quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Humberto de Campos - Livro Contos Desta e Doutra Vida - Chico Xavier - Cap. 16 - A lição maior



Humberto de Campos - Livro Contos Desta e Doutra Vida - Chico Xavier - Cap. 16


A lição maior


Diante de milhares de Espíritos deslumbrados, a preleção terminou…

A assembleia, constituída na maioria por entidades sofredoras da Terra, estacara, em suspenso, no vasto recôncavo do Espaço.

Assombro, alegria, emoção…

É que falara o grande cartaginês Aurélio Agostinho, venerado no Cristianismo como figura das mais elevadas na História.

Nimbado de intensa luminosidade, comovera ele a multidão, na categoria de emissário da Esfera Superior.

Desencarnados de vários países cristãos ali se ajuntavam para ouvi-lo. Antigos professores de Hipona e Tagasta, Madaura e Milão, experimentados em muitas reencarnações, partilhavam-lhe o séquito.

Comentava-se em grupos diversos a sublime condição do orador. Diziam muitos amigos que o grande pregoeiro do Evangelho transcendera a Humanidade Terrestre, ao que outros respondiam sabê-lo na intimidade de gênios soberanos, integrados na evolução de outros sistemas e outras Esferas.

Guerreiros cuja mente se fatigava para anular a lembrança da espada, ricos empobrecidos de ouro e remediados de consolação, mulheres cansadas de mentira e almas numerosas, em dolorido abatimento, haviam recebido a palavra da Boa Nova, qual se esta fosse um néctar divino…

Todos os presentes exibiam singular metamorfose, como se a luz interior do coração se lhes estampasse no semblante transfigurado, entremostrando aspirações novas, dando a ideia de quem sacava ao futuro energias diferentes para a batalha da própria regeneração, e o pranto copioso, aqui e ali, destacava, decerto, votos íntimos, profundos…

Preparava-se o orador à retirada, quando recebeu o toque de alguém, recém-vindo da Terra.

Era um homem que ainda trazia as marcas de recente liberação do corpo físico.

Fitando os olhos do mensageiro que o abençoava, caiu em reverência e rogou:

— Grande apóstolo de Nosso Senhor Jesus-Cristo! Dos sessenta anos que vivi entre as criaturas humanas, quarenta dediquei ao estudo de vossa vida! Procuro-vos, desde muito, com ardente afeição… Agora que vos encontro, peço recebais o testemunho de meu apreço, e permiti, ó embaixador da Bondade Divina, algo vos pergunte na minha prece de respeitosa admiração!… 

Alçado agora à munificência da Altura, vós que desfrutais a convivência dos assessores do Cristo e que acompanhais a marcha de quinze séculos de Cristianismo, assinalados desde a vossa conversão ao Evangelho, que revelação mais alta tendes hoje a proporcionar-nos? Vós que conheceis presentemente outros mundos, que devassais novos segredos cósmicos, que sabeis olhar com entendimento e compaixão para as nossas almas e que desempenhais, com honra, a função de arauto das eternas verdades, dizei-nos qual a lição que considerais a mais nobre, em vossa triunfante jornada de Espírito?

O antigo lidador cartaginês, sensibilizado, afagando a cabeça trêmula do companheiro que perguntava, respondeu, bondoso:

— Meu filho, a mensagem maior em toda parte, como sempre, é a grandeza de Deus que envolve o Universo. As constelações remotas estendem-lhe o poder. Os sóis que nos influenciam de perto proclamam-lhe o esplendor. Os mundos que conseguimos pisar demonstram-lhe a paternal solicitude. Flores e gotas d’água são notícias de seu infinito amor… 

Todos os fenômenos da vida dizem algo de sua glória oculta. No entanto, o ensinamento mais alto que recebi até agora, no âmago da consciência, é aquele de minha própria transformação… Contado entre os maiores devassos e criminosos da Terra, pude entrar, pela abnegação de Jesus-Cristo, o fiador de nossas almas, em minha própria restauração, na trilha de serviço que continuo a palmilhar.

O consulente baixou o rosto, ante a humildade do mensageiro.

