quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 16 - Extensão da alma



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 16


Extensão da alma


"...Amai, pois, vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento da alma; desconhecer as necessidades que são indicadas pela própria Natureza é desconhecer a lei de Deus. Não o castigueis pelas faltas que o vosso livre-arbítrio fê-lo cometer, e das quais ele é tão irresponsável como o é o cavalo mal dirigido, pelos acidentes que causa..." (Cap. 17, Item 11)

Ele se densificou moldado por nossos pensamentos, obras e crenças mais íntimas. Extensão da própria alma, ele é a parte materializada de nós mesmos e que nos serve de conexão com a vida terrena.

Há quem o despreze, dizendo que todas as tentações e desastres morais provêm de suas estruturas intrínsecas, e o culpe pelas quedas de ordem sexual e pelos transtornos afetivos, esquecendo-se de que ele apenas expressa a nossa vida mental.

Foi considerado, particularmente na Idade Média, como o próprio instrumento do demônio, que impunha à alma, nele encarcerada, o cometimento dos maiores desatinos e desastres morais.

Se cuidado e bem tratado, era isto atribuído aos vaidosos e concupiscentes; se macerado e flagelado, era motivo de regozijo dos tementes a Deus e cultivadores da candidatura ao reino dos céus.

Essas crenças neuróticas do passado afiançavam que, quanto maiores as cinzas que o cobrissem e quanto mais agudas as dores que o afligissem, mais alto o espírito se sublimaria, alcançando assim os píncaros da evolução.

Porém, não é propriamente nosso corpo o responsável pelas intenções, emoções e sentimentos que ressoam em nossos atos e atitudes, mas nós mesmos, almas em processo de aprendizagem e educação.

Nossos pensamentos determinam nossa vida e, consequentemente, são eles que modelam nosso corpo. Portanto, somos nós, fisicamente, o produto do nosso eu espiritual.

A crença em anjos rebeldes destinados eternamente a induzir as almas a pecar, tira-nos a responsabilidade pelas próprias ações, e ficamos temporariamente na ilusão de que os outros é que comandam nossos feitos, atuações e inclinações, e não nós mesmos, os verdadeiros dirigentes de nosso destino.

Corpo e alma unidos a serviço da evolução, eis o que determina a Natureza. Nosso físico não é apenas um veículo usável, mas também a parte mais densa da alma.

Não o separaremos, pois, de nós mesmos, porque, apesar de sua matéria ficar na Terra no processo da morte física, é nele que avaliamos as sensações do abraço de mãe, do ósculo afetivo e das mãos carinhosas dos amigos.

Através dele é que podemos identificar angústias e aflições, que são bússolas a nos indicar que, ou quando, devemos mudar nossa maneira de agir e pensar, para que possamos percorrer caminhos mais adequados do que os que vivemos no momento.

A lei divina não nos pede sofrimento para que cresçamos e evoluamos; pede-nos somente que amemos cada vez mais. Cuidemos, pois, de nosso corpo e o aceitemos plenamente. Ele é o instrumento divino que Deus nos concede para que possamos aprender e amar cada vez mais.


Hammed










quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Bezerra de Menezes - Livro Antena Celeste - Azamor Serrão - Cap. 12 - Deus é Pai



Bezerra de Menezes - Livro Antena Celeste - Azamor Serrão - Cap. 12


Deus é Pai


Paz e amor em Jesus Cristo.

Filhos, todos exaltam as perfeições do Criador, menos aqueles que, por não conhecerem a Verdade, se julgam com capacidade suficiente, pela autoridade de que se revestem como “Donos de Deus” e, cegos pelas comodidades aparentes que a vida profana lhes oferece, afirmam a vida única, com as penas eternas que a rebaixam.

E a prova vos dou, tomando fatos humanos, que podem aclarar em vosso entendimento toda a verdade, substituindo tais princípios que ofendem a Suma Perfeição de Deus.

