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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Neio Lúcio - Livro Sementeira de Luz - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano e outros / Chico Xavier - Cap. 29 - Abençoadas horas



Neio Lúcio - Livro Sementeira de Luz - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano e outros / Chico Xavier - Cap. 29


Abençoadas horas


Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês, concedendo-lhes muita energia e paz, alegria e bom-ânimo, no círculo de lutas purificadoras de cada dia.

Abençoadas sejam, não somente as horas em que vocês se entregam ao Senhor, através da oração, cultivando a fé, e sim também as que consagram ao esforço das mãos, em que vão realizando a estrutura da organização espiritual a caminho do grande porvir.

Rômulo referiu-se ainda há pouco a conversações antigas em que, muitas vezes, cogitamos desse espírito educativo – mãos e coração, sentimento e atividade.

É-me grato recordar, igualmente, que não laborávamos em erro. Velhos e dedicados amigos nossos têm vindo para cá em condições difíceis, outros se encontram às vésperas da partida, com passagens adquiridas para o regresso, vivendo, porém, desde aí, a tremenda luta que os espera “deste lado”, onde a colheita é sempre a resposta da semeadura.

Infelizmente, comentavam conosco a necessidade do esforço pessoal no mecanismo da esfera humana, entretanto, se eram diplomados na teoria, escapavam sutis à ação construtiva em seguida ao verbo. E a verdade é que começam acordando aí e terminam aqui o despertar, angustiados e oprimidos, geralmente, no santuário do que possuem de mais caro, isto é, a família, o jardim doméstico, a paisagem do coração.

O homem distraído do trabalho individual desvia-se inevitavelmente para o terreno baldio das ilusões, ilusões que se estendem aos entes que lhe são mais queridos, cegando a assembleia familiar de mil modos, eclipsando-lhe a visão justa das situações e das coisas.

Seriam muito descabidos nossos colóquios habituais se não visassem à reestruturação de nossa personalidade eterna para uma vida eterna. Fé para nós, por isso mesmo, significa serviço, realização, esforço incessante. Temos um grande dever na Terra – o da preparação. Fazemos e desfazemos as coisas, recapitulamos com a natureza diversas obrigações no curso dos meses para organizar o campo maior e definitivo em que nos movimentaremos depois do corpo perecível.

Graças à Divina Inspiração, não fui cego na esfera da educação dos filhinhos que a Providência me confiou e, mesmo assim, recordando o pretérito, voltaria se me fosse possível aos dias idos para aproveitar a substância do tempo e edificar ainda mais no terreno imperecível do espírito. Assim me refiro porque sei a compreensão que vocês dedicam às minhas pobres palavras e repito semelhantes raciocínios para fortificá-los perante as lutas renovadoras que ressurgem todos os dias, ensinando em nome do eterno Pai, dentro da escola do coração.

Quando os atritos do mundo se fizerem mais fortes, quando os trabalhos se agravarem, lembremo-nos disso e sentiremos a doce alegria de quem não foi inútil e nem gastou as horas de Deus em vão. O louco para nós é aquele que deixa o dia correr sem penetrar-lhe a bênção, sem gozar-lhe os bens legítimos, sem receber-lhe as dádivas imortais. Cada dia é um tesouro de luz para que o homem domine as sombras, entretanto, a maioria dos homens estima as sombras em favor do sono inútil dos sentidos, fugindo à luz. Para todos eles, contudo, o tempo é um juiz implacável, cobrando todas as perdas a dobrados preços de lei.

Bem-aventurados os que acordam na carne e põem-se a caminho da Vida Superior. Quase toda gente espera a morte fascinada pelo repouso, mas que repouso pode alcançar aquele que fugiu a todas as possibilidades de criação da verdadeira paz?

A vinda de alguns amigos nossos para cá é sintomática, dolorosa. Deixam na esfera dos homens vastos círculos de considerações sociais, recursos financeiros, programas de garantia estável na zona dos interesses do corpo, entretanto, eles mesmos permanecem desamparados, como se estivessem perseguidos em si próprios por terríveis demônios, criados dentro deles mesmos pelos falsos princípios que estabeleceram, alimentaram e consolidaram em suas mentes. Imaginemos um homem inoculando espinhos de todos os matizes na própria cabeça durante determinado tempo de olvido necessário e figuremos a morte como sendo a técnica operatória de extração desses corpos estranhos, no verdadeiro tempo que é o da realidade. Esses espinhos, porém, são feitos de longos anos e não saem com uma hora de orações, ou de angústias lastimáveis e respeitáveis.

Essa é a lei – lei que vigora para todos, universal e divina. Conservem, pois, a única liberdade digna de ser vivida, que é a de obedecer a Deus. Dela decorre toda a independência legítima, todo o bem. Enquanto nos conservamos à distância de seus artigos e parágrafos vivos, estamos com “a nossa liberdade” dentro da qual nos escravizamos vezes inúmeras, perdendo séculos na vanguarda espiritual que devemos ambicionar.

Passemos, porém, às nossas considerações de ordem imediata. Você, Maria, conforme o nosso clínico amigo, poderá prosseguir na aquisição de vitamina C através do Cantana e dos recursos naturais, pelas frutas. Essa providência melhorará o seu patrimônio de defesa orgânica.

Repouse ainda uns dois ou três dias, fisicamente, quanto seja possível. Fará muito bem à recomposição de suas forças nervosas. Durante os quatro dias próximos, use Ipecacuanha alternado com o Lachesis. É conselho do nosso amigo, portador de muitos benefícios para o seu organismo nestes dias.

Peço a Deus conceda a vocês todos muita saúde, equilíbrio e paz. E esperando que essa trilogia nos siga de perto, a fim de que possamos valorizar as concessões divinas na hora presente de nossa evolução e redenção, abraça-os muito afetuosamente o papai muito amigo de sempre,


Neio Lúcio
A. Joviano






02/10/1946

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 66 - Cada desencarnação é regresso de um lutador



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 66


Cada desencarnação é regresso de um lutador


"O ladrão não vem senão a furtar, a matar e a perder. Mas eu vim para que elas tenham vida, e a tenham em abundância." (JOÃO, 10:10)


Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês, concedendo-lhes a todos muita paz, saúde e alegria.

Estimo-lhes a conversação entusiástica na cultura do bem, antes das nossas reuniões, porque assim como é possível ao ferreiro converter o metal maleável da forja quente em utilidades para a vida comum, as opiniões bem ajustadas nos entendimentos mútuos nos oferecem matéria mental mais plástica para a produção de pensamentos edificantes em novos tipos.

Você diz muito bem, meu caro Rômulo, quando se reporta às multidões das Esferas imediatas à existência do homem vulgar. 

Imaginem a vida física como sendo uma vanguarda compacta de luta em linhas gigantescas de soldados que orçam por dois bilhões de elementos individuais. 

Nessa frente, o atrito é uma corrida ao prêmio que nomeamos por “evolução”, “redenção”, “sublimação”, etc. 

O trabalho do Espírito, mais fácil nessas condições, é uma concorrência de aspecto gigantesco à conquista de valores imperecíveis para a alma eterna. E as Esferas imediatas mais próximas à mente do homem constituem, naturalmente, a retaguarda. 

Cada desencarnação é regresso de um lutador, mas qual ocorre nas batalhas que vocês conhecem aí o número dos feridos, dos desajustados e dos loucos é sempre quase esmagador sobre a percentagem reduzida dos heróis. 

Geralmente, na Terra, quem volta do combate é candidato infalível ao hospital, onde atende a mutilações e chagas por tempo indefinido.  

Quem retorna ao círculo carnal igualmente traz consigo dificuldades enormes.

Mente presa a objetos amados, coração encarcerado em sentimentos inconfessáveis, interesses atados a objetivos inferiores, desilusões intraduzíveis, desacertos numerosos, doenças convertidas em vícios do pensamento, caprichos menos construtivos,  perturbações da visão interna, compromissos pesados com determinados seres, inibições que se tornaram sistemáticas, cristalizações do raciocínio que se fizeram contumazes, opiniões endurecidas no tempo,  preconceitos transformados em impedimentos ao verdadeiro progresso espiritual, temores infundados, medo das renovações benéficas, dificuldades à compreensão rápida, defeitos de observação, mágoas que os atormentam incessantemente e um sem número de alterações íntimas que nos dão a ideia de reencontrar nos recém-chegados do mundo verdadeira legião de “soldados enfermos”, presos da já célebre neurose de guerra que serve para diagnosticar qualquer desajuste.

E os milhões de seres nessas condições reclamam providências enérgicas nos setores da assistência, da reeducação e da reencarnação, como vocês não podem, por enquanto, apreciar. 

E até que entesouremos em nós o estado sublime de consciência que você designa por “apreensão de ordem superior”, há muitas e muitas léguas que andar nos domínios do trabalho e da experiência. 

Por mais movimentada seja a nossa vida no corpo, se realmente acordamos para a verdade divina, a movimentação para nós, que aqui desempenhamos as funções dos legionários da boa vontade, é sempre muito maior. Daí a razoabilidade do seu ponto de vista. 

A transposição de Plano para a nossa mente é muito morosa, considerando as necessidades de preparação à frente da vida superior. 

Só a vida grande merece a grande morte. 

Não há libertação para quem não se liberta. 

O trabalho é desconhecido para quem não trabalha.  

A vida abundante, com relação à qual Jesus foi tão claro no Evangelho, somente se revela ao coração que se devotou à vida intensa desde aí. 

A união é uma luz apenas para aquele que ainda na carne a procura.

O nosso mundo aqui é de continuação ao que aí teve começo. 

Na carne, as possibilidades de iniciar ou reiniciar são imensas. Aqui, porém, pelo menos dentro dos círculos mais vizinhos da crosta, a lembrança, a memória, a ligação impõem prosseguimento.  

Assim sendo, tudo aqui é sono para quem não despertou na matéria densa, desagrado para quem somente se agradou no campo emocional menos construtivo do mundo, angústia para quem não diminuiu as próprias aflições, desânimo ou perturbação para quem não aceitou os benefícios da luta ou entravou a marcha dos que buscavam lidar e lutar com nobreza.

Tudo lógico, vivo, natural. Não podia ser de outro modo.  

A “Terra próxima”, por isso, é talvez menos interessante que a “Terra do agora” para vocês. 

Conhecendo essas realidades vocês permanecem armados para muitas e valiosas conquistas. 

Quem mais realizar com o bem, mais aquinhoado de dons será pelas forças que o representam. 

Não se esqueçam de que pensamento e ação simbolizam sementeira e crescimento. Os dias se encarregam de amadurecer os frutos de acordo com a natureza de nossa plantação.

Estou muito satisfeito com as providências que vocês vão empreendendo em favor do Roberto. De nosso lado, partilharemos essas medidas dentro das possibilidades ao nosso alcance. Alegro-me com a colaboração de vocês na solução aos problemas dele, porque, de nosso círculo, é muito de meu desejo se sinta o neto amparado por todos os recursos ao alcance de nossa boa vontade e de nossa dedicação.

Quando a alma reenceta a luta em plano de trabalho que requisita as mais positivas afirmações da individualidade, as vozes e sugestões ao derredor de seus passos são sempre muitas. Desse modo, é útil estejamos ao lado do seu coração juvenil e generoso com as nossas. A sintonia final pertence a ele no grande caminho. 

Jesus emite para todos, entretanto, cada um de nós lhe ambienta os pareceres em horas e circunstâncias diversas entre si. Esperemos o futuro com o otimismo habitual.

Registramos a lembrança de palavras nossas destinadas ao público. Buscaremos responder logo que se nos ofereça oportunidade. Felizmente, não têm faltado recursos a essa sementeira de conforto e esclarecimento, e só tenho motivos para desejar progresso e êxito amplo ao serviço de vocês, que é igualmente nosso, campo de trabalho e de ideias que devemos exportar em formas sempre novas, atendendo-se às necessidades do tempo, da situação e da personalidade. 

A ideia em si não se modifica e no setor religioso ela é sempre um valor imutável que desceu de “Cima” para nosso consumo. O que se modifica é a expressão, simplesmente. Lidaremos com elas até alcançarmos a “superconsciência”, onde a claridade divina, por enquanto, é inimaginável para nós.

Boa noite a vocês todos. E desejando-lhes muita alegria, bom-ânimo e luz reúne-os num grande abraço o papai muito amigo de sempre,


Neio Lúcio
(A. Joviano)







15/11/1950.


terça-feira, 14 de outubro de 2025

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 104 - Resistência espiritual



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 104


Resistência espiritual



Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês, conferindo-lhes muita paz e saúde no campo da luta redentora em que nos empenhamos à conquista do futuro.

Acompanhei você, meu caro Rômulo, nos diversos flancos do combate espiritual dos dias últimos e louvo-lhe a serenidade e o ânimo forte. Felizmente, você tem agido com o valor e com a serenidade que eu sempre esperei.

Em diversas ocasiões, temos falado das dificuldades que surgem, invariáveis, no trabalho daqueles que se devotam ao bem e semelhantes obstáculos, com redobrado vigor, alinham-se agora à nossa frente. Por mim e de mim mesmo, com satisfação retiraria da senda de vocês todos os tropeços, entretanto, achamo-nos na condição dos aprendizes guindados a maiores lições.

Se vocês não andassem para a frente, meus filhos, decerto encontrariam a tranquilidade aparente em que muitos se demoram no mundo. Mas vocês não renasceram para a quietude da estagnação. O caminheiro que não para sofre a chuva e o vento, o frio e o calor. Para ele, a canícula e o inverno são forças vivas que o atormentam e vergastam.

Que fazemos senão agradecer ao Senhor a confiança com que nos honra e a graça de que nos cerca? Realmente, aí no círculo em que vocês trabalham, a visão e a sensibilidade padecem grandes angústias nas aferições espirituais de grande vulto, contudo, estejamos convencidos de que o tempo e a luta tudo renovam e transformam.