E enquanto o grande mentor se afastava, cercado de amigos, a explicação ecoou, no imenso vale dos pecadores desencarnados, como sopro renovador de alegria e esperança…


Humberto de Campos
(Irmão X)
















quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Opinião Espírita - Emmanuel / André Luiz - Chico. Xavier / Waldo Vieira - Cap. 28 - Benevolência



Emmanuel - Livro Opinião Espírita - Emmanuel / André Luiz - Chico. Xavier / Waldo Vieira- Cap. 28


Benevolência


7. De tal modo compreendeu São Paulo essa grande verdade, que disse: “Quando mesmo eu tivesse a linguagem dos anjos; quando tivesse o dom de profecia, que penetrasse todos os mistérios; quando tivesse toda a fé possível, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, nada sou. Dentre estas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade.” Coloca assim, sem equívoco, a caridade acima até da fé; é que a caridade está ao alcance de toda gente: do ignorante, como do sábio, do rico, como do pobre, e independe de qualquer crença particular. Faz mais: define a verdadeira caridade, mostra-a não só na beneficência, como também no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo. (O Evangelho Segundo o Espiritismo — Cap. XV)


Traduzindo benevolência por fator de equilíbrio, nas relações humanas, vale confrontar as atitudes infelizes com os obstáculos pesados que afligem o Espírito, na caminhada terrestre.

Aprendamos a sinonímia de ordem moral, no dicionário simples da natureza:

Crítica destrutiva — labareda sonora.

Azedume — estrada barrenta.

Irritação — atoleiro comprido.

Indiferença — garoa gelada.

Cólera — desastre à vista.

Calúnia — estocada mortal.

Sarcasmo — pedrada a esmo.

Injúria — espinho infecto.

Queixa repetida — tiririca renitente.

Conversa desnecessária — vento inútil.

Preconceito — fruto bichado.

Gabolice — poeira grossa.

Lisonja — veneno doce.

Engrossamento — armadilha pronta.

Aspereza — casca espinhosa.

Pornografia — pântano aberto.

Despeito — serpente oculta.

Melindre — verme dourado.

Inveja — larva em penca.

Pessimismo — chuva de fel.

Espiritualmente, somos filtros do que somos.

Cada pessoa recebe aquilo que distribui.

Se esperamos pela indulgência alheia, consignemos as manifestações que nos pareçam indesejáveis e, evitando-as com segurança, saberemos cultivar a benevolência, no trato com o próximo, para que a benevolência nos seja auxílio incessante, através dos outros.


Emmanuel
















Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 11 - Atribulação



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 11


Atribulação


18. Quando o Cristo disse: “Bem-aventurados os aflitos, o reino dos céus lhes pertence”, não se referia de modo geral aos que sofrem, visto que sofrem todos os que se encontram na Terra, quer ocupem tronos, quer jazam sobre a palha. Mas, ah! poucos sofrem bem; poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzi-los ao reino de Deus. O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações, desde que vos falte coragem. A prece é um apoio para a alma; contudo, não basta: é preciso tenha por base uma fé viva na bondade de Deus. Ele já muitas vezes vos disse que não coloca fardos pesados em ombros fracos. O fardo é proporcionado às forças, como a recompensa o será à resignação e à coragem. Mais opulenta será a recompensa, do que penosa a aflição. Cumpre, porém, merecê-la, e é para isso que a vida se apresenta cheia de tribulações.

O militar que não é mandado para as linhas de fogo fica descontente, porque o repouso no campo nenhuma ascensão de posto lhe faculta. Sede, pois, como o militar e não desejeis um repouso em que o vosso corpo se enervaria e se entorpeceria a vossa alma. Alegrai-vos, quando Deus vos enviar para a luta. Não consiste esta no fogo da batalha, mas nos amargores da vida, onde, às vezes, de mais coragem se há mister do que num combate sangrento, porquanto não é raro que aquele que se mantém firme em presença do inimigo fraqueje nas tenazes de uma pena moral. Nenhuma recompensa obtém o homem por essa espécie de coragem; mas, Deus lhe reserva palmas de vitória e uma situação gloriosa. Quando vos advenha uma causa de sofrimento ou de contrariedade, sobreponde-vos a ela, e, quando houverdes conseguido dominar os ímpetos da impaciência, da cólera, ou do desespero, dizei, de vós para convosco, cheio de justa satisfação: “Fui o mais forte.”

Bem-aventurados os aflitos pode então traduzir-se assim: Bem-aventurados os que têm ocasião de provar sua fé, sua firmeza, sua perseverança e sua submissão à vontade de Deus, porque terão centuplicada a alegria que lhes falta na Terra, porque depois do labor virá o repouso. Lacordaire. Havre, 1863. (E.S.E. Cap. V)


O sofrimento é bem reconhecido nos meios espiritualistas como sendo meio de ascensão espiritual, quando recebido com paciência e resignação. São lições de aprendizado nos caminhos que cada um tem de percorrer. Devemos, por isso, amar a todo tipo de aflições, mas nunca procurar padecimentos, com a falsa ideia de que eles nos elevam.

