
Joanna de Ângelis - Livro Psicologia da Gratidão - Divaldo P. Franco - Cap. 3
O milagre da gratidão
Os sentimentos inferiores, herança perversa do trânsito evolutivo quando no período assinalado somente pelo instinto dominador, constituem presídios sem grades que limitam a movimentação emocional e espiritual do ser, constrangendo o processo iluminativo e gerando sofrimentos.
São responsáveis pelo ressentimento, pela raiva, pelo ciúme que se transformam em conflitos graves no comportamento humano.
Esse ego primitivo tem por obrigação consciente eleger o bem-estar e a saúde como diretrizes que lhe facultem harmonia, ensejando a identificação com as aspirações do Self em estágio superior de apercebimento da finalidade existencial.
Permanecendo na condição de sombra morbosa, dá lugar à instalação de emoções igualmente primárias, que a razão bem-direcionada deverá superar.
Ressumando com frequência do inconsciente pessoal, afastam o paciente do saudável convívio social, fazendo que os seus relacionamentos domésticos sejam desagradáveis, de agressividade ou de indiferença, de distanciamento ou de introspecção rancorosa.
O ser humano, graças à conquista da consciência, está destinado à individuação que alcançará mediante a perfeita fusão do eixo Ego-Self, à completude, na qual retornará à unidade que sofreu fissão durante o processo antropossociopsicológico da evolução através das sucessivas reencarnações.
Conforme Jung declarou, a individuação é o processo de diferenciação que tem como objetivo o desenvolvimento da personalidade individual e da consciência do ser único, indivisível e distinto da coletividade, quando o self atinge a culminância da sua realidade imortal...
Nesse sentido, todo o empenho para combater as imperfeições morais deve ser colocado a serviço do equilíbrio, da harmonia emocional e psíquica.
Em tal abordagem clínica, a gratidão desempenha uma função psicoterapêutica de suma importância pelo fato de entender as ocorrências do dia a dia, mesmo aquelas que possuem conteúdos perturbadores, não podendo interferir no comportamento equilibrado, que resulta da consciência de responsabilidade perante a vida.
O amadurecimento psicológico desperta a consciência para a sua realidade transcendental, superando os impositivos imediatos dos instintos e ampliando as percepções em torno dos valores existenciais.
Joanna de Ângelis
*Antropossociopsicológico (ou antropossociopsicologia) é um termo que descreve a interconexão e evolução do ser humano sob as perspectivas antropológica (natureza humana e cultura), sociológica (interação social e sociedade) e psicológica (mente, emoções e inconsciente), especialmente no contexto da doutrina espírita, referindo-se à jornada do espírito através de múltiplas existências, acumulando experiências e aprendizados para seu desenvolvimento integral e evolução moral.
Em essência, significa:
- Antropo- (Homem): A dimensão biológica, cultural e existencial do ser humano.
- Socio- (Sociedade): A influência das relações sociais e do ambiente coletivo.
- Psico- (Mente/Alma): Os processos mentais, emocionais e espirituais.
Fonte: Psicologia da Gratidão
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