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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 12 - Educação no lar



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 12


Educação no lar


“Vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai.” — JESUS. (João, 8:38)

Preconiza-se na atualidade do mundo uma educação pela liberdade plena dos instintos do homem, olvidando-se, pouco a pouco, os antigos ensinamentos quanto à formação do caráter no lar; a coletividade, porém, cedo ou tarde, será compelida a reajustar seus propósitos.

Os pais humanos têm de ser os primeiros mentores da criatura. De sua missão amorosa, decorre a organização do ambiente justo. Meios corrompidos significam maus pais entre os que, a peso de longos sacrifícios, conseguem manter, na invigilância coletiva, a segurança possível contra a desordem ameaçadora.

A tarefa doméstica nunca será uma válvula para gozos improdutivos, porque constitui trabalho e cooperação com Deus. O homem ou a mulher que desejam ao mesmo tempo ser pais e gozadores da vida terrestre, estão cegos e terminarão seus loucos esforços, espiritualmente falando, na vala comum da inutilidade.

Debalde se improvisarão sociólogos para substituir a educação no lar por sucedâneos abstrusos que envenenam a alma. Só um espírito que haja compreendido a paternidade de Deus, acima de tudo, consegue escapar à lei pela qual os filhos sempre imitarão os pais, ainda quando estes sejam perversos.

Ouçamos a palavra do Cristo e, se tendes filhos na Terra, guardai a declaração do Mestre, como advertência.


Emmanuel









segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 131 - Diante do conformismo



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 131


Diante do conformismo

 
“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” — PAULO (Romanos, 12:2)


Há conformação e conformismo.

Conformismo é o sistema de ajustar-se alguém a todas as circunstâncias.

Conformação é a submissão voluntária e serena da pessoa às aperturas da vida.

Existem, por isso, diante de Jesus, os discípulos conformados e conformistas.

Os conformados são fiéis às disciplinas que o Mestre lhes aconselha.

Os conformistas, porém, adaptam-se, mecanicamente, às convenções e ilusões que lubrificam os mecanismos das conveniências humanas.

Confessam respeito ao Cristo, mas não hesitam no desacato aos ensinamentos dele, quando se trate de preservar o conforto material excessivo em que se amolecem.

Dizem que Jesus é a única estrada para a regeneração do mundo; no entanto, esposam qualquer expediente da maioria em que a astúcia ou a clandestinidade lhes favoreçam o interesse individual.

Adotam exterior irrepreensível nos templos, e diretrizes inconfessáveis no intercâmbio com o próximo.

Distinguem-se na rua pela cortesia e pelas frases ponderosas, e andam, em casa, destemperados e agressivos, à maneira de furacões pensantes.

Entendamos, desse modo, o sábio apontamento do apóstolo Paulo, aprendendo a suportar com paciência os enganos do mundo, sem nos acomodarmos com eles, certos de que é preciso manter indefectível lealdade à aplicação dos preceitos evangélicos a fim de que se nos renove o entendimento. 

Apenas abraçando semelhante orientação básica, ser-nos-á possível desintegrar as escamas do egoísmo cronificado em que respiramos, há séculos, para compreender os desígnios de Deus, na construção de nossa felicidade.


Emmanuel









(Reformador, março de 1963, p. 52)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Emmanuel - Livro Confia e Segue - Chico Xavier - Cap. 6 - Com Jesus



Emmanuel - Livro Confia e Segue - Chico Xavier - Cap. 6


Com Jesus


Com Jesus, a vida adquire novo sentido.

A dificuldade se faz bênção.

Dor é alegria.

Tristeza é a véspera da consolação.

A luta construtiva produz a tranquilidade da consciência.

Trabalho é condição de felicidade.

A sombra é a fonte da luz.

A lágrima é pérola do sentimento.

Desprendimento é o caminho da posse verdadeira.

Renúncia é aquisição.

Sacrifício é a estrada para as alturas.

É por isso que o Natal, em qualquer parte, unindo as criaturas na mesma faixa de compreensão e solidariedade humana, será sempre a estrela do amor e da esperança em cada coração.


Emmanuel








Nota — Esta página foi psicografada em reunião pública do “Centro Espírita Jesus Gonçalves”, na Colônia Santa Marta, adjacências de Goiânia, capital do Estado de Goiás, em 14 de dezembro de 1982.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 148 - Ceifeiros



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 148


Ceifeiros


“Então disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros.” — (MATEUS, 9.37)


O ensinamento aqui não se refere à colheita espiritual dos grandes períodos de renovação no tempo, mas sim à seara de consolações que o Evangelho envolve em si mesmo.

Naquela hora permanecia em torno do Mestre a turba de corações desalentados e errantes que, segundo a narrativa de Mateus, se assemelhava a rebanho sem pastor. Eram fisionomias acabrunhadas e olhos súplices em penoso abatimento.

Foi então que Jesus ergueu o símbolo da seara realmente grande, ladeada porém de raros ceifeiros.

É que o Evangelho permanece no mundo por bendita messe celestial destinada a enriquecer o espírito humano, entretanto, a percentagem de criaturas dispostas ao trabalho da ceifa é muito reduzida. 

A maioria aguarda o trigo beneficiado ou o pão completo para a alimentação própria. 

Raríssimos são aqueles que enfrentam os temporais, o rigor do trabalho e as perigosas surpresas que o esforço de colher reclama do trabalhador devotado e fiel.

Em razão disto, a multidão dos desesperados e desiludidos continua passando no mundo, em fileira crescente, através dos séculos.

Os abnegados operários do Cristo prosseguem onerados em virtude de tantos famintos que cercam a seara, sem a precisa coragem de buscarem por si o alimento da vida eterna. E esse quadro persistirá na Terra, até que os bons consumidores aprendam a ser também bons ceifeiros.


Emmanuel











sexta-feira, 9 de maio de 2025

Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 27 - Aflição e tranquilidade



Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 27  


Aflição e tranquilidade


“Bem-aventurados os que choram… — JESUS (Mateus, 5:5)


“Bem-aventurados os que choram”, — disse-nos o Senhor — contudo, é importante lembrar que, se existe aflição gerando tranquilidade, há muita tranquilidade gerando aflição.

No limiar do berço pede a alma dificuldades e chagas, amargores e cicatrizes, entretanto, recapitulando de novo as próprias experiências no Plano Físico, torna à concha obscura do egoísmo e da vaidade, enquistando-se na mentira e na delinquência.

Aprendiz recusando a lição ou doente abominando o remédio, em quase todas as circunstâncias, o homem persegue a fuga que lhe adiará indefinidamente as realizações planejadas.

É por isso que na escola da luta vulgar vemos tantas criaturas em trincheiras de ouro, cavando abismos de insânia e flagelação, nos quais se despenham, além do campo material, e tantas inteligências primorosas engodadas na auréola fugaz do poder humano, erguendo para si próprias masmorras de pranto e envilecimento, que as esperam, inflexíveis, transposto o limite traçado na morte.

E é ainda por essa razão que vemos tantos lares, fugindo à bênção do trabalho e do sacrifício, à feição de oásis sedutores de imaginária alegria para se converterem amanhã em cubículos de desespero e desilusão, aprisionando os descuidados companheiros que os povoam em teias de loucura e desequilíbrio, na Vida Espiritual.

Valoriza a aflição de hoje, aprendendo com ela a crescer para o bem, que nos burila para a união com Deus, porque o Mestre que te propões a escutar e seguir, ao invés de facilidades no imediatismo da Terra, preferiu, para ensinar-nos a verdadeira ascensão, a humildade da Manjedoura, o imposto constante do serviço aos necessitados, a incompreensão dos contemporâneos, a indiferença dos corações mais queridos e o supremo testemunho do amor em plena cruz da morte.


Emmanuel










Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

sexta-feira, 12 de abril de 2024

Emmanuel - Livro Inspiração - Chico Xavier - Cap. 2 - Página de coragem




Emmanuel - Livro Inspiração - Chico Xavier - Cap. 2


Página de coragem 


Tempo de provação — horas de resistência. Não esmoreças.

Terás tido lutas ou estarás dentro delas, qual ocorre a tantos outros companheiros.

Observas lares numerosos em dificuldade para assegurar a própria sobrevivência.

Notaste almas queridas em processo de desvinculação violenta.

Acompanhaste a desencarnação imprevista de pessoas amadas.

Por outro lado, encontras novas telas de sofrimento como sejam:

acidentes de resultados amargos;

moléstias obscuras;

milhares de criaturas em fuga para as drogas de excitação ou de inércia;

experiências estranhas;

desajustes psicológicos.

Entretanto, não te deixes abater e caminha para diante.

Resiste aos movimentos que tendam a desfibrar-te a coragem e mantém-te de pé na tarefa a que a vida te buscou.

Recorda que tudo se altera para o bem.

Obstáculos são, por si, movimentos de renovação e progresso.

O que possa parecer fracasso ou desencanto é preparação de um mundo novo. Ninguém retrocede.

Sem problemas, não há lições e, sem lições, a evolução não partiria da estaca zero.

Não há corações transviados e sim companheiros em transformação.

Hoje será sempre o dia de se realizar o melhor.

Ninguém nasceu para tristeza ou desânimo.

Não existem criaturas que o trabalho não melhore.

Não conseguimos modificar os outros, mas ser-nos-á sempre possível renovar a nós mesmos.

A esperança é uma luz que não se apaga.

Ninguém retrocede, todos prosseguimos no encalço de uma Terra melhor.

Estejamos convencidos de que nunca é tarde para que alguém seja feliz e que o Reino de Deus está dentro de nós. E com semelhante luz no coração ser-nos-á sempre possível esquecer quaisquer provações e quaisquer agravos  vencê-las, situando-nos, desde agora, a caminho da Vida Superior.


Emmanuel
















sábado, 20 de agosto de 2022

Emmanuel - Livro Alvorada do Reino - Chico Xavier - Cap. 13 - Piedade em casa



Emmanuel - Livro Alvorada do Reino - Chico Xavier - Cap. 13


Piedade em casa


Não aguardes as ocorrências da dor para desabotoares a flor da piedade no coração.

Sê afável com os teus, sê gentil em casa, sê generoso onde estiveres.

No lar, encontrarás múltiplas ocasiões, cada dia, para o cultivo da celeste virtude.

Tolera, com calma silenciosa, a cólera daqueles que vivem sob o teto que te agasalha.

Não pronuncies frases de acusação contra o parente que se ausentou por algumas horas.

Não te irrites contra o irmão enganado pela vaidade ou pelo orgulho que se transviou nos vastos despenhadeiros da ilusão.

Na tarefa de esposo, desculpa a fraqueza ou a exasperação da companheira, nos dias cinzentos da incompreensão; e, no ministério da esposa, aprende a perdoar as faltas do companheiro e a esquecê-las, a fim de que ele se fortaleça no crescimento do bem.

Se és pai ou mãe, compadece-te de teus filhos, quando estejam dominados pela indisciplina ou pela cegueira; e, se és filho ou filha, ajuda aos pais, quando sofram nos excessos de rigorismo ou na intemperança mental.

Compreende o irmão que errou e ajuda-o para que não se faça pior, e capacita-te de que toda revolta nasce da ignorância para que as tuas horas no lar e no mundo sejam forças de fraternidade e de auxílio.

Quando estiveres à beira da impaciência ou da ira, perdoa setenta vezes sete vezes e adota o silêncio por gênio guardião de tua própria paz.

Compadece-te sempre.

Se tudo é desespero e conturbação, onde te encontras, compadece-te ainda, ampara e espera, sem reclamar.

Guarda a piedade, entre as bênçãos do trabalho.

Habituemo-nos a ignorar todo o mal, fazendo todo o bem ao nosso alcance.

A piedade do Senhor, nas grandes crises da vida, transformou-se em perdão com bondade e em ressurreição com serviço incessante pelo soerguimento do mundo inteiro.


Emmanuel












Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

terça-feira, 14 de junho de 2022

André Luiz - Livro Busca e Acharás - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier - Cap. 35 - Corte isso



André Luiz - Livro Busca e Acharás - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier - Cap. 35


Corte isso


A existência na Terra é comparável a um filme que você está protagonizando.

O diretor e o intérprete se conjugam em você mesmo, porque a objetiva da livre escolha jaz em suas mãos, tanto quanto as imagens da película são arquitetadas por seus próprios pensamentos.

Atenda aos seus encargos, tão bem quanto lhe seja possível.

Muitos episódios e trechos inconvenientes podem ser evitados para que se lhe destaque a excelência do trabalho:

lembranças amargas;

ideias de vingança;

ressentimentos;

desilusões;

prejuízos e fracassos;

doenças e tristezas;

irritação e azedume;

condenação e queixa;

cólera e impaciência;

reclamações…

Quando qualquer desses lances vier a surgir em seu caminho ou em sua imaginação, corte isso.

Converta a sombra em luz, na vivência da esperança e do bem. 7 E arrede de você tudo o que lhe possa tisnar a tranquilidade, porque em futuro próximo ou menos próximo, o seu filme estará na tela da verdade e as suas escolhas vão passar.


André Luiz











segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Emmanuel - Livro Inspiração - Chico Xavier - Cap. 2 - Página de coragem




Emmanuel - Livro Inspiração - Chico Xavier - Cap. 2


Página de coragem 


Tempo de provação — horas de resistência. Não esmoreças.

Terás tido lutas ou estarás dentro delas, qual ocorre a tantos outros companheiros.

Observas lares numerosos em dificuldade pela [para assegurar a] própria sobrevivência.

Notaste almas queridas em processo de desvinculação violenta.

Acompanhaste a desencarnação imprevista de pessoas amadas.

Por outro lado, encontras novas telas de sofrimento como sejam:

acidentes de resultados amargos;

moléstias obscuras;

milhares de criaturas em fuga para as drogas de excitação ou de inércia;

experiências estranhas;

desajustes psicológicos.

Entretanto, não te deixes abater e caminha para diante.

Resiste aos movimentos que tendam a desfibrar-te a coragem e mantém-te de pé na tarefa a que a vida te buscou.

Recorda que tudo se altera para o bem.

Obstáculos são, por si, movimentos de renovação e progresso.

O que possa parecer fracasso ou desencanto é preparação de um mundo novo. Ninguém retrocede.

Sem problemas, não há lições e, sem lições, a evolução não partiria da estaca zero.

Não há corações transviados e sim companheiros em transformação.

Hoje será sempre o dia de se realizar o melhor.

Ninguém nasceu para tristeza ou desânimo.

Não existem criaturas que o trabalho não melhore.

Não conseguimos modificar os outros, mas ser-nos-á sempre possível renovar a nós mesmos.

A esperança é uma luz que não se apaga.

Ninguém retrocede, todos prosseguimos no encalço de uma Terra melhor.

Estejamos convencidos de que nunca é tarde para que alguém seja feliz e que o Reino de Deus está dentro de nós. E com semelhante luz no coração ser-nos-á sempre possível esquecer quaisquer provações e quaisquer agravos  vencê-las, situando-nos, desde agora, a caminho da Vida Superior.


Emmanuel





segunda-feira, 28 de setembro de 2020

André Luiz - Livro Nos Domínios da Mediunidade - Chico Xavier - Cap. 14 - Em serviço espiritual




André Luiz - Livro Nos Domínios da Mediunidade - Chico Xavier - Cap. 14 


Em serviço espiritual
(Sumário)


Distanciávamo-nos da instituição, quando o marido desencarnado de Dona Celina, cuja presença assinaláramos no decurso da reunião, se aproximou de nós.

Demonstrava conhecer nosso orientador, porque estacou ao nosso lado e exclamou:

— Meu caro Assistente, por obséquio…

Áulus apresentou-nos o novo amigo:

— É o nosso irmão Abelardo Martins. Foi o esposo de nossa cooperadora Celina e vem-se adaptando aos nossos regimes de ação.

Via-se, de pronto, que Abelardo não era uma entidade de escol. As maneiras e a voz traíam-lhe a condição espiritual de criatura ainda profundamente arraigada aos hábitos terrestres.

— Meu caro Assistente — continuou, inquieto —, venho rogar-lhe auxílio em favor de Libório.

O socorro do grupo melhorou-lhe as disposições, mas agora é a mulher que piorou, perseguindo-o…

— Conte conosco — aderiu o orientador, de boa vontade —, contudo, é importante que Celina nos ajude.

E, afagando-lhe os ombros, concluiu:

— Volte à companheira e, tão logo se desligue Celina do corpo, pela influência do sono, traga-a em sua companhia, a fim de que possamos seguir todos juntos. Aguardá-los-emos no jardim próximo.

O interlocutor afastou-se, contente, enquanto penetrávamos enorme praça arborizada.

Detivemo-nos, à espera dos companheiros, e, aproveitando os minutos, Áulus se reportou à solicitação recebida.

Abelardo interessava-se por Libório dos Santos, o primeiro comunicante daquela noite, que víramos amparado, por intermédio de Dona Eugênia.

E, alongando explicações, informou-nos que o esposo de Dona Celina vagueara por muito tempo, em desespero.

Na experiência física, fora um homem temperamental e não se resignara, de imediato, às imposições da morte.

Atrabiliário e voluntarioso, desencarnara muito cedo, em razão dos excessos que lhe minaram a força orgânica.

Tentou, em vão, obsidiar a esposa, cujo concurso reclamava qual se lhe fora simples serva.

Reconhecendo-se incapaz de vampirizá-la, excursionou, alguns anos, no domínio das sombras, entre Espíritos rebelados e irreverentes, até que as orações da companheira, coadjuvadas pela intercessão de muitos amigos, conseguiram demovê-lo.

Curvara-se, enfim, à evidência dos fatos.

Reconheceu a impropriedade da intemperança mental em que se comprazia e, depois de convenientemente preparado pela assistência do grupo de amigos que acabávamos de deixar, foi admitido numa organização socorrista, em que passou a servir como vigilante de irmãos desequilibrados.

Tão logo o Assistente completou a rápida biografia, Hilário considerou, curioso:

— O contato com Abelardo suscita indagações interessantes… Continuará ele, porventura, em comunhão com a esposa?

— Sim — elucidou o orientador —, o amor entre ambos tem profundas raízes no pretérito.

— Apesar da diferença em que se exprimem?

— Por que não? Acaso, o Pai Celestial deixa de amar-nos, não obstante as falhas com que pautamos, ainda, a vida que nos é própria?

— Realmente — concordou meu colega, um tanto desapontado —, este argumento é indiscutível. Entretanto, Abelardo religou-se à mulher?

— Perfeitamente. Nela encontra valioso incentivo ao trabalho de auto-recuperação em que estagia.

— Mas, na posição de Espírito desencarnado, chega a partilhar-lhe o templo doméstico?

— Tanto quanto lhe é possível. Por haver descido consideravelmente à indisciplina e à perturbação, ainda sofre as consequências desagradáveis do desequilíbrio a que se rendeu e, por esse motivo, o lar terreno, com a ternura da esposa, é o maior paraíso que poderá receber por enquanto. Diariamente se entrega ao serviço árduo, na obra assistencial em favor de companheiros ensandecidos, mas descansa, sempre que oportuno, no jardim familiar, ao lado da companheira. Uma vez por semana, acompanha-lhe o culto íntimo de oração, é-lhe firme associado nas tarefas mediúnicas e, todas as noites em que se sentem favorecidos pelas circunstâncias, consagram-se ambos ao trabalho de auxílio aos doentes. Não foram apenas cônjuges, conforme as disposições da carne. São infinitamente amigos e Abelardo agora procura aproveitar o tempo, a benefício do seu reajuste, sonhando receber a esposa com novos títulos de elevação, quando Celina for novamente trazida à pátria espiritual.

— Isso, porém, é comum? A separação dos casais é apenas imaginária?

— Um caso não faz regra — ponderou o Assistente bem-humorado. — Onde não prevalecem as afinidades do sentimento, o matrimônio terrestre é um serviço redentor e nada mais. Na maioria das situações, a morte do corpo somente ratifica uma separação que já existia na experiência vulgar. Nesses casos, o cônjuge que abandona o envoltório físico se retira da prova a que se submeteu, à maneira do devedor que atingiu a paz do resgate. Todavia, quando os laços da alma sobrepairam às emoções da jornada humana, ainda mesmo que surja o segundo casamento para o cônjuge que se demora no mundo, a comunhão espiritual continua, sublime, em doce e constante permuta de vibrações e pensamentos.

Hilário refletiu alguns momentos e conjeturou:

— A travessia pelo túmulo impõe efetivamente ao Espírito singulares modificações… Cada viajor em sua estrada, cada coração com seu problema…

— Bem-aventurados os que se renovam para o bem! — exclamou Áulus, satisfeito. — O verdadeiro amor é a sublimação em marcha, através da renúncia. Quem não puder ceder, a favor da alegria da criatura amada, sem dúvida saberá querer com entusiasmo e carinho, mas não saberá coroar-se com a glória do amor puro. Depois da morte, habitualmente aprendemos, no sacrifício dos próprios sonhos, a ciência de amar, não segundo nossos desejos, mas de conformidade com a Lei do Senhor: mães obrigadas a entregar os filhinhos a provas de que necessitam, pais que se veem compelidos a renovar projetos de proteção à família, esposas constrangidas a entregar os maridos a outras almas irmãs, esposos que são impelidos a aceitar a colaboração das segundas núpcias, no lar de que foram desalojados… Tudo isso encontramos na vizinhança da Terra. A morte é uma intimação ao entendimento fraternal… E quando lhe não aceitamos o desafio, o sofrimento é o nosso quinhão…

E, com largo sorriso, ajuntou:

— Quando o amor não sabe dividir-se, a felicidade não consegue multiplicar-se.

