sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 46 - A água fluida



Emmanuel - Livro Segue-me - Chico Xavier - Cap. 46


A água fluida

 
“E qualquer que tiver dado só que seja um copo d’água fria, por ser meu discípulo, em verdade vos digo que, de modo algum, perderá o seu galardão.” — JESUS (Mateus, 10.42)

Meu amigo, quando Jesus se referiu à bênção do copo de água fria, em seu nome, não apenas se reportava à compaixão rotineira que sacia a sede comum. Detinha-se o Mestre no exame de valores espirituais mais profundos.

A água é dos corpos mais simples e receptivos da Terra. É como que a base pura em que a medicação do Céu pode ser impressa através de recursos substanciais de assistência ao corpo e à alma, embora em processo invisível aos olhos mortais.

A prece intercessória e o pensamento de bondade representam irradiações de nossas melhores energias.

A criatura que ora ou medita exterioriza poderes, emanações e fluidos que, por enquanto, escapam à análise da inteligência vulgar, e a linfa potável recebe-nos a influenciação, de modo claro, condensando linhas de força magnética e princípios elétricos que aliviam e sustentam, ajudam e curam.

A fonte que procede do coração da Terra e a rogativa que flui do imo dalma, quando se unem na difusão do bem, operam milagres.

O Espírito que se eleva na direção do Céu é antena viva captando potenciais de natureza superior, podendo distribuí-los a benefício de todos os que lhe seguem a marcha. Ninguém existe órfão de semelhante amparo.

Para auxiliar a outrem e a si mesmo bastam a boa vontade e a confiança positiva.

Reconheçamos, pois, que o Mestre quando se referiu à água simples, doada em nome de sua memória, reportava-se ao valor real da providência a benefício da carne e do espírito, sempre que estacione através de zonas enfermiças.

Se desejas, portanto, o concurso dos Amigos Espirituais, na solução de tuas necessidades físiopsíquicas ou nos problemas de saúde e equilíbrio dos companheiros, coloca o teu recipiente de água cristalina à frente de tuas orações, espera e confia. 

O orvalho do Plano Divino magnetizará o liquido com raios de amor em forma de bênçãos e estarás, então, consagrando o sublime ensinamento do copo de água pura, abençoado nos Céus.


Emmanuel








(Reformador, fevereiro de 1951, p. 26)

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Bezerra de Menezes - Livro Queda e Ascensão da Casa dos Benefícios - Chico Xavier - 2ª Parte - Preceitos à iluminação do Espírito - Cap. 19 - Amor fraternal



Bezerra de Menezes - Livro Queda e Ascensão da Casa dos Benefícios - Chico Xavier - 2ª Parte - Preceitos à iluminação do Espírito - Cap. 19


Amor fraternal


Que nossas fraquezas se transformem nas energias reconstrutoras que a atualidade reclama; que a boa vontade se transubstancie em acentuado valor dentro de nossos círculos, e que a fé persista em nós, ardente e viva, no imo do ser, convencidos, quanto devemos estar de nossa desvalia humana, na condição de encarnados e desencarnados, mas não menos convictos de que a obra é a concretização da Divina Vontade e o objetivo, as aspirações de nosso sentimento, das operações de nosso raciocínio e, sobretudo, do labor de nossas mãos. (1)

Com a permissão do Senhor, muita luz tem sido acesa nas sombras, muito pão espiritual tem sido derramado em favor dos famintos, e muita água viva tem sido arrojada à garganta seca de inúmeros viajores da existência que se transviaram, além do túmulo. (2 )

Uma revisão mesmo ligeira nos caminhos percorridos faz muito bem à alma e, por esta razão, é um consolo para nós a certeza de que persistimos, estrada afora, buscando o melhor que somos capazes de encontrar para reter conosco aquilo de melhor que já somos habilitados a fazer. (3)

Estamos juntos, à maneira de um grupo fraterno em viagem. A árvore do amor oferece-nos descanso nas fontes da esperança e paz que se lhe desabrocham nas raízes. Somos felizes porque confiamos no Cristo, Nosso Senhor e Mestre e, também, felizes porque o privilégio do trabalho nos felicita as mãos e os corações.

A serenidade e a prudência nunca perdem nas questões delicadas, nas quais muitas vezes nos achamos envolvidos, em decorrência dos objetivos de nosso próprio trabalho. (4)


Bezerra de Menezes








(1) De mensagem recebida em 28.10.1949
(2) De mensagem recebida em 18.08.1953
(3) De mensagem recebida em 24.01.1974
(4) De mensagem recebida em 1981



Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 85 - Fé - Fonte divina: oração



Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 85


Fé - Fonte divina: oração


A fé é fonte divina, gerada na fonte maior que sustenta a vida. A confiança é como a lavoura, que precisa ser irrigada permanentemente com o clima da oração, para que se multiplique a paz, garantindo a tranquilidade, na substância do amor.

Podemos curar os outros pelo poder da fé, como também curar a nós mesmos por ela; basta confiarmos em Deus, que é a Fonte Energética do amor universal. Nada poderemos fazer se não confiarmos no Senhor e em nós mesmos; é o poder da mente, em plena harmonia com a Mente Divina.

