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quarta-feira, 23 de abril de 2025

Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 32 - O Ser Translúcido



Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 32, Pág. 193


O Ser Translúcido


"(...) comparemos os médiuns a esses frascos de líquidos coloridos e transparentes que se vêem na vitrine de laboratórios farmacêuticos; pois bem, nós somos como as luzes que clareiam certos pontos de vista morais, filosóficos e internos, através de médiuns azuis, verdes ou vermelhos, de tal sorte que nossos raios luminosos, obrigados a passarem através de vidros mais ou menos bem talhados, mais ou menos transparentes, quer dizer, por médiuns mais ou menos inteligentes, não chegam sobre os objetos que desejamos iluminar, senão tomando a tinta, ou melhor, a forma própria e particular desses médiuns". (Livro dos Médiuns - 2ª parte - Cap. XIX, item 225.)


Qualquer indivíduo que edifique seus relacionamentos sobre alicerces não assentados na honestidade estará construindo em terreno arenoso. Suas relações — sociais, afetivas, familiares, profissionais, ou mesmo extra-sensoriais - não resistirão à "fragilidade do solo" e às "intempéries do tempo", se não utilizar de clareza e franqueza consigo mesmo e com os outros.

Honestidade será sempre a melhor política em todas as situações da vida. Abandonar o "palco da vida" liberando-se das máscaras requer esforço e coragem.

Confúcio, o mais célebre filósofo chinês, disse: "Vencer-se a si mesmo, controlar suas paixões, devolver a seu coração a honestidade que ele herdou da Natureza, eis a virtude perfeita. Que vossos olhos, vossos ouvidos, vossa língua, tudo em vós seja mantido nas regras da honestidade".

O mecanismo psicológico de rejeitar atitudes, impulsos ou sentimentos e culpar os outros, de forma que a autocondenação se torne uma acusação a outra pessoa, se denomina "projeção". Podemos dizer que o indivíduo tenta apaziguar seu suposto "inimigo interior", projetando-o no mundo exterior.

Atribuímos aos outros a responsabilidade por situações desagradáveis e afirmamos que são eles que sentem ou fazem aquilo do qual nos incriminam.

Na infância, esse disfarce psicológico se verifica claramente quando a criança não gosta de alguém, afirmando que essa pessoa a provoca ou hostiliza. No colégio, quando não consegue boas notas, diz-se tratada injustamente pelos professores, ou mesmo, no surgimento de uma desavença ou discussão, sempre aponta como agressora uma outra criança.

Quando as criaturas usam esse mecanismo de maneira indiscriminada, elas perpetuam a ignorância de si mesmas, ou seja, ficam inabilitadas para reconhecer a causa dos fatos e acontecimentos que ocorrem em sua vida.

Negar os próprios sentimentos e emoções indica autodesonestidade. Ser honestos com nós mesmos implicará, por conseqüência, uma postura interior que dificilmente nos levará a ser falsos com os outros.

Relacionamentos obscuros e mal definidos nos causam fadiga, medo e diversas doenças. Especialistas da medicina psicossomática dizem que, por não querermos admitir nossos sentimentos, deterioramos certas estruturas íntimas, o que nos desorganiza emocional e psicologicamente.

Sentir casualmente ciúme, medo, raiva, insegurança, desejos sexuais, não faz de nós indivíduos melhores ou piores. O que moralmente nos afeta é o que vamos fazer ou não fazer com esses mesmos sentimentos ou emoções. Revelá-los não significa que iremos nos tornar indivíduos instintivos, brutos, libertinos ou malcriados, mas, sim, que somos honestos com nós mesmos e sinceros com os outros. Nossa cruz tem a carga proporcional à ocultação daquilo que atrelamos a ela.

Uma coisa é sentir, outra executar; ainda mais absurdo é projetar nossas falhas nos outros, como se nada tivéssemos a ver com elas. Na parábola contada por Jesus (1) o fariseu projetou a própria sombra no publicano: isso lhe dava um grande bem-estar e lhe trazia, sob muitos aspectos, uma sensação de supremacia.

Precisamos adquirir o hábito sadio de averiguar como se processa em nossa intimidade a forma de perceber, sentir, justificar e argumentar diante da vida. É importante saber o porquê de nossas decisões, ações e reações.

Os sentimentos e pensamentos tem odores distintos. Cada criatura possui cheiro característico, que pode ser identificado, pois é estritamente individual. Não só os sensitivos, mas qualquer um pode distinguir os aromas das auras. Elas emitem vibrações odoríficas, que se desprendem da postura íntima das criaturas.

Nosso sistema nervoso nos dá uma sensibilidade generalizada do cosmo físico e do perispiritual.

Nosso olfato se manifesta através de um complexo de estruturas nervosas — células olfatórias —, o qual nos oferece a capacidade de registrar os odores, não apenas os físicos mas igualmente os astrais, todos emanados das energias que nos rodeiam.

A atmosfera astral da pessoa íntegra e honesta causa um impacto doce, agradável e perfumado, já que é composta de fragrâncias florais e adocicadas, com efeitos salutares e revigorantes. Enquanto que a das criaturas envolvidas em fluidos pesados exala cheiros de natureza acre, repelentes e insuportáveis. 

Interessante notar que é muito comum as pessoas sentirem odores malcheirosos de decomposição — de flores ressequidas, substâncias alcoólicas ou tabaco — em ambientes onde existem entidades de baixo teor vibratório.

"Andai em amor, assim como Cristo também nos amou e se entregou por nós a Deus, como oferta e sacrifício de odor suave."(2)

Amor é o mais honesto e digno dos sentimentos. O "odor suave" que se desprende da alma de um ser atesta seu grau de espiritualidade ou a grandiosidade de seu amor. Importante observar que amor e espiritualidade têm características harmônicas e indissociáveis.

"(...) nós somos como as luzes que clareiam certos pontos de vista morais, filosóficos e internos, através de médiuns azuis, verdes ou vermelhos (...)"

Sendo o sensitivo intérprete dos mensageiros espirituais, é compreensível que a palavra articulada ou escrita contenha algo deles: "(...) nossos raios luminosos, obrigados a passarem através de vidros mais ou menos bem talhados, mais ou menos transparentes, quer dizer por médiuns mais ou menos inteligentes, não chegam sobre os objetos que desejamos iluminar senão tomando a tinta, ou melhor, a forma própria e particular desses médiuns." 

Porém, o medianeiro que se "autodesconhece" encontrará muito mais dificuldades para diferenciar o que faz parte de seu mundo interior do que pertence realmente aos espíritos comunicantes. Pode alterar de forma significativa o ponto de vista do Espírito, adulterando profundamente seus conceitos, modificando o teor de suas palavras e distorcendo sua informação.

"O ser translúcido" é aquele que adquiriu a qualidade de deixar passar a luz espiritual de forma nítida, sem permitir que obstáculos maiores prejudiquem a autenticidade das manifestações transcendentais. Ele reconhece perfeitamente os próprios sentimentos e emoções.

Por se conhecer relativamente bem, não transfere o "lado desconhecido" de sua personalidade para coisas, situações ou pessoas que vivem fora ou dentro da matéria densa.


Hammed




(1) Lucas 18:9 a 14
(2) Eclésios 5:2




segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 49 - Compulsão obsessiva



Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 49


Compulsão obsessiva


"A subjugação corporal vai às vezes mais longe; pode impelir aos atos mais ridículos. Conhecemos um homem que (...) sentia nas costas e nas pernas uma pressão enérgica que o forçava, malgrado a vontade que a isso opunha, a se ajoelhar e a beijar a terra nos lugares públicos e na presença da multidão. Esse homem passava por louco entre seus conhecidos; mas estamos convencidos de que não o estava de todo, porque tinha plena consciência do ridículo do que fazia (...)". (2a Parte - cap. XXIII, item 240.)

"Ao entardecer, trouxeram-lhe muitos endemoniados e Ele, com uma palavra, expulsou os espíritos e curou todos os que estavam enfermos..." (1 )

Muitos indivíduos desvalidos dos conhecimentos superiores e transcendentais das Leis da Vida afirmam que o Espiritismo é que gera loucuras e perturbações espirituais. No entanto, ao lermos o Novo Testamento, deparamos com inúmeros casos de assistência e amparo aos problemas obsessivos e, igualmente, no Espiritismo encontramos o mesmo devotamento altruísta na cura dos atormentados, porque os princípios codificados por Allan Kardec fazem reviver o Cristianismo primitivo.

Quando a compulsão é avassaladora, as criaturas criam hábitos ridículos, revelam distorção de comportamento e têm atitudes irracionais, como: "(...) se ajoelhar e a beijar a terra nos lugares públicos e na presença da multidão".

Encontramos, no texto em estudo, um caso grave de subjugação corporal, que gerou um distúrbio obsessivo compulsivo.

Na atualidade, as ciências psiquiátricas definem distúrbio obsessivo-compulsivo - DOC - como um desejo imperioso que cria pensamentos absurdos e embaraçosos, os quais se repetem na mente num ciclo insistente e obstinado.

Trata-se de doença aflitiva, associada à ansiedade e a uma ideia invasora e persistente, que constrange o indivíduo a manifestar impulsos estranhos ou rituais inexplicáveis que vão desde uma leve interferência até uma incapacitação extrema.

Os estudiosos da saúde mental dizem que esse distúrbio de personalidade difere das crendices ou superstições do cotidiano, como: não passar por baixo de escadas, evitar cruzar com gatos pretos, fechar guarda-chuvas dentro de casa ou bater na madeira para isolar o mal. Afirmam que essa obsessão e/ou compulsão é muito mais frequente do que pensamos, afetando de certa forma desde as pessoas mais talentosas e sensíveis até aquelas de vida comum. Asseguram ainda que a maioria dos que sofrem de DOC dissimulam seus rituais, escondem suas angústias e evitam falar sobre seu estranho comportamento.

O subjugado é impelido a realizar atos ritualísticos originários de pensamentos dominadores e sem sentido e passam horas e horas gastando seu tempo precioso com trejeitos - gestos, tiques e movimentos - intensos, absurdos e repulsivos, e vivendo experiências dramáticas e impressionantes. Quase todos afirmam a mesma coisa: "por mais que me esforce, não consigo evitá-los". 

Entre os compulsivos mais frequentes, podemos mencionar: os "verificadores" - examinam portas, luzes, gás, fechaduras, quatro, dez, vinte ou mais vezes. Outros possuem uma obsessão de exatidão, em que gastam muito tempo produzindo "simetrias" incessantes e desnecessárias. Muitos são dominados pelo medo de contaminação e pela preocupação desmedida com "germes" ou "doenças", que os levam a viver fanaticamente. Lavam as mãos ou banham-se incontáveis vezes, demonstrando nojo superlativo das secreções corporais e apreensão extremada pela sujeira. Desgastam-se em rituais para comer, dificultando os mais simples atos de higiene e bem-estar.

"Fazer com perfeição" é a palavra-chave para alguns compulsivos. Colocam os sapatos no chão com proporcionalidade impecável ou fazem o laço deixando as duas pontas do cordão exatamente iguais. Suas atitudes e gestos ultrapassam os limites do bom senso. Vivem uma necessidade obcecada de evitar os espaços entre duas pedras ou as brechas de uma calçada. Acreditam alguns: "se pisar na fenda, minha mãe morre". Sustentam ainda uma alucinada necessidade de entrar e sair pela mesma porta ou subir e descer escadas várias vezes. Diversos raciocinam assim: "tenho que atravessar os batentes desta porta de maneira certa e especial, senão algo maléfico vai acontecer".

Em suma, são inúmeras as obsessões e/ou compulsões que figuram entre as mais constantes: necessidade de tocar coisas ou pessoas mais de uma vez; de engolir a saliva de quando em quando; de arrumar e desarrumar malas e gavetas impecavelmente; medo imaginário de ferir-se, "tiques" fora de propósito e incontroláveis, entre outros tantos.

Os indivíduos com personalidade compulsiva tendem a ser exageradamente moralistas ou extremistas e a não perdoar a si mesmos nem aos outros.

A seguir, registraremos os possíveis pontos vulneráveis que desencadeiam o DOC e alguns comportamentos internos que as entidades negativas exploram, dando origem às sensações do distúrbio obsessivo-compulsivo:

• capacidade restrita de expressar carinho ou sentimentos de afetividade;

• internalização dos impulsos agressivos - a criatura não sabe canalizar essa energia para outras atividades capazes de extravasá-la adequadamente;

• hábito do perfeccionismo - a pessoa passa a exigir cada vez mais de si própria, até a exaustão, extrapolando
seus limites naturais;

• incapacidade de renovação - tem consciência empedernida e estreita; qualquer inovação, qualquer ideia ou ação criativa que questione seus conceitos e atitudes, é para ela um desafio ameaçador;

• falta de generosidade com seu tempo, lazer e prazeres - exagera na dedicação ao trabalho;

• comportamento inflexível - julga que ceder signifique falta de convicção; por isso, não percebe que as pessoas e as coisas não são integralmente corretas ou erradas, nem inteiramente boas ou más;

• pré-ocupação - não encara o momento presente como o tempo de realizar e produzir, vivendo a ansiedade de um futuro imaginário. 

Se investigássemos a origem e a causa das obsessões - doenças da alma -, as encontraríamos em nossos pontos fracos e em determinados comportamentos autodestrutivos que, consciente ou inconscientemente, adotamos.

Fomos criados numa cultura que nos ensinou que não somos os responsáveis por tudo que estamos passando. Não admitimos que as alegrias e tristezas que experimentamos são a soma de todas as nossas escolhas existenciais. Cada impressão emocional que sentimos foi precedida por uma atitude interior ou um pensamento. A energia antecede a ação.

A dificuldade que temos em admitir nossas falibilidades é fator que, por si só, impede a cura que buscamos. Se modificarmos nossos pensamentos e atitudes, isto é, se considerarmos nossas limitações e conflitos, começaremos o processo de sanidade mental.

Acreditamos que as coisas e as pessoas é que nos fazem infelizes, mas isso não é verdade - somos causa e efeito de nós mesmos. Não existe fatalismo em nossa vida, apenas atração e repulsão, conforme nossa sintonia vibracional.

Quando aprendemos a pensar e agir de maneira moderada e saudável, a obsessão termina, porque nos tornamos livres e equilibrados, não mais perpetuando os pensamentos desajustados.

"A subjugação é uma opressão que paralisa a vontade daquele que a sofre, e o faz agir a seu malgrado. Numa palavra, a pessoa está sob um verdadeiro jugo (...) o Espírito age sobre os órgãos materiais e provoca movimentos involuntários (...)". (2)

Os subjugados corporalmente, ou seja, os portadores de distúrbios obsessivo-compulsivos, devem buscar auxílio espírita e psicológico de forma simultânea e, dependendo da gravidade do caso, recorrer também ao tratamento psiquiátrico. As vezes, quando se busca somente um deles, o problema costuma retornar.

A convalescença espiritual é um processo gradual - mais uma jornada de autoconhecimento do que, simplesmente, uma almejada destinação. Devemos aprender a não ficar impacientes com as etapas da recuperação, mas entender que a dor, em muitas ocasiões, é o preço da sabedoria. Discernir nosso sofrimento é encontrar seu real valor para nossa existência. 


Hammed



(1) Mateus, 8:16.
(2) O Livro dos Médiuns - 2ª Parte - cap. XXIII, item 240.








domingo, 19 de maio de 2024

Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 57 - Criatividade



Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 57


Criatividade


Todos somos, em princípio, criativos, mas essa criatividade inata vai sendo descortinada à medida que encontra em nossa própria intimidade um ambiente propício.

Cremos estar sempre vendo a realidade das coisas, mas, em verdade, o que chega à nossa consciência são inúmeros impulsos originados por nossas percepções físicas e espirituais, e o que fazemos, além de selecioná-las (escolhemos algumas e bloqueamos o acesso de outras), é simplesmente organizá-las conforme nosso grau de entendimento evolutivo.

Interpretamos a vida através da nossa capacidade mental, que contém registros intensamente gravados em sua memória, acumulados na noite dos tempos. Todavia, não costumamos admitir que a nossa maneira de ver é uma “porção da realidade”, uma apenas entre as muitas possíveis.

O reino da criatividade é um amplo e de múltiplas faces. Ele tem raízes profundas nas estruturas psicológicas do ser e age de forma involuntária ou automática nas criaturas. De uma maneira simples e sintética e para melhor entendimento, poderíamos descrever esse reino como a capacidade de desestruturar uma concepção ou informação conhecida para reestruturá-la de uma maneira nova. Esse é o processo de toda criação ou invenção, na arte, na ciência, na mediunidade ou na vida diária.

O ato de criar está vinculado à nossa capacidade de associação. Quando incrementamos nossa habilidade de interligar as coisas, conseguimos que uma ideia mobilize outras. O ser que procura respostas no mundo exterior ou nas experiências de pessoas muito diferentes dele não desenvolve “pensamentos férteis”.

Vale ressaltar que a criatividade é profundamente inibida em ambientes supercríticos, quer dizer, despojados da liberdade de agir e pensar. Ela só floresce numa atmosfera de independência, onde a satisfação é força motriz (…)

(…) O ser criativo mantém estrita ligação com a inspiração, porque olha o mundo com ampla liberdade íntima. Não tenta resolver seus problemas atuais lançando mão de experiências negativas do passado, mas soluciona suas dificuldades revendo todos os seus valores internos e buscando novas ideias, reorganizando, assim, sua vida interior.

Alan Kardec se refere a “relâmpagos de uma lucidez intelectual”, a “uma facilidade de concepção e elocução” e a momentos em que “as ideias se derramam, seguem-se, encandeiam-se, instantes esses em que a alma do médium está mais livre e, portanto, mais desembaraçada da matéria, porque recobra parte das suas faculdades de Espírito.

O mestre de Lyon ainda assevera que todos os pintores, músicos, literatos , ou seja, artistas de qualquer gênero, podem ser classificados como médiuns inspirados.

Em todas as épocas da humanidade, os homens de talento representaram os verdadeiros impulsionadores do desenvolvimento das ideias, das organizações e das sociedades. Através da criatividade, esses inovadores transcenderam os limites restritos em que estavam confinados a ciência, a filosofia e a religião (…)

(…) Inspiração é a habilidade de “olhar para dentro das coisas”; e o indivíduo inspirado atende ao propósito de vida para o qual ele foi criado, ou seja, expressa sua singularidade exclusiva. Temos em nós um centro de sabedoria dotado de todo o conhecimento necessário à nossa evolução.

O indivíduo amadurecido, portador de faculdade extra-sensorial, aprendeu que existem inúmeras maneiras de viver e evoluir na Terra; também sabe que sua maneira é única, como é única para cada pessoa. Portanto, está atento para captar as lições particulares de que necessita para se desenvolver e progredir.

O ser inspirado parte sempre do princípio de que desconhece todas as respostas. Aborda a vida com os olhos curiosos de uma criança, isto é, livre para usar imaginação, incorporando uma personalidade cândida, ainda não influenciada pelas regras e normas rígidas e preconceituosas de uma sociedade conflitada (…)

(…) O sensitivo natural tem senso de progresso e é habilidoso, traz de vidas passadas um manancial significativo de experiências, que lhe faculta desestruturar mentalmente a realidade conhecida e reestruturá-la de formas diferentes e expressivas.

O médium autêntico não copia ninguém. Não se limita a seguir caminhos já percorridos; tem a habilidade de ver as coisas com olhos novos, fazer associações que transcendem o comum. Os Espíritos Superiores inspiram os medianeiros que deseja aumentar seus valores criativos e desenvolver uma crescente receptividade às lições da Natureza, a qual nos transmite uma sabedoria que percorre caminhos não racionais. Ensinam-nos, sobretudo, que a “Voz de Deus” em nós é fonte inesgotável de toda a criatividade e que, quase sempre, esse diálogo divino acontece em nosso âmago, através de uma linguagem não convencional.


Hammed











quarta-feira, 24 de abril de 2024

Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Netto - Pág. 99 - Ecos do mundo



Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Netto - Pág. 99


Ecos do mundo


“A Transmissão do pensamento ocorre também por intermédio do Espírito do médium, ou melhor, de sua alma, uma vez que designamos sob esse nome o Espírito encarnado. O Espírito estranho, neste caso, não atua sobre a mão para faze-la escrever; não a toma, não a guia; ele age sobre a alma, com a qual se identifica”. (O Livro dos Médiuns - 2a. parte – cap. XV, item 180)


A proposta de Sócrates – “Conhece-te a ti mesmo”- pode ser comparada simbolicamente com a “pedra filosofal”(1), que ilumina e transforma nosso mundo íntimo para que tomemos consciência de nossos sentimentos e emoções no exato momento em que eles ocorrerem.

Na França do século XVII, afirmava Blaise Pascal: “À medida que temos mais luz, mais grandeza e baixeza descobrimos no homem”.

O autoconhecimento proporciona ao indivíduo uma consciência autorreflexiva. A mente consegue supervisionar as reações, identificando e nomeando as emoções despertadas.

À primeira vista, pode parecer que nossas sensações não requeiram esclarecimento, por nos parecerem demasiadamente claras e evidentes; porém, se fizermos uma reflexão mais acurada, perceberemos o quanto fomos indiferentes ao que realmente sentimos diante do fato ocorrido.

A autoconsciência é a capacidade de registrar tudo o que está sendo vivenciado. Ao discernirmos a emoção manifestada, damos o primeiro passo para o autocontrole emocional e, em virtude disso, quando entrarmos num estado negativo, não ficaremos nele demoradamente, remoendo-o, mas sairemos dessa situação de modo mais rápido. Em síntese, a compreensão nos ajuda a administrar nossas emoções.

Existe uma enorme distância entre “estar consciente” das sensações e “querer afasta-las”. Por exemplo: ao dizermos “não devo sentir isso”, estamos evitando nosso “sentir”. Quando, de forma sincera, nos perguntarmos: “o que realmente estou sentindo?”, aí, sim, iniciaremos o processo da auto consciência – a compreensão de nossas sensações íntimas.

“Estar ciente” de nosso estado de espírito não é possuir uma atenção julgadora e punitiva de nossos estados mais profundos, querendo nos livrar deles ou tentando mudá-los de modo impulsivo, mas fazer uma observação equânime dos sentimentos desordenados ou agitados.

No melhor de si, o entendimento dos sentidos nos leva a um maior grau de liberdade ou de livre escolha; em suma, uma opção de agir baseada em nossos sentimentos e emoções, conforme nos convier.

À medida que um indivíduo não admite ou não reconhece o que ocorre em seu campo sensório, ele se torna um “mau intérprete” de si mesmo e, como conseqüência, não consegue traduzir com clareza o que sentem as inteligências (encarnadas ou não) que com ele convivem.

Como “a transmissão do pensamento ocorre também por intermédio do Espírito do médium, ou melhor, de sua alma (…)”, se a recepção das ondas mentais for inadequada, a mensagem pode perder sua autenticidade.

Se ele não registra a totalidade de sua vida emocional, isto é, não a “incorpora” a si mesmo, como irá reproduzir um outro pensamento ou ideia sem prejudicar a pureza das impressões transmitidas? No entanto, se for autoconscientizado, estará em sintonia com o campo magnético à sua volta, porque compreendeu que essa área energética exercerá influência sobre ele próprio e produzirá um fluxo que facilitará suas comunicações interpessoais e, igualmente, aquelas com as dimensões invisíveis da Vida.

Nossos sentimentos e emoções sempre estão nos dizendo sobre nossas necessidades e relações (físicas ou transcendentais) com os outros. Sensações devem ser incorporadas ou integradas; aceitá-las não quer dizer que devamos agir de acordo com elas, mas, simplesmente, que nós as percebemos como realmente são. As três etapas: conscientização, aceitação e reflexão fazem parte de um processo que proporciona saúde mental e/ou espiritual.

As criaturas denominadas ecos do mundo são aquelas que estão na Terra à mercê de tudo o que as rodeia. Estão envolvidas, inconscientemente, por coisas, pessoas, situações e fatos, como folhas perdidas ao vento na imensidão de uma planície. Elas desconhecem as raízes de suas reações emocionais e ignoram as energias que chegam em seu campo sensório.

O ser autoconsciente não é apenas aquele que é suscetível às sensações agradáveis e refrescantes, ou àquelas que o envolvem numa atmosfera de calor e mal-estar quando alguém dele se aproxima. Tampouco é aquele que registra os efeitos de energia na pele, ou seja, os toques de sua “aura” com outras “auras”. Arrepios são subprodutos de uma força energética que atinge os plexos nervosos, provocando uma irradiação pela superfície cutânea.

Para adquirirmos uma autoconsciência plenificadora, é preciso, acima de tudo, aprendermos a interagir em todo o nosso campo sensorial, percebendo o que as emoções querem nos dizer ou mostrar.

A mente e a alma estão interligadas. A expressividade de uma pessoa é determinada pelo seu nível energético, ou melhor, pela quantidade de energia que ela possui e pelo seu grau de entendimento em relação a essas mesmas energias.

Os indivíduos que não falam e não se conduzem de acordo com suas próprias sensações energéticas quase sempre são inexpressivos. Não são “espirituosos”; em outras palavras, não se utilizam de seu espírito para agir. São considerados reflexos do mundo ou vozes ao léu. Cada um de nós deve assumir o comando da própria casa mental.

Nesse caso, o envolvimento fluídico assume vários aspectos. A pessoa se torna “médium” do que os outros querem que ela diga e faça. Ela diz: “não sei o que se passa comigo; tenho mudanças radicais e instáveis de comportamento, quase não me reconheço”.

Na verdade, não é ela quem está vivendo, e sim quem vive e move seus sentimentos e reações – os inúmeros eus que a dirigem e influenciam espiritualmente.

Nem sempre a criatura é convertida em objeto pelos outros; frequentemente, ela mesma se faz objeto de uso da esfera invisível.

Se nós não conhecermos o elemento responsável pelos nossos conflitos, como poderemos nos livrar deles?

É evidente que quase sempre não reconhecemos a nós mesmos como os responsáveis pelas nossas dificuldades, e tratamos sempre de pôr a culpa nos outros.

O conhecimento do que somos é a nossa mais importante missão na Terra. O autoconhecimento nos deixa mais sintonizados com os sinais sutis dos mundos interno e externo, além de nos indicar os melhores caminhos para interagir harmonicamente com os outros, sem nos deixar à mercê das influências deles.


Hammed 




(1). “Pedra filosofal”- substância lendária procurada insistentemente pelos alquimistas medievais, porque se acreditava que ela possuía a capacidade de transformar em ouro os mais vis dos metais. (nota do autor espiritual)





Fonte: A Imensidão dos Sentidos-pdf

quinta-feira, 6 de julho de 2023

Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 21 - Defenda-se com autorresponsabilidade



Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 21


Defenda-se com autorresponsabilidade 


"(...) O médium experimenta as sensações do estado no qual se encontra o Espírito que vem a ele. Quando o Espírito é feliz, é tranquilo, leve, sério; quando é infeliz, é agitado, febril, e essa agitação se transmite, naturalmente, ao sistema nervoso do médium (...)" Livro dos Médiuns - 2ª Parte - Cap. 24


Carl Gustav Jung desenvolveu a expressão "sombra" para denominar tudo aquilo que somos mas ignoramos ser. Esse termo, em psicologia, significa que tudo o que o homem não quer ser ou ver em si mesmo permanece oculto no seu inconsciente. É o "outro" lado de nós mesmos, o que se encontra no "mais escuro" lado de nós mesmos, o que se encontra no "mais escuro" de nossa alma. Da "sombra" igualmente fazem parte nossas capacidades em germe que, por algum motivo, ainda não pudemos ser despertadas.

A "sombra" se compõe de nossos opostos não integrados, ou seja, quando rejeitamos nossa ambivalência - nossos aspectos radicalmente diferentes. Ao aceitarmos nossa condição de almas em evolução, assumindo os elementos naturais da estruturas humanas, isto é, as duas polaridades da vida (claridade - escuridão; intuição - razão; masculino - feminino; doçura - agressividade; humildade - orgulho; intelectual - manual; movimento - inércia), conseguiremos nos tornar seres unos ou plenos.

Ao evitarmos os extremos, faremos uma conexão entre os opostos. Sem compulsão e sem passividade, encontraremos o meio-termo, o equilíbrio. Enfim, ao abraçarmos nossa "sombra", conseguiremos a "unidade total".

A "sombra", no processo de integração, precisa ser reconhecida ou "posta em ordem", para que sua essência por nós desconhecida, não seja desencadeada para fora, de modo incontrolável e insano. Necessitamos trazê-la gradativamente para a consciência, tendo presente que tudo o que se ignora e reprime é revivido num abrangente processo de "projeção".

A "projeção"- uma das técnicas de defesa do ego, acontece quando recusamos aceitar, ou não ver, o que está "dentro de nós". Tentamos aceitar, ou não ver, o que está "dentro de nós". Tentamos nos livrar de nossas fraquezas, limitações, inseguranças, medos, atribuindo-os a alguma situação ou pessoa. Quanto mais enérgica e constante for a nossa manifestação de censura e descontentamento por determinada situação o comportamento, maior a possibilidade de ser tratar de "projeção". Na realidade, reprovamos ou criticamos veemente nos outros aquilo que não podemos aceitar em nós.

Uma das importantes "recomendações terapêuticas"de Jesus Cristo é : "Nada há no exterior do homem que penetrando nele, o possa tornar impuro; mas o que sai do homem, isto é o que o torna impuro. SE alguém tem ouvidos para ouvir,ouça! " ( Mc 7:15 e 16)

"(...) mas o que sai do homem, isso é o que o torna impuro (...)" quer dizer: o que nos "torna impuros",  nos macula é a nossa visão projetada; ela provém da soma de tudo aquilo que nós não percebemos e, portanto, não nos deixa vivenciar ou desenvolver nossa realidade interior.

Quando não estamos conscientizados dos diversos aspectos de que se compõe nossa "sombra", ela é projetada no exterior de forma imprevista e constante. Em síntese, tudo aquilo com que nos deparamos "fora" de nós é algo que procede de "dentro".

Certamente que "nada há no exterior do homem que, penetrando nele, o possa tornar impuro". Em outras palavras: o que nos prejudica ou nos faz mal não provém de fora, mas de nossa intimidade desconhecida e rejeitada, que é vivida na "projeção".

Somente quando avaliamos nosso "coeficiente evolutivo" e tomamos contato com nossas dificuldades e fragilidades existenciais, é que podemos iniciar nossa real tarefa de transformação íntima. Além do mais, só conseguimos modificar aquilo que admitimos e vemos claramente em nós mesmos.

Na coletividade em que o Mestre viveu, as mulheres, especificamente, receberam a um só tempo um massacrante processo coletivo de "projeção". Lançar" aspectos da "sombra" sobre a mulher era motivo de primazia.

Em todas as etapas da humanidade, vamos encontrar as minorias, os considerados libidinosos, os adúlteros, os malfeitores e as prostitutas desempenhando um papel doloroso, pois a sociedade pode facilmente lançar-lhes de forma indiscriminada, suas "projeções". As religiões ortodoxas controlam e conduzem os indivíduos, impondo-lhes a repressão e o comportamento contínuo de "projeção" e criando-lhes formas para que vivam numa espécie de "miopia" existencial".

O Mestre, porém, exortava todos a não lançar a "sombra" pessoal ou a coletiva através do mecanismo da "projeção", usando em várias passagens do Evangelho o termo "hipocrisia" para denominar essa atitude pessoal e pública dos judeus daquela época.

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Sois semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão. Assim também vós: por fora pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniquidade."(Mt 23: 27 e 28).

As criaturas que não podem admitir honestamente suas próprias tendências e desejos inadequados vivem distraídas na superfície das tarefas espirituais e nunca chamam realmente as coisas que sentem pelos seus "nomes verdadeiros".

O desequilíbrio exterior, em última análise, é sempre correspondente à nossa própria desarmonia interior, residindo em nós, portanto, a decisão de concretizar a renovação íntima e, dessa forma, restaurar igualmente a harmonia externa. Esse entendimento é o passo primordial para a nossa recuperação fisiológica.

As pessoas que afirmam de modo conformista: "peguei" uma vibração negativa! É porque ainda não reconheceram a interligação entre os próprios sentimentos e os fatos que acontecem ao seu derredor. Aderem a um princípio de "vida determinista", onde encontram uma justificativa cômoda para evitar a autorresponsabilidade. Não se sentem responsáveis, porque desconhecem o nível de consciência com que atraem, emitem ou repelem as energias que os circundam, sempre pondo a culpa nas circunstâncias ou nos Espíritos, desencarnados ou não.

A existência vivida na consciência oferece mais segurança e controle do que vivida na inconsciência. A pessoa que aceita total responsabilidade por tudo que acontece em sua vida cria um mundo melhor para si e para todos aqueles com quem interage.

"Não sou responsável; estava fora de mim naquele exato momento", dizem alguns. Querendo ou não, somos nós que escolhemos nossas decisões e atitudes. Se dissociarmos a causa do efeito de nossos atos, enfraquecemos cada vez mais o senso de ligação entre nós e os acontecimentos.

Ninguém simplesmente "pega" energias nocivas ou atrai Espíritos infelizes de modo casual. A Vida não é injusta. Temos o que merecemos. Não somos vítimas impotentes vivendo um destino impiedoso.

Em verdade, não é preciso que a entidade espiritual domine todo o "(...) sistema nervoso do médium (...)" para influenciá-lo; basta ligar-se, por meio de um tênue fio fluídico, em um dos seus plexos nevosos (emaranhado ou rede complexa de nervos no corpo físico), correlartos aos "chakras"no corpo astral, para ter o domínio das zonas sensitivas controladas por aquele centro de força.

O Espírito, consciente ou não, se liga ao indivíduo em sua "área frágil", a qual lhe oferece campo de atração. Esse "ponto fraco" é considerado como um pequeno "cisto destrutivo", que desorganiza emocionalmente a personalidade e, em razão disso, se estabelece o assédio. É justamente nesse ponto que ocorre o "choque vibratório".

Os indivíduos que registram em seu organismo sensações desagradáveis, que chegam mesmo a dores lancinantes, apenas sintonizaram com as atmosferas espirituais de lugares, fatos ou pessoas, razão por que devem ficar cientes de que são os únicos responsáveis pelo que estão sentindo ou vivendo. Sintonia é o estado em que se encontram duas pessoas que se acham numa mesmo igualdade de emoção, ponto de vista, crença ou pensamento.

Ao rejeitarmos um sentimento, não quer dizer, de forma alguma, que ele vai desaparecer; só o excluímos da nossa identificação consciente. Pensamos que nos livramos dele, porém ele continuará a existir, alojando-se de modo geral, em alguma área fragilizada de nosso corpo energético. Em virtude disso, começamos a lutar contra um princípio que parece vir de "fora", quando, na verdade, está alojado "dentro de nós".

O homem que não enxerga sua "sombra" prolonga a fase de viver na infantilidade espiritual. Permanece utilizando mal sua capacidade energética, atraindo impurezas ou emanações deletérias dos ambientes. Realiza constante "sucção fluídica", absorvendo ou recolhendo, sem que perceba, miasmas astrais.

Todos precisamos de momentos de silenciosa reflexão para entrarmos em contanto com nosso "universo íntimo". Visualizemos alguém ou alguma situação de que realmente não gostamos. Deixemo-nos envolver pela emoção que sentimos em relação a tudo isso. A partir daí, entremos em contato com essa sensação e/ou mensagem. Essa comunicação poderá ser a "ponte elucidativa" entre algo que não aceitamos em nós mesmos e aquilo que se encontra submerso em nosso lado "sombra".

Em suma, a nossa melhor defesa contra os assédios espirituais é a autorresponsabilidade, Perante as influências negativas, não mais nos tornemos vítimas ou mártires, dizendo: "Sou um pobre coitado! Alguém tem de fazer algo por mim!", mas "Como posso transformar essa situação? Como desenvolver minhas potencialidades? Onde está o "ponto de deficiência" que eu preciso mudar? O que posso fazer para ter maior equilíbrio na vida? "


Hammed 













quarta-feira, 15 de março de 2023

Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Netto - Pág. 99 - Ecos do mundo



Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Netto - Pág. 99


Ecos do mundo


“A Transmissão do pensamento ocorre também por intermédio do Espírito do médium, ou melhor, de sua alma, uma vez que designamos sob esse nome o Espírito encarnado. O Espírito estranho, neste caso, não atua sobre a mão para faze-la escrever; não a toma, não a guia; ele age sobre a alma, com a qual se identifica”. (O Livro dos Médiuns - 2a. parte – cap. XV, item 180)


A proposta de Sócrates – “Conhece-te a ti mesmo”- pode ser comparada simbolicamente com a “pedra filosofal”(1), que ilumina e transforma nosso mundo íntimo para que tomemos consciência de nossos sentimentos e emoções no exato momento em que eles ocorrerem.

Na França do século XVII, afirmava Blaise Pascal: “À medida que temos mais luz, mais grandeza e baixeza descobrimos no homem”.

O auto conhecimento proporciona ao indivíduo uma consciência auto-reflexiva. A mente consegue supervisionar as reações, identificando e nomeando as emoções despertadas.

À primeira vista, pode parecer que nossas sensações não requeiram esclarecimento, por nos parecerem demasiadamente claras e evidentes; porém, se fizermos uma reflexão mais acurada, perceberemos o quanto fomos indiferentes ao que realmente sentimos diante do fato ocorrido.

A auto consciência é a capacidade de registrar tudo o que está sendo vivenciado. Ao discernirmos a emoção manifestada, damos o primeiro passo para o auto-controle emocional e, em virtude disso, quando entrarmos num estado negativo, não ficaremos nele demoradamente, remoendo-o, mas sairemos dessa situação de modo mais rápido. Em síntese, a compreensão nos ajuda a administrar nossas emoções.

Existe uma enorme distância entre “estar consciente” das sensações e “querer afasta-las”. Por exemplo: ao dizermos “não devo sentir isso”, estamos evitando nosso “sentir”. Quando, de forma sincera, nos perguntarmos: “o que realmente estou sentindo?”, aí, sim, iniciaremos o processo da auto consciência – a compreensão de nossas sensações íntimas.

“Estar ciente”de nosso estado de espírito não é possuir uma atenção julgadora e punitiva de nossos estados mais profundos, querendo nos livrar deles ou tentando mudá-los de modo impulsivo, mas fazer uma observação equânime dos sentimentos desordenados ou agitados.

No melhor de si, o entendimento dos sentidos nos leva a um maior grau de liberdade ou de livre escolha; em suma, uma opção de agir baseada em nossos sentimentos e emoções, conforme nos convier.

À medida que um indivíduo não admite ou não reconhece o que ocorre em seu campo sensório, ele se torna um “mau intérprete” de si mesmo e, como conseqüência, não consegue traduzir com clareza o que sentem as inteligências (encarnadas ou não) que com ele convivem.

Como “a transmissão do pensamento ocorre também por intermédio do Espírito do médium, ou melhor, de sua alma (…)”, se a recepção das ondas mentais for inadequada, a mensagem pode perder sua autenticidade.

Se ele não registra a totalidade de sua vida emocional, isto é, não a “incorpora” a si mesmo, como irá reproduzir um outro pensamento ou ideia sem prejudicar a pureza das impressões transmitidas? No entanto, se for auto conscientizado, estará em sintonia com o campo magnético à sua volta, porque compreendeu que essa área energética exercerá influência sobre ele próprio e produzirá um fluxo que facilitará suas comunicações interpessoais e, igualmente, aquelas com as dimensões invisíveis da Vida.

Nossos sentimentos e emoções sempre estão nos dizendo sobre nossas necessidades e relações (físicas ou transcendentais) com os outros. Sensações devem ser incorporadas ou integradas; aceitá-las não quer dizer que devamos agir de acordo com elas, mas, simplesmente, que nós as percebemos como realmente são. As três etapas: conscientização, aceitação e reflexão fazem parte de um processo que proporciona saúde mental e/ou espiritual.

As criaturas denominadas ecos do mundo são aquelas que estão na Terra à mercê de tudo o que as rodeia. Estão envolvidas, inconscientemente, por coisas, pessoas, situações e fatos, como folhas perdidas ao vento na imensidão de uma planície. Elas desconhecem as raízes de suas reações emocionais e ignoram as energias que chegam em seu campo sensório.

O ser auto consciente não é apenas aquele que é suscetível às sensações agradáveis e refrescantes, ou àquelas que o envolvem numa atmosfera de calor e mal-estar quando alguém dele se aproxima. Tampouco é aquele que registra os efeitos de energia na pele, ou seja, os toques de sua “aura” com outras “auras”. Arrepios são subprodutos de uma força energética que atinge os plexos nervosos, provocando uma irradiação pela superfície cutânea.

Para adquirirmos uma auto consciência plenificadora, é preciso, acima de tudo, aprendermos a interagir em todo o nosso campo sensorial, percebendo o que as emoções querem nos dizer ou mostrar.

A mente e a alma estão interligadas. A expressividade de uma pessoa é determinada pelo seu nível energético, ou melhor, pela quantidade de energia que ela possui e pelo seu grau de entendimento em relação a essas mesmas energias.

Os indivíduos que não falam e não se conduzem de acordo com suas próprias sensações energéticas quase sempre são inexpressivos. Não são “espirituosos”; em outras palavras, não se utilizam de seu espírito para agir. São considerados reflexos do mundo ou vozes ao léu. Cada um de nós deve assumir o comando da própria casa mental.

Nesse caso, o envolvimento fluídico assume vários aspectos. A pessoa se torna “médium” do que os outros querem que ela diga e faça. Ela diz: “não sei o que se passa comigo; tenho mudanças radicais e instáveis de comportamento, quase não me reconheço”.

Na verdade, não é ela quem está vivendo, e sim quem vive e move seus sentimentos e reações – os inúmeros eus que a dirigem e influenciam espiritualmente.

Nem sempre a criatura é convertida em objeto pelos outros; freqüentemente, ela mesma se faz objeto de uso da esfera invisível.

Se nós não conhecermos o elemento responsável pelos nossos conflitos, como poderemos nos livrar deles?

É evidente que quase sempre não reconhecemos a nós mesmos como os responsáveis pelas nossas dificuldades, e tratamos sempre de pôr a culpa nos outros.

O conhecimento do que somos é a nossa mais importante missão na Terra. O auto conhecimento nos deixa mais sintonizados com os sinais sutis dos mundos interno e externo, além de nos indicar os melhores caminhos para interagir harmonicamente com os outros, sem nos deixar à mercê das influências deles.


Hammed 




(1). “Pedra filosofal”- substância lendária procurada insistentemente pelos alquimistas medievais, porque se acreditava que ela possuía a capacidade de transformar em ouro os mais vis dos metais. (nota do autor espiritual)





Fonte: A Imensidão dos Sentidos-pdf

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 177 - Suscetibilidade



Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 177


Suscetibilidade


"Médiuns suscetíveis: variedade de médiuns orgulhosos; melindram-se com as críticas das quais suas comunicações podem ser objeto; se irritam com a menor contrariedade, e se mostram o que obtêm é para que sejam admirados, e não para pedir pareceres (...)". (O Livro dos Médiuns – 2ª Parte - cap. XVI, item 196.)


Ressentimento é uma mágoa crônica. Na verdade, a palavra ressentir quer dizer "deixar-se sentir novamente" ou " voltar-se ao sentimento passado". 

As criaturas suscetíveis às ofensas são aquelas que guardam rancor facilmente, remoendo o insulto e intensificando os efeitos debilitantes do ressentimento e da raiva.

Quando estamos melindrados, experimentamos sucessivas vezes o mesmo sofrimento. Isso nos consome energeticamente e debilita nosso corpo físico e/ou o espiritual.

Perdoar é um ato de amor, em que reina a compreensão e a humildade. É um indício do amor a nós mesmos e aos outros. 

No momento em que perdoamos, nos identificamos com nosso próximo; admitimos a nossa falibilidade humana, reconhecendo nossas deficiências e nossa facilidade em errar. 

Perdoamos na medida em que desfazemos a ilusão de que somos perfeitos. Sabemos que nosso grau de conhecimento é resultante de nossa participação e interação nos processos do Universo. Nossas múltiplas existências nos levam gradativamente à autoconscientização de que todas as coisas estão interligadas. Não somos criaturas isoladas, e sim parte de uma complexa rede da Vida. Estamos vivendo juntos, porém em diferentes níveis de amadurecimento e precisamos, todos, de muito perdão durante o processo evolutivo, precisamos perdoar a nós mesmos e aos outros.

Admitir nossas falhas e não se ressentir é uma fórmula poderosa para remover os obstáculos à boa convivência. Não seria tempo de nos libertarmos dos " cárceres" do rancor e da mágoa?

Certamente, parte da nossa dificuldade em pedir desculpas se deve ao problema que temos com a realidade interior. Para chegar ao momento de nos desculparmos, devemos antes ser humildes ou honestos conosco, admitindo as nossas limitações e inadequações de seres espirituais em regime de crescimento e de permuta constante.

A humildade e o perdão caminham juntos. Eles nos levam às trilhas da compreensão dos equívocos e erros existenciais. Aliás, os enganos são oportunidades de aperfeiçoamento e amadurecimento para todos; são experiências para aprendermos a viver melhor.

Costumamos confundir, erroneamente, humildade com servidão, submissão e covardia. Ela é, sobretudo, "a lucidez que nasce das profundezas do Espírito".

A humildade não está relacionada com o nosso aspecto exterior, mas com a maneira como percebemos as pessoas e as circunstâncias. É a habilidade de ver claramente, sem defesas ou distorções, pois nos limpa a visão e nos livra dos falsos valores. 

Com "olhos humildes", entendemos que perdoar é atitude que requer mudança de nossas percepções, quantas vezes forem necessárias. Nossa visão atual é prejudicada pelas percepções do ontem sobre o nosso hoje, visto ficarmos quase sempre presos aos "fatos do passado", permitindo que "lembranças amargas" escureçam o presente, mesmo anos depois de terem ocorrido. "Compreender perdoando" significa que somos capazes de mudar nossas velhas convicções e perceber novas evidências da verdade em nossas atitudes e nas alheias. Dessa forma, ficamos mais flexíveis e menos exigentes para com o comportamento dos outros.

Quem compreende e perdoa possui uma "visão cósmica" da Vida, porque ampliou sua consciência. Ela representa a faculdade de ver as criaturas e a criação como uma coisa só; expressa uma visão de existência estruturada sobre uma concepção de unidade.

Os indivíduos que "melindram-se com as críticas das quais suas comunicações podem ser objeto; se irritam com a menor contrariedade (...)" são considerados dogmáticos, quer dizer, pessoas que rejeitam categoricamente qualquer opinião ou parecer, cultivando um ponto de vista de "certeza absoluta”.

Não temos habilidade de entender tudo de início, precisamos constantemente revisar nossa maneira de ver, a fim de ampliar conceitos. O dogmático não perdoa, porque lhe falta a clareza de visão que a humildade proporciona. Ele não vê o mundo em termos de relação e integração.

Na mediunidade, o dogmatismo pode aparecer como sério obstáculo: o sensitivo que alimenta constantes ressentimentos atrairá indivíduos da sua faixa de simpatia. Assimilamos os recursos mentais daqueles que pensam como nós. 

Guardando melindres e irritação, desorganizaremos os tecidos sutis de nossa alma e intoxicaremos, por conta própria, a vestimenta corpórea.

Para termos sanidade plena, é preciso que nossas energias estejam harmonicamente compensadas. Somos seres essencialmente energéticos.

Assim como uma barra de ferro se imanta quando da proximidade de um imã, da mesma forma uma criatura pode atrair energias conforme seu padrão vibratório.

Na vida não existe fatalidade, apenas sintonia. Não precisamos ser exatamente iguais aos outros, basta termos afinidade para que ocorra o fenômeno de atração magnética.

Perdoar não significa que devemos ser coniventes com os comportamentos impróprios, nem aceitar abusos desrespeito, agressão ou traição, mas é uma nova forma de ver e viver, envolve o compromisso de experimentar em cada situação uma nova maneira de olhar o que está acontecendo, ou como aconteceu, sem interferência das percepções passadas. O perdão surge a partir de uma "visão cósmica" do comportamento humano. "Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos pequeninos, a mim o fizestes".(1) Este pequeno trecho do Evangelho de Mateus desperta excelente reflexão em torno da interdependência da "coletividade universal" - somos unos com todos, cada um de nós faz parte do grandioso espetáculo da Vida Cósmica. 

O ato de perdoar não requer a reabertura de velhas feridas, mas, sim, a sua cura. Transforma-nos em co-criadores da nossa realidade, pois tem relação com a capacidade de escolhermos como reagir às situações de nossa vida.


Hammed








(1) Mateus, 25:40.