Miramez - Livro Horizontes da Fala - João Nunes Maia - Cap. 13
O fenômeno da fala
"O semeador semeia a palavra". (Marcos, 4:14)
As palavras pronunciadas buscam outras congêneres, ajuntando-se, para a formação da grande egrégora, na psicosfera da Terra. Quando elas são inferiores, o seu magnetismo é pesado, e a própria lei da gravidade as fazem cair, respondendo aos mesmos seres que as lançaram no espaço, em forma de coisas desastrosas, como carma coletivo. Poucos se livram dos efeitos drásticos desses fluidos exumados das mazelas da Terra, pela lei de justiça. Os que se salvam são os que educaram o verbo na conversação diária, pois estes criaram em torno de si, pela expressão de alegria e de amor que partem dos seus corações, sem exigências, uma defesa psíquica, garantindo-lhes a paz imperturbável.
O mundo de amanhã vai ser feliz, porque felizes serão os pensamentos e palavras dos seres que o habitarão. Se queres modelar o teu verbo para participar desse futuro, observa o modo mais correto de falar de Nosso Senhor Jesus Cristo, na Sua alta dinâmica de entendimento com as almas, que em parte ficou anotado no Evangelho dos discípulos mais chegados ao Seu coração.
Apropria a tua vida com a vida do Mestre, trabalha como o oleiro, fazendo a argila tomar a forma bela e construtiva. As tuas idéias são como saibro entregue às tuas mãos de operário do Senhor. Amolda-as no estupendo forno da tua mente, soltando, pelos canais da palavra, água pura, provinda de um suprimento que nunca, jamais, acabará. Cultiva a oração sem fanatismo, que a tua área de trabalho ser-te-á mais favorável ao labor substancioso.
Não deixes passar um só dia sem que coloques na tua construção moral alguns tijolos da verdade, que os prenderá como produtos da tua boa vontade, inteligência e sentimentos, consubstanciados no amor. Se te surgirem algumas tempestades, não percas o ânimo. Continua esforçando-te, que o tempo mostrará o quanto valeu o teu trabalho. Quando o imponente edifício de luz subir ao topo da tua cabeça, alicerçado na profundeza da tua consciência, aí poderás falar em altos brados: "glória a Deus nas alturas e paz em meu coração, na Terra!"
O fenômeno da fala é maravilhoso e, quando nascido no bem, é indestrutível. Ficará para sempre como herança da vida, para milhares de vidas. A palavra é semente que fecunda em quem ouve e frutifica igualmente em quem fala. Falar, no entanto, é responsabilidade maior, por ter a vida nos dotado quais agricultores na vinha do Senhor, atendendo assim a bilhões de almas famintas do alimento da verdade.
Aproveitamos a fala de Marcos para maior elucidação, no capítulo quatro, versículo quatorze: "O semeador semeia a palavra". Ai daquele que, consciente desta verdade, não selecionar as sementes para o plantio, porque delas irão alimentar-se muitas almas em formação espiritual.
A boca é uma abertura no teu corpo, que Deus não esqueceu na formação congênita do teu instrumento de carne, para que, por ela e com ela, possas armazenar, na tua consciência, as belezas da vida.
Se alguém te ferir, por ignorância, não uses a tua boca como justiça, mas faze com que os teus lábios vibrem na cadência do perdão. Se alguém te caluniar, por falta de entendimento da lei divina, não faças o mesmo com ele. Usa a tua boca para agradecer a Deus e abençoar os ofensores. Se alguém mentir, denunciando-te por falsas atitudes, prender-te por suspeita e inveja, e ainda, perseguir-te quando estiveres livre, usa a tua palavra, mesmo assim, para abençoar, lembrando-se somente das virtudes que esse alguém possui. Somente Deus pode fazer aquilo que os teus primeiros impulsos desejaram.
O teu verbo pode transformar todos os teus inimigos — ou os que se dizem como tais — em amigos do coração, pois somos todos irmãos, filhos do mesmo Pai. O fenômeno da palavra, que ilumina, é somente o do Bem. Façamo-lo!
Miramez
Nota do Editor: egrégora, do grego egregorói — Elifas Levyo denomina "o princípio das almas, que
são os espíritos de energia e ação"; qualquer coisa que pode ou não pode significar. Os ocultistas
orientais descrevem os egrégores como seres cujos corpos e essência são um tecido da chamada Luz
Astral. Fonte: Glossário teosófico — Helena P. Blavatsky.
são os espíritos de energia e ação"; qualquer coisa que pode ou não pode significar. Os ocultistas
orientais descrevem os egrégores como seres cujos corpos e essência são um tecido da chamada Luz
Astral. Fonte: Glossário teosófico — Helena P. Blavatsky.
Fonte: Horizontes da Fala-pdf

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