domingo, 3 de maio de 2026

Lancellin - Livro Iniciação - Viagem Astral - João Nunes Maia - Pág. 35 - À procura de alguém



Lancellin - Livro Iniciação - Viagem Astral - João Nunes Maia - Pág. 35


À procura de alguém


— Estamos procurando pessoas que queiram trabalhar — disse um nosso companheiro espiritual, com um sorriso peculiar ao seu jeito de agradar aos ouvintes.

E prosseguiu:

— Mas, como é difícil achar tais irmãos com a necessária disposição! Nas primeiras vezes em que saímos em busca deles, assomou em mim uma grande alegria, por ter aparecido uma multidão atendendo, prestativa, ao chamado de Jesus para laborar em Sua vinha de luz; entretanto, no decorrer do tempo, muitos deram mostra de cansaço, de enfado no trabalho e poucos permaneceram até o fim.

— Meus companheiros, isso não nos decepciona mais — retruquei de bom humor. — Já estamos acostumados com o demorado processo de despertar das almas. A marcha de ascensão de todos nós obedece às mesmas leis. Se alguns da nossa retaguarda são morosos no aprendizado e se os que estão na nossa dianteira, nossos benfeitores espirituais, nos toleram, como proceder com os mais novos que nos pedem amparo?

Graças a Deus, o Mestre não Se esqueceu, no Seu esquema de preceitos, das advertências acerca dos entendimentos, valorizando todas as criaturas como filhas de Deus, com os mesmos direitos e deveres, de acordo com as capacidades já afloradas. O amai-vos uns aos outros é a porta principal no levante das almas, e a instrução nos dá a certeza da preciosidade do amor.

O nosso companheiro prosseguiu, na sua fala agradável:

— Se já sabemos que é assim, o nosso dever é dar continuidade à busca; buscar é pedir, e pedir é orar. Podemos lembrar do pedi e obtereis de Jesus, como sendo uma prece e saibamos que o tempo responderá aos nossos anseios. É justamente nessan compreensão que não desfalecemos na procura. Vamos convidar, convidar sempre os de boa vontade, desde que eles se comprometam a obedecer às regras do nosso trabalho, que não são simples.

Entabulamos, então, uma conversação proveitosa por muito tempo, estudando os meios mais corretos de arrebanhar trabalhadores para o serviço de Nosso Senhor Jesus Cristo, cuja vinha é imensa, havendo lugar e trabalho para todos, cada um na sua especialidade, para que o todo se harmonize. Alguns pessimistas na Terra, acham que está havendo uma inversão de valores, no entanto, podemos afirmar que tudo isso é aparente. A lei não permite a regressão do divino para o humano e quem já subiu pode descer somente em missão de ensinar, nunca se esquecendo do que sabe.

O mundo está avançando. A humanidade, de algum tempo para cá, calçou a bota de sete léguas e está descortinando segredos nunca antes pensados, em todas as direções do saber e do amor.

O grupo de trabalhadores a que pertencemos está empenhado em libertar o homem, reforçando a nossa liberdade também. Quando o encarnado abrir os braços, aquela emoção tão esperada dos princípios da libertação, ser-nos-á motivo de muita alegria, porque é certo que os valores exteriores nos dão uma compensação grandiosa para a vida, todavia, a realidade para nós é o mundo interno. Quando alcançarmos a harmonia interior, a serenidade imperturbável, teremos encontrado a chave da felicidade, porque atraímos do mundo exterior de acordo com o que somos por dentro. Neste porte de entendimento, ninguém engana a lei do semelhante buscar o semelhante.

Às vezes, encontramos alunos de muita capacidade intelectual, com a mente acentuada nas letras, na ciência, na filosofia e, por vezes, conhecedores de todas religiões, mas cujos sentimentos vibram longe do que afirmam. Estão, ainda, hipnotizados por ideias inferiores que os prendem às trevas; usam da capacidade de que dispõem, da força espiritual, para conquistarem os monstros criados por eles mesmos e se amarram com Espíritos malfeitores que os deixam atordoados nos seus caminhos.

Qualificar a moral evangélica e progredir na vivência desses preceitos não é fácil, sabemos, porém, o esforço deve ser contínuo, diário, para que o tempo nos condicione sobremodo a viver no Bem e nos sintamos felizes com isso.

No nosso campo de aprendizado, as principais coisas são obediência, trabalho e amor em tudo o que pretendemos fazer. Nunca discutimos com os nossos superiores, quando pedimos explicações daquilo que, por vezes, não entendemos. A moral, no nosso plano de ação, é como se fosse um ídolo que todos adoramos, estimando cada vez mais aquele que alcançou a elevação. E eles nos ensinam sempre com o exemplo, que vibra em nós como se fosse uma voz de luz, nos escaninhos da nossa consciência.

É bom que compreendamos que moral é um conjunto de regras absolutamente afins, leis que harmonizam desde a massa do neutrino, na sua específica sutileza, aos aglomerados dos mundos e sóis. Ela orienta os instintos em todos os seus impulsos, como os voos interplanetários na ação dos computadores e alcança nos seres humanos uma amplitude maior pela consciência e liberdade de escolha.

Moral é um todo de luz, que pode se acender em todos os canais do coração, pelas vias da inteligência. Entretanto, quando não obedecemos a certas linhas, nossos caminhos se tornam perturbados, recebendo o que escolhemos por lei justa, já especificada no livro da Vida.

No nosso campo de aprendizado, as principais coisas são obediência, trabalho e amor em tudo o que pretendemos fazer.


Lancellin












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