quarta-feira, 22 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 26 - Louvemos o bem



Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 26


Louvemos o bem


“Saudai a todos os vossos guias, bem como a todos os santos.” — PAULO (Hebreus, 13.24)


Ante a dificuldade inconteste para servir à Causa do Bem e da Verdade, entre os problemas do mundo, imitemos os espíritos corajosos que nos abrem caminho.

Louvemos os que tiveram suficiente valor para aceitar a humilhação de si mesmos a fim de serem fiéis à própria consciência;

os que recusaram vantagens materiais para não conluiarem com o erro;

os que atravessaram longa existência dedicados a melhorar as condições dos seus semelhantes;

os que renasceram em dolorosas provações no veículo físico e não permitiram que a dor lhes suprimisse a quota de serviço à comunidade;

os que sofreram a morte prematura a fim de que a ciência avançasse sobre trilhas corretas;

e aqueles outros que suportaram perseguições e calúnias por amor aos seus irmãos, sem abandonar a tarefa que o Senhor lhes confiou, quando poderiam ter fugido!…

A eles devemos todos os bens que desfrutamos na Terra, nos domínios da lei e da cultura, da civilização e do progresso!

Eles foram homens e mulheres que lutaram e choraram, entre obstáculos e paixões semelhantes aos que nos marcam a vida; entretanto obedeceram, mais cedo que nós, às leis do Senhor e ainda agora nos esclarecem que, por cima de nossos corações — por enquanto chumbados ao magnetismo do planeta — brilham os caminhos do futuro, rasgados de horizonte a horizonte nos céus abertos, através dos quais, um dia, nossa alma, livre e redimida, subirá, de ascensão em ascensão, para além das estrelas.


Emmanuel








(Reformador, maio 1966, página 99)

Joanna de Ângelis - Livro Jesus e Vida - Divaldo P. Franco - Cap. 5 - Silêncio



Joanna de Ângelis - Livro Jesus e Vida - Divaldo P. Franco - Cap. 5


Silêncio


Aumenta volumosamente a balbúrdia no mundo.

Não há respeito pelo silêncio.

A barulheira aturde a criatura humana, cuja constituição física e emocional apresenta limites para a zoada, em face dos decibéis suportáveis.

Como consequência, as pessoas perderam o tom de equilíbrio nas conversações, nos momentos de júbilo, nas comunicações fraternais.

Grita-se, quando se deveria falar, produzindo uma competição de ruídos e de vozes que perturbam o discernimento e retiram a harmonia interior.

As pessoas engalfinham-se em competir na emissão do volume de voz, tornando as conversações desagradáveis e agressivas.

Quando se fala em tonalidade normal, já não se ouve, em face do hábito enfermiço do vozerio.

Esteja-se no lar, no restaurante, na oficina de trabalho, no clube, em qualquer lugar público, e torna-se quase impossível uma conversação agradável e produtiva.

As músicas deixam, a pouco e pouco, de ser harmônicas para se apresentarem ruidosas, sem nenhum sentido estético, expressando os conflitos e as desordens emocionais dos seus autores, numa tormentosa conspiração para o desaparecimento do sentido de equilíbrio da vida humana.

Os diálogos mais parecem discussões calorosas em que se debate com ardor, em competição injustificável e tormentosa, do que propriamente uma conversa prazerosa.

A arte da conversação cede lugar aos temas vazios de significado e de edificação, permanecendo adstrita a vulgaridades e queixas com que mais se entorpecem ou se irritam os indivíduos.

O alto volume dos ruídos externos retira o sentido do prazer de ouvir-se, em decorrência da agressão ao aparelho auditivo.

Cada qual, por isso mesmo, impõe o volume da sua voz, dos ruídos do lar, das comunicações e divertimentos através dos rádios e das televisões.

Tem-se a impressão de que se perdeu o direito de experiênciar o silêncio ou, pelo menos, de escutar-se em níveis suportáveis e agradáveis, mediante os quais as ondas sonoras produzam empatia e bem-estar.

O desrespeito grassa por todo lado, em razão da falta de educação generalizada. Os pais, indiferentes ao programa de dignificação dos filhos, deixam-nos praticamente aos próprios cuidados, ou concedem-lhes o excesso de liberdade em detrimento daquela que pertence aos outros. Tornam os filhos ruidosos, voluntariosos, desobedientes, agressivos, quando contrariados ou não. Desaparece a disciplina que deve existir em toda parte, favorecendo o bom entendimento entre todos.

