quinta-feira, 29 de maio de 2025

André Luiz - Livro O Espírito da Verdade - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 76 - Letreiros vivos



André Luiz - Livro O Espírito da Verdade - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 76


Letreiros vivos


"O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem." (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XVII — Item 3).


Nas faixas mínimas da sua experiência cotidiana surge o roteiro humano que você representa para os outros.

Os traços do semblante pintam-lhe o clima interior.

Os seus objetos de uso pessoal compõem o edifício da sua simplicidade.

A ordem dos seus afazeres indica-lhe o grau de disciplina.

O cumprimento das suas obrigações denuncia-lhe o valor da palavra empenhada.

O teor da amizade dos seus vizinhos, para com a sua pessoa, qualifica a sua capacidade de se fazer entendido.

O diapasão da sua palestra dá o tom da sua altura íntima.

A segurança da sua opinião traduz a firmeza dos seus ideais.

Os tecidos que lhe envolvem o corpo configuram-lhe o senso de naturalidade.

As iguarias da sua mesa revelam-lhe o papel do estômago no mundo moral.

A natureza do cuidado com o seu físico fala francamente de suas possíveis relações com a vaidade.

O seu presente diz, para todos, o que você foi no passado e o que você será no porvir, com reduzidas possibilidades de erro.

A uniformidade entre o movimento das suas ideias, dos seus conceitos e das suas ações disseca, à vista de todos, a fibra da sua vontade.

Todas as criaturas que lhe partilham a existência leem incessantemente os letreiros vivos que lhe estabelecem a verdadeira identidade nos panoramas da Vida, respondendo-lhe as mensagens inarticuladas com aversão ou simpatia, contentamento ou desagrado, conforme a sua plantação de bem ou mal.


André Luiz












Emmanuel - Livro Agora é o Tempo - Chico Xavier - Cap. 17 - Cada pessoa



Emmanuel - Livro Agora é o Tempo - Chico Xavier - Cap. 17


Cada pessoa


Cada pessoa é aquilo que crê;

fala do que gosta;

retém o que procura;

ensina o que aprende;

tem o que dá

e vale o que faz.

Sempre fácil, portanto, para cada um de nós reconhecer os esquemas de vivência em que nos colocamos.


Emmanuel









Hammed - Livro A Busca do Melhor - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 18 - Grão de trigo



Hammed - Livro A Busca do Melhor - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 18


Grão de trigo


“É como um grão de mostarda que, quando se semeia, é a menor de todas as sementes que há na terra; mas, tendo sido semeado, cresce e faz-se a maior de todas as hortaliças.” (Marcos, 4:31,32)


Só e abandonado, é jogado em cova escura.

Humilde, aceita seu destino aparentemente cruel.

Tem que morrer para germinar, ressurgir do solo, sob o peso da terra e a umidade do chão.

Aceita com abnegação o destino que a Vida lhe impôs.

No entanto, passam os tempos, e um dia brota e vislumbra novamente a luz.

Cresce e amadurece, tornando-se planta forte e robusta, mas é novamente ceifado, triturado, para se transformar em massa fértil que cresce sob a ação do fogo.

Igualmente suporta, com paciência e humildade, a foice e o pilão.

Torna-se então, sem que se aperceba, um pão dadivoso; a partir daí, passa a entender todos os dissabores e aflições que padeceu.

Antes grão diminuto, depois pão generoso que serve e alimenta a todos.

A semente morre, nasce o trigo e, quando renasce, transformase em nutrição essencial e dadivosa.

Metaforicamente, somos todos grãos de trigo rumo a uma destinação gloriosa, metamorfoseando-nos em generoso pão.


Hammed











domingo, 25 de maio de 2025

Hammed - Livro Um Modo de Entender - uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 54 - Reino dividido



Hammed - Livro Um Modo de Entender - uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 54


Reino dividido


“Conhecendo os seus pensamentos, Jesus lhes disse: Todo reino dividido contra si mesmo acaba em ruína e nenhuma cidade ou casa dividida contra si mesma poderá subsistir”.
(Mateus, 12:25)

Na atualidade, a psiquiatria e a psicologia encontram no transtorno obsessivo compulsivo – TOC – um quadro clínico cada vez mais frequente e que atinge as diversas raças, culturas e nacionalidades.

Esse distúrbio, mais conhecido como “mania” ou “esquisitice”, é uma vontade compulsiva que cria pensamentos ambíguos e embaraçosos, de caráter intrusivo e obstinado, os quais ecoam na casa mental num ciclo persistente e desagradável, gerando muita angústia.

Trata-se de doença aflitiva, associada e uma ideia persistente, que constrange o indivíduo a manifestar atos repetitivos, impulsos estranhos ou rituais inexplicáveis com o intuito de produzir uma sensação de alívio ou mesmo reduzir a ansiedade interna.

Esse desconforto emocional pode levar a criatura a ter desde um leve distúrbio até uma incapacitação externa no seu cotidiano.

