sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Após a Tempestade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 19 - As guerras



Joanna de Ângelis - Livro Após a Tempestade - Divaldo Pereira Franco - Cap. 19 - As guerras


Dentre todas as calamidades que periodicamente assolam a Humanidade, a guerra é a mais hedionda pelas altas cargas de barbárie que revela. Remanescente do primarismo do homem na luta pela sobrevivência, impõe-se o instinto que busca segurança submetendo os mais fracos, exaurindo-lhes os recursos, enquanto se locupleta sobre os despojos que aniquila.

Estimulado pela ganância da propriedade, arbitrariamente, o homem crê-se com permissão de vencer o próximo dando expansão à agressividade, quando se deveria impor a disciplina da superação dos males que nele mesmo residem, vitória que se torna imperiosa, para atribuir-se os requisitos de homem integral.

Confiando mais no seu "direito da força" do que no valor moral de que se deve investir, quando alcança conquistas técnicas logo lhe acorrem a aplicação da capacidade para desencadear conflitos externos, exteriorização natural dos múltiplos conflitos que lhe espocam nas torpes paisagens interiores.

A agressividade individual, adicionada entre os membros que constituem o grupo e reunida pela adesão dos grupos que formam as nações, o impositivo da suserania para repletar os celeiros de alimentos, faz a transferência do instinto de caça individual para a guerra da dominação selvagem, sob a constrição dos arquétipos de que não se deseja libertar.

No afã de combater os outros povos, os grupos humanos conseguem apressar o progresso, realizando conquistas surpreendentes, de que se utilizarão com proficiência nos futuros dias da paz.

Por enquanto, o amor não conseguiu emular os grandes grupamentos, encorajando-os à recíproca fraternidade, o que facultaria a solidariedade, mediante cuja contribuição os muitos males que desarvoram os Estados seriam debelados.

Como as leis da evolução e do progresso são imbatíveis, Deus se utiliza do estágio guerreiro em que o homem se demora, a fim de encorajar-lhe os esforços, que, não obstante programados para a destruição, logo cessa a sanha guerreira se convertem em abençoadas contribuições ao desenvolvimento das comunidades e o ajudam a redimir-se dos desvarios anteriores. Secado o rio de fogo das paixões dos partidos dominadores, que sempre cedem lugar a outros, numa sucessão que deveria merecer acurados estudos e meditações por parte dos guerreiros e triunfadores transitórios, nascemos movimentos pró paz, de auxílios recíprocos, de beneficência, de comércio, de intercâmbio cultural, de superior inspiração, desarmando as intenções vingadoras e selvagens dos que se comprazem em cultivar esperanças de desforços.

Simultaneamente, ensejam cordialidade entre os indivíduos e profícuos resultados que congregam num grande grupo de ajuda mútua os diversos países.

A guerra, conforme demonstra a História, não tem ensinado as lições que seriam de esperar-se, exceto a demonstração imediata da transitoriedade dos triunfos e das desgraças terrenos...

Desde todos os tempos, civilizações se têm erguido sobre os escombros das que sucumbiram ao guante das suas impetuosidades... Os vencidos de ontem rebelam-se e se erguem logo surge o ensejo, expulsando o espoliador sanguinário, não raro cometendo os mais hediondos revides, que no agressor condenava, nos quais se revelam as paixões subalternas que sufocavam Os modernos conceitos materialistas de que os seres vivos não têm destinação, inclusive o homem, resultando de uma combinação casual de "ácidos nucléicos e proteínas", muito hão estimulado os desajustes da emotividade, gerando as precipitações sanguinárias e os estratagemas destrutivos de alto porte, jamais previstos, parecendo ameaçar a própria vida de extinção, na marcha em que se desdobram os acontecimentos trágicos...

