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sábado, 19 de setembro de 2026

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. II - Comentários ao Evangelho segundo Marcos - Chico Xavier - Cap. 70 - O maior



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. II - Comentários ao Evangelho segundo Marcos - Chico Xavier - Cap. 70


O maior


Ainda e sempre, a vaidade humana prossegue na caça incessante aos títulos máximos na Terra.

Cartazes da imprensa e programas radiofônicos na atualidade cogitam de campeões variados que brilham, passageiros, na ribalta do mundo.

O maior pensador…

O maior cientista…

O maior industrial…

O artista maior…

E o campo de realizações terrestres, copiando-lhes o impulso, apresenta com garbo os seus expoentes mais altos…

O maior arranha-céu…

O maior transatlântico…

O maior espetáculo…

A fortuna maior…

Todavia, semelhantes pruridos de evidência terrestre não são novos.

Há quase vinte séculos, surgiam eles igualmente no colégio dos seguidores humildes do Senhor.

Nem mesmo os aprendizes do Evangelho, despretensiosos e simples conseguiram fugir à tentação do destaque pessoal.

Eles próprios, na antevisão do paraíso, indagaram do Mestre, com desassombro inconsciente: — Quem seria o maior no Reino dos Céus? 

E a resposta do Cristo, ainda hoje, é um desafio à nossa fé.

O maior no Reino do Amor será sempre aquele que se fizer o servo infatigável de todos, aquele que, em se esquecendo, oferece aos outros a própria alegria que não possui, e que, em se ajustando à máquina do bem, possa apagar-se, contente e anônimo, atendendo, no lugar que lhe é próprio, a tarefa que o Senhor lhe determina…

Se procuras, desse modo, a comunhão com Jesus, onde estiverdes, olvida a ti mesmo pela glória de ser útil.

Ajuda, aprende, ampara, compreende, crê e espera cada dia…

E, servindo sempre, encontrarás com o Mestre Divino a felicidade perfeita, penetrando com Ele o segredo sublime da cruz, pelo qual, em se rendendo à suprema renúncia, fez-se a luz das nações e a esperança da Humanidade inteira.


Emmanuel







(Reformador, novembro 1955, página 245)

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 137 - Ante a vida maior



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 137


Ante a vida maior


"Assim, pois, é que haveis de orar: Pai nosso que estais nos Céus; santificado seja o teu nome. Venha a nós o teu reino. Seja feita a tua vontade, assim na Terra, como no Céu." (MATEUS, 6:9-10)


Quem encontra a Paternidade Divina no mundo, respeita as injunções da consanguinidade, mas não se agarra ao cativeiro da parentela.

Honra pai e mãe, realmente; todavia, sabe considerar que o amor pode ajudar, fazer, aprender e sublimar-se sem prender-se.

O Espírito que penetrou semelhante domínio da compreensão reconhece que sua família é a Humanidade inteira, encontrando o Lar em toda parte, as surpresas da vida em todos os ângulos do caminho, o interesse iluminativo em todas as facetas da jornada, o serviço em todas as linhas de atividade, o dever em todas as partículas do tempo, a bênção do Céu em todos os caminhos da Terra, o amor em todos os seres, a glória de ajudar em todos os instantes da luta e segue, existência afora, de alma aberta ao trabalho santificante, respirando a independência construtiva, livre, ainda mesmo quando escravo de pesadas obrigações, feliz, ainda mesmo quando o corpo se lhe cubra de chagas sanguinolentas, e, sereno, ainda mesmo quando a tempestade o convoque ao terror e à perturbação…

É que, quando a alma descobre a Paternidade celeste, embora ligada aos impositivos da carne, sabe sofrer e agir, crescer e elevar-se, operando nas zonas inferiores do Planeta, mas de sentimento centralizado no Alto, a repetir invariavelmente com Jesus Cristo: — “Pai Nosso que estás nos Céus…” 


Emmanuel









(Reformador, junho de 1954, página 126)

segunda-feira, 30 de março de 2026

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 44 - Caridade da paz



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 44


Caridade da paz


"Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus." — JESUS (Mateus, 5:9)


Um tipo de beneficência ao alcance de todos e que não se deve esquecer — ocultar os próprios aborrecimentos, a fim de auxiliar.

É provável hajas iniciado o dia, sob a intromissão de contratempos que te espancaram a alma. À vista disso, se exibes a figura da mágoa, na palavra ou na face, ei-la que se expande, à feição de tóxico mental, atacando a todos os que se deixem contagiar.

E qual acontece, quando a poeira grossa te invade o reduto doméstico, obrigando-te à recuperação e limpeza, após te desequilibrares em aspereza e irritação, reconheces-te no dever de reparar os danos havidos, despendendo força e diligência em solicitar desculpas e refazer os próprios brios, aqui e ali, como quem se empenha a suprimir os remanescentes de laboriosa faxina.

Se te alteias, no entanto, acima de desgostos e inquietações, mantendo tranquilidade e bom ânimo, para logo a tua mensagem de otimismo e renovação prossegue adiante, de modo a espalhar bênçãos e criar energias, angariando-te simpatia e cooperação.

