segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Léon Denis - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 16 - Fraternidade, Fraternidade!



Léon Denis - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 16


Fraternidade, Fraternidade!


No momento em que o homem terreno realiza uma pausa na corrida armamentista para sondar os espaços infinitos; no instante em que as experiências espaciais coletam dados antes imensuráveis e informações preciosas; na hora em que a Terra experimenta sofregamente, a dissolução dos costumes e uma dor angustiante se espalha por todos os quadrantes, conclamando as personalidades esquizoides ao suicídio e a posições inomináveis no campo da personalidade; no período em que as guerras calamitosas abrem as fauces hiantes, dilacerando as estruturas sociais da Civilização e exaurindo as inesgotáveis fontes de confiança do espírito humano; quando a Ciência atinge as mais elevadas manifestações do conhecimento tecnológico e o homem, simultaneamente, caminha obumbrado pelos corredores da amargura, retido ainda nos bastiões da ignorância e da loucura, merece que façamos uma análise dos acontecimentos da História Universal, e, fazendo-a, recordemos as epopeias que se desenrolaram às margens dos rios que foram matrizes das nobres culturas da antiguidade Oriental: o Nilo, o Tigre, o Eufrates, que prosseguem no ritmo multimilenário" das suas águas, lambendo os alicerces das cidades do passado, que pareciam fadadas à Eternidade e sucumbiram, seguindo modorrentas, lavando as pedras que se desconjuntaram das grandes construções ou que mergulharam no hoje fantástico açude, em Assuã, quase não mais evocando a memória semimorta dos povos pretéritos que, então, retornam à nossa mente indagadora: assírios e babilônios, os que viveram na opulência de Nínive ou na grandeza da Média, da Pérsia, como nos colossos do Egito, com as suas cidades faustosas, sejam Alexandria ou Mênfis caracterizadas pelo poder e pela abundância, transformadas em metrópoles que pareciam desafiar a posteridade dos tempos e o suceder dos espaços... E com elas lembramos os construtores de Impérios e os vencedores de exércitos que comandaram tropas sanguinárias, para serem vitimados logo após pela própria irracionalidade de propósitos, como sucedeu a Dario e Assurbanipal, aos Salmanaser e a Baltazar, a Nabucodonosor e Hamurabi, aos dois Sargãos e aos gloriosos dominadores das semi-eternas dinastias egípcias, que duraram um dia, mas de cuja glória somente as pedras talhadas guardam descoloridas impressões refletidas nas gastas efígies que o passar ininterrupto dos tempos, em vendavais contínuos, como o atritar incessante das areias em convulsões no intérmino das eras, modificaram profundamente.
 
Recordamos as glórias dos seus estados títeres e depois o desertar dos povos que os abandonaram, transformando-os em cidades mortas, — advertências graves à história do futuro nos seus fundamentos inabordáveis e raramente aproveitados! — Atingimos, pelo pensamento, as civilizações mediterrâneas da Europa, alcançamos o Egeu e evocamos a grandeza da Hélade, para logo após revermos Roma diante do Tirreno, recém saída do Lácio, e sentir-lhe as conquistas fabulosas que, da península Itálica à Ibérica se transformaram em matrizes de novas culturas, dando origem a cidades que se converteram em amontoados tristes, com as vidas fanadas, sejam essas originadas nas imensas e longínquas estepes nevadas ou hajam descido das cordilheiras quase inacessíveis, como consequência dos exércitos de Alexandre, o macedônio, ou remanescentes de Cambises, o persa, ou hajam surgido com os grandes conquistadores mongóis e bárbaros, rastreadas de sangue, cobertas de cinzas, sepultadas em lama ou afogadas pelos rios das lágrimas, vítimas dos impulsos, sob cujo guante caíram, no furor das loucuras dominadoras de um momento, passando a intérminas aflições de muitas gerações.

