quarta-feira, 30 de abril de 2025

Emmanuel - Livro Alma e Coração - Chico Xavier - Cap. 9 - Ante a lei do bem



Emmanuel - Livro Alma e Coração - Chico Xavier - Cap. 9


Ante a lei do bem


Em verdade, quando as aflições se sucedem umas às outras, simultaneamente, em nossa vida, sentimo-nos à feição do viajor perdido na selva, intimado pelas circunstâncias a construir o próprio caminho.

Quando atinjas um momento, assim obscuro, em que as crises aparecem gerando crises, não atribuas a outrem a culpa da situação embaraçosa em que te vejas e nem admitas que o desânimo se te aposse das energias. 

Analisa o valor do tempo e não canalizes a força potencial dos minutos para os domínios da queixa ou da frustração. 

Ora, levanta-te dos obstáculos em pensamento e age em favor da própria libertação, na certeza de que, por trás da dificuldade, a lei do bem está operando.

Certifica-te, sobretudo, de que Deus, Nosso Pai, é o autor e o sustentador do Sumo Bem. Nenhum mal lhe poderia alterar o governo supremo, baseado em amor infinito e bondade eterna. 

À vista de semelhante convicção, o que te parece doença é processo e recuperação da saúde. 

Pequenos dissabores que categorizas por ofensas, serão convites a reexame dos empeços que te crivam a estrada ou apelos à oração por aqueles companheiros de Humanidade que levianamente se transformam em perseguidores das boas obras que ainda não conseguem compreender. 

Contratempos que interpretas como sendo ingratidão de pessoas queridas, quase sempre apenas significam modificações dos Desígnios Superiores, em benefício dos entes que amamos e que prosseguem credores de nosso entendimento e carinho.

Discórdia é problema que te pede ação pacificadora. 

Desarmonias domésticas mais não são que exigência de mais serviço aos familiares para que te concilies em definitivo com adversários do pretérito, suprimindo possibilidades de retorno a causas de sofrimento e desequilíbrio que já te induziram a quedas e obsessões em existências passadas, e até mesmo a presença da morte não se define senão por mais renovação e mais vida.

Sempre que aflições te visitem na forma de enfermidade ou tristeza, humilhação ou penúria, perseguição ou tentação, prejuízo ou desastre, não te rendas às sugestões de rebeldia ou desalento. 

Trabalha e espera, entre o prazer de servir e a felicidade de confiar, recordando que, se procuras pelo socorro de Deus, o socorro de Deus também te procura. 

E se a tranquilidade parece tardar, porque privações e provações se multipliquem, persevera com o trabalho e com a esperança, lembrando-te de que a lei do bem opera sempre e de que o amparo de Deus está oculto ou vem vindo.


Emmanuel













Ermance Dufaux - Livro Escutando Sentimentos: A atitude amar-nos como merecemos - Wanderley S. de Oliveira - Cap. 18 - Sentimento e Obsessão



Ermance Dufaux - Livro Escutando Sentimentos: A atitude amar-nos como merecemos - Wanderley S. de Oliveira - Cap. 18


Sentimento e Obsessão


"Quem quer que escuta a palavra do reino e não lhe dá atenção, vem o espírito maligno e tira o que lhe fora semeado no coração." (S. Mateus, 13:18 a 23) O Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo 17 - Item 5


Costuma-se relacionar obsessão com condutas viciosas como alcoolismo, tabagismo, sexolatria e outros vícios corporais. Entretanto, existe uma infinidade de conúbios obsessivos ainda não investigados que se operam em decorrência dos estados psicológicos e emocionais do ser humano.

Obsessão é uma interação de mentes que evolui no tempo através da sustentação de vínculos pela Lei de Sintonia, mantendo duas ou mais criaturas ligadas pelos seus interesses. Alterando ou deixando de existir tais interesses, a vinculação passa a ser circunstancial. Chamamo-la de pressão psíquica.

Que processo interiores experimenta a alma para que estabeleça um circuito de forças mentais dominadoras? Que estados psicológicos e emotivos servem de base na constrição mente a mente?

Analisemos, didaticamente, nesse terreno sutil, a sequência de interação mental mais frequente a partir da intenção obsessiva, nutrida por um Espírito desencarnado sobre as "brechas" oferecidas pelo encarnado.

Etapa um

* Existe a intenção do agente (obsessor).

* São acionados elementos de sintonia no receptor (obsidiado).

Etapa dois

* O agente invade os limites psicológicos e emocionais do receptor.

* Permissão do receptor.

