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quinta-feira, 27 de março de 2025

Maria Dolores - Livro Poetas Redivivos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16 - Cantiga do perdão



Maria Dolores - Livro Poetas Redivivos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16


Cantiga do perdão


Não te iludas, amigo,
Por mais se expandam lágrimas contigo,
Todo lamento é vão…

Tudo o que tende para a perfeição,
Todo o bem que aparece e persiste no mundo
Vive do entendimento harmônico e profundo,
Através do perdão…

Perdão que lembre o sol no firmamento,
Sem se fazer pagar pelo foco opulento,
A vencer, dia a dia,
A escuridão da noite insondável e fria
E a nutrir, no seu longo itinerário,
O verme e a flor, o charco e o pó, o ninho e a fonte,
De horizonte a horizonte,
Quanto for necessário.

Perdão que nos destaque a lição recebida
Na humildade da rosa,
Bênção do céu, estrela cetinosa,
Que, ao invés de pousar sobre o diamante,
Desabrocha no espinho,
Como a dizer que a vida,
De caminho a caminho,
Não despreza ninguém,
E bela, generosa, alta e fecunda,
Quer que toda maldade se transfunda
Na grandeza do bem…

Perdão que se reporte
A brandura da terra pisoteada,
Esquecida heroína de paciência,
Que acolhe, em toda parte, os detritos da morte
E sustenta os recursos da existência,
Mãe e escrava sublime de amor mudo,
Que preside, em silêncio, ao progresso de tudo!…

Amigo, onde estiveres,
Assegura a certeza
De que o perdão é lei da Natureza,
Segurança de todos os misteres.

Perdoa e seguirás em liberdade
No rumo certo da felicidade.

Nas menores tarefas que realizes,
Para lembrar sem sombra os instantes felizes
Na seara da luz,
Na qual a Luz de Deus se insinua e reflete,
É forçoso exercer o ensino de Jesus 
Que nos manda perdoar
Setenta vezes sete
Cada ofensa que venha perturbar
O nosso coração;

Isso vale afirmar,
Na senda de ascensão,
Que, em favor da vitória,
A que aspiras na luta transitória,
É mais do que importante, é essencial
Que te esqueças, por fim, de todo mal!…

E que, em tudo, no bem a que te dês,
Seja aqui, mais além, seja agora ou depois,
Deus espera que ajudes e abençoes,
Compreendendo, amparando e servindo outra vez!…


Maria Dolores









sábado, 14 de dezembro de 2024

Meimei - Livro Somente Amor - Maria Dolores / Meimei - Chico Xavier - Cap. 1 - Recomeça



Meimei - Livro Somente Amor - Maria Dolores / Meimei - Chico Xavier - Cap. 1


Recomeça


Iniciaste a tua construção espiritual da fé em que te abrigasses. E sentias-te, à maneira de alguém, cujo coração se revitalizasse ao contato de nova luz.

Entretanto, sombras apareceram no firmamento de tuas mais belas aspirações, quais nuvens que te empanassem a visão do Sol.

Afeições, em que te escoravas, desapareceram na correnteza de interesses inferiores; companheiros muitos deles obsidiados ou infelizes, te impuseram inesperadas desilusões; perdeste recursos que consideravas essenciais à própria segurança e te refugiaste em amargurada introversão; provavelmente, viste seres amados vencidos pela morte e não pudeste conter as lágrimas incessantes que te segregaram no lar; ouviste injúrias de lábios queridos que dantes te abençoavam a vida e tombaste em desalento.

Ainda assim, ergue-te da tristeza ou do desânimo e caminhemos adiante.

Sofrimentos vencidos são tijolos de experiência com que levantarás novas paredes no santuário da esperança.

Não te demores na solidão e volve ao dia resplendente do trabalho, de que se fará no mundo a solidariedade humana, por fonte viva de amor, e novas bênçãos te farão sorrir.

Não importa a legenda que tragas na bandeira do teu ideal de fraternidade.

Se caíste em algum erro, levanta-te e corrige com bondade o que a vida te pede retificar.

Se paraste de servir, recomeça. Guarda, sobretudo, a certeza de que ninguém encontra a verdadeira felicidade sem Deus.