As vozes são estridentes e os atos, rebeldes, desrespeitosos às demais pessoas, tornando-se provocantes.

Há um predomínio de violência em tudo, nos sentimentos, nas conversações, nas atividades do dia a dia.

A animosidade gratuita paira no ar, revelando a insensatez social e o desequilíbrio individual.

O egoísmo, com todos os famanazes que lhe constituem o séquito, impõe-se, retirando os direitos que pertencem às demais pessoas.

Há demasiado ruído no mundo, atormentando as criaturas.

Reserva-te o prazer do silêncio, diariamente, por alguns momentos.

O silêncio interior conceder-te-á harmonia, ensejando-te reflexões saudáveis e renovadoras. Mediante o seu contributo, disporás de um arsenal precioso de conceitos para apresentares, quando conversando, mantendo elevado o nível das propostas verbais, porque possuis discernimento e conseguiste armazenar ideias valiosas.

Abordando temas edificantes, gerarás hábitos de equilíbrio e de bem-estar, que te propiciarão paz interior e convivência agradável com os outros, agindo com sabedoria e não te permitindo engalfinhar nos debates da frivolidade, das reclamações e da revolta muito do agrado dos insensatos, daqueles que não pensam e somente falam sem dizer nada educativo.

A voz é instrumento delicado e de alta importância na existência humana. Sendo o único animal que consegue articular palavras, modulando o som e produzindo harmonia, o ser humano deve utilizar-se do aparelho fônico na condição de instrumento precioso e de cujo uso dará contas à Consciência Cósmica que lhe concedeu o admirável tesouro.

Por falta de silêncio interior, escasseia o externo, produzindo consequências danosas.

Mediante a disciplina consegue-se reverter a situação vigente, não se permitindo cair na competição verbal.

Essa disciplina estende-se ao comportamento que deve apresentar-se produtivo, ensejando convivência equilibrada em que o respeito à conduta do outro faça-se primacial.

Nem impor-se aos demais, tampouco permitir-se conduzir pelos outros, somente porque se vivem momentos de desajustes.

Assim procedendo, os hábitos saudáveis ocuparão todos os espaços existenciais, propondo meios de construir-se uma sociedade equilibrada.

Mediante a disciplina adquire-se consciência da vida, amadurecimento psicológico, compreensão dos valores que devem ser adquiridos a benefício de si mesmo, resultando em bem-estar do próximo.

Certamente que não se torna necessário abandonar o mundo, a fim de refugiar-se numa caverna, no deserto ou no alto de um penhasco, para fazer silêncio interior. Basta que sejam cultivadas ideias propiciadoras de alegria e de renovação íntima.

Aquele que adquire o hábito de pensar bem, nunca experimenta solidão, estando acompanhado pelos pensamentos que lhe preenchem os espaços mentais e, por efeito, os físicos, irradiando satisfação pessoal e agradecimento à vida pelas suas inigualáveis concessões.

Retira-te, portanto, para as paisagens ricas de vibração do teu mundo interior e observa-lhes os conteúdos de beleza, de paz, de bênçãos.

Nesses momentos, poucos que sejam, mas constantes, aprenderás a descobrir as páginas ocultas de que se constitui a vida, que irás desdobrando-as, uma a uma, de forma que te felicitarás com a beleza nelas guardada.

Jesus, o Sublime Comunicador, cuja dúlcida voz inebriava de harmonia as multidões, viveu cercado sempre pelas massas, sofreu-as, compadeceu-se delas, mas não se deixou aturdir pela sua insânia e necessidades.

Logo depois de as atender, recolhia-se ao silêncio, fugindo do bulício, a fim de penetrar-se mais pelo amor do Pai, renovando os sentimentos de misericórdia e de compreensão, a fim de que o cansaço que surge na balbúrdia não Lhe retirasse a ternura das palavras e das ações.

Necessitas, sim, de silêncio interior, para melhores reflexões e programações dignificantes em qualquer área do comportamento humano em que te encontres.

Aprende a calar e a meditar, a harmonizar-te e a não perder a serenidade na multidão desarvorada e falante.

Hoje como ontem Quando Jesus veio ter conosco, na Terra, o mundo encontrava-se conturbado e as criaturas haviam perdido o rumo.

A dor fizera presença constante nos corações, enquanto a esperança batera em retirada.

A guerra hospedara-se em muitas nações que se en-redevoravam em espetáculo dantesco, surpreendente.

Os sentimentos de amor e de compaixão haviam desaparecido das paisagens humanas e somente o egoísmo, a indiferença e a crueldade eram vivenciados em campeonatos sórdidos pela busca de supremacia.