O Cristo, quando disse “Bem-aventurados os aflitos, que deles é o reino dos céus” não se referia a esses aflitos escandalosos, que mostram as aflições, procurando compaixão dos outros; os que semeiam ideias negativas, mostrando a dor em tudo, continuam, mesmo no mundo espiritual, nas trevas, por pensar nelas e divulgá-las.

As bem-aventuranças são para os que sofrem amando a dor e extraindo dela o que ela traz de educação, abrindo os ouvidos à sua palavra, no silêncio da própria vida, como sendo a educadora de grande valor, e mesmo uma mensageira de Deus, que abre os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos. Ver nos sofrimentos somente atribulações é desconfiar da Divindade e não aceitar a lei de justiça, que evidencia Deus ajudando a todos os Seus filhos.

Quando se é oprimido, é necessário esquecer a revolta e procurar na tolerância a razão do que está acontecendo; se Deus está em toda parte, está certamente vendo Seus filhos passarem pelas aflições e, na hora certa, quando assimiladas as lições, Ele oferece o amparo proveitoso. As tormentas acontecem para acordar a alma, no aspecto de que ela está esquecida, mostrando os caminhos que lhe favorecem a paz.

Bem-aventurados os aflitos, aqueles que a natureza oprime por todos os meios, para os fazer sentir, ver e se decidirem a melhorar, mudando de vida, que sentem a necessidade do perdão, corrigindo os impulsos do revide, cortando as arestas da valentia, no esquecimento das faltas.

Bem-aventurados os aflitos que, mesmo na aflição e entristecidos, ainda procuram e acham meios de servir ao ofensor e orar por eles, que trabalham em favor de todos, sem escolher somente os que estão mais próximos da sua sintonia, que "amam o próximo como a si mesmos".

É dever do companheiro que já conhece o Cristo, que O identifica sempre nos caminhos, ser mortificado; no entanto, que os ouvidos estejam em conexão com o verbo do Senhor, na prática da caridade para se fazer reconhecido como instrumento do amor. A opressão pode ocorrer sempre nos caminhos do verdadeiro cristão, mas, em vez de desviá-lo do caminho do bem, o fenômeno se dá ao contrário, despertando no seu coração mais amor, mais fraternidade, mais benevolência, mais entendimento para com todos os acontecimentos; é sempre luz nos caminhos de quem anda nas trevas.

A aflição é oportunidade para o cristão de provar a sua fé, a sua coragem para enfrentar as duras horas que tem de passar ao acompanhar o Cristo; os Seus discípulos cresceram dando testemunhos nas aflições, nas fogueiras, nas cruzes, nos arrochos, nas prisões, mostrando ao seu Mestre que assimilaram as lições, na profundidade que elas foram ministradas.

Quem deseja acompanhar o Cristo tem de dar os testemunhos, transformando as aflições em esperanças, mudando o desconforto em prazeres, transmutando a cruz em glória, e todos os padecimentos em ensejos para despertar os valores da vida, na intimidade do coração. Aí podemos entender o que disse Jesus acerca das bem-aventuranças, conhecendo os valores do Espírito e vivendo-os na glória da verdadeira vida: devemos começar entendendo a nós mesmos, que o entendimento para com os outros ficará mais fácil, estendendo esse respeito a tudo que se integra à criação de Deus.

As tribulações são passageiras, as aflições são breves e a dor permanecerá conosco até compreendermos as suas lições. 

Agradeçamos a Deus, no profundo da alma, pela chegada da Doutrina Espírita, esse vaso escolhido que desceu dos céus pelos mais altos instrumentos de Deus, e entregue a um dos mais lúcidos discípulos de Jesus, para ter a alegria de distribuir aos novos discípulos na Terra, o que fez com maestria e amor.

A luz nunca faltou, na Terra, para aqueles que desejam iluminar e se encontram preparados, mas nunca aconteceu como agora; o que nos parece é que o céu verdadeiramente desceu à velha Terra para confundir os sábios, elevar os humildes e glorificar os justos, dando a cada um segundo as suas necessidades.

Não temamos as aflições; sejam elas quais forem, compreendamos suas lições, toleremos, confiemos em Deus, tenhamos fé e paciência, e não culpemos a ninguém pelos possíveis tormentos, que a luz em nossos corações se acenderá como o sol do meio-dia.