A conversação prosseguia valiosa e animada, quando Abelardo e Celina chegaram até nós.

Vinham reconfortados, felizes.

Em companhia da esposa, o novo amigo parecia mais leve e radiante, como se lhe absorvesse a vitalidade e a alegria.

Notei que Hilário, pela expressão fisionômica, trazia consigo um novo mundo de indagações a exteriorizar.

Contudo, Áulus advertiu:

— Sigamos! É necessário agir com presteza.

A breve tempo, penetramos nebulosa região, dentro da noite.

Os astros desapareceram a nossos olhos.

Tive a impressão de que o piche gaseificado era o elemento preponderante naquele ambiente.

Em derredor, proliferavam soluços e imprecações, mas a pequenina lâmpada que Abelardo agora empunhava, auxiliando-nos, não nos permitia enxergar senão o trilho estreito que nos cabia percorrer.

Findos alguns minutos de marcha, atingimos uma construção mal iluminada, em que vários enfermos se demoravam, sob a assistência de enfermeiros atenciosos.

Entramos.

Áulus explicou que estávamos ali diante de um hospital de emergência, dos muitos que se estendem nas regiões purgatoriais.

Tudo pobreza, necessidade, sofrimento…

— Este é o meu templo atual de trabalho disse-nos Abelardo, orgulhoso de ser ali uma peça importante na máquina de serviço.

O irmão Justino, diretor da instituição, veio até nós e cumprimentou-nos.

Pediu escusas por lhe não ser possível acompanhar-nos. A casa jazia repleta de psicopatas desencarnados e não poderia, dessa forma, deter-se naquele momento.

Deu-nos, porém, permissão para agir com plena liberdade.

A desarmonia era efetivamente tão grande no local que não pude sopitar meu espanto.

Como cogitar de reajuste num meio atormentado quanto aquele?

O Assistente, contudo, amparou-me, aclarando:

— Importa reconhecer que este pouso é um refúgio para desesperados. Segundo a reação que apresentam, são conduzidos, de pronto, a estabelecimentos de recuperação positiva ou regressam às linhas de aflição de que procedem. Aqui apenas atravessam pequeno estágio de recuperação.

Alcançáramos o leito simples em que Libório, de olhar esgazeado, se mostrava distante de qualquer interesse pela nossa presença.

Enxergava-nos, impassível.

Exibia o semblante dos loucos, quando transfigurados por ocultas flagelações.

Um dos guardas veio até nós e comunicou a Abelardo que o doente trazido à internação denotava crescente angústia.

Áulus auscultou-o, paternalmente, e, em seguida, informou:

— O pensamento da irmã encarnada que o nosso amigo vampiriza está presente nele, atormentando-o. Acham-se ambos sintonizados na mesma onda. É um caso de perseguição recíproca. Os benefícios recolhidos no grupo estão agora eclipsados pelas sugestões arremessadas de longe.

— Temos então aqui — aleguei — um símile perfeito do que verificamos comumente na Terra, nos setores da mediunidade torturada. Médiuns existem que, aliviados dos vexames que recebem por parte de entidades inferiores, depressa como que lhes reclamam a presença, religando-se a elas automaticamente, embora o nosso mais sadio propósito de libertá-los.

— Sim — aprovou o orientador —, enquanto não lhes modificamos as disposições espirituais, favorecendo-lhes a criação de novos pensamentos, jazem no regime da escravidão mútua, em que obsessores e obsidiados se nutrem das emanações uns dos outros. Temem a separação, pelos hábitos cristalizados em que se associam, segundo os princípios da afinidade, e daí surgem os impedimentos para a dupla recuperação que lhes desejamos.

O doente fizera-se mais angustiado, mais pálido.

Parecia registrar uma tempestade interior, pavorosa e incoercível.

— Tudo indica a vizinhança da irmã que se lhe apoderou da mente. Nosso companheiro se revela mais dominado, mais aflito…

Mal acabara o orientador de formular o seu prognóstico e a pobre mulher, desligada do corpo físico pela atuação do sono, apareceu à nossa frente, reclamando feroz:

— Libório! Libório! por que te ausentaste? Não me abandones! Regressemos para nossa casa! Atende, atende!…

— Que vemos? — exclamou Hilário, intrigado. — Não será esta a criatura que o serviço desta noite pretende isolar das más influências?

E porque o orientador respondesse de modo afirmativo, meu colega continuou:

— Deus de bondade! mas não está ela interessada no reajustamento da própria saúde? não roga socorro à instituição que frequenta?

— Isso é o que ela julga querer — explicou Áulus, cuidadoso —, entretanto, no íntimo, alimenta-se com os fluidos enfermiços do companheiro desencarnado e apega-se a ele, instintivamente. Milhares de pessoas são assim. Registram doenças de variados matizes e com elas se adaptam para mais segura acomodação com o menor esforço. Dizem-se prejudicadas e inquietas, todavia, quando se lhes subtrai a moléstia de que se fazem portadoras, sentem-se vazias e padecentes, provocando sintomas e impressões com que evocam as enfermidades a se exprimirem, de novo, em diferentes manifestações, auxiliando-as a cultivar a posição de vítimas, na qual se comprazem. Isso acontece na maioria dos fenômenos de obsessão. Encarnados e desencarnados se prendem uns aos outros, sob vigorosa fascinação mútua, até que o centro de vida mental se lhes altere. É por esse motivo que, em muitas ocasiões, as dores maiores são chamadas a funcionar sobre as dores menores, com o objetivo de acordar as almas viciadas nesse gênero de trocas inferiores.

A esse tempo, a recém-chegada conseguira abeirar-se mais intimamente de Libório, que passou a demonstrar visível satisfação. Sorria ele agora à maneira de uma criança contente.

Identificando, porém, a presença de Dona Celina, a infeliz bradou, colérica:

— Quem é esta mulher? dize! dize!…

Nossa abnegada amiga avançou para ela com simplicidade e implorou:

— Minha irmã, acalme-se! Libório está fatigado, enfermo! Ajudemo-lo a repousar!…

A interlocutora não lhe suportou o olhar doce e benigno e, longe de reconhecer a prestimosa médium do grupo a que se associara, enceguecida de ciúme, gritou para o enfermo palavras amargas, que não seria lícito reproduzir, e abandonou o recinto, em desabalada carreira.

Libório mostrou evidente contrariedade. Áulus, contudo, aplicou-lhe passes, restituindo-lhe a calma.

Em seguida, o Assistente nos disse, amorável:

— Como vemos, a Bondade Divina é tão grande que até os nossos sentimentos menos dignos são aproveitados em nossa própria defesa. O despeito da visitante, encontrando Celina junto do enfermo, dar-nos-á tréguas valiosas, de vez que teremos algum tempo para auxiliá-lo nas reflexões necessárias. Quando acordar no corpo carnal, pela manhã, nossa pobre amiga lembrar-se-á vagamente de haver sonhado com Libório, ao lado de uma companheira, pintando um quadro de impressões a seu bel-prazer, porquanto cada mente vê nos outros aquilo que traz em si mesma.

Abelardo estava satisfeito. Acariciava o doente, antevendo-lhe as melhoras.

Hilário, semi-espantado, considerou:

— O que me assombra é reconhecer o serviço incessante por toda a parte. Na vigília e no sono, na vida e na morte…

Respondeu Áulus, sorrindo:

— Sim, a inércia é simplesmente ilusão e a preguiça é fuga que a Lei pune com as aflições da retaguarda.

Mas, nossa tarefa estava agora cumprida. E, por isso, afastamo-nos.

Daí a minutos, despedindo-nos, prometeu o Assistente reecontrar-nos, para a continuidade de nossas observações, na noite seguinte.


André Luiz





ÁUDIO:


Radionovela Nos Domínios da Mediunidade
GRUPO JERICÓ

Capitulo 14 - Em serviço espiritual 




Vemos aqui o caso de um marido temperamental e atrabiliário que cedo desencarnou e a seguir tentou transformar a viúva em serva, não o conseguindo, sendo ela médium vigilante, de excelsas virtudes. Em conseqüência, tal marido estagiou em zonas purgatoriais até reconsiderar suas atitudes. Aí, então, passou a contar com o auxílio da ex-esposa (embora não seja regra, foi-lhe permitido semanalmente se aproximar do antigo lar), onde a acompanha no culto íntimo da oração e nas tarefas mediúnicas.

É citado o "piche gaseificado" que predomina nos ambientes trevosos.

Há proveitosa lição sobre obsessão recíproca entre encarnado e desencarnado.


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Nos Domínios da Mediunidade - Cap. 14 - Em serviço espiritual
Leitura & comentários





sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Emmanuel - Livro Alvorada do Reino - Chico Xavier - Cap. 13 - Piedade em casa




Emmanuel - Livro Alvorada do Reino - Chico Xavier - Cap. 13


Piedade em casa


Não aguardes as ocorrências da dor para desabotoares a flor da piedade no coração.

Sê afável com os teus, sê gentil em casa, sê generoso onde estiveres.

No lar, encontrarás múltiplas ocasiões, cada dia, para o cultivo da celeste virtude.

Tolera, com calma silenciosa, a cólera daqueles que vivem sob o teto que te agasalha.

Não pronuncies frases de acusação contra o parente que se ausentou por algumas horas.

Não te irrites contra o irmão enganado pela vaidade ou pelo orgulho que se transviou nos vastos despenhadeiros da ilusão.

Na tarefa de esposo, desculpa a fraqueza ou a exasperação da companheira, nos dias cinzentos da incompreensão; e, no ministério da esposa, aprende a perdoar as faltas do companheiro e a esquecê-las, a fim de que ele se fortaleça no crescimento do bem.

Se és pai ou mãe, compadece-te de teus filhos, quando estejam dominados pela indisciplina ou pela cegueira; e, se és filho ou filha, ajuda aos pais, quando sofram nos excessos de rigorismo ou na intemperança mental.

Compreende o irmão que errou e ajuda-o para que não se faça pior, e capacita-te de que toda revolta nasce da ignorância para que as tuas horas no lar e no mundo sejam forças de fraternidade e de auxílio.

Quando estiveres à beira da impaciência ou da ira, perdoa setenta vezes sete vezes e adota o silêncio por gênio guardião de tua própria paz.

Compadece-te sempre.

Se tudo é desespero e conturbação, onde te encontras, compadece-te ainda, ampara e espera, sem reclamar.

Guarda a piedade, entre as bênçãos do trabalho.

Habituemo-nos a ignorar todo o mal, fazendo todo o bem ao nosso alcance.

A piedade do Senhor, nas grandes crises da vida, transformou-se em perdão com bondade e em ressurreição com serviço incessante pelo soerguimento do mundo inteiro.


Emmanuel












Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

domingo, 2 de agosto de 2020

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 130 - Na esfera íntima



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 130


Na esfera íntima


“Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons dispensadores da multiforme graça de Deus.” — PEDRO (1 Pedro, 4.10)


A vida é máquina divina da qual todos os seres são peças importantes, e a cooperação é o fator essencial na produção da harmonia e do bem para todos.

Nada existe sem significação. Ninguém é inútil.

Cada criatura recebeu determinado talento da Providência Divina para servir no mundo e para receber do mundo o salário da elevação.

Velho ou moço, com saúde do corpo ou sem ela, recorda que é necessário movimentar o dom que recebeste do Senhor, para avançares na direção da Grande Luz.

Ninguém é tão pobre que nada possa dar de si mesmo. O próprio paralítico, atado ao catre da enfermidade, pode fornecer aos outros a paciência e a calma, em forma de paz e resignação.

Não olvides, pois, o trabalho que o Céu te conferiu e foge à preocupação de interferir na tarefa do próximo, a pretexto de ajudar. Quem cumpre o dever que lhe é próprio, age naturalmente a benefício do equilíbrio geral.

Muitas vezes, acreditando fazer mais corretamente que os outros o serviço que lhes compete, não somos senão agentes de desarmonia e perturbação.

Onde estivermos, atendamos com diligência e nobreza à missão que a vida nos oferece.

Lembra-te de que as horas são as mesmas para todos e de que o tempo é o nosso silencioso e inflexível julgador.

Ontem, hoje e amanhã são três fases do caminho único.

Todo dia é ocasião de semear e colher.

Observemos, assim, a tarefa que nos cabe e recordemos a palavra do Evangelho: — “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons dispensadores da multiforme graça de Deus”, para que a graça de Deus nos enriqueça de novas graças.


Emmanuel







Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano