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quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Marco Prisco - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 6 - Um sublime alguém




Marco Prisco - Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 6


Um sublime alguém


Ninguém poderá carregar o fardo de suas dores.

Eduque-se com o sofrimento.

Ninguém entenderá os problemas complexos de sua existência.

Exercite o silêncio.

Ninguém seguirá com você indefinidamente.

Acostume-se com a solidão.

Ninguém acreditará que suas aflições sejam maiores do que as do vizinho.

Liberte-se delas com o trabalho de autoiluminação.

Ninguém lhe atenderá todas as necessidades.

Subordine-se apenas ao que você tem.

Ninguém responderá por seus erros.

Tenha cuidado no proceder.

Ninguém suportará suas exigências.

Faça-se brando e simples.

Ninguém o libertará do arrependimento após o crime.

Medite na paciência e domine os impulsos.

Ninguém compreenderá seus sacrifícios e renúncias para a manutenção de uma vida modesta e honrada.

Persevere no dever bem cumprido.

Sábio é todo aquele que reconhece a infinita pequenez ante a infinita grandeza da vida. Embora ninguém possa servi-lo sempre, você encontrará um sublime Alguém, que tem para cada anseio de sua alma uma alternativa de amor.

Por você, Ele carregou o fardo do mundo...

Compreendeu os conflitos da vida...

Caminhou com todos...

Socorreu todos que O buscaram...

Matou a fome, saciou a sede e ouviu as multidões inquietas...

Atendeu à viúva de Naim, ao apelo materno em Caná...

Carregou a cruz da injustiça sem nenhuma reclamação...

Perdoou a traição de Judas, desculpou as negativas de Pedro e a ambos libertou do remorso com a concessão do trabalho em novos avatares...

Compreendeu as lutas da mulher atormentada, sedenta de paz; esclareceu o enfático doutor do Sinédrio, sedento de saber; arrancou das trevas o cego Bartimeu, sedento de claridade...

Ensinou que diante do amor todos os enigmas do Universo se aclaram, por ser o Pai Celeste a Suprema Fonte do Amor.

Não se imponha, pois, a ninguém.

Embora você dependa de todos, nada aguarde dos outros.

Receba e agradeça o que lhe chegue e como chegue, ajude e passe...

Aprenda que a luta é a lição de cada hora no abençoado livro da existência planetária, e siga adiante com Ele, que "jamais se escusava".


Marco Prisco



















segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Léon Denis - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 16 - Fraternidade, Fraternidade!



Léon Denis - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 16


Fraternidade, Fraternidade!


No momento em que o homem terreno realiza uma pausa na corrida armamentista para sondar os espaços infinitos; no instante em que as experiências espaciais coletam dados antes imensuráveis e informações preciosas; na hora em que a Terra experimenta sofregamente, a dissolução dos costumes e uma dor angustiante se espalha por todos os quadrantes, conclamando as personalidades esquizoides ao suicídio e a posições inomináveis no campo da personalidade; no período em que as guerras calamitosas abrem as fauces hiantes, dilacerando as estruturas sociais da Civilização e exaurindo as inesgotáveis fontes de confiança do espírito humano; quando a Ciência atinge as mais elevadas manifestações do conhecimento tecnológico e o homem, simultaneamente, caminha obumbrado pelos corredores da amargura, retido ainda nos bastiões da ignorância e da loucura, merece que façamos uma análise dos acontecimentos da História Universal, e, fazendo-a, recordemos as epopeias que se desenrolaram às margens dos rios que foram matrizes das nobres culturas da antiguidade Oriental: o Nilo, o Tigre, o Eufrates, que prosseguem no ritmo multimilenário" das suas águas, lambendo os alicerces das cidades do passado, que pareciam fadadas à Eternidade e sucumbiram, seguindo modorrentas, lavando as pedras que se desconjuntaram das grandes construções ou que mergulharam no hoje fantástico açude, em Assuã, quase não mais evocando a memória semimorta dos povos pretéritos que, então, retornam à nossa mente indagadora: assírios e babilônios, os que viveram na opulência de Nínive ou na grandeza da Média, da Pérsia, como nos colossos do Egito, com as suas cidades faustosas, sejam Alexandria ou Mênfis caracterizadas pelo poder e pela abundância, transformadas em metrópoles que pareciam desafiar a posteridade dos tempos e o suceder dos espaços... E com elas lembramos os construtores de Impérios e os vencedores de exércitos que comandaram tropas sanguinárias, para serem vitimados logo após pela própria irracionalidade de propósitos, como sucedeu a Dario e Assurbanipal, aos Salmanaser e a Baltazar, a Nabucodonosor e Hamurabi, aos dois Sargãos e aos gloriosos dominadores das semi-eternas dinastias egípcias, que duraram um dia, mas de cuja glória somente as pedras talhadas guardam descoloridas impressões refletidas nas gastas efígies que o passar ininterrupto dos tempos, em vendavais contínuos, como o atritar incessante das areias em convulsões no intérmino das eras, modificaram profundamente.
 
