Mostrando postagens com marcador Revista Espírita. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Revista Espírita. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Santo Agostinho - Revista Espírita - Allan Kardec - Maio, 1859 - Mundos intermediários ou transitórios



Allan Kardec - Revista Espírita - Maio, 1859


Mundos intermediários ou transitórios


Vimos, numa das respostas dadas no artigo anterior que, ao que parece, haveria mundos destinados aos Espíritos errantes. A ideia desses mundos não perpassava na mente de nenhum dos assistentes e ninguém nela teria pensado se não fora a espontânea revelação de Mozart, o que constitui uma nova prova de que as comunicações espíritas podem ser independentes de toda opinião preconcebida. Com o objetivo de aprofundar esta questão, nós a submetemos a um outro Espírito, fora da Sociedade e por intermédio de outro médium, que não tinha nenhum conhecimento do assunto. 

A Santo Agostinho.

Existem mundos que servem de estações aos Espíritos errantes, ou como pontos de repouso, conforme nos disseram?

─ Existem, mas apresentam diferentes graus, isto é, ocupam posição intermediária entre os outros mundos, conforme a natureza dos Espíritos que os procuram e que aí gozam de maior ou menor bem-estar.

Os Espíritos que habitam esses mundos podem deixá-los à vontade?

─ Sim. Os Espíritos que os habitam podem afastar-se para ir aonde precisem. Imaginai-os como aves de arribação pousando sobre uma ilha a fim de refazerem as suas forças para prosseguirem em busca do seu destino.

Os Espíritos progridem enquanto estacionam nesses mundos intermediários?

─ Certamente. Os que assim se reúnem fazem-no com o fito de instruir-se e poderem mais facilmente obter permissão para irem a melhores lugares e alcançar a posição dos eleitos.

Esses mundos, por sua natureza especial, são perpetuamente reservados a Espíritos errantes?

─ Não. Sua situação é transitória.

São habitados simultaneamente por seres corpóreos?

─ Não.

Têm uma constituição semelhante à dos outros planetas?

─ Sim, mas a superfície é estéril.

Por que essa esterilidade?

─ Aqueles que os habitam de nada precisam.

Essa esterilidade é permanente e devida à sua natureza especial?

─ Não. Eles são transitoriamente estéreis.

Então esses mundos são desprovidos de belezas naturais?

─ A Natureza se traduz pelas belezas da imensidade, não menos admiráveis que as que chamais belezas naturais.

Há desses mundos em nosso sistema planetário?

─ Não.

Desde que se trata de um estado transitório, a Terra estará um dia nesse número?

─ Ela já esteve.

Em que época?

─ Durante a sua formação.


Santo Agostinho



NOTA: Mais uma vez esta comunicação confirma a grande verdade de que nada é inútil na Natureza. Todas as coisas têm um fim, um destino; nada é vazio, tudo é habitado; a vida está em toda parte. Assim, durante a longa série de séculos decorridos antes do aparecimento do homem na face da Terra; durante esses lentos períodos de transição, atestados pelas camadas geológicas; antes mesmo da formação dos primeiros seres orgânicos, sobre essa massa informe; nesse árido caos onde os elementos se confundiam, não havia ausência de vida. Seres que não tinham as nossas necessidades, nem as nossas sensações físicas aqui se refugiavam. Quis Deus que, mesmo nesse estado imperfeito, ela servisse para alguma coisa. Quem, pois, ousaria dizer que entre esses milhares de mundos que circulam na imensidade, um só e dos menores, perdido na multidão, teria o privilégio exclusivo de ser povoado? Qual seria, então, a utilidade dos outros? Deus tê-los-ia criado apenas para deleitar os nossos olhos? Suposição absurda, incompatível com a sabedoria que brilha em todas as suas obras. Ninguém contestará que há nesta ideia dos mundos ainda inadequados à vida material e no entanto povoados por seres vivos apropriados ao meio, algo de grandioso e de sublime, onde talvez se encontre a solução de muitos problemas.


Allan Kardec














Fonte: IPEAK

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Sonnez - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano X, Fevereiro de 1867 - Jornal de estudos psicológicos - Dissertações espíritas - A clareza



Sonnez - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano X, Fevereiro de 1867 - Jornal de estudos psicológicos - Dissertações espíritas


A clareza


Conceder-me-eis hospitalidade para a vossa primeira sessão de 1866? Eu desejo, com o abraço fraterno, vos apresentar votos amigos; que possais ter muitas satisfações morais, muita vontade e caridade perseverante. Neste século de luz, o que mais falta é clareza! Os meio sábios, os papões da imprensa, fizeram valentemente o trabalho da aranha para obscurecer, por meio de um tecido supostamente liberal, tudo o que é claro, tudo o que aclara.

Caros espíritas, encontrastes em todas as camadas sociais esta força de raciocínio que é a marca inteligente dos seres realizados? Não tendes, pelo contrário, a certeza de que a grande maioria de vossos irmãos se atola numa ignorância malsã? Por toda parte as heresias e as más ações! As boas intenções, viciadas em seu princípio, caem uma a uma, semelhantes a esses belos frutos cujo âmago um verme rói e o vento joga por terra. A clareza nos argumentos, no saber, acaso teria escolhido domicílio nas academias, entre os filósofos, os jornalistas e os panfletários?... Parece-me que poderíamos duvidar, vendo-os, a exemplo de Diógenes, com a lanterna na mão, procurar uma verdade em pleno sol.

Luz, claridade, vós sois a essência de todo movimento inteligente! Em breve inundareis com os vossos raios benfazejos os mais obscuros recantos desta pobre Humanidade; sois vós que tirareis do lodaçal tantos terrícolas pasmados, embrutecidos, espíritos infelizes que devem ser lavados pela instrução, pela liberdade, sobretudo pela consciência de seu valor espiritual. A luz expulsará as lágrimas, as penas, os desesperos sombrios, a negação das coisas divinas, todas as más vontades! Cercando o materialismo, ela o forçará a não mais abrigar-se atrás dessa barreira fictícia, carcomida, de onde arremessa desajeitadamente suas setas sobre tudo quanto não é obra sua.

Mas as máscaras serão arrancadas e então saberemos se os prazeres, a fortuna e o sensualismo, são mesmo os emblemas da vida e da liberdade. A clareza é útil em tudo e a todos; no embrião, como no homem, é necessária a luz! Sem ela tudo caminha tateando, e tateando, a alma busca a alma.

Que se faça uma noite eterna! Logo as cores harmoniosas desaparecerão do vosso globo; as flores estiolar-se-ão; as grandes árvores serão destruídas; os insetos, a Natureza inteira não mais emitirão esses mil sons, a eterna canção de Deus! Os regatos banharão as regiões desoladas; o frio terá tudo mumificado; a vida terá desaparecido!...

O mesmo acontece com o Espírito. Se fizerdes noite em seu redor, ele ficará doente; o frio petrificará suas tendências divinas; como na Idade Média, o homem embotar-se-á, assemelhando sua alma às solidões selvagens e desoladas das regiões boreais!

É por isto, espíritas, que vos deveis a todas as clarezas. Mas antes de aconselhar e ensinar, começai logo por iluminar os menores refolhos de vossa alma. Quando suficientemente depurados para nada temer, podereis elevar a voz, o olhar, o gesto; fareis uma guerra implacável à sombra, à tristeza, à ausência de vida. Ensinareis as grandes leis espíritas aos irmãos que nada sabem do papel que Deus lhes confere.

1866, possas tu, para os anos seguintes, ser a estrela luminosa que conduzia os reis magos para o berço de uma humilde criança do povo. Eles vinham render homenagem à encarnação que devia representar, no mais largo sentido, o Espírito de Verdade, essa luz benfazeja que transformou a Humanidade. Por esse menino, tudo foi realizado! É ele que eterniza a graça e a simplicidade, a caridade, a benevolência, o amor e a liberdade.

O Espiritismo, também ele uma estrela luminosa, deve, como aquela que há dezoito séculos rasgou o véu sombrio dos séculos de ferro, conduzir os terrícolas à conquista das verdades prometidas. Saberá ele desvencilhar-se das tempestades que nos prometem as evoluções humanas e as resistências desesperadas da Ciência em apuros? É o que vós todos, meus amigos, e nós, vossos irmãos da erraticidade, somos chamados a melhor assinalar, inundando este ano com as claridades adquiridas.

Trabalhar com este objetivo é ser adepto do Menino de Belém, é ser filho de Deus, de que emanam toda a luz e toda a clareza.


Sonnez



(Sociedade de Paris, 5 de janeiro de 1866 - Médium: Sr. Leymarie)



VÍDEO: 


Clareza - Artur Valadares



Palestra realizada no dia 19/10/2025 no Centro Espírita Caminheiros do Bem, em Auriflama/SP.




sábado, 1 de fevereiro de 2025

Allan Kardec - Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - Fevereiro de 1865 - Discurso de Victor Hugo ao pé do túmulo de uma jovem



Allan Kardec - Revista Espírita - Jornal de estudos psicológicos - Fevereiro de 1865


Discurso de Victor Hugo ao pé do túmulo de uma jovem


Embora esta tocante oração fúnebre tenha sido publicada por diversos jornais, encontra lugar igualmente nesta Revista, em razão da natureza dos pensamentos que encerra, e cujo alcance todos poderão compreender. O jornal do qual a tiramos dá conta da cerimônia fúnebre nestes termos:

“Uma triste cerimônia reunia, quinta-feira última, uma multidão dolorosamente comovida no cemitério dos independentes, em Guernesey. Inumavam uma jovem que a morte havia surpreendido em meio às alegrias da família, cuja irmã se casara dias antes. Era uma mocinha feliz, a quem um dos filhos do grande poeta, Sr. François Hugo, tinha dedicado o décimo quarto volume de sua tradução de Shakespeare. Ela morreu na véspera do lançamento desse volume.

“Como acabamos de dizer, a assistência era numerosa nesses funerais, numerosa e simpática, e é com viva tristeza, com lágrimas que a amizade fazia correr, que ela ouviu as palavras de adeus, pronunciadas sobre esse túmulo tão prematuramente aberto, pelo ilustre exilado de Guernesey, o próprio Victor Hugo.

“Eis o discurso pronunciado pelo poeta:

“Em algumas semanas ocupamo-nos de duas irmãs. Casamos uma e sepultamos a outra. Eis o perpétuo movimento da vida.

“Inclinemo-nos, meus irmãos, ante o severo destino, mas inclinemo-nos com esperança. Nossos olhos não foram feitos para chorar, mas para ver; nosso coração não foi feito para sofrer, mas para crer. A fé numa outra existência brota da faculdade de amar. Não esqueçamos que nesta vida inquieta e garantida pelo amor, é o coração que crê. O filho espera encontrar seu pai; a mãe não consente em perder o filho para sempre. Essa recusa do nada é a grandeza do homem.

“O coração não pode errar. A carne é um sonho, porque ela se dissipa. Se esse desaparecimento fosse o fim do homem, tiraria à nossa existência toda sanção. Não nos contentamos com esta fumaça que é a matéria. Necessitamos de uma certeza.

Quem quer que ame, sabe e sente que nenhum dos pontos de apoio do homem está na Terra. Amar é viver além da vida. Sem essa fé, nenhum dom perfeito do coração seria possível. Amar, que é o objetivo do homem, seria o seu suplício. Este paraíso seria o inferno. Não! Digamos bem alto que não, pois a criatura amante exige a criatura imortal. O coração necessita da alma.

“Há um coração neste esquife, e esse coração está vivo. Neste momento ele escuta minhas palavras.

“Emily de Putron era o suave orgulho de uma respeitável família patriarcal. Seus amigos e seus próximos tinham por encantamento sua graça e por festa seu sorriso. Ela era como uma flor de alegria que se derramava pela casa. Desde o berço todas as ternuras a rodeavam; ela cresceu feliz, e recebendo felicidade dava felicidade; amada, amava. Ela acaba de partir.

“Para onde foi? Para a sombra? Não. Nós é que estamos na sombra. Ela? Ela está na aurora. Ela está na glória, na verdade, na realidade, na recompensa. Essas jovens mortas, que nenhum mal fizeram na vida, são bem-vindas do túmulo, e suas cabeças se erguem suavemente fora da sepultura, para uma coroa misteriosa.

“Emily de Putron foi procurar lá em cima a serenidade suprema, complemento das existências inocentes. Ela se foi: mocidade, para a eternidade; beleza, para o ideal; esperança, para a certeza; amor, para o infinito; pérola, para o oceano; Espírito, para Deus.

“Vai, alma!

“O prodígio desta grande partida celeste que chamam morte, é que os que partem não se afastam. Estão num mundo de claridade, mas assistem, como testemunhas enternecidas, ao nosso mundo de trevas. Estão no alto, e muito perto. Ó, quem quer que sejais, que vistes desaparecer no túmulo um ser querido, não vos julgueis abandonados por ele. Ele está sempre aqui. Ele está ao vosso lado mais do que nunca. A beleza da morte é a presença. Presença inexprimível das almas amadas, sorrindo aos nossos olhos em lágrimas. O ser chorado desapareceu, mas não partiu. Não mais percebemos o seu rosto suave... Os mortos são invisíveis, mas não estão ausentes.

“Rendamos justiça à morte. Não sejamos ingratos para com ela. Ela não é, como se diz, um aniquilamento, um embuste. É um erro crer que aqui, nesta obscuridade da fossa aberta, tudo se perde. Aqui tudo se reencontra. A tumba é um lugar de restituição. Aqui a alma retoma o Infinito; aqui ela recobra a sua plenitude; aqui ela entra na posse de sua misteriosa natureza; ela é desligada do corpo, desligada da necessidade, desligada do fardo, desligada da fatalidade. A morte é a maior das liberdades. Ela é, também, o maior dos progressos. A morte é a ascensão de tudo o que viveu em grau superior. Ascensão deslumbrante e sagrada. Cada um recebe o seu aumento. Tudo se transfigura na luz e pela luz. Aquele que foi apenas honesto na Terra torna-se belo; aquele que só foi belo torna-se sublime; aquele que só foi sublime torna-se bom.

“E eu que falo, por que estou aqui? O que é o que eu trago a esta fossa? Com que direito venho dirigir a palavra à morte? Quem sou eu? Nada. Engano-me, sou alguma coisa. Sou um proscrito. Exilado pela força ontem, exilado voluntário hoje. Um proscrito é um vencido, um caluniado, um perseguido, um ferido no destino, um deserdado da pátria. Um proscrito é um inocente sob o peso de uma maldição. Sua bênção deve ser boa. Eu abençoo este túmulo.

“Abençoo o ser nobre e gracioso que está nesta fossa. No deserto encontramos oásis; no exílio encontramos almas. Emily de Putron foi uma dessas encantadoras almas encontradas. Venho pagar-lhe a dívida do exílio consolado. Eu a abençoo na profundeza sombria. Em nome das aflições sobre as quais ela brilhou suavemente; em nome das provações do destino, para ela terminadas, continuadas para nós; em nome de tudo o que ela esperou outrora e de tudo o que obtém hoje, em nome de tudo o que ela amou, eu abençoo esta morta, eu a abençoo na sua beleza, na sua juventude, na sua doçura, na sua vida e na sua morte; eu a abençoo na sua branca túnica sepulcral; na sua casa que ela deixa desolada; no seu caixão, que sua mãe encheu de flores e que Deus vai encher de estrelas!”

A estas palavras notáveis não falta absolutamente nada além da palavra Espiritismo. Não são apenas a expressão de uma crença vaga na alma e na sua sobrevivência; ainda menos o frio nada, sucedendo à atividade da vida, enterrando para sempre, sob seu manto de gelo, o espírito, a graça, a beleza, as qualidades do coração. Também não é a alma abismada nesse oceano do infinito que se chama o todo universal. É efetivamente o ser real, individual, presente em nosso meio, sorrindo aos que lhe são caros, vendo-os, escutando-os, falando-lhes pelo pensamento. Que de mais belo, de mais verdadeiro que estas palavras: “Amar é viver além da vida. Sem esta fé, nenhum dom perfeito do coração seria possível, pois amar, que é o objetivo do homem, seria o seu suplício. Este paraíso seria o inferno. Não. Digamos bem alto que não. A criatura amante exige a criatura imortal. O coração necessita da alma.”

Que ideia da morte é mais justa do que esta: “O prodígio desta grande partida celeste que chamam morte, é que os que partem não se afastam. Eles estão num mundo de claridade, mas assistem, como testemunhas enternecidas, ao nosso mundo de trevas. Estão no alto, e muito perto. Ó, quem quer que sejais, que vistes desaparecer no túmulo um ser querido, não vos julgueis abandonados por ele. Ele está sempre aqui. Ele está ao vosso lado mais do que nunca... É um erro crer que aqui, nesta obscuridade da fossa aberta, tudo se perde. Aqui tudo se reencontra. A tumba é um lugar de restituição. Aqui a alma retoma o Infinito; aqui ela recobra a sua plenitude.”

Não é exatamente o que ensina o Espiritismo? Mas aos que pudessem julgar-se vítimas de uma ilusão, ele vem juntar à teoria a sanção do fato material, pela comunicação dos que partiram com os que ficam. Que há, pois, de desarrazoado em crer que esses mesmos seres que estão ao nosso lado, com um corpo etéreo, possam entrar em relação conosco?

Ó vós, cépticos, que rides de nossas crenças, ride, pois, destas palavras do poeta filósofo cuja alta inteligência conheceis! Direis que é um alucinado? Que é louco quando crê na manifestação dos Espíritos? É louco quem escreve: “Tenhamos compaixão dos castigados. Ah! Quem somos nós mesmos? Quem sou eu, eu que vos falo? Quem sois vós, vós que me escutais? De onde viemos? É certo que nada fizemos antes de nascer? A Terra não deixa de assemelhar-se a uma prisão. Quem sabe se o homem não é um reincidente da justiça divina? Olhai a vida de perto. Ela é feita de tal modo que por toda parte se sente a punição.” (Os Miseráveis, 7º volume, livro VII, capítulo 1º).

Não está aí a preexistência da alma; a reencarnação na Terra; a Terra, mundo de expiação? (Vide A Imitação do Evangelho, nº. 27, 46, 47).

Vós que negais o futuro, que estranha satisfação é a vossa de vos comprazerdes com a ideia do aniquilamento do vosso ser e daqueles a quem amastes? Oh! Tendes razão de temer a morte, pois para vós é o fim de todas as esperanças.

Victor Hugo


Lido o discurso acima na sessão de 27 de janeiro de 1865, na Sociedade Espírita de Paris, o Espírito da jovem Emily de Putron, que sem dúvida o escutava e partilhava da emoção da assembleia, manifestou-se espontaneamente pela Sra. Costel, e ditou as seguintes palavras:

“As palavras do poeta correram sobre esta assembleia como um sopro sonoro. Elas fizeram vossos espíritos estremecerem; elas evocaram minha alma, que ainda flutua incerta no espaço infinito!

“Ó poeta, revelador da vida, bem conheces a morte, pois não coroas com ciprestes aqueles que tu choras, mas ligas às suas frontes as trêmulas violetas da esperança! Eu passei rápida e ligeira, apenas aflorando as enternecidas alegrias da vida, e ao declinar do dia, fui arrebatada sobre o trêmulo raio que morria no seio das ondas.

“Ó minha mãe, minha irmã, minhas amigas, grande poeta! Não choreis mais, mas ficai atentos! O murmúrio que acaricia os vossos ouvidos é o meu; o perfume da flor inclinada é meu hálito. Misturo-me à grande vida para melhor penetrar o vosso amor. Nós somos eternos! O que não teve começo não pode acabar, e o teu gênio, ó poeta, semelhante ao rio que corre para o mar, encherá a Eternidade com o poder que é força e amor!”


Espírito Emily


Fonte: Kardecpedia 


VÍDEO: 

O Evangelho e a imortalidade - Artur Valadares
NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo




Palestra realizada no dia 08/10/2023 durante a 46ª Feira do Livro Espírita de São Carlos/SP.





sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Georges - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano IV, Maio de 1861 - Ensinamentos e dissertações espiritas - Progresso intelectual e moral



Georges - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano IV, Maio de 1861 - Ensinamentos e dissertações espiritas


Progresso intelectual e moral
(Enviada pelo Sr. Sabô, de Bordéus)


Venho dizer-vos que o progresso moral é o de mais útil aquisição, porque nos corrige as más inclinações e nos torna bons, caridosos e devotados aos nossos irmãos. Contudo, o progresso intelectual é também útil ao nosso adiantamento, porque eleva a alma e faz-nos julgar mais corretamente as nossas ações, assim facilitando o progresso moral. Inicia-nos aos ensinos que Deus nos proporciona há séculos por intermédio de tantos homens de méritos diversos, que vieram sob todas as formas e em todas as línguas para nos dar a conhecer a verdade, e que não eram senão Espíritos já adiantados, enviados por Deus para o desenvolvimento do entendimento humano. Mas, na época em que viveis, a luz que iluminava apenas um pequeno número vai brilhar para todos. Trabalhai, pois, para compreenderdes a grandeza, o poder, a majestade, a justiça de Deus; para compreenderdes a sublime beleza de suas obras; para compreenderdes as magníficas recompensas concedidas aos bons e os castigos infligidos aos maus; para compreenderdes, enfim, que o único objetivo que deveis aspirar é o de vos aproximardes dele.


Georges

(Bispo de Périgueux e de Sarlat, feliz por ser um dos guias do médium)
 









Fonte: Kardecpedia

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

O Espírito da Fé - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano XI, Maio de 1868 - Jornal de estudos psicológicos - Dissertações dos Espíritos



O Espírito da Fé - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano XI, Maio de 1868 - Jornal de estudos psicológicos


Dissertações dos Espíritos
 

Onde estamos hoje? onde está a luz? Tudo é sombrio, tudo está turvo à nossa volta. Ontem era o passado; amanhã é o futuro; hoje é o presente… Que é que distingue esses três dias? Viveu-se ontem, vive-se ainda hoje, viver-se-á amanhã, e sempre no mesmo círculo. De onde sai, então, esta Humanidade e para onde vai ela? Mistério que só será esclarecido amanhã.

Moisés é o tempo passado; o Cristo, o tempo presente; o Messias a vir, que é o amanhã, ainda não apareceu… Moisés tinha que combater a idolatria; o Cristo, os fariseus; o Messias a vir terá também os seus adversários: a incredulidade, o cepticismo, o materialismo, o ateísmo e todos os vícios que acabrunham o gênero humano… Três épocas que marcam o progresso da Humanidade; parênteses filiais que se sucedem um ao outro; ontem era Moisés, hoje é o Cristo e amanhã será o novo Messias.

Digo que é o Cristo hoje, porque é a sua palavra, a sua doutrina, a sua caridade, todos os seus sublimes ensinamentos que devem espalhar-se por toda parte; porque, vós mesmos o vedes, a Humanidade não progrediu muito. Apenas dezoito séculos nos separam do Cristo: dezoito séculos de trevas, de tirania, de orgulho e de ambição.

Apropriai-vos do passado, do presente; amanhã contemplareis o vosso futuro… Idólatras do passado, fariseus do presente, adversários de amanhã, a luz brilha para todos os povos, para todos os mundos, para todos os indivíduos, e não quereis vê-la!

Criatura, tu desanimas hoje, que é o presente; esperas a realização dos prodígios anunciados; verás que se realizam. Logo toda a Terra tremerá… o século vinte ofuscará o brilho dos séculos precedentes, porque verá a realização do que foi predito.

O Messias que deve presidir ao grande movimento regenerador da Terra já nasceu [v. Comentários sobre os messias do Espiritismo], mas ainda não revelou sua missão, e não nos é permitido dizer nem o seu nome, nem o país onde habita; ele se anunciará por suas obras e os homens tremerão à sua voz potente, porque o número dos justos ainda é muito pequeno.

Ligai-vos à matéria, homens egoístas e ambiciosos, que não viveis senão para satisfazer as vossas paixões e os vossos desejos mundanos. O tempo é curto para vós; agarrai-o, enlaçai-o, porque ontem é passado, hoje se põe e logo será amanhã.

Ai! fariseu do presente, tu esperas sempre. Que ribombe o trovão, tu não te espantarás diante do relâmpago precursor que vem deslumbrar os teus olhos. Tu que te comprazes no egoísmo e no orgulho, que persistes no passado e no presente, teu futuro será ser rejeitado para um outro mundo, a fim de que teu Espírito possa chegar um dia à perfeição a que Deus te chama.

Vós, espíritas, que estais aqui, que recebeis as instruções dos Espíritos, sede pacientes, dóceis, conscientes de vossos atos; não desanimeis; esperai com calma esse amanhã que vos deve livrar de todas as perseguições. Deus, para quem nada é oculto, que lê nos corações, vos vê e não vos abandonará. A hora se aproxima e logo estaremos no amanhã.

Mas . esse Messias que deve vir é o próprio Cristo? questão difícil de compreender no tempo presente, e que amanhã será esclarecida. Como um bom pai de família, Deus, que é todo sabedoria, não impõe todo o trabalho a um só de seus filhos. Atribui a cada um a sua tarefa, segundo as necessidades do mundo para onde os envia. Disso devemos concluir que o novo Messias nem será tão grande, nem tão poderoso quanto o Cristo? Seria absurdo; mas esperai que soe a hora para compreender a obra dos mensageiros invisíveis, que vieram desbravar o caminho, porque os Espíritos fizeram um imenso trabalho. É o Espiritismo que deve remover as grandes pedras que poderiam dificultar a passagem daquele que deve vir. Esse homem será poderoso e forte, e numerosos Espíritos estão na Terra para aplanar o caminho e fazer cumprir o que foi predito.

Esse novo Messias será chamado o Cristo? É uma pergunta a que não posso responder; esperai o amanhã. Quantas coisas eu teria ainda a vos revelar! Mas eu paro, porque o dia de amanhã ainda não aparece. Mal nos aproximamos da meia-noite.

Amigos que estais aqui, todos animados do desejo do vosso adiantamento, trabalhai sobre vós mesmos para vos regenerardes, a fim de que o Mestre vos encontre preparados. Coragem, irmãos, porque o vosso esforço não será perdido; trabalhai para quebrar os laços da matéria, que impedem o Espírito de progredir.

Tende fé, porque ela conduz o homem seguramente ao fim de sua viagem. Tende amor, porque amar aos seus irmãos é amar a Deus. Vigiai e orai: a prece fortalece o Espírito que se deixa tomar pelo desânimo. Pedi ao vosso Pai celeste a força de triunfar dos obstáculos e das tentações. Armai-vos contra os vossos defeitos; mantende-vos prontos, porque o amanhã não está longe. A aurora do século marcado por Deus para a realização dos fatos que devem mudar a face deste mundo começa a surgir no horizonte.


O Espírito da Fé. 









domingo, 3 de novembro de 2024

O Espírito da Fé - Revista Espírita - Allan Kardec - Ano XI - Maio de 1868 - Dissertações espíritas - Ontem, hoje e amanhã



O Espírito da Fé - Revista Espírita - Allan Kardec - Ano XI - Maio de 1868 - Dissertações espíritas


Ontem, hoje e amanhã


Onde estamos hoje? Onde está a luz? Tudo é sombrio, tudo está turvo ao redor de nós. Ontem era o passado; amanhã será o futuro; hoje é o presente... O que distingue estes dias? Vivemos ontem, continuamos vivendo hoje, viveremos amanhã, e sempre no mesmo círculo. De onde sai, então, esta Humanidade, e para aonde vai ela? Mistério que só será esclarecido amanhã.

Moisés é o tempo passado; o Cristo, o tempo presente; o Messias a vir, que é o amanhã, ainda não apareceu... Moisés tinha que combater a idolatria; o Cristo, os fariseus; o Messias a vir terá também os seus adversários: a incredulidade, o ceticismo, o materialismo, o ateísmo e todos os vícios que abatem o gênero humano... Três épocas que marcam o progresso da Humanidade; parênteses filiais que se sucedem um ao outro; ontem era Moisés, hoje é o Cristo e amanhã será o novo Messias.

Digo que é o Cristo hoje, porque é a sua palavra, a sua doutrina, a sua caridade, todos os seus sublimes ensinamentos devem espalhar-se por toda parte; porque, vós mesmos o vedes, a Humanidade não progrediu muito. Apenas dezoito séculos nos separam do Cristo: dezoito séculos de trevas, de tirania, de orgulho e de ambição.

Considerai o passado, o presente, amanhã contemplareis o vosso futuro... Idólatras do passado, fariseus do presente, adversários do amanhã, a luz brilha para todos os povos, para todos os mundos, para todos os indivíduos, e não quereis vê-la!

Criatura, tu desanimas hoje, que é o presente; tu esperas a realização dos prodígios anunciados; tu os verás se realizarem. Em breve toda a Terra tremerá... O século XX ofuscará o brilho dos séculos passados, porque ele verá a realização do que foi predito.

O Messias que deve presidir ao grande movimento regenerador da Terra já nasceu, mas ainda não revelou a sua missão e não nos é permitido dizer nem o seu nome nem o país onde ele habita. Ele anunciar-se-á por suas obras, e os homens tremerão à sua voz potente, porque o número dos justos ainda é muito pequeno.

Ligai-vos à matéria, homens egoístas e ambiciosos que não viveis senão para satisfazer as vossas paixões e os vossos desejos mundanos. O tempo é curto para vós; tende-o, enlaçai-o, porque ontem é passado, hoje se põe e em breve será amanhã.

Vamos! fariseu do presente, tu esperas sempre. Que ronque o trovão, tu não te espantas diante do relâmpago precursor que vem deslumbrar os teus olhos. Tu que te comprazes no egoísmo e no orgulho, que persistes no passado e no presente, teu futuro é ser arrojado para um outro mundo, para que teu Espírito possa chegar um dia à perfeição a que Deus te chama.

Vós, espíritas, que estais aqui, que recebeis instruções dos Espíritos, sede pacientes, dóceis, conscientes de vossos atos; não vacileis; esperai com calma esse amanhã que vos deve livrar de todas as perseguições. Deus, para o qual nada é oculto, que lê nos corações, vos vê e não vos abandonará. A hora se aproxima, e em breve estaremos no amanhã.

Mas esse Messias que deve vir é o próprio Cristo? Pergunta difícil de compreender no momento presente, e que amanhã será esclarecida. Como um bom pai de família, Deus, que é todo sabedoria, não impõe todo o trabalho a um só de seus filhos. Ele atribui a cada um a sua tarefa, segundo as necessidades do mundo para onde os envia. Há que concluir que o novo Messias não será tão grande nem tão poderoso quanto o Cristo? Seria absurdo; mas esperai que soe a hora para compreender a obra dos mensageiros invisíveis, que vieram varrer o caminho, porque os Espíritos fizeram um imenso trabalho. É o Espiritismo que deve remover as grandes pedras que poderiam dificultar a passagem daquele que deve vir. Esse homem será poderoso e forte, e numerosos Espíritos estão na Terra para aplainar o caminho e fazer cumprir o que foi predito.

Esse novo Messias será chamado o Cristo? É uma pergunta a que não posso responder. Esperai até amanhã. Quantas coisas eu teria ainda a vos revelar! Mas eu paro, porque o dia de amanhã ainda não aparece. Estamos apenas antes da meia-noite.

Amigos que estais aqui, todos animados pelo desejo do vosso adiantamento moral, trabalhai sobre vós mesmos pela vossa regeneração, a fim de que o Mestre vos encontre preparados. Coragem, irmãos, porque o vosso esforço não será perdido. Trabalhai para quebrar os laços da matéria que impedem o Espírito de progredir.

Tende fé, porque ela conduz o homem com segurança ao fim de sua viagem. Tende amor, porque amar aos seus irmãos é amar a Deus. Vigiai e orai: a prece fortalece o Espírito que se deixa tomar pelo desânimo. Pedi ao vosso Pai celeste a força para triunfardes ante os obstáculos e as tentações. Armai-vos contra os vossos defeitos; mantende-vos prontos, porque o amanhã não está longe. A aurora do século marcado por Deus para a realização dos fatos que devem mudar a face deste mundo começa a surgir no horizonte.


O Espírito da Fé





Comunicação verbal em sonambulismo espontâneo. Médium Sr. Dubois.

Lyon, 2 de fevereiro de 1868








terça-feira, 14 de maio de 2024

Sr. Georges - Revista Espírita - Allan Kardec - Janeiro, 1858 - Evocações particulares - Uma conversão



Sr. Georges - Revista Espírita - Allan Kardec - Janeiro, 1858 - Evocações particulares


Uma conversão


Embora sob outro ponto de vista, não será menor o interesse oferecido pela evocação seguinte.

Um senhor, que designaremos pelo nome de Georges, farmacêutico numa cidade do Sul, há muito havia perdido o pai, objeto de toda a sua ternura e de profunda veneração. O velho Sr. Georges ─ o pai ─ aliava a uma instrução muito vasta todas as qualidades que marcam o homem de bem, posto professasse ideias materialistas. A esse respeito o filho partilhava das mesmas ideias, se não ultrapassava as do pai; duvidava de tudo: de Deus, da alma, da vida futura. O Espiritismo não se adaptava a tais pensamentos. A leitura de O Livro dos Espíritos, entretanto, provocou-lhe uma certa reação, corroborada por uma conversa direta que tivemos com ele. Ele dizia: “Se meu pai pudesse me responder, eu não duvidaria mais”. Foi então que se fez a evocação seguinte, na qual encontramos diversos ensinamentos.

─ Em nome do Todo-Poderoso, Espírito de meu pai, eu lhe peço que se manifeste. O senhor está junto de mim?

─ Sim.

─ Por que o senhor não se manifesta diretamente a mim, quando tanto nos amamos?

─ Mais tarde.

─ Poderemos nos encontrar um dia?

─ Sim, breve.

─ Amar-nos-emos como nesta vida?

─ Mais.

─ Em que meio o senhor se acha?

─ Sou feliz.

─ O senhor reencarnou ou está errante?

─ Errante por pouco tempo.

─ Que sensação experimentou ao deixar o envoltório corporal?

─ De perturbação.

─ Quanto tempo durou a perturbação?

─ Pouco para mim, muito para você.

─ Pode avaliar a sua duração, de acordo com o nosso modo de contar?

─ Dez anos para você, dez minutos para mim

─ Mas não faz tanto tempo que eu o perdi. Não foi há apenas quatro meses?

─ Se você, como vivo, estivesse em meu lugar, teria sentido aquele tempo.

─ Crê agora em um Deus justo e bom?

─ Sim.

─ Quando vivo na Terra também acreditava?

─ Eu tinha a presciência mas não acreditava.

─ Deus é Todo-Poderoso?

─ Não subi até ele para avaliar o seu poder. Só ele conhece os limites de seu poder, porque só ele é seu igual.

─ Ele se ocupa com os homens?

─ Sim.

─ Seremos punidos ou recompensados de acordo com nossos atos?

─ Se você fizer o mal, sofrerá.

─ Serei recompensado se fizer o bem?

─ Avançará em seu caminho.

─ Estou no bom caminho?

─ Faça o bem e estará.

─ Creio ser bom, mas seria melhor se um dia pudesse encontrá-lo, como recompensa.

─ Que este pensamento o sustente e o encoraje.

─ Meu filho será bom como seu avô?

─ Desenvolva suas virtudes e extirpe seus vícios.

─ Isto é tão maravilhoso que chego a não crer que nos comunicamos neste momento.

─ De onde lhe vem a dúvida?

─ É que, partilhando de suas opiniões filosóficas, fui levado a atribuir tudo à matéria.

─ Você vê de noite aquilo que vê de dia?

─ Ó, meu pai! Então eu me acho na noite?

─ Sim.

─ Que é o que o senhor vê de mais maravilhoso?

─ Explique-se melhor.

─ Encontrou minha mãe, minha irmã e Ana, a boa Ana?

─ Eu as revi.

─ O senhor volta a vê-las quando quer?

─ Sim.

─ É penoso ou agradável para o senhor, que eu me comunique consigo?

─ É uma felicidade para mim, se eu puder conduzi-lo ao bem.

─ Voltando para casa, que poderia fazer para me comunicar com o senhor, já que isto me dá prazer? Isto serviria para que me conduzisse melhor e me ajudaria a educar os meus filhos.

─ Cada vez que um movimento o levar ao bem, siga-o. Eu o inspirarei.

─ Calo-me com receio de importuná-lo.

─ Fale ainda, se quiser.

─ Já que o permite, farei mais algumas perguntas. De que afecção o senhor morreu?

─ Minha prova havia chegado ao termo.

─ Onde o senhor contraiu o abscesso pulmonar que se manifestou?

─ Pouco importa. O corpo nada é. O Espírito é tudo.

─ Qual a natureza da doença que me desperta tão frequentemente durante a noite?

─ Sabê-lo-á mais tarde.

─ Considero minha afecção grave e queria ainda viver para os meus filhos.

─ Ela não o é. O coração do homem é uma máquina de vida. Deixe a Natureza agir.

─ Considerando-se que o senhor está aqui presente, sob que forma se acha?

─ Sob a aparência de minha forma corpórea.

─ O senhor está num lugar determinado?

─ Sim; por detrás de Ermance (a médium).

─ Poderia tornar-se visível?

─ Não vale a pena. Vocês teriam medo.

─ O senhor tem uma opinião sobre cada um de nós, aqui presentes?

─ Sim.

─ Quer dizer alguma coisa a cada um de nós?

─ Em que sentido me faz esta pergunta?

─ Do ponto de vista moral.

─ De outra vez. Por hoje basta.

O efeito que esta comunicação produziu no Sr. Georges foi imenso, e uma luz inteiramente nova já parecia clarear-lhe as ideias. Numa sessão a que compareceu no dia seguinte, em casa da Sra. Roger, sonâmbula, acabou de dissipar as poucas dúvidas que lhe poderiam restar. Eis um resumo da carta que a respeito nos escreveu:

“Essa senhora entrou espontaneamente comigo em detalhes tão precisos em relação a meu pai, minha mãe, meus filhos e minha saúde; descreveu com tal exatidão todas as circunstâncias de minha vida, lembrando mesmo fatos que de há muito me haviam sido varridos da memória; numa palavra, deu-me provas tão patentes dessa maravilhosa faculdade de que são dotados os sonâmbulos lúcidos, que desde então foi completa em mim a reação das ideias. Na evocação, meu pai havia revelado a sua presença. Na sessão de sonambulismo, por assim dizer, eu era testemunha ocular da vida extracorpórea, a vida da alma. Para descrever com tanta minúcia e exatidão, e a duzentas léguas de distância, aquilo que só de mim era conhecido, era preciso ver. Ora, de vez que isto não era possível com os olhos do corpo, havia então um laço misterioso, invisível, que ligava a sonâmbula às pessoas e às coisas ausentes que ela jamais tinha visto. Havia, pois, algo fora da matéria. Que podia ser essa coisa senão aquilo que se chama alma, o ser inteligente do qual o corpo é simples envoltório, mas cuja ação se estende muito além de nossa esfera de atividade?”

Atualmente o Sr. Georges não só deixou de ser materialista, mas é um dos adeptos mais fervorosos e mais dedicados do Espiritismo, o que o faz duplamente feliz, pela confiança que agora tem no futuro e pelo prazer que experimenta em praticar o bem.

Esta evocação, inicialmente muito simples, não é menos notável em muitos aspectos. O caráter do velho Georges reflete-se nas respostas breves e sentenciosas que estavam em seus hábitos. Ele falava pouco; jamais dizia uma palavra inútil. Mas já não é o céptico que fala. Ele reconhece seu erro; seu Espírito é mais livre, mais clarividente, e retrata a unidade e o poder de Deus por estas palavras admiráveis: “Só ele é seu igual”. Ele, que em vida tudo atribuía à matéria, diz agora: “O corpo nada é. O Espírito é tudo”. E esta outra frase sublime: “Você vê de noite aquilo que vê de dia?”

Para o observador atento, tudo tem um alcance, e é assim que a cada passo ele encontra a confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espíritos. 


Sr. Georges











Fonte: IPEAK

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Lamennais - Revista Espírita, Ano V, Agosto de 1862 - Allan Kardec - Dissertações espíritas - O perdão



Lamennais - Revista Espírita, Ano V, Agosto de 1862 - Allan Kardec - Dissertações espíritas


O perdão 


Como se pode achar em si a força para perdoar? A sublimidade do perdão é a morte do Cristo no Gólgota. Ora, eu já vos disse que o Cristo tinha resumido em sua vida todas as angústias e lutas humanas. Todos os que mereciam o nome de cristãos diante de Jesus Cristo morreram com o perdão nos lábios. Os defensores das liberdades oprimidas, os mártires das verdades e das grandes causas de tal modo compreenderam a elevação e a sublimidade de sua vida que não faliram no último instante e perdoaram. Se o perdão de Augusto não é inteiramente sublime historicamente, o Augusto de Corneille, o grande trágico, é senhor de si como do Universo, porque perdoa. Ah! Como são mesquinhos e miseráveis os que possuíam o mundo e não perdoavam! Como é grande aquele que continha, no futuro dos séculos, todas as humanidades espirituais e que perdoou! O perdão é uma inspiração e, por vezes, um conselho dos Espíritos. Infelizes os que fecham o coração a essa voz. Eles serão punidos, como diz a Escritura, porque tinham ouvidos e não escutaram. Então! Se quereis perdoar; se vos sentis fracos diante de vós mesmos, contemplai a morte do Cristo. Quem conhece a si próprio triunfa facilmente de si mesmo. Eis por que o grande príncipe da sabedoria antiga sabia, antes de tudo, conhecer-se a si próprio. Antes de se lançar à luta ensinava-se aos atletas para os jogos, para as lutas grandiosas, os meios seguros de vencer. Ao lado disso, nos liceus, Sócrates ensinava que havia um Ser Supremo e, algum tempo depois, séculos antes do Cristo, ensinava toda a nação grega a morrer e a perdoar.

O homem vicioso, mesquinho e fraco, não perdoa. O homem habituado às lutas pessoais, às reflexões justas e sãs, perdoa facilmente.


Lamennais
















Fonte: IPEAK

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Bernard Palissy - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano I, Dezembro de 1858 - Dissertações de além-túmulo - As flores



Bernard Palissy - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano I, Dezembro de 1858 - Dissertações de além-túmulo


As flores 


As flores foram criadas no mundo como símbolos da beleza, da pureza e da esperança.

Como é que o homem que vê as corolas se abrirem todas as primaveras e as flores se fanarem para dar lugar a frutos deliciosos não pensa que assim sua vida murchará, mas para dar frutos eternos? Que vos importam, pois, as tempestades e as torrentes? Essas flores jamais perecerão, como não perece a mais frágil obra do Criador. Coragem, pois, homens que caís pela estrada; levantai-vos como o lírio após a tempestade, mais puros e mais radiosos. Como às flores, os ventos vos açoitam por todos os lados; eles vos derribam e vos arrastam pela lama, mas quando o sol reaparece, reerguei também vossas cabeças, com mais nobreza e mais grandeza.

Amai as flores. Elas são o emblema de vossa vida e não deveis corar por serdes a elas comparados. Tende-as nos vossos jardins, nas vossas casas, mesmo nos vossos templos, pois elas são agradáveis em qualquer lugar. Onde quer que estejam, elas inspiram a poesia e elevam a alma de quem sabe compreendê-las. Não foi nas flores que Deus manifestou todas as suas magnificências? Como conheceríeis as cores suaves com que o Criador alegrou a Natureza se não fossem as flores? Antes que o homem tivesse cavado as entranhas da Terra para achar o rubi e o topázio, ele tinha as flores diante de si, e essa variedade infinita de nuanças já o consolava da monotonia da superfície da Terra. Amai, pois, as flores: sereis mais puros e mais amoráveis; sereis talvez mais crianças, mas sereis os filhos queridos de Deus, e vossas almas simples e sem mácula serão acessíveis a todo o seu amor, a toda a alegria com que ele aquecerá os vossos corações.

As flores querem ser tratadas por mãos esclarecidas. A inteligência é necessária à sua prosperidade. Durante muito tempo estivestes errados na Terra, deixando tal cuidado a mãos inábeis, que as mutilavam, julgando embelezá-las. Nada mais triste que as árvores redondas ou pontiagudas de alguns dos vossos jardins, pirâmides de verdura que fazem o efeito de um monte de feno. Deixai que a natureza se desenvolva sob mil formas diversas. Aí está a graça. Feliz aquele que sabe admirar a beleza de uma haste que se balouça, semeando a poeira fecundante. Feliz aquele que vê em suas cores brilhantes um infinito de graça, de delicadeza, de colorido, de nuanças que fogem e se buscam, se perdem e se reencontram. Feliz aquele que sabe compreender a beleza da gradação dos tons! Desde a raiz escura que se consorcia com a terra, como as cores se fundem até o escarlate da tulipa e da papoula! (Por que esses nomes rudes e bizarros?) Estudai tudo isto e observai as folhas que surgem umas das outras como gerações infinitas, até o seu completo desabrochar sob a abóboda celeste.

Não parece que as flores saem da Terra para lançar-se em direção a outros mundos? Não parece que muitas vezes vergam dolorosamente a cabeça por não poderem elevar-se ainda mais alto? Não julgamos que as flores, por sua beleza, estão mais próximas de Deus? Imitai-as, pois, e tornai-vos cada vez maiores, cada vez mais belos.

Vossa maneira de aprender Botânica também é defeituosa. Não basta saber o nome de uma planta. Recrutar-te-ei, quando tiveres tempo, para trabalhar também numa obra desse gênero. Deixo para mais tarde as lições que hoje desejaria dar-te. Elas serão mais úteis quando tivermos oportunidade de aplicá-las. Então falaremos dos gêneros de culturas; dos lugares que lhes convêm; da adequação do edifício para o arejamento e a salubridade das habitações.

Se publicares isto, corta os últimos parágrafos, para que não sejam tomados como anúncios. 


Bernard Palissy







OBSERVAÇÃO: Esta comunicação e a seguinte foram obtidas pelo Sr. F..., o mesmo de quem falamos em nosso número de outubro, a propósito dos obsedados e subjugados. Por aí se pode julgar a diferença entre a natureza de suas comunicações atuais e as de outrora. Sua vontade triunfou completamente da obsessão de que era vítima, e seu mau Espírito não reapareceu. Estas duas dissertações lhe foram ditadas por Bernard Palissy.







domingo, 4 de fevereiro de 2024

O Espírito de Verdade - Revista Espírita - Allan Kardec - Ano VII - Dezembro de 1864 - Comunicação Espírita - A propósito da Imitação do Evangelho



O Espírito de Verdade - Revista Espírita - Allan Kardec - Ano VII - Dezembro de 1864 - Comunicação Espírita


A propósito da Imitação do Evangelho


Acaba de aparecer um novo livro; é uma luz mais brilhante que vem clarear a vossa marcha. Há dezoito séculos, por ordem de meu Pai, vim trazer a palavra de Deus aos homens de boa vontade. Esta palavra foi esquecida pela maioria dos homens, e a incredulidade, o materialismo vieram abafar o bom grão que eu tinha depositado em vossa Terra. Hoje, por ordem do Eterno, os bons Espíritos, seus mensageiros, vêm a todos os pontos do globo fazer ouvir a trombeta retumbante. Escutai suas vozes; são destinadas a vos mostrar o caminho que conduz aos pés do Pai celestial. Sede dóceis aos seus ensinos; os tempos preditos são chegados; todas as profecias serão cumpridas.

Pelos frutos se conhece a árvore. Vede quais são os frutos do Espiritismo: casais onde a discórdia tinha substituído a harmonia voltaram à paz e à felicidade; homens que sucumbiam ao peso de suas aflições, despertados pelos acordes melodiosos das vozes de além-túmulo, compreenderam que seguiam o caminho errado e, envergonhados de suas fraquezas, arrependeram-se e pediram força ao Senhor para suportarem as suas provações.

Provações e expiações, eis a condição do homem na Terra. Expiação do passado, provações para o fortalecer contra a tentação, para desenvolver o Espírito pela atividade da luta, habituá-lo a dominar a matéria e prepará-lo para as alegrias puras que o esperam no mundo dos Espíritos.

Há muitas moradas na casa de meu Pai, disse-lhes eu há dezoito séculos. O Espiritismo veio tornar compreensíveis estas palavras. E vós, meus bem-amados, trabalhadores que suportais o calor do dia, que credes ter de vos lamentar da injustiça da sorte, abençoai vossos sofrimentos; agradecei a Deus, que vos dá meios de quitar as dívidas do passado. Orai, não com os lábios, mas com o coração melhorado, a fim de que possais ocupar melhor lugar na casa de meu Pai. Como sabeis, os grandes serão humilhados, mas os pequenos e os humildes serão exaltados.


O Espírito de Verdade



Bordeaux, Maio de 1864. Grupo de São João. – Médium: Sr. Rul.