Miramez















Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 42 - Nós mesmos



Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 42


Nós mesmos


930. É evidente que, se não fossem os preconceitos sociais, pelos quais se deixa o homem dominar, ele sempre acharia um trabalho qualquer, que lhe proporcionasse meio de viver, embora deslocando-se da sua posição. Mas, entre os que não têm preconceitos ou os põem de lado, não há pessoas que se vêem na impossibilidade de prover às suas necessidades, em conseqüência de moléstias ou outras causas independentes da vontade delas?

“Numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo ninguém deve morrer de fome.”

A.K.: Com uma organização social criteriosa e previdente, ao homem só por culpa sua pode faltar o necessário. Porém, suas próprias faltas são frequentemente resultado do meio onde se acha colocado.

Quando praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade e ele próprio também será melhor.” (793) O Livro dos Espíritos.


Que é preciso trabalhar na conquista honesta do pão, todos sabemos.

Obrigação para cada um, no edifício social, é problema pacífico.

Não ignoramos, porém, que muitos companheiros do caminho permanecem à margem, esquecidos na carência, mergulhados na provação, chafurdados na delinquência, agoniados no desespero e penitentes na enfermidade…

Quem são, no mundo, os chamados para lhes prestarem socorro, em nome do Cristo?

Dizes que são os administradores; contudo, os administradores, via de regra, jazem inquietos, criando verbas e leis.

Dizes que são os políticos; entretanto, frequentemente, os políticos andam apreensivos na arregimentação partidária, estudando interesses e decisões.

Dizes que são os cientistas; todavia, os cientistas quase sempre estão concentrados em suas pesquisas, multiplicando indagações e dúvidas infindáveis.

Dizes que são os filósofos; mas os filósofos, na maioria das vezes, respiram encarcerados em suas doutrinas, alentando tribunas e discussões.

Dizes que são os milionários; todavia, os milionários comumente sofrem responsabilidades sem conta, fiscalizando posses e haveres.

Dizes que são os comerciantes; contudo, os comerciantes, muitas vezes, caminham absorvidos em suas transações, conjugando assuntos de compra e venda.

Tão pejados de compromissos vivem na Terra os governantes e os legisladores, os matemáticos e os intelectuais, os abastados e os negociantes, que serão todos eles categorizados sempre à conta de filantropos e heróis, benfeitores e apóstolos, toda vez que forem vistos nas faixas mais simples da caridade.

Lembra-te de Jesus, quando passou entre os homens cumprindo a Lei de Deus.

Em circunstância alguma formulou exigências e apelos aos titulados da Terra.

Em todos os lugares e em todos os serviços, irmanavam-se, Ele e o povo, na execução da solidariedade em nome do Amor Divino.

Assim, pois, se lembramos Jesus com fidelidade, quem deve alimentar os famintos e agasalhar os nus, sossegar os aflitos e consolar os que choram, instruir os ignorantes e apoiar os desfalecentes, antes de qualquer cristão desmemoriado ou inibido, somos sempre nós mesmos.


Emmanuel










Reunião pública de 12-6-1959.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 92 - Solidariedade



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 92


Solidariedade


“Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.” — PAULO (Romanos, 12:15)


Realmente, na Terra, é mais fácil chorar com os que choram.

Em muitas circunstâncias, mágoas alheias servem de consolação para nossas mágoas.

Quem carrega fardos enormes como que nos estimula a suportar os estorvos leves.

Num desastre qualquer, que nos teria colhido, inclinamo-nos, comovidamente, para as vítimas, guardando, muita vez, a ilusão de que fomos agraciados por Deus, como se a responsabilidade de moratórias e empréstimos, que nos são concedidos pela Misericórdia Divina, dentro da Lei, fosse para nós regime de favoritismo e exceção.

Ajudar aos que se encontram em provações maiores que as nossas é caridade sublime; no entanto, é forçoso reconhecer que aconselhar paciência aos que choram, na posição de superiores tranquilos, é o mesmo que falar à margem de um problema, sem estar dentro dele.

Com isso, não queremos diminuir o valor da beneficência. Sem ela, nossas mãos se fariam garras de usura e o egoísmo transformaria a Terra num manicômio.

Desejamos simplesmente afirmar que é mais fácil chorar com os que choram, que alegrar-se alguém com os que se alegram; porquanto, ajudar com o pão ou com a alegria que nos sobram é ato que podemos realizar sem dificuldade, ao passo que, para regozijar-nos com o regozijo dos outros, sem qualquer ponta de inveja ou despeito, é preciso trazermos suficiente amor puro no coração.