Rememoramos, também, o esforço da Cultura, tentando libertar-se da ignorância medieval, para estabelecer o empirismo indagador, a espocar logo depois, no renascimento das ideias e das artes, abrindo à História novos fastos e novas glórias que culminaram na Revolução da França, quando se pretenderam estabelecer os "direitos do homem" e proclamarem os ideais consubstanciados na liberdade, que é a lei da Vida, na igualdade, que é materialização daqueles Direitos humanos e na fraternidade, que é o corifeu das duas outras, a fim de sentir o eclodir das paixões que gritavam nas tubas vitoriosas de Napoleão e foram desmoralizadas pelo Carbonário, mais tarde, ao trair os ideais da República através do restabelecimento da decaída Monarquia...

Relembramos os colossos e aflições das lutas intérminas pela hegemonia dos Estados Italianos, pela reorganização da Prússia, pelas ambições, dos Estados Latinos e Anglo-Saxônicos para, nesta atualidade, rever a Humanidade dividida novamente em três grandes blocos decorrentes do egoísmo dominador: subdesenvolvida, desenvolvida e terceiro mundo, na vã, qual louca correria da dominação totalitária para estabelecer na Terra o estágio da posse bélica, tão transitória quanto as expressões da vaidade que perpassa como quadra primaveril e morre no entanguido da realidade do Tempo.

Somos, então, impulsionados a recordar Jesus, o Esteta da Fraternidade legítima, sulcando o solo dos corações e plantando na terra do amor os pilotis do santuário da compreensão humana, instaurando de logo o Reino da Tolerância, tendo como alicerce a Manjedoura da humildade e como ápice os braços rasgados de uma cruz de infâmia, formando todo um cendal de estrelas para aqueles que aspiram à imortalidade e à vida.

Ainda aí, todavia, evocamos mil disputas humanas, as "guerras de Religião" que ocultavam, nas suas manifestações intestinas, as ambições cruéis da política ultramontana dos homens, sempre ávidos pelas posições de destaque e do relevo mentiroso que se esfunam e convertem em cinzas da ilusão, como resultado do fogo desaparecido, ora reminiscências amargas...

Despertamos hoje, porém, em pleno fastígio do Espiritismo cristianizante que recoloca as balizas do período da fraternidade ideal no mundo de angústias, dando início à era do amor precioso para a elaboração verdadeira da felicidade no país desconhecido dos corações.

Diante das conquistas inabordáveis do homem, homem que já se fez hóspede inusitado do satélite pardo-acinzentado da Terra, somos constrangidos a reconhecer a vitória do engenho humano sobre as barreiras antes intransponíveis do seu habitat e simultaneamente verificamos a inexequibilidade das suas conquistas face às ambições desvairadas que o governam e as pretensões de transformar, talvez, Celene, dantes sonhadora em base míssil, para atacar os países ditos adversários, que se anteponham às ambições totalitárias dos governos arbitrários e loucos, que sempre sonham com Estados Moloques, cujas rédeas desejam reter nas mãos inábeis e nos espíritos furiosos.

Repetimos: Fraternidade, Fraternidade!

Disputavam antes o teu nome girondinos e jacobinos e proclamavam-te Robespierre e Danton, Marat e Condorcet, nos dias da loucura e do Terror, fazendo que silenciasses a voz sob o caudal de sangue que corria da arma de Joseph-Ignace Guillotin. Sobreviveste, porém, e cantas aos ouvidos do mundo a epopeia idealista dos dias de amanhã. Quando, cansado e sofrido, o espírito humano compreender que é necessário amar, que a evolução depende do conhecimento mas também de ti, então voltarás triunfalmente à Terra de todos para abraçares os homens numa só família. Nessa hora, o Rei Apoteótico e Singular, vencedor da sepultura vazia e da morte, cantará aos ouvidos do mundo a melodia do gozo decorrente da paz em pleno milênio de luz, que já agora amanhece, não obstante o crepúsculo profunda que experimentamos através de dores ásperas.