Quando desconfiamos do que fazemos, principalmente ante um enfermo que nos pede amparo, nada podemos dar, porque a nossa mente negativa isola todo o suprimento que vem da força maior.

O cristão assinala a si mesmo pela fé, e pode fazer grandes coisas, confiando em Deus, em Jesus e nele próprio. Deus tem de tudo com abundância; Suas bênçãos nunca faltam para quem tem convicção daquilo que deseja receber.

Observa o Evangelho, a vida do Mestre: por onde passava, estimulava a fé nos corações, curando os enfermos e dando confiança aos desesperados. E nesta assertiva devemos trilhar, aumentando nossa confiança, exercitando os valores que existem dentro de nós.

Se Deus se encontra dentro de nós assim como Jesus, o que mais nos falta, para mover a força d’Eles em nossa mente? Basta-nos a fé, a força divina. Essa fonte de luz se encontra em nossa intimidade, sendo capaz de remover montanhas de enfermidade e de imperfeições, e nos encher de esperança, nos fazendo sentir o amor de Deus e ao próximo como se fosse a nós mesmos, vivendo plenamente com o Cristo em nós, sendo “motivo de glória”, no dizer de Paulo de Tarso.

Meu irmão, sempre falamos na oração, porque ela nos ambienta para a fé; ela nos prepara para o novo nascimento, aquele que o entendimento do amor nos reveste de luz, para alcançar a felicidade.

Essas simples mensagens, que dedicamos aos companheiros da Terra ainda na carne, de certo modo são para ajudá-los a encontrar a Deus nas suas intimidades e, sendo assim, encontrarão a verdadeira CURA.

O homem precisa aprender a curar-se a si mesmo, pela força divina que se encontra no seu mundo íntimo. Isso é para o futuro, mas devemos começar agora, no aprimoramento das qualidades espirituais que temos na mesma faixa dos anjos, sendo que, em nós, elas ainda dormem, mas a luz do Cristo em nós saberá acordá-las.

Convém dedicar-te mais aos trabalhos da caridade, para que nasça em ti a luz de Nosso Senhor, que somente transita pelos fios do amor.

Ama a Deus, ama a Jesus, ama a ti mesmo, ama a tudo, que esse amor se converterá, com o tempo, em felicidade para os teus caminhos. A natureza não se esquece de devolver, na forma de bênçãos de Deus, a quem se faz portador da Luz.

Mantém a tua fonte divina, amparando o próximo, que a tua salvação estará garantida pelas vias da caridade. Tem fé, que esta fé te iluminará para sempre, fazendo-te movimentar com os anjos, no reino dos Céus.


Miramez






VÍDEO:

Audiobook do livro Cura-te a ti mesmo - Espírito Miramez
@patypenna10



Cura-te a ti mesmo - Miramez - João Nunes Maia



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 133 - Em torno da liberdade



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 133


Em torno da liberdade


“Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne; antes, pelo amor, servi-vos uns aos outros.” — PAULO (Gálatas, 5.13)


Quanto mais se agiganta a evolução intelectual da Terra, mais se propalam reclamos em torno da liberdade.

Há povos que se batem por liberdade mais ampla.

Aparecem os chamados campeões da liberdade, levantando quartéis de opressão e esfogueadas legendas de rebeldia.

Fala-se em mais liberdade para a juventude. Pede-se liberdade para a criança.

No entanto, basta uma vista de olhos, nas máquinas aperfeiçoadas do mundo moderno, para que se reconheça o impositivo inevitável da disciplina.

O automóvel chispa, vencendo barreiras, mas, se o motorista foge do equilíbrio ao volante ou se desobedece aos sinais do trânsito, o acidente sobrevém.

O avião devora distâncias, transportando o homem, através de todos os continentes, no espaço de poucas horas; todavia, se o piloto não atende aos planos traçados na direção, o desastre não se faz retardio.

Louvemos a liberdade, sim, mas a liberdade de construir, melhorar, auxiliar, elevar…

Ninguém, na Terra, foi mais livre que o Divino Mestre. Livre até mesmo da posse, da tradição, da parentela, da autoridade. Entretanto, ninguém mais do que ele se fez escravo dos Desígnios Superiores, para beneficiar e iluminar a comunidade.

Eis porque nos adverte o apóstolo, sensatamente: “Fostes chamados à liberdade, mas não useis a liberdade, favorecendo a devassidão; ao invés disso, santifiquemos a liberdade, através do amor, procurando servir.”


Emmanuel









(Reformador, abril de 1963, p. 74)

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Caminhos de Volta - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 24 - Necessidade de paz



Emmanuel - Livro Caminhos de Volta - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 24


Necessidade de paz 


Achávamo-nos em Pedro Leopoldo, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, aguardando a reunião pública de estudos da nossa consoladora Doutrina. Falávamos de paz, da necessidade da paz no atual momento em nossos caminhos na Terra. Considerávamos a vigilância que nos cabe observar nas atitudes e ocorrências do dia a dia.

Convidados aos trabalhos, O Evangelho Segundo o Espiritismo (1) nos deu a exame o item 9 do seu capítulo IX, intitulado “A Cólera”, e vários confrades fizeram valiosas apreciações do assunto. Ao término da reunião, foi Emmanuel o mensageiro desta página psicografada.


