sexta-feira, 15 de maio de 2026

Joanna de Ângelis - Livro Sol de Esperança - Divaldo Pereira Franco - Cap. 18 - Semeia, semeia



Joanna de Ângelis - Livro Sol de Esperança - Divaldo Pereira Franco - Cap. 18


Semeia, semeia


Ei-los, em esfuziante alegria, permutando sorrisos num festival de juventude, que lhes parece não ter fim. Folgazões, transitam de cidade em cidade, espairecendo, caçando prazeres, renovando emoções. Quase esvoaçantes, coloridos, recordam bandos de aves arrulhando nas florestas da vida. 

Embriagados pelo licor da frivolidade passam gárrulos e ligeiros, sem pousos certos, alongando-se pelas estradas vastas das férias intermináveis.

Ao lado deles trabalham aqueloutros que os invejam e lhes exploram a loucura, quais formigas diligentes que acumulam para si, ceifando a plantação alheia, receosos da escassez hibernal. São gentis a preço de ouro e vendem cortezia, detestando-os quase, em silêncio, reprochando-lhes o comportamento leviano, sentindo-se magoados por não poderem fazer o mesmo. 

Aqueles vêm para cá buscando o sol e estes saem daqui procurando as temperaturas brandas. Uns sobem as montanhas e outros as descem, agitados, todos, as descem, agitados, todos a buscarem nada.

Perderam a paz íntima e não sabem, talvez não desejem saber. 

Anestesiam-se com a ilusão e fogem da realidade, enlouquecendo paulatina, irreversivelmente.


Dizes que conheces as nascentes da água lustral do bem e da harmonia. Gostarias de ofertá-la, a cântaros cheios, ou abrindo, com as mãos de ternura, sulcos profundos por onde jorrassem filetes a se transformarem em rios de abundância a benefício de todos.

Eles, porém, os sorridentes e os corteses que defrontas, recusam tua oferenda.

Falas sobre o amor, e zombam.

Cantas a Verdade, e promovem balbúrdia.

Emocionas-te ante a dor, e os irritas.

Apresentas Jesus, e desertam ansiosos, tentando novas expressões de fuga, desinteressados e belicosos contra ti.

Não te entristeças ante os panoramas sombrios do momento. Logo mais, na estação própria, haverá luz e cor, reverdecendo a paisagem cinza, florindo-a, perfumando-a.

Possivelmente já transitastes em rotas semelhantes e por essa razão sentes o amargor, vendo-os e ouvindo-os, sabendo que este ludíbrio não dura indefinidamente. Eles despertarão sim, como já despertaste para outra realidade que agora te abrasa a vida e dá-te forças para avançar.

Hoje, todos estes estão fugindo de si mesmos. Ontem, porém, quando estavas como eles, fugias também, conduzindo as armas do crime que alguns já tem na mão e outros irão tomá-las com avidez.

Considera, então, o quanto macerou o Imensurável Rabi vê-los assim, tendo-O ao lado sem O desejarem, ouvindo-O sem O quererem entender... Longa para o Mestre foi a Via dolorosa, enquanto com eles e com todos nós, que até hoje, ainda não O sabemos amar nem servi-lO.

Afeiçoa-te, por tua vez, à lavoura do amor e semeia, conquanto escasseiem ouvidos abertos e mentes acessíveis à semente de luz.

O colégio galileu reuniu apenas doze, ao chamado de Jesus, e não obstante a deserção de um discípulo equivocado, outro foi eleito para seu lugar, ao tempo em que a Palavra de Vida Eterna se espalhava como pólen fecundo penetrando, desde então, milhões de vidas que se felicitaram com a Verdade, alargando, para toda a humanidade, as avenidas da esperança.

Assim, semeia e semeia. 


Joanna de Ângelis















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