
Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 6
Mundo de reparações
Que vos direi dos mundos de expiações que já não saibais, pois basta observeis o em que habitais? A superioridade da inteligência, em grande número dos seus habitantes, indica que a Terra não é um mundo primitivo, destinado à encarnação dos Espíritos que acabaram de sair das mãos do Criador. As qualidades inatas que eles trazem consigo constituem a prova de que já viveram e realizaram certo progresso. Mas, também, os numerosos vícios a que se mostram propensos constituem o índice de grande imperfeição moral. Por isso os colocou Deus num mundo ingrato, para expiarem aí suas faltas, mediante penoso trabalho e misérias da vida, até que hajam merecido ascender a um planeta mais ditoso.
Entretanto, nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para aí em expiação. As raças a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se acham, por assim dizer, em curso de educação, para se desenvolverem pelo contato com Espíritos mais adiantados. Vêm depois as raças semicivilizadas, constituídas desses mesmos Espíritos em via de progresso. São elas, de certo modo, raças indígenas da Terra, que aí se elevaram pouco a pouco em longos períodos seculares, algumas das quais hão podido chegar ao aperfeiçoamento intelectual dos povos mais esclarecidos.
Os Espíritos em expiação, se nos podemos exprimir dessa forma, são exóticos na Terra; já viveram noutros mundos, donde foram excluídos em consequência da sua obstinação no mal e por se haverem constituído, em tais mundos, causa de perturbação para os bons. Tiveram de ser degredados, por algum tempo, para o meio de Espíritos mais atrasados, com a missão de fazer que estes últimos avançassem, pois que levam consigo inteligências desenvolvidas e o gérmen dos conhecimentos que adquiriram. Daí vem que os Espíritos em punição se encontram no seio das raças mais inteligentes. Por isso mesmo, para essas raças é que de mais amargor se revestem os infortúnios da vida. É que há nelas mais sensibilidade, sendo, portanto, mais provadas pelas contrariedades e desgostos do que as raças primitivas, cujo senso moral se acha mais embotado.
A Terra, conseguintemente, oferece um dos tipos de mundos expiatórios, cuja variedade é infinita, mas revelando todos, como caráter comum, o servirem de lugar de exílio para Espíritos rebeldes à lei de Deus. Esses Espíritos têm aí de lutar, ao mesmo tempo, com a perversidade dos homens e com a inclemência da natureza, duplo e árduo trabalho que simultaneamente desenvolve as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, em sua bondade, faz que o próprio castigo redunde em proveito do progresso do Espírito.
Santo Agostinho
(Paris, 1862.*)
A Terra é um mundo de reparações e testemunhos.
Certo é que nela também residem Espíritos de alta linhagem espiritual; se assim não fora, como ajudar aos que passam por duras provas e expiações dolorosas?
Os já redimidos, que renunciaram a um mundo mais elevado, retomando à casa terrena, são almas que amam e com isso mostram a caridade de viver consolando e dignificando a fé no meio dos que sofrem, em nome de Jesus, o nosso Mestre e Senhor.
Reparar é trabalho árduo, mas valioso, por livrar o Espírito do carma do passado, de faltas que pesam o fardo e o jugo, refletindo no centro da consciência, de sorte a fazer o coração sair fora do ritmo da vida.
Sendo um mundo de provas e expiações, a Terra está cercada de lutas reparadoras, sobremodo a cobrar das criaturas nela estagiadas as dívidas do passado; e ainda mais, quando a alma começa a se formar nalguma virtude cristã, ela é testada, para ver se de fato tem forças para continuar no equilíbrio moral e no trabalho dentro de si mesmo.
“O plantio é livre” é frase vista em muitos livros, e ouvida de muitas bocas a pronunciá-la, no entanto, acima de tudo é bom saber plantar, porque todos sabem que a colheita é obrigatória para todos os que semeiam e a semente que devemos entender é a dos pensamentos, das palavras e da própria vida.
Encontramos sempre nos caminhos o que desejamos para os outros; a luz clareia primeiro e com mais evidência quem a acendeu e se deseja treva, nela permanece.
A alma dá sinal de elevação e de atraso moral pelo que pensa, fala e faz.
A vaidade de querer ser mais que os outros está destruindo as criaturas, que são observadas em suas atitudes, e silenciam por iludirem a si mesmas.
O pior é que, sendo espíritas, têm conhecimento desse fato.
O pior cego é aquele que não quer ver.
Se você está se movendo em um corpo físico neste mundo terreno, tenha cuidado com o que pensa, que são ideias voltando e inspirando alguém; tenha cuidado com as palavras, que elas são vidas que se reúnem com as iguais, fazendo ambiente de acordo com os sentimentos de quem as gerou.
E tenha mais cuidado com a sua vida, esquecendo os outros e verificando somente a sua, reparando o que deve ser mudado.
Ensaie todos os dias, todas as horas e minutos as mudanças em seu roteiro, esquecendo os seus companheiros.
Cada um deve construir o seu próprio céu.
Quem tem em mira a vida dos outros, tem a sua na ruiria, esquecida da visita do dono.
Precisamos evidenciar a nossa moral pelo exemplo, que escreve em dimensão que atinge a todos no silêncio, e é uma fala que agrada a todos os que já estão se iluminando com o Cristo.
Se estamos em um mundo de provas e expiações, se não vivermos o que escolhemos para melhorar, que nos faz um bem salutar e agrada aos benfeitores espirituais, compartias que estão sempre nos vendo e ouvindo no silêncio, procurando todos os meios de nos ajudar, o que dizer aos outros como mestres? Na Terra não há todos os tipos de exames?
Pois também na vida espiritual passamos por esses roteiros para sentir o que somos, se já entendemos a nossa tarefa, nos caminhos que escolhemos ou no que fomos chamados a servir pela espiritualidade maior.
E nosso dever é buscar a humildade, mas a verdadeira; se vivermos na falsa, somente nós mesmos estaremos sendo iludidos.
A porfia é dura, é difícil, mas proveitosa e compensadora para aquele que sabe viver dentro da honestidade e não esquece a honra.
Procuremos analisar periodicamente o Evangelho de Jesus, sem dependência de interpretações; verifiquemos o Evangelho Segundo o Espiritismo, com a mesma disposição de equilíbrio, para que cheguem a nós a intuição pura e o conhecimento das leis naturais.
Encontramos o que buscamos; se você duvida, encontrará somente dúvidas.
A verdade o procura e será encontrada por você, examinando as suas próprias experiências e comparando-as com as dos grandes mestres das vivências nessa verdade.
Do contrário, você estará sujeito a ficar, por tempo indeterminado, nos mundos de provas e expiações, envolvido no magnetismo das suas próprias criações e na dependência dos que confiam e esperam o indicador, mostrando caminhos a seguir.
Tenha como guia Jesus, que Ele não o deixará errar os caminhos do amor e da caridade bem dirigida.
Busquemos a verdade por estarmos seguros que a verdade nos abraçará com a presença do Cristo.
Miramez
*O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. III — Há muitas moradas na casa de meu pai - Mundos de expiações e de provas. (Itens 13/15)
Fonte: Máximas de Luz; Kardecpedia
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