É de simples intuição que, não sendo única a vida corpórea do Espírito, não pode haver penas eternas, nem inferno. Portanto, limitar-me-ei a tratar mais acentuadamente da primeira.

Explique, quem for capaz, o fato tão comum de apresentarem os homens, no desabrochar da vida, disposições opostas em relação ao bem e ao mal, assim como em relação ao saber.

Se somos criados por Deus no momento em que temos de entrar na vida, é incontroverso que a inclinação que manifestamos antes de exercermos a liberdade consciente, não pode ser senão obra de quem nos tirou do nada.

Se é do Criador que recebemos as inclinações com que nascemos, o Criador não é justo, porque dá a uns inclinações acentuadamente boas e dá a outros inclinações acentuadamente más. E tanto menos é justo quando, criando as almas com disposições opostas, lhes toma, no fim da vida, contas iguais, dizendo que tiveram igual liberdade. Não há dúvida de que todos têm liberdade, mas se a de um é auxiliada pela boa inclinação nativa; a de outro é contrariada pela má inclinação nativa? Pode-se exigir igual viagem de dois navios construídos com a mais perfeita igualdade. Mas e se um deles tem mares e ventos a favor e o outro contra?

É o nosso caso, e ele protesta contra a Eterna Justiça na criação e no julgamento das almas.

Na criação, porque repartiu desigualmente as condições de salvação.

No julgamento, porque condena à morte eterna tanto o que tem boa disposição nativa e fez mau uso da liberdade, como o que fez mau uso da liberdade, tendo ruim disposição nativa.

O dogma espírita das vidas múltiplas é que vem defender o Criador da feia acusação que lhe faz o da vida única.

Assim, o progresso depende do maior ou menor esforço que cada um faz, como criatura dotada de liberdade: uns Espíritos têm subido admiravelmente, enquanto outros, no mesmo espaço de tempo, muito têm-se atrasado; e outros ainda ocupam os variadíssimos graus que se notam entre os dois extremos.

Em cada reencarnação o Espírito apresenta inclinações para o bem ou para o mal a que já é afeiçoado, e essa inclinação é conquista sua e não obra do Criador.

Hoje, por permissão do Pai, enobreço-me, por humilde, relatando-vos uma vida em que fui judeu em Jericó.(*)

Vivia como plebeu, cobrador de dízimos, conseguindo, com grandes haveres, fazer fortuna, e para meu desespero de consciência, fui chefe dos publicanos. Passando Jesus por essas terras primícias, arrebanhou muitos pecadores, tendo sido eu um deles. Achava-me sobre um sicômoro, por ser de baixa estatura, para melhor avistá-lo; qual não foi a minha surpresa, de vê-lo chamar-me dizendo: “Hoje me compete entrar em tua casa para levar-te a salvação do teu opróbrio”.

Desci incontinente, desfazendo-me em desculpas pelos meus erros; emocionada a minha consciência, disse que daria aos pobres parte da minha fortuna, pagando em quádruplo aos que fraudei.

Em seguida, indo Jesus à casa de Simão, encheu-se a sala, a casa toda, e do lado de fora aglomerava-se o povo. Ao entrar na sala o Mestre, uma linda mulher, com os cabelos em desalinho, inesperadamente, ajoelhou-se aos pés de Jesus e com suas lágrimas regou-os, enxugou-os com seus cabelos, cingiu-lhe a cabeça com bálsamos finíssimos trazidos em um vaso de alabastro.

Nesse momento, Jesus, apercebendo-se de todas as consciências presentes, com admiração pela maneira como recebia a manifestação de uma mulher pública e como se hospedava em casa de um pecador, falou a Simão da seguinte maneira:

“Aqui entrei e não me deste o ósculo da paz; esta mulher desde que aqui chegou não se cansa de me orvalhar com lágrimas de recesso remorso por sua vida desregrada. Assim, proponho-te a seguinte parábola:

“Eram dois criadores; um devia quinhentos denários, e outro cinquenta. Foram perdoados de suas dívidas, porém, qual deles deve mais agradecer esta dádiva de amor?

Respondeu-lhe prontamente Simão: Por certo, Mestre, o que mais devia.

Julgaste bem, disse Jesus, e voltando-se para a mulher, falou: Muito pecaste e muito amaste; teus pecados são perdoados. Vai e não peques mais, Madalena”.

E Jesus, como médico, e médium de Deus, disse: “Desci à Terra para os enfermos da alma e do corpo”.

Pelo exposto, estas linhas, desde o início, são um resgate da minha vida terrena, uma síntese dessa análise de penitência.

E assim todos de boa vontade que quiserem, façam penitência de suas fraquezas, para melhor trabalharem no espaço, na Seara do Senhor.

Que sirva de consolo e exemplo esta passsagem do Evangelho que a muitos agrada, e a outros não: “A cada um segundo suas obras”, e como filhos do Senhor serão todos recebidos, prometidos em seus tempos, e também: “A quem muito se deu, muito será pedido, e a quem, parecendo nada ter, este pouco lhe será tirado”.

“Mutatis mutandis”, aceitai a vida como se apresenta; parecendo errada, está certa, é o retrocesso a um passado, o aforismo bem diz: “Deus escreve certo por linhas tortas”.

“Dos filhos de Meu Pai nenhum se perderá, por isso não há perdidos nem perdidas; todos serão achados para uma penitência, em expiação, na preparação para o segundo advento, de dois mil não passarás”, disse Jesus. “Voltarei não com esta geração, este céu e esta natureza”.

Os tempos aproximam-se para essa transformação e deslocamento do planeta. E quando houver este fenômeno não fujais; a postos com vossas consciências alertadas e não adormecidas, preparai o voo acertado para o Alto, atendendo ao chamado do clarim; os anjos todos com trombeta fazendo coro à chegada de Jesus em toda a Sua majestade. Serão apartadas as ovelhas dos cabritos, como o dia do juízo final de cada Espírito, para reparação de um débito, e por esse julgamento serão distribuídos para vários planetas. Os esforçados seguirão com o planeta Terra, que ascenderá, vindo para este lugar outro, porque Deus está criando sempre.

É a separação do joio e do trigo. À luz dessa doutrina do Mestre, como caminho certo, sintam todos que o Evangelho é a vida puríssima de Jesus, ampliando em nossos corações novos horizontes. Abençoando a todos com paz, amor e caridade, e em nome de Deus, pedimos: “Estudai o Evangelho”.


Bezerra de Menezes 





(*) Esse testemunho de nosso Patrono, de sua encarnação como Zaqueu, por escrito, é único na literatura espírita, segundo temos conhecimento. O relato anterior, até aqui disponível, era todo oral, feita pelo Espírito Tolstói à abençoada médium Yvone Pereira, quando da recepção do capítulo relativo à palestra desse personagem bíblico, no volume “Ressurreição e Vida,” publicado originalmente em 1964. Vide mais a respeito em “O 13o Apóstolo - As Reencarnações de Bezerra de Menezes”, já citado, no item 2 da Introdução. Vale destacar, ainda, que essa mensagem foi recebida entre 1962 e 1963, antes, portanto, de vir a público a obra de D. Yvone.




terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 1 - Nova era



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 1


Nova era


*E.S.E - Cap. I, Item 9


A Doutrina Espírita marca, para a humanidade, uma nova fase de vida, mostrando o amor de Deus aos Seus filhos, confirmando o que Ele mandara falar aos povos por intermédio de Moisés: a existência de um Deus único, que não se esquece dos Seus filhos, e a continuidade da vida.

Moisés era instrumento dos Espíritos, médium dos instrutores enviados pelo Guia Espiritual da Terra, para entregar a mensagem de vida e os preceitos de educação, de acordo com a elevação dos povos.

Era uma missão difícil de ser cumprida na época do legislador hebreu!

Falava ele como se fosse ouvindo a Deus, mas na verdade ouvia os benfeitores espirituais, enviados por Jesus Cristo.

O tempo passa célere, o mundo submete-se a duras provas e expiações, para o preparo e despertamento das almas, a fim de receber, por misericórdia do Senhor, a presença visível de Jesus, dando o testemunho junto aos homens de que existe o Pai Celestial, e que Ele não abandona os filhos, por ser Deus de amor e de Justiça, Criador de todas as coisas.

Os profetas foram enviados dos Céus à Terra, em várias épocas, no preparo de todos os povos, com a sublime notícia de que iria chegar ao planeta o Rei do mundo, o Guia Espiritual do globo, para a devida educação das criaturas e, para que o povo acreditasse na Sua missão, viria dando luz aos olhos que não enxergassem, levantando os caídos, abençoando os estropiados e curando todas as enfermidades.

E ainda mais: falando de Deus e das Suas leis, como nenhum outro, por ser Ele o filho mais velho, em relação aos que pisaram na casa terrena...

O Cristo de Deus, andando no mundo, sem ser do mundo!

Escolheu a cruz, mostrando à humanidade a confiança n’Aquele que O enviara e perdoando todos os que O crucificaram.

Jesus, com a Sua fala de luz, fez descortinar a visão da continuidade da vida, tanto que anunciava a Sua volta no terceiro dia, o que aconteceu.

Eis aí o mais arrojado acontecimento espiritual no chão de provas nesta casa de expiação: falou e voltou inúmeras vezes, orientando Seus discípulos, não lhes tirando as provas, mas mostrando as lutas por que tinham de passar, mostrando a fé que abre as portas da alegria para o futuro! 

E depois de dezenove séculos, ainda envia o Consolador que prometera, na feição de uma doutrina, para ficar eternamente com a humanidade, doutrina que educa e instrui, que desperta nos corações os valores colocados por Deus na consciência.

E, para despertar esses tesouros dentro de nós, os benfeitores da Verdade nos ensinam e mostram a chave em “O Evangelho Segundo o Espiritismo, pelo Espírito Paulo, o apóstolo dos gentios:

Fora da caridade não há salvação!

Somente a caridade, filha legítima do amor, tem a força de Deus para acordar os valores do coração e da consciência.

Depois de Allan Kardec, entramos na nova era de luz.

A humanidade já está sendo preparada para ouvir uma verdade mais acentuada, de modo a sentir que tudo e todos, sem barreiras de raças ou nações, sem barreira dos mundos que circulam na criação, somos filhos de Deus.

E qual a energia que nos une?

É a que sai do Criador, que denominamos Amor.

O Espiritismo rasga os véus, em se começando nova era; as notícias do além-túmulo confirmam que ninguém morre, e que a reencarnação e a comunicação dos Espíritos com os homens são verdades, renovando os conceitos de vida da humanidade.


Miramez






Instruções dos Espíritos — A nova era.

9. Deus é único e Moisés é o Espírito que ele enviou em missão para torná-lo conhecido não só dos hebreus, como também dos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumento de que se serviu Deus para se revelar por Moisés e pelos profetas, e as vicissitudes por que passou esse povo destinavam-se a chamar a atenção geral e a fazer cair o véu que ocultava aos homens a divindade.

Os mandamentos de Deus, dados por intermédio de Moisés, contêm o gérmen da mais ampla moral cristã. Os comentários da Bíblia, porém, restringiam-lhe o sentido, porque, praticada em toda a sua pureza, não na teriam então compreendido. Mas, nem por isso os dez mandamentos de Deus deixavam de ser um como frontispício brilhante, qual farol destinado a clarear a estrada que a humanidade tinha de percorrer.