Etapa três

* Produção de clichês induzidos.

* Assimilação de ideias intrusas e surgimento do conflito mental.

Etapa quatro

* Sugestões hipnóticas de manutenção.

* Enfraquecimento da vontade.

Etapa cinco

* Implantação de tecnologias.

* Adesão intencional ao plano do agente indutor através do sentimento.

Etapa seis

* Evolução e sofisticação do domínio sobre o receptor.

* Dependência através de simbiose afetiva compartilhada.

Adotando a progressividade didática utilizada pelo senhor Allan Kardec no capítulo XXIII de O Livro dos Médiuns, assim se enquadram as etapas acima referidas:

1) Obsessão simples - estabelecimento da sintonia - etapas 1 a 3.

2) Fascinação - Invasão dos limites alheios - etapas 4 e 5.

3) Subjugação - simbiose - etapa 6.

Na educação interior, certos comportamentos sujeitam-se à obsessão. Ao longo do tempo, os embates interiores causam em alguns discípulos espíritas a sensação de "fadiga na alma". Os esforços e vitórias parecem insignificantes e infrutíferos. Um nocivo sentimento de inutilidade toma conta da vida mental. Desponta a dúvida e com ela multiplicam-se as perguntas sobre a validade de perseverar. Não estará faltando algo? Melhorei de fato? Estarei sendo hipócrita?!

Nessa "hora psicológica" nascem muitas obsessões. Discípulos sinceros que sacrificaram longamente na conquista de si próprios estacionam em lamentação e descrença, desprezando as vitórias e fixando-se no derrotismo e na acomodação.

Um dos pontos educacionais da autoaceitação consiste em valorizar os nossos esforços de reeducação espiritual - ponto crucial na conquista de condições psicológicas adequadas ao crescimento interior. Quando não valorizamos o que já podemos realizar, abrimos a frequência da vida interior para a descrença, o desânimo e a desmotivação, convidando os famanazes da maldade para que dilapidem os tesouros de nossa vida íntima.

Façamos agora, portanto, uma radiografia da exploração obsessiva sobre o sentimento de "menos valia" ou baixa autoestima, valendo-nos das etapas supra enumeradas.

Etapa um

* O agente encontra campo vibratório para sua intenção constritora.

* A sensação de incapacidade é aceita pelo receptor, através de suas próprias crenças derrotistas programadas no inconsciente.

Etapa dois

* O agente penetra a vida psíquica do receptor e estimula o sentimento de indignidade já presente na "vítima".

* Adesão espontânea no clima da revolta em função das frustrações da vida.

Etapa três

* O agente trabalha com informações sobre as mazelas de seu alvo.

* São criadas as justificativas autodefensivas para a conduta invigilante.

Etapa quatro

* Sugestões hipnóticas de autodesvalorização através de ideias imaginárias do desprezo do outrem.

* Estado íntimo de insatisfação consigo próprio, levanto à culpa e apatia entre os ideais superiores.

Etapa cinco

* Tecnologias avançadas para instalar a descrença - o sentimento básico para consumar uma queda moral.

* Estado íntimo de falência cujo nome é desânimo - a doença de quem desistiu.

Etapa seis

* Exploração do receptor nos programas de ataque e interferência na sociedade carnal. "Assalariado carnal".

* Total dependência em quadros de adoecimento psíquico.

O conceito de vigilância vai muito além de disciplinar os pensamentos. É no campo do sentimento que nasce esmagadora maioria das obsessões. A capacidade de "pensar livre" ou decidir por nós é "quase nula" no concerto universal. Vivemos em regime de contínuo intercâmbio e interdependência.

Nesse contexto fenomenológico da vida mental não será incoerente afirmar que todos respiramos, em maior ou menor grau, nas faixas da obsessão. A questão é saber se somos por ela dominados ou se a temos sob nosso controle. Sob essa ótica, as obsessões são convites educativos contidos nas Leis Naturais para nosso aprimoramento.

Somente a oração ungida pelos sentimentos elevados, a intenção nobre e perseverante, seguidas da conduta reta, podem estabelecer um clima de autonomia psíquica desejável, que nos defenda da dominação dos interesses inferiores à nossa volta.

Essa autonomia interrompe o processo na "etapa dois", quando elabora no terreno dos sentimentos o autoamor - reconhecimento de nossa pequenez, seguido da alegria de poder contar sempre com a manifestação da Divina Providência em favor de nossas vastas necessidades espirituais.

"Quem quer que escuta a palavra do reino e não lhe dá atenção, vem o espírito maligno e tira o que lhe fora semeado no coração."