... E para que não tardem as primeiras claridades do empreendimento sublime e do entendimento entre os homens, dêmo-nos as mãos como elos preciosos da corrente da vida, onde quer que estejamos, vivendo a Fraternidade de agora: na célula da família ou no organismo da sociedade onde mourejamos, para que ela possa agigantar-se por toda a Terra partindo de nós, os cristãos novos que, acreditando na Imortalidade vivemos desde hoje, mediante o intercâmbio puro e santo entre as duas esferas da vida, bendizendo o nome Fraternidade, Fraternidade!, e esparzindo amor. 


Léon Denis








- Moloque, Moloc ou Moloch é o deus ao qual os amonitas, uma etnia de Canaã (povos presentes na península arábica e na região do Oriente Médio), cultuavam. Também é o nome de um demônio na tradição cristã e cabalística. 
- "fauces hiantes" é um recurso linguístico utilizado para transmitir a voracidade da miséria e a fome resultante das desigualdades sociais.
- "Esteta" pessoa que professa o culto do belo.
- "Pilotis" é um conjunto de colunas que sustentam uma obra.



sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Bezerra de Menezes - Livro Queda e ascensão da Casa dos Benefícios - Chico Xavier - 2ª Parte - Cap. 4 - Orientando os médiuns



Bezerra de Menezes - Livro Queda e ascensão da Casa dos Benefícios - Chico Xavier - 2ª Parte - Cap. 4


Orientando os médiuns


De mensagem recebida em 11.07.1952

O programa dos mediadores dedicados à luz divina entre as sombras humanas revela itens de sacrifícios a que nenhum trabalhador bem orientado poderá fugir: trabalhar sem recompensa, amparar a todos; servir sem pruridos de personalismo; humilhar-se para que a bondade do Alto seja devidamente exaltada; apagar-se a fim de que a lâmpada do Senhor brilhe com mais ampla intensidade em nosso roteiro pessoal; desdobrar as ações do bem e intensificá-las em todas as direções; semear com o Cristo sem desânimo; abrir os celeiros do coração para a fome de entendimento que devora os nossos irmãos da Terra; consagrarmo-nos de modo absoluto à felicidade alheia para recolher, com isso, a própria felicidade, são atitudes e medidas, determinações e bênçãos que precisamos sustentar, para que a luz do Céu encontre ressonância dentro de nós.

Pacificando os desejos e caprichos de nosso “eu”, ajustando-nos aos celestes desígnios, a sabedoria do Alto encontrará, em nossas energias, a instrumentalidade indispensável à manifestação do Senhor, onde respirarmos; e trabalhando com assiduidade e carinho, instalaremos a obra de reestruturação dos próprios destinos, à frente do porvir.

Vigiemos, assim, meus amigos, acendendo, cautelosamente, a lâmpada singela da humildade para que o tempo não se escoe vazio, nas nossas mãos necessitadas de boas obras.


Bezerra de Menezes












Miramez - Livro Médiuns - João Nunes Maia - Pág. 147 - Almas Afins



Miramez - Livro Médiuns - João Nunes Maia - Pág. 147


Almas Afins 


"Diariamente perseveraram unânimes no templo, partiam pio de casa em casa, e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração". Atos — Cap. 2, v. 46

Desde o princípio que Jesus se preocupou em reunir almas afins para seu apostolado de amor. Basta olhar para a natureza e notaremos analogia em tudo. A força que liga as coisas iguais é a do amor, argamassa divina que nos prende mais acentuadamente aos nossos iguais. E ê nesta conjunção por aliança que se destampa o clima da harmonia. As reuniões em um templo não deixam de ser também para estreitar laços de afeições na diligente força da fraternidade.