Segundo os estudiosos do TOC, a “chave mestra” para compreendermos um indivíduo com essa compulsão é entender que o circuito interno que detecta quando há algo errado em sua intimidade está acelerado ou funcionando além do necessário.

Esse circuito, alterado por um problema estrutural e/ou funcional, trabalha continuamente, mesmo quando o erro é corrigido. Deixa o indivíduo em constante apreensão e desconforto, como se alguma coisa sempre estivesse errada com ele.

Desse modo, a criatura se sente constrangida a corrigir, de modo incessante, seus equívocos ou erros, reais ou imaginários.

Comportamentos hipocondríacos, medo excessivo de contaminação, ideias frequente de alinhamento e simetria de objetos pessoais, preocupação exagerada com limpeza e lavagem, mania de verificação ou checagem, senso patológico de responsabilidade, culpa sem nexo, rituais de repetição, atitudes de colecionar objetos esdrúxulos e sem serventia. Esses são alguns entre os muitos comportamentos ligados às pessoas com o transtorno obsessivo compulsivo.

Elas, involuntariamente, possuem um padrão de raciocínio deste tipo: “Tenho minha própria proteção. Ela é forte e imprescindível para que eu possa socorrer os que estão sob meus cuidados. Tenho que afastar a incessante contaminação do mal que está em toda a parte. Através deste meu ritual, compenso com coisas boas para que as coisas não aconteçam”.

Outras, inconscientemente, alegam desta forma. “Sabe quais são as regras? É só contar e arrumar tudo milimetricamente, verificar sempre todas as coisas para que nada de errado aconteça. Eu sei disso, mas os outros podem não saber da existência do perigo. Preciso sempre fazer bem feito para contrabalançar o mal”.

Para melhor entendermos a atividade funcional do TOC, usaremos como elucidação a rede de células nervosas autônomas da estrutura humana.

Ela é assim chamada porque trabalha de modo inconsciente, não precisando, para tanto, de ordens conscientes.

O sistema autônomo de nervos transmite comandos vitais que mantêm em pleno funcionamento as funções do corpo. Regula os órgãos e os vasos sanguíneos – afetando a respiração, a circulação e o metabolismo – e ativa as ações glandulares e os músculos involuntários.

Se os órgãos internos podem funcionar de modo inconsciente, há situações e momentos em que os nervos sensoriais ativam intensamente o sistema autônomo. Por exemplo, se avistássemos ao longe um leopardo, uma mensagem seria disparada imediatamente para a rede de células nervosas autônomas, responsáveis pelas rápidas adaptações internas, em face de uma circunstância perigosa.

O automatismo nervoso entraria em ação, haveria uma aceleração do sistema respiratório, o coração pulsaria mais rápido, os brônquios se dilatariam, o sangue com maiores quantidades de adrenalina seria lançado aos músculos e outras reações ocorreriam para a preparação de um provável desgaste maior de energia, para a luta ou a fuga.

Agora, imaginemos que uma pessoa acione constantemente esse mecanismo autônomo diante de supostas sensações de ameaças ou de temores fictícios. A impressão de medo ora vem, mas logo em seguida passa, e ressurge novamente. Ela tenta se proteger de um perigo imaginário ou se defender de algo que não vê ou não entende, perpetuando uma atitude de defesa ante uma agressividade irreal.

Esse circuito descompensado é o que chamamos de compulsão repetitiva, pois, quanto mais o comportamento se repete, mais forçado a reproduzir-se.

No TOC, o distúrbio é uma “ruminação mental” onde impera uma constante sensação de erros e equívocos, ocasionando reiteradas correções e verificações cíclicas e aparentemente sem nexo.

Visando à clareza, utilizamos esta alegoria ao comparar dois mecanismos (o orgânico e o psicológico) que possuem certa similitude; no entanto não tivemos nenhuma pretensão de nos julgarmos especialista em qualquer tipo de conhecimento específico ou excepcional relativo ao assunto em pauta.

Um dos pensamentos obsessivos-compulsivos que provocam mais sofrimentos ao doente é aquele cujo conteúdo envolve o medo de causar dano ou morte a si mesmo ou a alguém a quem muito ama.

As pessoas que apresentam esse distúrbio criam rituais e gesticulações para controlar suas sensações, as quais, segundo elas, podem levar à doença ou à morte repentina, sua e de seus entes queridos. Por isso é que cumpre a elas fiscalizar e conter o teor de sua atividade mental, ainda que momentaneamente.

O problema é que essas pessoas supervalorizam a importância de seus pensamentos negativos, a ponto de considerar que tê-los é a mesma coisa que fazê-los acontecer, quando sabemos que simplesmente pensar não quer dizer, de jeito algum, que o que pensou vai se concretizar.

O indivíduo com ideias compulsivas não deveria dar créditos a elas, pois, em verdade, não são seus sentimentos e emoções que vão determinar o que vai acontecer ou não na vida dos outros, haja vista que cada ser recebe o legado de suas próprias experiências do ontem, com possibilidades de alterá-las conforme vivencia as do hoje.

