quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Emmanuel - Livro Caminhos de Volta - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 24 - Necessidade de paz



Emmanuel - Livro Caminhos de Volta - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 24


Necessidade de paz 


Achávamo-nos em Pedro Leopoldo, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, aguardando a reunião pública de estudos da nossa consoladora Doutrina. Falávamos de paz, da necessidade da paz no atual momento em nossos caminhos na Terra. Considerávamos a vigilância que nos cabe observar nas atitudes e ocorrências do dia a dia.

Convidados aos trabalhos, O Evangelho Segundo o Espiritismo (1) nos deu a exame o item 9 do seu capítulo IX, intitulado “A Cólera”, e vários confrades fizeram valiosas apreciações do assunto. Ao término da reunião, foi Emmanuel o mensageiro desta página psicografada.


Bombeiros de Deus


Temos diversas formas de auxiliar:

suprimir a penúria;

estender a beneficência;

criar a generosidade;

consolar o sofrimento.

Existe, porém, uma delas ao alcance de todos e que pode ser largamente exercida em qualquer lugar: o donativo da calma nos momentos atribulados da vida.

Recorda os bens espirituais que consegues distribuir e não marginalizes semelhante recurso.

Diante de reclamações e críticas, usa a tolerância que estabeleça a harmonia possível entre acusados e acusadores;

recebendo injúrias e ofensas, silencia e esquece os desequilíbrios de que porventura te fizeste vítima, sustando calamidades da delinquência;

perante a agressividade exagerada de alguém, guarda a serenidade que balsamize corações e pacifique ambientes;

encontrando veículos de discórdia, emprega o entendimento que afaste choques e conflitos capazes de suscitar azedume e perturbação.

Em qualquer lance difícil da existência, dispões da possibilidade de atuar beneficamente com os recursos da bondade e da compreensão que entretecem a garantia da paz.

Lembra a faísca lançada impensadamente quando se transforma em fogo descontrolado e devorador. Qualquer criatura, quando se mostre agindo sem noção de responsabilidade, pode gerar incêndios lamentáveis, destruindo os mais altos valores da vida.

Por isso mesmo, onde estivermos, sejamos nós os bombeiros de Deus.


Emmanuel






(1) - A cólera 

O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes uma comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece; que sucede então? Entregais-vos à cólera.

Pesquisai a origem desses acessos de demência passageira que vos assemelham ao bruto, fazendo-vos perder o sangue-frio e a razão; pesquisai e, quase sempre, deparareis com o orgulho ferido. Que é o que vos faz repelir, coléricos, os mais ponderados conselhos, senão o orgulho ferido por uma contradição? 

Até mesmo as impaciências, que se originam de contrariedades muitas vezes pueris, decorrem da importância que cada um liga a sua personalidade, diante da qual entende que todos se devem dobrar.

Em seu frenesi, o homem colérico a tudo se atira: à natureza bruta, aos objetos inanimados, quebrando-os porque lhe não obedecem. Ah! se nesses momentos pudesse ele observar-se a sangue-frio, ou teria medo de si próprio, ou bem ridículo se acharia! Imagine ele por aí que impressão produzirá nos outros. Quando não fosse pelo respeito que deve a si mesmo, cumpria-lhe esforçar-se por vencer um pendor que o torna objeto de piedade.

Se ponderasse que a cólera a nada remedeia, que lhe altera a saúde e compromete até a vida, reconheceria ser ele próprio a sua primeira vítima; mas, outra consideração, sobretudo, devera contê-lo, a de que torna infelizes todos os que o cercam. Se tem coração, não lhe será motivo de remorso fazer que sofram os entes a quem mais ama? E que pesar mortal se, num acesso de fúria, praticasse um ato que houvesse de deplorar toda a sua vida!

Em suma, a cólera não exclui certas qualidades do coração, mas impede se faça muito bem e pode levar à prática de muito mal. Isto deve bastar para induzir o homem a esforçar-se pela dominar. 

O espírita, ao demais, é concitado a isso por outro motivo: o de que a cólera é contrária à caridade e à humildade cristãs. 


Um Espírito protetor
Bordeaux, 1863.







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