Joanna de Ângelis - Livro Vida: Desafios e Soluções - Divaldo Pereira Franco - Prefácio
O milagre da vida
Por mais que a mente humana interrogue a respeito da vida, na atual conjuntura do conhecimento intelectual, embora inegavelmente vasto, difícil se torna encontrar as respostas adequadas que lhe facilitem apreender todo o seu sentido e significado.
Reduzindo-a a acasos absurdos, destituídos de qualquer lógica, alguns investigadores simplificaram-na, eliminando maiores preocupações em torno da sua magnitude.
Outros a estabeleceram sobre conteúdos mitológicos de fácil aceitação, graças aos componentes do sobrenatural e do maravilhoso.
O milagre da vida é muito mais complexo e, por isso mesmo, o seu ponto de partida somente pode ser encontrado no Criador que a elaborou e a vem conduzindo através de bilhões de anos, produzindo na sua estrutura as indispensáveis adaptações, desdobramentos, variações…
No que diz respeito à vida humana em si mesma, detectamos sua gênese no Psiquismo Divino, que a concebeu e a inspira, proporcionando-lhe a energia de que se nutre, que a impulsiona ao crescimento através das multifárias reencarnações do Espírito imortal, também denominado princípio inteligente do Universo.
Simples, na sua constituição, liberta as complexidades que se lhe fazem necessárias para o crescimento, qual semente que se intumesce no seio generoso do solo, a fim de alcançar o vegetal que é a sua fatalidade, ora dormindo no seu íntimo.
Ignorante quanto à sua destinação, desperta para a própria realidade mediante as experiências intelectuais e vivências morais que o capacitam para a conquista da plenitude.
À semelhança da semente humilde e nobre, que jamais contemplará a espiga dourada, em razão da morte que lhe faculta o surgimento do grão, o Espírito, na sua simplicidade inicial como psiquismo, não se apercebe do anjo que se lhe encontra silencioso no âmago, e um dia singrará os infinitos rios da Imortalidade.
Esse processo de evolução, no entanto, é assinalado por desafios, cada vez mais graves e significativos, quanto mais se lhe desdobram as faculdades e o discernimento.
O desabrochar dos valores internos é, de certa maneira, dilacerador em todas as espécies vivas.
A vida vegetal rompe a casca protetora da semente, a fim de libertar-se; o mesmo ocorre com o ser humano que se vê envolto pela carapaça forte que o encarcera no princípio e cuja prisão lhe deixa marcas profundas que devem ser eliminadas, na razão direta em que se desenvolve e passa a aspirar a mais amplos espaços e a mais gloriosa destinação.
A luta se lhe faz, portanto, intensa, sem quartel, avolumando-se na medida da capacidade de resistência e de esclarecimento que lhe facultam as vitórias.
Viver é um desafio sublime, e realizá-lo com sabedoria é uma bem-aventurança que se encontra à disposição de todo aquele que se resolva decididamente por avançar, autossuperar-se e alcançar a comunhão com Deus.
Estudamos, neste modesto livro, diversos desafios que o homem e a mulher modernos enfrentam no cotidiano.
Graças ao valioso concurso das doutrinas psíquicas em geral e da Psicologia Espírita em particular, excelentes contribuições existem e se encontram disponíveis para todos aqueles que estão sinceramente interessados na construção de uma consciência saudável, de um ser responsável e lúcido, de uma sociedade feliz.
Não apresentamos nenhuma fórmula mágica, e tal não existe, que possa resolver as dificuldades e os problemas naturais, que fazem parte do processo da evolução.
Todas as propostas e soluções para os desafios existenciais da vida dependem de cada pessoa, do seu esforço, da sua perseverança e da sua ação confiante.
O que não seja conseguido em um momento, mediante a insistência saudável será alcançado depois.
Reconhecemos que existem excelentes obras que abordam alguns, senão a quase totalidade dos temas aqui apresentados, e com melhores contribuições.
A nossa singela colaboração, porém, se fundamenta nos postulados vigorosos da Doutrina Espírita, que vem, desde há quase cento e quarenta anos, quando da publicação de O Livro dos Espíritos, por, Allan Kardec, no dia 18 de abril de 1857, iluminando vidas e libertando consciências.
Confiamos que, embora inexpressiva, a nossa oferenda poderá auxiliar algum leitor que se encontre experimentando.
Joanna de Ângelis
Salvador, 20 de janeiro de 1997.

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