Com sua habitual lucidez Jesus estabeleceu em Mateus, capítulo quinze, versículo dezenove: Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.

Só carregamos por fora o resultado do que temos por dentro.


Ermance Dufaux











terça-feira, 29 de abril de 2025

Bezerra de Menezes - Livro Queda e Ascensão da Casa dos Benefícios - Chico Xavier - 2ª Parte - Preceitos à iluminação do Espírito - Cap. 14 - O homem novo



Bezerra de Menezes - Livro Queda e Ascensão da Casa dos Benefícios - Chico Xavier - 2ª Parte - Preceitos à iluminação do Espírito - Cap. 14


O homem novo


Cada dia que corre sobre a existência do homem constitui um passo a mais na direção da Suprema Verdade.

Há circunstâncias dolorosas que funcionam por incalculáveis benefícios à nossa própria redenção. Agradece os problemas que a Terra te deu, nos dias que passam, porque através deles recebeste lições inapreciáveis de paz e iluminação.

Realmente o caminho a trilhar é grande, todavia, qualquer jornada começa de um passo.

Antigamente, espalhávamos a riqueza de nossas oportunidades, como filhos perdulários do Lar de Nosso Pai; hoje, meu amigo, ajuntamos os recursos menosprezados e reunimos os tijolos dantes perdidos para restabelecer os nossos créditos morais, diante da Divina Misericórdia.

Nunca o vosso planeta esteve tão necessitado de amor e luz como na presente época.

Busquemos a tarefa que nos cabe realizar e a edificação coletiva com Jesus erguer-se-á sublime, lançando seguros alicerces no presente, para que o futuro pertença ao reino de Deus.

A veste física é barco de inestimável valor para a travessia do oceano das provas, a cujos perigos nos atiramos pela imprevidência do pretérito.

Roguemos a todos, meus filhos, mais harmonia e mais união, sem o cansaço e sem o azedume que tantas vezes nos impõem dificuldades e espinhos de vulto.

Tenhamos mais devoção à fraternidade pura, ajudando-nos com lealdade inquebrantável uns aos outros, perdoando-nos mutuamente e entrelaçando os próprios braços no trabalho a realizar.

A concórdia fraternal nunca nos foi tão essencial. O espírito de serviço em tempo algum, como agora, foi convocado ao sacrifício e ao devotamento, a fim de que as verdades da alma prossigam luzindo sobre os interesses materiais.

Serenidade e tolerância uns para com os outros; paciência recíproca e mútua compreensão.

Esqueçamos quaisquer prurido de separatividade em quaisquer questões a que formos chamados e procuremos compreender e servir.


Bezerra de Menezes










Ramiro Gama - Livro Lindos Casos de Bezerra de Menezes - Chico Xavier / Ramiro Gama - Cap. 2 - Na tarefa da própria salvação



Ramiro Gama - Livro Lindos Casos de Bezerra de Menezes - Chico Xavier / Ramiro Gama - Cap. 2


Na tarefa da própria salvação


Na Sessão pública, de 14 de fevereiro de 1958, do Centro Espírita Luiz Gonzaga, de Pedro Leopoldo, em Minas, pedimos, por escrito, ao Espírito do Dr. Bezerra de Menezes que nos dissesse algo a respeito de seus Lindos Casos, aos quais, humilde e sinceramente, demos a moldura descolorida de nossa palavra escrita, e, ele, como sempre modesto e piedoso, atendeu-nos pelo lápis de Chico Xavier, enviando-nos estas palavras de luz que lhe trazem a grandeza espiritual e que nos recordam os deveres inadiáveis que temos para com o Divino Mestre, que, através dos Mais Lindos Casos da Sua passagem pela Terra, vestiu a Vida de uma Paisagem nova, revelando-nos o Amor de Deus e deixando-nos o Roteiro salvacionista de Sua Boa Nova. 

— "Meu filho: 

É difícil falar acerca de nós mesmos. 

Peçamos a Deus nos faça servidores da Causa de nosso Divino Mestre, diante de Quem somos tão somente espíritos endividados, com inadiáveis imperativos de trabalho na Tarefa da própria salvação." 

Bezerra! 

Todavia, Os Lindos Casos de Bezerra de Menezes, que, por gratidão e estima, opulentam este Livro, registam também Lições Evangélicas, modalidades cristãs de servir, de amar e viver e valem, por isto, na Hora Presente, ainda que pobremente emoldurados, por um Roteiro seguro, com o qual, espíritos endividados que ainda somos, diante do Amigo Celeste, poderemos realizar o trabalho de nossa própria salvação. 