Bombeiros de Deus


Temos diversas formas de auxiliar:

suprimir a penúria;

estender a beneficência;

criar a generosidade;

consolar o sofrimento.

Existe, porém, uma delas ao alcance de todos e que pode ser largamente exercida em qualquer lugar: o donativo da calma nos momentos atribulados da vida.

Recorda os bens espirituais que consegues distribuir e não marginalizes semelhante recurso.

Diante de reclamações e críticas, usa a tolerância que estabeleça a harmonia possível entre acusados e acusadores;

recebendo injúrias e ofensas, silencia e esquece os desequilíbrios de que porventura te fizeste vítima, sustando calamidades da delinquência;

perante a agressividade exagerada de alguém, guarda a serenidade que balsamize corações e pacifique ambientes;

encontrando veículos de discórdia, emprega o entendimento que afaste choques e conflitos capazes de suscitar azedume e perturbação.

Em qualquer lance difícil da existência, dispões da possibilidade de atuar beneficamente com os recursos da bondade e da compreensão que entretecem a garantia da paz.

Lembra a faísca lançada impensadamente quando se transforma em fogo descontrolado e devorador. Qualquer criatura, quando se mostre agindo sem noção de responsabilidade, pode gerar incêndios lamentáveis, destruindo os mais altos valores da vida.

Por isso mesmo, onde estivermos, sejamos nós os bombeiros de Deus.


Emmanuel






(1) - A cólera 

O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes uma comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece; que sucede então? Entregais-vos à cólera.

Pesquisai a origem desses acessos de demência passageira que vos assemelham ao bruto, fazendo-vos perder o sangue-frio e a razão; pesquisai e, quase sempre, deparareis com o orgulho ferido. Que é o que vos faz repelir, coléricos, os mais ponderados conselhos, senão o orgulho ferido por uma contradição? 

Até mesmo as impaciências, que se originam de contrariedades muitas vezes pueris, decorrem da importância que cada um liga a sua personalidade, diante da qual entende que todos se devem dobrar.

Em seu frenesi, o homem colérico a tudo se atira: à natureza bruta, aos objetos inanimados, quebrando-os porque lhe não obedecem. Ah! se nesses momentos pudesse ele observar-se a sangue-frio, ou teria medo de si próprio, ou bem ridículo se acharia! Imagine ele por aí que impressão produzirá nos outros. Quando não fosse pelo respeito que deve a si mesmo, cumpria-lhe esforçar-se por vencer um pendor que o torna objeto de piedade.

Se ponderasse que a cólera a nada remedeia, que lhe altera a saúde e compromete até a vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima; mas, outra consideração, sobretudo, devera contê-lo, a de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tem coração, não lhe será motivo de remorso fazer que sofram os entes a quem mais ama? E que pesar mortal se, num acesso de fúria, praticasse um ato que houvesse de deplorar toda a sua vida!

Em suma, a cólera não exclui certas qualidades do coração, mas impede se faça muito bem e pode levar à prática de muito mal. Isto deve bastar para induzir o homem a esforçar-se pela dominar. 

O espírita, ao demais, é concitado a isso por outro motivo: o de que a cólera é contrária à caridade e à humildade cristãs. 


Um Espírito protetor
Bordeaux, 1863.







Emmanuel - Livro Amigo - Chico Xavier - Cap. 11 - Calma e fé



Emmanuel - Livro Amigo - Chico Xavier - Cap. 11


Calma e fé
 

Realmente, não te será possível deter as vítimas da precipitação.

Aqui, é alguém que clama intempestivamente por dias melhores, sem despender qualquer esforço para alicerçá-los.

Ali, é o amigo que desiste da tolerância e se desequilibra no espinheiral da irritação.

Mais adiante, é o doente exigindo a própria cura em poucas horas, depois de organizar campo adequado para a longa enfermidade que o aflige.

Com todos esses casos rentearás, inclusive talvez, através de familiares queridos que se mostrem incursos nesses quadros de intemperança mental, a se expressarem por estranhas perturbações.

Lembrar-te-ás, porém, de que a ansiedade negativa, só por si, nunca serviu a ninguém.

A aflição inútil quase sempre apenas mentaliza alucinações suscetíveis de piorar quaisquer problemas, já de si mesmos graves e complicados.

Observa os padrões da Natureza.

A árvore não frutesce sem habilitar-se no tempo para isso.

Por mais vocifere um homem reclamando a luz solar direta num hemisfério em que o relógio aponta a meia-noite, reconhecer-se-á obrigado a esperar pelo amanhecer.

A lâmpada para fazer-se clarão deve ajustar-se à voltagem a que se vincula.

E uma criança, por mais prodígios de inteligência dos quais dê testemunho, somente abraçará determinadas responsabilidades quando o tempo lhe acrescente madureza ao raciocínio.

Nas provas com que te defrontes, conserva a serenidade da paciência para que te sobreponhas aos impactos inevitáveis do sofrimento que, na Terra, comparece no caminho de todos.

Age e constrói, abençoa e auxilia sempre para o bem, mas não te esqueças de que se não consegues estabelecer a harmonia e a segurança no íntimo dos outros, podes claramente guardar a calma e a fé no próprio coração.


