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sábado, 11 de abril de 2026

Hammed - Livro A Busca do Melhor - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 16 - Fora te procurei, dentro te encontrei



Hammed - Livro A Busca do Melhor - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 16


Fora te procurei, dentro te encontrei


"Outrossim o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas. E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a." (Mateus 13:45-46)

O Reino de Deus não se encontra longe, nem em outras esferas físicas, tampouco nas mais distantes dimensões espirituais... Muitas vezes, o procuramos tão longe e não o encontramos; porém, quando voltamos o olhar para dentro de nós, vamos descobri-lo ali mesmo, na própria intimidade.

Em cada uma das criaturas há um espaço que alguns chamam de imo divino, outros de consciência, outros ainda de alma - um espaço ao mesmo tempo distante e perto, de difícil acesso e, no entanto, acessível a todos; um recanto consagrado onde sempre será possível encontrar a felicidade.

Nosso âmago sagrado não é nossa mente, nem nossas emoções ou sentimentos, mas, em verdade, nossa alma - a centelha divina por meio da qual testemunhamos tudo o que ocorre dentro e fora de nós.

Jesus não agia dividido, não visualizava somente o interior ou o exterior; antes, observava o reino íntimo, ou seja, a parte mais entranhada do ser.

Há os que pensam equivocadamente que o Reino dos Céus é uma dimensão pertencente ao extrafísico e, não um estado de alma.

Não devemos nos fixar na expectativa de que, conhecendo apenas como agem e vivem os Espíritos desencarnados, tanto os superiores como os inferiores, estaremos crescendo ou nos desenvolvendo espiritualmente. A respeito disso, não nos distraiamos por mais tempo nem nos permitamos continuar nessa ilusão.

Podemos dizer, metaforicamente, que o observador é a alma, e que o objeto de observação pode ser o plano físico e o plano espiritual.

A alma encarnada vive em uma dimensão física, entretanto carrega consigo o Reino dos Céus. O espírito desencarnado pode estar vivendo em uma dimensão metafísica, entretanto transporta também consigo o Reino dos Céus.

Dos três mundos aqui citados, o essencial e o de maior importância para a evolução espiritual é o reino íntimo.

Disse Carl Jung: "Olhe para fora e sonhe, olhe para dentro e desperte". Jesus comparou o Reino dos Céus a uma pérola de grande valor; aliás, a pérola é algo que está dentro da ostra, que fica dentro do mar.

O Reino dos Céus é de vital importância à vida do espírito, pois, quando desperto, tira-nos do sono de ignorância em que vivemos.


Hammed












sexta-feira, 27 de março de 2026

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 40 - Pesos Inúteis



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 40


Pesos Inúteis


“Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos atingem, nelas encontraríeis sempre a razão divina, razão regeneradora, e vossos miseráveis interesses seriam uma consideração secundária que relegaríeis ao último plano...” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 5 - Item 21)


Quanto mais a ciência biológica estuda as estruturas íntimas dos seres vivos, mais claramente constata que os fenômenos nascimento e morte são etapas de um processo natural da vida. Mesmo assim, nos agarramos à ideia de que somos separados da Natureza e encaramos a morte como o fim de tudo, numa visão isolada, desumana e insuportável de conceber.

Não nos auxilia em nada considerar a morte um adversário; porque mesmo assim, ela continuará fazendo parte de nossa existência. E ao tentar negá-la, estaremos nos distanciando ainda mais da realidade integral.

Todavia, ao provar o sentimento de perda, passamos por uma das maiores experiências como seres humanos: somos impulsionados a uma intensa reflexão, conseguindo, a partir daí, observar melhor as verdades transcendentais da Vida.

Nada se perde no Universo do “Todo-Poderoso”, tudo se transforma de modo maravilhoso, e com o passar do tempo aprendemos a entender e a aceitar a morte, numa visão harmônica e translúcida.

Em verdade, a morte física não nos tira a vida, mas simplesmente faz com que passemos a transitar por novos caminhos. E como não temos a posse sobre os outros, ou melhor, as pessoas não nos pertencem, a Vida Maior constantemente nos coloca à disposição situações e lugares novos, nos mais diversos planos existenciais, para que possamos nos enriquecer com as múltiplas experiências.

Somos nômades do Universo, viajantes das vidas sucessivas, na busca do aperfeiçoamento.

Há inconformados que sofrem por longo tempo a perda de pessoas amadas que passaram para outros níveis espirituais. É realmente aflitiva a saudade mesclada na dor, que abala a alma daquele que vê partir seus entes queridos. Ainda que a dor seja intensa, o homem deve ser honesto consigo mesmo, buscando continuadamente uma percepção mais precisa dos processos pessoais de “não-aceitação” em face da morte e uma conscientização do porquê dos “sentimentos de rejeição” que o mantêm preso a um constante círculo de pensamentos inconformistas.

Certos indivíduos sentem profunda culpa se não chorarem e não se lastimarem indefinidamente, porque acreditam que as pessoas poderão julgá-lo como desumano e desprovido da capacidade de amar os familiares que partiram.

Outros, por terem atitudes conservadoras e limitantes a respeito da afetividade, cultuam falecidos entes queridos para sempre, como se não existisse mais ninguém para amar. Exageram uma época de grande felicidade, não acreditam que possam ter ainda reencontros alegres e vivem amarrados no passado propositadamente.

Por medo da solidão, certas criaturas lamentam de forma ininterrupta a privação de seus parentes, num fenômeno quase que inconsciente, para chamar a atenção de outros familiares, a fim de que estes supram suas carências afetivas e suas necessidades básicas de consideração.

Diversas pessoas que já atravessam leves crises de melancolia, ficam sujeitas a períodos angustiantes ainda mais longos e agravados, quando perdem seus afetos. Sem se dar conta de que, se examinassem com mais cuidado as matrizes dos seus estados depressivos, melhorariam sensivelmente; e que, por projetarem a causa de sua aflição apenas sobre a perda, sofrem muito sem a mínima condição de vislumbrar a cura definitiva.

Existem almas que passam vidas inteiras ao redor de outras almas, cuidando delas. Por não ter vida própria, estão sujeitas a um grau de dependência e apego enorme. Cultivam a dor como pretexto para sentir-se mais vivas e mais estimuladas, porque tudo que lhes restou foi agarrar-se às lembranças dolorosas na crença de que não podem mais parar de sofrer pela separação dos seres amados.

Nossos sentimentos resultam dos processos de nossas percepções, emoções e sensações acumuladas ao longo das vidas pretéritas e da vida atual, e é através deles que temos toda uma forma peculiar de sentir e agir.

Não obstante, analisando nossos sentimentos de perda e interpretando os reais fundamentos de nossas dores, poderemos nos conscientizar se estamos agravando ou não “nosso sentir”. As dores da separação de filhos, cônjuges, irmãos e amigos podem ser agravadas, se a elas juntarmos o sentimento de culpa, remorso, dependência, conservadorismo, medo e não-aceitação.

Lembremo-nos, porém, das palavras de Paulo: “E, quando este (corpo) mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”(1)

Façamos, dessa forma, uma transubstanciação de nossos padecimentos e pesares, apartando todos os “pesos inúteis”, descartando-os e substituindo-os pelas “doces brisas” dos ensinos da Vida Eterna. Agindo assim, veremos abrandar em pouco tempo nosso coração turvado e pesaroso, que depois se tornará verdadeiramente aliviado e translúcido.


Hammed









(1) I Coríntios 15:54 e 55.


Fonte: Renovando Atitudes-pdf

sábado, 21 de março de 2026

Hammed - Livro Lucidez a Luz que Acende na Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 2 - Imposição das mãos



Hammed - Livro Lucidez a Luz que Acende na Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 2


Imposição das mãos


Amado Pai, ajuda-nos a utilizar bem as mãos, para que elas sejam chamadas a curar as chagas da alma. 

Permite-nos que as coloquemos, sempre que necessário, em posição de quem ora, a fim de expandirmos luzes para atenuar dores, renovar as forças interiores, tranquilizar nosso íntimo e auxiliar a quem quer que seja. 

O coração inspira a mente; esta pensa e as mãos edificam. Por sinal, os feitos delas darão notícias de como foi nossa passagem pela Terra.

Todo-Compassivo, consente que nossas mãos esparjam, por meio da transmissão fluídica, algum vigor ou força do seu amor infinito para dar aconchego e contentamento aos nossos semelhantes. Faze delas um canal; usa-as como ferramentas de restabelecimento e sanidade.

Todavia, é bom lembramos que mãos generosas não são aquelas que doam de forma superabundante e descontrolada, mas aquelas que sabem como e quando doar acertadamente. Por falar nisso, Pai Amado, a mão que realmente auxilia pertence às criaturas que aprenderam a favorecer os outros sem se verem obrigadas a tomar para si os conflitos e infortúnios que não lhes pertencem. É aquela que socorre os sofredores sem emaranhar-se na problemática emocional deles.

Senhor Deus, inspira-nos a sermos prestativos com as aflições dos nossos semelhantes, mas não nos deixes envolver nos conflitos ou problemas que não são nossos. Melhor ajudamos quando não carregamos as cruzes alheias, e sim quando só ajudamos a levantá-las.

Pai, estamos cientes de que muitas religiões na atualidade distorceram o conceito de altruísmo, utilizando a culpa e o medo como formas de nos forçar a manter o sustento físico e a estabilidade emocional de outrem. Muitos de nós não entendemos que a beneficência real não depende de imposição moral ou obrigação religiosa, mas da necessidade de estar unida à naturalidade da doação com amor.

A prova disso está nas palavras de Jesus: “Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita". Ele utilizou a metáfora das mãos para nos ensinar que tudo que déssemos deveria ser com espontaneidade, e não por obrigação.

Por extensão de sentido, a palavra “mão”, unida a outra palavra, tem significações interessantes:

• mãos impostas — aquelas que transmitem energia, entregando-se a uma empreitada de amor;

• mãos de fada — são laboriosas e hábeis na execução dos mais diversos trabalhos de arte;

• mãos unidas — ficam, palma com palma, na posição dos que oram ou suplicam ardentemente;

• mãos à palmatória — são flexíveis, pois reconhecem a derrota ou o engano;

• mãos fortes  servem de sustentáculo; emprestam apoio, solidarizam e amparam;

• mãos-largas — são pródigas ou dadivosas; pertencem a indivíduos de boa vontade;

• mãos de seda — são carinhosas e atenciosas com as dores alheias;

• mãos-cheias — as que fartam; oferecem quantidade mais que suficiente para suprir necessidades.

Bom Deus, temos certeza de que amparas invariavelmente as mãos-postas que lhe rogam auxílio e de que sustentas as mãos trémulas e inseguras, reservando-lhes braços fortes. Por isso, apazigua nosso coração para que a energia que provém de ti e o atravessa em nossa direção, continue repleta do teu Amor.

Que assim seja.


Hammed













quinta-feira, 12 de março de 2026

Hammed - Livro A Busca do Melhor - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 17 - Força interior



Hammed - Livro A Busca do Melhor - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 17


Força interior


“Portanto já não és mais servo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro por Deus.” — PAULO. (Gálatas, 4:7)

Não menosprezes a força interior que Deus te conferiu como dom natural.

Essa energia superior está em ti; basta somente a libertares, e esse fluxo divino te guiará perante tua própria existência.

Diante de um fato ou acontecimento, não importa o que sucedeu, mas sim a tua reação. Bom acontecimento não é o que ocorreu, mas o que absorveste ou assimilaste em decorrência disso.

Podes piorar ou suavizar tuas dificuldades. Dependendo do modo com que reages a elas:

• tua dor será sanada ou agravada;
• teu conflito, extirpado ou perpetuado;
• tua ansiedade, apaziguada ou intensificada; e
• tuas buscas encontrarão um porto seguro e feliz em conformidade com tuas percepções internas.

Busca abundantemente a luz interior e terás maior lucidez e discernimento em tua casa mental.

As soluções fluirão mais fáceis se te integrares nessa força íntima que existe em ti, pois és herdeiro de Deus. Ele habita teu âmago; busca-O, pois, e essas potencialidades divinas estarão cada vez mais transitando pela tua vida.

