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quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Maria Modesto Cravo - Livro Diferenças não são Defeitos: A riqueza da diversidade nas relações humanas - Ermance Dufaux / Wanderley Oliveira - Introdução - O poder da fraternidade



Maria Modesto Cravo - Livro Diferenças não são Defeitos: A riqueza da diversidade nas relações humanas - Ermance Dufaux / Wanderley Oliveira - Introdução


O poder da fraternidade


"E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder (...)" - MATEUS, 10:1


Meus Filhos,

Em meio ao vasto serviço pelo bem da Era Nova de Regeneração, a Lei divina, por meio da consciência, sempre nos conduzirá a uma única proposta: o bem que temos feito por nossa própria redenção.

A maioridade das idéias espíritas acontece dentro de nós.
O trabalho do Cristo tem de ser bom também para nós. A técnica que nos ensina a libertar o outro tem de se constituir em poder interior para nos fazer criaturas melhores, mais amáveis, mais serenas, mais saudáveis e que aprendam a se defender das insinuações do mal.

A maioridade espiritual não está fora de nós.

O trabalho e a ação são realizados em conjunto, todavia o calvário dos testemunhos e a absorção do aprendizado são pessoais e intransferíveis.

Como está nossa vida interior?

Nisso reside a força dos tempos novos para a maioridade sentida e aplicada: transportamos em nós mesmos o poder da fraternidade. Os eflúvios da criatura fraterna são fortes apelos naturais para a transformação.

E, por caridade, não acreditem que fraternidade seja virtude de anjos! Fraternidade é o traço afetivo da maioridade e da paz entre os homens.

A humanidade, cansada e oprimida, necessita mais de fraternidade que de técnica.

Meus filhos, cuidemos para que o avanço por fora, por meio de obras perecíveis que o tempo vai renovar, não nos encarcere novamente nas ilusões. quando julgamos ter avançado espiritualmente uns mais que os outros, estamos aceitando o convite do orgulho para superdimensionar o valor de nossa participação na Obra do Cristo.

A lição áurea é o amor.

Será que aprendemos a gostar uns dos outros? Como anda nosso sentimento em relação à diversidade humana? Amamos ou pensamos que amamos? Somos fraternos na prática ou temos a fraternidade como informação estéril? Estamos conseguindo manter bons pensamentos com quem não sintonizamos? Guardamos a boca iluminada mesmo com aqueles que foram descuidados conosco?

Imperioso descobrir as sombras da maldade que ainda estão no nosso coração e que foram produzidas por nossa própria caminhada tortuosa nas reencarnações. Técnica, inteligência, experiência, largueza de percepções, volume de informação, visão de futuro e bagagem vivencial são apenas credenciais para servir mais. Sem isso, as descobertas de fora podem se reduzir a confetes coloridos que serão varridos após a festa da vaidade.

A melhor religião de todos os tempos é o amor.
O livro mais completo de redenção espiritual é o Evangelho.

Nenhum poder se compara ao do amor legítimo, esse sentimento que consegue brotar no charco de nossas imperfeições sem se misturar às impurezas de nosso lixo emocional.

Quem ama apoia. Quem ama, compreende os diferentes e aceita as diferenças. Quem ama traz no íntimos o poder de ser fraterno, e quem tem esse poder imuniza-se contra a mágoa, avança sem destacar os defeitos alheios, persegue o ideal de ser útil sem condições, compreende sempre as escolhas de outrem e consegue sorrir quando o agridem com os insultos da mentira. Acreditar que amamos não deixa de ser um passo importante, contudo, não nos dá direito algum de subestimar quem quer que seja em razão desta capacidade de amar.

O futuro regenerador do planeta não comporta a crueldade silenciosa da indiferença, a força destrutiva da antipatia camuflada e muito menos o amargor da rejeição envernizada. A convivência da regeneração é construída na luz da autenticidade, da parceria, da cooperação e do auxílio mútuo, e tais qualidades varrem para longe as enfermidades morais que geram conflitos e separatismo.

Abandonando a prepotência e a rigidez, tudo ficará mais leve, e leveza é também uma palavra no vocabulário dos tempos novos.

O poder conferido pelo Cristo aos seus discípulos, narrado no texto de Mateus, capacita-os a saber quem são verdadeiramente, a viver o doloroso processo de desilusão e a conhecer os reais potenciais que todos temos em nós por herança divina.

"Deu-lhes poder (...)"

Maioridade é poder para renunciar às ilusões de nossa personalidade, irradiar a serenidade no modo de ser, desapegar-se dos julgamentos sobre o próximo e, sobretudo, para ser o mensageiro da fraternidade, agregando em torno de nossos passos o clima da verdade e da vida, as essências espirituais fundamentais na arte de existir.

O Cristo exala virtude e magnetismo. Na sua presença todos se sentem compelidos a algo melhor e mais compensador. ele tem uma força de atração e, por mais que desejem apagá-lo, mais ele transcende, mais luz projeta. Quanto mais o atacam, mais seu nome é lembrado.

A Obra é do Cristo. E pelo que saiba, até agora, Jesus não mandou "despedir" ninguém, conquanto as diferenças! Pelo contrário, não queiram saber quanta alegria existe nos Planos Maiores pela coragem daqueles que pegaram na enxada para arar o campo áspero e arredio, ainda que demonstrando dificuldades no manuseio da ferramenta, laborando muitas vezes de forma tão diferente!

Os recados que nos chegam desses Planos Superiores são cânticos de esperança em favor das lutas de todos nós. Autênticas súplicas de acolhimento e bondade conclamando todos à união e à aceitação sem limites.

Muitos chamados e poucos escolhidos. Abramo-nos para essa expressão da misericórdia Celeste.

Há muita esperança nos céus em torno dos passos de todos os que se movimentam para acender um pequeno lampejo de luz na Humanidade.

Quanta treva a vencer! Diante disso, por que os embates dispensáveis por conta de uma singela forma de entender ou se comportar? Diante de tanta necessidade, por que arrolar deficiências no trabalho alheio, sendo que todos apenas estamos dando o que podemos? Se sabemos que o trabalho é repleto de imperfeições, por que tanto rigor com o irmão que busca oferecer algo ao bem da sua forma e do seu jeito? Qual de nós não terá o que corrigir nos serviços do bem? Portanto, qual a razão de tanta discórdia por bagatelas do modo de entender?

A quem interessa semelhante disputa ante tanto a ser feito?
Só mesmo a doença da pretensão pode articular tanto rigor e endurecimento na postura.

Os mensageiros do bem de Mais Alto são unânimes na expressão do sublime sentimento de incentivo a todas as realizações que se erguem em nome do bem, sejam elas ou não classificadas como espíritas ou quaisquer designações.

Diante da multidão faminta, Jesus indagou: " Quantos pães tendes?"

Foi com as condições que lhe ofereceram que ele multiplicou fartamente o alimento em favor de todos.

Em um mundo de dor e fome da alma, qualquer migalha se torna uma fonte de nutrição e orientação nas mãos do Senhor.

Enquanto muitos procuram o mal por escolha, nós já começamos a sentir a necessidade do bem. Somos os obreiros ainda sem habilidade, porém dispostos a semear. Aprovemos-nos mutuamente nos campos de serviço com coragem para superar nossos impulsos de inaceitação e ciúme ante as tarefas alheias.

Vibremos com a alma pelos passos alheios. Não temos noção do esforço que tem custado para a maioria dos servidores manter-se no trabalho de sua melhoria e na ação em favor dos ideais espirituais.