Emmanuel








(Reformador, março de 1961, p. 50)

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XIII - João Nunes Maia - Cap. 48 - Como orar



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XIII - João Nunes Maia - Cap. 48


Como orar


660. A prece torna melhor o homem?

“Sim, porquanto aquele que ora com fervor e confiança se faz mais forte contra as tentações do mal e Deus lhe envia bons Espíritos para assisti-lo. É este um socorro que jamais se lhe recusa, quando pedido com sinceridade.”

a) - Como é que certas pessoas, que oram muito, são, não obstante, de mau caráter, ciosas, invejosas, impertinentes, carentes de benevolência e de indulgência e até, algumas vezes, viciosas?

“O essencial não é orar muito, mas orar bem. Essas pessoas supõem que todo o mérito está na lonjura da prece e fecham os olhos para os seus próprios defeitos. Fazem da prece uma ocupação, um emprego do tempo, nunca, porém, um estudo de si mesmas. A ineficácia, em tais casos, não é do remédio, sim da maneira por que o aplicam.”


A prece torna melhor o homem, desde que esse homem compreenda a eficácia da oração, fazendo-a no seu sentido real. As preces decoradas, onde somente a boca fala, sem que o coração participe, são vazias e não passam de sons que o verbo articula.

A tua oração deve ser sentida; sempre que puderes, entra para o teu aposento, como ensinou Jesus, e ora ao Pai que se encontra em todo lugar, com sinceridade e amor, com o sentimento de boa vontade, de modo que, ao saíres do transe da oração, passes a esforçar para deixar de lado certos defeitos que atormentam a consciência, e entres com mais rigor na disciplina de hábitos incômodos e vícios perniciosos.

Orar bem é trabalhar constantemente no autoaperfeiçoamento espiritual. Os bons Espíritos não deixam de atender a quem ora com proveito. Este abre sempre um caminho de luz em busca dos benfeitores, e os que não sabem orar devem sofrer as dificuldades para aprenderem que nada vem sem o esforço de cada ser. Se assim não fora, o esforço próprio, empenho grandioso do homem, perde o valor. O mundo espiritual faz questão de que a alma faça a parte dela, que somente ela pode fazer.

O essencial não é orar em demasia, maquinalmente, na inconsciência; é orar com sentimento de ternura, é colocar o coração para falar antes da boca. Quem não se interessa em corrigir os seus deslizes jamais aprende a orar. A prece atrai sempre luz para quem a faz, mas essa luz somente surge pelos canais da reforma, onde dominam o amor e a caridade.

Quem ora para outrem, com interesse em alguma coisa, que não seja o de cumprir o dever com Deus, está se desculpando dos seus malfeitos, querendo ganhar o céu por preces decoradas, ou dinheiro fácil com palavras que somente ele ouve.

Deves orar com amor, aquele que nada exige, que não se compra, que não se vende, que não faz mal juízo, que não pesquisa os defeitos alheios, que não espera recompensa. Se o amor é prece, e das melhores, vejamos o que o Senhor Jesus disse sobre como devemos amá-Lo:

"Se me amais, guardareis os meus mandamentos." (João, 14:15)

Se orar é amar, devemos orar nos moldes que Jesus ensinou: guardando os Seus mandamentos. Se desejas guardar os mandamentos de Jesus, deves trabalhar em silêncio, no teu mundo interno, no íntimo do teu coração. Desta forma, não sobrará tempo para observares os defeitos do teu próximo. É neste sentido que a prece torna o homem melhor, e tem a força de purificar a alma, de despertá-la para a luz imortal.

O remédio da oração é excelente em todos os casos, para todas as enfermidades morais, no entanto, é necessário que se saiba empregar esse medicamento divino para a cura de todos os males. A prece sincera desperta e ativa energias divinas na consciência e Deus passa a operar por seu intermédio, fazendo prodígios.

Se aprenderes a curar-te a ti mesmo, reunirás condições para libertar teus companheiros dos males que os atormentam. O exemplo é vida que faz crescer.


Miramez











Emmanuel - Livro Assim Vencerás - Chico Xavier - Cap. 30 - Luz por dentro



Emmanuel - Livro Assim Vencerás - Chico Xavier - Cap. 30


Luz por dentro


Provável que a oração
Não mude o quadro externo.

Oras e, muitas vezes,
A prova não se ausenta.

Pedes socorro ao Céu
E a luta continua…

Mas, depois da oração,
Eis que o prodígio surge.

A paz e a compreensão
Alcançam-te por dentro.

Falaste a Deus em prece
E Deus responde em ti.


Emmanuel