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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Além da Morte - Otília Gonsalvez / Divaldo Pereira Franco - Introito



Joanna de Ângelis - Livro Além da Morte - Otília Gonsalvez / Divaldo Pereira Franco


Introito


Além da morte chegam, sem solução de continuidade, as imensas caravanas de emigrantes da Terra.

Procedentes dos mais variados rincões do orbe terrestre, trazem estampados no Espírito os sinais vigorosos que lhe refletem os últimos instantes no veículo celular.

Aportam no grande continente da erraticidade, conduzindo a bagagem dos feitos acumulados durante o trânsito pelo mundo das expressões físicas.

Nem anjos nem demônios, mas homens que eram, homens que continuam.

A desencarnação não lhe modificou hábitos nem costumes, não lhes outorgou títulos nem conquistas, não lhes creditou méritos nem realizações.

Cada um se apresenta como sempre viveu.

Não ocorre milagre de transformação para os que atingem o grande porto...

Raros despertam com a consciência livre, após a inevitável travessia.

A incontável maioria, vinculada atrozmente às sensações animalizantes, se jugula às lembranças daquilo em que se comprazia, e se demora, desditosa, em bandos, quais salteadores enlouquecidos, pervagando em volta do domicílio carnal, até que a Lei os recambie ao renascimento.

Muitos, quais doentes em processo de convalescença de longo curso, são recolhidos a colônias espirituais, que abnegados missionários do amor e da caridade ergueram nas proximidades do planeta, onde se refazem e retemperam as forças gastas, para recomeçarem, reaprenderem e exercitarem a ascensão aos planos mais felizes.

Da mesma forma que na Terra enxameiam as afeições intercessórias, além da morte não cessam as manifestações do amor em intercâmbio contínuo, estabelecendo fortes laços de proteção e socorro.

O amor em todo lugar é a alma do universo, manifestação de Deus.

Mesmo os Espíritos calcetas, inveterados perseguidores da paz de muitos outros Espíritos, infelizes que são em si próprios, espalhando, por isso, a infelicidade de que se encontram possuídos, não estão esquecidos do Auxílio Divino pelos Mensageiros abnegados que por eles velam, que os assistem e amparam.

Em toda parte e sem cessar, o devotamento dos bons reflete a paternal Providência Divina.

Morrer, longe de ser o descansar em mansões celestes, ou o expurgar sem remissão nas zonas infernais, é, pura e simplesmente, recomeçar a viver...

Evidentemente que as dimensões do céu ou do inferno, sem o caráter ad aeternitaten, encontram o seu correspondente em estâncias de luz onde se comprazem e se reúnem os heróis anônimos do dever, os missionários dos labores humildes que passaram ignorados, os sacerdotes do trabalho aparentemente desvalioso, os pais, irmãos e amigos ricos de abnegação desinteressada, os mantenedores do bem e da ordem, prosseguindo no programa de incessante evolução ou em regiões aflitivas onde as consciências empedernidas se depuram para futuros renascimentos na organização física em que se reajustam e se recompõem...

Após a disjunção celular, a consciência comanda o espírito e o peso específico das vibrações, por afinidade, encarrega-se de fixar cada um no quadro das suas necessidades evolutivas.

Não faltam, todavia, aqueles que, na Terra, objetam e recalcitram em torno de tais afirmações.

Não temos, porém, a pretensão de convencer este ou aquele aprendiz da vida em experiência libertadora.

Todos os que se demoram no plano físico defrontarão agora ou mais tarde as realidades espirituais e aprenderão de visu pelo processus da própria evolução, retificando opiniões, disciplinando observações, experienciando existências...

A morte a todos nos aguarda, e a vida é a grande resposta a todos os enigmas.

Preparar-nos para esses imperiosos acontecimentos é tarefa inadiável, que ninguém pode desconsiderar.

Pensando nisso, a nossa irmã Otília, em páginas que endereça à sua filha, ainda envolta nos tecidos da carruagem física, reúne apontamentos de sua experiência pessoal, que agora apresentamos em letra de forma, guardando a esperança de, com essas narrativas, oferecer advertências e considerações, considerações e advertências, aliás, que vem sendo repetidas desde os primórdios dos tempos e que, no Evangelho como na Codificação kardequiana, atingem sua mais vigorosa expressão, aos que trafegam desatentos ou àqueles que buscam consolação e alento na Doutrina dos Espíritos.

A missivista não teve em mente apresentar novidade, considerando mesmo que novidade é tudo aquilo que alguém ignora, pois que nada há de novo sob a luz do sol, sendo a revelação sempre a mesma através dos tempos, surgindo hoje e ressurgindo amanhã, com aspecto, caráter e roupagens novas.

Existem aqui e além-mar, em letras portuguesas e estrangeiras, excelentes informações sobre a vida além da morte.

Muito se disse muito se dirá ainda.

Faz-se necessário, no entanto, repetir, divulgar, acostumar as criaturas humanas às questões espirituais.

A experiência de nossa mensageira desencarnada foi individual, e a colheita, que é sempre pessoal, pode, entretanto, sugerir lições e ensejar abençoadas meditações ao leitor interessado.

