidades que o mundo oferece hoje para o homem errar, ele acaba acertando mais, por ter sido feito para a glória da própria vida.

O orgulho nos parece que cresce mais com o egoísmo, antiga chaga que já floresceu muito, mas que agora está sendo combatida pelos seres humanos em diversas escolas filosóficas e religiosas, e pela maior escola da vida, que se chama maturidade espiritual.

Os que desconhecem as leis de Deus e a existência do Todo Poderoso se mostram duvidosos no que tange à posição do homem ante a eternidade. Não encontrando salvação para o mundo e para sua humanidade, são profetas do pessimismo, no entanto, para Deus não existe o impossível. Ele age no momento adequado e a tudo conserta, usando os próprios homens de boa vontade. As Suas leis corrigem todos os deslizes, usando dos feitos humanos como exemplos e lições para os que incorrem em erro.

As desigualdades que se vêem nos povos, o são por merecimento de cada um. Não que Deus abençoe uns mais que os outros; é devido à escala a que pertence, é força espiritual da justiça, que marca a lei de reencarnação para todas as almas em trânsito na Terra. Quem deseja viver fora da faixa a que pertence, é que sofre as conseqüências da violência acionada por si mesmo; a justiça é o mesmo amor que protege a todos. No Evangelho de João poderemos ler o seguinte, no capítulo onze, versículo dez:

"Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz."

E quem anda fora do nível em que deve viver por justiça, somente encontra trevas, por desconhecer o que deve receber e sentir por misericórdia de Deus. Não queiramos ser o que não somos. Cada criatura tem dentro de si um vigia, que lhe dá conhecimento dos seus poderes e dos seus limites, em tudo que faz e pensa. Mesmo nas condições sociais em que se encontra, por que avançar para as lutas sem as devidas armas com que possa se defender? O que acontece com um médico que não se aprimorou na arte de curar?

As desigualdades nos mostram até onde o outro já chegou, e é um convite para que possamos ir também, porque a vida oferece ensejo para todas as criaturas.


Miramez












Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 21 - Maioridade



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 21


Maioridade


“…O menor é abençoado pelo maior.” — PAULO. (Hebreus, 7:7)


Em todas as atividades da vida, há quem alcance a maioridade natural entre os seus parentes, companheiros ou contemporâneos.

Há quem se faz maior na experiência física, no conhecimento, na virtude ou na competência.

De modo geral, contudo, aquele que se vê guindado a qualquer nível de superioridade costuma valer-se da situação para esquecer seu débito para com o espírito comum.

Muitas vezes quem atinge a maioridade financeira torna-se avarento, quem encontra o destaque científico faz-se vaidoso e quem se vê na galeria do poder abraça o orgulho vão.

A Lei da Vida, porém, não recomenda o exclusivismo e a separatividade.

Segundo os princípios divinos, todo progresso legítimo se converte em bênçãos para a coletividade inteira.

A própria Natureza oferece lições sublimes nesse sentido.

Cresce a árvore para a frutificação.

Cresce a fonte para benefício do solo.

Se cresceste em experiência ou em elevação de qualquer espécie, lembra-te da comunhão fraternal com todos.

O Sol, com seus raios de luz, não desampara a furna barrenta e não desdenha o verme.

Desenvolvimento é poder.

Repara como empregas as vantagens de que a tua existência foi acrescentada. 

O Espírito Mais Alto de quantos já se manifestaram na Terra aceitou o sacrifício supremo, a fim de auxiliar a todos, sem condições.

Não te esqueças de que, segundo o Estatuto Divino, o “menor é abençoado pelo maior”


Emmanuel













Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 56 - Maiorais



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 56


Maiorais

 
“E ele, assentando-se, chamou os doze e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o último de todos e servo de todos.” — (MARCOS, 9.35)


Ser dos primeiros na Terra não é problema de solução complicada.

Há maiorais no mundo em todas as situações.

A ciência, a filosofia, o sacerdócio, tanto quanto a política, o comércio e as finanças podem exibi-los, facilmente.

Os homens principais da ciência, com legítimas exceções, costumam ser grandes presunçosos; os da filosofia, argutos sofistas do pensamento; os do sacerdócio, fanáticos sem compreensão da verdadeira fé. 

Em política, muitos dos maiorais são tiranos; no comércio, inúmeros são exploradores e, nas finanças, muitos deles não passam de associados das sombras contra os interesses coletivos.

Ser dos primeiros, no entanto, nas esferas de Jesus sobre a Terra, não é questão de fácil acesso à criatura vulgar.

Nos departamentos do mundo materializado, os principais devem ser os primeiros a serem servidos e contam com a obediência compulsória de todos.

Em Cristianismo puro, os Espíritos dominantes são os últimos na recepção dos benefícios, porquanto são servos reais de quantos lhes procuram a colaboração fraterna.

É por isto que em todas as escolas cristãs há numerosos pregadores, muitos mordomos, turbas de operários, cooperadores do culto, polemistas valiosos, doutores da letra, intérpretes competentes, reformistas apaixonados, mas raríssimos apóstolos.

De modo geral, quase todos os crentes se dispõem ao ensino e ao conselho, prontos ao combate espetaculoso e à advertência humilhante ou vaidosa, poucos surgindo com o desejo de servir, em silêncio, convencidos de que toda a glória pertence a Deus.


Emmanuel













domingo, 30 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 69 - Hoje



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 69


Hoje


“Antes exortai-vos uns aos outros, todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje; para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado.” — PAULO. (Hebreus, 3:13)

O conselho da exortação recíproca, diária, indicado pelo apóstolo requisita bastante reflexão para que se não estabeleça guarida a certas dúvidas.

Salientemos que Paulo imprime singular importância ao tempo que se chama Hoje, destacando a necessidade de valorização dos recursos em movimento pelas nossas possibilidades no dia que passa.

Acreditam muitos que para aconselharem os irmãos necessitam falar sempre, transformando-se em discutidores contumazes. Importa reconhecer, porém, que uma advertência, quando se constitua somente de palavras, deixa invariável vazio após sua passagem.

Qual ocorre no plano das organizações físicas, edificação espiritual alguma se levantará sem bases.

O “exortai-vos uns aos outros” representa um apelo mais importante que o simples chamamento aos duelos verbais.

Convites e conselhos transparecem, com mais força, do exemplo de cada um. Todo aquele que vive na prática real dos princípios nobres a que se devotou no mundo, que cumpre zelosamente os deveres contraídos e que demonstre o bem sinceramente, está exortando os irmãos em humanidade ao caminho de elevação. 

É para esse gênero de testemunho diário que o convertido de Damasco nos convoca. Somente por intermédio desse constante exercício de melhoria própria, libertar-se-á o homem de enganos fatais.

Não te endureças, pois, na estrada que o Senhor te levou a trilhar, em favor de teu resgate, aprimoramento e santificação. Recorda a importância do tempo que se chama Hoje.


Emmanuel














Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 14 - Autoridade em nós mesmos



Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 14


Autoridade em nós mesmos


"E o amo louvou este feitor iníquo, por haver obrado como homem de juízo; porque os filhos deste século são mais sábios na sua geração que os filhos da luz." (LUCAS, 16:8)


Apreciando o problema daqueles que guardam no mundo as diretivas da experiência, não te fixes nos companheiros que trazem consigo a cruz do ouro e do poder.

Recordemos a esquecida autoridade que o conhecimento superior determina seja exercida por nós em nós mesmos.

Quase sempre ensinamos a arte do pensamento nobre, receitando exercícios e regras aos amigos que nos perlustram a senda, guardando o próprio cérebro à feição de barco desgovernado, em cujas brechas ocultas penetram as sugestões da ignorância e da sombra.

Indicamos aos outros recursos providenciais para que se mantenham indenes de todo mal, através da pureza dos olhos e dos ouvidos, empenhando as próprias percepções à triste aventura da leviandade e do desacerto que acaba sempre na crítica indébita ou na azedia destruidora.

Estruturamos planos para a boa palavra naqueles que nos cercam, sem refrearmos o próprio verbo no galope insensato da crueldade, indicamos fé e esperança para o ânimo alheio, a perder-nos no charco da negação e do derrotismo, exaltamos para ouvintes confiantes a excelência das horas, no capítulo do trabalho e da realização, mergulhando as mãos no visco da inércia e pregamos a excelsitude da caridade para os amigos que nos rodeiam, a desfazer-nos em egoísmo e exigência.

Autoridade!… Autoridade!…

Dela abusaram todos os tiranos que fizeram da própria soberbia escuro resvaladouro para as trevas da criminalidade e da morte e dela, ainda hoje, nos valemos todos para acobertar as próprias fraquezas, sobrecarregando os ombros do próximo com fardos que somos incapazes de suportar.

Lembremo-nos, porém, de Jesus, no sublime governo da própria alma, passando entre os homens com a suprema revelação da Divina Luz, e entesouraremos suficiente humildade para entregar a Deus todos os patrimônios que nos enriquecem a vida, aprendendo a disciplinar-nos para refletir-lhe a grandeza na condição abençoada de filhos do Seu Amor.


Emmanuel













sábado, 29 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Inspiração - Chico Xavier - Cap. 20 - Examinando a felicidade



Emmanuel - Livro Inspiração - Chico Xavier - Cap. 20


Examinando a felicidade


Do egoísmo ao amor, vemos desdobrar-se a velha escala de sombra e luz em que se graduam as forças negativas e positivas da felicidade, qual é conhecida no campo terrestre.

Entre as forças negativas, observamos aquele que exige.

Entre as forças positivas reparamos aquele que renuncia a si mesmo, na exaltação do bem de todos.

O primeiro busca acumular valores para si próprio. O segundo espalha os valores recebidos.

No egoísmo, temos paralisada a corrente da vida, gerando a treva.

No amor, possuímos o movimento divino dessa mesma vida em seu fluxo e refluxo de talentos sublimes, acendendo a claridade suscetível de conduzir-nos à imortalidade vitoriosa.

É por isso que a felicidade dos corações, que a reclamam exclusivamente para si, permanece envenenada pelo tédio infalível a corromper-lhe todas as alegrias, de vez que o homem isolado no cárcere da ociosidade e da ambição, cria para si mesmo o desalento e o cansaço como que sufocado pelas energias sem proveito de que se cerca, displicente.

Por essa razão a felicidade das almas que a dividem com os semelhantes é o júbilo crescente daqueles que descobrem a comunhão com Deus, sempre mais rica de bênçãos, à medida que as bênçãos de paz e luz se lhes fluem das mãos incansáveis e generosas.

Não te guardes na atitude infeliz da criatura que deseja ser amada, permanentemente detida entre os muros da discórdia e do ciúme, da insatisfação e do desespero, mas aprendamos com o Cristo a amar sempre, sem o propósito de qualquer retribuição, porque renunciando em benefício dos outros e servindo constantemente, ainda mesmo na cruz, seguiremos com Ele ao encontro da felicidade incorruptível e eterna.


Emmanuel