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quinta-feira, 22 de maio de 2025

Emmanuel - Livro Cartilha da Natureza - Casimiro Cunha / Chico Xavier - Introdução - A grande fazenda



Emmanuel - Livro Cartilha da Natureza - Casimiro Cunha / Chico Xavier - Introdução


A grande fazenda


“E ele repartiu por eles a fazenda.” — JESUS (Lucas, 15:12).


A Natureza é a fazenda vasta que o Pai entregou a todas as criaturas. Cada pormenor do valioso patrimônio apresenta significação particular. A árvore, o caminho, a nuvem, o pó, o rio, revelam mensagens silenciosas e especiais.

É preciso, contudo, que o homem aprenda a recolher-se para escutar as grandes vozes que lhe falam ao coração.

A Natureza é sempre o celeiro abençoado de lições maternais. Em seus círculos de serviço, cousa alguma permanece sem propósito, sem finalidade justa.

Eis a razão pela qual o trabalho de Casimiro Cunha se evidencia com singular importância. O coração vibrátil e a sensibilidade apurada conchegaram-se a Jesus, para trazer aos ouvidos dos companheiros encarnados algumas notas da universal sinfonia.

Esta cartilha amorosa relaciona, em rimas singelas, alguns cânticos da fazenda divina que o Pai nos confiou. Envolvendo expressões na luz infinita do Mestre, Casimiro dá notícias das cousas simples, cheias de ensino transcendental. No relatório musicado de sua alma sensível, o milharal, o pântano, a árvore, o ribeiro, o malhadouro, dizem alguma cousa de sua maravilhosa destinação, revelando sugestões de beleza sublime. É o ensino espontâneo dos elementos, o alvitre das paisagens que o hábito vulgarizou, mas se conservam repletas de lições sempre novas.

O trabalho valioso do poeta cristão dispensa comentários e considerações.

Entregando-o, pois, ao leitor amigo, não temos outro objetivo senão lembrar a fazenda preciosa que se encontra em nossas mãos.

A Natureza é o livro de páginas vivas e eternas.

Em abrindo a cartilha afetuosa de Casimiro, recordemos Aquele que veio à Terra, começando pela manjedoura;

que recebeu pastores e animais como visita primeira;

que foi anunciado por uma estrela brilhante; 

que ensinou sobre as águas, orou sobre os montes, escreveu na terra, transformou a água simples em vinho do júbilo familiar; 

que aceitou a cooperação de um burrico para receber homenagens do mundo;

que meditou num horto, agonizou numa colina pedregosa, partiu em busca do Pai através dos braços de um lenho ríspido e ressuscitou num jardim.

Relembremos semelhantes ensinos e recebamos a fazenda do Senhor, não como o filho pródigo que lhe desbaratou os bens, mas como filhos previdentes que procuram aprender sempre, enriquecendo-se de tesouros imortais.


Emmanuel


Pedro Leopoldo, 20 de maio de 1943.







sábado, 3 de fevereiro de 2024

Casimiro Cunha - Livro Cartilha da Natureza - Chico Xavier - Cap. 7 - O mapa



Casimiro Cunha - Livro Cartilha da Natureza - Chico Xavier - Cap. 7


O mapa


Nos serviços necessários
A qualquer expedição,
O mapa é bondoso guia,
Servindo à orientação.

É sempre o mentor fiel,
Evitando o erro, a fossa,
É a força da experiência
Que passou antes da nossa.

Por obter-lhe o concurso,
Houve lágrimas, suor,
Sofrimentos, sacrifícios,
Misérias, ruínas, dor.

Por traçá-lo, muitas almas
Gemeram desconhecidas…
Certos mapas representam
Muitas mortes, muitas vidas.

O espírito estacionário,
Paralítico, inferior,
Embora lhe guarde o ensino,
Desconhece-lhe o valor.

Mas aquele que aproveita
O ensejo de cada dia,
Consulta e atende ao roteiro
Em paz e sabedoria.

Sabendo-se viajor
Nos caminhos da existência,
A carta de indicações
Dirige-lhe a experiência.

Estudando-a, com razão,
Vê-se intrépido e seguro,
Quem vigia no presente
Tem reservas no futuro.

No Mapa dos Corações,
Jamais esqueçamos disto:
O roteiro do Evangelho
Custou muito esforço ao Cristo.

Sigamo-Lo com carinho
Em nossa oportunidade.
Estamos a percorrer
As sendas da eternidade.


Casimiro Cunha











segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Casimiro Cunha - Livro Cartilha da Natureza - Chico Xavier - Cap. 12 - A semente




Casimiro Cunha - Livro Cartilha da Natureza - Chico Xavier - Cap. 12


A semente


Nos quadros vivos da roça,
A semente pequenina
É página aberta aos homens,
Mostrando lição divina.

É minúscula, e somente
À luz de grande atenção
Pode ser reconhecida
No campo de plantação.

Quanto pesa? quase nada:
Coisa muito inferior,
Calcada aos pés, sem cuidado,
Nas lutas do lavrador.

No entanto, grãozinho humilde,
Que pouca gente repara,
Tem tarefas e caminhos,
Lições de beleza rara.

Humilde, pequena e pobre,
Abandonada ao monturo,
A semente é a garantia
Do edifício do futuro.

Coisa mínima lançada
Ao vasto lençol do chão,
Vai ser árvore, celeiro,
Remédio, alimentação.

Mas é justo ponderar,
Ao senso da criatura
Que a espécie de produção
Responde à semeadura.

Laranjeira dá laranja,
Macieira dá maçã,
Planta rude do espinheiro
É mais espinho amanhã.

As sementes ignoradas,
Da roça desconhecida,
São iguais às bagatelas
Do quadro de nossa vida.

Uma palavra, um conselho,
Um gesto, uma vibração,
Vão crescer e produzir
Conforme nossa intenção.


Casimiro Cunha








quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Casimiro Cunha - Livro Cartilha da Natureza - Chico Xavier - Cap. 90 - A noite




Casimiro Cunha - Livro Cartilha da Natureza - Chico Xavier - Cap. 90


A noite


Crepúsculo. E, após o dia
De esforços laboriosos,
Eis que surge a noite cheia
De apelos maravilhosos.

Deus desdobrou sobre a Terra
Seu manto misterioso,
Como pausa necessária
De pensamento e repouso.

As estrelas que se acendem,
Com ternura e rutilância,
Parecem luzes que acenam
De uma cidade a distância.

A luz ditosa convida
A paz e à meditação.
A noite é a parada amiga
De calma renovação.

Se o dia pertence à luta
Da construção terrenal,
A noite é o sagrado ensejo
Da vida espiritual.

Os homens ignorantes
Abusam do seu valor,
Dando vida a todo impulso
De natureza inferior.

Mas quem sabe ser do Cristo
Encontra nela a harmonia
Da fonte de vibrações
Do amor, da paz, da alegria.

Palpita em seu manto a bênção
Do Pai Amado que aprova.
É a ilha rica e encantada
Repleta de força nova.

Alegra-te em cada noite,
E, tomando o bem por guia,
Entrega a Deus o inventário
Das lutas de cada dia.

Não te enerves no repouso,
Renova teu compromisso.
Quem não sabe descansar,
Mentiroso é no serviço.


Casimiro Cunha