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domingo, 23 de março de 2025

Joanna de Ângelis - Livro Lampadário Espírita - Divaldo P. Franco - Cap. 3 - Considerando a fé



Joanna de Ângelis - Livro Lampadário Espírita - Divaldo P. Franco - Cap. 3


Considerando a fé


A fé é uma necessidade espiritual da qual não pode o espírito humano prescindir.

Da mesma forma que o corpo haure no ar e no pão os recursos de manutenção e preservação do patrimônio celular, o espírito necessita da fé que vitaliza e renova, dinamizando forças de difícil classificação que encorajam tonificando a organização física e psíquica na tarefa valorosa de progredir.

Alimento sutil, a fé é o tesouro de inapreciado valor que caracteriza os homens nobres a serviço da coletividade.

Graças a ela renova-se a face da Terra, consomem-se os abismos na voragem do realizar, modificam-se paisagens, alteram-se feições... Com ela cessam agonias, retemperam-se ânimos, multiplicam-se luzeiros, erradicam-se males...

Estrela, clareia noites da alma.

Chama, aquece corações.

Pão, nutre esperanças.

Roteiro, conduz vidas...

Conhecê-la, guardando-a no íntimo, é tarefa que a todos nos devemos impor, no abençoado desiderato de nossa imortalidade intransferível. "Se tivésseis fé"... - disse o Senhor.

Seguro da existência de terras além do horizonte do mar, Colombo avançou, intimorato, e descobriu a América, apesar de todos os opositores.

Cônscio do dever, Damião de Vesteur, jovem sacerdote belga, abandonou sua pátria e demandou Molokai, onde a lepra fizera seu reduto, e abriu novos horizontes à fraternidade, malgrado o cepticismo de todos.

Fascinada pelo amor fraternal, Florência Nightingale deixou as fantasias feminis e demandou a Crimeia, elaborando com a sua filantropia invulgar as bases da futura Cruz Vermelha Internacional, lutando contra todos...

Alexandre Yersin, pesquisando, infatigável, entre sarcasmos e ironias, identificou o bacilo específico da peste, apesar das dificuldades enfrentadas.

Denis Papin, em Mundem, acompanhou desolado a destruição do seu barco, por todos considerarem impossível a aplicação da máquina a vapor de pistão para a navegação, mas não desistiu.

Jesus, ante a mulher sírio-fenícia, lecionou a grandeza da fé... e, ante o cepticismo dos que o seguiam, levantou da sepultura Lázaro que dormia, para atender ao confiante apelo de Maria, irmã do cataléptico...

Não esperes que a fé te busque o país da alma, qual hóspede inesperado que chega, após viagem bem sucedida.

Examina a aflição que te alcança o domicílio mental e lança-te no intrincado meandro do estudo das causas, do culto da oração, meditando para discernir e discernindo para acertar.

A fé não se doa, não se transmite.

Chama divina arde em todas as almas, aguardado o combustível do esforço de cada um para agigantar-se e clarear por dentro como mensagem de Deus.

Mediante as lições do Espiritismo aprendes, através dos impositivos do raciocínio, que "fé legítima só o é aquela que pode enfrentar face a face a razão"...

Raciocina crendo, e, se te faltarem os tesouros do discernimento ideal, crê por amor e dá-te ao amor de nosso Pai que tudo nos dá, deixando-te arrastar pelos rios da bondade e do bem em favor de todos, transformando-te em lume e calor para as horas de sombra e frio, no imenso caminho por onde segues, até que duas alvas mãos, como asas angelicais, tomem as tuas mãos e pela libertação desencarnatória te conduzam aos infinitos limites da consciência livre, onde, feliz, constatarás em paz a resposta da fé, virtude libertadora.


Joanna de Ângelis 








NOTA — Tema para estudo: L. E. — Parte 1a — Cap. I — Atributos da divindade.

Leitura complementar: E. — Cap. XIX — Poder da fé. — Itens 1/5.



segunda-feira, 29 de julho de 2024

Joanna de Ângelis - Livro Lampadário Espírita - Divaldo P. Franco - Cap. 2 - Ante a mensagem espírita



Joanna de Ângelis - Livro Lampadário Espírita - Divaldo P. Franco - Cap. 2


Ante a mensagem espírita


Discípulo do Cristo, mediante a limpidez da mensagem espírita, não adies a própria renovação, encastelado nas paredes do convencionalismo ou retido nas algemas das paixões.

Identificação com Jesus-Cristo é avanço sobre a masmorra do eu, utilizando-nos das ferramentas poderosas que se encontram ao alcance da vontade.

Não postergues, desse modo, o momento de tua autossuperação.

Oportunidade transferida, tarefa complicada.

Examina os resultados do conhecimento espírita e verifica se entraste pura e simplesmente na Doutrina, ou se a Doutrina Espírita encontrou porta de acesso para se estabelecer em teu coração.

Quando se entra na célula espírita, trava-se contato com o fenômeno mediúnico, com o programa de estudos, com as diretrizes de assistência aos necessitados, com as fichas de compromissos para com a sociedade, mediante uma taxa módica, com pessoas, com opiniões...

Quando, porém, a mensagem espírita penetra o coração e se enraíza na mente do discípulo, o panorama é diverso.

Possivelmente os companheiros não observam nas fichas de registros quaisquer apontamentos nem anotações.

Os painéis mentais, no entanto, e os arraiais da emoção de imediato transformam, banham-se de sol, e a paz se aninha, vitoriosa, estabelecendo normativas de felicidade.

O discípulo não se agasta com as ofensas nem se melindra com os incidentes comuns, à espera de ação onde se encontra, não se acumplicia com o erro nem se subordina às imposições subalternas, não se entorpece na ideia negativa fixa nem se precipita no entusiasmo apaixonado...

É comedido e sensato, calmo e confiante, pois que possui os inestimáveis recursos para exame e compreensão dos acontecimentos e das injunções no dia-a-dia da experiência carnal.

Se possível, clareia teu domicílio com o estudo da mensagem espírita-cristã, interessando os familiares na busca da Verdade e da paz.

Sê criatura nova em todo lugar onde estejas, principalmente quando no trato com servidores humílimos do lar, da oficina de trabalho, da rua, aqueles aos quais mais fácil e impunemente muitos se permitem molestar por impiedade ou desequilíbrio...

Ajuda indistintamente com palavras e ações ou no recesso do Espírito, com pensamentos salutares e orações...

Lembra-te dos que te precederam no retorno à erraticidade e dilata teus recursos psíquicos para os ajudar nas tarefas de desobsessão e de passe.   

Se já permitiste que a Doutrina Espírita se domicilie em tua vida, acende a lâmpada do Evangelho em teu caminho e afirma, a princípio no lar, tua nova condição por meio do inequívoco atestado de humildade e resignação.

Compreenderás, por fim, que o discípulo da mensagem espírita, quando chega ao núcleo de tarefas, é somente mais um, na estatística da casa, quando, porém, a mensagem espírita penetra na criatura e a transforma, esse aprendiz se faz um festival de bênçãos, em favor de toda a humanidade, esparzindo concessões de vida, em nome da Vida abundante, que ruma para a Vida Excelsa.         


Joanna de Ângelis










Tema para estudo: LE, Introdução item VIII
Leitura complementar: E, cap. I O Espiritismo itens 5/7   

quinta-feira, 2 de março de 2023

Joanna de Ângelis - Livro Lampadário Espírita - Divaldo P. Franco - Cap. 9 - Renovação e reencarnação



Joanna de Ângelis - Livro Lampadário Espírita - Divaldo P. Franco - Cap. 9


Renovação e reencarnação


A poda renova a planta.

O filtro depura a água.

O fogo retempera os metais.

A luta dignifica o homem.

O sofrimento purifica o espírito.

A reencarnação é abençoado e valioso ensejo para sublimação, na longa jornada da imortalidade.

O atrito gasta arestas.

O instrumento no uso gasta-se.

A atividade gasta as energias.

A reencarnação gasta as dívidas cármicas pela aplicação da atividade bem orientada que se deve imprimir ao labor da própria santificação.

O amor renova as expressões da coragem.

A dor mensura a fragilidade humana.

A esperança estimula nos embates renhidos.

A alegria espalha bênçãos.

A tristeza convida à meditação.

A reencarnação é expressiva doação divina para o enobrecimento do espírito em evolução.

A chuva abençoa com a abundância.

O sol abençoa com a luz e o calor.

A noite abençoa com a oportunidade do repouso.

A reencarnação abençoa a vida com a renovação de propósitos, o mecanismo de fazer ou deixar de fazer, na elaboração da felicidade intransferível e inalienável para todos nós. "A encarnação é necessária ao duplo progresso moral e intelectual do espírito: ao progresso intelectual pela atividade obrigatória do trabalho; ao progresso moral pela necessidade recíproca dos homens entre si. A vida social é a pedra de toque das boas ou más qualidades. " (2)

Se os percalços se acumulam no teu caminho, levando-te à exaustão na luta; se as aflições te povoam a mente, aniquilando tua paz; se os sofrimentos se dilatam, impossibilitando-te a atividade ordeira; se o cansaço invencível te prende nas amarras do desânimo; se as inquietações te ameaçam a estrutura do equilíbrio quase em colapso; se as dores morais se sucedem incessantes sem te oferecerem trégua para a recuperação da paz, agradece, assim mesmo, o favor imerecido da reencarnação que fruis, coroando-te com as fortunas do céu para os resgates da terra, e renova-te, embora sejam duros os golpes da peleja.

Em momento algum te deixes mergulhar nos torpes estados da blasfêmia ou da irritabilidade, da impaciência ou da ira, do desespero ou da malversação do tempo e das possibilidades do corpo e da mente.

Em situação nenhuma te permitas a rebeldia ou o descoroçoamento na árdua viagem carnal.

Ora e ora, medita e medita.

Sucedendo à saúde, a enfermidade aflige, mas após ela a libertação faculta a plenitude do refazimento e da renovação de paisagens, e bendirás todas as dificuldades que te assinalaram a reencarnação benfeitora quando, tudo concluído, chegares, de volta, à vida verdadeira.


Joanna de Ângelis




NOTA — Tema para estudo: Livro dos Espíritos - Parte 2a - Cap. II - Objetivo da reencarnação.


132. Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos?

“Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento em harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.”

A ação dos seres corpóreos é necessária à marcha do universo. Deus, porém, na sua sabedoria, quis que nessa mesma ação eles encontrassem um meio de progredir e de se aproximar dele. Deste modo, por uma admirável lei da Providência, tudo se encadeia, tudo é solidário na natureza.

133. Têm necessidade de encarnação os Espíritos que desde o princípio seguiram o caminho do bem?

“Todos são criados simples e ignorantes e se instruem nas lutas e tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não podia fazer felizes a uns, sem fadigas e trabalhos, conseguintemente sem mérito.”

a) – Mas, então, de que serve aos Espíritos terem seguido o caminho do bem, se isso não os isenta dos sofrimentos da vida corporal?

“Chegam mais depressa ao fim. Ademais, as aflições da vida são muitas vezes a consequência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeições, tanto menos tormentos. Aquele que não é invejoso, nem ciumento, nem avaro, nem ambicioso, não sofrerá as torturas que se originam desses defeitos.”

Leitura complementar: O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. IV - Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo - Ressurreição e reencarnação — Itens 4/17.

(2) "O Céu e o Inferno" — 1a parte — Cap. III — Item 8 — Edição da FEB. — Nota da Autora Espiritual.