Meimei












sábado, 23 de novembro de 2024

Meimei - Livro Somente Amor - Maria Dolores / Meimei - Chico Xavier - Cap. 19 - Não sabem



Meimei - Livro Somente Amor - Maria Dolores / Meimei - Chico Xavier - Cap. 19


Não sabem


Muitos companheiros da Terra que perderam entes queridos em processos de crueldade estimariam ouvir-lhes as impressões do Mais Além, com referência às provas sofridas ao se despedirem do Plano Físico.

E as respostas, comumente, lhes soariam aos ouvidos, insuflando-lhes surpresa e admiração.

Os desencarnados que se reconhecessem livres das estreitezas humanas lhes surgiriam ao entendimento por advogados de seus próprios algozes.

Filhos abatidos pelas armas de salteadores infelizes pediriam o perdão dos pais em benefício deles, compreendendo-lhes o suplício da consciência culpada; pais sacrificados por pessoas inescrupulosas solicitariam a tolerância e a bondade dos descendentes para quantos lhes promoveram a destruição da existência terrestre; criaturas violentadas no próprio corpo e seviciadas até a desencarnação suplicariam o socorro dos entes amados para aqueles que lhes impuseram a morte; e amigos massacrados por agressores voltariam da Vida Maior, implorando compaixão para quantos lhes tramaram a perda.

Se, algum dia, tiveres de ouvir os seres queridos, transportados para a Vida Superior, sob pesados golpes da delinquência, não guardes qualquer ideia de condenação e vindita. 

Quantos deles já se encontrem identificados com os ensinamentos de Jesus, te rogarão piedade e amor para com os perseguidores que os feriram, de vez que todos aqueles que atormentam e arrasam os seus próprios irmãos não sabem o que fazem.


Meimei 











terça-feira, 29 de outubro de 2024

Maria Dolores - Livro Somente Amor - Maria Dolores / Meimei - Chico Xavier - Cap. 26 - O irmão lobo



Maria Dolores - Livro Somente Amor - Maria Dolores / Meimei - Chico Xavier - Cap. 26


O irmão lobo


Na floresta de Gubbio, um lobo se fizera
Uma espécie de monstro aterrador,
Mais astuto e mais hábil que uma fera
Parecia um terrível salteador,
Matando qualquer homem desarmado,
Espalhando pavor e aniquilando o gado…

Mas, Francisco de Assis foi procurá-lo, um dia,
E, em plena solidão,
Ao encontrá-lo, em vasta ramaria,
Começou a chamá-lo por irmão…
Em seguida, falou-lhe da bondade,
Da paz, da caridade, do carinho…

Pediu-lhe, por Jesus, alterar o caminho
Em que o pobre animal
Vivera até então
E terminou, rogando ao lobo atento
Fosse morar com ele no convento
E a fera obedeceu,
Sem demonstrar qualquer hesitação.

Seguindo o Irmão Francisco, achou-se em novo lar
E, ao mudar de atitude, entregou-se, feliz,
No trabalho do bem, nas tarefas de Assis.
Era um guarda-noturno dos melhores
E, carregando um cesto aos dentes,
Buscava pães nos arredores.

Mas o chefe ocupado, muitas vezes,
Por semanas ou meses,
Ausentava-se em serviço,
Quase sempre reunido a Frei Leão,
Saía em sacrifício e peregrinação,
A fim de semear o ensino do Senhor,
Atento a inolvidável compromisso.

Nessas ocasiões,
O Irmão Lobo sentia
A carência de amor
E a fome de alegria.
Longe do Irmão Francisco, em todas as estradas
Era seguido a insultos e pedradas…
Mesmo entre os servidores do convento
Sofria ele o impacto violento
De varadas cruéis…

Chamavam-no “covarde”, “lobo vil”
“Carniceiro feroz…”
E de tanto aguentar o tratamento hostil,
Vendo-se, um dia, a sós,
O Irmão Lobo voltou para a vida selvagem,
Na antiga sede de carnagem;
Tomando à condição a que dantes se dera
Nos instintos de fera…

Voltando o Irmão Francisco
À morada de amor que presidia,
Depois de longa ausência,
Teve notícia da ocorrência
Mas, embora cansado
E prematuramente envelhecido,
A lastimar o acontecido,
Ante as muitas saudades do animal,
Embrenhou-se no verde da floresta…
E reencontrou o Irmão Lobo, como em festa
Na vastidão da natureza,
Perseguindo, sem pausa, uma lebre indefesa.