A moral que Moisés ensinou era apropriada ao estado de adiantamento em que se encontravam os povos que ela se propunha regenerar, e esses povos, semisselvagens quanto ao aperfeiçoamento da alma, não teriam compreendido que se pudesse adorar a Deus de outro modo que não por meio de holocaustos, nem que se devesse perdoar a um inimigo. Notável do ponto de vista da matéria e mesmo do das artes e das ciências, a inteligência deles muito atrasada se achava em moralidade e não se houvera convertido sob o império de uma religião inteiramente espiritual. Era-lhes necessária uma representação semimaterial, qual a que apresentava então a religião hebraica. Os holocaustos lhes falavam aos sentidos, ao mesmo passo que a ideia de Deus lhes falava ao espírito.

O Cristo foi o iniciador da mais pura, da mais sublime moral, da moral evangélico-cristã, que há de renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos; que há de fazer brotar de todos os corações a caridade e o amor do próximo e estabelecer entre os humanos uma solidariedade comum; de uma moral, enfim, que há de transformar a Terra, tornando-a morada de Espíritos superiores aos que hoje a habitam. É a lei do progresso, a que a natureza está submetida, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca de que Deus se utiliza para fazer que a humanidade avance.

São chegados os tempos em que se hão de desenvolver as ideias, para que se realizem os progressos que estão nos desígnios de Deus. Têm elas de seguir a mesma rota que percorreram as ideias de liberdade, suas precursoras. Não se acredite, porém, que esse desenvolvimento se efetue sem lutas. Não; aquelas ideias precisam, para atingirem a maturidade, de abalos e discussões, a fim de que atraiam a atenção das massas. Uma vez isso conseguido, a beleza e a santidade da moral tocarão os espíritos, que então abraçarão uma ciência que lhes dá a chave da vida futura e descerra as portas da felicidade eterna. Moisés abriu o caminho; Jesus continuou a obra; o Espiritismo a concluirá.

Um Espírito israelita.
Mulhouse, 1861.






Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 148 - Ceifeiros



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 148


Ceifeiros


“Então disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros.” — (MATEUS, 9.37)


O ensinamento aqui não se refere à colheita espiritual dos grandes períodos de renovação no tempo, mas sim à seara de consolações que o Evangelho envolve em si mesmo.

Naquela hora permanecia em torno do Mestre a turba de corações desalentados e errantes que, segundo a narrativa de Mateus, se assemelhava a rebanho sem pastor. Eram fisionomias acabrunhadas e olhos súplices em penoso abatimento.

Foi então que Jesus ergueu o símbolo da seara realmente grande, ladeada porém de raros ceifeiros.

É que o Evangelho permanece no mundo por bendita messe celestial destinada a enriquecer o espírito humano, entretanto, a percentagem de criaturas dispostas ao trabalho da ceifa é muito reduzida. 

A maioria aguarda o trigo beneficiado ou o pão completo para a alimentação própria. 

Raríssimos são aqueles que enfrentam os temporais, o rigor do trabalho e as perigosas surpresas que o esforço de colher reclama do trabalhador devotado e fiel.

Em razão disto, a multidão dos desesperados e desiludidos continua passando no mundo, em fileira crescente, através dos séculos.

Os abnegados operários do Cristo prosseguem onerados em virtude de tantos famintos que cercam a seara, sem a precisa coragem de buscarem por si o alimento da vida eterna. E esse quadro persistirá na Terra, até que os bons consumidores aprendam a ser também bons ceifeiros.


Emmanuel











Bezerra de Menezes - Livro Máximas de Luz - Miramez / João Nunes Maia - Prefácio



Bezerra de Menezes - Livro Máximas de Luz - Miramez / João Nunes Maia


Prefácio


Cabe-nos a alegria de dar as primeiras informações sobre este livro, inspirado em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", uma das obras basilares da Doutrina Espírita, que lava a alma dos que se interessam pela verdade, aquela que busca no reino do coração o mel do amor e o clima da caridade.

