quinta-feira, 15 de abril de 2021

Joanna de Ângelis - Livro Conflitos Existenciais - Divaldo P. Franco - Cap. 7 - Ciúme - Terapia para o ciúme




Joanna de Ângelis - Livro Conflitos Existenciais - Divaldo P. Franco - Cap. 7 - Ciúme


Terapia para o ciúme


Todo e qualquer distúrbio orgânico, psicológico ou mental necessita de tratamento especializado, considerando-se a área em que se apresenta.

É natural, portanto que, naquilo que diz respeito ao comportamento emocional, seja levada em conta a terapêutica especializada, de modo a encontrar-se a raiz atual do problema, nunca sendo olvidado que o Espírito, em si mesmo, é o grande enfermo. Embora esse conhecimento, podem ser minimizados os efeitos perturbadores através do reencontro com as causas da existência presente, que tiveram origem no lar agressivo ou negligente, no grupo social perverso, nas condutas extravagantes ou em processos enfermiços que atingiram a organização física.

Penetrando-se nas causas dos conflitos dessa natureza – o ciúme – pode-se avaliar a melhor conduta para os indivíduos  normais, em face dos padrões que denominaremos como de confrontação e de saúde mental.

Em todos os indivíduos encontram-se os conflitos inconscientes e os mecanismos de defesa, diferenciando-se através de como são resolvidos.

Oportunamente, com Anna Freud (1895-1982) e outros, como Heinz Hartman (1894-1970) e Erik Erikson (1902-1994), surgiu uma corrente na psicanálise, denominada como psicologia do ego, em que os seus adeptos, além do conceito da libido, agregam os fatores culturais e interpessoais como desencadeadores da saúde e dos distúrbios de conduta. Nada obstante, propõem as contribuições saudáveis do si-próprio, na maneira como trabalhar o mundo, conviver com a realidade tal como se apresenta, em vez de  mascarar-se, evitando enfrentá-los ou procurar justificativas falsas para a sua evasão.

A criatura humana possui motivação para uma existência saudável, a depender da aspiração que mantenha no seu sacrário íntimo, conforme propõe Abraham Maslow (1908-1970).

Na pirâmide proposta pela eminente terapeuta humanista, as necessidades fisiológicas dos primeiros períodos vão lentamente sendo direcionadas para outras, como as de segurança, conforto, ausência de medos, busca do amor, competência, aprovação e reconhecimento; logo ascendendo para as necessidades cognitivas, ordem, beleza, realização pessoal para atingir as experiências-limite.

Nessa ascensão, o conceito de si-próprio exerce um papel preponderante, por estimular o ser à conquista de valores internos e pessoais, que o erguem ao pleno desenvolvimento dos seus recursos morais e espirituais.

O paciente ciumento, em sua insegurança, não tem qualquer consideração por si próprio, necessitando, portanto, de ser conduzido à autoestima, à superação dos conflitos de inferioridade e de insegurança, tomando conhecimento lúcido das infinitas possibilidades de equilíbrio e de afetividade que lhe estão ao alcance.

Ao mesmo tempo, a libertação das ideias masoquistas primitivas que nele permanecem, da culpa inconsciente que necessita de punição, bem direcionada pelo psicoterapeuta, ensejar-lhe-á a compreensão de que todos erram, de que todos devem assumir a consciência dos equívocos, mas a ninguém é concedido o direito de permanecer no muro das lamentações em torno de reais ou imaginárias aflições.

O amor é como um perfume. Espraia-se invisível, mas percebido, impregnando os sentimentos que se identificam, facultando saúde emocional e bem-estar a todos.

Quando buscado com afã, torna-se neurótico e perturbador, jamais atendendo às necessidades legítimas da pessoa.

Por outro lado, a ação fraternal da solidariedade enseja uma visão diferente daquela na qual o paciente encarcera-se, acreditando-se, apenas ele, como pessoa que vive um tipo de incompletude. Nesse ministério da ação caridosa para com os enfermos, em relação às demais pessoas que experimentam diferentes tipos de necessidade, ele se descobrirá naqueles a quem Jesus, o Psicoterapeuta por excelência, denominou como os filhos e as filhas do Calvário, por conduzirem também suas cruzes, algumas delas invisíveis aos olhos externos das demais pessoas.

A ação de benemerência direcionada ao próximo conduz ao descobrimento de quanto é saudável ajudar, facultando o entendimento dos dramas alheios e, ao mesmo tempo, encontrando solução para os próprios conflitos.

Aquele que se dedica à compaixão e à caridade, descobre, deslumbrado, não ser o único sofredor do mundo, e identifica-se com muitos que também estão padecendo, verificando, entretanto, quantos estão lutando com destemor para superar os impedimentos e as dificuldades que os atam à aflição.

Essa constatação serve-lhe de estímulo para também procurar a melhor maneira de libertação pessoal.

A terapêutica da bondade ao lado da psicoterapia especializada constitui elemento construtivo para a superação do ciúme, porque, nesse serviço, o afeto se amplia, os horizontes alargam-se, os interesses deixam de ser personalistas e a visão a respeito do mundo e da sociedade torna-se mais complacente e menos rigorosa.

Amorterapia, portanto, é indispensável para qualquer evento de desequilíbrio emocional, especialmente por ensejar o intercâmbio com o Pensamento Divino que se haure através da oração e da esperança.


Joanna de Ângelis








Maria Dolores - Livro Antologia da Espiritualidade - Chico Xavier - Cap. 26 - Onde




Maria Dolores - Livro Antologia da Espiritualidade - Chico Xavier - Cap. 26


Onde


Onde escutes a voz
Que blasfema, ironiza, amaldiçoa,
Não ponhas discussão agravando o azedume;
Ao invés de revide,
Usa sem mágoa o verbo que abençoa.

Onde o crime enlameie,
Com temerários ímpetos de fera,
A face da existência,
Não atires instinto contra instinto,
Semeia a tolerância! Ajuda e espera!…

Onde o erro domine,
Entretecendo cárceres e dores,
Não deites pedras no caminho alheio,
Patenteia a verdade sem reproche,
Dando bondade e luz por onde fores.

Onde o fracasso grite,
No cortejo de sombras em que avança,
Não repouses no chão de desalento,
A ninguém desanimes…
E recupera o clima da esperança.

Onde o mal apareça,
Azorragando o mundo sofredor,
Procuremos com Deus a Infinita Bondade
E sejamos em paz, pelos dons do serviço,
Uma bênção de amor.


Maria Dolores






quarta-feira, 14 de abril de 2021

Miramez - Livro Médiuns - João Nunes Maia - Pág. 13 - Comportamento




Miramez - Livro Médiuns - João Nunes Maia - Pág. 13


Comportamento


"Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: verdadeiramente és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia". Mateus — Cap. 26, v. 73


O talhe de vida de um médium não deve fugir da decência, de sorte a alcançar outras qualidades reunidas e ensinadas pelo Evangelho, porque o seu modo de ser o denuncia, sem que ele possa empanar o que verdadeiramente é.

A Doutrina Espírita poderá ser muito dignificada pelos seus seguidores, desde que esses observem os preceitos estruturados por ela e alarguem o poder de vontade na área da vivência. Certamente que depende de muito esforço.

Reencarnar é crucificar-se no lenho do corpo, como escola de regeneração. Mesmo sendo um patíbulo de agressões múltiplas, existem milhões de almas esperando a sua vez. E quando nos encontramos na arena da Terra, devemos envidar todos os nossos esforços na assimilação do melhor remédio da vida — o Amor. O comportamento cristão é a meta. O espírito na carne é uma mensagem de Cristo, é uma carta aberta de Deus. Como lemos os outros, alguém está nos lendo. E nos paralelos dessa carta, escrevemos o que somos, denunciando-nos a nós mesmos. Se faltar a vigilância, é certo que não poderemos dar mais do que temos. No entanto, o esforçarmo-nos, está nas nossas mãos.

Operemos neste sentido, que Deus e Cristo farão o resto por nós. Revistamo-nos, pois, com o manto espiritual, conscientizados de que a nossa defesa parte de Deus, amplia-se em Jesus por nosso próprio intermédio. Se a calúnia nos visitar por invigilância dos outros, não façamos o mesmo. O revide nos nivela ao agressor, deixando-nos sem condições de ajudar.

A mediunidade é um instrumento, senão uma luz que nos clareia a todos, quando a inteligência se irmana com o coração, para usá-la em favor do bem comum, sem exigências de forma alguma. A mente disciplinada favorece o intercâmbio das almas afins. Todos nós, encarnados e desencarnados, somos médiuns por natureza divina e humana. O modo pelo qual nos comportamos é que marca o grau das faculdades que possuímos.

O Cristo criou uma escola educativa, dando como exemplo a sua própria vida e tendo como seus primeiros alunos os doze discípulos. Allan Kardec fez reviver o Cristianismo nos conceitos da codificação, vendo na mediunidade uma fonte inesgotável para grandes revelações e nos médiuns, novos discípulos do Mestre, desde que revivessem o Evangelho no passar de cada dia.

Essa operação gasta igualmente tempo. E esse tempo nos promete uma reestruturação nos códigos das outras filosofias religiosas, para que todos possamos nos irmanarmos pela convivência da própria luz. O comportamento do médium denuncia com quem ele anda. A sua boca revela as suas próprias companhias, e as suas vibrações despertam nos outros os impulsos que as alimentam. Temos, na Doutrina dos Espíritos, uma das universidades educacionais e nos seus profitentes os chamados e escolhidos para o aprendizado. Se nos primeiros momentos da concepção começa o calvário da alma, exigindo dela esforço e fé, o ingresso dela nas hostes educativas de Jesus, conscientizada, exige esforço dobrado. É guerra sobre guerra, é luta sobre luta, porque a ascensão custa suor e dor.

Tratamos aqui do médium espírita, a quem foi dado muito e é pedido mais. Comparamos o sensitivo da Doutrina dos Espíritos à samaritana, que antes tomava água do mundo e tornava a ter sede. Todavia, quando se encontrou com o Mestre, pelas vias do Espiritismo, saciou a sua sede para sempre e, ainda mais, tornou-se um poço inesgotável. Tendo todos os meios de comprovações pelos métodos indutivos dos místicos e dos santos, a intuição pura rasga os véus tecidos pela ignorância e faz com que a alma beba os conhecimentos do Suprimento Maior. Não obstante, essas vias de acesso ao esplendor mediúnico requerem demasiada tolerância, caridade, trabalho e fé, que levam o espírito a sentir e a praticar o verdadeiro amor, na dimensão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Mudar a vida que sustentamos com milhares de enganos, sabemos que não é fácil. Porém, se fosse impossível, não falaríamos disso. Eis o exemplo de Paulo de Tarso, depois do caminho de Damasco. Jesus não procurou almas perfeitamente sadias de corpo e de espírito. Ele escolheu a todos, mas somente chama aqueles dispostos a segui-LO, porque sabe, por conhecer as leis, que toda cura obedece à gradatividade. Depois que já estivermos dominando a nós mesmos na esfera do bem, como médiuns do amor, vamos sentir a felicidade de ouvir, aceitando o que o apóstolo Pedro ouviu, negando.

"Logo depois, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: verdadeiramente és também um deles, porque o teu modo de falar o denuncia ".


Miramez





Fonte: Médiuns-pdf

terça-feira, 13 de abril de 2021

Joanna de Ângelis - Livro Iluminação Interior - Divaldo P. Franco - Cap. 30 - Sublime Natal




Joanna de Ângelis - Livro Iluminação Interior - Divaldo P. Franco - Cap. 30


Sublime Natal
 

Aquele nascimento, nas especiais circunstâncias em que ocorreu, deveria assinalar, conforme sucedeu, o período de renovação humana e social, alterando, por definitivo, os fastos históricos.

Antes Dele, o tumulto galopava o corcel da violência e a barbárie solucionava as disputas, favorecendo o perverso que elaborava as próprias leis.

É certo que, depois, por um largo período, continuaram predominando a força da estupidez e o desequilíbrio dos crimes hediondos na governança das nações.

Mergulhou, naquela oportunidade, Jesus, nas vestes humanas, a fim de conviver com os seres terrestres.

Ele, porém, dividiu as épocas, em face da significação de que se revestiu a Sua vida.

Renunciando ao sólio do altíssimo, entregou-se às atividades próprias daqueles que estagiavam nas faixas primárias da evolução moral.

Naquele período, a guerra alterava, a cada instante, o mapa terrestre, os impérios sucediam-se uns aos outros, reduzidos sempre a escombros após os breves períodos de esplendor, enquanto a crueldade se encarregava de estabelecer os seus impositivos.

Reduzidos à condição de animália de carga, os pobres e esquecidos nada representavam no cenário convulsionado em que reinavam os execrandos dominadores.

Os exércitos alucinados sucediam-se sob comandos perversos, varrendo o planeta conhecido e a tudo transformando.

Suas glórias de efêmera duração, porém, cediam lugar a sofrimentos inomináveis.

Os triunfadores de um dia logo ofereciam lugar a outros, não menos ensandecidos, posteriormente passando à servidão ou sendo consumidos por mortes vergonhosas...

Foi nesse clima que nasceu Jesus, e um mundo novo se iniciou...

É certo que ainda vigem o abuso do poder, os crimes covardes, as dominações arbitrárias, a arrogância dos poderosos, o horror dos extermínios em massa, a crueza do terrorismo...

Nada obstante, as leis, mesmo que não cumpridas, por enquanto, bafejadas pelas Suas diretrizes, vem-se humanizando, enquanto se alargam as possibilidades para a vigência do amor, da solidariedade, do respeito pelos direitos humanos e pela Natureza...

Desenvolveram-se os sentimentos da compaixão e o anjo da caridade passou a cuidar dos réprobos, dos oprimidos, dos considerados excluídos, que eram descartados sem consideração, tidos como peso negativo na economia da sociedade que os ignorava.

Certamente, ainda ocorrem as lamentáveis execuções grupais, o olvido dos países miseráveis, o exclusivismo que se permite o poder...

No entanto, periodicamente, tomam forma humana estrelas espirituais fulgurantes em nome do Seu amor, iluminando as sombras terrenas, diminuindo a amargura generalizada e ensejando esperança e paz.

Sucede que a evolução é um processo muito lento, em razão das fixações perturbadoras que são trazidas das experiências primitivas.

A vinculação com a força predomina em a natureza humana durante muito tempo em detrimento dos valores morais, o que faz retardar a marcha do progresso.

Aquele nascimento, porém, insculpiu na memória dos tempos a grandeza do amor, então desconhecido ou propositadamente ignorado.

Mediante os ensinamentos de Jesus, no entanto, ocorreram significativas alterações em favor do mais rápido desenvolvimento espiritual dos seres humanos.

A misericórdia, que era desconsiderada, passou a assinalar as consciências, ensejando visão diferente a respeito dos párias e dos deserdados.

Ele próprio entregou-se ao ministério de exemplificar, tornando-se a Sua vida um evangelho de feitos.

O Seu inefável amor renovou a face do planeta com a palavra libertadora, musical, severa e nobre.

Não amado, porfiou amando.

Não compreendido, manteve-se compreensível.

Não aceito, perseverou nos ensinamentos sublimes.

Jesus, entre as criaturas humanas é o momento culminante no processo histórico da evolução.

Não mais se repetirão aquele nascimento, aqueles dias, aquelas bênçãos.

Nem serão necessários, porquanto os acontecimentos permanecem indeléveis na consciência dos tempos idos, assinalando os porvindouros.

Estes são, igualmente, dias muito difíceis.

Durante a larga transição que se opera na Terra, atinge-se, neste momento, o ponto culminante das provações e dores acerbas, invitando à reflexão e à mudança de atitude comportamental para melhor.

Não te desesperes em vão, se te sentes excruciado por problemas e dores.

Recorda-te de Jesus e deixa-te por Ele conduzir.

Na data evocatícia do Seu nascimento, faze uma reflexão mais profunda e verifica se Ele já nasceu em teu coração.

Após a constatação da Sua Presença ou não em ti, sai do desconforto moral ou da comodidade, da indiferença ou do erro e deixa que esse seja um sublime Natal em tua vida, passando a viver feliz e dedicado ao bem de que Ele se fez vexilário.


Joanna de Ângelis







Bezerra de Menezes - Livro Caminho Espírita - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 49 - Diante de tudo




Bezerra de Menezes - Livro Caminho Espírita - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 49


Diante de tudo


Diante de tudo, estabelece Jesus para nós todos uma conduta básica, de que todas as providências exatas se derivam para a solução dos problemas no caminho da vida:

Sombra — caridade da luz;

Ignorância — caridade do ensino;

Penúria — caridade do socorro;

Doença — caridade do remédio;

Injúria — caridade do silêncio;

Tristeza — caridade do consolo;

Azedume — caridade do sorriso;

Cólera — caridade da brandura;

Ofensa — caridade da tolerância;

Insulto — caridade da prece;

Desequilíbrio — caridade do reajuste;

Ingratidão — caridade do esquecimento.

Diante de cada criatura, exerçamos a caridade do serviço e da bênção. Todos somos viajores na direção da Vida Maior. 

Doemos amor a Deus, na pessoa do próximo, e Deus, através do próximo, dar-nos-á mais amor.


Bezerra de Menezes







Emmanuel - Livro Rumo Certo - Chico Xavier - Cap. 2 - No mundo pessoal




Emmanuel - Livro Rumo Certo - Chico Xavier - Cap. 2


No mundo pessoal


Quando te observares na verdadeira posição de criatura imortal, nascida de Deus, com estrutura original, decerto te habilitarás a compreender que o Criador te conferiu tarefas individuais que deves aceitar por intransferíveis. Reflete nisso.

Ninguém possui o trabalho que te foi concedido executar, conquanto algumas vezes a obra em tuas mãos possa assemelhar-se, de algum modo, a certas atividades alheias, no levantamento do progresso geral.

Ninguém dispõe da fonte de teus pensamentos plasmados por tua maneira especialíssima de ser.

Qual sucede com as impressões digitais, a voz que te serve se te erige em propriedade inalienável.

Em qualquer Plano e em qualquer tempo, mobilizas todo um mundo interior de cujas manifestações mais íntimas e mais profundas os outros não participam.

À face disso, estarás em comunidade, mas viverás essencialmente contigo mesmo, com os teus sentimentos e diretrizes, ideais e realizações.

Isso porque o Governo da Vida te fez concessões que não estendeu a mais ninguém.

Observa os compromissos que te assinalam, seja em família ou seja no grupo social, e descobrirás para logo as obrigações que se te reservam no imediatismo das circunstâncias.

Se falhas no serviço a fazer, alguém te substitui no momento seguinte, porque a Obra do Universo não depende exclusivamente de nós; entretanto, seja como seja onde te colocares, podes facilmente identificar as tarefas pessoais que a vida te solicita.

Quis a Divina Providência viesses a nascer no Universo por inteligência única, de modo a cumprir deveres inconfundíveis, sob a justa obrigação de te conheceres, mas não nos referimos a isso para que te percas no orgulho e sim para que te esmeres no burilamento próprio, valorizando-te na condição de criatura eterna em ascensão para a Espiritualidade Superior, a fim de brilhar e cooperar com Deus na suprema destinação da Sabedoria e do Amor, para a qual, por força da própria Lei de Deus, cada um de nós se dirige.


Emmanuel







Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espirito Santo Neto - Pág. 79 - Honestidade emocional




Hammed - Livro A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espirito Santo Neto - Pág. 79


Honestidade emocional


"(...) no estado de enfermidade, o cérebro está sempre mais ou menos enfraquecido, não existe equilíbrio entre todos os órgãos, alguns somente conservam sua atividade, enquanto que outros estão de alguma sorte paralisados; daí a permanência de certas imagens que não são mais apagadas, como no estado normal, pelas preocupações da vida exterior. Aí está a verdadeira alucinação e a causa primeira das idéias fixas". (2ª Parte, Cap. VI, item 113) 


Um individuo em estado de fixação mental nada vê, nada ouve, nada sente ou nada percebe além da pessoa, objeto ou facto a que sua mente cristalizada se prendeu.

A fixação mental pode perdurar por séculos, ou seja, por diversas encarnações. A alma se isola do mundo externo, passando a visualizar unicamente o centro do desequilíbrio, permanecendo paralisada, dominada por ocorrências ou factos aflitivos, recentes ou remotos.

Trata-se de uma verdadeira tortura mental sobre a qual o enfermo não tem nenhum controle. A fonte pensadora mantém um dialogo ininterrupto: vive em constante conversa de si para consigo mesmo. A mente se fixa em determinada criatura ou acontecimento e fica incapaz de evitar que os pensamentos, as discussões e as palavras continuem girando sem parar. O mundo mental se torna hiperativo; repete o mesmo problema muitas vezes, levando a criatura à fadiga, acompanhada de uma sensação de cabeça pesada e de sobrecarga intima.

A perturbação interior pode imobilizar-se por tempo incalculável entre os fios de sua "textura de escuridão". A alma infeliz se faz prisioneira não só de inimigos externos, mas sobretudo, dos mais ferrenhos inimigos: os internos. Indivíduos doentes contemplam tão somente, e por largo tempo, as aflitivas criações mentais deles mesmos, ficando obstruída a possibilidade de observarem novas e edificantes paisagens de desenvolvimento e crescimento espiritual.

São processos de monoideísmo, verdadeiros estados mentais alucinatórios, em que vivem isolados em circuitos fechados. São aprisionados nos próprios painéis íntimos e justapostos às criaturas afins, desencarnadas ou não, coagulando ou materializando imagens repetidas por associação individual e espontânea.

Reservados, insociáveis, carrancudos, tímidos, envergonhados, supersensíveis e desprovidos de humor, eis as características mais frequentes desses indivíduos. Na mansão do pensamento, o raciocínio emite as ordens, mas é o sentimento que guia. A pessoa que não consegue aproximar-se dos outros e expressar suas emoções cria uma aversão à afetividade; reduz cada vez mais sua capacidade amorosa, tornando-se indiferente e apática.

As criaturas desenvolvem um "mecanismo de distância", isto é, cultivam um "isolamento alucinatório". Vivem uma espécie de desonestidade emocional, criando um afastamento não apenas do mundo, mas também de si mesmas.

"(…) a permanência de certas imagens que não são mais apagadas, como no estado normal, pelas preocupações da vida exterior (…)" e "a verdadeira alucinação e a causa primaria das idéias fixas (…)" podem estar potencialmente ligadas ao facto de não expressarem nossos sentimentos ou emoções.

Criamos um bloqueio mental e/ou emocional, separando o nosso horizonte contextual e o nosso conteúdo sentimental, o que resulta na perda do verdadeiro significado de nosso mundo afetivo.

Estar com medo ou negar o que sentimos pode nos levar a uma situação que provoca alucinação. A criatura não consegue resolver-se, por ignorar suas reações emocionais, nem mexer-se, porque se autodistrai, criando uma ideia fixa que a mantém imobilizada ou paralisada intimamente. Aprender a identificar o que estamos sentindo é um desafio que podemos dominar, mas não nos tornamos especialistas da noite para o dia. Ignorar as sensações não faz com que os sentimentos desapareçam.

Muitos de nos tentamos nos convencer de que não devemos entrar em contato com nossos sentimentos; ficamos hábeis em seguir as regras do "não sinto nada" ou "não devo sentir isso". De todas as proibições que tivemos, essas talvez sejam as regras mais duradouras e persistentes em nosso mecanismo mental. Precisamos deixar um espaço para trabalhar nossos sentimentos e emoções. Somos seres humanos, não marionetes.

Quem somos, como amadurecemos, como vivemos e como crescemos, tudo esta intimamente interligado com nossa área emocional – uma parte preciosa de nos mesmos. Realmente temos sentimentos, às vezes difíceis e problemáticos, outras vezes explosivos, que precisamos reprimi-los rigidamente, nem permitir que eles nos controlem ou nos imponham atos e atitudes. Lembremo-nos de que apenas podemos nos redimir até onde conseguimos nos perceber, ou seja, até onde nos permitimos sentir.

Como nos reformar, se evitamos constantemente nossas sensações? Muitos de nos ficamos longo tempo ligados na negação. A "negação" é considerada um mecanismo de defesa que nos protege até que possamos ficar equipados para lidar com os factos da vida, dentro e fora de nos. Mas não devemos passar muito tempo negando a realidade.

A alucinação ou a ideia fixa, tanto consciente quanto inconsciente, limita a nossa liberdade de ação nas atividades mediúnicas, como também nos diversos sectores da vida. Toda ilusão deixa a criatura obcecada, e não admitir o que se sente é uma forma de autoilusão. Para não ficarmos enredados nas malhas da fixação mental, precisamos entrar em contato com o "chão da realidade".

A cura definitiva para esse tipo de mal é aprimorar nossos sentimentos e abrandar nosso coração, identificando com atenção as reações interiores e transformando-as para melhor.

A Vida Maior não tenta distanciar o homem da Natureza, mas facilitar sua conexão com ela. Portanto, mais cedo ou mais tarde, o homem terá de voltar à naturalidade da vida, destruindo gradativamente os excessos do formalismo social e religioso e os exageros do artificialismo das convenções, que contrariam as leis naturais e, por consequência, geram conflitos ilusórios e perturbação intima.

A edificação da paz no reino interior se estabelece em nos definitivamente quando começamos a cultivar a "honestidade emocional" em todas as nossas relações, com nos mesmos ou com os outros.


Hammed