Recordamos as glórias dos seus estados títeres e depois o desertar dos povos que os abandonaram, transformando-os em cidades mortas, — advertências graves à história do futuro nos seus fundamentos inabordáveis e raramente aproveitados! — Atingimos, pelo pensamento, as civilizações mediterrâneas da Europa, alcançamos o Egeu e evocamos a grandeza da Hélade, para logo após revermos Roma diante do Tirreno, recém saída do Lácio, e sentir-lhe as conquistas fabulosas que, da península Itálica à Ibérica se transformaram em matrizes de novas culturas, dando origem a cidades que se converteram em amontoados tristes, com as vidas fanadas, sejam essas originadas nas imensas e longínquas estepes nevadas ou hajam descido das cordilheiras quase inacessíveis, como consequência dos exércitos de Alexandre, o macedônio, ou remanescentes de Cambises, o persa, ou hajam surgido com os grandes conquistadores mongóis e bárbaros, rastreadas de sangue, cobertas de cinzas, sepultadas em lama ou afogadas pelos rios das lágrimas, vítimas dos impulsos, sob cujo guante caíram, no furor das loucuras dominadoras de um momento, passando a intérminas aflições de muitas gerações.

Rememoramos, também, o esforço da Cultura, tentando libertar-se da ignorância medieval, para estabelecer o empirismo indagador, a espocar logo depois, no renascimento das ideias e das artes, abrindo à História novos fastos e novas glórias que culminaram na Revolução da França, quando se pretenderam estabelecer os "direitos do homem" e proclamarem os ideais consubstanciados na liberdade, que é a lei da Vida, na igualdade, que é materialização daqueles Direitos humanos e na fraternidade, que é o corifeu das duas outras, a fim de sentir o eclodir das paixões que gritavam nas tubas vitoriosas de Napoleão e foram desmoralizadas pelo Carbonário, mais tarde, ao trair os ideais da República através do restabelecimento da decaída Monarquia...

Relembramos os colossos e aflições das lutas intérminas pela hegemonia dos Estados Italianos, pela reorganização da Prússia, pelas ambições, dos Estados Latinos e Anglo-Saxônicos para, nesta atualidade, rever a Humanidade dividida novamente em três grandes blocos decorrentes do egoísmo dominador: subdesenvolvida, desenvolvida e terceiro mundo, na vã, qual louca correria da dominação totalitária para estabelecer na Terra o estágio da posse bélica, tão transitória quanto as expressões da vaidade que perpassa como quadra primaveril e morre no entanguido da realidade do Tempo.

Somos, então, impulsionados a recordar Jesus, o Esteta da Fraternidade legítima, sulcando o solo dos corações e plantando na terra do amor os pilotis do santuário da compreensão humana, instaurando de logo o Reino da Tolerância, tendo como alicerce a Manjedoura da humildade e como ápice os braços rasgados de uma cruz de infâmia, formando todo um cendal de estrelas para aqueles que aspiram à imortalidade e à vida.

Ainda aí, todavia, evocamos mil disputas humanas, as "guerras de Religião" que ocultavam, nas suas manifestações intestinas, as ambições cruéis da política ultramontana dos homens, sempre ávidos pelas posições de destaque e do relevo mentiroso que se esfunam e convertem em cinzas da ilusão, como resultado do fogo desaparecido, ora reminiscências amargas...

Despertamos hoje, porém, em pleno fastígio do Espiritismo cristianizante que recoloca as balizas do período da fraternidade ideal no mundo de angústias, dando início à era do amor precioso para a elaboração verdadeira da felicidade no país desconhecido dos corações.

Diante das conquistas inabordáveis do homem, homem que já se fez hóspede inusitado do satélite pardo-acinzentado da Terra, somos constrangidos a reconhecer a vitória do engenho humano sobre as barreiras antes intransponíveis do seu habitat e simultaneamente verificamos a inexequibilidade das suas conquistas face às ambições desvairadas que o governam e as pretensões de transformar, talvez, Celene, dantes sonhadora em base míssil, para atacar os países ditos adversários, que se anteponham às ambições totalitárias dos governos arbitrários e loucos, que sempre sonham com Estados Moloques, cujas rédeas desejam reter nas mãos inábeis e nos espíritos furiosos.

Repetimos: Fraternidade, Fraternidade!

Disputavam antes o teu nome girondinos e jacobinos e proclamavam-te Robespierre e Danton, Marat e Condorcet, nos dias da loucura e do Terror, fazendo que silenciasses a voz sob o caudal de sangue que corria da arma de Joseph-Ignace Guillotin. Sobreviveste, porém, e cantas aos ouvidos do mundo a epopeia idealista dos dias de amanhã. Quando, cansado e sofrido, o espírito humano compreender que é necessário amar, que a evolução depende do conhecimento mas também de ti, então voltarás triunfalmente à Terra de todos para abraçares os homens numa só família. Nessa hora, o Rei Apoteótico e Singular, vencedor da sepultura vazia e da morte, cantará aos ouvidos do mundo a melodia do gozo decorrente da paz em pleno milênio de luz, que já agora amanhece, não obstante o crepúsculo profunda que experimentamos através de dores ásperas.

... E para que não tardem as primeiras claridades do empreendimento sublime e do entendimento entre os homens, dêmo-nos as mãos como elos preciosos da corrente da vida, onde quer que estejamos, vivendo a Fraternidade de agora: na célula da família ou no organismo da sociedade onde mourejamos, para que ela possa agigantar-se por toda a Terra partindo de nós, os cristãos novos que, acreditando na Imortalidade vivemos desde hoje, mediante o intercâmbio puro e santo entre as duas esferas da vida, bendizendo o nome Fraternidade, Fraternidade!, e esparzindo amor. 


Léon Denis








- Moloque, Moloc ou Moloch é o deus ao qual os amonitas, uma etnia de Canaã (povos presentes na península arábica e na região do Oriente Médio), cultuavam. Também é o nome de um demônio na tradição cristã e cabalística. 
- "fauces hiantes" é um recurso linguístico utilizado para transmitir a voracidade da miséria e a fome resultante das desigualdades sociais.
- "Esteta" pessoa que professa o culto do belo.
- "Pilotis" é um conjunto de colunas que sustentam uma obra.



quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Marco Prisco - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 17 - Em nome do Amor




Marco Prisco - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 17


Em nome do Amor


Você busca a tranquilidade espiritual, utilizando-se de todos os recursos e, em nome do amor, distende no caminho dos outros suspeita e malquerença, apresentando-se como um espírito atormentado. 

Você ensina a afeição em testemunhos constantes e, em nome do amor, coleta e difunde intrigas com a irresponsabilidade dos desesperados. 

Você se diz marcado pela solidão e, em nome do amor, reclama contra aqueles que, em se afeiçoando ao seu coração, não lhe podem doar o quanto você requisita com veemência. 

Você procura entendimento no meio onde circula e, em nome do amor, proclama a fraternidade, ridicularizando aqueles que não comungam com os seus pontos de vista, nem sempre nobres. 

Você semeia a alegria em nome do amor e, no entanto, a qualquer pretexto, se abate à depressão e ao desassossego. 

Você encoraja companheiros à luta em nome do amor universal e da lei do trabalho, apesar disso, ante dificuldades, é o primeiro a abandonar as lides, dizendo-se traído no ideal esposado. 

Você propõe jornadas de socorro em nome do amor e, todavia, demora-se mentalmente em planos, longe da ação renovadora. 

Você concita corações à comunhão com o Cristo em nome do amor e, embora bem intencionado nas exposições influenciáveis, apresenta-se como esquecido pelo Céu. 

Amor é dádiva de Deus ao mundo, atendendo ao homem no caminho evolutivo. 

Se você está a serviço, em nome do amor, não olvide, por motivo algum, que, para o êxito do empreendimento, o amor deve ser doação de você mesmo, incessantemente, sem pensar em você.


Marco Prisco











Marco Prisco - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 15 - Distâncias




Marco Prisco - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 15


Distâncias


Amigo,

Você é daqueles que antes de iniciarem qualquer empresa se inquietam com as distâncias e desanimam ao considerar o esforço a despender?

Se o é, siga-me nestas rápidas empresas e responda-me se já se preocupou em examinar alguma delas.

Entre a mentira e a infâmia, a distância é de um conceito.

Do aperitivo à embriaguez contumaz, a distância é o próximo cálice.

Do ódio à loucura, a distância é um grito.

Do ciúme ao crime, a distância é a circunstância.

Da cobiça ao roubo, a distância é a ocasião.

Da fraude à traição, a distância é o medo!

Da mágoa conservada à inimizade aviltante, a distância é a revolta surda.

Do receio cultivado ao pavor atormentante, a distância é o susto.

Da autodefesa injustificável à represália sanguinária, a distância é a própria exacerbação de ânimos.

Da maledicência discreta à difamação ultrajante, a distância é de poucas palavras.

Mas do ódio ao amor a distância é, às vezes, constituída de penoso renascimento na carne, ao jugo de incoercível afeição.

E as distâncias dos vícios às virtudes são de algumas experiências no cadinho purificador através das reencarnações redentoras.

Diga-me agora em que situação você se encontra, e, considerando o programa que imprime à vida, pense com cuidado nessas distâncias a vencer, medite, vigie, ore e avance com Jesus.

 
Marco Prisco










quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Marco Prisco - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 9 - Reverenciando a bondade




Marco Prisco - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 9


Reverenciando a bondade


Muitos se deixaram vencer. 

Não lutaram quanto deviam para alcançar a paz que almejavam. 

Empolgaram-se com a tristeza que os visitou e a acolheram submissos.

Acreditaram-se sem oportunidade de triunfo, deixando-se marcar pelo insucesso. 

Recuaram nas primeiras tentativas da luta necessária. 

E formam hoje compacta multidão em a qual medram males incontáveis, sustentados por vigorosas forças do primitivismo.

Você conhece, porém, os meios eficazes para triunfar.

Você sabe que o lodo acolhe detritos e os retém enquanto a luz recusa o ultraje da imundície mesmo em contato com ela.

Você dispõe, como todos, da bondade que é inata nos corações. 

Utilize-a em favor de você mesmo e esparze-a onde se encontre. A bondade é moeda que enriquece a vida e é mensagem delicada que todos escutam e identificam.

Divulgue-a com todos os esforços por onde passe, com quem esteja. 

Há muitos que insistem em ignorá-la embora dormitando na arca íntima do coração e a buscam nos cofres alheios. Atenda esses aflitos, despertando neles a faculdade de a descobrirem no imo.

Inúmeros outros não creem no valor dessa preciosa semente de luz. Distenda-a em volta deles e o tempo fará que germine, convertendo-se em sol de bênçãos.

Faça-se bom! Não é necessário que modifique a face da Terra, pois que não o conseguiria. Mas você pode sorrir, compreender, ajudar, amar...

A bondade não faz ruído: acalma quem a conduz, quem a recebe, e fica luminosa qual estrela brilhante na noite...

O solo, que obstinado recusa o arado, experimenta a inclemência da aridez.

A ave, que se limita à gaiola e não frui a dádiva do voo, entibia os membros e perde a visão dos horizontes sem-fim.

A planta, que se obstina contra a ventania, vai arrancada pela fúria da tormenta.

Também o coração que não se deixa sulcar pelas lâminas do sofrimento caminha em soledade, ao peso amargo de impiedoso desespero. Se a mente não se aclara, compreensiva, às dores alheias, entenebrece-se. E todo homem que se não curva ante os imperativos da evolução, despedaça a felicidade para a qual foi criado, nos ermos resvaladouros da insânia.

Compare a bondade ao amor. Este é vida e aquela é o caminho luminoso para a vida.

Recorde o ensinamento de Jesus: “Bom é o Pai”... e avance para os Cimos onde o amor de Nosso Pai semeou a majestade da Sua grandeza, cultivando, na bondade que se dilata na Terra como bênção santificante, o programa de perfeição que nos foi destinado desde o princípio dos tempos...


Marco Prisco









domingo, 11 de outubro de 2020

Vianna de Carvalho - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 59 - À Memória de Allan Kardec




Vianna de Carvalho - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 59


À Memória de Allan Kardec


Ante a visão esplêndida dos novos céus que as espaçonaves oferecem ao homem da Terra, a Astronáutica avança a largos passos, rasgando horizontes de infinita amplitude para os que deambulam no caminho carnal.

A Cibernética, na era da Tecnologia, amplia conceitos e fornece dados que transformam e aceleram os programas da civilização moderna, e a Biônica, interpretando as necessidades do homem, parece candidatar-se a substituí-lo nos diversos departamentos da vida, conjugando esforços par.'', o conforto e a comodidade de todos.

Todavia, enquanto os engenhos espaciais vencem, como bólides, o atrito da atmosfera, fugindo à gravitação da Terra, uma inquietante loucura invade os  múltiplos departamentos do conhecimento humano, gerando desespero e alucinação que perturbam inteligências e esmagam sentimentos.

O homem de saber parece, nestes dias, dominado por estranha volúpia de desequilíbrio e jornadeia de especulação em especulação, vitimado em si mesmo por tormentos de difícil interpretação.

Há ânsia de poder em toda a parte e há agonia pelos desmandos em todo o lugar.

Os padrões éticos subitamente naufragaram, enquanto as dominações religiosas se esfacelaram de encontro às realidades do pensamento hodierno.

A Filosofia, sem o amparo de mentes vigorosas, deixa-se substituir pela vacuidade de conceitos forjados pela ilusão, em pleno entorpecimento das paixões.

O caos se instala, e, nesse abismo em que os tumultos da guerra e as malversações dos valores humanos triunfam, a Doutrina Espírita é o sol de esperança a brilhar fulgurante, clareando as cogitações da inteligência que sem rumo se perverte.

Evocando a memória de Allan Kardec, no dia do centenário da sua desencarnação, somos convocados a reverenciar a obra ímpar por ele coligida, que vem traçando diretrizes seguras para o espírito aturdido dos últimos tempos, constituindo porto de segurança para os verdadeiros nautas que velejam no oceano da investigação em torno das realidades da vida.

Ontem, no báratro das indagações não contestadas, o Espiritismo se apresentou como a resposta dos Céus às lágrimas da Terra, conduzindo mentes e corações aos planaltos da fé, instaurando o primado do Espírito imortal.

Quando a Ciência, investigando, mergulhou no organismo complexo de pesquisas valiosas, que ensejaram elucidações de incontestável valia para o espírito do homem, o Espiritismo, esclarecendo os enigmas do ser, do destino e da dor, pôs-se a caminhar lado a lado com as disciplinas psicológicas, oferecendo soluções aos inumeráveis enigmas da mente, então perdidos em sombras.

E hoje, quando alguns parapsicólogos pretendem, como apaixonados partidários do materialismo, destruir as consoladoras realidades da vida espiritual o Espiritismo é a única força que põe diques no rio caudaloso das vaidosas especulações desses desvairados apaniguados do Nada.

Nesse particular, o venerando mestre Allan Kardec assoma no pórtico dos séculos atestando a excelência de sua escolha pelo Mundo Espiritual para embaixador condigno, capaz de, entre as criaturas, preparar o advento do mundo melhor para o futuro, com as bases vigorosas da Obra de que se fez portador.

Na época em que os postulados filosóficos eram grafados em latim, reservados às elites intelectuais, Allan Kardec escreveu em linguagem popular a filosofia espírita, de modo que a mensagem de consolação alcançasse todas as mentes e retificasse as inquietações do mundo conturbado, conseguindo êxito expressivo.

Graças a isso, tudo na lição espírita é simples, é belo, é puro como diamante sem jaça que reflete o sol que faz brilhar a verdade.

Desde os pródromos da filosofia ingênuo-ética da Natureza, de Lao-Tsé, aos estoicos, aos pensadores do Renascimento, a Spinoza, a Kant, a Hegel, a Nietzsche, só a ética otimista do Espiritismo se apresenta fiel ao excelente espírito de “respeito à vida” expressa nas lições de Jesus.

Enquanto a Ética comum não possui qualquer princípio básico de- moral, demorando-se no exame e estudo dos conflitos éticos, o Espiritismo estuda pormenorizadamente tudo quanto diz respeito à vida, tomando posição definida em face dos conflitos éticos e solucionando-os.

Com o Espiritismo o homem começa a pensar sinceramente na vida, tornando-se ético, o que equivale dizer, realizando a luta entre a vontade e o conhecimento, para, liberto das algemas que o limitam e aprisionam, viver consentaneamente com o postulado de amor e dignificação da existência física.

Plasmada pelo pensamento divino, a mensagem espírita é como abençoada antemanhã para os trôpegos que se demoram em trevas medievas, apesar das luzes da atualidade.

Nem sofismas nem discordâncias nos postulados, apresentando-se como um todo harmônico, com imensurável campo de estudo e investigação pela frente.

Obedecendo a uma planificação bem delineada,* as indagações formuladas pelo preclaro mestre ensejam respostas sutis e profundas aos Espíritos Superiores, o que traduz a elevada estirpe do interrogante e dos interrogados.

Passado o período de um século, século no qual ocorreram na Humanidade as maiores convulsões ideológicas de todos os tempos, em que as ciências abandonaram os porões e as câmaras de superstição para se tornarem exatas, o Espiritismo, inalterado, sobreviveu incólume a todos os assaltos, fixando-se cada dia e cada hora no espírito humano, em postulados salutares, edificantes.

Considerando as responsabilidades que dizem respeito ao militante das lides espíritas, este se impõe a tarefa de equacionar o problema dele mesmo e esbater as trevas , em derredor, esparzindo a Doutrina da imortalidade entre todos, quanto lhe permitem as possibilidades.

Agora, não mais a cogitação pura e simples do intercâmbio mediúnico entre os “dois mundos”, buscando informes e fatos, já que estes super abundam, mas estudo acendrado e profundo da Revelação Kardequiana, meditação acurada e sistematização do exame das questões para poder enfrentar o diapasão novo do materialismo que vai dominando os diversos departamentos da cultura, solapados que estão pela insensatez dos seus expoentes máximos.

Incorporar, portanto, a lição kardecista ao dia-a-dia da vida, impregnar-se do conhecimento dela, esforçar-se por viver a mensagem espírita, são deveres que nenhum adepto sincero do Espiritismo pode transferir, a fim de que o seu comportamento ateste a qualidade da convicção religiosa esposada.

Allan Kardec! Evocando o dia em que desferiste voo para a Espiritualidade, deixando o todo granítico da Codificação para atravessar inalterada, os tempos,  nós, os espíritas desencarnados, reverenciando a grandeza do teu nome e o heroísmo .do teu espírito, tanto quanto a dedicação infatigável da tua vida, te exaltamos a nobreza, vexilário dos séculos/ lídimo representante do Consolador prometido por Jesus, o Mestre Excelente que se fez o teu roteiro inconfundível e que é para todos nós o “caminho, a verdade e a vida” na rota da nossa redenção.

Louvado sejas, Benfeitor, em cujo coração depositamos as nossas modestas dádivas de espíritas que procuramos ser, apesar de estarmos longe das tuas pegadas luminosas!


Vianna de Carvalho







terça-feira, 16 de junho de 2020

Marco Prisco - Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 6 - Um sublime alguém



Marco Prisco - Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 6


Um sublime alguém


Ninguém poderá carregar o fardo de suas dores. Eduque-se com o sofrimento.

Ninguém entenderá os problemas complexos de sua existência. Exercite o silêncio.

Ninguém seguirá com você indefinidamente. Acostume-se com a solidão.

Ninguém acreditará que suas aflições sejam maiores do que as do vizinho. Liberte-se delas com o trabalho de autoiluminação.

Ninguém lhe atenderá todas as necessidades. Subordine-se apenas ao que você tem.

Ninguém responderá por seus erros. Tenha cuidado no proceder.

Ninguém suportará suas exigências. Faça-se brando e simples.

Ninguém o libertará do arrependimento após o crime. Medite na paciência e domine os impulsos.

Ninguém compreenderá seus sacrifícios e renúncias para a manutenção de uma vida modesta e honrada. Persevere no dever bem cumprido.

Sábio é todo aquele que reconhece a infinita pequenez ante a infinita grandeza da vida. Embora ninguém possa servi-lo sempre, você encontrará um sublime Alguém, que tem para cada anseio de sua alma uma alternativa de amor. Não se imponha, pois, a ninguém.

Embora você dependa de todos, nada aguarde dos outros. Receba e agradeça o que lhe chegue e como chegue, ajude e passe…

Aprenda que a luta é a lição de cada hora no abençoado livro da existência planetária, e siga adiante com Ele, que jamais se escusava.


Marco Prisco









Fonte: Sementeira da Fraternidade-pdf