Os estados negativos da mente, como sejam tristeza e azedume, angústia ou inconformidade, constituem sombras que o entendimento e a bondade são chamados a dissipar.

Recordemos o donativo da paz que a todos nos compete distribuir, a benefício dos outros, evitando solenizar obstáculos e conflitos, aflições ou desencantos, que nos surpreendem a marcha. E permaneçamos claramente informados de que a única fórmula para o exercício dessa beneficência da paz, em louvor de nossa própria segurança, será sempre esquecer o mal e fazer o bem, porquanto, em verdade, tão somente a criatura consagrada a trabalhar, servindo ao próximo, não dispõe de recursos para entediar-se e nem encontra tempo para ser infeliz.


Emmanuel








(Reformador, fevereiro de 1972, p. 28)

quarta-feira, 11 de março de 2026

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 122 - Bondade




Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 122


Bondade


“Sede vós, pois, perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito.” (Mateus 5:48). 

Ao apelo do Divino Mestre, recomendando-nos “sede perfeitos”, evitemos a indesejável resposta da aflição.

Ninguém pode trair os princípios de sequência que governam a Natureza e o tempo será sempre o patrimônio divino, em cujas bênçãos alcançaremos as realizações que a vida espera de nós.

Antes de cogitar da colheita atendamos à sementeira.

Antecipando a construção do teto de nossa casa espiritual, no aprimoramento que nos cabe atingir, edifiquemos os alicerces no chão de nossas possibilidades humildes, erguendo sobre eles as paredes de nossa renovação, a fim de não nos perdermos em movimento vazio.

Iniciemos a perfeição de amanhã com a bondade de hoje.

Ninguém é tão deserdado no mundo que não possa começar com o êxito necessário.

Não intentes curar o enfermo de momento para outro. Cede-lhe algumas gotas de remédio salutar.

Não busques regenerar o delinquente a rudes golpes verbais. Ajuda-o, de algum modo, oferecendo-lhe algumas frases de fraternidade e compreensão.

Não procures estabelecer a verdade num gesto impetuoso de esclarecimento espetacular, acreditando desfazer as ilusões de muito tempo, em um só dia. Enceta a obra do reajuste moral com os teus pequeninos gestos de sinceridade à frente de todos.

Não suponhas seja possível a milagrosa transformação de alguém, no caminho empedrado da crueldade ou da ignorância. Faze algo que possa servir de plantação inicial de luz no Espírito que te propões reformar.

E, ainda, em se tratando de nós, não julgues seja fácil converter nossa própria alma para Jesus, num instante rápido. Trazemos conosco vasto acervo de sombras e precisamos serenidade e diligência para desintegrá-las, pouco a pouco, ao preço de nossa própria submissão à Lei do Senhor que nos rege os destinos.

Se realmente nos dispomos à aceitação do ensinamento do Divino Mestre, usemos a bondade, em todos os momentos da vida. Bondade para com o próximo, bondade para com os ausentes, bondade para com os nossos opositores, bondade para com todas as criaturas que nos cercam.

A bondade é a chave da simpatia e do conhecimento com que descerraremos a passagem para as Esferas superiores. Com ela, seremos mais humanos, mais amigos e mais irmãos.

Avancemos, assim, com a bondade por norma de ação, retificando em nossa estrada os aspectos e experiências que nos desagradam na estrada dos outros e, desse modo, estejamos convictos de que o sonho sublime de nosso aperfeiçoamento encontrará, em breve futuro, plena concretização na Vida eterna.


Emmanuel







(Reformador, março de 1957, página 69)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 35 - Compaixão e nós



O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 35


Compaixão e nós


"Bem aventurados os misericordiosos, porque eles receberão misericórdia." — JESUS (Mateus, 5:7)

Comumente, referimo-nos à compaixão em termos que se reportem à semelhante bênção de nós para com os outros; entretanto, a fim de que o orgulho não se nos infiltre no coração sob o nome de virtude, vale recordar a compaixão que tantas vezes procede dos outros em socorro a nós.

De quando em quando, pelo menos, rememoremos as demonstrações de paciência e bondade dos irmãos que nos suportaram, sem queixa, a teimosia e a inconsequência nos dias de imaturidade ou irritação;

o apoio das criaturas que prosseguiram trabalhando em nosso favor, cientes de que as combatíamos sem apreender-lhes os elevados intuitos;

o amparo de benfeitores que continuaram a servir-nos, ainda mesmo depois de se conscientizarem quanto aos gestos de frieza ou ingratidão com que lhes ferimos o espírito;

a tolerância dos companheiros que, mesmo em nos sabendo desequilibrados nos dias de erro, não nos sonegaram a bênção da amizade e da confiança, aguardando-nos os reajustes espirituais;

e o auxílio dos irmãos que nos perdoaram ofensas e agravos, ajudando-nos, sem pausa, além das dificuldades e empeços com que lhes espancamos o carinho e a abnegação para conosco.

Reflitamos na imensidão da piedade que nos sustenta a vida até agora e observaremos que, sem isso, provavelmente a maioria de nós outros teria mergulhado indefinidamente nas correntes da prova criadas por nós mesmos, com a nossa própria negligência.

Meditemos nisso e saibamos exercer a compaixão para com todos, particularmente para com aqueles que nos firam, e reconheceremos que unicamente assim conseguiremos resgatar os nossos débitos de amor para com o próximo, e perceber, por fim, que todos nós, para viver, conviver e sobreviver, precisamos, em qualquer parte e em qualquer circunstância, da bondade e da compaixão de Deus.


Emmanuel








(Reformador, janeiro de 1973, p. 20)

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. IV - Comentários ao Evangelho segundo João - Chico Xavier - Cap. 186 - O caminho



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. IV - Comentários ao Evangelho segundo João - Chico Xavier - Cap. 186


O caminho


“Mas quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade.” — JESUS (João, 16.13)


O Caminho de toda a Verdade é Jesus Cristo. 

O Mestre veio ao mundo instalar essa verdade para que os homens fossem livres e organizou o programa dos cooperadores de seu divino trabalho, para que se preparasse convenientemente o caminho infinito. 

No fim da estrada colocou a redenção e deu às criaturas o amor como guia.

Conforme sabemos, o guia é um só para todos. 

E vieram os homens para o serviço divino. Com os cooperadores vinham, porém, os gênios sombrios, que se ombreavam com eles nas cavernas da ignorância.

A religião, como expressão universalista do amor, que é o guia, pairou sempre pura, acima das misérias que chegaram ao grande campo; mas, este ficou repleto das absurdidades. O caminho foi quase obstruído.

A ambição exigiu impostos dos que desejavam passar, o orgulho reclamou a direção dos movimentos, a vaidade pediu espetáculos, a conveniência requisitou máscaras, a política inferior estabeleceu guerras, a separatividade provocou a hipnose do sectarismo.

O caminho ficou atulhado de obstáculos e sombras e o interessado, que é o espírito humano, encontra óbices infinitos para a passagem.

O quadro representa uma resposta a quantos perguntarem sobre os propósitos do Espiritismo cristão, sendo que o homem já conhece todos os deveres religiosos. Ele é aquele Espírito de Verdade que vem lutar contra os gênios sombrios que vieram das cavernas da ignorância e invadiram o campo do Cristo.

Mas, guerrear como? Jesus não pediu a morte de ninguém. Sim, o Espírito de Verdade vem como a luz que combate e vence as sombras, sem ruídos. Sua missão é transformar, iluminando o caminho para que os homens vejam o amor, que constitui o guia único para todos, até a redenção.


Emmanuel










(Reformador, abril 1941, página 96)

sábado, 16 de agosto de 2025

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. IV - Comentários ao Evangelho segundo João - Cap. 116 - Corrijamos agora



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. IV - Comentários ao Evangelho segundo João - Cap. 116


Corrijamos agora 


Em plena vida espiritual, além do caminho estreito da carne, sempre realizamos o inventário de nossas aquisições no mundo.

Em semelhantes ocasiões, invariavelmente nos escandalizamos à frente de nós mesmos e rogamos, então, à Divina Providência a graça do retorno à matéria mais densa, sem as vantagens terrestres que nos serviram de perda.  

É por isso que renascemos no mundo com singulares inibições congeniais.

Aqui, é um cego que pediu a medicação da sombra para curar antigos desvarios da visão.

Ali, é um surdo que solicitou o silêncio nos ouvidos, como bênção de reajuste da própria alma.

Mais além, somos defrontados pelo leproso que implorou do Céu a vestimenta de feridas e aflições, como remédio purificador da personalidade transviada do verdadeiro bem.

Mais adiante, encontramos o aleijado de nascença, que suplicou a mutilação natural por serviço valioso de autocorrigenda.

Doenças e amarguras, dificuldades e dores são meios de que nos valemos para a justa reparação de nossa vida, em nós ou fora de nós.

Assim pois, atendamos ao aviso do Evangelho, no passo em que nos adverte o Senhor: “Caminhai, enquanto tendes luz”. 

Enquanto se vos concede no mundo a felicidade de permanência no corpo físico — templo e formação das nossas asas espirituais para a vida eterna — não procureis o escândalo, a distância de vosso círculo individual!

Escandalizemo-nos conosco, quando a nossa conduta estiver contrária aos princípios superiores que abraçamos.

Estranhemos nossos pensamentos, nossas palavras e nossos atos, quando não se afinem com o Mestre da Cruz, cujo modelo procuramos, e, assim, amanhã não teremos a lamentar maiores faltas, alcançando a vitória sobre nós mesmos, em paz com a nossa própria consciência, à frente da Vida Imperecível que nos espera com o nosso Mestre e Senhor.


Emmanuel









(Reformador, março 1954, página 54)

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. II - Comentários ao Evangelho segundo Marcos - Cap. 7 - Doença e remédio



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. II - Comentários ao Evangelho segundo Marcos - Cap. 7


Doença e remédio


No trato com as chagas da ignorância, na esfera da Humanidade, quais sejam a incompreensão e o crime, a crueldade e a rebeldia, anotemos a conduta da Misericórdia Divina no quadro das doenças terrestres.

Porque alguém acusa os reflexos tóxicos dessa ou daquela enfermidade, não sofre condenação a permanente desajuste. Recebe a atenção da Ciência, que lhe examina as possibilidades de cura ou melhoria.

Porque o médico deve tocar detritos corruptores, não lhe impele a saúde à perturbação e ao relaxamento. Dá-lhe luvas protetoras.

Porque processos infecciosos alterem a constituição celular nessa ou naquela parte da província corpórea, não sentencia a zona atacada à simples extirpação. Oferta-lhe recurso adequado para que elimine a infestação virulenta.

Se grandes lesões comparecem na estrutura do carro físico, ameaçando-lhe a segurança, traça o plano necessário à intervenção cirúrgica, mas não deixa o doente a insular-se no desespero, estendendo-lhe à dor o amparo da anestesia.

Se moléstias epidêmicas surgem, insidiosas, distribui a vacinação que susta o contágio.

Vemos, assim, que a Lei de Deus não se conforma com o mal; ao contrário, opõe-lhe a cada instante o socorro do bem.

Dessa forma, se os agentes da lama se infiltram no teu passo, exibindo-te aos teus olhos perigosas ações de discórdia e infortúnio naqueles que mais amas, não podes realmente acomodar-te aos golpes com que te impelem, rudes, à imersão na maldade, mas podes esparzir a água viva do amor, ajudando em silêncio as vítimas da treva que tombam sem saber que se arrastam no lodo.

Usa, pois, cada hora, a compaixão sem termos e o perdão sem limites, porque o próprio Jesus, perante os nossos males, exclamou complacente: — “Em verdade, eu não vim para curar os sãos”. 


Emmanuel







(Reformador, maio 1960, página 114)

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. VI - Comentários às Cartas de Paulo - Cap. 277 - Atualidade



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. VI - Comentários às Cartas de Paulo - Cap. 277


Atualidade


“Ele, estando na forma de Deus não usou de seu direito de ser tratado como um deus.” — PAULO (Filipenses, 2.6)

Todos os sofrimentos dos homens, de modo geral, originam-se da pretensão de usurpar o Divino Poder.

Orgulho, vaidade, insensatez, egoísmo, perversidade, rebeldia e opressão representam apenas modalidades variadas dessa usurpação indébita. 

A guerra e o seu séquito pestilencial, a tirania e o instinto revolucionário, as paixões arrasadoras e os desastres espirituais que lhes são consequentes constituem-lhe as obras.

Na vastíssima paisagem de nossas existências vemos sempre a Misericórdia Divina e a maldade humana, a Bondade Celestial e a desobediência das criaturas… Sempre, o Pai Generoso e os filhos imprevidentes, o Deus Justo e as inteligências caídas e perversas… 

Doloroso quadro… Em tudo, no planeta, a harmonia das leis do Senhor e a discórdia dos homens, a bênção providencial do Céu e a rebeldia terrestre…

Por isso mesmo a Humanidade, como aranha gigantesca, encontra-se no milenário labirinto, encarcerada na teia criminosa de suas próprias ações.

O coração do discípulo fiel do Evangelho, nos dias que passam, deve revestir-se com a vigorosa couraça da fé viva, porquanto é chamado a trabalhar numa floresta escura, onde a maldade se tornou mais requintada e a sombra mais densa. 

E que guarde, sobretudo, a serenidade confiante do trabalhador, compreendendo a necessidade dos testemunhos e sacrifícios para todos, porque para o aprendiz sincero deve resplandecer o ensinamento Daquele que tendo vindo ao mundo através de anúncios divinos, assinalados por uma estrela brilhante, temido pelas autoridades de seu tempo, que transformou pescadores em apóstolos, que curou leprosos e cegos, e levantou paralíticos de nascença, não quis usurpar o Direito Divino e marchou, um dia, para o monte, a fim de testemunhar a obediência justa ao Senhor Supremo da Vida, no alto de uma cruz, ante o desprezo e ironia de todos.


Emmanuel











(Reformador, setembro 1968, página 206.)

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 255 - Na guerra cristã



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 255


Na guerra cristã


Quem abraça os princípios cristãos se converte em soldado d’Aquele que nos disse: “Eu não venho trazer a paz e sim a espada”. 

Nessas palavras, o Senhor refere-se claramente à guerra em que nos achamos alistados para o serviço ativo.

O campo belicoso, porém, permanece na intimidade de nós mesmos.

A ação é contra nós, contra as comodidades do “eu”, contra a cristalização do nosso egoísmo multissecular.

O plano de combate jaz estruturado no Evangelho redentor, cujas indicações deveremos realmente viver, se buscarmos triunfo.

Nossas armas, por isso, na ofensiva contra os inimigos gratuitos e naturais que a nossa posição acordará, são, invariavelmente, o amor, a compreensão, a piedade e o auxílio incessantes.

Reconhecemos, pois, que o discípulo da Boa Nova é alguém que se bate contra as deformidades espirituais de si mesmo, trabalhando constantemente pela própria melhoria, de modo a atingir a vitória sobre si próprio, a única que, efetivamente, constitui a glória do Espírito imperecível para a Vida abundante.

Achamo-nos, desse modo, em luta, em luta áspera, na fortaleza do próprio coração, informados de que não é possível a movimentação de nosso trabalho fraternal sem inimigos, em tarefa ativa, por expulsar os velhos sentimentos delituosos que se nos aninham em nossa alma, sob a capa respeitável da dignidade pessoal, e a fim de incorporarmos à vida íntima os ensinamentos vivos do Mestre salvador.

E, notificados de que Ele mesmo, por amar-nos e servir-nos, não conseguiu escapar ao extremo sacrifício, busquemos eleger a humildade perante o orgulho, o silêncio diante do mal, o serviço à frente do ataque e a serenidade ao lado da violência, por normas ideais de trabalho, no testemunho de reconhecimento ante a graça recebida para alcançarmos, valorosamente, a vitória real na estrada sublime da cruz, em plena ascensão para a vida maior.


Emmanuel









(Reformador, junho de 1953, página 142)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 344 - Chamados e escolhidos



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 344


Chamados e escolhidos


Estejamos convictos de que ainda nos achamos a longa distância do convívio com os eleitos da Vida Celeste; entretanto, pelo chamamento da fé viva que hoje nos traz ao conhecimento superior, guardemos a certeza de que já somos os escolhidos:

para a regeneração de nós mesmos;

para o cultivo sistemático diário e intensivo do bem;

para o esquecimento de todas as faltas do próximo, de modo a recapitular com rigor as nossas próprias imperfeições, redimindo-as;

para o perdão incondicional, em todas as circunstâncias da vida;

para a atividade infatigável na confraternização verdadeira;

para auxiliar aos que erram;

para ensinar aos mais ignorantes que nós mesmos;

para suportar o sacrifício, no amparo aos que sofrem sem a graça da fé renovadora que já nos robustece o espírito;

para servir, além de nossas próprias obrigações, sem direito à recompensa;

para compreender os nossos irmãos de jornada evolutiva, sem exigir que nos entendam;

para apagar as fogueiras da maledicência e do ódio, da discórdia e da incompreensão, ao preço de nossa própria renúncia;

para estender a caridade sem ruído, como quem sabe que ajudar aos outros é enriquecer a própria existência;

para persistir nas boas obras sem reclamações e sem desfalecimentos, em todos os ângulos do caminho;

para negar a nossa antiga vaidade e tomar, sobre os próprios ombros, cada dia, a cruz abençoada e redentora de nossos deveres, marchando, com humildade e alegria, ao encontro da vida sublime…

A indicação honrosa nos felicita.

Nossa presença nos estudos do Evangelho expressa o apelo que flui do Céu no rumo de nossas consciências.

Chamados para a luz e escolhidos para o trabalho. Eis a nossa posição real nas bênçãos do “hoje”. E se quisermos aceitar a escolha com que fomos distinguidos, estejamos certos igualmente de que em breve “amanhã” comungaremos felizes com o nosso Mestre e Senhor.


Emmanuel









(Reformador, outubro de 1956, página 232)

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 58 - A candeia



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 58


A candeia


A candeia luminosa, acima do velador, não é somente um problema de verbalismo doutrinário.

Claro que as nossas convicções públicas revelam pensamento aberto e coração arejado, na sincera demonstração de nossas concepções mais íntimas. O ensinamento do Cristo, porém, lançou raízes mais profundas no solo do nosso entendimento.

A lâmpada acesa da lição divina é, antes de tudo, o símbolo de nossa atitude positiva, nos variados ângulos da existência.

O discípulo do Evangelho é convidado a afirmar-se, no mundo, a cada instante.

Se foste ofendido, não conserves a luz do perdão nas dobras obscuras dos melindres enfermiços.

Se encontraste a dificuldade, não escondas a coragem nos resvaladouros da fuga.

Se foste surpreendido pela provação dolorosa e  áspera, não enterres o talento da fé no deserto do desânimo.

Se foste tocado pela dor, não arremesses a tua esperança ao despenhadeiro da indiferença.

Se sofres a perseguição e a calúnia, não arrojes a oração no precipício da revolta e do desespero.

Se a luta te impôs a marcha entre espinheiros, oferecendo-te fel e vinagre, não ocultes o teu valor espiritual, sob os detritos da inconformação ou do desalento.

Faze a tua viagem na Terra, em companhia do Amigo Celestial, de coração elevado à Vontade Divina, de cabeça erguida na fidelidade à religião do dever bem cumprido, de consciência edificada no bem invariável e de braços ativos e diligentes na plantação das boas obras.

Não disfarces os teus conhecimentos de ordem superior e aprende a usá-los, em benefício dos semelhantes e em favor de ti mesmo, porque assim, ainda mesmo que o sacrifício supremo na cruz se te faça prêmio entre os homens, adquirirás na Vida Maior a felicidade de haver buscado a luz da própria sublimação.


Emmanuel











domingo, 2 de julho de 2023

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. V - 2ª Parte - Textos paralelos de Atos dos apóstolos e Paulo e Estêvão - Cap. 103 - A visão de Jesus na Igreja de Corinto e o início das epístolas



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier -  Vol. V - 2ª Parte - Textos paralelos de Atos dos apóstolos e Paulo e Estêvão - Cap. 103


A visão de Jesus na Igreja de Corinto e o início das epístolas
 

O Senhor disse a Paulo, à noite, através de uma visão: não temas, mas fala e não silencies, porque eu estou contigo; e ninguém te atacará para te fazer mal porque tenho um povo numeroso nesta cidade. — (Atos 18:9, 10)

Com a presença de Paulo, a igreja de Corinto adquiria singular importância e quase diariamente chegavam emissários das regiões mais afastadas. Eram portadores da Galácia a pedirem providências para as igrejas de Pisídia; companheiros de Icônio, de Listra, de Tessalônica, de Chipre, de Jerusalém. Em torno do Apóstolo formou-se um pequeno colégio de seguidores, de companheiros permanentes, que com ele cooperavam nos mínimos trabalhos. Paulo, entretanto, preocupava-se intensamente. Os assuntos eram urgentes quão variados. Não podia olvidar o trabalho de sua manutenção: assumira compromissos pesados com os irmãos de Corinto; devia estar atento à coleta destinada a Jerusalém; não podia desprezar as comunidades anteriormente fundadas.

Aos poucos, compreendeu que não bastava enviar emissários. Os pedidos choviam de todos os sítios por onde perambulara, levando as alvíssaras da Boa Nova. Os irmãos, carinhosos e confiantes, contavam com a sua sinceridade e dedicação, compelindo-o a lutar intensamente.

Sentindo-se incapaz de atender a todas as necessidades ao mesmo tempo, o abnegado discípulo do Evangelho, valendo-se, um dia, do silêncio da noite, quando a igreja se encontrava deserta, rogou a Jesus, com lágrimas nos olhos, não lhe faltasse com os socorros necessários ao cumprimento integral da tarefa.

Terminada a oração, sentiu-se envolvido em branda claridade. Teve a impressão nítida de que recebia a visita do Senhor. Genuflexo, experimentando indizível comoção, ouviu uma advertência serena e carinhosa:

— Não temas — dizia a voz —, prossegue ensinando a verdade e não te cales, porque estou contigo.

O Apóstolo deu curso às lágrimas que lhe fluíam do coração. Aquele cuidado amoroso de Jesus, aquela exortação em resposta ao seu apelo, penetravam-lhe a alma em ondas cariciosas. A alegria do momento dava para compensar todas as dores e padecimentos do caminho. Desejoso de aproveitar a sagrada inspiração do momento que fugia, pensou nas dificuldades para atender às várias igrejas fraternas. Tanto bastou para que a voz dulcíssima continuasse:

— Não te atormentes com as necessidades do serviço. É natural que não possas assistir pessoalmente a todos, ao mesmo tempo. Mas é possível a todos satisfazeres, simultaneamente, pelos poderes do espírito.

Procurou atinar com o sentido justo da frase, mas teve dificuldade íntima de o conseguir.

Entretanto, a voz prosseguia com brandura:

— Poderás resolver o problema escrevendo a todos os irmãos em meu nome; os de boa vontade saberão compreender, porque o valor da tarefa não está na presença pessoal do missionário, mas no conteúdo espiritual do seu verbo, da sua exemplificação e da sua vida. Doravante, Estêvão permanecerá mais conchegado a ti, transmitindo-te meus pensamentos, e o trabalho de evangelização poderá ampliar-se em benefício dos sofrimentos e das necessidades do mundo.

O dedicado amigo dos gentios viu que a luz se extinguira; o silêncio voltara a reinar entre as paredes singelas da igreja de Corinto; mas, como se houvera sorvido a água divina das claridades eternas, conservava o Espírito mergulhado em júbilo intraduzível. Recomeçaria o labor com mais afinco, mandaria às comunidades mais distantes as notícias do Cristo.

De fato, logo no dia seguinte, chegaram portadores de Tessalônica com notícias desagradabilíssimas. Os judeus haviam conseguido despertar, na igreja, novas e estranhas dúvidas e contendas. Timóteo corroborava com observações pessoais. Reclamavam a presença do Apóstolo com urgência, mas este deliberou pôr em prática o alvitre do Mestre, e recordando que Jesus lhe prometera associar Estêvão à divina tarefa, julgou não dever atuar por si só e chamou Timóteo e Silas para redigir a primeira de suas famosas epístolas.

Assim começou o movimento dessas cartas imortais, cuja essência espiritual provinha da Esfera do Cristo, através da contribuição amorosa de Estêvão — companheiro abnegado e fiel daquele que se havia arvorado, na mocidade, em primeiro perseguidor do Cristianismo.

Percebendo o elevado espírito de cooperação de todas as obras divinas, Paulo de Tarso nunca procurava escrever só; buscava cercar-se, no momento, dos companheiros mais dignos, socorria-se de suas inspirações, consciente de que o mensageiro de Jesus, quando não encontrasse no seu tono sentimental as possibilidades precisas para transmitir os desejos do Senhor, teria nos amigos instrumentos adequados.

Desde então, as cartas amadas e célebres, tesouro de vibrações de um mundo superior, eram copiadas e sentidas em toda parte. E Paulo continuou a escrever sempre, ignorando, contudo, que aqueles documentos sublimes, escritos muitas vezes em hora de angústias extremas, não se destinavam a uma igreja particular, mas à cristandade universal. As epístolas lograram êxito rápido. Os irmãos as disputavam nos rincões mais humildes, por seu conteúdo de consolações, e o próprio Simão Pedro, recebendo as primeiras cópias, em Jerusalém, reuniu a comunidade e, lendo-as, comovido, declarou que as cartas do convertido de Damasco deviam ser interpretadas como cartas do Cristo aos discípulos e seguidores, afirmando, ainda, que elas assinalavam um novo período luminoso na história do Evangelho.


Emmanuel










segunda-feira, 19 de junho de 2023

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. IV - Comentários ao Evangelho segundo João - Chico Xavier - Cap. 186 - O caminho



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. IV - Comentários ao Evangelho segundo João - Chico Xavier - Cap. 186


O caminho


“Mas quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade.” — JESUS (João, 16.13)


O Caminho de toda a Verdade é Jesus Cristo. 

O Mestre veio ao mundo instalar essa verdade para que os homens fossem livres e organizou o programa dos cooperadores de seu divino trabalho, para que se preparasse convenientemente o caminho infinito. 

No fim da estrada colocou a redenção e deu às criaturas o amor como guia.

Conforme sabemos, o guia é um só para todos. 

E vieram os homens para o serviço divino. Com os cooperadores vinham, porém, os gênios sombrios, que se ombreavam com eles nas cavernas da ignorância.

A religião, como expressão universalista do amor, que é o guia, pairou sempre pura, acima das misérias que chegaram ao grande campo; mas, este ficou repleto das absurdidades. O caminho foi quase obstruído.

A ambição exigiu impostos dos que desejavam passar, o orgulho reclamou a direção dos movimentos, a vaidade pediu espetáculos, a conveniência requisitou máscaras, a política inferior estabeleceu guerras, a separatividade provocou a hipnose do sectarismo.

O caminho ficou atulhado de obstáculos e sombras e o interessado, que é o espírito humano, encontra óbices infinitos para a passagem.

O quadro representa uma resposta a quantos perguntarem sobre os propósitos do Espiritismo cristão, sendo que o homem já conhece todos os deveres religiosos. Ele é aquele Espírito de Verdade que vem lutar contra os gênios sombrios que vieram das cavernas da ignorância e invadiram o campo do Cristo.

Mas, guerrear como? Jesus não pediu a morte de ninguém. Sim, o Espírito de Verdade vem como a luz que combate e vence as sombras, sem ruídos. Sua missão é transformar, iluminando o caminho para que os homens vejam o amor, que constitui o guia único para todos, até a redenção.


Emmanuel







(Reformador, abril 1941, página 96)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. VII - Comentários às Cartas Universais e ao Apocalipse - Cap. 92 - Da união com Deus



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. VII - Comentários às Cartas Universais e ao Apocalipse - Cap. 92


Da união com Deus


“Por isso também os que sofrem, segundo a vontade de Deus, encomendam as suas almas ao fiel Criador, na prática do bem.” — PEDRO (1 Pedro, 4.19)


Basta que o sofrimento nos alcance de leve e sentimo-nos para logo necessitados da Assistência Divina.

Ainda quando filosofias negativistas nos tenham desfigurado o raciocínio ou a palavra, se o perigo nos ameaça, secreta intuição nos afirma que Deus zela por nós e para Deus nos voltamos de imediato.

Enquanto isso ocorre, vale pensar na forma aconselhável e justa de nos encomendarmos ao Criador.

Decerto que muitas maneiras existem de preparar semelhante ato de confiança, tais como a oração que sublima e o estudo que esclarece, o trabalho que realiza e o entendimento que reconforta; entretanto, o modo único de nos dirigirmos corretamente ao Pai que está nos Céus, é aquele da prática do bem.

Não nos iludamos. Mais dia, menos dia, todos sofrem. Há, contudo, quem sofra com revolta, com desânimo, com desespero, com rebeldia, perdendo o valor da prova em que se vê. 

Convençamo-nos, assim, sejam quais forem as circunstâncias em que nos achemos, que o processo exato de nos encomendarmos à Providência Divina será, na essência, auxiliar, abençoar, desculpar e servir, sempre e sempre, em toda parte, porquanto o serviço ao próximo é o ponto certo de nossa ligação com Deus.


Emmanuel








Reformador, outubro 1966, p. 218.

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 287 - Repreensão



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. I - Comentários ao Evangelho segundo Mateus - Cap. 287


Repreensão


A repreensão, sem dúvida, pertence à economia do nosso progresso espiritual na vida, entretanto, antes de expedi-la, com a palavra, convirá sempre ponderar o porquê, o como e o modo, através dos quais devemos concretizá-la.

O lavrador, para salvar a erva tenra, que amanhã será o orgulho do seu pomar, emprega cuidado e carinho em não lhe ferir o embrião, em lhe subtraindo o verme devorador.

O artista, para retirar a obra-prima do mármore, não martela o bloco de pedra indiscriminadamente e, sim, burila-o, cauteloso, imaginando e sonhando, antes de exigir ou apressar-se.

O cirurgião, que atende ao enfermo em estado grave, aplica-lhe anestésico e recomenda-lhe o repouso, extraindo-lhe a enfermidade, sem desafiar-lhe a reação das células vivas que, em desespero, poderiam estragar-lhe o serviço.

Usemos, [pois,] a repreensão em benefício do progresso de todos, mas, sem olvidar as nossas necessidades e deficiências, para que a compaixão fraternal seja óleo de estímulo em nossas frases.

Jesus, o grande Médico, o divino Educador, sempre fez diferença entre mal e vítima, entre pecado e pecador. Curava a moléstia, sem humilhar aqueles que se faziam hospedeiros dela e reprova o erro, sem esquecer o amparo imprescindível aos que se faziam desviados, aos quais tratava por doentes da alma.

Ajudemos noventa e nove vezes e repreendamos uma vez, em cada centena de particularidades do nosso trabalho.

Quem efetivamente auxilia, adverte com proveito real.

A educação exige muita piedade, muito apoio fraterno e muita recapitulação de ensinamentos para que se evidencie de verdade no campo da vida.

E, ainda nesse capítulo, não podemos esquecer a lição do Mestre, quando nos recomenda: Deixai crescer juntos o trigo e o joio, porque o Divino Cultivador fará a justa seleção, no dia da ceifa.

Semelhante assertiva não nos induz ao relaxamento, à indiferença ou à inércia, mas, define o imperativo de nossas responsabilidades, à frente dos outros, para que sejamos, de fato, irmãos e amigos, com interesses mútuos, e não perseguidores cordiais que desorganizam as possibilidades de crescimento do progresso e perturbam o programa de aperfeiçoamento que a Sabedoria Divina traçou, em favor de nosso engrandecimento comum.


Emmanuel








(Reformador, junho de 1953, página 144)

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. III - Comentários ao Evangelho segundo Lucas - Chico Xavier - Cap. 117 - Pensamento e forma



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. III - Comentários ao Evangelho segundo Lucas - Chico Xavier - Cap. 117


Pensamento e forma


O sentimento inspira.

O pensamento plasma.

A palavra orienta.

O ato realiza.

Figuremos, assim, a ideia como sendo a fonte, nascida no manancial do coração e traçando a si mesma o curso que lhe é próprio.

O pensamento vibra, desse modo, no alicerce de todas as formas e de todas as experiências da vida.

Pensando, o arquiteto imagina o edifício a elevar-se do solo, o técnico cria a máquina que diminui o esforço braçal do homem, o escultor arranca ao mármore os primores da estatuária e o artista compõe sublimadas formações de beleza, endereçando apelos à ciência e à virtude.

E é também pensando que o usurário levanta para si mesmo o inferno da posse insaciável, que o viciado gera as fantasias monstruosas que o conduzem à delinquência, que o criminoso se arroja aos abismos da perversidade, nos quais se afogará em desilusão, e que o preguiçoso coagula para si mesmo os venenos da inércia.

Em razão disso, depois da morte do corpo, mais intensivamente vive a alma nas criações a que se afeiçoa.

Isso não quer dizer que haja retrocesso na marcha evolutiva do Espírito, mas estagnação do ser nas formas infelizes em que se compraz, pelo seu próprio pensamento desgovernado e delituoso.

Com isso, desejamos igualmente dizer que todos influenciamos e somos influenciados.

Agimos e reagimos.

E, se os missionários do bem recebem dos Planos superiores a força que lhes enriquece as ações para a vitória da luz, os tarefeiros do mal recolhem dos Planos inferiores as sugestões que lhes infelicitam a senda, inclinando-os aos resvaladouros da treva.

Assim, pois, recordemos o magnetismo desvairado das inteligências que se transviam nas sombras e compreenderemos a loucura temporária que ele pode trazer às almas que o provocam.

— “Viverá o homem onde situe o coração” — diz-nos o Evangelho e podemos acrescentar, sem trair o ensinamento do Senhor, que onde colocarmos o pensamento — força viva de nosso coração — aí se manifestará, como é justo, a forma de nossa vida.


Emmanuel









(Reformador, março 1957, página 58)