sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 35 - Mensageiros divinos



Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 35


Mensageiros divinos


501. Por que é oculta a ação dos Espíritos sobre a nossa existência e por que, quando nos protegem, não o fazem de modo ostensivo?

“Se vos fosse dado contar sempre com a ação deles, não obraríeis por vós mesmos e o vosso Espírito não progrediria. para que este possa adiantar-se, precisa de experiência, adquirindo-a freqüentemente à sua custa. É necessário que exercite suas forças, sem o que, seria como a criança a quem não consentem que ande sozinha. A ação dos Espíritos que vos querem bem é sempre regulada de maneira que não vos tolha o livre-arbítrio, porquanto, se não tivésseis responsabilidade, não avançaríeis na senda que vos há de conduzir a Deus. Não vendo quem o ampara, o homem se confia às suas próprias forças. Sobre ele, entretanto, vela o seu guia e, de tempos a tempos, lhe brada, advertindo-o do perigo.” (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec)


Ser-nos-á sempre fácil discernir a presença dos mensageiros divinos ao nosso lado, pela rota do bem a que nos induzam.

Ainda mesmo que tragam consigo o fulgor solar da Vida Celeste, sabem acomodar-se ao nosso singelo degrau nas lides da evolução, ensinando-nos o caminho da Esfera Superior. E ainda mesmo se alteiem a culminâncias sublimes na ciência do Universo, ocultam a própria grandeza para guiar-nos no justo aproveitamento das possibilidades em nossas mãos.

Sem ferir-nos de leve, fazem luz em nossas almas, a fim de que vejamos as chagas de nossas deficiências, de modo a que venhamos saná-las na luta do esforço próprio.

Nunca se prevalecem da verdade para esmagar-nos em nossa condição de Espíritos devedores, usando-a simplesmente como remédio dosado para enfermos, para que nos ergamos ao nível da redenção, e nem se valem da virtude que adquiriram para condenar as nossas fraquezas, empregando-a tão só na paciência incomensurável em nosso favor, de modo a que a tolerância nos não desampare à frente daqueles que sofrem dificuldades de entendimento maiores que as nossas.

Se nos encontram batidos e lacerados, jamais nos aconselham qualquer desforço ou lamentação, e, sim, ajudam-nos a esquecer a crueldade e a violência, com força bastante para não cairmos na posição de quem nos insulta ou injuria, e, se nos surpreendem caluniados ou perseguidos, não nos inclinam à revolta ou ao desânimo, mas recompõem as nossas energias desconjuntadas, sustentando-nos na humildade e no serviço com que possamos reajustar o pensamento de quem nos apedreja ou difama.

Erigem-se na estrada por invisível apoio aos nossos desfalecimentos humanos, e aclaram-nos a fé na travessia das dores que fizemos por merecer.

São rosas no espinheiral de nossas imperfeições, perfumando-nos a agressividade com o bálsamo da indulgência, e estrelas que brilham na noite de nossas faltas, acenando-nos com a confiança no esplendor da alvorada nova, para que não chafurdemos o coração no lodo espesso do crime.

E, sobretudo, diante de toda ofensa, levantam-nos a fronte para o Justo dos justos que expirou no madeiro, por resistir ao mal em suprema renúncia, entre a glória do amor e a bênção do perdão.


Emmanuel






Questão 501 - O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez


A ação do Espírito protetor ao seu tutelado é oculta, e não poderia ser de outro modo, porque quem recebe ajuda muito visível, além de ficar dependente, se acomoda, fica esperando somente da fonte que lhe dá de beber, esquecendo-se do seu dever no campo do esforço próprio.

Observemos um pai, quando dá tudo ao filho, sem dele exigir cooperação: o filho se acomoda e não quer se esforçar no trabalho, faltando-lhe o estímulo no cumprimento dos seus deveres ante a vida. Quando os pais, ao contrário, exigem dos filhos o trabalho que está à altura das suas forças, eles geralmente são filhos cumpridores dos deveres e se tornam pessoas de bem e honradas.

Se os guias espirituais ficassem visíveis aos seus protegidos, seriam agredidos por eles com o petitório constante, e a dependência cresceria. Eles sabem do que precisamos para a nossa evolução espiritual. Na verdade, em todas as faixas de vida temos nossos protetores que nos amam; quanto mais elevadas as faixas, mais liberdade de ação eles permitem aos seus tutelados. No entanto, periodicamente se aproximam dele e deixam sua mensagem intuitiva, em meio à conversação do cotidiano.

Deus se encontra em toda parte, no entanto, para os planos mais baixos, se encontra manifestado pela própria natureza. Ele se oculta para aprendermos como pedir e sabermos receber a Sua constante ajuda espiritual. Quem costuma orar com humildade e aprimora esse ambiente de luz, sente as palavras do seu tutor espiritual no âmago da consciência, a lhe dizer quais os caminhos que deverá seguir, e pode aprimorar-se no exercício da súplica, que ela é verdadeiramente o caminho de grandes qualidades espirituais. Pelo ambiente criado por ela as forças superiores ajudar-nos-ão a entender o que é a verdade e seguir os caminhos retos, assimilando a vida no esplendor do amor.

A caridade maior nós recebemos no silêncio de Deus, pelos canais sublimados de Jesus, e Ele derrama Sua luz sobre os anjos para nos ajudarem a compreender melhor as leis, passando a praticá-las. O discípulo inteligente aprende melhor as lições que vêm ocultamente, sentindo a sua essência como sendo a voz de Deus, pelos meios possíveis que Ele mesmo criou para a felicidade dos Seus filhos.

Não precisas te desesperar em nenhuma das situações por que venhas a passar. Perto de ti se encontra a solução ocultamente. Medita, busca, espera e usa a fé, que a solução não tardará. Deus é pai, muito mais do que pensas e não esquece os Seus filhos do coração. Os Espíritos, quanto mais elevados, mais conversam no silêncio. Os que precisam de barulho mostram que ainda não entenderam os princípios da verdade.

Respeita a vida e tem certeza de que em torno de ti se encontram testemunhas inúmeras, assistindo todos os teus feitos e te dando conselhos para acertares mais. Eles não se revoltam com a dureza de coração; trabalha mais para que entendas o motivo pelo qual estão te dando opiniões, mesmo ocultamente. Isso ocorre por ordem de Deus, sob a influência de Jesus.

Vê as tuas mãos, o de que elas precisam. Dá-lhes trabalho, o que não falta. O Mestre espera de ti o que podes ofertar para os que sofrem e choram, os que se encontram sem teto e nus. Quando entenderes a mensagem oculta em teu benefício, passarás a dar também com uma mão, sem que a outra veja.


MIRAMEZ 

(Filosofia Espírita Vol.10 - João Nunes Maia)







Questão n.º 501
Reunião pública de 18-5-1959.


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