Emmanuel








terça-feira, 28 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 25 - Tende calma



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 25


Tende calma


“E disse Jesus: Mandai assentar os homens.” — (JOÃO, 6.10)


Esta passagem do Evangelho de João é das mais significativas. Verifica-se quando a multidão de quase cinco mil pessoas tem necessidade de pão, no isolamento da natureza.

Os discípulos estão preocupados.

Filipe afirma que duzentos dinheiros não bastarão para atender à dificuldade imprevista.

André conduz ao Mestre um jovem que trazia consigo cinco pães de cevada e dois peixes. Todos discutem.

Jesus, entretanto, recebe a migalha sem descrer de sua preciosa significação e manda que todos se assentem, pede que haja ordem, que se faça harmonia. E distribui o recurso com todos, maravilhosamente.

A grandeza da lição é profunda.

Os homens esfomeados de paz reclamam a assistência do Cristo. Falam n’Ele, suplicam-lhe socorro, aguardam-lhe as manifestações. 

Não conseguem, todavia, estabelecer a ordem em si mesmos, para a recepção dos recursos celestes. 

Misturam Jesus com as suas imprecações, suas ansiedades loucas e seus desejos criminosos. 

Naturalmente se desesperam, cada vez mais desorientados, porquanto não querem ouvir o convite à calma, não se assentam para que se faça a ordem, persistindo em manter o próprio desequilíbrio.


Emmanuel










Bezerra de Menezes - O Cristão Espírita - Ed. 29 - Psicografia - Azamor Serrão - O Livro da Vida



Bezerra de Menezes - O Cristão Espírita - Ed. 29 - Psicografia - Azamor Serrão


O Livro da Vida


Abre o livro da Vida e examina-o com cuidado. Nele encontrarás a Verdade, escrita pelo teu comportamento diário, por tuas faltas e teus acertos. Se o souberes ler, compreenderás a necessidade de considerar o perigo a que te expõe os erros que cometes cotidianamente. 

Para isso, entretanto, deves tirar a máscara do orgulho, despir as vestes da ilusão e retirar a capa da vaidade, para que possas ter uma visão clara do que o mundo possui para te dar e do que tens para dar a ele, pois a vida nada mais é, sob tal aspecto, do que uma permanente troca. Mas, procura dar mais do que esperar que te deem, pois nada obscurece mais o caminho do que o egoísmo e nada o iluminará tanto quanto o altruísmo, a bondade e o amor.

Do alto, da fonte do amor divino, jorram incessantemente as águas que nos permitirão lavar a alma e abrir oportunidades à própria reabilitação. 

Seguindo uma vida limpa, com pensamentos fraternos e propósitos edificantes, tua alma se iluminará e poderás transformar a tua passagem pela Terra como uma experiência fecunda e valiosa. 

Assim, poderás ler o livro da Vida e observar os erros que cometes cada dia, erros que engendram os sofrimentos que te afligem. 

Se tiveres a coragem de reconhecer teus próprios erros e a decisão de combate-los com a adoção de um comportamento diferente do que vinhas mostrando; se avaliares quantas oportunidades já perdeste por causa da tua indiferença, fruto do comodismo que buscas na existência; se te capacitares de que é a tua teimosia em não modificar os hábitos inconvenientes que marcam as tuas ações, então começarás a sentir a vida menos áspera. O mundo te parecerá menos hostil e a humanidade terá para ti uma expressão mais digna do teu respeito e da tua ajuda. 

Se todos quisermos viver num mundo feliz, teremos de começar o trabalho individualmente. Se cada pessoa tomar a peito só fazer coisas boas, encontrará seguidores e contribuirá bastante para que o mundo melhore e a humanidade se recupere e alcance a salvação.

Portanto, ergue-te sem demora, se quiseres mesmo encontrar a suprema alegria de ver tua alma iluminada fugir do inferno de sofrimentos em que possa encontrar-se agora, embora aparente uma felicidade que não está no coração, mas apenas na face. Essa aparência feliz é capaz de iludir aos que ainda cultivam as riquezas da Terra e não os tesouros do céu.

No entanto, os que já sentiram despertar em seu interior o chamamento de Jesus, o Mestre divino, acordam animados para a caminhada, sem se preocuparem com a extensão da estrada nem com as asperezas do caminho, pois já se libertaram de todos os empecilhos, aprendendo e seguindo as palavras do Cristo, que disse: 

“Por que razão reparas o argueiro que está no olho do teu irmão e te esqueces de tirar a trave do teu próprio olho?” 

Para melhor fixar essa advertência do Mestre, lembramos a máxima que bem traduz a sublime lição: 

“Olha e passa. Não te preocupes com os erros dos outros, para que não te descuides dos teus próprios erros, e assim venhas a errar duplamente”. 

Lê o livro da Vida e escreve, com o teu procedimento, nas páginas que te estão reservadas, as obras que te assegurem um futuro cheio de paz e amor.

Jesus nos abençoe.


Bezerra de Menezes








(Mensagem recebida pelo fundador e Orientador-Geral de nossa CASA, Azamor Serrão, e publicada em O Cristão Espírita, edição 29 – Maio/Junho de 1970)

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 1 - Da lei divina ou natural - Questão 617 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 1


Da lei divina ou natural 


617. As leis divinas, que é o que compreendem no seu âmbito? Concernem a alguma outra coisa, que não somente ao procedimento moral?

“Todas as leis da natureza são leis divinas, pois que Deus é o autor de tudo. O cientista estuda as leis da matéria, o homem de bem estuda e pratica as da alma.”

a) — Dado é ao homem aprofundar umas e outras?

“É, mas uma única existência não lhe basta para isso.”

Efetivamente, que são alguns anos para a aquisição de tudo o de que precisa o ser, a fim de se considerar perfeito, ainda que se pense apenas na distância que vai do selvagem ao homem civilizado? Insuficiente seria, para tanto, a existência mais longa possível. Ainda com mais forte razão o será quando curta, como é para a maior parte dos homens.

Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: as leis físicas, cujo estudo pertence ao domínio da Ciência.

As outras dizem respeito especialmente ao homem considerado em si mesmo e nas suas relações com Deus e com seus semelhantes. Contêm as regras da vida do corpo, bem como as da vida da alma: são as leis morais.


Allan Kardec





O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez
Questão 617 comentada


As leis, pelo que podemos entender, se dividem em dois aspectos: leis físicas e morais; no entanto, elas podem buscar outras áreas, de modo que ainda não entendemos, pois nos falta sentido para compreendermos tudo.

Estamos vivendo e sentindo as filosofias de vida terrena e espiritual, entretanto, há reencarnação entre uma e outra, e as tendo bem entendidas, o campo de iluminação vai se estendendo, a nos mostrar os princípios de libertação espiritual.

Para alcançarmos as leis da matéria e as leis da alma, necessário se faz que sintamos o conjunto de muitas vidas sucessivas. O celeiro de experiências deve estar cheio de aprendizado cada vez maior.

O cumprimento das leis mostra a maturidade do Espírito. Se ainda não tens condições de viver Jesus, é por falta de tempo no serviço da caridade que salva. Convém meditar em todos os assuntos ventilados por Cristo e deixar que Ele viva em nós, para nos ser motivo de glória e de luz.

Há diversidade de leis, no entanto, importa que vivamos as duas, na sua sintetização divina: física e moral. Certamente que temos apenas alguns anos para fixação de todo o celeiro de vida, porém, o tempo passa e, bem vivido, deixa em nós um saldo de luzes que nos assegura a própria vida.

Não há no mundo nenhuma coisa desligada da outra. A lei de unidade nos faz unos. Os Espíritos obedecem igualmente, a essa lei. Os que vivem na Terra estão jungidos uns aos outros pelo amor e pelas necessidades, porque não fazemos nada sozinhos. Dependemos uns dos outros em tudo; até para falar, precisamos de quem ouça a nossa voz.

Para escrever, e mesmo pensar, mentes invisíveis nos ajudam em tudo o que ideamos e fazemos. É do conjunto que nasce a perfeição. Se o sábio estuda as leis da natureza, o santo estuda e pratica as leis da alma, de maneira que, com o passar dos tempos, o acervo de experiências vai chegando às novas gerações, doando-Ihes, por misericórdia, o descobrimento dos caminhos mais fáceis para serem trilhados. Mas, como existe a reencarnação em todos os mundos habitados, aquele que planta volta depois com novas vestes para colher o que semeou.

Eis aí a justiça divina, em se tornando amor, verdade e vida.

Podemos buscar no Evangelho de Jesus riquezas espirituais sublimadas, como essa, anotada por Mateus:

Tu porém, ao dares a esmola, ignore a tua esquerda o que faz a tua direita. (Mateus, 6:3)

Para que anunciar o que fazes de bom, se tu mesmo é quem vai receber o que está dando? A vida é uma eterna lavoura de Deus, que nos instruiu na seqüência de plantios, para que possamos ter o que damos e colher o que semeamos.

Isso está na lei do amor e de justiça que circula na criação, dando realmente a quem merece ser dado. Por isso é que não devamos nos preocupar com o dia de amanhã; ele nos entregará o que damos hoje, trazendo e mostrando a segurança para o bom trabalhador. Deus se encontra presente em toda parte, por intermédio das Suas leis infalíveis e eternas.


Miramez 






Livro Filosofia Espirita Vol. 13 - João Nunes Maia
Cap. 5 - Diversidade de Leis






Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 14 - Benignidade



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 14


Benignidade


“Sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus em Cristo vos perdoou.” — PAULO (Efésios, 4.32)


Meditemos na Tolerância Divina, para que não venhamos a cair nos precipícios da violência.

Basta refletir na desculpa incessante do Céu às nossas fraquezas e crueldades, à frente do Cristo, para que abracemos a justa necessidade da compaixão infatigável uns para com os outros.

Desce Jesus da Espiritualidade Solar, dissipando-nos a sombra. Negamos-Lhe guarida. O Supremo Senhor, porém, não nos priva de Sua augusta presença.

O Divino Benfeitor exemplifica o amor incondicional, sanando-nos as mazelas do corpo e da alma, a ensinar-nos a bondade e a renúncia como normas de justa felicidade; contudo, recompensamo-lo com a saliva do escárnio e com a cruz da morte. A Infinita Sabedoria, no entanto, não nos recusa a herança do Seu Evangelho renovador.

Em nome do Mestre Sublime, protótipo do amor e da paz, fizemos guerras de ódio, acendendo fogueiras de perseguição e extermínio; todavia, o Altíssimo Pai não nos cassa a oportunidade de prosseguir caminhando no tempo e no espaço, em busca da evolução.

Reflete na magnanimidade de Deus e não coleciones desapontamentos e mágoas, para que o bem te encontre à feição de canal seguro e limpo.

Guardar ressentimento e vingança, melindre e rancor, é o mesmo que transformar o coração num vaso de fel.

Segundo a advertência do apóstolo Paulo, usemos constante benignidade uns para com os outros, porque somente assim viveremos no clima de Jesus, que nos trouxe à vida a ilimitada compaixão e o auxílio incessante da Providência Celestial.


Emmanuel










(Reformador, julho 1957, página 162)

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Vida e Sexo - Chico Xavier - Cap. 16 - Aversões



Emmanuel - Livro Vida e Sexo - Chico Xavier - Cap. 16


Aversões

 
"Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias, os quais prendem os Espíritos, antes, durante e depois de suas encarnações." (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XIV - item 8).


Somos defrontados, em todos os departamentos da família humana, pelas ocorrências da aversão inata.

Pais e filhos, irmãos e parentes outros, não raro, se repelem, desde os primeiros contatos.

Claramente verificáveis os fenômenos da hostilidade, entre adultos e crianças, trazidos pelo imperativo do berço à intimidade do dia a dia.

Pais existem nutrindo antipatia pelos próprios rebentos, desde que esses rebentos lhes surgem no lar, e existem filhos que se inimizam com os próprios pais, tão logo senhoreiam o campo mental, nos albores da encarnação.

Arraigado no labirinto de existências menos felizes, decerto que o problema das reações negativas, culpas, remorsos, inibições, vinganças e tantos outros está presente no quadro familiar, em que o ódio acumulado em estâncias do pretérito se exterioriza, por meio de manifestações catalogáveis na patologia da mente. 

Nessa base de raciocínio, determinada criança terá sofrido essa ou aquela humilhação da parte dos pais ou tutores e se desenvolveu abafando propósitos de desforço, com o que intoxicou a si mesma, no curso do tempo, e certos pais haverão sentido inesperada animosidade por esse ou aquele filho recém-nato, alimentando ciúme contra ele, embora sufocando tal sentimento, com benéficas atitudes de convenção. 

Não muito raro, os cadastros policiais registam infanticídios em que pais ou mães aniquilam o corpo daqueles mesmos Espíritos aos quais favoreceram com a encarnação na Terra.

Indubitavelmente, o tratamento psicológico, visando à cura mental e à sublimação da personalidade, é o caminho ideal para semelhantes pacientes; urge entender, porém, que médicos e analistas humanitários conseguirão efetuar prodígios de compreensão e de amor, liberando enfermos dessa espécie; no entanto, o estudo da reencarnação é igualmente chamado a funcionar, nos alicerces da obra de salvamento.

Quantos milhares de existências terminam anualmente, no mundo, pelos golpes da criminalidade?

Claro está que as vítimas não foram arrebatadas para céus ou infernos teológicos. Se compenetradas, quanto às leis de amor e perdão que dissipam as algemas do ódio, promovem-se a trabalho digno na Espiritualidade, às vezes até mesmo em auxilio aos próprios algozes. 

Na maioria das circunstâncias, todavia, persistem no caminho daqueles que lhes dilapidaram a vida profunda, transformando-se em perseguidores magoados ou vingativos, jungidos mentalmente aos antigos ofensores, e finalmente reconduzidos, pelos princípios cármicos, ao renascimento junto deles, a fim de sanarem, no clima da convivência, os complexos de crueldade que ainda se lhes destilem do ser.

Quando isso aconteça, o apostolado de reajuste há-de iniciar-se nos pais, porquanto, despertos para a lógica e para o entendimento, são convocados pela sabedoria da vida ao apaziguamento e à renovação.

Observemos, no entanto, que em semelhantes domínios da alma o apoio da fé religiosa se erguerá em socorro e terapêutica.

É indispensável amar e desculpar, compreender e servir, tantas vezes quantas se façam necessárias, de modo a que sofrimento e dissensão desapareçam e a fim de que, nas bases da compreensão e da bondade de hoje, as crianças de hoje se levantem na condição de Espíritos reajustados, perante as Leis do Universo, garantindo aos adultos, nas trilhas das reencarnações porvindouras, a redenção de seus próprios destinos.


Emmanuel










Irmã Scheilla - Livro Passos da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 28 - Pontos mortos



Irmã Scheilla - Livro Passos da Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 28


Pontos mortos


Se a presença de alguém te constrange a sofrer penosa impressão de mágoa, recorda que, nas vibrações desequilibradas a te impelirem para a inquietude, jaz um “ponto morto” do sentimento reclamando-te boa vontade para que se lhe extinga a perigosa existência.

Se a ofensa recebida foi impensadamente guardada por ti nas entranhas da alma, compelindo-te à lembranças aflitivas, não olvides de que aí fizeste um “ponto morto”, exigindo-te reajuste.

Se a aversão te vence a tranquilidade, ante a voz de um companheiro que se te apresenta menos simpático, aí surpreendes um “ponto morto” do passado, esperando por teu esforço na plantação da simpatia.

Se encontras no trabalho um associado de tarefa, de cuja cooperação desejarias prescindir, à face do mal-estar que te impõe, aí possuis um “ponto morto” do caminho que precisas superar com a diligência do bem.

Se alguém te penetrou a família, em condições que te atormentam, suscitando-te pensamentos de animosidade, é que a bagagem de circunstâncias que trazes de passadas reencarnações aí te oferece um “ponto morto”, solicitando-te suprimi-lo com aplicações de tolerância, em auxílio a ti mesmo.

Se em teu círculo de fé surge um irmão de ideal com quem te desarmonizas, tentando-te, às vezes, a abandonar os mais preciosos deveres para com os Desígnios Superiores que te presidem a tarefa, convence-te de que aí formaste um “ponto morto”, que é preciso afastar, em teus exercícios de fidelidade aos compromissos assumidos.

Ninguém, na Terra, permanece imune contra semelhantes núcleos de provação.

Todos trazemos do pretérito “pontos mortos” que é indispensável banir da estrada, a fim de marcharmos ao encontro do futuro, na posição de almas livres, para a abençoada missão que nos é reservada.

Amarguras, pesares, dissabores, desencantos são regiões traumatizadas de nossa alma que nos compete sanar, usando os antissépticos da bondade e do perdão, do sacrifício e da renúncia.

Estejamos vigilantes contra os “pontos mortos” do coração, preservando a saúde moral, como nos apressamos a defender o equilíbrio do corpo físico.

Rendamo-nos à serenidade e à paciência, no serviço infatigável do bem com o Cristo de Deus, porque o Mestre da Ressurreição é igualmente o Grande Médico da Vida Eterna, capaz de libertar-nos do jugo tiranizante da morte.


Scheilla












Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 54 - Aprimoremos




Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 54


Aprimoremos


“Não extingais o espírito.” — PAULO (1 Tessalonicenses, 5.19)


Saibamos estender os valores do espírito.

Observa a estrada nobre que te oferece passagem com segurança e lembra-te de que ainda ontem era trato de terra inculta.

Serpentes insidiosas aí acalentavam a peçonha que se lhes acumulava no seio, enquanto vermes famintos se amontoavam no mato agreste.

Mas chegaram braços amigos e abnegados, atentos à disciplina…

Maquinaria enorme trabalhou a cabeleira verde da gleba, harmonizando-lhe as linhas; picaretas extraíram-lhe os pedrouços semelhantes a flegmões cristalizados; o cimento pavimentou a trilha aberta, e a organização lhe imprimiu determinada ordem aos movimentos.

Quantos semblantes suarentos para que a obra surgisse, quantos dedos quebrados, quantos lidadores rendidos aos acidentes inevitáveis e quantas inquietações por eles vencidas, não podes realmente saber, mas podes reconhecer que foi o trabalho inteligente — luz divina do espírito humano — a força, que te facultou a vitória sobre a distância.

Cada vez que a viagem te suprime ansiedades e poupa aflições, ainda mesmo que, por agora, não saibas agradecer, a estrada te partilha a tranquilidade e o contentamento, envolvendo os operários anônimos que a construíram em sublime coro de bênção.

Analisa semelhante lição, encontradiça em cada canto de rua, e não olvides que a ignorância é também aflitiva selva no mundo. Abracemos o serviço da educação e da bondade, com alicerces na disciplina do Cristo, que é para nós outros, o Engenheiro Celeste, e tracemos novos caminhos de evolução e de entendimento, em que as almas se aproximem na exaltação da alegria e na ascensão do progresso.

Não importa sejamos hoje artífices sem nome. Vale o serviço feito.

Humilde réstia de luz que acendermos envolver-nos-á em seu clarão e a pequenina semente de fraternidade que venhamos a lançar no solo da vida abençoar-nos-á com os seus frutos.


Emmanuel








(Reformador, maio de 1959, p. 98)

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 119 - Eia agora



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 119


Eia agora


“Eia agora, vós que dizeis… amanhã…” — (TIAGO, 4.13)


Agora é o momento decisivo para fazer o bem.

Amanhã, provavelmente… O amigo terá desaparecido.

A dificuldade estará maior.

A moléstia terá ficado mais grave.

A ferida, possivelmente, mostrar-se-á mais crescida de extensão.

O problema talvez surja mais complicado.

A oportunidade de ajudar não se fará repetida.

A boa semente plantada agora é uma garantia da produção valiosa no porvir.

A palavra útil, pronunciada sem detença, será sempre uma luz no quadro em que vives.

Se desejas ser desculpado de alguma falta, aproxima-te agora daqueles a quem feriste e revela o teu propósito de reajustamento.

Se te propões auxiliar o companheiro, ajuda-o sem demora para que a bênção de teu concurso fraterno responda às necessidades de teu irmão, com a desejável eficiência.

Não durmas sobre a possibilidade de fazer o melhor.

Não te mantenhas na expectativa inoperante, quando podes contribuir em favor da alegria e da paz.

A dádiva tardia tem gosto de fel.

“Eia agora.” — Diz-nos o Evangelho, na palavra apostólica.

Adiar o bem que podemos realizar é desaproveitar o tempo e furtar do Senhor.


Emmanuel










Sonnez - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano X, Fevereiro de 1867 - Jornal de estudos psicológicos - Dissertações espíritas - A clareza



Sonnez - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano X, Fevereiro de 1867 - Jornal de estudos psicológicos - Dissertações espíritas


A clareza


Conceder-me-eis hospitalidade para a vossa primeira sessão de 1866? Eu desejo, com o abraço fraterno, vos apresentar votos amigos; que possais ter muitas satisfações morais, muita vontade e caridade perseverante. Neste século de luz, o que mais falta é clareza! Os meio sábios, os papões da imprensa, fizeram valentemente o trabalho da aranha para obscurecer, por meio de um tecido supostamente liberal, tudo o que é claro, tudo o que aclara.

Caros espíritas, encontrastes em todas as camadas sociais esta força de raciocínio que é a marca inteligente dos seres realizados? Não tendes, pelo contrário, a certeza de que a grande maioria de vossos irmãos se atola numa ignorância malsã? Por toda parte as heresias e as más ações! As boas intenções, viciadas em seu princípio, caem uma a uma, semelhantes a esses belos frutos cujo âmago um verme rói e o vento joga por terra. A clareza nos argumentos, no saber, acaso teria escolhido domicílio nas academias, entre os filósofos, os jornalistas e os panfletários?... Parece-me que poderíamos duvidar, vendo-os, a exemplo de Diógenes, com a lanterna na mão, procurar uma verdade em pleno sol.

Luz, claridade, vós sois a essência de todo movimento inteligente! Em breve inundareis com os vossos raios benfazejos os mais obscuros recantos desta pobre Humanidade; sois vós que tirareis do lodaçal tantos terrícolas pasmados, embrutecidos, espíritos infelizes que devem ser lavados pela instrução, pela liberdade, sobretudo pela consciência de seu valor espiritual. A luz expulsará as lágrimas, as penas, os desesperos sombrios, a negação das coisas divinas, todas as más vontades! Cercando o materialismo, ela o forçará a não mais abrigar-se atrás dessa barreira fictícia, carcomida, de onde arremessa desajeitadamente suas setas sobre tudo quanto não é obra sua.

Mas as máscaras serão arrancadas e então saberemos se os prazeres, a fortuna e o sensualismo, são mesmo os emblemas da vida e da liberdade. A clareza é útil em tudo e a todos; no embrião, como no homem, é necessária a luz! Sem ela tudo caminha tateando, e tateando, a alma busca a alma.

Que se faça uma noite eterna! Logo as cores harmoniosas desaparecerão do vosso globo; as flores estiolar-se-ão; as grandes árvores serão destruídas; os insetos, a Natureza inteira não mais emitirão esses mil sons, a eterna canção de Deus! Os regatos banharão as regiões desoladas; o frio terá tudo mumificado; a vida terá desaparecido!...

O mesmo acontece com o Espírito. Se fizerdes noite em seu redor, ele ficará doente; o frio petrificará suas tendências divinas; como na Idade Média, o homem embotar-se-á, assemelhando sua alma às solidões selvagens e desoladas das regiões boreais!

É por isto, espíritas, que vos deveis a todas as clarezas. Mas antes de aconselhar e ensinar, começai logo por iluminar os menores refolhos de vossa alma. Quando suficientemente depurados para nada temer, podereis elevar a voz, o olhar, o gesto; fareis uma guerra implacável à sombra, à tristeza, à ausência de vida. Ensinareis as grandes leis espíritas aos irmãos que nada sabem do papel que Deus lhes confere.

1866, possas tu, para os anos seguintes, ser a estrela luminosa que conduzia os reis magos para o berço de uma humilde criança do povo. Eles vinham render homenagem à encarnação que devia representar, no mais largo sentido, o Espírito de Verdade, essa luz benfazeja que transformou a Humanidade. Por esse menino, tudo foi realizado! É ele que eterniza a graça e a simplicidade, a caridade, a benevolência, o amor e a liberdade.

O Espiritismo, também ele uma estrela luminosa, deve, como aquela que há dezoito séculos rasgou o véu sombrio dos séculos de ferro, conduzir os terrícolas à conquista das verdades prometidas. Saberá ele desvencilhar-se das tempestades que nos prometem as evoluções humanas e as resistências desesperadas da Ciência em apuros? É o que vós todos, meus amigos, e nós, vossos irmãos da erraticidade, somos chamados a melhor assinalar, inundando este ano com as claridades adquiridas.

Trabalhar com este objetivo é ser adepto do Menino de Belém, é ser filho de Deus, de que emanam toda a luz e toda a clareza.


Sonnez



(Sociedade de Paris, 5 de janeiro de 1866 - Médium: Sr. Leymarie)



VÍDEO: 


Clareza - Artur Valadares



Palestra realizada no dia 19/10/2025 no Centro Espírita Caminheiros do Bem, em Auriflama/SP.