Procuremos o lado melhor uns dos outros. Abundemos de misericórdia. Deixemos a fraternidade iluminar nossos sentimentos. Que expressões mais nítidas registrar para definir a maioridade espírita nas relações humanas?

As reflexões tecidas por Ermance Dufaux nesta obra são como rios de sabedoria e afeto conduzindo a correnteza do pensamento em direção ao mar do coração, onde verdadeiramente a fraternidade há de brotar. São páginas dirigidas ao sentimento, visando aos dias vindouros da regeneração na Terra.

Ave Cristo! Os que te amam assim te saúdam, Senhor!

Da servidora do Cristo e amante do bem,


Maria Modesto Cravo













domingo, 20 de novembro de 2022

Maria Modesto Cravo - Livro O lado oculto da Transição Planetária - Wanderley Oliveira - Serenidade



Maria Modesto Cravo - Livro O lado oculto da Transição Planetária - Wanderley Oliveira


Serenidade


Bilhões de almas no planeta, seja no corpo físico ou fora dele, clamam por esperança e paz. A vida astral padece de nutrição, orientação, socorro, acolhimento e alívio.

O submundo já não se comporta nas regiões subcrostais da Terra e se transpôs para as avenidas e escolas, prisões e templos, barracos e mansões, instituições e centros de lazer. O inferno literalmente se deslocou para o solo terreno.

Estendamos nossa rede de luz e socorro nesse momento tão decisivo de nossa casa planetária. Afinal, é impossível a regeneração do planeta sem a limpeza do submundo astral, onde ainda se encontram as raízes de toda a maldade e de todos os problemas da Terra, em todos os tempos de sua história.

Todos nós estamos precisando de perdão diante das nossas alucinações orgulhosas, que nos fazem acreditar que podemos julgar e sentenciar nosso próximo.

Na verdade, os controladores são perfeccionistas, idealizam a vida e as pessoas o tempo todo, querem tudo a seu modo. Não há outra palavra para defini-los: são egoístas refinados e inteligentes, tentando tomar conta de tudo. Fogem o tempo todo da realidade porque sentem muito medo. Medo de que aconteçam coisas que eles não gostariam que acontecessem. Não são pessoas más, são escravas de um vício milenar, que é o egoísmo de querer tudo do seu jeito.

Serenidade é a conexão com nossa melhor parte, é uma ligação livre e de bons efeitos com a nossa luz interior. Quietude interior é o solo fértil sobre o qual são plantadas as sementes enriquecedoras que multiplicarão os frutos dos planos superiores. Sem quietude, não existe disponibilidade mental. Sem disponibilidade mental, não existe sintonia. E sem sintonia, não há plantação mediúnica, proteção e laços consistentes.

A regeneração não vai surgir pela forma de pensar o mundo. Vai surgir quando os homens renovarem a forma de sentir o mundo. 

Quando o amor sucumbe, as trevas vencem.

Quietude interior é o resultado de um vínculo mais sólido e verdadeiro com a luz divina que está depositada em cada um de nós. Algumas recomendações importantes para que o médium e os servidores da mediunidade possam escalar essa montanha de desafios são: persistência no trabalho para aprimorar sua experiência, muita disciplina na vida, fazer da oração um hábito para asseio dos pensamentos, alfabetizar-se para entender as mensagens da sua vida emocional, aplicar com dignidade as energias da sexualidade e construir relações afetivas saudáveis.


Maria Modesto Cravo














terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Maria Modesto Cravo - Livro O lado oculto da Transição Planetária - Wanderley Oliveira - Cap. 10 - Defesas nos serviços com o submundo astral - Conversa com Lampião




Maria Modesto Cravo - Livro O lado oculto da Transição Planetária - Wanderley Oliveira - Cap. 10


Defesas nos serviços com o submundo astral

Conversa com Lampião


Por que esse enfoque do mundo espiritual com o submundo foi tomando um vulto maior nos ambientes da Doutrina Espírita?

— Na vitrine do planeta Terra não pode ser exposta somente as belas gemas dos países desenvolvidos. A miséria e a dor necessitam de divulgação, de vir à tona, para que as soluções sejam pensadas. Não haverá mundo regenerado sem socorro e orientação aos países pobres. O universo é um sistema e jamais seremos felizes sem solidariedade e consciência social. Dizem os guias da Verdade: “Numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo, ninguém deve morrer de fome.”(1). Essa mesma linha de pensamento deve ser aplicada para o astral.

Como há livros mediúnicos tratando de colônias santificadas, torna-se inadiável revelar que os orientadores de tais colônias têm seus olhos e corações voltados ao submundo astral. Quanto mais elevação espiritual, mais a alma compreende seus laços com a escória humana. Nos porões da erraticidade habitam expressiva parcela de nossa família terrena, mendigando afeto e orientação. Todos temos mais ligação com eles do que supomos.

— Para nós, espíritas, há algum motivo especial em nos conscientizarmos dessa realidade do submundo?

— O contato com o mundo espiritual, em todos os tempos, sofreu açoites e pedradas com os objetivos escusos de encobrir a verdade e esconder a luz da imortalidade. De algumas décadas para cá, a luz da mediunidade livre e responsável vem sendo apagada paulatinamente, o que tem impedido o homem de descobrir as origens da escuridão e do mal. Essa dinâmica inclui os ambientes do Espiritismo, nos quais os cadeados da censura e da descrença têm escravizado muitos médiuns e trabalhadores de boa intenção. A espinha dorsal do mal na humanidade tem raízes históricas com o Cristo. Portanto, os discípulos do Evangelho devem estar conscientes de quando e como os adversários do Senhor procuram exterminar suas iniciativas no bem.

— Diante dessas suas colocações, nosso GEF poderia ajudar de que forma? – perguntou Suzana.

— De muitas formas. Citarei algumas tarefas que tenho aqui anotadas pela nossa equipe responsável pelos assuntos da mediunidade. São temas desenvolvidos pelo nosso orientador José Mário. Vamos lá! – e começou a ler alguns tópicos que já haviam sido passados por mim algum tempo atrás:

•Remoção de tecnologia parasitária, como implantes, chips e aparelhos de dominação mental alojados nos corpos sutis.

•Alinhamento de chacras e exame de quando estão invertidos, paralisados ou acelerados.

•Limpeza da aura por meio de retirada de ideoplastias, clichês mentais e morbos psíquicos.

•Desobstrução de chacras com eliminação de inflamações ou infecção larvária.

•Reconhecimento de ovoides naturais e artificiais.⁷.

•Intervenções em diversos formatos de goécia.

•Reconhecimento e eliminação de energias do mau-olhado.

•Asseio de cordões energéticos.

•Trabalhos de limpeza com intervenção dos elementais.

•Desobstrução dos pontos de angústia no chacra cardíaco.

•Choque anímico com entidades inconscientes e hipnotizadas por licantropia e zoantropia.

•Puxada de aura coletiva do inconsciente do grupo para limpeza de resíduos das tarefas.

•Técnicas para fechamento do corpo e proteção energética.

•Limpeza astral de lares, ambientes e objetos que servem de endereço vibratório.

•Orientação sobre como eliminar os efeitos perispirituais da mediunidade estagnada em médiuns afastados e sob regime de controle de falanges.

•Cirurgias no perispírito e no duplo etérico.

•Escoamento da matéria mental da culpa.

— O senhor falou em vibriões? O que são? – perguntou Suzana.