Com esta intenção sincera, rogamos a Jesus que ilumine mais e mais o Espirito do Dr. Bezerra de Menezes e os de quantos, em lendo Seus Lindos Casos, se dêem pressa de realizar a Tarefa Salvadora, entendendo e praticando, assim, as Lições Sagradas do Evangelho, o Livro da Vida e da nossa redenção!


Ramiro Gama









segunda-feira, 28 de abril de 2025

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 83 - Examinai



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 83


Examinai


“Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa.” — JOÃO (2 João, 10)


É razoável que ninguém impeça o próximo de falar o que melhor lhe pareça; é justo, porém, que o ouvinte apenas retenha o que reconheça útil e melhor. Em todos os setores da atividade terrestre e no curso de todas as tarefas diárias, aproximam-se irmãos que vêm ter convosco, trazendo as suas mensagens pessoais.

Esse é portador de convite à insubmissão, aquele outro é um vaso de queixas enfermiças.

Indispensável é que a casa terrestre não se abra aos fantasmas.

Batem à porta? A prudência aconselha vigilância.

O coração é um recinto sagrado, onde não se deve amontoar resíduos inúteis.

É imprescindível examinar as solicitações que avançam.

Se o mensageiro não traz as características de Jesus, convém negar-lhe guarida, de caráter absoluto, na casa íntima, proporcionando-lhe, porém, algo das preciosas bênçãos que conseguimos recolher, em nosso benefício, no setor das utilidades essenciais.

Inúmeros curiosos que se aproximam dos discípulos sinceros nada possuem, além da presunção de bons faladores. São, quase sempre, grandes necessitados sob a veste falaciosa da teoria.

Sem feri-los, nem escandalizá-los, é justo que o devotado aprendiz de Jesus lhes prodigalize algum motivo de reflexão séria. Desse modo, os que julgam conduzir um estandarte de suposta redenção passam a conduzir consigo a mensagem do bem, verdadeiramente salvadora.

O problema não é o de nos informarmos se alguém está falando em nome do Senhor; antes de tudo, importa saber se o portador possui algo do Cristo para dar.


Emmanuel











Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 45 - Conversar



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 45


Conversar


“Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graças aos que a ouvem.” — Paulo. (EFÉSIOS, 4.29)

O gosto de conversar retamente e as palestras edificantes caracterizam as relações de legítimo amor fraternal.

As almas que se compreendem, nesse ou naquele setor da atividade comum, estimam as conversações afetuosas e sábias, como escrínios vivos de Deus, que permutam, entre si, os valores mais preciosos.

A palavra precede todos os movimentos nobres da vida. Tece os ideais do amor, estimula a parte divina, desdobra a civilização, organiza famílias e povos.

Jesus legou o Evangelho ao mundo, conversando. E quantos atingem mais elevado plano de manifestação, prezam a palestra amorosa e esclarecedora.

Pela perda do gosto de conversar com alguém, pode o homem avaliar se está caindo ou se o amigo estaciona em desvios inesperados.

Todavia, além dos que se conservam em posição de superioridade, existem aqueles que desfiguram o dom sagrado do verbo, compelindo-o às maiores torpezas. São os amantes do ridículo, da zombaria, dos falsos costumes.

A palavra, porém, é dádiva tão santa que, ainda aí, revela aos ouvintes corretos a qualidade do espírito que a insulta e desfigura, colocando-o, imediatamente, no baixo lugar que lhe compete nos quadros da vida.

Conversar é possibilidade sublime. Não relaxes, pois, essa concessão do Altíssimo, porque pela tua conversação serás conhecido.


Emmanuel












Emmanuel - Livro Alma e Coração - Chico Xavier - Cap. 44 - Conversa em família



Emmanuel - Livro Alma e Coração - Chico Xavier - Cap. 44


Conversa em família


Quando observares a dificuldade moral de alguém, não te detenhas na superfície das coisas. Aprofunda-te no exame das causas, para que a injustiça não te enodoe o coração.

Recordemos que o médico nem sempre identifica a enfermidade pelo que vê, mas sobretudo por aquilo que não vê, apoiado na cooperação do laboratório.

Raramente, todo o mal é aquele mal que se enxerga no lado visível das circunstâncias.

A Humanidade é constituída de povos; cada povo se baseia em comunidades; cada comunidade é uma coletânea de grupos; cada grupo é uma constelação de almas.

Não opines sobre qualquer acontecimento infeliz, sem apreciar todas as peças que o suscitaram.

Como definir a posição da esposa, imaginada em desvalimento, sem considerar a conduta do esposo, chamado pelos princípios de causa e efeito a prestar-lhe assistência?

E como examinar o homem tombado em criminalidade passional, sem analisar a mulher que o levou ao desvario?

De que modo interpretar os jovens transviados, sem tocar nos adultos que os largaram à matroca, e de que maneira observar a penúria dos mais velhos, sem anotar o abandono a que foram votados pelos mais moços?

Como acusar unicamente os maus, sem perguntar aos bons o que fizeram por eles, na esfera da convivência?

E como condenar exclusivamente os pecadores, sem saber que orientação recolheram dos virtuosos que com eles comungam a vida cotidiana?

Serão justos ou insensíveis os espíritos nomeados por justos quando relegam seus irmãos aos enganos da injustiça, sem a mínima frase que lhes clareie o raciocínio?

E serão corretos ou ingratos os Espíritos supostos corretos quando deixam seus irmãos afundados no erro, sem o menor amparo que lhes refaça o equilíbrio?

Irmãos uns dos outros pelos laços da família maior — a Humanidade, — à frente de nossos companheiros caídos, antes de censurá-los será preciso interrogar-nos a nós próprios que espécie de benefício já lhes teremos feito, a fim de que não resvalassem no lodo que lhes desfigura a face divina de filhos de Deus, tão carecedores da bênção de Deus quanto nós.

Reflitamos nisso, porque, atendendo a isso, sempre que impelidos a observar o comportamento de alguém, teremos a misericórdia por inspiração e apoio, a fim de que não falhemos ao imperativo do amor para a glória do bem.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Mãos Unidas - Chico Xavier - Cap. 26 - Abolição do mal



Emmanuel - Livro Mãos Unidas - Chico Xavier - Cap. 26


Abolição do mal


Quem se refere à perseguições e calúnias, rixas e desgostos, na maior parte das circunstâncias, está destacando a influência do mal.

Quantos milhares de caminhos, entretanto, para equilíbrio e restauração, alegria e esperança se todos nos empenhássemos a extinguir impressões negativas no nascedouro!…

Determinado amigo terá incorrido no erro de que o acusam, todavia se nos afastamos da censura que o envolve, anotando-lhe unicamente as qualidades nobres de filho de Deus, com possibilidades de recuperação iguais às nossas, mais depressa se verá liberto da inquietação na sombra para readquirir a tranquilidade de consciência.

Certo acontecimento menos feliz haverá sido indiscutivelmente um desastre social, no entanto, se nos abstemos de comentá-lo nos aspectos destrutivos, teremos cooperado para que se lhe pulverizem os destroços morais, sem piores consequências.

Aquela injúria assacada contra nós efetivamente nos haverá queimado as entranhas do ser, entretanto desaparecerá nas correntes profundas do tempo, se nos consagramos a olvidá-la, sem comunicar-lhe o fogo devorador aos entes queridos, através de alegações menos edificantes.

Essa confidência amarga ter-nos-á atingido o coração, por farpa invisível, mas não ferirá outros, se nos dispusermos a esquecê-la.

Reflitamos na contribuição da paz a que todos somos chamados e para a qual todos somos capazes com segurança e eficiência.

Para começar, porém, de maneira substanciosa e definitiva, é preciso que o mal cesse de agir, tão logo nos alcance, encontrando em cada um de nós uma estação terminal das trevas.


Emmanuel











Emmanuel - Livro Abrigo - Chico Xavier - Cap. 8 - Na intimidade do Mestre



Emmanuel - Livro Abrigo - Chico Xavier - Cap. 8 - Na intimidade do Mestre


… E porque o aprendiz perguntasse ao Mestre o motivo pelo qual fora chamado ao seu campo de ação, respondeu o Senhor, compassivamente:

— “Decerto, não foste convidado a criticar, porque, para isso, a Terra dispõe daqueles que transitam entre a malícia e o azedume…

“Com certeza, não foste trazido à Revelação para apedrejar o próximo infeliz, porquanto, para esse fim, a crueldade ainda campeia no mundo, usando corações cristalizados na indiferença…

“Indiscutivelmente, não foste citado para fortalecer a ingratidão e a calúnia, de vez que para estendê-las a Humanidade ainda conta com milhares de criaturas entregues à leviandade e à maledicência…

“Sem dúvida, não foste convocado para descobrir as cicatrizes e as chagas de nossos irmãos, porque, para esse mister, possuímos a legião daqueles que se imobilizam na procura do mal…

“Chamei-te para abençoar onde outros amaldiçoam, para justificar onde muitos reprovam e condenam.

“Busquei-te para auxiliar com a boa palavra onde o verbo envenenado espalha fogo e fel, convidei-te para o socorro aos ausentes, necessitados de entendimento e compreensão…

“Trouxe-te à verdade para que as feridas de nossos semelhantes encontrem bálsamo e para que a doença deles receba em ti remédio salutar…

“Concitei-te para que haja fraternidade onde a separação ainda persista, para que a paciência brilhe contigo onde brade a revolta e para que a esperança não se apague onde corre, desapiedado, o sopro frio do desânimo…

“Ninguém te chamou para avivar entre os homens o incêndio da perversidade, do egoísmo, da violência e do ódio, mas sim para que a Bondade Infinita do Céu em ti encontre justo sustentáculo para exprimir-se no mundo com o esplendor que lhe é própria.

“Se aspiras, portanto, a condição de escolhido para a vitória com as Leis Divinas, abandona as exigências do espírito de domínio que, porventura, ainda vibrem por dentro de ti…

“E, fiel aos compromissos que abraçaste no Evangelho Renovador, sentirás na intimidade do coração a felicidade suprema do amigo fraternal que acende em si próprio o fulgor da luz celeste…”

Foi então que o aprendiz penetrou o santuário de si mesmo e passou a meditar…


Emmanuel












Emmanuel - Livro Ideal Espírita - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 33 - Caminho alto



Emmanuel - Livro Ideal Espírita - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 33


Caminho alto


Além da morte, as alegrias são fulgurações crescentes do Espírito, na liberação das forças emotivas que se descartaram da matéria mais densa, entretanto, no mesmo princípio, as dores da consciência atingem o superlativo da angústia.

À vista disso, o remorso em nós é qual fulcro de agonias morais reavivando a lembrança dos nossos erros, com espantoso poder de repetição.

Carregamos, desse modo, além-túmulo, o fardo de nossas culpas, a exibir constantemente o espetáculo das próprias fraquezas, e imploramos a reencarnação como quem sabe que o corpo físico é o instrumento capaz de reabilitar-nos.

Nessas circunstâncias, não poupamos súplicas, não regateamos promessas, não medimos votos, não subestimamos sacrifícios… Encomendamos serviço e luta, assinalando a inquietude do sedento que pede água.

Aspiramos a apaziguar paixões, purificar sentimentos, resgatar débitos, santificar ligações e elevar experiências, na conquista da própria renovação.

E, quase sempre, renascemos em duras dificuldades, a fim de redimir-nos, à maneira do aluno internado na escola para educar-se.

Não recuses, assim, a provação ou o problema que o mundo te impõe, nas horas breves da passagem sob a neblina da carne. A moléstia, a inibição, o sonho torturado, o parente difícil, a separação temporária ou o infortúnio doméstico representam cursos rápidos de regeneração pessoal, em que somos chamados ao próprio burilamento.

Recorda que voltarás, amanhã, para o lar da luz de onde vieste. Não impeças que o suor do trabalho ou o pranto do sofrimento te dissolvam as sombras do coração.

Todo mal de ontem ressurge ao mal de agora para que o bem apareça e retome a governança da vida.

O erro desajusta.

A dor restaura.

É por isso que, entre a ilusão que obscurece e a verdade que ilumina, a reencarnação será sempre o alto caminho do recomeço.


Emmanuel









 

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 6 - Valei-vos da luz



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 6


Valei-vos da luz

 
“Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem.” — Jesus. (JOÃO, 12.35)


O homem de meditação encontrará pensamentos divinos, analisando o passado e o futuro. Ver-se-á colocado entre duas eternidades — a dos dias que se foram e a que lhe acena do porvir.

Examinando os tesouros do presente, descobrirá suas oportunidades preciosas.

No futuro, antevê a bendita luz da imortalidade, enquanto que no pretérito se localizam as trevas da ignorância, dos erros praticados, das experiências mal vividas. 

Esmagadora maioria de personalidades humanas não possui outra paisagem, com respeito ao passado próximo ou remoto, senão essa, constituída de ruína e desencanto, compelindo-as a revalorizar os recursos em mão.

A vida humana, pois, apesar de transitória, é a chama que vos coloca em contato com o serviço de que necessitais para a ascensão justa. Nesse abençoado ensejo, é possível resgatar, corrigir, aprender, ganhar, conquistar, reunir, reconciliar e enriquecer-se no Senhor.

Refleti na observação do Mestre e apreender-lhe-eis o luminoso sentido. Andai enquanto tendes a luz, disse Ele.

Aproveitai a dádiva de tempo recebida, no trabalho edificante.

Afastai-vos da condição inferior, adquirindo mais alto entendimento.

Sem os característicos de melhoria e aprimoramento no ato de marcha, sereis dominados pelas trevas, isto é, anulareis vossa oportunidade santa, tornando aos impulsos menos dignos e regressando, em seguida à morte do corpo, ao mesmo sítio de sombras, de onde emergistes para vencer novos degraus na sublime montanha da vida.


Emmanuel









domingo, 27 de abril de 2025

Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 10 - Entre chamados e escolhidos



Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 10


Entre chamados e escolhidos


Apreciando aquele ensinamento dos “chamados e escolhidos”, a destacar-se da palavra do Senhor, nas lições do Evangelho, mentalizemos o assunto, transferindo-o a uma oficina terrestre.

Em favor da produção de serviço, são aí admitidos colaboradores de variada procedência, escalonados em classes diversas.

Todos são chamados pela obra a fazer, a fim de conjugarem esforços dentro das finalidades da instituição a que se ajustam.

Entretanto, raros se portam à altura dos compromissos que assumem.

Muitos deles devoram o tempo, renovando indagações incessantes acerca dos problemas comezinhos da casa, a pretexto de recolherem esclarecimentos e diretrizes.

São os servos ociosos.

Outros muitos confiam-se à irascibilidade e à cólera, arrojando de si os fluidos empestados da indisciplina com que espalham o fogo da rebelião e o gelo do desânimo, anulando máquinas e desencorajando os companheiros.

São os servos revoltados.

Muitos ainda entregam-se ao culto da lisonja, abandonando as obrigações que lhes cabem, para tecerem elogios venenosos à pessoa dos dirigentes, com o fim de lhes subornarem a consciência, à cata de vantagens materiais.

São os servos bajuladores.

Muitos se refugiam nos programas extensos, salientando o futuro com discursos brilhantes, nos quais se reportam a imaginárias realizações, abominando os deveres humildes que consideram indignos da inteligência que lhes é própria.

São os servos inoperantes.

Mas há um tipo de cooperador que indaga pouco e age muito, que cultua a dignidade pessoal sem descer aos desvarios do orgulho, que sustenta o respeito devido à ordem sem se render à adulação e que traça diretivas de trabalho para cumpri-las, cada dia, ao preço do próprio amor e da própria renúncia.

Servos desses são aqueles que o serviço elege por seus diretores, sem qualquer recurso a caprichos particulares.

Assim, para que te faças escolhido como sustentáculo na obra da luz e do amor, não basta te consagres a longas plataformas verbais ou a preciosas promessas da boca, vazias de substância e sentido.

Antes de tudo, é imprescindível saibamos escolher a própria luz e o próprio amor como normas de nossa vida, porque assim, através do constante serviço aos outros, edificaremos o verdadeiro serviço a nós mesmos em abençoada e permanente ascensão.


Emmanuel












Emmanuel - Livro Levantar e Seguir - Chico Xavier - Cap. 14 - Árvores



Emmanuel - Livro Levantar e Seguir - Chico Xavier - Cap. 14


Árvores


 “E levantando ele os olhos, disse: Vejo os homens, pois, os vejo como árvores que andam.” — (Marcos 8.24)


O cego de Bethsaida, retomando os dons sagrados da vista, proferiu observações de grande interesse. Sua comparação é das mais belas.

O reino das árvores apresenta silenciosas mensagens aos que saibam ouvi-lo.

Qual acontece, no caminho das criaturas, existem árvores de todos os feitios.

Veem-se as que se cobrem apenas de ramos farfalhados à maneira dos homens palavrosos;

as tortuosas, copiando os seres indecisos, ensaiando passos para o ingresso nas estradas retilíneas;

as de tronco espinhoso, imitando os Espíritos mais ásperos e ainda envenenados;

as frutíferas que auxiliam carinhosamente as criaturas, não obstante os golpes e incompreensões recebidos, dando a ideia das almas santificadas, que servem ao Bem e à Verdade, no silêncio divino.

Nessa flora, como os seres ignorantes e grosseiros que ainda não chegaram a ser homens espirituais, não obstante a sua forma física, existem igualmente as plantas invasoras e parasitárias que não chegaram a ser árvores, apesar da forma verde de suas folhas.

Quem não terá visto, alguma vez, a erva daninha, tentando sufocar a laranjeira, imitando as lutas da estrada humana?

Quem não terá observado a trepadeira fascinante, florindo na coroa de uma árvore centenária, dando a impressão de ser tão alta e de tronco tão robusto, quanto ela?

Que homem não terá reconhecido o ataque das plantas minúsculas que costumam esconder as estradas e invadir as propriedades ao abandono?

O plano dos vegetais oferece às criaturas lições de profundo valor.

Se já podes ver, como aquele cego feliz de Bethsaida, procura ser um elemento útil e digno, entre as árvores que andam.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Fé e Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16 - Abrigo



Emmanuel - Livro Fé e Vida - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16


Abrigo


Tristes viajores relegados à intempérie conhecem, de sobra, as convulsões e angústias da natureza.

Apreensivos e atormentados, toleram agora o assédio do temporal que lhe encharca a veste rota, compelindo-os a atravessar o pântano em movimento.

Em seguida, sofrem o impacto de insetos escarninhos, que lhe sugam o sangue à flor da epiderme, quando não padecem o assalto oculto da fauna microscópica que lhe intoxica os centros de força.

Para eles, a noite é mais densa e a ventania mais áspera, constrangendo-os a caminhar…

Eis, porém, que lar amigo se lhe reponta à frente, ofertando-lhe à aflição sossegado refúgio.

Acolhidos, com amor, repousam e reaquecem-se ao aconchego da confiança, cobrando energias novas na procura da meta que deve continuar.

No quadro simples de cada dia, encontramos a alma humana entregue às sombras da tempestade moral, na hora difícil que atravessamos…

Flagelações e perigos cercam-lhe o passo, através de todos os flancos da luta, enquanto venenos sutis de cansaço e discórdia lhe imobilizam as esperanças…

Entretanto, o coração fraternal que a fé esclarece, ao Sol do Cristo eterno, é o abrigo de amor que a estrada lhe propicia, santuário ditoso em que há paz e remédio, alimento e consolo…

Guardemos, pois, no mundo, a tarefa da bênção que o Senhor assinala à nossa fé sublime, a fim de que sejamos, hoje, agora e amanhã o altar de entendimento em que a vida de todos se refaça mais límpida, na romagem da Terra, para a luz do porvir.


Emmanuel










Pedro Leopoldo (MG), 8 de novembro de 1957.

Emmanuel - Livro Encontro de Paz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Prefácio - Encontro de Paz



Emmanuel - Livro Encontro de Paz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Prefácio


Encontro de Paz


Leitor Amigo.

Frequentemente, anseias por segurança e tranquilidade, no entanto, é forçoso não esquecer que paz e estabilidade estão em ti e se irradiam de ti.

Se o tumulto te rodeia, envia pensamentos de harmonia aos que se emaranham nele, desejando-lhes reajuste.

Ante conflitos que surjam, silencia projetando vibrações de entendimento a quantos se lhes fazem vítimas, aspirando a vê-los repostos na luz da fraternidade.

À frente de companheiros entregues à desesperação, imagina-te a envolvê-los em serenidade, rearticulando-lhes o otimismo e a esperança.

Perante o desequilíbrio de alguém, auxilia a esse alguém com os teus votos íntimos de recuperação e repouso.

Se te vês ao lado de um enfermo, detém-te a meditar em melhora e restauração, augurando-lhe saúde e alegria.

Diante de irmãos abatidos e tristes, canaliza para eles a tuas mais amplas ideias de reconforto.

Quando ouvires uma pessoa imatura ou portadora de conversação menos feliz, busca socorrê-la sem palavras, encaminhando-lhe mensagens inarticuladas de compreensão e simpatia.

Se te recordas de amigos ausentes, mentaliza apoio e bondade, relativamente a eles, a fim de protegê-los e animá-los na execução dos compromissos que abraçam.

Este livro é um encontro de paz.

Saibamos suprimir de sentimentos, ideias, atitudes, palavras e ações tudo o que relacione com ressentimento, perturbação, ódio, azedume, amargura ou violência e, trabalhando e servindo no bem de todos, procuremos agir e pensar em paz, doando paz aos que nos compartilham a vida.

O Reino dos Céus é luz de amor em refúgio de paz e não nos será lícito olvidar que Jesus, a cada um de nós, afirmou, convincente: — “Não procures o Reino de Deus aqui ou além, porque o Reino de Deus está dentro de ti.” 


Emmanuel










Uberaba, 5 de junho de 1973.
Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano