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sexta-feira, 7 de março de 2025

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. I - Das penas e gozos terrestres - Felicidade e infelicidade relativas - Questão 921 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. I - Das penas e gozos terrestres


Felicidade e infelicidade relativas 


921. Concebe-se que o homem será feliz na Terra, quando a Humanidade estiver transformada. Mas, enquanto isso se não verifica, poderá conseguir uma felicidade relativa?

“O homem é quase sempre o obreiro da sua própria infelicidade. Praticando a lei de Deus, a muitos males se forrará e proporcionará a si mesmo felicidade tão grande quanto o comporte a sua existência grosseira.”

A.K.: Aquele que se acha bem compenetrado de seu destino futuro não vê na vida corporal mais do que uma estação temporária, uma como parada momentânea em péssima hospedaria. Facilmente se consola de alguns aborrecimentos passageiros de uma viagem que o levará a tanto melhor posição, quanto melhor tenha cuidado dos preparativos para empreendê-la. Já nesta vida somos punidos pela infrações, que cometemos, das leis que regem a existência corpórea, sofrendo os males consequentes dessas mesmas infrações e dos nossos próprios excessos. Se, gradativamente, remontarmos à origem do que chamamos as nossas desgraças terrenas, veremos que, na maioria dos casos, elas são a conseqüência de um primeiro afastamento nosso do caminho reto. Desviando-nos deste, enveredamos por outro, mau, e, de conseqüência em conseqüência, caímos na desgraça. 


Allan Kardec




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez
Questão 921 comentada


No que se refere à própria felicidade, parte bem considerável pertence ao Espírito. Somos obreiros da nossa paz, não obstante, devemos obedecer à leis criadas por Deus.

As leis foram feitas devido à ignorância e quando estivermos envolvidos na maturidade espiritual, as leis humanas deixarão de existir para nós, porém, as leis maiores que vibram na nossa intimidade passarão a nos guiar para sempre.

O destino da alma é ser feliz, é amar em todas as dimensões em que se possa engrandecer cada vez mais. A Doutrina Espírita, juntamente com Jesus, que é seu sustentáculo nos oferece, tanto na carne quanto no mundo espiritual, meios e métodos para verificar a nossa maturidade. Despertando-nos para a vida real, a verdade começa a surgir nos nossos caminhos, nos dando mais segurança no avanço espiritual.

Certamente que na Terra não existe felicidade na maneira que a ideamos, no entanto, a felicidade relativa existe, com o conhecimento desse ambiente de luz. Os benfeitores espirituais que se comunicam com os homens deixam traços dessa felicidade no que falam, escrevem e inspiram os homens para o bem comum.

Nada existe separado de Deus. Ele, o Magnânimo Senhor, está ligado à Sua criação em todas as faixas de vida, nos ofertando paz e inspirando amor, nos ensinando a caridade e mostrando como deve ser a vivência da fraternidade.

Desde quando tomamos um corpo físico, a influência da matéria já nos impede a felicidade, no entanto, é nela que formamos a base de bem-estar grandioso. Se não existe a felicidade na Terra, nela ficamos sabendo da sua existência nos planos elevados, e a maior alegria é que depois de alcançarmos este estado d'alma, nunca mais regredimos. Na Terra há momentos felizes em todas as áreas, como que as explosões de luz da Divindade, a nos falar do verdadeiro bem-estar que devemos, com o tempo, conquistar.

O reino do mundo está dividido entre a luz e as trevas, então, ele não pode subsistir. As variações são inúmeras, sem a devida segurança espiritual.

Se um reino estiver dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir. (Marcos, 3:24)

É o que se passa no planeta: os próprios homens têm sentimentos bons e maus. Eles se misturam, se dividem; assim, não pode subsistir a verdadeira felicidade. No entanto, com o tempo, na força do Cristo, o mal vai ficando escasso e o bem, na forma do amor, vai dominando os corações. é desta forma que vai chegando ao coração do homem a felicidade.

Depois do Cristo, passamos a acreditar na felicidade, naquele paraíso que devemos encontrar dentro de nós. Nesta transformação interior, o exterior deve corresponder às mudanças. Somos responsáveis pelos nossos destinos, de certo modo. Depois de Deus, somos nós que devemos construir a nossa vida.

Somos punidos pelas infrações que cometemos, como sinal de que não devemos continuar nos caminhos do erro, no entanto, nesse caminho extraímos excelentes lições sobre as leis de Deus. Se não sabemos ao certo o que é falta nos princípios da nossa vida, devemos aprender à nossa própria custa. Todos passamos por essas vias; são como as escolas para as crianças aprenderem o que não sabem e, por vezes, não querem.

Nada se faz sem a permissão de Deus. Medita nisto e verás como flui a vida em todas as direções que o amor nos faz verificar. Aparentemente, o mal é caminho para o bem, e ficarás sabendo mais tarde que não existe o mal, mas apenas mudanças favoráveis ao bem. O destino da alma traçado por Deus é um bem-estar indizível que se chama felicidade.


Miramez 




Livro Filosofia Espírita Vol. 19 - João Nunes Maia 
Cap. 3 - O Destino da Alma







terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Joanna de Ângelis - Livro Plenitude - Divaldo P. Franco - Cap. 9 - Processo de Autocura - 4ª Parte - Canalização dos pensamentos e das emoções para o Amor, A Compaixão, a Equanimidade e a Paz



Joanna de Ângelis - Livro Plenitude - Divaldo P. Franco - Cap. 9 - Processo de Autocura - 4ª Parte


Canalização dos pensamentos e das emoções para o Amor, A Compaixão, a Equanimidade e a Paz


A preservação do pensamento otimista predispõe a um estado emocional receptivo à saúde. Fácil, pois, se torna canalizá-lo para as expressões nobilitantes do amor, da compaixão, da justiça, da equanimidade e da paz.

O amor, que é o élan mágico que unirá todas as criaturas um dia, deve ser cultivado na condição de experiência nova, que o exercício converterá em um hábito, em um estado normal do Espírito.

A sua força restaura a confiança nos homens e na vida, porquanto, a sua presença produz estímulos, facultando que, periodicamente, o sangue receba renovação de cargas de adrenalina, produzindo revigoramento orgânico.

Pela sua óptica os acontecimentos apresentam angulações antes não percebidas, permitindo que as emoções não se entorpeçam, nem se exaltem, ao mesmo tempo em que predispõe o individuo à compaixão, fator humanizador da criatura.