— São chamados assim, na erraticidade inferior, os espíritos acentuadamente culpados, que perderam sua forma perispiritual humana. Suas mutações de aparência obedecem a complexos fenômenos de zoantropia, que são ativadas quando se abrem os porões do inconsciente e surgem os impulsos capazes de animalizar a forma. Alguns vibriões apresentam-se na coloração que se aproxima muito de um fígado bovino. São arroxeados, muito magros e com a órbita dos olhos totalmente avermelhadas, como se estivessem preenchidas por sangue. São escorregadios e gelatinosos. Quando conseguimos resgatar alguns, temos que transportá-los agarrados ao peito com larga dificuldade, porque, se os apertamos muito, eles sentem dores terríveis! São muito gelados, com temperaturas que chegam a menos cinco graus Celsius, em seu estado mais habitual. Por incrível que pareça, com essa temperatura, ostentam pressões sanguíneas altíssimas, entre 22x8 e 23x9. Não conseguem andar e sofrem muito com a luz. Excretam secreções por todos os orifícios, alimentam-se de substâncias salinas e água comum. Nada mais!

Outros vibriões são esbranquiçados e também escorregadios. Lembram um carnegão de um furúnculo da pele humana, só que bem maiores. São gordurentos e malcheirosos. A única parte deles que lembra o ser humano são os olhos envoltos numa protuberância branca que se abrem por algumas vezes. Estão ambos a caminho da ovoidização.

Quando dissemos que almas apodrecem do lado de cá, não foi uma metáfora. Os vibriões, em sua estrutura energética, são uma colônia virótica que desorganiza, pouco a pouco, os tecidos da sua roupagem perispiritual.

Todos eles gemem muito e, alguns, em estados de dor mais acentuada, emitem um silvo longo, fino e arrepiante, transformando os ambientes onde vivem em locais tétricos e de arrepiar até quem se encontra nas tarefas da luz. Eles ficam acomodados dentro dessas gavetas refrigeradas, ao serem selecionados pelos vigias, para que se recuperem. Na maioria dos casos, os vigias não têm escrúpulos e eles ficam lá sem nenhum cuidado.

O nosso papel é, com carinho e amor, reduzir o ritmo do “retrocesso”. Retardar a ovoidização, na esperança de que a Misericórdia permita algum desdobramento inesperado em cada caso. Não desistimos de amá-los. Se não o fizermos, quem fará? Quando nada acontece, pelo menos eles recebem asseio e amor, para despertar algo adormecido em seu inconsciente.

No Hospital Esperança, temos incubadoras com mais de quatrocentos espíritos que estão em estado de vibriões, ovoides e em estado de zoantropia. Os vibriões são almas culpadas que irradiam indiferença, apatia, indolência, preconceito e desprezo. Vivem nas regiões que circundam o Vale do Poder, nos arredores da Cidade da Luxúria. Não há virtude alguma na postura dos que comandam tais pátios de dor como vigias, pois eles fazem negócios com os vibriões.

No submundo reina a impiedade, o interesse pessoal e a inteligência do mal. Nos lixões, os capitães da maldade encontram farto arsenal para consumar seus tresloucados ímpetos de domínio. Eles alugam essas almas que perderam a forma para atormentar encarnados. A simples aproximação dessas criaturas à aura de um encarnado pode perturbá-lo das mais variadas formas. Diariamente são retirados vários vibriões das gavetas e colocados em gaiolas que reproduzem as condições daquele local, para serem levados à superfície da crosta, onde estão os encarnados, com o objetivo de infestar os ambientes terrenos. Cada vibrião é capaz de contaminar ambientes em um raio de pelo menos trezentos metros.

Por aí você pode deduzir que os lixões fazem parte da “economia social” das organizações da maldade. Os vibriões são escravos em todos os sentidos da palavra. São vendidos ou alugados a troco de serviços ou medidas que atendam aos interesses dessas legiões. Vibriões são moedas, mercadoria de troca. Não se assuste! É como são considerados nessas hordas. Os vibriões e seu hábitat são alvo de negociatas, assaltos e sequestros, no intuito de obter ganho pessoal ou de grupos. Os cemitérios de gaveta são palco de muitas atrocidades e constitui um mercado de loucuras a preço de objetivos escusos.

— Estou surpresa e engasgada! Fico pensando, irmão Ferreira... Vamos mesmo dar conta de receber uma criatura dessas aqui? Podemos ser atacados pelos grupos que atuam nessas esferas?

— Já estão sendo todos os dias e não sabem.

— Nem brinque!

— O que os faz pensar que começar uma tarefa nova com o submundo vai lhes permitir vivências novas ou novos ataques? Saiba que achamos vibriões em porta-malas de carros, em casinha de cachorro, no terreno de alguns lares, no jardim de centros espíritas, em empresas e até dentro de lares. Sabe aquela referência que vocês usam muito por aí: “macumba”? Pois é! Muitas delas, dependendo da gravidade do quadro e de quem manipula o feitiço, usam os vibriões, os ovoides e as entidades em processo de zoantropia e licantropia.

Para começar uma tarefa com o submundo, não precisa necessariamente ir até lá. É preciso aprender o quanto essa realidade já está no seu ambiente terreno, o quanto o submundo está cada vez mais perto da realidade terrena. Shoppings, restaurantes, bares e praças estão sendo frequentados por espécimes estranhos à sociedade, como peregrinos tresloucados desses vales astrais sombrios. As coisas não pioram para quem começa uma tarefa desse porte. O simples fato de começarem um trabalho com essas esferas já é uma defesa.

Por vezes, o personalismo, o preconceito, o julgamento, a adversidade, a antipatia e a arrogância têm causado desastres lamentáveis à obra do bem, entorpecendo inteiramente grupos de trabalhadores que passam a discutir suas questões pessoais e pontos de vista, ignorando totalmente os laços afetivos do seu grupo espiritual, na hora do conflito e da disputa. E por que isso acontece? Apenas por uma questão de maturidade moral? Não. Não é só por isso, embora resida nisso o ponto fundamental do exercício mediúnico com Jesus. Não podemos deixar de mencionar que a compreensão que se tem.

— Meu Deus! – Maurício tomou a palavra. Foi mais que um passo, foi uma caminhada!

— Nossa equipe está feliz com as primeiras orientações. Essa será a tônica das nossas atividades socorristas ao submundo. Vamos aprender fazendo. Vamos servir e ser úteis, pois são as formas pedagógicas mais eficazes de aprendizado.

As atividades daquela noite foram encerradas em clima de festa. Todos, sem exceção, nutriam esperanças e as depositavam em um único foco: na nossa equipe espiritual. Rendiam-se obedientes à força das ideias e do sentimento cristão que ali imperava. Nenhuma diferença conseguia abalar a força dessa união de propósitos. Era uma entrega pelo coração!

Essa talvez seja uma das conquistas que mais mereça destaque nos serviços de Jesus, aplicada aos sagrados campos da mediunidade. Por vezes, o personalismo, o preconceito, o julgamento, a adversidade, a antipatia e a arrogância têm causado desastres lamentáveis à obra do bem, entorpecendo inteiramente grupos de trabalhadores que passam a discutir suas questões pessoais e pontos de vista, ignorando totalmente os laços afetivos do seu grupo espiritual, na hora do conflito e da disputa.

E por que isso acontece? Apenas por uma questão de maturidade moral? Não. Não é só por isso, embora resida nisso o ponto fundamental do exercício mediúnico com Jesus. Não podemos deixar de mencionar que a compreensão que se tem da mediunidade possui enorme e decisiva influência nos grupos mediúnicos, para que ajam com tamanho descuido e desconsideração aos vínculos e laços espirituais. E compreensão é também um dos ingredientes da maturidade emocional e moral.

