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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVIII - João Nunes Maia - Cap. 51 - Caracteres do Espírito Elevado



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. XVIII - João Nunes Maia - Cap. 51


Caracteres do Espírito Elevado


918. Por que indícios se pode reconhecer em um homem o progresso real que lhe elevará o Espírito na hierarquia espírita?

“O espírito prova a sua elevação, quando todos os atos de sua vida corporal representam a prática da lei de Deus e quando antecipadamente compreende a vida espiritual.”

A.K.: Verdadeiramente, homem de bem é o que pratica a lei de justiça, amor e caridade, na sua maior pureza. Se interrogar a própria consciência sobre os atos que praticou, perguntará se não transgrediu essa lei, se não fez o mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém tem motivos para dele se queixar, enfim se fez aos outros o que desejara que lhe fizessem.

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem contar com qualquer retribuição, e sacrifica seus interesses à justiça. É bondoso, humanitário e benevolente para com todos, porque vê irmãos em todos os homens, sem distinção de raças, nem de crenças. Se Deus lhe outorgou o poder e a riqueza, considera essas coisas como UM DEPÓSITO, de que lhe cumpre usar para o bem. Delas não se envaidece, por saber que Deus, que lhas deu, também lhas pode retirar.

Se sob a sua dependência a ordem social colocou outros homens, trata-os com bondade e complacência, porque são seus iguais perante Deus. Usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com seu orgulho. É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que também precisa da indulgência dos outros e se lembra destas palavras do Cristo: Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado.

Não é vingativo. A exemplo de Jesus, perdoa as ofensas, para só se lembrar dos benefícios, pois não ignora que, como houver perdoado, assim perdoado lhe será. Respeita, enfim, em seus semelhantes, todos os direitos que as leis da Natureza lhes concedem, como quer que os mesmos direitos lhe sejam respeitados. (O Livro dos Espíritos)


Para reconhecer o Espírito elevado na escala espiritual, basta analisar a sua vida, porque a perfeição espiritual é o conjunto de todas as qualidades morais que a alma pode ter. Não basta somente ser bom; é necessário que se faça a bondade com amor, que se una amor com fraternidade, a fraternidade com a honestidade e essa com o trabalho digno. Assim, sucessivamente, a luz deve ser limpa de todas as trevas, para que a caridade não sofra interrupção.

O Espírito prova a sua elevação quando todos os seus atos de vida condizem com a lei de justiça e de amor. Quando antecipadamente compreende a vida espiritual, pode viver no Céu, mesmo pisando na Terra.

Verdadeiramente, o homem de bem é o que vive a lei de amor e de caridade, que esteja constantemente renunciando às coisas supérfluas e representa uma fonte de conhecimento, doando sempre ao que padece e ensinando aos ignorantes, é o que está sempre interrogando a sua consciência e analisando-se constantemente, buscando corrigir os seus maus pendores. Por onde passa, pratica a caridade e o amor ao próximo sem exigências pessoais. Ele anda por todos os caminhos, alegre, não blasfema quando a dor chega a sua porta, sacrifica todos os impulsos inferiores e não deixa lugar para os maus pensamentos.

É preciso que se veja irmãos em todos os seres, amando todas as coisas sem distinção. Se receberes o dom da riqueza, usa-a como sendo um empréstimo, sem desperdício, e comunga sempre com o bem que podes fazer. Tem complacência com os que não compreendem a verdade, esforçando-te no trabalho, onde a honestidade seja o clima de todos os deveres. Ignora a vingança e busca sempre perdoar, fazendo do perdão uma modalidade de amar, fazendo da fraternidade um meio de aproximação em todas as criaturas.

Não te esqueças de ativar a vida em toda parte com a lembrança de Jesus, porque somente Ele nos mostra Deus na sua realidade pura. Não te esqueças da citação evangélica da mulher adúltera, com sua lição imortal extraída por Jesus para a humanidade inteira. Deste modo, serás um homem de bem, influindo positivamente em toda a humanidade.

Granjeia amigos por toda parte, na verdadeira feição do Cristianismo. Sê atencioso com todas as crianças, transmitindo a elas tudo que a educação e o discernimento nos ensinou. Se compreenderes a lei e a praticares dentro da sua estrutura, podes acalmar todas as ventanias do mal que porventura surgirem em teu coração. Vamos ler Marcos, no capítulo quatro, versículo trinta e nove, nesta referência de Jesus:

E Ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar:

Acalma-te, emudece!

O vento se aquietou e fez-se grande bonança. Eis porque devemos praticar a lei de amor, para nos investirmos de poderes e dominarmos todos os ventos que não nasçam da fé em Cristo e do amor a Deus. Façamos o que disse e fez Jesus: "Quem quiser me encontrar, eu estou junto aos que sofrem, no meio dos estropiados, dos famintos, dos encarcerados, dos nus, acolhendo a todos, porque bem-aventurados são todos aqueles que padecem, porque eu os aliviarei. Volta a dizer: Eu sou o caminho, a verdade e a vida."


Miramez











segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. VI - João Nunes Maia - Cap. 12 - Escolha antecipada



Miramez - Livro Filosofia Espírita - Vol. VI - João Nunes Maia - Cap. 12


Escolha antecipada


267. Pode o Espírito proceder à escolha de suas provas, enquanto encarnado?

“O desejo que então alimenta pode influir na escolha que venha a fazer, dependendo isso da intenção que o anime. Dá-se, porém, que, como Espírito livre, quase sempre vê as coisas de modo diferente. O Espírito por si só é quem faz a escolha; entretanto, ainda uma vez o dizemos, possível lhe é fazê-la, mesmo na vida material, por isso que há sempre momentos em que o Espírito se torna independente da matéria que lhe serve de habitação.”

a) - Não é decerto como expiação, ou como prova, que muita gente deseja as grandezas e as riquezas. Será?

“Indubitavelmente, não. A matéria deseja essa grandeza para gozá-la e o Espírito para conhecer-lhe as vicissitudes.” (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec)


As leis espirituais são elásticas, para atender a todos, no nível de cada escala do progresso espiritual. O Espírito pode escolher as suas provas mesmo antes de desencarnar, em se pensando em futura reencarnação. Ele formula idéias que podem ser aproveitadas, no que se refere às suas necessidades espirituais, mas, ele pode, igualmente, mudar de ideia ao chegar ao mundo dos Espíritos.

A bondade de Deus é tão grande, que Ele atende a todos com variadas possibilidades para o conhecimento da verdade. As escolhas antecipadas geralmente sofrem retificações para melhor aprimoramento da alma em questão. Comunga Deus o Seu pensamento de luz com as idéias dos homens, para melhor atender aos seus filhos na grande extensão da harmonia divina, nos corações das criaturas.

Quando o Espírito deseja escolher as riquezas, os poderes, e isso lhe é concedido, e ele as usa somente para sua satisfação interior e individual, notar-se-á a sua inferioridade, e quando as usa para o benefício da coletividade, esse pode se chamar de benfeitor da humanidade. Por isso é importante que aqueles que muito possuem usem o ouro para o bem-estar de todos, com empregos decentes, em aprimoramentos corretos, socorrendo os doentes na invalidez, as crianças, e ajudando ao próprio governo nas linhas da sinceridade. O ouro brilha no coração quando dirigido por ele, sob a influência do Cristo de Deus.

Falamos sempre em escolhas individuais ou imposições das provas. No entanto, todas são escolhas das almas, umas conscientes e outras inconscientes. As conscientes escolhem medindo suas necessidades, e as inconscientes, pelo estado em que se encontram. O Evangelho nos fala que será dado a cada um, segundo seu merecimento.

Pode-se, mesmo na Terra, fazer-se leve o fardo e suave o jugo, e para tanto, a Doutrina dos Espíritos ensina que basta ler com atenção os avisos da espiritualidade maior e esforçar na vivência, que o amor, conjugado com o perdão, oferecerá o ambiente e a amplitude dos conhecimentos indispensáveis para que se possa sentir o celeiro crescer na tranquilidade da consciência que com nada se perturba.

Nas lides do mundo, é necessário escolher igualmente todas as linhas onde vibra a fraternidade, procurando normas de proceder que se avizinham, pelo menos, dos costumes ensinados por Jesus, extraindo todo o mal que perturba o coração e que faz turvar a consciência em Cristo. Deus em nada erra; tudo que se encontra feito é pelo Seu querer. Se algo não existe, é porque Ele não o quer.

No entanto, nem tudo é para o nosso coração. Escolhamos o que devemos na faixa em que vibramos e vivemos, que a paz do Criador começará a dar sinal no nosso mundo interno. Façamos uma aliança com nós mesmos, de trabalhar no nosso aprimoramento moral, que a moralidade surgirá em nossos sentimentos. Não firamos a ninguém, nem oprimamos o nosso próximo, porque enquanto gastarmos o nosso tempo em ver os defeitos alheios, os nossos ficarão escondidos.

Escolhamos os caminhos com Jesus, pois Ele já nos escolheu como discípulos.


Miramez















domingo, 30 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 14 - Autoridade em nós mesmos



Emmanuel - Livro Construção do Amor - Chico Xavier - Cap. 14


Autoridade em nós mesmos


"E o amo louvou este feitor iníquo, por haver obrado como homem de juízo; porque os filhos deste século são mais sábios na sua geração que os filhos da luz." (LUCAS, 16:8)


Apreciando o problema daqueles que guardam no mundo as diretivas da experiência, não te fixes nos companheiros que trazem consigo a cruz do ouro e do poder.

Recordemos a esquecida autoridade que o conhecimento superior determina seja exercida por nós em nós mesmos.

Quase sempre ensinamos a arte do pensamento nobre, receitando exercícios e regras aos amigos que nos perlustram a senda, guardando o próprio cérebro à feição de barco desgovernado, em cujas brechas ocultas penetram as sugestões da ignorância e da sombra.

Indicamos aos outros recursos providenciais para que se mantenham indenes de todo mal, através da pureza dos olhos e dos ouvidos, empenhando as próprias percepções à triste aventura da leviandade e do desacerto que acaba sempre na crítica indébita ou na azedia destruidora.

Estruturamos planos para a boa palavra naqueles que nos cercam, sem refrearmos o próprio verbo no galope insensato da crueldade, indicamos fé e esperança para o ânimo alheio, a perder-nos no charco da negação e do derrotismo, exaltamos para ouvintes confiantes a excelência das horas, no capítulo do trabalho e da realização, mergulhando as mãos no visco da inércia e pregamos a excelsitude da caridade para os amigos que nos rodeiam, a desfazer-nos em egoísmo e exigência.

Autoridade!… Autoridade!…

Dela abusaram todos os tiranos que fizeram da própria soberbia escuro resvaladouro para as trevas da criminalidade e da morte e dela, ainda hoje, nos valemos todos para acobertar as próprias fraquezas, sobrecarregando os ombros do próximo com fardos que somos incapazes de suportar.

Lembremo-nos, porém, de Jesus, no sublime governo da própria alma, passando entre os homens com a suprema revelação da Divina Luz, e entesouraremos suficiente humildade para entregar a Deus todos os patrimônios que nos enriquecem a vida, aprendendo a disciplinar-nos para refletir-lhe a grandeza na condição abençoada de filhos do Seu Amor.


Emmanuel













sexta-feira, 31 de julho de 2026

Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. XIX - João Nunes Maia - Cap. 21 - Antipatias



Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. XIX - João Nunes Maia - Cap. 21 - Antipatias

 

939. Uma vez que os Espíritos simpáticos são induzidos a unir-se, como é que, entre os encarnados, frequentemente só de um lado há afeição e que o mais sincero amor se vê acolhido com indiferença e, até, com repulsão? Como é, além disso, que a mais viva afeição de dois seres pode mudar-se em antipatia e mesmo em ódio?

“Não compreendes então que isso constitui uma punição, se bem que passageira? Depois, quantos não são os que acreditam amar perdidamente, porque apenas julgam pelas aparências, e que, obrigados a viver com as pessoas amadas, não tardam a reconhecer que só experimentaram um encantamento material! Não basta uma pessoa estar enamorada de outra que lhe agrada e em quem supõe belas qualidades. Vivendo realmente com ela é que poderá apreciá-la. Tanto assim que, em muitas uniões, que a princípio parecem destinadas a nunca ser simpáticas, acabam os que as constituíram, depois de se haverem estudado bem e de bem se conhecerem, por votar-se, reciprocamente, duradouro e terno amor, porque assente na estima! Cumpre não se esqueça de que é o Espírito quem ama e não o corpo, de sorte que, dissipada a ilusão material, o Espírito vê a realidade.

“Duas espécies há de afeição: a do corpo e a da alma, acontecendo com frequência tomar-se uma pela outra. Quando pura e simpática, a afeição da alma é duradoura; efêmera a do corpo. Daí vem que, muitas vezes, os que julgavam amar-se com eterno amor passam a odiar-se, desde que a ilusão se desfaça.” (O Livro dos Espíritos) 


O ser humano se engana constantemente, principalmente no tocante ao amor. É preciso analisar mais a chamada sintonia que, no fundo, é o próprio amor. Ele faz parte de uma escala imensurável; cada degrau corresponde a um estado de alma, e a subida vai nos mostrando que ela é infinita, assinalando as posições das criaturas e fazendo-as sentir a verdade na sequência da subida.

Ao se encontrar uma criatura, principalmente do sexo oposto, pode-se sentir imediatamente uma grande afeição, que tanto pode ser pela presença física, quanto pela espiritual. Compete a cada indivíduo ser cauteloso em mostrar o que está pensando e sentindo naquele momento, para não cair em contradições.

Certamente que em muitos casos, encontramos pessoas pela primeira vez e sentimos antipatias por elas, no entanto, com o decorrer do tempo, modificamos nossos sentimentos, passando a amar tais criaturas, bem como se dá o contrário. A razão nos fala que tudo isso constitui processo de despertamento espiritual, e que não vamos permanecer sentindo antipatia; o nosso futuro é amar e nos confraternizar com todos os seres deste mundo em que moramos temporariamente e dos outros, tanto quanto de todos os reinos da natureza.

Devemos amar a Deus, como já falamos alhures, em todas as coisas, que essas coisas respondem a esse amor em sua dimensão de vida. Não deves te sentir culpado por teres antipatia por alguém; deves, sim, compreender esse sinal como sendo um aviso do que ocorre por dentro da tua vida. O que tens a fazer é buscar mudar na tua intimidade e esforçar-te para tal, que a própria natureza te ajudará na superação dos obstáculos naturais. Esses conflitos são normas de despertamento dos valores internos. Não deves tampouco culpar as entidades mal informadas sobre a verdade. Elas estão igualmente procurando, como todos nós, a verdade para se libertarem das incompreensões.

Ao encontrares novos companheiros e a antipatia surgir, é um sinal pedindo para parares e meditar, até que se abram em teu entendimento, vários processos da vida para nos educar e instruir. O próprio amor à primeira vista deve ser moderado. Em tudo, a posição de equilíbrio nos mostra melhores resultados; todas as paixões ardentes vêm de fonte mal informada, e todas as paixões desenfreadas nascem mais da matéria e pedem modificações. O homem elevado é sereno em tudo o que faz e pensa; ele ama, na mesma serenidade, a Deus em tudo.

Certamente que existem muitas modalidades de afeições, no entanto, tudo vem do Espírito. Somente ele, na posição de encarnado, ama ou odeia. Quando o Espírito se liberta do corpo na desencarnação, a matéria se funde na própria matéria, desfazendo-se da forma. Os elementos buscam seus iguais, fundindo-se e se transformando para a sua grandeza. Na própria matéria existe "antipatia" dos elementos, que vibram em diferentes ordens.

Em muitos casos, que podem ser comprovados, muitos que amam e que se diziam felizes em tais momentos, passam a odiar. Entrementes, com a compreensão da vida, com o passar dos milênios, passam a amar novamente, eternamente, pois esse é o caminho, a verdade e a vida para todas as criaturas de Deus. O ódio é transitório; o amor é eterno, em tudo que existe.

"Nestes jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos e paralíticos." (João, 5:3)

Na vibração do ódio somente existem cegos, coxos e paralíticos, mas, com Jesus, em se referindo ao amor, à simpatia, todos se curam da cegueira, das enfermidades e dos defeitos físicos, vivendo nas linhas da perfeita harmonia de vida.

Podemos afirmar que todos os acontecimentos contraditórios que se passam na vida da alma, são necessários para que ela chegue à região do amor, passando a amar. Não podemos julgar a ninguém porque deixou de amar determinada criatura de quem antes tanto gostava. As próprias ilusões são lições, para nos mostrar o verdadeiro caminho. Todos passam por essas diretrizes. Os Espíritos elevados sabem disso; por isso não julgam.


Miramez















sábado, 25 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 78 - Vontade e renovação



Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 78


Vontade e renovação

 
“Não vos escrevi porque não sabeis a verdade, mas porque a sabeis…” — (1 João, 2.21)


Evidentemente o Espírito encarnado surpreende na vida física muitas dificuldades que não consegue evitar, sejam as que se originam dos constrangimentos educativos da evolução, sejam aquelas outras que se lhe vinculam à liquidação dos desajustes por ele próprio perpetrados em existências anteriores.

Ponderemos, no entanto, que muito mais numerosas são as dificuldades outras que ele mesmo cria, no trato da experiência comum, agravando o acervo dos compromissos menos felizes que carreia para a frente na jornada espiritual.

Esse, em consequência de deslizes no pretérito, traz determinadas peças orgânicas em condições delicadas; entretanto, se persiste abusando das próprias forças, de que forma se lhe socorrer a saúde? 

Outro se revela, no dia a dia, por exagerada agressividade, e, por isso mesmo, como subtraí-lo ao perigo se acalenta declarada inclinação ao desastre? 

Muitos anseiam por ternura e calor humano, transformando-se em azedume e incompreensão para os melhores amigos…

Queremos todos a felicidade e a paz; todavia é preciso reconhecer que a paz e a felicidade se nos levantam do íntimo.

Eis porque as lições do Evangelho — desde que aceitemos Jesus por Mestre — nos percutem a inteligência, a todos os instantes da vida, não porque desconheçamos a verdade, mas justamente porque não a ignoramos, já que nos achamos informados de que, para sanar débitos e desacertos, é forçoso que a nossa vontade funcione, sem o que será sempre impossível qualquer ação em nós mesmos no sentido de corrigir ou de resgatar.


Emmanuel







Reformador, setembro 1970, p. 194


quarta-feira, 24 de junho de 2026

Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 13 - A felicidade



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 13


A felicidade


E.S.E.Cap. V, Item 20.


Sabemos que na Terra não há felicidade completa, por enquanto. Somente pensamos nela, falamos nela e escrevemos sobre esse padrão de vida de que temos notícias; no entanto, basta ouvirmos falar na felicidade para que possamos sentir o seu clima de luz a nos dar esperanças.

Muitos sabem que a felicidade não é deste mundo, mas todos também têm conhecimento de que ela existe e que, no futuro, existirá também na Terra. Isso é um consolo para os que esperam este mundo de paz; para tanto, o Espiritismo veio preparar lugar, onde o amor, a caridade e o perdão encontrem ambiente, criando condições para que os benfeitores possam semear com proveito o germe crescente da felicidade.

A Terra é de expiações e provas e as almas destinadas a renascer neste planeta encontram em todos os seus passos a dor; mas elas sofrem porque a região é de sofrimento, onde a criatura experimenta toda ordem de padecimentos.

O homem do momento traduz felicidade em sucesso na vida, no campo dos bens materiais; entretanto, quanto mais ajunta o ouro, corre mais riscos de mais infelizes tornar os seus passos repletos de preocupações, doenças, e mesmo tristezas.

A humanidade já começa a pensar noutros caminhos de ventura. O tempo se encarrega dessa transformação, e a dor é o anjo que nos faz compreender a verdade, que nos liberta dos enganos. Se pensarmos no passado do planeta, mesmo estudando os primórdios da casa terrena, é de se notar o amor do Criador para com os Seus filhos. 

Vejamos como era a vida antes, comparando-a com a vida na Terra hoje: as novas descobertas, para ajudarem em melhores dias, a melhora dos seres humanos, os grandes missionários que desceram à Terra para a esperança e o fortalecimento da fé nos companheiros na carne... Não nos estaria sendo mostrada a existência da felicidade?

A bondade de Deus é tamanha que, junto das provas e expiações, nos envia o Consolador, ajudando-nos a sustentar-nos na fé e na esperança. Não induzimos ninguém a sair de sua religião, mas que observe bem seus preceitos mais profundos sobre a vida espiritual. Se temos alguma coisa a pedir é que leia os livros espíritas, analisando o que eles dizem sobre a vida futura.

A verdade não impõe; ela expõe as leis naturais, porque somente ela ficará de pé, sustentando a fé, senão o amor. Esperemos e trabalhemos, que a felicidade se aproxima e com novos rasgos, mostrando-nos o amor e a caridade em uma expressão, mais digna de louvor a Deus, em profunda comunhão com Jesus.

A felicidade, podemos crer, está se aproximando com todo o seu fulgor, no entanto, é necessário que os homens entendam seus deveres, trabalhando na reforma íntima, para receber a visita dessas bênçãos de luz, que ficarão para sempre com os que melhoram e trabalham na melhoria dos outros.

Se deseja ser feliz, poderá sê-lo, porque a felicidade pertence a todos; todavia, a natureza pede sua participação no esforço de se melhorar moralmente.

Em todas as nações, se ensinam caminhos certos, mostrando vias cheias de espinhos, mas a maioria das criaturas, por enquanto, gosta de um bem-estar breve, com prazeres efémeros. Limpemos dos nossos sentimentos as paixões inferiores, alcançando um discernimento mais elevado.

Por que o homem é contra o homem?

A felicidade é aquela que perdoa, que esquece as ofensas, que ampara os fracos, que renuncia em favor da própria vida, ajudando aos que sofrem mais.

A felicidade se constitui em fazer a caridade, aquela que não exige, que não maltrata, não calunia, não tem ódio, porque ela é amor permanente, que sai do coração do ser humano, atingindo a tudo e a todos, nas dimensões correspondentes.

Felicidade é Cristo dentro de nós, nos mostrando Deus na consciência...


Miramez





*O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. V — Bem-aventurados os aflitos - Instruções dos Espíritos - A felicidade não é deste mundo.

20. Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! exclama geralmente o homem em todas as posições sociais. Isso, meus caros filhos, prova, melhor do que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo.” Com efeito, nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a florida juventude são condições essenciais à felicidade. Digo mais: nem mesmo reunidas essas três condições tão desejadas, porquanto incessantemente se ouvem, no seio das classes mais privilegiadas, pessoas de todas as idades se queixarem amargamente da situação em que se encontram.

Diante de tal fato, é inconcebível que as classes laboriosas e militantes invejem com tanta ânsia a posição das que parecem favorecidas da fortuna. Neste mundo, por mais que faça, cada um tem a sua parte de labor e de miséria, sua cota de sofrimentos e de decepções, donde facilmente se chega à conclusão de que a Terra é lugar de provas e de expiações.

Assim, pois, os que pregam que ela é a única morada do homem e que somente nela e numa só existência é que lhe cumpre alcançar o mais alto grau das felicidades que a sua natureza comporta, iludem-se e enganam os que os escutam, visto que demonstrado está, por experiência arquissecular, que só excepcionalmente este globo apresenta as condições necessárias à completa felicidade do indivíduo.

Em tese geral pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia a cuja conquista as gerações se lançam sucessivamente, sem jamais lograrem alcançá-la. Se o homem ajuizado é uma raridade neste mundo, o homem absolutamente feliz jamais foi encontrado.

O em que consiste a felicidade na Terra é coisa tão efêmera para aquele que não tem a guiá-lo a ponderação, que, por um ano, um mês, uma semana de satisfação completa, todo o resto da existência é uma série de amarguras e decepções. E notai, meus caros filhos, que falo dos venturosos da Terra, dos que são invejados pela multidão.

Conseguintemente, se à morada terrena são peculiares as provas e a expiação, forçoso é se admita que, algures, moradas há mais favorecidas, onde o Espírito, conquanto aprisionado ainda numa carne material, possui em toda a plenitude os gozos inerentes à vida humana. Tal a razão por que Deus semeou, no vosso turbilhão, esses belos planetas superiores para os quais os vossos esforços e as vossas tendências vos farão gravitar um dia, quando vos achardes suficientemente purificados e aperfeiçoados.

Todavia, não deduzais das minhas palavras que a Terra esteja destinada para sempre a ser uma penitenciária. Não, certamente! Dos progressos já realizados, podeis facilmente deduzir os progressos futuros e, dos melhoramentos sociais conseguidos, novos e mais fecundos melhoramentos. Essa a tarefa imensa cuja execução cabe à nova doutrina que os Espíritos vos revelaram.

Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime e que cada um de vós se despoje do homem velho. Deveis todos consagrar-vos à propagação desse Espiritismo que já deu começo à vossa própria regeneração. Corre-vos o dever de fazer que os vossos irmãos participem dos raios da sagrada luz. Mãos, portanto, à obra, meus muito queridos filhos! Que nesta reunião solene todos os vossos corações aspirem a esse grandioso objetivo de preparar para as gerações porvindouras um mundo onde já não seja vã a palavra felicidade.


François-Nicolas-Madeleine, cardeal Morlot.
Paris, 1863.







segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Bezerra de Menezes - Livro Queda e Ascensão da Casa dos Benefícios - Chico Xavier - 2ª Parte - Preceitos à iluminação do Espírito - Cap. 20 - Jesus, o eterno bem



Bezerra de Menezes - Livro Queda e Ascensão da Casa dos Benefícios - Chico Xavier - 2ª Parte - Preceitos à iluminação do Espírito - Cap. 20


Jesus, o eterno bem


Enquanto nossos corações permanecem acordados para a obra do Senhor, os desígnios do Alto ecoarão dentro de nós, induzindo-nos à frente. Daí esse imperativo de conservação da lâmpada acesa de nossa tarefa, para que nossos compromissos não sejam olvidados. (1)

No fundo de todas as provas que objetivam nossa redenção e aperfeiçoamento, o condutor real é o Cristo, Nosso Senhor. Que as nossas mãos se ajustem às dele; que o nosso olhar procure as diretrizes que o seu infinito amor nos indica no Roteiro do Evangelho e, assim, habilitados, não temamos. (2)

Ofereçamos a Jesus a nossa boa vontade e Jesus realizará o milagre da luz e do amor, em nosso benefício e a benefício dos que nos cercam.

Não nos esqueçamos de que somos os braços do Senhor em serviço dele e, aceitando a nossa condição nesse clima de fraternidade e interdependência, ante a supervisão do Benfeitor Eterno, estaremos concretizando o seu excelso programa de luz e amor. (3)

Para muitos de nossos irmãos reencarnados, a tarefa que esposamos como que se rotiniza; menos para nós, que não conseguimos esquecer o compromisso com o Mestre Crucificado. (4)

Nossa emoção é a mesma dos primeiros dias quando nos vimos chamados a colaborar na Seara do Bem. E, não obstante as imperfeições que ainda nos assinalam, prosseguimos fiéis, rogando ao Senhor não nos permita a marginalização em setores diferentes do trabalho de paz e amor em que nos encontramos empenhados. Afirmamos isso, não porque já sejamos o que devemos ser, mas sim, porque em nosso espírito a chama da fé viva não pode esmorecer. (5)


Bezerra de Menezes








(1) De mensagem recebida em 20.05.1950.
(2) De mensagem recebida em 18.08.1953.
(3) De mensagem recebida em 10.03.1954
(4) De mensagem recebida em 17.07.1980.
(5) De mensagem recebida em 10.09.1953. 




terça-feira, 14 de março de 2023

Walter - Livro Amor Sem Adeus - Mensagens familiares de Walter Perrone / Chico Xavier - 14 - Quinta carta



Walter - Livro Amor Sem Adeus - Mensagens familiares de Walter Perrone / Chico Xavier - 14


Quinta carta


Velhinha santa, minha querida mãe. Sônia, sempre irmã do coração. Maria Joana, devotada amiga. Irmãos nossos. Deus nos abençoe!

E não posso, mãezinha, esquecer o beijo da bênção. Peça a Deus por seu filho que torna ao lápis com o carinho e a gratidão de todos os dias.

Mãezinha, não há necessidade de sonoterapia. Converse com o nosso amigo Dr. Edgard. Em sonoterapia, diz meu avô Perrone, já se encontra quem na Terra busca os meios de alcançar a vida melhor. 

Cada pessoa está num certo grau de amnésia, enquanto na experiência física, porque num cérebro de recursos terrenos, apenas constituído por esses elementos, deve estar condicionado a certo tipo de carga mental. 

Por isso, velhinha do meu coração, não há necessidade de se recorrer, em nosso caso, aos processos de ausência curativa, se podemos nomear a sonoterapia com alguma expressão que mais seguramente a designe.

Graças a Deus, querida mãezinha, não se delongou a aplicação e temos sua presença aí conosco. 

Firme e valorosa, lembrando árvore forte na tempestade. O vento pode retorcer-lhe os braços e despojá-la de algumas flores, mas a árvore benfeitora permanece verde, como se quisesse viver sempre vestida na cor da esperança, produzindo sempre mais refúgio e mais amor no auxilio aos outros. É isso mesmo. Não desanimar para permanecer.

A Terra, mãezinha, é a nossa escola. Cada criatura está com a responsabilidade por determinadas lições. Se os ensinamentos de que necessitamos se constituem de desprendimentos e compreensão, sejamos aprendizes fiéis aos nossas deveres.

E que o curso supletivo da caridade esteja em nossas cogitações diárias, deve ser o nosso desejo, porque será sempre no trabalho do bem para os outros que encontraremos a nossa felicidade. 

Migalha aqui, migalha ali, uma bênção de cá, outra de lá, e parece que a luz vai brilhando mais um tanto. 

A gente não percebe, de pronto, mas um dia, os olhos se enriquecem de vantagens novas e então reconhecemos que tudo quanto se fez no auxilio ao próximo, foi a nós que o fizemos.

Ninguém precisa pensar no pagamento da gratidão. Ninguém precisa manifestar-nos reconhecimento, se somos nós os intérpretes do serviço aos que faceiam problemas e lutas maiores do que as nossas. 

O privilégio cabe a quem levantou as alegrias do bem para que o bem permaneça nos caminhos do coração. 

Esta é uma aula em que seu filho recorda todos os dias, o imperativo de compreender com Jesus a lei do amor, pela qual aquele que auxilia é sempre o contemplado por auxílio mais amplo.

Nesse sentido, rogo à senhora e a meu pai, tanto aos irmãos, para que a paz seja irradiada de nossos pensamentos em favor de quantos nos compartilhem a vivência diária. 

Mãezinha, ninguém faz o mal ou tenta praticá-lo porque o conheça conscientemente. Isso é assim porque o mal é ausência do bem ou desequilíbrio da vida, e sempre que desajustamos essa ou aquela peça na engrenagem pela qual se sustém a harmonia dos outros, somos compelidos a restaurar a brecha feita.

Compaixão e entendimento devem ser ingredientes de nossa vida diária.

Agradeço tudo o que a minha querida velhinha está realizando por meu sossego e pode crer que seu filho está bem.

Qualquer dificuldade nos problemas da vida familiar, no fundo, é acidente.

Todos nos amamos tanto e nos queremos tanto uns aos outros no círculo doméstico que, por vezes, aquilo que deveria ser aceito e compreendido, se faz motivação para cuidados desnecessários. Estamos juntos embora, em certas ocasiões, no lar o desajuste possa surgir para que a rearmonização nos acrescente a felicidade.

Peço dizer ao papai que ele está com a solução certa e correta, quanto às providências da vida. Papai é aquele homem com luz de Sol no Espírito, cujas decisões são sempre baseadas em carinho e justiça na caminhada humana.

Como vemos, querida velhinha, a sonoterapia em nosso caso é desaconselhável. É imperioso despertar, cada vez mais, o nosso próprio discernimento e agir com equilíbrio e serenidade.

Muitas parcelas indispensáveis à suspirada soma de tranquilidade, esperaremos receber de Deus pela bolsa do tempo. Na contabilidade das horas, todos os recursos vão chegando, a premiarem o trabalho de quantos se dedicam à procura da paz.

Diga ao Berto que nossas tarefas vão seguindo muito bem. Nunca esmorecer, e colocar obrigações para cima de nossos desejos, para que se transformem na luz de que não prescindimos para a caminhada com segurança. A ele, e à querida esposa com os filhinhos, o afeto e a gratidão de sempre. Por nossa querida Sônia continuemos velando fraternalmente.

Mãezinha, agradecemos à nossa querida Maria Joana, nossa irmã de ideal e tarefas, pelas realizações que vamos conseguindo. A ela e às outras irmãs, o nosso reconhecimento. Nosso prezado Gerson está aqui conosco e está feliz notando o carinho maternal na direção daqueles amigos nossos, especialmente as crianças, que os tecidos esculturados vão agasalhando e vestindo. 

Beneficência é investimento muito importante, rende juros incalculáveis nos dois mundos, aí e aqui.

Outros amigos vieram. Nosso amigo Diogo Garcia e nosso irmão Joaquim, lembrados em nossas conversações e preces, vieram agradecer, especialmente à nossa irmã Ocirema.

E companheiros aqui domiciliados, presentes à reunião, recomendam a mim, pequeno irmão e servidor, para que lhes entregue o carinho aos pais presentes. Áulus e Amaury rogam aos pais queridos coragem e esperança. Amaury espera oportunidade para se evidenciar ele próprio em carta, por aqui, mas deseja acertar problemas do sentimento, conquanto reafirme aos pais que está sempre na faixa doméstica do carinho em que se unem, nas tarefas de Americana. E Áulus abraça os queridos progenitores, que esperam sempre as expressões escritas. Também ele aguarda recursos de integração com o processo mediúnico da escrita, mas diz à mãezinha, nossa irmã D. Camélia, que ela o registra quase que constantemente, de vez que, pelas recordações e preces, estão sempre unidos.

São tantos os amigos e quase todos nos identificamos pelo gênero da libertação do corpo físico. Quase todos nós, incluindo o Nasser e o José Roberto, tivemos o resgate final pelo impacto que nos transferiu de repente, de um campo a outro da vida. Mas é bom esquecer o que não serve para alcançarmos aquilo que presta. E desse modo, ficamos por aqui a reunirmos todos em prece pela felicidade de todos os que mais amamos.

Santa velhinha do meu coração, fique sempre com Deus. Haja o que houver, abençoe sempre e ame a todos, procurando realizar o melhor. Ao papai, toda a minha confiança de filho reconhecido. As duas Sônias e ao Berto com as crianças, o carinho que não se apaga em minha lembrança, e beijando-a, mãezinha, a desejar-lhe no segundo domingo do mês de maio próximo, um Dia Sempre Feliz, pede a sua bênção e beija ainda a sua face querida, o filho que acompanha os seus passos como quem não deseja afastar-se do anjo que lhe deu a vida em nome de Deus.

Sempre seu filho, cada vez mais seu


Walter










sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Hammed - Livro As Dores da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 47 - Culpa



Hammed - Livro As Dores da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 47


Culpa


Inúmeras crenças religiosas têm sido imensamente nocivas ao desenvolvimento das criaturas, pois usam frequentemente a culpa como forma de atemorizar. Com isso, obtêm a submissão dos indivíduos, conduzindo-os a seu bel-prazer.

Utilizam-se de comportamentos manipuladores baseados em crenças punitivas. Um dos conceitos mais apregoados é o de que a Divina Providência age através do castigo e da vingança e de que Deus, quando se decepciona conosco, impede-nos de desfrutar e participar das benesses do Reino dos Céus.

“A doutrina do fogo eterno (...) não produzirá bom resultado. (...) Se ensinardes coisas que mais tarde a razão venha a repeli!; causareis uma impressão que não será duradoura, nem salutar”(1)

As religiões foram criadas para retirar as criaturas da convenção e transportá-las à espiritualização, mas, na atualidade, algumas religiões se transformaram nas próprias convenções sociais.

Abordaremos agora algumas mensagens que produzem culpa e consequentemente infelicidade no íntimo das criaturas: 

“Vocês desobedeceram às leis divinas, mas, se sofrerem bastante, talvez serão perdoados”.

“Vocês não entrarão na Casa de Deus, a menos que se sacrifiquem muito pelos necessitados”.

“Se vocês amassem ao Pai, não ousariam ter a atitude que tiveram”.

A culpa é frequentemente difundida por religiosos ortodoxos de forma consciente e até mesmo inconsciente, como meio de, produzindo temor nos fiéis, estabelecer dependência religiosa e determinar comportamentos e posturas de vida que acreditam ser corretas e convenientes às suas “nobres causas missionárias”.

Esquecem-se, porém, de que cada ser tem uma idade astral, que lhe permite ver e compreender a existência de forma específica e privativa. Também não se lembram de que a totalidade das culpas de um indivíduo não poderá transformar seu comportamento passado nem mesmo suas atitudes do presente. Portanto, a única forma possível de levá-lo a uma transformação interior é a mudança de entendimento e de atitude.

Somente através de uma real conscientização é que se estabelece o processo de amadurecimento das criaturas. Em outras palavras, tal conscientização se dá pelo somatório de suas experiências vivenciadas através do tempo, nunca pela imposição ou pelo receio.

“Sacrifique-se pelos necessitados” poderá ser uma recomendação equivocada, quando endereçada a uma pessoa psicologicamente fragilizada, pois, se ela não consegue nem mesmo ajudar a si mesma, obviamente se sentirá culpada por não conseguir ajudar o próximo.

Ela até poderá estar provida de boa vontade e tentar fazer alguma coisa, mas não conseguirá efetuar uma real ajuda, visto que é tão necessitada que dentro de si não há senão escuridão e desequilíbrio. Então, como poderá cooperar convenientemente com os outros?

Só poderemos prestar auxílio a alguém que estiver se afogando se soubermos nadar. Como ajudá-lo, se estivermos também nos afogando?

Na realidade, criaturas imaturas se consideram profundamente culpáveis, porque valorizam em excesso o que os outros dizem e pensam. Por lhes faltar independência interior, nem sempre reúnem condições de julgar seu próprio comportamento, pensamentos e emoções, responsabilizando-se pelas consequências que tais atos causam sobre elas.

Não creem que Deus lhes fala diretamente; ao contrário, necessitam de homens que se autodenominam “iluminados”, para conduzi-las, conforme julguem correto e justo. São infelizes. Quando não se culpam, atribuem culpa aos outros. Não percebem que são elas mesmas que determinam o seu destino!

A culpa não encontraria abrigo em nossa alma, se tivéssemos uma ampla fé no amor de Deus por nós e se acreditássemos que Ele habita em nosso âmago e sabe que somos tão bons e adequados quanto permite nosso grau de conhecimento e de entendimento sobre nossa vida interior e também exterior.

Sábios são aqueles que acumularam conhecimentos não somente através do estudo das ciências, mas também pela prática e pela observação.

Sabedoria, portanto, é a soma de nossos conhecimentos coerentes obtidos em contato com os diversos acontecimentos da vida; não apenas o que foi adquirido pela instrução acadêmica, mas, acima de tudo, pelas experimentações, vivências, atividades e realizações nas mais variadas áreas, seja na atual existência, seja nas múltiplas encarnações que tivemos pelas noites dos tempos. Sensatez, prudência, desempenho e erudição são patrimônios intransferíveis da alma humana, alicerçados na intimidade do próprio ser.

Dessa maneira, podemos entender que, quanto mais impedirmos as pessoas com as quais convivemos de agir e de pensar por si mesmas, mais estaremos dificultando suas oportunidades de amadurecimento e de crescimento espiritual. Os empreendimentos que os outros elegeram como os melhores para si deverão ser respeitados, pois os direitos naturais do homem lhes garantem a possibilidade de tomar decisões, errar, aprender, crescer, mudar e julgar a si mesmos.

Problemas são estímulos que a Vida nos apresenta para nos autoconhecer. Portanto, os fatos de nossa existência possuem valores imprescindíveis para nosso desenvolvimento interior e são de importância fundamental para o nosso interagir em face desses mesmos acontecimentos.

Alguns de nós aprendemos que deveríamos ser responsáveis pela felicidade dos outros, usando uma postura de “tomar conta”, ou seja, de supervisionar, comandar, insistir, seduzir, chorar, acusar, subornar, espionar, produzindo culpa em nós e nos outros e pedindo intervenções milagrosas, a fim de redimirmos e salvarmos as almas de nossos entes mais queridos.

Muitos indivíduos trazem um comportamento psicológico inadequado, adquirido desde a mais tenra idade, pela longa convivência com familiares difíceis e criaturas problemáticas que se diziam incapazes de se cuidar e se defender. Em decorrência disso, essas crianças assumiram responsabilidades que não lhes pertenciam e, para que pudessem sobreviver emocionalmente no lar em desajuste, aprenderam a vestir a túnica de “super-heróis”, tentando satisfazer e suprir as necessidades da família, e se culpavam quando não conseguiam resolver esses problemas.

Passaram a viver para controlar e proteger pais, irmãos, outros parentes, amigos e conhecidos à sua volta, preocupando-se, neurótica e compulsoriamente, em solucionar as dificuldades ou equacionar a vida dessas pessoas.

Desenvolveram ao longo do tempo relacionamentos doentios, nunca se preocupando com o que eles próprios sentem ou desejam, mas somente se interessando por aquilo que os outros estão sentindo e pensando. Trazem como lema “sua dificuldade é meu problema” ou “sua vontade é minha vontade”, assumindo obrigações pelo bem-estar, comportamento, decisões, emoções, pensamentos ou mesmo pelo destino de outras pessoas.

Não estamos nos referindo a atos de verdadeira caridade, compaixão e bondade, em que realmente a assistência é requisitada e desejada, mas sim ao ato neurótico de “tomar conta”. Por acreditarmos que as pessoas são “vítimas do mundo” e incapazes de cuidar de si mesmas, assumimos essa atitude salvacionista. Podemos traduzi-la como uma maneira de agir subestimando a capacidade dos indivíduos de crescer e evoluir. Capacidade essa que herdamos por direito divino.

A Providência Divina nos convoca a ser participantes na vida dos outros, jamais
controladores.

“Tem meios o homem de distinguir por si mesmo o que é bem do que é mal. (...) Deus lhe
deu a inteligência para distinguir um do outro.”(2) Através da inteligência e do livre-arbítrio, ele
consegue discernir e optar entre um e outro.

A Onipresença Divina nos garante Deus em toda parte, como também dentro de cada um de nós, e nos concede missões equivalentes ao nosso degrau evolutivo. Portanto, “Deus em nós” guia- nos sempre de maneira que possamos solucionar dificuldades apropriadas às nossas possibilidades evolutivas. Não devemos utilizar indevidamente a palavra “caridade” como justificativa para continuarmos a fazer aos outros o que eles sabem, podem e são capazes de fazer.

Dessa forma, procuremos não distorcer a mensagem de Jesus Cristo sobre o “amor ao próximo”, visto que o auxílio real entre as criaturas está alicerçado nas trocas benéficas a que todos nós somos, convocados a realizar, mas devemos aprender quando não dar e quando não executar tarefas da responsabilidade de outras pessoas, pois isso também faz parte da “Lei do Amor”.

 
Hammed 




(1) Questão 974 – Donde procede a doutrina do fogo eterno? 
“Imagem, semelhante a tantas outras, tomada como realidade.”

Questão 974-a – Mas, o temor desse fogo não produzirá bom resultado?
“Vede se serve de freio, mesmo entre os que o ensinam. Se ensinardes coisas que mais tarde a razão venha a repelir; causareis uma impressão que não será duradoura, nem salutar.”

(2) Questão 631 – Tem meios o homem de distinguir por si mesmo o que é bem do que é mal?
“Sim, quando crê em Deus e o quer saber. Deus lhe deu a inteligência para distinguir um do outro.”



terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Emmanuel - Livro À Luz da Oração - Espíritos Diversos/Chico Xavier - Pág. 45 - Prece do Natal



Emmanuel - Livro À Luz da Oração/Antologia mediúnica do Natal - Espíritos Diversos/Chico Xavier - Pág. 45/21


Prece do Natal


Harmonias cariciosas atravessavam a paisagem, quando o lúcido mensageiro continuou:

Senhor Jesus!…

Recordando-te a vinda, quando te exaltaste na manjedoura por luz nas trevas, vimos pedir-te a bênção.

Releva-nos se muitos de nós trazemos saudade e cansaço, assombro e aflição, quando nos envolves em torrentes de alegria.

Sabes, Senhor, que temos escalado culminâncias… Possuímos cultura e riqueza, tesouros e palácios, máquinas que estudam as constelações e engenhos que voam no Espaço!

Falamos de ti — de ti que volveste dos continentes celestes, em socorro dos que choram na poeira do mundo, no tope dos altos edifícios em que amontoamos reconforto, sem coragem de estender os braços aos companheiros que recolhias no chão…

Destacamos a excelência de teus ensinos, agarrados ao supérfluo, esquecidos de que não guardaste uma pedra em que repousar a cabeça; e, ainda agora, quando te comemoramos o natalício, louvamos-te o nome, em torno da mesa farta, trancando inconscientemente as portas do coração aos que se arrastam na rua!

Nunca tivemos, como agora, tanta abastança e tanta penúria, tanta inteligência e tanta discórdia! Tanto contraste doloroso, Mestre, tão só por olvidarmos que ninguém é feliz sem a felicidade dos outros… Desprezamos a sinceridade e caímos na ilusão, estamos ricos de ciência e pobres de amor.

É por isso que, em te lembrando a humildade, nós te rogamos para que nos perdoes e ames ainda… Se algo te podemos suplicar além disso, desculpa o nada que te ofertamos, em troca do tudo que nos dás e faze-nos mais simples!…

Enquanto o Natal se renova, restaurando-nos a esperança, derrama o bálsamo de tua bondade sobre as nossas preces, e deixa, Senhor, que venhamos a ouvir de novo, entre as lágrimas de júbilo que nos vertem da alma, a sublime canção com que os Céus te glorificam o berço de palha, ao clarão das estrelas: — Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens! 


Emmanuel










Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Viana de Carvalho - Livro Praça da Amizade - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 13 - Instruções do tempo



Viana de Carvalho - Livro Praça da Amizade - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 13


Instruções do tempo


A vida é permanente, a oportunidade se repete, a lição se rearticula, mas o tempo de hoje não mais voltará.


Viana de Carvalho











segunda-feira, 20 de junho de 2022

João de Brito - Livro Falando à Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15 - Amor



João de Brito - Livro Falando à Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15


Amor


O Amor, sublime impulso de Deus, é a energia que move os mundos:

Tudo cria, tudo transforma, tudo eleva.

Palpita em todas as criaturas.

Alimenta todas as ações.

O ódio é o Amor que se envenena.

A paixão é o Amor que se incendeia.

O egoísmo é o Amor que se concentra em si mesmo.

O ciúme é o Amor que se dilacera.

A revolta é o Amor que se transvia.

O orgulho é o Amor que enlouquece.

A discórdia é o Amor que divide.

A vaidade é o Amor que se ilude.

A avareza é o Amor que se encarcera.

O vício é o Amor que se embrutece.

A crueldade é o Amor que tiraniza.

O fanatismo é o Amor que se petrifica.

A fraternidade é o Amor que se expande.

A bondade é o Amor que se desenvolve.

O carinho é o Amor que se enflora.

A dedicação é o Amor que se estende.

O trabalho digno é o Amor que aprimora.

A experiência é o Amor que amadurece.

A renúncia é o Amor que se ilumina.

O sacrifício é o Amor que se santifica.

O Amor é o clima do Universo. É a religião da vida, a base do estímulo e a força da Criação.

Ao seu influxo, as vidas se agrupam, sublimando-se para a imortalidade.

Nesse ou naquele recanto isolado, quando se lhe retire a influência, reina sempre o caos.

Com ele, tudo se aclara.

Longe dele, a sombra se coagula e prevalece.

Em suma, o bem é o Amor que se desdobra, em busca da Perfeição no Infinito, segundo os Propósitos Divinos; e o mal é, simplesmente, o Amor fora da Lei.


João de Brito





JOÃO DE BRITO, Padre ( 1693 ) — Foi o último imitador português dos grandes apóstolos do século XVI, o “segundo Xavier” pelo seu abnegado missionarismo em terras da Índia, onde sofreu perseguições e, por fim, o martírio. Esteve no Brasil. Célebre pela sua vida de santidade, de constância e firmeza.