terça-feira, 12 de outubro de 2021

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. 2 - Das penas e gozos futuros - Intervenção de Deus nas penas e recompensas - Questão 963 (Miramez)




Allan Kardec - O Livro dos Espíritos -  4ª Parte - Das esperanças e consolações - Cap. 2 - Das penas e gozos futuros


Intervenção de Deus nas penas e recompensas


963. Com cada homem, individualmente, Deus se ocupa? Não é ele muito grande e nós muito pequeninos para que cada indivíduo em particular tenha, a seus olhos, alguma importância?

“Deus se ocupa com todos os seres que criou, por mais pequeninos que sejam. Nada, para sua bondade, é pequeno demais.”


Allan Kardec




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 963


Deus se ocupa de toda a criação. Ele cuida com amor de todas as criaturas e para tanto fez leis que regulam o bem, estabelecendo harmonia. Quando fugimos dessas normas, sofremos as consequências. Não há quem receba mais nem menos das Suas mãos generosas; cada um recebe aquilo que pode suportar, pela elevação alcançada.

O Todo Poderoso tem Seus agentes que assistem a todos, em todos os ângulos da criação, fazendo correção onde necessário, para que a justiça esteja sempre presente no mínimo ou no máximo, e essa justiça é a presença de Deus, como Pai de todos os seres.

Muitos perguntam: e quando existia somente Ele no centro da vida, qual seria a razão das leis? O Criador nunca ficou só; no Seu seio palpita a vida. O Seu "hálito" lhe dá todas as respostas, quando emitido em todas as direções. Não existe tempo, na origem dos assuntos, pois, tudo se confunde: Espírito, matéria e os intermediários de todas as coisas. O tempo se desfaz, e o espaço deixa de existir, ante a paternidade universal.

Como explicar o inexplicável? Como entender o que não pode se entender? Buscar aprofundar-se em todos os assuntos do Espírito, é perda de tempo, porque estamos no começo das lições que pretendemos aprender; basta o que estamos seguindo e aprendendo, mas, sempre indo avante, porque o aprendizado verdadeiramente é eterno, na eternidade de Deus.

Podemos chamar os impulsos do progresso de convergência, pois quando pensamos que chegamos ao fim de certos ensinamentos, passamos a convergir para outro ângulo, e quando pensamos que chegamos ao máximo, ele se torna mínimo pela convergência que nos mostra outros planos de maiores entendimentos; e esses pontos para os quais deveremos convergir são eternos.

Deus se ocupa de tudo, com o máximo carinho, porque Ele é Amor, e buscando além, é muito mais que o amor, porque somente Ele criou esse estado de alma e a criação não pode ser igual ao Criador. Deus cuida do verme tanto quando dos Anjos, e dá a todos eles, segundo as suas necessidades.

Muitas outras coisas ainda iremos compreender quando chegar o momento de tudo vir à luz, para que se dissipem as trevas. Consultemos a Marcos neste sentido, quando ele assim se refere:

Mas Jesus lhe advertiu severamente que o não expusessem a publicidade. (Marcos, 3:12)

E vejamos o termo severamente; devemos ter o cuidado de não lançarmos pérolas aos que desconhecem seus valores, pois a verdade deve ser dosada para que não venha a ferir e desfazer condições espirituais já formadas. O progresso, é certo, é portador de coisas novas; no entanto, ele é dirigido pelo bom senso da espiritualidade maior.

Deus cuida de todos os seres que criou, para não colocar fardos pesados em ombros frágeis; isso é justiça, isso é amor. Estudemos pois, com atenção, para que não venhamos a sofrer as imprudências de saber o que não devemos, na pauta das nossas vidas.

Tudo está semeado em nossas consciências, mas cada qual absorve o que pode suportar. E Deus é a Suprema Harmonia, que distribui com parcimônia as verdades, de maneira que suportemos as Suas luzes.


Miramez





Filosofia Espírita - Volume XIX - João Nunes Maia
Cap. 45 - Nada é destituído de valor



Nenhum comentário:

Postar um comentário