— “Irmão Lobo, o que é isto?”
— Disse o recém-chegado.
— “Já não te lembras mais dos ensinos do Cristo?” 
O lobo veio a ele, abatido e humilhado,
E respondeu, tristonho:
— “Santo amigo, não pude suportar
As dores que sofria em vossa ausência,
Acreditei que o vosso sonho
Fosse uma realidade na existência,
Mas tenho ainda as marcas doloridas
De profundas feridas
Que os homens me fizeram…

Toda vez que deixáveis nossa casa
Tratavam-me com vara, pedra e brasa…
Não vi qualquer pessoa a não ser vós
Nos ensinos sagrados
Que trazíeis a nós…
Deixai-me, santo amigo,
Sou lobo, apenas lobo no serrado,
Fera solta nas trilhas em que sigo”.

Francisco, então, enfermo e fatigado,
Replicou-lhe, porém:
— “Irmão Lobo, recorda!… O caminho do bem
É aquele de Jesus…
Devemos aceitar a própria cruz…
Recorda as instruções que estudaste comigo,
Sentença por sentença!…

Deixe que eu te interprete:
A lei é perdoar setenta vezes sete
Qualquer ofensa recebida. 
A presença do Cristo é o sol de nossa vida…
Volta, comigo, irmão,
Eu também, já sofri calúnia, provação…

Sinto-me fatigado,
Mas a fé no Senhor é uma luz em meu peito,
Continua, Irmão Lobo, de meu lado,
Resguarda-me, com Deus, na pedra em que me deito…
Necessito de ti na casa de onde venho,
As tuas grandes cicatrizes
Dos momentos que julgas infelizes
São feridas irmãs das úlceras que eu tenho!…”

O lobo cabisbaixo acompanhou o amigo,
Fez-se-lhe guardião na aspereza do abrigo,
Onde Francisco, dantes forte,
Pôs-se em chaga e oração
Para aguardar a morte…

Finda aquela existência engrandecida e bela,
O Irmão Lobo fugiu para um bosque vizinho,
Algo desatinado,
Como alguém que se vê desamparado
Sem rumo e sem caminho,
Em súbita carreira…

Ouvido no convento
Notou-se que ele uivara a noite inteira;
E porque se calara, de repente,
Quando o Sol regressou, resplandecente,
Um irmão de Francisco foi à mata,
Decidido a traze-lo,
No máximo de zelo,
Para a vida de paz, de serviço e conforto…

Mas, surpreso, encontrou nas pedras do serrado
Um corpo de animal abandonado:
O lobo de Francisco estava morto.


Maria Dolores













quarta-feira, 1 de maio de 2024

Maria Dolores - Livro Antologia da Espiritualidade - Chico Xavier - Cap. 26 - Onde



Maria Dolores - Livro Antologia da Espiritualidade - Chico Xavier - Cap. 26


Onde


Onde escutes a voz
Que blasfema, ironiza, amaldiçoa,
Não ponhas discussão agravando o azedume;
Ao invés de revide,
Usa sem mágoa o verbo que abençoa.

Onde o crime enlameie,
Com temerários ímpetos de fera,
A face da existência,
Não atires instinto contra instinto,
Semeia a tolerância! Ajuda e espera!…

Onde o erro domine,
Entretecendo cárceres e dores,
Não deites pedras no caminho alheio,
Patenteia a verdade sem reproche,
Dando bondade e luz por onde fores.

Onde o fracasso grite,
No cortejo de sombras em que avança,
Não repouses no chão de desalento,
A ninguém desanimes…
E recupera o clima da esperança.

Onde o mal apareça,
Azorragando o mundo sofredor,
Procuremos com Deus a Infinita Bondade
E sejamos em paz, pelos dons do serviço,
Uma bênção de amor.