A guerra, não obstante açodar os mais vis sentimentos de selvageria nos grandes grupos, inspira ao sacrifício da vida os que amam, proporcionando a manifestação nobilitante dos heróis da renúncia e da abnegação, que mergulham nos laboratórios de pesquisas e experiências a fim de encontrarem soluções para os problemas afligentes, produzindo revoluções novas na tecnologia em tempo recorde, considerando o estímulo para apressar o fim das animosidades e socorrer as vítimas inermes colhidas no fragor das batalhas ferozes...

O homem é um animal religioso por constituição e destinação espiritual. O sentimento de Deus é-lhe inato, apesar da sua recusa consciente, da sua renitente fuga das realidades do espírito para a anestesia da ilusão corporal, constituindo-lhe a guerra a forma infeliz de liberação dos traumas e medos a que se entrega e o apavoram...

Com Jesus aprendemos que o amor substituirá, um dia, a agressividade humana, resolvendo todas as questões que possam constituir pontos de divergência entre as criaturas e motivações para as guerras.

Parlamentários honestos, em nome de governos honrados, dirimirão incompreensões, e, ao invés das hostilidades e ódios que atravessam gerações, a compreensão do mais forte perdoará a impetuosidade do mais fraco, o poderio do grande repartirá recursos com o pequeno, unindo-se todos os povos a combater as calamidades sísmicas, a tomar providências contra as adversidades advindas de eventos de outra ordem, providenciando o saneamento das regiões insalubres, o reverdecer dos desertos, o sistemático combate às enfermidades, à fome, aos problemas econômicos...

Embora necessário como aguilhão do homem, o mal é herança que um dia desaparecerá da Terra sob a inspiração e superior comando do bem.

Nessa ocasião, a Humanidade, da guerra somente conhecerá os informes dos museus, os documentários, que farão as gerações futuras lamentar os métodos da áspera escalada por onde transitaram seus pés nestes dias, fixando os estímulos para mais avançar, envergonhadas deste hoje que lhes será o passado truanesco...

Nesses dias porvindouros terão, também, batido em retirada as calamidades morais — que são as basilares —, porquanto, de procedência da alma infeliz, atrasada, dão origem a todas as outras misérias, as que teimam no mundo em duelo incessante...

No amor e no conhecimento das "leis de causa e efeito", haurirá o homem do porvir desde hoje a força moral e espiritual para a sua elevação, e, consequentemente, para a instalação do primado da paz, que se alongará pelos tempos sem fim.


Joanna de Ângelis 






















quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Emmanuel - Livro Roteiro - Chico Xavier - Cap. 21 - Evangelho e educação



Emmanuel - Livro Roteiro - Chico Xavier - Cap. 21


Evangelho e educação


Quando o mestre confiou ao mundo a divina mensagem da Boa Nova, a Terra, sem dúvida, não se achava desprovida de sólida cultura.

Na Grécia, as artes haviam atingido luminosa culminância e, em Roma, bibliotecas preciosas circulavam por toda parte, divulgando a política e a ciência, a filosofia e a religião.

Os escritores possuíam corpos de copistas especializados e professores eméritos conservavam tradições e ensinamentos, preservando o tesouro da inteligência.

Prosperava a instrução, em todos os lugares, mas a educação demorava-se em lamentável pobreza.

O cativeiro consagrado por lei era flagelo comum.

A mulher, aviltada em quase todas as regiões, recebia tratamento inferior ao que se dispensava aos cavalos.

Homens de consciência enobrecida, por infelicidade financeira ou por questiúnculas de raça, eram assinalados a ferro candente e submetidos à penosa servidão, anotados como animais.

Os pais podiam vender os filhos.

Era razoável cegar os vencidos e aproveitá-los em serviços domésticos.

As crianças fracas eram, quase sempre, punidas com a morte.

Enfermos eram sentenciados ao abandono.

As mulheres infelizes podiam ser apedrejadas com o beneplácito da justiça.

Os mutilados deviam perecer nos campos de luta, categorizados à conta de carne inútil.