Nossa vontade é força poderosa e determinante somente para nossa vida, não para a vida alheia (da família consanguínea ou da família do coração). Temos conosco o que procuramos, e os outros têm com eles o que procuram. Somos herdeiros de nossos próprios atos e atitudes.

Por essa razão é que Jesus de Nazaré, no episódio da cura de um obsedado, por conhecer a ação e o poder do pensamento sombrio, nos adverte: “Todo reino dividido contra si mesmo acaba em ruína e nenhuma cidade ou casa dividida contra si mesma poderá subsistir”.

Cada um de nós possui um “reino” ou “casa íntima” contendo uma vastidão de sentimentos e emoções, tendências e possibilidades, pensamentos e criações. Portanto, ter na própria intimidade o “reino dividido contra si mesmo” ou a “casa dividida contra si mesmo” equivale a dizer que: transitamos presos ao mundo das oposições, que se divide em dois, o de dentro e o de fora; vivemos temerosos entre erros e acertos, entre o bem e o mal, entre o certo e errado, entre a luz e as sombras, prisioneiros da polaridade.

Diz a sabedoria oriental: “os olhos e ouvidos são saqueadores externos; emoções, desejos, pensamentos são saqueadores internos. Mas, se a nossa mente estiver tranquila, alerta e desperta, poderá transitar serenamente entre esses saqueadores, sem os segregar ou dividir, e eles se transformarão em pacíficos membros do lar”.

Enquanto mantivermos uma luta discriminatória a fim de ter sob controle rigoroso nossos pensamentos, estaremos nos expondo ao risco de potencializá-los e de vê-los transformados em obsessões compulsivas. Não é preciso nem superestimá-los nem subestimá-los. A propósito, não querer pensar em alguém ou em alguma coisa já nos remete mecanicamente a pensar neles.

Os indivíduos que atribuem aos seus estímulos internos (pensamento, sentimento, emoção e outros tantos) um caráter absoluto, soberano e independente, não lhes dando um valor relativo, nem os colocando em contato direto com a realidade, se assemelham à “cidade ou casa dividida contra si mesma“.

Para que não se perpetue a desarmonia ou desequilíbrio na casa íntima é necessário tomarmos posse dos atributos considerados inerentes à alma humana: atividade, unidade, identidade, autonomia e posicionamento.

Sem comando mental, a criatura passa a ser influenciada pelos “saqueadores externos e internos”. É como se não agisse por si mesma, e sim como um ser de comportamento maquinal, executando tarefas ou seguindo ordens, destituído de consciência, raciocínio, vontade ou espontaneidade. Tudo o que sente, pensa e faz parece estar sendo dirigido por algo fora de sua autoridade.

Entreguemos nossas síndromes de ansiedade, medo e transtornos compulsivos nas mãos de Deus. Submetamos nossas enfermidades psíquicas sem causa específica à ação divinal.

Lembremo-nos de que o homem ávido de paz de espírito e de renovação mental esforça-se, confia e espera incessantemente, porque sabe que “a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam”. E, igualmente, não podemos nos esquecer de que, segundo o apóstolo João, devemos crer e jamais temer porque, em síntese “nós somos de Deus”.


Hammed 












Emmanuel - Livro Neste Instante - Chico Xavier - Cap. 17 - Alma e corpo



Emmanuel - Livro Neste Instante - Chico Xavier - Cap. 17


Alma e corpo


Não nos esqueçamos de que o corpo na Terra é o filtro vivo de nossa alma.

Nossos pensamentos expressar-se-ão, segundo o sentimos, tanto quanto nossos atos serão exteriorizados, conforme pensamos.

Todos os processos emocionais do coração atingem o cérebro, de onde se irradiam para o campo das manifestações e das formas.

Sensações e atitudes mais íntimas se nos mostram, invariavelmente, na vida de relação.

A gula produz a deformidade física.

O orgulho estabelece a irritação sistemática.

A vaidade conduz à perturbação.

A cólera dá origem a graves desequilíbrios.

O ciúme leva ao ridículo.

A maldade se transforma em delito.

O desânimo alimenta o caruncho da inutilidade.

A ignorância faz a penúria.

A tristeza improdutiva cria moléstias fantasmas.

Os hábitos indesejáveis trazem a antipatia em torno de quantos a eles se afeiçoam.

A paixão, não raro, conduz à morte.

Cada sentimento emite raios e forças intangíveis que lhe serão característicos.

Cultivemos a bondade, a compreensão e a alegria, porquanto nelas possuímos o manancial das energias de soerguimento e elevação da alma para Deus, nosso Pai e Misericordioso Senhor.

Nem corpo inteiramente mergulhado na Terra, nem Espírito integralmente absorvido na contemplação do firmamento.

A árvore produz para o mundo, sustentando a vida, de raízes imersas no solo e de copa florida a espraiar-se em pleno Céu.

Aprendamos com a natureza.

A situação ideal será sempre a do equilíbrio com a vigilância concentrada por dentro. Por isso mesmo há muitos séculos, já nos afirmava a profecia: 

— “Guardai com carinho e cuidado o coração porque realmente dele é que procedem as correntes da vida.” (Provérbios 4:23) 


Emmanuel













André Luiz - Livro Entre Irmãos de Outras Terras - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 15 - A alma também



André Luiz - Livro Entre Irmãos de Outras Terras - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 15


A alma também


Casas de saúde espalham-se em todas as direções com o objetivo de sanar as moléstias do corpo e não faltam enfermos que lhes ocupem as dependências.

Entretanto, as doenças da alma, não menos complexas, escapam aos exames habituais de laboratório e, por isso, ficam em nós, requisitando a medicação, aplicável apenas por nós mesmos.

Estimamos a imunização na patologia do corpo.

Será ela menos importante nos achaques do espírito?

Surpreendemos determinada verruga e recorremos, de imediato, à cirurgia plástica, frustrando calamidades orgânicas de extensão imprevisível.

Reconhecendo uma tendência menos feliz em nós próprios, é preciso ponderar igualmente que o capricho de hoje, não extirpado, será hábito vicioso amanhã e talvez criminalidade em futuro breve.

Esmeramo-nos por livrar-nos da neurastenia capaz de esgotar-nos as forças. Tratemos também de nossa feição temperamental para que a impulsividade não nos induza à ira fulminatória.

Tonificamos o coração, corrigindo a pressão arterial ou ampliando os recursos das coronárias a fim de melhorar o padrão de longevidade. Apuremos, de igual modo, o sentimento para que emoções desregradas não nos precipitem nos desvãos passionais em que se aniquilam tantas vidas preciosas.

Requintamo-nos, como é justo, em assistência dentária na proteção indispensável. Empenhemo-nos de semelhante maneira, na triagem do verbo, para que a nossa palavra não se faça azorrague de sombra.

Defendemos o aparelho ocular contra a catarata e o glaucoma. Purifiquemos igualmente o modo de ver.

Preservamos o engenho auditivo contra a surdez. No mesmo passo, eduquemos o ouvido para que aprendamos a escutar ajudando.

A Doutrina Espírita é instituto de redenção do ser para a vida triunfante. 

A morte não existe. Somos criaturas eternas. Se o corpo, em verdade, não prescinde de remédio, a alma também.


André Luiz









(Nova Iorque, NI., EUA., 14, julho, 1965.)

sábado, 24 de maio de 2025

Emmanuel - Livro Viajor - Chico Xavier - Cap. 5 - Iluminemos o coração



Emmanuel - Livro Viajor - Chico Xavier - Cap. 5


Iluminemos o coração


Guardemos o coração na luz do bem, para que nossa alma diariamente, possa banhar-se nas águas vivas da grande compreensão.

Somente assim nossos olhos aprenderão a ver ignorância onde presumimos encontrar a delinquência e apenas desse modo, nossos ouvidos registrarão a dor e o infortúnio, onde costumamos assinalar a intemperança e a revolta.

Não basta observar as telas do mundo, na conceituação habitual da experiência terrestre, porque o raciocínio, quase sempre, mora na faixa estreita do cálculo que se atrela ao egoísmo para entregar-se ao jogo pernicioso das vantagens imediatas e nem vale criticar com a inteligência, porquanto, muitas vezes, a apreciação que nos é própria resulta de enganosa exigência do nosso modo de ser.

É preciso mergulhar o sentimento nas desventuras e necessidades alheias com a elevação do amor que não apenas situa o defeito, mas acima de tudo busca extirpá-lo em silêncio, à força de espontânea bondade e justa cooperação.

Busquemos preservar o templo íntimo contra todas as formas de condenação e de crueldade, procurando, em toda parte, a nossa quota de serviço na exaltação do bem que esposamos e, socorrendo as vítimas do mal sem nos prendermos à sombra, aprenderemos com Jesus a retirar a cegueira dos cegos, a enfermidade dos enfermos, a obsessão dos obsessos, a tristeza dos tristes, a fraqueza dos fracos, a desesperação dos desesperados e a derrota dos que se sentem vencidos, restituindo os nossos companheiros à sanidade espiritual e conservando toda a nossa existência erguida ao amor que tudo aprimora, de vez que é do coração que partem as fontes da vida. 


Emmanuel












Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 58 - Das nascentes do coração



Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 58


Das nascentes do coração


“Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes.” — PEDRO (1 Pedro, 3.8)


De todos os tesouros que a Divina Providência te confiou, um deles é a piedade que podes libertar como um rio de bênçãos das nascentes do coração.

Pensa nas lágrimas que já te passaram pela existência e nunca derrames fel na trilha dos semelhantes. Para isso é necessário raciocines e te enterneças, entre a luz da compreensão e o apoio da caridade.

Compadecemo-nos facilmente dos irmãos tombados em necessidades materiais, cujos padecimentos nos sacodem as fibras mais íntimas, mas é preciso igualmente nos condoamos daqueles outros que se sentam diante da mesa farta arrasados de angústia, à face das provações que lhes desabam na vida.

Bastas vezes, perdemos lições e oportunidades preciosas para a aquisição de valores da Espiritualidade Maior, tão somente por fixar a observação na face exterior de situações e pessoas.

O entendimento fraternal, no entanto, é clarão da alma penetrando vida e sentimento em suas mais ignotas profundezas.

À vista disso, seja a quem for, abençoa e auxilia sempre.

Diante de quaisquer desequilíbrios ou entraves que te venham a surpreender na estrada terrestre, molha a tua palavra no bálsamo da compaixão, a fim de que te desincumbas dignamente do bem que te cabe cumprir.

Procedamos assim, onde estivermos, na certeza de que, em nos referindo à maioria de nós outros, — os Espíritos endividados da Terra, — todas as vantagens que estejamos desfrutando, à frente do próximo, não chegam até nós em função de merecimento que absolutamente não possuímos ainda, mas simplesmente em razão da misericórdia de Deus.


Emmanuel












sexta-feira, 23 de maio de 2025

Miramez - Livro Saúde - João Nunes Maia - Cap. 23 - Virtudes estimuladas



Miramez - Livro Saúde - João Nunes Maia - Cap. 23


Virtudes estimuladas


Temos uma imensidade de virtudes latentes no coração, esperando que as estimulemos para o serviço grandioso da fraternidade.

É justo reconhecer que Deus tudo fez dentro da harmonia. O desenvolvimento dessas qualidades é de nossa total competência, ainda assim, mãos invisíveis nos ajudam constantemente a estimular esses valores. Somos todos gigantes em potencial e Cristo é o marco do começo da nossa caminhada em busca da luz de Deus; Ele nos ajudou a acordar para a razão e irá nos acompanhar até a nossa libertação espiritual, pelo conhecimento da verdade.

Tudo que fizerdes, fazei-o liberando o vosso potencial de amor, que o amor vos propiciará condições de viver gerando saúde e de estar cheios de esperança na conquista da felicidade.

Tudo o que procurais no exterior está dentro de vós. Deveis ser um soldado de Cristo, trabalhando contra os vossos inimigos internos e Deus estará sempre ao vosso lado, vos ajudando a vencer todas as deficiências.

Sede ativo no vosso programa de reforma interior, porém, jamais useis de violência. A moderação é norma divina, na divina seqüência do equilíbrio. Compadecei-vos de vós mesmos, mas nunca pareis de vos educar para melhor vos instruir.

Deveis procurar conviver com a alegria e estudá-la em todos os seus aspectos. Ela é um tesouro que temos herdado da divindade e deve ser cultivada por todos os povos. Um sorriso, uma palavra que induza à alegria pode curar e mesmo encaminhar algumas criaturas para a esperança e a fé. 

sorriso nos lábios dá uma dimensão maior à alma e, quando o coração está cheio de amor, o contentamento sai valorizado e doamos aos nossos semelhantes um magnetismo de alta qualidade espiritual.

Deveis conviver com a fé, em todas as suas qualidades benfeitoras. Ela é o sustentáculo da própria existência. A fé é o ambiente de Jesus e o clima dos anjos; meditai na fé, pensai nela e exercitai esse favo de luz no coração, para que a tenhais permanentemente convosco.

Certamente que conheceis o valor do perdão. Buscai-o pelos meios de que dispondes, falai nele, estudai sobre a sua eficácia e procurai desenvolvê-lo todos os momentos, porque quem perdoa é feliz e será capaz de ajudar aos outros a descobrir a paz de consciência.

O amor deve ser o sentimento maior de todas as criaturas, por isso, torna-se necessário que estimulemos seu crescimento dentro de nós, porque por ele e através de todas as suas manifestações, adquirimos saúde, aquele bem-estar imperturbável que proporciona o equilíbrio do corpo e da alma.

Tudo cresce pela força do progresso e tudo o que existe tem o seu valor espiritual, entretanto, precisamos saber ajudar na sementeira e na colheita, porque o discernimento é luz que nos acompanha pela eternidade.

O nosso dever maior é estimular as virtudes nos nossos caminhos, assim como ajudar esse mesmo estímulo nos nossos companheiros, sem violência aos seus direitos.

A palavra é um veículo de muita força, a mostrar a verdade dos preceitos evangélicos em nossas vidas, entretanto, o exemplo é força muito maior que se irradia de quem vive em gamas de luz, para todos os corações que nos cercam. Invade- nos o desejo de levar aos outros, aquilo que nos fez felizes, mas nem sempre o que é bom para nós serve para nossos irmãos. O estímulo mais benfeitor é aquele iluminado pela vivência, na tranqüilidade do coração.

Estamos todos em busca de saúde e somente a encontraremos pelos processos naturais e segundo as leis estabelecidas pelo Criador.

Onde estiverdes, não vos esqueçais de estimular as virtudes, por serem elas a luz que vos libertará de todas as sombras.


Miramez










Fonte: Saúde-pdf

Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 35 - Eles antes



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 35


Eles antes


“Quando deres um festim, não convides teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar e te seja isso recompensado.” — JESUS — Lucas, 14.12.

“Por festins deveis entender, não os repastos propriamente ditos, mas a participação na abundância de que desfrutais.” — Cap. XIII, 8.

“Quando derdes um festim, disse Jesus, não convideis para ele os vossos amigos, mas os pobres e os estropiados.”

Decerto que o Divino Orientador não estabelecia a desistência das relações fraternais, nem o abandono do culto às afinidades do coração. Considerando, porém, a Humanidade por família única, induzia-nos a observar os irmãos menos felizes, na categoria de credores principais de nossa atenção, à maneira de enfermos queridos, que esperam no lar a prioridade de assistência por parte daqueles que lhes comungam o mesmo sangue.

Nas celebrações da alegria, é inútil convocar os entes amados, de vez que todos eles se encontram automaticamente dentro delas. Recorda os que jornadeiam no mundo, sob as algemas de austeras privações e partilha com eles as vantagens que te felicitam a vida.

Se exerces autoridade, é natural te disponhas à sustentação dos companheiros honestos que te apoiam a luta. Antes deles, no entanto, pensa no amparo que deves a todos os que padecem aflição e injustiça.

Obtiveste merecimentos sociais elevados pelos títulos de competência que granjeaste a preço de trabalho e de estudo, e, com semelhantes valores, é razoável te empenhes no reconforto, a benefício dos que viajam no carro de tuas facilidades terrestres. Antes deles, contudo, atende à cooperação em favor dos que jazem cansados nas provações sem remédio.

Desfrutas extensa possibilidade econômica, na qual é compreensível te devotes a obsequiar os amigos do teu nível doméstico. Antes deles, todavia, socorre os que esmorecem de fadiga e penúria, para quem, muitas vezes, a felicidade reside num sorriso amistoso ou num prato de pão.

Amealhaste conhecimento e, nos tesouros culturais que adquiriste, é justo te aprazas, nos torneios verbais de salão, enriquecendo o cérebro dos ouvintes que te respiram as normas superiores. Antes deles, porém, divide a luz que te clareia o mundo mental com os irmãos do caminho, que se debatem ainda, na noite da ignorância.

Jesus não te pede a deserção dos círculos afetivos. Ele próprio, certa feita, asseverou aos companheiros de apostolado: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o meu senhor; chamo-vos, amigos, porque vos revelei tudo quanto ouvi de meu Pai.” 

Com os amigos, entretanto, consagrou-se primeiramente a aliviar a carga de todos os sofredores, como a dizer-nos que todos podemos cultivar afeições preciosas que nos alentem as energias, mas à frente dos que choram, nos transes de dolorosas necessidades, é preciso adotar a legenda “eles antes”.


Emmanuel









(Reformador, março de 1963, p. 64)

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Emmanuel - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 10.1 - Ante a família maior



Emmanuel - Livro Estude e Viva - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 10.1


Ante a família maior


Se podes transportar as dificuldades que te afligem num corpo robusto e razoavelmente nutrido, reflete naqueles nossos irmãos da família maior que a penúria vergasta.

Diante deles, não permitas que considerações de natureza inferior te cerrem as portas do sentimento.

Se algo possuis para dar, não atrases a obra do bem e nem te baseies nas aparências para sonegar-lhes cooperação.

Aceitemo-los como sendo tutores paternais ou filhos inesquecíveis largados no mar alto da experiência terrestre e que a maré da provação nos devolve, qual se fôssemos para eles o cais da esperança.

Muitos chegam agressivos; entretanto, não julgues sejam eles especuladores da violência. Impacientaram-se na expectativa de um socorro que se lhes afigurava impossível e deixaram que a desesperação os enceguecesse.

Outros se apresentam marcados por hábitos lastimáveis ; todavia, não admitas estejam na posição de escravos irresgatáveis do vício. Atravessaram longas trilhas de sombra, e, desenganados quanto à chegada de alguém que lhes fizesse luz no caminho, tombaram desprevenidos nos precipícios da margem.

Surpreendemos os que aparecem exteriormente bem-postos e aqueles que dão a ideia de criaturas destituídas de qualquer noção de higiene, mas não creias, por isso, vivam acomodados à impostura e ao relaxamento. Um a um, carregam desdita e enfermidade, tristeza e desilusão.

Não duvidamos de que existam, em alguns raros deles, orgulho e sovinice ; no entanto, isso nunca sucede no tamanho e na extensão da avareza e da vaidade que se ocultam em nós, os companheiros indicados a estender-lhes as mãos.

Se rogam auxílio, não poderiam ostentar maior credencial de necessidade que a dor de pedir.

Sobretudo, convém acrescentar que nenhum deles espera possamos resolver-lhes todos os problemas cruciais do destino. Solicitam somente essa ou aquela migalha de amor, à feição do peregrino sedento que suplica um copo d’água para ganhar energia e seguir adiante.

Esse pede uma frase de bênção, aquele um sorriso de apoio, outro mendiga um gesto de brandura ou um pedaço de pão…

Abençoa-os e faze, em favor deles, quanto possas, sem te esqueceres de que o Eterno Amigo nos segue os passos, em divino silêncio, após haver dito a cada um de nós, na acústica dos séculos:

— “Em verdade, tudo aquilo que fizerdes ao menor dos pequeninos é a mim que o fizestes”.


Emmanuel






O Livro dos Espíritos — Questão 803
Igualdade natural

Perante Deus, são iguais todos os homens?

“Sim, todos tendem para o mesmo fim e Deus fez Suas leis para todos. Dizeis freqüentemente: “O Sol luz para todos” e enunciais assim uma verdade maior e mais geral do que pensais.”

 A.K.: Todos os homens estão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos nascem igualmente fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Deus a nenhum homem concedeu superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte: todos, aos Seus olhos, são iguais.


O Evangelho segundo o Espiritismo — Cap. XXII — Item 3

Mas, na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei de amor. 2 Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir. 3 Nas condições ordinárias do casamento, a lei de amor é tida em consideração? De modo nenhum. Não se leva em conta a afeição de dois seres que, por sentimentos recíprocos, se atraem um para o outro, visto que, as mais das vezes, essa afeição é rompida; 4 o de que se cogita, não é da satisfação do coração e sim da do orgulho, da vaidade, da cupidez, numa palavra: de todos os interesses materiais. Quando tudo vai pelo melhor consoante esses interesses, diz-se que o casamento é de conveniência e, quando as bolsas estão bem aquinhoadas, diz-se que os esposos igualmente o são e muito felizes hão de ser.






Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 59 - Fenômeno magnético



Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 59


Fenômeno magnético


Quem admite hoje o fenômeno magnético, por novidade, se esquece naturalmente de que, no Egito dos Ramsés, velho papiro trazido aos nossos dias já preceituava quanto ao magnetismo curativo: — “Pousa a tua mão sobre o doente e acalma a dor, afirmando que a dor desaparece.”

Séculos transcorreram, até que ele adquirisse extensa popularidade com as demonstrações de Mesmer e atravessasse, tímido, o pórtico da experimentação científica com personalidades marcantes, quais James Braid e Durand de Gross, Charcot e Liébeault. 

E, nos tempos últimos, ei-lo em foco, desde os mais avançados gabinetes das ciências psicológicas até os espetáculos públicos nos quais a hipnose é conduzida, indiscriminadamente, para fins diversos.

Entretanto, importa considerar que é justamente em Nosso Senhor Jesus-Cristo que ele atinge o seu ponto mais alto na Humanidade.

Todavia, não se vale dele o Senhor para alardear os poderes que lhe exornam o Espírito.

Não lhe mobiliza os recursos para impressionar sem proveito.

Não lhe requisita os valores para discussões estéreis.

Não lhe concentra as possibilidades para a defesa de si próprio.

Jesus é o amor divino alongando os braços à angústia humana.

Estende a mão e cegos veem, e paralíticos se levantam, e feridentos se alimpam e obsidiados se recuperam.

Fita Madalena em casa de Simão e dá-lhe forças para que se liberte das entidades sombrias que a subjugam; contempla Zaqueu no sicômoro e modifica-lhe as noções da riqueza material; fixa Judas no cenáculo e o companheiro infeliz foge apressado, incapaz de suportar-lhe a presença, e endereça a Pedro um simples olhar das grades da prisão e o amigo que o negara pranteia amargamente.

Ainda assim, não se detém nos casos particulares.

Junto ao povo, tempera cada manifestação com autoridade e doçura, humildade e comando, respeito e compreensão.

De ninguém indaga a prática religiosa, para fazer o bem.

No ensinamento, utiliza parábolas para não ferir fosse a quem fosse.

A todos oferece o apaziguamento da alma, antes da cura física.

Não procura os poderosos da Terra para qualquer entendimento, e, sim, busca de preferência os que passam curvados sob o jugo das aflições.

Não se faz precedido de arautos e batedores.

Não demanda lugares especiais para a exibição dos fenômenos que lhe vertem das faculdades sublimes.

E, para imprimir o magnetismo divino da Boa-Nova na mente popular, traça no monte as bem-aventuranças da vida eterna, proclamando veemente: 

Felizes os humildes de espírito, porque a eles toca o reino dos Céus.

Felizes os que choram, porque serão consolados.

Felizes os afáveis, porque possuirão a Terra.

Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.

Felizes os misericordiosos, porque obterão misericórdia.

Felizes os que trazem consigo o coração puro, porque sentirão a presença de Deus.

Felizes os pacíficos e os pacificadores, porque serão chamados filhos do Altíssimo.

Felizes os que forem perseguidos sem causa, porque o reino dos Céus lhes pertence.

Se te afeiçoas, assim, ao fenômeno magnético, seja qual for o filão de tuas atividades, poderás estudá-lo e incrementá-lo, estendê-lo e defini-lo, mas, para que dele faças motivo de santidade e honra, somente em Jesus-Cristo encontrarás o luminoso e indiscutível padrão.


Emmanuel






Reunião pública de 28-8-1959.

Questão n.º 427.



Emmanuel - Livro Cartilha da Natureza - Casimiro Cunha / Chico Xavier - Introdução - A grande fazenda



Emmanuel - Livro Cartilha da Natureza - Casimiro Cunha / Chico Xavier - Introdução


A grande fazenda


“E ele repartiu por eles a fazenda.” — JESUS (Lucas, 15:12).


A Natureza é a fazenda vasta que o Pai entregou a todas as criaturas. Cada pormenor do valioso patrimônio apresenta significação particular. A árvore, o caminho, a nuvem, o pó, o rio, revelam mensagens silenciosas e especiais.

É preciso, contudo, que o homem aprenda a recolher-se para escutar as grandes vozes que lhe falam ao coração.

A Natureza é sempre o celeiro abençoado de lições maternais. Em seus círculos de serviço, cousa alguma permanece sem propósito, sem finalidade justa.

Eis a razão pela qual o trabalho de Casimiro Cunha se evidencia com singular importância. O coração vibrátil e a sensibilidade apurada conchegaram-se a Jesus, para trazer aos ouvidos dos companheiros encarnados algumas notas da universal sinfonia.

Esta cartilha amorosa relaciona, em rimas singelas, alguns cânticos da fazenda divina que o Pai nos confiou. Envolvendo expressões na luz infinita do Mestre, Casimiro dá notícias das cousas simples, cheias de ensino transcendental. No relatório musicado de sua alma sensível, o milharal, o pântano, a árvore, o ribeiro, o malhadouro, dizem alguma cousa de sua maravilhosa destinação, revelando sugestões de beleza sublime. É o ensino espontâneo dos elementos, o alvitre das paisagens que o hábito vulgarizou, mas se conservam repletas de lições sempre novas.

O trabalho valioso do poeta cristão dispensa comentários e considerações.

Entregando-o, pois, ao leitor amigo, não temos outro objetivo senão lembrar a fazenda preciosa que se encontra em nossas mãos.

A Natureza é o livro de páginas vivas e eternas.

Em abrindo a cartilha afetuosa de Casimiro, recordemos Aquele que veio à Terra, começando pela manjedoura;

que recebeu pastores e animais como visita primeira;

que foi anunciado por uma estrela brilhante; 

que ensinou sobre as águas, orou sobre os montes, escreveu na terra, transformou a água simples em vinho do júbilo familiar; 

que aceitou a cooperação de um burrico para receber homenagens do mundo;

que meditou num horto, agonizou numa colina pedregosa, partiu em busca do Pai através dos braços de um lenho ríspido e ressuscitou num jardim.

Relembremos semelhantes ensinos e recebamos a fazenda do Senhor, não como o filho pródigo que lhe desbaratou os bens, mas como filhos previdentes que procuram aprender sempre, enriquecendo-se de tesouros imortais.


Emmanuel


Pedro Leopoldo, 20 de maio de 1943.







terça-feira, 20 de maio de 2025

Emmanuel - Livro Inspiração - Chico Xavier - Cap. 16 - Diante do universo



Emmanuel - Livro Inspiração - Chico Xavier - Cap. 16


Diante do universo


Povoa-se o Universo por verdadeira multidão de galáxias.

Cada galáxia permanece constituída por milhares de constelações.

Cada constelação, quase sempre, é um ninho de sóis.

Cada sol congrega diversos mundos.

Cada mundo, amadurecido para a inteligência e para a razão, guarda consigo a bênção da Humanidade.

Cada Humanidade se compõe de várias raças.

Cada raça engloba muitos povos e milhões de almas que evoluem, nos degraus que lhes correspondem.

Lembremo-nos, pois, de que no concerto admirável da Criação, somente será possível regenerar e burilar a nós mesmos para que a vida imperecível em nós se retrate vitoriosa, mas não nos esqueçamos de que, apesar da grandeza cósmica, nosso desequilíbrio no mal pode comprometer todo o sistema em que as Leis Divinas se expressam, através do trono sublime da natureza, qual acontece ao micróbio letal que, não obstante imperceptível ao olho nu, pode carrear a enfermidade ou a morte para o corpo físico mais notavelmente bem posto.

Consagremo-nos à estruturação do Bem no campo de nós mesmos, de conformidade com os princípios inelutáveis de harmonia e justiça que nos regem a ascensão, sem o doentio propósito de reajustar os outros, antes da recuperação espiritual de nós próprios, de vez que todo deslize nosso, à frente do Senhor, repercute nas faixas totais da Vida Una, compelindo-nos à posição de angústia e sofrimento, a única suscetível de retificar em nosso espírito e em nossa existência a ruptura do equilíbrio divino do amor que operamos desavisados, diante da Eterna Lei.


Emmanuel