Compreendo a gravidade da hora que atravessamos. Hora em que os melhores experimentam provas enormes na dignidade e no coração. Peço-lhes, contudo, e principalmente a você, meu filho, muita calma e resistência espiritual. Quando digo “resistência” não pretendo afirmar que nos achamos irremediavelmente à mercê da tempestade arrasadora. Desejo apenas afiançar que não convém exagerar o apreço, nem o preço do mal que, no fundo, é invariavelmente o fruto de incompreensão e ignorância.

Não se perturbe, meu caro Rômulo, ante as arremetidas da sombra. A existência terrestre, como tarefa especializada, compromisso ou missão, é comparável a uma guerra permanente, cuja linha inicial se desenha no berço e cujo marco derradeiro se ergue no túmulo do corpo denso. Podemos perder grande quantidade de batalhas, mas não devemos confiar-nos à derrota final.

O quadro de lutas administrativas, qual o da atualidade, é um campo imenso de conflitos institucionais e individuais. Aí dentro, na hora em curso, não se evidenciam os melhores, porque há invasão, em massa, de elementos inferiores. A quantidade está ofuscando a qualidade, mas a paisagem é circunstancial e não definitiva, de vez que a Lei, no momento oportuno, determina que a qualidade se saliente para controlar a quantidade, conferindo-lhe expressões educativas.

Não posso adiantar a você qualquer notícia sobre o processo de manifestação dos nossos adversários gratuitos, porquanto, uma das ordenações daqui, mais rigorosa para o espírito de boa vontade, é a que se refere à absoluta abstenção de qualquer comentário no mal, que, na essência, serve apenas como interferência destrutiva na mente dos que ouvem. Mais vale a paciência que a violência, diz o conselho popular, e, no momento, a serenidade será ou deve ser nossa companhia fiel.

Não se concentre, meu filho, sobre possíveis desgostos ou necessidades da família. Tal pensamento não nos deve ocorrer. Recorde que os próprios filhos se encontram habilitados para o trabalho digno, cada qual dos dois organizando compromissos para o hoje e para o amanhã, e não se esqueça de que temos em nossa querida Maria uma companheira valorosa, cuja mente e cujas mãos jamais descansaram em benefício de nossa tranquilidade. Você poderá aduzir que o pomo de suas maiores aflições é o trabalho, a paisagem na qual o seu sentimento de trabalhador, de orientador e de missionário está amplamente refletido, acrescentando que os seus mais belos programas de serviço aqui se estruturam e se alongam. Justifico-lhe as observações e não desejo que você, em tempo algum, se esqueça dos laços divinos que nos prendem a este pedaço abençoado de terra, que nos guarda a esperança e o suor, o trabalho e o sonho. Entretanto, é justamente aí que se encontra o símbolo de nossas batalhas. É indispensável nos fortaleçamos convenientemente para suportar o conflito, voltar a ele e dominá-lo por fases diferentes, se assim for necessário.

De qualquer modo, instalemos a paz na segurança de nós mesmos para que lutemos varonilmente, sem intervalos de desânimo e sombra, de vez que não somos servidores infelizes, nem desamparados. O que é nuvem hoje é chuva amanhã e onde agora se adensam as trevas em breves instantes podemos rever a claridade habitual. Dentro de nós vive a condição. Se nos sustentamos, tudo permanece sustentado ao redor de nós. Se nos acovardamos, tudo é fraqueza junto de nossos passos.

Não estamos sentenciados a mendigar, mas a viver, a aprender, a servir, a lutar, a ajudar sempre e a vencer com a Vontade Superior que nos preside as tarefas. Confiança em Deus e em nós mesmos. Vitalidade espiritual em nossa crença na vitória suprema do bem. Disposição para tolerar quaisquer vicissitudes temporárias, agradecendo ao Senhor os recursos de que somos portadores, a fim de que as nossas energias se multipliquem.

Achamo-nos à frente de uma grande assembleia conturbada, na esfera da administração pública, para a qual os mais competentes e os mais dignos devem ser espezinhados, mas toda calamidade é passageira. A ordem e o progresso constituem regulamentos fundamentais e substanciais. O ajustamento das matérias de serviço é uma necessidade em épocas turbilhonárias como esta em que vocês sentem, sob a solidez do barco, a crueldade da onda traiçoeira, e estejamos convictos de que o coração pacificado e vigilante consegue atender a todos os imperativos da luta. Sigamos observando e trabalhando em favor de nós mesmos.

O caso orgânico do nosso Roberto centraliza-nos agora grandes atenções. A assistência médica ainda ser-lhe-á necessária por vários dias. A luta contra o processo infeccioso deve continuar. Não deve movimentar-se com excesso para contribuir conosco no reajuste da posição celular. Nosso rapaz tem estado sem defesas naturais no campo físico e certos remanescentes de natureza infecciosa, alojados no sangue, respondem pelo fenômeno do joelho, que reclama o cuidado já em movimento. Convém-lhe o tratamento medicamentoso de maneira particular e de nosso lado colaboraremos em favor dele com passes e outros recursos ao alcance de nossa influenciação indireta.

Nossas saudações amigas ao General Aurélio e à nossa irmã Júlia, para quem pedimos ao Alto a bênção do bem-estar e da saúde.

E reunindo vocês em meu coração abraça-os com muito afeto e carinho o papai muito amigo de sempre,


Neio Lúcio

A. Joviano
05/12/1951









sexta-feira, 31 de maio de 2024

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 12 - Amealhar pão espiritual



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 12


Amealhar pão espiritual


15/06/1949

Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês todos, conferindo-lhes muita paz ao coração.

Com a minha afetuosa visita de sempre, trago-lhes os meus cumprimentos pela vitória contra a gripe. Felizmente, Wanda venceu galhardamente a crise do resfriado. Tive receio de que a gripe de caráter menos benigno que atacou o grupo, de modo geral, nos impusesse, desta vez, maiores preocupações. Felizmente, a Bondade Divina, por intermédio de Seus emissários, nos auxiliou a todos, permitindo-nos a satisfação de vê-los depressa refeitos, altamente receptivos, no serviço da própria recuperação. Atualmente, a luta da esfera em que evoluímos é muito intensa no sentido de socorro preventivo.

Os remanescentes da guerra última são quais nuvens miasmáticas, espalhando aqui e ali fluidos de enfermidades e desânimo através de entidades aos milhares que vagueiam, quase sem rumo, chumbadas magneticamente ao solo do planeta. Vocês perguntarão pela assistência e têm razão. Assim como a cidade grande possui, invariavelmente, os seus postos avançados de socorro imediato, também, por nossa vez, dispomos de extensos recursos nesse particular, entretanto, apesar de todos os esforços do Plano superior, os obstáculos são grandes contra a generalização do auxílio. Quando a mente mais ou menos evoluída teima em não receber a nossa colaboração, debalde tentaremos impor o nosso concurso fraternal.

Poderão ajuizar sobre o assunto pensando na situação de vocês mesmos. Realmente, possuem vocês, no presente, remédio eficiente e seguro para muitos males, todavia, raros aceitar-lhes-iam a cooperação espontânea. Vocês e nós somos compelidos a amealhar pão espiritual, água viva de revelação e medicamento curativo da alma em reservatórios públicos de ideias, que são as mensagens entregues ao espírito geral para que as almas deles se apropriem quando julguem conveniente a própria adesão ao movimento de melhoria e elevação que lhes diz respeito. Dessa forma, também temos aqui aperfeiçoados serviços de socorro certo e eficaz, entretanto, devemos esperar que a lei se cumpra em cada alma que deseje sinceramente elevar-se.

O que mais impressiona no quadro do mundo moderno não são, porém, as moléstias espetaculares do corpo físico, para as quais sempre podemos recorrer à higiene ou à medicina, em qualquer caso. O que nos confrange a alma é sentir o amadurecimento dos homens para os benefícios da espiritualidade superior e vê-los no sentido coletivo completamente confiados ao conúbio com as forças mesquinhas e destrutivas. O desequilíbrio é enorme!

As enfermidades ocultas do desânimo, da perturbação indefinida, da derrota prematura, da incapacidade imaginária, em vários aspectos de desequilíbrio mental, assolam a vasta e respeitável casa humana e grandes instituições, em nossa Esfera, se arregimentam para prevenir medicação espiritual adequada contra as “epidemias psíquicas” de loucura.

Os desencarnados em posição idêntica ou mais baixa que a do homem comum se movimentam em todas as direções e ameaçam a estabilidade das próprias nações.

O mundo, na expressão representativa da civilização, não pretende afeiçoar-se a semelhante verdade, todavia, o clima na Terra atual, o clima do espírito, é difícil de alimentar os corações mais esclarecidos e mais sensíveis. 

Se o homem, considerado em bloco, entendesse a herança de dor que ele próprio atrai pelo olvido e indiferença diante das leis sublimes que nos regem os destinos, outras seriam as condições do planeta, mas “o lavrador colherá em todo tempo o que houver semeado e pelo plantio a que se devotarem as criaturas as colheitas dos anos próximos serão cada vez mais complexas em motivos de aflições purificadoras”.

Creiam vocês que estamos vivendo grandes dias. Dias de muita gravidade e de muita expectação para quantos já conseguiram se desviar das zonas mais fundas do vale, na direção dos montes. Que Jesus nos proteja e fortaleça, preparando-nos não só as forças da paciência, mas também as fibras para lutar com denodo e serenidade.

Infelizmente, não nos foi possível trazer o nosso amigo Gudesteu aos trabalhos espirituais. n Francamente, ele poderia, sem dúvida, vir a conversar pelo lápis, entretanto, sem perceber, vocês revestiram a ação na fé com carregadas tintas de responsabilidade. Não é com facilidade que devemos abrir a porta para as sugestões mesmo de ordem espiritual que nos visitam, porque, antes de tudo, agora, é preciso saber que qualidade de material estamos fornecendo ao pensamento dos outros.

Não se achando o nosso estimado amigo em condições de escrever, consolando e edificando, de maneira substancial aos entes amados que ficaram, qualquer carta que viesse grafar traria dificuldades em consequência. 

Ah! Se todos pudéssemos e, em muitas circunstâncias, se todos quiséssemos preparar a longa e inevitável viagem, outros aspectos assumiriam entre os homens os inquietantes problemas da morte. 

Sabem vocês hoje, tanto quanto eu, como é difícil dar e receber em matéria de fé raciocinada e vivificante. Agradeçamos as bênçãos que estamos entesourando nas almas. Cada conhecimento novo, cada estudo meditado na revelação divina, cada serviço na crença representa tijolos espirituais na casa do porvir.  

Abençoados sejam vocês que têm sabido conservar o dom da confiança no Altíssimo. Quem confia no Senhor nunca sofre desapontamento, porque o desencanto e a amargura pertencem aos círculos dos homens, simplesmente. Que a Divina Bondade nos auxilie cada vez mais na recepção das oportunidades preciosas de iluminação que temos recebido.

Continuem cuidadosos com o equilíbrio orgânico, sem esquecerem, de pronto, os antigripais. O tempo experimenta grande variabilidade e o instrumento físico de que vocês dispõem é um só, sem possibilidades de substituição apressada. Um corpo é um tesouro que devemos gastar com prudência e veneração para não cairmos em surpresas desagradáveis.

Estive com você, meu caro Rômulo, nas horas de materializações em Juiz de Fora. Mais tarde, falaremos do assunto. Peço a Jesus para que vocês todos desfrutem muita saúde e alegria. A saúde é um vaso de luz e a alegria é um óleo de vida abundante. A luta terrestre exige ambas preciosidades para que se converta em mecanismo de interpretação da Vontade Divina.

Que o Senhor nos abençoe e ilumine cada vez mais. E reunindo-os num grande e carinhoso abraço, sou o papai muito amigo de sempre,


Neio Lúcio
(Arthur Joviano)












terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 116 - Não prejulguemos



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 116


Não prejulguemos


01/04/1952

Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês todos, conferindo-nos saúde, alegria e bom-ânimo para nossa luta redentora de cada dia.

Compreendo a atmosfera de sombrias preocupações que naturalmente nos assaltou nas circunstâncias da hora que passa. Entretanto, meus filhos queridos, é indispensável saber contornar o rochedo infeliz para que a dureza dele não nos fira ou estraçalhe. Sabemos que há razão para a atitude apreensiva, mas não devemos perder a esperança.

As administrações humanas se modificam e quem nos oferece hoje o cálice mais amargo da luta amanhã pode ser constrangido a sorver o conteúdo da mesma natureza.

Reconheço que a mudança é difícil, que a transferência para a vida turbilhonária de uma grande capital é imprevista. Sei que os obstáculos não serão pequenos, a se anteporem cada dia entre a nova realidade e os nossos hábitos mais caros, entretanto, busquemos senhorear a situação com a precisa coragem e com a fé necessárias.

Antes de tudo, a serenidade e o otimismo devem presidir as nossas alterações do momento, a fim de que não venhamos a sucumbir sob as provas que nos compete superar.

Peço a você, meu filho, muita calma e resistência moral. Não desconheço os conflitos interiores que lhe oprimem a alma e lhe amarguram o coração. Daria tudo para poupá-lo de semelhantes dificuldades, mas não posso interferir no curso da lei que, gradativamente, vai executando os seus desígnios um dia escolhidos e fixados por nós mesmos.

Cada qual de nós deve trilhar uma senda específica de acesso à comunhão com o Senhor. Você sabe que, por minha vez, enquanto aí, atravessei igualmente os maus dias e as noites insones que a vontade do Alto me reservava. Nem sempre a nossa jornada no mundo pode seguir entre os caminhos que nos pareçam mais ajustados ao nosso modo de ser.

Você não está esquecido e nem desamparado. Passo a passo, amparam-no vários amigos invisíveis que se abeiram de sua estrada, estendendo-lhe as mãos. Não se suponha — repito — exonerado pelo Plano Superior das suas tarefas de ordem espiritual. A sua retirada compulsória, que desejamos tão curta quanto seja possível, obedece a injunções do seu próprio mapa de vida na Terra e não a impositivos de natureza exterior. Há momentos em que precisamos apreciar a luta de um plano mais elevado, nela penetrando mais por amor aos outros que por devotamento ao nosso próprio bem-estar. E semelhantes oportunidades decorrem invariáveis de nossa própria eleição antes do mergulho nos fluídos densos da carne sobre a Terra.

Bem se vê que estamos à frente de um adversário. Não se discute. No entanto, é necessário conquistar-lhe a opinião em nosso próprio favor. Sei que você não nasceu para a insinceridade e mais que ninguém conheço o seu temperamento franco, claro e espontâneo. Contudo, meu caro Rômulo, se a hora pede sacrifício, atendamos-lhe ao impositivo. Estou convencido de que você comigo, e eu em sua companhia, edificaremos muitíssimo naquele espírito desarvorado, embora convencional, em seu lustre de superfície. Não ignoramos que aceitando a Jesus por mestre a ele confiamos nossa vida, dispondo-nos a receber-lhe as divinas lições, em qualquer parte. E já que o Mestre imperecível nos convida a novo campo de ação procuremos não temer e sim crer somente, segundo a palavra sábia e iluminada do Evangelho.

Eu não disse na quarta-feira passada que você está doente e impossibilitado de atender às novas obrigações. Não seria eu o profeta de sua desistência da luta. Em minha carta humilde, apenas tracei um quadro do que poderia acontecer ao nosso grupo familiar, a fim de exaltarmos a graça divina que realmente nos acompanha em todos os instantes de nossa luta. Estaremos de pé, ao seu lado, auxiliando a cumprir seus deveres novos. Renovar-nos é a base de nossa verdadeira elevação. 

Não pense nos males de que o adversário possa ser o portador e sim lembremo-nos dos bens que podemos levar-lhe à ação e ao coração. Não prejulguemos, embora o quadro por ele estabelecido aos nossos olhos seja o mais desagradável à nossa conceituação de serviço, de equilíbrio e da vida. Encaremos a realidade com espírito sereno, atentos à cooperação valiosa da qual podemos dar testemunho. Não esperemos dele o que não tem para dar-nos e sim estejamos prontos para oferecer-lhe os recursos que pode esperar de nós.

Não há tempestade sem bonança e nem noite sem dia. Se o Senhor nos considera dignos de uma empresa tão alta, e aparentemente superior às nossas forças, sigamos ao encontro dela com destemor e paciência. Você não ignora que é fácil traçar roteiros para os outros enquanto nos demoramos na calma da paisagem diferente, contudo, estou vivendo o seu drama íntimo com indizível amor e não menor preocupação, e espero que o Alto nos favoreça. 

Tenho conversado mentalmente com você através de muitas maneiras diferentes, nos dias últimos, mas estou aprendendo com você a lição de que é muito difícil consolar aqueles que são o consolo de muitos e encorajar os corações que se fizeram os protótipos da coragem. Ainda assim, avancemos para adiante com otimismo e esperança. O essencial, no momento, é suportar de perto aquilo que você tolerava de longe, a fim de traçarmos com segurança um programa de recuperação. 

Se eu pudesse instilar em seu espírito uma força renovadora para a garantia de nossa paz nos primeiros embates, creia que daria tudo para satisfazer-lhe a necessidade. De qualquer modo, porém, confio em sua capacidade de autodomínio e no patrimônio de recursos espirituais de que, presentemente, somos detentores, a fim de que possamos sobrenadar acima do dilúvio dos caprichos e paixões desencadeado. De sua tolerância dependerá o êxito. Há cruzes que precisamos suportar com o heroísmo silencioso do Mestre para que nós e o nosso trabalho possamos encontrar a precisa ressurreição.

Noto-o algo fatigado e muito aflito na semana presente, mas todos esses fenômenos obedecem a causas de ordem mental e não física. Ainda assim, solicitei instruções do nosso receitista, que indica a você o uso alternado, por 10 a 15 dias, de Cactus Grand. 5ª, Lachesis 5ª, Carbo 5ª e Kalmia Lat. 5ª. E por alguns dias — 3 a 4 semanas — use um auxiliar para o sistema nervoso de Maracujina. É um preparado em base de frutas plenamente inofensivo e com propriedades que podem ajudar-nos de maneira expressiva. O “medicamento inglês” igualmente deve comparecer à nossa lida diária.

Quanto ao mais, meu filho, tenhamos esperança e fé. No Rio, façam o possível por manter as orações e o culto das quartas à noite com os nossos e com a presença eventual de algum companheiro de confiança. Estarei presente e procurarei fazer-me sentir por intermédio de Wanda, ou mesmo de vocês, em alguns minutos de prancheta. 

O tempo tudo reajustará se auxiliarmos ao tempo. Não há motivo para nos entregarmos à inconformação ou ao desânimo. A Providência Divina só nos pede a condução de certos fardos quando nos considera fortes. As missões espirituais, o desejo de fazer o bem e o ideal de servir jamais se interrompem. A ordem de Deus à Criação é a de que tudo continua — a vida conosco e nós com a vida — no rumo da perfeição infinita a que todos estamos destinados. Que o Alto nos proteja e nos abençoe. Confiamos em você com a segurança de sempre.

Estamos muito satisfeitos com a nova bandeira que o Roberto está desfraldando. Está moço e forte, com múltiplos recursos para uma iniciação profissional em grandes passos como os que se anunciam. Desejo ao meu neto muito progresso, saúde, paz e prosperidade. À Wanda estendo os meus votos de pleno êxito em seus ideais no serviço público e à nossa querida Maria, junto de você, desejo muita coragem e compreensão como sempre, para que nos auxilie a ver com clareza nas particularidades do caminho que nos cabe trilhar com prudência, operosidade, boa vontade e tolerância.

Assim, pois, não nos reportemos a um “adeus” inexistente e inadequado. Trabalhemos e o Senhor nos auxiliará. Confiemos no Alto e o Alto confiará em nós. Ajudemos para sermos ajudados. Toleremos, a fim de aproveitar com eficiência os bens que a vida e o mundo nos reservam. Exaltemos o otimismo e veremos o sol resplandecer sobre o pântano. Plantemos a esperança com o esforço de nosso sacrifício e o Senhor nos compensará com a realização, que é sempre a bendita colheita do espírito.

De almas e corações ligados, pois, nos problemas e trabalhos de cada hora, sigamos ao encontro da luta, porque, sem ela, não poderíamos aferir os nossos valores à frente de Deus.

Desejando-lhes, assim, tudo o que possa existir de melhor no caminho da vida, abraça-os com imenso carinho e profunda gratidão o papai e vovô que não os esquece,


A. Joviano
(Neio Lúcio)















segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 10 - Nos recessos do lar



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 10


Nos recessos do lar


25/05/1949

Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês todos, conferindo-lhes muita paz e bom-ânimo aos corações.

