Mostrando postagens com marcador Entrega-te a Deus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Entrega-te a Deus. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de novembro de 2025

Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 14 - Ânsia de Saber



Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 14


Ânsia de Saber

 
Ante a volumosa massa de informações que chegam ao teu conhecimento a cada instante, afliges-te porque gostarias de poder absorvê-las ao máximo, tornando-te bem mais esclarecido e conhecedor das ocorrências que têm lugar no planeta.

Em realidade, grande número dessas notícias é constituído de tragédias e de vulgaridades, de notícias insensatas e mexericos entre pessoas que brilham sob os holofotes da fama, nas mais variadas colocações.

É verdade que labores de engrandecimento cultural e moral, científico e filosófico, novas conquistas da tecnologia e maravilhosos conhecimentos a respeito da vida, do planeta, do cosmo são trazidos a lume, fascinando as mentes e os corações.

Nada obstante, como afirma velho brocardo popular: não se pode abarcar o mundo com os braços, e os limites naturais, em razão das circunstâncias, não o permitem.

Há prioridades na existência humana que não podem ser postergadas, e aquelas que dizem respeito à autoílumínação destacam- se tomando o tempo e preenchendo os espaços emocionais.

O saber é muito importante no processo de desenvolvimento do Espírito, facultando-lhe a aquisição da cultura que proporciona entendimento das incógnitas existenciais, dos fenômenos psícológícos, atendendo a ânsia natural para conhecer sempre mais... No entanto, não menos importante é a aplicação desse conhecimento, a fim de que não se transforme o indivíduo em uma fonte de sabedoria que permanece adormecida, sem alcançar a finalidade para a qual existe.

Aplicar o conhecimento adquirido na vivência diária é o objetivo essencial das informações que se acumulam, a fim de que possam tornar a existência mais dinâmica e, ao mesmo tempo, rica de valores emocionais.

Nesse mister, todo o esforço para a conquista dos tesouros íntimos deve ser empreendido, descobrindo-se quem se é, de onde se veio e para onde se ruma, de maneira que a renovação ética e emocional sempre para melhor se faça incessantemente.

O conhecimento liberta, mas a ação correta dignifica.

O conhecimento dá confiança, no entanto a experiência resulta da prática daquilo que se sabe.

Quando não se vivenciam as lições da sabedoria, de maneira alguma ocorre o desenvolvimento do Espírito, que permanece lúcido e inútil...

Desse modo, não te aflijas pelo que desconheces, mas rejubila-te pelo que sabes e aplicas na vivência de cada momento, tornando-te alguém capaz de modificar as estruturas arcaicas do mundo através da tua própria transformação moral edificante e abençoada.

De alguma forma, a sociedade está referta de pessoas-bibliotecas, refugiadas nos gabinetes de estudos e pesquisas, distantes das necessidades humanas que as solicitam.

Escondem-se para mais intelectualizar-se, evitando a convivência com os sofredores que as necessitam.

Cultivam, dessa maneira, o narcisismo asfixiante, transformando- se em expoentes do saber, indiferentes, no entanto, com os problemas que assolam a sociedade.

Velho conto oriental narra que um generoso rei e o seu grão-vizir, ao desencarnarem, foram substituídos respectivamente pelos filhos que se encontravam, mais ou menos, na mesma idade e que muito se estimavam.

Ao subir ao trono, o jovem rei solicitou ao seu amigo, agora na função relevante que lhe pertencera ao pai, que o ajudasse a governar com justiça e equidade.

Para consegui-lo, ele necessitaria que fossem convocados todos os sábios do reino e debatessem todos os conhecimentos existentes, escrevendo uma obra onde estivessem todas as necessidades humanas e os meios hábeis para resolvê-las.

O jovem convocou as mulheres e os homens ilustres e pôs-se em ação, trabalhando com essa variada equipe de profundos conhecedores de tudo, de modo que pudesse escrever uma obra que solucionasse as dificuldades e as aflições dos súditos.

Vinte anos transcorreram quando o grão-vizir acercou-se do rei com uma comissão de sábios, para apresentar o resultado desse esforço gigantesco.

Tudo estava exposto em trinta volumes expressivos que alguns servidores conduziram até a sala do trono.

Comovido, o rei elucidou: - Posso imaginar o esforço que empreendestes todos vós na elaboração desse monumental conjunto de informações, que muito agradeço. Entretanto, ante os deveres que me cumpre atender e o pouco tempo de que disponho, nunca poderia ler todas as obras e inteirar-me das vossas informações. Assim sendo, eu vos solicito que sintetizeis todo esse conhecimento que me será de grande valia.

Novamente reuniram-se aqueles dedicados servidores e, vinte anos depois, uma vez mais levaram ao rei o resultado do empreendimento exaustivo, em apenas dez volumes.

Naquele período, porém, o rei encontrava-se no campo de batalha, defendendo o país de invasores impenitentes.

Ao ser comunicado que ali estavam os sábios com o resultado do seu esforço, recebeu-os na sua barraca de campanha à luz de lampiões e ouviu-os falar da excelência das obras, sentindo o entusiasmo do seu grão-vizir que exultava.

Terminada a exposição, ele disse, algo amargurado: - Dez livros! Quando os poderei ler, especialmente no fragor destas lutas? Perdoai-me, porém tentai sintetizar ainda mais as vossas nobres informações. - Pediu licença para um breve descanso, a fim de continuar a luta.

Passaram-se mais dez anos, e um dia em que se encontrava no trono, envelhecido e tristonho, acercou-se-Ihe o querido amigo, que vinha em nome de todos os sábios apresentar-lhe o resultado do esforço sobre-humano.

O nobre rei, algo surpreso, interrogou o amigo com gentileza: - A que conclusão chegastes após tantos anos de estudos e investigações, que me possa auxiliar a ajudar o povo? Com a voz trêmula e emocionado, o grão-vizir respondeu: - Majestade, tudo quanto constatamos é que o povo sofre, e o remédio mais eficaz para o seu sofrimento é o amor que ilumina os sentimentos e pode ajudar a libertá-los das aflições ...

Sem dúvida, o conhecimento é muito importante no processo de expansão do intelecto, no entanto, no que diz respeito à expansão da consciência e dos sentimentos, somente o amor é possuidor do meio mais eficaz para facultar o êxito.

Com profunda sabedoria, o Espírito de Verdade, conforme se encontra em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, no capítulo sexto, propõe:

Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este, o segundo.

No cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: "Irmãos! nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade". (Paris, 1860.)


Joanna de Ângelis






  • O CONHECIMENTO LIBERTA,MAS A AÇÃO CORRETA DIGNIFICA.
  • O CONHECIMENTO DÁ CONFIANÇA, NO ENTANTO A EXPERIÊNCIA RESULTA DA PRÁTICA DAQUILO QUE SE SABE.
  • SEM DÚVIDA, O CONHECIMENTO É MUITO IMPORTANTE NO PROCESSO DE EXPANSÃO DO INTELECTO, NO ENTANTO, NO QUE DIZ RESPEITO À EXPANSÃO DA CONSCIÊNCIA E DOS SENTIMENTOS, SOMENTE O AMOR É POSSUIDOR DO MEIO MAIS EFICAZ PARA FACULTAR O ÊXITO.






segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 2 - Sementes de Luz



Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 2


Sementes de Luz


No turbilhão voluptuoso das paixões primárias, a sociedade, sem rumo, estertora.

Acontecimentos desastrosos e desvarios do comportamento constituem a paisagem momentânea do planeta terrestre em convulsão.

Há glórias da ciência e grandeza da tecnologia, caracterizando as conquistas da inteligência, lamentavelmente sem a correspondente contribuição dos valores éticos e morais.

Denominações religiosas inumeráveis e filosofias de variadas escolas pretendem orientar as vidas que se estiolam ante a devastação do desequilíbrio.

A exaltação do corpo e a sua imposição nos campeonatos da beleza e da exibição do ego em alucinadas competições pelo brilho ilusório do mundo social e econômico empurram o ser humano para o fosso da insensatez, logo apresentando-se frustrado e deprimido, tombando na tragédia da drogadíção e do suicídio.

A transitoriedade da existência física, não compreendida quanto seria necessário, impõe o desvario pelo gozo insaciável epermanente, com total olvido da sua fragilidade.

Os exemplos contínuos de triunfadores que permanecem infelizes, de afortunados que vivem em solidão íntima, de famosos que anelam por um pouco de carinho não conseguem despertar aqueles que se deixaram hipnotizar pelo engodo das ambições exacerbadas.

As glórias de um momento logo cedem lugar ao esquecimento e ao anonimato a que são atirados esses iludidos, poucos momentos depois.

Tem-se a impressão de que o caos moral instalou-se no mundo, e o desespero, usando diferentes tipos de máscaras, é presença constante nas existências em estiolamento.

Nada obstante, as criaturas permanecem em correria louca na busca de coisa nenhuma.

Apesar disso, Jesus permanece em plano secundário, ou recordado apenas nas ocasiões pertinentes às necessidades de emergência.

As religiões, na sua quase totalidade, respeitáveis nos seus conteúdos, preocupam-se mais com as estatísticas dos fiéis, as finanças e a opulência dos seus templos, como o luxo dos seus ministros, do que com aqueles para os quais existem.

...E Jesus, que não tinha uma pedra para reclinar a cabeça, embora as aves dos céus tenham os seus ninhos e as feras os seus covis.

Lamentavelmente, o exemplo de incontáveis discípulos do seu evangelho, que se lhe dizem afeiçoados, são mais servidores do mundo de César do que da seara de amor, vinculados às fantasias e mitos ancestrais, do que à realidade dos postulados que deveriam vivenciar.

Há um grande vazio existencial na criatura contemporânea, que perdeu o referencial da felicidade, manipulada pela habilidade dos vendedores bem-sucedidos do prazer entorpecente e dos gozos exaustivos ...

A sua seara, nestes difíceis dias, permanece imensa e quase ao abandono, por falta de devotados trabalhadores, que ainda são poucos e raros os das últimas horas.

O semeador, porém, saiu a semear.

Não importa em que tipo de solo caiam as sementes, especialmente aquelas que são de luz.

Onde quer que te encontres, semeia e semeia luz, mediante as palavras e o comportamento saudáveis. Entretanto, se não puderes fazê-lo exteriormente, em razão dos impedimentos complexos, semeia pelo pensamento, esparzindo alegria de vida sã, de afetividade desinteressada.

É necessário, portanto, semear sempre.

Não te imponhas, todavia, não te escuses ao dever de fazer o que te compete e para o que vieste.

Jesus tem outras ovelhas que não apenas aquelas que pastoreou, quando esteve na Terra. Muitas dessas estão aguardando ouvir-lhe a voz, a fim de que, reconhecendo-a, abandonem o abismo em cuja borda se encontram, a fim de segui-lo.

Que sejas tu, aquele que lhes alcancem os ouvidos dos sentimentos e o país da inteligência em expectativa.

É indispensável que o apresentes na sua pulcritude e beleza, que dele fizeram o ser mais perfeito que Deus ofereceu ao ser humano para servir-lhe de guia e modelo.

Nestes dias de pandemônio, que atordoa e enfraquece os valores morais do Espírito, ele enviou o espiritismo, conforme prometera, a fim de que as suas palavras pudessem ser recordadas e outras informações chegassem ao conhecimento das criaturas, facultando-lhes o encontro com a Verdade e a Vida.

A Revelação dos imortais desvela-o em toda a sua plenitude, perfeitamente identificada com a imortalidade, procurando divulgá-lo quanto seja possível.

Faze a tua parte, ampliando os horizontes mentais da sociedade para bem compreendê-la.

Há muita resistência à conceituação da fé religiosa racional e responsável.

Uma longa adaptação às informações multimilenárias em torno da vida transcendente nos moldes das compreensões humanas impossibilitam a revolução lógica da visão real sobre a imortalidade.

As mentes anestesiadas pelas contínuas lavagens cerebrais a respeito dos gozos celestes dentro dos padrões terrenos e das suas punições cruéis conforme os sentimentos mais vis e perversos têm dificultado a compreensão do inefável amor de Deus e a Sua misericórdia.

Fala sobre esse amor, feito de justiça, sim, mas coroado de compaixão.

Apresenta-lhes a sublime senda evolutiva por meio das sucessívas existências e conforta as almas com a esperança sem ilusão e rica de oportunidades de crescimento e harmonia.

Respeita todas as crenças e crenças nenhumas, mas não te omitas, deixando de semear a luz do eterno amor.

A humanidade, que ignora, necessita de orientação.

Evita o mal, compreendendo que a sua existência não é real, mas fruto da ignorância e do primitivismo. O mau é um doente que requer cuidados especiais e não orevide à sua conduta insana.

Compadece-te, desse modo, daqueles que te crucificam no ridículo, no desprezo e na agressividade.

Semeia, pois, cantando o Sermão das bem-aventuranças e encorajando os Espíritos para o avanço.

Não te preocupes com a sega, permanecendo na sementeira do espiritismo e aguardando o tempo.

A imortalidade é o honorável destino de todas as existências.

Onde estejas, com quem te encontres, dá o teu testemunho de felicidade que te propicia a fé espírita que te enriquece o ser real que és.

...E se for necessário confirmar as tuas palavras mediante algum tipo de holocausto, que seja por ele enão em decorrência das fantasias e engodos de que a cultura moderna se encontra repleta.

Bem-aventurado seja aquele que glorifica o Senhor através da vivência íntima e pulera.

...O semeador saiu a semear luz!


Joanna de Ângelis


 


EVITA O MAL, COMPREENDENDO QUE A SUA EXISTÊNCIA NÃO É REAL, MAS FRUTO DA IGNORÂNCIA E DO PRIMITIVISMO.
O MAU É UM DOENTE QUE REQUER CUIDADOS ESPECIAIS E NÃO O REVIDE À SUA CONDUTA INSANA.





sábado, 13 de setembro de 2025

Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 19 - A Vitória da Verdade





A Vitória da Verdade


Todos os grandes triunfadores do mundo passaram pela Terra nos seus carros dourados, temidos uns e odiados outros, invariavelmente deixando as marcas danosas das suas existências perniciosas ...

Alguns combatentes desalmados que semearam o terror e a destruição de tribos e de povos inteiros ergueram impérios e tornaram-se tão temidos quão detestados, assinalando a história da sua passagem pelo mundo como consequência da sua brutalidade e selvageria.

Muitos se tornaram protetores das artes e promoveram o desenvolvimento do seu país, construindo monumentos que o tempo não venceu completamente, imortalizando-se por obras grandiosas, túmulos suntuosos, estátuas, obeliscos e memórias das guerras que lhes assinalaram os triunfos ...

Incontáveis notabilizaram-se pela crueldade com que tratavam os inimigos ou aqueles que dessa maneira os consideravam, escravizando- os e matando-os com insensibilidade total.

Um deles, após vencer um povo pacífico e espoliá-lo dos bens, comprazia-se em vazar-lhes os olhos com uma lança afiada, e porque o trabalho fosse-lhe exaustivo, teve a ideia de transformá-la num instrumento bidente, facilitando a ignóbil façanha ...

Os impérios egípcio, assírio, babilônio, persa, romano e diversos outros foram governados por múltiplos sicários da humanidade, que se ergueram na história sobre a cabeça decepada dos vencidos, desaparecendo também ao seu turno ...

Os bárbaros, que surgiram nos grupos hunos, godos, visigodos e outros, foram conduzidos por odientos líderes que se compraziam em incendiar as aldeias e cidades após vencê-las, salgando o solo, algumas vezes, para que nada produzisse, e ficaram conhecidos pela maldade ...

Muitos levantaram o seu país contra o mundo em campanha sórdida de falsa superioridade, dizimando milhões de vidas que consideravam inúteis ou vazias de significado, submetendo as nações que se encontravam à sua volta mediante destruição impiedosa.

... Nada obstante, no auge do poder, cercados de cruéis ministros e comandantes, começaram a sofrer reveses, e, quando tudo demonstrava a sua queda, suicidou-se o chefe supremo, que foi acompanhado por aqueles que fizeram o planeta tremer e que, depois de assassinar as famílias, fugiram também aos impositivos das leis pelo vergonhoso autocídio ...

A história é referta de fatos nos quais insanos governantes e comandantes de povos celebrizaram-se pelo terror, assinalando o período em que viveram pelas guerras da hediondez, do horror que mantinham contra a humanidade ...

Seria de esperar-se que, nos tempos modernos, considerando-se o progresso tecnológico e científico, o desenvolvimento da ética e da bioética, as conquistas do pensamento e da civilização, já não houvesse lugar para esses famigerados tiranos da vida humana.

Entretanto, ei-los renascendo em roupagens diferentes, no Oriente e no Ocidente, fomentando o terrorismo internacional e nacional, as revoluções e as guerras sofisticadas e não menos tirânicas, em que as vidas são ceifadas sem nenhuma piedade ou respeito pelos civis, especialmente crianças, idosos, enfermos e mulheres ...

A sanha do poder permanece intacta nas suas estruturas doentias, ambicionando a dominação das vidas, em razão da impossibilidade de conquistá-las pela sabedoria, pela arte, pela justiça ...

É-lhes mais fácil fazerem-se temidos do que respeitados, assim comprazendo-se em inspirar o ódio porque são incapazes de merecer consideração.

Entre as emoções que surgem no ser humano durante o seu processo de crescimento intelectual e racional, o medo assinala-o profundamente desde os primeiros momentos tribais, ou mesmo antes ...

Esse sentimento que surge de maneira irracional desenvolverá outros equivalentes ou piores, como o pavor, o pânico, o terror ...

Logo depois, ao apresentar-se a ira como preservadora da existência física, abre-se o elenco em forma de raiva, de ódio, de ressentimento, de vingança ...

Só mais tarde surgiu o amor em forma de proteção do grupo, de preservação da unidade do clã, que se manifestou em facetas variadas, como a da amizade, da ternura, do devotamento, do afeto profundo, da renúncia, da abnegação ...

É compreensível, portanto, que haja predominância em a natureza humana das emoções primevas, levando o indivíduo à autopreservação, mediante a imposição do medo aos outros, do ódio que nele se encontra em potencial, até quando o sofrimento demonstrar a sua fragilidade, fazendo-o refugiar-se no seio do amor.

O amor é a mais bela expressão da verdade que se conhece, porque somente ele é possuidor dos valores que dignificam e enobrecem, que edificam e sustentam as vidas, dando-lhes estabilidade sob todos os aspectos considerada.

No passado remoto, no próximo como no presente, os líderes do amor deixaram pegadas luminosas que mantiveram os povos e as civilizações confiantes na vitória do bem e conduziram milhões de vidas no rumo da paz, da fraternidade, do desenvolvimento cultural e principalmente moral.

Enquanto os guerreiros ferozes nas suas campanhas eram antecipados pelas tubas e anúncios apavorantes das suas tropas de extermínio, a doçura e a resistência do amor mantiveram as criaturas confiantes no futuro, não permitindo que a vitória dos alucinados ultrapassasse um breve período de ilusão, consumindo-os com a desencarnação vergonhosa, o assassinato vil, a mão da justiça que sempre alcançou alguns ao largo do tempo.

Os seus triunfos pavorosos foram de efêmera duração e não conseguiram prolongar-se após sua morte, mesmo quando transferiram o legado infame a familiares ou seguidores fanáticos, que também foram desapeados do poder ou consumidos pelo anjo da morte ...

Enquanto se consideravam fortes, foram submetidos ao impositivo do tempo que tudo transforma na sua voragem contínua, tornando-os pigmeus no concerto da humanidade sadia.

Nesse comenos, o amor sempre tem experimentado amesquinhamento, humilhação, sendo submetido ao impositivo das hediondas forças da governança de mentira, sem que possa ser vencido.

A doçura da compaixão, a força do perdão, o poder da misericórdia sempre superam as baionetas, os carros de guerra, todos os tipos de armas de destruição, a voracidade dos criminosos, a luxúria dos gozos pelas forças mortíferas da loucura, terminando por instaurar definitivamente o reino do amor na Terra.

Os poderosos sempre consideraram o amor como fraqueza dos sentimentos, e não existe emoção mais grandiosa do que essa, porquanto é o amor que governa os dominadores e os dominados, e mesmo entre os mais ferozes adversários do ser humano, neles vige a dúlcida voz da ternura, expressando a sua realidade sob as duras camadas da insanidade mental, semelhando-se ao diamante este lar aguardando que se lhe retire a ganga que o oculta ...

O amor é a expressão sublime da verdade, porque é o mesmo em todos os tempos e sempre atual em todas as épocas.

Pilatos, o governante que não teve coragem de defender Jesus, suicidou-se depois, os poderosos do Sinédrio que o condenaram e a massa ignara que dele zombou não sobreviveram às forças asselvajadas de Tito, o filho guerreiro do imperador Vespasiano, que destruiu Jerusalém pouco depois, no ano 70, impondo a primeira diáspora ao povo judeu ...

O imperador Tibério, em Roma, que governava o mundo, afastou-se da capital e refugiou-se na ilha de Capri, temendo os seus inimigos e morrendo algo dementado ...

Mas Jesus, o símbolo vivo do amor, cada dia está mais presente no mundo, e tudo quanto disse e fez tornou-se paradigma para a nova civilização que surgirá dos escombros desta que sucumbe sob os camartelos da verdade.

Ama, portanto, em qualquer circunstância, e confia ...


Joanna de Ângelis 




"O AMOR É A EXPRESSÃO SUBLIME DA VERDADE, PORQUE É O MESMO EM TODOS OS TEMPOS E SEMPRE ATUAL EM TODAS AS ÉPOCAS.
AMA, PORTANTO, EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA, E CONFIA ..."





quinta-feira, 10 de julho de 2025

Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 24 - Religião Cósmica do Amor



Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 24


Religião Cósmica do Amor


Toda crença religiosa que se firma no Amor é digna de respeito e de carinho.

O objetivo essencial da fé religiosa é dignificar a criatura humana, tornando-a melhor moralmente e preparando-a para desenvolver os valores espirituais que lhe dormem no íntimo.

Em razão do mergulho na matéria, o Espirito aturde-se e quase sempre olvida os compromissos assumidos na espiritualidade, deixando-se comandar pelas manifestações do instinto que o ajudaram nos períodos remotos da evolução, mas que foram suplantados pelo discernimento e pela consciência, permanecendo somente aqueles que preservam a vida e dão sentido existencial.

Na neblina carnal, no entanto, a predominância da matéria, como é compreensível, dificulta o discernimento a respeito da finalidade da reencarnação, facultando que os sentidos físicos se direcionem para o prazer, para o gozo, para a satisfação das necessidades biológicas.

A consciência, entretanto, trabalha pela eleição do significado existencial, do equilíbrio emocional, do bem-estar espiritual, alargando os horizontes da percepção para as conquistas relevantes e significativas que acompanharão o ser após o seu inevitável decesso tumular.

Por esses motivos dentre outros, a necessidade de uma religião que se expresse em lógica e praticidade, destituída dos aparatos e das fantasias, dos interesses sórdidos do comportamento material, faz-se imprescindível para enriquecer os seres humanos de beleza e de harmonia. Isto porque, a conquista da lógica, no longo roteiro evolutivo, impõe a necessidade de compreender-se tudo quanto se deseja vivenciar, a fim de constatar-se a sua resistência diante da razão em quaisquer circunstâncias.

Assim sendo, não há mais lugar para qualquer tipo de crença religiosa que se apresente com manifestações totalitárias, eliminando a capacidade do crente de pesquisar, de aceitar ou não os seus postulados, sendo-lhe exigido crer sem entender. É certo que ainda surgem segmentos religiosos fundamentados no fanatismo, geradores de lutas e de intolerância, tentando impor-se pela força dos seus dirigentes políticos ou de outra espécie, mas não pela sua estrutura racional e profunda.

Naturalmente, ante o impacto do progresso, aqueles que lhes aderem ao comportamento logo desenvolvem o senso da razão e os abandonam, isso quando não lhes permanecem vinculados pelos frutos apodrecidos dos interesses materiais que lhes rendem prestígio, poder e recursos econômicos ...

Nesse caso, sendo destituída do sentimento de amor, de compreensão e de bondade, estando ausentes o respeito pelo próximo e pelo seu direito de acreditar naquilo que mais lhe convém e felicita, essas estranhas doutrinas mais atormentam do que consolam, seduzindo grande fatia da sociedade que ainda permanece vitimada pelos atavismos, quando se fizeram poderosos e esmagaram aqueles que eram considerados adversários do comportamento enfermiço.

Foram essas religiões trabalhadas pela força política e pelos impositivos da ignorância que se encarregaram de afastar os fiéis das diretrizes do amor que conduz a Deus, abrindo espaço para os comportamentos agressivos e a revolta constante, facultando o desenvolvimento do materialismo e do niilismo, que lhes bloquearam a capacidade de crer e, por efeito, de abraçar os ideais de relígação com a Divindade.

Nesse báratro, a misericórdia divina proporcionou à humanidade uma crença religiosa que atende perfeitamente ao mandamento maior e, ao mesmo tempo, conforta e tolera todos quantos não lhe dão guarida.

Trata-se do espiritismo, que se fez a resposta eloquente do amor de Deus às criaturas ansiosas que Lhe suplicavam diretrizes e oportunidade de crescimento, assim como recursos para a conquista da felicidade.

O Espiritismo, ademais de fundamentar-se no amor pela ação da caridade, é doutrina profundamente racional, que esclarece o aprendiz a respeito das razões da crença e da sua legitimidade, por estruturar-se na linguagem iniludível dos fatos.

Jesus, quando esteve na Terra, elegeu o Amor como sendo a fonte de sabedoria e de iluminação mais poderosa que se pode conhecer.

Estabelecendo como essencial o Amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, não renegou as crenças que predominavam na cultura de então, lamentando que elas não possuíssem essa especial conduta, perdidas em aparências e cerimoniais que mataram o conteúdo essencial de que Moisés se fizera portador ao apresentar os Dez Mandamentos.

Neles estão inscritos, sem dúvida, os códigos éticos de alta magnitude, responsáveis pela ordem social e moral da humanidade, numa síntese que facultaria ao direito civil em muitos países fundamentar os seus postulados nessas seguras regras de comportamento.

Jesus, complementando, porém, a propositura do amor, de que a sua doutrina se faz o reservatório ínexaurível, transformou-o em código superior de socorro aos infelizes de todos os matizes, utilizando-se da ação da caridade como sendo a sua expressão mais elevada.

Todas as suas palavras fizeram-se revestir pelos sublimes exemplos, pelas ações, pelos fatos extraordinários que passaram à humanidade, confirmando-lhe o messíanato, demonstrando ser ele o Embaixador de Deus, aquele que todos esperavam, mas preferiram não aceitar, porque ele feria de morte as paixões inferiores, os interesses mórbidos dos religiosos equivocados, que se compraziam em manter os crentes na ignorância, a fim de melhor explorá-los.

Por sua vez, ele sempre elucidava todos os enigmas que atormentavam as pessoas, explicando a necessidade do amor em todas as expressões: ao trabalho, ao dever, à família, ao próximo de toda procedência, mas acima de tudo ao Pai Criador.

Submeteu-se às arbitrariedades do poder temporal para demonstrar a sua fragilidade na sucessão dos tempos, especialmente diante da morte que a todos arrebata, modificando as estruturas do mundo e das próprias criaturas.

Jamais se permitiu ceder aos caprichos dos adversários da verdade, divulgando-a e vivendo-a nas situações mais ásperas e agressivas.

Com a sua visão superior, conhecia a fragilidade daqueles que se candidatavam ao ministério da sua palavra, tolerando-lhes a fraqueza moral, mas não anuindo com ela, de modo que anunciou O Consolador, que ele rogaria ao Pai enviar, a fim de que o rebanho não ficasse esparramado, sem diretrizes de segurança, nos momentos difíceis do futuro que se apresentaria árduo para a conquista da real felicidade .

...E cumpriu a promessa, por ocasião do advento do espiritismo.

O amor realmente deverá ser um dia a mais bela conduta, a mais significativa, a psicoterapêutica preventiva e curadora, tornando- se uma forma de religiosidade que fascinará a todas as criaturas.

Ao Espiritismo compete, portanto, o dever, por intermédio dos espíritas sinceros, de propagar os seus postulados, de divulgar as imorredouras lições do evangelho, de demonstrar a excelência dos seus paradigmas, o alto significado de que se fazem instrumento as comunicações espirituais, a magnitude da reencarnação, a convivência com o bem e a sintonia com o inefável amor de nosso Pai.

A Religião Cósmica do Amor, desse modo, no Espiritismo encontra o solo abençoado e fértil para apresentar-se e enflorescer-se, produzindo os frutos da felicidade a que todos aspiram, sem nenhuma desconsideração pelas demais que se fundamentem no mandamento maior, vivendo a tolerância e a caridade indiscriminadas.


Joanna de Ângelis









* "Decesso tumular" refere-se ao ato de colocar um corpo em uma sepultura ou túmulo, ou seja, o processo de sepultamento.



terça-feira, 8 de julho de 2025

Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 3 - Agressividade



Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 3


Agressividade


Vivem-se, na atualidade, os dias de descontrole emocional e espiritual no querido orbe terrestre.

O tumulto desenfreado, fruto espúrio das paixões servis, invade quase todas as áreas do comportamento humano e da convivência social.

Desconfiança sistemática aturde as mentes invigilantes, levando-as a suspeitas infundadas e contínuas, bem como a reações doentias nas mais diversas circunstâncias.

A probidade cede lugar à avareza, enquanto a simpatia e a afabilidade são substituídas pela animosidade contumaz.

As pessoas mal se suportam umas às outras, explodindo por motivos irrelevantes, sem significado.

Explica-se que muitos fatores sociológicos são os responsáveis pelas ocorrências infelizes.

Apontam-se a fugacidade de todas as coisas, a celeridade do relógio, o medo, a solidão e a ansiedade como responsáveis pela frustração dos individuos, gerando as situações agressivas que os armam de violência e de perversidade.

A cultura e a ética não têm conseguido acalmar os ânimos, deixando que a arrogância e a presunção enganosas tomem conta dos incautos que se lhes submetem docemente.

Os relacionamentos sem afetividade real, estimulados por interesses nem sempre nobres, tornam-se rápidos, diluindo-se com facilidade, quando não se transformam em antagonismos, em decorrência de alguma negativa que se torna oportuna e é direcionada ao outro.

A maledicência perversa grassa nos arraiais dos grupos, minando as bases frágeis das amizades superficiais, e, não poucas vezes, transformando-se em calúnias insidiosas. Mesmo entre as pessoas vinculadas às doutrinas religiosas libertadoras que sebaseiam no amor ena caridade, no respeito ao próximo e no culto aos deveres morais, ovício infeliz permanece destruidor.

Armando-se de mau humor, não poucos homens e mulheres externam o enfado ou os sentimentos controvertidos em que se consomem, dando lugar a situações vexatórias. Em mecanismo de transferência psicológica atiram os seus conflitos à responsabilidade dos outros, como se estivessem desforçando-se da inveja que experimentam em relação a eles.

Aumenta assustadoramente a agressividade, nestes dias, nos grupos humanos, sem que haja um programa de reequilíbrio, de harmonização individual ou coletiva.

Trata-se de uma guerra não declarada, cujos efeitos perniciosos atemorizam a sociedade.

As autoridades dizem-se atadas a dificuldades quase insuperáveis em razão do suborno, do tráfico de drogas, dos desafios administrativos, da ausência de pessoal habilitado para os enfrentamentos, falhando, quase sempre, nas providências tomadas.

Permanecem, desse modo, os comportamentos infelizes nos lares, nos educandários, nas vias públicas, no trabalho.

A agressividade é doença da alma que deve merecer cuidados muito especiais desde a infância, educando-se o iniciante na experiência terrestre, de forma que possa dispor de recursos para vencer a inferioridade moral que traz de existências transatas ou que adquire na convivência doentia da família.

A agressividade é herança cruel do medo ancestral, que remanesce no Espírito desde priscas eras.

Não diluído pela segurança psicológica adquirida mediante a fé religiosa, a reflexão, a psicoterapia acadêmica, a oração, domina os recônditos do sentimento e exterioriza-se de forma infeliz na agressividade.

A ausência dos diálogos domésticos saudáveis entre pais, filhos e cônjuges ou parceiros, que se agridem mutuamente, sempre ressentidos, extrapolam do lar em direção à via pública, transformada em campo de batalha, seguindo no rumo do local de trabalho, e até aos clubes de recreação em contínuo destrambelho das emoções.

Nesse contubérnio afligente, Espíritos irresponsáveis e frívolos aproveitam-se das vibrações deletérias e misturam-se com esses combatentes perturbados, aumentando-lhes a ferocidade e estimulando-lhes os instintos inferiores.

O resultado são os crimes hediondos, asselvajados, estarrecedores, que aumentam o índice de maldade em razão da ingestão de bebidas alcoólicas, de drogas alucinantes e fatais. 

A civilização contemporânea periclita nos seus alicerces materialistas, ameaçada pela agressividade e pelo desrespeito moral que assolam sem freio.

Sem dúvida, estudiosos do comportamento, educadores sinceros e devotados, religiosos abnegados, pensadores sensatos e sociólogos lúcidos vêm investindo os seus melhores recursos na construção da nova mentalidade saudável, em tentativas ainda não vitoriosas para a reversão do quadro aparvalhante, confiantes, no entanto, nos resultados futuros.

O progresso moral é lento e exige sacrifícios de todos os cidadãos que aspiram pela felicidade e pela harmonia na Terra.

As respeitáveis contribuições da ciência e da tecnologia, valiosas sob qualquer aspecto consideradas, respondem por muitas modificações das estruturas ultramontanas, suprimindo a ignorância e o primitivismo. Nada obstante, também são usadas para o crime de várias denominações, especialmente pelos veículos da mídia: os periódicos, a internet, a televisão, assim como oteatro e o cinema, com a sua complexa penetração nas massas, às vezes usados vergonhosamente e sem nenhum controle, oferecendo campo de vulgaridades einformações que preparam delinquentes e viciosos.

A rigor, com os nobres corações, existem outros que, na sociedade moderna encontra-se gravemente enferma, necessitando de urgentes cuidados, que o sofrimento, igualmente generalizando-se, conseguirá no momento próprio oferecer a recuperação, o reencontro com a saúde após a exaustão pelas dores.

Instala-se, desse modo, lentamente, o período da paz, da brandura, da fraternidade.

Sofrido, o ser humano ver-se-á compelido a fazer a viagem de volta às questões simples e afáveis, à amizade e à ternura, qual filho pródigo de retorno ao lar paterno após as extravagantes experiências que se permitiu.

Que se não demorem esses dias, que dependerão do livre-arbítrio dos indivíduos em particular e da sociedade em geral, embora o progresso seja inevitável, apressando-se ou retardando-se em razão das opções humanas.

A agressividade infeliz é doença passageira, embora os grandes danos que produz, cedendo lugar à pacificação.

Torna dócil a tua voz, nestes turbulentos dias de algazarra, e gentis os teus gestos ante os tumultos e choques pessoais.

Com sua sabedoria ímpar, Jesus assinalou:

"Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra." (Mateus 5:5) Suavemente permite que a mansidão domine os territórios das tuas emoções, substituindo esses infelizes mecanismos da inferioridade moral pelos abençoados valores da verdade.


Joanna de Ângelis












quarta-feira, 2 de julho de 2025

Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 20 - O incoercível poder do amor



Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 20


O incoercível poder do amor


Por mais definições e conceitos apresentem o amor, a sua força incoercível transcende sempre as colocações filosóficas, éticas, emocionais, comportamentais, pelas quais se expressa.

Mesmo nas manifestações primárias, quando se inicia com singelas características derivadas do instinto de preservação da vida, desenha todo um roteiro de crescimento que alcançará as culminâncias, adornando-se de sacrifícios e de holocaustos, de ternura e de abnegação.

Nascido nas inexauríveis Fontes do Excelso Criador, apresenta-se num caleidoscópio de manifestações que movimentam o cosmo e todos os seres viventes.

É o amor que proporciona a força de aglutinação das moléculas no mundo microscópico, assim como dos astros no macro, como energia de atracão e de repulsão, conforme ocorre entre os seres animados, em forma de afinidade ou de reação.

O deotropismo, que a tudo e a todos atrai para o seu Divino Fulcro, é a mais elevada e grandiosa manifestação do seu poder, em razão de erguer do caos da insignificância a vida nas suas primeiras apresentações, especialmente o princípio inteligente, na sua origem, até proporcionar-lhe a plenitude.

O amor ilumina a sombra da ignorância com o conhecimento, fomenta o progresso pelo trabalho, amplia os horizontes da percepção mediante o exercício contínuo da meditação.

Ao ser fraco, oferece força e resistência; ao bruto, enseja a docilidade; ao rebelde, proporciona o equilíbrio; ao déspota, faculta a compaixão; ao empreendedor, gratifica com o êxito; ao pigmeu, transforma em gigante; ao desanimado, impulsiona o recomeço da ação interrompida; ao fracassado, estimula o prosseguimento da atividade, sendo a energia que transforma tudo e todos para melhor.

O amor jamais desiste de levar adiante as obras de engrandecimento moral e espiritual da humanidade, porque se estrutura nos valores éticos da vida.

Jamais se ensoberbece, porque sabe que o seu êxito é resultado da permanência do esforço infatigável para o alcançar.

Em todas as situações é sempre o mensageiro da alegria e da ternura, jamais reagindo, sempre agindo de maneira correta e dulcificadora.

Nessa aparente fragilidade está a sua força incoercível, que nunca cede espaço à prepotência e ao canibalismo.

Pode-se impedir que se espraie, nunca, porém, que paralise a sua ação. Às vezes encarceram o indivíduo e o amordaçam, na vã expectativa de silenciar a sua expressão, que se exterioriza no olhar do impedido, que não se encontra vencido no sentimento que o domina e não pode ser aniquilado.

Quanto mais difícil o solo dos corações a joeirar, mais o amor se intensifica e produz sementes de vida eterna.

Quando os maus triunfam e pensam que poderão estabelecer o seu reinado infeliz, o amor suavemente brota do coração das vítimas e abençoa o martírio, tornando-se invencível.

Todos aqueles que se lhe opuseram através da história sucumbiram posteriormente ao seu encanto e vigor.


Santa Mónica, por exemplo, dominada pelo amor a Jesus, vivendo o martírio de um matrimónio infeliz, e genitora de Agostinho, rebelde e vulgar, então orou por vinte e sete anos em favor da conversão do filho, até o momento em que ele se tornou cristão, quando, concluída a sua tarefa, desencarnou em paz.

Por amor ao seu próximo, Maximiliano Kolbe, o sacerdote polonês, trocou a sua pela vida de um operário, quando os nazistas iam enviá-lo para uma casamata no campo de extermínio, onde deveria morrer, salvando-o…

Por amor à vida humana, Pasteur, embora enfermo, perseguiu os micróbios até encontrar a vacina contra a raiva e abrir o campo para a descoberta de muitos outros agentes de destruição do organismo.

Livingstone, o célebre conquistador e missionário inglês, estando em viagem pela África, embora não falasse outro idioma, senão o da sua pátria, deixou marcas inapagáveis do amor por onde passou, ajudando e estimulando as criaturas à felicidade.

Santos e heróis, mártires e sacrificados multiplicam-se nos relatos da história, dominados pelo amor que lhes ofereceu as forças para alcançarem as cumeadas da abnegação, sorridentes e felizes, doando a preciosa existência para que outros pudessem viver com dignidade e em paz.

Mães e pais abnegados, filhos dedicados e reconhecidos, irmãos conscientes, servidores humildes e gênios do conhecimento, da ciência, da tecnologia, da arte, dominados pelo amor, mantêm a sociedade em equilíbrio, fomentando-lhe o progresso e impulsionando-a no rumo dos objetivos sublimes de iluminação e espiritualidade.

O amor é a alavanca propulsora do bem que se esparze na Terra.

Sem a sua presença, a natureza seria árida e a beleza que brilha em toda parte ficaria reduzida ao desencanto e à degradação…

Nunca te canses, portanto, de amar.

Seja qual for a situação em que te encontres, dispões do instrumento divino do amor para equacionar quaisquer dificuldades, enobrecer os acontecimentos, fomentar o desenvolvimento moral, espiritual e material do ser humano.

Não fosse o amor de Nosso Pai, e a vida seria um fenômeno espúrio do acaso, candidata à desintegração, por absoluta falta de finalidade.

Portanto, nunca te queixes pelo fato de amares.

O amor é espontâneo e, por isso mesmo, é imbatível.

Espontâneo, torna-se um rio que se faz caudaloso, à medida que se alonga pelo curso, na direção do Oceano Celestial…

Quando amas, a tua vida adquire sentido e significado psicológico, porque se enriquece de bênçãos, que são os valores elevados da misericórdia, da compaixão, da afabilidade, da renúncia, da caridade, sem a qual não há salvação.

Examina as nascentes do amor no teu mundo íntimo e cuida de preservá-las sempre límpidas e cristalinas, não permitindo que ali se amontoe o lixo da ingratidão dos outros, a provocação dos maus, o desinteresse dos frívolos, a alucinação dos gozadores…

Estimula a generosidade dessa fonte que é inexaurível, e verificarás que, à medida que mais distribuíres a linfa sublime, mais ela produzirá.


Jesus, o excelente psicólogo, numa época em que predominavam o crime e a traição, o suborno e o utilitarismo, a descrença e o cinismo triunfava, quando a vida humana valia menos do que a de uma animália, embora perseguido e odiado, elegeu o amor como sendo a maior conquista destinada ao ser humano.

… E para demonstrar a grandeza dessa emoção superior, amou-nos em total segurança, de maneira que não trepidou em oferecer-se em holocausto, dando a própria vida, a fim de demonstrar-nos que a existência física somente possui objetivo quando é dominada pelo amor.


Joanna de Ângelis 













terça-feira, 24 de junho de 2025

Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 1 - As bençãos de Deus



Joanna de Ângelis - Livro Entrega-te a Deus - Divaldo P. Franco - Cap. 1


As bençãos de Deus


Narra uma antiga história popular que um modesto trabalhador braçal encontrava-se no seu trato de terra lavrando-o, em um amanhecer de beleza arrebatadora, quando se lhe acercou um indivíduo citadino muito bem vestido, materialista confesso, que, impossibilitado de conter a emoção e a arrogância diante do festival de cor, som e magia que a natureza lhe apresentava, perguntou-lhe:

— Camponês, tu crês em Deus?

— Sim, senhor, eu creio em Deus! – respondeu-lhe o homem simples.

— Então, nesta manhã maravilhosa, mostra-me um lugar onde Deus se encontra – e sorriu, sarcástico.

O homem humilde olhou em volta, enquanto se apoiava ao cabo da enxada, e depois, com naturalidade, respondeu:

— Senhor, eu não sou capaz de mostrar um lugar onde Deus se encontra nesta paisagem iluminada. No entanto, eu peço ao senhor para mostrar-me um lugar onde Deus não está.

Tomado de espanto, o soberbo afastou-se desconsertado.

Deus se encontra em toda parte, onde quer que se apresente a Sua obra.

Desde a sinfonia galática, nos espaços ininitos, até o acelerado ritmo das micropartículas em suas órbitas.

Quando os geneticistas conseguiram realizar o milagre da decodiicação do genoma humano, surpreenderam-se com os bilhões de informações contidas em cada DNA, narrando toda a sua história do passado e guardando as marcas dos acontecimentos orgânicos para o futuro…

Até este momento, por mais aprofundem as relexões e pesquisas, ainda não conseguiram detectar os fatores que levam alguns genes a mutações que irão responder por diversos processos degenerativos no organismo, e por que numa sequência familiar mantendo o padrão em determinado grupo, logo, subitamente, sem causa lógica, rompe a cadeia e apresenta uma signiicativa alteração… De igual maneira, é perturbadora a formação das novas galáxias assim como o desaparecimento de outras nos buracos negros…

Por mais penetre a investigação científíca e tecnológica nos milagres da vida, mais lhes constata a anterioridade, a harmonia, a grandiosidade.

Nas tentativas de interpretar o cosmo, têm sido elaboradas teses contínuas, algumas frutos dos resultados adquiridos com os instrumentos de pesquisa, especialmente depois dos estudos geométricos de Kepler, no im do século xvi, a respeito da localização dos planetas em volta do Sol, que abriram as perspectivas para melhor entender-se a Criação.

Da mesma forma, desde o modesto telescópio construído por Galileu até o avançado Hubble, novas informações são registradas a cada momento, dando lugar às variadas teorias como as dos universos paralelos, das supercordas, da uniicação, da inal ou de tudo e, mais recente, da desordem ou do caos…

… E enquanto as mentes mais audaciosas analisam a ocorrência do big bang, especialmente nos seus três primeiros minutos, não poucos tentam impor a ideia da autocriação dispensando a presença de Deus, conforme ocorreu com Laplace ao ser interrogado pelo imperador Napoleão Bonaparte, quando, após ler o seu livro, encontrando-o no palácio do Louvre, informou-o que não havia encontrado nenhuma referência a Deus na sua obra:

— Não necessitei dessa hipótese, senhor! – respondendo com sarcasmo, como se ele houvesse elaborado todas as respostas para explicar a Criação.

E, nada obstante, encontra-se hoje quase que totalmente superada, apesar da presunção do seu autor.

Tudo são bênçãos em a natureza.

O Espírito imortal, na sua saga formosa de desenvolvimento dos tesouros inabordáveis que lhe jazem em germe, etapa após etapa acumula experiências e conhecimentos que o levam a louvar, a agradecer e a pedir a Deus ajuda para melhor integrar-se na harmonia da Criação.

Penetrando, pouco a pouco, a sua sonda perquiridora do raciocínio no organismo da vida exuberante, vai encontrando as respostas que o engrandecem e lhe facilitam o entendimento em torno dos objetivos essenciais da pequena existência terrena, ambicionando a grandeza estelar.

Observa a ordem em todas as coisas e o equilíbrio das leis universais e morais, sentindo-se compelido a contínuas alterações de entendimento, conforme os resultados obtidos no seu empenho de crescimento intelecto-moral.

É perfeitamente natural que, em cada época, conforme o desenvolvimento dos valores intelectivos, o ser humano, em sua ânsia de decifrar as incógnitas que encontrava em toda a parte, procurasse entender Deus e submetê-Lo ao crivo da sua dimensão ridícula.

O esforço redundou nas conceituações primárias em torno do Criador, limitando-O à sua capacidade de compreensão, estabelecendo normas que O diminuíssem aos limites das condições pre cárias da razão em desenvolvimento, facultando o surgimento dos deuses, como verdadeiros inevitáveis arquétipos deluentes do seu avanço pela escala evolutiva.

Do Deus bárbaro e vingativo, imprevidente e humanoide, lentamente passou com Jesus Cristo à condição de Sublime Pai, num conceito afetuoso e ainda humano, porém compatível com a humana capacidade de vivenciá-Lo no seu dia a dia.

Com o advento da ciência, com o desdobramento da filosofia rompendo as barreiras do passado e facultando a libertação de conceitos que foram deixados porque portadores de rebeldia e de pessimismo, nova compreensão da Sua magnitude tomou lugar na esfera das relexões e o materialismo surgiu como sendo a fórmula mágica para tranquilizar as mentes incapazes de penetrar nas abstratas concepções em torno Dele.

Na atualidade, ainda vestido de mitos e de absurdos, dominado por paixões nacionais e políticas, crendices e ritualismos, permanece vitorioso em cultos externos que não resistem às profundas análises da lógica nem da razão, servindo de ópio para as massas, que o autoritarismo religioso de algumas doutrinas ortodoxas ou ingênuas ainda submetem.

Essa Inteligência criadora que precede ao big bang permanecerá por tempo indeterminado não entendida em todos os seus aspectos, pois que, se o fosse, já não seria a Causalidade, cedendo seu lugar ao ainda mesquinho ser humano que ensaia os seus primeiros passos na compreensão da sua própria realidade.

Vivendo mais por automatismo e acreditando por condicionamentos como bem viver e melhor ser feliz, o ser humano em evolução não dispõe da capacidade de abarcar a Natureza da natureza, somente para satisfazer a sua ambição intelectual.

Desse modo, mesmo quando não entende Deus, sente a Realidade em tudo e percebe-se mergulhado nesse Oceano de harmonia que o comove e não lhe permite estabelecer se Deus está nele ou se apenas é…

Quando alguém perguntou ao eminente cientista Jung se ele acreditava em Deus, ele teria respondido com simplicidade:

— Eu não acredito. Eu sei…

Saber é para sempre enquanto crer é transitório.

As bênçãos de Deus inclusive se encontram na capacidade fantástica de o ser humano poder pensar, entender e aprofundar relexões, conseguindo conquistar a gloriosa oportunidade de saber e transformar em utilidade pelos instrumentos de que se utiliza para penetrar no macro e no microcosmo, mas acima de tudo no Psiquismo gerador do universo e da vida.

Vive de tal forma que te encontres perfeitamente em sintonia com as bênçãos de Deus onde te encontres e diante do que faças, até poderes afirmar um dia, conforme Jesus elucidou:

— Eu e o Pai somos um…


Joanna de Ângelis