Agindo assim, a harmonia e a serenidade estarão contigo, reforçando o elo que te liga à Divina Providência.


Hammed












sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 39 - Carma e Parentela



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 39


Carma e Parentela


“A união e a afeição que existem entre os parentes são indício da simpatia anterior que os aproximou; também se diz, falando de uma pessoa cujo caráter, gostos e inclinações não têm nenhuma semelhança com os de seus parentes, que ela não é da família…” (Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. IV, item 19)


Quase sempre afirmamos que a antipatia a certos membros de nossa parentela é decorrente de antigas aversões, oriundas do pretérito distante, quando ocorrências negativas ficaram mal resolvidas em nossa atmosfera cármica.

Dessa forma, justificamos aversões e incompatibilidades de gênio, transformando o ambiente familiar em verdadeiro campo de batalha, onde todos têm razão e, ao mesmo tempo, todos se dizem vítimas impotentes do destino.

Importante lembrar que, se fomos reunidos aqui e agora, é porque este é o melhor tempo para solucionarmos comportamentos inconvenientes, posturas de vida intransigentes e para promovermos nossa transformação interior, fatores imprescindíveis para o crescimento da alma.

Não se autorresponsabilizar por feitos e atitudes no presente, inocentando-se e lançando desculpas pelos desatinos do passado, é assumir a condição de injustiçado, ou mesmo, de vítima. É como afirmar que a Divina Providência cometeu para com tua existência uma falta, fazendo-te renascer em ambiente não correspondente ao teu desenvolvimento espiritual, o que logicamente é um enorme absurdo.

Não são situações de vidas passadas que te complicam os relacionamentos afetivos, e sim a continuidade dos velhos modos de pensar, das crenças incoerentes e da permanência em doentios pontos de vista de onipotência.

Adultos dominadores desenvolvem expectativas em relação ao círculo em que vivem, alterando as escolhas pessoais dos familiares. Se estes não são acostumados a pensar por si, permitem facilmente que lhes alterem as trilhas que tinham delineado e definido como metas particulares. Fatalmente, esses mesmos indivíduos um dia se revoltarão contra as atitudes de dominância e rejeitarão ser manipulados de novo, desenvolvendo assim sérios atritos no lar.

Em muitas ocasiões, por atitudes autoritárias, a profissão que é exercida difere de modo frontal daquela que a criatura escolheu. Em vista disso, ela vive constantemente contrariada, por ver frustrado o seu projeto interno, e se revolta não só contra quem desencadeou a intromissão em sua trilha de vida, mas também contra o mundo, a sociedade e contra si mesmo, por não ter lutado por aquilo que desejava.

Parentes inseguros superprotegem os seus escolhidos, tornando-os impotentes em áreas em que já poderiam ser independentes. Por obrigá-los a compartilhar os seus mesmos pontos de vista, evidenciam um enorme desrespeito ao outro, demonstrando com isso que, talvez, nem eles mesmos saibam o que querem realmente da vida.

Assim, com freqüência, filhos se defrontam com pais e irmãos, lutando contra gestos de arrogância. Querem ser eles mesmos, desbravar suas próprias metas e caminhos, embora, às vezes, se anulem com certo medo de desagradar-lhes, pelo suporte e manutenção de vida que ainda recebem deles, porque, em verdade, muitos ainda não conseguiram sustentar-se material e afetivamente.

Autorresponsabilizar-se é uma dádiva que nos confere o poder de criar mudanças, pois geralmente preferimos nos desculpar, jogando a responsabilidade de nossos atos nos ombros alheios, ou nas vidas passadas, tornando-nos vítimas e eximindo-nos de contribuir com nossa parcela para eliminar melindres, ressentimentos e antipatias no seio do próprio lar.

Em razão disso tudo, para que tenhamos relacionamentos felizes no futuro, tomemos nota do lema: “O ontem já passou. Agora é a melhor ocasião para teu crescimento e renovação”.


Hammed










quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 18 - Preconceito



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 18


Preconceito


“…Tendo-o visto, lhe disse: Zaqueu, apressai-vos em descer, porque é preciso que eu me aloje hoje em vossa casa. Zaqueu desceu logo o recebeu com alegria. Vendo isso, todos murmuraram dizendo: Ele foi alojar-se na casa de um homem de má vida…” (Cap. 16, item 4 de O Evangelho Segundo o Espiritismo.)


Ter preconceitos é assimilar as coisas com julgamento preestabelecido, fundamentado na opinião dos outros. Os preconceitos são as raízes de nossa infelicidade e sofrimento neurótico, pois deterioram nossa visão da vida como uma lasca que inflama a área de nosso corpo em que se aloja.

Aceitamos esses valores dos adultos com quem convivemos, de uma maneira e forma tão sutis que nem percebemos. Basta a criança observar um comentário sobre a sexualidade de alguém, ou a religião professada pelos vizinhos, para assimilar ideias e normas vivenciadas pelo adulto que promove a crítica. De maneira distorcida, baseia-se no julgamento de outrem, quando é válido somente o autojulgamento, apoiado sempre na análise dos fatos como realmente eles são.

Será que tua forma de ver a tudo e a todos não estaria repleta de obstáculos formados pelos teus conceitos preestabelecidos?

Por não estares atento ao processo da vida em ti, é que precisas do juízo dos outros, tornando-te assim dependente e incapacitado diante de tuas condutas.

Jesus de Nazaré demonstrou ser plenamente imune a qualquer influência alheia quanto a seus sentimentos e sentidos de vida, revelando isso em várias ocorrências de seu messiado terreno.

Ao visitar a casa de Zaqueu, não deu a mínima importância aos murmúrios maldizentes das criaturas de estrutura psicológica infantil, pois sabia caminhar discernindo por si mesmo.

Toda alma superior tem um sistema de valores não baseado em regras rígidas; avalia os indivíduos, atos e atitudes com seu senso interior, sentimentos, emoções e percepções intuitivas, tendo assim apreciações e comportamentos peculiares. Para ela, cada situação é sempre nova e cada pessoa é sempre um mundo à parte.

Em verdade, Cristo veio para os doentes que têm a coragem de reconhecer-se como tais, não, porém, para os sãos, ou para aqueles que se mascaram. Zaqueu, vencendo os próprios conceitos inadequados de chefe dos publicanos, derrubou as barreiras do personalismo elitista e rendeu-se à mensagem da Boa Nova.

Despojou-se do velho mundo que detinha na estrutura de sua personalidade e renovou-se com conceitos de vida imortal, aceitando-se como necessitado dos bens espirituais.

Disse Jesus: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado” (Marcos 2:27).

Ao dizer isso, o Mestre se referia ao antigo mandamento de Moisés, que impedia toda e qualquer atividade aos sábados, e que Ele, por sabedoria e por ser desprovido de qualquer preconceito, entendia a serventia dessa lei para determinada época, porém queria agora mostrar aos homens que “as experiências passadas são válidas, mas precisam ser adequadas às nossas necessidades da realidade presente”.

Nossos preconceitos são entraves ao nosso progresso espiritual.


Hammed










sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 26 - O amor que tenho é o que dou



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 26


O amor que tenho é o que dou


“…No seu início, o homem não tem senão instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o ponto delicado do sentimento é o amor, não o amor no sentido vulgar do termo, mas este sol interior…” (Capítulo 11, item 8.)


Somente se dá aquilo que se possui. Como, pois, exigir amor de alguém que ainda não sabe amar? Como requisitar respeito e consideração de criaturas que não atingiram o ponto delicado do sentimento que é o amor?

Quem dá afeto recolhe a felicidade de ver multiplicado aquilo que deu, mas somente damos de conformidade com aquilo de que podemos dispor no ato da doação. Há diversidades de evolução no planeta. Homens mal saídos da primitividade campeiam na sociedade moderna, ensaiando os primeiros passos do instinto natural para a sensibilidade amorosa.

Eis aqui uma breve relação de sintomas comportamentais que aparecem nas criaturas, confundindo o amor que liberta e deseja o bem da outra pessoa com a atração egoísta que toma posse e simplesmente deseja:

— Há indivíduos que, para conquistar os outros e convencê-los de suas habilidades e valores, contam vantagens, persuadindo também a si mesmo, pois acreditam que para amar é preciso apresentar credenciais e louros, satisfazendo assim as expectativas daqueles que podem aceitá-lo ou recusá-lo.

— Há criaturas que tentam amar comprando pessoas, omitindo e negando suas necessidades e metas existências, abandonando tudo que lhes é mais caro e íntimo e depois, por terem aberto mão de todos os seus gostos e desejos, perdem o sentido de suas próprias vidas, terminando desastrosamente seus relacionamentos.

— Alguns delegam o controle de si mesmos aos outros, cometendo assim, em ‘nome do amor’, o desatino de renunciar ao próprio senso de dignidade, componente vital à felicidade. Não é de surpreender que vivam vazios e torturados, pois tornaram-se “um nada” ao permitirem que isso acontecesse.

— Outros tantos usam da mentira, encobrindo realidades e escondendo conflitos. 

Convictos de que têm de ser perfeitos para ser amados, temem a verdade pelas supostas fraquezas que ela possa lhes expor diante dos outros. Acabam fracassados afetivamente por falta de honestidade e sinceridade.

— Certas criaturas afirmam categoricamente que amam, mas tratam o ser amado como propriedade particular. Por não confiarem em si mesmas, geram crenças cegas de que precisam cuidar e proteger, quando na realidade sufocam e manipulam criando um convívio insuportável e desgastante.

Uma das características mais tristes dos que dizem saber amar é a atitude submissa dos que nunca dizem “não”, convencidos de que, sempre sendo passivos em tudo, receberão carinho e estima. Esse tipo de comportamento leva as pessoas a concordar sempre com qualquer coisa e em qualquer momento, trazendo-lhes desconsideração e uma vida insatisfatória.

Requisitar dos outros o que eles ainda não podem dar é desrespeitar suas limitações emocionais, mentais e espirituais, ou seja, sua idade evolutiva.

Forçar pais, filhos, amigos e cônjuge a preencher o teu vazio interior com amor que não dás a ti mesmo, por esqueceres teus próprios recursos e possibilidades, é insensato de tua parte.

É dando que se recebe; portanto cabe a ti mesmo administrar tuas carências afetivas e fazer por ti o que gostarias que os outros te fizessem.

Não peças amor e afeto; antes de tudo, dá a ti mesmo e em seguida aos outros, sem mesmo cobrar taxas de gratidão e reconhecimento. Importante é que sigas os passos de Jesus na doação do amor abundante, sem jamais exigi-lo de ninguém e sem jamais esquecer que és responsável pelos teus sentimentos.

Quanto aos outros, sejam eles quem forem, responderão por si mesmos conforme o seu livre arbítrio e amadurecimento espiritual.


Hammed












domingo, 14 de dezembro de 2025

Hammed - Livro Um Modo de Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 6 - Conscientização



Hammed - Livro Um Modo de Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 6


Conscientização


"Nesse dia comprendereis que estou em meu pai e vós em mim e eu em vós" (João, 14:20)


Quando não visualizamos os nossos erros, não admitimos que somos nós que produzimos as nossas dores. Quando não percebemos que nossos inimigos residem em nossa casa mental, apontamos os outros como a causa de nossos dissabores; quando não permitimos mudança no nosso no mundo interior, exigimos mudança do mundo exterior.

Quem se conscientiza do processo das leis divinas entende a dor, e encontra seu valor de contribuição para o engrandecimento da própria existência. Todas as experiências (positivas ou negativas) nos ensinam algo; basta estarmos dispostos a aprender. Nossas escolhas podem nos livrar, ou não, do cárcere da escravidão emocional.

A mensagem da Inteligência Universal é sempre aquela que incentiva a conscientização de nossas potencialidades e dons naturais. Quando despertamos espiritualmente, passamos a entender a dor por outro prisma.

A vida é um processo evolutivo no qual todos somos “criaturas caminhantes”.

Precisamos ainda percorrer um longo trajeto para atingir o desenvolvimento total de nossas aptidões inatas. A Consciência Divina apenas espera nosso despertar, ou seja, que saiamos do sono da inconsciência de nós mesmos.

O ser consciente é uma criatura renovada pela experiência interior.

Vive na iluminação íntima como uma pessoa comum no seio da coletividade. Seu eixo de sustentação não se encontra fora, mas dentro de si. Dispensou a segurança das expectativas e das idealizações do “eu inferior” porque tem a convicção e a estabilidade sublime do “Eu Superior”.

Não obstante a nossa origem sagrada, muitos entraves nos prendem à ideia de separação da Unidade Cósmica, contrariando o que o Mestre nos ensinou ao afirmar que “nesse dia compreendereis que estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós”. Ele se identificou com a Paternidade Celestial, à “imagem e semelhança” da Divindade que o criou.

HAMMED.

Livro: Um Modo de Entender, uma nova forma de viver.

Francisco do Espírito Santo Neto.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 45 - Grau de sensibilidade



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto -  Cap. 45


Grau de sensibilidade


“...Homens de uma capacidade notória que não a compreendem, enquanto que inteligências vulgares, de jovens mesmo, apenas saídos da adolescência, a apreendem com admirável exatidão em suas mais delicadas nuanças...” (O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec, Capítulo 17, item 4.)


Na realidade, são homens sensíveis todos aqueles que aprenderam a focalizar intensamente a essência das coisas. Sabem sintetizar e observar sem julgamentos prévios as ocorrências e assuntos, examinando-os como eles se apresentam realmente, com uma lucidez e discernimento cada vez maiores.

Sensibilidade é patrimônio do espírito que já atingiu um certo grau de percepção e detecção proveniente do âmago dos fatos. Faculdade esta alicerçada no “senso de realidade”, que tem a capacidade de penetrar nas idéias novas, captá-las e analisá-las sutilmente, com admirável eficiência e exatidão.

Há criaturas, porém, que se apegam somente aos fenômenos e manifestações espetaculares do mundo espiritual. Imaturas e insensíveis, não compreendem as conseqüências éticas existentes por detrás dessas mesmas manifestações. Não percebem os horizontes ilimitados que se descortinam em razão da crença na imortalidade das almas, pois não foram “tocadas no coração” pelo sentimento de que o Universo é o lar que abriga a todos nós, eternos viajantes na embarcação da Vida.

Por não possuírem a “parte essencial”, não tomam consciência do fato de que existir é participar de uma constante e eterna renovação, que impulsiona as criaturas ao autoaperfeiçoamento. Há tempo de começar, crescer, transformar e recomeçar, num eterno reciclar de experiências.

Todavia, aqueles cujo “nível de maturidade” foi desenvolvido se diferenciam dos outros, porque focalizam com seus sentidos acurados as profundezas das coisas e, em muitas ocasiões, conseguem até perceber que certas ciências são muito mais espiritualistas do que determinadas crenças ou cultos religiosos.

Ciências há que transcendem à vida física pelo somatório de bases universalistas: observam, no interagir das relações entre seres vivos e o meio ambiente, uma associação harmônica de “Ordem Divina” e de cunho fraternalista. Por outro lado, certas religiões deixam muito a desejar quanto ao sentimento de fraternidade: prometem recompensas imediatistas e ficam presas a dogmas materialistas de infalibilidade e autoritarismo.

Os seres humanos sensíveis estão despertos tanto em seus sentidos externos quanto internos, estão vivos em plenitude, pois experimentam a atmosfera de cada momento.

Estão sempre refletindo e discernindo suas emoções e sentimentos, porque já se permitem experimentar toda uma sucessão de sensações, que decorrem das experiências nas relações humanas.

Portanto, podemos confiar em que cada um de nós, a seu tempo,  sensibilizar-se-á pelas coisas espirituais, visto que o desenvolvimento de nosso grau evolutivo transcorre natural e incessantemente em decorrência dos impulsos de progresso que recebemos das leis divinas existentes em nós mesmos.

Aqueles que se prendem unicamente aos fenômenos mediúnicos e em nada se transformam espiritualmente encontrarão mesmo assim, nesse comportamento, “um primeiro passo que lhes tornará o segundo mais fácil numa outra existência”.(1) Trata-se de um processo que não ocorre da noite para o dia, mas que se vai projetando ao longo do tempo e sempre acontece quando estamos prontos para crescer. Aliás, “quando o aluno está pronto, o professor sempre aparece”.


Hammed









(1) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 17º, item 4.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 16 - Extensão da alma



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 16


Extensão da alma


"...Amai, pois, vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento da alma; desconhecer as necessidades que são indicadas pela própria Natureza é desconhecer a lei de Deus. Não o castigueis pelas faltas que o vosso livre-arbítrio fê-lo cometer, e das quais ele é tão irresponsável como o é o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa..." (Cap. 17, Item 11)

Ele se densificou moldado por nossos pensamentos, obras e crenças mais íntimas. Extensão da própria alma, ele é a parte materializada de nós mesmos e que nos serve de conexão com a vida terrena.

Há quem o despreze, dizendo que todas as tentações e desastres morais provêm de suas estruturas intrínsecas, e o culpe pelas quedas de ordem sexual e pelos transtornos afetivos, esquecendo-se de que ele apenas expressa a nossa vida mental.

Foi considerado, particularmente na Idade Média, como o próprio instrumento do demônio, que impunha à alma, nele encarcerada, o cometimento dos maiores desatinos e desastres morais.

Se cuidado e bem tratado, era isto atribuído aos vaidosos e concupiscentes; se macerado e flagelado, era motivo de regozijo dos tementes a Deus e cultivadores da candidatura ao reino dos céus.

Essas crenças neuróticas do passado afiançavam que, quanto maiores as cinzas que o cobrissem e quanto mais agudas as dores que o afligissem, mais alto o espírito se sublimaria, alcançando assim os píncaros da evolução.

Porém, não é propriamente nosso corpo o responsável pelas intenções, emoções e sentimentos que ressoam em nossos atos e atitudes, mas nós mesmos, almas em processo de aprendizagem e educação.

Nossos pensamentos determinam nossa vida e, consequentemente, são eles que modelam nosso corpo. Portanto, somos nós, fisicamente, o produto do nosso eu espiritual.

A crença em anjos rebeldes destinados eternamente a induzir as almas a pecar, tira-nos a responsabilidade pelas próprias ações, e ficamos temporariamente na ilusão de que os outros é que comandam nossos feitos, atuações e inclinações, e não nós mesmos, os verdadeiros dirigentes de nosso destino.

Corpo e alma unidos a serviço da evolução, eis o que determina a Natureza. Nosso físico não é apenas um veículo usável, mas também a parte mais densa da alma.

Não o separaremos, pois, de nós mesmos, porque, apesar de sua matéria ficar na Terra no processo da morte física, é nele que avaliamos as sensações do abraço de mãe, do ósculo afetivo e das mãos carinhosas dos amigos.

Através dele é que podemos identificar angústias e aflições, que são bússolas a nos indicar que, ou quando, devemos mudar nossa maneira de agir e pensar, para que possamos percorrer caminhos mais adequados do que os que vivemos no momento.

A lei divina não nos pede sofrimento para que cresçamos e evoluamos; pede-nos somente que amemos cada vez mais. Cuidemos, pois, de nosso corpo e o aceitemos plenamente. Ele é o instrumento divino que Deus nos concede para que possamos aprender e amar cada vez mais.


Hammed










domingo, 30 de novembro de 2025

Hammed - Livro Estamos Prontos: Reflexões Sobre o Desenvolvimento do Espírito Através Dos Tempos - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 1 - Solidariedade e Bondade



Hammed - Livro Estamos Prontos: Reflexões Sobre o Desenvolvimento do Espírito Através Dos Tempos - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 1


Solidariedade e Bondade


(…) Vemos em Deus a essência virtual que sustenta o mundo em cada uma de suas partes microscópicas, daí resultando ser o mundo como que por Ele banhado, embebido em todas as suas partes, e que Deus está presente na composição mesma de cada corpo. (…) — Camille Flammarion (Deus na Natureza - FEB.)

Nossa forma de entender o mundo interfere em nossa visão de Deus, assim como a maneira de concebermos Deus influi na visão de nós mesmos. Os limites da consciência são as divisas do nosso mundo; só há mudança para melhor quando se enxerga, com clareza, por cima das fronteiras físicas.

Isaac Newton e René Descartes cedem lugar a Albert Einstein, e a chegada da astrofísica e da física quântica obriga-nos a encarar o Universo de modo diferente e, pelas mesmas razões, a ideia da Divindade.

“Não há efeito sem causa – disse Allan Kardec – e todo efeito inteligente tem forçosamente uma causa Inteligente.” Ora, se Deus é a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas, Ele transcende a natureza física de tudo quanto existe, ou seja, Deus, como Criador, está presente nas Suas obras, através de Suas leis, que representam a ligação do todo existente com Sua potencialidade divinal. As leis da evolução e de causa e efeito explicam a Sua imanência – o que está inseparavelmente contido no âmago dos seres.

Deus é inerente, quer dizer, Ele está em tudo e tudo está n'Ele, mas tudo não é Deus. Deus está em todas as criaturas e criações, mas é distinto, não Se confunde com nenhuma delas. Os indivíduos e todos os seres inanimados do Universo não são Deus, mas não estão separados d'Ele.

Pananteísmo significa “Deus Se revela em tudo”; existe no imo de todas as coisas, existe acima de tudo e além de tudo. Entretanto é necessário não confundirmos panteísmo com pananteísmo. No panteísmo, diz-se que todas as coisas são Deus; no pananteísmo, que Deus tem presença marcante em tudo. Corroborando esse conceito, disse Paulo de Tarso (Atos, 17:28.): “N'Ele vivemos, movemo-nos e existimos”.

Os Benfeitores Espirituais disseram a Kardec que a ideia de Deus é intrínseca aos povos primitivos, uma espécie de sentimento inato(1) impresso no espírito, que não foi imposto pela educação, ou seja, pelas tradições nem pelos valores intelectuais, morais e religiosos. Essa noção faz parte do sentimento natural, bem como outras tantas riquezas e bens de cunho imortalista, que estão gravadas no imo da humanidade.

A presença de Deus constitui a essência que não se restringe unicamente à consciência humana, mas se estende a toda a Natureza. O Espiritismo elucida-nos a ideia de Deus, apresentando-a com todo o seu poder de esclarecimento, de modo simples e preciso, retirando o véu que cobre a transcendência divina e colocando-a sob a luz do bom senso e da razão, dos princípios lógicos e da fé raciocinada.

Parafraseando as afirmativas de Frans de Waal a respeito da solidariedade no mundo animal, escrevemos: o sentimento de acolhimento, cujo intuito é socorrer e ajudar, faz parte da nossa herança primata, mas os seres humanos têm imensa resistência em admitir que essas boas qualidades são parte da evolução filogenética de todo o reino animal. Quando indivíduos cometem genocídio – destruição de populações ou povos –, nós os chamamos de “animalizados”; mas, quando são solidários e bondosos, nós os elogiamos por serem “humanitários”.

Em 16 de agosto de 1996 (2), uma fêmea de gorila de oito anos, denominada Binti Jua, resgatou uma criança de três, que subiu em uma grade e caiu a uma altura de aproximados seis metros, dentro da jaula dos primatas. Funcionários agiram quase que de imediato, mas foi Binti que reagiu prontamente, levantou o menino, embalando-o com o braço direito, e o carregou para um lugar seguro.

Sentou-se em um tronco à beira d’água com a criança inconsciente no colo, afagou-o delicadamente com as costas da mão, deu-lhe umas pancadinhas nas costas e carregou-o por dezoito metros até uma entrada de acesso, para que o pessoal do zoológico, que já estava à espera, pudesse socorrê-lo. Esse gesto amoroso de solidariedade, gravado em vídeo e exibido para o mundo inteiro, sensibilizou muitos corações, e constatou a possibilidade de haver humanidade nos primatas não humanos. Binti Jua foi aclamada heroína e tida como um modelo de compaixão. 

Ser solidário implica, em primeiro lugar, o respeito à dignidade individual. A solidariedade tem como intuito socorrer e confortar a outrem em suas dificuldades e colaborar, de modo efetivo, para uma vida melhor no meio social em que se vive. Ela é sempre mais verdadeira quando praticada de modo espontâneo ou com quem nem mesmo se conhece.

Constata-se hoje que certos traços, antes considerados exclusivamente humanos, são também encontrados em outros primatas. Solidarizar-se é tão frequente na Natureza quanto o comportamento belicoso.

A regra áurea do Novo Testamento – não fazer aos outros o que não desejamos que nos façam – é um exemplo de solidariedade; é uma característica inerente à raça humana, uma importante qualidade para fortalecer relações interpessoais.

O objetivo do ato solidário não é somente o de dar alguma coisa, por assim dizer, mas também o de doar-se; acolhendo, ouvindo, dialogando, ajudando na mais profunda dor ou necessidade de uma pessoa.

Não queremos dizer que, para sermos solidários e bondosos, devemos comungar de modo absoluto com os pontos de vista alheios; sobretudo, isso significa que devemos estar dispostos a tentar compreendê-los e respeitá-los. Não devemos supor que pensem do mesmo modo nosso. Só haverá real solidariedade quando alcançarmos uma forma de sair de nós mesmos e avaliar como cada individualidade vê o mundo com seus próprios olhos. As experiências de vida de outra pessoa são válidas para quem as experienciou e, mesmo que contestem as nossas, devemos levá-las em consideração.

Solidariedade não é uma “fidelidade exagerada” ou “devoção patológica” com relação a pessoas, ideias e causas.

Comportamentos de “atendimento extremado”, “delicadeza excessiva” e “constantes atitudes obsequiosas” podem revelar traços de uma necessidade doentia de reconhecimento e aceitação, a fim de receber, por exemplo, segurança ou proteção.

Quando a solidariedade se torna um hábito e deixamos de empolgar-nos pelo julgamento precipitado, nossa capacidade de amar amplia-se.

Segundo George Bernard Shaw, dramaturgo, romancista e jornalista irlandês, “o pior pecado que cometemos com nossos semelhantes não é odiá-los, mas sermos indiferentes a eles. Essa é a essência da desumanidade”. O maior presente que podemos oferecer ao mundo é a total atenção à existência das criaturas. Vivemos hoje uma espécie de cegueira pública.

Criamos uma sociedade que não enxerga “os invisíveis”, ou antes, os servidores subalternos, os quais deixam de ser notados como pessoas e passam a ser tratados como coisas transparentes.

Existem só uniformes, utensílios e ferramentas; sua individualidade é por completo ignorada e, mais do que isso, a própria natureza humana desses indivíduos deixa de ser admitida e reconhecida.

Compartilhamos com a humanidade jornadas diárias e a nossa destinação mais completa se resume em dar atenção, compartilhar e compreender. São essas ações que, desenvolvidas, poderão resultar em qualidades, as quais serão via de mão dupla, ou seja, diretamente proporcionais à solidariedade que dedicarmos a nossos semelhantes.

Cada instante de nossa existência nos faculta experiências indispensáveis para o desenvolvimento de nossas qualidades inatas.

Precisamos sair do “pecado da indiferença”, que tem como cerne a “essência da desumanidade”; não devemos nos afastar da presença uns dos outros, das contribuições e até mesmo das vicissitudes, dos altos e baixos que todos enfrentamos. Sendo solidários e bondosos avançamos tanto em conjunto como individualmente.


Hammed










(1) O Livro dos Espíritos / Questão 652 – Pode-se considerar a adoração como tendo sua origem na lei natural?

– "Ela está na lei natural, uma vez que é o resultado de um sentimento inato no homem. Por isso, ela se encontra em todos os povos, ainda que sob formas diferentes."

(2) Frans de Waal, Eu, Primata - Por Que Somos Como Somos/Cia das Letras.


quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espirito Santo Neto - Cap. 51 - Perfeição versus perfeccionismo



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espirito Santo Neto - Cap. 51


Perfeição versus perfeccionismo


“... Se unicamente saudardes os vossos irmãos, que fazeis com isso mais do que outros? Não fazem o mesmo os pagãos? — Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial....” — Mateus, 5:44-48 (E.S.E. - Cap. 17, item 1.)

As tendências ao perfeccionismo têm raízes profundas e escondidas revelando, às vezes, um grande medo indefinido e oculto. A diferença principal entre um indivíduo saudável e o perfeccionista é que o primeiro controla sua própria vida, enquanto o segundo é controlado sistematicamente por sua compulsão pertinaz.

Trazemos como somatório de múltiplas existências crenças negativas de que nosso valor é medido por nossos desempenhos bem-sucedidos e que os erros nos rebaixariam o merecimento como pessoa. Daí as emoções desconexas de medo, de desagrado e de punição. Como exemplo, pensamos inconscientemente que, se formos imperfeitos e falhos, as pessoas não vão mais confiar em nós, ou jamais teremos sucesso na vida, O transtorno dos perfeccionistas é não se aceitarem como espíritos falíveis, não aceitando também os outros nessa mesma condição, tentando assim agradar a todos e lhes corresponder às expectativas.

Às vezes os perfeccionistas podem até pensar, mas não admitem: “se eu fracassar, vão me criticar”; em outras ocasiões, insistem em dizer que “não pensam assim”, demonstrando, porém, o contrário, pois ficam profundamente descontrolados quando cometem algum erro.

Cenas fixações pelo desempenho perfeito são necessidades de aprovação e carinho que nasceram durante a infância: “Se você não fizer tudo certinho, a mamãe e o papai não vão gostar mais de você”. São vozes do passado que ecoam até hoje nas mentes perfeccionistas.

Esses distúrbios de comportamento levam, em muitas situações, os indivíduos a uma lentidão superlativa para fazer as coisas. Querem fazer tudo com tantos detalhes e precisão que nunca acabam o que estão fazendo. Outros são conhecidos pelo nome de proteladores, ou seja, adiam sistematicamente a ação, por temer um desempenho imperfeito. Por exemplo, se começam a apontar um lápis, levam o objeto à destruição em alguns minutos, pela busca milimétrica da perfeição. Outros sintomas ou sinais mais comuns: certas pessoas são obcecadas em dispor as coisas simetricamente, de modo que não fiquem um centímetro fora do lugar. Quanto mais verificam, mais querem checar e mais têm dúvidas.

Os perfeccionistas necessitam ser impecáveis, respondem a todas as perguntas, mesmo àquelas que não sabem corretamente. Por possuírem desordens psíquicas, buscam incessantemente controlar a ordem exterior, vigiando os comportamentos alheios como verdadeiros juízes da moral e dos costumes.

Por não admitirmos o erro e por não percebermos que o único fracasso legítimo é aquele com o qual nada aprendemos, é que os conceitos de perfeição doentia perturbam constantemente nossa zona mental. Por isso, o erro não deve ser considerado como perda definitiva, mas apenas uma experiência de aprendizagem.

‘‘Sede pois, vós outros, perfeitos, como vosso Pai Celestial é perfeito’’ - disse-nos Jesus Cristo. Entretanto, não nos conclama com essa assertiva para que tomemos “ares” de perfeição presunçosa, e sim que nos esforcemos para um crescimento gradual no processo da vida, que nos dará oportunamente habilidades cada vez maiores e melhores.

Somos todos convocados pelo Mestre ao exercício do aperfeiçoamento, mas contemos com o tempo e a prática como fatores essenciais, esquecendo a perfeição doentia, atrelada a uma “determinação martirizante e desgastante, que nos faz despender enorme carga energética para manter uma aparência irrepreensível.

Repensemos o texto cristão, refletindo se estamos buscando o crescimento rumo à perfeição, ou se estamos simulando possuir uma santidade que não suporta sequer o toque da menor contrariedade.


Hammed













domingo, 16 de novembro de 2025

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 36 - Imposições



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 36


Imposições


“... Não é o que entra na boca que macula o homem; o que sai da boca do homem é que o macula. — O que sai da boca procede do coração e é o que torna impuro o homem...”
 “... mas comer sem ter lavado as mãos não é o que torna um homem impuro...” (Capítulo 8, item 8.)

Os costumes de uma época refletem de tal maneira sobre os indivíduos que eles passam a vê-los primeiramente como “normas sociais”, depois como “valores morais”, culminando finalmente como “ordens divinas”.

A liberdade de pensar e agir é um dos direitos mais sagrados do homem e, portanto, asas poderosas para o seu adiantamento espiritual. Liberdade da qual ele nunca deverá abrir mão, em hipótese alguma. Pessoas amarradas por normas opressoras mal podem respirar o ar de suas próprias ideias e mal podem se locomover para o crescimento interior, porque aspirações são anuladas, gestos são vigiados, anseios são negados constantemente.

“Não é o que entra na boca que enlameia o homem, mas o que sai da boca do homem.” – adverte Jesus de Nazaré às criaturas de seu tempo, que se apegaram às práticas e regulamentos preestabelecidos pelos homens e dos quais eles mesmos, por serem pessoas ortodoxas e intolerantes, faziam “casos de consciência”.

Os judeus, por confundirem frequentemente leis divinas com leis civis, atribuíam ao costume de lavar as mãos antes das refeições, à circuncisão, às questões do sábado e a outras tantas situações sociais, motivos geradores de polêmicas religiosas, porque se prestavam mais às práticas exteriores do que aos verdadeiros anseios de renovação das almas.

As pessoas de bem, no início do século, declaravam que os senhores dignos e respeitáveis deveriam somente sair à rua de chapéu, paletó e gravata, bem como, as honradas senhoras, de forma alguma, andariam desacompanhadas da família, devendo vestir também toda uma “toalete” impecável com imprescindíveis luvas, chapéus, leques e lenços perfumados, como elementos de “bem se compor” das elites da época.

No tempo de Jesus não poderia ser diferente. Ele, vivendo entre criaturas radicais, fanáticas pelas crenças religiosas do passado, que cultuavam “normas” e “regras” dadas pelos antigos profetas, haveria de não ser compreendido por sua postura de relacionamento livre de preconceitos e por ensinar sempre novos aspectos de ver e sentir a vida.

O Mestre tinha “senso de alma”, ou seja, bom senso, porque usava sua sensibilidade e lógica para orientar a si mesmo e aos outros que lhe escutavam as lições de sabedoria, pois era contrário à superstição e à hipocrisia dos que “honravam com os lábios, mas não com o coração”.

O que é moral ou imoral é relativo, em se tratando de costumes e regras sociais, porque em cada tempo, em cada era e em cada povo mudam-se as leis sociais, mudam-se os valores, mudam-se a moral social.

No entanto, a moral à qual se reportava o Cristo de Deus não era aquela estabelecida pelos padrões imperfeitos do conhecimento humano, nem a que faz comparações do que é adequado ou inadequado, nem a que faz estatística e rotula coisas e pessoas. Entende-se que nossa alma tem sua própria história de vida, que somos totalmente individualizados por termos sido expostos a diversos estímulos e experiências diferentes ao longo da nossa jornada, na multiplicidade das vidas, e, portanto, devemos ser vistos de conformidade com a nossa vida interior.

Ele sabia que grande parte dos nossos sofrimentos ou conflitos internos provinha do fato de nos considerarmos errados, por não estarmos dentro dos moldes convencionados pela sociedade em que vivemos.

Matar será sempre imoral perante as Leis Divinas, apesar de que, dentro dos padrões da “moral social”, matar na guerra é motivo de condecorações com medalhas e honrarias.

Dessa forma, analisemos, raciocinando com discernimento: a que moral nós estamos nos prendendo? A das leis passageiras da elite de uma época, ou a das leis eternas e verdadeiras de todos os tempos?

Pesquisemos atentamente os alicerces de nossa conduta moral. Eles podem ser os frutos de nossa dor, por permanecermos presos ao conflito de “lavarmos ou não as mãos”; ou podem ser as raízes de nossa felicidade, por seguirmos Jesus escutando a voz do nosso coração.


Hammed