domingo, 22 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 18 - Não somente



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 18


Não somente 

 
“Nem só de pão vive o homem.” — JESUS. (Mateus, 4:4)

Não somente agasalho que proteja o corpo, mas também o refúgio de conhecimentos superiores que fortaleçam a alma.

Não só a beleza da máscara fisionômica, mas igualmente a formosura e nobreza dos sentimentos.

Não apenas a eugenia que aprimora os músculos, mas também a educação que aperfeiçoa as maneiras.

Não somente a cirurgia que extirpa o defeito orgânico, mas igualmente o esforço próprio que anula o defeito íntimo.

Não só o domicílio confortável para a vida física, mas também a casa invisível dos princípios edificantes em que o Espírito se faça útil, estimado e respeitável.

Não apenas os títulos honrosos que ilustram a personalidade transitória, mas igualmente as virtudes comprovadas, na luta objetiva, que enriqueçam a consciência eterna.

Não somente claridade para os olhos mortais, mas também luz divina para o entendimento imperecível.

Não só aspecto agradável, mas igualmente utilidade viva.

Não apenas flores, mas também frutos.

Não somente ensino continuado, mas igualmente demonstração ativa.

Não só teoria excelente, mas também prática santificante.

Não apenas nós, mas igualmente os outros.

Disse o Mestre: — “Nem só de pão vive o homem.”

Apliquemos o sublime conceito ao imenso campo do mundo.

Bom gosto, harmonia e dignidade na vida exterior constituem dever, mas não nos esqueçamos da pureza, da elevação e dos recursos sublimes da vida interior, com que nos dirigimos para a Eternidade.


Emmanuel








Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 18 - Atitudes essenciais



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 18


Atitudes essenciais

 
“Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não pode ser meu discípulo.” — JESUS (Lucas, 14:27)


Neste passo do Novo Testamento, encontramos a verdadeira fórmula para o ingresso ao Sublime Discipulado.

“Qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim, não pode ser meu discípulo” — afirma-nos o Mestre.

Duas atitudes fundamentais recomenda-nos o Eterno Benfeitor se nos propomos desfrutar-lhe a intimidade — tomar a cruz redentora de nossos deveres e seguir-lhe os passos.

Muitos acreditam receber nos ombros o madeiro das próprias obrigações, mas fogem ao caminho do Cristo; e muitos pretendem perlustrar o caminho do Cristo, mas recusam o madeiro das obrigações que lhes cabem.

Os primeiros dizem aceitar o sofrimento, todavia, andam agressivos e desditosos, espalhando desânimo e azedume por onde passam.

Os segundos creem respirar na senda do Cristo, mas abominam a responsabilidade e o serviço aos semelhantes, detendo-se no escárnio e na leviandade, embora saibam interpretar as lições do Evangelho, apregoando-as com arrazoado enternecedor.

Uns se agarram à lamentação e ao aviltamento das horas.

Outros se cristalizam na ironia e na ociosidade, menosprezando os dons da vida.

Não nos esqueçamos, assim, de que é preciso abraçar a cruz das provas indispensáveis à nossa redenção e burilamento, com amor e alegria, marchando no espaço e no tempo, com o verdadeiro espírito cristão de trabalho infatigável no bem, se aspiramos a alcançar a comunhão com o Divino Mestre.

Não vale apenas sofrer. É preciso aproveitar o sofrimento.

Nem basta somente crer e mostrar o roteiro da fé. É imprescindível viver cada dia, segundo a fé salvadora que nos orienta o caminho.


Emmanuel





 


(Reformador, setembro de 1957, p. 210)

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 88 - Caindo em si



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 88


Caindo em si


“Caindo, porém, em si…” — (LUCAS, 15:17)

Este pequeno trecho da parábola do filho pródigo desperta valiosas considerações em torno da vida.

Judas sonhou com o domínio político do Evangelho, interessado na transformação compulsória das criaturas; contudo, quando caiu em si, era demasiado tarde, porque o Divino Amigo fora entregue a juízes cruéis.

Outras personagens da Boa Nova, porém, tornaram a si, a tempo de realizarem salvadora retificação.

Maria de Magdala pusera a vida íntima nas mãos de gênios perversos, todavia, caindo em si, sob a influência do Cristo, observa o tempo perdido e conquista a mais elevada dignidade espiritual, por intermédio da humildade e da renunciação.

Pedro, intimidado ante as ameaças de perseguição e sofrimento, nega o Mestre Divino; entretanto, caindo em si ao se lhe deparar o olhar compassivo de Jesus, chora amargamente e avança, resoluto, para a sua reabilitação no apostolado.

Paulo confia-se a desvairada paixão contra o Cristianismo e persegue, furioso, todas as manifestações do Evangelho nascente; no entanto, caindo em si, perante o chamado sublime do Senhor, penitencia-se dos seus erros e converte-se num dos mais brilhantes colaboradores do triunfo cristão.

Há grande massa de crentes de todos os matizes, nas mais diversas linhas da fé, todavia, reinam entre eles a perturbação e a dúvida, porque vivem mergulhados nas interpretações puramente verbalistas da revelação celeste, em gozos fantasistas, em mentiras da hora carnal ou imantados à casca da vida a que se prendem desavisados. 

Para eles, a alegria é o interesse imediatista satisfeito e a paz é a sensação passageira de bem-estar do corpo de carne, sem dor alguma, a fim de que possam comer e beber sem impedimento.

Cai, contudo, em ti mesmo, sob a bênção de Jesus e, transferindo-te, então, da inércia para o trabalho incessante pela tua redenção, observarás, surpreendido, como a vida é diferente.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 30 - De alma desperta

 

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 30


De alma desperta


“Por isso te lembro despertes o dom de Deus que existe em ti.” — PAULO (II Timóteo, 1:6)


É indispensável muito esforço de vontade para não nos perdermos indefinidamente na sombra dos impulsos primitivistas.

À frente dos milênios passados, em nosso campo evolutivo, somos suscetíveis de longa permanência nos resvaladouros do erro, cristalizando atitudes em desacordo com as Leis Eternas.

Para que não nos demoremos no fundo dos precipícios, temos ao nosso dispor a luz da Revelação Divina, dádiva do Alto, que, em hipótese alguma, devemos permitir se extinga em nós.

Em face da extensa e pesada bagagem de nossas necessidades de regeneração e aperfeiçoamento, as tentações para o desvio surgem com esmagadora percentagem sobre as sugestões de prosseguimento no caminho reto, dentro da ascensão espiritual.

Nas menores atividades da luta humana, o aprendiz é influenciado a permanecer às escuras.

Nas palestras comuns, cercam-no insinuações caluniosas e descabidas. Nos pensamentos habituais, recebe mil e um convites desordenados das zonas inferiores. 

Nas aplicações da justiça, é compelido a difíceis recapitulações, em virtude do demasiado individualismo do pretérito que procura perpetuar-se. 

Nas ações de trabalho, em obediência às determinações da vida, é, muita vez, levado a buscar descanso indevido. 

Até mesmo na alimentação do corpo é conduzido a perigosas convocações ao desequilíbrio.

Por essa razão, Paulo aconselhava ao companheiro não olvidasse a necessidade de acordar o “dom de Deus”, no altar do coração.

Que o homem sofrerá tentações, que cairá muitas vezes, que se afligirá com decepções e desânimos, na estrada iluminativa, não padece dúvida para nenhum de nós, irmãos mais velhos em experiência maior; entretanto, é imprescindível marcharmos de alma desperta, na posição de reerguimento e reedificação, sempre que necessário.

Que as sombras do passado nos fustiguem, mas que jamais nos esqueçamos de reacender a própria luz.


Emmanuel












sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 30 - Morte e ressurreição



Joanna de Ângelis - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 30


Morte e ressurreição


E inexorável o fenômeno biológico da morte.

Constitui a cessação dos sentidos físicos, transitórios, sem que signifique a extinção da vida.

Detestada em muitas situações é, em outras ocasiões, o anjo benfeitor que alivia o sofrimento, interrompe a angústia, acalma o desespero.

Inesperadamente chega e surpreende a saúde, através de acidentes e desastres, significando um convite a acuradas reflexões.

Noutras vezes, parece esquecer-se da criatura padecente, recusando-se interromper-lhe o ciclo carnal, mediante o ensejo que concede ao enfermo para construir no íntimo a resignação, aprimorar os sentimentos e granjear a libertação plena.

Em qualquer circunstância, porém, é a mensageira da imortalidade, por cuja bênção todos nos encontramos amparados.

A morte é, também, a desveladora da vida.

Libertando o espírito das algemas celulares, faculta o descobrimento de valores que jazem, invariavelmente, desconsiderados, e que assumem significação quando ela se anuncia, quando ela se realiza.

A morte merece considerações e análise com frequência.

Parte integrante do contexto biológico, exige que se a tenha em mente, em razão da sua imprevisibilidade.

Na sua jornada, aparentemente paradoxal, arrebata uma criança e deixa um ancião; liberta um sadio e se olvida de um agônico; conduz o homem feliz e recusa o desventurado...

Adentra-se, com a mesma obstinada naturalidade, no palácio e na choupana; na mansão luxuosa e na tapera; no apartamento sofisticado e na mansarda...

O seu guante implacável é idêntico no campo ou na megalópole, na aldeia ou na cidade, na taba primitiva ou no centro de avançada cultura...

Temida e desejada, é caprichosa, porque obedece a leis soberanas que escapam à mais arguta inteligência.

A ciência pode prevê-la com relativa precisão, diante dos quadros angustiantes de pacientes terminais, nunca, porém, impedi-la de realizar o seu desiderato.

Homens e mulheres notáveis, no mundo, tiveram expressões variadas diante da morte.

Nero exclamou, no momento do suicídio covarde:

— “Que grande artista o mundo vai perder!”

No momento da morte, Chopin escutou um belíssimo coral com vozes espirituais e declarou: — “Como é bela, meu Deus! Como é bela.” Solicitando:

— “Ainda... Ainda!...” E após tomar um cálice de vinho, que lhe oferece Guttman, diz, apenas: — “Querido amigo...”

Goethe, no instante da agonia, ergue-se e brada:

“Mais luz!”

Strindberg afirmou: — “Estou quite com a vida e o saldo mostra que a palavra de Deus é a única certa” — fazendo um balanço final.

Voltaire anotou como sua última confissão: — “Morro adorando a Deus.”

A neurose depressiva que a morte gera, resulta da ignorância humana a seu respeito.

A vida esplende em todos os painéis e de todas as formas. A morte é, desse modo, um acontecimento natural, na sucessão dos dias, que deve ser aceita com naturalidade.

Interrompe os planos e os interesses humanos, é certo, todavia, não faz que cessem o ódio e o amor, a simpatia e a animosidade, porque a vida prossegue em outra dimensão, maravilhosamente real.

Guarda no íntimo a certeza de que os teus mortos queridos vivem e se te acercam, logo podem, a fim de enxugar-te o pranto.

Participam das tuas ansiedades a trabalham para que a tua jornada se realize em alto clima de bênçãos.

Recorda-os com ternura e sem desespero.

Age com amor em homenagem a eles, a fim de que se tranquilizem e progridam.

Pensa neles com carinho, evocando os momentos de comunhão feliz, que os tornará, novamente, ditosos.

A morte é a porta de retorno ao país de origem.

Dia virá, no qual seguirás também.

Vive, hoje de forma que, ao soar o teu momento, possas avançar com serenidade e alegria ao encontro desses amores que a Vida te reservou e aguardam por ti.

A gloriosa ressurreição do Mestre é acontecimento abençoado e confortador. Todavia, somente aconteceu porque antes a morte arrebatou-O da presença física dos que O amavam, a fim de poder ficar conosco, amando-nos por todos os evos.


Joanna de Ângelis



















Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 44 - Embaraços



 Emmanuel - Livro Bênção de Paz - Chico Xavier - Cap. 44


Embaraços


“Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.” — JESUS (Mateus, 19:26)


Indiscutivelmente somos defrontados por situações embaraçosas, nas quais se nos oprime o espírito ante a nossa incapacidade para conjurar-lhes a presença.

Isso te ocorre no mundo quase sempre:

quando os próprios erros elastecidos assumem aos teus olhos a feição de males sem remédio;

quando a saúde física se te revela positivamente arruinada;

quando um ente querido parece haver chegado às raias da morte;

quando te vês sob aflições e desencantos por negócios francamente infelizes;

quando a injúria te arrasa a imagem à frente do teu círculo social;

quando afetos extremamente queridos te abandonam;

quando alguém te acusa por delitos que não cometeste;

quando caíste em alguma falta grave e todas as oportunidades de reparação se te afiguram perdidas…

Ainda hoje, dolorosos desafios talvez te cerquem… Sejam quais forem, no entanto, ora e confia, trabalha e espera.

Em verdade, todos nós renteamos com embaraços para a transposição dos quais somos absolutamente incapazes. Ante qualquer dificuldade, porém, recordemos a afirmação positiva do Mestre: “Isto é impossível aos homens, mas para Deus tudo é possível.”


Emmanuel










(Reformador, março de 1967, p. 50)

Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 64 - Oposições



Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 64


Oposições

 
“Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem.” — JESUS (Mateus, 5:44)


Imperioso modifiques a própria conceituação, em torno do adversário, a fim de que se te apague da mente, em definitivo, o fogo da aversão.

Isso porque o suposto ofensor pode ser alguém:

que age sob a compulsão de grave processo obsessivo;

que se encontra sob o guante da enfermidade e, por isso, inabilitado a comportar-se corretamente;

que experimenta deploráveis enganos e se acomoda na insensatez;

que não pode enxergar a vida no ângulo em que a observas.

E que nenhum de nós encontre motivos para lhe reprovar o desajuste, porquanto nós todos somos ainda suscetíveis de incorrer em falhas lamentáveis, como sejam:

cair sob a influência perturbadora de criaturas a quem dediquemos afeições sem o necessário equilíbrio;

iludir-nos a nosso próprio respeito quando não pratiquemos o regime salutar da autocrítica;

entrar em calamitoso desequilíbrio por efeito de capricho momentâneo;

assumir atitudes menos felizes, por deficiência de evolução, à frente de companheiros em posições mais elevadas que a nossa.

Em síntese, para sermos desculpados é preciso desculpar.

Reflitamos na absoluta impropriedade de qualquer ressentimento e recordemos a advertência de Jesus quando nos recomendou a oração pelos que nos perseguem. 

O Mestre, na essência, não nos impelia tão só a beneficiar os que nos firam, mas igualmente a proteger a sanidade mental do grupo em que fomos chamados a atuar e servir, imunizando os companheiros, relativamente ao contágio da mágoa, e frustrando a epidemia da queixa, sustentando a tranquilidade e a confiança dos outros, tanto no amparo a eles quanto a nós.


Emmanuel







(Reformador, setembro de 1969, p. 197)