segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 4 - Sublimidade terrena



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 4


Sublimidade terrena


"Quem melhor do que eu pode compreender a verdade destas palavras de Nosso Senhor: “O meu reino não é deste mundo”? O orgulho me perdeu na Terra..." (Uma Rainha de França - E.S.E - Cap. II, Item 8)*


Fora do corpo, é mais fácil para o Espírito compreender a verdadeira grandeza, como aconteceu com uma das rainhas de França que, ao chegar ao mundo espiritual, notou que alguns dos que foram por ela comandados se encontravam em melhores situações espirituais que ela, sentindo-se envergonhada diante daquele quadro que, de pronto, não poderia aceitar.

Diante da evidência, foi obrigada a obedecer às leis que regulam a vida.

Eis que, se falamos mais diretamente aos espíritas, eles devem entender esses acontecimentos no plano em que se encontrarão! Para não se arrependerem no mundo espiritual, se conservarem o orgulho e alimentarem o egoísmo.

Que procurem libertar-se, ainda no corpo físico, das invirtudes que, por vezes, dominam seus sentimentos, para chegarem livres ao mundo da verdade, compreendendo que o amor conserva a vida no intenso trabalho onde a serenidade converte a alma para a beneficência, o cultivo do perdão e da luz.

O esplendor da alma na Terra pode corresponder a sofrimento na vida espiritual, se a mencionada posição desconhece o nosso guia espiritual: Jesus. Devem os abastados averiguar se a sua riqueza não está servindo de motivo de embaraços à aquisição da sua moral cristã.

É de bom alvitre reconhecer que a realeza terrena pode ser uma experiência na Terra, mas que, no amanhã, pode-se estar sem ela, por não se saber usá-la adequadamente.

Assim a beleza, assim a sabedoria, assim o comando das massas.

E para tanto, devemos reconhecer a essência da Doutrina Espírita que, por amor de Deus, nos envia os recursos necessários, nos fazendo aprender o que nos falta para a paz do coração e a reconhecer Jesus como o Diretor deste planeta, sendo Ele o caminho para todo o rebanho da Terra.

A prática das virtudes enumeradas pelo Evangelho nos livra de todo o peso de faltas inumeráveis em vidas sucessivas e das ilusões, tanto quanto das paixões da Terra, e nos libertam para a grandeza da vida imortal.

A realeza que devemos ter é a grandeza do amor e da caridade, duas forças em uma, que nos levam à felicidade, além do perdão e da fraternidade, deixando o clima da alegria assegurar o nosso bem-estar, alimentando a fé, divina e humana, para que se complete a harmonia espiritual, iluminando o campo imenso da vida íntima.


Miramez







*O Evangelho segundo o Espiritismo, Capítulo II - Meu reino não é deste mundo - Instruções dos Espíritos.


8. Quem melhor do que eu pode compreender a verdade destas palavras de Nosso Senhor: “O meu reino não é deste mundo”? O orgulho me perdeu na Terra. Quem, pois, compreenderia o nenhum valor dos reinos da Terra, se eu o não compreendia? Que trouxe eu comigo da minha realeza terrena? Nada, absolutamente nada. E, como que para tornar mais terrível a lição, ela nem sequer me acompanhou até o túmulo! Rainha entre os homens, como rainha julguei que penetrasse no reino dos céus! Que desilusão! Que humilhação, quando, em vez de ser recebida qual soberana, vi acima de mim, mas muito acima, homens que eu julgava insignificantes e aos quais desprezava, por não terem sangue nobre! Oh! como então compreendi a esterilidade das honras e grandezas que com tanta avidez se requestam na Terra!

Para se granjear um lugar neste reino, são necessárias a abnegação, a humildade, a caridade em toda a sua celeste prática, a benevolência para com todos. Não se vos pergunta o que fostes, nem que posição ocupastes, mas que bem fizestes, quantas lágrimas enxugastes.

Oh! Jesus, tu o disseste, teu reino não é deste mundo, porque é preciso sofrer para chegar ao céu, de onde os degraus de um trono a ninguém aproximam. A ele só conduzem as veredas mais penosas da vida. Procurai-lhe, pois, o caminho, através das urzes e dos espinhos, não por entre as flores.

Correm os homens por alcançar os bens terrestres, como se os houvessem de guardar para sempre; ainda aqui, outra ilusão. Cedo se apercebem eles de que apenas apanharam uma sombra e desprezaram os únicos bens reais e duradouros, os únicos que lhes aproveitam na morada celeste, os únicos que lhes podem facultar acesso a esta.

Compadecei-vos dos que não ganharam o reino dos céus; ajudai-os com as vossas preces, porquanto a prece aproxima do Altíssimo o homem; é o traço de união entre o céu e a Terra: não o esqueçais.

Uma Rainha de França.
Havre, 1863.

 




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