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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Francisco do Monte Alverne - Livro Falando à Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 7 - Evangelho



Francisco do Monte Alverne - Livro Falando à Terra - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 7


Evangelho


"Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai, senão por mim." (JOÃO, 14:6)

Baseando no Evangelho de Nosso Senhor Jesus-Cristo a predicação do apostolado que lhes compete, os Espíritos Superiores não se apegam a qualquer nuvem de mistério para sustentar o alimento à fé religiosa, em cuja renascença colaboram, na qualidade de homens redivivos.

É que a vida extrafísica promove, nos que pensam, mais altas ilações com respeito à realidade.

Se há leis que presidem ao desenvolvimento do corpo, há leis que regem o crescimento da alma.

Jesus no estábulo não é um fenômeno isolado no espaço e no tempo: é acontecimento vivo para o Espírito humano.

Cristo-Homem veio plasmar o Homem-Cristo.

Há quem enxergue no Cristianismo a simples apologia do sofrimento. Acusam-no pensadores e filósofos vários, tachando-o em oposição à beleza e à alegria. Para eles, Jerusalém teria asfixiado a felicidade e o encanto da vida, a fluir vitoriosa e serena nos ajuntamentos da Grécia e de Roma.

Antes do Mestre, a única beleza espiritual, geralmente conhecida, era aquela das virtudes filosóficas e políticas que o homem representativo da escola, da justiça ou do poder mantinha, valoroso, até à morte.

Com exceção de Çakyamuni [1], o príncipe sublime que se retirou do mundo convencional para viver pelos seus semelhantes, os grandes heróis do pensamento aceitam a perseguição e o extermínio, mas, é força reconhecê-lo, com a vaidade dos triunfadores.

Bebem cicuta ou abrem as próprias veias, ilhados na fortaleza da superioridade individual. Sócrates é o filósofo sublime, confortado pela solidariedade dos discípulos. Sêneca é o professor honrado, que estimula com o sacrifício de si mesmo a indignação contra a tirania.

Com Jesus, a renunciação é diferente.

O Divino Crucificado sobe ao Calvário sem o apoio dos amigos. Suas últimas palavras são dirigidas a um ladrão. Sua morte não exalta o orgulho de um grupo, nem constitui incentivo à revolta. 

A ordem que lhe escapa do excelso comando é a de servir sem desfalecimento, com obrigações de amor, perdão e auxílio constantes, ainda aos inimigos. Seu olhar, do cimo da cruz, abarca o mundo inteiro.

Com Ele começa a agir o escopro do verdadeiro bem, operando sobre a dureza da animalidade o gradual aperfeiçoamento da alma divina.

As chagas que lhe cobrem o corpo representam o louvor ao trabalho de aprimoramento e elevação do espírito, iniciando a era de legítima fraternidade entre os homens.

O Evangelho é, por isso, o viveiro celeste para a criação de consciências sublimadas.

Nasce a mente na carne e nela renasce, inúmeras vezes, buscando o sagrado objetivo do seu engrandecimento. E no intricado jogo das experiências compreende na dor o instrumento ideal da santificação. Recebendo os séculos por dias preciosos e rápidos de serviço, enceta a gloriosa carreira, com a juvenilidade da razão, amadurecendo-se na ciência e na virtude, através de reencarnações numerosas.

Conquista-se, sacrificando-se.

Quanto mais fornece de si em trabalho vantajoso a todos, mais se enriquece no mealheiro individual. Quanto mais distribui em amor, mais recebe em poder.

Supera-se, quebrando limitações, doando o bem pelo mal, a simpatia pela aversão, a claridade pela sombra.

A Boa Nova oferece as medidas espirituais para que se atinjam as dimensões da vida genuinamente cristã, nas quais desfere o Espírito excelso voo para as Esferas Resplandecentes.

A carne é a sagrada retorta em que nos demoramos nos processos de alquimia santificadora, transubstanciando paixões e sentimentos ao calor das circunstâncias que o tempo gera e desfaz.

Cada ensinamento do Mestre, efetivamente aplicado, é específico redentor, brunindo a alma imperecível, tornando-a em obra viva de estatuária divina.

O que nos parece dor, é bênção.

O que se nos afigura sofrimento, é socorro.

Onde choramos com o espinho, recolhemos uma lição.

Daí o motivo de se escudarem os emissários de nosso Plano na predicação de Jesus, desvelando aos homens os pórticos sublimes da era nova.

Quando fixarmos nas páginas vivas do próprio ser os ensinos do Cristo, afeiçoando-nos automaticamente a eles, tanto quanto se nos adaptam os pulmões ao ar que respiramos, habilitar-nos-emos ao programa de ação dos anjos, por enquanto incompreensível à nossa inteligência.

Renascimento e morte no patrimônio físico são simples acidentes da vida espiritual progressiva e eterna.

Quando o homem termina o repasto da ilusão, aqui ou ali, perguntas milenárias lhe acodem, precípites, à mente insatisfeita.

Donde venho? Para onde vou? Qual a finalidade do destino? Por que a lágrima? — Interroga, aflito, com ânsias análogas a de todos os vanguardeiros da vida superior que tiveram a coragem de partir, antes dele, para os cimos da imortalidade.

Quando o aprendiz indaga, experimentando autêntica sede da verdade, é, sem dúvida, chegado o momento iluminativo do Mestre.

Sem Jesus, que nos confere sublime resposta aos enigmas do caminho, converter-se-ia a existência em labirinto inextricável de padecimentos inúteis.

O Além é a continuação do Aquém.

Um século sucede-se a outro.

O filho é o herdeiro dos pais.

Não existe milagre.

Há lei, evolução, crescimento e trabalho com o prêmio da sublimação ao esforço.

O simples intercâmbio com a vida espiritual nada mais é que mera permuta de valores para estimular a experiência comum. Mas toda vez que encontrarmos o Evangelho do Senhor inspirando a renovação de nossa atitude pessoal, à frente do mundo, guardemos a certeza de que nos achamos em comunhão frutífera com a bendita claridade do Caminho, da Verdade e da Vida.


Francisco do Monte Alverne








FRANCISCO DO MONTE ALVERNE, Frei (1858) — Religioso franciscano nascido no Rio de Janeiro. Eloquente orador sagrado. Saber profundo e sincera dedicação à Religião e à Pátria. Reputado grande teólogo e filósofo. Seus sermões são preciosos documentos de boa linguagem e sã doutrina.

[1] Siddhartha Gautama, o fundador do Budismo.




quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. IV - Comentários ao Evangelho segundo João - Chico Xavier - Cap. 186 - O caminho



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. IV - Comentários ao Evangelho segundo João - Chico Xavier - Cap. 186


O caminho


“Mas quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade.” — JESUS (João, 16.13)


O Caminho de toda a Verdade é Jesus Cristo. 

O Mestre veio ao mundo instalar essa verdade para que os homens fossem livres e organizou o programa dos cooperadores de seu divino trabalho, para que se preparasse convenientemente o caminho infinito. 

No fim da estrada colocou a redenção e deu às criaturas o amor como guia.

Conforme sabemos, o guia é um só para todos. 

E vieram os homens para o serviço divino. Com os cooperadores vinham, porém, os gênios sombrios, que se ombreavam com eles nas cavernas da ignorância.

A religião, como expressão universalista do amor, que é o guia, pairou sempre pura, acima das misérias que chegaram ao grande campo; mas, este ficou repleto das absurdidades. O caminho foi quase obstruído.

A ambição exigiu impostos dos que desejavam passar, o orgulho reclamou a direção dos movimentos, a vaidade pediu espetáculos, a conveniência requisitou máscaras, a política inferior estabeleceu guerras, a separatividade provocou a hipnose do sectarismo.

O caminho ficou atulhado de obstáculos e sombras e o interessado, que é o espírito humano, encontra óbices infinitos para a passagem.

O quadro representa uma resposta a quantos perguntarem sobre os propósitos do Espiritismo cristão, sendo que o homem já conhece todos os deveres religiosos. Ele é aquele Espírito de Verdade que vem lutar contra os gênios sombrios que vieram das cavernas da ignorância e invadiram o campo do Cristo.

Mas, guerrear como? Jesus não pediu a morte de ninguém. Sim, o Espírito de Verdade vem como a luz que combate e vence as sombras, sem ruídos. Sua missão é transformar, iluminando o caminho para que os homens vejam o amor, que constitui o guia único para todos, até a redenção.


Emmanuel










(Reformador, abril 1941, página 96)

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Emmanuel - Livro O Consolador - Chico Xavier - 3ª Parte - Evangelho - Ensinamentos - Questão 304



Emmanuel - Livro O Consolador - Chico Xavier - 3ª Parte - Evangelho


Ensinamentos


"Não julgueis que vim trazer paz à Terra; não vim trazer-lhe paz, mas espada." (Mateus 10:34). 


304. — Qual o espírito destas letras: — “Não cuides que vim trazer paz à Terra; não vim trazer a paz, mas a espada”?

— Todos os símbolos do Evangelho, dado o meio em que desabrocharam, são, quase sempre, fortes e incisivos.

Jesus não vinha trazer ao mundo a palavra de contemporização com as fraquezas do homem, mas a centelha de luz para que a criatura humana se iluminasse para os Planos divinos.

E a lição sublime do Cristo, ainda e sempre, pode ser reconhecida como a “espada” renovadora, com a qual deve o homem lutar consigo mesmo, extirpando os velhos inimigos do seu coração, sempre capitaneados pela ignorância e pela vaidade, pelo egoísmo e pelo orgulho.


Emmanuel 










sábado, 3 de fevereiro de 2024

Emmanuel - Livro Escrínio de Luz - Chico Xavier - Cap. 5 - Considerações [sobre o uso do Evangelho.]



Emmanuel - Livro Escrínio de Luz - Chico Xavier - Cap. 5

Considerações 
[sobre o uso do Evangelho.]


Devemos guardar o Evangelho na cabeça?

Sim, porque precisamos orientar o pensamento para o bem…

Cabe-nos a obrigação de imprimir o Evangelho nos olhos?

Sim, porque é indispensável permaneça a nossa visão identificada com o ensinamento divino, que transparece de todos os lugares.

Compete-nos conservar o Evangelho nos ouvidos?

Sim, porque é imprescindível registrar a mensagem de bondade que o Alto nos reserva, em todas as particularidades da senda a percorrer.

É imperioso guardar o Evangelho nas mãos?

Sim, porque nossos braços são os instrumentos com os quais criaremos o mundo de nossas boas obras, na direção do Paraíso.

Será necessário respeitar o Evangelho com os nossos pés?

Sim, porque a reta diretriz é imperativo comum.

Justo, porém, antes de tudo, é situar o Evangelho no coração, para que o ensino de Jesus aplicado em nós mesmos resplandeça através de nossa mente, de nosso olhar, de nossa audição, de nossas mãos e de nossos pés, a fim de que não sejamos aprendizes fragmentários, subestimando o serviço do Divino Mestre.

É imprescindível trazer a Boa-Nova, em todos os nossos pensamentos e aspirações, potências e atividades, salientando-se, contudo, o impositivo da lição de Jesus, no imo dos nossos sentimentos, para que estejamos ligados, primeiramente, ao Senhor, e não ao nosso “eu”, de vez que, segundo as velhas e sempre jovens palavras da Escritura Celeste, onde guardamos o coração aí se encontrará o tesouro de nossa vida.  

Evangelho no coração será, portanto, a plenitude do Cristo em nós.


Emmanuel












segunda-feira, 19 de junho de 2023

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. IV - Comentários ao Evangelho segundo João - Chico Xavier - Cap. 186 - O caminho



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Vol. IV - Comentários ao Evangelho segundo João - Chico Xavier - Cap. 186


O caminho


“Mas quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade.” — JESUS (João, 16.13)


O Caminho de toda a Verdade é Jesus Cristo. 

O Mestre veio ao mundo instalar essa verdade para que os homens fossem livres e organizou o programa dos cooperadores de seu divino trabalho, para que se preparasse convenientemente o caminho infinito. 

No fim da estrada colocou a redenção e deu às criaturas o amor como guia.

Conforme sabemos, o guia é um só para todos. 

E vieram os homens para o serviço divino. Com os cooperadores vinham, porém, os gênios sombrios, que se ombreavam com eles nas cavernas da ignorância.

A religião, como expressão universalista do amor, que é o guia, pairou sempre pura, acima das misérias que chegaram ao grande campo; mas, este ficou repleto das absurdidades. O caminho foi quase obstruído.

A ambição exigiu impostos dos que desejavam passar, o orgulho reclamou a direção dos movimentos, a vaidade pediu espetáculos, a conveniência requisitou máscaras, a política inferior estabeleceu guerras, a separatividade provocou a hipnose do sectarismo.

O caminho ficou atulhado de obstáculos e sombras e o interessado, que é o espírito humano, encontra óbices infinitos para a passagem.

O quadro representa uma resposta a quantos perguntarem sobre os propósitos do Espiritismo cristão, sendo que o homem já conhece todos os deveres religiosos. Ele é aquele Espírito de Verdade que vem lutar contra os gênios sombrios que vieram das cavernas da ignorância e invadiram o campo do Cristo.

Mas, guerrear como? Jesus não pediu a morte de ninguém. Sim, o Espírito de Verdade vem como a luz que combate e vence as sombras, sem ruídos. Sua missão é transformar, iluminando o caminho para que os homens vejam o amor, que constitui o guia único para todos, até a redenção.


Emmanuel







(Reformador, abril 1941, página 96)