Em um momento sequer desejou a amiga espiritual fazer obra de literatura, por motivos facilmente compreensíveis.

Ditou estas páginas nas sessões hebdomadárias do centro espírita Caminho da Redenção, entre os meses de março de 1958 e agosto de 1959, na sua quase totalidade em presença daquela a quem foram dirigidas.

Ao trazer o presente livro à divulgação fazemo-lo, também, homenageando o mestre lionês Allan Kardec, por ocasião do próximo centenário de A Gênese, livro no qual se estudam questões transcendentes, palpitantes e atuais à luz clara e meridiana da razão e da ciência.

Nossa homenagem singela reflete, mais que outro sentimento, o da gratidão mais profunda, e do respeito mais acendrado ao vaso escolhido, que se fez missionário do Consolador, no justo instante em que o Espírito humano se desgoverna e se amesquinha ante as notáveis conquistas do engenho técnico, sem contudo, seus correspondentes morais.

A mensagem consoladora e clara das Vozes do Céu tem regime de urgência e, ante as perspectivas atraentes do amanhã com Jesus, formulamos votos de paz com nossas sinceras escusas àqueles Espíritos valorosos, perspicazes e estudiosos que, certamente, não encontrarão aqui o de que necessitam para a sedimentação da cultura ou ampliação do conhecimento intelectual.

Exorando ao Senhor que nos abençoe a todos, discípulos sinceros de Jesus Cristo que buscamos ser, sou a servidora,

 

Joanna de Ângelis

Salvador, 17 de julho de 1967







Otília Gonçalves foi diretora da Mansão do Caminho, desencarnada em dezembro do ano de 1952. Ditou livros para o Médium Divaldo Franco, entre eles o Além da Morte.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Emmanuel - Livro Roteiro - Chico Xavier - Cap. 29 - Além da morte



Emmanuel - Livro Roteiro - Chico Xavier - Cap. 29


Além da morte


O Livro dos Espíritos, 68-70

O reino da vida, além da morte, não é domicílio do milagre.

Passa o corpo, em trânsito para a natureza inferior que lhe atrai os componentes, entretanto, a alma continua na posição evolutiva em que se encontra.

Cada inteligência apenas consegue alcançar a periferia do círculo de valores e imagens dos quais se faz o centro gerador.

Ninguém pode viver em situação que ainda não concebe.

Dentro da nossa capacidade de autoprojeção, erguem-se os nossos limites.

Em suma, cada ser apenas atinge a vida, até onde possa chegar a onda do pensamento que lhe é próprio.

A mente primitivista de um mono, transposto o limiar da morte, continua presa aos interesses da furna que lhe consolidou os hábitos instintivos.

O índio desencarnado dificilmente ultrapassa o âmbito da floresta que lhe acariciou a existência.

Assim também, na vastíssima fauna social das nações, cada criatura dita civilizada, além do sepulcro, circunscreve-se ao círculo das concepções que, mentalmente, pode abranger.

A residência da alma permanece situada no manancial de seus próprios pensamentos.

Estamos naturalmente ligados às nossas criações. Demoramo-nos onde supomos o centro de nossos interesses.

Facilmente explicável, assim, a continuidade dos nossos hábitos e tendências, além da morte.

A escravidão ou a liberdade residem no imo de nosso próprio ser.

Corre a fonte, sob a emanação de vapores da sua própria corrente.

Vive a árvore rodeada pelos fluidos sutis que ela mesma exterioriza, através das folhas e das resinas que lhe pendem dos galhos e do tronco.

Permanece o charco debaixo da atmosfera pestilencial que ele mesmo alimenta, e brilha o jardim, sob as vagas do perfume que produz.

Assim também a Terra, com o seu corpo ciclópico, arrasta consigo, na infinita paisagem cósmica, o ambiente espiritual de seus filhos.

Atravessado o grande umbral do túmulo, o homem deseducado prossegue reclamando aprimoramento.

A criatura viciada continua exigindo satisfação aos apetites baixos.

O cérebro desvairado, entre indagações descabidas, não foge, de imediato, ao poço de obscuridades em que se submergiu.

E a alma de boa vontade encontra mil recursos para adiantar-se na senda evolutiva, amparando o próximo e descobrindo na felicidade dos outros a própria felicidade.

Em razão das leis que nos governam a vida, nem sempre o mensageiro que regressa do país da morte procede de Planos superiores e nem a mediunidade será sinônimo de sublimação.

Determinadas inteligências desencarnadas se comunicam com determinados instrumentos mediúnicos.

Os habitantes de outras Esferas buscam no mundo aqueles com os quais simpatizam e a mente encarnada aceita a visita das entidades com as quais se afina.

A necessidade do Evangelho, portanto, como estatuto de edificação moral dos fenômenos espíritas, é impositivo inadiável. Com a Boa Nova, no mundo abençoado e fértil da nossa Doutrina de luz e amor, possuímos a estrada real para a nossa romagem de elevação.


Emmanuel