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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 66 - Cada desencarnação é regresso de um lutador



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 66


Cada desencarnação é regresso de um lutador


"O ladrão não vem senão a furtar, a matar e a perder. Mas eu vim para que elas tenham vida, e a tenham em abundância." (JOÃO, 10:10)


Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês, concedendo-lhes a todos muita paz, saúde e alegria.

Estimo-lhes a conversação entusiástica na cultura do bem, antes das nossas reuniões, porque assim como é possível ao ferreiro converter o metal maleável da forja quente em utilidades para a vida comum, as opiniões bem ajustadas nos entendimentos mútuos nos oferecem matéria mental mais plástica para a produção de pensamentos edificantes em novos tipos.

Você diz muito bem, meu caro Rômulo, quando se reporta às multidões das Esferas imediatas à existência do homem vulgar. 

Imaginem a vida física como sendo uma vanguarda compacta de luta em linhas gigantescas de soldados que orçam por dois bilhões de elementos individuais. 

Nessa frente, o atrito é uma corrida ao prêmio que nomeamos por “evolução”, “redenção”, “sublimação”, etc. 

O trabalho do Espírito, mais fácil nessas condições, é uma concorrência de aspecto gigantesco à conquista de valores imperecíveis para a alma eterna. E as Esferas imediatas mais próximas à mente do homem constituem, naturalmente, a retaguarda. 

Cada desencarnação é regresso de um lutador, mas qual ocorre nas batalhas que vocês conhecem aí o número dos feridos, dos desajustados e dos loucos é sempre quase esmagador sobre a percentagem reduzida dos heróis. 

Geralmente, na Terra, quem volta do combate é candidato infalível ao hospital, onde atende a mutilações e chagas por tempo indefinido.  

Quem retorna ao círculo carnal igualmente traz consigo dificuldades enormes.

Mente presa a objetos amados, coração encarcerado em sentimentos inconfessáveis, interesses atados a objetivos inferiores, desilusões intraduzíveis, desacertos numerosos, doenças convertidas em vícios do pensamento, caprichos menos construtivos,  perturbações da visão interna, compromissos pesados com determinados seres, inibições que se tornaram sistemáticas, cristalizações do raciocínio que se fizeram contumazes, opiniões endurecidas no tempo,  preconceitos transformados em impedimentos ao verdadeiro progresso espiritual, temores infundados, medo das renovações benéficas, dificuldades à compreensão rápida, defeitos de observação, mágoas que os atormentam incessantemente e um sem número de alterações íntimas que nos dão a ideia de reencontrar nos recém-chegados do mundo verdadeira legião de “soldados enfermos”, presos da já célebre neurose de guerra que serve para diagnosticar qualquer desajuste.

E os milhões de seres nessas condições reclamam providências enérgicas nos setores da assistência, da reeducação e da reencarnação, como vocês não podem, por enquanto, apreciar. 

E até que entesouremos em nós o estado sublime de consciência que você designa por “apreensão de ordem superior”, há muitas e muitas léguas que andar nos domínios do trabalho e da experiência. 

Por mais movimentada seja a nossa vida no corpo, se realmente acordamos para a verdade divina, a movimentação para nós, que aqui desempenhamos as funções dos legionários da boa vontade, é sempre muito maior. Daí a razoabilidade do seu ponto de vista. 

A transposição de Plano para a nossa mente é muito morosa, considerando as necessidades de preparação à frente da vida superior. 

Só a vida grande merece a grande morte. 

Não há libertação para quem não se liberta. 

O trabalho é desconhecido para quem não trabalha.  

A vida abundante, com relação à qual Jesus foi tão claro no Evangelho, somente se revela ao coração que se devotou à vida intensa desde aí. 

A união é uma luz apenas para aquele que ainda na carne a procura.

O nosso mundo aqui é de continuação ao que aí teve começo. 

Na carne, as possibilidades de iniciar ou reiniciar são imensas. Aqui, porém, pelo menos dentro dos círculos mais vizinhos da crosta, a lembrança, a memória, a ligação impõem prosseguimento.  

Assim sendo, tudo aqui é sono para quem não despertou na matéria densa, desagrado para quem somente se agradou no campo emocional menos construtivo do mundo, angústia para quem não diminuiu as próprias aflições, desânimo ou perturbação para quem não aceitou os benefícios da luta ou entravou a marcha dos que buscavam lidar e lutar com nobreza.

Tudo lógico, vivo, natural. Não podia ser de outro modo.  

A “Terra próxima”, por isso, é talvez menos interessante que a “Terra do agora” para vocês. 

Conhecendo essas realidades vocês permanecem armados para muitas e valiosas conquistas. 

Quem mais realizar com o bem, mais aquinhoado de dons será pelas forças que o representam. 

Não se esqueçam de que pensamento e ação simbolizam sementeira e crescimento. Os dias se encarregam de amadurecer os frutos de acordo com a natureza de nossa plantação.

Estou muito satisfeito com as providências que vocês vão empreendendo em favor do Roberto. De nosso lado, partilharemos essas medidas dentro das possibilidades ao nosso alcance. Alegro-me com a colaboração de vocês na solução aos problemas dele, porque, de nosso círculo, é muito de meu desejo se sinta o neto amparado por todos os recursos ao alcance de nossa boa vontade e de nossa dedicação.

Quando a alma reenceta a luta em plano de trabalho que requisita as mais positivas afirmações da individualidade, as vozes e sugestões ao derredor de seus passos são sempre muitas. Desse modo, é útil estejamos ao lado do seu coração juvenil e generoso com as nossas. A sintonia final pertence a ele no grande caminho. 

Jesus emite para todos, entretanto, cada um de nós lhe ambienta os pareceres em horas e circunstâncias diversas entre si. Esperemos o futuro com o otimismo habitual.

Registramos a lembrança de palavras nossas destinadas ao público. Buscaremos responder logo que se nos ofereça oportunidade. Felizmente, não têm faltado recursos a essa sementeira de conforto e esclarecimento, e só tenho motivos para desejar progresso e êxito amplo ao serviço de vocês, que é igualmente nosso, campo de trabalho e de ideias que devemos exportar em formas sempre novas, atendendo-se às necessidades do tempo, da situação e da personalidade. 

A ideia em si não se modifica e no setor religioso ela é sempre um valor imutável que desceu de “Cima” para nosso consumo. O que se modifica é a expressão, simplesmente. Lidaremos com elas até alcançarmos a “superconsciência”, onde a claridade divina, por enquanto, é inimaginável para nós.

Boa noite a vocês todos. E desejando-lhes muita alegria, bom-ânimo e luz reúne-os num grande abraço o papai muito amigo de sempre,


Neio Lúcio
(A. Joviano)







15/11/1950.


terça-feira, 14 de outubro de 2025

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 104 - Resistência espiritual



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 104


Resistência espiritual



Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês, conferindo-lhes muita paz e saúde no campo da luta redentora em que nos empenhamos à conquista do futuro.

Acompanhei você, meu caro Rômulo, nos diversos flancos do combate espiritual dos dias últimos e louvo-lhe a serenidade e o ânimo forte. Felizmente, você tem agido com o valor e com a serenidade que eu sempre esperei.

Em diversas ocasiões, temos falado das dificuldades que surgem, invariáveis, no trabalho daqueles que se devotam ao bem e semelhantes obstáculos, com redobrado vigor, alinham-se agora à nossa frente. Por mim e de mim mesmo, com satisfação retiraria da senda de vocês todos os tropeços, entretanto, achamo-nos na condição dos aprendizes guindados a maiores lições.

Se vocês não andassem para a frente, meus filhos, decerto encontrariam a tranquilidade aparente em que muitos se demoram no mundo. Mas vocês não renasceram para a quietude da estagnação. O caminheiro que não para sofre a chuva e o vento, o frio e o calor. Para ele, a canícula e o inverno são forças vivas que o atormentam e vergastam.

Que fazemos senão agradecer ao Senhor a confiança com que nos honra e a graça de que nos cerca? Realmente, aí no círculo em que vocês trabalham, a visão e a sensibilidade padecem grandes angústias nas aferições espirituais de grande vulto, contudo, estejamos convencidos de que o tempo e a luta tudo renovam e transformam.

Compreendo a gravidade da hora que atravessamos. Hora em que os melhores experimentam provas enormes na dignidade e no coração. Peço-lhes, contudo, e principalmente a você, meu filho, muita calma e resistência espiritual. Quando digo “resistência” não pretendo afirmar que nos achamos irremediavelmente à mercê da tempestade arrasadora. Desejo apenas afiançar que não convém exagerar o apreço, nem o preço do mal que, no fundo, é invariavelmente o fruto de incompreensão e ignorância.

Não se perturbe, meu caro Rômulo, ante as arremetidas da sombra. A existência terrestre, como tarefa especializada, compromisso ou missão, é comparável a uma guerra permanente, cuja linha inicial se desenha no berço e cujo marco derradeiro se ergue no túmulo do corpo denso. Podemos perder grande quantidade de batalhas, mas não devemos confiar-nos à derrota final.

O quadro de lutas administrativas, qual o da atualidade, é um campo imenso de conflitos institucionais e individuais. Aí dentro, na hora em curso, não se evidenciam os melhores, porque há invasão, em massa, de elementos inferiores. A quantidade está ofuscando a qualidade, mas a paisagem é circunstancial e não definitiva, de vez que a Lei, no momento oportuno, determina que a qualidade se saliente para controlar a quantidade, conferindo-lhe expressões educativas.

Não posso adiantar a você qualquer notícia sobre o processo de manifestação dos nossos adversários gratuitos, porquanto, uma das ordenações daqui, mais rigorosa para o espírito de boa vontade, é a que se refere à absoluta abstenção de qualquer comentário no mal, que, na essência, serve apenas como interferência destrutiva na mente dos que ouvem. Mais vale a paciência que a violência, diz o conselho popular, e, no momento, a serenidade será ou deve ser nossa companhia fiel.

Não se concentre, meu filho, sobre possíveis desgostos ou necessidades da família. Tal pensamento não nos deve ocorrer. Recorde que os próprios filhos se encontram habilitados para o trabalho digno, cada qual dos dois organizando compromissos para o hoje e para o amanhã, e não se esqueça de que temos em nossa querida Maria uma companheira valorosa, cuja mente e cujas mãos jamais descansaram em benefício de nossa tranquilidade. Você poderá aduzir que o pomo de suas maiores aflições é o trabalho, a paisagem na qual o seu sentimento de trabalhador, de orientador e de missionário está amplamente refletido, acrescentando que os seus mais belos programas de serviço aqui se estruturam e se alongam. Justifico-lhe as observações e não desejo que você, em tempo algum, se esqueça dos laços divinos que nos prendem a este pedaço abençoado de terra, que nos guarda a esperança e o suor, o trabalho e o sonho. Entretanto, é justamente aí que se encontra o símbolo de nossas batalhas. É indispensável nos fortaleçamos convenientemente para suportar o conflito, voltar a ele e dominá-lo por fases diferentes, se assim for necessário.

De qualquer modo, instalemos a paz na segurança de nós mesmos para que lutemos varonilmente, sem intervalos de desânimo e sombra, de vez que não somos servidores infelizes, nem desamparados. O que é nuvem hoje é chuva amanhã e onde agora se adensam as trevas em breves instantes podemos rever a claridade habitual. Dentro de nós vive a condição. Se nos sustentamos, tudo permanece sustentado ao redor de nós. Se nos acovardamos, tudo é fraqueza junto de nossos passos.

Não estamos sentenciados a mendigar, mas a viver, a aprender, a servir, a lutar, a ajudar sempre e a vencer com a Vontade Superior que nos preside as tarefas. Confiança em Deus e em nós mesmos. Vitalidade espiritual em nossa crença na vitória suprema do bem. Disposição para tolerar quaisquer vicissitudes temporárias, agradecendo ao Senhor os recursos de que somos portadores, a fim de que as nossas energias se multipliquem.

Achamo-nos à frente de uma grande assembleia conturbada, na esfera da administração pública, para a qual os mais competentes e os mais dignos devem ser espezinhados, mas toda calamidade é passageira. A ordem e o progresso constituem regulamentos fundamentais e substanciais. O ajustamento das matérias de serviço é uma necessidade em épocas turbilhonárias como esta em que vocês sentem, sob a solidez do barco, a crueldade da onda traiçoeira, e estejamos convictos de que o coração pacificado e vigilante consegue atender a todos os imperativos da luta. Sigamos observando e trabalhando em favor de nós mesmos.

O caso orgânico do nosso Roberto centraliza-nos agora grandes atenções. A assistência médica ainda ser-lhe-á necessária por vários dias. A luta contra o processo infeccioso deve continuar. Não deve movimentar-se com excesso para contribuir conosco no reajuste da posição celular. Nosso rapaz tem estado sem defesas naturais no campo físico e certos remanescentes de natureza infecciosa, alojados no sangue, respondem pelo fenômeno do joelho, que reclama o cuidado já em movimento. Convém-lhe o tratamento medicamentoso de maneira particular e de nosso lado colaboraremos em favor dele com passes e outros recursos ao alcance de nossa influenciação indireta.

Nossas saudações amigas ao General Aurélio e à nossa irmã Júlia, para quem pedimos ao Alto a bênção do bem-estar e da saúde.

E reunindo vocês em meu coração abraça-os com muito afeto e carinho o papai muito amigo de sempre,


Neio Lúcio

A. Joviano
05/12/1951









sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 42 - Dessas fontes sempre recebemos



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 42


Dessas fontes sempre recebemos


Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês, conferindo-lhes muita saúde, paz e alegria.

Meu caro Rômulo, tenho meditado em suas reflexões, como sempre, e partilhado as suas experiências interiores com o mesmo aproveitamento habitual. A luta não pode ser diferente. Estamos ingressando num domínio muito diverso de quantos nos guardam a ação no passado, em nos referindo às fontes espirituais da vida superior. Dessas fontes sempre recebemos. Hoje delas desejamos dar. Para isso, porém, é imperioso conhecermos as mesmas inquietações e sacrifícios de quantos nos proporcionaram a bênção de suas obras no pretérito.

Antigamente, a nossa posição não era outra. Também ouvíamos, no âmago do ser, lições mil e iluminação profunda que não conseguíamos compreender. Nessa matéria, é indispensável jogar com o verdadeiro amor fraternal e com o tempo que tudo transforma. Não pense que a paisagem próxima se modifique de modo fundamental. 

O necessitado mais difícil de ser socorrido é aquele que transporta consigo a exigência de amparo espiritual. O faminto do corpo tem o relógio do estômago a espicaçá-lo; o caçador de recursos, para a manutenção dos seus, conta com o azorrague dos familiares a lhe reclamarem a cooperação; o doente possui a dor a estigmatizá-lo; daí uma compreensão imediata para todos os portadores de semelhantes impositivos. As necessidades espirituais, porém, são complexas, profundas. 

A vida mental, entre os encarnados, assinala-se ainda por grande analogia com a experiência fetal do homem físico. As realizações nessa esfera comum na atividade terrestre ainda são vagas, imprecisas, tanto quanto as do homem ativo para o feto, que, embora não tenha pulmões, não sente ainda a necessidade de respirar no berço em que vive.

Tivemos longos milênios de preparação no passado, estamos em milênios de preparação no presente e possuímos vasto patrimônio de séculos no futuro. Tudo o que transcende a rotina respeitável deve ser doado com extrema cautela, porque, um dia, entenderemos com mais propriedade que há multiplicidade de desígnios para as múltiplas coleções dos indivíduos. Cada alma, quanto acontece a cada mundo, é conhecida por vibrações e movimentos que lhe são peculiares e intransferíveis. O que é útil agora para nós é ruinoso para o que vai à frente de nossos passos ou para aqueles que marcham à nossa retaguarda. O remédio de um enfermo não é aplicável a todos e a alimentação conhecerá gradações quase infinitas ou a vida carnal se extinguiria na Terra. 

Daí, meu filho, esse imperativo de aproveitarmos todos os valores em nós mesmos com vastíssima paciência e invulnerável serenidade à frente dos outros, se não desejamos perder a gloriosa oportunidade de crescimento que nos foi facultada. Creia que, por minha vez, se fui professor de letras na Terra, tenho aprendido enormes e minuciosas lições no Plano a que minha singela colaboração foi chamada. 

Hoje compreendo que se para a nossa felicidade já conseguimos amealhar alguns conhecimentos na ciência de distribuir os dons e vantagens da vida material que, presentemente, não procuramos concentrar em torno de nós, mas sim estendê-los a benefício de todos, começamos a penetrar o ministério da distribuição dos bens espirituais. 

Então reconheci claramente por que Jesus preferiu o madeiro. A cruz e a cadeira dourada são tronos diferentes com a mesma função de administrar e governar. Erigindo decretos ou ordenações, sob o ponto de vista humano, transformamos a face da Terra e operamos a renovação e a transposição dos elementos que nos cercam na existência, mas pelas atitudes no sacrifício próprio é que atingimos a capacidade de atuar na vida propriamente considerada. Estamos, pois, no momento, buscando valores para ensinar e ajudar, prover e socorrer na pauta do Mestre divino, e nessa pauta o século é quase um dia, se não pudermos compará-lo a um minuto na eternidade.

Não acredite que isso seja razão a desalento. Há que considerar no assunto os interesses da massa para quem devemos simbolizar o fermento diminuto. A fermentação excessiva destrói o pão e é imperioso cogitar de todas as medidas atinentes à sustentação da vida, nesse particular, com muita calma.

Tome o seu próprio caso de cooperador espiritual, no campo das curas, por exemplo. Se você visse os amigos que o assistem, os que se congregam ao seu lado para contribuir no socorro a distância, os companheiros que lhe renovam os elementos vitais do vaso fisiológico para que as suas emissões vibratórias não se percam na qualidade e na intensidade, os que nos auxiliam para que a calma esteja firme, tanto quanto possível, em sua mente, a fim de que as suas possibilidades presentes não se percam, os auxiliares que influenciam na direção da assistência, acertando arestas e equilibrando providências de serviço e, sobretudo, os que se abeiram das suas horas de prece, rogando medidas mil de alívio para os seus males e para os males daqueles a que se imantam na segunda hora de visão integral de todos os meandros do serviço, você provavelmente não suportaria mais. 

A sua mente se dilataria, cresceria, buscaria outros processos de manifestação longe dos obstáculos benéficos que a retêm e, à maneira do óleo fervente, se incorporaria a outros setores de energia vital. É indispensável, pois, muita serenidade e muito entendimento para jornadearmos com êxito em caminhos tão vastos e complicados! 

Concluo, hoje, que inúmeras experiências me enriquecem a senda, que só nos deve interessar a alegria de dar, porque aquele que dá sente sempre e isso é essencial! Temos verdadeiros mundos dentro deste mesmo mundo para descobrir, conhecer, desbravar e utilizar. Somos locatários de uma enorme e acolhedora residência que é a Terra, com vastos compartimentos e, enquanto encarnados, só ocupamos um desses compartimentos. Notem que não digo pavimentos para não oferecer-lhes a ideia de Esferas superpostas. Reporto-me aos círculos de vida que se ajustam na própria linha horizontal das atividades comuns do homem. Nesse sentido, pois, tenhamos sempre a doce coragem de repetir as lições, sem desânimo e sem desagrado. O ensinamento de quem ajuda é pão sublime à fome imanifesta do espírito humano.

Repitamos sempre. A pedra que alcança o mar, guardando a perfeição do esferoide sem garras agressivas, é aquela que repetiu os movimentos da aprendizagem milhões de vezes no curso da corrente. A natureza é pródiga de sugestões nesse particular. 

O princípio vital demora-se nas árvores centenas de ano, ensaiando rudimentos da memória. A fonte corre sobre o seio adusto da Terra, voltando à atmosfera para tornar ao chão, milhões de vezes. E nesse movimento incessante os seres e as vidas se auxiliam reciprocamente.  

Repetindo, pacificamente, criamos o bem para a comunidade. A repetição é aprimoramento e criatura alguma lhe fugirá aos mandamentos justos. E para sermos lógicos não podemos esquecer que o Cristo terá repetido para nós, lição a lição, milhares de vezes, sem que pudéssemos entender-lhe os alvitres. 

Assim, aprendamos a repetir, com o infinito bem, porque só nesse curso avançado de auxílio fraterno é possível incorporar definitivamente à economia de nossa própria alma a essência do amor divino que, por agora, ainda não podemos compreender em sua grandeza total.

Não julgue que alinhavo essas palavras na posição dum mestre. Em semelhante capítulo, não passo de seu irmão, e irmão obscuro no setor do aproveitamento, porque à medida que se acendem mais luzes mais se nos mostram as complexidades do serviço a fazer. Refiro-me aqui a esses pontos de estudo, em favor de nossa própria tranquilidade, de modo a fixarmos em nós mesmos todos os bens decorrentes da luta.

Ajudemos sempre. Apaguemo-nos para que o bem resplandeça. Façamos do dia uma lanterna amiga para clarear o nosso caminho e a senda de outros que marcham no roteiro evolutivo não distante de nós. Recapitulemos o gesto de fraternidade no testemunho da boa intenção tantas vezes quantas se fizerem necessárias. 

Trabalhemos pelo bem geral. Sirvamos a todos, na compreensão justa do nosso papel à frente do Cristo, em cujos padrões santificantes buscamos hoje a inspiração da mordomia ou do serviço e estejamos certos de que no entardecer não nos faltará visão para contemplarmos a glória silenciosa das estrelas a nos indicarem o nascente em que nova madrugada de bênçãos ressurgirá.

Desejo a vocês excelente viagem no campo dos compromissos assumidos e tanto quanto me é possível estou em preparação para ajudar a todos, em qualquer rumo, já que os nossos examinam a possibilidade de longa visita ao mar.

Muita saúde e paz para todos é o que lhes deseja, muito afetuosamente, o papai de sempre, num grande abraço,


Neio Lúcio
(A. Joviano)





26/04/1950

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 12 - Amealhar pão espiritual



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 12


Amealhar pão espiritual


15/06/1949

Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês todos, conferindo-lhes muita paz ao coração.

Com a minha afetuosa visita de sempre, trago-lhes os meus cumprimentos pela vitória contra a gripe. Felizmente, Wanda venceu galhardamente a crise do resfriado. Tive receio de que a gripe de caráter menos benigno que atacou o grupo, de modo geral, nos impusesse, desta vez, maiores preocupações. Felizmente, a Bondade Divina, por intermédio de Seus emissários, nos auxiliou a todos, permitindo-nos a satisfação de vê-los depressa refeitos, altamente receptivos, no serviço da própria recuperação. Atualmente, a luta da esfera em que evoluímos é muito intensa no sentido de socorro preventivo.

Os remanescentes da guerra última são quais nuvens miasmáticas, espalhando aqui e ali fluidos de enfermidades e desânimo através de entidades aos milhares que vagueiam, quase sem rumo, chumbadas magneticamente ao solo do planeta. Vocês perguntarão pela assistência e têm razão. Assim como a cidade grande possui, invariavelmente, os seus postos avançados de socorro imediato, também, por nossa vez, dispomos de extensos recursos nesse particular, entretanto, apesar de todos os esforços do Plano superior, os obstáculos são grandes contra a generalização do auxílio. Quando a mente mais ou menos evoluída teima em não receber a nossa colaboração, debalde tentaremos impor o nosso concurso fraternal.

Poderão ajuizar sobre o assunto pensando na situação de vocês mesmos. Realmente, possuem vocês, no presente, remédio eficiente e seguro para muitos males, todavia, raros aceitar-lhes-iam a cooperação espontânea. Vocês e nós somos compelidos a amealhar pão espiritual, água viva de revelação e medicamento curativo da alma em reservatórios públicos de ideias, que são as mensagens entregues ao espírito geral para que as almas deles se apropriem quando julguem conveniente a própria adesão ao movimento de melhoria e elevação que lhes diz respeito. Dessa forma, também temos aqui aperfeiçoados serviços de socorro certo e eficaz, entretanto, devemos esperar que a lei se cumpra em cada alma que deseje sinceramente elevar-se.

O que mais impressiona no quadro do mundo moderno não são, porém, as moléstias espetaculares do corpo físico, para as quais sempre podemos recorrer à higiene ou à medicina, em qualquer caso. O que nos confrange a alma é sentir o amadurecimento dos homens para os benefícios da espiritualidade superior e vê-los no sentido coletivo completamente confiados ao conúbio com as forças mesquinhas e destrutivas. O desequilíbrio é enorme!

As enfermidades ocultas do desânimo, da perturbação indefinida, da derrota prematura, da incapacidade imaginária, em vários aspectos de desequilíbrio mental, assolam a vasta e respeitável casa humana e grandes instituições, em nossa Esfera, se arregimentam para prevenir medicação espiritual adequada contra as “epidemias psíquicas” de loucura.

Os desencarnados em posição idêntica ou mais baixa que a do homem comum se movimentam em todas as direções e ameaçam a estabilidade das próprias nações.

O mundo, na expressão representativa da civilização, não pretende afeiçoar-se a semelhante verdade, todavia, o clima na Terra atual, o clima do espírito, é difícil de alimentar os corações mais esclarecidos e mais sensíveis. 

Se o homem, considerado em bloco, entendesse a herança de dor que ele próprio atrai pelo olvido e indiferença diante das leis sublimes que nos regem os destinos, outras seriam as condições do planeta, mas “o lavrador colherá em todo tempo o que houver semeado e pelo plantio a que se devotarem as criaturas as colheitas dos anos próximos serão cada vez mais complexas em motivos de aflições purificadoras”.

Creiam vocês que estamos vivendo grandes dias. Dias de muita gravidade e de muita expectação para quantos já conseguiram se desviar das zonas mais fundas do vale, na direção dos montes. Que Jesus nos proteja e fortaleça, preparando-nos não só as forças da paciência, mas também as fibras para lutar com denodo e serenidade.

Infelizmente, não nos foi possível trazer o nosso amigo Gudesteu aos trabalhos espirituais. n Francamente, ele poderia, sem dúvida, vir a conversar pelo lápis, entretanto, sem perceber, vocês revestiram a ação na fé com carregadas tintas de responsabilidade. Não é com facilidade que devemos abrir a porta para as sugestões mesmo de ordem espiritual que nos visitam, porque, antes de tudo, agora, é preciso saber que qualidade de material estamos fornecendo ao pensamento dos outros.

Não se achando o nosso estimado amigo em condições de escrever, consolando e edificando, de maneira substancial aos entes amados que ficaram, qualquer carta que viesse grafar traria dificuldades em consequência. 

Ah! Se todos pudéssemos e, em muitas circunstâncias, se todos quiséssemos preparar a longa e inevitável viagem, outros aspectos assumiriam entre os homens os inquietantes problemas da morte. 

Sabem vocês hoje, tanto quanto eu, como é difícil dar e receber em matéria de fé raciocinada e vivificante. Agradeçamos as bênçãos que estamos entesourando nas almas. Cada conhecimento novo, cada estudo meditado na revelação divina, cada serviço na crença representa tijolos espirituais na casa do porvir.  

Abençoados sejam vocês que têm sabido conservar o dom da confiança no Altíssimo. Quem confia no Senhor nunca sofre desapontamento, porque o desencanto e a amargura pertencem aos círculos dos homens, simplesmente. Que a Divina Bondade nos auxilie cada vez mais na recepção das oportunidades preciosas de iluminação que temos recebido.

Continuem cuidadosos com o equilíbrio orgânico, sem esquecerem, de pronto, os antigripais. O tempo experimenta grande variabilidade e o instrumento físico de que vocês dispõem é um só, sem possibilidades de substituição apressada. Um corpo é um tesouro que devemos gastar com prudência e veneração para não cairmos em surpresas desagradáveis.

Estive com você, meu caro Rômulo, nas horas de materializações em Juiz de Fora. Mais tarde, falaremos do assunto. Peço a Jesus para que vocês todos desfrutem muita saúde e alegria. A saúde é um vaso de luz e a alegria é um óleo de vida abundante. A luta terrestre exige ambas preciosidades para que se converta em mecanismo de interpretação da Vontade Divina.

Que o Senhor nos abençoe e ilumine cada vez mais. E reunindo-os num grande e carinhoso abraço, sou o papai muito amigo de sempre,


Neio Lúcio
(Arthur Joviano)












sexta-feira, 15 de março de 2024

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 38 - Serviços de sublimação



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 38


Serviços de sublimação


01/03/1950

Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês, conferindo-lhes muita saúde e paz.

Falando em nome de vários amigos, trago visitas muito afetuosas de todos ao nosso amigo General Aurélio, desejando-lhe melhoras positivas ao estado orgânico geral.

Esperamos que a sua posição íntima se mantenha dentro da tranquilidade possível, convicto de que não lhe falta o amparo persistente e metódico da nossa esfera de ação. A sua abnegada mãezinha vela constantemente pelo seu bem-estar e toda vez que as sensações de fadiga lhe invadirem a mente convém-lhe a recordação desse carinho incessante, porque a sua lembrança direta será como que a ligação da lâmpada à usina. A atitude mental é sempre uma tomada de força e a sua convicção nesse concurso do Alto constituirá sublime auxílio à solução de muitos problemas de natureza física que ainda o incomodam. Em casos como o seu, de refazimento a longo prazo, a serenidade há de ser um remédio de todos os instantes. Sem dúvida, a inatividade aparente para um espírito de sua têmpera representa prova difícil de atravessar. Contudo, é indispensável recordemos a rapidez das horas e, com a bênção dos dias, tê-lo-emos restabelecido e bem disposto para as suas tarefas gerais.

Nossa venerável irmã Amélia, presente à reunião, agradece à irmã Júlia seus cuidados e carinhos pelo filho querido, dentro da abnegação que lhe assinala os gestos, e promete continuar ao lado de ambos até que consigamos ver o nosso bom amigo restaurado para a boa luta.

Vocês falam com respeito às lides do nosso lado e com referência aos serviços de sublimação que cabem a cada criatura, e têm razão. Estudos dessa natureza são preciosos. A verdade é que, pouco a pouco, vão penetrando o domínio de conhecimentos avançados e fundamentais para a elevação da alma. 

Cada reunião de vocês, na prece e no esforço evangélico, expressa uma reunião de nosso lado. Quando o médium identifica a presença de “a” ou “b”, isso não significa visitação a esmo ou extemporânea. A assembleia deliberada para os trabalhos espirituais compele à organização de outra no Plano espiritual imediato. Somente assim um agrupamento consegue viver, superar as dificuldades no tempo e projetar-se em benefícios para muita gente na vida coletiva e, de outro modo, numa congregação de elementos puramente terrestres, não conseguiria sobreviver, quando verdadeiramente edificantes, nem mesmo durante uma semana aos ataques das energias inferiores que se encontram em maioria na Esfera do homem comum. 

Em razão disso, vocês não desconhecem como é frequente e lógica a solicitação do Plano superior no capítulo da boa vontade, da assiduidade e do horário. Esses fatores significam muito em qualquer grupo com tarefa de ascensão ou de extensão dos recursos do Alto. 

Quando uma criatura vive fora dos ideais que hoje nos alimentam as almas, nem sempre consegue receber o socorro dos Espíritos amigos em favor de si própria, mas se uma pessoa permanece integrada num grupo cristão não é necessário que o corpo adormeça em transe vulgar para que lhe doemos a nossa mensagem ou aviso de acordo com as nossas necessidades mútuas, porque na concentração de pensamentos dentro dos objetivos de melhoria da personalidade a mente se converte, temporariamente, num ímã colocado em nossa direção, absorvendo-nos as manifestações e advertências, em forma de intuição. 

Nesse sentido, o hábito de estudar o Evangelho, refletindo sobre as lições dele, é um exercício de imantação do nosso Espírito com as Esferas superiores. Na ocasião do sono físico ou da prece, o intercâmbio com os amigos desencarnados é mais fácil, mais substancioso e mais agradável.

Trabalhemos muito, meus filhos e meus amigos, na preparação do lar espiritual, porque em verdade todos nós trazemos as atrações que alimentamos na vida. Tenho visto criaturas desencarnadas com acentuada luz em determinadas partes do corpo espiritual, vindo a saber que as moléstias de longo curso, quando aceitas com paciência e proveito, possibilitam semelhantes aquisições, porque, quando a nossa mente se concentra em determinado setor da vida orgânica, associando-o aos seus mais nobres impulsos e pensamentos mais santos, aí acende claridade divina. Tenho visto companheiros irradiarem luzes do peito como se guardassem lâmpadas acesas dentro do tórax.

Em maior parte, são irmãos que aceitaram com serenidade e atitude cristã as longas dores que a Providência, a benefício deles mesmos, lhes endereçou. Em compensação, tenho visto grande número de ex-tuberculosos e ex-leprosos em posição lastimável de desequilíbrio, afundados em amplos charcos de trevas, porque a moléstia lhes constituiu simplesmente motivo a revoltas e indisciplinas perante a lei justa.

Quando pensamos o bem, diariamente, irradiando-o através de ondas ininterruptas de compreensão e de amor, nossa mente vai-se transformando gradativamente em gerador de luz. Há mundos novos imensos no terreno da espiritualidade aguardando o ânimo das almas heroicas que conhecem o valor do esforço com Jesus cada dia, mas desde a experiência humana é possível fazer muito e muito realizar. Pouco a pouco, vamos percebendo a importância de nosso concurso no mundo do nosso pensamento, na regeneração do Plano em que desfrutamos a bênção do trabalho, e quanto mais pudermos arrojar o inferior para fora de nós em maior parcela o superior resplandecerá em nós mesmos, descortinando estradas novas e horizontes diferentes.

Onde prendemos o pensamento aí se formará uma inibição à maior expansividade de nós próprios. A vida é força divina que nos toma a todos por instrumentos de transmissão, segundo a nossa capacidade de traduzir-lhe a grandeza. Nossa finalidade mais alta, por assim dizer, será, pois, a de canalizar os dons do Céu, convertendo-nos em permanentes doadores de amor e sabedoria, em nome da Divindade.

Mais crescimento de cultura, virtude, competência e experiência significam maior amplitude no raio de ação da nossa individualidade. Somos condutores vivos e conscientes do bem. A grandeza de nossa cooperação depende da grandeza do nosso potencial e sabemos que o aumento de potencial é obra nossa, tanto quanto a descida da força ou o aviltamento dela.

Jesus nos ampare o desejo de aprender sempre mais. Acreditem, contudo, que os assuntos dessa ordem são emissários de grandes benefícios à vida íntima, porque impõem pacificamente novos recursos de nutrição mental que, sem dúvida, nos renovarão o modo de ser. A questão, todavia, é vastíssima e pede tempo, a fim de ser convenientemente observada, em todos os aspectos.