Maria Dolores














quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Maria Dolores - Livro A Vida Conta - Chico Xavier - Cap. 32 - Deus te guarde



Maria Dolores - Livro A Vida Conta - Chico Xavier - Cap. 32


Deus te guarde


Deus te guarde, alma querida e boa,
Pela dor que não dizes,
Quando a injúria te induz a suportar
Os problemas e os atos infelizes.

Deus te compense a tolerância
Quando olvidas o mal,
Interpretando aquele que te agride
Por doente mental.

Deus te ilumine a frase de humildade
Ante o verbo agressor,
Quando te apagas para garantir
A presença do amor.

Deus te engrandeça o gesto de renúncia,
Onde a ambição, às tontas, se compraz,
Quando sabes perder conforto e benefício
Em proveito da paz.

Deus proteja o silêncio em que te esforças
Na compreensão que te sustém,
Quando toleras golpe ou desafio
Sem ferir a ninguém.

Por tudo o que há de bom que nos ofertas
Na jornada de luz que te bendiz,
Pelo perdão constante em que te nutres,
Deus te guarde, alma irmã, Deus te faça feliz.


Maria Dolores






VÍDEO:

Chico Xavier: "Testemunho do Brasil no momento da Grande Regeneração"






quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Meimei - Livro Somente Amor - Maria Dolores / Meimei - Chico Xavier - Cap. 1 - Recomeça



Meimei - Livro Somente Amor - Maria Dolores / Meimei - Chico Xavier - Cap. 1


Recomeça


Iniciaste a tua construção espiritual da fé em que te abrigasses. E sentias-te, à maneira de alguém, cujo coração se revitalizasse ao contato de nova luz.

Entretanto, sombras apareceram no firmamento de tuas mais belas aspirações, quais nuvens que te empanassem a visão do Sol.

Afeições, em que te escoravas, desapareceram na correnteza de interesses inferiores; companheiros muitos deles obsidiados ou infelizes, te impuseram inesperadas desilusões; perdeste recursos que consideravas essenciais à própria segurança e te refugiaste em amargurada introversão; provavelmente, viste seres amados vencidos pela morte e não pudeste conter as lágrimas incessantes que te segregaram no lar; ouviste injúrias de lábios queridos que dantes te abençoavam a vida e tombaste em desalento.

Ainda assim, ergue-te da tristeza ou do desânimo e caminhemos adiante.

Sofrimentos vencidos são tijolos de experiência com que levantarás novas paredes no santuário da esperança.

Não te demores na solidão e volve ao dia resplendente do trabalho, de que se fará no mundo a solidariedade humana, por fonte viva de amor, e novas bênçãos te farão sorrir.

Não importa a legenda que tragas na bandeira do teu ideal de fraternidade.

Se caíste em algum erro, levanta-te e corrige com bondade o que a vida te pede retificar.

Se paraste de servir, recomeça. Guarda, sobretudo, a certeza de que ninguém encontra a verdadeira felicidade sem Deus.


Meimei












domingo, 13 de fevereiro de 2022

Maria Dolores - Livro Agenda de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Pag. 41 - Nunca esmoreças




Maria Dolores - Livro Agenda de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Pag. 41


Nunca esmoreças 


Nunca esmoreças.
Trabalho aprimora o mundo todo,
Muita flor nasce do lodo
Muito amparo vem da dor...

Serve, ensina e reconforta
Na fé viva que te alcança,
Entre as luzes da esperança
Começa o reino do amor.


Maria Dolores








terça-feira, 21 de setembro de 2021

Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 34 - Cantiga da Vida




Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 34


Cantiga da Vida


Escuta, alma querida,
Se a provação te alcança
E te amarfanha a vida,
Não te dês à revolta
Nem percas a esperança.

Embora tolerando luta permanente,
Seja ela qual for,
Segue o dever que se desdobre à frente,
Sem maldizer a própria dor.

Deus modifica o sofrimento aceito,
Em grandeza, progresso, alegria, proveito…

Na Terra, em tudo aquilo que admiras,
Do chão que cria a erva ao céu que infunde a paz,
A qualquer tempo, em tudo encontrarás,
Semelhante lição na estrada em que respiras…

No solo retalhado a golpes de tratores,
O campo se converte em toucado de flores.

A semente largada à cova estranha e escura
Renasce do abandono, em beleza e verdura.

A árvore na poda, humilhada e desfeita,
Acrescenta a abastança e a força da colheita.

Da rocha perfurada a fonte se descerra,
Espalhando conforto e enriquecendo a terra.

Posto ao calor gigante, em supremo embaraço,
O minério dá forma às estruturas de aço.

Madeira que o serrote alinha, morde e apara
Faz-se na construção a peça nobre e rara.

Pérola de alto preço em brilho evanescente
É riqueza a surgir de uma ostra doente.

O pão que, em todo o mundo, é divino legado
É um presente do Céu no trigo massacrado.

Água que se sujeita aos preceitos da usina
Gera auxílio e poder, revigora e ilumina.

Assim também, alma querida e boa,
Ante a luz do trabalho, dia a dia,
Na lei da evolução para crentes e ateus,
A presença da dor que nos fere e avalia
É socorro da vida e proteção de Deus.


Maria Dolores







sábado, 28 de agosto de 2021

Maria Dolores - Livro Chico Xavier, Coração Missionário - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 14 - Petições




Maria Dolores - Livro Chico Xavier, Coração Missionário - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 14


Petições


Peço água porque tenho sede,
Teria dito o Senhor
À mulher samaritana, 
Ele que lhe poderia dar essências de amor.
Para iluminar-lhe a vida humana.

Muitos de nós atualmente pedimos futilidades e miragens,
Quando precisamos de paz, amor e luz.
Aprimoremos, irmãos, nossas preces e pedidos,
Em nos dirigindo à Bondade de Jesus.


Maria Dolores




Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, na noite de 17.07.1999, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece em Uberaba - MG.

domingo, 1 de agosto de 2021

Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 1 - Palavras da Vida




Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 1


Palavras da Vida


Levanta-te, cada dia,
Pensa em Deus, louva e agradece,
Mesmo num lance de prece
A bênção de trabalhar
E cumpre as obrigações
Que a vida te deu às horas,
Doando a paz onde moras,
Partindo do próprio lar.

Se resguardas na lembrança
Alguma ofensa sofrida,
Deixa ofensa esquecida
Na luz eterna do bem;
Não busques descanso inútil,
Trabalho é apoio preciso,
Não afastes teu sorriso
Do coração de ninguém.

Exerce a beneficência…
Das palavras benfazejas,
Se não tens o que desejas,
Contenta-te no que tens;
Às vezes, para quem sofre,
Um momento de alegria
No abraço de simpatia
É sempre o melhor dos bens.

Nunca esmoreças. Trabalho
Aprimora o mundo todo,
Muita flor nasce do lodo
Muito amparo vem da dor…
Serve, ensina e reconforta
Na fé viva que te alcança,
Entre as luzes da esperança
Começa o reino do amor.


Maria Dolores







quarta-feira, 28 de julho de 2021

Maria Dolores - Livro Seara de Fé - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15 - Vida e amor




Maria Dolores - Livro Seara de Fé - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15


Vida e amor


Ante as provas do mundo a que a vida te lance,
Não te sintas a sós, alma querida,
O amor é a luz dos Céus, em toda parte,
Para a sustentação da própria vida.

Se algo te fere o coração ou pisa o sonho,
Não chores, nem te inclines para trás,
Ama, serve e prossegue construindo
Que o bem se te fará conforto e paz.

Fui ao campo aprender simplicidade
E admirada vi, de alma surpresa,
Que toda a evolução do homem se realiza
Pelo extremado amor da Natureza.

O Solo me explicou: — há milênios recolho
Lixo, pancadaria, lodo e estrume
Mas devo responder aos golpes recebidos
Com celeiros de pão e vagas de perfume.

A Pedreira me disse: — o martelo me oprime,
A dinamite me estraçalha e arrasa
Para doar ao homem segurança,
Na proteção de sua própria casa.

Ouvi, no subsolo, a raiz da Roseira
A esclarecer-me sem quaisquer rancores:
— Ouço dizer que tenho rosas lindas,
Mas nunca vi as minhas próprias flores.

Disse o Minério Bruto: — sei que o fogo
Purificar-me-á, de pedaço em pedaço,
Enviando-me ao corpo do Progresso
Por vínculos de apoio e nervos de aço…

Então reconheci que, em toda a Terra,
Do recurso mais nobre aos mais plebeus
A vida inteira brilha e se aprimora
Sobre o amor e o perdão da grandeza de Deus.