Venho da tarefa de assisti-los na viagem última e sinto-me satisfeito em lhes identificando a tranquilidade nos recessos do lar. Em verdade, o santuário doméstico é um abençoado refúgio. Vocês observarão, lá fora, os conflitos dos interesses inferiores da vida.

Homens respeitáveis disputando insignificâncias, companheiros distintos e esclarecidos, sob o ponto de vista intelectual, resvalando para situações escuras quanto ao espírito eterno, e nós vemos o grande mundo invisível, a esfera obscura que rodeia tanta gente digna e estimável. Entidades perturbadas, mentes cristalizadas em caprichos rasteiros, lutas quase imperceptíveis em que desencarnados cruéis que perseguem e fascinam aqueles que lhes captam as ondas vibratórias. 

Para vocês, a sensação é inquietante. Para nós, a visão é muito triste. Imaginem a aflição que lhes causaria uma ordem superior que os compelisse a pronunciar a verdade num ambiente venerável por todos os títulos terrestres! Vocês, naturalmente, sofreriam indefiníveis sensações de angústia em traçando diretrizes que ninguém ouve, nem compreende muitas vezes. 

Para nós, o problema é quase o mesmo. Ninguém nos obriga a desenhar roteiros para os espíritos transviados, entretanto, a nossa dor é idêntica à que preocupa um diretor sincero de sessões consagradas ao intercâmbio com o Invisível — somos tentados a socorrer, a doutrinar, a ajudar, a ensinar, mas… Onde está a passividade edificante do ouvinte? 

Muitos foram, sem dúvida, os quadros que me consternaram o coração, todavia, aquele que mais fundo me feriu a alma é o da posição do velho amigo que percorre o sítio doméstico sumamente querido ao coração apegado a todas as particularidades que lhe assinalam o antigo patrimônio material. Não cede para ouvir a ninguém. Não aceita alvitres fraternos e não entende traço algum de outra vida que não seja a do corpo denso, à qual se religa através de todos os modos ao seu alcance, não por deficiências de instrução, mas por lacunas de preparação espiritual. Aproximou-se de vocês frequentes vezes e chegou a avistar-se com o Rômulo “em sonho” ou no desprendimento parcial da noite. Pede socorro, mas não se adapta ao gênero de assistência que necessita. Perturbado, aflito, sem repouso, transita nas linhas da “posse imaginária” a que se algemou, perdendo tempo precioso. Ajudemo-lo, cada vez mais, com os pensamentos de fraternidade. 

Os desastres da vida física esmagam corpos e criam espetáculos passageiros, de sangue e sofrimento, mas as devastações do espírito são dolorosas por perdurarem enquanto os interessados em refazimento da paz não se desinteressam mentalmente delas. Creiam, porém, que de qualquer modo nossa influenciação foi benéfica e salutar nesse encontro direto. 

Nem sempre conseguimos tudo, mas a linha mais completa de qualquer figuração geométrica começa sempre de um ponto minúsculo. Assim, as tarefas de despertamento e renovação da alma iniciam-se com pequenos gestos e palavras simples, e aparentemente inexpressivas. Abençoemos as dádivas que o Senhor nos conferiu e passemos adiante.

Estamos todos sinceramente satisfeitos com o aparecimento do livro do nosso amigo espiritual. n Constitui a materialização de um curso de evangelização que foi iniciado, precisamente, em nosso meio, em 1939. É uma satisfação muito grande reparar que vocês puderam guardar a sementeira no tempo sem desmerecer da confiança do Alto. Certo, muitos núcleos espiritistas poderiam realizar idênticas edificações, todavia, falta ao maior número esse “espírito de serviço com esperança” de quem sabe que as horas restituem os frutos da semente com expressões matemáticas indiscutíveis. 

E em qualquer organização humana há que observar, esforçar-se, experimentar e aguardar, que não dizer dos imperativos de paciência e serenidade, fortaleza e trabalho que devem presidir as tarefas inerentes ao espírito eterno? Nossa alegria é muito sincera e de minha parte entrego-lhes todo o conteúdo de meu júbilo espiritual, apreciando-lhes os esforços e pedindo a Deus para que vocês prossigam em boa posição perante o câmbio da eternidade. Em toda operação da vida, procuremos os fundamentos. Para nós o que não subsista com valor essencial e imperecível deve ser naturalmente esquecido em lugar à parte para quantos ainda precisem de material transitório para a escalada ao progresso comum.

Nesse meu pensamento não vai qualquer apelo ao olvido de nossos deveres humanos na experiência terrestre, por mais desagradáveis nos pareçam quando já possuímos certa provisão de luz espiritual.

Para todas as realizações há tempo preciso e determinadas obrigações só devem ser colocadas à margem do caminho quando a consciência nos aprove a modificação de atitude na pauta do “dever cumprido” e do “problema liquidado”. 

Enquanto um servidor de Jesus é chamado à missão representativa nesse ou naquele ângulo do serviço de construção evolutiva a tarefa não pode, nem deve ser interrompida, porque quem representa o superior educa sempre na direção do infinito bem.

Relativamente ao novo livro, [1] espero traçar um pequeno trabalho nos moldes do “Alvorada cristã”, considerando as necessidades do culto doméstico do Evangelho, em fase de multiplicação no Espiritismo brasileiro. Se para tanto merecer o auxílio de Jesus, aguardo a possibilidade de iniciá-lo em fins de junho, depois do dia 18, quando meu espírito tem compromissos nas lembranças de Célia. [2] Como sempre, contarei com o incentivo de vocês todos.

Agora, é preciso terminar. Nossos assuntos possuem o gosto da eternidade e, por isso, não falham aos característicos de infinito. Continuaremos assim, fora do papel, a permutar o afeto invariável, de coração para coração.

Prossigam em uso dos remédios antigripais. É prudente preservarem-se contra os resfriados de consequências lamentáveis para a organização fisiológica geral.

Reunindo-os num grande e afetuoso abraço, sou o papai muito amigo que não os esquece,


Neio Lúcio
(A. Joviano)









Notas da organizadora:

[1] Vovô refere-se ao livro Caminho, Verdade e Vida, psicografado por Chico Xavier e lançado em 1949, pela FEB.


[2] Em referência ao dia 18 de junho, “Dia de Célia”, Célia Lúcius, personagem do livro 50 anos depois, psicografado por Chico Xavier, pelo espírito de Emmanuel (FEB, 1940).






quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 95 - Quem nada faz nada tem a perder



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 95


Quem nada faz nada tem a perder


29/08/1951

Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês todos, conferindo-lhes muita paz e alegria no caminho purificador.

Meu caro Rômulo, acompanho-lhe, como sempre, as apreensões e as preocupações. Entendo-lhe as dificuldades e os percalços e rogo ao Senhor — o divino Dispensador da Vida — multiplique as suas forças na resistência construtiva e necessária. Penso que a sua mente vem assinalando as minhas opiniões e pareceres dentro do círculo de suas tarefas e obstáculos, através do “fio silencioso da sintonia espiritual”, entretanto, repito a você, em figurações de lápis, que a experiência no mundo para quem trabalha não pode ser diferente dessa em que você vive na atualidade, com as vigílias da alma, com o suor da fronte, com o movimento dos braços e com os anseios do coração. Aos Espíritos que repousam na ociosidade, semelhantes problemas se ocultam. Quem nada faz nada tem a perder. Quem não planta de certo viverá na “terra de ninguém”, consumindo alheio fruto. Mas quem procura algo criar nos setores do bem cedo é defrontado por toda a espécie de óbices e embaraços.

Enquanto o lavrador confiar a sua gleba a mercenárias mãos dormirá o sono da ignorância ou do esquecimento na esfera das obrigações que desposa, contudo, em se dirigindo pessoalmente ao trabalho em que lhe cabe agir e persistir, conhecerá, de certo, os fenômenos inquietantes do tempo, os desastres da erosão, a invasão das enchentes e o perigo dos vermes que lhe atacam as leiras promissoras. Assim também, meu filho, é a vida. Antigamente era assim. Hoje é a mesma luta. Os conflitos interiores de seu pensamento não constituem novidade.

De alguns milênios para cá sofremos e lutamos com as mesmas recapitulações, a fim de aprendermos que não existe tesouro mais precioso que a paz de uma consciência tranquila, não pela inércia de muitos, mas pela ação incessante no bem. Não julgue que as nossas aflições e anseios sejam problemas inabituais. Conhecemo-los de muito tempo. Muitas vezes já administramos tentando a construção de bens coletivos em escala maior. O trânsito, através das ordenações em casas representativas da lei, com deveres amplamente discriminados à nossa capacidade de realização, é familiar aos nossos espíritos desde muitos séculos. E creia que se estamos repetindo velhos tentames na ordem da prosperidade comum os homens de nosso tempo estão igualmente percorrendo de novo antigos caminhos que lhes pareciam definitivamente abandonados.

Não evitaremos o assédio de todos os matizes, desde que nos disponhamos a avançar no campo do aprimoramento ou da melhoria. A calúnia é uma serpente invisível na estrada de todos os servidores do bem, nas épocas variadas em que assinalamos a própria jornada, e com ela a treva, a maldade, a ingratidão e a má-fé se associam, invariáveis, buscando estabelecer o reinado da sombra entre as criaturas. Isso é natural. Estaríamos no Paraíso se as nossas boas intenções fossem amplamente reconhecidas e os nossos atos corretos plenamente vistos, sentidos e aprovados. Achamo-nos, realmente, na Terra — nossa escola multimilenária —, onde, muitas vezes, temos sido constrangidos a reaprender as mesmas lições. Assim me expresso para dar a você uma ideia de paz e serenidade no seio das lutas íntimas que vamos superando em esforço gradativo.

Não confira a muitos assuntos de nossa batalha mais que a atenção estritamente necessária. Poupe-se, tranquilize-se e sigamos trabalhando. Não convém acender muitas velas para sombras prováveis e, segundo sabemos, os maus são quase sempre as pedras colocadas em nosso caminho para aferirem a nossa capacidade de superação. Edifiquemo-nos dentro do santuário dos nossos deveres bem cumpridos. A Justiça Divina em nossa consciência é o órgão controlador de nossa felicidade. Fortificados pela opinião que o serviço feito nos impõe a favor de nós mesmos, não nos cabe recear quaisquer alterações e modificações suscetíveis de deslocar-nos o bom-ânimo no trabalho afeto à nossa responsabilidade.

Certamente, o homem que atende ao mapa das responsabilidades que lhe dizem respeito não pode movimentar-se com a insegurança e a lentidão de quantos se valem dos princípios legais para escorarem a própria ociosidade. Tal servidor, em muitas ocasiões, deverá extrair de oportunidades do futuro para benefício do presente sacando no amanhã para as exigências do hoje. E, por isso, não raro sofre os mil golpes diários de quantos se abandonam no relaxamento e na improdutividade, padecendo renunciações e sacrifícios que só ele próprio conhece na intimidade do coração, mas outro remédio não existe, por enquanto, no mundo em que evoluímos, porque a maioria prefere a expectação indefinida para confiar-se, depois, à crítica indébita com prejuízos gerais para a administração e para a subalternidade. Assim, pois, resignemo-nos e prossigamos para a frente.

Enquanto nos derem o ensejo de servir atendamos aos abençoados impositivos de nossa missão, ajudando indistintamente, e nesse capítulo, quanto nos seja possível, guardemos paz e confiança, porque a vida, na essência, é do Senhor, que não nos cerra as portas do trabalho e da elevação pela bênção do serviço a todos.

O que vemos hoje é o que víamos ontem. Nossas dores e inquietações no mundo são agora as que nos flagelavam anteriormente. Conformemo-nos, e guardando, acima de tudo, o nosso padrão de movimento pessoal nos deveres que o Céu nos indicou, saibamos evitar as “cristalizações mentais” de angústia, que geram desânimo, medo e sombras. Avancemos com a nossa paz por dentro.

A corrente d’água ininterrupta faz caminhos na rocha. Copiemos certas atitudes da natureza e não duvidemos da Divina Bondade. Em nosso caso particular, lembremos a velha fábula do lobo e do cordeiro. Quando o manancial tem a infelicidade de ser visitado por feras, o perigo é uma realidade para quem se aproxima sem malícia e sem prevenção. A hora, porém, se é de ação, é também de muita fé e calma.

Não permita que a tempestade penetre o aconchego de seu clima interior. Fora de casa pode haver chuva, granizo, gelo e vento forte, mas se acendemos a lareira no reino doméstico, tudo na intimidade é concórdia contra as intempéries. Em nosso coração, poderemos fazer, simbolicamente, o mesmo. A lareira da fé viva pode aquecer-nos se lhe sustentamos o calor com o lenho de nosso esforço e boa vontade. Assim me exprimindo, tenho um objetivo essencial: defender a sua saúde contra quaisquer fatores de anormalidade ou desintegração. Tanto quanto é possível tudo vai bem e só nos cabe, segundo a advertência do apóstolo, “regozijar-nos sempre”.  

Maria, peço a você usar o remédio sem receio. Estamos colaborando em suas melhoras e através de nossas aplicações magnéticas confiamos na ação medicamentosa eficiente. Questão de alguns dias para que você esteja fortalecida e novamente bem disposta. Ao Rômulo, aconselho o Kalmia Latif. e o Chelidonium, em nome do nosso receitista, na viagem próxima, que espero lhe seja pródiga de boas realizações como sempre. O remédio para as coronárias tem produzido excelente efeito. Há venenos que são úteis, na dose e na oportunidade aconselháveis. Com satisfação observo a nossa sementeira com “Jesus no lar”, em renovadas bênçãos. Que o Mestre nos conceda a oportunidade sempre maior de mais fazer, na posição de pequenos e humildes servidores, em seu nome.

Os nossos amigos Mário Telles e Mário Carneiro, presentes, deixam-lhes carinhosa saudação, por meu intermédio. [1] Ambos se dirigem ao Rômulo com otimismo e afirmam que a luta áspera é o tributo que a Terra cobra, implacável, ao bom trabalhador.

A todos vocês os meus votos de muita saúde, paz e bom-ânimo no grande caminho em que se empenham no santificado labor do bem. E reunindo-os em meu abraço de muito afeto, carinho e reconhecimento sou o papai e vovô que não os esquece,


Neio Lúcio
A .Joviano










[1] Nota da organizadora: Relembrando, Mário Telles foi diretor da Divisão de Fomento da Produção Animal do Ministério da Agricultura e Mário Carneiro, um grande amigo da família Joviano.

 

domingo, 13 de novembro de 2022

Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 12 - Amealhar pão espiritual



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 12


Amealhar pão espiritual


15/06/1949

Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês todos, conferindo-lhes muita paz ao coração.

Com a minha afetuosa visita de sempre, trago-lhes os meus cumprimentos pela vitória contra a gripe. Felizmente, Wanda venceu galhardamente a crise do resfriado. Tive receio de que a gripe de caráter menos benigno que atacou o grupo, de modo geral, nos impusesse, desta vez, maiores preocupações. Felizmente, a Bondade Divina, por intermédio de Seus emissários, nos auxiliou a todos, permitindo-nos a satisfação de vê-los depressa refeitos, altamente receptivos, no serviço da própria recuperação. Atualmente, a luta da esfera em que evoluímos é muito intensa no sentido de socorro preventivo.

Os remanescentes da guerra última são quais nuvens miasmáticas, espalhando aqui e ali fluidos de enfermidades e desânimo através de entidades aos milhares que vagueiam, quase sem rumo, chumbadas magneticamente ao solo do planeta. Vocês perguntarão pela assistência e têm razão. Assim como a cidade grande possui, invariavelmente, os seus postos avançados de socorro imediato, também, por nossa vez, dispomos de extensos recursos nesse particular, entretanto, apesar de todos os esforços do Plano superior, os obstáculos são grandes contra a generalização do auxílio. Quando a mente mais ou menos evoluída teima em não receber a nossa colaboração, debalde tentaremos impor o nosso concurso fraternal.

Poderão ajuizar sobre o assunto pensando na situação de vocês mesmos. Realmente, possuem vocês, no presente, remédio eficiente e seguro para muitos males, todavia, raros aceitar-lhes-iam a cooperação espontânea. Vocês e nós somos compelidos a amealhar pão espiritual, água viva de revelação e medicamento curativo da alma em reservatórios públicos de ideias, que são as mensagens entregues ao espírito geral para que as almas deles se apropriem quando julguem conveniente a própria adesão ao movimento de melhoria e elevação que lhes diz respeito. Dessa forma, também temos aqui aperfeiçoados serviços de socorro certo e eficaz, entretanto, devemos esperar que a lei se cumpra em cada alma que deseje sinceramente elevar-se.

O que mais impressiona no quadro do mundo moderno não são, porém, as moléstias espetaculares do corpo físico, para as quais sempre podemos recorrer à higiene ou à medicina, em qualquer caso. O que nos confrange a alma é sentir o amadurecimento dos homens para os benefícios da espiritualidade superior e vê-los no sentido coletivo completamente confiados ao conúbio com as forças mesquinhas e destrutivas. O desequilíbrio é enorme!

As enfermidades ocultas do desânimo, da perturbação indefinida, da derrota prematura, da incapacidade imaginária, em vários aspectos de desequilíbrio mental, assolam a vasta e respeitável casa humana e grandes instituições, em nossa Esfera, se arregimentam para prevenir medicação espiritual adequada contra as “epidemias psíquicas” de loucura.

Os desencarnados em posição idêntica ou mais baixa que a do homem comum se movimentam em todas as direções e ameaçam a estabilidade das próprias nações.

O mundo, na expressão representativa da civilização, não pretende afeiçoar-se a semelhante verdade, todavia, o clima na Terra atual, o clima do espírito, é difícil de alimentar os corações mais esclarecidos e mais sensíveis. 

Se o homem, considerado em bloco, entendesse a herança de dor que ele próprio atrai pelo olvido e indiferença diante das leis sublimes que nos regem os destinos, outras seriam as condições do planeta, mas “o lavrador colherá em todo tempo o que houver semeado e pelo plantio a que se devotarem as criaturas as colheitas dos anos próximos serão cada vez mais complexas em motivos de aflições purificadoras”.

Creiam vocês que estamos vivendo grandes dias. Dias de muita gravidade e de muita expectação para quantos já conseguiram se desviar das zonas mais fundas do vale, na direção dos montes. Que Jesus nos proteja e fortaleça, preparando-nos não só as forças da paciência, mas também as fibras para lutar com denodo e serenidade.

Infelizmente, não nos foi possível trazer o nosso amigo Gudesteu aos trabalhos espirituais. n Francamente, ele poderia, sem dúvida, vir a conversar pelo lápis, entretanto, sem perceber, vocês revestiram a ação na fé com carregadas tintas de responsabilidade. Não é com facilidade que devemos abrir a porta para as sugestões mesmo de ordem espiritual que nos visitam, porque, antes de tudo, agora, é preciso saber que qualidade de material estamos fornecendo ao pensamento dos outros.

Não se achando o nosso estimado amigo em condições de escrever, consolando e edificando, de maneira substancial aos entes amados que ficaram, qualquer carta que viesse grafar traria dificuldades em consequência. 

Ah! Se todos pudéssemos e, em muitas circunstâncias, se todos quiséssemos preparar a longa e inevitável viagem, outros aspectos assumiriam entre os homens os inquietantes problemas da morte. 

Sabem vocês hoje, tanto quanto eu, como é difícil dar e receber em matéria de fé raciocinada e vivificante. Agradeçamos as bênçãos que estamos entesourando nas almas. Cada conhecimento novo, cada estudo meditado na revelação divina, cada serviço na crença representa tijolos espirituais na casa do porvir.  

Abençoados sejam vocês que têm sabido conservar o dom da confiança no Altíssimo. Quem confia no Senhor nunca sofre desapontamento, porque o desencanto e a amargura pertencem aos círculos dos homens, simplesmente. Que a Divina Bondade nos auxilie cada vez mais na recepção das oportunidades preciosas de iluminação que temos recebido.

Continuem cuidadosos com o equilíbrio orgânico, sem esquecerem, de pronto, os antigripais. O tempo experimenta grande variabilidade e o instrumento físico de que vocês dispõem é um só, sem possibilidades de substituição apressada. Um corpo é um tesouro que devemos gastar com prudência e veneração para não cairmos em surpresas desagradáveis.

Estive com você, meu caro Rômulo, nas horas de materializações em Juiz de Fora. Mais tarde, falaremos do assunto. Peço a Jesus para que vocês todos desfrutem muita saúde e alegria. A saúde é um vaso de luz e a alegria é um óleo de vida abundante. A luta terrestre exige ambas preciosidades para que se converta em mecanismo de interpretação da Vontade Divina.

Que o Senhor nos abençoe e ilumine cada vez mais. E reunindo-os num grande e carinhoso abraço, sou o papai muito amigo de sempre,


Neio Lúcio
A. .Joviano