quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Ermance Dufaux - Livro Prazer de Viver - Wanderley S. de Oliveira - Cap. 11 - Fé, combustível do ato de viver - Pt. I



Ermance Dufaux - Livro Prazer de Viver - Wanderley S. de Oliveira - Cap. 11

Fé, combustível do ato de viver - Pt. I


"A Terra, conseguimente, oferece um dos tipos de mundos expiatórios, cuja variedade é infinita, mas revelando todos, como carácter comum, o servirem de lugar de exílio para Espíritos rebeldes à lei de Deus. (E.S.E. - Cap. III, item 15).

Que traço poderia definir mais claramente a nossa condição moral na Terra?

Por vezes sucessivas, após o desenlace carnal, deparamos com o remorso e, mais recentemente, alguns de nós, com o arrependimento sincero.

Renascemos trazendo impresso na alma um ansioso desejo de recomeço.

Chegando à vida física, encontramos com as frustrações necessárias.

Caímos no desapontamento e, por fim, na rebeldia, negando-nos a aceitar nossas necessidades espirituais.

Surgem os conflitos com o corpo, a sociedade, a profissão e a família.

Em verdade, o maior adversário somos nós mesmos.

A resistência declarada em aceitar quem somos.

A rebeldia de ser, existir e viver.

Instala-se nesse passo um terrível estado de insatisfação crônica com a vida.

Sentimentos de culpa, tristeza e medo delineiam estados mentais doentios de punição, perfeccionismo e baixa autoestima, conduzindo-nos aos dramas dolorosos da angústia e da depressão - um verdadeiro leque de mutações emocionais.

Posteriormente, esgotados pelos conflitos interiores ao longo do tempo, as criaturas ainda se aninham nas perturbadoras crises de descrença e vazio existencial, e vamos em direção a novos ciclos de dor, que desabrocham a partir das atitudes e escolhas enfermiças.

Raríssimos escapam de semelhante "roda da vida".

Isso é o carma, a teia da existência tecida por nós mesmos nos roteiros da reencarnação.

Carma não é por fora, é por dentro de nós.

As insatisfações de fora espelham a rebeldia interior.

A vida por fora reflete programações da vida mental.

Surge de dentro o que temos no exterior.

Velhos modelos mentais alicerçados em crenças e valores.

Pela forma como reagimos aos episódios da existência, determinamos o curso dos prazeres e desgostos de nossas vidas.

O rebelde, por exemplo, agrava seus passos em autênticos torvelinhos de emoções perturbadoras.

A rebeldia é apressada, inquieta, arrogante e revoltada.

É a feição comportamental de almas que não aceitam a realidade.

Daí tanta amargura, pois a vida é e será sempre o que tem de ser, considerando que tudo o que nos cerca reflete o que somos ou seremos.

Rebeldia significa relutância, teimosia, inconformação.

Há quem nela veja uma virtude, conceituando-a como um ato de resistência, bravura e coragem em não se abater diante dos reveses.

Estreito limite existe entre o carácter patológico da rebeldia e esse aspecto que alguns tomam como qualidade.

Analisemos o tema.

O rebelde paralisa. O corajoso avança.

O rebelde sofre. O corajoso liberta-se.

A rebeldia torna a criatura apressada, agitada interiormente e com avançados níveis de ansiedade ou depressão.

Uma personalidade rebelde debate-se intimamente, tem baixíssimo nível de tolerância às frustrações e uma conduta irritável.

Uma personalidade corajosa avança com serenidade, ultrapassando sua zona mental de conforto com moderação e lucidez.

A rebeldia tira a condição de pessoa centrada em valores e metas para situá-la nos dois extremos do psiquismo revoltado: ora na arrogância, ora na descrença.

A arrogância é a atitude daqueles que ainda encontram energia para expressar sua inconformação.

A descrença é o estado de quantos já se encontram exauridos de tanto reagir aos alvitres da existência.

Quando na arrogância, a alma se afoga nas vertigens da insensatez.

Quando na descrença, tomba nas armadilhas do medo.

Na arrogância, nossa maior ilusão é não aceitar o eu real em detrimento do eu ideal.

Romper com a imagem que o ego construiu sobre nós, para nos defender da angustiante realidade do que somos.

Na descrença, nossa maior dificuldade é aceitar que a vida jamais será como queremos.

Nisso reside nossa incapacidade em lidar com perdas e sonhos desfeitos ou não alcançados.

A arrogância traz a sofreguidão das metas que se desfazem como bolhas de sabão aos nossos olhos, levando-nos ao vício de sermos exímios fabricantes de sentidos para a vida pessoal e daqueles que nos cercam.

A descrença traz a paralisia da depressão que nos aprisiona no catre da ausência de sentido, subtraindo-nos a alegria do ato de viver.