O Cristo, o maior dentre os homens em inteligência, escolheu, para seu rebanho mais íntimo, doze discípulos altamente afinados entre si e famintos pela sabedoria espiritual. O Mestre despejava sobre eles uma profusão de luzes nunca antes conhecida por homens da Terra. E eles se alimentavam e viviam com essas bênçãos celestiais. Para assegurar esta afirmação, escutemos Paulo, Coríntios, capítulo 10, versículo 3: "Todos eles comeram de um só manjar espiritual". Cada um dos apóstolos era como que um transformador dos tesouros evangélicos, computando riquezas do plano maior, e despejando-as em quem quer que fosse, desde que tivesse sede de amor e fome de justiça. Não obstante, necessário se fazia que houvesse entre os companheiros de Jesus homogeneidade de sentimentos, para que reinasse nos trabalhos de difusão da Boa Nova um ambiente nunca sentido por seres humanos e que prendesse as criaturas, por vicejar paz para quem cultivasse os preceitos disseminados por aquele punhado de homens, que se chamavam cristãos. E o interesse maior desses homens renovados em Cristo era fazer conhecer o Messias.

Podemos dizer que o Evangelho é uma constelação de ideias, orientadas pela singeleza do amor, na mais pura ciência da vida. E o mundo, já cansado e oprimido pelas estreitezas dos conceitos humanos, explodia em guerras, pestes e fomes, como se fosse a própria natureza orando ao criador, pedindo socorro. E Ele veio, na promessa de Isaías e em muitas das profecias antigas. Jesus Cristo foi a resposta divina, como consolo, instrução e amor, ampliando a justiça de Moisés para uma conceituação de fraternidade universal, colocando em meio ao "dente por dente", a misericórdia, e fazendo do deprimente estado de pecado, oportunidade para todos se redimirem pelo trabalho que o perdão inspirasse. Jesus é, por assim dizer, um mistério, dentre os mistérios da vida, porque onde não existe afinidade, Ele estimula a simpatia, e onde há escassez de amor, Ele ensina a caridade.

Médiuns! Escutai esta verdade: almas que se afinam em todas as múltiplas variedades do bem para com os outros criam lastros de riquezas imperecíveis, tornando-se doadores, sem que nunca falte o amor que oferecem. A mediunidade precisa da sabedoria tanto quanto do amor. São dois pilares que não podem faltar na casa biológica onde reside o santo e o sábio, e certamente o místico, pois todos os anjos amam a sabedoria. Nós fomos feitos para estarmos ligados uns aos outros. A vida é unidade: o que nos falta é lembrar que somos irmãos de tudo e de todos, e fazer a nossa parte com aproximação por alegria e confraternização por prazer. Vejamos o exemplo dos apóstolos:

"Diariamente perseveraram unânimes no templo, partiam pão de casa em casa, e tomavam suas refeições com alegria e singeleza de coração"


Miramez













quarta-feira, 31 de julho de 2024

Irmão Saulo - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 3 - O apego afetivo



Irmão Saulo - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 3


O apego afetivo


Em carta, Chico Xavier explica-nos os antecedentes da mensagem referente ao apego afetivo no meio familial:

“Na noite anterior a uma de nossas reuniões públicas estivemos juntos, provavelmente umas cinquenta pessoas, num encontro amigo dedicado ao culto do Evangelho no lar. E o assunto dessa reunião doméstica foi a dificuldade para nos separarmos dos laços de família quando os entes amados escolhem caminhos diversos dos nossos. Como era natural, o tema foi ardentemente debatido. E, na noite seguinte, antes da sessão pública, associando-se-nos irmãos de outras localidades, o assunto prosseguiu.

Iniciadas as nossas tarefas O Evangelho Segundo o Espiritismo nos ofereceu para estudo o item 9 do capítulo XIV, claramente colocado nas apreciações em foco. E, ao fim da reunião, o nosso abnegado Emmanuel nos deu a página, intitulada “Desvinculação”, que envio ao caro amigo na esperança de que ela nos sirva aos estudos e reflexões habituais.”

Para muitos companheiros na Terra a desvinculação no campo afetivo é prova difícil. Desligamento do grupo familiar, distância da convivência. Hora da diferenciação de alguém perante outro alguém.

Se te vês num momento assim, na posição de quem pode libertar associados de ideal e de afinidade, não hesites no bem por fazer.

Aqueles que anseiam por independência e mudança, depois de te compartilharem a vida, são pedintes de tranquilidade e renovação. Não precisam tanto de teu ouro e assistência, nome e prestígio. Rogam-te, acima de tudo, escoras de tolerância e bondade, a fim de que te possam deixar sem que o espinheiro da mágoa te nasça no coração.

Medita naqueles que, um dia, igualmente largaste para tomar embarcações outras, diferentes do navio em que se te localizava a área doméstica, de modo a te fazeres ao mar profundo e vasto da experiência terrestre.

Familiares que te amavam a presença e amigos que te disputavam a companhia se viram, de instante para outro, apartados de ti por efeito de tuas próprias deliberações.

Assim nos expressamos porque frequentemente a harmonia na desvinculação depende daqueles que já amadureceram na vida física, aos quais se pede amparo e segurança, auxílio e aprovação.

Se alguém ao teu lado te solicita o cancelamento de compromissos e deveres assumidos para contigo, concede a paz a quem necessita de paz a fim de atender a impositivos da vida em outros setores de evolução.

Realmente desejas que os descendentes se garantam para a felicidade, não queres que os filhos bem-amados atravessem tribulações e enganos que te amarguraram a infância ou a juventude; habituas-te à desaprovar as resoluções de amigos que se afastam para caminhos que já sabes estarem encharcados de lágrimas, nem concordas em que os entes queridos venham a transitar por estradas que já trilhaste entre pedras e aflições, entretanto, por mais nos doa ao coração — muitos daqueles que mais amamos chegaram à Terra exatamente para isso.

Diante dos companheiros que se te distanciam da convivência ou que te dizem adeus para te reencontrarem mais tarde, em outros e novos níveis de espaço e tempo, não lastimes nem condenes.

Bendize e auxilia sempre. Os que partem ou se te separam da estrada, no dia a dia, esperam de ti, sobretudo, o patrocínio do amor e o refúgio da bênção.


No Trem dos Estudantes


Emmanuel coloca o problema da desvinculação afetiva em dois Planos: o do afastamento de pessoas queridas que se retiram do lar e o da partida para “outros e novos níveis de espaço e tempo”. Em ambos os casos rompe-se o vínculo da convivência. Em ambos os casos há sofrimento moral de parte a parte. O assunto é tratado no item 9 do capítulo XIV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, e ali encontramos o seguinte aviso aos que sofrem: “As grandes provas são quase sempre o indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, desde que sejam aceitas por amor a Deus”.

O desastre do Trem dos Estudantes, em 8 de junho de 1972, entre Suzano e Jundiapeba, inclui-se no capítulo das provas coletivas. Além dos mortos e feridos estão sofrendo essa prova os familiares duramente atingidos, os amigos e colegas das vítimas. A tragédia caiu sobre verdadeira multidão. Estamos em face de um processo de desvinculação em massa. Quantos lares enlutados pela perda de entes queridos, quantos corações dilacerados, quantos espíritos aturdidos pela brutalidade da ocorrência!

O que mais impressiona é o número de jovens que tiveram sua vida bruscamente cortada, quando a caminho das escolas superiores que cursavam em Mogi das Cruzes. Tudo isso parece aterrador, desnorteante, como se estivéssemos num mundo caótico, sem ordem, sem lei, sem Deus. Não obstante, o Universo nos responde com a ordem absoluta das suas leis que tudo regem, desde a relva humilde na Terra até às constelações gigantescas no infinito.

Nada acontece por acaso. Tudo resulta da lei de causa e efeito. E todo efeito tem um sentido: o da evolução. Todos somos Espíritos faltosos e sofremos as provas que pedimos antes de encarnar. Temos dívidas coletivas a resgatar. Mas além do resgate espera-nos a liberdade, a paz, o progresso. Os jovens que morreram foram poupados de sofrimentos futuros numa vida em que a doença, a velhice e a morte são o salário de todos nós.

Transferidos para a Vida Maior, que realmente corresponde às suas necessidade e à sua natureza, são todos eles seres espirituais e não materiais. Agora precisam da compreensão dos pais, dos irmãos, dos amigos e colegas que deixaram na Terra. Precisam de paz, de preces, de bons pensamentos, das vibrações de sincera amizade para se recuperarem em Espírito.


Irmão Saulo















Emmanuel - Livro Paz e Renovação - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 19 - Educandário de luz



Emmanuel - Livro Paz e Renovação - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 19


Educandário de luz


Ninguém se reconheceria fora da paciência e do amor que Jesus nos legou, se todos frequentássemos a universidade da beneficência, cujos institutos de orientação funcionam, quase sempre, nas áreas da retaguarda.

Aí, nos recintos da penúria, as lições são administradas, ao vivo, através das aulas inumeráveis do sofrimento.

Tanto quanto possas e, mais demoradamente nos dias de aflição, quando tudo te pareça convite ao desalento, procura experiência e compreensão nessa escola bendita, alicerçada em necessidades e lágrimas.

Se contratempos te ferem nos assuntos humanos, visita os irmãos enfermos, segregados no hospital, a fim de que possas aprender a valorizar a saúde que te permite trabalhar e renovar a esperança.

Quando te atormente a fome de sucesso nos temas afetivos e a ventura do coração se te afigure tardia, toma contato com aqueles companheiros que habitam furnas abandonadas, para quem a solidão se fez o prato de cada dia.

Ante os empeços da profissão com que o mundo te honra a existência, consagra alguns minutos a escutar o relatório dos pais de família, entregues ao desespero por lhes escassearem recursos à própria subsistência.

E, se experimentas dissabores, perante os filhos que te enriquecem a alma de esperança e carinho, à face das tribulações que lhes gravam a vida, observa aqueles outros pequeninos que caminham nas trilhas do mundo, sem tutela de pai ou mãe que os resguarde, atirados à noite da criminalidade e da ignorância.

Matricula-te no educandário da caridade e guardarás a força da paciência.

Enriquece de cultura os dotes que te enfeitam a personalidade e realiza na Terra os nobres ideais afetivos que te povoam os pensamentos, no entanto, se queres que a felicidade venha morar efetivamente contigo, auxilia igualmente a construir a felicidade dos outros.

Nosso encontro com aqueles que sofrem dificuldades e provações maiores que as nossas será sempre, em qualquer lugar, o nosso mais belo e mais duradouro encontro com Deus.


Emmanuel











Irmão Saulo - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 26 - Indagações sobre a felicidade



Irmão Saulo - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 26


Indagações sobre a felicidade


A felicidade é uma questão de compreensão. As criaturas que encaram a vida sem nenhuma compreensão da sua realidade espiritual não podem ser felizes. Seus momentos de alegria e satisfação passam depressa e são bem poucos. Porque elas colocam a felicidade onde ela não pode estar, querem encontrá-la em coisas ilusórias que logo se desfazem. A felicidade mora em nós mesmos, em nossa consciência. Temos um objetivo na vida e só somos felizes quando o estamos realizando.

As regras que André Luiz nos oferece mostram isso de maneira bem clara e confirmam O Livro dos Espíritos em sua questão 921. No comentário a essa questão Kardec adverte: “O homem bem compenetrado do seu destino futuro só vê na existência corpórea uma rápida passagem”. Descartes já nos alertava contra o perigo de confundirmos a alma com o corpo. Quando não sabemos nos distinguir do próprio corpo o que buscamos é uma felicidade ilusória, egoísta e efêmera. Ela pode nos satisfazer por alguns instantes, mas logo murchará em nossas mãos e nos sentiremos grandemente infelizes.

E bom gravarmos em nossa mente este ensino de André Luiz: “Criar alegria e segurança nos outros é aumentar o nosso rendimento de paz e felicidade”. Esta não é apenas uma recomendação moral, é uma lei científica. Porque a vida humana é psíquica e não material. Vivemos num oceano de vibrações psíquicas, em permanente permuta com as outras pessoas. Se pensamos no mal atraímos vibrações más, se pensamos no bem atraímos boas vibrações, e se fazemos o bem criamos um potencial de bondade, paz e felicidade ao nosso redor, beneficiando também os outros.

É evidente que não podemos mudar o mundo por nós mesmos. Nem podemos fazer-nos anjos de um momento para outro. Temos o nosso passado negativo, mas o presente nos oferece a oportunidade de criar um futuro positivo. Enquanto o criarmos com nossos bons pensamentos e boas ações teremos a felicidade que é possível ao homem gozar na Terra, mundo ainda inferior, de provas e expiações. Venceremos nossas provas com alegria e superaremos nossas provações com esperança, compreendendo que nos libertamos a nós mesmos para a felicidade real do Espírito que é o destino de todas as criaturas.


Irmão Saulo















Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Joanna de Ângelis - Livro Lampadário Espírita - Divaldo P. Franco - Cap. 2 - Ante a mensagem espírita



Joanna de Ângelis - Livro Lampadário Espírita - Divaldo P. Franco - Cap. 2


Ante a mensagem espírita


Discípulo do Cristo, mediante a limpidez da mensagem espírita, não adies a própria renovação, encastelado nas paredes do convencionalismo ou retido nas algemas das paixões.

Identificação com Jesus-Cristo é avanço sobre a masmorra do eu, utilizando-nos das ferramentas poderosas que se encontram ao alcance da vontade.

Não postergues, desse modo, o momento de tua autossuperação.

Oportunidade transferida, tarefa complicada.

Examina os resultados do conhecimento espírita e verifica se entraste pura e simplesmente na Doutrina, ou se a Doutrina Espírita encontrou porta de acesso para se estabelecer em teu coração.

Quando se entra na célula espírita, trava-se contato com o fenômeno mediúnico, com o programa de estudos, com as diretrizes de assistência aos necessitados, com as fichas de compromissos para com a sociedade, mediante uma taxa módica, com pessoas, com opiniões...

Quando, porém, a mensagem espírita penetra o coração e se enraíza na mente do discípulo, o panorama é diverso.

Possivelmente os companheiros não observam nas fichas de registros quaisquer apontamentos nem anotações.

Os painéis mentais, no entanto, e os arraiais da emoção de imediato transformam, banham-se de sol, e a paz se aninha, vitoriosa, estabelecendo normativas de felicidade.

O discípulo não se agasta com as ofensas nem se melindra com os incidentes comuns, à espera de ação onde se encontra, não se acumplicia com o erro nem se subordina às imposições subalternas, não se entorpece na ideia negativa fixa nem se precipita no entusiasmo apaixonado...

É comedido e sensato, calmo e confiante, pois que possui os inestimáveis recursos para exame e compreensão dos acontecimentos e das injunções no dia-a-dia da experiência carnal.

Se possível, clareia teu domicílio com o estudo da mensagem espírita-cristã, interessando os familiares na busca da Verdade e da paz.

Sê criatura nova em todo lugar onde estejas, principalmente quando no trato com servidores humílimos do lar, da oficina de trabalho, da rua, aqueles aos quais mais fácil e impunemente muitos se permitem molestar por impiedade ou desequilíbrio...

Ajuda indistintamente com palavras e ações ou no recesso do Espírito, com pensamentos salutares e orações...

Lembra-te dos que te precederam no retorno à erraticidade e dilata teus recursos psíquicos para os ajudar nas tarefas de desobsessão e de passe.   

Se já permitiste que a Doutrina Espírita se domicilie em tua vida, acende a lâmpada do Evangelho em teu caminho e afirma, a princípio no lar, tua nova condição por meio do inequívoco atestado de humildade e resignação.

Compreenderás, por fim, que o discípulo da mensagem espírita, quando chega ao núcleo de tarefas, é somente mais um, na estatística da casa, quando, porém, a mensagem espírita penetra na criatura e a transforma, esse aprendiz se faz um festival de bênçãos, em favor de toda a humanidade, esparzindo concessões de vida, em nome da Vida abundante, que ruma para a Vida Excelsa.         


Joanna de Ângelis










Tema para estudo: LE, Introdução item VIII
Leitura complementar: E, cap. I O Espiritismo itens 5/7