quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 177 - Suscetibilidade



Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 177


Suscetibilidade


"Médiuns suscetíveis: variedade de médiuns orgulhosos; melindram-se com as críticas das quais suas comunicações podem ser objeto; se irritam com a menor contrariedade, e se mostram o que obtêm é para que sejam admirados, e não para pedir pareceres (...)". (O Livro dos Médiuns – 2ª Parte - cap. XVI, item 196.)


Ressentimento é uma mágoa crônica. Na verdade, a palavra ressentir quer dizer "deixar-se sentir novamente" ou " voltar-se ao sentimento passado". 

As criaturas suscetíveis às ofensas são aquelas que guardam rancor facilmente, remoendo o insulto e intensificando os efeitos debilitantes do ressentimento e da raiva.

Quando estamos melindrados, experimentamos sucessivas vezes o mesmo sofrimento. Isso nos consome energeticamente e debilita nosso corpo físico e/ou o espiritual.

Perdoar é um ato de amor, em que reina a compreensão e a humildade. É um indício do amor a nós mesmos e aos outros. 

No momento em que perdoamos, nos identificamos com nosso próximo; admitimos a nossa falibilidade humana, reconhecendo nossas deficiências e nossa facilidade em errar. 

Perdoamos na medida em que desfazemos a ilusão de que somos perfeitos. Sabemos que nosso grau de conhecimento é resultante de nossa participação e interação nos processos do Universo. Nossas múltiplas existências nos levam gradativamente à autoconscientização de que todas as coisas estão interligadas. Não somos criaturas isoladas, e sim parte de uma complexa rede da Vida. Estamos vivendo juntos, porém em diferentes níveis de amadurecimento e precisamos, todos, de muito perdão durante o processo evolutivo, precisamos perdoar a nós mesmos e aos outros.

Admitir nossas falhas e não se ressentir é uma fórmula poderosa para remover os obstáculos à boa convivência. Não seria tempo de nos libertarmos dos " cárceres" do rancor e da mágoa?

Certamente, parte da nossa dificuldade em pedir desculpas se deve ao problema que temos com a realidade interior. Para chegar ao momento de nos desculparmos, devemos antes ser humildes ou honestos conosco, admitindo as nossas limitações e inadequações de seres espirituais em regime de crescimento e de permuta constante.

A humildade e o perdão caminham juntos. Eles nos levam às trilhas da compreensão dos equívocos e erros existenciais. Aliás, os enganos são oportunidades de aperfeiçoamento e amadurecimento para todos; são experiências para aprendermos a viver melhor.

Costumamos confundir, erroneamente, humildade com servidão, submissão e covardia. Ela é, sobretudo, "a lucidez que nasce das profundezas do Espírito".

A humildade não está relacionada com o nosso aspecto exterior, mas com a maneira como percebemos as pessoas e as circunstâncias. É a habilidade de ver claramente, sem defesas ou distorções, pois nos limpa a visão e nos livra dos falsos valores. 

Com "olhos humildes", entendemos que perdoar é atitude que requer mudança de nossas percepções, quantas vezes forem necessárias. Nossa visão atual é prejudicada pelas percepções do ontem sobre o nosso hoje, visto ficarmos quase sempre presos aos "fatos do passado", permitindo que "lembranças amargas" escureçam o presente, mesmo anos depois de terem ocorrido. "Compreender perdoando" significa que somos capazes de mudar nossas velhas convicções e perceber novas evidências da verdade em nossas atitudes e nas alheias. Dessa forma, ficamos mais flexíveis e menos exigentes para com o comportamento dos outros.

Quem compreende e perdoa possui uma "visão cósmica" da Vida, porque ampliou sua consciência. Ela representa a faculdade de ver as criaturas e a criação como uma coisa só; expressa uma visão de existência estruturada sobre uma concepção de unidade.

Os indivíduos que "melindram-se com as críticas das quais suas comunicações podem ser objeto; se irritam com a menor contrariedade (...)" são considerados dogmáticos, quer dizer, pessoas que rejeitam categoricamente qualquer opinião ou parecer, cultivando um ponto de vista de "certeza absoluta”.

Não temos habilidade de entender tudo de início, precisamos constantemente revisar nossa maneira de ver, a fim de ampliar conceitos. O dogmático não perdoa, porque lhe falta a clareza de visão que a humildade proporciona. Ele não vê o mundo em termos de relação e integração.

Na mediunidade, o dogmatismo pode aparecer como sério obstáculo: o sensitivo que alimenta constantes ressentimentos atrairá indivíduos da sua faixa de simpatia. Assimilamos os recursos mentais daqueles que pensam como nós. 

Guardando melindres e irritação, desorganizaremos os tecidos sutis de nossa alma e intoxicaremos, por conta própria, a vestimenta corpórea.

Para termos sanidade plena, é preciso que nossas energias estejam harmonicamente compensadas. Somos seres essencialmente energéticos.

Assim como uma barra de ferro se imanta quando da proximidade de um imã, da mesma forma uma criatura pode atrair energias conforme seu padrão vibratório.

Na vida não existe fatalidade, apenas sintonia. Não precisamos ser exatamente iguais aos outros, basta termos afinidade para que ocorra o fenômeno de atração magnética.

Perdoar não significa que devemos ser coniventes com os comportamentos impróprios, nem aceitar abusos desrespeito, agressão ou traição, mas é uma nova forma de ver e viver, envolve o compromisso de experimentar em cada situação uma nova maneira de olhar o que está acontecendo, ou como aconteceu, sem interferência das percepções passadas. O perdão surge a partir de uma "visão cósmica" do comportamento humano. "Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos pequeninos, a mim o fizestes".(1) Este pequeno trecho do Evangelho de Mateus desperta excelente reflexão em torno da interdependência da "coletividade universal" - somos unos com todos, cada um de nós faz parte do grandioso espetáculo da Vida Cósmica. 

O ato de perdoar não requer a reabertura de velhas feridas, mas, sim, a sua cura. Transforma-nos em co-criadores da nossa realidade, pois tem relação com a capacidade de escolhermos como reagir às situações de nossa vida.


Hammed








(1) Mateus, 25:40. 



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. I - Lei de adoração - Sacrifícios - Questão 672 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. I - Lei de adoração


Sacrifícios 


672. A oferenda de frutos da terra, feita a Deus, tinha a Seus olhos mais mérito do que o sacrifício dos animais?

“Já vos respondi, declarando que Deus julga segundo a intenção, e que para Ele pouca importância tinha o fato em si. Mais agradável evidentemente era a Deus que Lhe oferecessem frutos da terra, em vez do sangue das vítimas. Como temos dito e sempre repetiremos, a prece proferida do fundo da alma é cem vezes mais agradável a Deus do que todas as oferendas que Lhe possais fazer. Repito que a intenção é tudo, que o fato nada vale.”


Allan Kardec


O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 672 comentada


A oferenda de frutos já é mais um passo que os seres humanos deram na escala do seu progresso. De animais para frutos, sendo que hoje alguns já passaram para as fumaças e preces decoradas, os seres humanos, e mesmos alguns Espíritos, querem agradar a Deus com alguma coisa, por ainda não serem capazes de oferecer a Ele o esforço próprio para melhorarem a sua vida.

A melhor oração que se deve fazer, se já se encontra na condição de senti-la, é o esforço no aprimoramento consciente da alma. Exercitar todos os dias é um trabalho valioso, que faz sorrir os Espíritos elevados.

O homem consciente da verdade reconhece que a Deus não interessa a oferenda de sangue de animais, de homens, ou mesmo de frutos. São Espíritos inferiores que requerem coisas materiais, por estarem ainda ligados à Terra, por processos de paixões inferiores que ainda alimentam.

Infelizmente, ainda se vêem no mundo oferendas grosseiras nos terreiros, onde a cultura espiritualista não existe, sacrificando animais, e os que se dizem instrumentos de Espíritos ignorantes tomando o sangue quente dos irmãos inferiores e ofertando aos mesmos deuses do passado o mesmo líquido rubro dos pobres seres que vêm à nossa retaguarda.

A Doutrina dos Espíritos chegou na hora certa para falar a verdade, e devemos raciocinar sobre a mensagem recebida do mundo espiritual e provar se ela "provém de Deus", no dizer do apóstolo João. Para o homem educado no Evangelho, esse ato que não condiz com o amor deve ficar esquecido. Estamos no carro da evolução que o progresso aciona sempre. Não devemos olhar para trás, para não nos tornarmos pedras. O espírita esclarecido não deve perder tempo com coisas vãs; o dinheiro que se gasta com velas, bebidas fortes, farofas e alguma coisa mais, em oferenda aos Espíritos inferiores, deve-se gastar para alimentar os próprios homens, seus irmãos que passam fome, que se encontram nus e sem teto e que, talvez, sejam até parentes daqueles a quem se está fazendo essas ofertas, que são incompatíveis com os tempos atuais.

Quase sempre notamos que os ofertantes são pessoas que não possuem aquilo que doam; esquecem-se deles, para ofertar e alimentar vícios espirituais. O tempo chegou para nos dizer "basta". Os homens já não são mais crianças; a maturidade é o sinal para se amar a Deus sobre todas as coisas, em Espírito e verdade. Tornamos a repetir que a melhor oferenda a Deus, e mesmos aos guias espirituais que nos circundam, é o amor, é o esforço em adquirir e alimentar as virtudes evangélicas, agradecendo ao Senhor por tudo que recebemos pelos canais de Jesus, em se usando a natureza.

Estamos sendo chamados e escolhidos para a grande guerra, no eterno da intimidade de cada um, luta essa que somente nós mesmos somos capazes de vencer, e as armas para tal desempenho são o amor e a caridade. Somente essa dupla salva, sob as bênçãos de Deus e de Cristo. Acordemos e vamos nas pegadas do Mestre dos mestres, porque Ele é o representante direto de Deus na Terra.


Miramez



Filosofia Espírita - Vol. XIV - João Nunes Maia
Cap. 9 - Oferenda de frutos







Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 95 - Quem nada faz nada tem a perder



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 95


Quem nada faz nada tem a perder


29/08/1951

Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês todos, conferindo-lhes muita paz e alegria no caminho purificador.

Meu caro Rômulo, acompanho-lhe, como sempre, as apreensões e as preocupações. Entendo-lhe as dificuldades e os percalços e rogo ao Senhor — o divino Dispensador da Vida — multiplique as suas forças na resistência construtiva e necessária. Penso que a sua mente vem assinalando as minhas opiniões e pareceres dentro do círculo de suas tarefas e obstáculos, através do “fio silencioso da sintonia espiritual”, entretanto, repito a você, em figurações de lápis, que a experiência no mundo para quem trabalha não pode ser diferente dessa em que você vive na atualidade, com as vigílias da alma, com o suor da fronte, com o movimento dos braços e com os anseios do coração. Aos Espíritos que repousam na ociosidade, semelhantes problemas se ocultam. Quem nada faz nada tem a perder. Quem não planta de certo viverá na “terra de ninguém”, consumindo alheio fruto. Mas quem procura algo criar nos setores do bem cedo é defrontado por toda a espécie de óbices e embaraços.

Enquanto o lavrador confiar a sua gleba a mercenárias mãos dormirá o sono da ignorância ou do esquecimento na esfera das obrigações que desposa, contudo, em se dirigindo pessoalmente ao trabalho em que lhe cabe agir e persistir, conhecerá, de certo, os fenômenos inquietantes do tempo, os desastres da erosão, a invasão das enchentes e o perigo dos vermes que lhe atacam as leiras promissoras. Assim também, meu filho, é a vida. Antigamente era assim. Hoje é a mesma luta. Os conflitos interiores de seu pensamento não constituem novidade.

De alguns milênios para cá sofremos e lutamos com as mesmas recapitulações, a fim de aprendermos que não existe tesouro mais precioso que a paz de uma consciência tranquila, não pela inércia de muitos, mas pela ação incessante no bem. Não julgue que as nossas aflições e anseios sejam problemas inabituais. Conhecemo-los de muito tempo. Muitas vezes já administramos tentando a construção de bens coletivos em escala maior. O trânsito, através das ordenações em casas representativas da lei, com deveres amplamente discriminados à nossa capacidade de realização, é familiar aos nossos espíritos desde muitos séculos. E creia que se estamos repetindo velhos tentames na ordem da prosperidade comum os homens de nosso tempo estão igualmente percorrendo de novo antigos caminhos que lhes pareciam definitivamente abandonados.

Não evitaremos o assédio de todos os matizes, desde que nos disponhamos a avançar no campo do aprimoramento ou da melhoria. A calúnia é uma serpente invisível na estrada de todos os servidores do bem, nas épocas variadas em que assinalamos a própria jornada, e com ela a treva, a maldade, a ingratidão e a má-fé se associam, invariáveis, buscando estabelecer o reinado da sombra entre as criaturas. Isso é natural. Estaríamos no Paraíso se as nossas boas intenções fossem amplamente reconhecidas e os nossos atos corretos plenamente vistos, sentidos e aprovados. Achamo-nos, realmente, na Terra — nossa escola multimilenária —, onde, muitas vezes, temos sido constrangidos a reaprender as mesmas lições. Assim me expresso para dar a você uma ideia de paz e serenidade no seio das lutas íntimas que vamos superando em esforço gradativo.

Não confira a muitos assuntos de nossa batalha mais que a atenção estritamente necessária. Poupe-se, tranquilize-se e sigamos trabalhando. Não convém acender muitas velas para sombras prováveis e, segundo sabemos, os maus são quase sempre as pedras colocadas em nosso caminho para aferirem a nossa capacidade de superação. Edifiquemo-nos dentro do santuário dos nossos deveres bem cumpridos. A Justiça Divina em nossa consciência é o órgão controlador de nossa felicidade. Fortificados pela opinião que o serviço feito nos impõe a favor de nós mesmos, não nos cabe recear quaisquer alterações e modificações suscetíveis de deslocar-nos o bom-ânimo no trabalho afeto à nossa responsabilidade.

Certamente, o homem que atende ao mapa das responsabilidades que lhe dizem respeito não pode movimentar-se com a insegurança e a lentidão de quantos se valem dos princípios legais para escorarem a própria ociosidade. Tal servidor, em muitas ocasiões, deverá extrair de oportunidades do futuro para benefício do presente sacando no amanhã para as exigências do hoje. E, por isso, não raro sofre os mil golpes diários de quantos se abandonam no relaxamento e na improdutividade, padecendo renunciações e sacrifícios que só ele próprio conhece na intimidade do coração, mas outro remédio não existe, por enquanto, no mundo em que evoluímos, porque a maioria prefere a expectação indefinida para confiar-se, depois, à crítica indébita com prejuízos gerais para a administração e para a subalternidade. Assim, pois, resignemo-nos e prossigamos para a frente.

Enquanto nos derem o ensejo de servir atendamos aos abençoados impositivos de nossa missão, ajudando indistintamente, e nesse capítulo, quanto nos seja possível, guardemos paz e confiança, porque a vida, na essência, é do Senhor, que não nos cerra as portas do trabalho e da elevação pela bênção do serviço a todos.

O que vemos hoje é o que víamos ontem. Nossas dores e inquietações no mundo são agora as que nos flagelavam anteriormente. Conformemo-nos, e guardando, acima de tudo, o nosso padrão de movimento pessoal nos deveres que o Céu nos indicou, saibamos evitar as “cristalizações mentais” de angústia, que geram desânimo, medo e sombras. Avancemos com a nossa paz por dentro.

A corrente d’água ininterrupta faz caminhos na rocha. Copiemos certas atitudes da natureza e não duvidemos da Divina Bondade. Em nosso caso particular, lembremos a velha fábula do lobo e do cordeiro. Quando o manancial tem a infelicidade de ser visitado por feras, o perigo é uma realidade para quem se aproxima sem malícia e sem prevenção. A hora, porém, se é de ação, é também de muita fé e calma.

Não permita que a tempestade penetre o aconchego de seu clima interior. Fora de casa pode haver chuva, granizo, gelo e vento forte, mas se acendemos a lareira no reino doméstico, tudo na intimidade é concórdia contra as intempéries. Em nosso coração, poderemos fazer, simbolicamente, o mesmo. A lareira da fé viva pode aquecer-nos se lhe sustentamos o calor com o lenho de nosso esforço e boa vontade. Assim me exprimindo, tenho um objetivo essencial: defender a sua saúde contra quaisquer fatores de anormalidade ou desintegração. Tanto quanto é possível tudo vai bem e só nos cabe, segundo a advertência do apóstolo, “regozijar-nos sempre”.  

Maria, peço a você usar o remédio sem receio. Estamos colaborando em suas melhoras e através de nossas aplicações magnéticas confiamos na ação medicamentosa eficiente. Questão de alguns dias para que você esteja fortalecida e novamente bem disposta. Ao Rômulo, aconselho o Kalmia Latif. e o Chelidonium, em nome do nosso receitista, na viagem próxima, que espero lhe seja pródiga de boas realizações como sempre. O remédio para as coronárias tem produzido excelente efeito. Há venenos que são úteis, na dose e na oportunidade aconselháveis. Com satisfação observo a nossa sementeira com “Jesus no lar”, em renovadas bênçãos. Que o Mestre nos conceda a oportunidade sempre maior de mais fazer, na posição de pequenos e humildes servidores, em seu nome.

Os nossos amigos Mário Telles e Mário Carneiro, presentes, deixam-lhes carinhosa saudação, por meu intermédio. [1] Ambos se dirigem ao Rômulo com otimismo e afirmam que a luta áspera é o tributo que a Terra cobra, implacável, ao bom trabalhador.

A todos vocês os meus votos de muita saúde, paz e bom-ânimo no grande caminho em que se empenham no santificado labor do bem. E reunindo-os em meu abraço de muito afeto, carinho e reconhecimento sou o papai e vovô que não os esquece,


Neio Lúcio
A .Joviano










[1] Nota da organizadora: Relembrando, Mário Telles foi diretor da Divisão de Fomento da Produção Animal do Ministério da Agricultura e Mário Carneiro, um grande amigo da família Joviano.

 

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 103 - Esperar e alcançar



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 103


Esperar e alcançar


“E assim, esperando com paciência, alcançou a promessa.” — PAULO (Hebreus, 6.15)


A esperança de atingir a paz divina, com felicidade inalterável, vibra em todas as criaturas. O anseio dos patriarcas da Antiguidade é análogo ao dos homens modernos.

O lar coroado de bênçãos.

O dever bem cumprido.

A consciência edificada.

O ideal superior convenientemente atendido.

O trabalho vitorioso.

A colheita feliz.

As aspirações da alma são sempre as mesmas em toda parte. Contudo, esperar significa persistir sem cansaço, e alcançar expressa triunfar definitivamente.

Entre o objetivo e a meta, faz-se imperativo o esforço constante e inadiável.

Esperança não é inação. E paciência traduz obstinação pacífica na obra que nos propomos realizar.

Se pretendes materializar os teus propósitos com o Cristo, guarda a fórmula da paciência como a única porta aberta para a vitória.

Há sofrimento em teus sonhos torturados? Incompreensão de muitos em derredor de teus desejos? A ingratidão e a dor te visitam o Espírito?

Não chores perdendo os minutos, nem maldigas a dificuldade. Aguarda as surpresas do tempo, agindo sem precipitação.

Se cada noite é nova sombra, cada dia é nova luz.

Lembra-te de que nem todas as águas se acham no mesmo nível e nem todas as árvores são iguais no tamanho, no crescimento ou na espécie.

Recorda as palavras do apóstolo dos gentios. Esperando com paciência, alcançaremos a promessa.

Não te esqueças de que o êxito seguro não é de quem o assalta, mas sim daquele que sabe agir, perseverar e esperar por ele.


Emmanuel











Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Formas-pensamentos



Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto


Formas-pensamentos


"Mas onde a influência moral do médium se faz realmente sentir é quando este substitui suas idéias pessoais às que os Espíritos se esforçam por lhe sugerir; é então quando haure na sua imaginação as teorias fantásticas que ele próprio crê, de boa-fé, resultar de uma comunicação intuitiva". (O Livro dos Médiuns - 2a Parte - cap. XX, item 230.) 


Herdeiro de milênios, nosso sistema de crenças foi constituído por diferentes formas de pensar e agir, retiradas e acumuladas nas diversas experiências na embarcação das vidas sucessivas. 

Assim considerando, a reencarnação nos induz a uma recapitulação dos velhos modelos e conceitos, a fim de que nos desvencilhemos das crenças negativas rumo aos ciclos mais evoluídos da existência.

Não podemos realizar qualquer estudo dos processos medianímicos sem o estudo da personalidade.

A faculdade humana da imaginação traz a capacidade de criar imagens no plano astral. Essas “formas mentais” não são passivas; ao contrário, agem ativamente em torno de seu criador. Em outras palavras, todas as concepções ou crenças que valorizamos ou damos importância tendem a fixar-se em nossa intimidade e se concretizam, ao longo do tempo, em nossa realidade externa.

Nosso Espírito vive onde se lhe situe o pensamento.

Indiscutivelmente, caminhamos ao influxo de nossas próprias criações, tanto no campo mental quanto na esfera da experiência física.

Pensamentos, ideais, conceitos e autoavaliações, positivos ou negativos, são elementos dinâmicos de indução e influenciam nosso halo mental, formando “realidades energéticas” ou “forma-pensamentos”, que, na realidade, não ficam sepultadas no inconsciente, mas se encontram na borda de nossa aura espiritual.

Somos naturalmente subjugados ou beneficiados pelas nossas próprias criações, segundo as correntes mentais que projetamos.

A durabilidade das "imagens" criadas ficam apenas algumas horas ou durante anos na atmosfera das criaturas ou no ambiente em que foram geradas. Em condições especiais, subsistem ainda mesmo quando a pessoa que as engendrou tenha falecido, pois elas a acompanham na vida além-túmulo.

As "formas-pensamentos positivas" são aquelas que edificamos e alimentamos com informações e ensinamentos úteis e saudáveis para nossa evolução espiritual. São estruturas luminosas, de "configurações etéreas" - estrelas, emblemas ou símbolos veneráveis, multiplicidade de pontos luminosos com as mais cintilantes policromias -, com natureza diferenciada e características próprias. Além de sutilizarem a aura com pesos específicos tênues e qualidades magnéticas aprimoradas, acham-se presentes nas mãos dos curadores, emanam do semblante dos que olham com amor, exalam do sorriso dos indivíduos sinceros e do peito das criaturas carismáticas. Ainda, encontramos essas "estruturas luminosas" nos aposentos ou lugares onde as pessoas oram e meditam, os quais ficam impregnados de um clima de tranquilidade, paz e harmonia. 

Um músico, pintor ou escultor imagina uma futura obra de arte. Seu pensamento cria, com a própria matéria mental, uma imagem real dessa produção artística no plano astral. Basta arquitetar e persistir durante algum tempo e logo se iniciam os primeiros passos para o fenômeno da "ideação" ou da "ideoplastia". O vocábulo ideoplastia quer dizer "matéria mental exteriorizada e plasmada por idéias
repetitivas e intensas"
.
Os indivíduos de sentimentos e pensamentos doentios podem plasmar "estruturas de disformes feições", que os acompanham aos lugares aonde vão.

O orgulho, a submissão, a mágoa, o medo, a culpa, a rigidez e outros tantos desajustes íntimos produzem "estruturas ameboides", animadas de intensa atividade, que ganham energia por intermédio de nossas emoções, pensamentos e convicções costumeiras. Giram em redor do seu criador, estando sempre prontas para o "fecundar" ou influenciar, de forma convincente e determinante, toda vez que ele estiver em condições receptivas ou passivas. Assemelham-se a verdadeiros discursos mentais persuasivos.

Por exemplo, se nós tivermos velhas mensagens de orgulho gravadas há muito em nossa mente e se pertencermos "a uma família importante, com parentes elegantes e de fino bom gosto", poderemos desenvolver um "sistema de crenças" que redundará em padrões neuróticos de ver a nós mesmos e, a partir disso, viver constantes relacionamentos problemáticos. Se recebermos uma educação perfeccionista, de pais superexigentes e críticos que desejam para nós, desesperadamente, aquilo que não tiveram ou não puderam realizar, desenvolveremos, não raro, uma "autovalorização ilusória". Importante lembrar-nos: o sentimento de superioridade é uma forma de supercompensação do complexo de inferioridade. Em psicologia, "complexo" quer dizer "um conjunto de idéias com forte carga emotiva, as quais se encontram no inconsciente e agem, de maneira imperceptível, sobre a conduta das pessoas". 

A criatura que se julga superior - "a melhor" - cria "estruturas mentais" em sua aura, que se nutrem desse seu complexo de superioridade. Reciprocamente, essa mesma pessoa irá gerar uma outra "forma-pensamento", que corresponda ao inverso da primeira, ou seja, uma estrutura mental oposta - um complexo de inferioridade. As "formas-pensamentos" vivem em pares opostos. Elas interagem umas com as outras. Quem tem um lado superior também possui um lado inferior. 

Ora o indivíduo está na crise de ser superior, ora na de ser inferior. Ele foge da superioridade para cair na inferioridade e vice-versa. Viverá entre altos e baixos. Entre ataques de esnobismo e arrogância e conflitos de ser um "erro" ou um "nada". 

Essas antigas gravações podem formar as "estruturas mentais" que há pouco descrevemos, que se utilizarão da matéria sutil que existe no mundo astral, moldando-a tanto na forma de rostos como também na de imagens irregulares e distorcidas, estranhamente simbólicas. 

Em verdade, não somos melhores nem piores que os outros. Todos fomos gerados iguais, filhos de Deus. Ninguém foi criado superior. Porém, é incontestável que, se possuímos qualidades e capacidades mais desenvolvidas que as dos outros, não é por sermos superiores, mas porque as desenvolvemos com esforço e dedicação. 

Aceitar ser como somos é respeitar nosso grau evolutivo. Essa afirmação nos tira da "neurose das comparações".

Sabemos o tanto quanto experimentamos e temos o bastante que fizemos por merecer. Se não sabemos é porque talvez ainda não nos tenhamos esforçado o suficiente, mas quem sabe no amanhã teremos vontade ou esforço necessário para ter, aprender ou fazer mais. 

Se nós criamos e convivemos internamente com essas estruturas psíquicas, podemos reforçá-las ou eliminá-las, simplesmente mudando nosso jeito de pensar e agir.

Essas estruturas são consideradas fragmentos de nossa personalidade; são como satélites que gravitam em torno de nós. Induzem-nos a uma reimpressão mental, através das idéias e crenças autodestrutivas que nós mesmos geramos e que, por sua vez, nos forçam a recordar o que nós gostaríamos de esquecer. Muitos as descrevem como "diálogos mentais exaustivos e constantes", que lhes consomem a energia íntima. Afirmam: ficamos "prisioneiros de nós mesmos".

A hiperatividade mental é intensa, e os pensamentos indesejados continuam girando sem parar. Podem levar as criaturas a ações quase inconscientes, por meio de "monoidéias" que geram argumentos e contra-argumentos, que agem, explicam, reagem, como se fossem espécimes vivos de que essas pessoas não conseguem se desvencilhar, nem deixar de escutá-los.

O indivíduo "substitui suas idéias pessoais às que os Espíritos se esforçam por lhe sugerir; é então quando
haure na sua imaginação as teorias fantásticas que ele próprio crê, de boa-fé, resultar de uma comunicação intuitiva". 

Mediunicamente falando, quando substituímos as idéias dos Espíritos pelas pessoais, vemos um processo autêntico de manifestação anímica.

Animismo é quando, sem intencionalidade ou mesmo sem nenhuma ideia preconcebida de mistificação, supomos incorporar ou escutar uma personalidade desencarnada, e, na verdade, é apenas nosso mundo interior que se exterioriza.

O fenômeno anímico pode ocorrer quando o indivíduo utiliza, inconscientemente, emoções e sentimentos da vida atual e das passadas, ou, igualmente, a influência das "formas-pensamentos", de onde recolhe as impressões ou sensações de que está possuído.

Nós podemos "incorporar" essas "formas ameboides"; em outras palavras, ser influenciados pelos agentes energéticos que elas produzem. Podemos nos expressar como se ali estivesse, realmente, um Espírito se comunicando. Entramos em supostos transes mediúnicos, tornando-nos médiuns dessas "estruturas parasitárias", que não possuem vida própria, mas vivem à custa da carga de nossas crenças negativas, ou mesmo da nossa energia mental e/ou emocional de que elas são constituídas.

No entanto, seria de bom termo não nos esquecermos de que somos nós mesmos quem as alimentamos com nossos atos e atitudes interiores.

Se perpetuarmos nossas crenças ou pensamentos negativos, poderemos acabar sufocados na névoa de nossa própria negatividade; porém, se abrirmos as comportas de nossa mente para a renovação de idéias e conceitos iluminados, navegaremos harmoniosamente na imensidão dos sentidos superiores. 


Hammed












quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

André Luiz - Livro Agenda Cristã - Chico Xavier - Cap. 45 - Sempre chamados




André Luiz - Livro Agenda Cristã - Chico Xavier - Cap. 45


Sempre chamados


O cristão é chamado a servir em toda parte.

Na casa do sofrimento, ministrará consolação.

Na furna da ignorância, fará esclarecimento.

No castelo do prazer, ensinará a moderação.

No despenhadeiro do crime, sustará quedas.

No carro do abuso, exemplificará sobriedade.

Na toca das trevas, acenderá luz.

No nevoeiro do desalento, abrirá portas ao bom ânimo.

No inferno do ódio, multiplicará bênçãos de amor.

Na praça da maldade, dispensará o bem.

No palácio da justiça, colocar-se-á no lugar do réu, a fim de examinar os erros dos outros.

Em todos os ângulos do caminho, encontraremos sugestões do Senhor, desafiando-nos a servir.


André Luiz











Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

Cairbar Schutel - Livro Parábolas e Ensinos de Jesus - 2ª Parte - Pág. 146 - Cap. 2 - As Bem-Aventuranças - Um trecho do Sermão do Monte



Cairbar Schutel - Livro Parábolas e Ensinos de Jesus - 2ª Parte - Pág. 146 - Cap. 2 - As Bem-Aventuranças


Um trecho do Sermão do Monte


“Vendo Jesus a multidão, subiu ao monte; e depois de se ter sentado, aproximaram-se seus discípulos; e ele começou a ensiná-los, dizendo:

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra.

“Bem-aventurados os que têm fome e sêde de justiça, porque eles serão fartos.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

“Bem-aventurados os que têm sido perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.

“Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem, vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Alegrai-vos e exultai, porque grande é o vosso galardão nos Céus; pois assim perseguiram aos profetas que existiram antes de vós.” (Mateus, V, 1-12.)

No mundo há alegrias, porém mais existem dores e tristezas. Jó dizia que “o homem vive pouco tempo na Terra e a sua vida é cheia de tribulações”— Brevi vivens tempore repletur multis miserlis.

A Escritura chama à Terra um Vale de Lágrimas e compara a vida do homem à do operário que apenas à noite come o seu pão banhado de suor.

Sentimo-nos, neste mundo, vergados ao peso da dor; hoje, amanhã ou depois, ela não deixa de visitar-nos. O peso dos infortúnios acompanha a Humanidade em todos os séculos.

O homem vem ao mundo com um grito; um gemido de dor é o seu último suspiro!

Do berço ao túmulo, a estrada da vida está semeada de espinhos e banhada de lágrimas! Quantas ilusões, quantas amarguras, quantas dores passamos neste mundo!

A dor é uma lei semelhante à da morte; penetra no tugúrio do pobre como no palácio do rico. Neste mundo ainda atrasado, onde viemos progredir, a dor parece ser a sentinela avançada a nos despertar para a perfeição.

Max Nordau dizia: “Ide de cidade em cidade e batei de porta em porta; perguntai se ai está a felicidade, e todos vos responderão. Não; ela está muito longe de nós!”

Mas se é verdade que o Senhor permitiu que os sofrimentos nos assaltassem, não é menos verdade que também nos proporciona a Esperança, com que aguardamos dias melhores. “Bem-aventurados os que sofrem, pois serão consolados.”

A Esperança é a estrela que norteia as nossas mais belas aspirações; é a estrela que ilumina a noite tenebrosa da vida, e nos faz vislumbrar a estância de salvamento. A vida na Terra é um caminho que nos conduz às paragens luminosas da Vida Eterna; não é um repouso, mas uma preparação para 0 repouso.

Paulo, o Apostolo dos Gentios, recordando-nos numa das suas luminosas Epistolas a Vida Real, disse: “Dia virá em que despiremos a veste mortal para vestir a da imortalidade.  

Atravessamos a existência na Terra como o soldado atravessa um campo de fogo e de sangue, e os bravos e os fortes de espírito cravam nas muralhas o seu estandarte e levantam o grito de vitória! 

É isto o que nos ensina o Espiritismo com a sua consoladora Doutrina. 

Tomado de compaixão pelo mundo, o Cristo desce das alturas, senta-se sobre um alto monte, atrai a si multidões de desventurados e começa o seu monumental sermão com as consoladoras promessas:

"Bem-aventurados os pobres, os aflitos, os que choram, porque deles é o Reino dos Céus!” A “palavra boa”, a Esperança, proporciona sempre resignação, coragem e fé aos desiludidos das promessas do mundo

O homem que confia e espera em Deus, vê nos sofrimentos o resgate de suas faltas, o meio de se purificar da corrupção! É preciso ter fé, é preciso ter Esperança. Dizei ao moribundo que, em verdade’ não morrerá, e ele, animado pela vossa palavra, enfrentará a morte e não sofrerá o seu aguilhão!

A Esperança é a consolação dos aflitos, a companheira do exilado, a amiga dos desventurados, a mensageira das promessas do Cristo!

Perca o homem tudo: bens, fortuna, saúde, parentes, amigos, mas se a Esperança, Filha do Céu, o envolve, ele prossegue em sua ascensão para o bem, para a vida, para a Imortalidade!

Do alto do monte, tomado de tristeza pelas desventuras humanas, o Senhor ensinava às multidões os meios de conquistar, com o trabalho por que passavam, o Reino dos Céus. E a todos recomendava resignação na adversidade, mansidão nas lutas da vida, misericórdia no meio da tirania, e higiene de coração para que pudessem ver Deus.

Nessa autêntica oração, o Senhor já previa que seriam injuriados e perseguidos todos aqueles que, crendo na sua Palavra, encontrassem nela o arrimo para suas dores, o lenitivo para seus sofrimentos; mas recomenda, antecipadamente, não nos encolerizarmos com o mel que nos fizerem, para que seja grande o nosso galardão nos Céus. Disse mais: que exemplificássemos a nossa vida como os profetas que nos precederam, porque “bem-aventurados tem sido todos os que são perseguidos por causa da justiça”.

Lutemos contra a dor, aproveitando essa prova que nos foi oferecida, para a vitória do Espírito, liberto dos liames terrenos!

Empunhemos a espada da Fé e o escudo da Caridade, com todos os seus atributos, e o Reino de Deus florescerá em nós, como rogamos diariamente no Pai nosso, a prece que Jesus nos legou.


Cairbar Schutel