O arrogante é um inveterado "criador de destinos", com os quais procura atender a sua inesgotável tendência de gerir a vida alheia, na condição de um semideus.

O descrente é um cultor da revolta que está atemorizado com a morte de sua vida idealizada e impossível.

Arrogância e descrença são extremos psicológicos e emocionais de um mesmo motivo:
a acção de não aceitar os processos necessários da vida e suas leis de progresso.

Ambos, arrogantes e descrentes, são pessoas que temem ardentemente a queda, o fracasso, o desacerto.

O arrogante, com medo de errar, tenta demais e tomba na prepotência.

O descrente, com medo do erro, evita arriscar e escolher.

O arrogante se vê além do que é.

O descrente foge de quem é.

Estar em quaisquer destas extremidades significa limite e nível patológico da vida mental.

Nesse clima da vida interior, a maior enfermidade dos dias atuais instala-se sorrateira e decisiva:
a ausência de sentido para os dias da nossa existência.

Arrogantes e descrentes caminham ao sabor de intermináveis combates íntimos que sugam as forças morais e minam os ideais possíveis.

Estabelece-se uma lastimável pressão sobre os pensamentos, causando um estado de confusão mental.

Um desgosto, abrupto e dominador, subtrai significativa parcela do afecto e da sensibilidade.

Cansadas, tais criaturas correm atrás do dever ao peso de dor e desânimo, cobrança e rigidez.

Rebeldia é resultante da ausência de habilidade em movimentar o mais sublime patrimônio conferido pelo Criador à criatura: a fé.

A fé é o combustível do ato de viver.

A energia interior que vêm das profundezas inabordáveis da alma para equilibrar nossa mente e nos nutrir com a energia da vida, a energia de Deus, que sustenta o universo em profusão.

Fé é essa força que está no íntimo de nós mesmos qual uma pepita reluzente acomodada no lago pantanoso de nossa sombra.

A luz escondida que necessita ser colocada no velador, onde possa iluminar nossa vida consciente.

A sombra é também um centro de talentos e qualidades ocultas que solicitam manifestação.

O contato com a energia da fé desperta o estado de otimismo, irradia a paciência, espalha a confiança e fortalece a resignação nas atitudes, levando-nos a aceitar a vida como ela é.

A fé mantém a mente em harmonia e domínio interior, por consequência, habituando-nos a agir com foco no presente, sem as agonias com o futuro ou os descontentamentos do passado.

Estar no presente significa viver, ter sentido para continuar um dia após o outro na busca consciente por metas e motivações.

Uma de suas propriedades energéticas mais importantes é a função selectiva.

Como fosse uma bateia - recipiente para garimpar metais preciosos nos rios -, ela selecciona o que há de melhor em nosso campo psíquico.

É uma chave para abrir o Self divino que está adormecido em nosso íntimo.

Ela é a base da vida em toda parte.

É a alma da esperança, sem a qual não conseguimos enxergar a trilha excelsa traçada por Deus para nossa felicidade.

É a fonte do prazer de viver.

Sem esperança como viver?

Ela é o efeito no campo dos sentimentos quando encontramos o ritmo vibratório de Deus na vida.

Surge quando identificamos o fluxo de energias divinas que conspiram para a nossa ascensão.

Dizem os Sábios Instrutores:

"Inspiração divina, a fé desperta todos os instintos nobres que encaminham o homem para o bem.
É a base da regeneração.

Preciso é, pois, que essa base seja forte e durável, porquanto, se a mais ligeira dúvida a abalar, que será do edifício que sobre ela construirdes?

Toda a nobreza espiritual da qual somos herdeiros de Deus somente poderá se expressar sob o influxo da fé.

Todos os instintos em nós colocados para o progresso, sob sua tutela são dirigidos para tornar a nossa vida um ato de dignidade repleto de alegria e prazer de viver.


Ermance Dufaux






Remorso: 
EGOÍSMO / ILUSÃO - DESILUSÃO NA ERRATICIDADE
QUEDA: sensação de fracasso
REMORSO: fixação crónica no sentimento de culpa
Dor - Resgate
REENCARNAÇÃO DESAJUSTE COM AS PROVAS PESSOAIS
DESAPONTAMENTO + FRUSTRAÇÃO = REBELDIA
INSATISFAÇÃO CRÓNICA COM A VIDA
Dor - resgate
INSATISFAÇÃO CRÓNICA COM A VIDA
leque emocional do remorso
MEDO (PERFECCIONISMO)
Culpa (Punição)
Tristeza (Baixa auto-estima)
Perfeccionismo: novos ciclos de dor
Angústia: ARROGÂNCIA; Descrença
Arrogância: adoecimento mental
Descrença: Adoecimento mental - Depressão / Tédio / Ausência de sentido para viver / Retomada da programação mental de queda e remorso




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