Boa noite a todos! E, rogando ao nosso divino Médico para que o nosso amigo General Aurélio prossiga recolhendo os melhores valores no campo da restauração, deixa-lhes um grande abraço o papai muito amigo de sempre,


Neio Lúcio
(A. Joviano)












terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 116 - Não prejulguemos



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 116


Não prejulguemos


01/04/1952

Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês todos, conferindo-nos saúde, alegria e bom-ânimo para nossa luta redentora de cada dia.

Compreendo a atmosfera de sombrias preocupações que naturalmente nos assaltou nas circunstâncias da hora que passa. Entretanto, meus filhos queridos, é indispensável saber contornar o rochedo infeliz para que a dureza dele não nos fira ou estraçalhe. Sabemos que há razão para a atitude apreensiva, mas não devemos perder a esperança.

As administrações humanas se modificam e quem nos oferece hoje o cálice mais amargo da luta amanhã pode ser constrangido a sorver o conteúdo da mesma natureza.

Reconheço que a mudança é difícil, que a transferência para a vida turbilhonária de uma grande capital é imprevista. Sei que os obstáculos não serão pequenos, a se anteporem cada dia entre a nova realidade e os nossos hábitos mais caros, entretanto, busquemos senhorear a situação com a precisa coragem e com a fé necessárias.

Antes de tudo, a serenidade e o otimismo devem presidir as nossas alterações do momento, a fim de que não venhamos a sucumbir sob as provas que nos compete superar.

Peço a você, meu filho, muita calma e resistência moral. Não desconheço os conflitos interiores que lhe oprimem a alma e lhe amarguram o coração. Daria tudo para poupá-lo de semelhantes dificuldades, mas não posso interferir no curso da lei que, gradativamente, vai executando os seus desígnios um dia escolhidos e fixados por nós mesmos.

Cada qual de nós deve trilhar uma senda específica de acesso à comunhão com o Senhor. Você sabe que, por minha vez, enquanto aí, atravessei igualmente os maus dias e as noites insones que a vontade do Alto me reservava. Nem sempre a nossa jornada no mundo pode seguir entre os caminhos que nos pareçam mais ajustados ao nosso modo de ser.

Você não está esquecido e nem desamparado. Passo a passo, amparam-no vários amigos invisíveis que se abeiram de sua estrada, estendendo-lhe as mãos. Não se suponha — repito — exonerado pelo Plano Superior das suas tarefas de ordem espiritual. A sua retirada compulsória, que desejamos tão curta quanto seja possível, obedece a injunções do seu próprio mapa de vida na Terra e não a impositivos de natureza exterior. Há momentos em que precisamos apreciar a luta de um plano mais elevado, nela penetrando mais por amor aos outros que por devotamento ao nosso próprio bem-estar. E semelhantes oportunidades decorrem invariáveis de nossa própria eleição antes do mergulho nos fluídos densos da carne sobre a Terra.

Bem se vê que estamos à frente de um adversário. Não se discute. No entanto, é necessário conquistar-lhe a opinião em nosso próprio favor. Sei que você não nasceu para a insinceridade e mais que ninguém conheço o seu temperamento franco, claro e espontâneo. Contudo, meu caro Rômulo, se a hora pede sacrifício, atendamos-lhe ao impositivo. Estou convencido de que você comigo, e eu em sua companhia, edificaremos muitíssimo naquele espírito desarvorado, embora convencional, em seu lustre de superfície. Não ignoramos que aceitando a Jesus por mestre a ele confiamos nossa vida, dispondo-nos a receber-lhe as divinas lições, em qualquer parte. E já que o Mestre imperecível nos convida a novo campo de ação procuremos não temer e sim crer somente, segundo a palavra sábia e iluminada do Evangelho.

Eu não disse na quarta-feira passada que você está doente e impossibilitado de atender às novas obrigações. Não seria eu o profeta de sua desistência da luta. Em minha carta humilde, apenas tracei um quadro do que poderia acontecer ao nosso grupo familiar, a fim de exaltarmos a graça divina que realmente nos acompanha em todos os instantes de nossa luta. Estaremos de pé, ao seu lado, auxiliando a cumprir seus deveres novos. Renovar-nos é a base de nossa verdadeira elevação. 

Não pense nos males de que o adversário possa ser o portador e sim lembremo-nos dos bens que podemos levar-lhe à ação e ao coração. Não prejulguemos, embora o quadro por ele estabelecido aos nossos olhos seja o mais desagradável à nossa conceituação de serviço, de equilíbrio e da vida. Encaremos a realidade com espírito sereno, atentos à cooperação valiosa da qual podemos dar testemunho. Não esperemos dele o que não tem para dar-nos e sim estejamos prontos para oferecer-lhe os recursos que pode esperar de nós.

Não há tempestade sem bonança e nem noite sem dia. Se o Senhor nos considera dignos de uma empresa tão alta, e aparentemente superior às nossas forças, sigamos ao encontro dela com destemor e paciência. Você não ignora que é fácil traçar roteiros para os outros enquanto nos demoramos na calma da paisagem diferente, contudo, estou vivendo o seu drama íntimo com indizível amor e não menor preocupação, e espero que o Alto nos favoreça. 

Tenho conversado mentalmente com você através de muitas maneiras diferentes, nos dias últimos, mas estou aprendendo com você a lição de que é muito difícil consolar aqueles que são o consolo de muitos e encorajar os corações que se fizeram os protótipos da coragem. Ainda assim, avancemos para adiante com otimismo e esperança. O essencial, no momento, é suportar de perto aquilo que você tolerava de longe, a fim de traçarmos com segurança um programa de recuperação. 

Se eu pudesse instilar em seu espírito uma força renovadora para a garantia de nossa paz nos primeiros embates, creia que daria tudo para satisfazer-lhe a necessidade. De qualquer modo, porém, confio em sua capacidade de autodomínio e no patrimônio de recursos espirituais de que, presentemente, somos detentores, a fim de que possamos sobrenadar acima do dilúvio dos caprichos e paixões desencadeado. De sua tolerância dependerá o êxito. Há cruzes que precisamos suportar com o heroísmo silencioso do Mestre para que nós e o nosso trabalho possamos encontrar a precisa ressurreição.

Noto-o algo fatigado e muito aflito na semana presente, mas todos esses fenômenos obedecem a causas de ordem mental e não física. Ainda assim, solicitei instruções do nosso receitista, que indica a você o uso alternado, por 10 a 15 dias, de Cactus Grand. 5ª, Lachesis 5ª, Carbo 5ª e Kalmia Lat. 5ª. E por alguns dias — 3 a 4 semanas — use um auxiliar para o sistema nervoso de Maracujina. É um preparado em base de frutas plenamente inofensivo e com propriedades que podem ajudar-nos de maneira expressiva. O “medicamento inglês” igualmente deve comparecer à nossa lida diária.

Quanto ao mais, meu filho, tenhamos esperança e fé. No Rio, façam o possível por manter as orações e o culto das quartas à noite com os nossos e com a presença eventual de algum companheiro de confiança. Estarei presente e procurarei fazer-me sentir por intermédio de Wanda, ou mesmo de vocês, em alguns minutos de prancheta. 

O tempo tudo reajustará se auxiliarmos ao tempo. Não há motivo para nos entregarmos à inconformação ou ao desânimo. A Providência Divina só nos pede a condução de certos fardos quando nos considera fortes. As missões espirituais, o desejo de fazer o bem e o ideal de servir jamais se interrompem. A ordem de Deus à Criação é a de que tudo continua — a vida conosco e nós com a vida — no rumo da perfeição infinita a que todos estamos destinados. Que o Alto nos proteja e nos abençoe. Confiamos em você com a segurança de sempre.

Estamos muito satisfeitos com a nova bandeira que o Roberto está desfraldando. Está moço e forte, com múltiplos recursos para uma iniciação profissional em grandes passos como os que se anunciam. Desejo ao meu neto muito progresso, saúde, paz e prosperidade. À Wanda estendo os meus votos de pleno êxito em seus ideais no serviço público e à nossa querida Maria, junto de você, desejo muita coragem e compreensão como sempre, para que nos auxilie a ver com clareza nas particularidades do caminho que nos cabe trilhar com prudência, operosidade, boa vontade e tolerância.

Assim, pois, não nos reportemos a um “adeus” inexistente e inadequado. Trabalhemos e o Senhor nos auxiliará. Confiemos no Alto e o Alto confiará em nós. Ajudemos para sermos ajudados. Toleremos, a fim de aproveitar com eficiência os bens que a vida e o mundo nos reservam. Exaltemos o otimismo e veremos o sol resplandecer sobre o pântano. Plantemos a esperança com o esforço de nosso sacrifício e o Senhor nos compensará com a realização, que é sempre a bendita colheita do espírito.

De almas e corações ligados, pois, nos problemas e trabalhos de cada hora, sigamos ao encontro da luta, porque, sem ela, não poderíamos aferir os nossos valores à frente de Deus.

Desejando-lhes, assim, tudo o que possa existir de melhor no caminho da vida, abraça-os com imenso carinho e profunda gratidão o papai e vovô que não os esquece,


A. Joviano
(Neio Lúcio)















segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 10 - Nos recessos do lar



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 10


Nos recessos do lar


25/05/1949

Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês todos, conferindo-lhes muita paz e bom-ânimo aos corações.

Venho da tarefa de assisti-los na viagem última e sinto-me satisfeito em lhes identificando a tranquilidade nos recessos do lar. Em verdade, o santuário doméstico é um abençoado refúgio. Vocês observarão, lá fora, os conflitos dos interesses inferiores da vida.

Homens respeitáveis disputando insignificâncias, companheiros distintos e esclarecidos, sob o ponto de vista intelectual, resvalando para situações escuras quanto ao espírito eterno, e nós vemos o grande mundo invisível, a esfera obscura que rodeia tanta gente digna e estimável. Entidades perturbadas, mentes cristalizadas em caprichos rasteiros, lutas quase imperceptíveis em que desencarnados cruéis que perseguem e fascinam aqueles que lhes captam as ondas vibratórias. 

Para vocês, a sensação é inquietante. Para nós, a visão é muito triste. Imaginem a aflição que lhes causaria uma ordem superior que os compelisse a pronunciar a verdade num ambiente venerável por todos os títulos terrestres! Vocês, naturalmente, sofreriam indefiníveis sensações de angústia em traçando diretrizes que ninguém ouve, nem compreende muitas vezes. 

Para nós, o problema é quase o mesmo. Ninguém nos obriga a desenhar roteiros para os espíritos transviados, entretanto, a nossa dor é idêntica à que preocupa um diretor sincero de sessões consagradas ao intercâmbio com o Invisível — somos tentados a socorrer, a doutrinar, a ajudar, a ensinar, mas… Onde está a passividade edificante do ouvinte? 

Muitos foram, sem dúvida, os quadros que me consternaram o coração, todavia, aquele que mais fundo me feriu a alma é o da posição do velho amigo que percorre o sítio doméstico sumamente querido ao coração apegado a todas as particularidades que lhe assinalam o antigo patrimônio material. Não cede para ouvir a ninguém. Não aceita alvitres fraternos e não entende traço algum de outra vida que não seja a do corpo denso, à qual se religa através de todos os modos ao seu alcance, não por deficiências de instrução, mas por lacunas de preparação espiritual. Aproximou-se de vocês frequentes vezes e chegou a avistar-se com o Rômulo “em sonho” ou no desprendimento parcial da noite. Pede socorro, mas não se adapta ao gênero de assistência que necessita. Perturbado, aflito, sem repouso, transita nas linhas da “posse imaginária” a que se algemou, perdendo tempo precioso. Ajudemo-lo, cada vez mais, com os pensamentos de fraternidade. 

Os desastres da vida física esmagam corpos e criam espetáculos passageiros, de sangue e sofrimento, mas as devastações do espírito são dolorosas por perdurarem enquanto os interessados em refazimento da paz não se desinteressam mentalmente delas. Creiam, porém, que de qualquer modo nossa influenciação foi benéfica e salutar nesse encontro direto. 

Nem sempre conseguimos tudo, mas a linha mais completa de qualquer figuração geométrica começa sempre de um ponto minúsculo. Assim, as tarefas de despertamento e renovação da alma iniciam-se com pequenos gestos e palavras simples, e aparentemente inexpressivas. Abençoemos as dádivas que o Senhor nos conferiu e passemos adiante.

Estamos todos sinceramente satisfeitos com o aparecimento do livro do nosso amigo espiritual. n Constitui a materialização de um curso de evangelização que foi iniciado, precisamente, em nosso meio, em 1939. É uma satisfação muito grande reparar que vocês puderam guardar a sementeira no tempo sem desmerecer da confiança do Alto. Certo, muitos núcleos espiritistas poderiam realizar idênticas edificações, todavia, falta ao maior número esse “espírito de serviço com esperança” de quem sabe que as horas restituem os frutos da semente com expressões matemáticas indiscutíveis. 

E em qualquer organização humana há que observar, esforçar-se, experimentar e aguardar, que não dizer dos imperativos de paciência e serenidade, fortaleza e trabalho que devem presidir as tarefas inerentes ao espírito eterno? Nossa alegria é muito sincera e de minha parte entrego-lhes todo o conteúdo de meu júbilo espiritual, apreciando-lhes os esforços e pedindo a Deus para que vocês prossigam em boa posição perante o câmbio da eternidade. Em toda operação da vida, procuremos os fundamentos. Para nós o que não subsista com valor essencial e imperecível deve ser naturalmente esquecido em lugar à parte para quantos ainda precisem de material transitório para a escalada ao progresso comum.

Nesse meu pensamento não vai qualquer apelo ao olvido de nossos deveres humanos na experiência terrestre, por mais desagradáveis nos pareçam quando já possuímos certa provisão de luz espiritual.

Para todas as realizações há tempo preciso e determinadas obrigações só devem ser colocadas à margem do caminho quando a consciência nos aprove a modificação de atitude na pauta do “dever cumprido” e do “problema liquidado”. 

Enquanto um servidor de Jesus é chamado à missão representativa nesse ou naquele ângulo do serviço de construção evolutiva a tarefa não pode, nem deve ser interrompida, porque quem representa o superior educa sempre na direção do infinito bem.

Relativamente ao novo livro, [1] espero traçar um pequeno trabalho nos moldes do “Alvorada cristã”, considerando as necessidades do culto doméstico do Evangelho, em fase de multiplicação no Espiritismo brasileiro. Se para tanto merecer o auxílio de Jesus, aguardo a possibilidade de iniciá-lo em fins de junho, depois do dia 18, quando meu espírito tem compromissos nas lembranças de Célia. [2] Como sempre, contarei com o incentivo de vocês todos.

Agora, é preciso terminar. Nossos assuntos possuem o gosto da eternidade e, por isso, não falham aos característicos de infinito. Continuaremos assim, fora do papel, a permutar o afeto invariável, de coração para coração.

Prossigam em uso dos remédios antigripais. É prudente preservarem-se contra os resfriados de consequências lamentáveis para a organização fisiológica geral.

Reunindo-os num grande e afetuoso abraço, sou o papai muito amigo que não os esquece,


Neio Lúcio
(A. Joviano)









Notas da organizadora:

[1] Vovô refere-se ao livro Caminho, Verdade e Vida, psicografado por Chico Xavier e lançado em 1949, pela FEB.


[2] Em referência ao dia 18 de junho, “Dia de Célia”, Célia Lúcius, personagem do livro 50 anos depois, psicografado por Chico Xavier, pelo espírito de Emmanuel (FEB, 1940).






segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 63 - A prece é um banho de luz



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 63


A prece é um banho de luz


26/10/1950

Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês, conferindo-lhes muita saúde e paz no círculo das lutas redentoras em que procuramos o enriquecimento para a imortalidade.

Somos vários companheiros com vocês, mais atentos à prece, e agradeço a você, meu filho, a vibração impressa em suas palavras. Temos necessidade da oração para a alma, não só como louvor ou rogativa, mas também, digamos, como assepsia espiritual. A prece é um banho de luz interior. E partilhamos esses momentos de paz com enorme alegria nos corações!

Tenho estado junto de seus pensamentos, tanto quanto possível, nestes poucos dias de experiência tumultuária, mas observamos, para edificação nossa, que a vida em comum com a multidão é algo parecido a uma viagem por selva densa. A “flora” e a “fauna” dos pensamentos, por dizer assim, representam grandes fenômenos, sugerindo os mais amplos estudos em torno da inteligência encarnada. 

Mas estejam vocês convencidos de que todo bem vale o que custa e, desse modo, qualquer serviço espiritual no campo da massa é sempre mais nobre por representar dilatação de esforço e aumento da improvisação em favor de nossas próprias experiências. 

Quando o trabalho é mais difícil, é sempre mais agradável por mais precioso. Reporto-me a esses conceitos, meu caro Rômulo, anotando as suas conclusões rápidas ao redor de situações e pessoas que se revelam ao seu espírito, de inesperado, fornecendo-nos a impressão da distância em que se acha o “estado maior” da vida popular à frente das verdades divinas. 

Eu também, noutro tempo, me confiei a vastíssimas ilações, vendo belas formações intelectuais cristalizadas em atitudes que me pareciam inúteis ou destrutivas, e preciosos talentos mergulhados no campo fantasioso do dinheiro, mas o tempo me auxiliou a renovar ideias e a reajustar impressões. Creia, meu filho, que todas as pessoas, de acordo com o índice de aproveitamento da vida que demonstram, se demoram situadas nas posições em que possam servir ao progresso geral com mais segura eficiência.

Nada existe de impróprio na esfera de nossas lutas, a não ser a impropriedade criada por nós mesmos quando atrasamos a nossa marcha na evolução comum. Dou-lhe esses pensamentos, acerca do assunto, porque estimo transmitir a vocês todos os recursos valiosos à serenidade íntima que tenho encontrado. A arena de serviço humano é uma espécie de grande estabelecimento muito bem administrado. Aí dentro há de tudo — experimentos, admissões a título precário, fixações relativas no tempo, retardamento, melhoria, promoções, etc., etc. 

Se o homem quisesse acordar realmente para a noção de responsabilidade e de trabalho, abandonando o regime de “subnível” em que se movimenta, o aprimoramento individual e a glória coletiva surgiriam na Terra com sublime esplendor para a vida imperecível. Infelizmente, porém, os subchefes do trabalho, com a supervisão natural do Cristo, nosso Mestre e Senhor, são compelidos a esperar a melhoria de padrão interior de inúmeros mordomos e servos do patrimônio terrestre. 

Quando observamos um homem vigoroso e sagaz completamente entregue aos princípios do ganho material, estejamos certos de que o manuseio do dinheiro é a melhor colaboração que ele pode, por enquanto, prestar à Direção Divina do mundo e não estejamos menos certos de que o próprio material de sua predileção será, mais tarde, o instrumento de sua transformação para o Plano superior que ele possa alcançar. E nesse escalão podemos apreciar todas as demais classes de atitude nos círculos da vida comum. Demoramo-nos nas “situações magnéticas” mais agradáveis e nelas mesmas colheremos os recursos precisos à renovação.

Daí a grandeza de nossas oportunidades no presente, porquanto conhecemos agora, com relativa exatidão, o valor supremo do serviço individual em qualquer setor de luta. Cada homem é uma espécie de refletor direto da Divindade. Aprimoremos o instrumento, que somos nós mesmos, e o Senhor, através dos seus órgãos mais elevados de expressão e manifestação, nos utilizará para as obras mais altas. Até agora, meu filho, sabemos que o mais prudente e o mais seguro é aquele que aproveita a oportunidade, mas vamos aprendendo também que se o homem gasta o ensejo para o bem comum, torna-se ele o instrumento que a Divina Oportunidade aproveita na prosperidade de todos. Dessa maneira, reconhecemos que sabendo escolher seremos escolhidos.

Quanto ao mais, deixemos o comboio da existência humana com as suas rodas em movimento. Há muito que andar para essa locomotiva gigantesca, a impulsionar dois bilhões aproximados de espíritos humanos, em fluidos densos, com esmagadora percentagem de inclinação para a animalidade primitiva. Jesus nos ampare a todos e continuemos caminhando. Dentre os amigos que vieram repousar construtivamente em nossas orações desta noite, saliento o nosso companheiro Raphael, que lhes deixa um grande abraço.

Descansem tranquilos, com a satisfação dos deveres bem atendidos. A vida é um presente sublime que se revela sem passado e sem futuro quando sabemos encher o dia com a luz do serviço digno e santificante.

Esperando que os benefícios da nossa prece atinjam a todos os nossos amados, presentes no templo doméstico e ausentes dele, deixa-lhes um abraço muito carinhoso o papai que não os esquece,


Neio Lúcio
(Prof. Arthur Joviano)