Maria Dolores








quinta-feira, 15 de abril de 2021

Maria Dolores - Livro Antologia da Espiritualidade - Chico Xavier - Cap. 26 - Onde




Maria Dolores - Livro Antologia da Espiritualidade - Chico Xavier - Cap. 26


Onde


Onde escutes a voz
Que blasfema, ironiza, amaldiçoa,
Não ponhas discussão agravando o azedume;
Ao invés de revide,
Usa sem mágoa o verbo que abençoa.

Onde o crime enlameie,
Com temerários ímpetos de fera,
A face da existência,
Não atires instinto contra instinto,
Semeia a tolerância! Ajuda e espera!…

Onde o erro domine,
Entretecendo cárceres e dores,
Não deites pedras no caminho alheio,
Patenteia a verdade sem reproche,
Dando bondade e luz por onde fores.

Onde o fracasso grite,
No cortejo de sombras em que avança,
Não repouses no chão de desalento,
A ninguém desanimes…
E recupera o clima da esperança.

Onde o mal apareça,
Azorragando o mundo sofredor,
Procuremos com Deus a Infinita Bondade
E sejamos em paz, pelos dons do serviço,
Uma bênção de amor.


Maria Dolores






segunda-feira, 12 de abril de 2021

Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 6 - Não digas




Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 6


Não digas


Não digas: “não sou feliz”
Ante a dor que te acrisola;
A Terra é sublime escola,
Lembrando imenso jardim;
Fita o quadro que te cerca:
Do mar às mínimas fontes
Do abismo ao topo dos montes,
Tudo é vida aos Céus sem fim.

Não fales que vês apenas
Seres fracos e infelizes,
Trevas, chagas, cicatrizes,
Tristeza, nódoa, pesar…
Recorda que não cresceste,
Sem apoio, sem afetos,
Sem os laços prediletos
Que brilham no próprio lar.

Não fales que a solidão,
Fez-se-te o mal sem remédio,
Que nada te cura o tédio
Que não sabes de onde vem;
Sai de ti mesmo e olha em torno:
Verás, por todos os lados,
Os irmãos infortunados
Rogando o amparo de alguém.

Não digas que tudo falha,
Que acima de qualquer crença,
Vale mais a indiferença
Dos que se fazem ateus;
Conta as forças que te apoiam…
Decerto perceberás
Que a luta é o preço da paz
E tudo é bênção de Deus.


Maria Dolores





(Anuário Espírita 1978)

terça-feira, 2 de março de 2021

Maria Dolores - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 14 - Os temas da prece - Petição a Jesus




Maria Dolores - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 14


Os temas da prece 


“Em nossa reunião pública dedicada às comemorações do nascimento do nosso benemérito amigo Dr. Bezerra de Menezes, a lição de O Evangelho Segundo o Espiritismo  trazida a estudo foi o item 22 do capítulo XXVII.

A nossa Instituição recebia, nessa noite, a visita de mais de uma centena de irmãos de várias cidades e os temas da prece animaram vivamente todos os comentários. Quase todas as explanações versaram sobre a maneira de pedir ou de agradecer, sobre o que devemos rogar aos céus e como dialogar com a Espiritualidade Maior.

Encerrando as tarefas da noite, a nossa benfeitora espiritual Maria Dolores, por nosso intermédio, escreveu a página “Petição a Jesus” que nos comoveu muito. Prometi à maioria dos companheiros que faria ao caro Professor a remessa dessa oração de nossa irmã, na ideia de tê-la enriquecida com os seus apontamentos.”

Chico Xavier



Petição a Jesus


Senhor!

Perante os que se vão
Sob nuvens de pó e rajadas de vento,
Dá-me o dom de sentir
No próprio coração
A chaga e o sofrimento
Que carregam consigo
Por fardos de aflição…
Faze, Divino Amigo,
Ante a dor que os invade,
Que eu lhes seja migalha de conforto
Na travessia da necessidade.