A arrogância dos fracos que se apresentavam como li irles competia com a crueldade que praticavam, a fim de inspirarem medo em vez de respeito ou consideração.

Os valores legítimos da ética e da moral haviam cedido lugar aos enganosos galardões do poder e do querer.

A sociedade estorcegava em convulsões afligentes e o povo, mais especialmente, pagava um insuportável tributo pela audácia de existir e respirar.

O proletariado, os camponeses, os sem trabalho nem lar eram considerados como escória, submetidos a condições abjetas e a grande maioria chafurdava em índices abaixo da miséria econômica...

Não havia lugar para a piedade nem para a misericórdia.

Ele veio e rompeu a sombra dominante, oferecendo luz e calor a todos os infelizes que faziam parte dos esquecidos e detestados.

Estabeleceu códigos de dignidade e enfrentou a petulância e o poder mentiroso dos fátuos e enganados, demonstrando-lhes a fragilidade ante a doença, a velhice e a morte, quando não vitimados pela própria insensatez.

Ergueu a Sua voz e exaltou os dons imperecíveis da vida centrados no amor e na compaixão, na misericórdia e na caridade.

Ninguém jamais se atrevera antes a enfrentar a corrupção e o crime com a autoridade com que Ele o fazia.

A Sua voz ressoava profunda nos lugares onde era enunciada, mas penetrava com vigor incomum nas consciências, arrancando-as do letargo a que se haviam entregado espontaneamente.

Os Seus feitos confirmavam a Sua autoridade que procedia de Deus, em cujo nome viera modificar as paisagens humanas.

Ninguém que tivesse a audácia de enfrentá-10 com êxito. Mesmo os permanentes inimigos da humanidade de todos os tempos, quando O tentavam, buscando envolvê-10 nas suas tricas miseráveis, jamais O conseguiram vencer ou atemorizar. A Sua energia não tinha limites, fazendo-se acompanhar de infinita compreensão por todos aqueles que se houveram transformado em abutres famintos, alimentando-se nos despojos dos seus próprios irmãos...

Revolucionou as ideias e estabeleceu novos paradigmas para a felicidade, demonstrando que o verdadeiro triunfador não é aquele que se destaca sobre os cadáveres das vítimas, porém aquele que se vence a si mesmo, superando as paixões hediondas que o escravizam ao eito da inferioridade...

Sinalizou o caminho com pegadas luminosas, a fim de que nunca mais houvesse escuridão e desconhecimento da estrada a seguir...

Embora desejasse a libertação das consciências e a pulcritude dos sentimentos, quase todos que O buscavam, em face das limitações que os caracterizavam, disputavam a recuperação dos tecidos orgânicos enfermos, dos distúrbios da emoção em desalinho, das distonias mentais, como também dos interesses mesquinhos, que faziam parte do seu dia a dia tumultuado, das questiúnculas que lhes cabia resolver, mas preferiam transferir para Ele.

Nunca se fez juiz de contendas ridículas, nem se permitiu envolver com as torpes discussões da frivolidade, dos ódios que incendiavam os sentimentos.

Enfrentou o sarcasmo e a agressividade com altivez, não os valorizando, fiel ao compromisso que firmara com o Pai, amando e servindo.

Por tudo isso e muito mais, ultrapassou os limites do tempo e do espaço geográfico em que viveu, tornando-se invencível, enquanto legou o tesouro da imortalidade em direção ao futuro e ao dever perante o presente.

Por uns amado, ficou detestado por todos que O não puderam submeter aos seus caprichos.

Morreu vilmente assassinado, mas voltou em madrugada de eterna claridade, a fim de que nunca mais houvesse dúvidas a Seu respeito, prometendo a todos receber além da cortina densa do corpo...

Hoje ainda é assim como fora ontem.

A geografia política do planeta encontra-se fragmentada em conflitos, terrorismos, guerras insensatas e misérias em abundância.

Chegou o Espiritismo, revivendo-O e direcionando-se às massas, sob críticas ácidas da falsa cultura e a perseguição do fanatismo de todo porte, rompendo as teias fortes da ignorância a respeito da sobrevivência do espírito e acenando com a felicidade que se busca nos descaminhos do prazer, quando, em realidade, se encontra nos refolhos da alma aureolada pelas virtudes convencionais.

Repete os códigos soberanos das leis que Ele viveu, quais o amor, a compaixão, a caridade, o perdão, ensejando mudanças profundas no comportamento.

Demonstra a sabedoria divina em todas as ocorrências humanas, mesmo naquelas que são denominadas como infortúnios e desgraças, através de uma filosofia existencial ímpar, com possibilidades de impulsionar ao avanço todos aqueles que se encontram cansados e aflitos, mas os ouvidos desatentos e os interesses subalternos dos seus simpatizantes não conseguem captar as lições incomparáveis.

Pelo contrário, disputam os lugares de honra e os aplausos festivos nos encontros espirituais, que deveriam revestir-se de simplicidade e de introspecção.

As diretrizes iluminativas são confundidas com fórmulas mágicas para solucionar os problemas existenciais que dizem respeito ao processo evolutivo.

O aturdimento, ante os efeitos das ações infelizes anteriormente praticadas, bloqueia o discernimento, impedindo a clara compreensão dos objetivos essenciais da caminhada orgânica.

Desejam, em perturbação, ocorrências milagrosas para que se modifiquem as dificuldades em que se encontram, embora permitindo-se continuar nos mesmos disparates e incongruências de conduta moral.

Apresentam-se como credores especiais de benefícios que esperam em caráter de exceção, sem qualquer esforço.

São enfermos espirituais mais graves do que se pode imaginar, portanto, dignos de mais compaixão e mais compreensão.

Ainda não encontraram Jesus, nem O sentiram, estando em acercamento demorado que, sem dúvida, culminará em formosa entrega a Ele, o Senhor de nossas vidas.

Tem, portanto, muita paciência com os enfermos da alma, por serem mais difíceis de amados, entregando-os Àquele que veio para que todos tivessem vida, porém, em abundância.


Joanna de Ângelis















terça-feira, 21 de abril de 2026

Emmanuel - Livro A Verdade Responde - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier - Prefácio - A Verdade Responde



Emmanuel - Livro A Verdade Responde - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier - Prefácio


A Verdade Responde


As indagações sempre se renovam, em toda parte. Inquirições da vida no mundo, especialmente as respostas, em todas as circunstâncias foram baseadas nas interpretações pessoais daqueles que as formulam.

Sábios de todos os tempos e procedências se manifestam no assunto para reconhecer que as suas teorias ou análises sofrem alterações em suas estruturas, o que nos compele a declarar que mesmo nós, os amigos desencarnados, às vezes, modificamos informes e concepções no desdobramento das tarefas individuais ou nos eventos evolutivos. 

Chega, porém, um dia em que a verdade nos surge na vida íntima, esclarecendo-nos e preparando-nos para novos passos, no rumo do Conhecimento Superior.

Não acreditamos exista um metro para medi-la e continuamos na caminhada para diante.

Não temos, porém, essa pretensão de definir o que seja a verdade, mas sabemos que a verdade é a bússola de nossa marcha e que aparece inevitável nos caminhos em que ela nos responde, acrescida sempre de mais luz, em nós mesmos, respondendo-nos às indagações, em nome de Deus.


Emmanuel
Uberaba, 21 de junho de 1990.











Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 49 - Tesouros ocultos



Emmanuel - Livro Seara dos Médiuns - Chico Xavier - Cap. 49


Tesouros ocultos


"Porque onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração." (Mateus 6:21).


30º — Podem os Espíritos fazer que se descubram tesouros?

“Os Espíritos superiores não se ocupam com essas coisas;  mas, os zombeteiros frequentemente indicam tesouros que não existem, ou se comprazem em apontá-los num lugar, quando se acham em lugar oposto. Isso tem a sua utilidade, para mostrar que a verdadeira riqueza está no trabalho. Se a Providência destina tesouros ocultos a alguém, esse os achará naturalmente; de outra forma, não.” (O Livro dos Médiuns)


Ainda existe quem se dirija aos companheiros desencarnados perguntando por tesouros ocultos.

Tais consulentes, guardando imaginação doentia, mentalizam recipientes encravados no subsolo ou no corpo de lodosas paredes, a vazarem moedas e preciosidades que lhes atendam aos pruridos de usura.

E martelam a mediunidade inexperiente e pedem sonhos reveladores…

Mas os amigos espirituais, realmente esclarecidos, tudo fazem para que os irmãos da escola física não encontrem semelhantes bombas douradas que, provavelmente, lhes explodiriam nas mãos, em forma de crime.

Entretanto, cada criatura humana surge do berço para descobrir os talentos que traz, independentemente da fortuna terrestre, a fim de ajudar aos outros, valorizando a si mesma.

A mulher e o homem aproveitam o amor que dimana gratuitamente de Deus e erguem o santuário do lar, em que se escondem imperecíveis tesouros da alma.

O professor emprega palavras que não têm preço amoedado e amontoa os tesouros da cultura e da inteligência.

O escritor respeitável utiliza as letras do alfabeto, ao alcance de todos, e estabelece os tesouros do livro nobre que estende consolação e assegura o progresso.

E o compositor apropria-se das sete notas musicais que desconhecem a existência do ouro e oferece indistintamente, ao mundo, os tesouros da melodia.

Somente o trabalho consegue formar os verdadeiros tesouros da vida.

Ainda assim, é indispensável saibamos distinguir a ação digna da exploração inferior.

Os cultivadores da coca e da papoula, que abusam dessas plantas medicinais, transformando-as em filões de dinheiro no mercado escuso da cocaína e do ópio, dizem que trabalham e apenas fazem os viciados e os infelizes.

É preciso saber o que produzimos, a fim de sabermos para onde nos dirigimos, porquanto o próprio Jesus afirmou, convincente: — “onde guardardes o vosso tesouro, tereis retido o coração”. 

E as palavras do Mestre Divino tanto se referem às claridades do bem quanto às sombras do mal.


Emmanuel











Reunião pública de 4-7-1960.
Questão n.º 295 - § 30.º


domingo, 19 de abril de 2026

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 124 - O som



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 124


O som


“Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha?” — PAULO (1 Coríntios, 14.8)


Ninguém julgue sejam necessários grandes cataclismos para que se efetue a modificação de Planos da criatura.

O homem pode mudar-se de Esfera, sem alarido cósmico, e as zonas superiores e inferiores representam graus de vida, na escala do Infinito.

Elevação e queda, diante da própria consciência, constituem impulso para cima ou para baixo, no campo ilimitado de manifestações do espírito imperecível.

Toda modificação para melhor reclama luta, tanto quanto qualquer ascensão exige esforço. É imprescindível a preparação de cada um para a subida espiritual.

É natural, portanto, que os vanguardeiros sejam porta-vozes a todos aqueles que acompanham o trabalho de melhoria, aglomerados em multidão.

Eis por que, personificando no discípulo do Evangelho a trombeta viva do Cristo, dele devemos esperar avisos seguros.

Em quase todos os lugares, observamos os instrumentos de sons incertos que dão notícia do serviço a fazer, mas não revelam caminhos justos.

Na maioria dos núcleos do Cristianismo renascente, deparam-se-nos trabalhadores altamente dotados de luz espiritual, que duvidam de si mesmos, companheiros valiosos cuja fé somente vibra em descontínuas fulgurações.

É necessário compreender, porém, que o som incerto não atende ao roteiro exato. Serve para despertar, mas não fornece orientação.

Os aprendizes da Boa Nova constituem a instrumentalidade do Senhor. Sabemos que, coletivamente, permanecem todos empenhados em servi-lo, entretanto, ninguém olvide a necessidade de afinar a trombeta dos sentimentos e pensamentos pelo diapasão do Divino Mestre, para que a interferência individual não se faça nota dissonante no sublime concerto do serviço redentor.


Emmanuel









Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

Emmanuel - Livro Intervalos - Chico Xavier - Cap. 12 - Perante a vida




Emmanuel - Livro Intervalos - Chico Xavier - Cap. 12


Perante a vida


Em verdade, o sistema solar, — vasto e sublime edifício, de que somos reduzido apartamento, — é um império maravilhoso de luz e de vida, cuja grandeza mal começamos a perceber.

Basta lembrar que a sede rutilante desse largo domínio cósmico, representada pelo divino astro do dia, detém o volume correspondente a um milhão e trezentas mil Terras reunidas, e basta recordar que Júpiter, o filho mais importante do Sol, é mais de mil vezes maior que o nosso Planeta.

Mas, não é somente a massa comparada desses gigantes do Espaço, que precisamos examinar para definir, com segurança, a nossa pequenez.

Reportemo-nos, igualmente, às distâncias, recordando que Marte, o nosso vizinho mais próximo, quando menos afastado do educandário em que estagiamos, movimenta-se a cinquenta e seis milhões de quilômetros de nós, oferecendo-nos justas reflexões quanto aos estreitos limites de nossa casa terrestre.

Registre-se ainda que o nosso Sistema, ante a amplidão ilimitada, é insignificante domicílio na cidade imensa da Via-Láctea, na qual milhões de sóis, transportando consigo milhões de mundos, tanto quanto nos ocorre, procuram, através do movimento e do trabalho incessantes, a comunhão com a indefinível Majestade de Deus.

Vega, Sírius, Canopus e Antares, sóis resplendentes, junto dos quais o nosso não passará de ponto obscuro, à maneira de lâmpada humilde no coro da Imortalidade, constituem palácios suspensos, onde a beleza e a perfeição adquirem aspectos inabordáveis, ainda, ao nosso campo de expressão.

Todavia, é preciso calar, de algum modo, o êxtase que nos assalta, ante a magnificência do Universo, para atender às obrigações que o mundo nos exige.

Somos demasiadamente pequeninos para arrojar ao Cosmo o escalpelo de nossas indagações descabidas.

Aves implumes no ninho da vida eterna, achamo-nos, ainda, muito longe das asas com que ultrapassaremos nossas justas e compreensíveis limitações.

Por isso mesmo, embora aguardando a celeste herança que nos é destinada no curso dos milênios, busquemos construir a casa de nossos destinos sobre a Rocha do Amor, — Jesus Cristo, — o Sol Espiritual que nos acalenta e soergue para o grande futuro.

Antes da ascensão a outras Esferas, atendamos às necessidades de nossa própria moradia. Melhoremo-nos para que a nossa residência melhore.

Ajudemo-nos uns aos outros, para que a vida, em nosso Plano, se faça menos dolorosa e menos inquietante.

E, convertendo nosso mundo, pouco a pouco, no santuário vivo em que Jesus se manifeste, estejamos convictos de que a Terra, hoje escura, amanhã se transformará no espelho divino em cuja face a glória de Deus se refletirá.


Emmanuel












Joanna de Ângelis - Livro Alegria de Viver - Divaldo P. Franco - Cap. 11 - Instrumento divino



Joanna de Ângelis - Livro Alegria de Viver - Divaldo P. Franco - Cap. 11


Instrumento divino


“Seja, porém, o vosso falar: sim, sim; não, não...” (Mateus, 5:37). 


O violino é instrumento delicado, rico de melodias, aguardando execução.

Deixando-o à umidade, perde a ressonância.

Manipulado com rispidez, desafina-se.

Largado ao abandono, sofre a invasão de insetos que o destroem.

Utilizado com brutalidade, arrebenta-se.

Esquecido em temperaturas elevadas, estala e rompe a caixa acústica.

Em mãos inábeis, perde a finalidade e o valor.

Em museu, é peça morta.

Atirado ao lixo, torna-se inutilidade.

No entanto, cuidado, recebendo afinação, conduzido com carinho, reflete as melodias divinas ao contato do arco que lhas arranca, vibrando harmonias incomparáveis que lhe saem das cordas distendidas e equilibradas.

O médium, de certa forma, pode ser comparado ao violino.

Afinado com os dons da vida e colocado em mãos treinadas, acostumadas às músicas divinas, traz, à Terra, as gloriosas mensagens da Imortalidade.

Posto em comunhão com o bem, esparze harmonias que facultam paz e estimulam ao amor.

Estando em ação correta, participa da orquestração da vida, expressando a glória da Criação em concertos de indefiníveis estesias.

Sob a ardência das paixões primitivas, porém, arrebenta os centros de comunicação e perverte a finalidade a que se destina.

Cultivando os instintos primários e dando-lhes expressão, tomba nos depósitos de lixo das obsessões penosas.

Absorvendo a queixa e o pessimismo, perde a afinidade com os instrumentistas superiores.

Relegando-se ao marasmo, desconecta os centros de registro elevado.

Utilizado para o mercantilismo e as frivolidades, se gasta nos prejuízos destruidores.

Compulsado por entidades perversas, morrem-lhe os ideais de enobrecimento, e embrutece-se, caindo depois na alucinação autoaniquiladora.

O violino e o médium têm muita semelhança.

São, em si mesmos, neutros, dependendo de como se deixam utilizar.

O violino, porque não possui razão nem inteligência, depende totalmente do seu possuidor, quanto o médium resulta da conduta moral que imprimir à sua faculdade.

Deixa-te tanger pelas mãos dos artistas espirituais de elevado porte, afim de que possas transmitir as melodias da Vida maior para felicitar as criaturas.

Em qualquer situação, permanece cauteloso, zelando pelos teus equipamentos, de modo a responder em harmonia a todas as emissões dos artistas divinos, como instrumento sintonizado com a sublime orquestra do amor de Nosso Pai.


Joanna de Ângelis