
Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 1
Nova era
*E.S.E - Cap. I, Item 9
A Doutrina Espírita marca, para a humanidade, uma nova fase de vida, mostrando o amor de Deus aos Seus filhos, confirmando o que Ele mandara falar aos povos por intermédio de Moisés: a existência de um Deus único, que não se esquece dos Seus filhos, e a continuidade da vida.
Moisés era instrumento dos Espíritos, médium dos instrutores enviados pelo Guia Espiritual da Terra, para entregar a mensagem de vida e os preceitos de educação, de acordo com a elevação dos povos.
Era uma missão difícil de ser cumprida na época do legislador hebreu!
Falava ele como se fosse ouvindo a Deus, mas na verdade ouvia os benfeitores espirituais, enviados por Jesus Cristo.
O tempo passa célere, o mundo submete-se a duras provas e expiações, para o preparo e despertamento das almas, a fim de receber, por misericórdia do Senhor, a presença visível de Jesus, dando o testemunho junto aos homens de que existe o Pai Celestial, e que Ele não abandona os filhos, por ser Deus de amor e de Justiça, Criador de todas as coisas.
Os profetas foram enviados dos Céus à Terra, em várias épocas, no preparo de todos os povos, com a sublime notícia de que iria chegar ao planeta o Rei do mundo, o Guia Espiritual do globo, para a devida educação das criaturas e, para que o povo acreditasse na Sua missão, viria dando luz aos olhos que não enxergassem, levantando os caídos, abençoando os estropiados e curando todas as enfermidades.
E ainda mais: falando de Deus e das Suas leis, como nenhum outro, por ser Ele o filho mais velho, em relação aos que pisaram na casa terrena...
O Cristo de Deus, andando no mundo, sem ser do mundo!
Escolheu a cruz, mostrando à humanidade a confiança n’Aquele que O enviara e perdoando todos os que O crucificaram.
Jesus, com a Sua fala de luz, fez descortinar a visão da continuidade da vida, tanto que anunciava a Sua volta no terceiro dia, o que aconteceu.
Eis aí o mais arrojado acontecimento espiritual no chão de provas nesta casa de expiação: falou e voltou inúmeras vezes, orientando Seus discípulos, não lhes tirando as provas, mas mostrando as lutas por que tinham de passar, mostrando a fé que abre as portas da alegria para o futuro!
E depois de dezenove séculos, ainda envia o Consolador que prometera, na feição de uma doutrina, para ficar eternamente com a humanidade, doutrina que educa e instrui, que desperta nos corações os valores colocados por Deus na consciência.
E, para despertar esses tesouros dentro de nós, os benfeitores da Verdade nos ensinam e mostram a chave em “O Evangelho Segundo o Espiritismo, pelo Espírito Paulo, o apóstolo dos gentios:
Fora da caridade não há salvação!
Somente a caridade, filha legítima do amor, tem a força de Deus para acordar os valores do coração e da consciência.
Depois de Allan Kardec, entramos na nova era de luz.
A humanidade já está sendo preparada para ouvir uma verdade mais acentuada, de modo a sentir que tudo e todos, sem barreiras de raças ou nações, sem barreira dos mundos que circulam na criação, somos filhos de Deus.
E qual a energia que nos une?
É a que sai do Criador, que denominamos Amor.
O Espiritismo rasga os véus, em se começando nova era; as notícias do além-túmulo confirmam que ninguém morre, e que a reencarnação e a comunicação dos Espíritos com os homens são verdades, renovando os conceitos de vida da humanidade.
Miramez
Instruções dos Espíritos — A nova era.
9. Deus é único e Moisés é o Espírito que ele enviou em missão para torná-lo conhecido não só dos hebreus, como também dos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento de que se serviu Deus para se revelar por Moisés e pelos profetas, e as vicissitudes por que passou esse povo destinavam-se a chamar a atenção geral e a fazer cair o véu que ocultava aos homens a divindade.
Os mandamentos de Deus, dados por intermédio de Moisés, contêm o gérmen da mais ampla moral cristã. Os comentários da Bíblia, porém, restringiam-lhe o sentido, porque, praticada em toda a sua pureza, não na teriam então compreendido. Mas, nem por isso os dez mandamentos de Deus deixavam de ser um como frontispício brilhante, qual farol destinado a clarear a estrada que a humanidade tinha de percorrer.
A moral que Moisés ensinou era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos que ela se propunha regenerar, e esses povos, semisselvagens quanto ao aperfeiçoamento da alma, não teriam compreendido que se pudesse adorar a Deus de outro modo que não por meio de holocaustos, nem que se devesse perdoar a um inimigo. Notável do ponto de vista da matéria e mesmo do das artes e das ciências, a inteligência deles muito atrasada se achava em moralidade e não se houvera convertido sob o império de uma religião inteiramente espiritual. Era-lhes necessária uma representação semimaterial, qual a que apresentava então a religião hebraica. Os holocaustos lhes falavam aos sentidos, ao mesmo passo que a ideia de Deus lhes falava ao espírito.
O Cristo foi o iniciador da mais pura, da mais sublime moral, da moral evangélico-cristã, que há de renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos; que há de fazer brotar de todos os corações a caridade e o amor do próximo e estabelecer entre os humanos uma solidariedade comum; de uma moral, enfim, que há de transformar a Terra, tornando-a morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. É a lei do progresso, a que a natureza está submetida, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca de que Deus se utiliza para fazer que a humanidade avance.
São chegados os tempos em que se hão de desenvolver as ideias, para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de Deus. Têm elas de seguir a mesma rota que percorreram as ideias de liberdade, suas precursoras. Não se acredite, porém, que esse desenvolvimento se efetue sem lutas. Não; aquelas ideias precisam, para atingirem a maturidade, de abalos e discussões, a fim de que atraiam a atenção das massas. Uma vez isso conseguido, a beleza e a santidade da moral tocarão os espíritos, que então abraçarão uma ciência que lhes dá a chave da vida futura e descerra as portas da felicidade eterna. Moisés abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá.
Um Espírito israelita.
Mulhouse, 1861.
Fonte: Máximas de Luz; Kardecpedia
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