Miramez - Livro Cristos - João Nunes Maia - Cap. 36
Cristo-Consciência
"Por isso também me esforço por ter sempre consciência pura, tanto diante de Deus como dos homens." — PAULO (Atos, 24:16)
Cristo-Consciência manifesta-se com mais visibilidade no campo consciencial, cuja área domina todo o corpo espiritual e físico, e é esse Cristo em nós que precisa acordar no esplendor da Sua luz, para nos guiar acertadamente na vida.
Consciência pura só o é aquela que já dominou todos os instintos inferiores, computando forças elevadas e manifestando entendimento em todos os rumos que se identificam como tal.
O ser humano é um viajor infinito, dotado de capacidade indescritível, de sorte a gravar todas as experiências e selecionar as mais válidas, que lhe servem de projeto seguro na subida aos altiplanos da consciência maior.
E para tal, a alma haverá de convocar todas as suas forças internas e meios coadjuvantes externos, para que possa se libertar, despertando os seus próprios dons, para o engrandecimento e nobreza do seu ser.
O autoesforço deve ser constante em todas as linhas de atividades, porque a maior vitória do espírito é quando conhece a si mesmo e vence as suas próprias inferioridades, passando a ser um Cidadão Cósmico, por não depender de carmas para evoluir, nem de sofrimentos para despertar suas qualidades de ouro que o levam a felicidade.
Tem uma serenidade imperturbável em quaisquer condições em que se encontre, vendo na vida somente o bem e o amor; nunca vê as coisas encobertas pela escuridão, antes, vive em plena claridade, por ser ele e o sol Um.
Quando o Mestre dirige a consciência do Seu aprendiz, acontece o fenómeno que Pedro recorda, na conversa com os onze discípulos e relatado por Joel (Atos, 2:16 e 17): “haveria uma hora, ou um dia, em que o espírito derramaria sobre toda a carne e falaria pela boca daqueles que Deus convocasse para esse esplendor do céu”.
É o transe mediúnico dos dias atuais, aquele em que o Evangelho é disseminado com amplitude e em que o comportamento do espírito é iluminado pela vivência dos mais altos preceitos da Boa Nova.
De vez em quando parecia que os participantes do colégio apostolar estavam embriagados, e de fato estavam, mas pela luz Celestial.
Era, com todo o seu vigor, o Cristo como mediador entre eles e Deus.
O Mestre, como Espírito Santo, dividia trabalho para toda a falange de anjos, nos difíceis empenhos de todos os tipos de faculdades de que porventura eram dotados os companheiros de Jesus, curando enfermos, consolando os tristes e anunciando o Reino da Luz para todas as criaturas.
Lembremos aqui a palavra de Jesus Cristo a Marta, quando ela se preocupava com várias coisas em seu lar e não achava bom que Maria ficasse somente ouvindo Jesus e O adorando, no despertamento do Amor: Mas uma só é necessária e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.
Deixa que o Amor comande a tua consciência, que o Amor dirija o teu coração, que o Amor seja o ponto central da tua vida!
O mais te será dado por misericórdia.
O Amor despertará tudo o mais em teus caminhos, porque ele, nos garante um evangelista, é o clima de Deus.
E ainda mais, ele é como Cristo nas consciências dos espíritos.
E depois que desfrutares destes benefícios, repetirás com os apóstolos:
Por isso também me esforço por ter sempre consciência pura, tanto diante de Deus como dos homens.

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