Boa parcela dos serviços mediúnicos ainda está afeiçoada à ideia de sempre amparar as sombras, porém, poucos conseguem traduzir, comunicar ou alcançar uma ligação afinada com os servidores da luz. Com essa conotação de que a mediunidade tem por objetivo socorrer espíritos em desajustes dolorosos, os benfeitores quase não têm vez de participar das tomadas de decisão. Com esse propósito nobre de servir às dores dos desencarnados, muitos grupos não encontram razões e estímulos para uma conexão com seus orientadores.

Alguns chegam a asseverar que, na dependência dos trabalhadores para com os mentores, gasta-se um tempo que poderia ser empregado no bem dos sofredores. Outros chegam a acreditar que os benfeitores, quando querem dizer algo, buscam a psicografia e não ocupam o tempo destinado para cuidar dos obsessores.

Maturidade do entendimento. Maturidade moral. Eis a grande conquista a ser realizada!

A história do GEF nos leva a refletir na essência das lições de Jesus nesse setor do intercâmbio mediúnico como sendo uma parceria. Pessoas simples, carregando ainda muitas lutas a vencer em suas almas e com boa orientação espiritual são capazes de realizar muito quando seus corações abrem uma pequena fresta para a entrada da luz do amor.

Nossos companheiros no GEF são pessoas em busca de sua melhoria e crescimento espiritual. Juntos, conseguiram se transformar em um canteiro de esperanças e vitórias. Eles conseguiram abrigar em seu íntimo a vibração cósmica da amorosidade sem limites. Entraram, por essa razão, em sintonia com a lei que rege os mais sublimes planos da vida: a fraternidade sem barreiras. Conseguiram agasalhar em seus corações a vibração da universalidade, sob a égide de que todos os rótulos e separatismos se extinguem para dar lugar ao apoio, à colaboração e à união.

Essa necessidade humana de separar o inseparável, de distinguir o certo do errado, de desvalorizar quem não esteja afinado com os modelos é, sem dúvida, um dos maiores entraves aos serviços do bem na Terra. O preconceito, o racismo, a xenofobia, a homofobia, a discriminação da mulher, o desrespeito aos idosos, o menosprezo às classes sociais mais carentes e o privilégio para com as mais abastadas, enfim, toda forma deseparatismo é resultado da maior doença que assinala este planeta de provas e expiações: o egoísmo.

Vencer os preconceitos que excluem os diferentes, abraçar com respeito a diversidade, entender que diferenças fazem parte de um todo, dilatar a consciência de que a vida é um sistema e que essa separação de seitas, partidos, movimentos e culturas é algo ilusório é a base para uma entrega psíquica que permite florescer as bênçãos entre planos distintos da vida: o espiritual e o físico.

A Doutrina Espírita iluminou nosso caminho de diretrizes e compromissos, para que a consciência possa se libertar dos grilhões da culpa e da dor; entretanto, não nos impôs o pesado ônus de assumir aquilo que ainda não queremos ou não conseguimos.

Ser espírita e médium com o Cristo não é tarefa para os anjos. Todos podemos, dentro das limitadas condições que ainda nos assinalam, fazer algo em favor do bem e do próximo, diminuindo nosso egoísmo e dilatando a luz da fraternidade.

Trabalhamos todos pela nossa melhoria e, mais que conhecimento espiritual, o conhecimento de nós mesmos é a garantia mais segura para que a nossa sombra interior não seja a nossa grande adversária no bom aproveitamento das oportunidades de servir e aprender.

Quando o amor sucumbe, a trevas vencem. Se faltar a luz da generosidade, do afeto e do sentimento cristão, seremos atormentados pela escuridão da mágoa, da disputa e da inimizade.

Para os serviços com os infernos, é necessário que tenhamos laços com o céu. Para descer aos despenhadeiros do submundo astral, pede-se apenas a união de propósitos em torno do ideal do perdão e da tolerância, para recolhermos os sentimentos elevados por parte de tutores amoráveis que nos amparam os esforços.

O chamado de Jesus é para todos os que se encontram doentes e buscam sua cura pessoal. A regeneração bate à porta do planeta Terra neste século 21. Os pilares morais, sociais e espirituais deste tempo estão em plena construção. Para que esse novo tempo se estabeleça, é imperiosa a limpeza dos escombros morais, sob os quais se encontram soterrados bilhões de irmãos, nossos familiares espirituais, nas furnas da infelicidade, da tormenta e da loucura.

Os médiuns da regeneração se fazem archotes de luz nas trevas, auxiliando, efetivamente, a remoção de tais escombros, pelo simples fato de investigarem seu sombrio pessoal. São dispensadores emocionais capazes de manter o clima da serenidade mesmo ante os vendavais da agressividade, do preconceito, da maldade calculada e do poder organizado.

Nos bastidores da transição, há gemidos de dor, calados pelo materialismo voraz, esperando a luz do amor e o poder da coragem para salvá-los dos pátios horrendos na vida extrafísica. A defesa para aqueles que se oferecem a essa missão gloriosa, rejeitada por muitos grupos mediúnicos, é algo de incomparável grandeza e justiça.

As palavras de irmão Ferreira naquela noite de oportunidades junto ao GEF fortaleceu o ideal de servir de nossos companheiros, que até hoje se mantêm firmes em busca dos diamantes atirados no lodo, que não perderam sua luz e sua condição gloriosa de filhos de Deus.

O Cangaceiro do Cristo os conscientizou de que eles tinham os seus nomes na mesa de Jesus, e que nenhum amparo lhes faltaria no serviço do bem. Isso também serve para todo aquele que se oferecer no bom combate das lides da luz espiritual pela implantação da regeneração na Terra.


Maria Modesto Cravo 






(1) Questão 930 - O Livro dos Espíritos.



sexta-feira, 11 de junho de 2021

Maria Modesto Cravo - Livro O Lado Oculto da Transição Planetária - Wanderley de Oliveira - Cap. 8 - Parceria nos serviços mediúnicos




Maria Modesto Cravo - Livro O Lado Oculto da Transição Planetária - Wanderley de Oliveira - Cap. 8


Parceria nos serviços mediúnicos


Nos séculos 19 e 20, os fenômenos tinham propósitos de convencer, gerar pesquisa, incentivar a cultura do sobrenatural com explicações racionais e lógicas e radiografar o mundo espiritual. 

Agora que o período de regeneração começa a despontar, os médiuns percebem mais profundamente a si mesmos e não somente as entidades espirituais. Na regeneração teremos mais médiuns da Luz do que do sombrio; mais buscadores da verdade que liberta do que intérpretes das causas que se aprisionam na dor; serão mais terapeutas que sensitivos; mais educadores que adivinhos.

Na regeneração a mediunidade será mais focada no entendimento da vida emocional e mental do médium do que do entendimento dos mecanismos do fenômeno em si. Quando procura entender detalhes do fenômeno, o homem sente necessidade de padrões. Quando procurar entender o médium e sua complexidade, o homem vai concluir que as expressões da mediunidade são tão diversas quantos são os seus canais mediúnicos de manifestação. 

Essa compulsiva necessidade pelo saber na comunidade espírita traduz uma ânsia do ego de se sobressair. Enquanto a competência pelo sentir pode nos levar à realidade, essa soberba intelectual continua nutrindo a ilusão.

Os médiuns da regeneração guardam alguns traços em comum: são cultores de um idealismo superior com impacto na sociedade carnal;  pensam de forma sistêmica, coligam mundo espiritual e mundo físico. 

Infelizmente ainda vemos hoje um resíduo cultural da história da comunidade espírita nessa separação cartesiana entre o que ocorre na reunião mediúnica e na realidade da vida como um todo. 

São contrários a toda forma de autoritarismo, uniformização e dogmatismo; louvam as comunidades e os grupos onde eles possam florescer como parte integrante e não como ícones; não vivem sem a sensação de pertencimento; possuem noções justas de trabalho e de qualidade de vida; desaprovam o sacrifício incoerente diante de suas necessidades e nem por isso são menos comprometidos.

Elegem a afetividade como forma prioritária de comunicação humana, por meio do diálogo interativo; seu foco é o desenvolvimento humano. Algo extremamente valoroso, se considerarmos que nas comunidades espiritualistas o incentivo ao desenvolvimento mediúnico já causou muitos efeitos indesejáveis e produziu médiuns sem comprometimento, que apenas assumiram a tarefa para se livrar dos tormentos da dor pessoal, acreditando que desenvolver mediunidade resolveria suas lutas individuais.

Amam o renascimento de conceitos, a espiritualidade e repudiam formato religiosos, a intolerância, a violência e o preconceito.
   
Os médiuns da regeneração, por fim, amam a originalidade, a autenticidade e não encontram motivação em seguir padrões perante os quais não possam examinar, mudar ou questionar. 

A regeneração não vai surgir pela forma de pensar o mundo; vai surgir quando os homens renovarem a forma de sentir o mundo. 

O Espiritismo é uma luz para o pensamento, descerrando as clareira da vida imperecível. Mas somente o amor sentido e aplicado vai trazer ao mundo os caminhos da Paz e da Sabedoria, com os quais a humanidade encontrará chances de avançar rumo a dias melhores.


Maria Modesto Cravo








domingo, 10 de janeiro de 2021

Maria Modesto - Livro Prazer de Viver - Ermance Dufaux / Wanderley Oliveira - Introdução




Maria Modesto - Livro Prazer de Viver - Ermance Dufaux / Wanderley Oliveira


Introdução


Viemos de tão longe na caminhada evolutiva, na busca do Cristo, que nos achamos famintos e estropiados, cansados e aflitos, no escaldante deserto de nossas lutas espirituais.

Apesar da sensação dilacerante de fracasso, este é o instante da esperança. Ainda que exaustos, este é o momento da vitória. Sem alimento divino desfaleceremos diante de nossas necessidades.

Uma das maiores fontes de nossa fome espiritual é o orgulho em não aceitar os próprios erros. Querer estar sempre certo e invulnerável é uma expressão da arrogância. Quem não se aceita como é, superdimensiona os resultados que decorrem de suas falhas ou fascina-se com a glória de seus êxitos.

Quando doutor Bezerra pronunciou o discurso “Atitude de Amor”(1) e hasteou a bandeira da humanização para a comunidade espírita, convocou-nos a uma árdua lição do progresso − aceitarmos nossa humanidade. Humanizar é também aceitarmo-nos como humanos. Simplesmente seres humanos. É o que somos!

Ser humano é ser gente que erra e acerta, cujas imperfeições não são maiores nem piores que os enganos da sociedade da qual fazemos parte. É aprendermos a ser quem somos fazendo o nosso melhor a cada dia, para sermos melhores a cada conquista.

Querer ser quem não somos é minar a alegria de viver.

Nossos principais focos de tratamento no Hospital Esperança, para resgatar o prazer de viver, baseiam-se nos seguintes princípios terapêuticos: o resgate da arte de sonhar, o desenvolvimento da honestidade emocional, a educação da carência afetiva, a morte da idealização, a cura da ignorância e o sentido da continuidade da vida. Esse conjunto de princípios forma a base da psicologia da libertação em direção ao amor legítimo.

Sem a sustentação do sonho, surge a rotina. A rotina acomoda-nos na indolência.

Sem honestidade com nós mesmos, alimentamos a ilusão. A ilusão complica a escolha pela fartura das racionalizações.

Sem educação da carência afetiva, sucumbimos na dependência. A dependência arruína o autoamor.

Sem aceitação, cultivamos a idealização. A idealização arruína a noção de limite.

Sem sabedoria, acreditamos que sabemos o necessário e dormimos nos braços da ignorância. A ignorância nos mantém prisioneiros da dor.

Sem a noção de continuidade, nossa vida mental não é capaz de centrar no presente. O presente é o único momento capaz de nos devolver a realidade.

Esses princípios são aplicados com o objetivo único de resgatar a esperança no coração dos internos no hospital. São pessoas que passaram pela existência sem experimentar a energia da vida ou perderam conexão com essa força, em razão dos testemunhos a que foram chamados nos roteiros da provação. Sem esperança, não há caminho para a legítima liberdade nem força para a expressão do amor.

Por meio de técnicas e dinâmicas que constituem ferramentas emocionais e psicológicas modeladoras da vida mental, aplicamos a terapia das potências da alma, cujo núcleo é reconhecer a luz que há em cada um de nós.

A maioria dos que são acolhidos nas alas recuperativas indaga “o por quê” de suas provas. Todavia, terapeutas especializados na arte de viver, dotados de larga soma de alegria no coração, desenvolvem técnicas curativas da alma com foco na seguinte pergunta: “Para que a dor na minha vida?”. O “porquê” não cria sentido para a existência e pode remeter a conflitos pavorosos nos sombrios porões do remorso. Saber “para que” vivemos, “para que” passamos pelas experiências, “para que” renascer e lutar é a fonte que vitaliza o ato de viver.

Saber a razão de viver é dar consciência à existência e torná-la mais digna.

Temos inúmeros pacientes que padecem da ausência de sentido de viver. Muitos já não gostavam da vida no plano físico e chegam aqui com uma soma ainda maior de queixas, tais como: vontade de retornar à matéria para a satisfação de certos hábitos, extrema saudade de pessoas e lugares, continuidade de doenças orgânicas, revolta pela interrupção de planos pessoais, indisposição para novas amizades, compulsão para a queixa em razão da inadequação para pequenas tarefas diárias, dificuldade de adaptação ao regime alimentar, apego a bens e utensílios.

Muitos desses atendidos foram iluminados com as bênçãos da Doutrina Espírita. Nutriam larga expectativa de colheita em razão dos movimentos de assistência que prestaram nas fileiras da caridade cristã. Pelos relevantes esforços a que se devotaram foram alvo de incondicional proteção e carinho. Entretanto, como não poderia ser diferente, não se livraram de si mesmos.

Deslocados de plano, distantes de suas creches e obras de solidariedade, sentiram-se sozinhos e desvalorizados. Na verdade, ficaram na superficialidade da caridade. Estavam envolvidos com o dever de ajudar, mas não comprometidos com o ato de amar. Derramaram apoio e suprimiram fome e dor. No entanto, esqueceram-se de si mesmos, não como um ato de renúncia, mas como uma fuga do enfrentamento pessoal. Bem-intencionados, porém, descuidados. De boa vontade, mas sem coragem para zelar por suas necessidades mais profundas. Passaram pela vida física fazendo muito bem aos outros, mas se esqueceram de realizar o bem a si próprios, com medo de se entregarem novamente ao egoísmo.

Pela bondade semeada, colheram os frutos da amizade e da atenção. Espera-lhes agora a tarefa redentora de investigarem-se, de saberem como amar também a si mesmos. Carregam na alma o peso da aflição que negaram. São tratados na mesma linha terapêutica para a recuperação do prazer de viver, porque, com raras exceções, escapam ao doloroso episódio da depressão depois da morte.

É lamentável constatar que até mesmo nas linhas de serviço da religião há uma multidão de almas que erguem o estandarte do amor e se asilam em fugas complexas em relação ao autoencontro.

Para todos, porém, há esperança. Se a misericórdia celeste não abandona os vales mais sombrios da maldade, tampouco abandonaria aqueles que já se esforçam por realizar algo no bem.

Há tratamento e alívio para todos os casos. Que ninguém no plano físico se exaspere perante tais informes. Cuide apenas de estar atento à edificação de valores indispensáveis no reino da alma, cujas bases repousem na mais legítima obra de educação dos sentimentos.

Após entender o “para que” da vida, surge a mais educativa das questões: “Como?” Como se conduzir diante do labirinto da vida inconsciente? Como resgatar as pedras preciosas do bem em meio à escuridão das emoções? Como penetrar nos porões da vida mental para extrair os germes da divindade depositados pelo Pai em nossa intimidade profunda?

Trazendo estas considerações sobre os cuidados de amor na vida espiritual, queremos chamá-los à campanha gloriosa pela maioridade na comunidade espírita. Cada centro espírita ou templo erguido em nome da mensagem do Evangelho é um celeiro que pode se tornar uma célula de redenção e construção do prazer de viver. A aplicação dos princípios que norteiam o Hospital Esperança pode constituir, igualmente, um conjunto de princípios orientadores para tratar as dores do homem no mundo físico.

Em nossas enfermarias, nos grupos de reencontro(2) e na tribuna da humildade(3), os sentimentos mais estudados são: medo, culpa, tristeza, mágoa e orgulho. Que maior missão pode ter uma casa espírita do que presentear o homem do mundo com a orientação para que ele próprio seja o condutor de seu destino e construtor de sua própria felicidade?

Sem esperança, a humanidade procura uma luz, uma saída para suas dores. Façamos de nossos centros as Casas do Caminho da atualidade. Tenhamos ali uma maca para aliviar as dores morais e um banco de escola para iluminar o cérebro e o coração com as luzes da instrução e do afeto.

Estamos vindo de muito longe para identificar Jesus em nossa vida. Longe de Deus, longe do bem... Famintos, buscamos alimento novo em pleno deserto das provações.

Renascemos no corpo e dele saímos com a sensação de fracasso, abandono e tristeza pelo que fizemos. O renascimento, todavia, ocorre porque temos chances de reerguer nossos passos, ainda que com forças mínimas. Por que a tormenta agora, quando tudo conspira para um futuro promissor?

Amigos na vida física, em vez de perguntarem “por que”, perguntem “para que”.

Sim! Façam um balanço de suas escolhas. Verifiquem como podem fazer tudo ficar melhor. Ocupem suas mãos e prossigam sem lamentar. Lamentação é depressão.

Viajem! Ponham os pés na terra. Curtam o sol. Sirvam. Sequem lágrimas. E orem, orem sem cessar, todos os dias.

Uma pessoa centrada nos ensinos do Evangelho e nos processos mentais de seu comportamento é um ser identificado com seus valores e habilidades. Quando não conseguimos atingir este estado, temos duas extremidades psicológicas perigosas. De um lado, a arrogância para nos defender da sensação de inferioridade; do outro, a descrença como um reflexo da nossa incapacidade de lidar com os sentimentos de medo, culpa e tristeza.

A vida nos espera com o prazer de viver e de sermos felizes. Abandonem a tirania de querer agradar a todos. Uma pessoa que quer vencer usa duas armas poderosas: a inteligência para criar saídas e a humildade para submetê-las ao critério de Deus. Somente com soluções o caminho se recompõe.

Vamos recordar novamente uma frase de Eurípedes Barsanulfo, que merece lugar de destaque nos centros espíritas: “Aqui mora a fé, a sublime qualidade dos que jamais deixarão de acreditar na força superior do bem”. Essa frase foi escrita nas portas do Hospital Esperança, para que todos os que passarem por lá tenham condições de lê-la. Ela é o contrário da que está escrita às portas das furnas infernais, segundo os registros fiéis de Dante Alighieri, em A Divina Comédia, no livro Inferno, canto III, em que pode ser lido um poema destruidor da fé humana. Seu último verso diz: “[...] deixai toda esperança vós que entrais.”

Concedam-se o direito de ser feliz. Vamos adiante, certos de que há muito mais alegria nos céus no êxito de um arrependido que em noventa e nove pessoas que já vieram com o coração recheado de esperança.

Esperança é o alimento de quem vem de longe e, como diz o versículo de Jesus, Ele não nos deixará seguir em jejum. O alimento existe. Sempre existirá.

Com este intuito, o Mestre indagou: “[...] Quantos pães tendes?”. E disseram-lhe: “Sete.”.

Vamos dar o que temos e a vida nos brindará com o melhor.

Esperança é a energia que preenche o coração e nos faz sentir que todos, sem exceção, somos Filhos de Deus, dotados, portanto, dos mais ricos recursos para superar todas as nossas provas e capazes de caminhar em direção da nossa libertação definitiva.

Felicita-nos saber que o mundo físico receberá mais uma obra generosa por parte de Ermance Dufaux.

Neste tempo de busca do prazer ilusório, a reflexão sobre o prazer de existir é muito bem-vinda.

Meus apontamentos, a título de introdução, têm apenas o intuito de chamar a atenção para a inadiável missão entregue aos discípulos sinceros do Cristo: “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.”(4)

Rogamos a Jesus, Mestre e Senhor de nossas vidas, que essas linhas multipliquem a esperança e fortaleçam a fé de muitos, para que, o quanto antes, tenhamos dias melhores na Terra, nutridos pela mais preenchedora alegria de viver.

Da servidora do Cristo e amante do bem,


Maria Modesto Cravo.
Belo Horizonte, agosto de 2008. 



(1) Atitudes de amor - de autoria espiritual de Cícero Pereira, está inserida na obra Seara bendita, psicografada por Maria José da Costa e Wanderley Oliveira – diversos espíritos – Editora Dufaux.
(2) Vide livro Escutando sentimentos, obra mediúnica de autoria espiritual de Ermance Dufaux e psicografia de Wanderley Oliveira, Editora Dufaux.
(3) Vide livro Lírios de esperança, obra mediúnica de autoria espiritual de Ermance Dufaux e psicografia de Wanderley Oliveira, Editora Dufaux.
(4) Mateus, 5:13





Biografia:
A dona Modesta de Uberaba 

Maria Modesto Cravo nasceu na cidade de Uberaba-MG, em 16 de abril de 1899. Teve formação católica, casando-se aos 17 anos com Nestor Cravo, em 1915. No ano seguinte transferiram residência para Belo Horizonte e tiveram como filhos: Eurythmia, Euclydes, Ermelinda, Eduardo, Erasto, Esdras e Erasmo.

Maria Modesto teve importante participação no nascente movimento espírita em Uberaba, juntamente com a participação de seu pai e sua tia.

Em documentos que tratam sobre os planos pioneiros da doutrina em Uberaba, consta: "em 20 de março de 1910, reuniram-se na casa de José Villela de Andrade os irmãos em crença José Villela de Andrade, Manoel Felippe de Souza, Anselmo Trezzi, João Augusto Chave, Evarista Modesto dos Santos (irmã de João Modesto) e outros, para tratarem dos meios de obter-se os recursos para a aquisição de um terreno e a construção de um edifício, destinados à reunião e mais trabalhos que tinham o objetivo de propagar a Doutrina Espírita.  

Sentindo os primeiros fenômenos mediúnicos em sua esposa, em forma de obsessão, o que acarretou inúmeros problemas para a família, seu esposo buscou o aconselhamento espiritual, recebendo como orientação que ela fosse ao encontro de Eurípedes Barsanulfo, na cidade de Sacramento-MG.

Seu organismo estava fraco, sendo realmente diagnosticada a influenciação, oriunda de espíritos infelizes. Eurípedes indica tratamento físico e espiritual, através da fluidoterapia. Em poucos dias, Maria Modesto apresentava significativa melhora, sendo convidada a trabalhar na equipe mediúnica. Passado pouco tempo, já recuperada, Maria Modesto é orientada por Eurípedes Barsanulfo para se mudar para Uberaba.

Em janeiro de 1919, um novo local de trabalho é fundado na cidade mineira, o Ponto Bezerra de Menezes, ao lado da casa de Maria Modesto, onde, juntamente com outros médiuns, ela passa a servir de intermediária dos Benfeitores Espirituais, assistindo a enfermos.

Todavia, a assistência não se limitava ao intercâmbio espiritual. Em 1922 inicia-se a realização do Natal dos Pobres, beneficiando os necessitados que ali buscavam o amparo, além da assistência prestada aos cegos, presidiários e outras instituições.

Pouco tempo depois de fundada a sede social do Centro Espírita Uberabense, em 13 de maio de 1919, um fato importante ocorre: a comunicação psicográfica através de Maria Modesto, do luminoso espírito Ismael, designado pelo Cristo para organizar o trabalho da propagação da Boa Nova no Brasil. Na época, a direção do Centro Espírita Uberabense resolveu consultar a Federação Espírita Brasileira, para saber da autenticidade da mensagem, sendo confirmada pelo próprio comunicante, na sede da FEB.

Recebendo orientações de Bezerra de Menezes, a respeito do trabalho desenvolvido do Ponto, o grupo recebe orientação para iniciarem a construção do Sanatório Espírita de Uberaba, sendo sua planta recebida mediunicamente por Maria Modesto. Em 6 de janeiro de 1928, a pedra fundamental é lançada pelo presidente do Centro Espírita Uberabense, médico sanitarista Henrique von Krugger Schroeder. Em 31 de dezembro de 1934 o Sanatório é inaugurado, exercendo o cargo de diretor clínico, o dr. Inácio Ferreira.

Junto ao Sanatório Espírita, o trabalho de Maria Modesto foi constante, tendo a benfeitora encontrado ainda tempo para auxiliar na fundação da União da Mocidade Espírita de Uberaba (UMEU), em 1940.

Em julho de 1963, devido a sérios problemas de saúde, Maria Modesto Cravo transfere-se para Belo Horizonte, retornando à Pátria Espiritual em 8 de agosto de 1964, vitimada pelo câncer.



quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Maria Modesto Cravo - Livro Amorosidade: a cura da ferida do abandono - Ermance Dufaux / Wanderley Oliveira - Prefácio - Amorosidade: o termômetro do amadurecimento espiritual



Maria Modesto Cravo - Livro Amorosidade: a cura da ferida do abandono - Ermance Dufaux / Wanderley Oliveira - Prefácio


Amorosidade: o termômetro do amadurecimento espiritual 


Temos uma ala no Hospital Esperança (1), fundada na década de 1980, destinada a receber e tratar dirigentes e líderes cristãos. Entre seus colaboradores, temos grupos preparados por Eurípedes Barsanulfo que são altamente especializados em vida psíquica e conhecedores de doenças mentais profundas. 

Cuidadores  amorosos  e  amáveis  foram  preparados em cursos intensivos para acompanhar o desencarne e receber, no plano espiritual, grandes vultos dos segmentos católicos, espíritas, umbandistas, evangélicos e afins, uma vez que foram homens e mulheres dotados de extrema devoção e influência na religião, mas portadores de elevado grau de arrogância e orgulho em seus corações.

Era requisito fundamental que fossem orientados por almas doces e pacientes nos primeiros tempos de sua adaptação ao mundo espiritual. Após uma década de experiências nesse setor, chegou-se à conclusão de que alguns traços de personalidade eram inerentes a cada um dos segmentos religiosos e, em 1993, foram criadas alas ainda mais específicas para tratar cada tipo de necessidade apresentada. O setor, então, cresceu e se transformou em uma das maiores especialidades do hospital.

Os perfis mais frequentes nos atendimentos são os com-panheiros que sofrem com elevado nível de ansiedade e aflição, decorrentes do acentuado congestionamento mental provocado pelo acúmulo de conhecimentos espirituais e religiosos adquiridos na vida física, sem a devida educação das emoções.

São homens e mulheres bons, porém atormentados e prisioneiros de lamentável inquietude, em razão do pensamento acelerado e da desordenação de seus sentimentos. Apresentam largo grau de confusão, conflitos e alguns, até, de desorientação psíquica. O cérebro, sem dúvida, é um amortecedor generoso para esse quadro. Mas a morte é um fator determinante e apresenta a conta em forma de verdade. 

Ai de nós sem a misericórdia após o desencarne!

Nessa ala, tais pacientes encontram o remédio que os aquieta, bem como benfeitores e tarefeiros com expressiva afetividade que lhes toca as fibras mais reservadas na alma. Não será exagero dizer que é um local em que eles se preparam para o arrependimento e têm a oportunidade de ampliar a visão sobre as recém-findas reencarnações, nas quais a soberba do saber lhes distraiu de deveres inadiáveis para a própria redenção espiritual.

É um ponto de partida para retomarem o equilíbrio, considerando que muitos dos internos, conforme absorvem as técnicas e os novos conhecimentos, tombam nas depressões, em função da desilusão de suas crenças.

Entre eles, encontramos uma geração de dirigentes espíritas reencarnados no início do século 20, muitos adoecidos com severas perturbações. Irmãos que aprenderam o Espiritismo por fora, sem acompanhar a era do Espiritismo por dentro. Viveram-no nas práticas e tarefas em prejuízo da educação das próprias tendências e do desenvolvimento de qualidades morais e emocionais para o amor legítimo.

Tivemos três ciclos no planejamento das ideias espíritas no planeta. O primeiro foi de 1857 até 1930, começando com o surgimento do Espiritismo até a chegada de Chico Xavier. É o período do alicerce das bases doutrinárias.

O segundo foi de 1930 até 2000, etapa na qual a divulgação social dos princípios espíritas realizou-se em larga escala. O terceiro ciclo, em pleno vigor, vem de 2000 e vai até 2070. É o período da humanização e do desenvolvimento do afeto.

Podemos assim resumir essas três etapas sob a perspectiva da missão desses dirigentes:

1ª geração – os obreiros da caridade e do fenômeno mediúnico.
2ª geração – os modeladores do pensamento espírita. 
3ª geração – os construtores da amorosidade.

E podemos também resumi-las sob a perspectiva da necessidade espiritual desses dirigentes:

1ª geração – espíritos com culpas muito acentuadas que se desdobraram nos serviços de caridade para amenizar suas dores, e na aplicação da mediunidade como arrimo de sua fé.

2ª geração – espíritos com grande bagagem filosófica e religiosa, portadores de muito orgulho e vaidade, que buscaram no conhecimento adquirido recursos para se reorientarem na vida.

3ª geração – espíritos cansados de si mesmos e com muita angústia a respeito do amor. Trazem uma extrema necessidade de viver seus relacionamentos com mais afetividade.

As nossas alas de hoje estão abarrotadas dos dirigentes das duas primeiras gerações, e alguns já retornam ao mundo físico, angustiados por um recomeço em bases novas. A culpa e o orgulho de outrora migraram dentro de suas almas para uma dilacerante saudade de si próprios, uma sensação angustiante de abandono e solidão no mundo. Sentem muita falta de relacionamentos legítimos, de contato fraterno e de vivência do afeto.

Estão novamente na seara, com cinco, dez ou vinte anos de idade, em busca de amorosidade, repugnando os aspectos mais formais e dogmáticos.

Eles fazem parte de uma geração com perfis completamente distintos de seus antecessores e trazem um clamor muito vigoroso para a diversidade, o calor humano e a proximidade afetiva.

Antes de renascerem, receberam um preparo nessas áreas especializadas do Hospital Esperança, visando melhores chances de êxito em suas reencarnações. 

Nos fins dos anos 1990, foi criado o Curso de amorosidade à luz do espírito imortal, do qual todos participaram antes de renascer. A utilidade desse curso ampliou-se com tanta rapidez e variações, que foram criadas várias escolas inspiradas nessa proposta, sob a inspiração e a didática do nosso diretor e educador, Eurípedes Barsanulfo.

Inclusive, muitos encarnados começaram a reciclar conceitos ao frequentarem essas escolas durante o desdobramento pelo sono. Há turmas específicas para esse fim. Outros, com mais idade, porém abertos a essa amorosidade nas relações, igualmente frequentam esses cursos. O índice de frequência varia entre 20% e 30% de presença dos que são matriculados. Este assunto já foi alvo dos estudos da nossa querida Ermance Dufaux.(2)

O curso é muito disputado pelos encarnados e as vagas são preenchidas somente por pessoas que apresentam assiduidade(3) no seu processo de educação emocional e sensibilidade para a proposta renovadora da humanidade: um planeta com mais coração!

Participar do curso requer responsabilidade acentuada e costuma causar fortes emoções em quem absorve as orientações e realiza os tratamentos. Ao regressarem ao corpo, após cada aula, os alunos não são mais os mesmos. 

É óbvio que se espera que sejam sempre melhores.

Nosso objetivo prioritário, nesta obra, é chamar a atenção para o tema considerado o mais urgente em assuntos de espiritualização humana: a amorosidade como expressão plena de maturidade espiritual. Ermance Dufaux organizou os textos que sintetizam parcialmente o referido curso do Hospital Esperança. Poderíamos dizer que menos de 10% dos conteúdos são aqui apresentados, cujo fim maior é a formação de oficinas edificantes nos grupos de espiritualização desejosos de discutir e expandir as qualidades do amor em suas vidas.

Ficaremos gratos e felizes se colaborarmos para abrir as portas das casas de espiritualização, para que haja uma conduta humanizada e amável em seus projetos de esclarecimento e formação. Destacamos aqui, de forma acentuada e urgente, as agremiações espíritas.

Para nós, a amorosidade é o melhor termômetro do amadurecimento espiritual e o caminho para uma Terra mais justa e benevolente. Que Jesus, o Pastor amoroso e terno, nos guie os propósitos sinceros.


Maria Modesto Cravo

Belo Horizonte, abril de 2018



(1) Hospital Esperança – O Hospital Esperança é uma obra de amor erguida por Eurípedes Barsanulfo no mundo espiritual. Seu objetivo é amparar os seguidores de Jesus que se deparam com aflições e culpas conscienciais após o desencarne. Informações mais detalhadas sobre o hospital podem ser encontradas no livro Lírios de esperança, obra de autoria espiritual de Ermance Dufaux, psicografado por Wanderley Oliveira, Editora Dufaux.

(2) Livro Um terço da vida, autoria espiritual de Ermance Dufaux, psicografado por Wanderley Oliveira - Editora Dufaux.

(3) Mesmo estando compromissados com a reforma íntima, o índice de frequência variando entre 20% e 30% de presença dos que são matriculados é muito baixo, mostrando a dificuldade que o espirito encarnado tem para se manter nos propósitos de estudo durante a emancipação pelo sono físico.


Fonte: Amorosidade: a cura da ferida do abandono


Maria Modesto Cravo nasceu na cidade de Uberaba-MG, em 1899.

Teve formação católica e casou-se aos 17 anos com Nestor Cravo fixando residência em Belo Horizonte onde nasceram os seis filhos do casal.

Sentindo os primeiros fenômenos de desiquilíbrio físico-mental em sua esposa, seu marido recebeu orientação para que levasse sua esposa ao encontro de Eurípedes Barsanulfo, na cidade de Sacramento-MG.

Lá, Eurípedes, constatando a existência de suas faculdades mediunicas, submete-a de imediato a tratamento físico-espiritual  através da fluidoterapia pois seu organismo achava-se muito debilitado, em função de grave quadro obsessivo.

Em poucos dias, Maria Modesto apresentava significativa melhora, sendo convidada a trabalhar na equipe mediúnica. Passado pouco tempo, já recuperada, Maria Modesto é orientada por Eurípedes Barsanulfo a mudar-se para Uberaba para desenvolver  importante trabalho espiritual a que já estava destinada.  

Em janeiro de 1919, funda com outros abnegados servidores, o Ponto Bezerra de Menezes, onde passa a servir a enfermos e necessitados. Surge assim, oficialmente, o primeiro núcleo do Espiritismo aberto ao público em Uberaba.

A sua assistência não se limitaria ao intercâmbio espiritual. Em 1922 inicia a realização do Natal dos Pobres, beneficiando os necessitados que ali buscavam o amparo, além da assistência prestada aos cegos, presidiários e outras instituições.

No Ponto, recebe do Dr. Bezerra de Menezes (1831/1900) a incumbência  de criar uma nova instituição, o Sanatório Espírita de Uberaba. A planta arquitetônica do Sanatório é recebida mediunicamente por Maria Modesto.

Em 1928, a pedra fundamental é lançada pelo presidente do Centro Espírita Uberabense, médico sanitarista Henrique von Krugger Schroeder.

Em 1933 o Sanatório é inaugurado, sendo contratado para o cargo de primeiro diretor clínico,  Dr. Inácio Ferreira, jovem psiquiatra formado pela Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Junto ao Sanatório Espírita, o trabalho de Maria Modesto foi constante, tendo a benfeitora encontrado ainda tempo para auxiliar na fundação da União da Mocidade Espírita de Uberaba (UMEU) e do Lar Espírita para Moças em 1949, este juntamente com o Dr. Inácio que doa o terreno.

É importante lembrar que Chico Xavier, quando ainda morador de Pedro Leopoldo, costumava vir a Uberaba à serviço para participar anualmente da Exposição Agropecuária. Nessas oportunidades era sempre acolhido por Dona Modesta que o levava para participar das atividades do Centro Espírita Uberabense e às sessões noturnas no Sanatório Espírita.

Dona Modesta, como era carinhosamente chamada, considerada a Grande Dama da Caridade de Uberaba, manteve durante toda a sua vida incansável trabalho em prol de todos os necessitados da região. 

Em julho de 1963, já com sérios problemas de saúde, transfere-se para Belo Horizonte, onde vem a falecer em 1964, após prolongada enfermidade.