quinta-feira, 15 de abril de 2021

Joanna de Ângelis - Livro Conflitos Existenciais - Divaldo P. Franco - Cap. 7 - Ciúme - Terapia para o ciúme




Joanna de Ângelis - Livro Conflitos Existenciais - Divaldo P. Franco - Cap. 7 - Ciúme


Terapia para o ciúme


Todo e qualquer distúrbio orgânico, psicológico ou mental necessita de tratamento especializado, considerando-se a área em que se apresenta.

É natural, portanto que, naquilo que diz respeito ao comportamento emocional, seja levada em conta a terapêutica especializada, de modo a encontrar-se a raiz atual do problema, nunca sendo olvidado que o Espírito, em si mesmo, é o grande enfermo. Embora esse conhecimento, podem ser minimizados os efeitos perturbadores através do reencontro com as causas da existência presente, que tiveram origem no lar agressivo ou negligente, no grupo social perverso, nas condutas extravagantes ou em processos enfermiços que atingiram a organização física.

Penetrando-se nas causas dos conflitos dessa natureza – o ciúme – pode-se avaliar a melhor conduta para os indivíduos  normais, em face dos padrões que denominaremos como de confrontação e de saúde mental.

Em todos os indivíduos encontram-se os conflitos inconscientes e os mecanismos de defesa, diferenciando-se através de como são resolvidos.

Oportunamente, com Anna Freud (1895-1982) e outros, como Heinz Hartman (1894-1970) e Erik Erikson (1902-1994), surgiu uma corrente na psicanálise, denominada como psicologia do ego, em que os seus adeptos, além do conceito da libido, agregam os fatores culturais e interpessoais como desencadeadores da saúde e dos distúrbios de conduta. Nada obstante, propõem as contribuições saudáveis do si-próprio, na maneira como trabalhar o mundo, conviver com a realidade tal como se apresenta, em vez de  mascarar-se, evitando enfrentá-los ou procurar justificativas falsas para a sua evasão.

A criatura humana possui motivação para uma existência saudável, a depender da aspiração que mantenha no seu sacrário íntimo, conforme propõe Abraham Maslow (1908-1970).

Na pirâmide proposta pela eminente terapeuta humanista, as necessidades fisiológicas dos primeiros períodos vão lentamente sendo direcionadas para outras, como as de segurança, conforto, ausência de medos, busca do amor, competência, aprovação e reconhecimento; logo ascendendo para as necessidades cognitivas, ordem, beleza, realização pessoal para atingir as experiências-limite.

Nessa ascensão, o conceito de si-próprio exerce um papel preponderante, por estimular o ser à conquista de valores internos e pessoais, que o erguem ao pleno desenvolvimento dos seus recursos morais e espirituais.

O paciente ciumento, em sua insegurança, não tem qualquer consideração por si próprio, necessitando, portanto, de ser conduzido à autoestima, à superação dos conflitos de inferioridade e de insegurança, tomando conhecimento lúcido das infinitas possibilidades de equilíbrio e de afetividade que lhe estão ao alcance.

Ao mesmo tempo, a libertação das ideias masoquistas primitivas que nele permanecem, da culpa inconsciente que necessita de punição, bem direcionada pelo psicoterapeuta, ensejar-lhe-á a compreensão de que todos erram, de que todos devem assumir a consciência dos equívocos, mas a ninguém é concedido o direito de permanecer no muro das lamentações em torno de reais ou imaginárias aflições.

O amor é como um perfume. Espraia-se invisível, mas percebido, impregnando os sentimentos que se identificam, facultando saúde emocional e bem-estar a todos.

Quando buscado com afã, torna-se neurótico e perturbador, jamais atendendo às necessidades legítimas da pessoa.

Por outro lado, a ação fraternal da solidariedade enseja uma visão diferente daquela na qual o paciente encarcera-se, acreditando-se, apenas ele, como pessoa que vive um tipo de incompletude. Nesse ministério da ação caridosa para com os enfermos, em relação às demais pessoas que experimentam diferentes tipos de necessidade, ele se descobrirá naqueles a quem Jesus, o Psicoterapeuta por excelência, denominou como os filhos e as filhas do Calvário, por conduzirem também suas cruzes, algumas delas invisíveis aos olhos externos das demais pessoas.

A ação de benemerência direcionada ao próximo conduz ao descobrimento de quanto é saudável ajudar, facultando o entendimento dos dramas alheios e, ao mesmo tempo, encontrando solução para os próprios conflitos.

Aquele que se dedica à compaixão e à caridade, descobre, deslumbrado, não ser o único sofredor do mundo, e identifica-se com muitos que também estão padecendo, verificando, entretanto, quantos estão lutando com destemor para superar os impedimentos e as dificuldades que os atam à aflição.

Essa constatação serve-lhe de estímulo para também procurar a melhor maneira de libertação pessoal.

A terapêutica da bondade ao lado da psicoterapia especializada constitui elemento construtivo para a superação do ciúme, porque, nesse serviço, o afeto se amplia, os horizontes alargam-se, os interesses deixam de ser personalistas e a visão a respeito do mundo e da sociedade torna-se mais complacente e menos rigorosa.

Amorterapia, portanto, é indispensável para qualquer evento de desequilíbrio emocional, especialmente por ensejar o intercâmbio com o Pensamento Divino que se haure através da oração e da esperança.


Joanna de Ângelis








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