terça-feira, 7 de junho de 2022

Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 11 - Viver Com Alegria



Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 11


Viver Com Alegria


Encontrado o significado existencial, o espírito encarnado descobre que a sua jornada objetiva produzir-lhe o sublime ensejo da iluminação interior, libertando-se da treva da ignorância, assim como dos atavismos que o retêm no primarismo defluente do processo da evolução.

Empreendido o esforço do autoencontro, inunda-se de inefável alegria por descobrir o maravilhoso mundo de bênçãos que lhe está ao alcance, bastando-lhe iniciar o labor de identificar as possibilidades de que dispõe e executá-las.

A vida é um hino de louvor ao Pai Criador, que faculta aos Seus filhos os dons da imortalidade e da relativa perfeição que lhes cabe alcançar a esforço pessoal.

Eis porque a finalidade precípua da religião é estabelecer o vínculo de nova união profunda entre a criatura e o seu Genitor Celeste, facultando-lhe o desenvolvimento dos atributos adormecidos que o sol da verdade faz germinar e proporciona os recursos hábeis para o seu desenvolvimento.

Iniciado esse especial empreendimento, nada mais o detém, porque, a cada instante, defronta novos painéis a serem contemplados e incorporados ao patrimônio já acumulado.

Se as lutas se fazem mais ásperas em razão da sensibilidade mais desenvolvida ou porque as condições ambientais já não lhe são mais favoráveis, nelas encontra estímulos para treinar paciência e compaixão, proporcionando os meios eficazes para produzir as alterações necessárias, sem enfastiar-se nem perturbar-se.

Lúcido quanto aos desafios que são próprios nas áreas por onde se movimenta, melhor entende o seu próximo, as suas aflições e agressividade, equipando-se de mais amor, embora não concordando com os seus excessos, ao tempo que mais se esforça por oferecer-lhe os instrumentos próprios para a libertação das heranças que o atormentam.

Compreende que a inferioridade moral é chaga predominante em a natureza humana, por carregá-la cicatrizada com o bálsamo da dignidade que se soube aplicar enquanto transitava nos vales sombrios dos tormentos psicológicos.

Um halo de gentileza e bondade envolve-o, mantendo-o pacífico e pacificador em qualquer situação, mesmo nas mais penosas, estampando na face a alegria da vida, que a todos igualmente oferece os meios que levam à plenitude.

A alegria é tesouro da vida que deve ser buscada e vivencia- da, em razão das bênçãos que proporciona. Isso, porém, não quer dizer que não ocorram momentos de preocupação, de tristeza, de ansiedade e de receio, perfeitamente naturais no comportamento saudável que, em vez de uma linha horizontal, possui os seus ascendentes e descendentes emocionais, dentro, no entanto, dos padrões de equilíbrio.

O ser alegre é extrovertido sem ser bulhento, é confiante sem permitir-se leviandades, é bondoso embora sabendo o que deve e pode realizar em relação a tudo quanto pode, mas não deve fazer, ou deve executar, mas não o pode, porque não lhe é lícito.

Esse discernimento é filho da razão e da consciência do dever que lhe propõe o vir a ser, em lugar de o deter nas evocações do passado, onde encontra justificativas para a conduta irregular.

Estabelecido o compromisso com o futuro feliz, é grato a Deus por todas as concessões e esparze alegria e respeito onde se encontre.

Quando o indivíduo introverte os sentimentos e deixa-se vencer pela carranca, os conflitos que o aturdem dificultam-lhe o discernimento em torno dos valores legítimos da existência. Invariavelmente tornam-no amargo, pessimista ou agressivo, não poucas vezes dando lugar ao transtorno da distimia, a que se entrega inerme.

O renascimento do Espírito no corpo tem por sentido profundo a superação das marcas do passado, devendo esforçar-se por substituir os tormentos íntimos pelas contribuições da saúde emocional e da alegria de viver.

Dar-se conta de que possui um corpo com as suas funções em plena execução, salvadas as exceções daqueles que estorcegam nas expiações de que necessitam, deve inicialmente proporcionar um grande bem-estar.

Poder ver-se sem maiores problemas nos órgãos dos sentidos, enquanto outros experimentam inibições e limitações que se es- forçam por superar, já é uma suprema dádiva que merece gratidão e júbilo.

Nada obstante, em razão do temperamento hostil, em tudo vê amargura, sempre reclamando, quando poderia modificar a óptica pela qual observa a vida, colorindo os tons cinza com o arco-íris da alegria.

Cegos que se notabilizaram como Hellen Keller, que adicionava a surdez e a mudez aos seus limites orgânicos, superando-os e tornando-se um exemplo de pessoa alegre, saudável e grata à vida; como Braille, que se utilizou do limite da cegueira para criar o alfabeto que permite aos invidentes a comunicação; como Pasteur, sofrendo tuberculose e laborando em favor da saúde na caça contínua à vida bacteriana; como Steinmetz, o inolvidável químico alemão, que necessitava de um banquinho para alcançar as mesas onde se encontravam as provetas de pesquisas; como Beethoven, surdo, compondo a Nona sinfonia, assim como outros heróis do sofrimento, que o souberam converter em incomparável oportunidade de proporcionar o bem e a harmonia ao próximo, enquanto eles mesmos vivenciavam a alegria de construir o futuro melhor para a humanidade ...

Abençoa, desse modo, as oportunidades de que desfrutas para viveres o dom da alegria, qual informava o apóstolo Paulo que era sempre o mesmo, na alegria ou na dificuldade, no júbilo ou no sofrimento, porque encontrara Jesus.

Se, por acaso, ainda não encontraste Jesus, qual ocorreu a Francisco de Assis que, depois de o haver (re)conhecido, tornou-se o Irmão Alegria, busca-o na reflexão profunda ou mergulha na oração destituída de atavios, abrindo-te à magia desse Homem Incomparável que dividiu a história da humanidade, e a tua existência adquirirá sentido e significado.

Ninguém que seja saudável pode viver sem o contributo especial da alegria, que é um hino de louvor à vida e ao universo.

A alegria renova as paisagens interiores e pode ser encontrada nas coisas mínimas, desde o desabrochar de singela flor do campo aos cromos outros da natureza, do melodioso canto das aves ao baile cósmico dos astros ...

Se observares tudo quanto sucede em tua volta, encontrarás a ordem, o equilíbrio, a beleza, mesmo na decomposição da matéria que passa por transformações necessárias ao surgimento de for- mas novas e manutenção do que existe.

A alegria de viver é a maneira adequada de agradecer a Deus a bênção da reencarnação.

Não te permitas, em circunstância nenhuma, o abismo da revolta geradora da tristeza e da melancolia de longo e pernicioso curso.

Exulta de alegria, e entrega-te a Deus, cantando-Lhe um hino de louvor.

Quando Jesus se acercou das criaturas humanas trazendo a mensagem de libertação de consciência e exaltando a imortalidade do Espírito, ofereceu o seu evangelho, explicitando:

O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos, restauração da vista aos cegos, e para pôr em liberdade os oprimidos (...) (Lc, 4:18)

A sua foi, portanto, a mensagem da total alegria de uma vida saudável e rica de bênçãos.

Permite, dessa forma, que ele te liberte da opressão da ignorância, facultando-te a alegria da felicidade.


Joanna de Ângelis












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