Agradeço-te os olhos: que me deste,
Espelhos claros com que me permites
Fitar fontes e flores
Ante o céu sem limites…
Mas rogo-te, Senhor,
Ajuda-me a estender a luz em que me elevas
Cooperando contigo, embora humildemente,
No socorro constante aos que jazem nas trevas.

Rendo-te graças pela minha voz
Que te pode louvar
E engrandecer-te sem qualquer barreira
De inibição, de forma, de lugar…
Entretanto, Jesus, aspiro a estar contigo,
Em singela tarefa que me dês
No apostolado com que recuperas
Nossos irmãos atados à mudez.

Agradeço os ouvidos
Em que o discernimento se me apura
Ao escutar o verbo e a música da vida
Na ascensão à cultura.
Consente-me, porém, o privilégio
De repartir o amor com que me assistes
Revigorando a quantos se fizeram
Retardados ou tristes.

Agradeço-te as mãos que me cedeste
Para dar-me ao trabalho que te peço
Na atividade do cotidiano
Em demanda ao progresso.
Aprova-me, no entanto, o propósito ardente
De partilhar contigo o serviço fecundo
Com que amparas a todos os enfermos
Que vivem sob a inércia entre as provas do mundo!

Agradeço-te o lar que me descansa
No calor da ternura em que me aqueço,
Meu veludoso ninho de esperança,
Meu tesouro sem preço…
Mas deixa-me seguir-te, lado a lado,
No concurso espontâneo, dia a dia,
A fim de que haja abrigo a todos os que passam
Suportando sem teto a chuva e a noite fria!

Rendo-te graças, incessantemente,
Por tudo o que, em teu nome, o caminho me traz,
— A compreensão, a luz, o estímulo, o consolo,
O apoio, a diretriz, a experiência, a paz…
Não me largues, porém, no exclusivismo vão
De tudo o que me dês, ajuda-me, Senhor,
A dividir também com os outros que te esperam
A mensagem de fé e a presença de amor!


Maria Dolores








sábado, 27 de fevereiro de 2021

Maria Dolores - Livro Caminhos do Amor - Chico Xavier - Cap. 16 - Segue adiante




Maria Dolores - Livro Caminhos do Amor - Chico Xavier - Cap. 16


Segue adiante


Alma querida, às vezes te lamentas,
Vertendo pranto amargo às escondidas…
Sofres, na solidão, as horas lentas
De quem busca no arquivo das lembranças
Abrir de novo chagas esquecidas.

E padeces em vão e em vão te cansas,
Sob a angústia mortal com que te importas…
Mágoas passadas, lutas, cicatrizes,
Recordações de instantes infelizes
Nas quais te desconfortas.

Entretanto, alma boa,
Se alguém se te fez causa de amargura,
Segue à frente e perdoa…
Não te detenhas na clausura
Do pranto inútil que te desarvora.

Mesmo de coração alquebrado e sozinho
Procura compreender
Que além de cada noite no caminho
Haverá sempre um novo amanhecer.

Não tentes reaver
Os ídolos tombados sob o vento
Do desengano, erguido em sofrimento,
Que já varaste pela estrada afora.

Se a semente fugisse
De suportar a morte em seu próprio reduto,
Que seria da planta a levantar-se eleita?
E se a flor não caísse
Que seria do fruto
Destinado a manter a vida na colheita?
Se a fonte receasse
A pedreira de lâminas que a corta
E, às súbitas, parasse,
Todo campo traria sobre a face
Um charco de água morta.

Assim também, alma sempre querida,
Não te entregues à sombra e à solidão,
A fim de lastimar os desgostos da vida…
Segue adiante e verás!

Quanta gente a esperar-te o coração
Suplicando-te apoio, afeto e paz?!
Quantas almas lutando a esmolar-te esperança,
Quanta desolação, quanto lamento,
Quanta crença a tremer na insegurança,
Quanta angústia a rogar-te o alívio de um momento?!…

Alma fraterna, escuta,
Não desprezes a fé, nem desistas da luta,
Esquece-te e prossegue, ama, eleva e auxilia!…

Dor é bênção do Céu que nos conduz
A caminhar servindo, dia a dia…
Por ela encontrarás chorando de alegria
A grandeza do Amor na vitória da Luz!…


Maria Dolores





Fonte: