quinta-feira, 2 de julho de 2026

Marco Prisco - Livro Glossário Espírita-Cristão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 88 - Siga Você



Marco Prisco - Livro Glossário Espírita-Cristão - Divaldo Pereira Franco - Cap. 88


Siga Você


"Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações não lhes apreendem as consequências, nem o alcance moral, ou, se os apreendem, não os aplicam a si mesmos." (E.S.E. Cap. 17, item 4)


Cultive a sinceridade, mas não intente a modificação do caráter alheio a golpes de verdades rudes.

Representa facilidade comum a repreensão, sendo, porém, muito complexa a tarefa da correção para quem realmente deseja cooperar.

Desenvolva a austeridade em todos os seus atos; no entanto, evite a aparência de superioridade moral entre as pessoas de suas relações.

Austeridade é meio de sublimação íntima, e não azorrague disfarçado com que se ferem "crianças espirituais".

Guarde a sinceridade na palavra e na ação; todavia, evite a máscara da rigidez muscular na face e sorria.

Imobilidade no rosto não expressa virtude, sendo, muitas vezes, manifestação de suplício interior.

Exercite a introspecção qual mergulhador de pérolas no oceano da alma; contudo, procure horas propícias para fazê-lo.

A vida moderna exige atividade renovada em todo lugar.

Apague o cansaço da expressão facial enquanto você permanece em serviço, mas não diga a ninguém.

O salário do trabalhador é a fecundidade da sementeira.

Busque o que lhe seja útil e santo; porém, não exija que os outros tenham os mesmos ideais.

A evolução registra sua marcha com múltiplas estacas.

Ligue-se ao bem comum em nome de todos; no entanto não force os demais a se ligarem a seu empreendimento, mesmo que seja o melhor, em sua opinião.

A gota d'água se une a outra gota d'água e, unidas, fazem correr filetes que se perdem no grande mar.

Anote os chamados do Cristo, no cerne de sua alma, e entregue seus caminhos a Ele.

Não espere, porém, que os demais amigos sigam com você.

Muitos ouvem, mas não entendem.

Escutam e não discernem.

Veem e não distinguem.

Participam, mas não vibram em sintonia.

Você constatará que pessoas ilustres e amigos diletos falam em dever e repetem expressões de Jesus, dispondo de largos depósitos de valores sem uso, mas, por enquanto, encontram-se muito empenhados nas ilusões da forma, enganados pelas fantasias da mente, sem poderem seguir.

Que espera você? - Siga!


Marco Prisco







O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XVII — Sede perfeitos

Os bons espíritas.

4. Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o Espiritismo leva aos resultados acima expostos, que caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro. O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.

Muitos, entretanto, dos que acreditam nos fatos das manifestações não lhes apreendem as consequências, nem o alcance moral, ou, se os apreendem, não os aplicam a si mesmos. A que atribuir isso? A alguma falta de clareza da doutrina? Não, pois que ela não contém alegorias nem figuras que possam dar lugar a falsas interpretações. A clareza é da sua essência mesma e é donde lhe vem toda a força, porque a faz ir direto à inteligência. Nada tem de misteriosa e seus iniciados não se acham de posse de qualquer segredo, oculto ao vulgo.

Será então necessária, para compreendê-la, uma inteligência fora do comum? Não, tanto que há homens de notória capacidade que não a compreendem, ao passo que inteligências vulgares, moços mesmo, apenas saídos da adolescência, lhes apreendem, com admirável precisão, os mais delicados matizes. Provém isso de que a parte por assim dizer material da ciência somente requer olhos que observem, enquanto a parte essencial exige um certo grau de sensibilidade, a que se pode chamar maturidade do senso moral, maturidade que independe da idade e do grau de instrução, porque é peculiar ao desenvolvimento, em sentido especial, do Espírito encarnado.

Nalguns, ainda muito tenazes são os laços da matéria para permitirem que o Espírito se desprenda das coisas da Terra; a névoa que os envolve tira-lhes a visão do infinito, donde resulta não romperem facilmente com os seus pendores, nem com seus hábitos, não percebendo haja qualquer coisa melhor do que aquilo de que são dotados. Têm a crença nos Espíritos como um simples fato, mas que nada ou bem pouco lhes modifica as tendências instintivas. Numa palavra: não divisam mais do que um raio de luz, insuficiente a guiá-los e a lhes facultar uma vigorosa aspiração, capaz de lhes sobrepujar as inclinações. Atêm-se mais aos fenômenos do que à moral, que se lhes afigura cediça e monótona. Pedem aos Espíritos que incessantemente os iniciem em novos mistérios, sem procurar saber se já se tornaram dignos de penetrar os arcanos do Criador. Esses são os espíritas imperfeitos, alguns dos quais ficam a meio caminho ou se afastam de seus irmãos em crença, porque recuam ante a obrigação de se reformarem, ou então guardam as suas simpatias para os que lhes compartilham das fraquezas ou das prevenções. Contudo, a aceitação do princípio da doutrina é um primeiro passo que lhes tornará mais fácil o segundo, noutra existência.

Aquele que pode ser, com razão, qualificado de espírita verdadeiro e sincero, se acha em grau superior de adiantamento moral. O Espírito, que nele domina de modo mais completo a matéria, dá-lhe uma percepção mais clara do futuro; os princípios da doutrina lhe fazem vibrar fibras que nos outros se conservam inertes. Em suma: é tocado no coração, pelo que inabalável se lhe torna a fé. Um é qual músico que alguns acordes bastam para comover, ao passo que outro apenas ouve sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más. Enquanto um se contenta com o seu horizonte limitado, outro, que apreende alguma coisa de melhor, se esforça por desligar-se dele e sempre o consegue, se tem firme a vontade.







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