Qualquer tirano desfrutava o direito de reduzir os governados à extrema penúria, sem ser incomodado por ninguém.

Feras devoravam homens vivos nos espetáculos e divertimentos públicos, com aplauso geral.

Rara a festividade do povo que transcorria sem vasta efusão de sangue humano, como impositivo natural dos costumes.

Com Jesus, entretanto, começa uma era nova para o sentimento.

Condenado ao supremo sacrifício, sem reclamar, e rogando o perdão celeste para aqueles que o vergastavam e feriam, instila no ânimo dos seguidores novas disposições espirituais.

Iluminados pela Divina Influência, os discípulos do Mestre consagram-se ao serviço dos semelhantes.

Simão Pedro e os companheiros dedicam-se aos doentes e infortunados.

Instituem-se casas de socorro para os necessitados e escolas de evangelização para o espírito popular.

Pouco a pouco, altera-se a paisagem social, no curso dos séculos.

Dilacerados e atormentados, entregues ao supremo sacrifício nas demonstrações sanguinolentas dos tribunais e das praças públicas, ou trancafiados nas prisões, os aprendizes do Evangelho ensinam a compaixão e a solidariedade, a bondade e o amor, a fortaleza moral e a esperança.

Há grupos de servidores, que se devotam ao trabalho remunerado para a libertação de numerosos cativos.

Senhores da fortuna e da terra, tocados nas fibras mais íntimas, devolvem escravos ao mundo livre.

Doentes encontram remédio, mendigos acham teto, desesperados se reconfortam, órfãos são recebidos no lar.

Nova mentalidade surge na Terra.

O coração educado aparece, por abençoada luz, nas sombras da vida.

A gentileza e a afabilidade passam a reger o campo das boas maneiras e, sob a inspiração do Mestre Crucificado, homens de pátrias e raças diferentes aprenderam a encontrar-se com alegria, exclamando, felizes: — “meu irmão”.


Emmanuel











quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo Pereira Franco - Cap. 29 - Espiritismo na prática



Joanna de Ângelis, Livro, Antologia Espiritual, Espíritos Diversos / Divaldo Pereira Franco - Cap. 29


Espiritismo na prática


Mergulhando a mente nas profundas lições da Doutrina Espírita, o homem se ilumina e descobre os tesouros que buscava, a fim de enriquecer-se de conhecimento e beleza, realizando uma experiência humana caracterizada pela ética-moral relevante, que ressalta do conteúdo superior absorvido.

Não obstante a excelência das informações espíritas, estas impõem como finalidade precípua a transformação íntima da criatura, que deve adotar uma conduta pautada nos seus ensinamentos, graças aos quais se fazem imediatos o aprimoramento moral, a renovação emocional e sua consequente aplicação no comportamento social.

Sem a devida utilização dos recursos intelectuais que decifram as incógnitas da existência corporal, toda essa conquista não passará de adorno sem sentido, que não contribui, significativamente, para a felicidade real do indivíduo.

O conhecimento propõe responsabilidade, e esta aciona os mecanismos dos deveres fraternais, concitando à ação positiva, cujos efeitos a Humanidade fruirá em paz e plenitude.

A prática espírita se expressa através da incorporação dos ensinamentos à atividade cotidiana, demonstrando a transformação do caráter melhor, com os seus saudáveis efeitos de bem-estar no grupo social no qual o indivíduo se movimenta.

Irradiando a serenidade que decorre da identificação da lei de causa e efeito, esta modificação conclama, sem palavras, quantos o cercam, a uma correspondente atitude, superando as reações perniciosas que decorrem da ignorância delas.

Por extensão, as ações se expandem em favor do próximo, contribuindo para que as suas aflições sejam diminuídas, atendendo-lhes aos efeitos visíveis, ao mesmo tempo remontando às raízes geradoras das desgraças, a fim de erradicá-las.

A prática do Espiritismo faculta a construção de uma nova sociedade, na qual o egoísmo cede lugar à solidariedade, e a injustiça permite a ação da ética dos direitos humanos, a todos proporcionando o uso e a vivência das bênçãos que o amor de Deus propicia igualitariamente.

Surge, então, como decorrência, uma inevitável alteração dos códigos legais e estatutos atuais com formulações mais consentâneas com o amor, tomando o lugar das leia arbitrárias ainda vigentes em vários Organismos e Nações da Terra.

A prática espírita acende estrelas de esperança nos céus plúmbeos da atualidade e aponta os rumos da solidariedade a todos quantos se enjaulam no personalismo e nas ambições desvairadas do eu enfermo.

Há todo um imenso campo a joeirar.

A terra árida dos corações, maltratada e ao abandono, aguarda a tecnologia do amor a fim de reverdecer, e esse esforço concentrado cabe à prática espírita daqueles que se iluminaram com o conhecimento.

Todas as doutrinas espiritualistas fomentam a ação do bem e a renovação moral do homem, no entanto, só o Espiritismo lhes confere a demonstração da sobrevivência da alma, por meio da mediunidade dignificada.

Utilizar desse imenso acervo de fatos para a prática salutar, colocada no dia-a-dia, é o compromisso que assume o homem inteligente que, tendo a mente esclarecida, dulcifica o coração e torna-se amante do bem, da verdade e da caridade legítima.


Joanna de Ângelis

















terça-feira, 3 de novembro de 2026

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 177 - Riqueza para o Céu



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 177


Riqueza para o Céu


“Ajuntai tesouros no Céu…” — JESUS (Mateus, 6:20)


Quem se aflige indebitamente, ao ver o triunfo e a prosperidade de muitos homens impiedosos e egoístas, no fundo dá mostras de inveja, revolta, ambição e desesperança.

É preciso que assim não seja! Afinal, quem pode dizer que retém as vantagens da Terra, com o devido merecimento?

Se observamos homens e mulheres, despojados de qualquer escrúpulo moral, detendo valores transitórios do mundo, tenhamos, ao revés, pena deles.

A palavra do Cristo é clara e insofismável. — “Ajuntai tesouros no Céu” — disse-nos o Senhor.

Isso quer dizer “acumulemos valores íntimos para comungar a glória eterna”!

Efêmera será sempre a galeria de evidência carnal.

Beleza física, poder temporário, propriedade passageira e fortuna amoedada podem ser simples atributo da máscara humana, que o tempo transforma, infatigável.

Amealhemos bondade e cultura, compreensão e simpatia.

Sem o tesouro da educação pessoal é inútil a nossa penetração nos Céus, porquanto estaríamos órfãos de sintonia para corresponder aos apelos da Vida Superior.

Cresçamos na virtude e incorporemos a verdadeira sabedoria, porque amanhã seremos visitado pela mão niveladora da morte e possuiremos tão somente as qualidades nobres ou aviltantes que houvermos instalado em nós mesmos.


Emmanuel











Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

André Luiz - Livro Ideal Espírita - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 71 - Um tanto mais



André Luiz - Livro Ideal Espírita - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 71


Um tanto mais


Você guarda a impressão de haver esgotado o estoque de todos os seus recursos, em determinada tarefa de amor, mas se você perseverar um tanto mais no devotamento, ninguém pode prever os louros de luz que brilharão em seu passo.

Você está doente e pretende obter licenças de longo prazo, mas se você continuar um tanto mais em serviço, ninguém pode prever o tesouro de forças novas que lhe aparecerá no caminho.

Você encontrou imensas dificuldades no exercício das boas obras e anseia fugir delas, mas se você persistir um tanto mais na construção da beneficência, ninguém pode prever o triunfo que as suas horas recolherão, nas fontes vivas da caridade.

Você acredita que não pode tolerar o amigo importuno, o filho teimoso, o irmão inconsciente, a esposa inconstante ou o marido insensato, mas se você suportar um tanto mais a luta em família, ninguém pode prever a extensão do júbilo porvindouro em seu ninho doméstico.

Você supõe que o azar é seu clima e chora na bica do desespero, mas se você cultivar um tanto mais de fidelidade às próprias obrigações, ninguém pode prever a amplitude do seu êxito, no amanhã que vem perto.

Você experimenta enorme cansaço e não quer dar ouvidos ao companheiro de longa conversa, mas se você esticar um tanto mais o seu sacrifício, ninguém pode prever os prodígios da colheita de bênção que surgirão dos seus breves minutos de gentileza.

Observe que você mesmo para realizar isso ou aquilo, exige incessantemente dos semelhantes um tanto mais de bondade, um tanto mais de cooperação, um tanto mais de tempo, um tanto mais de carinho…

O gênio é a paciência que não se acaba.

É justo que você deseje um tanto mais de felicidade, mas para isso, é necessário que você ajude um tanto mais a felicidade dos outros.

Repare você as lições da vida e compreenderá que a vitória no bem é sempre trabalhar conforme o dever e servir um tanto mais.


André Luiz











segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 28 - Psicologia da caridade



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 28


Psicologia da caridade


“Fazei aos homens tudo o que queirais que eles vos façam, pois é nisto que consistem a lei e os profetas.” — JESUS (Mateus, 7:12).

“Amar ao próximo como a si mesmo, fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós”, é a expressão mais completa da caridade porque resume todos os deveres do homem para com o próximo.” — (Cap. XI, 4.)


Provavelmente, não existe em nenhum tópico da literatura mundial figura mais expressiva que a do samaritano generoso, apresentada por Jesus para definir a psicologia da caridade.

Esbarrando com a vítima de malfeitores anônimos, semimorta na estrada, passaram dois religiosos, pessoas das mais indicadas para o trato da beneficência, mas seguiram de largo, receando complicações.

Entretanto, o samaritano que viajava, vê o infeliz e sente-se tocado de compaixão.

Não sabe quem é.

Ignora-lhe a procedência.

Não se restringe, porém, à emotividade.

Para e atende.

Balsamiza-lhe as feridas que sangram, coloca-o sobre o cavalo e condu-lo à uma hospedaria, sem os cálculos que o comodismo costuma traçar em nome da prudência.

Não se limita, no entanto, a despejar o necessitado em porta alheia. Entra com ele na vivenda e dispensa-lhe cuidados especiais.

No dia imediato, ao partir, não se mostra indiferente. Paga-lhe as contas, abona-o qual se lhe fora um familiar e compromete-se a resgatar-lhe os compromissos posteriores, sem exigir-lhe o menor sinal de identidade e sem fixar-lhe tributos de gratidão.

Ao despedir-se, não prende o beneficiado em nenhuma recomendação e, no abrigo de que se afasta, não estadeia demagogia de palavras ou atitudes, para atrair influência pessoal.

No exercício do bem, ofereceu o coração e as mãos, o tempo e o trabalho, o dinheiro e a responsabilidade. Deu de si o que podia por si, sem nada pedir ou perguntar.

Sentiu e agiu, auxiliou e passou.

Sempre que interessados em aprender a praticar a misericórdia e a caridade, rememoremos o ensinamento do Cristo e façamos nós o mesmo.


Emmanuel












Miramez - Livro Horizontes da Fala - João Nunes Maia - Cap. 13 - O fenômeno da fala



Miramez - Livro Horizontes da Fala - João Nunes Maia - Cap. 13


O fenômeno da fala


"O semeador semeia a palavra". (Marcos, 4:14)


As palavras pronunciadas buscam outras congêneres, ajuntando-se, para a formação da grande egrégora, na psicosfera da Terra. Quando elas são inferiores, o seu magnetismo é pesado, e a própria lei da gravidade as fazem cair, respondendo aos mesmos seres que as lançaram no espaço, em forma de coisas desastrosas, como carma coletivo. Poucos se livram dos efeitos drásticos desses fluidos exumados das mazelas da Terra, pela lei de justiça. Os que se salvam são os que educaram o verbo na conversação diária, pois estes criaram em torno de si, pela expressão de alegria e de amor que partem dos seus corações, sem exigências, uma defesa psíquica, garantindo-lhes a paz imperturbável.

O mundo de amanhã vai ser feliz, porque felizes serão os pensamentos e palavras dos seres que o habitarão. Se queres modelar o teu verbo para participar desse futuro, observa o modo mais correto de falar de Nosso Senhor Jesus Cristo, na Sua alta dinâmica de entendimento com as almas, que em parte ficou anotado no Evangelho dos discípulos mais chegados ao Seu coração.

Apropria a tua vida com a vida do Mestre, trabalha como o oleiro, fazendo a argila tomar a forma bela e construtiva. As tuas idéias são como saibro entregue às tuas mãos de operário do Senhor. Amolda-as no estupendo forno da tua mente, soltando, pelos canais da palavra, água pura, provinda de um suprimento que nunca, jamais, acabará. Cultiva a oração sem fanatismo, que a tua área de trabalho ser-te-á mais favorável ao labor substancioso.

Não deixes passar um só dia sem que coloques na tua construção moral alguns tijolos da verdade, que os prenderá como produtos da tua boa vontade, inteligência e sentimentos, consubstanciados no amor. Se te surgirem algumas tempestades, não percas o ânimo. Continua esforçando-te, que o tempo mostrará o quanto valeu o teu trabalho. Quando o imponente edifício de luz subir ao topo da tua cabeça, alicerçado na profundeza da tua consciência, aí poderás falar em altos brados: "glória a Deus nas alturas e paz em meu coração, na Terra!"

O fenômeno da fala é maravilhoso e, quando nascido no bem, é indestrutível. Ficará para sempre como herança da vida, para milhares de vidas. A palavra é semente que fecunda em quem ouve e frutifica igualmente em quem fala. Falar, no entanto, é responsabilidade maior, por ter a vida nos dotado quais agricultores na vinha do Senhor, atendendo assim a bilhões de almas famintas do alimento da verdade.

Aproveitamos a fala de Marcos para maior elucidação, no capítulo quatro, versículo quatorze: "O semeador semeia a palavra". Ai daquele que, consciente desta verdade, não selecionar as sementes para o plantio, porque delas irão alimentar-se muitas almas em formação espiritual.

A boca é uma abertura no teu corpo, que Deus não esqueceu na formação congênita do teu instrumento de carne, para que, por ela e com ela, possas armazenar, na tua consciência, as belezas da vida.

Se alguém te ferir, por ignorância, não uses a tua boca como justiça, mas faze com que os teus lábios vibrem na cadência do perdão. Se alguém te caluniar, por falta de entendimento da lei divina, não faças o mesmo com ele. Usa a tua boca para agradecer a Deus e abençoar os ofensores. Se alguém mentir, denunciando-te por falsas atitudes, prender-te por suspeita e inveja, e ainda, perseguir-te quando estiveres livre, usa a tua palavra, mesmo assim, para abençoar, lembrando-se somente das virtudes que esse alguém possui. Somente Deus pode fazer aquilo que os teus primeiros impulsos desejaram.

O teu verbo pode transformar todos os teus inimigos — ou os que se dizem como tais — em amigos do coração, pois somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai. O fenômeno da palavra, que ilumina, é somente o do Bem. Façamo-lo!


Miramez 











Nota do Editor: egrégora, do grego egregorói — Elifas Levyo denomina "o princípio das almas, que
são os espíritos de energia e ação"; qualquer coisa que pode ou não pode significar. Os ocultistas
orientais descrevem os egrégores como seres cujos corpos e essência são um tecido da chamada Luz
Astral. Fonte: Glossário teosófico — Helena P. Blavatsky.