Os Espíritos que transmitiram as mensagens, proporcionando a Allan Kardec coordenar "O Evangelho Segundo O Espiritismo" foram enviados por Jesus em nome de Deus, com toda a harmonia de que dispõem: O Amor.

A obra a que nos referimos, na sua profundidade é filha de O Novo Testamento, onde se alimentou na luz da verdade, expressando o amor e a caridade, de modo a que todos os espíritas passem a despertar os valores do coração, entendendo que se deve colocar em prática a força divina, que se expande para transformação das criaturas.

Observando este livro na sua candura, identificaremos os valores das máximas do Evangelho como amparo das almas, no sentido de ser o Consolador prometido por Jesus.

Quando passamos para o mundo espiritual, despertando a consciência, é que nos inteiramos do valor do Espiritismo; isto acontece mesmo com os espíritas, quanto mais com os outros!

A descida de Jesus à Terra, somente o amor poderia explicar, sendo Ele o Guia da humanidade, o que assistiu ao nascimento da própria Terra, sendo o instrumento das forças cósmicas em ação divina, movidas pelo pensamento do Pai, que a entregou ao Seu Filho maior, para coordenar a vida!

A literatura espírita está crescendo de maneira considerável, como bênção do alto, dando seguras informações sobre o mundo espiritual e Inspirando a humanidade sobre as inúmeras modalidades da prática do amor, que é um gênio de mãos incontáveis, no exercício do bem.

Não podemos fugir das leis naturais, que sustentam a criação.

O aprimoramento de todos nós começa na descoberta dessas leis, que até os Espíritos puros respeitam, na dimensão em que vivem.

Os benfeitores espirituais sentem alegria e intensificam sua assistência aos companheiros na Terra que se esforçam para melhorarem, sem os desvios que a vaidade inspira.

Meu irmão, se você já encontrou a Doutrina Espírita, estudando seus conceitos de vida, e se encontra educando-se e instruindo-se, saiba que os obstáculos vêm ao seu encontro, na tentativa de lhe desfazer os nobres ideais.

Busque a fé, passe a ler a vida dos primeiros cristãos, copiando seus passos, e seja firme, porque o sofrimento com Jesus é luz no caminho para a libertação.

Os livros que estão chegando a suas mãos são filtrados pela bênção da mediunidade, mas não pense que esses instrumentos de Jesus estão livres dos obstáculos!

As trevas, de certa forma, apuram as conversações de um plano com o outro.

Sem a dor que a natureza divina lhe faz passar, não há luz do verdadeiro entendimento.

Aquele que passa a semear, já tem seguro o seu plantio.

Façamos a escolha das sementes, porque a justiça é fiel ao seu Criador.

O que damos, recebemos; observemos o que ofertamos.

O prefácio de um livro já passou a ser exigência do leitor, que absorve as informações sobre o mesmo, com prazer, principalmente quando o autor lhe agrada.

Entregamos-lhe este livro, sinal de amor para o seu saudável coração.

Leia-o com atenção, buscando aqui e ali os favos de vida, que logo sentirá sinais do coração, desprendendo benevolência sem favoritismo.

A falta de perdão na Terra é que turva a atmosfera e deixa os semblantes carregados de magnetismo inferior.

Ouça-nos de novo, falamos em nome do Mestre dos mestres: perdoa, porque é no esquecimento das faltas que o seu coração se ilumina, abrindo as portas para a felicidade.

Belo Horizonte, 15 de dezembro de 1990


Bezerra










Emmanuel - Livro Dinheiro - Chico Xavier - Cap. 14 - A pobreza feliz



Emmanuel - Livro Dinheiro - Chico Xavier - Cap. 14


A pobreza feliz


Quem se empobrece de ambições inferiores, adquire a luz que nasce da sede de perfeição espiritual.

Quem se empobrece de orgulho, encontra a fonte oculta da humildade vitoriosa.

Quem se empobrece de exigências da vida física, recebe os tesouros inapreciáveis da alma.

Quem se empobrece de aflições inúteis, em torno das posses efêmeras da Terra, surpreende a riqueza da paz em si mesmo.

Quem se empobrece de vaidade amealha as bênçãos do serviço.

Quem se empobrece de ignorância, ilumina-se com a chama da sabedoria.

Não vale amontoar ilusões que nos enganam somente no transcurso de um dia.

Não vale sermos ricos de mentira, no dia de hoje, para sermos indigentes da verdade, no dia de amanhã.

Ser grande, à frente dos homens, é sempre fácil. A astúcia consegue semelhante fantasia sem qualquer obstáculo.

Mas ser pequenino, diante das criaturas, para servirmos realmente aos interesses do Senhor, junto da Humanidade, é trabalho de raros.

Bem aventurada será sempre a pobreza que sabe se enriquecer de luz para a imortalidade, porque o rico ocioso da Terra é o indigente da Vida Mais Alta e o pobre esclarecido do mundo é o Espírito enobrecido das Esferas Superiores, que será aproveitado na extensão da Obra de Deus.


Emmanuel











Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 27 - Mediunidade atormentada



Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 27


Mediunidade atormentada


Diante das explosões de agressividade sentimental, é preciso considerar não apenas o quadro visível dos companheiros transfigurados de cólera ou desespero.

Se estudas mediunidade e percebes que ela se baseia, acima de tudo, em princípios de sintonia, pondera nas forças desequilibradas que atuam, frequentemente, nessas ocasiões, por trás da pessoa aparentemente sadia.

Na Terra, sempre nos comovemos perante a chapa radiográfica que acusa a presença de moléstia insidiosa em determinado órgão, predispondo-nos à simpatia pelo doente, e quase nunca refletimos na gravidade do processo obsessivo, por enquanto inauscultável pela perquirição humana, a destruir as melhores possibilidades da criatura. 

Semelhante anomalia jaz, muitas vezes, enquistada na constituição psíquica do enfermo, alentando-lhe a ligação com as regiões inferiores e dele fazendo um agente movimentado das inteligências que operam no lado negativo da evolução.

Muito mais do que podemos supor, somos defrontados, no Plano físico, pelos irmãos dominados por elementos vampirizadores, seja por um minuto, uma hora, um dia ou longo tempo.

A própria sabedoria popular já alcançou intuitivamente o problema, definindo a pessoa, transitoriamente sem o controle de si mesma, como sendo alguém que terá entrado, sem perceber, num momento infeliz.

Meditemos, não somente nisso, mas, de igual modo, na condição mediúnica de que todos somos portadores, nas faculdades do Espírito, quando essa condição sem disciplina e esclarecimento se vê presa, de repente, num círculo magnético de aguilhões constrangedores.

Muitos crimes se cometem e muitos desastres se verificam, unicamente por falta de alguém, com bastante capacidade de entendimento, para levantar o dique do amparo fraterno, ante as arrasadoras projeções do mal.

Pensa em torno disso e ajuda, onde raros irmãos, até agora, conseguem suficiente visão íntima para a prestação de socorro que se faz necessário.

Se já compreendes o poder da hipnose sobre as criaturas que ainda não se ajustaram às leis da vida mental, ergue a muralha defensiva da bondade e da compreensão, do silêncio ou da prece, à frente dos companheiros que a ira ou a inconformação coloca em desgoverno sentimental!… 

Ninguém consegue calcular os estragos do incêndio, causado por mera faísca atiçada pelo descuido, tanto quanto ninguém consegue avaliar a colheita de bênçãos que fluirá de um simples gesto de auxílio, revestido de amor.


Emmanuel







TEMA — Mediunidade e disciplina.