Quando as forças conjugadas do medo e da ira, da mágoa e da vingança, do ciúme e do ódio começam a perturbar a emoção, o sentimento de compaixão pelo algoz, apresentando-o frágil e vulnerável, evita que o desequilíbrio trabalhe em favor da agressividade por parte da vítima. Esta passa a ver o seu adversário como sendo um doente da alma, que ignora a gravidade do próprio mal, e, ao invés de derrapar na animosidade, envolve-o em ondas de simpatia, de compreensão, não lhe devolvendo o malefício que dele recebeu.

No quadro das doenças que abalam os homens, encontramos instaladas no períspirito várias matrizes de ódio, de ressentimento, de azedume, em relação a outras pessoas.

O amor propicia a compaixão que se gostaria de receber, caso a situação fosse oposta, diminuindo a intensidade do golpe recebido e anulando-lhe os efeitos danosos. Ela fala sobre a justiça inexorável de Deus que alcança a todos e propõe a bondade para o opositor, conscientizando-o, embora indiretamente, de que o mal é sempre pior para quem o pratica.

A justiça, por sua vez, jaz insculpida na consciência de cada pessoa que pode ser anestesiar por algum tempo, jamais, porém, impossibilitada de manifestar-se.

O equivocado conhece o seu erro, mesmo quando o disfarça, e assim procede porque lhe sabe a procedência.

Encobrir a ferida não impede que ela permaneça decompondo a área, na qual se encontra instalada.

A justiça na consciência impõe reparação do delito e das suas consequências infelizes, induzindo as vítimas a que não assumam a postura de colaboradores, já que as leis soberanas dispõem de recursos que impedem se contrariam novos, quando se corrigem velhos débitos.

Para culminar o seu objetivo, tem ela que ser estruturada na equanimidade, que discerne como aplica-la, sem contributo emocional da paixão de qualquer natureza, porém com a finalidade superior de corrigir sem desforço e recuperar sem maus-tratos.

O sentimento de equanimidade nasce da razão que discerne e da emoção que compreende, fazendo que o recurso e o método de reeducação sejam os mesmo para todos os incursos nos seus códigos, não sendo severa em demasia para uns e generosa em excesso para com outros. A sua linha reta de ação abrange na mesma faixa todos os infratores, prodigalizando-lhes idêntico tratamento.

A consciência de amor com equanimidade propõe a paz, que tira as tensões e inspira o prosseguimento da ação. Estado íntimo de harmonia, irradia-se em sucessivas ondas de tranquilidade que se exteriorizam, provendo a absorção e fixação das energias saudáveis no organismo.

O pensamento canalizado para a paz se torna uma onda que sincroniza com a Fonte do Poder, contribuindo para o entendimento geral e a fraternidade, que é o passo inicial do amor entre as criaturas.

No processo de autocura, o Espírito recupera as energias gastas, vitaliza, mediante a ação do pensamento, os fulcros perispirituais e predispõe-se ao resgate pelo amor, sem a intenção de negociar benefícios, antes, com a de se tornar elemento útil no concerto social, membro ativo do progresso geral e não um peso desagradável quão infeliz na economia do grupo humano onde se encontra.

Coautor da sua recuperação, ele haure na Fonte providencial do amor de Deus as energias sãs, saindo das sombras da enfermidade para as luzes da saúde, disposto a contribuir decisivamente em favor do mundo melhor de hoje e de amanhã, renovado, esclarecimento e feliz.


Joanna de Ângelis












domingo, 31 de outubro de 2021

Alan Kardec - O Livro dos Espíritos - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. 2 - Das penas e gozos futuros - O nada. Vida futura - Questão 959 (Miramez)




Alan Kardec - O Livro dos Espíritos - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. 2 - Das penas e gozos futuros - O nada.


Vida futura 


959. Donde nasce, para o homem, o sentimento instintivo da vida futura?

“Já dissemos: antes de encarnar, o Espírito conhecia todas essas coisas, e a alma conserva vaga lembrança do que sabe e do que viu no estado espiritual.” (393)

Em todos os tempos o homem se preocupou com o seu futuro para lá do túmulo, e isso é muito natural. Qualquer que seja a importância que ligue à vida presente, não pode ele furtar-se a considerar quanto essa vida é curta e, sobretudo, precária, pois que a cada instante está sujeita a interromper-se, nenhuma certeza lhe sendo permitida acerca do dia seguinte. Que será dele, após o instante fatal? Questão grave esta, porquanto não se trata de alguns anos apenas, mas da eternidade. Aquele que tem de passar longo tempo em país estrangeiro se preocupa com a situação em que lá se achará. Como, então, não nos havia de preocupar a em que nos veremos, deixando este mundo, uma vez que é para sempre?

A ideia do nada tem qualquer coisa que repugna à razão. O homem que mais despreocupado seja durante a vida, em chegando o momento supremo pergunta a si mesmo o que vai ser dele, e involuntariamente nutre esperança.

Crer em Deus sem admitir a vida futura seria um contrassenso. O sentimento de uma existência melhor reside no foro íntimo de todos os homens e não é possível que Deus aí o tenha colocado em vão.

A vida futura implica a conservação da nossa individualidade após a morte. Com efeito, que nos importaria sobreviver ao corpo, se a nossa essência moral houvesse de perder-se no oceano do infinito? As consequências, para nós, seriam as mesmas que se tivéssemos de nos sumir no nada.


Allan Kardec




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 959 comentada



O instinto do homem, reconhecendo a vida futura, lhe vem do seu conhecimento, antes de vestir-se de carne no mundo terreno. Ele é, pois, instruído no mundo espiritual sobre todas as leis que comandam e regem as vidas e as coisas na Terra, aí existindo e entrando no processo de reencarnação, quantas vezes forem necessárias. O ser humano guarda na consciência todos os transes de vida e morte e, principalmente, de que viverá depois do túmulo. Todos têm intuição disso, desde o índio, até o mais civilizado e, ainda mais, todas as religiões e filosofias espirituais estudam esse assunto, mostrando aos seus seguidores que ninguém morre.

A consciência fala todos os dias; isso é tema comum na acústica da mente. A Doutrina dos Espíritos traz para a humanidade a certeza da continuação da vida depois da morte do corpo, e, para tanto, os que já se foram para a espiritualidade estão voltando, como o fez Jesus, deixando Sua mensagem de vida e meio mais fácil de viver, alcançando a tranqüilidade e aumentando, desse modo, a esperança.

Todo homem conserva vaga lembrança do que viu e sentiu antes de tomar um corpo de carne. Deus não deixa alma alguma sem essa esperança. Todas as nações preocupam-se com o seu futuro e as religiões revestem essa crença com fórmulas que hoje não têm mais razão de ser. Se tudo se aperfeiçoa, quanto mais as coisas espirituais!

Jesus foi luz que eliminou as trevas, mostrando, com a Sua ressurreição, que realmente ninguém morre, aparecendo diversas vezes e se mostrando como era para ser conhecido a todos os Seus seguidores.

Se o Espiritismo é a continuação do Cristianismo, ele faz o mesmo. Pela mediunidade, é mostrada aos que ficaram na Terra, a presença do Espírito por variados meios, de modo que ninguém pode negar a evidência. Pode-se dizer que não existe uma família na face da Terra que já não teve um testemunho de que seus parentes e amigos continuam vivos. Os meios são muitos e eles os usam para dizer que estão mais vivos que antes.

Com o passar dos tempos, a multidão, diante de todos esses fenômenos e outros que deverão surgir, irá perguntar o que fazer para alcançar a felicidade:

Então as multidões o interrogavam, dizendo: Que haveremos, pois, de fazer? (Lucas, 3:10)

Diante desta interrogação, falaremos a todos que sigam a Jesus, que observem o Seu Evangelho e semeiem sementes de alto valor moral; que amem e sejam caridosos em todos os aspectos das necessidades humanas. Se tiveres de fazer uma viagem, deves preparar as malas, levando o suficiente para a tua tranqüilidade. É o que deves fazer: preparar-te moralmente, despertando tuas qualidades valiosas no coração, para a grande viagem que todos devem empreender além do túmulo. Quem não tiver essa segurança, sofrerá duras conseqüências.

A Doutrina dos Espíritos pede às criaturas para estudarem, trabalharem e compreenderem, por todos os meios, a vida, sendo honestas e boas, perdoando as ofensas, esquecendo-as, e amar a Deus em todas as coisas, cultivando a fé e construindo a paz no coração, pela transformação interna, não se esquecendo de Jesus, acompanhando Seus passos.


Miramez






Livro Filosofia Espírita - Volume XIX - João Nunes Maia
Cap. 41 - Vida futura




terça-feira, 12 de outubro de 2021

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. 2 - Das penas e gozos futuros - Intervenção de Deus nas penas e recompensas - Questão 963 (Miramez)




Allan Kardec - O Livro dos Espíritos -  4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. 2 - Das penas e gozos futuros


Intervenção de Deus nas penas e recompensas


963. Com cada homem, individualmente, Deus se ocupa? Não é ele muito grande e nós muito pequeninos para que cada indivíduo em particular tenha, a seus olhos, alguma importância?

“Deus se ocupa com todos os seres que criou, por mais pequeninos que sejam. Nada, para sua bondade, é pequeno demais.”


Allan Kardec




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 963


Deus se ocupa de toda a criação. Ele cuida com amor de todas as criaturas e para tanto fez leis que regulam o bem, estabelecendo harmonia. Quando fugimos dessas normas, sofremos as consequências. Não há quem receba mais nem menos das Suas mãos generosas; cada um recebe aquilo que pode suportar, pela elevação alcançada.

O Todo Poderoso tem Seus agentes que assistem a todos, em todos os ângulos da criação, fazendo correção onde necessário, para que a justiça esteja sempre presente no mínimo ou no máximo, e essa justiça é a presença de Deus, como Pai de todos os seres.

Muitos perguntam: e quando existia somente Ele no centro da vida, qual seria a razão das leis? O Criador nunca ficou só; no Seu seio palpita a vida. O Seu "hálito" lhe dá todas as respostas, quando emitido em todas as direções. Não existe tempo, na origem dos assuntos, pois, tudo se confunde: Espírito, matéria e os intermediários de todas as coisas. O tempo se desfaz, e o espaço deixa de existir, ante a paternidade universal.

Como explicar o inexplicável? Como entender o que não pode se entender? Buscar aprofundar-se em todos os assuntos do Espírito, é perda de tempo, porque estamos no começo das lições que pretendemos aprender; basta o que estamos seguindo e aprendendo, mas, sempre indo avante, porque o aprendizado verdadeiramente é eterno, na eternidade de Deus.

Podemos chamar os impulsos do progresso de convergência, pois quando pensamos que chegamos ao fim de certos ensinamentos, passamos a convergir para outro ângulo, e quando pensamos que chegamos ao máximo, ele se torna mínimo pela convergência que nos mostra outros planos de maiores entendimentos; e esses pontos para os quais deveremos convergir são eternos.

Deus se ocupa de tudo, com o máximo carinho, porque Ele é Amor, e buscando além, é muito mais que o amor, porque somente Ele criou esse estado de alma e a criação não pode ser igual ao Criador. Deus cuida do verme tanto quando dos Anjos, e dá a todos eles, segundo as suas necessidades.

Muitas outras coisas ainda iremos compreender quando chegar o momento de tudo vir à luz, para que se dissipem as trevas. Consultemos a Marcos neste sentido, quando ele assim se refere:

Mas Jesus lhe advertiu severamente que o não expusessem a publicidade. (Marcos, 3:12)

E vejamos o termo severamente; devemos ter o cuidado de não lançarmos pérolas aos que desconhecem seus valores, pois a verdade deve ser dosada para que não venha a ferir e desfazer condições espirituais já formadas. O progresso, é certo, é portador de coisas novas; no entanto, ele é dirigido pelo bom senso da espiritualidade maior.

Deus cuida de todos os seres que criou, para não colocar fardos pesados em ombros frágeis; isso é justiça, isso é amor. Estudemos pois, com atenção, para que não venhamos a sofrer as imprudências de saber o que não devemos, na pauta das nossas vidas.

Tudo está semeado em nossas consciências, mas cada qual absorve o que pode suportar. E Deus é a Suprema Harmonia, que distribui com parcimônia as verdades, de maneira que suportemos as Suas luzes.


Miramez





Filosofia Espírita - Volume XIX - João Nunes Maia
Cap. 45 - Nada é destituído de valor



quinta-feira, 1 de julho de 2021

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Capítulo I - Das penas e gozos terrestres - Felicidade e infelicidade relativas - Questão 933 (Miramez)




Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Capítulo I - Das penas e gozos terrestres


Felicidade e infelicidade relativas 


933. Assim como, muitas vezes, é o homem o causador de seus sofrimentos materiais, também o será de seus sofrimentos morais?

“Mais ainda, porque os sofrimentos materiais algumas vezes independem da vontade; mas o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, numa palavra, são torturas da alma.

A inveja e o ciúme! Felizes os que desconhecem estes dois vermes roedores! Para aquele que a inveja e o ciúme atacam, não há calma, nem repouso possíveis. À sua frente, como fantasmas que lhe não dão tréguas e o perseguem até durante o sono, se levantam os objetos de sua cobiça, do seu ódio, do seu despeito. O invejoso e o ciumento vivem ardendo em contínua febre. Será essa uma situação desejável? Não compreendeis que, com as suas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários, tornando-se-lhe a Terra verdadeiro inferno?”

Muitas expressões pintam energicamente o efeito de certas paixões. Diz-se: “inchado de orgulho”, “morrer de inveja”, “secar de ciúme” ou “de despeito”, “não comer nem beber de ciúmes”, etc. Esse quadro é sumamente real. Acontece até não ter a inveja objeto determinado. Há pessoas invejosas, por natureza, de tudo o que se eleva, de tudo o que sai da craveira vulgar, embora nenhum interesse direto tenham, mas unicamente porque não podem conseguir outro tanto. Ofusca-as tudo o que lhes parece estar acima do horizonte e, se constituíssem maioria na sociedade, trabalhariam para reduzir tudo ao nível em que se acham. É a inveja aliada à mediocridade.

Frequentemente o homem só é infeliz pela importância que liga às coisas deste mundo. Fazem-lhe a infelicidade a vaidade, a ambição e a cobiça desiludidas. Se se colocar fora do círculo acanhado da vida material, se elevar seus pensamentos para o infinito, que é seu destino, mesquinhas e pueris lhe parecerão as vicissitudes da humanidade, como o são as tristezas da criança que se aflige pela perda de um brinquedo que fazia a sua felicidade suprema.

Aquele que só vê felicidade na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz, quando não os pode satisfazer, ao passo que aquele que nada pede ao supérfluo é feliz com aquilo que outros consideram calamidades.

Referimo-nos ao homem civilizado, porquanto o selvagem, sendo mais limitadas as suas necessidades, não tem os mesmos motivos de cobiça e de angústias: diversa é a sua maneira de ver as coisas. Como civilizado, o homem raciocina sobre a sua infelicidade e a analisa. Por isso é que esta o afeta mais. Mas também lhe é facultado analisar e raciocinar sobre os meios de obter consolação. Essa consolação ele a encontra no sentimento cristão, que lhe dá a esperança de melhor futuro, e no Espiritismo, que lhe dá a certeza desse futuro.


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 933 comentada


Os sofrimentos no mundo devastam os homens, trazendo-Ihes padecimentos de todas as ordens que se possa imaginar, sofrimentos materiais e morais. De certa forma, não se pode deter esses sofrimentos, por serem processos de despertamento espiritual, no entanto, compreender que são eles da nossa culpa é bem melhor para que possamos nos esforçar para nos livrarmos deles.

Estamos falando de dois apenas, que são o ciúme e a inveja. São realmente dois vermes roedores da alma, senão do próprio corpo físico. Como combater essas duas enfermidades, livrar-se delas? Qual o ser humano, e mesmo o espiritual, que não sentiu ou sente ciúme ou inveja? Todos, embora haja os que já se livraram deles.

Os que ainda não sentiram essas duas doenças, talvez se encontrem na fila para sentir suas torturas. Elas, por seu caráter inferior, trazem lições dolorosas para a alma na sua seqüência de vida. Como encarnados, e por vezes fora da carne, todos sentirão esse estado negativo do Espírito, por não terem ainda conhecido a verdade. Somente os Espíritos livres das paixões humanas são limpos dos resíduos de todas as inferioridades.

Certamente que devemos combater todos os tipos de inferioridade nos caminhos que percorremos, para que no amanhã, possamos dizer: "conheci a verdade e ela me tornou livre das peias da ignorância."

"O Livro dos Espíritos" nos fala que, por vezes, os sofrimentos materiais independem da vontade do homem, e isso é certo, no entanto, os sofrimentos morais se encontram na mesma ordem, por nos faltar elevação espiritual para os evitarmos. Como pode o homem primitivo ter uma moral ilibada, se desconhece seus fundamentos?

Os sofrimentos materiais e morais somente desaparecerão quando o Espírito ascender pelo despertamento dos seus dons espirituais. O tempo se encarrega desse trabalho. Todas as almas que não têm experiências qualificadas na consciência pura, desconhecem a paz e a tranqüilidade. Não questionemos a Deus, nem tampouco O responsabilizemos, pelos desastres que essas duas forças provocam em nós. O esquema está traçado para o nosso destino, e como Deus é onisciente, Ele já sabe disso; e se deixou que assim acontecesse, é que precisa ser deste modo. Nem nós mesmos temos culpas dos nossos deslizes. Temos culpas, se não combatermos nossas inferioridades, já conscientes dos caminhos onde as paixões nos levam.

Todos os vermes roedores são forças negativas que devemos combater, sempre na ordem das coisas, porque é no combate que ganhamos experiência para a verdadeira conquista. Se as almas não fossem torturadas pelos contrastes da vida, como elas conheceriam o outro lado, o da serenidade, da caridade e do amor? Certamente que são felizes aqueles que desconhecem esses vermes roedores; bem-aventurados são eles, por terem passado por todas essas experiências e delas colheram a paz verdadeira que torne a consciência tranquila, objetivo de nossas vidas.

Compreendamos, pois, a necessidade dos nossos esforços visando à melhora da vida material e moral, pois o conseguiremos, por estar no destino de todos. Surge deste esforço a água da vida, quem a bebe nunca mais terá sede.

Replicou-lhe Jesus:

Se conhecerás o dom de Deus e quem é o que te pede: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. (João, 4:10)

Jesus sempre nos pede que doemos água, em qualquer posição em que estejamos, aos que sofrem, pois Ele está com eles e, se compreendemos, Ele, o Mestre, nos dá a água com a qual nunca mais teremos sede, por ser a água da vida eterna. É necessário que entendamos esse pedido. As imperfeições são fantasmas dentro de nós e à nossa frente, e a consciência em Cristo nos pede para expulsá-las, ambientando-nos com o amor e a caridade, para que a salvação instale na nossa intimidade o sol da verdade e a luz de Deus no coração.

Limpando-te do ciúme e da inveja, ficarás livre de muitos fantasmas que corroem a alma, como carunchos invisíveis, os quais não devemos matar, nem nos servirmos deles para a nossa revolta e, sim, transformá-los em vida, em experiências e cultivo da própria paz.


Miramez




Filosofia Espírita - Volume XIX - João Nunes Maia
Cap. 15 - Dois vermes destruidores 



sábado, 27 de fevereiro de 2021

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. 2 - Das penas e gozos futuros - Expiação e arrependimento - Questão 1000 (Miramez)




Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. 2 - Das penas e gozos futuros


Expiação e arrependimento 


1000. Já desde esta vida poderemos ir resgatando as nossas faltas?

“Sim, reparando-as. Mas não creiais que as resgateis mediante algumas privações pueris, ou distribuindo em esmolas o que possuirdes, depois que morrerdes, quando de nada mais precisais. Deus não dá valor a um arrependimento estéril, sempre fácil e que apenas custa o esforço de bater no peito. A perda de um dedo mínimo, quando se esteja prestando um serviço, apaga mais faltas do que o silício suportado durante anos, com objetivo exclusivamente pessoal. (726.)

"Só por meio do bem se repara o mal, e a reparação nenhum mérito apresenta se não atinge o homem nem no seu orgulho, nem nos seus interesses materiais.

"De que serve, para sua justificação, que restitua, depois de morrer, os bens mal adquiridos, quando se lhe tornaram inúteis e deles tirou todo o proveito?

"De que lhe serve privar-se de alguns gozos fúteis, de algumas superfluidades, se permanece integral o dano que causou a outrem?

"De que lhe serve, finalmente, humilhar-se diante de Deus, se, perante os homens, conserva o seu orgulho?” (720–721.)


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 1000 comentada


O que chamamos de processos de despertamento espiritual, se dá em todo lugar, onde quer que seja. A vida é vida em qualquer ponto do universo de Deus; como pode ser que somente na carne se repare faltas? Como pensar que somente no corpo físico se evolui ou desperte as qualidades espirituais? Isso é um contrassenso; a nossa escola, e de todas as almas, é dentro da criação de Deus. Não podemos pensar que só na Terra recebemos lições e despertamos valores.

Estamos dentro do progresso e com ele avançamos para Deus, na programação que Ele mesmo fez. Em verdade, tudo o que ocorre conosco são processos de elevação espiritual, pelos quais todos temos de passar, para a luz dos nossos caminhos.

A natureza sabe o que fazer, sob a influência das leis de Deus. É necessário que saibamos nos conduzir diante dos nossos feitos passados que nos fizeram sofrer, não é ficando em jejum que nos iluminamos; não é nos sacrificando exteriormente que alcançamos a paz; não é ficando calados que despertaremos as condições espirituais que nos fornecem a tranquilidade da consciência... Jesus nos ensinou, com a sua própria vida, o que deveremos fazer para a devida libertação espiritual. Vejamos o que os discípulos fizeram, estudemos suas vidas e copiemos seu procedimento.

O arrependimento deve ser sincero, compreendendo que fora da caridade não há salvação. Não podemos iludir a nós mesmos, diante da vida maior, o nosso dever é refazer nossas condições espirituais, e isso deve ser constante, para chegarmos ao amor sem condições. Não é levando o corpo físico a determinarias privações que a alma se ilumina. O fanatismo torce a verdade.

Caminhamos para a felicidade que nos chega e deve chegar de todas as direções, por variados processos de educação espiritual e sabedoria dos segredos da vida, para sabermos como comportar no dia-a-dia. Só por meio do bem afastamos o mal, somente pelos canais da caridade nos livramos das prisões do mal e somente o amor nos coloca frente a frente com a nossa consciência, sem que ela nos condene.

Não é somente pelo arrependimento que nos salvamos, como muitos estudiosos bíblicos afirmam. Enquanto não dissiparmos do coração o orgulho e o egoísmo, não seremos livres das perseguições de natureza inferior. As paixões se enraízam nestes dois monstros das almas.

O combate ao mal, não aprendemos de homem nenhum e, sim, de Jesus, que vem nos acompanhando há milhões de anos com a mesma paciência de sempre e Paulo, o apóstolo, entendeu isto, tanto que diz em uma de suas epístolas:

Porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo. (Gálatas, 1:12)

E a Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, nos fala o mesmo; os mensageiros de Jesus que a ditaram nos mostram Jesus como único modelo para a humanidade ser feliz.

As nossas faltas, os nossos erros por ignorância das leis e por não termos forças para corrigi-los, devem ser corrigidos em qualquer lugar, tanto na carne como fora dela. Os sofrimentos existem em muitas dimensões.

“De que lhe serve, finalmente, humilhar-se diante de Deus, se, perante os homens, conserva o seu orgulho?”, concluem os Espíritos Superiores que responderam à pergunta em questão. Contudo, não basta ao homem cumprir exteriormente tão profunda recomendação. De que lhe valeria humilhar-se perante os homens, talvez por conveniência e mesmo interesses materiais, e ser orgulhoso ante a Paternidade Universal? Amemos a Deus em todas as coisas; aí estão incluídos o próximo e a própria criação da Majestade Divina.

 
Miramez


Filosofia Espírita - Volume XX - João Nunes Maia
Cap. 31 - Resgate das faltas




quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. II - Duração das penas futuras - Questão 1003 (Miramez)




Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. II


Duração das penas futuras 


1003. É arbitrária ou sujeita a alguma lei a duração dos sofrimentos do culpado, na vida futura?

“Deus nunca obra caprichosamente e tudo, no Universo, se rege por leis, em que a sua sabedoria e a sua bondade se revelam.”


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 1003 comentada


A duração das penas que a alma passa pelas suas faltas é de acordo com estas faltas. A variação das lições de que à dor se faz mestra é inumerável. Não existe um Espírito que tenha os mesmos sofrimentos que outro. As corrigendas obedecem a uma lei de justiça em todos os campos de lutas e é bom que se notem essas diferenças, para que a ignorância não venha a procurar justificativa ante seus infortúnios.

Não existe arbitrariedade com os filhos de Deus; tudo obedece a leis justas, de modo a educar os companheiros que precisam de disciplina, acordando para maiores entendimentos. O faltoso não precisa morrer para resgatar seus débitos. Por vezes, ele começa a repará-lo ainda na carne, prosseguindo após o túmulo. Às vezes, torna a voltar nas lides humanas com o mesmo estigma da dor que solidifica sua missão de paz para o sofredor.

Se te encontras com a obstinação do mal, procura mudar. Vê que ele não nos leva a nada de útil. Por que sofrer ou fazer sofrer a outrem? A pertinácia no mal é caminho para agressões que irão retornar a quem agrediu. Já falamos muitas vezes e tornamos a dizer que os infortúnios não erram o endereço. É qual carta de cobrança que vem ao devedor pelas mãos de um portador que sabe onde mora quem deve.

Somos todos tentados a fazer o mal em muitas circunstâncias, no entanto, devemos resistir, fazendo o bem, buscando em Jesus os exemplos elevados.

Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados. (Hebreus, 2:18)

Jesus é o socorro do céu que veio para nos fortalecer diante das tentações. Conhecendo Sua vida e nos inspirando nos Seus exemplos, fortalecemos nossa conduta, para não cairmos em novas tentações. É o que devemos fazer todos os dias: buscar o Mestre para nos inspirar. Agindo assim, a duração das nossas penas mudará; o fardo passará a se aliviar e o jugo das nossas faltas ficará leve. Eis aí os princípios da felicidade.

Não deves jogar tudo para o futuro, porque vivemos dentro do eterno. Haverás de começar hoje mesmo o trabalho de recuperação, que esse esforço te dará luz nos caminhos e força para viver na felicidade de Deus. A duração nas nossas penas, no mundo físico ou no espiritual, é de conformidade com a nossa persistência no mal. Cedendo essa obstinação, a luz se faz e a vida surge como agente de Deus nas nossas consciências.

Jesus é o nosso caminho, a verdade e a vida que vertem de Deus na Sua pureza, como mil mãos iluminadas a nos abençoar, na regência do amor que nunca morre no coração da vida.

Somente o bem é eterno; todo mal é passageiro, distanciando-se sempre do sofredor pela força do tempo. O Espiritismo, bem compreendido na luz do Cristo, te mostra grandes esperanças; mas começa arrependendo e, em seguida, trabalha para sair da faixa do que contraria a lei de amor e de justiça. O amanhã irá te mostrar a realidade, destampando na frente da humanidade a maior esperança de todos os tempos: a verdade, pela ciência, de que ninguém morre.

Ainda agora dizemos, como já foi dito em todos os tempos: a vida continua e o verdadeiro céu se encontra dentro de cada criatura. Busca e o acharás.


Miramez




Filosofia Espírita – Volume XX - João Nunes Maia
Cap. 34 - Duração das Penas




quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Paulo, Apóstolo - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. II - Duração das penas futuras - Questão 1009 (Miramez)




Paulo, Apóstolo - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. II


Duração das penas futuras


1009. Assim, as penas impostas jamais o são por toda a eternidade?

“Gravitar para a unidade divina, eis o fim da Humanidade. Para atingi-lo, três coisas são necessárias: a justiça, o amor e a ciência. Três coisas lhe são opostas e contrárias: a ignorância, o ódio e a injustiça. Pois bem: digo-vos, em verdade, que mentis a esses princípios fundamentais, comprometendo a ideia de Deus, com o Lhe exagerardes a severidade. Duplamente a comprometeis, deixando que no Espírito da criatura penetre a suposição de que há nela mais clemência, mais mansuetude, amor e verdadeira justiça, do que atribuis ao Ser Infinito. Destruís mesmo a idéia do inferno, tornando-o ridículo e inadmissível às vossas crenças, como o é aos vossos corações o horrendo espetáculo das execuções, das fogueiras e das torturas da Idade Média! Pois quê! Quando banida se acha para sempre das legislações humanas a era das cegas represálias, é que esperais mantê-la no ideal? Oh! Crede-me, crede-me, irmãos em Deus e em Jesus-Cristo, crede-me: ou vos resignais a deixar que pereçam nas vossas mãos todos os vossos dogmas, de preferência a que se modifiquem, ou, então, revivificai-os, abrindo-os aos benfazejos eflúvios que os Bons, neste momento, derramam neles. A idéia do inferno, com as suas fornalhas ardentes, com as suas caldeiras a ferver, pôde ser tolerada, quer dizer, era perdoável num século de ferro; porém no século dezenove não passa de vão fantasma, próprio, quando muito, para amedrontar criancinhas; e mesmo estas, crescendo um pouco, logo deixam de crer nela. Se persistirdes nessa mitologia aterradora, engendrareis a incredulidade, mãe de toda a desorganização social. Tremo, entrevendo toda uma ordem social abalada e a ruir sobre os seus fundamentos, por falta de sanção penal. Homens de fé ardente e viva, vanguardeiros do dia da luz, mãos à obra, não para manter fábulas que envelheceram e se desacreditaram, mas para reavivar, revivificar a verdadeira sanção penal, sob formas condizentes com os vossos costumes, os vossos sentimentos e as luzes da vossa época.

“Quem é, com efeito, o culpado? É aquele que, por um desvio, por um falso movimento da alma, se afasta do objetivo da criação, que consiste no culto harmonioso do belo, do bem, idealizados pelo arquétipo humano, pelo Homem-Deus, por Jesus-Cristo.

“Que é o castigo? A conseqüência natural, derivada desse falso movimento; uma certa soma de dores necessária a desgostá-lo da sua deformidade, pela experimentação do sofrimento. O castigo é o aguilhão que estimula a alma, pela amargura, a se dobrar sobre si mesma e a buscar o porto de salvação. O castigo só tem por fim a reabilitação, a redenção. Querê-lo eterno, por uma falta não eterna, é negar-lhe toda a razão de ser.

“Oh! Em verdade vos digo, cessai, cessai de pôr em paralelo, na sua eternidade, o Bem, essência do Criador, com o Mal, essência da criatura. Seria criar uma penalidade injustificável. Afirmai, ao contrário, o abrandamento gradual dos castigos e das penas pelas transmigrações e consagrareis a unidade divina,  por meio da razão unida ao sentimento.”

Paulo, Apóstolo.


Com o atrativo de recompensas e temor de castigos, procura-se estimular o homem para o bem e desviá-lo do mal. Se esses castigos, porém, lhe são apresentados de forma que a sua razão se recuse a admiti-los, nenhuma influência terão sobre ele. Longe disso; rejeitará tudo: a forma e o fundo. Se, ao contrário, lhe apresentarem o futuro de maneira lógica, ele não o repelirá. O Espiritismo lhe dá essa explicação.

A doutrina da eternidade das penas, em sentido absoluto, faz do Ente Supremo um Deus implacável. Seria lógico dizer-se, de um soberano, que ele é muito bom, muito magnânimo, muito indulgente, que só quer a felicidade dos que o cercam, mas que ao mesmo tempo é cioso, vingativo, de inflexível rigor e que pune com o castigo extremo as três quartas partes dos seus súditos, por uma ofensa, ou uma infração de suas leis, mesmo quando praticada pelos que não as conheciam? Não haveria aí contradição? Ora, pode Deus ser menos bom do que o seria um homem?

Mais uma contradição se apresenta aqui: pois que Deus tudo sabe, sabia, ao criar uma alma, que ela viria a falir. Teria, pois, desde a sua formação, sido destinada à desgraça eterna. Será isto possível, racional? Com a doutrina das penas relativas, tudo se justifica. Deus sabia, sem dúvida, que ela faliria, mas lhe deu meios de se instruir pela sua própria experiência, mediante suas próprias faltas. É necessário que expie seus erros, para melhor se firmar no bem, mas a porta da esperança não se lhe fecha para sempre e Deus faz que, dos esforços que ela empregue para o conseguir, dependa a sua redenção. Isto toda gente pode compreender e a mais meticulosa lógica pode admitir. Menos céticos haveria, se deste ponto de vista fossem apresentadas as penas futuras.

Na linguagem vulgar, a palavra eterno é muitas vezes empregada figuradamente, para designar uma coisa de longa duração, cujo termo não se prevê, embora se saiba muito bem que esse termo existe. Dizemos, por exemplo, os gelos eternos das altas montanhas, ou dos pólos, embora saibamos, de um lado, que o mundo físico pode ter fim e, de outro lado, que o estado dessas regiões pode mudar pelo deslocamento natural do eixo da Terra, ou por um cataclismo. Assim, nesse caso, o vocábulo eterno não quer dizer perpétuo ao infinito. Quando sofremos de uma enfermidade duradoura, dizemos que o nosso mal é eterno. Que há, pois, de admirar em que Espíritos que sofrem há anos, há séculos, há milênios mesmo, assim também se exprimam? Não esqueçamos, principalmente, que, não lhes permitindo a sua inferioridade divisar o ponto extremo do caminho, crêem que terão de sofrer sempre, o que lhes é uma punição.

Ademais, a doutrina do fogo material, das fornalhas e das torturas, tomadas ao Tártaro do paganismo, está hoje completamente abandonada pela alta teologia e só nas escolas esses aterradores quadros alegóricos ainda são apresentados como verdades positivas, por alguns homens mais zelosos do que esclarecidos, que assim cometem grave erro, porquanto as imaginações juvenis, libertando-se dos terrores, poderão ir aumentar o número dos incrédulos. A teologia reconhece hoje que a palavra fogo é usada figuradamente e que se deve entender como significando fogo moral (974). Os que têm acompanhado, como nós, as peripécias da vida e dos sofrimentos de além-túmulo, através das comunicações espíritas, puderam convencer-se de que, por nada terem de material, eles não são menos pungentes. Mesmo relativamente à duração, alguns teólogos começam a admiti-la no sentido restritivo acima indicado e pensam que, com efeito, a palavra eterno se pode referir às penas em si mesmas, como conseqüência de uma lei imutável, e não à sua aplicação a cada indivíduo. No dia em que a religião admitir esta interpretação, assim como algumas outras também decorrentes do progresso das luzes, muitas ovelhas desgarradas reunirá.


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 1009 comentada


Já falamos e tornamos a dizer: não existe esse tipo de corrigenda, que nunca se acaba. O que seria, se assim fosse, o nosso Deus? Sendo Ele todo bondade, amor e caridade, Seus filhos são filhos do Seu mais profundo amor, e não iriam sofrer penas sem remissão.

Isso se passa como corriges um filho, colocando-o no castigo, por vezes por alguns minutos que, para ele, parecem uma eternidade. E isto tu fazes por amor, para educá-lo, e o carinho dos pais fa-lo-á entender que eles somente desejam o seu bem e o seu aprendizado para o amanhã. Da parte de Deus, é perfeita essa correção.

Como atribuir à bondade infinita a vingança infinita? Não podes pensar assim. Nós outros estamos nos submetendo às leis eternas do Criador, processos de despertamento espiritual para que acordemos os valores existentes dentro de nós, entretanto, essa libertação não pode ser total, pois sempre somos dependentes de Deus. Para isso fomos feitos; Ele é a vida.

Certamente que ainda há muitas coisas que não compreendemos e que se encontram em segredo, porém, quando surgir o desejo de aprender, busquemos ao Senhor em oração. Disse Paulo aos Coríntios:

Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus. (l Coríntios, 14:28)

Eis aí o conselho mais acertado; quando não compreendes certas leis ou certos acontecimentos em teu caminho, fica calado, recolhe-te ao templo interno do teu coração e pelas preces fala a Deus, esperando com confiança, que Ele, a Bondade Divina, te dirá o que precisas, na faixa que te é própria.

As penas são temporárias, Elas duram pouco por estarem em desarmonia com a vida. Nós, como Espíritos desencarnados que já passamos por muitas delas, te exortamos com amor a suportares as duras penas, principalmente as impostas, pois no fundo delas se encontra a luz para a tua consciência.

Jesus disse: "Aquele que perseverar até o fim, será salvo." Vamos bater na tecla do amor até sair a nota da verdade e da alegria. A música universal se encontra ligada à caridade, esse gênio divino e humano que sempre procura salvar as almas.

Penas perpétuas devem cair no esquecimento. O tempo já passou, e o progresso teológico trouxe outras maneiras de pensar e sentir a vida em outros aspectos. O carro da evolução é portador de luzes da esperança para todas as criaturas de Deus. Eis a tua hora de meditar e aproveitar a viagem eterna para a eternidade do bem, que mostra para todos o ambiente para se ver e sentir os princípios da felicidade.

Em tempos idos, somente se falava nos templos religiosos sobre sofrimentos depois do túmulo, torturas etc. Tanto se falou nesses tormentos que eles acabaram por se materializarem na Terra, como as Cruzadas, a Inquisição, a escravidão e outras diferentes disposições impostas para os sofrimentos humanos. Tanto foram pedidas que vieram no correr dos ares.

Devemos esquecer do mal, para que ele desapareça do mundo e das criaturas. Jesus é o ponto de irradiação do bem e do amor. Firmando-nos n'Ele, limparemos nosso carma e passaremos a viver na luz, que fala somente das coisas agradáveis e felizes.


Miramez



Filosofia Espírita - Volume XX - João Nunes Maia
Cap. 40 - Penas perpétuas






quinta-feira, 23 de julho de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. I - Das penas e gozos terrestres - Felicidade e infelicidade relativas - Questão 933



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. I - Das penas e gozos terrestres - Felicidade e infelicidade relativas


Questão  933


Assim como, muitas vezes, é o homem o causador de seus sofrimentos materiais, também o será de seus sofrimentos morais?

“Mais ainda, porque os sofrimentos materiais algumas vezes independem da vontade; mas o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões, numa palavra, são torturas da alma.

“A inveja e o ciúme! Felizes os que desconhecem estes dois vermes roedores! Para aquele que a inveja e o ciúme atacam, não há calma, nem repouso possíveis. À sua frente, como fantasmas que lhe não dão tréguas e o perseguem até durante o sono, se levantam os objetos de sua cobiça, do seu ódio, do seu despeito. O invejoso e o ciumento vivem ardendo em contínua febre. Será essa uma situação desejável? Não compreendeis que, com as suas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários, tornando-se-lhe a Terra verdadeiro inferno?”

Muitas expressões pintam energicamente o efeito de certas paixões. Diz-se: “inchado de orgulho”, “morrer de inveja”, “secar de ciúme” ou “de despeito”, “não comer nem beber de ciúmes”, etc. Esse quadro é sumamente real. Acontece até não ter a inveja objeto determinado. Há pessoas invejosas, por natureza, de tudo o que se eleva, de tudo o que sai da craveira vulgar, embora nenhum interesse direto tenham, mas unicamente porque não podem conseguir outro tanto. Ofusca-as tudo o que lhes parece estar acima do horizonte e, se constituíssem maioria na sociedade, trabalhariam para reduzir tudo ao nível em que se acham. É a inveja aliada à mediocridade.

Freqüentemente o homem só é infeliz pela importância que liga às coisas deste mundo. Fazem-lhe a infelicidade a vaidade, a ambição e a cobiça desiludidas. Se se colocar fora do círculo acanhado da vida material, se elevar seus pensamentos para o infinito, que é seu destino, mesquinhas e pueris lhe parecerão as vicissitudes da Humanidade, como o são as tristezas da criança que se aflige pela perda de um brinquedo que fazia a sua felicidade suprema.

Aquele que só vê felicidade na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz, quando não os pode satisfazer, ao passo que aquele que nada pede ao supérfluo é feliz com aquilo que outros consideram calamidades.

Referimo-nos ao homem civilizado, porquanto o selvagem, sendo mais limitadas as suas necessidades, não tem os mesmos motivos de cobiça e de angústias: diversa é a sua maneira de ver as coisas. Como civilizado, o homem raciocina sobre a sua infelicidade e a analisa. Por isso é que esta o afeta mais. Mas também lhe é facultado analisar e raciocinar sobre os meios de obter consolação. Essa consolação ele a encontra no sentimento cristão, que lhe dá a esperança de melhor futuro, e no Espiritismo, que lhe dá a certeza desse futuro.


Allan Kardec 



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 933 comentada


Os sofrimentos no mundo devastam os homens, trazendo-Ihes padecimentos de todas as ordens que se possa imaginar, sofrimentos materiais e morais. De certa forma, não se pode deter esses sofrimentos, por serem processos de despertamento espiritual, no entanto, compreender que são eles da nossa culpa é bem melhor para que possamos nos esforçar para nos livrarmos deles.

Estamos falando de dois apenas, que são o ciúme e a inveja. São realmente dois vermes roedores da alma, senão do próprio corpo físico. Como combater essas duas enfermidades, livrar-se delas? Qual o ser humano, e mesmo o espiritual, que não sentiu ou sente ciúme ou inveja? Todos, embora haja os que já se livraram deles.

Os que ainda não sentiram essas duas doenças, talvez se encontrem na fila para sentir suas torturas. Elas, por seu caráter inferior, trazem lições dolorosas para a alma na sua seqüência de vida. Como encarnados, e por vezes fora da carne, todos sentirão esse estado negativo do Espírito, por não terem ainda conhecido a verdade. Somente os Espíritos livres das paixões humanas são limpos dos resíduos de todas as inferioridades.

Certamente que devemos combater todos os tipos de inferioridade nos caminhos que percorremos, para que no amanhã, possamos dizer: "conheci a verdade e ela me tornou livre das peias da ignorância."

"O Livro dos Espíritos" nos fala que, por vezes, os sofrimentos materiais independem da vontade do homem, e isso é certo, no entanto, os sofrimentos morais se encontram na mesma ordem, por nos faltar elevação espiritual para os evitarmos. Como pode o homem primitivo ter uma moral ilibada, se desconhece seus fundamentos?

Os sofrimentos materiais e morais somente desaparecerão quando o Espírito ascender pelo despertamento dos seus dons espirituais. O tempo se encarrega desse trabalho. Todas as almas que não têm experiências qualificadas na consciência pura, desconhecem a paz e a tranqüilidade. Não questionemos a Deus, nem tampouco O responsabilizemos, pelos desastres que essas duas forças provocam em nós. O esquema está traçado para o nosso destino, e como Deus é onisciente, Ele já sabe disso; e se deixou que assim acontecesse, é que precisa ser deste modo. Nem nós mesmos temos culpas dos nossos deslizes. Temos culpas, se não combatermos nossas inferioridades, já conscientes dos caminhos onde as paixões nos levam.

Todos os vermes roedores são forças negativas que devemos combater, sempre na ordem das coisas, porque é no combate que ganhamos experiência para a verdadeira conquista. Se as almas não fossem torturadas pelos contrastes da vida, como elas conheceriam o outro lado, o da serenidade, da caridade e do amor? Certamente que são felizes aqueles que desconhecem esses vermes roedores; bem-aventurados são eles, por terem passado por todas essas experiências e delas colheram a paz verdadeira que torne a consciência tranqüila, objetivo de nossas vidas.

Compreendamos, pois, a necessidade dos nossos esforços visando à melhora da vida material e moral, pois o conseguiremos, por estar no destino de todos. Surge deste esforço a água da vida, quem a bebe nunca mais terá sede.

Replicou-lhe Jesus:

Se conhecerás o dom de Deus e quem é o que te pede: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. (João, 4:10)

Jesus sempre nos pede que doemos água, em qualquer posição em que estejamos, aos que sofrem, pois Ele está com eles e, se compreendemos, Ele, o Mestre, nos dá a água com a qual nunca mais teremos sede, por ser a água da vida eterna. É necessário que entendamos esse pedido. As imperfeições são fantasmas dentro de nós e à nossa frente, e a consciência em Cristo nos pede para expulsá-las, ambientando-nos com o amor e a caridade, para que a salvação instale na nossa intimidade o sol da verdade e a luz de Deus no coração.

Limpando-te do ciúme e da inveja, ficarás livre de muitos fantasmas que corroem a alma, como carunchos invisíveis, os quais não devemos matar, nem nos servirmos deles para a nossa revolta e, sim, transformá-los em vida, em experiências e cultivo da própria paz.


Miramez 





Filosofia Espírita Volume XIX - João Nunes Maia
Cap. 15 - Dois Vermes Destruidores



Fontes: Ipeak - Instituto de Pesquisas Espíritas Allan Kardec, O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez